Os Irmãos de Jesus (Adaptado por
Cristiano Luiz Antonio)
INTRODUÇÃO
Neste estudo apresentaremos um tema polêmico entre Católicos e
Protestantes: Jesus teve outros irmãos? Apresentaremos a visão Católica
extraída do Livro Católicos Perguntam do Teólogo Dom Estevão Bittencourt OSB,
pags:31,32 e 33 e a visão Protestante Evangélica defendida pelo Pr. Airton
Evangelista da Costa.
VISÃO CATÓLICA
Este texto faz parte do Livro Católicos Perguntam do Teólogo Dom Estevão
Bittencourt OSB, pags:31,32 e 33
"...pessoas não católicas vivem dizendo que
Nossa Senhora teve outros filhos além de Jesus e que a própria Bíblia o
confirma referindo-se várias vezes aos "irmãos de Jesus"
São sete os textos do novo Testamento que mencionam irmãos de
Jesus: Mc 6,3; Mc 3,31-35; Jo 7,2-10; At 1,14; Gl 1,19;1 Cor 9,5.
Chamavam-se - conforme Mc. 6,3 - Simão, tiago, José e Judas. Vejamos quem eram
eles, segundo os Evangelhos.
1. JESUS, FILHO ÚNICO
LC 2,41-52: Jesus, aos 12 anos
de idade, foi com José e Maria a Jerusalém, lá permanecendo durante os sete
dias da festa de Páscoa(v.Lc 2,43) Contando com os dias da
viagem de ida e de volta, a Sagrada Família deve ter ficado cerca de 15 dias
fora de casa. Ora, Maria não pode ter deixado no lar, por tanto tempo, filhos
pequenos. Donde concluímos, com muita verossimilhança que aos 12 anos, Jesus
era filho único. Essa conclusão é confirmada pelo seguinte texto:
Jo 19,26s: Jesus, ao morrer,
confiou sua mãe a João, filho de Zebedeu, membro de outra família. Esse gesto
do Senhor seria incompreesível se Maria tivesse outros filhos em casa.
O Novo Tetamento nunca fala dos filhos de Maria e José. Jesus é
dito "filho de José, putativo e suposto" , em Lc 3,23; é dito
" o filho de Maria"(com artigo) em Mc 6,3. O Evangelho nunca
diz: "A mãe de Jesus e seus filhos", embora isso fosse muito natura se ela
tivesse muitos filhos(v. Mc 3,31-35; At 1,14) refere-se
sempre, isto sim, a "Maria e os irmãos de Jesus", locução pesada e pouco
compreensível se tais irmãos fossem filhos de Maria.
Essas considerações dão a concluir que Jesus era filho único de
Maria. Por que, então, os Evangelhos falam de irmãos de Jesus?
2. POR QUE "IRMÃOS"?
O araimaco, que os judeus falavam no tempo de Jesus e que os
evangelistas supõem, era uma língua pobre em vocábulos. A palavra araimaca e
hebraica "irmão" podia significar não somente os filhos dos mesmos genitores,
mas também primos ou até parentes mais distantes. No Antigo Testamento, vinte
passagens atestam esse significado amplo de irmão. Assim, por exemplo:
Gn 13,8: Abraão disse a
seu sobrinho Lot, filho dom seu irmão: "Somos irmãos..."(v. Gn
14,14-16)
Gn 29,12-15: Jacó se
declara irmão de Labão, quando na verdade era filho de Rebeca, irmã de Labão.
Gn 31,23: relata que
Labão com seus irmãos, isto é, com com seus parentes do sexo masculino, foi o
encalço de Jacó.
1Cr 23,21-23: "Os filhos
de Merari foram Moholi e Musi. Os filhos de Moholi foram Eleázaro e Cis.
Eleázaro morreu sem ter filhos, mas apenas filhas; os filhos de Cis, seus
irmãos(=primos) as tomaram por mulheres"
ver ainda 1Cr 15,5;
2Cr36,10; 2Rs 10,13; Jz 9,3; 1Sm 20,29)...
Com base nesta verificação, não teremos dificuldade para
compreender que os ditos irmãos de Jesus eram, na verdade, primos dele.
Esse parentesco se deduz dos seguintes textos:
Em Mt 27,56
se lê: Estavam ali (no Calvário), a observar de longe...., Maria de Mágdala,
Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu"
Essa Maria, mãe de Tiago e José, não é a esposa de São José,
mas de Cleofas, conforme: Jo. 19,25.
Era também a irmã de Maria, mãe de Jesus, como se lê em Jo.
19,25: "Estavam junto à cruz de Jesus sua mãe, a irmã de sua
mãe, Maria(esposa) de Cleofas, e Maria de Mágdala".
O s nomes de Cleofas a Alfeu designam em grego a mesma pessoa,
pois são formas gregas do nome aramaico
Claphai. Ora, o mais antigo historiador da Igreja, Hegesipo,
conta-nos que Cleofas ou Alfeu era irmão de São José. Daí se depreende que
Cleofas e Maria de Cleofas tiveram como filhos: Tiago, José, Judas e Simão.
Estes, portanto, eram primos de Jesus.
O fato de, no Evangelho, sempre apareceram com Maria, embora
não fosse seus filhos, mas sobrinhos, explica-se do seguinte modo: no Judaísmo
antigo, a mulher não costumava apresentar-se sozinha em público, mas sempre
acompanhada por parentes próximos do sexo masculino, Ora, julga-se que José,
esposo de Maria, tenha falecido antes da vida pública de Jesus; quando este
saiu de casa para iniciar sua missão, Maria passou a ser acompanhada pelos
irmãos de Jesus, ou seja, pelos seus primos, que eram sobrinhos de Maria.
VISÃO PROTESTANTE EVANGÉLICA
Por:
Airton Evangelista da Costa
Os "irmãos de Jesus", de que fala a Bíblia, seriam apenas seus
primos? José continuou sem conhecer sua esposa mesmo depois do nascimento de
Jesus? O que dizem os comentaristas nas bíblias aprovadas pela Igreja
Católica?
1. OS IRMÃOS DE JESUS
Os "irmãos de Jesus", de que fala a Bíblia, seriam apenas seus
primos? José continuou sem conhecer sua esposa mesmo depois do nascimento de
Jesus? O que dizem os comentaristas nas bíblias aprovadas pela Igreja
Católica? É admissível supor que os irmãos de Jesus, que não criam nele,
fossem seus apóstolos? Tentaremos encontrar respostas para essas indagações.
Usaremos as seguintes versões bíblicas:
(a) A BÍBLIA DE JERUSALÉM,
Paulus Editora, 1973, 8a impressão em janeiro/2000, rubricada em 1.11.1980 por
Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Metropolitano de São Paulo. O trabalho de
tradução foi "realizado por uma equipe de exegetas católicos e protestantes e
por um grupo de revisores literários". Nas referências, será assim mencionada:
Bíblia {católica] de Jerusalém.
(b) BÍBLIA SAGRADA,
Edição Ecumênica, tradução do padre Antônio Pereira de Figueiredo; notas e
dicionário prático pelo Monsenhor José Alberto L. de Castro Pinto, Bispo
Auxiliar do Rio de Janeiro; edição aprovada pelo cardeal D. Jaime de Barros
Câmara, Arcebispo do Rio de Janeiro; BARSA, 1964. Nas referências, será
designada assim: Bíblia [católica] Sagrada.
(c) BÍBLIA APOLOGÉTICA, João Ferreira de
Almeida, Corrigida e Revisada, ICP Editora, 2000, notas do Instituto Cristão
de Pesquisas. Será assim indicada: Bíblia Apologética.
(d) BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL, Almeida,
revista e corrigida, Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), 1995.
será referida: Bíblia de Estudo Pentecostal.
Inicialmente, veremos os versículos que falam dos "irmãos de
Jesus", extraídos da Bíblia [católica] de Jerusalém:
"Não é ele o filho do carpinteiro? E não se chama a mãe dele
Maria e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E as suas irmãs não vivem
todas entre nós? Donde então lhe vêm todas essas coisas? E se escandalizavam
dele. Mas Jesus lhes disse: "Não há profeta sem honra, exceto em sua pátria e
em sua casa" (Mateus 13.55-58; Marcos 6.3-6).
"Estando ainda a falar às multidões, sua mãe e seus irmãos
estavam fora, procurando falar-lhe.Jesus respondeu àquele que o avisou: "Quem
é minha mãe e quem são meus irmãos?" E apontando para os discípulos com a mão,
disse: "Aqui estão a minha mãe e os meus irmãos, porque aquele que fizer a
vontade de meu Pai que está nos Céus, esse é meu irmão, irmã e mãe". (Mateus
12.46-50; Marcos 3.32-35; Lucas 8.19-21). "Depois disso, desceu a Cafarnaum,
ele, sua mãe, seus irmãos e seus discípulos, e ali ficaram apenas alguns
dias". (João 2.12).
"Aproximava-se a festa judaica das Tendas. Disseram-lhe, então,
os seus irmãos: 'Parte daqui e vai para a Judéia, para que teus discípulos
vejam as obras que fazes, pois ninguém age às ocultas, quando quer ser
publicamente conhecido. Já que fazes tais coisas, manifesta-te ao mundo!' Pois
nem mesmo os seus irmãos criam nele"(João 7.2-5).
"Tendo entrado na cidade, subiram à sala superior, onde
costumavam ficar. Eram Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu
e Mateus;Tiago, filho de Alfeu, e Simão, o Zelota; e Judas, filho de
Tiago.Todos estes, unânimes, perseveravam na oração com algumas mulheres,
entre as quais Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos dele" (Atos 1.13-14).
Comentários da Bíblia de Jerusalém: "O apóstolo Judas é distinto de Judas,
irmão de Jesus (cf. Mt 13.55; Mc 6.3) e irmão de Tiago (Judas 1). Não se deve
também, parece, identificar o apóstolo Tiago, filho de Alfeu, com Tiago, irmão
do Senhor (At 12.17; 15.13, etc)".
"Não temos o direito de levar conosco, nas viagens, uma mulher
cristã, como os outros apóstolos e os irmãos do Senhor e Cefas?" (1 Coríntios
9.5).
"Em seguida, após três anos, subi a Jerusalém para avistar-me
com Cefas e fiquei com ele quinze dias.Não vi nenhum apóstolo, mas somente
Tiago, o irmão do Senhor. Isto vos escrevo e vos asseguro diante de Deus que
não minto" (Gálatas 1.18-20). Comentários da Bíblia de Jerusalém: "Outros
traduzem: "a não ser Tiago", supondo que Tiago faça parte dos Doze e se
identifique com o filho de Alfeu (Mt 10.3p), ou tomando "apóstolo" em sentido
lato (cf.Rm 1.1+)".
A Igreja Católica assim se manifestou em seu Catecismo:
"A isto objeta-se por vezes que a Escritura menciona irmãos e
irmãs de Jesus. A Igreja sempre entendeu que essas passagens não designam
outros filhos da Virgem Maria: Com efeito, Tiago e José, "irmãos de Jesus"
(Mateus 13.55), são os filhos de uma Maria discípula de Cristo (Mateus 27.56),
que significativamente é designada como "a outra Maria" (Mateus 28.1).
Trata-se de parentes próximos de Jesus, consoante uma expressão conhecida do
Antigo Testamento (Gênesis 13.8; 14.16; 29.15, etc.)" (Catecismo da Igreja
Católica, p. 141. # 500).
De uma página de apologética católica na Internet colhemos a
seguinte explicação extra-oficial:
"São Lucas esclarece que Tiago e Judas eram filhos de Alfeu ou
Cléofas (Lucas 6.15-16). Portanto o eram também José e Simão. Mas não Jesus,
que sabemos era filho de "José, o carpinteiro". Portanto, não poderiam ser
irmãos carnais. Por outro lado, São Mateus dá o nome da mãe deles: "Entre as
quais estava... Maria, mãe de Tiago e de José" (Mateus 27.56). Não se pode
confundir esta Maria com sua homônima, esposa de José, o carpinteiro. São João
deixa bem clara essa distinção: "Junto à cruz de Jesus estava sua mãe e a irmã
(prima) de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas" (João 19.25), cuja filha se
chamava Maria Salomé. São as bem conhecidas "três Marias". Aliás, atualmente
os protestantes mais cultos já nem levantam mais essa objeção".
Vejamos agora quais as "Marias" citadas nos evangelhos (Bíblia [católica] de
Jerusalém):
a) Na Crucificação
"Estavam ali muitas mulheres, olhando de longe. Haviam
acompanhado Jesus desde a Galiléia, a servi-lo. Entre elas, Maria Madalena,
Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu" (Mt 27.56).
"E também ali estavam ali algumas mulheres, olhando de longe.
Entre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé"
(Mc 15.40). Comentário da referida Bíblia: "Provavelmente, [Salomé] é a mesma
que Mt 27.56 denomina a mãe dos filhos de Zebedeu".
"Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe, a irmã de
sua mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena" (Jo 19.25). Comentários da
referida Bíblia, referindo-se "a irmã de sua mãe": "Ou se trata de Salomé, mãe
dos filhos de Zebedeu (cf. Mt 27.56p) ou, ligando essa denominação ao que se
segue, "Maria, mulher de Clopas".
b) Na Ressurreição
"Após o sábado, ao raiar do primeiro dia da semana, Maria
Madalena e a outra Maria vieram ver o sepulcro" (Mt 28.1). Comentário da
referida Bíblia sobre a "outra Maria": "Isto é, "Maria [mãe] de Tiago" (Mc
16.1; Lc 24.10; cf. Mt 27.56)".
"Passado o sábado, Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, e
Salomé compraram aromas para ir ungi-lo" (Mc 16.1-2).
"Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago" (Lc 24.10),
Vejamos agora quais os "Tiagos" citados nos evangelhos,
conforme consta do Dicionário na parte final da Bíblia [católica] Sagrada,
item "b" retro:
1. Tiago - "O Maior (mais velho), filho de Zebedeu e Salomé e
irmão de São João Evangelista (Mt 4.21). era de Betsaida na Galiléia, pescador
(Mc 1.19) e companheiro de São Pedro como seus irmãos (Lc 5.10)."
2. Tiago - "O Menor (mais moço), filho de Alfeu ou Cléofas (Mt
10.3; Mc 3.18; Lc 6.15; At 1.13) e de Maria (Jo 19.25). Foi chamado "irmão do
Senhor" (Gl 1.19), no sentido semita [relativo aos judeus] que tem essa
palavra que pode se aplicar aos primos e outros consangüíneos em linha
colateral mais afastados, e até mesmo aos simples conacionais. Tiago Menor era
primo de Jesus por ser sobrinho de S. José. N. Senhor apareceu-lhe uma semana
depois da Ressurreição (1 Co 15.7). Foi o primeiro bispo de Jerusalém depois
da dispersão dos Apóstolos.O fato de Paulo o ter procurado (Gl 1.19) e de ter
ele feito o discurso final no Concílio de Jerusalém parece provar isto (At
15.13) Foi morto no Templo por instigação do sumo Sacerdote Anás II, tendo
sido lançado de uma galeria e espancado até à morte (62 depois de Cristo)".
3. Epístola de S. Tiago - "Uma das epístolas católicas
atribuída a São Tiago, o menor..."
Vejamos agora quais os "Judas" citados nos evangelhos, segundo
Dicionário da Bíblia [católica] Sagrada, item "b" retro:
1. Judas - "Habitante de Damasco que hospedou S.Paulo (At
9.11)".
2. Judas Iscariotes - "O Apóstolo que traiu N. Senhor (Mt 10.4;
Mc 3.19; Lc 6.16). Iscariot quer dizer "homem de Cariot", aldeia de Judá".
3. Judas Tadeu - "Um dos doze apóstolos (Mt 10.3; Mc 3.18; Lc
6.16; Jo 14.22). É o irmão de Tiago o Menor e "irmão", isto é, primo do Senhor
(At 1.13); Mt 13.55; Mc 6.3)".
4. Epístola de S. Judas Tadeu - Um dos livros canônicos do Novo
Testamento, classificado entre as chamadas "Epístolas Católicas".
A partir dessas informações surgem algumas indagações:
Primeiro - Os apóstolos Tiago (o Menor) e Judas (Tadeu)
são os mesmos chamados de "irmãos de Jesus" em Mateus 13.55 e Marcos 6.3? Que
dizem as bíblias católicas retrocitadas?
O que vimos foram interpretações discordantes. A Bíblia de
Jerusalém diz nos comentários sobre Atos 1.13 que "o apóstolo Judas é distinto
de Judas, irmão de Jesus", isto é, não são a mesma pessoa, ou seja, o apóstolo
Judas é uma pessoa e o irmão de Jesus, com idêntico nome, é outra pessoa. No
mesmo passo, diz que o apóstolo Tiago, filho de Alfeu, não é o mesmo Tiago,
irmão do Senhor. Reiterando a sua posição, referida Bíblia afirma nos
comentários sobre Gálatas 1-18-20: "Outros traduzem: "a não ser Tiago",
supondo que Tiago faça parte dos Doze e se identifique com o filho de Alfeu
(Mt 10.3p), ou tomando "apóstolo" em sentido lato (cf. Rm 1.1+)".
Por outro lado, a Bíblia Sagrada, católica, como discriminada
no início deste trabalho, assume posição diferente. O dicionário que compõe
essa Bíblia diz que "Tiago, o Menor, filho de Alfeu ou Cléofas (Mt 19.3; Mc
3.18; Lc 6.15; At 1.13) e de Maria (Jo 19.25), foi chamado "irmão do Senhor".
Diz mais que "Tiago Menor era primo de Jesus por ser sobrinho de S.José".
Confirmando, diz que "Judas Tadeu, um dos apóstolos (Mt 10.3; Mc 3.18...) é o
irmão de Tiago, o Menor, e "irmão", isto é, primo do Senhor (At 1.13; Mt
13.55; Mc 6.3)". O descompasso é lamentável, a menos que se configure aí o
"livre-exame" - situação em que comentaristas ou exegetas católicos
interpretam livremente os textos bíblicos sem guardar coerência com a cúpula
do Vaticano.
No particular, concordo plenamente com a Bíblia [católica] de
Jerusalém. Os irmãos de Jesus (Mt 13.55 e Mc 6.3, etc.), não foram apóstolos
ou mesmo discípulos, pelo seguinte:
a) Os irmãos de Jesus não criam nEle. No registro de João 7.2-5
nota-se claramente essa incredulidade. Entende-se, também, que Jesus evitou a
companhia deles nesse episódio (Jo 7.8-10). Ao dizerem "para que teus
discípulos vejam as obras que fazes" seus irmãos se excluíram do rol dos
seguidores de Jesus. Ademais, Jesus não iria escolher para apóstolo alguém que
não cria nEle.
b) Segundo, a Bíblia estabelece distinção entre ser discípulo e
ser irmão de Jesus (Jo 2.12; At 1.13-14; 1 Co 9.5; Gl 1.18-20). Por exemplo,
em certa ocasião Jesus estava com seus discípulos em determinado local, e lá
fora estavam sua mãe e seus irmãos (Mt 12.46-50; Mc 3.32-35; Lc 8.19-21).
Segundo, a tia de Jesus - irmã de sua mãe Maria - era
Salomé, mãe dos filhos de Zebedeu, ou era Maria, mulher de Cléofas?
Vejamos mais uma vez o que relata João 19.25: "Perto da cruz de
Jesus, permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas,
e Maria Madalena".
A frase está de tal forma postada que admite duas
interpretações. A primeira é a de que "a irmã de sua mãe" é uma pessoa, e
Maria, mulher de Cléofas, outra. A segunda hipótese é a de que o nome da tia
de Jesus é Maria, a mulher de Cléofas. A Bíblia [católica] de Jerusalém
concorda comigo quando diz: "Ou se trata de Salomé, mãe dos filhos de Zebedeu
(Mt 27.56) ou, ligando essa denominação ao que se segue, "Maria, mulher de
Clopas".
A Bíblia Sagrada, edição católica, afirma no seu "dicionário":
"Maria de Cléofas" é irmã da SS. Virgem Maria, i.e. sua prima, pois em
hebraico a palavra tem um sentido mais lato. Segundo uns seria a mãe de Tiago
(o menor), José, Simão e Judas Tadeu e esposa de Cléofas também chamado Alfeu
(Mt 27.56; Mc 3.18; 6;3; 15.40). Segundo outros são duas pessoas com o mesmo
nome, uma, irmã de S. José, seria a esposa de Alfeu e mãe de Tiago Menor e
José; e a outra seria cunhada de S. José por ser casada com Cléofas, irmão de
S. José, e seria a mãe de Simão e Judas Tadeu. Como quer que seja, uma Maria
de Cléofas e uma Maria, mãe de Tiago, aparecem nos Evangelhos como tendo
acompanhado o Senhor até o Gólgota e preparado os aromas... (Jo 19.25; Lc
24.10; Mt 28.9)".
Terceiro, de quem seriam filhos os irmãos de Jesus?
Não eram filhos de Zebedeu e de sua provável mulher Salomé,
porque os filhos destes eram João e Tiago (Mt 4.21). Ora, os irmãos de Jesus
foram Tiago, José, Simão e Judas, afora algumas irmãs (Mt 13.55-56, Mc 6.3).
João está excluído dessa relação. Além disso, os irmãos de Jesus não criam
nEle (Jo 7.5). Logo, João, apóstolo, não foi seu irmão.
Não eram filhos de Maria, mulher de Alfeu ou Cléofas, cujo
filho Tiago, o menor, foi apóstolo (Mt 10.3; Mc 15.40), e como tal não poderia
ser irmão de Jesus, porque estes não criam nEle (Jo 7.5). Ademais, não consta
que Tiago, José, Simão e Judas, irmãos do Senhor, fossem filhos do referido
casal.
A Bíblia [católica] de Jerusalém é de parecer semelhante quando
diz: "O apóstolo Judas é DISTINTO de Judas, irmão de Jesus
(cf. Mt 13.55; Mc 6.3) e irmão de Tiago (Judas 1). Não se deve também, parece,
IDENTIFICAR o apóstolo Tiago, filho de Alfeu, com Tiago, irmão do Senhor (At
12.17; 15.13, etc)". Realce acrescentado. Contrapondo-se, a outra Bíblia,
católica, diz que Judas, apóstolo, é o irmão de Tiago o menor e "irmão", isto
é, primo do Senhor (Mt 13.55; Mc 6.3). Ou seja, Tiago e Judas, eram ao mesmo
tempo irmãos (ou primos) e apóstolos.
Se os irmãos de Jesus não eram filhos de Zebedeu, nem o eram de
Alfeu, seria da tia de Jesus, não devidamente identificada em João 19.25? Não
pode ser porque essa tia de Jesus já foi devidamente identificada pelo
catolicismo, ao dizer que ou se chamava Salomé,mãe dos filhos de Zebedeu, ou
era Maria, mulher de Cléofas.
Vamos agora ler o que dizem outros comentaristas a respeito dos
irmãos de Jesus.
IRMÃOS DO SENHOR - "Aqueles de
quem se fala em Mateus 12.46 e 13.55, e outros lugares,como irmãos de Jesus,
seriam filhos de José e Maria? Segundo uma opinião que já vem do segundo
século pelo menos, esses "irmãos de Jesus" eram filhos de um primeiro
matrimônio de José. Mais tarde foram, por alguns críticos considerados primos
do nosso Salvador. Podem, contudo, ter sido filhos de José e Maria. Em todas
as passagens, menos uma, em que esses irmãos de Jesus são mencionados nos
Evangelhos, acham-se associados com Maria. Se eram eles filhos mais velhos de
José, não seria então Jesus o herdeiro do trono de Davi, segundo as nossas
noções de primogenitura. Eles não acreditavam em Jesus no princípio da Sua
missão, e até, segundo parece (Jo 7.5), depois que os apóstolos foram
escolhidos; e por essa razão eles não puderam ser do número dos Doze, dos
quais, na verdade, eles particularmente se distinguem, quando num período
posterior são vistos na companhia deles (At 1.14). Não devem, portanto, ser
confundidos com os filhos de Alfeu, embora tenham os mesmos nomes. Além disso,
as palavras "filho" e "mãe", sendo empregadas nesta passagem (Mt 13.55) no seu
natural e principal sentido, semelhantemente devem ser tomados os nomes
"irmão" e "irmã" , pelo menos, até ao ponto de excluir o termo "primo". O fato
de terem os filhos de Alfeu, bem como os irmãos do Senhor, os nomes de Tiago,
José e Judas, nada prova, visto que esses nomes eram muito vulgares nas
famílias judaicas. Estranha-se que não fossem
lembrados estes irmãos, quando Jesus confiou a
sua mãe aos cuidados de João; mas isso
explica-se pela razão de que a esse
tempo ainda eles não criam Nele. A conversão deles
parece ter sido quando se realizou a aparição de Jesus a Tiago,
depois da Sua ressurreição (1 Co 15.7)." (Dicionário Bíblico
Universal, pelo Rev Buckland, Editora Vida, 1993).
IRMÃOS DO SENHOR - "Relação
de parentesco atribuída a Tiago, José, Simão e Judas,
Mt 13.55;Mc 6.3, que aparecem em companhia de Maria, Mt
12.47-50; Mc 3.31-35; Lc 8.19-21, foram juntos para Cafarnaum
no princípio da vida pública de Jesus, Jo 2.12, mas
não creram nele senão no fim de sua carreira. Jo
7.4,5. Depois da ressurreição, eles se acham
em companhia dos discípulos, At 1.14, e mais tarde
os seus nomes aparecem na lista dos obreiros
cristãos, 1 Co 9.5. Tiago, um deles, salientou-se
como líder na Igreja de Jerusalém, At 12.7; 15.13; Gl 1.19;
2.9, e foi autor da epístola que traz o seu nome.
Em que sentido eram eles irmãos de Jesus? Tem sido assunto de muitas
discussões. Nos tempos antigos, julgava-se que eram filhos de José, do
primeiro matrimônio. O seu nome não aparece mais na história do evangelho.
Sendo José mais velho que Maria é provável que tivesse morrido logo e que
tivesse casado antes. Esta opinião é razoável, mas em face das narrativas de
Mt 1.25 e Lc 2.7, não é provável. No quarto século, S. Jerônimo deu outra
explicação, dizendo que eram primos de Cristo, pelo lado materno, filhos de
Alfeu ou Cléofas com Maria, irmã da mãe de Jesus. Esta explicação se infere,
comparando Mc 15.40 com Jo 19.25, e a identidade dos nomes Alfeu e Cléofas.
Segundo esta idéia, Tiago, filho de Alfeu, e talvez Simão e Judas, contados
entre os apóstolos, fossem irmãos de Jesus. Porém, os apóstolos se
distinguiam dos irmãos, estes nem ao menos criam nele, e não é
provável que duas irmãs tivessem o mesmo nome. Outra idéia muito
antiga é que eles eram primos de Jesus pelo lado paterno e outros
ainda supõem que eram os filhos da viúva do irmão de José, Dt 25.5-10.
Todas estas opiniões ou teorias parecem ter por fim sustentar a perpétua
virgindade de Maria. O que parece mais razoável e mais
natural é que eles eram filhos de Maria depois de nascido Jesus.Que
esta teve mais filhos é claramente deduzido de Mt 1.25 e Lc 2.7 que
explica a constante associação dos irmãos do Senhor com
Maria" (Dicionário da Bíblia, John D. Davis, 21a
Edição/2000, Confederação Evangélica do Brasil).
SEUS IRMÃOS - "Não há
razão para supor que estes irmãos, tanto como as irmãs mencionadas
(Mt 13.55-56), não eram filhos de José Maria" (O Novo
Comentário da Bíblia, vol. II, Nova Vida, 1990, 9a Edição).
IRMÃOS DO SENHOR (Mateus
12.46-50) - "Por insistir na teoria da virgindade perpétua de Maria,
o Catolicismo Romano os levou a explicar erroneamente
o sentido da expressão irmãos. Assim, eles acreditam que
Jesus não tinha irmãos no verdadeiro sentido dessa palavra e o grau de
parentesco que ela exprime. No entanto,esse raciocínio não desfruta de
nenhum apoio escriturístico. A Bíblia é clara ao
afirmar que Jesus tinha quatro irmãos, além de várias
irmãs (Mt 13.55,56; Mc 3.31-35; 6.3; Lc 8.19-21; Jo 2.12; 7.2-10; At
1.14; 1 Co 9.5; Gl 1.19). A teoria desenvolvida pelos
católicos romanos e por alguns protestantes, que visa defender que
Maria permaneceu virgem, é totalmente fútil.
Esse conceito só passou a fazer parte da teologia
muitos séculos depois de Jesus. Seu objetivo,
é claro, era exaltar Maria, criando, assim, a
mariolaria" (Bíblia Apologética, João F. Almeida, ICP Editora, 1a
Edição, 2000).
Quarto, José e Maria se "conheceram" após o nascimento de
Jesus?
A nossa análise terá como base o seguinte registro: "José, ao
despertar do sono, agiu conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em
casa sua mulher.Mas não a conheceu até o dia em que ela deu à luz um
filho. E ele o chamou com o nome de Jesus" (Mateus 1.24-25,
Bíblia [católica] de Jerusalém).
A passagem acima diz claramente que
José, atendendo ao anjo, recebeu em sua casa a sua esposa
Maria, e foram viver como marido e mulher. Está dito
que Maria foi a mulher de José; que José não conheceu
a sua esposa enquanto ela estava grávida de Jesus; que
Jesus nasceu de uma virgem, porque José somente
conheceu sua mulher - ou seja, teve relações com ela -
depois do nascimento de Jesus.
Católicos há que contestam o que está escrito na Bíblia, e
dizem que "nas Sagradas Escrituras a expressão "até que" é empregada muitas
vezes para indicar um tempo indeterminado, e não para marcar algo que ainda
não aconteceu". Não iremos nos estender na refutação dessa tese
porque as duas bíblias de início citadas,
aprovadas pelo catolicismo, interpretam corretamente
referido versículo. Vejamos:
"Mas [José] não a conheceu até o dia em que ela deu à
luz um filho, e ele o chamou com o nome de Jesus": "O texto
não considera o período ulterior [depois do parto] e por si
não afirma a virgindade perpétua de Maria, mas o resto do Evangelho,
bem como a tradição da Igreja, a
supõem" (Comentário da Bíblia [católica] de Jerusalém).
Em outras palavras, os exegetas católicos, que trabalharam na
edição da referida Bíblia, reconheceram o óbvio, ou seja, que até o nascimento
de Jesus, José e Maria não se "conheceram". Todavia, dizem bem quando
entendem que a Tradição "supõe", isto é, o dogma da perpétua virgindade de
Maria é uma suposição, não uma realidade bíblica. O
comentário acima coloca por terra argumentos outros não oficiais, segundo os
quais José não conheceu sua esposa nem antes nem depois do nascimento de
Jesus.
Outro comentário: "Enquanto (ou até que): esta palavra
portuguesa traduz o latim donec e o grego heos ou, que por sua vez estão
calcados sobre a expressão hebraica ad ki que se refere ao tempo anterior a
esse limite sem nada dizer do tempo posterior, cf. Gn 8.7;Sl 109.1; Mt 12.20;
1 Tm 4.13. A tradução exata seria: "sem que ele a tivesse conhecido, deu à
luz...", pois a nossa expressão "sem que" tem o mesmo valor" (Bíblia
[católica] Sagrada.
O que a Bíblia acima está dizendo em seus comentários é que o "ATÉ"
não foi ALÉM do nascimento de Jesus, ou seja, enquanto grávida e até
dar à luz não houve "conhecimento" mútuo do casal.
Concordando com as Bíblias Católicas, a Bíblia Apologética,
usada pelos evangélicos, assim esclarece: "Veja a preposição "até" em qualquer
concordância bíblia e ficará surpreso a respeito do seu significado.
Observe alguns exemplos: Levíticos 11.24-25: "E por estes sereis imundos:
qualquer que tocar os seus cadáveres, imundo será ATÉ à tarde". E depois da
tarde, eles permaneceriam imundos? Vejamos agora Apocalipse 20.3:
"E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para
que não mais engane as nações, ATÉ que os mil anos se acabem.
E depois importa que seja solto por um pouco tempo". Assim, a relação
existente antes do nascimento de Jesus se modificou [como se modificou a
situação de Satanás após os mil anos de prisão], não a conheceu até que ela
deu à luz. Essa passagem declara que, depois do nascimento de Jesus,
José Maria tiveram uma vida conjugal normal, como qualquer outro casal.
Nenhum autor do Novo Testamento ensina a
doutrina da virgindade perpétua de Maria. Se se tratasse de uma doutrina ou
ensinamento vital ou essencial como requer o catolicismo romano, certamente
Paulo e os outros discípulos teriam mencionado a respeito. Assim resta ao
catolicismo romano apegar-se à tradição, porque a Bíblia não aceita essa
teoria (Colossenses 2.8)".
A expressão "não coabitou com Maria ATÉ QUE nascesse Jesus"
está muito clara. Ligada à fala do anjo que disse a
José que RECEBESSE Maria, sua mulher, ficou entendido que passado o
período da gravidez e do descanso depois do parto, José e Maria, marido e
mulher, continuariam uma vida a dois como todos os casais do mundo. Assim
aconteceu, pois tiveram muitos filhos, conforme está em
Mateus 13.55-56. José e Maria constituíram um casal muito feliz e
foram abençoados por Deus. E por ter filhos, por amar o seu esposo,
por ter sido mãe, Maria não pecou nem perdeu a sua santidade.
Maternidade e santidade podem caminhar juntas,
sem que uma prejudique a outra. Sexo no casamento não pecado.
Quinto, houve ordem divina para que José não
"conhecesse" sua mulher ?
Se não havia a intenção formal nem de José nem de Maria de
viverem sem relações íntimas, embora residissem sob o mesmo teto, teria havido
alguma ordem divina nesse sentido? O leitor deverá ler cuidadosamente
Mateus 1.18-25 e Lucas 1.26-38 para verificar a inexistência de
qualquer tipo impedimento. A resposta de Maria ao anjo - "Como é que
vai ser isso, se eu não conheço homem algum?" (Lc 1.34) -
pode ser interpretada como um voto de virgindade? A Bíblia [católica]
de Jerusalém, em seus comentários, responde: "A "virgem" Maria é apenas noiva
(v.27) e não tem relações conjugais (sentido semítico de "conhecer", cf. Gn
4.1; etc.). Esse fato, que parece opor-se ao anúncio dos vv. 31-33, induz à
explicação do v. 35. NADA NO TEXTO IMPÔE A IDÉIA DE UM VOTO DE
VIRGINDADE" (realce acrescentado).
Sexto, o que diz a Igreja Católica sobre o Matrimônio?
a) "Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e
castamente são honestos e dignos e a sexualidade é fonte de alegria e prazer"?
(Catecismo da Igreja Católica, p. 612, # 2362). Por que com Maria seria
diferente?
b) "Pela união dos esposos realiza-se o duplo fim do
matrimônio: o bem dos cônjuges e a transmissão da vida", pois que "esses dois
significados ou valores do casamento não podem ser separados sem alterar a
vida espiritual do casal" (C.I.C. p. 612, # 2363). Por que com o casal
José Maria seria diferente? Esses "valores" não diziam
respeito também a eles?
c) "A sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja vêem
nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais"?
(C.I.C., p. 615, # 2373). Por que Maria não podia ter muitos filhos?
d) "Exige a indissolubilidade e a fidelidade da doação
recíproca e abre-se à fecundidade"? (C.I.C. p. 449 #1643). Por que doação
recíproca e fecundidade deveriam ficar for a do casamento de José e Maria?
e) "O instinto do Matrimônio e o amor dos esposos estão, por
sua índole natural, ordenados à procriação e à educação dos filhos... e por
causa dessas coisas são como que coroados de sua maior glória"? Se "os filhos
são o dom mais excelente do Matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos
próprios pais... pois "Deus mesmo disse: "Crescei e Multiplicai" (Gn 2.18)" (C.I.C.
p.452 #1652). José e Maria não deveriam crescer e multiplicar? Eles não tinham
essa índole natural à procriação?
f) "A sexualidade está ordenada para o amor conjugal
entre o homem e a mulher,e no casamento a intimidade corporal dos esposos se
torna um sinal de um penhor de comunhão espiritual"? (C.I.C., p.611 #2360).
Por que eles não podiam?
g) "Por causa da prostituição cada um tenha a sua própria
mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido", e que "a mulher não tem poder
sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido"; e que "não vos defraudeis
[negar relação íntima] um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum
tempo, para vos aplicardes à oração; mas que "depois ajuntai-vos outra vez
para que Satanás não vos tente por causa da incontinência [ausência de
relações sexuais]", tudo como está escrito nas palavras inspiradas do
apóstolo Paulo (1 Coríntios 7.2-5). A abstinência do casal
não estaria fora dos propósitos de Deus? Lembremo-nos das palavras de Jesus:
"Aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos Céus, esse é meu irmão,
irmã e mãe" (Mt 12.46-50). Lembremo-nos também das palavras de Maria: "Fazei
tudo o que Ele vos disser" (Jo 2.5)
2. OUTRAS CONSIDERAÇÕES
1) Lemos em João 2.12: "Desceu [Jesus] a Carfanaum, com
sua mãe, seus irmãos e seus discípulos. E ficaram ali muitos dias".
Não pode ser outro o entendimento: Jesus com sua família, a mãe com
seus filhos ficaram muitos dias naquela cidade. Não há como forçarmos
uma interpretação que nos levaria a pensar que Maria, não
tendo filhos com José, resolvera criar seis ou mais parentes.
Vejam também a distinção entre "discípulos" e "irmãos".
2) Quando o termo "irmãos e irmãs" é empregado em conjunto com "pai" ou "mãe",
o sentido não pode ser o de primos e primas, mas de irmãos biológicos, filhos
de um mesmo pai ou mãe. Exemplo: "Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu
pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e até mesmo a sua própria
vida, não pode ser meu discípulo" (Lucas 14.26).
3) Vejamos quais as palavras usadas no grego - a língua original do Novo
Testamento - para designar IRMÃOS, IRMÃS, PARENTES, PRIMOS e SOBRINHOS,
conforme a Concordância Fiel do Novo testamento, dois volumes, Editora Fiel,
1a Edição, 1994:
Adelphos - Usada 343 vezes para
designar pessoas que têm em comum pai e mãe, ou apenas pai ou mãe; indicar
duas pessoas que têm um ancestral comum ou que faz parte do mesmo povo, ou
membros da mesma religião. Com essa palavra são nomeados os irmãos de Jesus
(Mt 12.46-4813.55; Mc 6.3; Jo 2.12; 7.3,5,10; At 1.14; 1 Co 9.5; Gl 1.19; Jd
1).
Adelphe - O termo é traduzido 26
vezes como irmã, indicando (poucas vezes) a participante de uma mesma fé, e (a
maioria dos casos) a filha de um mesmo pai ou mãe. Foi usado, por exemplo,
para designar as irmãs de Jesus (Mt 13.56; Mc 3.32; 6.3), a irmã da mãe de
Jesus (Jo 19.25), as irmãs de Lázaro, Marta e Maria (Jo
11.1,3,5,28,39).
Syngenis - Usado como o feminino
de "parente" para indicar o parentesco de Maria, mãe de Jesus, com Isabel:
"Também Isabel, tua parenta..."(Lc 1.36).
Syngenes - Termo usado para
designar pessoa consangüínea, da mesma família, ou da mesma
pátria (compatriota). Vejamos alguns dos 11 casos em que o termo foi usado:
Mc 6.4 - "Um profeta só é desprezado em sua pátria, em sua
parentela e em sua casa". Nota: Quando se trata
dos "irmãos de Jesus", o termo usado é "adelphos" ou "aldephe".
Lc 1.36 - "Isabel tua parenta". Nota: Se Isabel fosse irmã de
Maria (filhas de pais comuns) o termo teria sido "adelphe", de igual modo como
foi usado em Jo 19.25 para designar a irmã da santa Maria.
Lc 2.44 - " e puseram a procurá-lo entre os parentes e
conhecidos".
Lc 21.16 - "Sereis traídos até por vosso pai e mãe, irmãos,
parentes, amigos, e farão morrer pessoas do vosso meio..." Nota: Muito
importante registrar que nesse versículo são usadas as palavras "adelphos",
para irmãos, e "syngenes", para parentes. Entende-se que o termo "adelphos",
quando associado às palavras pai ou mãe tem o natural significado de filhos
carnais.
Anepsios - Usada somente uma vez para
identificar o termo "primo", na seguinte passagem: "Saúdam-vos Aristarco, meu
companheiro de prisão, e Marcos, PRIMO de Barnabé..." (Colossenses 4.10,
Bíblia [católica] de Jerusalém). Nota: Havia portanto na linguagem grega
palavras para identificar irmãos, primos e parentes. Logo, se Tiago, José,
Simão, Judas e mais algumas mulheres (Mt 13.55-56; Mc 6.3) fossem parentes de
Jesus, e não filhos de Maria, a palavra grega mais correta seria "anepsios" ou
"syngenes".
4) Gostaria de chamar a atenção dos leitores para o que está em
Atos 1.13-14: Tendo chegado, subiram ao cenáculo, onde permaneciam.
Os presentes eram Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e
Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago. Todos
estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e
Maria, mãe de Jesus, e com seus irmãos".
Entendo que Maria, as outras mulheres e os irmãos de Jesus eram
pessoas distintas dos apóstolos acima citados. Tiago e Judas, irmãos
de Jesus, não estavam incluídos naquela relação. Juntaram-se aos
apóstolos naquela ocasião.
Não me parece justo procurarmos uma mãe para os irmãos de
Jesus. A outra Maria, que pode ser a de Alfeu ou Cléofas, era mãe de Tiago e
de José. Vejam:
"Maria, mãe de Tiago e de José" (Mt 27.56); "Maria, mãe de
Tiago, o menor, e de José" (Mc 15.40); "Maria, mãe de Tiago" (Lc 24.10);
"Tiago, filho de Alfeu" (Mt 10.3; Lc 6.15; At 1.13).
Ora, os irmãos de Jesus se chamavam Tiago, José, Simão
e Judas. O mesmo cuidado com o que os
evangelistas Mateus e Marcos citaram os nomes de
todos os irmãos de Jesus, um por um, teria usado para descrever os filhos
dessa Maria. Entretanto, só foram citados Tiago e José. E
Simão, com quem fica? A Bíblia descreve os seguintes: Simão, irmão de
Jesus (Mt 13.55; Mc 6.3); Simão, chamado Pedro, apóstolo (Mt 4.18; 10.3);
Simão, o Zelote, apóstolo (Mt 10.4; Mc 3.18; Lc 6.15; At 1.13). Ainda
há outros com o nome Simão, como por exemplo Simão
Iscariotes, pai de Judas, o traidor (Jo 6.71). A Bíblia com
muita propriedade identifica cada um com o detalhe do apelido ou do parentesco.
E Judas? A Bíblia diz que Judas, apóstolo,
era filho deTiago (Lc 6.16). Não há
nenhum registro afirmando que a outra Maria ou Maria,
de Cléofas, tenha um filho com o nome de Judas. É certo que o
autor da Epístola de Judas seja o irmão do Senhor, como
descrito em Mateus 13.55 e Marcos 6.3, pelos
seguintes motivos: 1) Ele não se apresenta como apóstolo de Cristo, mas como
"servo" e irmão de Tiago (Jd 1.1); 2) A sua exortação no v. 17 sugere que ele
não fazia parte dos Doze. Os dados levantados apontam para o entendimento de
que Tiago, Simão, José Judas, e mais algumas mulheres, eram realmente irmãos
carnais de Jesus, filhos de Maria e de José.
Airton Evangelista da Costa, Pastor da Assembléia de Deus
Palavra da Verdade, em Aquiraz (CE)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BITTENCOURT, Estevam. Católicos Perguntam do Teólogo Dom
Estevão Bittencourt OSB, pags:31,32 e 33
SITE: http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=8430&id_noticia=31