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LIÇÕES - 3º trimestre 2001 - www.cpad.com.br 
Comentários Pr.Elinaldo Renovato de Lima, Natal - RN
Complementos, Ilustrações e Vídeos: Pr. Luiz Henrique de Almeida Silva - 99-99152-0454.
AJUDA -
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao1-asc-1tr18-a_carta_aos_hebreus_e_a_excelencia_de_cristo.htm
 
O LIVRO DE HEBREUS - Pr. Henrique - EBD NA TV - 99-99152-0454
 
Hebreus 1:1 Havendo DEUS antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,

2 A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.

3 O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; Hebreus 2:3; 
 
Lições Bíblicas CPAD - Jovens e Adultos
Lição 1: CRISTO, o resplendor da glória de DEUS - 3º Trimestre de 2001 - Título: Hebreus — “... os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes”
Comentarista: Elinaldo Renovato - Data: 1 de Julho de 2001
 
TEXTO ÁUREO
 “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas” (Hb 1.3).
 
VERDADE PRÁTICA
 A revelação de DEUS aos homens teve sua plena expressão através de seu Filho, JESUS CRISTO, não restando mais qualquer revelação sobre a sua vontade para com a humanidade.
 
LEITURA DIÁRIA
 Segunda - Sl 96.6 Glória e majestade diante de DEUS
 Terça - Rm 11.36 Glória a CRISTO eternamente
 Quarta - 2 Co 4.4 JESUS, imagem e glória de DEUS
 Quinta - Ef 3.21 A CRISTO, glória na igreja
  Sexta - 1 Tm 3.16 JESUS, recebido em glória
 Sábado - Ap 4.11 JESUS, digno de receber glória
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Hebreus 1.1-6.
1 - Havendo DEUS, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho, 2 - a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. 3 - O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou se à destra da Majestade, nas alturas; 4 - feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles. 5 - Porque a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho? 6 - E, quando outra vez introduz no mundo o Primogênito, diz: E todos os anjos de DEUS o adorem.
 
PONTO DE CONTATO
Neste trimestre estudaremos a Epístola aos Hebreus que, entre outros assuntos importantes, enfoca a pessoa de CRISTO como “o resplendor da glória de DEUS”. Sua superioridade é destacada de forma magistral: excede a Moisés, Arão, Melquisedeque, os profetas e os anjos. Ademais disso, o presente tratado, ao alertar os destinatários da carta quanto aos desvios e a apostasia, estabelece as bases da verdadeira adoração, da fé e da comunhão com DEUS.
 
OBJETIVOS
Reconhecer que a revelação de DEUS aos homens foi completada e definida em JESUS.
Distinguir as diferenças entre a antiga e a última revelação dadas por DEUS.
Identificar as características da majestade de CRISTO.
 
SÍNTESE TEXTUAL
A Epístola aos Hebreus compara JESUS CRISTO com o Antigo Pacto, e o apresenta como o cumprimento de todas as promessas messiânicas. Tal comparação visa demonstrar a superioridade de CRISTO sobre tudo quanto o Antigo Testamento tem a oferecer. O tema que percorre a carta do princípio ao fim é: “JESUS CRISTO é superior a ...”. Ele é superior aos anjos, aos profetas, ao sacerdócio levítico e etc. É descrito como o Criador de todas as coisas, resplendor da glória e imagem de DEUS; aquele que tudo sustém com o seu poder, que nos purificou de todo o pecado e está assentado à destra de DEUS.
 
ORIENTAÇÃO DIDÁTICA
Utilizando o quadro abaixo, dê aos seus alunos as diferenças entre os três tipos de mensageiros citados nesta lição: os profetas, os anjos e o Senhor JESUS. O quadro o ajudará a demonstrar a superioridade de JESUS não apenas como portador da mensagem definitiva, mas também como o Senhor de todas as coisas.
 
 
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
A epístola aos Hebreus contém alguns enigmas. Não esclarece quem foi seu autor; a quem foi realmente destinada, nem a data em que foi escrita. No primeiro século, os chamados pais da Igreja não esclareceram tais detalhes. Clemente de Alexandria e Orígenes entenderam que Paulo escrevera Hebreus. No Século II, Tertuliano discordava da autoria paulina, e cria que Barnabé era o autor da epístola. Agostinho, de início, julgou que fosse Paulo mas, depois, afirmou que ela era anônima. Martinho Lutero sugeriu que a carta poderia ter sido escrita por Apolo (At 18.24). Quanto à data, os estudiosos situam-na entre 68 a 70 d.C. Com relação aos destinatários da carta, Hebreus deve ter sido inicialmente dirigida a judeus helenistas convertidos ao Cristianismo. O propósito deste comentário não é discutir tais pormenores, pois a resposta só teremos no céu, quando nos encontrarmos com o escritor. É fundamental que nestas lições sobre a Epístola aos Hebreus, vejamos a pessoa de JESUS CRISTO como o resplendor da glória de DEUS, o Salvador perfeito.
 
I. DEUS FALOU DE MODO DEFINITIVO
1. A antiga revelação. No versículo primeiro, o escritor assevera que, “antigamente”, DEUS falou “muitas vezes, e de muitas maneiras aos pais, pelos profetas”. Moisés foi um profeta especial. No Salmo 103.7, lemos: “Fez notórios seus caminhos a Moisés, e os seus feitos aos filhos de Israel”. Na galeria dos profetas, destacam-se Isaías, que recebeu a revelação do nascimento, vida, ministério, morte e ressurreição do Messias; Jeremias, Ezequiel, Daniel, Joel, Malaquias, e outros, foram instrumentos da revelação, não só para Israel, mas para a Igreja e para o mundo. (Ver 1 Pe 1.12.)
2. DEUS falou de muitas maneiras (v.1b). Nas páginas do Antigo Testamento, vemos que DEUS não falou de modo uniforme pelos profetas. A uns, como a Moisés, Ele falou direto, “cara a cara”; a outros, como Daniel, falou por sonhos; a Jonas, em voz audível, e por meio do vento, do mar e do peixe. Por esses meios, DEUS se revelou de modo progressivo, nas diversas dispensações, até que chegasse “...a posteridade, a quem a promessa tinha sido feita” (Gl 3.19), e a posteridade era CRISTO.
3. A última e definitiva revelação. DEUS, “a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” (v.1b). Essa afirmação é fundamental para a fé cristã. Primeiro, porque DEUS falou. Segundo, porque nos falou “pelo Filho”. A revelação pelos profetas foi divina e progressiva. Eles, com convicção, diziam: “Assim diz o Senhor” (Êx 5.1; Is 7.7; Jr 2.5; Ez 3.11). A revelação pelo Filho, JESUS, é divina e superior, visto ser conclusiva e definitiva. Em Hebreus, vemos a melhor e mais perfeita comunicação do Altíssimo. Ele, nestes “últimos dias”, falou pelo seu próprio Filho, de modo completo, direto e definitivo (cf. Lc 21.33; Mc 13.31). Os ímpios não entenderam esta revelação: os espíritas dizem que o espiritismo é a “terceira revelação”, depois de Moisés e CRISTO. Os adeptos da “Nova Era” dizem que virá a “Era de Aquários”, para substituir o Cristianismo. Com esse engodo, o Diabo engana os incrédulos, a fim de que sejam lançados no inferno (cf. Sl 9.17). JESUS é a última e definitiva revelação de DEUS aos homens. Ele falou e está falado! “Cale-se diante dele toda a terra” (Hc 2.20). Nós cristãos, precisamos estar seguros, fundamentados na Palavra de DEUS, para refutar toda e qualquer doutrina falsa, que apresente qualquer outra revelação divina.
 
II. O PERFIL MAJESTOSO DE CRISTO
1. Herdeiro de tudo e criador do mundo. No v.2, lemos que DEUS constituiu JESUS como “herdeiro de tudo e criador do mundo”.
a) Todas as coisas foram feitas por JESUS. No evangelho segundo João (1.1), temos uma declaração profunda da divindade de CRISTO, quando lemos: “Todas as coisas foram feitas por ele, e nada do que foi feito sem ele se fez”. Ele foi o agente de DEUS na Criação, fazendo vir à luz as coisas criadas pelo poder do ESPÍRITO SANTO.
b) Todas as coisas foram feitas para Ele. JESUS teve do Pai a outorga para criar todas as coisas, e também para ser o herdeiro de todas as coisas criadas. Paulo, escrevendo aos Colossenses, diz: “Tudo foi criado por Ele e para Ele” (Cl 1.16). O Diabo usurpou parte da criação, mas, na sua vinda, JESUS tomará posse de tudo o que lhe pertence por direito de criação, de autoria e por direito de herança.
2. CRISTO, o resplendor da glória de DEUS (v.3). Esta é uma revelação da maior transcendência. No Antigo Testamento, DEUS manifestou a sua glória, em certas ocasiões, de modo terrível e aterrador. Em alguns momentos, a glória de DEUS se manifestou sobre o povo de Israel, deixando-o atordoado. Ezequiel viu a glória de DEUS junto ao rio Quebar de modo estranho e terrível. E concluiu, dizendo: “Este era o aspecto da semelhança da glória do Senhor; e, vendo isso, caí sobre o meu rosto e ouvi a voz de quem falava” (Ez 1.1-28). Tudo isso que o profeta viu foi apenas a “semelhança da glória do Senhor”. Mas em CRISTO, DEUS revelou “o esplendor da sua glória”.
3. CRISTO, “a expressa imagem” de DEUS (v.3). Essa revelação, no texto, amplia a visão de CRISTO, dada ao escritor. Mostra que Ele não é só o resplendor da glória de DEUS, mas tem a mesma natureza, o mesmo caráter. O termo, no grego, para “expressa imagem” ou “a expressa imagem de seu ser” é charakter, que dá idéia de um carimbo, uma gravação, de gravura indelével. Sendo o Filho do Homem quanto à sua condição humana, CRISTO apresentou-se ao mesmo tempo com a natureza do Pai, divina. Ele disse: “eu e o Pai somos um” (Jo 10.30).
4. CRISTO sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder (v.3). JESUS é o agente da criação de DEUS. Sua palavra criadora teve efeito não apenas imediato, mas transformou-se em lei, executada no momento em que, como DEUS, Ele disse: “Haja luz”; “haja uma expansão...”; “façamos o homem...” (Gn 1.1-26). O poder da palavra de DEUS foi tão grande, que sua eficácia continua por todos os séculos. O salmista diz: “tu coroas o ano da tua bondade, e as tuas veredas destilam gordura” (Sl 65.11). No Gênesis, lemos: “Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite não cessarão” (Gn 8.22). Devemos agradecer a DEUS por todos os dias que despertamos, pois, vendo a luz do sol, sentindo o ar que respiramos, vendo as pessoas à nossa volta, cada animal que nasce, e cada ser humano que vem à luz, constatamos que isso é obra da criação de DEUS e de nosso Senhor JESUS CRISTO.
5. CRISTO, o Salvador, fez a purificação dos nossos pecados (v.3). O escritor aos Hebreus recebeu a revelação da obra redentora de CRISTO, como aquele que, pelo seu sangue, nos purifica de todo o pecado (cf. 1 Jo 1.7). As religiões feitas pelos homens e seus líderes não têm esse poder. Pelo contrário, as religiões orientais, como o Budismo, o Hinduísmo e o Islamismo, pregam uma salvação que pretende purgar os pecados, através de reencarnações, dum carma, ou de obras, levando o homem a crer na mentira da salvação efetuada pelo próprio homem. Com CRISTO é diferente. Ele é o agente eficaz da salvação, remindo o homem que o aceita como Salvador.
6. Assentado à direita de DEUS (v.3). Nos antigos impérios e reinos, o lugar de honra era ao lado do monarca, ou do imperador. A comunicação sobre a posição de CRISTO, quando elevado aos céus, evoca essa metáfora. Após sua ascensão, JESUS foi recebido à direita de DEUS (Mc 16.19); Estêvão viu JESUS à destra de DEUS, no momento de seu martírio (At 7.55); (ver ainda Rm 8.34).
 
CONCLUSÃO
Alegremo-nos por não servirmos a um deus qualquer, produto da mente humana, ou da necessidade imanente de se acreditar em algo ou em alguém superior, como os indígenas e outros povos tidos como primitivos. O nosso DEUS é o excelso Criador. O nosso CRISTO é o Verbo Divino, o Salvador, que, cumprida sua missão, assentou-se “à direita da majestade nas alturas”.
 
VOCABULÁRIO
Aterrorizador: Que aterroriza; pavoroso, aterrador, aterrorizante.
Imanente: Que existe sempre em um dado objeto e inseparável dele.
Indelével: Que não se dissipa, indestrutível.
Posteridade: Série de indivíduos procedentes da mesma origem.
Progressivo: Que se vai realizando gradualmente.
Purgar: Tornar puro; purificar, limpar.
Refutar: Dizer em contrário; desmentir; negar.
Transcendência: O conjunto de atributos do Criador que lhe ressaltam a superioridade em relação à criatura.
Usurpar: Apossar-se violentamente de, adquirir com fraude.
 
EXERCÍCIOS
1. Por que JESUS é herdeiro de tudo?
R. Porque todas as coisas foram feitas por Ele e para Ele.
2. De acordo com a lição, como DEUS falou na Antiga Aliança?
R. “Muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas”.
3. Como foi a revelação pelo Filho, JESUS?
R. Foi divina e superior, visto que foi conclusiva e definitiva.
4. Por que CRISTO é a expressa imagem de DEUS?
R. Porque tem a mesma natureza e caráter de DEUS.
5. Por que CRISTO sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder?
R. Porque a palavra que saiu de sua boca, no momento da criação, teve efeito não apenas imediato, mas transformou-se em lei.
 
AUXÍLIOS SUPLEMENTARES
Subsídio Teológico
 “‘Falou-nos... pelo Filho’ (Hb 1.1,2). Estes dois primeiros versículos estabelecem o tema principal deste livro. No passado, o instrumento principal de DEUS para sua revelação foram os profetas, mas agora Ele tem falado, ou se revelado pelo seu Filho JESUS CRISTO, que é supremo sobre todas as coisas. A Palavra de DEUS falada mediante seu Filho é final: ela cumpre e transcende tudo o que foi anteriormente falado da parte de DEUS. Absolutamente nada, nem os profetas (v.1) nem os anjos (v.4) têm maior autoridade do que CRISTO. Ele é o único caminho para a salvação eterna e o único mediador entre DEUS e o homem. O escritor de Hebreus confirma a supremacia de CRISTO ao enumerar dEle sete grandes revelações (vv.2,3).
‘Assentou-se à destra’ (1.3). Depois de CRISTO ter efetuado o perdão dos nossos pecados mediante a sua morte na cruz, assumiu o seu lugar de autoridade à destra de DEUS. A atividade redentora de CRISTO no céu envolve seu ministério de mediador divino (8.6; 13.15; 1 Jo 2.1,2), de sumo sacerdote (2.17,18; 4.14-16; 8.1-3) de intercessor (7.25) e de batizador no ESPÍRITO (At 2.33)” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, pág.1899).
  
Subsídio Bibliológico
“Por designação divina, herdeiro de todas as coisas (1.1,2). DEUS, desde a eternidade, predestinou seu Filho para ser Possuidor e Soberano de todas as coisas. Mas foi pela encarnação que CRISTO alcançou o senhorio messiânico. Como resultado da encarnação, Ele veio tomar posse de algo antes não necessariamente disponível por sua condição de Filho. Era o seu direito de primogenitura, mas foi de sua humanidade, morte e ressurreição que surgiu o tipo de soberania que se tornou sua somente em razão de seu triunfo sobre o pecado na carne (v.3), e como resultado de sua identificação com os homens numa condição de irmandade. O senhorio messiânico não lhe poderia pertencer enquanto estivesse no seu estado pré-encarnado, visto ser uma questão relativa à função e não a poder e majestade inerentes. Em essência, sempre foi o ‘Filho de DEUS’, mas isto não o fazia Messias; era necessário que se tornasse o ‘Filho do Homem’” (Comentário Bíblico Hebreus, CPAD, págs.116,117).
 
 
Lições Bíblicas CPAD -  Jovens e Adultos - 3º Trimestre de 2001 - Título: Hebreus — “... os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes”
Comentarista: Elinaldo Renovato
  
Lição 2: CRISTO, superior aos anjos
Data: 8 de Julho de 2001
 
TEXTO ÁUREO
 “Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles” (Hb 1.4).
 
VERDADE PRÁTICA
 CRISTO encarnou-se para cumprir sua missão salvífica, isto é, fez-se homem, tendo, porém, sua natureza divina, sendo um com o Pai, e superior aos anjos.
 
LEITURA DIÁRIA
 Segunda - Mt 4.23 JESUS, o ensinador
Terça - Lc 4.18,19 JESUS, o libertador
 Quarta - At 2.32 JESUS venceu a morte
Quinta - Sl 34.7 O anjo do Senhor
 Sexta - Sl 148.2  Os Anjos louvam a DEUS
Sábado - Hb 13.2 Hospedando anjos
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Hebreus 1.4-14; 2.1-3.
Hebreus 1
4 - Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles. 5 - Porque a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho? 6 - E, quando outra vez introduz no mundo o Primogênito, diz: E todos os anjos de DEUS o adorem. 7 - E, quanto aos anjos, diz: O que de seus anjos faz ventos e de seus ministros, labareda de fogo. 8 - Mas, do Filho, diz: Ó DEUS, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. 9 - Amaste a justiça e aborreceste a iniqüidade; por isso, DEUS, o teu DEUS, te ungiu com óleo da alegria, mais do que a teus companheiros. 10 - E: Tu, Senhor, no princípio, fundaste a terra, e os céus são obras de tuas mãos; 11 - eles perecerão, mas tu permanecerás; e todos eles, como roupa, envelhecerão, 12 - e, como um manto, os enrolarás, e, como uma veste, se mudarão; mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão. 13 - E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? 14 - Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?
Hebreus 2
1 - Portanto, convém-nos atentar, com mais diligência, para as coisas que já temos ouvido, para que, em tempo algum, nos desviemos delas. 2 - Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, 3 - como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram;
 
PONTO DE CONTATO:
Esta lição fala acerca da superioridade de JESUS sobre os anjos. Os crentes hebreus, baseados nos relatos e ensinamentos do Antigo Testamento, tinham os seres angelicais em alta estima e respeito, uma vez que os mesmos ocupavam proeminente lugar na economia divina. Eles sabiam que caso suas mensagens fossem desprezadas, conseqüências terríveis haveriam de vir. Era urgente e necessário para aqueles crentes entenderem que JESUS está acima dos anjos em todos os aspectos, pois sua mensagem e missão têm finalidade infinitamente mais sublime: a salvação de todos os homens em todas as épocas e lugares. Somente ao Senhor JESUS toda honra, glória e majestade.
 
OBJETIVOS
Afirmar que JESUS é superior aos anjos em todos os aspectos.
Definir os privilégios de JESUS como Senhor e Criador.
Explicar que não há salvação fora de JESUS.
 
INTRODUÇÃO
Na Antiga Aliança, os anjos eram muito considerados. Na epístola aos Hebreus, o escritor ressalta, de modo enfático, a superioridade de CRISTO em relação aos seres angelicais e, ao mesmo tempo, afirma que Ele, ao se encarnar, fez-se “um pouco menor que os anjos” (Hb 2.9). Nesta lição, estudaremos alguns aspectos importantes dessa superioridade, entendendo esse paradoxo numa análise exegética simples. 

I. MAIS EXCELENTE EM SUA NATUREZA E NO SEU NOME 
1. Os anjos na Bíblia.
Os anjos tiveram papel muito importante entre o povo de DEUS no Antigo Testamento. Ver Gn 19.1,15; 28.12; Êx 3.2; 23.20; Sl 103.20. No Novo, não foi diferente. Um anjo apareceu a José, revelando o nascimento sobrenatural de JESUS (Mt 1.20); um anjo removeu a pedra do sepulcro de JESUS, após sua ressurreição (Mt 28.2). Hoje, há uma verdadeira idolatria em torno desses seres celestiais. A Bíblia adverte: “Ninguém vos domine a seu bel-prazer, com pretexto de humildade e culto dos anjos” (Cl 2.18). Outras referências demonstram claramente a ação dos anjos, não só em favor de Israel, mas de todos os 
servos de DEUS, em todo o mundo (cf. Sl 34.7). 
2. A natureza dos anjos (vv.7,14).
O texto bíblico nos revela alguns aspectos relativos à natureza dos anjos. No v.7, lemos que DEUS “de seus anjos faz ventos, e de seus ministros labaredas de fogo”. É uma citação de Salmos 104.4. Eles são ministros usados por DEUS segundo a sua vontade, submissos a cada convocação sua, portanto, ficam muito aquém da natureza e das funções do Filho de DEUS. Por maiores que sejam os anjos, em comparação com CRISTO são apenas bafos de ventos e fagulhas de fogo. Eles são criaturas. JESUS é Criador, inclusive dos anjos (ver Jo 1.3). No v. 14, os anjos são chamados “espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação”.

II. A SUPERIORIDADE DE JESUS EM RELAÇÃO AOS ANJOS 

1. Declarado Filho de DEUS, gerado pelo Pai.
No v.5, o escritor indaga: “a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho?” Estas perguntas trazem em seu bojo a afirmativa de que CRISTO é superior aos anjos, por ter sido gerado pelo Pai. Ver também Rm 1.4. O escritor sacro reporta-se a Salmos 7.2, que diz: “Recitarei o decreto: O SENHOR me disse: Tu és meu Filho; eu hoje te gerei”. Essa questão é realmente difícil de entender. Sendo DEUS, em que sentido JESUS poderia ser gerado? A resposta está no grandioso milagre e mistério da sua encarnação, incompreensível à mente humana, que só entende um pouco das coisas terrenas.
2. O Filho pela ressurreição.
O escritor Lucas, no Livro de Atos, declara: “E nós vos anunciamos que a promessa que foi feita aos pais, DEUS a cumpriu a nós, seus filhos, ressuscitando a JESUS, como também está escrito no Salmo segundo: Meu filho és tu; hoje te gerei” (At 13.32,33). Sem ter deixado jamais de ser DEUS, JESUS foi  apresentado ao mundo publicamente, como Filho de DEUS, na ressurreição. Veja o que Paulo diz: “Declarado Filho de DEUS em poder, segundo o ESPÍRITO de santificação, pela ressurreição dos mortos - JESUS CRISTO, nosso Senhor” (Rm 1.4). De fato, se JESUS tivesse feito milagres, mas não houvesse ressuscitado, ninguém poderia crer que fosse o divino Filho de DEUS (Ver Mt 3.17; 17.5; Rm 1.4). Seria como Buda, Maomé, Chrisna, etc.
3. O Filho deve ser adorado pelos anjos (v.6).
“E quando outra vez introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de DEUS o adorem”; “...por isso lhe darei o lugar de primogênito; fá-lo-ei mais elevado do que os reis da terra” (Sl 89.26,27). 
4. JESUS está à direita de DEUS (v.13).
Esta é a posição de honra, dada somente a CRISTO, e a ninguém mais: “E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés?”. Estêvão, quando estava sendo martirizado, contemplou JESUS à direita de DEUS (cf. At 7.55). 
5. JESUS é Rei, Messias e Criador.
No v.8, lemos: “Mas do Filho diz: ó DEUS, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de eqüidade é o cetro do teu reino”. Aqui o Filho é chamado DEUS, como de fato Ele o é, além de ser também Rei, cujo cetro (símbolo da autoridade real) é de retidão. Os anjos não têm poder de reino ou soberania. Nos vv.9-12, vemos que JESUS é apresentado como o Ungido, o Messias, e, ao mesmo tempo, como aquEle de quem a terra e “os céus são obra” de suas mãos. O v.13 prossegue exaltando a superioridade de CRISTO como o vencedor, pondo seus inimigos debaixo de seus pés.

III. A GRANDE SALVAÇÃO EM JESUS
1. Advertência contra o desvio (v.1-3).
Depois de apresentar o quadro da superioridade de CRISTO em relação aos anjos, o escritor aos Hebreus é levado a advertir os destinatários da carta (e a nós, também), quanto “às coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas” (v.1). E explica que, se “a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição”, indaga solenemente: “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação...?” (v.3). Esta salvação, trazida por JESUS CRISTO, não foi efetivada por meras palavras, e sim, autenticada por DEUS, por meio de “sinais e milagres, e várias maravilhas e dons do ESPÍRITO SANTO...” (v.4). Quem se desvia da sua fé em CRISTO, corre o risco de perder-se para sempre (v.3).
2. JESUS, homem, um pouco menor que os anjos (2.7-9).
Esse é um aparente paradoxo encontrado na carta aos Hebreus, relacionado à encarnação de CRISTO. “Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele JESUS que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de DEUS, provasse a morte por todos”. A dedução é simples. JESUS, feito homem, despojou-se voluntariamente de parte de seus atributos, e sujeitou-se a morrer, na cruz, para que “provasse a morte por todos”. Nessa condição, em sua natureza humana, tornou-se “um pouco menor que os anjos”. Se não fosse assim, a sua natureza divina não o permitiria morrer, pois DEUS não morre.

IV. JESUS, O FIEL SUMO SACERDOTE (2.9-18)
1. Tudo existe em função dEle (v.10a).
Para JESUS são todas as coisas, visto que elas existem por Ele e para Ele (Cl 1.16). E assim é, para que Ele traga “os filhos à glória”, e, pelas aflições, se tornasse “o príncipe da salvação deles” (v.10b). Os filhos, ou seja, os que o receberam, deu-lhes o poder (o direito) de serem feitos 
“filhos de DEUS” (Jo 1.12), e são chamados por CRISTO de “irmãos” (v.11). É sublime a declaração de CRISTO, em relação aos que são salvos por Ele. No v.13, Ele diz: “Eis-me aqui a mim, e aos filhos que DEUS me deu”. Esses são livres do “império da morte, isto é, do Diabo” (v.14), e da servidão (v.15).
2. Em tudo, foi semelhante aos irmãos (v.17).
Para poder cumprir sua missão salvadora, JESUS, “em forma de DEUS, não teve por usurpação ser igual a DEUS, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens, e, achado na forma de homem, humilhou-se até à morte, e morte de cruz” (Fp 2.6-8). Assim, “feito um pouco menor que os anjos”, entregou-se a DEUS para, como “fiel sumo sacerdote”, expiar os pecados do povo (v.17)
3. Em tudo foi tentado (v.18).
Em sua condição humana, JESUS, o Filho do Homem, suportou a tentação, “para socorrer aos que são tentados”. Esta é uma afirmação consoladora para nós, os crentes, que durante a caminhada na Terra, somos acossados e ameaçados por várias tentações. Nosso DEUS, JESUS, não foi em sua 
missão um deus alienado dos seus ado-radores e fiéis, como prega o deísmo. Pelo contrário, Ele se colocou no meio dos pecadores e, como eles, foi tentado até à cruz para lhes dar vitória sobre as tentações. Na verdade, Ele, “como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4.15). Glória a DEUS, por isso!

CONCLUSÃO
A superioridade de CRISTO em relação aos anjos excede em muito a idéia distorcida, e difundida entre os incrédulos, de que os seres angelicais têm papel místico, ao ponto de serem venerados ou mesmo adorados pelos adeptos das falsas doutrinas.
Subsídio Teológico
O autor da carta aos Hebreus, iniciando seu escrito, fala acerca de três tipos de emissários que DEUS enviou ao mundo para transmitir a sua revelação: os profetas, os anjos e o Filho.Comparando-se os profetas e os anjos, deve se deixar claro que os primeiros foram muito usados por DEUS, falando com autoridade e convicção. Entretanto, seus oráculos, mesmo sendo da parte de DEUS, nem sempre eram bem recebidos. A rebeldia dos ouvintes fez com que diversos profetas fossem  assassinados, desprezados e passassem por adversidades. No caso dos anjos, não há relatos de terem sido desprezados ou apedrejados, pois eram tidos em grande temor por serem figuras sobrenaturais. (Note que as diversas aparições dos seres celestes causavam muito medo, motivo este que levava os anjos a começarem seus diálogos com a expressão “Não temas”.) Comunicações que exigiam decisão de uma pessoa eram transmitidas por anjos (veja os exemplos de Abraão, Gideão e Ló). Se o povo ouvia os anjos com certo grau de temor, mais temor deveriam ter diante do Filho de DEUS, por ser este maior do que os anjos. Ele criou todas as coisas, inclusive os anjos. Se o povo reverenciava os mensageiros celestes, estes, por sua vez, reverenciavam o Filho. O mundo vindouro não foi deixado sob os cuidados dos anjos, mas de JESUS. Eles são “espíritos ministradores”, que labutam em prol dos que “hão de herdar a salvação”, enquanto o Filho é o próprio executor da salvação. Até na forma de tratamento, a designação “anjos” é inferior ao “Filho”, pois são eles servos, criaturas, e JESUS é Senhor e Criador. Partindo desses argumentos, o escritor anuncia a superioridade de JESUS tanto sobre os profetas como sobre os anjos. O autor conclui que, se as palavras ditas pelos anjos foram firmes e, no caso de transgredidas, receberam punição, maior responsabilidade haverá para os que rejeitarem as palavras do Filho de DEUS, sem o qual não há salvação.
 
QUESTIONÁRIO:
1. Quando JESUS foi apresentado como o Filho de DEUS?
R. Publicamente, na sua ressurreição.
2. Qual a posição de honra de CRISTO no céu?
R. Assentado à destra de DEUS.
3. Qual o papel primordial dos anjos em relação aos crentes?
R. Eles são considerados “espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação”.
4. Porque a Bíblia diz que JESUS foi feito um pouco menor que os anjos?
R. “Por causa da paixão da morte, para que, pela graça de DEUS, provasse a morte por todos”.
5. Como se posicionou JESUS em relação à tentação?
R. Em tudo foi tentado, mas sem pecado.
 
 
 
LIÇÃO 3 - CRISTO SUPERIOR A MOISÉS
Entre em http://www.armazemnadia.com.br/henrique/moisesvida.htm 
 
TEXTO ÁUREO:
“Porque ele é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou” (Hb 3.3).
VERDADE PRÁTICA:
Se conservarmos firmes nossa fé e confiança em CRISTO JESUS, Ele será sempre o nosso fiel Sumo Sacerdote perante DEUS.
 
LEITURA DIÁRIA:
Segunda Sl 103.7 A revelação de DEUS a Moisés
Terça  Sl 77.20 Moisés, o líder provido por DEUS
Quarta Êx 2.11,12 Moisés falhou ao agir segundo a carne
Quinta Dt 32.1-43 O canto de Moisés
Sexta Sl 105.26 Moisés, servo do Senhor
Sábado Js 1.1-7 Moisés reconhecido
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - HEBREUS 3.1-8,12,14. 
1 Pelo que, irmãos santos, participantes da vocação celestial, considerai a JESUS CRISTO, apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão, 2 sendo fiel ao que o constituiu, como também o foi Moisés em toda a sua casa. 3 Porque ele é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou. 4 Porque toda casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é DEUS. 5 E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar; 6 mas CRISTO, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão-somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim. 7 Portanto, como diz o ESPÍRITO SANTO, se ouvirdes hoje a sua voz, entramos no repouso, tal como disse: Assim, jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso; embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo. 8 não endureçais o vosso coração, como na provocação, no dia da tentação no deserto, 
12 Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do DEUS vivo.

14 Porque nos tornamos participantes de CRISTO, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim.
 
PONTO DE CONTATO:
Você já resistiu a voz do ESPÍRITO SANTO alguma vez na em sua vida? Resistir a voz de DEUS tem sido a prática de muitos em nosso meio, que semelhantemente aos hebreus no deserto, tornaram-se insensíveis e desobedientes aos preceitos do  Todo-Poderoso: habituaram-se com as bênçãos, sem contudo, reverenciar, obedecer e servir ao Doador e Provedor de todos os benefícios. Ouvir a voz de DEUS e abster-se do mal são procedimentos de um coração bom e fiel. O Senhor está sempre pronto para agraciar seu povo com o suficiente “maná diário”, garantindo sobrevivência e crescimento espiritual. Podemos estar certos de que não pereceremos no “deserto desta vida”; nossa jornada culminará na prometida 
Canaã celestial.
 
OBJETIVOS:
Considerar CRISTO como nosso Sumo Sacerdote.
Reconhecer a superioridade de JESUS sobre Moisés.
Decidir não endurecer o coração ao ouvir a voz de DEUS.
Destacar a importância de ser um participante de CRISTO.
INTRODUÇÃO
Nesta lição, somos exortados a considerar JESUS CRISTO como “Sumo Sacerdote da nossa confissão”. Os israelitas tinham grande respeito aos profetas e sacerdotes da antiga aliança, destacando-se entre eles Moisés e Arão. Na Nova Aliança, JESUS é superior a todos eles, pois encarnou-se tomando a forma humana, ou seja, tornou-se o Emanuel, “DEUS entre nós”, concedendo a gloriosa e eterna salvação para todos os que nEle crêem. 

I. CONVOCAÇÃO DOS SANTOS À ADORAÇÃO A CRISTO (v.1)
1. “Irmãos santos”.
A palavra santo vem do latim, sanctu, que, originalmente, quer dizer aquele ou aquilo que “era estabelecido segundo a lei”, passando depois a significar aquele ou aquilo “que se tornou sagrado”. No Antigo Testamento, a palavra hebraica para santo é qodesh e seus derivados, que significam santo, santificado, santificar, separar, pôr à parte. No Novo Testamento, a palavra “santo”, no grego hagios, tem sentido semelhante ao da língua hebraica; santos, segundo o ensino bíblico, são somente aqueles que têm comunhão com DEUS e com seu Filho, JESUS. Estes são convocados para adorarem a CRISTO, separados do mundo.
2. “Participantes da vocação celestial”.
Os santos que vivem aqui na terra não são apenas os mártires, ou os que fizeram algum milagre, como ensina o Catolicismo. Os santos são pessoas de carne e osso, “participantes da vocação celestial”, por aceitarem a CRISTO como seu Salvador ao ouvirem o seu convite através do 
evangelho.
3. CRISTO, Apóstolo e Sumo Sacerdote.
Os santos são convocados para considerar “JESUS, apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão”. Ele foi, de fato, o Apóstolo por excelência. JESUS foi enviado por DEUS ao mundo, “não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3.17). No Antigo Testamento, os sacerdotes intercediam pelo povo, tendo que oferecer, por todos os pecantes, sacrifícios com sangue de animais, que apenas encobriam o pecado. Na Nova Aliança, JESUS é o Sumo Sacerdote perfeito, pois ofereceu o seu próprio sangue para nos salvar e nos apresentar a DEUS com a nossa confissão. 

II. MAIOR GLÓRIA DO QUE MOISÉS
1. Moisés, fiel como servo (v.5).
Moisés foi fiel em sua casa, como acentua o escritor, na condição de servo, sendo o mensageiro que testemunhou das “coisas que haviam de vir”. Ele foi o porta-voz de DEUS ao receber as tábuas da Lei no Sinai, transmitindo, com fidelidade, a palavra que de DEUS ouviu no monte. Ele nada alterou do que recebeu do Senhor. Foi servo em sua casa, no âmbito do que lhe foi confiado, e desincumbiu-se muito bem de sua tarefa na “casa” de DEUS. Por isso, foi considerado um modelo entre os homens (cf. Jr 15.1).
2. JESUS, fiel sobre sua própria casa (v.6).
JESUS foi superior a Moisés. Este foi servo. Aquele é o Filho, o Sumo Sacerdote constituído por DEUS, posição que não foi confiada a mais ninguém. Moisés, mesmo sendo fiel como homem, não foi perfeito. Falhou em algum momento. No episódio em que DEUS mandou que ele falasse à rocha pela segunda vez, descontrolou-se emocionalmente e feriu-a, ao invés de falar (Nm 20.11). JESUS, no entanto, nunca falhou. “Em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4.15).
3. A casa somos nós (v.6).
Em nossa imperfeição, como poderíamos ser chamados “casa” de CRISTO para que Ele, nessa “casa”, fosse sumo sacerdote? Só a graça de DEUS pode explicar. A condição para que sejamos “casa” do Senhor, é que tão-somente conservemos “firme a confiança e a glória da esperança, até o fim”. O 
apóstolo Paulo teve de DEUS revelação semelhante. Na primeira Epístola aos Coríntios 6.19,20, lemos: “Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do ESPÍRITO SANTO, que habita em vós, proveniente de DEUS, e que não sois de vós mesmos?” Diante disso, é grande a nossa responsabilidade para com essa “casa”, em que, ao mesmo tempo, habitam CRISTO, nosso Sumo Sacerdote, e o ESPÍRITO SANTO, nosso intercessor, que nos tem como seu templo. 

III. ADVERTÊNCIA QUANTO AO ENDURECIMENTO CONTRA DEUS 
1. Ouvindo a voz do ESPÍRITO.
A advertência é grave e solene: “Portanto, se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto...” (vv.7,8). Citando o Salmo 95.8-11 o escritor admoesta os destinatários da carta valendo-se de fatos constrangedores, relativos ao povo de Israel. Na advertência, o ESPÍRITO SANTO os lembra para não fazerem como seus pais, que provocaram a DEUS no deserto com graves atitudes: 1) Tentaram a DEUS; 2) Provaram a DEUS, mesmo tendo visto suas obras por 40 anos (v.9; Êx 15.22-25; 17.1-7). Esse aviso quanto a ouvir o ESPÍRITO SANTO é significativo e oportuno para nós em nosso tempo, pois há crentes tão insensíveis, em todos os sentidos, que suas consciências já se encontram irremediavelmente cauterizadas (cf. 1 Tm 4.2).
2. Não endurecer o coração (v.8).
O povo israelita, não obstante presenciar as maravilhas do poder miraculoso de DEUS no deserto, a começar pela passagem do Mar Vermelho, rebelou-se contra o Senhor. Em conseqüência, DEUS se indignou. Manifestou a sua ira e decretou seu juízo: “Não entrarão no repouso de DEUS”. Daquela geração rebelde, todos os que tinham mais de 20 anos não entraram na Terra Prometida. O endurecimento do coração é um obstáculo para o recebimento da bênção de DEUS.
3. Um coração mau e infiel (v.12).
Outra advertência é dada pelo ESPÍRITO SANTO através do escritor da Epístola aos Hebreus, para que neles não houvesse “um coração mau e infiel”, que viesse afastá-los “do DEUS vivo”. O verbo afastar, no texto, é apostenai (gr.), palavra que dá origem ao termo apostasia. No versículo seguinte vem um conselho divino: “Antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado” (v.13). Muitos, por falta de orientação e advertência (exortação), endurecem o coração para DEUS, desviam-se e até negam a fé, aceitando falsas doutrinas e envolvendo-se em práticas extra-bíblicas, semelhantes às do espiritismo, incluindo “regressão espiritual” e outras invencionices. 
4. Como nos tornamos participantes de CRISTO (v.14).
O escritor nos mostra como nos tornamos participantes de CRISTO: “Se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até o fim”. Essa afirmação é corroborada pelo que JESUS asseverou: “...mas aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 10.22). “Até o fim...”. O homem só alcança a salvação plena quando aceita a CRISTO como Salvador e permanece em santidade, até a “redenção do nosso corpo” (Rm 8.23b). Se por um lado é difícil iniciar a carreira cristã, mais difícil ainda é continuar e terminá-la. Porém, todas as promessas futuras na eternidade estão reservadas para os vencedores, os que completam a carreira, como diz o apóstolo Paulo (2 Tm 4.7).

CONCLUSÃO
A superioridade de CRISTO em relação a Moisés é incontestável. Moisés era homem imperfeito e falho, mesmo tendo de DEUS uma missão tão grande. JESUS, nosso Salvador, mesmo na condição humana, em face de sua missão salvífica, “em tudo foi tentado, mas sem pecado”. Nós, cristãos, precisamos honrar a JESUS CRISTO, o 
Sumo Sacerdote da nossa confissão. 
Subsídios Teológico
“Havendo declarado o pensamento central do sacerdócio de CRISTO, e antes de desenvolvê-lo nos capítulos 5 a 7, o autor interrompe o assunto, a fim de estabelecer, sob outro ponto de vista, a superioridade do Novo Concerto sobre o Antigo. Ele já demonstrou que CRISTO é superior aos anjos, os mediadores espirituais da Lei; 
Agora demonstra que também é superior a Moisés, o homem que promulgou a Lei.
“O autor, ao abordar o assunto, emprega a expressão ‘o mundo futuro’, ou ‘o século que há de vir’ (2.5; 6.5) — que no grego é cukoumenen (literalmente “o mundo vindouro habitado”). Ele se refere ao reino de DEUS que será estabelecido entre os habitantes da Terra. Isso leva, naturalmente, à comparação entre os fundadores da velha teocracia judaica, sob Moisés e Josué, e JESUS, do novo Reino. A posição de Moisés para com o sistema judaico torna necessário o argumento, porque os cristãos hebreus estavam confusos sobre esse ponto.“O ponto de comparação, no versículo 2, prende-se ao fato de que tantos Moisés como CRISTO se ocuparam da administração de economia divina: aquele, sob a velha ordem da Lei; este, sob a nova ordem da graça de DEUS, tendo ambos cumprido fielmente suas responsabilidades. Mas o autor apresenta em seguida uma série de contrastes que demonstram a glória muito superior de JESUS.” (Comentário Bíblico Hebreus, CPAD, págs. 129-131
 
QUESTIONÁRIO:
1. Quais são os dois ofícios de CRISTO, apresentados nesta lição?
R. Apóstolo e sacerdote da nossa confissão.
2. Onde Moisés foi fiel?
R. Em toda a sua casa.
3. Em que condição somos casa de CRISTO?
R. “Se conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até o fim”.
4. Qual a advertência para quem ouve a voz do ESPÍRITO SANTO?
R. Não endurecer o coração.
5. Qual a conseqüência de um coração mau e infeliz?
R. Apartar-se do DEUS vivo.
 
A CARTA AOS HEBREUS - Introdução e Comentário por DONALD GUTHRIE - SOCIEDADE RELIGIOSA EDIÇÕES VIDA NOVA E ASSOCIAÇÃO RELIGIOSA EDITORA MUNDO CRISTÃO
 
HEBREUS 3:1
C. A SUPERIORIDADE DE JESUS A MOISÉS (3.1-19)
Por causa da grande importância de Moisés como legislador, uma comparação entre ele e JESUS teria sido de grande relevância para os cristãos judeus bem como para os cristãos gentios, mas especialmente para aqueles. O escritor demonstra que a posição de Moisés como servo era muito inferior à posição de JESUS como Filho. Além disto, a despeito da sua grandeza, Moisés nunca conseguiu sua intenção de levar os israelitas para a terra prometida; este fato, também, está em forte contraste com a obra completa de CRISTO, que é fortemente ressaltada mais tarde na Epístola.
 
(i) Moisés o servo e JESUS o Filho (3.1-6)
HEBREUS 3:1-2
1. Talvez pareça, à primeira vista, haver bem pouca conexão entre o tema de Moisés e o tema do capítulo 2. Mesmo assim, o escritor tinha a intenção de ligar as duas idéias, porque começa, dizendo: Por isso, santos irmãos, que depende da sua declaração de JESUS como Sumo Sacerdote. Há, também, uma seqüência na menção de “irmãos” em 2.11, sua repetição em 2.12, 17 e a descrição dos leitores com a mesma palavra aqui. Duas vezes mais a mesma descrição é usada (10.19 e 13.22), mas somente aqui é que o adjetivo “santos” é acrescentado. É surpreendente neste contexto. Demonstra ao mesmo tempo familiaridade e respeito. É uma combinação que os cristãos fariam bem em acalentar. Sem dúvida, há outras coisas ou pèssoas descritas nesta Epístola como sendo santas (cf. as muitas ocorrências da menção do ESPÍRITO SANTO, do santo lugar, do SANTO dos Santos).
O escritor não está aplicando a palavra levianamente aos irmãos. É, naturalmente, usada de modo ideal, conforme ocorre quando se toma um substantivo para descrever os crentes (os santos), como em 13.24.
Esta descrição dos irmãos passa, então, a ser seguida por uma definição para excluir qualquer possibilidade de confusão. São as pessoas que participam da vocação celestial. Isto, aliás, introduz outro tema característico desta carta, a palavra “celestial.” O escritor fala também do dom celestial (6.4), do santuário celestial (8.5), das coisas celestiais (9.23), da pátria celestial (11.16) e da Jerusalém celestial (12.22). Em todos os casos, o “celestial” é contrastado com o terrestre, e em todos os casos o celeste é o superior, a realidade comparada com a sombra. Se a vocação celestial for compreendida da mesma maneira, deve significar uma vocação que tem uma direção espiritual e não material. Esta palavra para “vocação” (klèsis, “chamada”) é especialmente característica do apóstolo Paulo, que a emprega nove vezes. Ocorre alhures somente em 2 Pedro 1.10. Nffo há apoio para a opinião de que a chamada vem do interior do homem, porque em todos os casos a chamada vem de DEUS. A parte do homem é tomar-se um cooperador ao responder a ela. A idéia de compartilhar volta a ocorrer em 3.14, onde se diz que os cristãos são “participantes de CRISTO.” A frase que o escritor usa no presente contexto é repleta de significado. Participar de
uma chamada celestial é ficar estreitamente identificado com Aquele que chama, i.é, DEUS. Não admira que tais pessoas são chamadas “santas.” O Novo Testamento dá a entender que esta é a norma para os cristãos. São um povo chamado para fora.
Na declaração seguinte acerca de JESUS, os leitores são exortados a considerar (katanoeò) a Ele, ou seja: concentrar a mente inteiramente em direção a Ele (o mesmo verbo é usado em 10.24). Para uma idéia semelhante, embora os verbos sejam diferentes, podemos comparar 12.2-3, onde, mais uma vez, o objeto da consideração é JESUS. Nalgum sentido, o escritor está dando em forma epigramática sua intenção inteira — a de dirigir seus leitores a examinarem as reivindicações de CRISTO quanto ao ser o Sumo Sacerdote superior. Por enquanto, contenta-se em descrever CRISTO como o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão. Não somente é esta a única ocorrência da palavra “apóstolo” nesta carta, como também é a única ocasião no Novo Testamento em que é usada para CRISTO. É notável que o mesmo termo usado para os homens aos quais JESUS escolhera é usado para o próprio JESUS. Não é, nó entanto, tão inesperado quando as próprias palavras de JESUS são consideradas: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (Jo 17.18); sem dúvida, vale a pena notar que a idéia de JESUS sendo enviado é freqüente no Novo Testamento. Noutras palavras, eles se tomaram apóstolos porque Ele foi um Apóstolo. Ele é o perfeito cumpridor do encargo. Todos os demais são pálidas imagens.
Há, além disto, uma estreita conexão entre o apóstolo e o sumo sacerdote. Os dois foram “constituídos” e não tomaram o cargo sobre si. Os dois eram cargos de representação, em que os detentores agiam em
prol doutras pessoas. O apóstolo representava JESUS CRISTO, e o sumo sacerdote representava DEUS diante dos homens e os homens diante de DEUS. Haja vista que uma comparação entre CRISTO e Moisés segue imediatamente, é digno de nota que Moisés realizou a função de um apóstolo ao agir como representante de DEUS diante do povo e a função de um intercessor diante de DEUS em prol do povo. Nunca é especificamente chamado de apóstolo ou sacerdote. Seu irmão Arâo foi, de fato, nomeado ao cargo de sacerdote ao invés dele. CRISTO é visto como sendo superior a Moisés por cumprir perfeitamente as duas funções. Mas porque os cargos são qualificados pelas palavras “da nossa confissão?" O substantivo homologia (“confissão”) não é freqüente no Novo Testamento, sendo que ocorre uma vez em 2 Coríntios (9.13), duas vezes em 1 Timóteo (6.12-13) e três vezes em Hebreus (aqui e em 4.14; 10.23).
Na presente declaração, é usado subjetivamente, i.é, JESUS a quem professamos. Algum reconhecimento extemo da nossa lealdade é evidentemente pretendido, embora esta deva ser considerada em termos de uma confissão constante de CRISTO e não seja restrita a um único ato. Hebreus 4.14 tem um uso semelhante da palavra, porque os leitores são ordenados a conservarem firme a sua confissão, mais uma vez com referência a JESUS como Sumo Sacerdote. De modo semelhante, em 10.23 há outra exortação no sentido de guardar firmemente a confissão. A idéia dominante em Hebreus é que os crentes têm uma confissão maravilhosa para fazer, e que devem vigiar cuidadosamente para não negligenciarem aquilo que DEUS lhes providenciou.
 
2. Outra característica do nosso Sumo Sacerdote é que Ele era fiel. Este fato é especialmente focalizado a esta altura da discussão, já tendo sido mencionado em 2.17. É feita uma comparação entre a fidelidade de JESUS e a fidelidade de Moisés. Semelhante comparação terá muito valor para aqueles que vieram do judaísmo e que transportaram para o cristianismo altíssimo respeito pelo antigo legislador. Sem dúvida, até mesmo os cristãos gentios aprenderiam rapidamente, da sua crescente familiaridade com o Antigo Testamento, que Moisés é um nome de máxima influência na história antiga do Antigo Testamento. A fidelidade de Moisés é subentendida em Números 12.7, londe o Senhor menciona que Moisés era fiel em toda a Sua casa. É este aspecto que fornece uma comparação apropriada com JESUS CRISTO.
As palavras àquele que o constituiu (i.é, a JESUS) são literalmente: “que o fez” (grego poiêsanti). Pode ser que o verbo fosse sugerido por 1 Samuel 12.6, onde a Septuaginta o usa no sentido de “constituir” que
parece ser o significado aqui. Diz-se que a fidelidade de Moisés era em toda a casa de DEUS, que parecer ser uma expressão figurada para todas as responsabilidades confiadas a ele em prol da comunidade teocrática. O texto em toda a casa de DEUS (em comparação com a alternativa: “na casa de DEUS”) ressalta sobremaneira a extensão da fidelidade de Moisés. Apesar disto, esta fidelidade obtém seu maior renome quando serve de padrão para a fidelidade de CRISTO, que até mesmo sobrepuja o padrão.
 
HEBREUS 3:3-4
3. Há uma conexão direta entre o v. 3 e o versículo anterior, conforme é mostrada pela conjunção todavia (gar). As palavras JESUS, todavia, tem sido considerado digno citam a razão porque os leitores devem considerar (katanoèsate) a Ele (v. 1). É um digno objeto de pensamento. Se Moisés era tão altamente respeitado pelos judeus e pelos cristãos judeus igualmente, quanto mais JESUS devia ser honrado! A comparação é ressaltada pela declaração de que aquele que estabeleceu a casa é maior do que a própria casa. Embora a glória de Moisés seja indisputável e seja ressaltada noutras passagens neotestamentárias (especialmente 2 Co 3), ele não era o inovador do sistema legal, mas simplesmente o agente através de quem foi dado. A descrição vívida no Antigo Testamento das tábuas da lei sendo escritas pelo dedo de DEUS imediatamente coloca Moisés na sua perspectiva certa, quase como um espectador que foi, pessoalmente, afetado intimamente por aquilo que viu.
Mas quem é aquele que a estabeleceu que tem mais honra do que a casa que estabelece? Há duas interpretações, (i) Pode referir-se a JESUS, já que Ele está sendo comparado com Moisés. Neste caso, a comparação é entre JESUS, o edificador da casa, e Moisés, a casa que Ele eficiou. Esta interpretação, porém, levanta dificuldades por subentender um conceito da pré-existência de JESUS e da Sua identificação com a outorga da Lei, que introduz um novo pensamento para o qual não houve preparativo nos capítulos anteriores. A glória e a honra atribuídas a JESUS são mediante o sofrimento e a morte (2.9), não através do poder criador (embora este seja referido em 1.2). (ii) A interpretação alternativa identifica DEUS como o edificador, o que é apoiado pelo v. 4. Embora (ii) se encaixe no contexto melhor do que (i), há verdade na idéia de JESUS CRISTO como Fundador da Sua casa, i.é, a igreja. Bruce pensa que nenhuma distinção pode ser feita entre o Pai e o Filho aqui, porque é DEUS quem funda Sua própria casa, mas o faz através do Seu Filho. Deve ser notado que a combinação de glória e honra neste versículo corresponde não somente à citação do Salmo 8 em 2.7, como também ao louvor ao Cordeiro pelos seres viventes em Apocalipse 5.12-13 (cf. também Ap 4.9, 11; 7.12). Mesmo assim, no presente versículo “glória” é aplicada às pessoas e “honra” à casa e ao edificador, presumivelmente porque “glória” seria uma idéia menos apropriada a aplicar a uma construção ou ao seu construtor.
 
4. Este versículo é um parêntese, porque faz uma declaração geral que visa reforçar aquilo que acaba de ser dito. A conjunção pois (gar) demonstra a conexão. Toda casa é estabelecida por alguém; esta é uma declaração genérica que dificilmente precisa ser feita a não ser que haja razões para disputá-la, e estas razões podem ser achadas naquilo que, bem possivelmente, era uma abordagem contemporânea à Lei. Certamente havia perigo em certos ambientes judaicos de um respeito excessivo por Moisés, às expensas de reconhecer que DEUS era o originador da Lei. Mas o presente contexto, em que se fala de DEUS, é muito mais amplo do que isto. Ele é aquele que estabeleceu todas as coisas, não meramente a “casa.” É parte da semelhança a DEUS o ser o inovador de todas as coisas. Podemos rejeitar a opinião de que a segunda parte do versículo é uma glosa que desfaz o contexto31 O propósito do autor em fazer esta consideração é ressaltar a glória de JESUS que foi nomeado por DEUS para Seu cargo (v. 2). Algumas pessoas restringem “todas as coisas” a questões que dizem respeito à igreja,32 mas é melhor entender a expressão mais abrangente a respeito da totalidade da criação material, bem como do estabelecimento da nova comunidade espiritual.
 
HEBREUS 3:5-6
5-6. Outra linha de argumento agora é introduzida para reforçar a posição superior de CRISTO sobre Moisés — a diferença entre um Filho e um servo.33 Mais uma vez, a fidelidade de Moisés é enfatizada de uma
maneira que sugere nada mais de que um servo. A palavra traduzida “servo” aqui não é o teimo usual doulos que é usado noutras partes do Novo Testamento, mas, sim, therapôn que ocorre somente aqui. Refere-se a um “serviço pessoal prestado gratuitamente. É uma palavra de mais ternura do que doulos e não subentende as implicações de servilidade desta última palavra. Mesmo assim, o assistente pessoal não pode compartilhar da mesma categoria do Filho. No caso de Moisés, o servo tinha uma tarefa importante a realizar, para dar testemunho do que havia de se seguir. Noutras palavras, aquilo que Moisés representa na história judaica não é completo em si mesmo. Apontava para o futuro, para uma revelação mais plena de DEUS num tempo posterior, i.é, diz respeito a coisas que haviam de ser anunciadas, expressão esta que deve indicar o tempo de CRISTO. A missão do servo, por mais grandiosa que fosse, prepara o caminho para a missão muito maior do Filho.
A fidelidade de CRISTO é repetida para ressaltar sua superioridade à de Moisés, em virtude da Sua Filiação. Como Filho ecoa o tema principal da parte inicial da Epístola. O escritor está impressionado pelo pensamento de que nosso Sumo Sacerdote não é outro senão o Filho de DEUS. Isto ficará evidente em vários momentos no desenvolvimento da sua discussão. Para ele, a Filiação de JESUS acrescenta dignidade incomparável ao ofício sumo-sacerdotal.
Enquanto ainda pensa na casa de DEUS, fica sendo mais específico e identifica seus leitores com a casa, mas estabelece uma condição ao assim fazer: se guardamos firme até ao fim a ousadia e a exultação da esperança. As declarações condicionais nesta Epístola são significantes. O escritor deseja tomar claro que somente aqueles que são coerentes com aquilo que professam têm qualquer direito de fazer parte da “casa”. A palavra traduzida “ousadia” ou “confiança” (parrèsia) é outra idéia característica nesta Epístola. Aqui a implicação é que temos uma certeza sólida à qual podemos apegar-nos. A palavra neotestamentária para “esperança” é muito mais enfática do que o uso normal em português, onde quase não significa mais do que um piedoso desejo que talvez não tenha base real nos fatos. Tal tipo de esperança dificilmente forneceria uma base satisfatória para a exultação. Ninguém vai exultar numa coisa que não tem certeza de que irá acontecer. O escritor está suficientemente convicto da certeza da esperança cristã para usar uma expressão enfática (tokauchéma, jactância exultante) para descrever a atitude do cristão para com ela. Vale notar que a ousadia da qual aqui se fala é referida outra vez no fim da discussão teológica e no começo da aplicação (cf. 10.19). A mesma idéia de “guardar firme” que é usada aqui ocorre lá na forma de uma exortação.
 
(ii) Enfoque sobre o fracasso do povo de DEUS sob Moisés (3.7-19)
HEBREUS 3:7-8
7. A idéia de que é possível uma nova interpretação da ilustração da casa — uma transferência dos israelitas como sendo a casa de Moisés para a igreja como sendo a casa do Messias — levou o autor a refletir mais sobre a falta de Israel de herdar as promessas. A intenção disto é obvia mente reforçar a importância da condição que acaba de ser imposta, i. é, a de guardarmos firme a nossa confiança. O escritor tem consciência do fato de que alguns dos seus leitores estavam correndo perigo de fazer aquilo que os israelitas tinham feito. Um breve interlúdio histórico, portanto, não está fora de lugar aqui.Começa com uma citação bíblica de Salmo 95.7-11, introduzida pelas palavras: Assim, pois, como diz o Espirito SANTO. Esta expressão, juntamente com 10.15-16, é uma indicação clara que o escritor considera que as palavras do Antigo Testamento são inspiradas pelo ESPÍRITO. Embora não o declare explicitamente ao introduzir outras citações, pode ser considerado que este conceito subjaz a totalidade da sua abordagem do Antigo Testamento. Certamente a sua doutrina do ESPÍRITO em relação à Escritura abrange a relevância da linguagem figurada usada, conforme demonstra 9.8. Ao introduzir assim o texto bíblico, dá tremenda autoridade às palavras que cita, por conterem uma forte advertência. As primeiras palavras da citação captaram a imaginação do escritor de modo especial, porque as repete três vezes (w. 7-8; 3.15 e 4.7). Vê o Hoje inicial como sendo relevante, por permiti-lo a aplicar as palavras aos seus leitores atuais. Embora se volte para a história, sua mente está fixada no cenário contemporâneo. Sem dúvida, as palavras se ouvirdes a sua voz enfatizam esta relevância presente, sendo que Sua voz é a voz de DEUS em CRISTO. Além disto, o contexto nos Salmos é especialmente apropriado, porque o Salmo 95.7 diz: “nós somos povo do seu pasto, e ovelhas de sua mão,” que se enquadra bem no conceito cristão da igreja como o rebanho de DEUS. Mas a exortação subseqüente contra a imitação do exemplo dos israelitas introduz uma nota severa de advertência.
 
HEBREUS 3:8-12
8-9. A idéia do endurecimento do coração ocorre freqüentemente como uma descrição da desobediência de Israel, e é uma lembrança permanente contra adoção de uma atitude fixa de desobediência a DEUS. Es(
34) É esta seção que foima o âmago da teoria de Käsemann de um fundo histórico gnóstíco paxa esta Epístola (cf. Das wandernde Gottesvolk). O. Hofius: Katapausis: Die Vorstellung vom endzeitlichen Ruheort im Hebräerbrief, nega uma origem gnóstica e alega um backgraound apocalíptico. A tese de Hofius é que o lugar de descanso falado nesta seção é o SANTO dos Santos. G. Theissen: Untersuchungen zum Hebraerbrief, págs. 128ss., critica o apelo de Hofius à apocalíptica. Muitos exegetas concordariam com a interpretação do povo de DEUS como um povo peregrino, sem aceitarem a teoria gnóstica de Käsemann.
se endurecimento é realmente visto em várias fases da história do Antigo Testamento. Começou, conforme deixa claro a passagem citada, durante as peregrinações no deserto. A provocação (ou “a rebelião”) refere-se a incidentes tais quais aqueles que foram registrados em Êxodo 15.22*25; 17.1-7 e 32.1ss. De fato, o texto hebraico do Salmo citado menciona Meribá e Massá. Estas foram duas ocasiões clássicas que se destacam na história de Israel como ocorrências de rebelião contra DEUS. A palavra usada para rebelião (parapikrasmos) ocorre no Novo Testamento somente aqui e no v. 15, e vem da raiz pikros (“amargo”); pode ter sido sugerida pelo incidente em Meribá, onde a água foi achada amarga. Parece ter sua origem na própria Septuaginta, para expressar de modo deliberado a provocação contra DEUS. Deve ser distinguida da palavra paralela em SI 95.10 (ARA desgostado), que significa “ter nojo de, aborrecer,” MM). O dia da tentação talvez se refira ao início, e os quarenta anos à duração. Aquilo que apareceu numa determinada ocasião como sintoma desenvolveu-se num hábito fixo da mente; isto levou a uma atitude de indignação da parte de DEUS, a despeito do fato de que no Antigo Testamento DEUS é revelado como Aquele que não é facilmente provocado, mas, sim, é “longânimo” - lento para Se irar. Tem sido sugerido que o escritor desta Epístola talvez tenha entendido por conta própria os “quarenta anos” como o período que decorrera desde a crucificação de JESUS, durante o qual o povo judaico de modo geral tinha continuado a rejeitá-Lo. Mas não chama atenção especial a esta parte da citação. O ponto principal da passagem inteira é advertir contra uma repetição de rebelião semelhante contra DEUS. Outra sugestão é que os quarenta anos talvez tenham tido relevância especial para o escritor, conforme parece ter tido entre os Pactuantes de Cunrã. Estes últimos relacionavam seu futuro com um período de quarenta anos contados após a morte do Mestre da Justiça.
 
10-11. Se acharmos estranho que DEUS possa ser provocado, deve ser lembrado que muitas dificuldades surgem quando qualquer tipo de resposta emocional é atribuída a DEUS. As analogias humanas são o único meio de expressão disponível, mas estão carregadas com o perigo de que DEUS seja reduzido a termos humanos. Quando DEUS é provocado, o é de modo inteiramente diferente da maior parte da provocação humana, porque a ira nunca surge na mente de DEUS sem justa causa, ao passo que isto acontece freqüentemente nas mentes humanas. A descrição dos israelitas recalcitrantes é dupla: seu desvio habitual de DEUS, e sua ignorância (“Estes sempre erram no coração; eles também não conheceram os meus caminhos”). Uma destas coisas aumenta a outra. A ignorância dos caminhos de DEUS naturalmente leva as pessoas a desviar-se deles. Mas o escritor do Salmo menciona-as na ordem inversa, como se a atitude habitual de desviar- se contribuíra à sua ignorância. Um estado endurecido de mente torna-se impenetrável à voz de DEUS e leva à ignorância cada vez maior dos Seus caminhos, não porque DEUS nâío os faça conhecidos, mas, sim, porque a mente endurecida não tem disposição alguma para escutar. O que era verdadeiro para os israelitas é um comentário sobre todos aqueles que resistem às reivindicações de DEUS. O veredito sobre os rebeldes no Salmo é conclusivo, expresso na forma de um juramento. Uma passagem do Antigo Testamento que parece estar refletida aqui é Números 14.21, onde DEUS dá Sua palavra com um juramento. O contexto desta passagem do Antigo Testamento é a ocasião em que os espias voltaram para Cades-Baméia e o relatório da maioria foi desfavorável. As palavras do juramento: Não entrarão no meu descanso, são introduzidas por uma cláusula com “se" (ei), que, por causa de não ser seguida por uma cláusula “então” serve como uma forte negação. O significado de “descanso” é discutido ainda mais no capítulo 4. O que é importante aqui é que os rebeldes efetivamente se colocam fora da provisão de
DEUS. Não são elegíveis.
 
12. Segue-se agora uma discussão, baseada na citação, que é claramente relacionada com a situação histórica dos leitores. Parece mais provável que entre eles houvesse alguns que estavam sendo tentados a  afastarse de DEUS. Tende cuidado (blepete) como exortação aos leitores ocorre outra vez em 12.25, e nos dois casos há uma questão séria envolvida. Assim como os israelitas se tomaram presa da descrença, assim também seus sucessores, os cristãos, devem ter cuidado para não cair na mesma armadilha. O escritor resume o estado de mente dos israelitas no Salmo como sendo de perverso coração de incredulidade, e vê a possibilidade da mesma condição nalguns dos seus leitores. A ordem das palavras, no grego como em ARA, deixa em aberto se a perversidade antecede a incredulidade ou vice-versa. O escritor não está interessado em tais distinções minuciosas. O que lhe preocupa é que a descrença invariavelmente leva a conseqüências malignas. A descrença leva as pessas a afastar-se do DEUS vivo. A palavra usada para “afastar-se” (apostènai) é a raiz da qual é derivada “apostasia.” Envolve um desvio da verdade. Afastar-se do DEUS vivo é a maior  apostasia possível. Este título específico para DEUS, que é familiar no Antigo Testamento, ocorre várias vezes no Novo Testamento, e freqüentemente sem o artigo, como aqui. A forma sem o artigo chama a atenção mais vividamente ao adjetivo “vivo.” Os cristãos nos ambientes pagãos vibrariam com o contraste entre o DEUS vivo, a quem adoravam, e os ídolos mortos do paganismo (cf. At 14.15). O título era igualmente atraente a um discípulo judeu, como na confissão de Pedro em Cesaréia de Filipe (Mt 16.16), ou a um sumo sacerdote judeu, conforme demonstra o juramente em Mateus 26.63. Há outros lugares em Hebreus onde o mesmo título é usado (9.14; 10:31; 12.22). As palavras transmitem a idéia de um DEUS dinâmico e são especialmente relevantes em quaisquer comentários acerca dos homens que se desviam dEle (cf. especialmente 10.31). Semelhante DEUS, além disto, está em comunicação constante com os homens. Se a apostasia em questão for uma volta ao judaísmo, em que sentido ela poderia ser descrita como um afastamento do DEUS vivo, já que os judeus realmente reconheciam a DEUS? A resposta deve ser que os “apóstatas” neste sentido não achariam a DEUS no judaísmo, tendo voltado suas costas ao caminho melhor providenciado em CRISTO.36 Se o escritor considera
que JESUS é DEUS, conforme é o caso, rejeitar a CRISTO seria considerado uma apostasia de DEUS.
 
HEBREUS 3:13-14
13. Ao pensar na passagem que acaba de ser citada, o escritor imediatamente transfere o hoje do Salmo para os dias dos seus próprios contemporâneos. Desta maneira, toma o Salmo relevante a eles, de modo
que assume um sentido duplo: uma aplicação imediata e uma estendida. Sem dúvida, o hoje é estendido para representar a totalidade da presente era da graça, uma vez que os leitores modernos desta Epístola conseguem estendê-lo ainda mais a eles mesmos. O conselho: exortai-vos mutuamente cada dia demonstra a mentalidade prática do escritor em aplicar uma citação do Antigo Testamento. Este é um convite para a constante vigilância contra a possibilidade do “endurecimento.” O escritor reconhece que seus contemporâneos são tão passíveis deste processo de endurecimento quanto foram os israelitas. Atribui-o ao engano do pecado. O pecado aqui parece ser personificado, usando o engano como meio de desenvolver uma atitude endurecida nos seus  aderentes. Se alguns dos cristãos hebreus estavam enganando a si mesmos ao ponto de pensarem que o cristianismo pudesse ser contido nos odres velhos do judaísmo, estariam adotando uma posição inflexível semelhante, que seria contrária à revelação de DEUS mediante CRISTO. Uma atitude endurecida não é uma aberração repentina, mas, sim, um estado mental habitual. 0 pecado usa o manto do engano com efeito devastador contra os que têm a propensão de cair presos nos seus encantos.
Foi a fascinação das riquezas que sufocou a semente na parábola do semeador (Mt 13.22). Um aspecto importante da advertência contra o engano do pecado é que é endereçada ao indivíduo — a fim de que nenhum de vós seja endurecido, Ê certamente mais fácil para os indivíduos serem enganados em isolamento doutros cristãos do que quando compartilham da comunhão dos irmãos na fé. O fato de que havia uma
tendência para os leitores deixarem de congregar-se com os outros (Hb 10.25) lança luz sobre a presente passagem. É impossível exortar-se mutuamente a não ser que se faça parte de uma comunhão. No presente caso, um endurecimento do coração é estreitamente ligado com o “pecado” e esta deve ter sido uma tendência no caso dos hebreus que eram tentados a desviar-se do cristianismo.
 
14. Como contraste com este endurecimento do coração, há a posição daqueles que estSo estabelecidos em Cnsto. Têm uma base firme e estável, porque o escritor diz: Porque nos temos tomado participantes
de CRISTO. A palavra metochoi (“participantes”) poderia ser entendida no sentido ou de “participantes de CRISTO” ou “participantes com CRISTO.” Este último sentido certamente é melhor adaptado ao contexto,
onde a estreita conexão do crente com CRISTO já foi ressaltada (cf. 3.6: “somos a su casa”). Além disto, o uso de metochoi com o genitivo (como aqui) tem o significado de “confederado com” no uso lingüístico da
Septuaginta e do koinê (cf. MM). Tem o mesmo sentido em Lucas 5.7. É geralmente concordado que “participantes com CRISTO” não é o equivalente da frase mais expressiva “em CRISTO” nas Epístolas de Paulo. Apesar disto, embora seja diferente sua maneira de expressar a união com CRISTO, a idéia básica é a mesma. Pode ser preferível pensar na participação como sendo uma participação do reino celestial.
Note-se que nenhuma indicação é dada quanto à maneira de participarmos em ou com CRISTO, porque o escritor está mais interessado nas condições da nossa participação. Expressa-as como se fosse uma cláusula com “se” : se de fato guardarmos firme até ao fim a confiança que desde o principio tivemos. A conjunção grega eanper que introduz esta cláusula ocorre apenas duas vezes no Novo Testamento (aqui e em 6.3). Significa “se pelo menos” ou “se de fato.” È uma partícula intensiva (MM), que chama atenção especial à condição. Embora se fale da participação como se fosse um ato completado, não deixa de tomar por certo que as respectivas pessoas continuariam na comunhão com CRISTO. Esta condição é compreensível, tendo em vista a lembrança vívida que o escritor tinha da herança perdida dos israelitas, que comenta na passagem seguinte. A palavra traduzida confiança (hypostasis) ocorre em 1.3 e 11.1. Parece que, no presente contexto, tem ligação com a certeza que o dono de um imóvel pode ter porque possui o documento de propriedade, sentido este queé possível em 11.1 (q.v.). Mas 1.3 tem um sentido diferente (i.é, “natureza”). Podemos seguir ainda mais longe esta linguagem figurada ao sugerir que a idéia é assegurar-nos que as escrituras do imóvel não escapem do nosso domínio. O escritor usa três vezes nesta Epístola a mesma expressão “guardar fiime” (katechõ, cf. 3.6 e 10.23). É reforçada, outrossim, pela palavra firme (bebaiosj, outra palavra predileta em Hebreus 2.2; 3.6; 6.19; 9.17 (“é confirmado”). Não é sem relevância que seu significado usual refere-se a um penhor legalmente garantido (MM). Logo, neste contexto ressalta a necessidade de segurarmos com firmeza a nossa “participação” em CRISTO. Enquanto exercermos a fé temos a certeza de que nossa participação não nos pode ser tirada, assim como outra pessoa não pode alegar ter a posse do nosso imóvel se ela não possuir os documentos de propriedade.
 
HEBREUS 15-17
15-17. O versículo anterior realmente era um parêntese de qualificação, porque o pensamento agora volta à citação do Salmo 95. Até mesmo as palavras cruciais são repetidas de uma parte anterior do capítulo
(w. 7b, 8). Este fato não somente serve para enfatizar sua importância, como também fornece ao escritor uma oportunidade para acrescer seus comentários sobre elas. Faz uma série de cinco perguntas, das quais a segunda e a quarta virtualmente respondem à primeira e à terceira, ao passo que a quinta contém sua própria resposta. Este método oferece um exemplo fascinante de exegese do Novo Testamento. O escritor claramente toma por certo que seus leitores não precisarão de uma explicação da situação histórica geral à qual o Salmo se refere, mas sua primei Héring, pág. 28, considera que o genitivo hypostaseòs pode significar o “começo da fé,” ou o “princípio da fé,” ou como uma explicação, i.é, “a base, que é a fé.” ra pergunta: Quais os que, tendo ouvido, se rebelaram?, diz respeito à identidade (ou melhor, à extensão) dos ouvintes rebeldes. A segunda pergunta, retórica no seu caráter: Não foram, de fato, todos os que saíram do Egito por intermédio de Moisés?, meramente indica aquilo que os leitores já devem ter sabido: i.é, que a revolta foi total. Não pode deixar de refletir na liderança de Moisés em comparação com a superioridade de JESUS. Moisés era honrado por ser o libertador do seu povo do Egito, mas o próprio povo que ele libertou virou-se em rebelião contra DEUS. A palavra todos não é afetada pelo fato de que dois, Josué e Calebe, realmente entraram na terra prometida. Foi a massa total da rebelião que impressionou o escritor.
As duas perguntas seguintes ensinam a mesma lição. Baseadas na próxima seção do Salmo, fixam-se nos quarenta anos para chamar a atenção à extensa duração da provocação. A rebelião contra DEUS foi tão
persistente que perdurou pelo período inteiro das peregrinações dos israelitas no deserto. Não foi contra os que pecaram? é uma pergunta que define firmemente a atitude dos israelitas como sendo “pecado” (o verbo ocorre outra vez nesta Epístola somente em 10.26). O pecado é a causa radical, da qual a rebelião e a provocação eram manifestações específicas. O resultado para os pecadores é vividamente resumido: cujos cadáveres caíram no deserto, evidência decisiva da indignação de DEUS contra eles. O escritor ressalta, desta maneira, que não foi somente a descrença, mas também a realidade mais profunda da rebelião ativa a responsável pelo fracasso dos israelitas.
 
HEBREUS 3:18-19
18.. A quinta pergunta: E contra quem jurou que não entrariam no seu descanso?, é respondida pelo acréscimo qualificante: senão contra os que foram desobedientes? Os provocadores, tendo sido identificados com aqueles que pecaram, agora são descritos como desobedientes. Este último conceito subentende um padrão de lei do qual deliberadamente se desviaram. O escritor está preenchendo um quadro vívido do triste estado daqueles que agem contra a provisão que DEUS fez por eles. Está ilustrando por meio do passado de Israel a impossibilidade de vencer através de quaisquer outros meios senão a fé e a obediência — um comentário notável sobre 2.3. Deve ser notado que a idéia de um juramento de DEUS, colhida aqui do Salmo 95, ocorre em 6.13, 16-17 e 7.21 (uma citação do Salmo 110.4, cf. também 4-3). Claramente, a idéia tinha considerável importância para o escritor e falava da absoluta veracidade da palavra de DEUS. O “descanso” (i.é, a herança) mencionado aqui é considerado de importância suficiente para sua perda ser grave. É exposto e aplicado na passagem seguinte.
 
19. A última parte da citação do Salmo, acerca de entrar no descanso de DEUS, é expandida mais plenamente no capítulo seguinte, mas uma declaração resumida é feita para focalizar a verdadeira razão para o debate. A incapacidade deles de entrarem remontava à incredulidade. Isto relembra o v. 12 onde os leitores são advertidos contra terem “coração de incredulidade.” É instrutivo notar que no argumento desta Epístola a exegese é tomada relevante aos leitores e constantemente ecoa seu estado imediato. Ao dizer: Vemos, pois, que... o escritor toma por certo que seu raciocínio será evidente em si mesmo. Seus leitores dificilmente poderiam questionar a realidade da descrença dos israelitas, e obviamente o autor espera que verão com igual clareza as conseqüências perigosas de semelhante descrença da parte deles mesmos.
 
 
Hebreus - SÉRIE Comentário Bíblico - SEVERINO PEDRO DA SILVA - CPAD
 
3.1 Pelo que, irmãos santos, participantes da vocação celestial, considerai a JESUS CRISTO, apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão,
 
A palavra “confissão”, usada no texto em foco, exprime duas idéias importantes para o cristianismo.
A— Ela traz o sentido da formalidade de um voto, de um acordo legal, indicando, no vocabulário cristão, a solene lealdade que os homens devem a CRISTO como seu Senhor e Salvador. Doravante, sempre envolverá mais do que mera aceitação de um credo, de uma confissão de determinadas doutrinas ou decretos preestabelecidos. Em sentido elementar, mas espiritual, é a entrega da alma a CRISTO, naquela atitude dominada pela fé: “A saber: Se, com a tua boca, confessares ao Senhor JESUS e, em teu coração, creres que DEUS o ressuscitou dos mortos, serás salvo” (Rm 10.9 ).
B— Em sentido litúrgico, isso traz em si a idéia de um confessionário, onde o pecador arrependido busca perdão para seus pecados. No caso dos santos, esse confessionário são os pés de nosso Senhor JESUS CRISTO. JESUS foi constituído por DEUS como “... apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão”. Diante dEle: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I Jo 1.9 ).
 
2. sendo fiel ao que o constituiu, como também o foi Moisés em toda a sua casa.
O próprio DEUS falou isso a respeito de Moisés quando argumentava com Arão e Miriã, dizendo: “Não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa” (Nm 12.7 ). Alguns personagens são tomados como figuras nesta epístola para exemplificar aquilo que fizeram de bem ou mal. Veja a lista que se segue, onde são mencionados na primeira citação:
 
Do lado espiritual:
DEUS (Hb 1.1), Os anjos (Hb 1.4), O ESPÍRITO SANTO (Hb 2.4 ), JESUS (Hb 2.9 ), O Diabo (Hb 2.14 ).
 
Do lado humano:
Abraão (Hb 2.16 ), Moisés (Hb 3.2 ), Davi (Hb 4.7 ), Josué (Hb 4.8 ), Arão, Melquisedeque (Hb 5.6 ), Levi (Hb 7.5 ), Judá (Hb 7.14 ), Abel, Caim (Hb 11.4 ), Enoque (11.5), Noé (11.7), Isaque (11.9), Jacó (11.9), Sara (11.11), Esaú (11.20), José (11.21), Faraó (11.24), Raabe (11.31), Gideão (11.32), Baraque (11.32), Sansão (11.32), Jefté (11.32), Samuel (11.32), Timóteo (13.23).
Outros foram citados através de seus atos, mas são omitidos seus nomes.
 
3. Porque ele é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou.
O escritor sagrado retoma aqui nesta passagem o mesmo sentimento que já expressara antes no versículo 9 do capítulo anterior, quando afirma: “Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele JESUS que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte...” DEUS exaltou seu Filho acima de qualquer poder ou autoridade, porquanto sua glorificação foi suprema. “O qual está à destra de DEUS, tendo subido ao céu, havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potências” (I Pe 3.22 ). Qualquer tributo feito a uma casa é uma honra concedida a seu edificador. Aqui, a casa é claramente “a família de DEUS” (Ef 3.14,15 ). Por inferência, Moisés fazia parte dessa família. Mas o construtor (cf. Hb 1.2 ) é DEUS, que opera por
meio do Filho. CRISTO é o Senhor da Igreja, que é a sua casa, mas é também seu “fundador e edificador”. Esta casa é chamada de “casa de DEUS”, porque do ponto de vista divino, ela é a Igreja do DEUS vivo, a coluna e firmeza da verdade, de acordo com aquilo que declara Paulo e também outras declarações similares do Novo Testamento (cf. I Tm 3.15 ).
 
4. Porque toda casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é DEUS.
DEUS é declarado nas Escrituras como sendo o grande e admirável construtor do universo. Este conceito se aplica tanto ao universo físico como ao universo espiritual. Contudo, o argumento aqui em foco diz respeito à edificação de um edifício espiritual. Como casa de DEUS, a Igreja também é a habitação do ESPÍRITO SANTO de DEUS, coletivamente falando. Tal como nos tempos da Antiga Aliança, o templo era considerado o lugar onde Ele manifestava a sua presença. Portanto, é evidente que a Igreja é sua própria casa: “A qual casa somos nós” (Hb 3.6; I Pe 2.5 ). Assim, cada ser humano que tem um encontro com JESUS torna-se uma casa “varrida e adornada”, edificada “... para morada de DEUS no ESPÍRITO” (Lc 11.24,25; Ef 2.22 ), cumprindo-se assim as palavras de JESUS, quando disse: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” (Jo 14.23 ).
 
5. E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar;
De acordo com o conceito esboçado no presente versículo, Moisés foi tomado por DEUS para representar como um servo pode ser fiel na casa de DEUS. Já no versículo seguinte, esta responsabilidade é transferida para o Filho de DEUS, que é o Senhor de todos. Isto significa que, “... requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel”, seja ele um servo ou um senhor. Moisés (representante da Lei) e CRISTO (representante da graça) foram em tudo fiéis a DEUS naquilo para que foram designados. Para ser um verdadeiro servo, é necessário ao homem ser também participante da natureza divina, para que haja nele “... o mesmo sentimento que houve também em CRISTO JESUS, que, sendo em forma de DEUS, não teve por usurpação ser igual a DEUS. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.5-8 ).
 
6. mas CRISTO, como Filho, sohre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão-somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim.
A missão do Filho de DEUS foi servir à vontade divina, cumprindo assim o plano de Redenção para a humanidade. Para edificar este grande edifício que é a sua Igreja, Ele precisou passar pelo “vale da humilhação”, quando cruzou o caminho da morte e foi atingido por seu aguilhão. Porém, usando uma espécie de material mui frágil (barro), nosso Senhor erigiu uma grande e admirável construção, denominada “casa de DEUS, que é a Igreja do DEUS vivo, a coluna e firmeza da verdade” (I Tm 3.15 ). Assim, cada crente deve ser transformado
numa coluna, servindo de sustentáculo na casa de DEUS. Esta foi, portanto, a promessa de nosso Senhor àquele que por meio dEle se torna um vencedor. Então Ele diz: “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu DEUS, e dele nunca sairá...” (Ap 3.12 ). Somente nosso DEUS eterno, por meio de CRISTO, possui tal capacidade para este processo de transformação: fazer do fraco um forte! E, acima de tudo, fazer “firme a confiança e a glória da esperança até ao fim” de cada remido!
 
7. Portanto, como diz o ESPÍRITO SANTO, se ouvirdes hoje a sua voz
O ESPÍRITO SANTO falou isso pela boca de Davi cerca de 1000 anos a.C., quando lembrava ao povo de Israel seu endurecimento contra DEUS no deserto. Porém, ainda hoje, a exemplo do passado, Ele continua falando as mesmas palavras a cada um de nós, dizendo: “Se hoje ouvirdes a sua voz [a minha — quando o ESPÍRITO SANTO fala], não endureçais o coração, como em Meribá e como no dia da tentação no deserto” (Salmos 95.7-8). Cada mensagem das sete cartas do Apocalipse contém uma advertência do Senhor JESUS, dizendo às igrejas ali mencionadas: “Quem tem ouvidos ouça o que o ESPÍRITO diz às igrejas” (Ap 2.7,11,17,29; 3.6,13,22 ). Isto significa que, em qualquer tempo ou lugar, o ESPÍRITO SANTO não cessa de falar e de advertir às igrejas. Devemos, portanto, ser sensíveis à sua voz, e Ele nos guiará com o seu sábio conselho pelo caminho eterno (cf. Salmos 73.24; 139.23-24 ).
 
8. não endureçais o vosso coração, como na provocação, no dia da tentação no deserto,
A palavra “coração”, nas Escrituras, muitas vezes é usada para representar o homem interior, essencial, e com freqüência eqüivale ao vocábulo “alma” e em casos especiais, “espírito”. Quando não se refere ao órgão físico do corpo humano, pode indicar a porção “emocional” ou mesmo “intelectual” do indivíduo. “A imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice” e se ele se revolta contra DEUS, abre caminho direto para seu endurecimento. Nesse caso, a operação divina, em forma de correção, pode não realizar nele o efeito desejado; porque ao invés de se quebrantar, ele se endurece. Em Salmos 95.10, que focaliza esta passagem, DEUS fala àqueles que têm corações endurecidos: “Quarenta anos estive desgostoso com esta geração...” Mas aqui, logo no versículo 15 do capítulo em foco, vem a recomendação para aqueles que estão sendo advertidos, que diz: “Não endureçais o vosso coração”.
 
9. onde vossos pais me tentaram, me provocaram e viram, por quarenta anos, as minhas ohras.
Os termos “Massá” e “Meribá” surgiram diante da rocha em Horebe, quando Israel se encontrava acampado em Refidim, “... e não havia ali água para o povo beber. Então, contendeu o povo com Moisés e disse: Dá-nos água para beber”. Em resposta a esta necessidade, seguida por provocação do povo contra Moisés e contra DEUS, o Senhor disse a Moisés: “Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horebe, e tu ferirás a
rocha, e dela sairão águas, e o povo beberá. E Moisés assim o fez, diante dos olhos dos anciãos de Israel. E chamou o nome daquele lugar Massá e Miribá, por causa da contenda dos filhos de Israel, e porque tentaram ao Senhor, dizendo: Está o Senhor no meio de nós, ou não?” (Êx 17.1,6,7, ênfase do autor) Os nomes próprios empregados naquela passagem — “Massá” e “Meribá” — levam alguns estudiosos a essa interpretação. “Massá” significa “tentação”, ao passo que “Meribá” significa “provocação”.Tais atos abusivos à santidade divina levaram ao juramento pronunciado por DEUS contra o povo: “... não entrarão no meu repouso” (Sl 95.11).
10. Por isso, me indignei contra esta geração e disse: Estes sempre erram em seu coração e não conheceram os meus caminhos.
Nesta argumentação, o escritor sagrado relembra aos crentes hebreus o perigo em que caíram aqueles que provocaram a DEUS, ao invés de tê-lo reverenciado. A desobediência de Israel no deserto trouxe a DEUS um enorme desgosto — retardando assim a entrada do povo na Terra Prometida. Após este incidente, a marcha do povo parou e se inicia o período chamado de “vagueações”. Desse ponto, voltaram de Cades para o deserto, vaguearam ali por 38 anos, fora do círculo da vontade divina. Ora, é vital distinguir entre as duas viagens: uma dentro da vontade divina e outra fora dela. Em face a tudo isso, vem aqui também a advertência divina: “... ninguém [nenhum de nós] caia no mesmo exemplo de desobediência” (Hb 4.11, porque a Palavra de DEUS nos adverte que: “... a espada tanto consome este como aquele” (cf. 2 Sm 11.25; Lc 13.5 ).
 
11. Assim, jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso.
Ao bradar dos céus, impedindo que Abraão sacrificasse seu filho Isaque, DEUS fez-lhe um juramento de que o abençoaria, como também a sua semente. E o texto nos diz que Ele jurou por si mesmo “... Por mim mesmo, jurei, diz o Senhor, porquanto fizeste esta ação e não me negaste o teu filho, o teu único” (Gn 22.16 ). Mas o juramento divino, na passagem em foco, foi efetuado contra o povo, devido à sua rebeldia. Em sua ira, DEUS jurou dizendo: “... não entrarão no meu repouso”. Em sentido espiritual, isso também aponta para os dias atuais, quando o descuido tem trazido drásticas conseqüências às vidas de alguns cristãos. Ao invés de desfrutarem do “descanso” prometido por JESUS para suas almas, cumprem-se as palavras de Paulo, quando escreve aos romanos: “Tri- bulação e angústia sobre toda alma do homem que faz o mal, primeiramente do judeu e também do grego; glória, porém, e honra e paz a qualquer que faz o bem, primeiramente ao judeu e também ao grego” (Rm 2.9,10 ).
 
12. Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do DEUS vivo.
Por diversas vezes ao longo das Escrituras o coração é mencionado representando o centro da vida da pessoa humana. Assim, ele tanto pode ser BOM como pode ser MAU, dependendo apenas do contexto do viver de cada um.
Quando o coração é BOM (daquele que se aproxima de DEUS), ele é:
Entendido (I Rs 3.9 )
Sábio (I Rs 3.12 )
Perfeito (I Rs 8.61 )
Reto (I Rs 15.14
Preparado (SI 57.7 )
Firme (Sl 2.7 )
Alegre (Pv 15.13 )
Novo (Ez 18.31 )
Puro (Sl 51.10)
Limpo (Mt 5.8 )
BOM (Lc 6.45 )
 
Quando o coração é MAU (daquele que se afasta de DEUS), ele é:
Perverso (Sl 101.4 )
Soberbo (Sl 101.5 )
Orgulhoso (Pv 21.4 )
Maligno (Pv 26.23 )
De pedra (Ez 11.19 )
Incircunciso (Ez 44.7 )
MAU (Hb 3.12 )
 
13. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado.
Nossas vidas espirituais devem ser renovadas diariamente. Por esta razão são “Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas” (Ap 22.14, ênfase do autor). O apóstolo João, aqui, mostra que somente entrarão na cidade celestial “aqueles que lavam”, e não os que “lavaram” e não lavam mais, as suas vestiduras no sangue do Cordeiro. Ainda que o “Hoje” aqui em foco seja tomado por extensão para indicar todo o período da dispensação da graça, contudo é necessário que a cada dia renovemos nossas vidas espirituais para com DEUS e com os irmãos — ouvindo e pondo em prática as exortações que por eles são proferidas e lavando nossas vestes no sangue de JESUS. Algumas vezes (não são todas), essas exortações vêm do próprio DEUS. Portanto, devemos guardá-las em nossos corações e não desprezá-las sem nenhuma consideração.
 
14. Porque nos tornamos participantes de CRISTO, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim.
Esta passagem fala de nossa filiação com CRISTO, o que requer nossa fidelidade a Ele até o fim. Através deste processo de filiação fomos enxertados na verdadeira Oliveira. Paulo descreve como isso aconteceu: “E se alguns dos ramos foram quebrados [Israel], e tu, sendo zambujeiro [gentios], foste en- xertado em lugar deles e feito participante da raiz e da seiva da oliveira, não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti” (Rm 11.17-18). A participação em tudo quanto CRISTO é e tem é condicionada, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até o fim. Isto requer um firme propósito de perseverança, conforme foi recomendado por JESUS quando dava instruções a seus discípulos no monte das Oliveiras, com respeito ao fim do mundo presente, dizendo. “... aquele que per- severar até ao fim será salvo” (Mt 24.13).
 
15. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como na provocação.
Este “hoje”, aqui em foco, tanto marca o “hoje” da extensão do tempo, como marca o “hoje” do calendário sucessivo, composto de 24 horas. O importante é que ele atualiza a nossa obediência a DEUS e à sua Palavra. Este é o conceito que é depreendido do que foi dito no versículo 8 deste capítulo e é repetido aqui. Encontramos em ambos uma recomendação do ESPÍRITO SANTO para que nem Israel e nem os cristãos, em qualquer época, permitam que seus corações sejam endurecidos contra DEUS e contra seus ensinos. A perdição de Faraó foi endurecer seu coração contra DEUS, para não ouvir a sua voz. Dez vezes isso é atribuído ao próprio Faraó (Ex 7.13,14,22; 8.15,19,32;9.7,34,35; 13.15 ) e dez vezes lemos que DEUS o endureceu (Ex 4.22; 7.3; 9.12; 10.1,27; 11.10; 14.4,8,17 ). Mas somos aqui advertidos para não cairmos no mesmo abismo da desobediência, como Faraó e aqueles que não deram ouvidos à voz divina.
 
16. Porque, havendo - a alguns ouvido, o provocaram; mas não todos os que saíram do Egito por meio de Moisés.
Nem todos foram desobedientes às orientações divinas, lembra aqui o escritor sagrado. Sempre existiu e existirá as exceções de DEUS em todas as épocas da história humana. No episódio em que Israel foi envolvido com o bezerro de ouro, a tribo de Levi marcou sua fidelidade ao lado de DEUS, não se contaminando com a idolatria. Por isso, recebeu de DEUS a missão especial de exercer o sacerdócio entre seus irmãos. Eles foram descritos assim: “Pôs-se em pé Moisés na porta do arraial e disse: Quem é do Senhor, venha a mim. Então, se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi” (Ex 32.26 ). Assim cremos, e as informações apontam para isso, pois quando esta epístola estava sendo escrita, muitos companheiros de Paulo o tinham abandonado. Entre outros, Himeneu, Fileto, Demas, etc. Algumas mulheres também haviam se desviado, "... indo após Satanás” (I Tm 5.15; 2Tm 2.17; 4.10 ). Mas DEUS jamais será vencido pelas forças do mal, e aqui, no texto em foco, é apresentado também em contraposto àqueles um tipo de remanescente que foi preservado por DEUS como exemplo de fidelidade.
 
17. Mas com quem se indignou por quarenta anos? Não foi, porventura, com os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto?
Paulo, ainda que de maneira sucinta, mostra-nos um quadro bem vivido destes acontecimentos que levaram a perecer no deserto grande parte do povo eleito. Como solene aviso, ele começa dizendo: “Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem; e todos passaram pelo mar, e todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar, e todos comeram de um mesmo manjar espiritual, e beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era CRISTO. Mas DEUS não se agradou da maior parte deles, pelo que foram prostrados no deserto. E essas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles; conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber e levantou-se para folgar. E não nos prostituamos, como alguns deles fizeram e caíram num dia vinte e três mil. E não tentemos a CRISTO, como alguns deles também tentaram e pereceram pelas serpentes. E não murmureis, como também alguns deles murmuraram e pereceram pelo destruidor” (I Co 10.1-10 ). Em seguida, o apóstolo conclui, dizendo: “Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (I Co 10.11). Vigiemos, pois, e sejamos sábios e santos; porque somente assim DEUS se agradará de nosso trabalho e de nosso viver. Do contrário, cairemos também no mesmo exemplo de desobediência daqueles que pereceram no deserto.
 
18. E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes?
Os teólogos medievais procuraram classificar os pecados em formais (toda a transgressão deliberada), e em materiais (transgressão sem consentimento ou sem conhecimento).
Os pecados capitais são divididos em sete principais fontes de atos pecaminosos, que são:
Orgulho
Avareza
Luxúria
Ira
Gula
Inveja
Preguiça
 
Eles foram chamados de capitais, segundo este conceito, porque estes atos têm geralmente sua raiz no orgulho.
O pecado venial é o que não é considerado mortal e é praticado, segundo os teólogos da Idade Média, por desobediência em questões de menor gravidade ou pela falta de conhecimento. Segundo se opina, o pecado venial, embora prepare o caminho para o pecado mortal e seja o maior mal depois do pecado mortal, ainda não destrói completamente a amizade do homem com DEUS. É uma enfermidade da alma, e não a morte. No conceito de Paulo, o pecado que abriu caminho para que todos pecassem foi o da “desobediência”, dizendo: "... pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores...” (Rm 5.19a, ênfase do autor).
 
19. E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade.
Os especialistas apresentam vários tipos de incredulidade, como por exemplo:
A incredulidade simples. Simplesmente não crer em alguma coisa, de natureza religiosa ou secular;
A incredulidade por negligência. Pode haver uma negligência proposital da verdade, como no caso dos pagãos que apostatam da fé, em sua rebeldia e insensibilidade;
A incredulidade da ignorância. Consiste simplesmente em procurar ignorar alguma verdade revelada;
A incredulidade da resistência. O sistema gnóstico exemplifica este tipo de incredulidade, que procura afrontar diretamente a verdade divina;
A incredulidade duvidosa. Esta incredulidade vem ao coração humano por meio da dúvida. A dúvida é o estado de espírito entre a negação e a afirmação. Assim, a pessoa não nega — mas também não afirma, por falta de exame dos prós e contras. Dessa forma, o que o homem realiza neste estado pode se tornar em pecado; porque a dúvida afasta a fé. “E tudo que não é de fé é pecado” (Rm 14.23 ); A incredulidade por falta de fé. Esta deve ser confrontada com a natureza da incredulidade que é apresentada neste versículo. Ela consiste na falta de fé para crer na realização das promessas de DEUS na vida de seu povo. Ela torna-se a maior opositora da fé e expressa-se mediante a desobediência, o que ficou caracterizado no versículo anterior.
 
 
A Excelencia da Nova Aliança em CRISTO - Orton H Wiley - Comentário Exaustivo da carta aos Hebreus - Editora Central Gospel - Estrada do Guerenguê . 1851 - Taquara I 11111 Rio de Janeiro - RJ - CEP: 22713-001 PEDIDOS: (21) 2187-7090 .
 
O APOSTOLADO E O SUMO SACERDÓCIO DE CRISTO
Vamos agora ultrapassar a Porta Formosa do templo em Jerusalém e entrar no templo espiritual. No capítulo 1, analisamos esta porta, que simboliza aspectos divinos e humanos de CRISTO, citada pelo autor da Epístola aos Hebreus, extraindo valiosas lições para a experiência cristã. Também vimos as sérias advertências que ele fez aos seus leitores, a fim de não negligenciarem a grande salvação pelo desprezo à divindade de CRISTO, e o que disse sobre evitarem o endurecimento do coração, fazendo referência à humilhação de CRISTO. Agora [dando prosseguimento ao nosso estudo de Hebreus], à medida que deixarmos a Porta para entrar no templo, verificaremos que é apenas a expansão da vida de CRISTO, novamente considerada [pelo autor da Epístola] sob o duplo aspecto das naturezas divina e humana do Senhor. Contudo, [em Hebreus 3, veremos que] JESUS é analisado mais à luz do que fez por nós do que com base naquilo que • é em si mesmo, embora este último fato seja sempre o fundamento do primeiro.
 
O TEMPLO ESPIRITUAL
Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, JESUS. Hebreus 3.1 ARA
A natureza divino-humana de CRISTO é a "porta do templo" da comunhão com DEUS, que manifesta Sua graça em CRISTO, a qual está sempre em expansão. Ao entrarmos neste templo de graça e verdade, o autor da Epístola aos H e breus deseja que consideremos a natureza e obra de JESUS em relação a Moisés, o apóstolo do Antigo Testamento, e a Aráo, o sumo sacerdote veterotestamentário. O assunto, portanto, há de apresentar-se sob o simbolismo do antigo tabernáculo e seu serviço, e o estudo pode ser considerado como um comentário inspirado do autor da Epístola sobre o Antigo Testamento, sua história e seu ritual, suas leis e seus precedentes legais. Sob o aspecto do escritor da Epístola, existe a ideia de transcendência, que se resolve na graça reveladora e assinala mudança de relação. Sob o aspecto do Sumo Sacerdote, temos a ideia de imanência, que se manifesta na graça que dá poder e assinala mudança de condição. Estes dois aspectos se combinam na encarnação de JESUS e unem-se outra vez nos desígnios finais de DEUS. No templo da comunhão espiritual em que entraremos, haverá, portanto, um crescimento constante de luz e de verdade, por um lado; e, comparável a ele, um crescimento constante de amor e poder, ambos revelados pela graça de nosso Senhor JESUS CRISTO. A expressão por isso - em por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, JESUS (Hb 3.1 ARA) - marca a transição dos capítulos precedentes (1 e 2) para os outros dois que imediatamente os seguem  (3 e 4). Essa transição deixa subentendido tudo o que foi dito nos capítulos anteriores acerca da superioridade de CRISTO sobre os anjos, mesmo no Seu estado encarnado, e lança também o alicerce da superioridade de CRISTO sobre Moisés, o mediador da antiga dispensação e "fundador" da teocracia terrena.
 
1. Santos irmãos (Hb 3.1 ARA)
Esta forma de saudação evidentemente é decorrente de uma declaração feita no capítulo anterior, onde lemos: Porque, assim o que santifica como os que são santificados, são todos de .um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos (Hb 2.11). As duas afirmativas [sobre a santificação e a irmandade], portanto, estão combinadas na expressão santos irmãos, que forma uma caracterização apropriada  daqueles que passarão pela porta de acesso ao templo espiritual. É JESUS quem nos santifica e, portanto, torna-nos santos; somos Seus irmãos por criação e redenção. O que, então, poderia ser mais natural do que estes dois grandes pensamentos [santos irmãos] ficarem juntos? A santidade é comum a CRISTO e ao Seu povo e marca a união e a base da comunhão entre ambos. A ideia fundamental da santidade é aquilo que DEUS separa para si mesmo, sendo, às vezes, usada em um sentido exterior e coletivo, como no caso da Igreja. Disto, porém, não devemos inferir que todos os membros de uma comunidade cristã estejam na posse da santidade interior [que deveriam ter]. Mesmo entre os frequentadores da igreja, existem pessoas que não experimentaram a pureza de coração ou o amor perfeito. A santidade interior depende da pureza interior. O que DEUS separou para si mesmo, a fim de ser santificado na verdade Qo 17.17), deve também ser interiormente purificado do pecado, para que se harmonize com a imagem do Filho, que é santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores (Hb 7.26b).
 
2. Que participais da vocação celestial (Hb 3.1 ARA)
A vocação do cristão é celestial, não apenas porque do céu procede sua origem, nem ainda porque é um chamado para o céu, como alvo supremo, mas porque é uma qualidade espiritual de vida que encontra sua realização plena no céu. Andrew Murray descreveu esta vocação como o poder de urna vida espiritual que opera em nós, para tornar nossa vida celestial. Em sua plena concepção, portanto, é o poder do ESPÍRITO  SANTO, primeiro derramado no Pentecostes, pelo qual os homens foram libertos de todo pecado e transformados à semelhança espiritual de CRISTO. A palavra metochoi, participantes, literalmente significa partícipes, isto é, os que tomam parte nas mesmas coisas. Os cristãos são os ungidos e, portanto, em certo sentido, os "cristificados" que participam com JESUS do poder de uma vida eterna. A voz do céu dirigida a Moisés foi uma vocação, o chamado para a expansão de uma teocracia na terra. Os cristãos são chamados para participarem do estabelecimento de um Reino espiritual, cujo estágio inicial é uma condição interior de justiça, paz e gozo no ESPÍRITO SANTO.
 
3. Considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão (Hb 3.1 ARA)
Eis como essas palavras podem ser expressas de maneira mais enfática: "Portanto, porque JESUS é o Apóstolo e Sumo Sacerdote de nossa confissão, consideremo-lo bem" (Lowrie). Considerar é um termo usado na astronomia derivado da raiz latina sidus, que significa estrela ou constelação, e dela temos sideral, o que pertence aos astros ou ao céu. Considerai contém a ideia de que, como os astrônomos fitam longa e atentamente os céus, a fim de obter informações sobre o sistema solar, assim também, como cristãos, devemos continuamente fitar JESUS CRISTO com admiração e adoração. A palavra grega correspondente a considerar vem do verbo katanoeo,  que não significa principalmente levar a sério e em consideração, mas também trazê-lo diante do espírito, no sentido de dedicar atenção a JESUS ou refletir sobre Ele  integralmente. Westcott disse que o verbo considerai remete à atenção e à observação, bem como ao re~peito contínuô dirigido a JESUS como nosso Apóstolo e Sumo Sacerdote e, mais remotamente, à Sua fidelidade, quando comparada com a de Moisés. Estas coisas é que, agora, sáo objeto de análise. O verbo katanoesate está no imperativo, mas é, em geral, considerado não tanto uma exortação, como proposição destinada a exibir os assuntos que o escritor da Epístola aos Hebreus mais tarde tenciona discutir. Na verdade, a Epístola inteira, deste ponto em diante, forma um tratado lógico e conciso sobre os vários assuntos para os quais o autor chama a atenção no primeiro versículo do capítulo 3. É para esta discussão que ele pede atenção, por julgá-la digna de minuciosa e prolongada consideração.
4. CRISTO, nosso Apóstolo (Hb 3.1 ARA)
A obra apostólica de CRISTO se refere principalmente ao Seu aspecto objetivo como Revelador e Líder, este último já mencionado como o Capitão da nossa salvação (Hb 2.10 KJ). Como Moisés tirou Israel do Egito e conduziu-o pelo deserto às fronteiras de seu alvo material, o descanso em Canaã, assim CRISTO, como nosso Apóstolo, não apenas nos traz até as fronteiras do descanso em DEUS, mas, como Josué, nosso grande Salvador realmente nos introduz naquele descanso que aguarda o povo de DEUS. Canaã, portanto, simboliza o descanso da fé, que DEUS preparou para o Seu povo, no qual, porém, o antigo Israel deixou de entrar por causa da incredulidade e da dureza de coração. São apresentados quatro aspectos da obra apostólica neste capítulo e no seguinte, sob o simbolismo de (1) a casa, (2) a voz na casa, (3) a terra e (4) o trono na terra. Também o Sábado é mencionado como símbolo do descanso espiritual que DEUS, desde o princípio, preparou para o Seu povo. Observaremos que estes símbolos representam uma concepção cada
vez mais profunda e mais ampla da obra apostólica de CRISTO. Disse o bispo Chadwick: Não poderemos bem considerá-lo como Apóstolo sem antes nos lembrarmos da fidelidade, do patos [sentimento], da simplicidade do Seu ensino, das bênçãos que espalhou com ambas as mãos, da Sua longanimidade para com os pecadores e Seus inimigos; sem antes refletirmos sobre a amável majestade com que Ele revelou o Pai e nos lembrarmos de que todo o Seu ministério foi, para nós, no século 20, tão verdadeiro como o foi para a Galiléia e a Judéia no século i. JESUS é o único que pode sondar e transformar o nosso coração,
levando-nos à paz que resulta da rendição total a Ele. Só o Senhor pode redimir-nos com o sangue expiatório de Seu sacrifício sacerdotal  e, pelo Seu ESPÍRITO, fazer morada em nosso interior. Sua obra profética  
sempre há de preceder Sua expiação sacerdotal. Ao receber CRISTO e Sua salvação, devemos aceitá-lo em todos os Seus oficios, como Profeta,  Sacerdote e Rei.
 
5. CRISTO, nosso Sumo Sacerdote (Hb 3.1 ARA)
Os dois títulos aplicados a JESUS em Hebreus 3.1, Apóstolo e Sumo Sacerdote, vêm acompanhados de apenas um artigo, assim indicando que a Ele pertencem os dois ofícios, sendo Ele o grande objeto de nossa confissão. Como Apóstolo, CRISTO tem acesso ao Pai e revela-o a nós; como Sumo Sacerdote, Ele pleiteia a nossa causa junto ao Pai e leva-nos à presença de DEUS. Em ambos os cargos, Ele é misericordioso e fiel (Hb 2.17). Misericordioso para com os homens, porque, tendo encarnado, compreendeu as nossas fraquezas e tentações; fiel a nós e a DEUS, posto que só falou as palavras que ouviu do Pai durante o tempo em que esteve na terra (e cumpriu tudo o que prometeu e não se desviou de Seu propósito e missão]. É esta fidelidade que o torna digno de confiança. Repousando nele, encontramos a confiança interior e a alegre certeza de que Ele cumprirá todas as promessas que DEUS nos fez. Nos capítulos 3 e 4 de Hebreus, a obra apostólica de CRISTO será apresentada sob quatro útulos principais: a casa, a voz na casa, a terra e o trono na terra, como já indicamos. Nos capítulos 7 a 10, a Sua obra sacerdotal será igualmente apresentada em quatro divisões: 0 sacerdócio, as promessas, o santuário e a herança. Estes símbolos do Antigo Testamento recebem interpretações espirituais à luz da nova aliança e, associadas a eles, encontramos quatro ad~.ertências: contra a indiferença, a indolência, o pecado voluntário e a apostasia.
 
A CASA DE DEUS
O autor da Epístola aos Hebreus descreveu JESUS como misericordioso e fiel sumo sacerdote (Hb 2.17), e, tendo mencionado sucintamente a Sua misericórdia, da qual falará mais à frente de forma detalhada, passa a considerar a Sua fidelidade. CRISTO foi fiel ao que o constituiu, como também o foi Moisés em toda a sua casa (Hb 3.2). A palavra oikos (oiKoç), traduzida como casa, não se aplica meramente a uma construção e à sua mobília, mas também à família que nela reside, incluindo os empregados. O texto que é a base desse argumento se encontra em Números 12.7, onde lemos: O meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. Casa, conforme se usa no Antigo Testamento, refere-se ao povo de Israel. No Novo Testamento, é a Igreja, a qual, no sentido amplo, inclui todos os cristãos, tendo-se derrubado a parede que separava o povo de Israel dos gentios, conforme consta em Efésios 2.14: o qual Uesus] de ambos os povos [Israel e os gentios] .foz um; e, derribando a parede de separação que estava no meio. Com relação a DEUS, a casa é essencialmente uma só, mas, considerada com referência à sua administração, são duas: a dispensação do Antigo Testamento, por meio de Moisés, e a neotestamentária, mediante CRISTO.
 
CRISTO É SUPERIOR A MOISÉS
O objetivo do escritor de Hebreus é mostrar a superioridade de CRISTO por meio de três argumentos: {1) o Construtor é maior do que a casa; (2) o Senhor é maior do que o servo; e (3) a Realização é maior do que o símbolo dela.
1-O primeiro argumento se fundamenta na superioridade do Construtor sobre a casa, sendo assim expresso: JESUS, todavia, tem sido considerado digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a estabeleceu (Hb 3.3 ARA). A glória da qual CRISTO foi digno é uma referência à Sua filiação, ao passo que a palavra doxes. traduzida como  glória na primeira parte do versículo, torna-se timen ('tLJ-l"JÍV) na  segunda parte, por ser mais aplicável a uma casa. Moisés foi, na  verdade, fiel, mas ele era parte da casa, não o fundador dela, daí termos uma significativa mudança de preposições: de em  (ev) para sobre (em).  Moisés foi fiel na casa; CRISTO foi fiel sobre a casa. As palavras  maior honra do que a casa tem são kath hoson (Ka8' b' aov), que significam quanto maior. Trata-se, contudo, de uma  afirmação geral, sem o objetivo de comparar as honras concedidas.
O escritor da Epístola aos Hebreus reforça o argumento no versículo seguinte, dizendo: Porque toda casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é DEUS (Hb 3.4). Existe aqui uma profunda visão espiritual do CRISTO encarnado como o Logos, ou Verbo eterno, pelo qual todas as coisas foram feitas. Portanto, CRISTO, como o Filho divino, não é apenas o Soberano, mas o Fundador da casa, logo superior a Moisés, que era parte da dispensação sobre a qual presidia.
2-O segundo argumento, de que o Senhor é maior do que o servo, é extraído do contra.:;te entre Moisés como servo e CRISTO como Filho: E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo (Hb 3.5a).
A tarefa de exaltar CRISTO acima de Moisés era delicada, pois este era alvo de veneração por parte dos judeus. A vida religiosa de Israel, a Lei com suas várias observâncias, o conhecimento de Jeová e a esperança que os judeus tinham na vida futura estavam todos ligados a Moisés, o servo de DEUS. Além disso, o próprio J eová testificara: Moisés é fiel em toda a minha casa e boca a boca falo com ele (Nm 12.7,8a).
Contudo, a habilidade do escritor de Hebreus, inspirada pelo ESPÍRITO SANTO, nunca falha. Ele toma as palavras casa, servo e Filho e desenvolve-as de maneira magistral. Moisés é um therephon, servo livre, aquele que serve voluntariamente e executa os desejos do seu senhor na administração da casa; não é um doutos (bovAoç), escravo sem vontade própria. Moisés, portanto, é caracterizado por toda a dignidade que se ligava ao seu ofício. E ainda, Moisés era um servo fiel em toda a casa de DEUS. Os outros servos eram usados em várias partes da casa. Profetas, sacerdotes e reis tratavam de aspectos diferentes e limitados da verdade e da vida; a Moisés, contudo, fora confiada toda a dispensação, o regime e o cuidado de toda a família de Israel. O alvo do argumento, pois, é este: Moisés foi servo em casa de servos, tendo sido ele próprio parte da casa; CRISTO, todavia, é Filho sobre uma casa de filhos, sendo Ele mesmo o Autor e Fundador da dispensação sobre a qual é Soberano.
 
3-O terceiro argumento, de que a Realização é maior do que o símbolo dela, baseia-se na seguinte afirmação: o ministério de Moisés foi para testemunho das coisas que se haviam de anunciar (Hb 3.5b).
Moisés, portanto, não apenas deu testemunho quanto à verdade contida na Lei, mas prescreveu o culto simbólico em sua própria casa sob um feitio que, depois, testificaria aquele que seria mais plenamente exibido em CRISTO. Por isso, nosso Senhor disse: Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim, porque de mim escreveu ele 5.46); e, em relação aos discípulos no caminho de Emaús, agiu da seguinte forma: E, começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras (Lc 24.27). A dispensação mosaica, portanto, era simbólica e dava testemunho tanto da pessoa como da obra de JESUS CRISTO.
 
A CASA SOMOS NÓS
CRISTO, porém, como Filho, em sua casa; a qual casa somos nós. Hebreus 3.6a ARA
No sentido coletivo e no individual, somos a casa de CRISTO, edificados para morada de DEUS no ESPÍRITO (Ef2.22b). Visto que, nas coisas espirituais, cada parte é igualmente um todo, cada indivíduo, como pedra viva na casa espiritual, é habitado pelo ESPÍRITO e manifesta a santidade de DEUS. Em um sentido coletivo, estas pedras vivas entram juntas na edificação da casa de DEUS e, por meio de suas relações pessoais umas com as outras, manifestam a glória do Senhor. Se, portanto, quisermos a fidelidade de CRISTO e a alegria de Sua comunhão, devemos render-lhe o controle de nossa vida. Ele tem de ser a presença permanente em nosso coração; não como Hóspede, mas como Hospedeiro [como o dono da hospedagem que somos nós]. Somos Sua casa, e Ele [como nosso Senhor] deve ter acesso a todos os aposentos; a administração e o controle de tudo têm de estar em Suas mãos. O teste da consagração genuína ao Senhor é estarem as chaves da casa nas Suas mãos, não apenas durante os ,períodos de êxito, mas carnbém nos tempos de dor e adversidade. Somos Sua casa, da qual Ele cuida de maneira peculiar. Que honra grandiosa é esta! Desfrutamos da paz do ESPÍRITO e da libertação de todas as preocupações quando entregamos nossa vida nas mãos de CRISTO! Ele não é apenas a Cabeça da Igreja, mas de rodas as coisas sobre a Igreja, e administra o universo para o progresso e cuidado dela. Confiemos, portanto, nele inteiramente e esperemos dele tudo o que realizou por nós. A verdadeira consagração passa por uma entrega total a DEUS de tudo o que temos, somos e esperamos ser; de nosso passado, presente e futuro (dizemos passado, porque há muitos que, secretamente, desejam uma volta às rendições passadas). Tal entrega resolve todas as questões em favor do pleno controle de DEUS em todos os interesses da nossa vida e em favor de Sua administração quanto ao tempo, lugar e à maneira das circunstâncias a eles ligadas [::.] O leitor verificará imediatamente a diferença entre estar tudo ao dispor de DEUS e apenas acharmos que depositamos tudo aos pés dele. O Pai é o Soberano e faz o que quer com os Seus, mas os homens nem sempre o reconhecem como tal [ ... ] Ele precisa ter tudo em Suas mãos, porque dificultamos o Seu agir enquanto desejamos reter parte de nós mesmos ou de nossos bens. Isso porque tudo aquilo em que colocamos o nosso co;ação é um ídolo e nos faz cultivar a cobiça, que é idolatria, mantendo-nos, realmente, em uma condição em que Ele não pode realizar obra poderosa dentro de nós. Esta exigência de consagração completa não é uma regra arbitrária ou tirânica, mas o resultado necessário do amor puro. DEUS deseja abençoar-nos, e só poderemos desfrutar do prazer real de Sua presença quando soubermos que Ele é o supremo Bem. (SEE, The resto  foith, p. 17, 18).
 
PRIMEIRA ADVERTÊNCIA: NÃO NEGLIGENCIAR A GRANDE SALVAÇÃO
Se guardarmos firme, até ao .fim, a ousadia e a exultação da esperança.
Hebreus 3.6b ARA
Quando o escritor da Epístola diz a qual casa somos nós (Hb 3.6a ARA), acrescenta a significativa condição: se guardarmos .firme, até ao .fim, a ousadia e a exultaçáo da esperança (Hb 3.6b ARA). Eis como se tem traduzido esta porção do versículo: "Se guardarmos a ousadia e gloriarmo-nos da esperança firmes até o fim" (Moulton). O bispo Chadwick afirmou: Nos nossos dias, não há questão que aflija, como nos tempos antigos, o ministro fiel do Evangelho mais profundamente do que aquilo que possa ser a razão por que tantos convertidos esfriam na fé e caem e o que poderá ser feito para que tenhamos cristãos que permaneçam firmes e vençam. [Em Hebreus 3.6b] Talvez um estudo crítico das palavras parresian, traduzida como ousadia (ARA) ou confiança (ARe), e kauchema, como exultação (ARA) ou glória (ARe), dê-nos uma compreensão da natureza e da necessidade da firmeza na vida cristã. O primeiro vocábulo (parresian) denota o falar aberta e intrepidamente, sem temor das consequências, daí ter vindo a significar confiança ou ousadia. Não está ausente no vocábulo a ideia de liberdade de expressão, porém, na acepção de que tratamos, é liberdade sincera e reverente, que provém de um coração purificado, dilatado e posto em liberdade (Sl119.32). Para destacar com mais clareza o significado desse vocábulo, temos outra palavra grega, hedone (ijbovrí), que denota experiência alegre, despertada por circunstâncias favorávei~, ao passo que parresian (rraQQT)aí.av) é exatamente o oposto, significàndo aquela ousadia que vem de dentro e triunfa sobre todas as circunstâncias desfavoráveis. São essas qualidades -liberdade e ousadia- que vêm da unção do ESPÍRITO SANTO, que habilitou de tal modo os discípulos no Pentecostes que eles anunciavam com ousadia a palavra de DEUS (At 4.31c). Já a palavra kauchema, traduzida como exultação (ARA), e todas as palavras da mesma família trazem em si a ideia de jactarse ou gloriar-se. O fato de a palavra ser traduzida como regozijar-se na Authorized Version talvez se deva a que, na Septuaginta, as palavras hebraicas que denotam gozo e alegria são geralmente traduzidas pelos mesmos termos. A palavra kauchema, como é usada em Hebreus 3.6b, refere-se mais especialmente ao sujeito, enquanto kauchesis remete-se ao ato. Nossa esperança, pois, não é em nossos sentimentos, mas naquele que os inspira, e o objetivo do escritor da Epístola aos Hebreus é mostrar que alicerce abundante temos para ousadia e exultação na
pessoa e obra de JESUS CRISTO. Esta esperança está firme em si mesma e entesourada em DEUS, mas o regozijarmo-nos nela com ousadia é nosso privilégio e dever. Westcott observou que "a esperança está relacionada com a fé, assim como a atividade energética da vida está relacionada com a própria vida". A esperança só pode chegar à sua realização perfeita quando inspira ousadia naqueles que a possuem. E esta esperança abundante é o centro da intervenção ativa, o segredo da firmeza e a fonte de exultação corajosa. É esta esperança que devemos manter firme se quisermos viver cheios do ESPÍRITO. A palavra kataschomen (Ka'IáXO!l.EV), guardar, traduzida como se guardarmos .firme (Hb 3.6b), é um subjuntivo aoristo\ o qual Westcott traduziu como "se guardarmos firme", e Vaughan, "se (quando o grande Dia vier) formos achados firmes". O caminho para a firmeza, então, é o da fé singela. Este caminho obtém de DEUS, que é a nossa Vida, a alegria pela Sua presença, e encontra o motivo de sua ousadia naquele que é a base infalível de toda esperança. O Senhor nos dá mel tirado da rocha (Dt 32.13), saúde no meio da enfermidade, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado (Is 61.3 ARA).
Neste trecho do versículo, se guardarmos firme, até ao fim,  ousadia e a exultação da esperança (Hb 3.6b ARA), existe uma lição importante para todos os que querem ter sucesso na vida cristã. A firmeza e a perseverança são traços marcantes e essenciais do caráter cristão, e encontram sua única raiz na ousadia da esperança.  Pedro nos apresentou o fundamento desta esperança quando disse que DEUS nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de JESUS CRISTO dentre os mortos (1 Pe 1.3c). Tanto Paulo quanto João associaram esta esperança ao amor  Paulo afirmou claramente que todos os que são justificados pela fé têm em CRISTO também uma graça mais profunda e abundante,  na qual estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de DEUS. E  não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência (Rm 5.2,3). Acerca da ousadia ligada à experiência do perfeito amor, disse João: Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que, no Dia do juízo, mantenhamos confiança [ ... ] No amor não existe medo; antes, o petftito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é apetftiçoado no amor (1 Jo 4.17,18 ARA). Aqui se torna claro que o medo pode estar confundido com o amor na experiência dos cristãos. Existe, porém, uma experiência mais profunda em que o medo, que vem da dúvida e da desconfiança, é lançado fora, e o amor, aperfeiçoado. Não permitiremos, então, como casa de DEUS, que Ele purifique o nosso coração, lance fora o medo e aperfeiçoe o nosso amor? Não nos é ordenado que amemos o Senhor nosso DEUS com todo o coração, toda a alma, e todo o entendimento (Mt 22.37 ARA)? Odenou Ele alguma coisa impossível de ser realizada? Não. Então, guardemos, pois, firmes a ousadia e a exultação da nossa esperança até ao fim!
 
SEGUNDA ADVERTÊNCIA: NÃO ENDURECER O CORAÇÃO
Portanto, como diz o ESPÍRITO SANTO, se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais o vosso coração, como na provocação, no dia da tentação no deserto. Hebreus 3.7,8
A rebeldia dos israelitas no deserto sob a liderança de Moisés se tornOU o motivo dessa advertência feita pelo escritor de Hebreus aos cristãos judeus, os quais ele evidentemente considerou como em iminenteperigo de cair também por causa da incredulidade. O episódio no deserto era muito apropriado para preveni-los contra a incredulidade que destruiu os seus pais. Esta segunda advertência está no polo oposto ao da primeira, e é dirigida contra uma condição mais sutil e perigosa. A primeira foi feita contra o ato de negligenciar a grande salvação, vista à luz da majestade do Filho de DEUS; a segunda denuncia o endurecimento do coração como consequência da subestimação da pessoa e obra do Filho, vistas em Sua humilhação. O Filho de DEUS é o mesmo, quer como Rei em Sua majestade, quer como Servo em Sua humilhação; seja na força de um Leão, seja na mansidão de um Cordeiro; como o Ancião de dias ou como a Criança de Belém; como o Portador do cetro do céu ou como Carregador do fardo do mundo. Por esta razão, o escritor da Epístola se remete diretamente à história de Israel como base de sua advertência. Esta se estende de Hebreus 3.7 a 4.13, com várias aplicações de uma só verdade aos cristãos. Visto que esta seção envolve outras verdades importantes, deve ser analisada e considerada em suas diversas divisões.
 
A VOZ DA CASA
Portanto, como diz o ESPÍRITO SANTO Hebreus 3.7a
O escritor da Epístola aos Hebreus, de acordo com seu costume, alude diretamente ao Autor das Escrituras, em vez de ao instrumento humano, expressando, assim, sua crença irrestrita na  inspiração do Antigo Testamento. Ele parece aproximar-se desta advertência com cena hesitação e, considerando as Sagradas Escrituras como a voz de DEUS a comunicar-se em cada passagem, introduz assunto com esta expressão profundamente significativa: Como diz ESPÍRITO SANTO (Hb 3.7a).  O ESPÍRITO SANTO, que inspirou a Bíblia, é o Seu intérprete autorizado. O que é pronunciado por Ele só pode ser entendido quando  Ele habita em um coração integralmente rendido e obediente. Observamos, em nossa discussão sobre os primeiros versículos  da Epístola aos Hebreus, que antigamente DEUS falava pelos profetas, e a revelação que provinha deles era, portanto, externa, cerimonial e preparatória. Nestes últimos dias, DEUS nos falou por intermédio de Seu Filho,  e esta revelação foi interna, espiritual e perfeita. CRISTO, agora, habita no  coração do Seu povo, mediante a presença do ESPÍRITO SANTO, e, assim, fala não somente a nós, mas em nós. O ESPÍRITO SANTO revela CRISTO em nós e só Ele torna a Verdade vital e real em nossa experiência. Somente por intermédio dele é possível ter comunhão com o Pai e o Filho. O escritor de Hebreus quer deixar bem vivo em nós que o ESPÍRITO  fala tão-somente àqueles que, com o coração submisso e obediente, dão ouvidos à Sua voz.
 
1. Se ouvirdes hoje a Sua voz (Hb 3.7b)
Há uma palavra e uma expressão importantes que o ESPÍRITO usa livremente: hoje e não endureçais o vosso coração. Satanás nos aconselha a postergar para amanhã [o que é para hoje], e a demora faz endurecer
o coração (Pv 13.12). Com base nessa verdade, Wesley disse: "Eis como sabemos se estamos procurando pelas obras ou pela fé; se pelas obras, há sempre alguma coisa a ser feita antes; porém, se pela fé, por que não agora?" Em Hebreus 3.7, a palavra hoje fala [não apenas do presente,do dia de hoje, mas também].da eternidade de DEUS, pois para Ele não existe passado ou futuro; toda a Sua graça e todas as Suas bênçãos se acumulam em um único e eterno agora. Assim, todo cristão que deseja desfrutar as riquezas da graça de DEUS precisa corresponder a este agora com uma confiança presente. Essa verdade admirável sobre a qual o ESPÍRITO SANTO fala por meio de CRISTO, a Palavra viva, dirige-se a cristãos, e não a pecadores. É urn chamado para o descanso da fé, assunto que o escritor da Epístola introduzirá e estudará mais minuciosamente no capítulo seguinte. O ESPÍRITO SANTO, para os que o receberam como o Consolador presente, torna-se o Guia a toda a verdade. Em relação às promessas de bênçãos materiais ou espirituais, Ele diz hoje, e introduz em nós o espírito de fé, pelo qual podemos apossar-nos das promessas de DEUS e torná-las reais em nossa vida. Nesse sentido, o ESPÍRITO traz palavras de advertência, a fim de que não endureçamos o coração. Ele fala apenas a quem possui um coração confiante e obediente; endurecê-lo é interditar todos os meios de counicação com DEUS.
2. Não endureçais o vosso coração (Hb 3.7c)
O escritor da Epístola não expressa essa advertência com suas próprias palavras. Ao contrário, usa o Salmo 95.7, apresentando-a com base na Palavra inspirada. A citação é retirada da Septuaginta, geralmente considerada como os próprios comentários do escritor ao aplicar esta passagem aos cristãos judeus. As palavras me sklerunte, em não endureçais, estão no subjuntivo aoristo e expressam, do modo mais enérgico, um único ato de endurecimento. O uso do subjuntivo aoristo com a negativa significa coibir a manifestação do que quer que seja. Na verdade, esta expressão significa nem mesmo o comeceis ou não façais uma vez que seja. Em certo sentido, esta combinação é ainda mais forte do que o imperativo simples. A imagem se prende à ressecação ou ao enrijecimento por doença, ou à rigidez fria daquilo que deveria ser maleável e macio. Nas Escrituras Sagradas, aplica-se ( 1) à própria ação do homem de recusar a graça e (2) à sentença judicial, que finalmente a confirma (Vaughan). A raiz dessa palavra, sklerunthei, como é usada em Hebreus 5.13, expressa o estado de incredulidade empedernida ou oposição obstinada à Palavra de DEUS. A palavra coração, kardias, no Antigo Testamento, não se limita às afeições, mas é usada a respeito da pessoa na plenitude de seu intelecto, seus sentimentos e sua vontade (cf. Ef 4.18). Visto que o uso do aoristo com o subjuntivo denota exigências meramente negativas, estas palavras podem ser interpretadas não como as exigências peremptórias do imperativo, mas em um sentido de anseio ou desejo: "Oh, que hoje não endureçais os vossos corações!" Ellicott observa que o grego não admite o sentido em que as palavras são naturalmente tomadas, por exemplo, pelo leitor de língua inglesa: "Se estais dispostos a ouvir". O significado do hebraico é: "Hoje, oh, que deis ouvidos (isto é, obedeçais) à Sua voz!" ou "hoje, se derdes ouvidos à sua voz". As palavras tornam-se, assim, mais brandas como ordem ou exortação.
 
A SITUAÇÃO NO DESERTO
Já foi chamada a atenção para o fato de que não se menciona a Páscoa na Epístola aos Hebreus, pois Israel já havia sido liberto da morte no Egito, por causa do sangue do cordeiro, aplicado nas portas das casas, e deixado a servidão pela mão poderosa e o braço estendido do Senhor (Dt 5.15). Os israelitas eram um povo redimido, peregrinando pelo deserto em direção à sua herança prometida, a terra de Canaã.
Jamais Israel estivera em situação mais favorável do que naquela manhã, quando, pelo poder de DEUS, permanecera vitorioso sobre os inimigos na outra margem do mar Vermelho. O Egito e a servidão tinham passado para sempre. Adiante dos israelitas, estavam a nuvem e a coluna de fogo que os guiavam de dia e iluminavam-nos de noite. A glória da presença divina pairava sobre éles, e a terra da promessa estava diante dos seus olhos; a terra de vinhedos e bosques de oliveiras, de onde manava leite e mel (Dt 26.9). Mas os israelitas falharam e, daqueles 600 mil homens, entusiasmados com a primeira vitória, a apenas dois Uosué e Calebe] foi permitido entrar na Terra Prometida. Quanto ao restante de toda aquela geração, o que sabemos é que seus cadáveres permaneceram no deserto. Existem duas épocas distintas nesta história primitiva de Israel como nação. A primeira foi o livramento da servidão no Egito; a segunda, o estabelecimento do povo em Canaã. Assim, também existem dois tipos de vida iniciados por estas crises: a vida temporária no deserto e a permanente em Canaã; ambas são necessárias ao crescimento e à glória do reino de Davi. E as Escrituras nos lembram que tudo isso lhes sobreveio [aos judeus] como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem são chegados os fins dos séculos (1 Co 10.1-4,11). Esses eventos históricos simbolizam duas crises na experiência cristã e dois tipos de vida ~ristá. À primeira das crises, Paulo chamou justificação, isto é, a libertação da culpa e do poder de nossos próprios pecados reais; a segunda é chamada o descanso da fé, sendo uma libertação do conflito interior entre a nova vida em CRISTO, comunicada na regeneração, e a antiga, de acorco com a nossa natureza carnal. O faro de que o pecado, a tendência para o erro herdada [de Adão], permanecer no coração do regenerado é admitido por todos os
grandes credos da Igreja, e é claramente apresentado nas Escrituras.Por esta razão, lemos que o Senhor nos tirou [ ... ]para nos introduzir (Dt 26.8,9), ou, como disse Wesley: "somos justificados a fim de que
sejamos santificados". CRISTO nos redime de toda iniquidade, para que possa purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras (Tt 2.14). Se o pecador pode sentir-se cônscio da paz que se segue à justificação (Rm 5.1), assim também o cristão pode ter consciência de um estado interior de pureza quando santificado inteiramente (At 15.8,9). Além disso, deve-se observar que os dois processos na consecução destes dois estágios da salvação são distintos e diferentes, passando do estado de rebelião para o de filiação, e do de imundície para o de pureza. Jamais se confundem os dois nas Escrituras; eles são indicados claramente por uma terminologia distinta.
 
A PROVAÇÃO NO DESERTO
Não endureçais o vosso coração, como na provocação, no dia da tentação no deserto, onde vossos pais me tentaram, me provaram e viram, por quarenta anos, as minhas obras. Hebreus 3.8,9
O texto hebraico tem as palavras Meribá e Massá (SI 95.8}, porém em Hebreus 3.8,9 são substituídas respectivamente por parapikrasmoi, provação, e peirasmou, tentação, seguindo os significados para aquelas na Septuaginta.
Houve três eventos significativos na jornada desde o Egito até Cades-Barnéia, dos quais DEUS se desagradou.
O primeiro foi a revolta do povo contra Moisés e Arão no deserto de Sim, pois não havia pão.
O segundo, a revolta em Refidim, pois não havia água para o povo beber.
O terceiro evento, o mais sério, foi em Cades-Barnéia, a partir de onde os israelitas entrariam no descanso prometido. Foi neste lugar que aquela geração de israelitas, recém saída do Egito, deu ouvidos à voz da incredulidade e do desânimo e, durante toda a noite, chorou e murmurou contra Moisés e Arão alegando que eles incentivaram o povo a sair do Egito, a fim de vê-lo morrer no deserto.
Não obstante, em cada uma dessas crises, o povo de DEUS testemunhou as maravilhosas obras do Senhor. Os israelitas não tinham pão, mas DEUS os alimentou com maná, o pão do céu. Não tinham água, mas da rocha ferida o Senhor lhes deu fontes no deserto. Além disso, DEUS lhes deu inúmeras provas de que superariam todos os obstáculos e seriam introduzidos em segurança na Terra Prometida.
O caráter da incredulidade aparece, nas palavras epeirasan, tentaram-me, e edokimasan, puseram-me à prova. A primeira vem do verbo que significa julgar, quer sem antecipação do resultado [julgamento que o povo fez de DEUS], quer com a presunção de achar o Senhor mau. A segunda palavra é provar (na expectativa de encontrar o bem). Mas, na sua acepção aqui significa os homens experimentando [duvidando da bondade dele e pondo à prova] DEUS, o Seu poder e a Sua paciência, o que revela o orgulho e a autossuficiência que alimentavam no coração. Esta atitude do espírito está longe da reverência, humildade e confiança. Assim, o escritor de Hebreus, ao descrever Israel, usa o vocábulo planontai (n:Aavwvrat), errar, em estes sempre erram [ou são desviados] em seu coração e não conheceram os meus caminhos (Hb 3.10bc}.
 
DEUS SE INDIGNOU CONTRA AQUELA GERAÇÃO INCRÉDUlA
Por isso, me indignei contra esta geração e disse: Estes sempre erram em seu coração e não conheceram os meus caminhos. Hebreus 3.10
O verbo indignar-se, na acepção aqui usada, traduz-se, às vezes, como ser provocado ou agravar-se. Visto que a palavra grega é enérgica, alguns acham que deveria ser traduzida como ficar desgostoso ou aborrecer-se. O vocábulo é prosochthisa (nQoawx8taa), composto de pros e ochte, cuja tradução literal seria banco de areia. No grego pós-homérico, o termo era aplicado aos navios que encalhavam. Em relação ao espírito, denota aversão ou hostilidade que uma pessoa nutre por outra, embora este significado só se encontre na Septuaginta. [Sendo assim, quando diz me indignei contra esta geração] DEUS estava, pois, aborrecido, indignado, com aquela geração, com todos os que saíram do Egito com mais de 20 anos de idade. O ESPÍRITO SANTO indica que a sede dos erros deles e das peregrinações estava no perverso coração de incredulidade (Hb 3.12 ARA), que não podia ver, compreender nem conhecer DEUS. Por isso, sempre erravam no coração (Hb 3.1 O ARA). A expressão erram no coração significa que, em todas as experiências
e ocasiões, aquela geração de israelitas persistentemente se desviava de DEUS, seduzida por vontades corruptas e afetos corrompidos. Em seu relacionamento com DEUS, aqueles israelitas jamais se alçaram a uma concepção de fé na providência divina; tal é o poder do perverso coração de incredulidade.
 
1. Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso (Hb 3.11 ARA)
Urna vez que no versículo 10 é descrito o sentimento de DEUS para com a geração incrédula do êxodo egípcio, em conformidade com este fato, no versículo 11 é anunciada a decisão que DEUS pronunciou contra ela e que tal decisão era inapelável. Isto é justificado pelo emprego da palavra jurei, em grego omosa, fazer um voto ou juramento, rogar urna maldição. A partícula condicional ei ( d), se, na expressão se eles entrarem, era parte da fórmula hebraica de maldição, e pode ser interpretada da seguinte maneira: "Se eles entrarem, não sou Jeová". DEUS tem prazer em Seus filhos, mas desgosta-se com os que preferem os maus caminhos. Por isso, recompensa os que o servem e pune os incorrigíveis, sendo tudo feito de acordo com os princípios de justiça e santidade. O vocábulo descanso vem da palavra composta katapausin, que deriva do verbo pauo (naúw), deter-se, cessar, dar descanso. Esse vocábulo com a preposição kata contém a ideia de permanência ou radicação na herança prometida. É o oposto de anapausis, que significa descanso por cessação de trabalho, e pode ser apenas temporário. O descanso que DEUS tinha para os israelitas era em Canaã; o descanso de um tempo da servidão do Egito e das exaustivas peregrinações no deserto. O Senhor chama meu descanso porque prometera ao Seu povo, livrando-o da servidão no Egito para o introduzir em Canaã, como lugar de habitação permanente [não mais de peregrinação].
Proibido de entrar em Canaã por causa da incredulidade, Israel foi condenado a peregrinar pelo deserto por um período de 40 anos. Essas jornadas pelo deserto se caracterizaram pela falta de objetivo, inquietude e insatisfação. Falta de objetivo porque os israelitas não o tinham nessas viagens inquietude porque se mudavam de um lugar para outro sem nada possuir; e insatisfação que vinha de profundos anseios por coisas melhores. Tudo isto é igualmente característico daqueles que, tendo-se iniciado no caminho cristão e tendo mesmo feito certo progresso nele, voltam as costas, pelo medo e pela incredulidade, para o descanso da fé a eles prometido, dirigindo-se de novo ao deserto da desesperança.
 
UMA EXORTAÇÃO E UMA ADVERTÊNCIA
Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do DEUS vivo. Hebreus 3.12 ARA
Neste versículo a advertência continua, dando ênfase à incredulidade como causa do endurecimento do coração .. A advertência contra a incredulidade se completa no capítulo seguinte. A palavra irmãos indica o término da citação anterior do Salmo 95 e deixa claro que o autor de Hebreus está falando, do seu próprio coração, acerca da preocupação de que os cristãos judeus não sigam o mesmo exemplo de incredulidade.
A palavra blepete (~AÉm:n:), traduzida como tende cuidado, está no imperativo presente, tempo verbal do grego que expressa duração linear, contínua- tende [sempre] cuidado. O caráter abrupto da introdução não está em harmonia com o interesse do escritor da Epístola pela suavidade de estilo, mas pode ter sido sua intenção despertar os leitores para a seriedade da advertência. A expressão en tivi humon, em qualquer de vós, poderia ser traduzida igualmente como em algum de vós, e mostra profundo zelo por todos a quem escreve individualmente. Esta individualização do texto é um apelo do coração fraternal e amante que não deseja que um sequer se perca. Existe, porém, ainda outro significado. O autor da Epístola teme que algum dos cristãos comece a desviar-se e passe a influenciar os outros. É o mesmo pensamento que ele expressa depois, como temor de que haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados (Hb 12.15 ARA). 1. Perverso coração de incredulidade (Hb 3.12 ARA)
O escritor da Epístola aos Hebreus atribui o fracasso dos israelitas quanto à entrada em Canaã a um perverso coração de incredulidade, por isso adverte os cristãos quanto à origem real do fracasso: o coração impuro, não-purificado [por CRISTO]. O vocábulo perverso, neste caso, não é kakos, termo aplicado ao mal segundo a sua natureza, mas ponera, isto é, o mal segundo os seus efeitos. Os sinônimos para perverso são depravado, maligno e ímpio. A palavra original que significa perverso denota aquele que planeja a maldade, daí Satanás ser chamado ho poneros, O maligno. A palavra traduzida como incredulidade é apistías (àmmíaç), e está em oposição direta a pistis,Jé, exibindo-se o contraste mais claramente no grego do que em nossa língua. Pistis traz em si mais a ideia de descrença, ou de recusa em crer, do que a mera noção de incredulidade. O coração perverso, kardia ponera, é manifesto pela incredulidade, ou desconfiança de DEUS, pelo erro persistente e pela perversidade na vontade e no inte~ecto obscurecido, fazendo  corn que a pessoa não compreenda os caminhos de DEUS. Assim, pois, a perversidade não reside apenas na vontade, nas afeições ou no entendimento, mas na corrupção de todo o coração ou ser, segundo a acepção usada pelos judeus. O perverso coração de incredulidade é, portanto, apenas outro norne para aquela coisa odiosa que Paulo chamou de o velho homem, corpo do pecado (Rm 6.6); a outra Lei nos seus membros (Rm 7.23) e a inclinação da carne, que é inimizade contfa DEUS (Rm 8.7). Nas palavras de Wesley, é a "tendência para pecar", pois tende a resultar em pecados reais, que trazem culpa e condenação. Nosso Senhor tornou clara esta inclinação quando disse: Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus (Mt 7.17). O caráter da árvore determina a qualidade dos frutos que ela produz. Ensinou que existe uma natureza que é a origem do ato, e ambos necessitam do sangue que Ele verteu na cruz para fazer expiação por nossos pecados; o ato, para ser perdoado, e a natureza pecaminosa, para ser  purificada. O perverso coração, ou pecaminoso, manifesta-se, como observou o escritor de Hebreus, afastando-nos do DEUS vivo (Hb 3.12 ARA). O verbo afastar-se é apostenai (àTIOO"'L~vm), que, às vezes, é traduzido como desviar-se. Daí a nossa palavra apostasia, que sugere o fim terrível a que a descrença ou desconfiança de DEUS naturalmente conduzem. A forma verbal [ajàste] é uma palavra composta, apistemi
(àTIÍ.U'LEflL), que, no infinito aoristo2, expressa um caráter definitivo ou real. Assim, a palavra incredulidade [nessa advertência em Hebreus 3.12] é compreendida [por influência do verbo afaste que a segue] como tendo crido e se desviado ou afastado do DEUS vivo. A expressão DEUS vivo é anarthous, não havendo artigo no grego. É um hebraísmo, comum no Antigo Testamento, por meio do qual Jeová era contrastado com os ídolos inanimados dos pagãos. Literalmente significa DEUS cheio de vida; um Ser benévolo, que ama e deve ser amado; cheio de bondade e verdade, benignidade e misericórdia, socorro bem presente na hora da angústia (SI 46.1). Essa expressão "DEUS vivo" - ocorre quatro vezes nesta Epístola.
Alguns escritores modernos, seguindo uma psicologia superficial, têm asseverado que é impossível saber se o coração foi purificado do pecado, pois, dizem eles, o pecado pode estar oculto no subconsciente e, portanto, fora do alcance da consciência. É uma tese falsa, porém antiga. O Dr. ]. A. Wood, em Purity and maturity, publicado antes de 1876, afirma que o Dr. Curry, em uma conferência à Convenção de Pregadores de Nova Iorque, expressou dúvida quanto ao estado purificado ser consciente. Disse ele: "A consciência toma conhecimento dos processos da alma, mas o raio de sua observação não se estende aos
estados latentes ou quiescentes". Ao que o Dr. Wood replicou: Que são descanso, liberdade da condenação, paz e repouso, senão estados quiescentes da alma, dos quais podemos estar tão clara e positivamente
conscientes como de qualquer outro dos processos da alma [ ... ] Os santificados podem ficar tão positiva e plenamente conscientes de pureza, como os não-santificados, da impureza. (Woon, Purity and maturity, p. 1 09)
2. Exortai-vos mutuamente cada dia durante o tempo que se chama Hoje (Hb 3.13a ARA)
Os cristãos viviam sob o perigo iminente de apostatar, pelo que o autor da Epístola aos Hebreus sugere um meio a ser empregado para prestar assistência a todos os indivíduos, a fim de que perseverem na fé. A base é a afeição fraternal que leva à admoestação mútua; assim é que se mantém a integridade de todo o Corpo. Logo, os cristãos deviam estimular-se reciprocamente. A palavra estimular ou encorajar [em Hebreus 3.13, traduzida como ex-ortar] é parakaleite (7taQaKai\c'lu:), derivada do substantivo Paracletos, Consolador, na acepção usada por nosso Senhor quanto ao ESPÍRITO SANTO. O pronome vos [em exortai-vos, é reflexivo; significa a vós mesmos] é heautõs (cau;rouç), e é usádo em lugar de allellous, conforme se encontra em Efésios 4.32. Praticamente, náo existe diferença entre os dois, acreditava Vaughan, pois o primeiro é uma alusão ao conjunto unificado dos cristãos, e, quando cada um estimula a si próprio, está encorajando todo o Corpo do qual é membro. A expressão cada dia é hekasten hemeran - literalmente todos os dias- e sugere que essas admoestações mútuas sejam frequentes e contínuas. Na expressão durante o tempo que se chama Hoje, em grego usase o artigo definido, o Hoje. Evidentemente o autor se referia à citação anterior do Salmo 95.7, se hoje ouvirdes a sua voz. A expressão inteira significa enquanto se chamar o Hoje. Lindsay observou que o tempo a que essa expressão alude é a vida presente, a qual, por causa da sua brevidade e incerteza, pode bem ser apelidada de um dia. D~sse ele: "O momento presente é nosso: não sabemos o que haverá amanhã; e, se desperdiçarmos o nosso dia de misericordiosa visitação, não teremos nova oportunidade de voltarmo-nos para o Senhor e alçarmo-nos à glória".
 
3. A fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado (Hb 3.13b ARA)
A ênfase aqui não é sobre a qualidade moral do engano, mas sobre o engano como meio pelo qual o coração se ilude. A palavra apate, traduzida como engano, está no caso instrumental e significa fraude ou engano da mentira, pelo qual alguém é levado ao erro e ao pecado. Este engano, contudo, não é puramente passivo, no sentido de uma pessoa inocente ser enganada por outrem, pois está associado com tes hamartias, o pecado; logo, significa engano próprio. A pessoa torna-se, a um tempo, a enganadora e a enganada, por isso esse engano acarreta culpa. Alguns dizem que o pecado aqui mencionado deve ser identificado ou com a incredulidade, ou com a apostasia mencionada no contexto. Isto não é possível, uma vez que as palavras apostenai  e sklerunthei descrevem um estado de coração  empedernido e, portanto, hamartia (áfla.Qrría) não pode significar a mesma coisa, a menos que se suponha que o escritor de Hebreus confunda a causa com o efeito. Mas ele é específico; chama-o tes hamartias, o pecado, e assim o identifica como a causa. É ao perverso coração, que se manifesta pela incredulidade, que ele se refere; é ao pecado inato ou à degeneração herdada, que permanece mesmo no regenerado até que o coração seja purificado pelo sangue de JESUS CRISTO (1 Jo 1.7,9). É ao pecado de que Paulo falou quando escreveu: Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? (Rm 6.1). O próprio apóstolo apresentou a lacônica resposta:  De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? (Rm 6.2). Aqui temos outra vez o artigo usado com a palavra pecado, tei hamartiai. O pecado mencionado neste trecho, diz-nos depois o escritor da Epístola aos Hebreus, é removido pela santificação.
 
PARTICIPANTES DE CRISTO
Porque nos temos tornado participantes de CRISTO, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos. Hebreus 3.14
A palavra metochoi (fltrroxm), traduzida como participantes, também pode ser traduzida como sócios, parceiros ou companheiros. A expressão companheiros de CRISTO [como vemos na NTLH] talvez pudesse referir-se ao fato de que, como Israel antigo, na jornada para a Terra Prometida, foi companheiro de Moisés, assim, na jornada espiritual da vida, deveremos ser companheiros de CRISTO. Todavia, parece haver base mais sólida para a tradução participantes, porque, como CRISTO, ao participar de nossa carne e de nosso sangue (Hb 2.14), tornouse um de nós, somos espiritu.almente participantes dele. Este é um pensamento precioso, que a nossa salvação consiste na posse da natureza de CRISTO. Ele é o nosso caminho, a nossa verdade e a nossa vida Oo 14.6). Não somos meros companheiros em um sentido exterior, mas participantes de uma vida comum. CRISTO habita em nós mediante o ESPÍRITO, em uma comunhão mais rica e mais profunda; e esta comunhão interior, espiritual, é uma experiência contínua com as novas manifestações de Sua presença diarian'iente. Existe um erro mais ou menos predominante de que a salvação operada por CRISTO é algo a ser mantido independente de uma comunhão  com Ele e dos méritos da expiação por meio do Seu sangue. É um erro perigoso que, por força, conduz às trevas e à confusão. A experiência cristã genuína é uma comunhão consciente com CRISTO, e é tão-somente pelo reconhecimento dela que o sangue de JESUS vertido na cruz purifica o coração de todo pecador e mantém este inculpável diante do trono de DEUS (1 Jo 1.7). Existe uma semelhança entre as expressões se guardarmos firme,
até ao fim, a ousadia e a exultação da esperança (Hb 3.6b ARA) e se, de foto, guardarmos firme, até ao fim, a confiança (Hb 3.14b ARA). Em cada um dos casos, a referência é a indivíduos que receberam a salvação por CRISTO, embora haja alguma variação na linguagem. A palavra kataschomen (KarráoXWflEV), guardarmos, é a mesma em ambos os versículos, como também bebaian (~E~aíav), traduzida no primeiro como firme, referindo-se à casa de DEUS, e no segundo igualmente, sendo aqui um termo náutico que significa manter um curso firme (Ar 27.40).
A palavra tornado, em porque nos temos tornado (Hb 3.14a ARA), referindo-se a participantes de CRISTO, é gegonamen (yEyóva.flEV), e não é o equivalente de esmen ( EO"flÉV ). Provém do verbo ginomai, e, estando no perfeito, denota ação passada, cujos efeitos continuam até o momento presente. Em uma tradução literal, teríamos: temo-nos tornado e continuamos a ser participantes de CRISTO. A palavra confiança, usada no sentido anterior (Hb 3.6b ARA.), é parresian e significa ousadia no falar; aqui- em se, de foto, guardarmos firme, até ao fim, a confiança (Hb 3.14b ARA)-, a palavra é hypostaseos, segurança. O princípio da nossa confiança foi pela fé em CRISTO, sendo que o espírito de adoção nos habilitou a clamar do fundo do nosso ser: Aba, Pai (Rm 8.15). A isto se acrescentou outro testemunho, o do ESPÍRITO, que testifica com o nosso espírito que somos filhos de DEUS (Rm 8.16). Mas o perdão dos pecados e o recebimento de uma nova vida são apenas o princípio da comunhão com CRISTO. Outro vocábulo igualmente significativo, associado a este progresso na comunhão com o Senhor, é purifica, que nunca é usado indiferentemente com um e outro dos vocábulos precedentes. Referese, de maneira específica, ao ato completo de purificação, à remoção do pecado ou à purificação do perverso coração de incredulidade, que é a base de uma comunhão mais profunda e constante. Esse vocábulo encontra-se na seguinte passagem: Se, porém,
andarmos na luz, como ele está na luz [só os cristãos têm a luz, e só os espiritualmente vivos podem andar nela], mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de JESUS, seu Filho, nos purifica de todo pecado (1 Jo 1.7 ARA). Mas a conjunção condicional se envolve todo o pensamento de progresso espiritual: se, de fato, guardarmos firme a confiança até ao fim; se andarmos na luz, então, esta comunhão com DEUS será mantida, e o sangue precioso de JESUS será válido para limpar-nos de todos os pecados passados, cometidos por ignorância ou deliberação; de todas as impurezas passadas, contraídas ou herdadas; e de todas as fraquezas e enfermidades que o homem decaído herdou. Qual é o alvo que desejamos atingir? Na verdade, são dois: o imediato é o descanso da fé, para o qual o escritor de Hebreus agora dirigirá a nossa atenção, e o final é o descanso celestial em uma pátria melhor. O estudo técnico destes dois versículos - CRISTO, porém, como ·. Filho, em sua casa; a qual casa somos nós, se guardarmos firme, até ao fim,
a ousadia e a exultação da esperança (Hb 3.6 ARA) e Porque nos temos tornado participantes de CRISTO,, se, de foto, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos (Hb 3.14 ARA) - serve para corrigir dois erros comuns e perigosos, segundo os quais:
1. É pela nossa perseverança que nos tornamos participantes de CRISTO - uma salvação procurada pelas obras, e não pela fé; e 
2. Os que deixam de perseverar até ao fim..jamais principiaram verdadeiramente. Isto nega o testemunho do ESPÍRITO dado a todos os que nascem na família de DEUS e, ainda mais, torna sem fundamento a necessidade destas advertências.
 
O PARALELO E AS EXORTAÇÕES FINAIS
Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como na provocação. Porque, havendo-a alguns ouvido, o provocaram; mas não todos os que saíram do Egito por meio de Moisés. Mas com quem se indfgnou por quarenta anos? Não foi, porventura, com os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade. Hebreus 3.15-19
Como nos versículos precedentes, o escritor da Epístola aos Hebreus dirige novamente a sua exortação e a sua advertência aos cristãos judeus, mencionando mais uma vez o Salmo 95. Agora, contudo, a advertência é apresentada em forma interrogativa. Antes de Bengel\ mal ocorreu a alguém que a palavra tines, no início do versículo, tinha forma interrogativa tínes (·dw:ç), e não tinés (nvtç), o pronome indefinido alguns, sendo a única diferença o acento. A série de perguntas dramáticas e retóricas é como segue: 1-Quem, tendo ouvido a voz de DEUS, prevaricou? Não foi mesmo povo libertado do Egito? (Exceto Calebe e Josué.)
2-Contra quem o Senhor se indignou durante 40 anos? Não foi porventura, com os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? (v. 17b).
3-E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes? (v. 18).
A esse respeito, Lowrie afirmou: Temos de admirar a sua habilidade. Ele [o autor da Epístola aos Hebreus] faz a aplicação com vigor lacônico e energético, de sorte que deve ter caído no coração dos seus leitores com imperuosidade desarmante, que nada poderia desviar, o que deve ter sido da maior eficácia junto aos que ainda não se tinham endurecido. (LowruE, An explanation o the Epistle to the Hebrews, p. 1 09)
 

LIÇÃO 4 - REPOUSO PARA O POVO DE DEUS
Mt 11.29 = Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas.
A alma é que precisa de repouso. O verdadeiro cansaço está na alma e não no corpo que basta uma noite de sono e já descansou.
 
TEXTO ÁUREO:
“Portanto, resta ainda um repouso para o povo de DEUS” (Hb 4.9).
VERDADE PRÁTICA:
Nosso Sumo Sacerdote, JESUS, preparou-nos um repouso sublime, no qual só teremos acesso se ouvirmos a sua voz, não endurecendo o coração.
 
LEITURA DIÁRIA:
Segunda Js 23.1 DEUS deu repouso a Israel
Terça Is 32.17 Repouso, fruto da justiça
Quarta Rm 8.34 JESUS, nosso intercessor
Quinta Mt 11.29 JESUS dá descanso à alma
Sexta Êx 33.14 A presença de DEUS dá descanso
Sábado Ap 14.13 Os salvos descansarão
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - HEBREUS 4.1-16 
1 Temamos, pois, que, porventura, deixada a promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fique para trás. 2 Porque também a nós foram pregadas as boas-novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram. 3 Porque nós, os que temos crido, 4 Porque, em certo lugar, disse assim do dia sétimo: E repousou DEUS de todas as suas obras no sétimo dia. 5 E outra vez neste lugar: Não entrarão no meu repouso. 6 Visto, pois, que resta que alguns entrem nele e que aqueles a quem primeiro foram pregadas as boas-novas não entraram por  causa da desobediência, 7 determina, outra vez, um certo dia, Hoje, dizendo por Davi, muito tempo depois, como está dito: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração. 8 Porque, se Josué lhes houvesse dado repouso, não falaria, depois disso, de outro dia. 9 Portanto, resta ainda um repouso para o povo de DEUS. 10 Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como DEUS das suas. 11 Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência. 12 Porque a palavra de DEUS é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. 13 E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem  temos de tratar. CRISTO é superior aos sumos sacerdotes do antigo pacto  14 Visto que temos um grande sumo sacerdote, JESUS, Filho de DEUS, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa  confissão. 15 Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. 16 Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de  sermos ajudados em tempo oportuno.
 
PONTO DE CONTATO:
Você crê, realmente, que DEUS fará o que prometeu na sua vida? A Palavra de DEUS é digna de confiança? DEUS fez uma promessa ao povo de Israel: Ele se responsabilizaria pela sua segurança ao entrar em Canaã. Israel  respondeu com incredulidade: o povo duvidara da veracidade divina. No texto em estudo, o sacro escritor adverte aos crentes hebreus acerca do perigo da incredulidade e relembra-os que, dentre os que saíram do Egito, somente dois (Josué e Calebe) entraram no descanso prometido, na terra de Canaã. Mesmo tendo presenciado milagres portentosos, operados por DEUS, o povo duvidou da capacidade do Altíssimo para expulsar os poderosos habitantes daquela terra. Há também um descanso para os cristãos no campo espiritual, mas para tomar posse desse repouso é necessário ter fé, obediência e perseverança em DEUS.
 
OBJETIVOS: Após esta aula seu aluno deverá estar apto a:
Reconhecer que a pregação sem a fé não atinge os objetivos propostos por DEUS.
Definir as principais características da Palavra de DEUS.
COMENTÁRIOS:
INTRODUÇÃO
Em conseqüência da desobediência do povo de Israel durante sua peregrinação, os que pecaram, rebelando-se contra o Todo-Poderoso, morreram, e seus corpos caíram no deserto. De acordo com o juramento de DEUS, os desobedientes não entraram no seu repouso. Que isto jamais venha a acontecer conosco! Nesta lição, veremos em que consiste o repouso espiritual reservado aos crentes fiéis.
I. AS BOAS NOVAS FORAM PREGADAS 
1. Ouviram mas não obedeceram. Segundo cálculos razoáveis, os israelitas tirados do Egito pela poderosa mão de DEUS foram cerca de três milhões de pessoas. Somente os homens de guerra somavam 600.000 (Êx 12.37). Desses, só entraram em Canaã, dois: Josué e Calebe (Dt 1.36,37). Por causa da desobediência e da incredulidade, o juízo de DEUS prostrou-os no deserto, impedindo-os de chegar à Terra Prometida. Isso mostra que DEUS dá mais valor à qualidade do que à quantidade. No Dilúvio, só oito escaparam. Na destruição de Sodoma e Gomorra, somente três ficaram vivos.
2. A pregação sem proveito (v.2). Os israelitas ouviram as “boas novas”. A razão pela qual muitos não entraram no “repouso”, ou seja, em Canaã, é que “a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram” (v.2). Aí, vemos a importância da fé para a salvação. A Bíblia 
assevera que sem fé é impossível agradar a DEUS (Hb 11.6). Hoje, em todo o mundo, é grande a provocação ao Senhor. Os ímpios estão em rebelião aberta e declarada contra DEUS. Infelizmente, também há crentes que ouvem a Palavra nas igrejas, mas preferem continuar desobedecendo aos preceitos do Senhor.
II. O DESCANSO PARA O POVO DE DEUS 
1. A ilustração do descanso de DEUS. O escritor, no v.10, relembra o que está escrito em Gn 2.2, quando DEUS, no sétimo dia, descansou de suas obras: “Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como DEUS das suas”. Obviamente que aqui não se trata de descanso físico, pois por ser ESPÍRITO, 
DEUS não sofre desgaste. 
2. O descanso dos israeli-tas. O sofrimento dos israelitas no Egito após a morte de José foi cruel. Por mão de Moisés e pelo poder de DEUS, o povo foi libertado milagrosamente. Entretanto, por causa da incredulidade e rebeldia, grande parte deles não pôde entrar na Terra Prometida. Foram obrigados a passar 40 anos caminhando 
no deserto (Hb 3.19; 4.6,11; 1 Co 10.1-11). Somente por misericórdia, DEUS lhes destinou a terra de Canaã, onde enfim encontraram o descanso de seus sofrimentos. 
3. O descanso (repouso) do povo de DEUS (v.9). Aqui o descanso prometido não é físico, mas espiritual, celestial, mirífico, indizível e pleno para os salvos: “Ainda resta um descanso para o povo de DEUS”. Trata-se do bendito estado da alma e do espírito, em que os crentes, obedientes e santos, que ouvem a Palavra e a obedecem, terão direito à paz e a tranqüilidade perene, na comunhão com o Senhor. Lembremo-nos de que o descanso espiritual só se obtém através da nova vida em CRISTO (ver Mt 11.28,29). É preciso ouvir e obedecer a Palavra de DEUS. “Procuremos pois entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo 
exemplo de desobediência” (v.11). 
III. O PODER PENETRANTE DA PALAVRA DE DEUS 
1. Ela é viva. A Palavra de DEUS mostra quem vai entrar no repouso eterno. Ela não se constitui de meras argumentações humanas ou filosóficas, que atingem o intelecto, mas não penetram no coração, no mais íntimo do ser humano. A Palavra de DEUS é viva, poderosa e vivificante. JESUS afirmou: “as palavras que eu vos disse são espírito e vida” (Jo 6.63). Somente Ele tem palavras de vida eterna (Jo 6.68). 
2. Ela é eficaz. A palavra de DEUS sempre produz efeitos: “Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que 
me apraz e prosperará naquilo para que a enviei” (Is 55.11). Ninguém ouve a palavra de DEUS sem ser alcançado por seus resultados. Quem ouve e crê “tem a vida eterna” (Jo 5.24). Quem ouve e não crê “já está condenado” (Jo 3.18). 
3. Ela é penetrante. É comparada a uma espada cortante, que “penetra até à divisão da alma e do espírito e das juntas e medulas”. Sendo “espírito e vida”, a palavra de DEUS atinge a parte sensorial do homem. O espírito, a alma e o corpo são alcançados pelo poder penetrante da palavra divina. Por quê? Quando o homem ouve a Palavra e crê, no seu interior ocorrem modificações extraordinárias que beneficiam inclusive o 
funcionamento orgânico do seu corpo. 
4. Ela discerne pensamentos e intenções. Muitos filósofos, com seu intelectualismo frio e racionalista, têm confundido os homens afastando-os ainda mais do seu Criador. A Bíblia, no entanto, sendo a Palavra de DEUS, tem transformado a vida de inúmeras pessoas, elevando-as à condição de salvas e remidas pelo sangue de 
JESUS. No v.13 o escritor adverte que diante do poder penetrante da palavra de DEUS, “não há criatura alguma encoberta diante dele”, e todas as coisas estão “nuas e patentes aos seus olhos”, ou seja, não há nada velado diante do Todo-Poderoso.
IV. NOSSO GRANDE SUMO SACERDOTE (vv.14-16).
1. “JESUS, Filho de DEUS”. Ele é grande, no sentido absoluto. Os “sumo sacerdotes” de outras religiões jamais chegaram aos céus. Buda pregou que chegaria ao Nirvana (no budismo, estado de ausência total de sofrimento); Chrisna, mentor do Hinduísmo, também não foi aos céus; para seus adeptos, deve estar reen-carnando por aí. Os seguidores de Maomé imaginam que ele esteja num “paraíso”, onde há muitas 
mulheres e tâmaras. Os sumo sacerdotes do Antigo Testamento só adentravam uma vez por ano, no lugar Santíssimo, onde era manifestada a glória de DEUS. Eles não podiam permanecer lá. Mas JESUS, nosso Sumo Sacerdote por excelência, “penetrou nos céus”, “está à direita de DEUS, e também intercede por nós” (Rm 8.34b). 
2. Sacerdote compassivo. Em seu ministério terreno, JESUS sempre se preocupou com as multidões sofredoras (Mt 9.36; 14.14). Em sua missão sacerdotal, demonstra grande compaixão por nós: sendo “longânimo e grande em benignidade” (Sl 103.8), Ele suporta as nossas fraquezas, não querendo que ninguém se perca (2 Pe 3.9). 
Não perecemos unicamente em razão de sua infinita misericórdia. 
3. Em tudo foi tentado. Mesmo com a natureza divina, JESUS “em tudo foi tentado”, diz a Palavra de DEUS. Só conhece o que é tentação quem já passou por ela. As tentações de JESUS não partiam de seu íntimo, como ocorre com o “homem natural” (1 Co 2.14). Elas foram provações e provocações externas, advindas do tentador e seus agentes. Além das tentações no deserto, o Mestre certamente experimentou a opressão do Maligno em outras ocasiões. Para nós é muito significativo saber que JESUS, como homem, foi tentado em todas as coisas, “mas sem pecado”. A Bíblia nos assegura: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de DEUS” (2 Co 5.21). Diante disso, compreendemos o grande amor de JESUS por nós: Ele sofre conosco, colocando-se sempre ao nosso lado. 
4. Acheguemo-nos ao trono da graça (v.16). Tendo JESUS como nosso Sumo Sacerdote, podemos pela fé adentrar ao trono da graça, à sua santa presença a qualquer momento, e sermos “ajudados em tempo oportuno”. Glória a Ele para todo o sempre.
CONCLUSÃO
Três das grandes mensagens da lição estudada são: a) DEUS tem preparado um verdadeiro descanso espiritual em CRISTO para os que a Ele vêm; b) DEUS tem um prometido lugar de descanso celestial para seu povo, em sua presença, na eternidade. Para chegarmos lá, só precisamos ser fiéis, obedientes e santos e c) JESUS é o nosso 
Sumo Sacerdote perfeito, que, como homem, “em tudo foi tentado, mas sem pecado”. Que o Senhor nos ajude a servi-lo conforme a sua vontade; e que jamais venhamos a dar lugar à desobediência.
Subsídio Bibliológico
“Pareça que algum de vós fique para trás’ (4.1). Deixar de perseverar na fé e na obediência a JESUS resulta em deixar de alcançar o prometido repouso eterno no céu (cf. 11.16; 12.22-24). (1) A expressão “pareça que algum de vós” é falada à luz dessa possibilidade terrível e do juízo de DEUS. (2) A perseverança na fé exige que continuemos a nos aproximar de DEUS, por meio de CRISTO, com sincera resolução (v.16; 7.25). “‘Entramos no repouso (4.3). Somente nós, que temos crido na mensagem salvadora de CRISTO, entramos no repouso espiritual de DEUS. Isto é, CRISTO carrega nossos fardos e nossos pecados, e nos dá o “repouso” do seu perdão, da sua salvação e do ESPÍRITO SANTO (Mt 11.28) Mesmo assim, nesta vida, o nosso repouso é apenas parcial, porque somos como peregrinos que caminham com dificuldade na penosa estrada deste mundo. Ao morrermos no Senhor, entramos no seu repouso perfeito no céu.“‘Resta ... um repouso (4.9). O repouso prometido por DEUS não é somente o terrestre, mas também o celestial (vv. 7,8 cf. 13.14). Para os crentes, resta ainda o repouso eterno no céu (Jo 14.1-3; cf. Hb11.10,16). Entrar nesse repouso final significa cessar do labor, dos sofrimento e das perseguições, tão comuns em nossa vida nesta terra (cf. Ap 14.13); significa participar do repouso do próprio DEUS e experimentar eterna alegria. Deleite, amor e comunhão com DEUS e com os santos redimidos. Será um descanso sem fim (Ap 21,22). (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, págs. 1902,1905)
 
QUESTIONÁRIO:
1. Por que a pregação das “boas novas” aos israelitas, no deserto, foi sem proveito?
R. Porque não estava misturada com a fé.
2. Qual o caráter do descanso para o povo de DEUS?
R. Espiritual. 
3. Quais as quatro características da palavra de DEUS, conforme Hb 4.12?
R. Viva, eficaz, penetrante e apta para discernir pensamentos e intenções.
4. Com relação ao acesso ao lugar santíssimo, qual a diferença entre JESUS e os sacerdotes do AT?
R. O sumo sacerdote, no AT, só entrava no lugar santíssimo uma vez por ano. JESUS penetrou nos céus eternamente. 
5. Por que JESUS é o nosso Sumo Sacerdote perfeito?
R. Em tudo foi tentado, mas sem pecado. 


LIÇÃO 5 - CRISTO, SUMO SACERDOTE SUPERIOR A ARÃO
Entre em http://www.armazemnadia.com.br/henrique/LeisReferentesaoSacerdocio1.htm 
 
TEXTO ÁUREO:
“Como também diz noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 5.6).
 
VERDADE PRÁTICA:
O sacerdócio de CRISTO é infinitamente superior ao de Arão, por ser divino, eterno e por todos os salvos.
 
LEITURA DIÁRIA:
Segunda Êx 4.14 Arão, irmão de Moisés
Terça  Êx 17.12 Arão, ajudador de Moisés 
Quarta Êx 32 Arão e sua falha
Quinta Hb 7.1-4 Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote de DEUS
Sexta Hb 6.20 JESUS, nosso eterno sumo sacerdote
Sábado Ap 19.16 JESUS, Rei dos reis e Senhor dos senhores
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE:
HEBREUS 5.1-10 
1 Porque todo sumo sacerdote, tomado dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a DEUS, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados, 2 e possa compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados, pois também ele mesmo está rodeado de fraqueza. 3 E, por esta causa, deve ele, tanto pelo povo como também por si mesmo, fazer oferta pelos pecados. 4 E ninguém toma para si essa honra, senão o que é chamado por DEUS, como Arão. 5 Assim, também CRISTO não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas glorificou aquele que lhe disse: Tu  és meu Filho, hoje te gerei. 6 Como também diz noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque.7 O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte,  foi ouvido quanto ao que temia. 8 Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu. 9 E, sendo ele consumado, veio a ser a causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem,10 chamado por DEUS sumo sacerdote, Segundo a ordem de Melquisedeque.
 
PONTO DE CONTATO:
Ainda utilizando o método de comparação, com a finalidade de exaltar o Filho de DEUS, o escritor destaca no presente texto a superioridade do sacerdócio de CRISTO. O trabalho sacerdotal no Antigo Testamento não era puramente humano, mas um ministério de intercessão instituído por DEUS em favor dos homens. O Eterno 
determinara, de antemão, que os sacerdotes viessem da família de Arão, prefigurando o surgimento de CRISTO como o verdadeiro Sumo Sacerdote; aquele que se ofereceria como oferta pelos pecados de toda a humanidade. Dentre outros, sua superioridade é aqui destacada no fato de Ele não se exaltar, mas glorificar aquele que disse: “Tu és meu Filho, hoje te gerei”. O Filho de DEUS viveu entre nós sem pecado, aprendeu pela obediência e trouxe-nos eterna salvação.
OBJETIVOS: Após esta aula seu aluno deverá estar apto a:
Definir as diferenças entre JESUS e os sacerdotes do Antigo Pacto.
Reconhecer que o sacerdócio de CRISTO é superior ao de Arão.
Identificar JESUS como sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.
COMENTÁRIOS:
INTRODUÇÃO
Os sumos sacerdotes do Antigo Testamento, apesar de serem santos, eram limitados e imperfeitos. Arão, por exemplo, ainda que grandemente honrado ao ser separado para o ofício de sumo sacerdote, cometeu uma falha indecorosa: levantou um ídolo em forma de bezerro de ouro e levou o povo a pecar. Mas CRISTO, nosso Sumo Sacerdote, é superior a Arão, não somente por sua infalibilidade e perfeição, mas porque cumpriu cabalmente o plano divino de redenção de toda a humanidade.
I. O SUMO SACERDOTE DO ANTIGO TESTAMENTO
1. Características básicas (v.1).
a) “Tomado dentre os homens”. O sumo sacerdote na Antiga Aliança era uma pessoa comum que, apesar de separada por DEUS, levava para o sacerdócio suas virtudes e defeitos. Ele não era tomado dentre anjos ou espíritos, mas “dentre os homens”. E essa é uma característica muito importante. 
b) “Constituído a favor dos homens”. O sumo sacerdote não era eleito pelos seus pares, nem pelo povo em geral. Sua investidura no cargo era por nomeação direta da parte de DEUS. Hoje, há diversas formas utilizadas na escolha e consagração de um pastor, porém, acima de tudo é indispensável que o pastor seja constituído por DEUS.
c) “Nas coisas concernentes a DEUS”. O sacerdote falava e agia em nome de DEUS, no que concernia à sua expressa vontade. Por outro lado, ouvia os homens e intercedia por eles diante do Altíssimo. Em tudo, a missão sacerdotal era cuidar dos interesses de DEUS em relação ao povo e os do povo em relação a DEUS. Era um 
mediador, um representante do Eterno. 
2. Funções primordiais. De modo geral as principais funções do sumo sacerdote eram ensinar a lei de DEUS e interceder pelo povo. 
a) Oferecer dons e sacrifícios pelos pecados (v.1b). Na Antiga Aliança os oferentes não podiam dirigir-se diretamente a DEUS. Traziam suas dádivas e ofertas e as apresentavam ao sacerdote. Segundo estudiosos do Antigo Testamento, os dons eram ofertas de cereais e os sacrifícios eram “ofertas de sangue”. No Novo Testamento, JESUS, nosso Sumo Sacerdote quanto a nossa salvação, é tanto o oferente como a própria oferta vicária: “ofereceu-se a si mesmo [por nós] a DEUS”.
b) “Compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados” (v.2). O sumo sacerdote deveria ter simpatia, ou seja, capacidade para compartir as alegrias ou as tristezas das pessoas que lhe procuravam e, ao mesmo tempo, ter empatia, capacidade para se colocar na situação do outro. Só quem tem essas qualidades pode de fato ser um intercessor. Da mesma forma devem proceder os obreiros do Senhor no trato com os que erram por ignorância ou por fraqueza.
II. DIFERENÇA FUNDAMENTAL ENTRE CRISTO E ARÃO
1. JESUS, sacerdote perfeito. A Lei previa a possibilidade de erro ou pecado por parte dos sacerdotes (v.3; Lv 4.3). O próprio sumo sacerdote Arão tinha a orientação de DEUS para oferecer sacrifícios não só pelo povo (Lv 16.15 ss.), mas por si próprio (Lv 16.11-14). Enquanto o sumo sacerdote do Antigo Testamento estava sujeito a pecar, JESUS nunca pecou. Ele é perfeito. Satisfez todas as condições para o perfeito sacerdócio. Foi ungido como Rei, como Filho (Sl 2.6,7); e Sacerdote Eterno (Sl 110.4); foi enviado por DEUS (Jo 5.30); veio em nome do Pai (Jo 5.43). JESUS não se glorificou a si mesmo para fazer-se sumo sacerdote (v.6). Diante de todas essas qualificações, o Mestre nunca ofereceu sacrifícios por si próprio. Ele deu-se a si mesmo por nossos pecados (Gl 1.4).
2. Sacerdote eterno (v.6). O escritor aos hebreus faz referência a dois textos bíblicos no livro de Salmos para demonstrar o caráter especial do sacerdócio de CRISTO: um sacerdócio que não tem fim: “Tu és meu filho; hoje te gerei” (Sl 2.7); e “Tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4). 
III. A MISSÃO TERRENA DE JESUS 
1. “Nos dias de sua carne” (v.1). É uma referência direta à vida humana de JESUS. O escritor já houvera acentuado esse aspecto no cap. 2.14-17. Aqui, mais uma vez, ele demonstra que o nosso Sumo Sacerdote, mesmo provindo de uma linhagem especial, encarnou-se, tomando a forma de homem, como vemos no Evangelho de João (1.14): “E o verbo se fez carne...”. O Verbo refere-se a JESUS CRISTO (cf. Ap 19.13). 
Os gnósticos ensinavam que o corpo é intrinsecamente mau. Mas JESUS, o Verbo divino, provou o contrário. Ele se fez carne, “e habitou entre nós”, tornando-se homem completo, pleno, perfeito. E não apenas se fez carne, mas tomou a “forma de servo” (Fp 2.7); na semelhança da “carne do pecado” (Rm 8.3), suportou a “paixão da morte” (Hb 2.9). 
2. Clamor, lágrimas, orações e súplicas (v.7). A Escritura diz que JESUS clamou a DEUS, com “lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte”. No Evangelho segundo João 11.35 está escrito que JESUS chorou, mas aquela não foi a única vez, como atesta o v.7. É por isso que JESUS entende de lágrimas e, um dia, como DEUS, enxugará dos olhos toda a lágrima (Ap 7.17;21.4).
3. Aprendeu a obediência (v.8). Haverá prova mais autêntica da humanidade de JESUS? “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu” (Hb 5.8). Ele, sendo divino, obedeceu a DEUS. A mente humana é, por vezes, levada a indagar: “Afinal, se Ele era DEUS, porque deveria obediência a alguém?” Esse é um mistério que só a fé pode aceitar. JESUS como ser humano teve um desenvolvimento humano normal: “E crescia JESUS em sabedoria, e em estatura, e em graça para com DEUS e os homens” (Lc 2.52). Como Filho de DEUS, Ele obedeceu ao Pai.
4. “Por aquilo que padeceu” (v.8b). A prova suprema da obediência de CRISTO foi a sua paixão e morte. O Diabo tudo fez para que JESUS não executasse o plano da salvação. Na tentação no deserto, seu objetivo era que o Senhor obedecesse suas sugestões (Mt 4.1-11); na crucificação, o inimigo usou alguém para lhe sugerir que “provasse” que Ele era o Filho de DEUS, descendo da cruz (Mt 27.40).
5. Trouxe eterna salvação (v.9). “E, sendo ele consumado, veio a ser a causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem”. (grifo nosso) JESUS declarou ao Pai: “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” (Jo 17.4). Na cruz, no momento supremo de seu sacrifício em favor dos pecadores, Ele exclamou: “Está consumado...” (Jo 19.30). Nesse aspecto, é oportuno lembrar que alguns teólogos, baseados no versículo em foco e em outras referências, pregam a doutrina da predestinação absoluta, resumida na sentença “uma vez salvo, para sempre salvo”. Entretanto, o versículo mostra inequivocamente que a salvação não é eterna a priori, mas sim condicional. Ela é eterna para “todos os que lhe obedecem”. Desse modo, exclusivamente é salvo quem crê e segue a CRISTO em obediência.
6. Chamado por DEUS (v.10). JESUS pertenceu a uma ordem sacerdotal singular, diferente da de Arão. Nisto, vemos mais uma importante distinção entre o sacerdócio de CRISTO e o sacerdócio arônico. JESUS, como diz o v.10, foi “chamado por DEUS sumo sacerdote, segundo a ordem de Melqui-sedeque” (v.10). 
CONCLUSÃO
Como podemos constatar no capítulo cinco de Hebreus, o texto revela com clareza meridiana a superioridade do sacerdócio de CRISTO em relação ao de Arão. Outro ponto importante diz respeito a humanidade de CRISTO: o escritor assevera que JESUS foi humano o suficiente para buscar a DEUS, o Pai, em oração, súplicas e lágrimas, sendo obediente como Filho. Trata-se de um exemplo inigualável e uma lição incomparável para nós, mortais, que, às vezes somos relapsos em fazer a vontade do Senhor, em obediência irrestrita.
 
Subsídio Bibliológico
“Todo sumo sacerdote’ (Hb 5.1). Duas qualificações são necessárias para um verdadeiro sacerdócio. (1) o sacerdote deve ser compassivo, manso e paciente com aqueles que se desviam por ignorância, por pecado involuntário e por fraqueza (v. 2;4.15; cf. Lv 4; Nm15.27-29). (2) Deve ser designado por DEUS (vv. 4-6). 
CRISTO satisfaz ambos os requisitos.“A origem de Melquisedeque (5.6). Melquisedeque é uma personagem misteriosa do Antigo Testamento, que aparece em Gn 14 como o sacerdote de DEUS em Salém (que é Jerusalém, Gn 14.18; Js 18.28; Sl 110.1-4; Hb 7.1), antes dos tempos do sacerdócio levítico. O sacerdócio de CRISTO é do mesmo tipo que o de Melquisedeque. (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, págs.1905,1906)“Em relação a CRISTO, os cristãos hebreus não o reconheciam sob a figura de Sumo Sacerdote. Por isso, não compreendiam a aplicação desse título e ofício à sua pessoa. Não sendo Ele da linhagem de Arão, naturalmente não o contemplariam como sacerdote. Seu ministério também não lhes despertara tal pensamento, uma vez que não reivindicou nenhum privilégio de acesso ao templo, nem executou nenhuma função sacerdotal, e sempre criticou o concerto judaico do sacerdócio (Vicent).“O autor resumidamente apresenta as características e atribuições do sumo sacerdote (5.1-4), demonstrando que são perfeitamente satisfeitas em CRISTO (5.5-10). “Segundo o sistema levítico, todo sumo sacerdote é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens. Ele traz ao altar tanto sacrifícios cruentos como sem sangue (5.1). Exige-se dele que possa condoer-se ou ter compaixão do povo. A expressão significa ser “moderado” ou “tenro” em seu julgamento, nem severo demais nem tolerante demais. Não deve ser homem que se irrita diante do pecado e da ignorância, nem transigente com o mal (vv. 2.3) Ele deve ser chamado por DEUS (v. 4)” (Comentário Bíblico Hebreus, CPAD, pág. 135).
 
QUESTIONÁRIO:
1. Na lição, quais as características dos sacerdotes do Antigo Testamento?
R. “Tomado dentre os homens” e “constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a DEUS”.
2. Quanto ao oferecimento de sacrifícios, qual a diferença entre Arão e CRISTO?
R. JESUS nunca ofereceu sacrifícios por si próprio, como Arão.
3 . Quanto ao tempo, como é o sacerdócio de CRISTO?
R. Eterno.
4. Como deve ser entendida a eterna salvação a que se refere o escritor aos Hebreus?
R. Salvação com obediência.
5. Como foi a ordem sacerdotal de CRISTO?
R. Segundo a ordem de Melquisedeque, da qual nenhum outro foi consagrado.
 
 
LIÇÃO 6 - O PERIGO DA APOSTASIA
 
TEXTO ÁUREO:
“Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos” (Hb 6.9).
 
VERDADE PRÁTICA:
Há um grande perigo para aqueles que, uma vez conhecendo a verdade de DEUS, dela se afastam, negando sua eficácia e poder.
 
LEITURA DIÁRIA:
Segunda Hb 12.16 Fornicação espiritual 
Terça  Hb 12.17 Arrependimento tardio 
Quarta Pv 24.16 O justo cai e se levanta 
Quinta Hb 3.10 DEUS contra os desobedientes
Sexta Hb 3.17,18 Mortos por desobediência
Sábado Fp 2.11 JESUS é o Senhor
 
LEITURAS BÍBLICAS EM CLASSE:
HEBREUS 5.11-14; 6.1,2,4-6,10,13,16-20 
11 Do qual muito temos que dizer, de difícil interpretação, porquanto vos fizestes negligentes para ouvir. 12 Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros  rudimentos das palavras de DEUS; e vos haveis feito tais que necessitais de leite e não de sólido mantimento. 13 Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. 14 Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.
6.1 Pelo que, deixando os rudimentos da doutrina de CRISTO, prossigamos até a perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em DEUS,2 e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno.

4 Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do ESPÍRITO SANTO, 5 e provaram a boa palavra de DEUS e as virtudes do século futuro, 6 e recaíram sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de DEUS e o expõem ao vitupério.
10 Porque DEUS não é injusto para se esquecer da vossa obra e do trabalho da caridade que, para com o seu nome, mostrastes, enquanto servistes aos santos e ainda servis.
13 Porque, quando DEUS fez a promessa a Abraão, como não tinha outro maior por quem jurasse, jurou por si mesmo, 
16 Porque os homens certamente juram por alguém superior a eles, e o juramento para confirmação é, para eles, o fim de toda contenda. 17 Pelo que, querendo DEUS mostrar mais abundantemente a imutabilidade do seu conselho aos herdeiros da promessa, se interpôs com juramento, 18 para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que DEUS minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta; 19 a qual temos como âncora da alma segura e firme e que penetra até ao interior do véu, 20 onde JESUS, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.
 
PONTO DE CONTATO:
Comece a aula perguntando a seus alunos se eles se consideram crentes espiritualmente maduros. Depois fale um pouco sobre a urgência da maturidade cristã. Os cristãos hebreus, destinatários da epístola em apreço, [eram ainda “criancinhas” quando, pelo tempo de crentes, deveriam ter alcançado certa maturidade. Já era tempo para eles serem mestres dos outros, enquanto na realidade, careciam de instrução elementar. Eram inexperientes, imaturos e mal preparados para participarem das discussões dos problemas de grande vulto do pensamento cristão.] O escritor pretendia deixar claro que não se consegue a maturidade cristã pelo retorno aos padrões dos primeiros estágios da instrução cristã. Para que o edifício espiritual seja concluído, é necessário ir além do lançamento dos alicerces, isto é, o arrependimento de obras mortas e fé em DEUS.
 
OBJETIVOS: No término desta aula seu aluno deverá esta apto a:
Expressar a importância do crescimento espiritual para todos os cristãos.
Reconhecer o perigo terrível da apostasia.
Desejar manter-se firme diante de DEUS para não ser apanhado pela apostasia.
ORIENTAÇÃO DIDÁTICA:
Peça a seus alunos para relacionarem no quadro de giz os passos que normalmente conduzem os crentes inadivertidos à apostasia. Depois, compare-os com os exemplos abaixo:
1. O crente por sua falta de fé, deixa de levar plenamente a sério as verdades, exortações, advertências, promessas e ensinos da Palavra de DEUS (Jo 5.44,47).
2. Quando as realidades do mundo chegam a ser maiores do que as do reino de DEUS, o crente deixa paulatinamente de aproximar-se de DEUS através de CRISTO (Hb 7.19,25).
3. Por causa da aparência enganosa do pecado, a pessoa se torna cada vez mais tolerante com ele na sua própria vida (1 Co 6.9,10).
4. Por causa da dureza do seu coração (Hb 3.8,13) e da sua rejeição dos caminhos de DEUS, não faz caso da repetida voz e repreensão do ESPÍRITO SANTO (1 Ts 5.19-22).
5. O ESPÍRITO SANTO se entristece (Ef 4.30); seu fogo se extingue e seu templo é profanado (1 Co 3.16). Finalmente, Ele afasta-se daquele que antes era crente (Hb 13.14). (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, pág. 1903.) 


COMENTÁRIOS:
INTRODUÇÃO
Quando o cristão estaciona na fé e não se aprofunda no conhecimento das coisas de DEUS, corre o risco de ser levado por ventos de doutrinas (Ef 4.14) e apostatar, vindo a perder-se eternamente por não se arrepender. O tema desta lição, por seu expressivo conteúdo doutrinário, merece cuidadosa análise à luz da Palavra de DEUS.
I. INFÂNCIA ESPIRITUAL
1. Negligentes para ouvir (5.11). É próprio das crianças em geral serem negligentes para ouvir. Faz parte da sua estultícia (Pv 22.15). Aqui o escritor dirige-se aos cristãos que já deviam “ser mestres pelo tempo”, ou seja, pessoas que não eram mais neófitas na fé. Aliás, os novos convertidos, vistos como crianças espirituais, 
normalmente são os melhores ouvintes. 
2. Necessitados de leite (vv.12,13). O crente “menino” não se desenvolve por não saber ouvir a Palavra de DEUS. Os leitores da Epistola aos Hebreus ainda careciam dos ensinamentos rudimentares da fé cristã: precisavam “de leite, e não de sólido alimento”. Aliás, em nossos dias, observa-se muita “meninice” em diversas igrejas. Trata-se de “movimentos estranhos”, embusteiros e perigosos, que não têm base na Palavra de DEUS. Essa gente precisa, se quer mesmo crescer e ser adulto na fé, do leite puro da Palavra de DEUS para crescimento, fortalecimento e imunização espiritual. 
II. OS RUDIMENTOS DA DOUTRINA
1. Arrependimento e fé (6.1). Constituem os dois pilares da doutrina da salvação. São elementos fundamentais que não podem faltar no ensinamento e formação do novo convertido. O escritor fala de “arrependimento de obras mortas”. Sendo eles judeus, convertidos ao cristianismo, provavelmente ainda queriam reviver os velhos conceitos da lei, tais como a guarda do sábado, a implementação dos sacrifícios, a observância das luas novas, etc., esquecendo-se da salvação somente pela graça, mediante a fé.
2. Batismos e imposição de mãos (v.2). A doutrina dos batismos faz parte do início da fé, e não dos estágios mais avançados do desenvolvimento espiritual. Hoje, ainda há “meninos”, ensinando que só se deve batizar em nome de JESUS, e não na forma trinitariana como JESUS ordenou (cf. Mt 28.19). Quanto à imposição das mãos, nos moldes do Antigo Testamento, que consistia num gesto simbólico de transmissão de bênçãos (como fez Jacó), os crentes daquela ocasião não deveriam mais preocupar-se. Agora, com CRISTO, o gesto de impor as mãos, no nome de JESUS, propicia a cura divina (Mc 16.18; At 28.8). 
3. Ressurreição e juízo (v.2). Todo crente em JESUS, desde o início de sua fé, em seu discipulado básico, deve saber que CRISTO morreu por nossos pecados, mas ressuscitou para nossa justificação (Rm 4.25), e para um dia julgar o mundo com justiça (At 17.31).
III. O GRAVE PERIGO DA APOSTASIA
1. O que é apostasia. Do gr. apostásis, afastamento, abandono da fé. Apostatar significa abandonar a fé cristã de modo premeditado e consciente. No texto em apreço o escritor adverte quanto ao perigo da apostasia.
2. O arrependimento impossível (vv.4,5). O capítulo em estudo contém uma solene advertência contra a apostasia deliberada e insensível. Nele são apresentados cinco motivos pelos quais um apóstata empedernido não pode mais arrepender-se: 
a) “Já uma vez foram iluminados”. JESUS é a luz do mundo (Jo 8.12); os que o aceitam de verdade, experimentam seu perfeito fulgor, e reconhecem que outrora encontravam-se nas trevas, no mundo, sem DEUS e sem salvação. Agora não são mais novos convertidos. São crentes que sabem diferençar as trevas do Diabo da luz de CRISTO.
b) “Provaram o dom celestial”. O texto não se refere a neófitos na fé, com limitada convicção do evangelho. Refere-se, sim, a crentes que tiveram uma experiência real com CRISTO (ver 1 Pe 2.1-3), provando a salvação que, pela fé, é dom de DEUS (Ef 2.8,9).
c) “E se fizeram participantes do ESPÍRITO SANTO”. Aqui a advertência é severa para aqueles que foram pelo ESPÍRITO SANTO imersos no corpo de CRISTO. O apóstolo Paulo diz que “todos temos bebido de um ESPÍRITO” (1 Co 12.12,13). Fica claro que o escritor dirigia-se a pessoas que conheciam muito bem o significado da comunhão com o ESPÍRITO SANTO.
d) “E provaram a boa palavra de DEUS”. O escritor repete o verbo provar, referindo-se a crentes que tiveram um conhecimento mais que superficial das verdades de DEUS, expressas em sua Palavra. Não apenas sentiram o “cheiro”, mas “comeram” a Palavra, experimentando-a e confirmando-a como verdadeira (cf. Jo 17.17).
e) “E (provaram) as virtudes do século futuro”. Os leitores da carta eram crentes que além da vasta experiência espiritual, puderam, ainda no presente, experimentar as bênçãos e as virtudes do porvir. JESUS disse: “E curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: É chegado a vós o Reino de DEUS” (Lc 10.9); “...o Reino de DEUS está entre vós” (Lc 17.21).
3. A recaída no fosso da apostasia (v.6). O escritor diz que para aqueles que possuíam as experiências descritas nos vv.4 e 5, e recaíssem, seria “impossível” (v.4a) serem “outra vez renovados para arrependimento” (v.6a). Não se trata de um crente que se afasta da igreja local por pecados relativamente comuns entre os homens. Quase sempre essas pessoas se arrependem e pedem perdão a DEUS e à igreja. A impossibilidade de arrependimento referida pelo escritor, diz respeito a crentes que, mesmo providos das experiências mencionadas acima, abandonam a CRISTO, negando-o e renegando-o de modo proposital e deliberado. Trata-se de uma pessoa que chegou a um estágio tão escrachado de desvio, que sua consciência encontra-se cauterizada (conforme 1 Tm 4.2), ficando insensibilizado a qualquer advertência por parte do ESPÍRITO SANTO. É uma situação tão difícil que a pessoa acaba blasfemando contra o ESPÍRITO de DEUS, não tendo mais condições de obter o 
perdão do Pai (cf. Mt 12.31). Este é o “pecado para a morte” de que trata o apóstolo João em sua epístola (1 Jo 5.16b).
4. Expondo CRISTO ao vitupério. 
a) Voltam a crucificar o Filho de DEUS. A morte de CRISTO foi por DEUS preordenada para ocorrer apenas uma vez, como de fato aconteceu. Os sacerdotes do Antigo Testamento ofereciam muitas vezes sacrifícios, inclusive por si mesmos (Hb 9.26). Mas CRISTO ofereceu-se uma única vez “para tirar os pecados de muitos” (Hb 9.28). Quem o conhece, experimentou sua salvação, e mesmo assim, peca proposital e deliberadamente, volta a crucificá-lo, expondo-o ao vitupério.
b) Terra maldita. Usando uma trágica metáfora, o escritor dá a entender que o coração de quem tem conhecimento de CRISTO e o despreza, apostatando da fé, é como uma terra antes boa, mas tornando-se reprovada, “produz espinhos e abrolhos”, e só presta para ser queimada.
IV. A FIDELIDADE DE DEUS
1. DEUS não é injusto (v.10). O escritor considera os destinatários de sua carta como pessoas amadas, de quem espera “coisas melhores, e coisas que acompanham a salvação...”. Isso prova que, embora a apostasia os ameaçasse constantemente, eles não tinham caído nela; estavam sendo advertidos. Em seguida, ele diz que “DEUS não é injusto” para se esquecer da obra, do trabalho e da caridade deles para com os santos, a quem serviam. 
2. DEUS cumpre suas promessas (v.13). DEUS fez promessa a Abraão e, como não tinha alguém maior por quem jurasse, jurou por si mesmo, prometendo abençoá-lo e multiplicá-lo na terra, ainda que sua esposa fosse estéril. E o patriarca alcançou a bênção, porque esperou com paciência (vv.14,15).
3. É impossível que DEUS minta (vv. 16-20). DEUS quis mostrar a “imutabilidade de seu conselho aos herdeiros da promessa”, fazendo um juramento. Certamente DEUS não precisa jurar, mas para que os homens não tivessem dúvida, Ele “se interpôs com juramento”. O escritor enfatiza que “é impossível que DEUS minta” e, por isso, devemos “reter a esperança proposta, a qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até o interior do véu”, onde está JESUS, nosso mui amado e eterno Sumo Sacerdote. 
CONCLUSÃO
Aqueles que têm a experiência gloriosa da salvação precisam cuidar-se para não caírem no engano do Diabo. É indescritível o prejuízo de quem apostata da fé, negando a eficácia do sangue de CRISTO para a salvação dos pecadores. Tais desafortunados podem chegar à situação de arrependimento impossível, e se perderem eternamente.
Subsídio Bibliológico
“Neste ponto, o autor poderia ter procedido a comparação de CRISTO com Melquisedeque. Mas, temendo que o leitor não alcançasse o seu significado, uma vez que seria contrária às opiniões correntes judaicas, ele formula um aviso e só retoma o argumento a partir do capítulo 7.“Nos versículos 11-14 (Cap. 5), o autor alerta quanto aos perigos de estacionar na vida espiritual e menciona as possíveis conseqüências. A vida espiritual é semelhante à natural: em todos os seus estágios depende de fatores sem os quais não poderá ser mantida. Um crescimento sadio dá ao cristão condições de se apropriar do que seria impossível num estágio anterior e inferior. Contudo, essa constatação traz sérias responsabilidades:
a) O período de infância espiritual pode ser prorrogado de forma abusiva, como fizeram os hebreus, mantendo-se como “criancinhas” — estágio esse que já deveriam ter passado (vv.11,12).
b) Como conseqüência do primeiro item, a pessoa pode não estar preparada para a instrução mais madura (“sólido mantimento”), em tudo necessária, quando ministrada a seu tempo (vv.13,14).“Os hebreus eram ainda “criancinhas” quando, pelo tempo de convertidos, deveriam ter alcançado certa maturidade. Já era tempo de serem mestres e não de estarem buscando instrução elementar. Eram inexperientes, imaturos e despreparados para participar das discussões sobre problemas de grande vulto do pensamento cristão.“Segue-se uma exortação para avançarem na busca de um conhecimento mais elevado a que o autor os conduz, convicto de que o acompanharão (6.1-3): Pelo que, deixando os rudimentos da doutrina de CRISTO, prossigamos até a perfeição”. Os crentes hebreus precisarão de maior percepção espiritual, uma vez que o autor irá demonstrar que o sacerdócio de CRISTO significa a abolição da Antiga Aliança.“Não se consegue a maturidade cristã retornando aos padrões dos primeiros estágios da instrução cristã. Para que o edifício espiritual seja concluído, é mister ir além dos alicerces — o arrependimento das obras mortas pela fé em DEUS. (Comentário Bíblico Hebreus, CPAD, págs. 136,137.)

QUESTIONÁRIO:
1. Quem são considerados meninos espirituais?
R. Aqueles a quem se torna necessário ensinar os rudimentos da doutrina de CRISTO.
2. Que é apostasia?
R. O afastamento da fé.
3. Por que é impossível alguém que apostata deliberadamente arrepender-se?
R. Porque “de novo crucificam o Filho de DEUS e o expõem ao vitupério”.
4. A que tipo de terra é comparado o coração do apóstata deliberado?
R. A uma terra maldita.
5. O que é impossível a DEUS, segundo a lição?
R. Que Ele minta.
 
RUDIMENTOS DA DOUTRINA:
INTRODUÇÃO
"Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes novamente necessidade de alguém que vos ensine de novo quais são os princípios elementares dos oráculos de DEUS; assim vos tornastes como necessitados de leite, e não de alimento sólido. Ora, todo aquele que se alimenta de leite, é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal. Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de CRISTO, deixemo-nos levar para o que é perfeito, não lançando de novo a base do arrependimento de obras mortas, e da fé em DEUS, e o ensino de batismos e da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno". Hebreus 5:12-14 6:1-2
Este estudo foi inspirado no texto acima, do livro de Hebreus, e usa as seguintes fontes:
· *Bíblia Sagrada *Conhecendo as Doutrinas da Bíblia *Palestras em Teologia Sistemática
· As Grandes Doutrina da Bíblia
 
ESTUDO 1 - ARREPENDIMENTO DE OBRAS MORTAS
A - O QUE É O PECADO
O Novo Testamento Descreve o Pecado como:
1 - Errar o Alvo; como o arqueiro que atira e erra; Errar o caminho; como viajante que sai do caminho certo.
2- Dívida: O homem deve a DEUS a guarda de seus mandamentos; todo pecado cometido é contração de uma dívida. Incapaz de pagá-la, a única esperança do homem é ser perdoado, ou obter remissão da dívida (Mateus 6:12).
3 - Desordem: ''O pecado é iniqüidade, literalmente desordem (1º João 3:4):
a) o pecador é um rebelde e um idólatra, porque deliberadamente quebra um mandamento, ao escolher a sua própria vontade ao invés de escolher a vontade de DEUS; pior ainda, está se convertendo em Lei para si mesmo e, desta maneira, fazendo do ''eu'' uma divindade';
b) o pecado começou no coração de Lúcifer que disse: Eu serei; em oposição à vontade de DEUS.
c) o anticristo é o sem-lei (tradução literal de iníquo), porque se exalta sobre tudo que é adorado ou que é chamado DEUS.
d) o pecado é essencialmente obstinação e obstinação é pecado. O pecado destronaria a DEUS. Na cruz de JESUS, poderiam ter sido escritas estas palavras: O pecado fez isto!
4 - Desobediência: Literalmente, ouvir mal, ouvir com falta de atenção.
5 - Transgressão: Literalmente, ir além do limite. Os mandamentos de DEUS são cercas, que impedem o homem de entrar em território perigoso e, desta maneira, sofrer prejuízo para sua alma (Romanos 4:15).
6 - Queda: falta, ou cair para um lado, no grego donde a expressão: cair no pecado. Pecar é cair num padrão de conduta (Efésios 4:17).
7 - Derrota - é o significado da palavra queda, em Romanos 11:12. Ao rejeitar a CRISTO, a nação judaica sofreu uma derrota e perdeu o propósito de DEUS.
8 - Impiedade: de uma palavra que significa sem adoração, ou reverência. O homem ímpio é o que dá pouca ou nenhuma importância a DEUS e às coisas sagradas. Estas não produzem nele nenhum sentimento de temor ou reverência. Ele está sem DEUS porque não quer saber de DEUS (Romanos 1:18; 9 - O Erro: descreve aqueles pecados cometidos como fruto da ignorância, e, dessa maneira, diferenciam-se daqueles pecados cometidos presunçosamente, apesar da Luz esclarecedora. O homem que, desafiadoramente, decide fazer o mal, incorre em maior grau de culpa do que aquele que é apanhado em falta, a que foi levado por sua debilidade ( B - A CONDIÇÃO PECAMINOSA EM QUE NASCE O HOMEM
É chamada de pecado original. Ela é chamada assim:
1 - Porque se deriva de Adão, o tronco original da raça humana (Gênesis 3:6).
2 - Porque está presente na vida de cada um desde o seu nascimento, por isso não pode ser considerado resultado de simples imitação (Jeremias 17:9).
3 - Porque é a raiz interna de todos os pecados atuais que mancham a vida do homem (Romanos 3:23).
4 - Segundo SANTO Agostinho, a natureza do pecador, tanto física como moral, está de todo corrompida por causa do pecado de Adão, e, de tal maneira, que o homem não consegue fazer outra coisa a não ser pecar.
5 - ''Pecados Atuais'': são as ações externas que se executam através do corpo. São também todos aqueles maus pensamentos conscientes. São os pecados individuais de fato. O pecado original é um só, enquanto o pecado atual desdobra-se em diferentes classes, tais como atos ou atitudes. O que o Apóstolo João escreveu, pode nos ajudar a compreender melhor a diferença entre o pecado original e pecados atuais (1º João 1:8-9; Gálatas 5:19-21).
6 - Nossos pecados podem ser diferentes, mas o motivo que nos leva a cometê-los é sempre o mesmo: a escolha de interesses próprios ao invés dos de DEUS. O ato público de Adão e Eva simplesmente expressa o pecado que já havia sido cometido no coração, ou seja, ''indisposição para fazer a vontade de DEUS''.
a) O pecado de Adão e Eva (Gênesis 2:16-17; 3:4-6)
b) O pecado de Satanás ( c) A hereditariedade do pecado (Romanos 5:12-18)
C - AS CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO
O pecado é tanto um ato como um estado.
Como rebelião contra a lei de DEUS é um ato da vontade do homem; como separação de DEUS é um estado pecaminoso, as escrituras descrevem dois efeitos do pecado sobre o culpado: primeiro é seguido por conseqüências desastrosas para sua alma; segundo trará da parte de DEUS o positivo decreto de condenação.
1 - Como resultado da queda do homem, o seu relacionamento com DEUS foi sensivelmente alterado. Destacam-se como conseqüências espirituais do pecado:
a) Morte Espiritual O termo ''morte'' é usado na Palavra de DEUS para falar da separação entre o homem e DEUS, por causa da queda do homem no princípio. Este ''é o estado em que se encontram todos os homens, até que permitam que CRISTO lhes toque, vivificando-os (Romanos 5:12).
b) Perda da semelhança moral com DEUS O homem foi criado para ser perfeito e para viver em perfeita comunhão com o seu ''Criador''. Contudo esse privilégio foi interrompido com a queda, levando o homem tantas vezes a níveis morais tão baixos, a ponto de identificar-se melhor com os irracionais do que com DEUS que o criou (Gênesis 1:26-27).
c) Incompatibilidade com a vontade de DEUS Após a queda, a mente do homem ficou bloqueada para a revelação da vontade de DEUS, e condicionada à prática do pecado (Romanos 8:7-8). d) Escravidão ao pecado e ao Diabo Negligenciando o mandado de DEUS e aceitando as insinuações do Diabo, o homem tornou-se escravo do pecado e do maligno (João 8:34,44)
2 - Conseqüências Físicas Além dos problemas ambientais e espirituais, a queda do homem trouxe conseqüências físicas de grandes proporções:
a) Existência Física Reduzida Destinado a viver eternamente, o homem teve reduzida a sua existência física (Gênesis 6:3).
b) Corrupção dos poderes do homem Um dos propósitos de DEUS para o homem era de que ele exercesse domínio sobre todas as coisas criadas. Porém, na queda, além de perder a semelhança moral que tinha com DEUS, todos os seus poderes se perverteram. Todos os seus pensamentos e desejos se corromperam
(Gênesis 1:26)
c) Ainda que nem toda enfermidade seja causada pelo pecado, todas as enfermidades existem em conseqüência do pecado de Adão. ''A transgressão do homem foi como crime, a pior enormidade. Quanto à sua natureza não foi mera desobediência à lei divina. Foi a mais crassa infidelidade, o dar crédito antes ao diabo do que a DEUS; foi descontentamento e inveja, ao pensar que DEUS lhe havia negado aquilo que era essencial para sua felicidade; foi um orgulho imenso, ao desejar ser igual a DEUS; foi furto, ao intrometer-se naquilo que DEUS havia reservado para si, como sinal de sua soberania; foi suicídio e homicídio, ao trazer a morte contra si e contra toda a sua posteridade''. (Emery H. Bancroft).
d) A dispensação da Lei (Êxodo 20:1-7)
1 - O significado da lei de DEUS é a expressão da vontade de DEUS executada por seu poder.
2 - O propósito da Lei:
a) Não foi dada como um meio através do qual o homem pudesse ser salvo (Gálatas 3:21).
b) Não podia dar vida porque ''estava enferma pela carne'' (Romanos 8:3).
3 - Sua finalidade era revelar ao homem a dimensão de seu pecado para:
a) revelar a Santidade de DEUS;
b) mostrar a incapacidade de o homem se salvar. (Romanos 3:19-20; 7:7).
e) A dispensação da Graça
1 - A aliança do antigo testamento com todos os seus preceitos e ordenanças era figura do sacrifício de JESUS para nossa salvação (Hebreus 9:1-15).
a) A Bíblia diz que todos pecaram (Romanos 3:23).
b) Herdamos, assim, de Adão uma natureza decaída, que tende para a desobediência a DEUS (Romanos 5:12).
c) JESUS morreu pelos nossos pecados, ressuscitou ao terceiro dia e nos providenciou perfeita salvação (I Coríntios 15:3-4; Romanos 10:9).
ESTUDO 2 - FÉ EM DEUS
Entre em http://www.armazemnadia.com.br/henrique/salvação.htm 
A - A SALVAÇÃO DO PECADOR DEPENDE DE
a) a operação divina, na obra redentora de CRISTO, já efetuada;
b) o acolhimento dessa obra, por parte do pecador, ou seja, a conversão (1ºTimóteo 1:15).
VIMOS, NO ESTUDO ANTERIOR, A CONDIÇÃO DO HOMEM COMO PECADOR E, PORTANTO EM DESARMONIA COM DEUS. DA PARTE DE DEUS, ESTÁ REALIZADO TUDO QUE É NECESSÁRIO À SALVAÇÃO DO HOMEM (Romanos 1:16; Efésios 2:4-10; 1ºTimóteo 1:15).
B - A SALVAÇÃO ABRANGE PASSADO, PRESENTE E FUTURO.
a) Quanto ao passado, somos salvos das penalidades do nosso pecado (Romanos 5:9).
b) Quanto ao presente, salvos do poder do pecado (Romanos 5:10; 1º Coríntios 1:18).
c) Quanto ao futuro, libertos da presença do pecado (Romanos 13:11; Hebreus 9:28). A salvação é dom de DEUS (Efésios 2:8).
C) A CONVERSÃO COMPREENDE DUAS ATITUDES POR PARTE DO HOMEM:
a) seu arrependimento do pecado e
b) sua fé ou confiança no Salvador (Mateus 18:3).
c) Converter-se significa voltar-se de uma direção para o sentido contrário, dar meia volta e caminhar em direção a DEUS. O ponto de referencia é DEUS. (Atos 3:19; 22:4-16; 1º Tessalonicenses 1:9-10).
D) A CONVERSÃO COMPREENDE DOIS FATORES, UM NEGATIVO E O OUTRO POSITIVO, O ARREPENDIMENTO E A FÉ.
a) A palavra traduzida por arrependimento no novo testamento significa mudança de pensamento (<>Mateus 12:41; Atos 2:36-41).
b) É a revolta, consciente, do homem contra seu próprio pecado, que o leva a renegar esse pecado. Inclui três aspectos:
1) O aspecto intelectual O reconhecimento, pelo homem, de sua culpa diante de DEUS, e de sua incapacidade de agradar a DEUS (Mateus 3:1-2; Atos 17:30-31).
2) O aspecto emocional Pesar pelo seu pecado, como uma ofensa contra um DEUS SANTO e Justo (2º Coríntios 7:9-10)
3) O aspecto volitivo Mudança de propósito, resolução íntima contra o pecado e disposição para buscar de DEUS o perdão, purificação e poder (Atos 17:30-31; Romanos 2:4).
c) A fé é o aspecto positivo da conversão
1) No arrependimento já existe o fator fé (Lucas 7:30)
2) A fé em JESUS (Atos 20:21) além de reconhecer a verdade a respeito do Salvador, deposita n'Ele a confiança a ponto de receber d'Ele a Salvação, e de submeter-se integral e definitivamente ao seu domínio. Isto se chama ''obediência'' da fé (Romanos 1:5; 16:26).
3) O verbo ''crer'' no novo testamento tem este sentido, de se depositar confiança (João 3:15-16; 3:18;36; João 5:24; Atos 16:31).
E) A RECONCILIAÇÃO
PELA SUA REBELIÃO, O HOMEM VIVE DE RELAÇÕES CORTADAS COM DEUS. QUANDO, PORÉM, ACOLHE O TESTEMUNHO DE DEUS A RESPEITO DO PECADO (ARREPENDIMENTO) E DA OBRA REDENTORA EFETUADA POR CRISTO (FÉ), ESTÁ, DESSE MODO, ATENDENDO À SOLICITAÇÃO FEITA EM NOME DE CRISTO PARA QUE SE RECONCILIE COM DEUS (2º Coríntios 5:17-20).
Passa existir plena harmonia entre ambos; deu-se a reconciliação do pecador com DEUS:
a) Virá o dia em que essa reconciliação com DEUS se estenderá a todas as coisas (Colossenses 1:20-22).
b) Desfeita assim a inimizade do homem com seu Criador, passa a existir Paz entre ambos.
c) O homem, que estava errado e sem razão, passou a concordar integralmente com DEUS, dando a Ele razão em tudo.
d) Dessa reconciliação resulta a ''Paz com DEUS por Nosso Senhor JESUS CRISTO'' (Romanos 5:1).
F) O NOVO NASCIMENTO
É tão profunda a transformação que o ESPÍRITO de DEUS opera na pessoa que se converte, que JESUS a chama de Novo Nascimento (João 3:1-15)
a) É o principio da nova vida espiritual que DEUS dá a quem estava ''morto nos delitos e pecados, ou seja, espiritualmente morto para DEUS, e que agora passou da morte para a vida (1º João 3:14)
b) A conversão é o ato voluntário do homem; o novo nascimento é obra exclusiva de DEUS.
c) A nova vida que o homem receber ao nascer de novo é chamada Vida Eterna, o que indica a duração e profundidade dessa vida.
d) Trata-se não apenas da vida futura, além-túmulo (Tito 1:2; 3:7), mas de vida que o crente possui desde já (João 5:24; 6:47).
G) ADOÇÃO (FILHOS DE DEUS)
Pelo nascimento físico, o homem é membro da família de Adão e, excluído, pelo pecado, da família de DEUS. Nascido de novo, passa a fazer parte da família de DEUS, recebendo pela adoção direitos que CRISTO tinha por direito eterno ( a) Apenas excepcionalmente, a Bíblia fala de DEUS como pai de todos os homens, e isso no sentido de ser seu criador e preservador.
b) A Bíblia reserva o nome de Pai para designar a nova relação que Ele assumiu para com aqueles que adotou como filhos, ou seja, aqueles que, nascidos do ESPÍRITO de DEUS, são por Ele guiados (Romanos 8:14-17).
c) Estando o pecador identificado com CRISTO, o Cordeiro de DEUS que deu a vida para resgatá-lo possui da parte de DEUS:
1) o pleno perdão ou remissão dos pecados (Hebreus 10:17-18; 2º Coríntios 5:21);
2) A justificação legal da parte do justo Juiz (Romanos 8:33-34);
3) A Santificação que lhe possibilita a realização da nova vida.
H) A JUSTIFICAÇÃO
Veja em http://www.armazemnadia.com.br/henrique/A_Justificacao.HTM 
 
Justificar significa declarar justo, atribuir justiça a alguém.
1) O Senhor diz que ''não há justo, nem um sequer'' (Romanos 3:10), como pode um DEUS Justo justificar o injusto? (Romanos 8:33).
2) O Apóstolo Paulo diz que podemos ter certeza da nossa justificação:
a) sobre que base? Pelo fato de ter CRISTO morrido por nós... Justificados pelo Seu sangue (Romanos 5:8-9; 3:26).
b) por qual princípio? Gratuitamente por sua graça (Romanos 3:24).
3) Somente os que pela fé se identificam com a obra redentora de CRISTO são justificados pela fé (Romanos 3:28).
a) A benção é oferecida a todos, porém, recebida só pelos que depositam sua confiança em CRISTO (Romanos 3:22, 4:16; Gálatas 2:16).
I) A SANTIFICAÇÃO
O termo santificado, na Bíblia, significa separado para determinado fim, e, especialmente, para o serviço de DEUS. O Senhor santificou (separou) o sétimo dia (Gênesis 2:3); determinou que lhe fosse santificado (separado) todos os primogênitos de Israel (Êxodo 13:2); falou de alguém santificar (separar) sua casa para ser santa ao Senhor (Levítico 27:14); JESUS foi santificado (separado) pelo Pai e se santificou (separou) a nosso favor (João 10:36; 17:19). Em todos estes casos o sentido é de pôr à parte, para um fim ou missão especial, destacar para o serviço de DEUS.
a) Identificado com CRISTO pela fé; perdoado, justificado, e separado para o serviço de DEUS, o homem convertido tem um novo interesse na vida.
1) o serviço de seu novo Senhor, para o qual foi destacado (Santificado);
2) o que mais o impede de realizar esse serviço é uma velha natureza considerada morta para DEUS, mas, na prática, travando luta com o novo princípio de vida que está nele, o ESPÍRITO SANTO.
1. A santificação é um ato imediato de DEUS, mas, na prática, embora já realizada no propósito divino, torna-se um processo de desenvolvimento espiritual, à medida que o ESPÍRITO SANTO vai dominando sua carne e transformando sua vida em verdadeiro culto (serviço) ao Pai (Romanos 12:1).
a) seu propósito é o de viver, não mais ele, mas CRISTO, que nele vive, e assim sua vida vai se tornando santa. (1º Pedro 1:15-16; 2º Coríntios 7:1; 1º Tessalonicenses 5:23).
ESTUDO 3 - A DOUTRINA DOS BATISMOS
A) O BATISMO NAS ÁGUAS
Veja em http://www.armazemnadia.com.br/henrique/Batismo%20nas%20Aguas.HTM 
 
1) O batismo nas águas simboliza principalmente duas grandes verdades: identificação e purificação. Pelo batismo de João, os judeus, inclusive o próprio JESUS, identificavam-se com a atitude que João apregoava, com relação ao pecado e à justiça (Mateus 3:1-10) pelo batismo Cristão.
2) Identificamo-nos com nosso salvador em sua morte, sepultura e ressurreição, reconhecendo-nos,, pela fé, mortos e ressuscitados com Ele (Romanos 6:3-11).
a) O batismo deve ser precedido do arrependimento (Mateus 3:6; Atos 2:38).
b) Simboliza nossa morte para o pecado e ressurreição para DEUS (Romanos 6:3; Colossenses 2:12).
c) É uma ordenança de JESUS para todo o que crê (Mateus 28:19; Marcos 16:16).
B) O PROPÓSITO DO BATISMO
1) Uma vez que só os salvos podem ser batizados, o batismo não tem como finalidade à salvação do batizando. O ato do batismo se constitui num testemunho público de que, aquele que a ele se submete, foi regenerado pela fé em JESUS CRISTO. Assim, pelo batismo, o novo crente dá prova de haver morrido para o mundo, estando pronto para ser sepultado e ressuscitado para uma nova vida em CRISTO. No entanto, se o crente vier a morrer antes de ser batizado nas águas, a sua condição de salvo continua inalterada (Lucas 23:42:43). Uma vez que o batismo não se constitui uma opção, mas uma ordenação do Senhor, todos os que crêem devem ser batizados.
C) NO BATISMO, TAMBÉM, O CRENTE SE SUBMETE A AUTORIDADE DA IGREJA LOCAL, COLOCANDO-SE SOB SUA COBERTURA ESPIRITUAL E PARTICIPANDO DO SEU MINISTÉRIO:
1) A Igreja universal e local ''EKKLESIA'', traduzida por igreja, deriva-se de EKKALED, verbo que significa ''chamar a parte'' (Deuteronômio 23:3; Salmo 22:25; Atos 7:38).
2) A igreja, corpo de CRISTO (Romanos 12:4-8; 1º Coríntios 12:12-28), essa maravilhosa figura desenvolvida por Paulo, destaca as seguintes características:
a) a disposição dos membros no corpo pelo próprio DEUS (1º Coríntios 12:18);
b) a diversidade de dons e funções desses membros (Romanos 12:4-11; Efésios 4:12);
c) a dependência, por parte do todo, de cada componente; nenhum é dispensável (1º Coríntios 12:21-23);
d) sua coordenação por DEUS, para que não haja divisão no corpo (1º Coríntios 12:24b-25a);
e) a cooperação dos membros, com igual cuidado, em favor um dos outros (1º Coríntios 12:25b).
N.B: A obra que DEUS deseja realizar em nossas vidas será realizada através da igreja, daí a importância da igreja local para o desenvolvimento dessa obra. Por isso não devemos deixar de congregar-nos (Hebreus 10:24-25; Provérbios 18:1).
D) O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO
Veja em http://www.armazemnadia.com.br/henrique/orarnoespíritosanto.htm 
 
Nesta seção trataremos de outro modo de operação do ESPÍRITO SANTO no crente: A sua obra vitalizante. Esta última fase da obra do ESPÍRITO SANTO é apresentada na promessa de CRISTO. ''Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o ESPÍRITO SANTO, e sereis minhas testemunhas'' (Atos 1:8).
1) A característica principal dessa promessa: Poder para servir e não regeneração para a vida eterna. Sempre que lemos acerca do ESPÍRITO SANTO vindo sobre, repousando sobre, ou enchendo as pessoas, a referência nunca se refere à obra salvadora do ESPÍRITO, mas sempre ao poder para servir.
2) A quem foi dirigida: A homens que já estavam em relação íntima com CRISTO. Foram enviados a pregar, armados de poder espiritual para esse propósito (Mateus 10:1).
a) A eles foi dito: ''Os vossos nomes estão escritos nos céus (Lucas 10:20).
b) Sua condição moral foi descrita nas Palavras: ''Vós já estais limpos pela Palavra que vos tenho falado'' (João 15:3).
c) Sua relação com CRISTO foi ilustrada com a figura: ''Eu sou a videira, vós os ramos'' (João 15:5).
d) Eles conheciam a presença do ESPÍRITO SANTO com eles (João 14:17), e sentiram o sopro de JESUS ressuscitado a dizer: ''Recebei o ESPÍRITO SANTO'' (João 20:22).
e) Estes fatos demonstram a possibilidade de a pessoa estar em contato com CRISTO e ser seu discípulo e,
contudo carecer do revestimento especial mencionado em Atos 1:18.
3) O que acompanhava o cumprimento da promessa: Houve manifestações sobrenaturais, sendo que a mais importante e comum foi o milagre de falar em outras línguas. Este dom acompanhava sempre a experiência sobrenatural do batismo no ESPÍRITO SANTO (Atos 10:44-47).
a) Essa experiência é descrita como ser cheio do ESPÍRITO SANTO. Aqueles que foram batizados com o ESPÍRITO SANTO no dia de Pentecostes também foram cheios do ESPÍRITO (Atos 2:1-4).
Os fatos acima expostos nos levam à conclusão de que o crente pode experimentar um revestimento de poder, experiência suplementar e subseqüente à conversão, cuja manifestação inicial se evidencia pelo milagre de falar em língua por ele nunca aprendida.
b) O propósito especial do ESPÍRITO SANTO é dar energia à natureza humana para um serviço especial para DEUS, e, resultando em uma expressão externa de caráter sobrenatural. De uma maneira geral, Paulo se refere a essa expressão exterior como a ''manifestação do ESPÍRITO (1º Coríntios 12:7).
4) Para receber o batismo com o ESPÍRITO SANTO, uma atitude correta é essencial:
a) Os primeiros crentes que receberam o ESPÍRITO SANTO ''perseveraram unânimes em oração'' (Atos 1:4).
b) A recepção do dom do ESPÍRITO SANTO, subseqüente à conversão, está ligado às orações dos obreiros-cristãos (Atos 8:14-17).
c) Também está ligado às orações em comum na igreja:
1) Depois que os cristãos de Jerusalém oraram para receber coragem para pregar a Palavra, ''moveu-se o lugar em que estavam reunidos e todos foram cheios do ESPÍRITO SANTO'' (Atos 4:31).
d) Um derramamento espontâneo, como foi o caso das pessoas que estavam na casa de Cornélio (Atos 10:44-47).
e) Oração individual: Saulo de Tarso jejuou e orou três dias antes de ser cheio do ESPÍRITO SANTO (Atos 9:9 e 17).
f) Obediência: O ESPÍRITO SANTO é a pessoa que DEUS deu àqueles que Lhe obedecem (Atos 5:32).
5) Donde concluímos que uma das características do verdadeiro cristão é ser submisso a autoridade do Senhor, da Igreja e a todas as outras autoridades, pois o princípio de DEUS é a autoridade (Hebreus 13:17; Mateus 28:18).
ESTUDO 4 - IMPOSIÇÃO DE MÃOS
A) AUTORIDADE É UM PRINCÍPIO DO REINO DE DEUS
1) DEUS criou todas as coisas. Tudo está sujeito à sua autoridade, uma vez que tudo foi criado por Ele e para Ele (Eclesiastes 3:11; Colossenses 1:16).
a) DEUS não exerce seu domínio pela força, mas pelo reconhecimento do seu amor para conosco. Só se sujeita incondicionalmente à vontade de DEUS quem confia plenamente nEle (João 4:34).
b) Aqueles que não estão dispostos a aceitar a vontade de DEUS, vivem em estado de rebelião o que caracteriza o pecado (Romanos 1:32).
2) O princípio de rebelião não pode conviver pacificamente com o princípio de autoridade. No coração do rebelde está o desejo de ocupar o lugar de DEUS, de ser seu próprio deus, de ditar suas próprias normas do bem e mal. Após o Juízo final estes dois princípios estarão eternamente separados, caso contrário, o caos reinaria eternamente na criação.
B) A REBELIÃO DO HOMEM E SUAS CONSEQÜÊNCIAS
1) A primeira criatura de DEUS que se rebelou foi Lúcifer, quando arregimentou um terço dos anjos do céu. Como conseqüência, foi destituído do seu cargo, expulso do céu e lançado na terra (Ezequiel 28:11-17).
a) Satanás e seus anjos tomaram uma decisão eterna de não reconhecer a autoridade de DEUS.
2) O segundo capítulo de Gênesis relata o fato da queda do homem, informando acerca do primeiro lar do homem, sua inteligência, seu serviço no jardim do Éden, as duas árvores e o primeiro matrimônio. Menciona especialmente as duas árvores, a do conhecimento do bem e do mal e a árvore da vida. Essas duas árvores pareciam dizer a nossos primeiros pais: ''Se seguirdes o bem e rejeitares o mal, tereis a vida'' (Deuteronômio 30:15).
a) Porque a árvore proibida foi colocada ali? Para prover um teste pelo qual o homem pudesse, amorosa e livremente, escolher servir a DEUS e dessa maneira desenvolver seu caráter (RGênesis 2:15-17).
b) A serpente, astutamente, semeia dúvidas e suspeitas no coração de Eva. (Gênesis 3:1-6) por meio da pergunta no versículo 1, lança a tríplice dúvida acerca de DEUS.
b.1 - dúvida sobre a bondade de DEUS;
b.2 - dúvida sobre a retidão de DEUS;
b.3 - dúvida sobre a Santidade de DEUS.
3) Quando Adão comeu do fruto, tudo que estava sob sua autoridade sofreu as conseqüências da rebelião. O casal sofre imediatamente a morte espiritual, a separação de DEUS, a morte passou a toda sua descendência. Além disso, Adão entregou ao Diabo todo domínio e autoridade que DEUS havia lhe concedido(Gênesis 3:6; Lucas 4:5-7).
C) A MISSÃO DE JESUS COMO HOMEM
1) Ao se fazer como a criatura, sendo gerado homem, JESUS atingiu três objetivos básicos relacionados ao princípio de autoridade:
a) submeter-se como criatura ao princípio de autoridade de DEUS (Filipenses 2:6-8);
b) substituir o homem no castigo que pesava sobre a rebelião (Isaias 53:5-6; Gálatas 3:13; 1º Coríntios 15:3);
c) reimplantar o princípio de autoridade na vida de todos que reconhecem o amor de DEUS (Romanos 5:19).
2) O primeiro objetivo JESUS cumpriu sendo obediente até a morte e morte de cruz. Apesar de tentado a desobedecer ao Pai como nenhum outro o foi, JESUS jamais satisfez sua vontade própria de homem. Sua plena submissão ao Pai aprovou definitivamente o princípio de autoridade para toda a criação.
3) O segundo objetivo, ele atingiu ao sofrer na cruz, sem nunca ter se rebelado, levando todo o castigo que pesava sobre os rebeldes. Sofreu a morte física e também a separação do Pai (Marcos 15:34).
4) O terceiro objetivo ele alcançou na ressurreição, sendo glorificado pelo pai como Senhor e cabeça de todas as coisas (Colossenses 1:17-19). É a vida de CRISTO em nós que nos permite a perfeita e suprema submissão à vontade de DEUS. Só pode fazer parte do Reino de DEUS aquele cuja cabeça é JESUS.
D) DEUS DELEGA AUTORIDADE
1) Toda autoridade procede de DEUS. DEUS governa seu reino, delegando autoridade aos que O servem.
a) Reconhecer a autoridade de DEUS implica reconhecer as autoridades levantadas por Ele em todos os âmbitos da vida: na família, no trabalho, no governo, na sua igreja, etc (Romanos 13:1-7).
b) Devemos entender que a autoridade não está na pessoa, mas na posição que ela ocupa.
c) Um governador tem autoridade de governar enquanto estiver no governo.
d) A autoridade em si é boa, pois procede de DEUS, mas a pessoa que a exerce pode ser boa ou má.
e) DEUS levanta e destitui reis. É Ele quem inclina o coração dos reis para onde quer.
E) O EXERCÍCIO DE AUTORIDADE
1) Sobre os Demônios:
a) JESUS venceu os principados e potestades, expondo-os publicamente à vergonha da derrota (Colossenses 2:15).
b) Obtemos plenamente os benefícios desta vitória quando exercemos toda a autoridade que JESUS concedeu-nos sobre eles.
c) Os Demônios são obrigados a obedecer a nossas ordens, pois quando ordenamos é como se o Senhor mesmo ordenasse.
d) Muitos crentes desconhecem a autoridade que têm e, quando se defrontam com o reino das trevas, buscam socorro em DEUS, mas o Senhor já lhes concedeu tudo o que necessitam para vencer e permanecer inabaláveis (Efésios 6:13-18).
2) Sobre as Enfermidades:
a) Toda as enfermidades resultam do pecado (Romanos 5:12).
b) É certo que o pecado não domina mais aquele que está em CRISTO. Mas também é certo que o pecado ainda habita em nossa natureza carnal, pelo que Paulo afirma: ''Esmurro meu corpo todos os dias''.
c) Devido à presença do pecado, este corpo será destruído para ressuscitar um corpo incorruptível (Mais sobre este assunto no Estudo 5).
d) A destruição do nosso corpo carnal faz parte do plano de DEUS e a enfermidade pode servir a este propósito.
e) Por outro lado, a enfermidade pode proceder de Satanás servindo para matar, roubar e destruir nossa alegria e paz.
f) JESUS concedeu-nos autoridade para curar os enfermos escravizados pelo Diabo, libertando-os dos seus sofrimentos. Por isso devemos sempre orar expulsando a enfermidade.
3) Na pregação do Evangelho:
a) A ordem de JESUS é para que o evangelho seja pregado por todo o mundo, quer queiram ouvir, quer não.
b) Ao anunciar JESUS, precisamos saber que DEUS sustenta sua palavra com sinais e prodígios, e que ela não volta ao Senhor antes de haver efetuado a obra para a qual foi designada. Pregar com autoridade significa confiar que DEUS se encarregará de provar ao incrédulo a veracidade do nosso testemunho (Marcos 16:17-18; Ezequiel 12:25).
F) O PRINCÍPIO DE AUTORIDADE NA IGREJA LOCAL
Veja em http://www.armazemnadia.com.br/henrique/atos.htm 
 
1) Ninguém pode servir a DEUS de forma isolada. A congregação é o meio utilizado pelo Senhor para ensinar-nos a submissão e o exercício de autoridade (Hebreus 10:23-25):
a) Na igreja primitiva, as congregações estavam ligadas por um único espírito.
b) Cada congregação tinha um sistema de governo próprio e independente, formado pelo pastor, presbíteros, anciãos e membros.
c) Submeter-se a CRISTO implica em primeira instância, submeter-se às autoridades da igreja local. Ao conselho da igreja cabe a responsabilidade de zelar pela conduta de seus membros (Hebreus 13:7, 17)
ESTUDO 5 - RESSURREIÇÃO DOS MORTOS
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A) A IMPORTÂNCIA DA RESSURREIÇÃO
1) Os Coríntios como os demais gregos eram um povo de grande capacidade intelectual e amantes de especulações filosóficas. O Apóstolo Paulo previu que, sob a influência do espírito grego, o ensino da igreja de Corinto poderia fazer com que o evangelho se dissipasse em lindo, porém impotente sistema de filosofia e ética:
a) O Apóstolo desafiou a veracidade desse ensino (1º Coríntios 15:12).
b) Tomando esse erro como ponto de partida, Paulo expôs a doutrina verdadeira, entregando ao mundo o grande capítulo da ressurreição (leiam em casa 1ª Coríntios 15).
2) No princípio DEUS criou tanto o ESPÍRITO como o corpo, e, quando se uniram espírito e corpo como unidade vivente, o homem tornou-se alma vivente (Gênesis 2:7):
a) O homem foi criado imortal no sentido de que ele não precisava morrer, mas mortal no sentido de que poderia morrer se desobedecesse a DEUS (Gênesis 2:16-17).
b) Se o homem tivesse permanecido fiel, possivelmente teria sido trasladado, pois a trasladação parece ser o meio perfeito que DEUS usa para remover da terra os seres humanos (2 Reis 2:11).
c) O homem pecou, perdeu o direito à árvore da vida, e em resultado disso começou a morrer, processo que culminou na separação do espírito do corpo (Gênesis 3:22).
d) A morte física foi à expressão externa da morte espiritual, a qual é a conseqüência do pecado.
e) Desde que o corpo é parte integrante da personalidade do homem, sua salvação e sua imortalidade não se completam enquanto não for ressuscitado e glorificado. Assim ensina o novo testamento. (1º Coríntios 15:53-54; Filipenses 3:20-21).
f) O homem se compõe tanto de alma como de corpo, sua redenção deve incluir a vivificação dos dois, da alma e do corpo. Embora o homem se torne justo perante DEUS e vivo espiritualmente (Efésios 2:1), seu corpo morrerá como resultado da sua herança racial de Adão.
B) O FATO E NATUREZA DO ESTADO INTERMEDIÁRIO:
1) O velho testamento ensina que há uma vida depois da morte:
a) Mostra que todos os homens vão ao SHEOL (O hades do novo testamento).
b) Os ímpios vão para lá (Salmos 9:17; Isaias 5:14).
c) Lemos que Coré e Abirão desceram vivos ao Sheol (Números 16:33).
d) Os justos também vão para lá (Jó 14:13; Salmos 6:5; 16:10).
e) Ezequias considerava a morte como ''entrar nas portas do além'' (Isaias 38:10).
2) Também o novo testamento mostra que tanto os maus como os justos desciam ao hades, antes da ressurreição de CRISTO:
a) Lemos que o rico desceu ao hades e ele e Lázaro estavam tão próximos que dava para conversarem um com o outro naquela região (Lucas 16:19-31).
b) O próprio JESUS desceu ao hades (Atos 2:27-31).
c) CRISTO tem agora as chaves da morte e do hades (Apocalipse 1:18).
d) Um dia, a morte e o hades devolverão os mortos que neles há (Apocalipse 20:13-14).
3) Se, então, as escrituras ensinavam que há uma existência depois da morte, esta seria uma existência consciente?
a) É o que é sugerido no velho testamento e ensinado claramente no novo testamento (Mateus22:31-32; Lucas 23:40-43).
b) O novo testamento indica que haviam dois compartimentos no hades, um para os maus e outro para os bons. O que era reservado para os bons chamava-se Paraíso.
c) Depois da ressurreição de JESUS, parece ter havido uma mudança. Agora os crentes vão à presença de CRISTO quando morrem (2º Coríntios 5:6-9).
d) Paulo expressou o desejo de ''partir e estar com CRISTO, o que é incomparavelmente melhor'' (Filipenses 1:23).
e) ''As almas dos que tinham sido mortos'' estavam debaixo do altar e conscientes (Apocalipse 6:9-11).
f) Quando JESUS ressuscitou, Ele levou não apenas as primícias daqueles a quem ressuscitou corporalmente (Mateus 27:52-53), mas também as almas de todos os justos que estavam no hades (Efésios 4:8; Salmos 68:18).
C) O ENSINAMENTO DO VELHO TESTAMENTO QUANTO À RESSURREIÇÃO DO CORPO
1) Para começar, o velho testamento registra a ressurreição do corpo de pelo menos três pessoas:
a) o filho da viúva (1º Reis 17:21-22);
b) o filho da Sunamita (2º Reis 4:32-36);
c) o homem que reviveu ao tocar os ossos de Eliseu (2º Reis 13:21). 2) Abraão esperava que DEUS levantasse Isaque dos mortos no Monte Moriá (Gênesis 22:5; Hebreus 11:19).
3) Jó esperava ver a DEUS em seu corpo (Jó 19:25-27).
4) Notamos ainda a expectativa de Isaías de uma ressurreição do corpo (Isaias 26:19).
D) O ENSINAMENTO DO NOVO TESTAMENTO QUANTO À RESSURREIÇÃO DO CORPO
1) O novo testamento registra a ressurreição de cinco pessoas:
a) a filha de Jairo (Mateus 9:24-25);
b) o jovem de Naim (Lucas 7:14-15);
c) Lázaro (João 11:43-44);
d) Dorcas (Atos 9:40-41);
e) Êutico (Atos 20:9-12).
2) O próprio Senhor JESUS ensinou sobre uma futura ressurreição (João 5:28-29; 6:39-40,44,54).
3) Os Apóstolos ensinaram isso (Atos 24:15; 1º Tessalonicenses 4:14-16; Apocalipse 20:4-6).
4) Finalmente, a ressurreição de CRISTO é a garantia de nossa própria ressurreição (1º Coríntios 15:20-22; 2º Coríntios 4:14; Romanos 8:11):
a) Ele não só destruiu a morte como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho (2º Timóteo 1:10).
b) Há, portanto, prova abundante de que, tanto o velho como o novo testamento ensinam a ressurreição do corpo.
E) A NATUREZA DA RESSURREIÇÃO
1) Mas alguém dirá: Como ressuscitam os mortos? e em que corpo vêm? (1º Coríntios 15:35).
2) Observemos primeiro que as escrituras falam de três tipos de ressurreição:
a) uma ressurreição judicial, na qual o crente foi ressuscitado com CRISTO (Romanos 6:4-5; Efésios 2:5-6);
b) uma ressurreição espiritual, equivalente à regeneração (João 5:25-26);
c) uma ressurreição física (João 5:28-29);
d) Estamos interessados agora na ressurreição física.
3) As escrituras indicam que o corpo será ressurreto de, pelo menos, quatro maneiras.
a) Em declarações claras a esse respeito (Jó 19:25-26; João 5:28-29; 1º Corintios 15:44).
b) Quanto aos dois tipos de corpos mencionados na última referência, STRONG diz: ''Esses adjetivos ''psíquico'' e ''espiritual'' não definem o material dos respectivos corpos, mas sim aqueles corpos em suas relações e adaptações, em seus poderes e usos. O corpo presente é adaptado e planejado para o uso da alma; o corpo da ressurreição será adaptado e planejado para o uso do espírito.''
c) Na declaração de que o corpo está incluído em nossa redenção (Romanos 8:23-26; 1º Coríntios 6:13-15).
d) Quando CRISTO morreu por nós, morreu pelo homem todo. Os benefícios completos de sua expiação não são cumpridos até que o corpo tenha sido tornado imortal por DEUS, o que se dará na ressurreição.
e) No tipo de corpo com que JESUS ressuscitou, Ele ressurgiu em um corpo físico (Lucas 24:39; João 20:27).
f) Na literalidade da volta e julgamentos do Senhor. O homem CRISTO JESUS voltará para julgar, não espíritos incorpóreos, mas sim homens corpóreos (1º Tessalonicenses 4:16-17; Apocalipse 20:11-13).
F) OS CORPOS DOS CRENTES
1) Diversas passagens declaram ou dão a entender que o corpo ressurreto dos crentes será semelhante ao corpo glorificado de CRISTO (Filipenses 3:21; 1º João 3:2; 1º Coríntios 15:49).
2) Alguns detalhes podem ser mencionados de 1º Coríntios 15:
a) Lemos que não será composto de carne e sangue (1º Coríntios 15:50-51).
b) Depois da ressurreição, JESUS diz que seu corpo é composto de ''carne e ossos'' (Lucas 24:39).
c) Novamente nossos corpos serão incorruptíveis, não estando, portanto, sujeitos à doença, decomposição e morte (1º Coríntios 15:42, 53-54).
d) Será um corpo glorioso, poderoso, espiritual e, finalmente, será um corpo celestial (1º Coríntios 15:43-44, 47, 49).
G) OS CORPOS DOS NÃO CRENTES
1) JESUS declarou que está chegando a hora quando todos que estiverem na sepultura sairão, alguns para a ressurreição da vida, e alguns para a ressurreição do juízo (João 5:28-29).
2) Diante de Félix, Paulo declarou que Israel tinha esperança em DEUS ''de que haverá ressurreição, tanto de justos como de injustos''(Atos 24:15).
3) No livro de Daniel, está escrito que muitos dos que dormem no pó ressuscitarão ''para vergonha e horror eterno'' (Daniel 12:2).
4) No Apocalipse é ensinado que ''os não salvos'' serão ressuscitados, julgados e lançados no lago de fogo (Apocalipse 20:12-13).
5) A curiosidade nos levaria a uma investigação da natureza deste corpo ressurreto, mas o silêncio da escritura quanto a esse ponto indica que devemos nos contentar com as coisas que nos foram reveladas.
H) A BÍBLIA NOS ENSINA QUE HAVERÁ DUAS RESSURREIÇÕES (Apocalipse 20:4-6).
1) A primeira ressurreição terá lugar quando CRISTO vier nos ares (1º Tessalonicenses 4:16; 1º Corintios 15:23).
2) Não há dúvida de que todos os salvos dos tempos do velho testamento e do novo testamento até aquele momento, serão então ressuscitados.
3) Os que forem mortos durante a tribulação aparentemente serão ressuscitados no momento da vinda de CRISTO a terra. Assim, a primeira ressurreição estará completa (Apoc. 20:4-5).
I) A SEGUNDA RESSURREIÇÃO TERÁ LUGAR MIL ANOS MAIS TARDE (Apocalipse 20:5; 11:13)
1) Parece que DEUS é tão longânimo quanto possível com os que morreram sem ser salvos. Estão em tormento no estado intermediário, mas ainda não estão no lugar do castigo final. Assim, a bondade de DEUS faz adiar o dia do acerto final de contas para até depois do milênio. Mas, embora demore, certamente virá!
ESTUDO 6 - JUÍZO ETERNO
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A) A BÍBLIA É UM LIVRO HISTÓRICO, DOUTRINÁRIO E PROFÉTICO. O ESTUDO DE APOCALIPSE ABRANGE ESTAS TRÊS ÁREAS:
1) O Aspecto Histórico:
a) O mundo já conheceu seis impérios: o Egípcio, o Assírio, o Babilônico, o Medo-persa, o Grego e por fim o Romano. Todos estiveram diretamente envolvidos com Israel, o Povo de DEUS.
b) O Egito tornou-se uma grande nação por causa de José, Filho de Jacó, e foi destruído quando perseguia Israel no mar vermelho (Gênesis 39:1-2; Êxodos 14:26-28).
c) O Babilônico foi levantado para castigar Israel através de Nabucodonosor. Foi destruído quando Beltsazar abusou do Senhor, bebendo vinho nos jarros santos, que seu pai havia tirado do templo em Jerusalém (2º Reis 25:8-10; Deuteronômio 5:1-4).
d) O Assírio foi derrubado por DEUS quando Senaqueribe cercou Jerusalém e zombou do Senhor (2º Reis 18:19).
e) O Império Medo-Persa, este intimamente relacionado ao povo judeu, conforme registram os livros de Neemias, Esdras e Ester, escritos nesta época.
f) O Império Grego e sua queda foi vaticinada por Daniel no capítulo 8:5, 16 e 21, onde é feita uma alusão a Alexandre, o Grande, como o Bode Peludo que destruiria o império Medo-Persa. Este império foi destruído quando um dos quatro reis, sucessores de Alexandre (Daniel 8:23-24), que eram seus generais, chamados Ptolomeu, Seleuco, Antípater e Filétero, invadiu Jerusalém e sacrificou uma porca no altar, zombando de DEUS (Daniel 11).
g) JESUS nasceu durante o império Romano, profetizado por Daniel como o quarto reino que se levantaria após o Babilônico (Daniel 2:39-40). Daniel profetizou que o império Romano destruiria Jerusalém e o templo, após o messias ter sido tirado (Daniel 9:25-26; Lucas 21:5-6), o que JESUS confirmou. Isto aconteceu 70 anos depois de CRISTO quando as legiões romanas cercaram Jerusalém e destruíram a cidade e o templo. Um terço dos judeus morreu dentro da cidade, outro terço foi crucificado ao redor da cidade e o último terço do povo foi espalhado entre todas as nações, conforme a profecia. (Ezequiel 5:12; Lucas 21:20).
h) Todo o desenrolar da história está profetizado na Bíblia e tem o povo de Israel como centro dos acontecimentos.
1- A profecia sobre a volta dos Judeus à terra prometida (Ezequiel 36:8-12; 37:21-23).
2 - Os conflitos entre Árabes e Judeus (Ezequiel 36:33-36).
3 - A possível guerra entre a Rússia e Israel (Ezequiel 39:1-9; 39:18-23).
i) O último império que o mundo conhecerá será o do anticristo. Ele será destruído quando se levantar contra os Judeus , quando então eles olharão para quem traspassaram, JESUS (Zacarias 12:10). Então o Senhor voltará e toda a nação se converterá a Ele.
1 - A pessoa do anticristo (2º Tessalonicenses 2:3).
2 - Seu poder sobrenatural (2º Tessalonicenses 2:7-10; Apocalipse 17:11-15).
2) O Aspecto Moral:
a) Ao sabermos que o Senhor breve virá para arrebatar a sua igreja, somos levados a preocupar com a nossa santificação. JESUS conta uma parábola sobre as dez virgens esperando a vinda do noivo, referindo-se à sua volta e ao arrebatamento da igreja. Numa parábola, cinco virgens não tinham azeite em suas lâmpadas, por isso não viram quando o noivo chegou e, como conseqüência não entraram nas bodas.O arrebatamento está para acontecer, quando a igreja do Senhor JESUS será tirada para não passar pela grande tribulação que virá sobre o mundo. Ele nos exorta a ficarmos alertas porque virá como um ladrão à noite naquele dia. JESUS virá para aqueles que O esperam.
1 - O arrebatamento. Como será, quando será e quem subirá (1º Tessalonicenses 5:1-11; Marcos 13:28-37).
2 - O arrebatamento será em um átomo de tempo. Primeiro os que dormem em CRISTO ressuscitarão, depois nós, os que estivermos vivos, teremos nossos corpos transformados e subiremos para encontrar o Senhor, nos ares (1º Tessalonicenses 4:13-18).
3 - O Aspecto Profético
a) Daniel profetizou que, nos últimos dias, a ciência se multiplicaria. Estamos vendo isto acontecer (Daniel 12:4).
b) Ezequiel profetizou que os judeus voltariam à terra prometida (Ezequiel 37:21-23).
1 - Depois de 1.900 anos espalhados pelo mundo, os Judeus retornaram em 1948 e lá estão até hoje, contra tudo e todos (Ezequiel 38:8).
c) Após o arrebatamento, o anticristo virá e estabelecerá o seu reinado com a ajuda de dez nações e do Império Romano, que nunca caiu, pois até hoje Roma possui um César cujo poder é reconhecido no mundo inteiro: o próprio Papa (Apocalipse 17). Este Império durará sete anos, quando então JESUS voltará para destruir as forças satânicas.
d) O Império do anticristo - 7 anos. (Daniel 9:26-27).
e) A procedência do Império - visão de Nabucodonosor (Daniel 2:1-5; 7:16-25).
1 - A 1ª fase do reinado do anticristo - falsa paz (Daniel 9:27).
2 - A aliança com as dez nações. (Apocalipse 17:3, 12-9).
3 - A aliança com a grande prostituta (Apocalipse 13:7-9; 17:1-9).
4 - A aliança com Israel e a reconstrução do templo (Daniel 9:25-27).
5) A 2ª fase do reinado do anticristo - dores (Apocalipse 9:1-12).
6) A guerra entre as dez nações (Daniel 2:42-43).
7) A destruição da grande prostituta (Apocalipse 17:15-17).
8) A marca da besta e a tecnologia atual (Apocalipse 13:16-18).
4) Cremos não haver dúvida de que a segunda vinda de CRISTO se dará em duas fases: Arrebatamento da igreja, e manifestação da pessoa de CRISTO em glória.
a) Na primeira fase, o arrebatamento da igreja, JESUS virá para os seus. Não tocará os seus pés na terra, tampouco será visível ao mundo. Ele virá até às nuvens, onde receberá a sua igreja para que com ele adentre às mansões celestiais (1º Tessalonicenses 4:17).
b) Já na segunda fase, a manifestação propriamente dita, sete anos após a primeira, JESUS virá com os seus. Nesse momento, sim, todo olho o verá, não como um CRISTO abatido e humilhado, mas exaltado e triunfante (Zacarias 14:4).
5) A Batalha do Armagedom
a) A palavra ARMAGEDOM significa monte de megido. Também conhecido como a planície de Jezreel. Nesse amplo e espaçoso lugar, os exércitos do anticristo estarão congregados para o ataque decisivo contra Jerusalém.
b) Quando Jerusalém estiver cercada pelos exércitos do anticristo e aos Judeus não restar escape, então eles clamarão angustiados pelo auxílio de DEUS. Nesta hora, dar-se-á a manifestação de JESUS, revestido com poder e glória (Isaias 52:8; Mateus 24:30).
c) O triunfo de JESUS sobre os exércitos do anticristo será esmagador. Destruindo os exércitos hostis a Israel, o anticristo e o falso profeta serão lançados no lago de fogo e enxofre (Apocalipse 19:20).
6) O Milênio
a) Ao aprisionamento de Satanás, seguir-se-ão mil anos de paz e de governo perfeito sob o reinado do Senhor JESUS, assinalando o começo de uma nova dispensação (Apocalipse 20:6).
b) Esse período não é o princípio de um mundo novo, mas o fim de um mundo antigo. O que o sábado judaico é para a semana, assim será o milênio para a era presente.
c) Dois grupos de povos distintos tomarão parte no milênio: os crentes glorificados, consistindo dos santos do antigo e do novo testamento, da igreja triunfante, dos santos oriundos da grande tribulação; e os povos naturais, em estado físico normal, vivendo na terra, a saber: judeus salvos saídos da grande tribulação, gentios poupados no julgamento das nações e o povo nascido durante o milênio propriamente dito.
d) No milênio, a igreja estará glorificada com CRISTO na Jerusalém celestial. A igreja exercerá a co-regência com CRISTO durante esse período (Apocalipse 21:22-23) revestidos de um corpo glorificado, os salvos estarão acima das limitações do tempo e do espaço sujeitos quando ainda em seus corpos mortais. Terão um corpo como o de CRISTO Ressurreto, que se locomove sem obstáculos e sem barreiras.
e) A própria terra passará por transformações que alterarão sensivelmente, para melhor, o seu clima e sua produtividade. Também os animais sofrerão mudança na sua natureza durante essa época áurea. A ferocidade deles será removida para dar lugar à docilidade. Não mais se atacarão, nem, representarão qualquer ameaça ao homem. (Isaias 65:25).
f) Toda criação, afetada que foi pela queda do homem, de igual modo participará das bênçãos decorrentes do governo milenar de CRISTO (Romanos 8:18-23).
7) Terminado o milênio, Satanás será novamente solto por um breve espaço de tempo (Apocalipse 20:7). Esta soltura de Satanás servirá para:
a) provar às pessoas que nasceram durante o milênio;
b) demonstrar pela última vez quão pecaminosa é a natureza humana, e que o homem por sí mesmo jamais se salvará, mesmo sob as melhores condições;
c) demonstrar que o Diabo é completamente incorrigível.
8) Satanás sai a ajuntar as nações da terra para a batalha, mas será derrotado e lançado no lago de fogo e enxofre onde está a besta e o falso profeta (Apocalipse 20:8-10).
9) Após este evento, será estabelecido o Juízo do grande trono branco, o Juízo Final. É nessa época que todos os ímpios mortos ressuscitarão para ouvir sua sentença final diante do trono de DEUS. Até mesmo a morte e o inferno serão lançados no lago de fogo, a segunda morte. (Apocalipse 20:11-15).
 
RESUMO:
HEBREUS 5.12-14; 6.1,2
1-ARREPENDIMENTO DE OBRAS MORTAS: Ef 2.8-10
2-FÉ EM DEUS Ef 2.8
3-A DOUTRINA DOS BATISMOS (NAS ÁGUAS Mt 3- NO ESPÍRITO SANTO At 2 - DE MORTE Mc 10.38)
4-IMPOSIÇÃO DE MÃOS (AUTORIDADE – Mc 16.15-18
5-RESSURREIÇÃO DOS MORTOS – 1 Co 15.12 Dn 12
6-JUÍZO ETERNO – AP 9.6; 13.7,8; 20.11-15
 
 
LIÇÃO 7 - CRISTO, SACERDOTE ETERNO E PERFEITO
 
TEXTO ÁUREO:
“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus” (Hb 7.26).
 
VERDADE PRÁTICA:
JESUS CRISTO no céu é o nosso eterno Sumo Sacerdote, sempre intercedendo por nós perante a face de DEUS.

LEITURA DIÁRIA: 
Segunda At 2.32 JESUS venceu a morte
Terça  At 10.38  JESUS, o ungido de DEUS
Quarta At 16.31  JESUS, nosso Salvador 
Quinta 1 Co 3.11  JESUS, nosso fundamento
Sexta 1 Tm 2.5 JESUS, único mediador
Sábado Hb 2.9  JESUS, coroado de glória
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE:  HEBREUS 7.1-3,11,12,24-27 
1 Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém e sacerdote do DEUS Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou;2 a quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça e depois também rei de Salém, que é rei de paz;3 sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas, sendo feito semelhante ao Filho de DEUS, permanece sacerdote para sempre.
11 De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão?12 Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei.
24 mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. 25 Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a DEUS, vivendo sempre para interceder por eles. 26 Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que  os céus,
27 que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente, por seus próprios pecados e, depois, pelos do povo; porque isso fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo.
 
PONTO DE CONTATO:
Melquisedeque é descrito, em poucas palavras, como uma figura singular na história do Antigo Testamento. Sua genealogia é desconhecida, como também não é registrado nada depois do seu aparecimento atéAbraão. O que se sabe de Melquisedeque é que era sacerdote do DEUS Altíssimo, rei de justiça e que recebeu os dízimos de Abraão. Se esse sacerdote foi honrado pelo patriarca, maior honra deve ter o Senhor JESUS, que é infinitamente superior a Melquisedeque. O autor da epístola aos hebreus demonstra a insuficiência da lei, que não podia salvar nem aperfeiçoar os homens em DEUS. JESUS CRISTO por sua vez, como sacerdote perfeito e definitivo, proveu-nos mediante a nossa fé a eterna salvação.

OBJETIVOS: Após esta aula seu aluno estará apto a:
Explicar as características de Melquisedeque como uma prefiguração de CRISTO.
Descrever a mudança obrigatória do sacerdócio e da lei, feita por JESUS.
Valorizar o sacerdócio perfeito de CRISTO.

INTRODUÇÃO
São poucas, mas profundas as informações da Epístola sobre Melquisedeque, as quais fazem deste uma personagem enigmática, de difícil compreensão quanto à sua origem, desenvolvimento e consumação de sua obra. CRISTO JESUS, ao contrário, sendo DEUS, revelou-se de tal forma à humanidade, que dEle se pode conhecer  o que DEUS quis revelar, tornando-se nosso sacerdote eterno, perfeito e imaculado.
I. QUEM ERA MELQUISEDEQUE
A Bíblia não provê detalhes sobre a pessoa de Melquesedeque; daí haver muitas especulações a seu respeito.
1. Era rei de Salém.
“E Mel-quisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho...” (Gn 14.18a; Hb 7.1); “e este era sacerdote do DEUS Altíssimo” (Gn 14.18). Esta é a primeira referência bíblica a Melqui-sedeque. Ele aparece nas  páginas do Antigo Testamento, quando foi ao encontro de Abraão, após este haver derrotado Quedorlaormer, rei de Elão, e seus aliados. Salém veio a ser Jerusalém após a ocupação da terra prometida por DEUS a Abraão e  seus descendentes (Gn 14.18; Js 18.28; Jz 19.10). Rei de Salém que dizer “rei de paz” (v.2b).
2. Era sacerdote do DEUS Altíssimo.
“...e este era sacerdote do DEUS Altíssimo” (Gn 14.18b; Hb 7.1). As funções de rei e sacerdote conferiam-lhe grande dignidade perante os que o conheciam. Estas duas funções são relembradas em Hb 7.1: “Porque este Melquise-deque, que era rei de Salém e sacerdote do DEUS  Altíssimo...”.
3. Era de uma ordem sacerdotal diferente.
Estudiosos da Bíblia supõem que Melqui-sedeque pertencia a uma dinastia de reis-sacerdotes, que tiveram conhecimento do DEUS Altíssimo pela tradição oral inspirada, 
transmitida desde o princípio, quando a religião era única e monoteísta e que conservava a esperança do Redentor da raça humana, conforme Gn 3.15. Ele não pertencia à linhagem sacerdotal arônica, proveniente da tribo de Levi.
4. Recebeu dízimos de Abraão (Hb 7.2).
Isto nos mostra que a instituição do dízimo remontava ao período bem anterior à Lei. Esse fato indica “quão grande” era Melquisedeque (v.4). Ele abençoou Abraão, como detentor das promessas (vv.5,6). 
5. Era rei de justiça (v.2).
Como um tipo de CRISTO, Melqui-sedeque tinha as qualidades de um rei justo e fiel.
6. Sem genealogia (v.3).
O texto afirma ter sido Melquisedeque “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida...”. O que o sacro escritor quer dizer é que não ficou registrada sua ascendência e sua descendência, bem como os dados referentes a sua morte. Pelo contexto, entende-se que ele era um homem com características especiais diante de DEUS.
II. A MUDANÇA DO SACERDÓCIO E DA LEI
1. O novo e perfeito sacerdócio (v.11b).
O sacerdócio leví-tico era imperfeito (v.11a). Nele, os sacrifícios, as ofertas, o culto e a liturgia, eram apenas sombra do verdadeiro sacerdócio, que veio por CRISTO. O sacerdócio de CRISTO, não da ordem de Arão ou de Levi, mas “segundo a ordem de Melquisedeque”, trouxe a perfeição no relacionamento do homem com DEUS.O primeiro sacerdócio, com suas imperfeições, não era capaz de salvar, mas CRISTO como Sumo Sacerdote, mediante o seu próprio sangue deu-nos acesso a DEUS, garantindo-nos a salvação plena. 
2. Mudança de lei (v.12).
 “Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei”. Com CRISTO, de fato, houve uma mudança não só do sacerdócio, mas também da lei. Antes, era a lei da justiça, a lei das obras. Com CRISTO, veio a lei da graça, a lei do amor. 
3. A lei era ineficaz.
“O precedente mandamento”, ou seja, a antiga lei, foi “ab-rogado por causa de sua fraqueza e inutilidade” (v.18). Ab-rogar quer dizer anular, cessar, perder o efeito, revogar. Foi o que aconteceu 
quando CRISTO trouxe o evangelho, ab-rogando a antiga lei, a Antiga Aliança. 
III. O SACERDÓCIO PERPÉTUO E PERFEITO DE CRISTO
1. JESUS trouxe salvação perfeita (v.25).
Os sacerdotes do antigo pacto pereceram (v.23). O sacerdócio arônico foi constituído por centenas de sacerdotes, que se sucediam constantemente, visto que “pela morte 
foram impedidos de permanecer”. Os sacerdotes arônicos apenas intercediam pelos homens a DEUS, mas não os salvavam. JESUS, nosso Sumo Sacerdote, não só “vive sempre para interceder” por nós, como nos assegurou uma perfeita salvação por seu intermédio (v.25; Rm 8.34). JESUS garante salvação plena (Jo 5.24), sem depender de um suposto purgatório ou de uma hipotética reencarnação.
2. JESUS, sacerdote perfeito (v.26).
A Palavra de DEUS indica aqui as qualificações de CRISTO, que o diferenciam de qualquer sacerdote do antigo pacto. “Porque nos convinha tal sumo sacerdote”:
a) SANTO.
O sacerdote do Antigo Testamento teria que ser santo, separado, consagrado. Até suas vestes eram santas (Êx 28.2,4; 29.29). Contudo, eram homens falhos, imperfeitos, sujeitos ao pecado. JESUS, nosso Sumo Sacerdote, era e é santo no sentido pleno da palavra.
b) Inocente.
Porque nunca pecou, JESUS não tinha qualquer culpa. Ele desafiava seus adversários a acusá-lo (Jo 8.46).
c) Imaculado.
O cordeiro, na antiga Lei, tinha que ser sem mancha (Lv 9.3; 23.12; Nm 6.14). JESUS, como o “Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), não tinha qualquer mancha moral ou espiritual.
d) Separado dos pecadores.
JESUS viveu entre os homens, comeu com eles, inclusive na casa de pessoa de baixa reputação, como Zaqueu, mas foi “separado dos pecadores”. Ele não se misturou, nem se deixou influenciar pelo comportamento dos homens maus. 
e) Feito mais sublime do que os céus.
Tal expressão fala da exal-tação de CRISTO, como dele está predito na Bíblia: “Pela minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante de mim, e toda língua confessará a DEUS” (Rm 14.11).
f) Ofereceu-se a si mesmo, uma só vez (v.27).
Os sumos sacerdotes do Antigo Testamento necessitavam de oferecer sacrifícios, muitas vezes, primeiro por eles próprios e, depois, pelo povo. Mas JESUS, por ser imaculado, sem pecado, não precisou fazer isso por si. Tão-somente ofereceu-se num sacrifício perfeito, uma vez, pelos pecadores.
CONCLUSÃO
Nesta lição verificamos que, em todos os aspectos o sacerdócio de CRISTO, proveniente da ordem de Melquisedeque, é superior ao sacerdócio arônico. Com isto, devemos ser gratos a DEUS por fazermos parte de sua linhagem espiritual.
 
Subsídio Teológico
“Melquisedeque (Hb 7.1). Melquisedeque, contemporâneo de Abraão, foi rei de Salém e sacerdote de DEUS (Gn 14.18). Abraão lhe pagou dízimos e foi por ele abençoado (vv.2-7). Aqui, a Bíblia o tem como uma prefiguração  de JESUS CRISTO, que é tanto sacerdote como rei (v.3) O sacerdócio de CRISTO é “segundo a ordem de  Melquisedeque” (6.20), o que significa que CRISTO é anterior a Abraão, a Levi e aos sacerdotes levítico, e maior que todos eles. 
“Sem pai, sem mãe (Hb 7.3). Isso não significa que Melquisedeque, literalmente, não tivesse pais nem parentes, nem que era anjo. Significa tão somente que as Escrituras não registram a sua genealogia e que nada diz a  respeito do seu começo e fim. Por isso, serve como tipo de CRISTO eterno, cujo sacerdócio nunca terminará.Vivendo sempre para interceder (Hb 7.25). CRISTO vive no céu, na presença do Pai. (8.1), intercedendo por  todos os seus seguidores, individualmente, de acordo com a vontade do Pai (cf. Rm 8.33,34; 1 Tm 2.5; 1 Jo 2.1). (1) Pelo ministério da intercessão de CRISTO, experimentamos o amor e a presença de DEUS e achamos misericórdia e graça para sermos ajudados em qualquer tipo de necessidade (4.15; 5.2), tentação (Lc 22.32), fraqueza (4.15; 5.2), pecado (1 Jo 1.9; 2.1) e provação (Rm 8.31-39). (2) A oração de CRISTO como sumo sacerdote em favor do seu povo (Jo 17), bem como sua vontade de derramar o ESPÍRITO SANTO sobre todos os crentes (At 2.33) nos ajudam a compreender o alcance do seu ministério de intercessão (ver Jo 17.1). (3) Mediante a intercessão de CRISTO, aqueles que se chegam a DEUS (i.e., se chega continuamente a DEUS, pois o particípio no grego está no tempo presente e salienta a ação contínua) pode receber graça para ser salvo ‘perfeitamente’. A intercessão de CRISTO como nosso sumo sacerdote é essencial para a nossa salvação. Sem ela, e sem sua graça e misericórdia e ajuda que nos são outorgadas através daquela intercessão, nos afastaríamos de DEUS, voltando a ser escravos do pecado e ao domínio de satanás, e incorrendo em justa condenação. Nossa esperança é aproximar-nos de DEUS por meio de CRISTO, pela fé (ver 1 Pe 1.5).” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, págs. 1907-1909)
 
QUESTIONÁRIO:
1. Quem era Melquisedeque?
R. Era rei de Salém e sacerdote do DEUS Altíssimo.
2. Por que se diz que Melquisedeque não tinha genealogia?
R. Porque não ficou registrada sua ascendência e sua descendência.
3. Qual o significado das ofertas, do culto e dos sacrifícios no AT?
R. Sombra ou cópia do verdadeiro sacerdócio, que veio com CRISTO.
4. O que mudava com a mudança do sacerdócio?
R. A lei.
5. Por que CRISTO foi considerado sacerdote imaculado? 
R. Porque não tinha qualquer mancha moral ou espiritual de que fosse acusado.

LIÇÃO 8 - CRISTO, MEDIADOR DE UMA MELHOR ALIANÇA
Entre em http://www.armazemnadia.com.br/henrique/ALIANCA.HTM 
 
TEXTO ÁUREO:
“Porque este é o concerto que, depois daqueles dias, farei com a casa de Israel, diz o Senhor: porei as minhas leis no seu entendimento e em seu coração as escreverei; e eu lhes serei por DEUS, e eles me serão por povo!” (Hb 8.10).
VERDADE PRÁTICA:
O Antigo Pacto cumpriu o seu objetivo e foi substituído por outro superior, sendo CRISTO o seu mediador.
LEITURA DIÁRIA:
Segunda 1 Tm 2.5 CRISTO, mediador entre DEUS e os homens 
Terça  Hb 8.6 Mediador de melhor concerto 
Quarta Hb 9.15 Mediador da Nova Aliança
Quinta Is 54.10 Aliança da paz 
Sexta Is 55.3 Aliança perpétua
Sábado Jr 31.31 Nova Aliança
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: HEBREUS 8.1-4, 6-13 
1 Ora, a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da Majestade,2 ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem.
3 Porque todo sumo sacerdote é constituído para oferecer dons e sacrifícios; pelo que era necessário que este também tivesse alguma coisa que oferecer.4 Ora, se ele estivesse na terra, nem tampouco sacerdote seria, havendo ainda sacerdotes que oferecem dons segundo a lei,
 
6 Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor concerto, que está confirmado em melhores promessas.7 Porque, se aquele primeiro fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para o segundo.8 Porque, repreendendo-os, lhes diz: Eis que virão dias, diz o Senhor, em que com a casa de Israel e com a casa de Judá estabelecerei um novo concerto, 9 não segundo o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; como não permaneceram naquele meu concerto, eu para eles não atentei, diz o Senhor.10 Porque este é o concerto que, depois daqueles dias, farei com a casa de Israel, diz o Senhor: porei as minhas leis no seu entendimento e em seu coração as escreverei; e eu lhes serei por DEUS, e eles me serão por povo.11 E não ensinará cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior.12 Porque serei misericordioso para com as suas iniqüidades e de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais.13 Dizendo novo concerto, envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho e se envelhece perto está de acabar.
 
PONTO DE CONTATO:
JESUS CRISTO é o Mediador da Nova Aliança. Que significa isso? Qual a importância desse fato? A aliança dada por Moisés deveria ser desprezada? Se todos os rituais e cerimônias do judaísmo haviam perdido o seu valor, o que existia para tomar o seu lugar? Qual seria a base para alguém se comunicar com DEUS? Estas eram as interrogações daqueles crentes hebreus. O presente estudo declara-nos a resposta: a base agora deveria ser JESUS CRISTO. Ele é o Ministro do “verdadeiro tabernáculo” (v.2); o Mediador de superior aliança (v.6). O tabernáculo é a morada de DEUS. Sendo Ministro, JESUS CRISTO nos leva à própria presença de DEUS, onde temos plena comunhão com Ele. Por ser de uma superior aliança, CRISTO nos prepara e equipa para entrarmos e morarmos no Lugar Santíssimo. Aleluia!
OBJETIVOS: No final desta aula seu aluno deverá estar apto a:
Explicar o que é uma aliança.
Definir qual a posição de CRISTO no céu.
Valorizar CRISTO como Ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo.
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ORIENTAÇÃO DIDÁTICA:
Divida a turma em dois grupos (A e B). O grupo A deverá ler Hebreus 8.1-5 e contrastar o ministério sacerdotal 
de CRISTO com o levítico. O grupo B deverá ler Hebreus 8.7-13 e contrastar a Antiga Aliança com a Nova. Dê a 
eles pelo menos 10 minutos para a execução desta tarefa. Utilize o esquema abaixo para orientar esta atividade.
G  R  U  P  O       A
Sacerdócio de CRISTO
Sacerdócio Levítico
Sacerdote perfeito
Sacerdote imperfeito
Sacrifício perfeito
Sacrifício imperfeito
Tabernáculo celestial
Tabernáculo terreno
Real
Sombra
G  R  U  P  O       B
Nova Aliança
Antiga Aliança
Escrita nos corações
Escrita em pedras
Graça
Lei
Incondicional
Condicional
Sem defeito
Defeituoso

COMENTÁRIOS:
 INTRODUÇÃO
A Antiga Aliança implicava mandamentos, estatutos e juízos, os quais não foram observados pelo povo escolhido. Era um concerto transitório, como indica o escritor: “Porque se aquele primeiro fora irrepreensível, 
nunca se teria buscado lugar para o segundo” (v.7). Diante disso, JESUS trouxe uma Nova Aliança, que se estabeleceu, não em atos exteriores, rituais, mas no interior do homem, no entendimento e no coração. Por isso, é um melhor concerto. Que o Senhor nos faça entender esse tema, e que o valorizemos em nossa vida cristã!
I. A POSIÇÃO DE CRISTO NO CÉU
1. “Um sumo sacerdote tal…” (v.1a).
Com esta expressão, a Palavra de DEUS visa mais uma vez enfatizar a singularidade de CRISTO como Sumo Sacerdote, destacando-o e diferenciando-o dos sumo sacerdotes comuns, frágeis, mortais, da Antiga Aliança. A expressão “tal”, aqui, evidencia a incapacidade das palavras humanas para descrever a grandeza de CRISTO. É o que ocorre também em Jo 3.16 (de “tal” maneira).
2. “Assentado nos céus”.
Esta expressão que também aparece em 1.3; 10.12 e 12.2, indica CRISTO, como Sumo Sacerdote perfeito, que realizou sua obra de tal forma que tem o direito de assentar-se no seu trono, ao lado direito do Pai. Já os sacerdotes do Antigo Pacto não podiam assentar-se, pois sua obra nunca terminava. Por isso nunca são descritos como sentados.
3. “À destra do trono da majestade” (v.1b).
CRISTO, à direita de DEUS, está na posição da mais alta honra, nos céus. Em Mc 16.19, está escrito: “Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e assentou-se à direita de DEUS”. JESUS CRISTO é o único ser que tem essa posição de extremo destaque nos céus. Tal verdade nos é transmitida, para que saibamos que o nosso mediador não é um ser celeste qualquer, mas aquele que tem posição de honra, única e destacada, diante de DEUS. As nossas orações são levadas a Ele, que por nós intercede junto ao Pai.

II. O SACERDÓCIO DE CRISTO NOS CÉUS
 1. “Ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo”. Não obstante estar CRISTO assentado à destra de DEUS, e tendo concluído sua obra, quando do seu ministério terreno, Ele é aqui descrito como “ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo” (v.2). Nos céus, o Mestre amado continua a executar seu ministério ou serviço divino, como nosso mediador, intercessor, advogado e Sumo Sacerdote perante o Pai, pois entrou no SANTO dos Santos. 
2. O que cristo faz nos céus. Abrindo um pouco o véu da eternidade, a Bíblia revela-nos algo sobre o trabalho de CRISTO nos céus. De lá, Ele controla todas as coisas, tanto as que estão nos céus, quanto as que estão na terra, no universo, enfim. Ele está assentado “à destra da majestade”, “sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (1.3). É muita coisa! Em relação a nós, diz a Bíblia, que “ele está à direita de DEUS, e também intercede por nós” (Rm 8.34b). Há milhões de crentes, orando todos os dias, em todos os lugares, em todas as mais de 6.000 línguas conhecidas, e JESUS está ouvindo essas orações, e intercedendo por nós. Glória a DEUS! JESUS contempla todos os seus servos e trabalha em favor deles. (Leia Is 64.4.) 
3. Constituído por DEUS (vv.2-4). JESUS, como Sumo Sacerdote constituído por DEUS, no céu, exerce seu trabalho no verdadeiro tabernáculo, fundado pelo Senhor, e não pelo homem. O antigo tabernáculo, montado no deserto, deixou de existir. Sua exuberante glória desapareceu. Salo-mão construiu o majestoso templo, que substituiu o tabernáculo (2 Cr 7.1,11). Mais tarde, esse templo foi destruído e substituído por outro, que também desapareceu. Mas o tabernáculo celeste, no qual CRISTO está, é eterno e indestrutível. 
III. UM NOVO CONCERTO 
1. “Um ministério mais excelente” (v.6a). Mais do que um sacerdote, na terra, JESUS foi o “cordeiro de DEUS”, oferecendo-se a si mesmo como holocausto, entregando sua vida em nosso lugar (cf. Jo 10.15, 28). Agora Ele exerce as funções sumo sacerdotais lá no céu: “ministério mais excelente” (1.4), que o realizado por todos os sacerdotes e sumo sacerdotes terrenos, da Antiga Aliança.2. “Mediador dum melhor concerto” (v.6.b). Numa aliança, existem três elementos envolvidos. As partes, no mínimo duas, e um mediador. No Antigo Pacto, vemos DEUS de um lado e o povo de Israel de outro. O mediador era o sacerdote ou o sumo sacerdote. Foi DEUS quem propôs e estabeleceu a Antiga Aliança. Os sacerdotes fizeram seu trabalho, mas fracassaram. Foram mediadores deficientes e falhos. O lado humano, representado por Israel, arruinou-se apostatando. Mas DEUS, por sua infinita misericórdia, proveu-nos um Novo e melhor Concerto, “confirmado em melhores promessas” (v.6), através de CRISTO.
3. O novo concerto aboliu o antigo (v.7). “Porque, se aquele primeiro fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para o segundo”. Em Jeremias, lemos: “Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel  depois daqueles dias, diz o SENHOR: porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu DEUS, e eles serão o meu povo” (Jr 31.33). Ver Ez 36.25,26. Isto é muito significativo. No Antigo Pacto, o culto era mais exterior: havia os sacrifícios de animais, os rituais, a guarda dos sábados, das luas novas, etc. O Novo Concerto trazido por CRISTO, em tudo é superior. A lei de CRISTO é colocada no coração do homem. Em lugar de todos os sacrifícios do Antigo Pacto, CRISTO, entregando-se na cruz, efetuou um único e suficiente sacrifício, expiador e redentor. Glória a DEUS!
CONCLUSÃO
Não devemos ter nenhuma dúvida quanto a validade da Nova Aliança, perpetrada por CRISTO. O apóstolo Paulo escrevendo aos Coríntios, asseverou: “Assim que, se alguém está em CRISTO, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17). Isso se refere a quem aceitou a CRISTO, deixando os velhos pecados e costumes, e que deve valorizar a cada dia a salvação em CRISTO JESUS, não voltando às velhas práticas. É preciso ter firmeza na fé.
 
Subsídio Bibliológico
“O novo santuário e a nova aliança (Cap. 8). Antes de considerar detalhadamente a obra sacerdotal de CRISTO (cap. 9;10.1-18), o autor apresenta um panorama geral, quanto à natureza, da relação entre o novo santuário (8.1-6) e a Nova Aliança (8.7-13).
1. O novo santuário
O autor inicia o argumento dizendo: “Quanto ao assunto em discussão, este ponto é principal (a essência do que temos dito) porque agora possuímos um Sumo Sacerdote, e Ele já está exercendo a obra sacerdotal condigna à sua posição no santuário celeste”. Este santuário foi divinamente estabelecido sobre o trono da majestade nas alturas (vv.1,2).
A obra de CRISTO como Sumo Sacerdote, nas regiões celestiais, de maneira nenhuma poderia cumprir-se na terra, pois no tempo que foi escrita a epístola ainda havia uma ordem sacerdotal (ultrapassada, contudo ainda funcionando) estabelecida pela lei mosaica. Uma vez que CRISTO não pertencia à tribo de Levi (7.13,14), naturalmente não podia atuar com eles (vv.5,6).
2. A nova aliança
O sistema levítico baseava-se numa aliança que até os profetas reconheceram imperfeita e transitória, pois falavam do propósito divino de estabelecer uma nova. Se a primeira fosse perfeita, não haveria procura por uma segunda aliança (v.7). Daí entendemos que havia no coração do povo santo que viveu no Antigo Testamento um senso de satisfação. Procuravam algo superior. E essa aliança melhor já fora prometida, como provam as Escrituras (Jr 31.31-34; Ez 36.25-29; vv. 8-12).
Características da Nova Aliança:
·Inclui todo o povo da Antiga Aliança — Israel e Judá — e mais os gentios (v.8)
·É distinta da Antiga Aliança, instituída no tempo do Êxodo (v.9), através da qual DEUS ordenou uma nação em tudo separada e exclusiva, para testemunho do seu poder. A nação de Israel veio servir de tipo à “nação santa” (assim representada pela igreja, 1 Pe 2.9), que seria levantada pela Nova Aliança.·Possui características positivas, de ordem espiritual e subjetiva. Sua eficiente operação transformaria o coração daqueles que cressem, de um modo tão definitivo que os mandamentos fariam parte da personalidade deles (v.10).·É universalmente eficaz em favor de todos os povos, incluindo a “casa de israel”, de quem o Senhor seria individualmente conhecido (v.11).·Apoia-se na graça de DEUS, suficiente para prover um perdão absoluto. O pecado seria removido até da memória divina (v.12).” (Comentário Bíblico - Hebreus, CPAD, págs.145-147.)
QUESTIONÁRIO:
1. Que quis dizer o escritor da Carta aos Hebreus com a expressão “um sacerdote tal?”
R. Mostrar a singularidade do sacerdócio de CRISTO.
2. Que significa, no texto, CRISTO “assentado” no céu?
R. Significa que CRISTO, como Sumo Sacerdote perfeito, realizou sua obra de modo tão exato que tem o direito 
de assentar-se no seu trono, ao lado do Pai.
3. Por que JESUS é apontado como “Ministro do Santuário, e do verdadeiro Tabernáculo”? 
R. Porque Ele continua a executar seu ministério divino, pois entrou no lugar SANTO dos Santos. 
4. Por que o novo concerto substituiu o antigo?
R. Porque o antigo concerto envelheceu, perdendo sua finalidade com o tempo.
5. Onde DEUS prometeu escrever o novo concerto com Israel?
R. No interior do coração.
LIÇÃO 9 - CRISTO TROUXE MAIOR GLÓRIA NA ADORAÇÃO A DEUS
Entre em http://www.armazemnadia.com.br/henrique/A_Adoracao.HTM 
 
TEXTO ÁUREO: 
“Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor concerto, que está confirmado em melhores promessas” (Hb 8.6).
 
VERDADE PRÁTICA:
Com CRISTO, o culto a DEUS passou a ter uma glória maior do que no antigo pacto, pois Ele substituiu os símbolos 
rituais pela realidade da verdadeira adoração.
LEITURA DIÁRIA:
Segunda Êx 2.24 Um concerto com Abraão, Isaque e Jacó
Terça  Dt 4.13 Um concerto em tábuas de pedra
Quarta Jr 31.32 Um concerto invalidado
Quinta Jr 31.31 Um Novo Concerto com Israel
Sexta Jr 31.33 Um Novo Concerto no coração
Sábado Rm 8.1 Um Concerto sem condenação
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE:  HEBREUS 9.1,2,11,12,15,22-28 
1 Ora, também o primeiro tinha ordenanças de culto divino e um santuário terrestre. 2 Porque um tabernáculo estava preparado, o primeiro, em que havia o candeeiro, e a mesa, e os pães da proposição; ao que se chama o Santuário.
 11 Mas, vindo CRISTO, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação,12 nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção. 15 E, por isso, é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna.
 22 E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão.23 De sorte que era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem; mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios melhores do que estes. 24 Porque CRISTO não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer, por nós, perante a face de DEUS; 25 nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no Santuário com sangue alheio. 26 Doutra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas, agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.27 E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo,28 assim também CRISTO, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação.
PONTO DE CONTATO:
Antes de falar sobre as glórias do sacerdócio de CRISTO, o escritor apresenta em retrospecto o ministério 
levítico, descrevendo o Tabernáculo com seus dois compartimentos, o Lugar SANTO e o SANTO dos Santos. Havia algo de belo e majestoso nessa antiga administração do culto e serviço sacerdotal, o qual, pelo contraste, enaltece a glória da nova ordem cristã. DEUS ordenou ao povo de Israel que construísse um santuário, e orientou-o em cada detalhe desta construção. Em razão de ser a habitação de DEUS no deserto, o povo o venerava. Entretanto, o tabernáculo e seus elementos eram passageiros e inferiores a CRISTO.
 
OBJETIVOS: Após esta aula seu aluno deverá estar apto a:
Relacionar os elementos que compunham os móveis do tabernáculo.
Reconhecer CRISTO como sacerdote dos bens futuros e da nossa confissão.
Identificar o sacrifício de CRISTO como perfeito e absoluto.
ORIENTAÇÃO DIDÁTICA:
Se possível, amplie no quadro de giz a figura abaixo. Em seguida convide sete dos seus alunos para colocarem o nome das peças do tabernáculo no lugar correspondente.

1. Altar do holocausto
2. Bacia de bronze
3. Mesa dos pães da proposição
4. Candeeiro de ouro
5. Altar do incenso
6. Arca da aliança
7. Propiciatório 
COMENTÁRIOS:
INTRODUÇÃO
Nas lições referentes aos capítulos de 8 a 10 da epístola em estudo, vemos a diferença marcante entre o 
ministério sacerdotal, no antigo pacto, e o de CRISTO, como Sumo Sacerdote no Novo Concerto. Nesta lição, que dá seqüência ao tema da anterior, veremos, mais uma vez, que, em todos os aspectos, o Novo Concerto é melhor e mais glorioso que o primeiro. 
I. O CULTO DIVINO EM SANTUÁRIO TERRESTRE
1. O culto no lugar santo do tabernáculo (9.1,2). O taber-náculo, onde as atividades do culto eram intensas, dividia-se em três partes: o Pátio, o Lugar SANTO e o SANTO dos Santos. O v.2 refere-se à segunda parte – o lugar santo, chamando-o “o primeiro”, pelo fato dele ser a primeira das duas partes cobertas: o Lugar SANTO e o SANTO dos Santos. O Pátio era descoberto.
2. Os elementos do Lugar SANTO. Após o véu da entrada, viam-se três elementos importantes na segunda parte do tabernáculo: “o candeeiro, a mesa e os pães da proposição” (v.2). O tabernáculo revelava que DEUS queria manifestar-se no meio de seu povo (Êx 25.8). Hoje, devemos valorizar o ambiente do templo, na igreja local, pois é consagrado ao culto a DEUS.
a) O candeeiro, castiçal ou candelabro. Era uma peça maciça, de ouro puro, cujas lâmpadas eram acesas diariamente (Êx 25.31; Lv 24.1-4), representando CRISTO, a luz do mundo (Jo 8.12);
b) Os pães da proposição. Ficavam sobre a mesa, que era um móvel de madeira de cetim, reves-tida de ouro. Os pães da proposição eram um tipo de CRISTO, o pão da vida (Jo 6.35). 
c) O altar do incenso. O escritor não fala do altar do incenso, mas este também estava no Lugar SANTO (ver Êx 30.1-3) representando CRISTO, nosso intercessor (Jo 17 1-26; Hb 7.25). Ele ocupava uma posição central no santuário, indicando que a vida de oração é fundamental no culto a DEUS. A negligência à oração revela imaturidade espiritual.
3. O lugar SANTO dos Santos (vv. 3-7). No seu interior, estava a arca do concerto, com a sua cobertura ou propiciatório, com querubins entalhados nas extremidades (Êx 25.10). A arca representava a presença de DEUS ou CRISTO, nosso Emanuel, que é DEUS conosco (Mt 1.23). Na arca, estavam o maná, em memória da provisão de DEUS, ou CRISTO, o “pão que desceu do céu” (Jo 6.58); a vara de Arão, lembrando a fidelidade de DEUS; e as tábuas do concerto, para que o povo não se esquecesse da importância da lei. Mas havia um véu, separando o Lugar SANTO do Lugar Santíssimo (vv.3,7,8). Aquele véu indicava “que ainda o caminho do Santuário não estava descoberto, enquanto se conservava em pé o primeiro tabernáculo” (v.8). Quando oramos, não devemos ficar “no Pátio” (oração monótona). Precisamos passar ao “Lugar SANTO” (oração objetiva) e chegar ao “SANTO dos Santos” (oração no ESPÍRITO).
II. UM MAIOR E MAIS PERFEITO TABERNÁCULO
1. CRISTO, Sumo Sacerdote dos bens futuros (v.11). Esses “bens futuros” ainda não estão plenamente ao nosso alcance. A salvação é presente, mas depende de nossa perseverança até o fim (Mt 10.22; 24.13; cf. Rm 13.11). O reino absoluto de CRISTO e a feliz eternidade com DEUS nos aguardam. Os céus nos esperam. A Nova Jerusalém está preparada para os santos do Senhor.
2. Um perfeito tabernáculo (v.11). O tabernáculo celestial, “não feito por mãos”. Os utensílios do antigo 
tabernáculo desapareceram. Onde estará a arca? O altar do incenso? Não se sabe. Porém CRISTO, ao morrer, fez com que o véu do templo (em Jerusalém) se rasgasse de alto a baixo, demonstrando que o caminho para o verdadeiro santuário, que é a presença de DEUS, estava definitivamente aberto para o homem que nEle crê. 
3. Mediador de um Novo Testamento. 
a) O Velho Testamento foi superado. O Velho Testamento era a sombra das coisas celestes, providas por DEUS para a redenção do homem. A lei, que orientava o culto no antigo santuário, não justificou ninguém (Gl 3.11). Pelo contrário, os que estavam debaixo das obras da lei estavam sob maldição, por não poderem cumprir todas as suas cláusulas (Gl 3.10).
b) O Novo Testamento é superior. CRISTO tornou-se “Mediador de um Novo Testamento” (v.15), que contém as cláusulas marcantes e definitivas do novo relacionamento de DEUS com o homem, e deste com DEUS. Ele “entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (v.12). 
c) A morte do testador. O testamento só tem validade com a morte do testador (v.16). Uma vez que CRISTO morreu, o Novo Testamento passou a ter validade, garantindo-nos uma “herança eterna” (v.15). No antigo tabernáculo, a expiação dos pecados era temporária e parcial. No novo, com a garantia do Novo Testamento, a redenção é perfeita, definitiva e perene. 
d) Sacerdote imaculado (v.14). Os sacerdotes eram imperfeitos. CRISTO, nosso Sumo Sacerdote, com seu 
sangue, “pelo ESPÍRITO eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a DEUS”, purificando as consciências “das obras mortas” para que sirvamos ao DEUS vivo (v.14). O Velho Testamento era validado pelo sangue de animais (v.19). O Novo legitimou-se pelo sangue de CRISTO, derramado em nosso lugar.
III. O SACRIFÍCIO PERFEITO DE CRISTO
1. “Sem derramamento de sangue não há remissão” (v.22). A Bíblia ressalta que, no antigo tabernáculo, “quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue”, enfatizando que “sem derramamento de sangue não há remissão” (cf. Lv 17.11). Aqui, vemos a importância do sangue para a expiação do pecado, no Velho Testamento. Isso quer dizer que, quando um animal era oferecido em sacrifício pelo pecado, DEUS aceitava a oferta por atribuir a ela o valor provisório do resgate do pecador ofertante. O sangue era símbolo da outorga da vida, que era dada em expiação. Tal sacrifício apontava para o sangue de CRISTO, que seria derramado em nosso lugar.
2. “Sacrifícios melhores” (v.23). O escritor diz que “era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem”, ou seja, deviam purificar-se com sangue. Cada animal morto, substituto do pecador, apontava para o “Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Os sacrifícios antigos eram repe-titivos. O de CRISTO foi efetuado uma única vez, por ser superior e perfeito.
3. A entrada de CRISTO no céu (v.24). CRISTO entrou “uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (v.12). O sacerdote entrava todos os dias no santuário, isto é, no Lugar SANTO, mas só conseguia a remissão parcial e temporal do pecado. O sumo sacerdote entrava somente uma vez por ano no SANTO dos Santos e oferecia sacrifícios pelo povo e por si próprio, pois também era pecador (cf. v.7). No entanto, CRISTO entrou “no mesmo céu, para agora comparecer, por nós, perante a face de DEUS”. Ele é nosso intercessor perfeito (Rm 8.34), juntamente com o outro maravilhoso intercessor, que é o ESPÍRITO SANTO (Rm 8.27). 
4. CRISTO aparecerá pela segunda vez (vv.27,28). Aqui a Bíblia diz que CRISTO “uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo”, oferecendo-se para “tirar os pecados de muitos”, e que Ele voltará, pela segunda vez, “aos que o esperam para a salvação”. 
CONCLUSÃO
O Novo Concerto trazido por CRISTO realizou-se através de um sacrifício perfeito e único, que não precisa repetir-se, em substituição aos sacrifícios imperfeitos do antigo concerto. Assim, sejamos gratos a DEUS pela morte de CRISTO na cruz do Calvário, o qual por nós efetuou uma eterna redenção.
Subsídio Teológico
“A expiação da Nova Aliança (9.11-22). O tema de reforma introduz um santuário melhor, um sacrifício eficiente e uma salvação mais completa. O serviço do sumo sacerdote judaico no Dia da Expiação representava o clímax do sistema levítico. Nesse dia, todo ano, ele entrava na presença divina, num tabernáculo terreno, levando o sangue expiatório de animais. Sob a Nova Aliança, CRISTO, “o sumo sacerdote dos bens futuros”, entrou uma vez para sempre no próprio tabernáculo, levando o seu próprio sangue como expiação.O sangue de touros e de cabras efetuava apenas purificação ritualística e simbólica, de alcance limitado, mas o sangue de CRISTO, oferecido como sacrifício espiritual e vivo, executa a purificação interior, que traz comunhão com o DEUS vivo (vv. 13,14). 
O bispo Westcott observa o seguintes itens pelos quais o sangue de CRISTO é superior, partindo da análise de seu sacrifício, que foi:
a) voluntário, ao contrário dos sacrifícios exigidos pela Lei;
b) racional, e não como o dos animais (irracionais);
c) espontâneo, e não em obediência a ordens superiores;
d) moral, como oferta de si próprio por ação do supremo poder nEle residente (o ESPÍRITO Eterno), pelo qual mantinha comunhão com DEUS. Não seguiu meramente um rito, um esquema predeterminado. Não! Ele detinha os mais puros motivos.” (Comentário Bíblico — Hebreus, CPAD, págs. 148,149) 
QUESTIONÁRIO:
1. Quantas partes tinha o tabernáculo no AT?
R. Três partes.
2. Que significado espiritual tinha o véu, entre o lugar santo e o SANTO dos Santos?
R. Indicava que o acesso a DEUS não estava livre.
3. O que CRISTO fez, antes de entrar no santuário celeste?
R. Efetuou uma eterna redenção pelo seu próprio sangue.
4. O que é necessário para que um testamento tenha validade?
R. A morte do testador.
5. Por que CRISTO não ofereceu sacrifícios por si mesmo?
R. Porque não teve pecado.
LIÇÃO 10 - A EFICÁCIA DO SACRIFÍCIO DE CRISTO
 
TEXTO ÁUREO:
“Porque, tendo a lei a sombra dos bens futuros e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos 
sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” (Hb 10.1)
VERDADE PRÁTICA 
Os sacrifícios diários do Antigo Concerto não foram eficazes para a salvação dos pecadores. O sacrifício de CRISTO, oferecido uma só vez, garante-nos a certeza da eterna salvação, pela fé em seu nome.
 
LEITURA DIÁRIA:
Segunda Cl 2.17 Sombra das coisas futuras
Terça  Lv 16.21 Pecados sobre um animal 
Quarta Mq 6.6,7  Dúvidas quanto ao sacrifício
Quinta Sl 40.6 Sacrifício rejeitado
Sexta Jo 17.19 JESUS santificou-se por nós
Sábado Hb 9.12 Uma eterna redenção
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE:
HEBREUS 10.1,3,4 , 9-12,14 ,19,22-25 
1 Porque, tendo a lei a sombra dos bens futuros e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam. 3 Nesses sacrifícios, porém, cada ano, se faz comemoração dos pecados,4 porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire pecados.
12 mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de DEUS, 14 Porque, com uma só oblação, aperfeiçoou para sempre os que são santificados.
22 cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado com água limpa, 23 retenhamos firmes a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que prometeu. 24 E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos à caridade e às boas obras, 25 não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes, admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia.
 
PONTO DE CONTATO:
Os profetas anunciaram uma Nova Aliança. Em que ela se baseia? Qual a sua precípua finalidade? Ela indica o único caminho que conduz o homem a DEUS. A Nova Aliança propicia a entrada ao trono divino, mediante o perdão e o esquecimento de todos os pecados. CRISTO inaugurou-a com o sacrifício de si mesmo. Agora já não precisamos continuar fazendo os sacrifícios levíticos. O que aqueles sacrifícios não podiam fazer, foi feito pelo sacrifício de CRISTO sobre a cruz.
 
OBJETIVOS: No final desta aula seu aluno deverá esta apto a:
Descrever a forma como o Velho Pacto foi substituído pelo Novo.
Enunciar os privilégios e responsabilidades dos crentes no Novo Pacto.
Valorizar o sacrifício perfeito de CRISTO.
ORIENTAÇÃO DIDÁTICA:
O preparo da lição faz parte dos deveres do professor, e deve ser feito tendo em vista a necessidade do aluno, e não a do professor. O que interessa a um aluno adulto, não interessa a um jovem ou a uma criança. Preparar uma lição sem pensar nisso é ficar diante da classe pregando no deserto. O professor deve preparar a lição tendo em mira três propósitos para com o aluno: 1) O que desejo que meus alunos aprendam? 2) O que desejo que meus alunos sintam? 3) O que desejo que meus alunos façam? (A Escola Dominical, CPAD.) Para esta lição, peça a seus alunos que tentem identificar, no texto em estudo, quais as quatro fraquezas do sacrifício levítico. Observe o esquema abaixo:
Os sacrifícios levíticos...
1) Não podem tornar perfeitos os ofertantes (v.1);
2) Não podem satisfazer a consciência quanto ao pecado (v.2);
3) Não podem apagar a memória dos pecados (v.3);
4) Não podem tirar os pecados (v.4).
 
COMENTÁRIOS:
INTRODUÇÃO
No Antigo Testamento, os sacrifícios eram repetidos todos os dias por sacerdotes comuns. O sumo sacerdote entrava todos os anos no lugar santíssimo para oferecer sacrifícios por si mesmo e pelo povo. Mas, como tudo isso era “sombra dos bens futuros”, tais sacrifícios não aperfeiçoavam ninguém. Com CRISTO, nosso Sumo Sacerdote, temos a certeza da plena salvação que nos aperfeiçoa, até que um dia cheguemos “a varão perfeito, à medida da estatura completa de CRISTO” (Ef 4.13). E isso só ocorrerá no céu.
I. SACRIFÍCIOS INEFICAZES
1. A sombra dos bens futuros (v.1). O Antigo Pacto se constituía de sacrifícios, holocaustos, oblações e 
oferendas, que eram figuras “dos bens futuros”, ou seja, do evangelho de CRISTO, que nos trouxe as riquezas da graça de DEUS, a começar pela salvação de nossas almas, através do sacrifício vicário de JESUS. Por serem sombras e não a realidade, os sacrifícios de animais não puderam aperfeiçoar “os que a eles se chegam”. 
2. O sangue de animais não tirava os pecados (vv.2-4). Para que serviam aquelas ofertas, se o escritor diz que “é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire pecados” (v.2)? Os sacrifícios não levavam os homens a DEUS, mas serviam, por antecipação, de meio para expiação. A palavra expiação no hebraico tem o significado de “cobrir” os pecados, num delito contra a Lei.
3. DEUS preparou um corpo para JESUS (v.5). Somente no corpo humano (encarnação), Ele poderia ser aceito por DEUS como oferta perfeita no lugar do homem pecador. No Antigo Testamento, os sacrifícios eram substitutos imperfeitos. O corpo de CRISTO foi a solução de DEUS para substituir todos os sacrifícios imperfeitos do Antigo Testamento. Seu sangue, derramado na cruz, não apenas cobriu os pecados, mas tirou-os, e lançou-os nas profundezas do mar (Mq 7.19). João exclamou: “Eis o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).
II. O PRIMEIRO FOI TIRADO PARA O ESTABELECIMENTO DO SEGUNDO
1. CRISTO obedeceu a DEUS (v.9). JESUS foi obediente até à morte (Fp 2.8). Ele cumpriu todos desígnios divinos no intuito de salvar o homem da perdição eterna. Sua morte foi prova inconteste da sua total resignação, obediência e submissão à vontade de DEUS. Ele afirmou: “Eis aqui venho, para fazer, ó DEUS, a tua vontade”. 
Trata-se de uma lição de valor espiritual inigualável para todos nós: JESUS, sendo DEUS, voluntariamente 
despojou-se de sua glória, e apresentou-se ao Pai na disposição irrestrita de cumprir cabalmente o plano divino de redenção da humanidade (ver Fp 2.5-8). 
2. O Velho Pacto substituído pelo Novo (v.9). Ao dizer a Escritura “tira o primeiro para estabelecer o segundo”, vemos a substituição definitiva do antigo sistema legal mosaico, no qual os sacrifícios eram ineficazes para salvação, pelo Novo Pacto, estabelecido por CRISTO, com seu sacrifício perfeito. 
3. Comparação entre o velho e o Novo Concerto. A lei não transformava o homem em termos morais; o 
evangelho de CRISTO transforma, pois “é o poder de DEUS para salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16); a lei apenas condenava o culpado; a graça de DEUS o liberta. A lei consistia de símbolos da realidade; a graça consiste na realidade dos símbolos; a lei era “o ministério da morte” (2 Co 3.7); a graça é “lei do ESPÍRITO de vida, em CRISTO JESUS” (Rm 8.2). 
III. UM SACRIFÍCIO PERFEITO
1. Santificados pela obla-ção do corpo de CRISTO (v.10). Oblações eram ofertas incruentas (sem sangue), 
inanimadas, oferecidas a DEUS tais como: vinho, azeite, flor de farinha, etc. Se de um lado, CRISTO ofereceu seu próprio sangue como holo-causto em nosso favor, por outro, Ele foi aceito como oferta de cheiro suave a DEUS, “feita uma vez”, de modo que, em CRISTO, somos aceitos por DEUS.
2. Sacrifício único (vv. 11-14). O escritor lembra que os sacerdotes, no Velho Pacto, diariamente ofereciam sacrifícios que não podiam tirar pecados. E acentua que CRISTO ofereceu “um único sacrifício pelos pecados”, demonstrando a eficácia do seu auto oferecimento a DEUS pelos pecadores. Acrescenta que CRISTO está “assentado para sempre à destra de DEUS” “...esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés”. 
3. Sacrifício que aperfeiçoa. Diferente dos sacrifícios do Antigo Pacto, que apenas cobriam temporariamente o pecado, mas não transformava o pecador, o sacrifício de CRISTO constituiu-se “numa só oblação”, que “aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (v.13; ver v.10). Aqui temos algo que a lei não podia fazer: santificar as pessoas. Com o advento da graça, somos santificados pela Palavra (Jo 17.17), pela fé em CRISTO (At 26.18) e pelo sangue de JESUS (1 Pe 1.2).
IV. PRIVILÉGIOS E RESPONSABILIDADES DO CRENTE EM JESUS
1. Entrar no santuário de DEUS (v.19). No Antigo Pacto, as pessoas comuns do povo não podiam adentrar no santuário propriamente dito. Só chegavam até ao pátio, que era a parte exterior do tabernáculo. Em CRISTO, no entanto, homens e mulheres salvos são “sacerdotes reais” (1 Pe 2.9), e têm “ousadia para entrar no Santuário pelo sangue de JESUS”. Este é um privilégio que só os fiéis lavados e remidos pelo sangue de CRISTO podem ter. 
Tais crentes não precisam de medianeiros, guias, orixás ou gurus. JESUS é “o único mediador entre DEUS e o homem” (1 Tm 2.5).
2. Como chegar a DEUS (vv.22-25). Não se pode chegar a DEUS de qualquer maneira. O escritor, em sua incisiva exortação, nos mostra os cuidados que devemos ter para chegarmos à presença de DEUS: 
a) “Com verdadeiro coração”. Só podemos ter acesso ao Pai e ser aceitos por Ele se tivermos um coração sincero, limpo e puro (Mt 5.8). 
b) “Em inteireza de fé”. O crente, ao buscar a presença de DEUS, não pode ter dúvida alguma de sua 
existência, do seu poder e de sua graça. 
c) “Tendo o coração purificado da má consciência”. Para DEUS não valem as aparências. Ele vê o interior do homem. O salmista disse que DEUS nos sonda e entende o nosso pensamento (Sl 139.1,2). Se dermos lugar à iniquidade, Ele não nos ouvirá (Sl 65.18).
d) “O corpo lavado com água limpa”. Certamente, o texto bíblico aqui refere-se à purificação do crente pela Palavra, como se lê em Ef 5.26: “purificando-a com a lavagem da água, pela Palavra”, isto em relação à Igreja. 
e) Retendo firmes a confissão da esperança. Em Hb 3.6 somos exortados a “conservar firme a confiança e a glória da esperança até ao fim”. A confissão da esperança indica a nossa fé nas gloriosas e infalíveis promessas de DEUS, “porque fiel é o que prometeu”.
f) Considerando uns aos outros, estimulando-nos “à caridade e às boas obras”. O bom relacionamento entre os crentes é condição importante para o acesso a DEUS. A caridade (amor em ação) é a marca do cristão. Boas obras são dever do salvo (Ef 2.10).
g) “Não deixando a nossa congregação”. Aqui não se refere ao sentido físico: deixar a igreja local para ir congregar-se em outro bairro; mas sim, que não devemos deixar de congregar-nos, de nos reunirmos, tendo em vista a necessidade da comunhão coletiva. Somos membros uns dos outros (Rm 12.5). É equivocada e carnal a idéia de que alguém pode ser “crente em casa”, a menos que esteja doente.
h) “Admoestando-nos uns aos outros”. Admoestar, aqui, tem no original o sentido de animar, encorajar. Essa prática, quando realizada com amor, tem grande efeito no fortalecimento e encorajamento espiritual da comunidade cristã. 
CONCLUSÃO
Diante do que estudamos nesta lição, cremos que não há lugar para qualquer dúvida quanto à superioridade do Novo Concerto, baseado no perfeito e único sacrifício de CRISTO em relação ao antigo, realizado na base de sacrifícios de animais, que apenas cobriam provisoriamente os pecados do povo.
Subsídio Teológico
“O sangue dos touros (Hb 10.4). O sangue de animais era apenas uma provisão ou expiação temporária pelos pecados do povo; em última análise, era necessário um homem para servir como substituto da humanidade. Por isso, CRISTO veio à terra e nasceu como homem a fim de que pudesse oferecer-se a si mesmo em nosso lugar (2.9,14). Além disso, somente um homem isento de pecado poderia tomar sobre si nosso castigo pelo pecado (2.14-18; 4.15) e, assim, de modo suficiente e perfeito, satisfazer as exigências da santidade de DEUS (cf. Rm 3.25,26).
“Aperfeiçoou para sempre os... santificados (Hb 10.14). A oferenda única de CRISTO na cruz e seu resultado (i.e., a salvação perfeita) são eternamente eficazes todos quantos estão santificados ao se chegarem a DEUS por meio de CRISTO (v.22;7.25) Note que a palavra no grego “santificar”, aqui e no versículo 10, são particípios presentes que enfatizam a ação contínua no tempo presente.
“Quando vedes que se vai aproximando aquele dia (Hb 10.25). O dia da volta de CRISTO para buscar os seus fiéis está se aproximando. Até chegar esse dia, enfrentaremos muitas provações espirituais e muitas falsificações na doutrina. Devemos congregar-nos regularmente para encorajarmos mutuamente e nos firmarmos em CRISTO e na fé apostólica do novo concerto.” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, págs. 1914, 1915.)

QUESTIONÁRIO:
1. Por que os sacrifícios de animais não puderam aperfeiçoar os ofertantes?
R. Por serem sombras “dos bens futuros”, e não a realidade. 
2. Qual o significado da palavra expiação?
R. Significa “cobrir” os pecados, como exigência para a reparação de um delito.
3. Por que DEUS preparou corpo para JESUS?
R. Porque somente no corpo da carne (na encarnação), Ele poderia ser aceito por DEUS como substituto 
perfeito para o homem pecador.
4. Que significa a expressão: “tira o primeiro para estabelecer o segundo”?
R. Refere-se à substituição definitiva do antigo pelo novo concerto. 
5. Que significa a expressão “não deixando a nossa congregação”?
Que não devemos deixar de reunirmos, tendo em vista a necessidade da comunhão coletiva.
LIÇÃO 11 - O PECADO IMPERDOÁVEL:
 
TEXTO ÁUREO:
“Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados” (Hb 10.26). 
 
VERDADE PRÁTICA:
Há situações específicas em que o pecador se coloca deliberadamente contra CRISTO, num estado tão tenebroso de iniquidade que se torna impossível sua restauração.
 
LEITURA DIÁRIA:
Segunda Nm 15.30 A alma extirpada do meio do povo
Terça 2 Pe 2.20 O último estado pior do que o primeiro
Quarta 2 Pe 2.21 Desvio perigoso
Quinta Ez 36.5 Menosprezando a DEUS
Sexta Dt 17.2 Traspassando o concerto
Sábado Mt 12.31,32 Pecado que não será perdoado
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - HEBREUS 10.26-31,38,39 
26 Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados,27 mas uma certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo, que há de devorar os adversários.28 Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas.29 De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de DEUS, e tiver por profano o sangue do testamento, com que foi santificado, e fizer agravo ao ESPÍRITO da graça?30 Porque bem conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu darei a recompensa, diz o Senhor. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo.31 Horrenda coisa é cair nas mãos do DEUS vivo.
38 Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele.39 Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma.
 
PONTO DE CONTATO:
Os homens precisam aceitar o sacrifício de CRISTO, senão sofrerão o juízo eterno. Não há outra alternativa. O escritor aos hebreus apresenta a salvação como presente para os que esperam a CRISTO; mas para os que rejeitam o seu sacrifício, há apenas uma expectação terrível de juízo “prestes a consumir os adversários”. O apóstolo Pedro diria a essas pessoas: “Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado”. 
 
OBJETIVOS: Após esta aula seu aluno deverá estar apto a:
Identificar o pecado considerado por DEUS como imperdoável.
Escolher não desprezar o sacrifício feito pelo Filho de DEUS.
Definir qual é o castigo reservado à quem apostata da fé e pisa o Filho de DEUS.
ORIENTAÇÃO DIDÁTICA:
Divida sua turma em pequenos grupos de 2 a 4 alunos cada. Os grupos deverão discutir por 5 minutos sobre a parte “b” do versículo 26, que diz: “...já não resta mais sacrifício pelos pecados?” Perguntas para o início da discussão: Qual o significado dessa expressão? Qual a sua abrangência? Ao término do tempo estipulado para esta atividade, reúna os grupos e anote suas conclusões no quadro de giz. Observe se as respostas concordam com a afirmativa abaixo. Essas palavras devem ser entendidas em dois sentidos a saber: 1) Não pode haver outro sacrifício, além daquele que já foi feito – o de CRISTO – , que possa conferir perdão de pecados. Os sacrifícios levíticos foram abolidos; não têm valor para fazer expiação e não pode haver um novo sacrifício expiatório. 2) Mas além disso, o escritor sagrado indica que o pecado da apostasia é fatal; está fora do alcance do perdão divino.
 
COMENTÁRIOS:
INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre o pecado da apostasia, para o qual “não resta mais sacrifício”. Esse tipo de pecado era conhecido entre os rabinos do Antigo Testamento. Naquela ocasião, somente os pecados de 
ignorância podiam ser expiados; se um homem pecasse deliberadamente, com pleno conhecimento de sua maldade, não haveria mais sacrifício em seu favor; simplesmente seria excluído do seu povo. Sua iniqüidade permaneceria sobre ele e não teria direito ao perdão. Este assunto tem sido motivo de muitos questionamentos. 
I. PECADO VOLUNTÁRIO 
No capítulo 3 de Hebreus, está escrito: “Vede irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do DEUS vivo” (v.12). “O termo gr. aphistemi, traduzido ‘apartar’ é definido como decaída, deserção, rebelião, abandono, retirada ou afastar-se daquilo a que antes se estava ligado” (Bíblia de Estudo Pentecostal). Trata-se de apostasia. “Esse pecado consiste na rejeição consciente, maliciosa e voluntária da evidência e convicção do testemunho do ESPÍRITO SANTO, com respeito à graça de DEUS manifesta em JESUS CRISTO” (Oliveira). É nesse contexto que devemos entender o presente tema.
1. Tendo conhecido a verdade (v.26). O texto sagrado refere-se a um tipo de pecado espontâneo, consciente. O conhecimento da verdade aqui mencionado não é o rudimentar, experimentado pelo novo convertido, ou por aquele crente de vida cristã superficial, mas o conhecimento da verdade divina no sentido amplo (epignosis).
2. Não resta mais sacrifício. “Já não resta mais sacrifício pelos pecados”, assevera o texto sagrado. Trata-se dos pecados insolentes, que se constituem numa afronta inominável a DEUS. Pecar assim é um atentado à santidade do Altíssimo. É loucura que trará sérias conseqüências. 
A verdade divina liberta (Jo 8.32) quando o pecador a recebe de coração. No entanto, quando a verdade é desprezada de modo deliberado, consciente, doloso, reincidente e ofensivo, por quem a conhece bastante, 
torna-se impossível o perdão porque tal pessoa repudia e repele para longe de si a graça de DEUS, que pode levá-la ao arrependimento. No contexto iníquo já descrito, tal pessoa peca não somente contra o Filho, mas também contra o Pai, que o enviou, e contra o ESPÍRITO SANTO, que nos convence do pecado. Quem então convencerá tal pessoa do seu pecado?
3. Só resta uma expectação horrível (v.27). Não havendo mais sacrifício pelo pecado, o que resta? Só resta “a expectação horrível de juízo e ardor de fogo, que há de devorar os adversários”. Só lhe espera uma sentença: “Horrenda coisa é cair nas mãos do DEUS vivo” (v.31).
II. DESPREZANDO O ÚNICO SACRIFÍCIO QUE SALVA
1. Pisando o Filho de DEUS (v.29). Na lei de Moisés, a palavra de duas ou três pessoas era válida para que um sacrílego fosse condenado sem misericórdia (Dt 17.2-6). Para aquela pessoa, não havia mais apelação: a morte era certa. Quem pisar o Filho de DEUS, um “maior castigo” lhe sobrevirá. Desprezar o evangelho é considerar sem valor o sacrifício de CRISTO; é zombar da salvação, desprezar tudo o que há de sagrado na igreja de CRISTO depois de ter conhecido a verdade proveniente dos Santos Oráculos. 
2. Profanando o sangue do testamento (v.29b). Significa considerar o sangue do Filho de DEUS como sangue comum, profano, sem nenhum valor sagrado ou redentor. A Bíblia diz que “o sangue de JESUS CRISTO, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (1 Jo 1.7). É por seu sangue que nos aproximamos dEle (Ef 2.13); o sangue de CRISTO purifica (Hb 9.14); resgata (1 Pe 1.19); lava de todo o pecado (Ap 1.5). Assim, se o deliberado transgressor profana o sangue de CRISTO, não há nada mais que o possa renovar ou purificar.
3. Agravo ao ESPÍRITO SANTO (v.29). Trata-se de um pecado múltiplo em sua prática: enquanto pisa o Filho de DEUS, profana o seu sangue e faz agravo ao ESPÍRITO SANTO (literalmente, insulto, insolência, ultraje). Para esse tipo de pecador, o Calvário não passa de uma encenação, de uma farsa. 
a) Blasfêmia contra o ESPÍRITO SANTO. Com o coração endurecido, o pecador ultraja conscientemente o ESPÍRITO SANTO. Quanto a isso JESUS advertiu severamente: “Qualquer, porém, que blasfemar contra o ESPÍRITO SANTO, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo” (Mt 12.32; Mc 3.29; Lc 12.10). No texto de Marcos, depreende-se que blasfemar contra o ESPÍRITO de DEUS é o mesmo que atribuir a Satanás a obra de CRISTO. Como vemos, a Epístola aos Hebreus apenas corrobora o que JESUS já ensinara anteriormente.
b) O pecado imperdoável não é a simples incredulidade. O incrédulo de fato, se não aceitar a CRISTO, está condenado (Jo 3.18). No caso em questão, não se trata de um incrédulo qualquer, mas de alguém que já teve amplo conhecimento da verdade. O ESPÍRITO SANTO é que tem o poder de convencer o pecador de seus pecados (Jo 16.8). Se o miserável o despreza e lhe faz agravo, não há mais esperança para o tal.
c) Arrependimento impossível. No estudo referente ao capítulo 6 de Hebreus, já aprendemos que se torna impossível a renovação para arrependimento daqueles que “uma vez foram iluminados”; “provaram o dom celestial”; “se fizeram participantes do ESPÍRITO SANTO”; “provaram a boa palavra de DEUS, e as virtudes do século futuro” (vv.5,6). Qual a razão de tal impossibilidade? A resposta está claramente estampada no texto: por que “de novo crucificaram o Filho de DEUS, e o expõem ao vitupério”. Mais uma vez constatamos que o pecado imperdoável não é cometido por um desobediente desavisado qualquer; não se trata de pecado por ignorância. 
III. O JUÍZO DE DEUS É SEVERO E TOTAL
1. “Horrenda coisa é cair nas mãos do DEUS vivo”. Essa advertência nos mostra o quanto DEUS é severo em seu juízo: nenhum suborno poderá alterar seus propósitos; nem fama, nem riquezas e nem vantagens terrenas de qualquer espécie farão qualquer diferença no juízo celestial.
2. Lembrando dos dias passados (v.32). Aqui a admoestação aos destinatários da Epístola é para que se lembrem “dos dias passados”, nos quais eles deram seu testemunho diante de seus perseguidores. Aqueles crentes compadeceram-se dos que foram presos e perderam bens, sabendo que teriam “nos céus uma possessão melhor e permanente” (vv.33,34).
CONCLUSÃO
A apostasia, o abandono deliberado da fé em CRISTO, é algo de indescritível gravidade espiritual. Se rejeitarmos o sacrifício de CRISTO como paga pelos nossos pecados, nenhuma outra provisão haverá para a nossa salvação (v.26). O relativismo religioso e o secularismo que debilitam a igreja, afrouxando as regras e os limites entre o santo e o profano, constituem um sinal de alerta a todos nós. Não rejeitemos a CRISTO! 
Subsídio Bibliológico
“Aviso contra a apostasia. O pecado voluntário que ameaçava os hebreus consistia em abandonar o Cristianismo e voltar ao judaísmo. Não há nenhum sacrifício em favor dos que apostatam da fé em CRISTO — pela  alma do homem só existe um único sacrifício, o de CRISTO (v.26). Ora, se o sacrifício de CRISTO é definitivo, também é o último. Rejeitá-lo voluntariamente implica “uma certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo”  (v.27). O autor não limita a eficácia da obra de CRISTO em favor do penitente. Essa passagem deve ser  estudada em conjunto com o capítulo 6.4-8. Sob a Antiga Aliança, quem desprezasse a Lei de Moisés era punido com a morte (v.28). O mesmo princípio está  em vigência, e com maior rigor ainda para quem apostatar da fé, pois constitui afronta a CRISTO, à eficácia do  seu sangue e um insulto ao ESPÍRITO SANTO, através de quem a graça de DEUS se manifesta. Sobre os tais pesa o juízo de DEUS, do qual ninguém pode escapar (vv.29-31).” (Comentário Bíblico — Hebreus, CPAD, pág. 156.)

Subsídio Teológico
“Se pecarmos voluntariamente (Hb 10.26). O escritor de Hebreus volta a advertir seus leitores sobre o caso de abandonar a CRISTO, como fizeram em 6.4-8. “Pisar o Filho de DEUS (Hb 10.29). Continuar a pecar deliberadamente depois de termos recebido o conhecimento da verdade (v.26) é: (1) tornar-se culpado de pisar JESUS CRISTO, tratá-lo com desprezo e  menosprezar sua vida e morte; (2) ter o sangue de CRISTO como indigno da nossa lealdade; e (3) insultar o  ESPÍRITO SANTO e rebelar-se contra Ele, o qual comunica a graça de DEUS ao nosso coração. “O justo viverá da fé (Hb 10. 38). Este princípio fundamental, afirmado quatro vezes nas Escrituras (Hc 2.4; Rm .7; Gl 3.11; Hb 10.38), governa o nosso relacionamento com DEUS e a nossa participação na salvação provida  por JESUS CRISTO. (1) Esta verdade fundamental afirma que os justos obterão a vida eterna por se aproximarem fielmente de DEUS com um coração sincero e crente (ver 10.22). (2) Quanto aquele que abandona a CRISTO e  deliberadamente continua pecando, DEUS “não tem prazer nele” e incorrerá na condenação eterna (vv.38,39).”  (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, pág. 1915.)

QUESTIONÁRIO:
1. No texto, qual o significado de apostasia?
R. Afastar-se deliberadamente da fé.
2. Por que, na lição, se diz que só resta uma expectação horrível para quem apostata da fé?
R. Por não haver mais sacrifício pelo pecado.
3. O que significa profanar o sangue do testamento?
R. É considerar o sangue de JESUS comum, sem nenhum valor sagrado.
4. Segundo Marcos, em que consiste a blasfêmia contra o ESPÍRITO SANTO?
R. É atribuir a Satanás a obra de CRISTO.
5. O que aguarda nos céus os crentes que perderam seus bens por amor a JESUS?
R. “Uma possessão melhor e permanente”.
LIÇÃO 12 - OS ELEMENTOS ESSENCIAIS DA FÉ:
 
TEXTO ÁUREO:
“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem” 
(Hb 11.1).
 
VERDADE PRÁTICA:
A fé dá ao crente a certeza daquilo que ele espera, segundo a Palavra de DEUS, fazendo-o ver o invisível, 
contrariar a lógica, e superar os limites das fraquezas humanas.
LEITURA DIÁRIA:
Segunda Rm 8.25 Esperando o que não vê
Terça Hc 2.4 O justo viverá da fé
Quarta Mt 6.30 Pequena fé
Quinta Mt 9.22 Fé que salva
Sexta Mt 15.28 Grande fé
Sábado Mt 21.21 Fé que remove montanhas
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE:
HEBREUS 11.1-6 
1 Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem.
2 Porque, por ela, os antigos alcançaram testemunho. 3 Pela fé, entendemos que os mundos, pela palavra de DEUS, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.
4 Pela fé, Abel ofereceu a DEUS maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando DEUS testemunho dos seus dons, e, por ela, depois de morto, ainda fala. 5 Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte e não foi achado, porque DEUS o trasladara, visto como, antes da sua trasladação, alcançou testemunho de que agradara a DEUS.
6 Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de DEUS creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam.
 
PONTO DE CONTATO:
Na lição passada, vimos o perigo da apostasia e suas conseqüências. Nesta lição, estudaremos a base da vida cristã: a fé. Querendo apresentar uma parte da história antiga para demonstrar a eficiência da fé, o escritor aos hebreus principia seu relato dizendo que a própria criação do universo é uma ilustração da fé. “Pela fé entendemos que os mundos, pela palavra de DEUS, foram criados” (v.3) A fé se baseia na Palavra de DEUS. Esta palavra consiste num poder invisível que produziu do invisível o universo, de maneira que o visível vio a existir das coisas que não aparecem. 
CARACTERÍSTICAS
PERSONAGENS
Fé caracterizada pela obediência irrestrita ao Senhor 
Abraão
Recebeu uma revelação especial de DEUS relativa ao dilúvio
Noé
Agradou a DEUS por seu andar espiritual diante dEle
Enoque
Aos olhos de DEUS seu sacrifício teve maior valor
Abel
 
OBJETIVOS:
Ao término da aula seu aluno deverá estar apto a: 

Nomear os elementos que definem a fé.
Listar quatro heróis da fé mencionados nesta lição.
Estimar uma vida de fé ante as dificuldades da carreira cristã.
ORIENTAÇÃO DIDÁTICA:
Trace uma linha no quadro de giz, dividindo seu espaço em duas partes. De um lado relacione as principais características dos heróis da fé descritas no cap. 11 da epístola em estudo (sem citar o nome do personagem). Do outro relacione os nomes das personagens, porém, fora da ordem especificada no texto. Esta atividade consiste em fazer os alunos identificarem as personagens tendo em vista suas características relacionadas à fé. 

Observe o quadro anterior. 
INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos um dos assuntos mais palpitantes da Bíblia: a Fé. Esta palavra tão pequena encerra em si grande conteúdo para os que de DEUS se aproximam. Sem ela não existiria a Igreja, não haveria salvos, esperança de vida futura, não poderíamos esperar um mundo melhor nem creríamos na Segunda Vinda de CRISTO. É por meio da fé que recebemos as bênçãos de DEUS. Esta preciosa e santíssima fé vem-nos através de CRISTO, para que ninguém tenha de que se gloriar (Hb 12.2).
I. CONCEITO DE FÉ
O escritor sacro não pretendeu simplesmente definir a fé, mas sim descrevê-la como elemento fundamental da vida cristã.
1. O firme fundamento.
Fundamento aqui significa muito mais que a mera certeza humana, fruto da lógica, ou do exercício da futurologia. Na visão cristã, tem o sentido de certeza inabalável, ou seja, temos convicção de que servimos a um DEUS onipotente, onisciente e onipresente, que vela por sua Palavra para a cumprir (cf. Jr 1.12; Is 43.13). Significa também certeza absoluta a respeito da nossa salvação. Ver 1 Jo 3.2. Assim, a certeza é o primeiro elemento essencial da verdadeira fé, isto é, “a fé que é por Ele” (At 3.16).
2. Das coisas que se esperam.
“A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam...”. O segundo elemento essencial da fé é a esperança. Esta é consubstanciada na forte convicção de que aquilo que se espera da parte de DEUS há de acontecer sempre, independente das circunstâncias. Abraão creu que teria um filho segundo a promessa divina, fruto de sua união com Sara, mesmo quando a lógica humana dissesse o contrário. 
3. A prova das coisas que não se vêem.
A “prova” tem o significado de “convicção”, que é o terceiro elemento da fé. Aqui temos um ponto muito importante a considerar. Pessoas há que manipulam este texto para justificar a prática mística do que eles chamam de visualização mental para obtenção do que se deseja. Nesse meio estão certas ramificações da Confissão Positiva. Tal prática não tem apoio nas Escrituras Sagradas. No contexto do capítulo 11 de Hebreus, “as coisas que não se vêem” são as coisas de DEUS, “os bens futuros” (Hb 9.11), “as melhores promessas” (Hb 8.6). Isso porque tais “coisas” foram prometidas por DEUS em sua Palavra, e esta não pode falhar em nenhuma hipótese. Há “crentes” que, iludidos pelo seu próprio coração, asseveram que podem aplicar esse texto (v.1) a qualquer coisa. Por exemplo: “eu creio que DEUS vai me dar um carro novo, e uma bela casa”. Ora, isso é um desejo, mas não uma promessa de DEUS. Pode tornar-se real ou não. É algo condicional e circunstancial.
II. EXEMPLOS MARCANTES DE FÉ
1. Abel.
Foi exemplo de fé sacrificial. A Bíblia não diz em Gênesis 4 por que DEUS aceitou seu sacrifício e não o de seu irmão, o homicida Caim. Mas em Hebreus 11.4 podemos constatar o final da história: enquanto a oferta de Abel foi movida pela fé em DEUS (ver Jd v.11), Caim trilhou seu “caminho” sem fé. A idéia de que a oferta de Abel foi aceita por tratar-se de oferta com sangue (apontava para o sacrifício de 
CRISTO) apesar de correta, é parcial, uma vez que a oblação de Caim, mesmo sendo de vegetais, também seria aceita por ser produto do seu trabalho como lavrador (Gn 4.3; ver v.7). Caim tinha má índole; era iracundo e “suas obras eram más” (1 Jo 3.12), por essas razões suas ofertas não foram aceitas pelo Senhor. 
2. Enoque.
Exemplo de fé agradável. O pouco que a Bíblia fala sobre esse homem de DEUS encerra a grandeza de seu caráter e de sua fé: “E andou Enoque com DEUS; e não se viu mais, porquanto DEUS para si o tomou” (Gn 5.24). Se ele “andou com DEUS”, ou seja, viveu em íntima comunhão com o Eterno e no centro da sua vontade, diante da extrema incredulidade de seu tempo, foi porque tinha uma fé viva, que via o mundo melhor. Por isso, ainda na terra, antes da sua trasladação, “alcançou testemunho de que agradara a DEUS”. Sem fé não agradamos a DEUS (Hb 11.6). 
3. Noé.
Exemplo de fé obediente e justa. Nunca ouvira falar de dilúvio, todavia, “divinamente avisado das coisas que não se viam, temeu” e obedeceu, preparando uma arca “para salvação da sua família”. Noé foi o primeiro homem na Bíblia a ser chamado justo. Isso nos traz uma lição de extremo valor: o homem de fé precisa ser justo diante de DEUS e dos homens.
4. Abraão.
É considerado o pai da fé provada. Quando foi chamado por DEUS, sequer imaginava para onde iria (v.8). Passou anos habitando em tendas, peregrinando “como em terra alheia” (v.9) e recebeu a promessa de que seria “uma grande nação” (Gn 12.2). O Todo-Poderoso mandou que ele olhasse para os céus e contasse as estrelas, se pudesse, dizendo que assim seria sua semente: “e creu ele no Senhor e foi-lhe imputado isto por justiça”. Mais tarde DEUS pediu-lhe em sacrifício seu único filho, Isaque. Sem relutar, o grande patriarca obedeceu piamente a voz do Altíssimo, crendo “que DEUS era poderoso para até dos mortos o ressuscitar” (v.17,18). O DEUS de Abraão é o nosso DEUS. Ele é fiel em cumprir sua palavra (cf.Jr 1.12).
III. VIRAM AS PROMESSAS DE LONGE
1. Todos estes morreram na fé.
Após destacar os quatro primeiros heróis da fé, o escritor declara que eles morreram na fé, “sem terem recebido as promessas, mas, vendo-as de longe...”. Como Paulo, combateram o bom combate, acabaram a carreira e guardaram a fé (2 Tm 4.7). 
2. Viram as promessas de longe.
Era a fé fazendo-os olhar para o horizonte ao longe, sem chegar lá, porém contemplando o cumprimento das promessas. Certamente eles usufruíam a salvação em CRISTO porque criam na vida eterna, na entrada nos céus, na vitória sobre o mal e, sobretudo, no reinado eterno de DEUS.
3. Crendo nas promessas, abraçando-as e confessando-as (v.13).
A fé daqueles homens era tão forte e poderosa que, mesmo sem verem o cumprimento das promessas de DEUS, nelas creram e as abraçaram (cf. v.1). Eles consideravam-se “estrangeiros e peregrinos na terra”, porque esperavam uma pátria melhor, definitiva, no futuro, sendo aclamados por DEUS, “porque já lhes preparou uma cidade” (vv.13-16).
IV. HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO
Na última parte do texto em estudo, a Palavra de DEUS fala de forma comovente sobre dois tipos de heróis da fé. São eles:
1. Os lutadores. As Escrituras apresentam vários exemplos de lutadores. Eles “venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, neutralizaram a força do fogo, escaparam do fio da espada”, tudo isso pela fé no Todo-Poderoso. 
2. Os martirizados. Foram os que, na luta pela fé, foram açoitados, apedrejados, presos, aflitos, torturados e mortos: “não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição” (vv.35-37). A história da Igreja registra outros grandiosos exemplos de fé e coragem entre os mártires do cristianismo.
3. Foram homens “dos quais o mundo não era digno”. O “mundo” que não é digno dos homens de DEUS é aquele que se opõe ao bem, e que dificulta a inquirição espiritual. Foi para esse mundo que JESUS apontou ao falar sobre a inevitabilidade das perseguições: “Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim” (Jo 15.18). 
Os homens dos quais o mundo não era digno viram de longe as promessas, mas não as alcançaram, “provendo DEUS alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados” (vv.39,40). 
CONCLUSÃO
Hoje para muitos, principalmente crianças e adolescentes que não conhecem a DEUS, os heróis são os ídolos humanos ou virtuais da TV e do cinema. Esses não passam de falsos ídolos e heróis que desencaminham seus admiradores para o mal. Contudo, a Bíblia nos inspira fé e perseverança, necessárias para que confiemos nas promessas de DEUS. Ela nos mostra em suas páginas a vida de homens e mulheres, crianças e adolescentes, jovens e adultos, que nos legaram exemplos extraordinários da verdadeira fé em DEUS.
 
Subsídio Bibliológico
“Encorajamento palas vitórias da fé (Cap.11). O autor, neste capítulo, destaca a fé como sendo a grande característica e o denominador comum do verdadeiro povo de DEUS em todos os tempos (cf. 10.38,39). Ele 
menciona detalhadamente os heróis da fé que viviam sob a antiga aliança e cujos exemplos nos incentivam a sermos leais a DEUS, hoje.
O versículo 1 é muitas vezes citado como uma definição de fé, porém, na realidade é mais uma explicação das características da fé. Em poucas palavras, a fé é simplesmente confiança em DEUS e sua palavra (cf. Rm 10.17). Parafraseando o versículo, poderíamos dizer: “A fé significa que somos confiantes; temos a certeza (algo que serve de base ou apoio a qualquer coisa, como um alicerce, um fundamento, uma promessa ou um contrato) daquilo quer esperamos receber, a convicção da realidade das coisas invisíveis”.
Foi com essa atitude de fé que, naquele tempo, os heróis enfrentaram o futuro e aprenderam as coisas invisíveis. Os antigos alcançaram testemunho e o próprio DEUS também testificou da fé que possuíam, a qual 
superou todos os obstáculos, sendo seus feitos registrados na Bíblia como homens de fé (v.2). A crença em DEUS como Criador de todas as coisas do universo é imprescindível para a vida de fé, qualquer que 
seja sua manifestação (v.3). ‘Por isso, em primeiro lugar, o autor declara essa ação primária da fé, pela qual chegamos à plena certeza de que o mundo — a História e as eras — não resultou do acaso; é uma resposta à expressão da vontade de DEUS’ (Westcott).” (Comentário Bíblico — Hebreus, CPAD, pág. 158.)
“Creia que ele existe (Hb 11.6). Este versículo descreve as convicções integrantes da fé salvífica. (1) devemos crer na existência de um DEUS pessoal, infinito e santo, que tem cuidado de nós. (2) Devemos crer que Ele nos galardoará quando o buscarmos com sinceridade, sabendo que nosso maior galardão é a alegria e a presença do próprio DEUS. Ele é nosso escudo e nossa grande recompensa (Gn 15.1; Dt 4.29; Mt 7.7,8 nota; Jo 14.21). (3) Devemos buscar a DEUS com diligência e desejar ansiosamente a sua presença e graça.” (Bíblia de Estudo 
Pentecostal, CPAD, pág. 1916.)
QUESTIONÁRIO:
1. Que significado tem a expressão “firme fundamento”, em relação a fé?
R.”A certeza”, significando muito mais que a mera convicção humana, fruto da lógica, ou do exercício da 
futurologia.
2. Quais os três elementos essenciais da fé, segundo a lição?
R. A certeza, a esperança e a prova (convicção).
3. Quem é considerado o “pai na fé” dos que crêem?
R. Abraão.
4. Por que os heróis da fé consideravam-se “estrangeiros e peregrinos na terra”?
R. Porque esperavam uma pátria melhor. 
5. Por que os heróis da fé não alcançaram as promessas?
R. “Para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados”. 
 
LIÇÃO 13 - PERSEVERANÇA NA FÉ E NA SANTIDADE:
 
TEXTO ÁUREO:
“Portanto, nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo 
embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta” (Hb 12.1).
 
VERDADE PRÁTICA:
A vitória na vida cristã é para os que correm com paciência rumo ao encontro final com CRISTO nos céus.
LEITURA DIÁRIA:
Segunda Mt 10.22 Perseverando até o fim
Terça  Cl 4.2 Perseverando na oração
Quarta Rm 12.13 Ajudando aos santos
Quinta 1 Co 7.14 Santificação conjugal
Sexta Jo 15.9 Permanecendo no amor
Sábado 2 Co 13.13  A graça, o amor e a comunhão
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - HEBREUS 12.1,2, 6-8, 12,13 
1 Portanto, nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta, 2 olhando para JESUS, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de DEUS.
12 Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas e os joelhos desconjuntados,13 e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja se não desvie inteiramente; antes, seja sarado.
PONTO DE CONTATO:
Depois de apresentar os homens de fé e a vitória que eles alcançaram, o escritor aos hebreus volta e dirigi-se aos seus leitores para estimulá-los a percorrer o mesmo caminho. Tanto os antigos crentes como nós somos aperfeiçoados em CRISTO. Eles alcançaram esta posição por sua fé apesar de sofrerem tantas provações. Nós, igualmente, devemos ter uma fé ativa, despojando-nos de todo o embaraço e do pecado que nos assedia, para corrermos com perseverança a carreira que nos foi proposta.
OBJETIVOS:
Identificar o pecado e o embaraço como elementos que podem atrapalhar a vida cristã.
Afirmar que a vida cristã é parecida com uma maratona.
Reconhecer que a vida de santificação é a vontade de DEUS para as nossas vidas.
ORIENTAÇÃO DIDÁTICA:
Introduza sua aula com a seguinte pergunta: Que tipo de corredor deve ter maior resistência: o de uma corrida de cem metros ou o de uma maratona? Aguarde, por algum tempo, a resposta. Certamente responderão que o corredor de maior resistência é o que se dispõe a correr uma maratona. Informe-lhes que tais corredores, para chegarem ao final, precisam de muita resistência e paciência durante o percurso. Da mesma forma é a carreira cristã. Ela não é feita de rápidas corridas, mas de uma longa corrida de fé, paciência e persistência para não perder o rumo do “prêmio”. Não esqueça de dizer-lhes que os vencedores em DEUS são os que completam a corrida, e não apenas os que chegam em primeiro lugar.
INTRODUÇÃO
Os dois últimos capítulos de Hebreus encerram a epístola com exortações e orientações aos crentes sobre como perseverar na fé e na doutrina, com disciplina, amor e santidade. Estes temas atualmente são desprezados em muitos lugares, por causa do “vírus” do relativismo. Mas a Palavra de DEUS é como um “martelo que esmiuça a penha” (Jr 23.29), e dissipa os “ventos” contrários a sã doutrina, fortalecendo e edificando os que hão de concluir a carreira cristã.
I. A CARREIRA COM PACIÊNCIA
1. Uma nuvem de testemunhas (v.1).
O escritor nos leva a outros aspectos da vida cristã, ressaltando que estamos rodeados de “uma tão grande nuvem de testemunhas”. Quem são essas testemunhas? Pelo contexto entendemos que aqueles são heróis diante do Todo-poderoso que testemunham a sua fidelidade. Aqui, a palavra testemunha, originalmente martys, denota a experiência dos antepassados da fé. Por outro lado, podemos dizer que em nossa carreira cristã estamos sendo observados por muitas testemunhas. Umas visíveis: os homens, crentes e descrentes; outras, invisíveis: os anjos e os demônios. (Ver Sl 34.7; Hb 1.13,14; 1 Pe 5.8.) Diante dessa realidade devemos ter muito cuidado com o nosso comportamento.
2. Deixando o pecado e o embaraço (v.2).
Somos exortados a deixar “todo o embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia”. O embaraço certamente não é pecado, mas pode tornar-se num impedimento, ou num atraso à nossa vida e carreira espiritual, e aí sim, conduzir-nos ao pecado. Um crente embaraçado é facilmente atingido pelo Diabo. A televisão, por exemplo, mesmo transmitindo programas de cunho informativo ou cultural, pode embaraçar o crente se este deixar de ir à casa de DEUS para prostrar-se diante dela.Há crentes que se embaraçam com dívidas, amizades, esportes, lazer, etc. Ademais disso, não podemos esquecer que a Bíblia nos manda remir o tempo (Ef 5.15,16).
3. Correndo com paciência.
Aqui o escritor toma uma figura de linguagem emprestada, provavelmente dos jogos olímpicos, para comparar a vida cristã a uma maratona. Numa corrida, é necessário ter paciência para se alcançar a chegada (cf. Hb 10.36). No caso da fé, a carreira não é escolhida pelo cristão, e sim proposta por DEUS. O crente precisa correr e chegar ao final vitorioso. Para que isso aconteça só existe um segredo segundo as Escrituras: perseverança e paciência (Rm 5.3-5).
4. Olhando para JESUS (v.2).
Numa corrida de resistência, o atleta precisa olhar para frente, caso contrário, poderá perder o tempo e o rumo. Na vida cristã, mais ainda, o crente não pode perder de vista o alvo, JESUS. Ele é o autor e também o consumador de nossa fé. Deu-nos o exemplo, suportando a cruz, desprezando a afronta, até assentar-se à direita de DEUS, “pelo gozo que lhe estava proposto”. A historia da Igreja está cheia de exemplos de homens e mulheres, que corajosamente desprezaram os prazeres e as glórias do mundo por amor a CRISTO. 
5. A correção com amor (vv.3-11).
Nesta primeira parte do texto, o escritor exorta os crentes hebreus à perseverança, dizendo que ainda não haviam resistido “até o sangue no combate contra o pecado” (v.4). 
Parece que o escritor tinha em mente que seus destinatários poderiam ignorar um pouco da Palavra de DEUS, e cita Provérbios 3.11-12, onde a Palavra de DEUS anima os crentes a não se esquecerem da exortação do Pai, e a não desanimarem ao serem repreendidos. 
No v.6, o autor diz que se alguém está sem disciplina não é filho, mas bastardo, ou filho ilegítimo (vv.7,8). E conclui falando do valor da correção: “porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que o recebe por filho” (vv.10,11). Trata-se da correção com amor. 

II. EXORTAÇÃO À SANTIFICAÇÃO
1. Levantando as mãos cansadas (v.12).
Na vida cristã, pode haver momentos de cansaço e esgotamento espiritual. Mas existe um remédio para isso: Os que estão firmes pela graça de DEUS, ao invés de dificultarem ainda mais a caminhada dos mais fracos, devem ajudá-los a levantarem-se (cf. Jó 4.3; Is 35.3). E, DEUS tem o poder necessário para nos renovar e restaurar (Is 40.29-31).
2. Seguindo a paz e a santificação.
Santidade é o estado de quem se destaca pela pureza. San-tificação é a prática. E só é possível através da Palavra de DEUS e mediante o sangue de CRISTO (Jo 17.17; 1 Jo 1.7). A santificação é a salvação em andamento, em processo. A doutrina equivocada de que “uma vez salvo para sempre salvo” não passa de falácia, para justificar a pretensiosa doutrina da predestinação absoluta, segundo a qual uns nascem “carimbados” como “salvos” e outros como “perdidos”. Uma vez salvo, o cristão precisa fazer sua parte: separar-se do mundo e dedicar-se totalmente ao serviço do Reino de DEUS. 

CONCLUSÃO
Temos uma carreira a percorrer pacientemente, mas esta deve ser livre de embaraços, pois eles, mesmo não sendo o pecado, podem conduzir-nos a ele. Que possamos concluir esta carreira como santos filhos de DEUS, e receber do nosso Pai o galardão reservado a cada um de nós.
Subsídio Teológico
“‘A carreira que nos está proposta’. Esta corrida é o teste neste mundo, que dura a vida inteira (10.23,38; 12.25;13.13).
(1) A corrida deve ser efetuada com “paciencia” (gr. hupomone) ou seja, com perseverança e constância (cf. 10.36; Fp 3.12-14). O caminho da vitória é o mesmo que o dos santos no capítulo 11 — esforçando-se para chegar até ao fim (cf. 6.11,12; 12.1-4; Lc 21.19; 1 Co 9.24,25; Fp 3.11-14; Ap 3.21).
(2) Na corrida, devemos deixar de lado os pecados que nos atrapalham ou que nos fazem ficar para trás (v.1) e fixarmos os olhos, nossas vidas e nossos corações em JESUS e no exemplo que Ele nos legou na terra, de obediência perseverante (vv.1-4).
(3) Na corrida, devemos estar conscientes de que o maior perigo que nos confronta é a tentação de ceder ao pecado (vv.1,4), de voltar àquela pátria de onde haviam saído (11.15; Tg 1.12), e de nos tornar, de novo, 
cidadãos do mundo (Mc 11.13; Tg 4.4; 1 Jo 2.15; ver Hb 11.10).” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, pág.1918)
“Portanto, tal como a CRISTO, há uma carreira proposta ao povo de DEUS, um alvo as ser alcançado, um caminho a ser percorrido. JESUS CRISTO é o príncipe, o Líder e o Aperfeiçoador da fé. AquEle que não se embaraçou com as coisas materiais desta vida, pois contemplava a eternidade, sabendo discernir o valor das coisas que não se viam. Tal deve ser a nossa paciência. A luta de CRISTO foi até a morte, e Ele a venceu. Animados por seu exemplo, podemos fazer o mesmo”. (Comentário Bíblico Hebreus, CPAD, p.167.)
 
QUESTIONÁRIO:
1. O que é embaraço, na lição?
R. Algo que dificulta o caminhar, e que pode levar ao pecado.
2. A que o escritor compara a vida cristã?
R. A uma carreira de resistência ou uma maratona. 
3. Para quem o crente deve olhar durante a sua carreira? 
R. Para JESUS 
4. Se alguém está sem disciplina, a que é comparado?
R. A um bastardo ou filho ilegítimo.
5. Segundo Hb 12.14, o que devemos seguir?
R. A paz com todos e a santificação.
 
LIÇÃO 14 - EVIDÊNCIAS DA VIDA CRISTÃ
 
TEXTO ÁUREO:
“E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios DEUS se agrada” (Hb 13.16).
VERDADE PRÁTICA:
A vida cristã não será completa se não for vivida com obediência, amor e submissão.
LEITURA DIÁRIA:
Segunda Hb 13.3 Lembrando dos presos
Terça  Hb 13.7 Lembrando dos pastores
Quarta Hb 13.4 O casamento na ótica de DEUS
Quinta Hb 13.8 O DEUS que não muda
Sexta Hb 13.9 Firmeza na Palavra
Sábado Hb 13.17 Obedecendo aos pastores
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - HEBREUS 13.1-3, 7, 17, 20-22 
1 Permaneça a caridade fraternal.2 Não vos esqueçais da hospitalidade, porque, por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos.3 Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo.
7 Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de DEUS, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver.
17 Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.
20 Ora, o DEUS de paz, que pelo sangue do concerto eterno tornou a trazer dos mortos a nosso Senhor JESUS CRISTO, grande Pastor das ovelhas,21 vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável por CRISTO JESUS, ao qual seja glória para todo o sempre. Amém! 22 Rogo-vos, porém, irmãos, que suporteis a palavra desta exortação; porque abreviadamente vos escrevi.
PONTO DE CONTATO:
Certas virtudes são consideradas essenciais à vida cristã, tais como, amor, hospitalidade, pureza, compaixão, submissão, obediência, etc. O escritor da Epístola aos Hebreus admoestou seus leitores a observá-las. Devemos buscar com diligência tais qualidades, se pretendemos genuinamente servir a DEUS. Com certeza foi extremamente difícil para aqueles crentes hebreus, que passaram por severa pressão diária aplicar essas admoestações em suas vidas. Ora, se eles deviam obedecer a essas admoestações, quanto mais nós, que conhecemos tão pouco de perseguição e oposição.
OBJETIVOS:
Destacar o amor cristão e a hospitalidade como mandamentos divinos a serem praticados.
Valorizar o matrimônio como instituição ordenada por DEUS.
Estimar a obediência aos pastores.
ORIENTAÇÃO DIDÁTICA:
Para tornar a aula mais dinâmica e participativa, peça a seus alunos que tentem fazer um esboço do conteúdo da lição, diferente do apresentado na revista. Esse exercício é extremamente importante por ampliar-lhes a capacidade de síntese e compreensão do tema. O esquema facilita a assimilação do conteúdo e permite ao aluno refletir melhor sobre o texto em estudo. Observe o exemplo abaixo:

Evidências ou características da vida cristã:
I. Nossa conduta (13.1-6)
II. Nossa submissão (13.7-16)
III. Nossa obediência (13.17-25)
INTRODUÇÃO
Nesta última lição, veremos que a vida cristã tem características importantes que precisam ser evidenciadas em nosso cotidiano, principalmente no que diz respeito às relações interpessoais.
I. VIRTUDES RELEVANTES À VIDA CRISTÃ
1. O amor fraternal (v.1). Essa virtude é tão importante que representa a marca, ou distintivo, do verdadeiro discípulo (cf. Jo 13.34,35). Sem o amor fraternal de nada servem os dons ou a realização de boas obras (1 Co 13).Visto que nossos irmãos fazem parte da família de DEUS, devemos amá-los incondicionalmente; desprezá-los é o primeiro passo para quem desconsidera a CRISTO, nosso irmão mais velho.
2. A hospitalidade (v.2). A hospitalidade deve ser prestada não somente aos estranhos (v.2), mas também aos pobres (Lc 14.13), e até mesmo aos inimigos (Rm 12.20).
Na época em que foi escrita a Epístola aos Hebreus, muitos cristãos haviam perdido todos os seus bens em conseqüência da perseguição que lhes movia as autoridades constituídas. Neste aspecto, a hospitalidade trazia alento a esses servos de DEUS, e demonstrava que outros crentes poderiam servir ao Senhor abrindo suas casas para lhes servirem de abrigo. Entretanto, essa simpática atitude, principalmente em nossos dias, não deve ser confundida com a de hospedar qualquer pessoa sem conhecê-la ou saber de suas reais intenções. 
3. O valor do matrimônio (v.4). A expressão “venerado seja” nesse texto, denota elevado grau de respeito e consideração para com o matrimônio. Muitos desprezam o casamento para viverem uma vida desregrada, 
dissoluta e descompromissada. A vida cristã exige compromisso sério não apenas com DEUS e a igreja, mas também com a sociedade e a família; e esta última começa com o nosso cônjuge. Quaisquer comprometimentos sexuais ilícitos — a prostituição, o adultério — são duramente condenados por DEUS, e quem pratica tais coisas receberá dEle o justo juízo. DEUS quer que seus filhos tenham vida sexual ilibada, não apenas por causa do testemunho, mas também por sermos o templo do seu ESPÍRITO.
4. O valor da beneficência (vv.3 e 6). O escritor não se esqueceu da importância da beneficência cristã. Exortou aqueles crentes a que se lembrassem dos que estavam presos e dos maltratados como se estivessem no lugar deles. Um crente perseguido facilmente seria lembrado por seus irmãos, mas os que permaneciam presos por muito tempo poderiam ser esquecidos. Há muitas pessoas que são perseguidas e presas por causa de sua fé em CRISTO, como há também aquelas que cumprem pena por terem transgredido a lei dos homens. Mas tanto um como o outro não podem ser desprezados pela igreja do Senhor.
II. EXPRESSÕES DA FÉ: SUBMISSÃO E OBEDIÊNCIA
1. Submissão à liderança (vv.7 e 17).
O escritor adverte a seus leitores sobre a maneira correta de tratar os que pastoreiam o rebanho do Senhor: 
a) Lembrando-se deles e imitando-lhes a fé (13.7). É dever dos membros da igreja lembrarem-se de seus pastores em suas orações diárias e não apenas em épocas especiais como a data reservada à comemoração do “dia do pastor”. Os pastores são modelos que precisam ser imitados, pois homens de fé servem de exemplo e impulsionam outros homens a terem fé. 
b) Atentando para a sua maneira de viver (13.7). A vida de um pastor sempre será observada: sua integridade, piedade, amor a DEUS e a sua obra servirão de exemplo principalmente para os novos obreiros. Daí a grande responsabilidade do pastor. 
c) Obedecendo-lhes (13.17a). A lembrança e a atenção dadas aos pastores de nada valerão se não forem acompanhadas pela obediência aos mesmos. Eles são responsáveis por trazer mensagens, orar por nós, 
administrar a igreja, aconselhar, visitar, ter a família como exemplo e prestar contas a DEUS do rebanho que lhe foi confiado. Será que, com tantas responsabilidades, eles não merecem a obediência de suas ovelhas? “A obediência e a fidelidade aos líderes cristãos, aos pastores e mestres, deve basear-se numa superior lealdade a DEUS” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD).
Hoje em dia, muitos obreiros são desrespeitados. E essa é a estratégia de Satanás para enfraquecer a liderança eclesiástica. Que possamos ter em alta estima aqueles a quem DEUS escolheu para zelar por nós.
2. Obediência a CRISTO. “...
JESUS CRISTO, grande pastor das ovelhas, vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade...” (vv.20,21). (Grifo nosso.) Isso significa que aquele que nos salvou continua a realizar sua obra em nós, tornando-nos sensíveis à sua vontade para que tudo quanto fizermos seja agradáve aos seus olhos. A obediência ao Senhor JESUS deve ocupar o primeiro lugar na vida cristã. 
3. Obediência à Palavra (v.22).
O escritor exorta-nos a “suportar a presente palavra”. “Tenham paciência comigo”, pede ele, “quanto partilho a Palavra com vocês. Aceitem-na com paciência e digiram-na, porque a carta não é muito comprida” Quando DEUS fala, como o fez por meio desta epístola, devemos ouvir e aplicar o que ouvimos.
CONCLUSÃO
O escritor conclui sua Epístola, desejando que o Senhor JESUS CRISTO, “o grande pastor das ovelhas” aperfeiçoe os crentes em toda a boa obra, operando o que lhe é agradável, e roga que aqueles crentes suportem a  exortação” (vv.20-25). Que o Senhor nos ajude a entender e guardar os preciosos e santos ensinos que  estudamos durante este trimestre.
Subsídio Bibliológico

“O amor entre os irmãos pode ser comparado à “vara” que segurava as tábuas recobertas de ouro do antigo Tabernáculo, servindo para dar unidade ao recinto em que se manifestava a divina presença. O amor do cristão para com o seu próximo é universal. Que esse amor continue sempre entre nós (v.1). Nesse tempo era uma necessidade que houvesse hospitalidade particular, devido à falta de hotéis. A hospitalidade não é necessariamente uma virtude cristã, mas de qualquer maneira, a sociedade cristã deve provê-la. (v.2). De modo prático, o cristão deve procurar socorrer quem precisa dele, seja tal necessidade resultado de 
perseguição ou decorrente das circunstâncias adversas da vida (v.3). Os avisos sobre o caráter sagrado do matrimônio eram especialmente oportunos, devido à facilidade do divórcio entre os judeus, uma vez sancionados pelos mestres da escola do grande rabino Hillel (Westcott). DEUS julgará e condenará as violações dos laços matrimoniais, quer dos solteiros que vivem em fornicação, quer dos casados que praticam o adultério, independente de qual seja a opinião tolerante da sociedade da época. Como é necessária essa mesma exortação para os dias atuais (v. 4).
Esta seção inicia com uma referência aos líderes da igreja (v.7) e assim também se encerra (v.17). Da primeira vez, o autor ordenara aos crentes reconhecerem com gratidão os seus pais na fé, os fundadores da igreja, que possivelmente já haviam falecido, procurando seguir-lhes o exemplo. Agora ele manda que obedeçam àqueles que estão atualmente na direção, seus pastores. Tais homens não eram aventureiros inescrupulosos, mas homens de DEUS, cônscios de sua responsabilidade pastoral perante DEUS e a igreja. Portanto, que não lhes causassem tristeza, comportando-se como ovelhas desgarradas, pois isso não lhes seria proveitoso”. (Comentário Bíblico, Hebreus, CPAD, págs. 170-174.)
QUESTIONÁRIO:
1. Porque o amor fraternal é importante?
R. É a marca ou distintivo do cristão.
2. Segundo a Bíblia, a hospitalidade é uma opção ou mandamento para o cristão?
R. Um mandamento.
3. Que termo a Bíblia usa para demonstrar qual deve ser a nossa visão sobre o casamento?
R. Venerado.
4. A submissão aos pastores é facultativa ou determinada por DEUS?
R. Determinada por DEUS.
5. O que devemos fazer ao ouvir a palavra de DEUS?
R. Obedecê-la.
 
Bibliografia
CD CPAD - LIÇÕES - 3º trimestre 2001 - www.cpad.com.br 
Comentários Pr.Elinaldo Renovato de Lima, Natal - RN
www.aleluia.com.br/ceb/rudimentos
http://www.tagnet.org/jesuskids 
 
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A CARTA AOS HEBREUS - Introdução e Comentário por DONALD GUTHRIE - SOCIEDADE RELIGIOSA EDIÇÕES VIDA NOVA E ASSOCIAÇÃO RELIGIOSA EDITORA MUNDO CRISTÃO
CONTEÚDO Prefácio da Edição em Português...... 6 Prefácio do A utor...... 7 Abreviaturas Principais ..... 8 Bibliografia....Seleta...... 9 INTRODUÇÃO O enigma da carta...... 13 A carta na igreja primitiva ...... 14 Autoria..... 17 Os leitores...... 19 O destino ...... 23 D ata...... 25 O propósito da carta ..... 28 A situação histórica...... 35 A teologia da c a r ta...... 42 ANÁLISE..... 54 COMENTÁRIO...... 57
 
PREFÁCIO DO AUTOR
Há alguns livros no Novo Testamento que têm um certo fascínio, não por terem uma atração instantânea, mas, sim, porque são mais difíceis do que o normal. Para mim, a Epístola aos Hebreus se enquadra nesta categoria. Isto, por si só, poderia ter fornecido uma razão apropriada para não escrever um comentário sobre ela. Suas dificuldades, no entanto, oferecem um desafio que não pode ser levianamente deixado de lado. Se meu primeiro alvo tem sido esclarecer meu próprio entendimento, isto deve servir de encorajamento para o leitor. Estou, na realidade, convidando você a me acompanhar na exploração de um livro que contém muitos tesouros de sabedoria espiritual e de entendimento teológico. Minha esperança é que esta busca leve a tanto enriquecimento espiritual para o leitor quanto tem levado para o escritor. Não se promete com isto que todos os problemas foram resolvidos, nem que este comentário pode alegar ter feito explorações originais. Escrever um comentário é um pouco semelhante a um testemunho pessoal. Embora tenha profundas dívidas de gratidão para com tantos outros que me antecederam na tarefa, minha própria contribuição pode alegar singularidade somente pela razão de ser o resultado de um encontro entre o texto e minha própria experiência de estudo do Novo Testamento e da vida cristã. DONALD GUTHRIE
 
INTRODUÇÃO
I. O ENIGMA DA CARTA
Por várias razões, este livro apresenta mais problemas do que qualquer outro livro do Novo Testamento. Há muitas perguntas que o investigador forçosamente tem de fazer, mas que não podem ser respondidas de modo satisfatório. Quem o escreveu? Quais foram os leitores originais? Qual foi a ocasião histórica exata em que foi escrito? Qual foi a data da escrita? Qual era a influência predominante por detrás da apresentação? Estas são algumas das perguntas para as quais nenhuma resposta conclusiva pode ser dada, embora algumas não sejam tão enganadoras quanto outras. O que é da maior importância para o comentarista descobrir é a mensagem e relevância atuais da carta, mas ele só pode fazer isso depois de ter investigado o pano de fundo histórico. Alguma tentativa deve ser feita, portanto, no sentido de responder às perguntas acima, ainda que seja apenas para fornecer algum arcabouço dentro do qual se possa empreender a tarefa de compreender a mensagem. Não se pode negar que a direção geral do argumento da carta mostrase difícil para o leitor. Isto é principalmente porque a seqüência do pensamento está revestida de linguagem e alusões tiradas do fundo histórico cultual do Antigo Testamento. O sacerdócio de CRISTO está diretamente ligado à antiga ordem levítica, mas visa claramente substituí-la. Mais do que a maioria dos livros do Novo Testamento, Hebreus exige explicações pormenorizadas da relevância das alusões ao seu fundo histórico. Esta é a tarefa principal do comentarista. Respondendo à pergunta, “Por que um livro tão difícil é incluído no Novo Testamento?” : é que trata daquela que deve ser considerada a pergunta mais importante que confronta constantemente o homem, i.é: como podemos nos aproximar de DEUS? É por causa da contribuição significante de Hebreus a este problema sempre presente que compensa o esforço necessário para esclarecer sua mensagem e expressá-la em termos contemporâneos.
 
II. A CARTA NA IGREJA PRIMITIVA
Iniciaremos olhando a maneira dos cristãos primitivos considerarem esta carta porque isto nos capacitará a seguir os passos pelos quais veio a se tomar parte do Novo Testamento. Mostrará, também, que até mesmo a igreja primitiva tinha algumas dificuldades por causa dela. No mais antigo dos escritos patrísticos que tem sido conservado, i.é, a carta de Clemente de Roma à igreja de Corinto (c. de 95 d.C.), há um paralelo notável (1 Ciem. 36.1-2; cf. Hb 1.3ss.), juntamente com uns poucos outros paralelos. A seguinte seleção de 1 Clemente 36 ilustrará este fato. Escreve acerca de CRISTO: “Ele, que é o resplendor da sua majestade, é tão superior aos anjos, quanto herdou mais excelente nome [cf. Hb. 1.3- 4], Porque está escrito assim: “Aquele que a seus anjos faz ventos, e a seus ministros, labareda de fogo” [cf. Hb. 1.7]. Mas acerca do Filho o Senhor disse assim: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei” [cf. Hb 1.5] ... E, outra vez, diz-lhe: “Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés” [cf. Hb 1.13].” 1 Pareceria uma dedução razoável que Clemente tinha conhecimento de Hebreus, embora isto não tenha- passado sem ser questionado. A opinião alternativa, de que Hebreus citou 1 Clemente levanta dificuldades em demasia para ser considerada. A via media proposta, de que ambos usaram as mesmas fontes não pode atrair muito mais apoio, porque nenhuma evidência pode ser produzida para tais fontes hipotéticas, e, na ausência de evidências, deve ser considerada uma teoria insatisfatória. A conclusão de que Clemente deve ter conhecido Hebreus tem conseqüências importantes para a avaliação da data da Epístola e para um reconhecimento da sua autoridade antiga. Deve ser notado, também, que nos trechos que são virtualmente citações da carta, Clemente não menciona o autor. Em si só, isto não seria especialmente relevante, visto que Clemente cita outros livros neotestamentários (e.g. as Epístolas paulinas) sem mencionar o autor. É provável que Hebreus tenha agradado especialmente a Clemente, que descreve o ministério cristão em termos do sacerdócio arônico,2 embora adote uma abordagem bem diferente do escritor desta carta. Esta dependência antiga de Clemente de nossa Epístola é tanto mais notável por causa do período subseqüente em que parece ter sido negligenciada pelas igrejas no Ocidente. Não foi até o fim do século IV que recebeu, entre aquelas igrejas, a honra que lhe cabia. Hebreus não estava incluído entre os livros autorizados por Márciom, cuja coletânea alegava representar o ensino do Apostolikon, i.é, o apóstolo Paulo. Márciom, no entanto, quase certamente teria rejeitado Hebreus por causa da sua forte dependência do Antigo Testamento, o qual rejeitava categoricamente. O Cânon Muratoriano, que contém uma lista de livros que, segundo se pensa, representa o cânon da igreja em Roma perto do fim do século II, não contém referência alguma a Hebreus, embora inclua todas as cartas de Paulo, citadas pelos seus nomes. É possível que o texto da lista esteja deturpado e que alguma parte dela tenha sido omitida. Apesar disto, é estranho que nenhum apoio específico para a Epístola tenha sido conservado durante este período primitivo. Com a virada do século II, mais evidências em prol do uso de Hebreus são achadas na igreja ocidental, embora houvesse diferença de opinião quanto à sua origem. Clemente de Alexandria cita seu mestre “o bendito presbítero” (Panteno) como alguém que defendia a autoria paulina desta carta. Explicou a ausência de um nome pessoal no texto da carta pela razão de que o próprio JESUS era o apóstolo do Onipotente aos Hebreus, e que, portanto, por humildade, Paulo não teria escrito aos Hebreus da mesma maneira que escrevia aos gentios. Clemente continuou a tradição da origem paulina, e freqüentemente citava Hebreus como sendo da autoria de Paulo ou “do Apóstolo.” Seu sucessor Orígenes, no entanto, levantou dúvidas quanto à autoria paulina, embora não acerca da sua canonicidade. Considerava que os pensamentos eram de Paulo, mas não o estilo. Historiou a opinião doutros (os anciãos), de que Lucas ou Clemente de Roma fora o autor, e, embora fale favoravelmente acerca da sugestão de que Lucas escreveu os pensamentos de Paulo em grego, ele mesmo concluiu que somente DEUS sabe o autor. Subseqüentemente ao tempo de Orígenes, seus sucessores não acatavam sua decisão aberta, e logo ficou sendo a convicção indisputada da igreja oriental de que Paulo era o autor. Deve ser notado que Orígenes incluiu Hebreus entre as cartas paulinas, às vezes até citando-a como “Paulo diz;” não é totalmente surpreendente, portanto, que seus alunos seguissem este padrão. A grande influência de Orígenes na igreja oriental era suficiente para garantir a contínua aceitação da carta como sendo apostólica. Não há dúvida, no entanto, que foi a crença na sua origem paulina que lhe granjeou aceitação universal. No Papiro Chester Beatty das cartas paulinas, Hebreus está incluída, colocada depois de Romanos. Na igreja ocidental, a aceitação demorou mais tempo. Após a citação da carta por Clemente de Roma, a evidência é esparsa até os tempos de Jerônimo e Agostinho. Tertuliano, no fim do século II, considerava Bamabé como o autor, mas menciona esta opinião num só lugar. Claramente não considerava que esta Epístola estava no mesmo nível das cartas paulinas. Eusébio, que era diligente em colecionar as opiniões das várias igrejas acerca dos livros do Novo Testamento, relatou que a igreja em Roma não aceitava Hebreus como paulina, e reconheceu que isto estava levando outras pessoas a terem dúvidas. Cipriano, que pode ser considerado um representante típico dos meados do século III, não aceitava a Epístola. O primeiro escritor patrístico no Ocidente que aceitou esta carta foi Hilário, seguido, logo após, por Jerônimo e Agostinho. A opinião deste último revelou-se decisiva, embora levante uma questão interessante, porque Agostinho, nas suas primeiras obras, cita Hebreus como sendo paulina, e, nas suas últimas obras, como sendo anônima, com um período de vacilação no meio. Sua aceitação original da Epístola foi provavelmente em razão da autoria paulina; mas veio a aquilatar o valor da Epístola com base na própria autoridade dela, e sua abordagem claramente subentendia uma distinção entre a autoria paulina e a canonicidade. Esta distinção, no entanto, não foi mantida pelos seus sucessores. Este panorama da história algo diversificada desta Epístola levantou certos fatores que devem afetar nossa abordagem à sua exegese. Demonstrou que era crido de modo geral que Hebreus reflete uma autoridade apostólica, embora nenhum nome específico possa ser ligado a ela. Onde havia relutância para recebê-la, era, com toda a probabilidade, demasiadamente vinculada com a autoria apostólica. É também compreensí­ vel que o estilo e o conteúdo da carta seriam menos atraentes aos ocidentais mais prosaicos do que aos orientais, mais ecléticos. Sua aceitação final, a despeito das dúvidas sérias, testifica do poder intrínseco da própria Epístola. Uma nota de rodapé do período da Reforma para este panorama antigo pode ser acrescentada. Durante este período, a Epístola voltou a ser atacada no assunto da sua autoria paulina. Este foi especialmente o caso de Martinho Lutero, que sugeriu que Apoio seria um autor mais provável. Reagindo às suas opiniões, o Concílio de Trento declarou enfaticamente que a Epístola foi escrita pelo apóstolo Paulo, usando, assim, o carimbo da autoridade eclesiástica numa tentativa de resolver a questão.
 
III. AUTORIA
Tendo em vista a confusão na igreja primitiva a respeito da origem desta carta, não é surpreendente que a erudição moderna tenha produzido um monte de sugestões diferentes. Visto que a maioria delas não passam de pura conjectura, não é proveitoso dedicar muito espaço à sua discussão. Nosso alvo será demonstrar de modo breve por que a autoria paulina é quase universalmente considerada inaceitável, e dar algumas indicações das propostas alternativas.3 A opinião antiga da autoria paulina não é apoiada por qualquer referência a Paulo no texto da carta. Está, no entanto, incluída no título, que é claramente uma reflexão do conceito tradicional e, portanto, tem pouca importância. A anonimidade do texto é uma dificuldade imediata para a autoria paulina, visto não haver em lugar algum qualquer sugestão que Paulo teria escrito no anonimato. Um apóstolo que meticulosamente reivindica autoridade na introdução às epístolas existentes atribuí­ das ao seu nome, não tem probabilidade de ter enviado uma carta sem referência àquela autoridade especial da qual estava revestido. Além disto, não há sugestão, na maneira do autor de Hebreus escrever, de que conheceu aquela mesma experiência dramática pela qual Paulo passou na sua conversão, que nunca está longe da superfície nas suas cartas. Já nos tempos de Orígenes, a diferença entre o grego das Epístolas de Paulo e o de Hebreus estava sendo notada. Orígenes considerava que a Hebreus “faltava a rudeza de expressão do apóstolo” e que é “mais idiomaticamente grega na composição da sua dicção” (cf. Eusébio.Msf. Eccl, vi.25.11-12). A maioria dos estudiosos concordaria com o julgamento de Orígenes. A linguagem forma um bom estilo literário no grego koinê, e certamente contém menos irregularidades de sintaxe do que as Epístolas.4 O escritor sabe, além disto, a direção que seu argumento está tomando. Se faz uma pausa para exortar os leitores, retoma a seqüência dos seus pensamentos. Não sai numa tangente, conforme Paulo faz às vezes. Voltando para a opinião de Orígenes, pode ser notado que considerava que os pensamentos eram os do apóstolo. Muitos estudiosos modernos, no entanto, não concordariam. Alegariam que estão faltando vários dos temas caracteristicamente paulinos, e que muito daquilo que está presente não tem paralelo em Paulo (e.g. o tema do suma sacerdote), por isso é mais razoável supor que Paulo não foi o autor. Dois outros fatores apontam na mesma direção: o método das citações do Antigo Testamento, que é diferente do de Paulo; e a declaração em 2.3, que pressupõe que o autor não tinha qualquer revelação pessoal da parte de DEUS, mas que recebera uma “grande salvação” atestada por aqueles que ouviram o Senhor. Embora haja alguma possibilidade de interpretar esta declaração em 2.3 para incluir o apóstolo Paulo, não é a maneira mais natural de compreendê-la. Paulo nunca teria admitido que recebeu o núcleo do seu evangelho em segunda mão, como este autor parece fazer. Quais, pois, são as alternativas? O testemunho antigo menciona apenas três outras possibilidades, além de Paulo - Lucas, Clemente e Barnabé. Embora haja algumas afinidades entre os escritos de Lucas e Hebreus,5 não bastam em si para apoiar a autoria comum. Clemente pode ser excluído pela razão de que há amplas diferenças de conteúdo teoló­ gico entre este escritor e a carta aos hebreus, e pela suposição quase certa que citou diretamente de Hebreus.6 A única reivindicação de Bamabé para ser considerado é seu passado como levita proveniente de um meioambiente helenista (Chipre). Mas nosso autor está interessado no culto bíblico mais do que no culto no Templo.7 9, considera que Hebreus talvez seja mais típica do grego culto do que qualquer outro documento no NT. Das conjecturas mais modernas, Apoio tem tido o maior número de apoiadores, principalmente com base na suposição de que, como alexandrino, teria familiaridade com os modos de pensar do seu concidadão alexandrino, Filo, que supostamente estão refletidos na Epístola. Esta opinião, que originalmente foi proposta por Martinho Lutero, tem sido fortemente apoiada por aqueles que desejam manter alguma conexão paulina com a Epístola.8 Outras propostas são: Priscila,9 Felipe, Pedro, Silvano (Silas), Arístiom e Judas.10 Se não podemos ter certeza da identidade do autor, podemos notar suas características principais que seriam inestimáveis para nossa compreensão da sua carta.11 É um homem que meditou longamente acerca da abordagem cristã ao Antigo Testamento. O que ele escreve foi bem pensado. Sabe para onde vai sua linha de argumento. Quando faz uma pausa para exortar seus leitores, o faz com fina sensibilidade e tato. Prefere pensar o melhor acerca deles, embora faça fortes advertências de precaução. A despeito da sua anonimidade, é uma força a levar a sério na teologia cristã primitiva. Oferece-nos a mais clara discussão da abordagem cristã ao Antigo Testamento dentre qualquer dos escritores do Novo Testamento.
 
IV. OS LEITORES
O título ligado a esta carta no manuscrito mais antigo existente é “Aos Hebreus.”. Na realidade, não há manuscrito da carta que não tedenha este título. Já nos tempos de Clemente de Alexandria e de Tertuliano esta Epístola era conhecida por este título. Apesar disto, nenhuma indicação específica é dada no próprio texto da carta de que os leitores eram hebreus, e é possível, portanto, que o título não seja original. Em tal caso, pode ter sido baseado numa boa tradição, ou pode ter sido uma conjectura. Tem havido opiniões divergentes nesta questão, mas permanece o fato que nenhuma evidência patrística dá qualquer razão para duvidar da tradição. Devemos, no entanto, considerar os vários problemas que surgem como resultado desta tradição. A primeira consideração a ser notada é a definição da palavra “Hebreus.” Podia ser usada especificamente dos judeus que falavam hebraico (ou melhor, aramaico), e neste caso os distinguiria dos judeus de idioma grego. Esta sugestão tem algum outro apoio neo-testamentário (cf. At 6.1; 2 Co 11.22; Fp 3.5), mas não há meio de saber se o título tradicional desta Epístola visava ter este sentido. Pode ter significado nada mais do que judeus (i.é, judeus cristãos), quer de idioma aramaico, quer de grego. Este sentido mais geral deve ser preferido. Alguns, no entanto, sugeriram que o título seja totalmente desconsiderado e que se deve entender que a Epístola é endereçada a gentios. Claramente, a única maneira de decidir a questão é mediante um exame cuidadoso da evidência interna. Evidência em prol de um grupo especifico. Tendo em vista a natureza muito geral do título tradicional, é significante que são dadas algumas indicações de que uma comunidade determinada estava em mente. Certamente o autor sabe algo acerca da sua história e situação. Sabe que foram abusados pela sua fé e que reagiram bem ao despojamento das suas propriedades (10.33, 34). Tem consciência da generosidade dos seus leitores (6.10) e conhece o estado de mente atual deles (5.1 lss.; 6.9ss.). Certos problemas práticos, tais como sua atitude para com seus líderes (13.17) e questões de dinheiro e de casamento (13.4, 5) são mencionados. Parece mais razoável supor que o escritor tem conhecimento pessoal das pessoas específicas que tem em mente no decorrer da Epístola (cf. 13.18, 19, 23). Se esta for a verdade, o caráter vago do título é claramente enganoso. Mais um aspecto que confirma esta opinião é a menção específica de Timóteo em 13.23, porque Timóteo também deve ter sido conhecido dos leitores. Outra indicação da natureza do grupo pode ser deduzida de referências tais como 5.12 e 10.25. A primeira é dirigida àqueles que nesta altura já deviam ser mestres, e isto deu origem à sugestão de que os leitores eram uma parte pequena de um grupo maior de cristãos. A sugestão mais favorecida é que formavam um grupo numa casa que se separara da igreja principal. A exortação em 10.25 apoiaria esta opinião. Ali, o escritor conclama os leitores a não deixarem de congregar-se juntos. Parece razoavelmente conclusivo que a totalidade de uma igreja não teria sido considerada mestres em potencial, e é altamente provável que um grupo separatista pudesse ter se considerado superior aos demais, especialmente se foram dotados com dons maiores. O tema que nesta Epístola é argumentado de modo compacto está de acordo com a sugestão de que um grupo de pessoas com um maior calibre intelectual está em mente. Algum apoio tem sido reivindicado para o conceito de que o grupo consistia de ex-sacerdotes judeus que se tomaram cristãos. Fica claro no livro de Atos que números consideráveis de sacerdotes estavam entre as pessoas convertidas no período primitivo. Como questão de conjectura, pode ser suposto que estes naturalmente formariam grupos para o estudo da sua nova abordagem ao culto antigo. Seu interesse especial na ordem levítica seria, portanto, altamente inteligível. Nío há, no entanto, qualquer evidência a favor de quaisquer igrejas que consistiam em sacerdotes, e alguma cautela deve ser exercida a respeito desta opinião. Além disto, teríamos de discutir se a direção geral do argumento favorece esta opinião. Uma extensão da mesma idéia é ver no grupo de leitores membros antigos da comunidade dos essênios em Cunrã que se converteram ao cristinismo.13 À primeira vista, parece ser uma proposição atraente, mormente porque a Epístola aos Hebreus revela algumas correções das tendências de Cunrã (e.g., sua separação). Os Pactuantes de Cunrã tinham tido desavenças com os partidos judaicos principais no que diz respeito aos modos contemporâneos de procedimentos do Templo, e isto se encaixaria bem com a concentração da atenção desta carta no ritual do tabemáculo ao invés do Templo. Mas as evidências são passíveis de uma aplicação mais ampla do que este conceito limitado dos leitores permitiria. A teoria começa com a desvantagem de que não é feita nenhuma menção aos essênios em qualquer parte do Novo Testamento. Apesar disto, a comunidade de Cunrã tem fornecido algumas informações úteis de fundo histórico que lançaram alguma luz sobre a Epístola (mas veja mais discussão nas págs. 37-38). Evidência em prol de leitores gentios. O amplo apelo ao Antigo Testamento nesta carta não exige necessariamente um grupo judaico de leitores, tendo em vista que o Antigo Testamento era, universalmente, a Santa Escritura da igreja primitiva, judaica ou gentia. Na realidade, algumas partes do Novo Testamento endereçadas a leitores predominantemente gentios (e.g. Romanos, Gálatas) ainda se referem extensivamente ao Antigo Testamento. Não teria levado muito tempo para os convertidos gentios tomarem-se suficientemente familiarizados com o Antigo Testamento para suscitar perguntas acerca do significado do ritual levítico. Não é impossível que tais inquirições tenham levado à exposição do tema do sumo sacerdote, feita pelo autor. Outra linha seguida por alguns defensores de destinatários gentios é argumentar que a ausência de alusões à controvérsia judaica favorece tal teoria, mas esta consideração pareceria neutra, se é que tem alguma validez. De mais peso é o argumento de que os leitores corriam o perigo de apostatar “do DEUS vivo” (3.12), que seria inapropriado como referência a judeus pensando em abandonar o cristianismo para voltar ao judaísmo. Mas isto não é conclusivo, tampouco, se o autor estiver pensando em todas as formas da apostasia, seja da parte de cristãos judaicos, seja da parte de cristãos gentios, como um “afastamento do DEUS vivo.” O escritor menciona, ainda, “obras mortas” (6.1; 9.14) e os princípios elementares da doutrina de CRISTO (6.1) que, segundo se pensa, são inapropriados para os leitores judaicos. Pode ser razoavelmente sustentado que os gentios se encaixariam no contexto melhor do que os judeus, mas dificilmente pode ser alegado que as palavras nunca poderiam ser aplicáveis aos judeus. De modo geral, tendo em vista o estilo intricado de argumento, que exige uma vasta compreensão do Antigo Testamento (cf., por exemplo, o estilo de discussão em Hb 7: 11 ss.), parece que a opinião tradicional tem mais probabilidade de ser correta. Isto se tomará mais evidente quando o propósito da Epístola for discutido abaixo.
Tendo em vista a falta de informações específicas acerca do autor ou dos leitores, quaisquer sugestões acerca de onde os leitores habitavam forçosamente serão carregadas de incertezas. O melhor que podemos fazer é mencionar as mais viáveis. Começamos com a idéia de que a igreja em Jerusalém estava em mente.14 Alega-se que esta idéia é apoiada pelo título e pela ênfase dada ao ritual levítico. Além disto, a referência à perseguição (10.32; 12.4) nos “dias anteriores” pode muito bem referirse aos sofrimentos suportados pela comunidade cristã judaica em Jerusalém. Alguns têm visto alusões a uma desgraça iminente em 3.13; 10.25; 12.27, mas a fraseologia é muito geral para ter qualquer relevância. Outros argumentaram que, porque nenhuma igreja reivindicou as cartas aos Hebreus, os endereçados podem bem ter sido uma igreja num lugar que foi subseqüentemente destruído, como foi Jerusalém em 70 d.C. Mas podemos descontar o argumento; na realidade, não há evidência de que cada livro do Novo Testamento, cujo destino específico é conhecido, era especificamente reivindicado pela(s) igreja(s) endereçada(s). Se pudesse ser estabelecido que o autor tem o Templo em mente, ainda que fale em termos do tabernáculo, haveria algum apoio para um destino em Jerusalém, visto que o autor usa o tempo presente como se o ritual ainda estivesse sendo observado. Aqui entra uma questão da data, porque se a Epístola foi escrita depois de 70 d.C. (conforme sustentam alguns), o destino em Jerusalém seria mais difícil de sustentar. Há, porém, algumas objeções sérias à idéia de Jerusalém como sendo o destino. A declaração em 2.3 que nem o escritor nem os leitores tinham ouvido o Senhor pessoalmente é claramente difícil se a igreja de Jerusalém está em mente, porque é difícil imaginar que houvesse comunidades, tais como igrejas-casas, em Jerusalém, onde nenhum só dos membros ouvira a JESUS. Outra dificuldade é a predominância de idéias helenísticas, que são mais difíceis de imaginar em Jerusalém do que noutros lugares; esta linha de pensamento, no entanto, não deve receber ênfase demasiada, tendo em vista a evidência de Cunrã em prol de uma infiltração de idéias helenistas num meio-ambiente doutra forma judaico, às margens do Mar.
 
V. O DESTINO
Jerusalém foi sugerida por W. Leonard: The Authorship o f the Epistle to the Hebrews (Londres, 1939), pág. 43, e A. Ehrhardt, The Framework o f the New Testament Stories (Manchester, 1964), pág. 109. Este último data a Epístola depois da queda de Jerusalém. Morto, não muito distante de Jerusalém. O uso consistente da LXX é uma dificuldade adicional se os cristãos de Jerusalém estiverem em mente, porque é pouco provável que a igreja da Judéia usava esta versão. Do outro lado, pode ser ressaltado que Jerusalém tinha várias sinagogas helenistas (At 6.9), e não é impossível que estas tenham usado a Septuaginta. Mas levando em conta o caráter essencialmente grego da Epístola, deve ser concedido que um destino que não seja Jerusalém é mais provável. Uma consideração final pode ser mencionada, i.é, a referência provável à generosidade dos leitores em 6.10 não se encaixa bem demais com uma igreja cuja pobreza é mencionada noutros lugares do Novo Testamento em conexão com a coleta pelas igrejas gentias para prestar assistência àquela. É natural que Alexandria tenha sido proposta nos tempos modernos como o destino da Epístola, tendo em vista os paralelos que têm sido alegados entre esta carta e os escritos de Filo de Alexandria. Já foi notado que a igreja alexandrina nunca foi mencionada na antigüidade como a possível endereçada da Epístola. Mas uma dificuldade ainda maior é o fato de que em Alexandria era tomado por certo, em data bem antiga, que se tratava de uma carta enviada por Paulo aos hebreus. A sugestão que é apoiada pela quantidade maior de evidências, internas e externas é Roma. Foi em Roma que a Epístola foi primeiramente conhecida e citada, e visto que assim aconteceu durante a última década do século I, demonstra que a Epístola deve ter chegado ali numa etapa bem recuada da sua transmissão. Alguma conexão pode ser vista entre um destino em Roma e as saudações “dos da Itália” (13.24). O modo mais natural de entender esta expressão é com referência a pessoas cujo lugar de origem é a Itália, mas que estão morando noutro lugar e desejam enviar saudações para casa. A expressão vaga não teria razão de ser a não ser que o autor achasse que valeria a pena chamar a atenção aos compatriotas dos leitores que estavam com ele. Teria mais validade, portanto, se fosse endereçada a algum lugar na Itália ao invés de qualquer outro lugar. Não é conclusivo, no entanto, visto que a redação de 13.24 poderia ser entendida em termos da locação do autor ou, igualmente, da origem dos leitores. Nffo há necessidade alguma de entrar em detalhes acerca de outras sugestões. Apenas as notaremos de passagem — Colossos (T. W. Manson), Samaria (J. W. Bowman), Éfeso (W. F. Howard), Galácia (A. M. Dubarle), Chipre (A. Snell), Corinto (F. Lo Bue, H. Montefiore), Síria (F. Rendall), Antioquia (V. Burch), Beréia (Hostermann), Cesaréia (C. Spicq).15 A lista é suficientemente variada para demonstrar que as evidências escassas podem ser usadas para se prestarem ao apoio de um grande número de possibilidades. Deve, pelo menos, deixar-nos prevenidos contra sermos demasiadamente dogmáticos a respeito do destino da epístola. Concluiríamos que o destino mais provável é Roma, embora deixemos as opções abertas para outras possibilidades.
 
VI. DATA
Nossas discussões anteriores não devem nos ter deixado muito otimistas acerca da possibilidade de fixar uma data precisa para esta carta. Tudo quanto podemos fazer é sugerir limites dentro dos quais a carta foi provavelmente escrita. Podemos, pelo menos, concluir que foi escrita antes da carta de Clemente de Roma (95 d.C.), a não ser, naturalmente, que aleguemos que Hebreus usou Clemente,16 ou que os dois escritores usaram fontes em comum. Mas visto haver boa razão para supor que Clemente dependia de Hebreus, fixa-se assim uma data final para Hebreus, antes da qual deve ter sido escrita. Uma consideração intema é o relacionamento entre a carta e a queda de Jerusalém. Visto que o escritor não demonstra nenhuma consciência do evento, e que sugere, pelo contrário, que o ritual ainda continua, a carta teria de ser datada antes de 70 d.C. Conforme já foi indicado, no entanto, o autor apela ao tabernáculo mais do que ao Templo, e este fato poderia legitimamente ser reivindicado como evidência de que o Templo já não existia. Mas os tempos no presente, usados, por exemplo, em 9.6-9 (cf. também 7.8; 13.10) teriam mais razão de ser se o ritual do Templo ainda estivesse sendo observado.17 A distinção entre o tabernáculo e o Tem1 & 2 Peter (Londres, 1962), págs. 13-16; W. F. Howard: “The Epistle to the Hebrews,” Interpretation 5 (1951), págs. 80ss.; A. M. Dubarle: RB 48 (1939), págs. 506-529; A. Snell: New and Living Way (Londres, 1959), pág. 19; F. Lo Bue: JBL 15 (1956), págs. 52-57; H. Monteflore: Com., págs. 137ss.; A. Klostermann: Zur Theorie der biblischen Weissagung und zur Charakteristik des Hebräerbriefes (1889), pág. 55, citado por O. Michel: Com. pág. 12; C. Spicq, Com. 1, págs. 247ss. (16) G. Theissen: Untersuchungen zum Hebraerbrief (Gütersloh, 1969), págs. 34ss., discute o relacionamento entre Hebreus e 1 Clemente e conclui que uma dependência literária desta última daquela é improvável. (17) Sobre o uso dos tempos do presente deve ser notado que 1 Ciem. 61 também usa tempos do presente na descrição do Templo, claramente, no caso dele, um artifício literário e não o emprego histórico dos tempo próprio talvez não tenha sido tão nítida aos leitores originais quanto aparece ao leitor moderno. No cômputo geral, esta linha de evidência está mais a favor de uma data antes de 70 a.C., e não depois, especialmente se for dado o devido valor à estranha omissão da catástrofe se já tinha acontecido. Teria sido uma confirmação histórica valiosa da tese principal da Epístola o desaparecimento do antigo para ceder lugar ao novo. Se, do outro lado, a destruição da cidade estava iminente, daria muita força à exortação aos leitores no sentido de saírem fora do arraial (13.13). Além disto, a menção de Timóteo em 13.23, se for o mesmo homem que era companheiro de Paulo, deve exigir uma data dentro da sua provável duração de vida, mas nosso problema aqui é que nenhum conhecimento independente existe quanto à sua morte. Tudo quanto poderia ser concluído com segurança é que uma data no século II está totalmente fora de cogitação. Certamente o estado da igreja que pode ser detectado nesta Epístola é bastante primitivo, porque não há menção especí­ fica dos oficiais, mas apenas a expressão um pouco vaga: “vossos guias” (13.7, 17). Além disto, o nítido sabor judaico da teologia favorece uma data recuada. Outra sugestão é que a referência em 3.7ss. aos quarenta anos dos israelitas no deserto (citando SI 95.7ss.) pode ser mais aplicável se esta Epístola foi escrita quarenta anos depois da morte de JESUS. Mas a conexão do pensamento está longe de ser óbvia, e não pode fazer contribuição alguma à nossa discussão. O que mais vem ao caso é a referência em 12.4 ao fato de que “ainda não tendes resistido até ao sangue.” Pode ser entendida metaforicamente, e neste caso não ajudaria a fixar a data, mas se significa que ainda não tinha havido mártir entre eles, exigiria uma data antes da ocorrência da perseguição generalizada. Se os leitores estavam em Roma, isto pareceria requerer uma data antes das perseguições de Nero. Mesmo assim, se esta era uma igreja-casa separada do restante da igreja, pode ter escapado à itensidade da perseguição que o grupo principal dos cristãos sofrera. Outra consideração é a referência aos “dias anteriores” (10.32) quando os cristãos eram sujeitados à perseguição. Além disto, se estes dias se referem à perseguição de Nero, a Epístola teria de ser datada depois da queda de Jerusalém. Mas o mesmo problema surge de que não há sugestão de que qualquer deles tinha morrido18 e é difícil, portanto, apelar à perseguição de Nero como sendo uma explicação dos “ dias anteriores.” Seria mais seguro tomar por certo que não havia tanto um ataque oficialmente organizado quanto o tipo de molestamento constante do qual tanto Atos quanto as Epístolas testificam.19 De fato, os “dias anteriores” podem concebivelmente referir-se ao período que se seguiu o decreto de Cláudio que exilou os judeus de Roma, visto que os cristãos judaicos presumivelmente teriam sido implicados (cf. Áquila e Priscila, At 18.2). Entre este evento e a perseguição de Nero transcorreu um período de quinze anos, que fixaria os limites dentro dos quais a Epístola deve ter sido escrita. Não há maneira de saber se foi escrita antes da morte de Paulo, embora tenha sido inferido de Hebreus 13 que Paulo provavelmente já não estava com vida, com base um pouco precária na referência solitária a Timóteo. Aqueles que datam a Epístola antes da queda de Jerusalém são geralmente influenciados pelo seu conceito da ocasião como sendo decisiva para uma datação mais exata. Por exemplo, Montefiore sugere uma data semelhante à de 1 Coríntios 20 e T. W. Manson uma data semelhante a Colossenses, por causa dos seus respectivos conceitos da situação tratada na Epístola. A maioria, no entanto, não a data antes da década de 60, e preferem uma data imediatamente anterior ou durante as perseguições nerônicas se a Epístola foi enviada de Roma,ou imediatamente antes da queda de Jerusalém se foi enviada doutro lugar. Aqueles que consideram que a evidência não requer uma data antes da queda de Jerusalém, usualmente sugerem um período entre cerca de 80 e 85 d.C.
Há duas considerações principais. A primeira é o uso da epístola por Clemente de Roma. Deve obviamente ser datada antes daquela epístola, mas quanto tempo antes? Conforme a teoria de Goodspeed, (19) J. Moffatt: Introduction to the Literature o f the New Testament, pág. 453, sugere que pode ter sido violência das turbas. (20) H. Montefiore: Com., págs. 9-10. Cf. também J. M. Ford: CBQ 28 (1966), págs. 402-416. (21) T. W. Manson: BJRL, 32 (1949), págs. 1-17. (22) J. A. T. Robinson: Redating the New Testament (1976), págs. 200-220, prefere um destino romano e uma data c. de 67 imediatamente antes da morte de Nero., pensava que apenas um curto intervalo poderia ter separado Hebreus de 1 Clemente. H. Windisch: Com., págs. 329-348, fez uma conjectura de um período de pelo menos 10 anos.
Clemente escreveu em resposta a Hebreus 5.12, e neste caso, nenhum intervalo longo deve ter decorrido entre elas. Esta teoria, no entanto, é tênue. Se, doutro lado, Clemente não usou nossa Epístola aos Hebreus, já não haveria necessidade de limitar Hebreus para um tempo antes da carta de Clemente. O caráter primitivo da estrutura comunitária em Hebreus, no entanto, exige uma origem anterior ao tempo da epístola de Clemente. A outra consideração é a opinião sustentada por alguns que Hebreus demonstra dependência das epístolas de Paulo. Como é usual no caso de argumentos baseados em afinidades literárias, a dependência é de difícil comprovação. As afinidades paulinas são suficientemente explicadas pela suposição de que o autor era um associado do apóstolo. A evidência certamente não é suficiente para demonstrar que Hebreus não poderia ter sido escrita antes das cartas paulinas terem sido colecionadas. O efeito cumulativo destes argumentos em prol de uma data em fins do século I não convence.
 
VII. O PROPÓSITO DA CARTA
O escritor faz uma só declaração específica acerca do seu propósito, que está em 13.22 onde diz simplesmente: “Rogo-vos... que suporteis a presente palavra de exortação; tanto mais quanto vos escrevi resumidamente.” Se “palavra de exortação” significa aqui, como em At 13.15, uma homília, sugeriria que a estrutura da carta deve sua origem a uma pregação feita numa ocasião especial e mais tarde adaptada na forma de uma carta pelo acréscimo de comentários pessoais no fim. Esta sugestão tem muita coisa para recomendá-la e explicaria os apartes freqüentes que contêm apelos diretos aos ouvintes. Se a palavra “exortação” receber seu efeito literal, aquelas passagens que contêm tais apelos diretos devem ser consideradas os pontos cruciais no argumento do autor, ainda que sejam apartes, e devem ser levadas em conta ao decidir o propósito do autor. É surpreendente quantos estudiosos do NT adotam uma data avançada para esta Epístola sem prestar atenção detalhada à possibilidade de uma data recuada. Cf. Wickenhauser, Kümmel, Marxsen, Fuller, Klijn e Perrin nas suas Introduções. Mesmo assim, muitos comentaristas adotaram uma data recuada; e.g. W. Manson, C. Spicq, H. Montefiore, F. F. Bruce, J. Héring, G. W. Buchanan, A. Strobel. (25) Cf. F . Filson: Yesterday (1967), págs. 27ss., para uma discussão desta palavra de exortação. (26) Tem sido sugerido que se 13.22 for aceito como sendo o indício, o alvo no entanto, muita diferença de opinião acerca do que os leitores deviam refrear-se. As várias sugestões podem ser convenientemente classificadas de acordo com o suposto destino da carta: judaico ou gentio. Sugestões que supõem que os leitores eram judeus Visto que o conceito tradicional era que os leitores eram hebreus, começaremos com a explicação tradicional do propósito.27 Esta começa com as passagens de advertência (principalmente os caps. 6 e 10) e passa a interpretar a Epístola inteira em termos destas. As próprias passagens certamente contêm advertências expressas na maneira mais enfática. O perigo de “crucificar de novo o Filho de DEUS” (6.6) e de “calcar aos pés o Filho de DEUS” e de “ultrajar o ESPÍRITO da graça” (10.29) é colocado firmemente diante dos leitores. Diz-se que tais possibilidades ameaçam os que cometem a apostasia (6.6). Ao procurar entender a natureza da apostasia, apela-se à declaração em 2.3 que fala da calamidade de negligenciar a grande salvação que foi providenciada. Se o “arraial” em 13.13 for o judaísmo antigo, uma sugestão razoável é que estas pessoas eram judeus convertidos que mesmo assim mantiveram sua lealdade ao judaísmo, e corriam perigo de sentar-se entre duas cadeiras, ou até mesmo de deixar a igreja cristã e voltar à sua antiga fé judaica. Para apreciar a forte atração do judaísmo sobre os cristãos que anteriormente tinham sido judeus, deve ser lembrado que o cristianismo não podia oferecer paralelo algum à pompa ritual que eles conheciam como costume. Ao invés do Templo, que todos os judeus respeitavam como o centro do culto, os cristãos reuniam-se em lares diferentes sem sequer terem um lugar central para suas reuniões. Nío tinham nem altar, nem sacerdotes, nem sacrifícios. A fé cristã parecia desnudada de quaisquer evidências do tipo usual de observâncias religiosas. Não é de se admirar que houvesse judeus convertidos que explorassem a possibilidade de apegar-se às duas religiões, mormente porque tanto os judeus quanto os cristãos apelavam às mesmas Escrituras. Se retivessem a velha enquanto secretamente professavam a nova, possuiriam uma posição social negada àqueles que fizeram uma transferência total ao cristianismo. A atração da essencialmente prático do autor não seria apostasia no sentido de voltar a uma lealdade externa ao judaísmo teria sido forte para aqueles que achavam difícil enfrentar a oposição resoluta dos seus compatriotas judeus (cf. 10.32), embora estivessem dispostos a isto no início. Se a situação que acaba de ser esboçada for correta, é possível ver o que o escritor da Epístola tinha em mente ao esboçar seu argumento. Estava ocupado em assegurar seus leitores que a perda de glórias rituais era mais do que compensada pela superioridade do cristianismo. Sua linha de abordagem era que tudo, na realidade, era melhor — um santuário melhor, um sacerdócio melhor, um sacrifício melhor. Na realidade, visa demonstrar que há uma razão teológica para a ausência do velho ritual, por mais glorioso que tenha parecido aos judeus. A fé cristã declarava um cumprimento completo de tudo quanto a velha ordem esforçava-se por fazer. A própria ausência do ritual era a maior glória da nova fé, porque proclamava sua superioridade sobre a velha ordem. Além disto, o escritor vai além disto e sustenta que CRISTO era um sacerdote de um tipo diferente da linha arônica, tipificado em Melquisedeque. As passagens de advertência seriam, então, uma demonstração das conseqüências sérias para quaisquer pessoas que deliberadamente virassem as costas a este modo superior. Seria a mesma coisa que asseverar a superioridade da religião velha e identificar-se com os que eram responsáveis pela crucificação do Filho de DEUS. Este modo de entender a apostasia seria suficientemente sério para justificar os termos fortes usados nas passagens de advertência. Explicaria, também, a impossibilidade de restauração para aqueles que tão descaradamente viravam as costas às condições “melhores” da fé cristã. Em primeiro plano na mente do autor não havia tanto a questão de uma volta ao judaísmo quanto a questão da rejeição do cristianismo que semelhante volta acarretaria. Embora, de modo geral, esta maneira de compreender a apostasia forneça um modo razoável de compreender o propósito da Epístola, é necessária alguma cautela. Deve ser confessado que as passagens de advertência nada dizem acerca da apostasia para o judaísmo, mas, sim, somente uma apostasia para fora do cristianismo. A interpretação esboçada supra depende de uma inferência tirada da intenção geral da Epístola. É, naturalmente, possível interpretar as passagens de advertência de modo diferente, embora nenhuma outra sugestão pareça estar em tão estreita concordância com o contexto geral. Um desenvolvimento interessante desta opinião tradicional é a sugestão de que ex-sacerdotes judeus estavam em mente, sugestão esta que já foi notada na discussão sobre o destino da Epístola.28 Que luz lançaria sobre o propósito do autor? Os sacerdotes convertidos imediatamente perderiam a dignidade do seu cargo. Na realidade, tomar-se-iam pessoas sem importância, depois de terem sido respeitadas por sua posição oficial. Muitos deles devem ter enfrentado a tentação de abrir mão da sua nova fé a fim de reter sua antiga posição social. Estariam ainda mais perdidos sem o ritual do que os aderentes comuns do judaísmo. Podem ter esperado uma posição superior na igreja cristã em virtude da sua antiga posição profissional no judaísmo. Para tais pessoas, o tema do sumo sacerdócio de CRISTO e a interpretação espiritual do ritual seriam altamente relevantes. De todas as pessoas, estas necessitariam de ser lembradas nos termos mais enfáticos das conseqüências de uma volta ao judaísmo. As passagens de advertência, portanto, seriam da máxima relevância. Se os leitores fossem tentados a pensar que uma religião sem sacerdotes seria inconcebível, seria a mesma coisa que denegrir o cristianismo ao ponto de pronunciá-lo ineficaz. Sua apostasia ameaçada seria, portanto, a mesma coisa que voltar suas costas a uma fé sem sacerdotes. Mas o desafio do escritor é que, a despeito da ausência de uma linhagem de sacerdotes, o cristianismo não está, na realidade, despojado de sacerdote, porque tem um sumo sacerdote perfeito em CRISTO, que é infinitamente superior ao melhor dos sacerdotes arônicos. Ainda outra variação na compreensão do propósito da carta, se foi dirigida a judeus, é a opinião de que a Epístola foi dirigida a antigos membros da seita de Cunrã.29 Um propósito principal seria, portanto, apresentar um método verdadeiro de exegese do Antigo Testamento. Os Pactuantes de Cunrã eram estudiosos das Escrituras do Antigo Testamento, e muitos dos seus comentários foram preservados entre os achados de Cunrã. Mas tinham seu próprio estilo de exegese que se concentrava em relacionar a restauração da velha aliança em termos da sua própria comunidade. Se cristãos ex-Cunrã estiverem em mente podem muito bem ter necessitado de uma exposição mais verídica do Antigo Testamento baseada na nova aliança em CRISTO. Visto que a comunidade de Cunrã era essencialmente uma comunidade sacerdotal, a predominância do tema sumo-sacerdotal nesta Epístola também seria inteligível, assim como seria a referência aos batismos em 6.2, porque pensa-se que as lavagens rituais formavam parte importante dos procedimentos de Cunrã. Apesar disto, há problemas com esta hipó­ tese. Além da ausência de quaisquer evidências que confirmassem a existência de um grupo de cristãos ex-Cunrã (embora semelhante grupo não seja impossível), os paralelos entre Hebreus e a literatura de Cunrã não são impressionantes. A ausência de qualquer discussão acerca da Lei na primeira é uma dificuldade principal, porque era destacada entre os Pactuantes de Cunrã. No cômputo geral, a opinião que postula a ameaça da apostasia, ao judaísmo entre certos cristãos judeus quer sejam ex-sacerdotes, quer não, geralmente tem mais para recomendá-la do que opiniões alternativas.31 Porém, uma outra sugestão que ainda conjectura um destino a judeus, mas que não considera que as passagens de advertência forçosamente dizem respeito à apostasia ao judaísmo, deve ser considerada. É a opinião de que os cristãos judeus não estavam aceitando a missão mundial do cristianismo. Conforme esta teoria, os leitores estavam pensando em termos do cristianismo sendo essencialmente judaico e não estavam atribuindo importância alguma ao seu escopo universal. É sugerido que este grupo tinha um ponto de vista semelhante àquele dos membros mais restritos da igreja de Jerusalém. Talvez quisessem manter contato com o judaísmo por razões de segurança, porque o judaísmo era uma religião licita. Cortar as cordas da segurança deste ancoradouro e alargar as fronteiras para incluir os gentios introduziria um embaraço agudo. O dilema era indubitavelmente real. Seria muito mais fácil insistir que todos os cristãos deviam se colocar debaixo da égide do judaísmo. Aqui, porém, segundo é sugerido, a visão da extensão da missão cristã era demasiadamente restrita. Além disto, é alegado que foi este conceito demasiadamente estreito que Estêvão teve de combater. Certamente há algumas semelhanças entre o discurso de Estêvão em At 7 e nossa Epístola, especialmente na abordagem ao ritual feita por ambos. Esta opinião trouxe alguns dados interessantes para a compreensão da Epístola, mas não pode explicar adequadamente as passagens de forte advertência. É difícil perceber como alguém descreveria a falta de alargar a mente e adotar a missão mundial como sendo uma nova crucificação do Filho de DEUS ou como apostasia. Pode ter feito parte do propósito do escritor urgir a adoção da missão mundial, mas estava a voltas com um problema mais radical do que este. Sugestões que tomam por certo que os leitores eram gentios A teoria de os leitores serem gentios tem sido inspirada pela crença de que o pensamento helenista foima o fundo histórico principal desta carta. Alguns, no entanto, também postulam a influência gnóstica.32 Podemos dispensar rapidamente o conceito de que o escritor está combatendo o judaísmo especulativo que estava afetando seus leitores gentios. Cercados por muitas idéias religiosas, desejariam saber que o cristianismo era sem igual ao oferecer o único caminho aceitável a DEUS. Para responder a esta necessidade, o escritor apela ao Antigo Testamento para comprovar o caráter absoluto do cristianismo, que é superior não somente ao judaísmo como também a todas as demais religiões. Mas o problema desta teoria é que a Epístola não faz a mínima alusão a qualquer conhecimento de ritos especulativos ou pagãos. Realmente, o considerá­ vel interesse do autor pelos pormenores do ritual judeu dificilmente se enquadra num auditório gentio que não tinha contato prévio com o judaísmo. A forma.mais aceitável de semelhante teoria seria supor que os “Hebreus” eram judeus helenistas. A opinião de que idéias gnósticas permeiam a carta e que, com efeito, o autor está combatendo o gnosticismo incipiente tem tido alguns defensores persuasivos.33 Uma das opiniões é que os leitores pertenciam a uma seita de gnósticos judeus que estavam corrompendo a pura fé cristã mediante a infiltração de idéias gnósticas. Algumas idéias às quais se apelam no argumento podem ser resumidas da seguinte forma breve: a ênfase dada aos anjos, que estava solapando a singularidade da obra mediadora de CRISTO; a idéia da salvação através de alimentos selecionados (cf. 13.9), misturada com ensinamentos estranhos; a referência aos batismos; maus procedimentos deliberados (aos quais, segundo se diz, as passagens de advertência se aplicam, e refletem a confusão dos valores morais nalguns tipos de gnosticismo, cf. 12.16). Embora alguns destes paralelos sejam válidos, é extraordinário que o autor se dá tanto trabalho para fazer uma exposição da cultura judaica se o alvo principal do seu ataque era o gnosticismo. Uma crítica semelhante pode ser feita à opinião de que os capítulos três e quatro são a chave verdadeira a uma compreensão da carta, e que estes capítulos devem ser entendidos numa situação gnóstica.34 Daí, os leitores são vistos como sendo o povo de DEUS perambulante, e sua viagem é entendida em termos do mito gnóstico do redentor. A busca do “descanso” (katapausis) é o alvo principal da salvação. Diz-se que o conceito do redentor em que o próprio redentor deve ser redimido antes de ser autorizado a agir como redentor, e, de modo semelhante, o sumo sacerdote deve ser aperfeiçoado.35 Não há dúvida que fazer assim é atribuir ao texto da Epístola muito mais do que é justificado. Na mente do autor, a perfeição do sumo sacerdote tem relacionamento com sua perfeita obediência à vontade do Pai. É essencialmente moral e não mística. Mesmo que o tema gnóstico seja exagerado nesta teoria, colocar em relevo a importância dos capítulos três e quatro e o tema do “descanso” é uma introspecção valiosa, que não deve ser olvidada. Outra opinião é que algum desvio de um tipo semelhante àquele que Paulo combate em Colossos está em mente.36 Este provavelmente era ligado com alguma forma de Gnose, embora não com o gnosticismo desenvolvido. Há dois aspectos do desvio colossense que têm seu paralelo nesta carta. Um é a estima excessiva dada aos anjos e a necessidade de corrigi-la (cf. Cl 2.18 com Hb 1 e 2). A primeira seção da carta visa demonstrar a superioridade de CRISTO aos anjos. O outro aspecto é uma ênfase exagerada dada à lei cerimonial, que pode ser contrastada com a interpretação espiritual do ritual em Hebreus 5-10. Estes aspectos deram vazão à sugestão de que Apoio enviou esta Epístola à igreja de Colossos antes de Paulo escrever a sua carta com pleno conhecimento daquilo que Apoio escrevera. Embora apoio para um destino colossense seja pouco, a teoria tem algum valor em chamar a atenção a aspectos comuns que provavelmente eram muito divulgados na experiência cristã primitiva. Concluindo: inclinar-nos-emos para a opinião de que algum tipo de apostasia para o judaísmo está subentendido, mas será mantido em mente que houve outras correntes de influência que não podem ser desconsideradas ao interpretar corretamente o pensamento. Se o autor parece obcecado com a interpretação vétero-testamentária, seu interesse por ela é mais do que antiquário. Está ajudando cristãos perplexos a descobrirem o sentido verdadeiro do AT, sentido este que para ele se focaliza em CRISTO. É provável, no entanto, que também está preocupado em demonstrar sua relevância num mundo influenciado por idéias gregas.
 
VIII. A SITUAÇÃO HISTÓRICA
Qualquer escrito fica iluminado quando é colocado na sua situação histórica, e é necessário indicar de modo breve o meio-ambiente desta Epístola. Já foi indicado que os leitores eram quase certamente cristãos judeus. É lógico, portanto, notar em primeiro lugar os aspectos que se alinham especiámente com um pano de fundo judaico.
O Antigo Testamento 0 mais óbvio destes aspectos é a forte influência do Antigo Testamento sobre o autor.37 Não é preciso dizer que sua mente estava saturada do pensamento vétero-testamentário, mas fica claro que seu interesse principal fixava-se no testemunho do Pentateuco. Seu tratamento do ritual dá testemunho disto, porque não baseia suas observações, conforme poderíamos ter esperado, nos procedimentos contemporâneos do Templo, mas, sim, nos pormenores levíticos. Claramente deseja estabelecer uma abordagem cristã ao ritual do Antigo Testamento, e acha sua chave no pensamento da superioridade de CRISTO, tanto como sacerdote quanto como sacrifício. Até mesmo quando cita os heróis da fé, tira a maior parte dos seus exemplos do Pentateuco. Apesar disto, a mente do escritor também estava saturada doutras partes do Antigo Testamento, especialmente dos Salmos.38 De fato, pode ser dito que o Salmo 110 desempenha um papel-chave no desenvolvimento do seu argumento, fornecendo-lhe, em particular, seu tema de Melquisedeque. Outra passagem importante para ele é a seção da nova aliança em Jeremias 31, que cita extensivamente no capítulo 8. O modo das suas citações também é relevante, porque indubitavelmente considerava autorizado o texto do Antigo Testamento. Toma por certo que aquilo que o texto diz, DEUS diz, o que se revela de modo notável no capítulo 1. Até mesmo uma fórmula vaga como: “alguém, em certo lugar, deu pleno testemunho” para introduzir uma citação do Salmo 8 (2.6ss.) é em si mesma uma evidência de que o autor queria reforçar sua discussão da humanidade de JESUS com apoio bíblico, embora não especifique o contexto original. O fato de que o texto é considerado assim autorizado é de importância vital para uma compreensão correta do argumento e do propósito da Epístola. Se, conforme parece provável, um dos alvos do escritor é esclarecer as dificuldades que os leitores estavam tendo para tomar uma decisão sobre uma abordagem satisfatória ao Antigo Testamento, a própria Epístola fica sendo um guia útil, não somente para seus leitores originais, como também para o leitor moderno. Muita coisa que talvez pareça irrelevante num exame superficial encaixa-se no seu lugar apropriado quando a questão mais geral da abordagem cristã ao Antigo Testamento é focalizada. Uma pergunta que surge é se o escritor sempre trata condignamente o contexto vétero-testamentário. Alguns já sugeriram que, para ele, o contexto não tinha relevância alguma, mas isto seria um exagero.39 Certamente aplica o texto do Antigo Testamento às vezes de um modo novo, como quando aplica ao Filho palavras originalmente faladas acerca de DEUS (1.8), mas é questionável se pode ser sustentado que o autor desconsiderou o contexto. 0 mesmo se aplica ao desenvolvimento do tema do descanso a partir do Salmo 95 nos capítulos 3 e 4. Seria mais correto dizer que nosso autor ressalta o significado estendido e latente do texto original. Semelhante princípio permite-lhe a aplicação do tema de Melquisedeque de tal maneira que pareça, num exame superficial, que está baseando seu argumento no silêncio da Escritura, ao invés de nas suas declarações (cf. 7.3). Cunrã Nossa consideração seguinte deve ser descobrir se o tipo de desenvolvimento visto na seita judaica em Cunrã tem qualquer relevância como fonte para esta Epístola. Certos aspectos sugerem uma conexão, tal qual a dominância da casta sacerdotal em Cunrã e a evidência de que existia algum interesse entre os sectários no tema de Melquisedeque.40 A comunidade de Cunrã tinha algum interesse por anjos, o que talvez sugira uma conexão com os leitores desta Epístola. Mas o interesse por anjos era generalizado entre os judeus do período intertestamental. Além disto, aparece como parte da assim-chamada heresia colossense (Cl 2.18).41 Outro aspecto é o interesse extensivo entre os sectários pela exegese bíblica42 e certamente há algum paralelo com o escritor desta Epístola. Visto que os exegetas estavam mais ocupados em aplicar o texto aos seus próprios dias do que ao seu contexto histórico, assim também nosso autor tende a ressaltar a presente relevância sem, porém, desconsiderar o contexto. Pode haver alguns paralelos entre o Mestre da Justiça de Cunrã e JESUS CRISTO, mas o escritor desta Epístola não tem dúvida alguma de que JESUS é superior a todos os outros e é, de qualquer maneira, a revelação final de DEUS ao homem.43 Certo aspecto que talvez tenha aplicação à nossa discussão é a conjunção entre os aspectos sacerdotal e real do Messias na comunidade de Cunrã, embora, segundo parece, não estavam ligados à mesma pessoa. 0 Messias sacerdotal de Arão era distinguido do Messias de Israel.44 Como contraste, a apresentação de JESUS em Hebreus é de um sacerdote-rei segundo a ordem de Melquisedeque. A comunidade de Cunrã observava certos ritos que eram especialmente de natureza purificadora. Este tema da purificação ocorre em Hebreus, mas não é vinculado a ritos externos. Na realidade, os leitores são instados a avançar além das doutrinas elementares tais como as lustrações (“batismos,” 6.2). Mesmos assim, a idéia da purificação está presente, mas aplicada de modo espiritual, conforme demonstra a declaração em 10.22 acerca de corações sendo purificados de má consciência. Há alguma sugestão de que os ritos purificadores em Cunrã talvez tenham sido desenvolvidos como substituto pela cessação do sacrifício. Uma das razões da localização da comunidade no deserto da Judéia era porque os sectários ficaram insatisfeitos com as disposições para os sacrifícios no Templo em Jerusalém. Não é sem relevância que a Epístola aos Hebreus concentra-se no sacrifício “melhor” de CRISTO. Tendo em vista tudo isto, há alguma justificativa para a opinião de que a literatura e as práticas rituais de Cunrã lançam alguma luz sobre o meio-ambiente ao qual pertencem os leitores desta Epístola, embora seja questionável se algum contato direto pode ser pressuposto. Filo de Alexandria Há muito tempo tem sido sustentado por intérpretes desta Epístola que um fio de pensamento importante no pano de fundo é o helenismo,45 especialmente a variedade do helenismo vista nos escritos de Filo de Alexandria.46 Muita coisa tem sido escrita sobre o relacionamento entre nossa Epístola e os escritos de Filo, e será possível oferecer aqui somente um breve resumo dos pontos salientes. Filo como exegeta é de má fama pelo seu uso da alegorização numa tentativa de tomar o texto do Antigo Testamento relevantes para seus contemporâneos. Seu alvo nisto era fazer os conceitos principais do seu meio-ambiente grego remontarem a fontes judaicas. Para realizar esta intenção apologe'tica, prestava pouca atenção ao contexto histórico. Será imediatamente percebido, no entanto, que embora o escritor desta Epístola às vezes se aproxime de uma tendência alegórica, difere radicalmente de Filo por tratar com seriedade o contexto histórico. A totalidadade do seu argumento cairia por terra se a base histórica fosse negada. Ao discutir a busca dos israelitas pelo “descanso”, nunca sugere que as peregrinações no deserto não foram historicamente relevantes e, na realidade, baseia seu argumento no fato de que os israelitas chegaram a desobedecer a DEUS e foram excluídos da entrada na terra prometida pela descrença . Tanto Filo quanto nosso autor, a despeito dos seus métodos diferentes de exegese, compartilham de uma alta estima pela Escritura. Os dois usam exclusivamente a versão da Septuaginta e introduzem o texto com fórmulas semelhantes de citação. Além disto, há muitas palavras e frases significantes que aparecem tanto nos escritos de Filo quanto nesta Epístola. A relevância dos nomes fica clara em Hebreus 7.2 e este é um tipo de dedução familiar para Filo. Os dois escritores abundam em antítese tais como o contraste entre o terrestre e o celestial (cf. Hb 8.lss.; 9.23- 24), entre o criado e o não-criado (9.11) e entre o que é passageiro e o que é permanente (7.3, 24; 10.34; 12.27; 13.14). Esta predileção pela antítese levantou a questão de se nosso autor, como Filo, dependia da teoria platônica das idéias. Tem havido uma diferença de opinião sobre a resposta a esta pergunta. Alguns têm sustentado que esta teoria domina de tal maneira a Epístola que o autor deve ser considerado um judeu alexandrino que aprendeu sua abordagem do contato com o ensino de Filo. Talvez pareça, superficialmente, que haja alguns paralelos com a teoria platônica que considera o que é visto como irreal, apenas como sombra da realidade por detrás dele. Sem dúvida, boa parte da Epístola está ocupada com o conceito de que o cerimonial é apenas uma sombra da realidade superior que é CRISTO, e à qual a sombra aponta. Mas é questionável se esta idéia remonta à teoria platônica. É melhor explicada pela convicção do autor de que em muitos aspectos CRISTO é melhor do que a velha ordem — um melhor sacerdócio, um melhor sacrifício, um melhor santuário e uma melhor aliança. A abordagem deste autor é mais bíblica do que a de Filo, porque está trabalhando com uma chave diferente. Não se nega com isto a formação helenística do autor, mas, sim, afirma-se que ele não chegou à sua interpretação através da aplicação das idéias helenistas. Mesmo assim, sua formação equipou-o a expressar em formas helenistas aquilo que já deduzira da convicção cristã de que JESUS CRISTO era a chave ao entendimento do Antigo Testamento. O pensamento paulino Ainda dentro da nossa discussão do fundo histórico, devemos aplicar-nos ao problema do relacionamento entre esta Epístola e o pensamento paulino. Já vimos as razões para rejeitar a opinião de que Paulo foi o autor, mas isto não significa que é inconseqüente discutir se o autor tem algum contato com a teologia de Paulo, e se sua abordagem pode ser considerada um desenvolvimento da posição de Paulo. É valioso notar em primeiro lugar os muitos aspectos da teologia de Paulo que são compartilhados pela carta aos Hebreus.47 Certamente a cristologia é bem semelhante. A pré-existência de CRISTO e Seu papel na criação, que é um destaque principal naprocura, assim como Paulo tampouco, explicar o paradoxo; mas não há dúvida de que, para ambos, o lado divino e humano da natureza de CRISTO era uma convicção básica. Embora nossa carta exponha um aspecto da Pessoa e da obra de CRISTO que não ocorre em Paulo, sua cristologia é essencialmente a mesma. Ligada com a auto-humilhação de CRISTO há a idéia da Sua obediência (Rm 5.19; Fp 2.8; Hb 5.8), que para os dois escritores é contrastada com a desobediência doutros homens. Embora Paulo não trate do assunto de CRISTO como sumo sacerdote, retrata Sua obra na figura do sacrifício, e isto fornece uma ligação importante entre os dois autores (cf. 1 Co 5.7; Ef 5.2; Hb. 9.28). Visto que o sacrifício desempenha um papel tão importante em Hebreus, é importante notar que certamente não é uma idéia exclusiva: pelo contrário, era compartilhada pela igreja primitiva como uma maneira de explicar a morte de CRISTO. Outro aspecto comum entre Paulo e Hebreus é a importância ligada à nova aliança (cf. 2 Co 3.9ss.; Hb. 8.6ss.) Os dois demonstram que esta nova aliança é melhor que a antiga. Paulo fala do maior esplendor da nova, embora não negue que a antiga tinha um esplendor todo seu. Hebreus, no entanto, é um pouco mais franco ao declarar que a antiga é obsoleta (Hb 8.13). Não há diferença fundamental entre eles acerca da relevância de uma aliança mediada pelo próprio CRISTO. No seu catálogo dos heróis da fé, o escritor dá a primazia a Abraão. Já o mencionou anteriormente na Epístola com referência aos seus descendentes (2.16); com referência à promessa que DEUS lhe deu (6.13); e com referência ao seu relacionamento com Melquisedeque (7.1-10). Uma alta estima semelhante por Abraão é achada nas Epístolas de Paulo (Rm 4.lss.; 9.7; 11.1; 2 Co 11.22; G1 3.6ss.;4.22). Nesta conexão podemos notar que Hebreus às vezes cita passagens do Antigo Testamento que Paulo também cita, e.g., os dois citam Salmo 8 (Hb 2.6-9; 1 Co 15.27); Deuteronômio 32.35 (Hb 10.30; Rm 12.19); e Habacuque 2.4 (Hb 10.38; Rm 1.17; G1 3.11). As evidências supra bastam para demonstrar que a carta aos Hebreus, embora não tenha sido escrita por Paulo, pertence aos mesmos moldes teológicos. Não seria aceitável forçar uma cunha de separação entre eles, nem supor que Hebreus é um desenvolvimento posterior do paulinismo. É mais verdade dizer que, embora os dois sejam desenvolvimentos distintivos, não estão totalmente divorciados da corrente principal da opinião Cristã primitiva. Outros paralelos no Novo Testamento Resta apenas inquirir se há pontos de contato entre Hebreus e outros livros do Novo Testamento. Alguns têm visto paralelos com a literatura joanina, especialmente com a idéia de JESUS CRISTO como o intercessor em prol do Seu povo.48 A maioria concordaria que João 17 apresenta JESUS em semelhante papel, orando em prol do Seu povo de uma maneira que formaria muito bem um elo com a idéia de JESUS o Sumo Sacerdote intercedendo por Seu povo em Hebreus 7.25. Há força nesta comparação, que acrescenta mais peso ao argumento de que Hebreus tem ligações com as várias correntes da tradição cristã primitiva. Não pode ser afirmado com certeza que o autor de Hebreus conhecia o Evangelho segundo João, mas não está fora dos limites da possibilidade que tinha conhecimento de uma tradição que conservava pelo menos o fato, senão o conteúdo, da oração de CRISTO em prol dos Seus discípulos. O tema intercessório ocorre também em 1 João 2.1-2, onde aparece a idéia de CRISTO nosso Advogado. Â parte da literatura joanina, podemos notar, também, que há algumas semelhanças entre Hebreus e o discurso de Estêvão em Atos.49 Estas têm levado algumas pessoas a concluir que Lucas foi o autor das duas obras. Não obstante, à parte das questões da autoria, é relevante que os dois ressaltam a chamada de Abraão e os dois atribuem importância a um templo não feito por mãos humanas. Há alguma concordância entre Hebreus e Atos 7 na abordagem à história vétero-testamentária e na avaliação dela. À luz da discussão supra, pode haver pouca dúvida de que Hebreus não pode ser divorciada da corrente principal da literatura neotestamentá- ria. Nada há para sugerir que os leitores gerais da literatura cristã primitiva teriam tido dificuldade com a intenção do argumento desta carta, nem podemos supor que não teriam visto relevância nele.
 
IX. A TEOLOGIA DA CARTA
Não há dificuldade em localizar os temas principais desta carta, mas não é fácil ver como todos se encaixam. Esta é a tarefa principal do teólogo. É baseada na suposição razoável de que o autor não misturou uma massa de temas sem relacionamento entre si, suposição esta que é apoiada pela natureza ordeira da disposição literária. Fica claro que planejou cuidadosamente a sua obra. Sempre que digressões ocorrem na seqüência do seu pensamento, não têm licença de interferir com o desenvolvimento principal do seu argumento. Procuraremos descobrir, em primeiro lugar, se há uma idéia-chave, que explicaria porque o destaque é dado a temas tais como o Filho, o sumo sacerdócio, o sistema sacrificial, e a nova aliança. O que lhes dá unidade? Notamos imediatamente na introdução à Epístola (1.1-3) que o escritor está insistindo na qualidade definitiva da revelação cristã. Tudo quanto DEUS tomou conhecido antes agora é substituído por Sua revelação através do Seu Filho. O fato de que o escritor imediatamente introduz a singularidade do Filho sugere que não tem certeza, de modo algum, de que seus leitores têm esta convicção. Mas não fica imediatamente aparente porque o Filho é introduzido a esta altura, e porque é somente em 2.9 que Ele é identificado como JESUS. Isto não pode ser por acidente, e a razão disto deve fornecer algum indício para a direção do seu pensamento. Não há dúvida que a posição de JESUS como Filho desempenha um papel principal na Epístola como um todo, mesmo naquelas partes que se concentram em JESUS como Sumo Sacerdote. Talvez possamos ver a introdução precoce de JESUS como Filho como uma indicação de que é através dEle que uma nova era nos tratos de DEUS com os homens foi inaugurada. Tudo quanto acontecia na antiga aliança agora foi substituído por uma aliança melhor. São realmente as implicações desta nova aliança que formam o alvo principal da carta. Tomar-se-á aparente que o Filho é a figura-chave na inauguração da nova aliança, o melhor Mediador possível.
 
O caráter do Filho
Em primeiro lugar, exploraremos o caráter do Filho conforme Ele é demonstrado nesta carta. A apresentação de CRISTO é indubitavelmente de uma natureza exaltada, conforme fica imediatamente aparente nos versículos iniciais, que não somente introduzem o Filho, como também fazem declarações extraordinárias acerca dEle. Podemos resumir a cristologia de modo conveniente sob três aspectos: a pré-existência, a humanidade, e a exaltação do Filho. A pré-existência do Filho é enfaticamente afirmada pelo fato de que se diz que Ele é o agente através de quem todas as coisas foram criadas (1.2). Ele claramente existia antes da criação material. Antecedeu os períodos sucessivos da história do mundo (as eras). Esta cristologia exaltada, portanto, é o ponto principal para o argumento da Epístola. O tema da pré-existência também é apoiado imediatamente pelo caráter do agente na criação — como sendo a glória e a imagem de DEUS — e pelo fato de que Ele continua a sustentar todas as coisas pelo Seu poder. No curso desta Epístola há mais indícios que concordam com este conceito da pré-existência de CRISTO. Na aplicação do Salmo 8 feita pelo escritor em 2.9 há a implicação de que JESUS foi levado a adotar uma posição — menor que os anjos — que não ocupava por natureza. Em 7.3 Melquisedeque é feito semelhante ao Filho de DEUS, não vice-versa, que forçosamente significa que CRISTO era anterior a Melquisedeque. É possível também que 10.5ss. dê testemunho do fato de que na encarnação um corpo foi preparado para o Filho. Parece evidente que, quando o escritor fala em termos da pré-existência do Filho, está pensando no Filho como co-participante da natureza divina. Expressões tais como o resplendor (apaugasma) e a expressão exata (charaktèr) da natureza de DEUS (1.3) bastam para demonstrar este fato. Além disto, o fato de que o Filho desempenha um papel na criação demonstra que desempenha a mesma função que noutras partes da Escritura é atribuída a DEUS. Além disto, diz-se que a sustentação de todas as coisas é “pela palavra do seu poder,” que forma um paralelo com muitas referências ao poder de Javé no Antigo Testamento. Pode ser dito, na realidade, que o argumento inteiro da Epístola depende do fato de que o Filho tem uma posição sem igual em relação a DEUS, que é o sustentáculo da Sua eficácia como Mediador e Intercessor. Demonstra a razão básica para a superioridade de CRISTO como Sumo Sacerdote. Que o escritor não acaba de inventar esta idéia é visto no apoio vétero-testamentário que coleciona no capítulo 1, especialmente a passagem do Salmo 45.6, 7 que atribui em 1.8 a CRISTO, embora as palavras sejam dirigidas a DEUS. Nossa consideração seguinte deve sera humanidade do Filho. Esta decorre diretamente da necessidade da encarnação. Claramente, um Sumo Sacerdote que era divino não poderia representar a humanidade. Para ser um representante verdadeiro, o Filho deve tomar-Se homem. Este fato é compreendido em 2.17, onde o escritor demonstra que o Filho teve de ser feito semelhante aos Seus irmãos a fim de cumprir a função de um Sumo Sacerdote misericordioso e fiel. Se a pré-existência e a natureza divina do Filho são suposições básicas do escritor, assim também é a verdadeira humanidade. Não é sem relevância que o nome de JESUS, que leva consigo alusões à vida humana do Filho, ocorre nove vezes nesta carta. Na maioria das ocasiões em que ocorre fica no fim da cláusula, e, portanto, atrai ênfase adicional (cf. 2.9; 3.1; 6.20; 7.22; 10.19; 12.2; 24; 13.12, 20). Algumas das referências mais claras à vida terrestre de JESUS, fora dos Evangelhos, ocorrem nesta Epístola. A agonia em Getsêmane parece ser diretamente aludida em 5.7ss., onde se mencionam o forte clamor e as lágrimas de JESUS. Os sofrimentos de JESUS são de importância vital para o argumento da Epístola e são mencionados várias vezes. Diz-se especificamente que estes sofrimentos ocorreram “nos dias da sua carne.” O ministério de JESUS é aludido em 2.3. A hostilidade que foi despertada contra Ele é mencionada em 12.3. Eventos tais como a cruz (12.2), a ressurreição (13.20) e a ascensão (1.3) são tomados por certo como sendo conhecimento básico. Além disto, devemos notar aquilo que o escritor diz acerca das atitudes e das reações de JESUS. Por implicação, através de uma citação do Antigo Testamento (Is 8.17-18), diz-se que exerceu fé em DEUS (2.13). Além disto, também é visto como um homem de oração (5.7) e como alguém que demonstrou piedoso temor (5.7). Em seguida, deve ser enfrentada a questão de se o Filho de DEUS ao tomar-Se homem veio a ser um homem caído, e a resposta segundo nosso autor deve, enfaticamente, ser negativa. Duas vezes afirma a impecabilidade de JESUS (4.15; 7.26), ao passo que ao mesmo tempo concorda que JESUS foi tentado em todos os aspectos como nós. Isto demonstra que não considera que a impecabilidade foi o resultado de não ter sido exposto às provações e tensões da vida, mas, sim, a evidência de uma conquista positiva do pecado. Outro aspecto da humanidade de JESUS nesta carta é a ênfase dada à Sua perfeição. Embora o conceito do Seu aperfeiçoamento através do sofrimento (2.10) levante problemas, são diminuídos se é percebido que a idéia da perfeição consiste em completar tim processo. O escritor não pode conceber a totalidade do plano da salvação ficando de pé se JESUS não tivesse sofrido, e vê este fato como parte do processo da consumação. Outra passagem que ressalta o mesmo pensamento é 5.8-9, onde o autor diz que embora JESUS fosse um Filho, aprendeu a obediência. Isto não significa que era relutante em obedecer, ou que houve um tempo em que não era obediente, mas afirma que a experiência de JESUS demonstrou que o Filho era obediente. Foi somente por causa disto que Se tornou a fonte da salvação eterna para todos quantos Lhe obedecem. Há muitas passagens nesta carta que indicam a natureza representativa de JESUS CRISTO, aspecto este que é importante para Ele ser um Sumo Sacerdote eficaz. Diz-se que Ele compartilhou da mesma natureza dos homens a fim de derrotar aquele que mantém os homens na escravidão à morte (2.14). É pela mesma razão que se diz que convinha que JESUS Se encarnasse (2.10). A qualificação principal do sumo sacerdote era ser como seus irmãos (2.17). De nenhuma maneira mais clara o escritor poderia estabelecer sua lição acerca da necessidade da verdadeira humanidade de JESUS. Para ser um representante, tinha de experimentar o que o homem experimenta. Ninguém mais senão um homem verdadeiro poderia ter feito isto. Precisamos passar de uma consideração da Sua humanidade ao tema da exaltação de JESUS. Em pontos estratégicos do argumento, a posição do Filho à destra da majestade nas alturas é mencionada. Encontramos o Filho exaltado primeiramente nos versículos de abertura como se o autor, antes de delongar-se sobre a humilhação envolvida na encarnação, quisesse que seus leitores soubessem acerca da posição exaltada do Filho. Além disto, o fato de que o Filho está assentado demonstra que Sua obra já está completa. O enfoque recai sobre Sua realização após a ressurreição. É o modo do escritor, não somente de referir-se à ascensão, como também de demonstrar as vantagens positivas da missão de CRISTO. Estar assentado numa posição tão exaltada dá ao Filho a posição mais vantajosa para Sua obra de intercessão, embora a obra sumo-sacerdotal não seja realmente mencionada até uma etapa posterior. Antes de passar a discutir a nova aliança no capítulo 8, o escritor mais uma vez lembra aos leitores que nosso sumo sacerdote está assentado à destra de DEUS (8.1). O mesmo se aplica a 12.2, imediatamente antes da passagem sobre a disciplina. Além destas referências à entronização do Filho à destra de DEUS, descobrimos várias descrições do Filho que pressupõem Sua glorificação. É descrito como herdeiro de todas as coisas (1.2), que não aponta simplesmente para a frente para uma herança futura, como também indica aquilo em que Ele já entrou. Há um sentido em que a plena realização, pelo Filho, da Sua herança ainda não foi cumprida até que Ele tenha colocado todos os Seus inimigos debaixo dos Seus pés. Mas diz-se que até mesmo os crentes herdam as promessas (6.12) e algum aspecto da realização presente não pode, no entanto, ser negado ao Herdeiro supremo de todas as coisas. Outro aspecto do Filho é a idéia do precursor, que entra na descrição de JESUS como Sumo Sacerdote em 6.20. Isto é de interesse especial para o escritor, porque está ocupado na carta inteira com a aproximação do homem a DEUS, e serve bem seu propósito demonstrar que JESUS já entrou no santuário celestial. CRISTO como precursor é imediatamente visto como superior aos sumos sacerdotes judaicos, mas esta superioridade é um tema que ocupa o escritor em várias seções da Epístola. Era claramente de grande importância para ele demonstrar de modo preliminar as vantagens infinitas que CRISTO tinha, por natureza, na Sua obra de Sumo sacerdote. A superioridade do Filho sobre outros Até este ponto, temos concentrado nossa atenção naquilo que a carta diz sobre a natureza do Filho. Agora passamos a notar as várias maneiras em que a superioridade do Filho é ilustrada. Em primeiro lugar ressalte-se a superioridade do Filho aos anjos (1.5-2.9). Talvez não fique evidente, à primeira vista, porque o escritor está interessado em estabelecer este fato. Pode ser suposto que os leitores tinham uma estima especialmente elevada pelos anjos, e que não tinham conseguido apreciar até que ponto nosso Sumo Sacerdote lhes é superior. Parece provável que muitos estavam argumentando que os anjos eram superiores a JESUS CRISTO, e neste caso o problema deles não era que JESUS foi feito, por um pouco, menor que os anjos, mas que Ele sempre foi superior a eles. O fato de que esta comparação com os anjos fornece o impacto principal dos capítulos 1 e 2 demonstra a importância que o autor deu à comparação como um todo. Mas depois passa a superioridade do Filho a Moisés. Fá-loem 3.1-6, onde, tendo comparado Moisés, o fiel que mesmo assim era apenas um servo, com CRISTO como Filho, não tem hesitação em declarar a superioridade deste último. Enquanto desenvolve seu tema de Moisés para incluir as peregrinações dos israelitas no deserto, isto o leva a demonstrar que nosso líder é superior a Josué, que não tinha capacidade de dar descanso ao povo. Este tema de superioridade é desenvolvido ainda mais ao demonstrar que nosso Sumo Sacerdote é superior a Arão. Isto será especialmente demonstrado em nossa seção seguinte sobre o Filho como Sumo Sacerdote. Não somente o escritor demonstra a superioridade de JESUS, por causa das insuficiências da linhagem arônica com seus sacrifícios constantemente repetidos e sua sucessão, sempre em mudança, de sacerdotes, como também porque pertencia à ordem superior de Melquisedeque. Na realidade, o tema de Melquisedeque é introduzido principalmente para demonstrar uma alternativa viável para a ordem do sacerdócio, que ao mesmo tempo seria superior. Para aqueles que reverenciam o sacerdócio arônico como o único meio legítimo de aproximação a DEUS, a demonstração da superioridade de CRISTO a Arão seria uma linha indispensável de argumento. O Filho como Sumo Sacerdote Embora este tema seja de interesse primário ao escritor, não o introduz imediatamente. Na realidade, apresenta-o paulatinamente a fim de levar seu argumento para um clímax. É mencionado quase incidentalmente em 2.17 e 3.1, e depois não é aludido outra vez até 4.14. Mesmo então o tema é tocado brevemente a fim de introduzir o tema de Melquisedeque, para ser adiado mais uma vez pela digressão acerca da apostasia, que depois leva a uma volta do tema em 6.20. Este modo um pouco truncado de tratar do assunto não pode ser acidental e deve, portanto, ter o propó­ sito de concentrar a atenção do leitor na sua suprema importância. Nas referências iniciais, certos aspectos são ressaltados de passagem. O Sumo Sacerdote tinha de ser como seus irmãos (2.17); tinha de ser misericordioso e fiel (2.17); tinha de fazer expiação pelos pecados do povo (2.17); acima de tudo, tinha de saber simpatizar-se com o povo que representava (4.15). Na primeira passagem mais extensa em 5,lss., a qualificação principal ressaltada é a de ser nomeado por DEUS. O escritor não tem dúvida de que JESUS, o Filho, preenche todos os requisitos mencionados supra. O fato de que JESUS é visto, em razão destas qualidades, como sendo elegível para o cargo de Sumo Sacerdote leva para a discussão principal acerca de Melquisedeque, porque sejam quais forem as qualidades que possuía, a JESUS faltava uma qualificação essencial para a elegibilidade ao sacerdócio arônico: pertencia à tribo de Judá, não de Levi. Não havia maneira, portanto, de sustentar que JESUS era um Sumo Sacerdote do tipo levítico. Se haveria de ser um Sumo Sacerdote, teria de ser de um tipo diferente, e a inspiração do escritor leva-o a identificar essa nova ordem de sacerdócio com a de Melquisedeque. Provavelmente fora levado a esta idéia pela declaração explícita do Salmo 110.4, que depois o levou de volta para a referência original em Gênesis 14.17-20. Visto que sabemos que havia especulações acerca de Melquisedeque na literatura de Cunrã, não é impossível que os leitores talvez já tivessem sido preparados na questão de Melquisedeque, embora o autor levante questões e aplique a idéia de uma maneira totalmente nova. Os aspectos específicos do sumo-sacerdócio de Melquisedeque que o autor ressalta podem ser resumidos de forma breve com os seguintes títulos. Em primeiro lugar: é diferente do de Arão. A diferença não reside simplesmente na sua superioridade. Nem se acha nas funções sacerdotais, porque pela sua definição a função do sacerdote é agir em prol de DEUS diante dos homens e em prol dos homens diante de DEUS. Tanto Arão quanto Melquisedeque fizeram assim. Mas onde Melquisedeque difere radicalmente de Arfo é na ordem à qual pertence. A ordem de Melquisedeque forma uma classe separada. É diferente por basear-se numa qualidade diferente de vida (o poder de uma vida indestrutível, 7.15, 16). Em segundo lugar, notamos que a ordem de Melquisedeque é eterna. Seu sacerdócio é “para sempre” e, portanto, não está sujeito às muitas limitações que afetavam os sacerdotes arônicos. Este elemento eterno é desenvolvido de modo estranho a partir do silêncio do relato de Gênesis em relação ao começo ou ao fim da vida de Melquisedeque. Mas o escritor está convicto de que a Escritura tem a intenção de apoiar esta qualidade permanente. Em terceiro lugar, a ordem de Melquisedeque é real. Não somente o relato de Gênesis chama Melquisedeque de rei de Salém, como também acrescenta a interpretação “rei de paz.” A lição principal é que, diferentemente da ordem de Arão, existe outra que é real. Fomece-se, assim, outro aspecto que demonstra a superioridade desta última. Melquisedeque, de modo muito mais eficaz do que Arão, fornece um “tipo” para o sacerdócio real de CRISTO. Em quarto lugar, podemos notar que a ordem de Melquisedeque é imutável. Está em forte contraste com o pessoal que está sendo constantemente trocado na ordem de Arão. Disposições tinham de ser feitas para a continuidade de uma linhagem de sucessão, de modo que quando um sumo sacerdote morria, outro era levantado para tomar seu lugar. Semelhante mudança constante não era necessária na ordem de Melquisedeque. Vê-se, em tantos aspectos, que a ordem de Melquisedeque é superior à de Arão que se pode até estranhar porque nenhum uso eficaz tinha sido feito da idéia nos séculos intervenientes entre Melquisedeque e CRISTO. A razão deve ser que Melquisedeque somente recebe a atenção que lhe toca quando é visto o antítipo. Noutras palavras, Melquisedeque obtém sua relevância através de Gristo, e não vice-versa. Na realidade, diz-se que o pró­ prio Melquisedeque é feito semelhante ao Filho de DEUS. A obra do Filho como Sumo Sacerdote No pano de fundo de nosso Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, o escritor pensa no serviço que realiza e é especialmente influenciado pelo ritual seguido na ordem em Levítico sobre o Dia da Expiação. Este era o dia mais significativo para o sumo sacerdote arônico, porque era o dia em que ele, e somente ele, tinha licença de entrar no SANTO dos Santos. Era-lhe necessário levar lá para dentro o sangue sacrificial como expiação a ser aspergido sete vezes sobre o propiciatório (Lv 16). Esta idéia sacrificial fornece uma ilustração notável do significado da morte sacrificial de CRISTO. O fato de que o escritor entre em pormenores ao descrever o SANTO dos Santos (9.1 ss.) demonstra que para ele, havia uma estreita conexão entre o ritual arônico e o sacrifício que CRISTO fez de JSi mesmo. O ritual levítico era considerado uma “figura e sombra” (8.5) do santuário celestial. O pensamento passa do tabernáculo terrestre para o celestial. Mas não somente é diferente a localização da oferta, como também a própria oferta é de um tipo diferente. O Sumo Sacerdote, de modo totalmente sem precedentes, oferece a Si mesmo. Não preocupa o escritor o fato da analogia do Antigo Testamento ser rompida, porque o sacrifício que CRISTO fez de Si mesmo é o clímax da sua exposição e imediatamente toma a obra sumo-sacerdotal de CRISTO totalmente sem igual. Em 9.14 afirma que CRISTO Se ofereceu pelo ESPÍRITO eterno, o que destaca este sacrifício como algo incomparável ao ser colocado lado a lado com o derramamento do sangue de animais indefesos. Demonstra, também, que o sangue de CRISTO pode purificar a consciência, o que as ofertas levíticas não podiam fazer. De suprema importância para o escritor é a eficácia da morte sacrificial de CRISTO. Enfatiza várias vezes que foi de “uma vez por todas” (7. 27; 9.12, 26; 10.10). Nunca houve questão alguma de uma repetição. Seria totalmente inconcebível que semelhante oferta pudesse chegar a ser inadequada, nem seria inteligível a repetição de semelhante sacrifício (cf. 9.26). O escritor está convicto de que a qualidade sem igual do cristianismo achase no ato central de CRISTO ao dar-Se como oferta na cruz pelos pecados do Seu povo. Boa parte da seção 8.1-10.18 é ocupada com a demonstração do sacrifício superior que CRISTO ofereceu. Em nenhum outro lugar do Novo Testamento o aspecto sacrificial da obra de CRISTO é ressaltado com tanto impacto. Qualquer doutrina da expiação que se baseia no Novo Testamento deve levar plenamente em conta o testemunho desta Epístola acerca do significado do sangue de CRISTO. Há certos resultados do sacrifício que CRISTO fez de Si mesmo que são ressaltados, os quais dizem respeito à aplicação da Sua obra. Em primeiro lugar, notamos a purificação pelos pecados, que não somente aparece na introdução de 1.3, como também volta a ocorrer noutras ocasiões (cf. 9.23; 10.2-3). A remoção da culpa do pecado que é integral à idéia da expiação é um interesse especial desta Epístola. O escritor está confrontado com o fato de que a antiga ordem levítica não poderia remover os pecados (10.4), mas está convicto de que aquilo que falta na velha ordem tem ampla cobertura na nova, através de CRISTO. O tema da purificação chega ao seu clímax em 10.22, onde os leitores são exortados a aproximar-se de DEUS porque seus corações foram purificados da má consciência (cf. 9.14). Em segundo lugar, descobrimos que o tema da perfeição é ressaltado. Diz-se que CRISTO, “com uma única oferta aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” (10.14). Este é outro aspecto da superioridade da oferta de CRISTO, porque a lei não podia aperfeiçoar coisa alguma (7.19). Deve ser notado, no entanto, que este aspecto da obra de CRISTO não dá apoio algum à teoria da perfeição impecável. O tema da perfeição em Hebreus forma um paralelo com a doutrina de Paulo da justificação, embora seja abordada de um ângulo diferente. Em terceiro lugar, o conceito da santificação precisa de mais ênfase, porque ocorre não somente na passagem que acaba de ser citada (10.14) como também em 2.11; 10.10, 29; 13.12. A santificação e a purificação também estão estreitamente vinculadas entre si, mas a primeira está especificamente ocupada com a separação para um propósito santo, para a qual um processo de tomar-se santo é indispensável. É importante, no entanto, notar que nas referências mencionadas supra não é o indivíduo que santifica a si mesmo. Esta é a obra de DEUS mediante CRISTO. Esta ênfase dada à santificação demonstra que, embora o oferecimento de CRISTO seja de uma vez por todas, Sua obra em prol dos homens não deixa de ser contí­ nua, como também é Sua obra de intercessão (4.15; 7.25). A inauguração da Nova Aliança, feita pelo Filho Nenhum panorama da teologia de Hebreus, no entanto, por breve que seja, estaria completo sem alguma menção da Nova Aliança. Visto que no âmago do memorial à morte de CRISTO na Ceia do Senhor, há referência à Nova Aliança, o ensino desta Epístola sobre o tema tem relevância especial. Embora o escritor declare que a antiga é obsoleta (8.13), há alguma continuidade entre a antiga e a Nova. A antiga, como a Nova, foi ordenada por DEUS. Era a provisão de DEUS para Seu povo. Imediatamente depois de mencionar o caráter obsoleto da Antiga Aliança, o escritor passa a falar com apreço evidente acerca da mobília do centro do culto segundo aquela aliança (9.1ss.). Além disto, tanto a antiga aliança quanto a nova eram providências da graça de DEUS para aqueles que não podiam fazer qualquer providência para si mesmos. Os que recebiam a Nova Aliança não tinham maiores reivindicações sobre DEUS do que os que tinham recebido a antiga. A maior significância da Nova não dependia de um acordo entre DEUS e um povo melhor. É superior somente por ter um Mediador melhor. É baseada numa remoção mais eficaz dos pecados. A citação extensa de Jeremias 31:31-34 em Hebreus 8.8-12 chama a atenção ao caráter interior da Nova Aliança. Seus resultados, portanto, serão de uma alta ordem ética. Quando as leis de DEUS estiverem escritas nos corações dos homens, serão desenvolvidas nas vidas dos homens. Este caráter interior, no entanto, demarca a Nova Aliança como sendo claramente superior à antiga. O que, então, o escritor pensa da aplicação do seu debate bastante teológico acerca da natureza do Filho, do Sumo Sacerdote e do sistema sacrificial? Quando chega à conclusão desta parte da sua carta, faz uma exortação tríplice em 10.19-25, que demonstra que tem uma abordagem nitidamente prática. 10.22 menciona a fé, 10.23 se refere à esperança, e 10. 24 ao amor. Estas três respostas resumem a reação do cristão a tudo quànto CRISTO fez (cf. o tratamento de Paulo das mesmas três qualidades em 1 Co 13). Além destas exortações específicas, o escritor dedica um capítulo inteiro (11) a ilustrações de fé. Além disto, faz seus leitores entenderem que sua nova posição não os absolveria da necessidade da disciplina (12). Há, na realidade, um equilíbrio perfeito nesta Epístola entre a doutrina e a vida prática, o que a toma valiosa e relevante não somente para os leitores originais, como também para seus equivalentes modernos. É dentro do contexto da nova aliança que as advertências contra a apostasia (2.14; 6.1-8; 10.29) têm relevância. Virar as costas contra uma aliança tão maravilhosa seria o equivalente de recrucificar o Filho de DEUS; importaria na rejeição total do cristianismo. Estas passagens não devem ser isoladas da Epístola como um todo. Visam advertir contra as graves conseqüências de rejeitar as graciosas providências de DEUS. O escritor faz muito caso do conceito de fé, e é importante comparar seu ensino sobre o assunto com outros escritores do Novo Testamento, especialmente com o apóstolo Paulo. A declaração em 11.1 de que a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem, demonstra que a idéia principal é uma estreita conexão entre a fé e a esperança. Este é, sem dúvida alguma, o aspecto mais distintivo dos heróis da fé alistados no capítulo 11. Estes grandes homens do passado olhavam para o futuro. Percebia-se que a base das suas proezas era confiar em DEUS que transformaria suas aflições presentes em vitória final. Há, portanto, uma estreita conexão entre a piedade vétero-testamentária e a fé em 52
DEUS. A fé fornecia a confiança em DEUS que era tio necessária nos tempos de aflição de Israel. Enquanto o escritor contempla a história do passado, não é inconsciente da existência da descrença, conforme demonstra tão vividamente nos capítulos 3 e 4. Precisamos, no entanto, inquirir de quais maneiras o escritor ressalta o aspecto especificamente cristão da fé. Claramente, CRISTO fez uma diferença. Ele é descrito como o Autor da nossa fé, bem como seu Consumador (12.2). Os leitores são exortados a olhar para Ele. Esta qualidade cristocêntrica da fé é um desenvolvimento da confiança vétero-testamentária em DEUS. As recompensas da fé, no entanto, devem ser compartilhadas igualmente pelos fiéis da antigüidade e pelos crentes cristãos do presente (cf. 11.40). É digno de nota que há uma ausência do conceito paulino característico da fé como um compromisso pessoal com CRISTO. Não se quer dizer com isto que este escritor propõe uma outra maneira de apropriar-se dos benefícios da salvação além da fé. Toma-a por certo, porém, ao invés de fazer uma exposição dela. Está preocupado com a compreensão daqueles que já se tomaram participantes do ESPÍRITO SANTO (6.4). Deseja assegurarse de que eles permaneçam firmes (cf. 3.6; 10.23). Conclusão Não podemos concluir melhor este breve esboço do ensino principal da Epístola senão por meio de chamar a atenção à oração magnífica com que a própria Epístola termina (13.20-21). Resume a estreita conexão entre os aspectos doutrinários e ético do tema inteiro. Menciona a natureza de DEUS (o DEUS da paz), a ressurreição de CRISTO, a função de CRISTO (Pastor), o sangue da aliança, e a aplicação prática (“para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele”). É tanto uma oração quanto uma declaração, numa só sentença.
 
ANÁLISE
I. A SUPERIORIDADE DA FÉ CRISTÃ (1.1-10.18)
A. A REVELAÇÃO DE DEUS ATRAVÉS DO FILHO (1.14)
B. A SUPERIORIDADE DO FILHO AOS ANJOS (1.5-2.18) (i) CRISTO é superior na Sua natureza (1.5-14) (ii) Uma exortação contra o desvio (2.14) (iii) A humilhação e a glória de JESUS (2.5-9) (iv) Sua obra em prol dos homens (2.10-18)
C. A SUPERIORIDADE DE JESUS A MOISÉS (3.1-19) (i) Moisés o servo e JESUS o Filho (3.1-6) (ii) Enfoque sobre o fracasso do povo de DEUS sob Moisés (3.7-19)
D. A SUPERIORIDADE DE JESUS A JOSUÉ (4.1-13) (i) O descanso maior que Josué não podia obter (4.1-10) (ii) A urgência em buscar o descanso (4.11-13)
E. UM SUMO SACERDOTE SUPERIOR (4.14-9.14) (i) Nosso grande Sumo Sacerdote (4.14-16) (ii) A comparação com Arão (5.1-10) (iii) Um interlúdio desafiador (5.11-6.20) (iv) A ordem de Melquisedeque (7.1-28) (v) O ministro da Nova Aliança (8.1-13) (vi) A glória maior da nova ordem (9.1-14)
F. O MEDIADOR (9.15-10.18) (i) O significado da Sua morte (9.15-22) (ii) Sua entrada num santuário celestial (9.23-28) (iii) Seu oferecimento de Si mesmo em prol doutros (10.1-18)
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A. A POSIÇÃO PRESENTE DO CRENTE (10.19-39) (i) O novo e vivo caminho (10.19-25) (ii) Outra advertência (10.26-31) (iii) O valor da experiência passada (10.32-39)
B. A FÉ (11.1-40) (i) Sua natureza (11.1-3) (ii) Exemplos do passado (11.4-40)
C. A DISCIPLINA E SEUS BENEFÍCIOS (12.1-29) (i) A necessidade da disciplina (12.1-11) (ii) Evitando a inconsistência moral (12.12-17) (iii) Os benef/dos da nova aliança (12.18-29)
D. CONSELHOS FINAIS (13.1-25) (i) Exortações que afetam a vida social (13.1-3) (ii) Exortações que afetam a vida particular (13.4-6) (iii) Exortações que afetam a vida religiosa (13.7-9) (iv) Acerca do novo altar do cristão (13.10-16) (v) Palavras finais (13.17-25)
 
COMENTÁRIO
 I. A SUPERIORIDADE DA FÉ CRISTÃ (1.1-10.18)
Os cristãos que tinham vindo de um passado judaico naturalmente comparariam sua fé recém-achada com a riqueza da sua herança tradicional judaica. Esta carta se propõe a demonstrar-lhes a maior riqueza da sua posição cristã. A cada etapa do argumento a nota tônica é que sua nova fé é melhor. Embora a direção deste argumento teria valor especial para ex-judeus que se tomaram cristãos, o tema da superioridade da fé cristã teria relevância também para aqueles que foram convertidos de um passado pagão, tendo em vista o fato de que os crentes gentios bem como os crentes judeus aceitavam a autoridade das Escrituras do Antigo Testamento e precisariam de uma interpretação verídica das mesmas.
 
A. A REVELAÇÃO DE DEUS ATRAVÉS DO FILHO (1.1-4)
Nesta breve seção introdutória, a revelação de DEUS através do Seu Filho é vista não somente como superior mas também como definitiva. Levado em conta que semelhante revelação conclusiva requer um meio muito especial, o escritor introduz seus leitores à natureza superior do Filho e também liga o que Ele é com o que Ele tem feito.
 
HEBREUS 1-2
1. A carta começa com uma declaração de um fato, a saber: que DEUS tem falado.
Pelo menos o escritor não vê necessidade alguma de demonstrar este fato. Não comprova que DEUS fala, afirma. Isto significa que a carta não tem relevância para aqueles que não aceitam que DEUS falou ao homem? A resposta deve ser sim. A fé não somente na existência de DEUS, bem como na comunicação de DEUS, são tomadas por certas. É um dos princípios sobre os quais baseia-se a totalidade do argumento da carta. É inútil ler mais se DEUS não faz revelação alguma aos homens.
A carta oferece, do outro lado, alguma ajuda em prol de uma melhor compreensão daquilo que DEUS tem feito. Outra suposição que o autor faz é que aquilo que aconteceu no passado tem aplicação ao presente. Semelhante suposição seria rejeitada por muitos pensadores contemporâneos. Há, realmente, no mundo secular uma reação contra o passado como se qualquer apelo às suas lições fosse inadmissível. Sempre há, porém, uma seção da sociedade que vive no futuro e está contra o presente e o passado — um tipo de atividade permanentemente contrária à situação em vigor. Mas os mais sábios reconhecem que alguma continuidade é inescapável. Este princípio é básico para o Novo Testamento, e em nenhum lugar é enfocado tão claramente quanto em Hebreus. Aquilo que prende a atenção do escritor é a variedade de maneiras segundo as quais DEUS tem falado no passado. Não as alista, mas usa a expressão muitas vezes, e de muitas maneiras. -Qualquer pessoa com conhecimento do Antigo Testamento imediatamente conseguiria preencher os pormenores — os modos diferentes (visões, revelações angelicais, palavras e eventos proféticos) e as ocasiões diferentes (espalhando-se, por todo o panorama da história do Antigo Testamento). As revelações mais iluminadoras vinham através dos profetas. Estes eram homens levantados por DEUS para desafiar seus próprios tempos. Seu emblema de ofício era a convicção inabalável de que falavam da parte de DEUS. Sua capacidade de dizer: “Assim diz o Senhor,” dava às suas palavras uma autoridade sem igual. Eram maltratados (conforme Hb 11.33ss. demonstra) mas, mesmo assim, persistiam na sua mensagem. As suas histórias formam uma leitura heróica, mas aquilo que diziam era incompleto. O escritor de Hebreus sabia qüe era necessário um método melhor de comunicação, e reconhece que este veio em JESUS CRISTO. Sendo assim, poderíamos querer saber porque o antigo não pode ser esquecido. Afinal das contas, aquilo que JESUS revela é melhor do quê os profetas. Apesar disto, a continuidade é mantida. Aquilo que foi falado outrora (palaij preparou o caminho para a comunicação mais importante de todas (i.é., a revelação pelo Filho). Este é o tema real da carta inteira: o passado cedeu lugar a coisas melhores. É por esta razão que o passado (as idéias religiosas do Antigo Testamento) sempre volta a aparecer no quadro pintado por esta Epístola, para então voltar a desvanecer-se à medida em que idéias melhores o cumprem e o expandem. É fácil perceber porque o escritor começa desta maneira. Vê valor no passado (porque DEUS falou através dele), mas também vê suas imperfeições. O que ele diz não pode deixar de lançar luz sobre a abordagem cristã no Antigo Testamento. Isto toma sua carta valiosa para hoje, e não somente para os tempos dele.
 
2. Nestes últimos dias pode ser entendido no sentido e ao fim destes dias, que aponta muito claramente para uma crise, uma nova revelação decisiva contrastada tanto com a variedade de modos quanto com a necessidade da repetição no passado.
Uma revelação dada de uma vez por todas é claramente superior. Talvez o escritor estivesse pensando nos últimos dias como sendo os dias finais do período pré-cristão, de modo semelhante à divisão que os mestres judaicos faziam entre a era presente e a era do Messias. Segundo este ponto de vista, visto que os cristãos acreditavam que JESUS era o Messias, os “últimos dias” eram o fim da velha era. Mas tendo em vista a expressão correspondente “ao se cumprirem os tempos” em 9.26, é mais provável que “estes últimos dias” se refira à era cristã, que envolve uma nova era comparada com a antiga. Quando DEUS falou aos homens pelo Filho, o propósito era marcar o fim de todos os métodos imperfeitos. A cortina finalmente descera sobre a era anterior, e a era final agora tinha raiado. Quando, no texto grego, o escritor diz um Filho ao invés de Seu Filho, fá-lo para demonstrar o meio superior usado. Certamente não está dizendo que DEUS tinha mais de um Filho. Está subentendendo que o melhor dos profetas não pode ser comparado com um Filho como meio de revelação. Naturalmente, a idéia do Filho de DEUS vindo aos homens é uma pedra de tropeço para muitos, mas o escritor não defende sua declaração. Não vê necessidade de fazer assim, a despeito do fato de que seus próprios contemporâneos não estariam mais acostumados à idéia do que nós. Os pagãos às vezes pensavam na prole dos deuses, mas esta é uma idéia muito diferente de JESUS como Filho de DEUS. Nosso escritor deve ter tomado por certo que seus leitores reconheceriam esta fato sem questioná-lo. Mas não diz logo de início que está pensando em JESUS. Isso vem mais tarde, em 2.9 Há, naturalmente, um problema de linguagem aqui. Pode ser questionado, no entanto, quão significativa é a idéia do pai-filho com referência a DEUS, por mais valiosa que seja nos assuntos humanos. Mas na tentativa de colocar a verdade divina em linguagem humana, o melhor que se pode fazer é usar a aproximação humana mais à mão; enquanto isto for mantido em mente, esta linguagem fica cheia de sentido. A essência da revelação cristã é que DEUS é melhor visto no Seu Filho. A analogia humana é imperfeita, naturalmente, porque nenhum pai humano é completamente refletido no seu filho. Mas JESUS CRISTO demonstra perfeitamente tudo que possa ser sabido acerca do Pai. Não admira que nosso escritor está impressionado pela superioridade deste tipo de mensagem comparada com os meios usados no passado! Sabe que se os homens não podem aprender do Filho acerca de DEUS, nenhuma quantidade de vozes ou ações proféticas os convenceria. Antes de identificar o Filho esmo sendo JESUS CRISTO, o autor dá uma descrição do Filho. É uma descrição profunda, porque nos conta acerca daquilo que Ele é, e não acerca da Sua aparência. O escritor quer que saibamos em primeiro lugar acerca do relacionamento entre o Filho e o mundo da natureza. É compreensível que ele comece aqui, porque o mundo da natureza é nosso meio-ambiente, nosso lar. Para muitos, esta verdade vai até tal ponto que se sentem presos neste meio-ambiente, e não podem conceber dalguém que seja mais poderoso. O conceito que este autor tem do mundo concorda com aquele que é visto em todas as partes do Novo Testamento. É um conceito que começa com DEUS como Criador e passa a ver JESUS CRISTO como estando estreitamente vinculado com Ele no ato da criação. Desta maneira, o universo impessoal imediatamente se toma pessoal. O escritor declara que DEUS constituiu Seu Filho, que é um ato de iniciativa pessoal aqui (o aoristo grego ethêken deve ser considerado intemporal). A verdade importante nesta passagem é que tudo remonta a DEUS. Por que é dito que DEUS constituiu o Filho herdeiro de todas as coisas? Significa que veio a ser aquilo que não era antes? Os elementos de tempo tendem a confundir. É melhor pensar na ordem criada conforme ela é, e depois ser lembrado de que ela pertence a JESUS CRISTO. É acerca da realidade presente da nomeação que o autor se ocupa, e não acerca de quando foi feita. Na realidade, fica claro que o escritor quer que entendamos que nunca houve um tempo em que o Filho não era o herdeiro. As duas idéias, a Filiação e a qualidade de Herdeiro, estão estreitamente vinculadas entre si. Nos negócios humanos, o filho mais velho é o herdeiro natural. Na analogia, um pensamento mais profundo é introduzido. O herdeiro também é o criador. Não está herdando aquilo com que não tem conexão. Herda aquilo que Ele mesmo criou. O escritor imediatamente nos mergulhou em pensamentos profundos acerca da origem do mundo. Mesmo assim, seu interesse por eles não é teórico mas, sim, prático, e nos faz lembrar dos ensinos de JESUS acerca de DEUS e da criação. É Sua criação, Ele até mesmo nota quando um pardal cai. É consolador saber que o Filho tem o mesmo interesse pessoal no mundo em nosso redor. 0 que esta carta passa a dizer acerca de JESUS CRISTO está claramente baseado num alto conceito dEle. A declaração de que DEUS fez o universo por meio do Filho é estonteante. Não se pode negar que DEUS poderia ter feito o universo à parte do Seu Filho, mas o Novo Testamento esmera-se em demonstrar que DEUS não agiu assim. Os cristãos estavam convictos que a mesma Pessoa que vivera entre os homens foi Aquele que criara os homens. Uma carta tal como Hebreus, escrita a partir desta convicção, não poderia deixar de apresentar um quadro mais do que humano de JESUS CRISTO. É digno de nota que este escritor usa a palavra para “eras” (aiõnes) e não a palavra usual para mundos (kosmoi) quando fala acerca dos atos criadores de DEUS. A razão é que a palavra para “eras” é mais compreensiva, e que inclui em si mesma os períodos de tempo através dos quais a ordem criada existe. Quanto mais a ciência descobre acerca do universo, tanto mais maravilhoso é o pensamento de que CRISTO é o agente através de quem foi criado. Os racionalistas podem argumentar que as descobertas científicas tomam insustentável a cosmovisão do Novo Testamento, mas o cristão declara o inverso. Quanto maior for a compreensão do homem das maravilhas do universo, tanto maior a necessidade de uma compreensão adequada da sua origem. A crença num Criador pessoal não é menos crível à medida em que aumenta a penetração do homem no espaço.
 
HEBREUS 3-4
3. Tendo já mergulhado seus leitores em pensamentos teológicos profundos, o escritor ainda vai mais fundo enquanto comenta sobre CRISTO e DEUS.
Qual é o relacionamento entre eles? Como resposta, três coisas nos são ditas; a primeira pode ser resumida como o Filho e a glória de DEUS. Ele ê o resplendor da glória de DEUS. Para compreender esta declaração, precisamos recaptar o fundo histórico do pensamento. A idéia é a da radiância que irrompe de uma luz brilhante. É um quadro marcante, como o surgimento repentino de uma aurora gloriosa no levantar do sol. Os raios penetram em todos os restinhos da escuridão para espatifá-la. Até mesmo este quadro explica de maneira pobre o sentido em que JESUS CRISTO reflete a glória de Seu Pai, porque os raios de luz, por mais esplêndidos que sejam, são, afinal das contas, impessoais. Talvez alguns dos leitores tenham se lembrado de que no Livro da Sabedoria (7.26), judaico, a mesma palavra foi aplicada à sabedoria, considerada personificada. De qualquer maneira, nosso escritor quer que saibamos que a glória de DEUS podia ser vista em JESUS CRISTO.s Uma idéia semelhante aparece em João 1.14, onde uma testemunha ocular declara ter visto a glória. Isto somente pode querer dizer que a totalidade do ministério de JESUS era evidência da glória de DEUS. João chega mesmo a dizer isto acerca do primeiro milagre que JESUS operou (Jo 2.11). Era claramente uma convicção firme entre os cristãos primitivos de que, dalguma maneira, a glória de DEUS era vista numa vida humana. A ocasião mais óbvia foi quando JESUS foi transfigurado, mas Sua missão inteira, inclusive Sua morte, era gloriosa para aqueles que vieram a crer nEle. Refletir a glória de DEUS desta maneira pressupõe que o Filho compartilha da mesma essência do Pai, e não somente da Sua semelhança. A segunda declaração acerca do Filho é que é a expressão exata do seu Ser. Isto vai consideravelmente além da primeira declaração, embora seja vinculada a ela. Isto ressalta especificamente o fato de que Aquele que reflete a glória de DEUS compartilha da Sua natureza. A palavra usada aqui para “expressão exata” (charaktêr) é a palavra para um carimbo ou uma gravação. É altamente expressiva, porque um carimbo num selo de cera terá a mesma imagem que a gravura no selo. A ilustração não pode ser forçada longe demais, porque não deve ser suposto que o Filho é formalmente distinto do Pai como o carimbo é diferente da impressão que produz. Há, apesar disto, uma correspondência exata entre os dois. Esta declaração em si mesma contém uma verdade profunda, porque a semelhança exata tem relacionamento com a natureza de DEUS (hypostaseòs). A declaração não é sem importância para o pensador teológico, porque apóia a opinião de que JESUS era da mesma natureza de DEUS. Se for assim, nenhuma diferença pode ser feita entre a natureza do Pai e a natureza do Filho. O escritor rapidamente mergulhou seus leitores na teologia profunda, mas não pára a fim de discuti-la. Toma por certo que seus leitores aceitarão sem questionar este conceito de JESUS CRISTO. A terceira declaração diz respeito ao papel presente do Filho na criação. É dito que sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder. Duas perguntas surgem imediatamente. Em que sentido devemos compreender o sustentar, e de que maneira a palavra transmite poder? A palavra para “sustentando” (pheròn) tem o sentido de manter no alto ou sustentar, o que demonstra que JESUS CRISTO é visto no centro da estabilidade constante do universo. Não há lugar aqui para a idéia do deísta acerca de DEUS como relojoeiro que, tendo feito um relógio, deixa-o funcionar sozinho com seu próprio mecanismo. O conceito neotestamentário é que DEUS como Criador e o Filho como agente na criação estão dinamicamente ativos na ordem criada. Mas como o Filho exerce o Seu poder?6 Deve ser notado que a palavra seu (autou) podia referir-se ao poder do Filho òu ao poder do Pai, mas isto faz pouca diferença à interpretação. A palavra relembra a palavra de oídem de DEUS na criação (e.g. “Haja luz”) e a idéia em João 1.1-3 de que todas as coisas foram feitas pela Palavra (JLogos), termo este [traduzido “Verbo” ] que se refere ao próprio JESUS CRISTO. Da mesma maneira que a Palavra criou, a Palavra sustenta. A estabilidade assombrosa da ordem criada é testemunha do “poder” por detrás dela. Depois desta série de ditos grandiosos acerca de JESUS CRISTO, o escritor dá um indício do tema predominante da sua carta. A purificação dos pecados é uma busca religiosa que já durou muitas eras. Sempre que há qualquer consciência do pecado, geralmente está presente um forte desejo de ser purificado dele. As várias tentativas humanas de obter semelhante purificação apresentam um amplo espectro de idéias, desde os mais desesperados esforços-próprios até à supressão de todos os esforços e até mesmo de todos os desejos. A maioria dos sistemas começa com o homem e depende da força da vontade dele mesmo. De má fama entre tais sistemas correntes nos tempos de JESUS era o dos fariseus que geralmente faziam das boas obras e do esforço-próprio a medida da devoção religiosa. A idéia de que os pecados poderiam ser purificados sem semelhante esforço lhes era estranha. Certamente, a idéia de que JESUS CRISTO podia purificar os pecados era considerada incrível. JESUS viu-Se confrontado com este conceito quando perdoou o pecado de um homem, e Lhe foi dito que somente DEUS podia perdoar os pecados. Mas nesta carta a idéia vai mais longe do que o perdão, porque a purificação envolve a limpeza, no sentido de tornar puro. É estranho que o escritor desta carta não dê indício algum a esta altura acerca da maneira em que JESUS CRISTO purificou os nossos pecados. Nada há para mostrar como ele lidou com o pecado, ainda que, à medida em que a carta prossegue, este fato fica sendo cada vez mais claro. Parece que a esta altura é suficiente para ele mencionar um ato completado (o tempo aoristo (poièsamenos) exige assim7) para resumir o que o Filho fez em prol dos homens. A ligação entre a idéia de sustentar o universo com a de purificar os pecados é muito notável. A qualidade remota a inspiradora de temor de sustentar o universo é contrabalançada pela intimidade da purificação dos pecados. Com uma tela tão grande quanto o universo para pintar, é notável achar a mínima menção dos pecados. Mas é este último tema que dominará a carta inteira. Deve ser mantido em mente que o Antigo Testamento demonstra que providências foram feitas para a expiação mediante o sacrifício, e visto que esta carta é endereçada a “Hebreus” pressupõe-se, sem dúvida, que os leitores vinculariam a “purificação” com o Dia da Expiação, quando, então, enfatizava-se que a purificação dos pecados do povo somente poderia ser feita mediante o sacrifício. O escritor demonstra mais tarde que o sangue de touros e de bodes não pode remover pecados (10.4). Por enquanto, contenta-se com o resumo o mais conciso possível. Depois de tratar dos pecados, o Filho sobe ao trono. Mais uiha vez, a ação é específica. Aconteceu depois do evento de purificar os pecados, o que sugere que a importância da entronização acha sua chave no ato da purificação.8 Mais uma vez, trata-se de um resumo brevíssimo. A mão direita era tradicionalmente o lugar de honra. A idéia aqui é tirada da prá­ tica dos reis orientais de associar com eles mesmos o herdeiro no exercí­ cio do governo. Apesar disto, a idéia do Messias estar assentado à direita de DEUS provém do Salmo 110.1. A associação deve ter estado na mente do autor, porque várias vezes cita este Salmo mais tarde na Epístola. Realmente, pode ser dito que este Salmo forma uma parte importante do pano de fundo da carta inteira. Evidentemente, o escritor tinha meditado sobre ele, porque é dele que desenvolve a idéia de uma ordem diferente de sacerdócio. Para o momento, no entanto, tem outras coisas em mente antes de chegar àquele assunto. O ato de sentar-se (assentou-se, ekathisen, aoristo) leva consigo um forte sentido de realização, porque a posição assentada é mais sugestiva de uma tarefa acabada do que uma posição em pé. Na realidade, esta ênfase no CRISTO assentado, que é apoiada por outras evidências neotestamentárias, demonstra conclusivamente que a obra sacrificial está feita. Já não há necessidade alguma de semelhante sacrifí­ cio. A posição sentada também pode denotar uma posição de alta honra.9 Há apenas uma referência a CRISTO em pé no céu: quando Estêvão viu o Filho do homem no céu, viu-0 em pé à direita de DEUS (At 7.56). Isto refere-se à Sua obra de intercessão, não à Sua obra de sacrifício. O pecado já foi tratado, mas o povo de DEUS ainda precisa de um intercessor pra pleitear por ele — o que é outro tema desenvolvido posteriormente nesta carta. Vale a pena notar que a Majestade nas alturas é uma maneira especialmente respeitosa de falar acerca de DEUS. Reflete a reverência judaica para com o nome de DEUS que levou os judeus devotos a evitar o seu uso e a colocar no lugar dele alguma frase de respeito. O escritor usa uma frase quase idêntica em 8.1. A presente declaração é apenas uma indicação da exposição mais completa que está para seguir. O escritor claramente tem um conceito majestoso de DEUS.
 
4. Este versículo cumpre dois propósitos: conclui a declaração introdutória e prepara o cenário para a primeira seção principal.
Tendo em vista tudo que já foi dito, a superioridade do Filho aos anjos não é surpresa alguma. Mas não fica tão claro por que a comparação é feita com anjos a esta altura. Pode ser que o escritor tinha meditado sobre as passagens do Antigo Testamento que passa a citar, com interesse especial pelo Salmo 8 (citado no cap. 2) e no Salmo 110, porque os considerava messiânicos. Do outro lado, é possível que a idéia da superioridade de CRISTO aos anjos lhe tenha ocorrido primeiro, e que as passagens relevantes tenham, então, surgido na sua mente. Esta última sugestão é provável, tendo em vista o grande interesse que os judeus tinham pelos anjos. É compreensível que, numa época em que os anjos eram tidos em alta estima, o escritor desejasse demonstrar que DEUS agora falara através do Seu Filho de uma maneira muito mais eficaz do que através deles. O homem moderno não tem tanta certeza acerca dos anjos, e a relevância desta passagem requer alguma discussão. Os anjos aparecem várias vezes nas histórias dos Evangelhos, e não se pode negar que os evangelistas consideravam estes seres sobrenaturais como seres reais. Na realidade, JESUS mesmo falou dos anjos da guarda dos filhos. Boa parte da crítica moderna dispensa os anjos ao chamá-los de seres mitológicos, i.é, algum tipo de personificação das mensagens de DEUS. Se esta opinião fosse certa, haveria pouca relevância na discussão da superioridade do Filho aos anjos, a não ser para demonstrar a ineficácia dos seres mitológicos. Mas se há dimensões espirituais representadas por anjos que não podem ser consideradas no mesmo nível da experiência natural, fica sendo imediatamente relevante definir a posição do Filho nestas esferas espirituais. O homem de fé pode às vezes penetrar nas esferas que estão bloqueadas para muitos por causa da sua descrença. O “anjo” no Novo Testamento é invariavelmente um mensageiro de DEUS e é este aspecto que é importante para o presente argumento do escritor. Concentra-se primeiramente no nome, que outra vez é surpreendente. O ditado moderno: “O nome não importa” certamente não era aplicá­ vel então, porque os nomes eram mais do que um meio de distinguir as pessoas; eram o meio de dizer algo acerca daquelas pessoas. O nome descrevia a natureza. Mas qual é o nome que Ele herdou? Visto que JESUS já foi introduzido como o Filho, idéia esta que é o tema das citações do Antigo Testamento que se seguem, fica claro que o nome mais excelente é o de Filho, que subentende o relacionamento mais estreito e mais íntimo. Visto que para o mundo daqueles tempos o nome de “anjo” era tão altamente honrado como símbolo de mensageiro divino, é possível que alguns estivessem chamando JESUS CRISTO pelo nome de “anjo” e fazendo-O não mais alto do que os seres espirituais que, segundo se acreditavam, influenciavam os negócios dos homens. A idéia dEle como Filho é muito mais sublime. Claramente, o cristianismo teria tido um caráter bem diferente se a posição de JESUS não tivesse sido mais alta do que a de um anjo. Os leitores podem ter pertencido a um grupo semelhante àquele em Colossos que realmente estava adorando anjos (Cl 2.18), ou a um grupo que anteriormente estivera sob a influência de Cunrã, onde os anjos eram altamente respeitados. Era essencial para o evangelho cristão ser libertado deste tipo de abordagem. A excelência do nome dado a JESUS CRISTO é achada também em Filipenses 2.9ss., onde é considerado um sinal de honra sublime.
 
B. A SUPERIORIDADE DO FILHO AOS ANJOS (1.5-2.18)
Os leitores judeus certamente devem ter tido alta estima pelos anjos e o escritor considera necessário demonstrar a superioridade de CRISTO a estes mensageiros celestiais reverenciados. 0 caráter glorificado de CRISTO pressupunha Sua superioridade aos anjos, mas um problema surgiria acerca da Sua humanidade. Nesta seção, o escritor leva seus leitores a reconhecer porque JESUS tinha de tomar-Se um homem verdadeiro a fim de ser eficaz como Sumo Sacerdote em prol dos homens, função esta que nenhum anjo poderia cumprir.
 
(i) CRISTO é superior na Sua natureza (1.5-14)
HEBREUS 1: 5
5. Agora começa uma lista de citações do Antigo Testamento que se propõem a demonstrar a extensão da superioridade do Filho.
O escritor não usa suas citações exatamente da mesma maneira como o contexto original. Por exemplo, toma palavras que originalmente se aplicavam a um rei israelita e aplica-as a JESUS CRISTO. Considera que este modo de proceder é legítimo. Nisto não está sozinho, porque há outros exemplos entre os escritores do Novo Testamento. O Evangelho segundo Mateus contém vários. Mateus 2.5-6 e 22.44 são exemplos em que passagens do Antigo Testamento são citadas de modo messiânico. Alguns dos cumprimentos de Mateus, no entanto, são passagens que os judeus nunca consideraram como messiânicas (e.g. Mateus 2.15 que cita Oséias 11.1), mas que o ESPÍRITO levou os cristãos primitivos a reconhecer como tais. Fica claro que as Escrituras do Antigo Testamento possuíam considerável autoridade para a era do Novo Testamento, e, de fato, a totalidade desta carta aos Hebreus testifica disto. Deve ser notado, ainda, que o escritor introduz as citações neste capítulo com a fórmula simples: “Diz,” que deve referir-se a DEUS. As Escrituras para ele são a voz de DEUS.
Para uma apreciação da abordagem cristã ao Antigo Testamento, é necessário ter em mente este conceito flexível do cumprimento da profecia. A idéia de um cumprimento imediato e de um outro cumprimento remoto é comum, e isto explica como uma predição que tinha relevância no passado poderia ter um cumprimento mais completo no futuro. Isto está em harmonia com a natureza de DEUS que vê o tempo de um modo diferente do conceito que o homem tem dele. Para Ele, mil anos é apenas um dia, que não deve ser considerada uma correlação exata, conforme supõem alguns milenistas, mas, sim, como uma indicação de uma diferença essencial de cálculo.
A primeira passagem a ser citada é Salmo 2.7, salmo este que reflete uma situação de guerra e que provavelmente pertence à situação histórica descrita em 2 Samuel 7.
 Nosso escritor, no entanto, não está interessado no evento histórico, mas, sim, na propriedade das palavras para serem aplicadas ao Messias.10 No Salmo, as palavras: Tu és meu Filho aplicam-se a Davi, mas claramente somente têm uma aplicação imperfeita a ele. Os cristãos primitivos reconheciam as palavras como messiânicas. São citadas no discurso de Paulo em Antioquia da Pisídia (At 13.33). Os judeus no seu auditório teriam apreciado a força desta citação; acrescentava autoridade bíblica às declarações que Paulo estava fazendo. O que impressiona o escritor aos Hebreus é que, ao passo que as palavras de aplicam a JESUS CRISTO, não podem aplicar-se a um anjo. Se DEUS Se dirige ao Messias desta maneira, o Messias deve, portanto, ser superior aos anjos. Mas em que sentido se deve entender as palavras eu hoje te gereP. Na sua aplicação a Davi, podem referir-se ao aniversário da sua coroação. Ou, talvez a palavra “gerei” (gegennêka) deva ser entendida com referência à paternidade de DEUS, sem indicar qualquer ponto específico de tempo. Quando é aplicada a JESUS CRISTO como Messias, a mesma coisa se aplica. Pode referir-se à encarnação ou à ressurreição. De fato, é neste último sentido que é aplicada em Atos 13.33. Do outro lado, não fica claro que em Hebreus qualquer importância é atribuída ao elemento tempo. O escritor claramente está mais interessado em demonstrar a relevância da geração em termos da posição do Filho, ao invés de prendê-la a uma ocasião específica.
A segunda citação é uma passagem que era geralmente aceita como sendo uma referência ao Messias. Vem de 2 Samuel 7.14, de um oráculo dado a Davi.
Há uma estreita ligação entre esta passagem e a anterior. A idéia contida nela captou a imaginação de muitos escritores do Antigo Testamento, conforme é visto na sua crença num Messias vindouro. O relacionamento entre Pai e Filho mais uma vez é a idéia-chave para nosso escritor, porque marca o Messias como estando separado do relacionamento Criador-criatura que há entre DEUS e os anjos. Historicamente, pode-se dizer que as palavras acharam um cumprimento parcial em Salomão, o filho de Davi, que completou a edificação do primeiro templo. Mas o cumprimento perfeito não veio até o tempo do Filho maior de Davi. Tanto o reino quanto o templo precisavam de uma reinterpretação em termos espirituais, e era um dos temas principais de nosso escritor fazê-lo em referência ao tabernáculo que era o prenúncio do templo. Vale a pena notar que há alguma menção de um relacionamento pai-filho em Salmo 89.26-27, seguida por uma referência ao primogênito, uma combinação de idéias que também é achada nos versículos 5 e 6 deste capítulo. Já que nosso autor está profundamente instruído no Antigo Testamento, é provável que sua familiaridade com o Salmo 89 também tenha influenciado sua seleção dalgumas das outras passagens do Antigo Testamento citadas aqui.
 
HEBREUS 1: 6-7
6. As palavras: E, novamente, ao introduzir o Primogênito no mundo, que introduzem a citação seguinte, também ecoam a passagem véterotestamentária mencionada supra (i.é, SI 89.27). Ali, a palavra primogê­ nito é usada (“Fá-lo-ei... meu primogênito”) para Davi. Fica claro que na mente do escritor o “Primogênito” (prõtotokos) do v. 6 é o Filho dos versículos anteriores. É sugestivo que o mesmo termo é usado a respeito de JESUS CRISTO pelo apóstolo Paulo (Cl 1.15, 18; Rm 8.29), qualificado da seguinte maneira: primogênito de toda a criação, primogênito dentre os mortos, primogênito entre muitos irmãos. A expressão claramente fica revestida de profundo significado quando é aplicada a CRISTO. Aqui o escritor não entra em detalhes sobre a superioridade de CRISTO, conforme faz Paulo. Contenta-se, pelo contrário, em fazer declarações que produzirão uma impressão profunda de superioridade. A referência primária deve ser à encarnação, para chamar a atenção ao fato de que quando JESUS CRISTO nasceu, a função dos anjos era adorar. Na opinião do escritor, a homenagem dos anjos é prova de que consideravam o Filho como superior. Seu significado fica bastante claro, mas um problema surge a respeito da citação. A fórmula diz (legei), que introduz a citação, é familiar nesta Epístola. 0 sujeito é omitido, mas claramente trata-se de DEUS. As citações das Escrituras não são simplesmente declarações formais do Antigo Testamento, mas, sim, o próprio DEUS falando pessoalmente no texto. Isto dá uma indicação do conceito da inspiração das Escrituras sustentado pelo escritor. Pretende que seja compreendido que a citação que faz vem com autoridade, embora a citação exata: E todos os anjos de DEUS o adorem não apareça na Bíblia hebraico. Em duas passagens da Septuaginta (SI 97.7 e Dt 32.43) há uma estreita aproximação; esta última passagem inclui a conjunção “e” (kai) que está presente no original grego do nosso versículo, mas é omitida na maioria das traduções atuais. Deuteronômio faz parte do cântico de Moisés que olha para o futuro, para o triunfo do Senhor de Israel sobre Seus adversários.Nosso escritor transfere o triunfo deste cântico para o Messias, a quem ele vê como o “Primogênito.” A mesma passagem do Antigo Testamento é citada por Paulo em Romanos 15.10 onde os gentios são conclamados a regozijar-se. Vale a pena notar que Paulo introduz sua citação de Deuteronômio 32.43 com a mesma fórmula (legei) que é usada em Hebreus, tanto mais significante porque não é usual para o Apóstolo usar a fórmula sem declarar o sujeito. Outro paralelo interessante entre as duas passagens do Novo Testamento é o uso duplo de novamente (palin) [ARA reveza várias traduções] em citações sucessivas como se a intenção fosse ressaltar a estreita conexão entre elas. A prática de amontoar citações das Escrituras da maneira de Paulo e do escritor aos Hebreus tem seu paralelo na literatura judaica. Nas passagens sendo comparadas, Paulo acha uma palavra de ligação em “os gentios,” ao passo que Hebreus faz a mesma coisa com a idéia de anjos. A declaração de que os anjos são ordenados a adorar o Primogênito sugere que este é seu dever apropriado.
7. Tendo estabelecido a superioridade de JESUS CRISTO sobre os anjos, que representam as máis exaltadas entre as criaturas de DEUS, o escritor inculca sua lição com referências adicionais ao Antigo Testamento. A primeira é tirada de Salmo 104.4, mas não no sentido achado no texto hebraico, que não faz referência a anjos. O escritor claramente reconhece a autoridade do texto grego que interpretou o texto hebraico da mesma maneira que fizeram os escritores rabínicos. As palavras .Aquele que a seus anjos faz ventos, visam demonstrar um forte contraste entre os anjos e o Filho. Ao passo que se diz que o Filho foi gerado, diz-se que os anjos foram feitos. A distinção não é acidental. Os anjos, como criaturas, podem funcionar somente dentro dos limites para os quais foram criados, ou seja: para levar a efeito os desejos do seu Criador. Tanto os anjos (angeloi) quanto os servos (“ministros” — leitourgoi) têm uma função bem diferente da do Filho. A tarefa deles e' servir. A tarefa do Filho é de exercer soberania (conforme demonstram os w . 8 e 9). É sugestivo que a descrição dos anjos é feita em termos do mundo natural. Ventos e fogo são melhor vistos como representantes de agências naturais poderosas, do que como ilustração de coisas que não tem substâncias. Há paralelos vétero-testamentários à idéia de agências sobrenaturais por detrás dos elementos da natureza (e.g. SI 18.10; 35.5). Há alguma sugestão de poder irresistível na linguagem figurada usada, porque tanto o vento quanto o fogo podem ser irresistivelmente destruidores, ou, se devidamente captados, poderosamente construtivos. Mas o pensamento principal do escritor nesta Epístola é o reconhecimento pelos anjos de um poder maior do que eles mesmos, a saber: o próprio poder que os nomeou. Embora estes agentes espirituais sejam mais poderosos do que os homens, não deixam de ser ultrapassadas pelo poder do Filho. Se alguém pensar que por detrás desta idéia há um conceito antiquado do mundo como estando sujeito a influências pessoas invisíveis, ao invés da idéia moderna da causa e efeito, que não deixa lugar para a manipulação sobrenatural, deve ser lembrado que aqui o escritor não está fazendo um comentário científico sobre fenômenos naturais como “vento” e “fogo.” Seu propó­ sito é inteiramente espiritual, uma demonstração da suprema importância do Filho sobre todas as criaturas. Ao mesmo tempo, o que ele diz não está em conflito com um conceito científico do mundo.
 
HEBREUS 1: 8-9
8-9. O contraste entre os anjos e o Filho é ressaltado de modo inconfundível na construção da frase grega (rnen... de).
A citação que expõe a soberania do Filho vem do Salmo 45.6-7. O contexto original do Salmo era bem diferente, e se referia às bodas dalgum rei de Israel. Mesmo assim, era geralmente reconhecido que tinha um significado muito mais extenso, e, de fato, era considerado messiânico. É neste último sentido que é citado aqui. As palavras iniciais: O teu trono, ó DEUS, épara todo o sempre, causam um problema, porque podem ser entendidas ou como um tratamento direto ao Filho, e neste caso não se pode evitar a implicação de que o Filho está sendo descrito como DEUS;13 ou, menos provavelmente, as palavras podem ser entendidas no sentido de “O trono do Teu DEUS,” ou “DEUS é Teu trono,” e neste caso a implicação de que o Filho é DEUS é evitada. Se um contexto histórico for levado em mente, seria difícil imaginar um rei terrestre sendo diretamente tratado assim, a não ser num sentido restrito, e, portanto, é melhor considerar que a declaração acha seu único cumprimento verdadeiro em CRISTO. Deve ser notado, no entanto, que a deificação do rei tem paralelos na literatura pagã (cf. também Jo 10.34- 35). Mesmo assim, visto que no pensamento hebraico o ocupante do trono de Davi era considerado o representante de DEUS, é neste sentido que se poderia dirigir-se ao rei chamando-o de DEUS.14 As palavras seguintes: Cetro de eqüidade é o cetro do seu reino, focalizam-se no caráter da soberania do Filho. O Antigo Testamento freqüentemente enfatiza a idéia da justiça, não somente a justiça de DEUS, como também a necessidade de justiça da parte do povo. O tema é especialmente relevante para o assunto principal desta Epístola. O Filho não dá Sua aquiescência a um padrão justo com má vontade. Forma o centro dos Seus afetos. Faz parte da Sua natureza — Amaste a jus? tiça. Semelhante abordagem à justiça envolve uma rejeição específica do seu oposto: a iniqüidade fahomia). É típico do estilo poético hebraico declarar uma idéia seguida por uma negação do seu oposto. Os que amam não têm alternativa senão odiar a iniqüidade, mas somente JESUS CRISTO o Filho já cumpriu perfeitamente os dois objetivos. A unção do Filho não deve ser considerada em conexão com os ritos da coroação, mas, sim, como simbolizando a alegria de ocasiões festivas, quando, então, era seguida a prática de ungir. Este fato explica uma forte sensação de alegria. A mesma idéia ocorre no Salmo 23.5, onde a unção é um sinal de favor. As palavras como a nenhum dos teus companheiros no Salmo original provavelmente se referem a outros reis e ressaltam a superioridade do rei a quem se dirige a palavra (cf. SI 89.27). Pode, no entanto, ser menos formal e referir-se aos companheiros na festa.
Seja como for, aqui serve o propósito de focalizar a atenção em um outro aspecto da superioridade do Filho. A transferência da idéia ao Filho não precisava de explicação alguma, visto que o título familiar “CRISTO” (como o título correspondente “Messias”) significa “O Ungido.” Pedro fixou-se neste pensamento na sua exposição diante de Comélio (At 10.38). Além disto, a idéia de ungir é importante numa Epístola cujo tema é o sumo-sacerdócio de CRISTO, porque todos os sacerdotes da linhagem de Arão eram ungidos ao assumirem suas funções.
 
HEBREUS 1: 10-12
10-12. Os próximos três versículos criam um problema, porque a passagem citada de Salmo 102.25-27 não contém referência alguma ao Filho.
Na Septuaginta, os w. 1-22 são dirigidos a DEUS, mas os w. 23-28 consistem na resposta. O escritor entende que DEUS está falando aqui. Na sua mente, era legítimo transferir ao Filho aquilo que se aplicava a DEUS, visto que já chamou atenção ao caráter eterno do Seu trono. A passagem tem muitos aspectos interessantes • que são aptos quando aplicados a JESUS CRISTO. O escritor já falou do papel do Filho na criação, e, em vista disto, a passagem do Salmo 102 é apropriada. Ao aplicar esta passagem, o escritor chama a atenção a uma idéia profunda acerca do Filho, i. é, Sua imutabilidade. A terra e os céus parecem ser bastante substanciais, mas eles perecerão. Havia uma crença generalizada no mundo greco-romano de que o mundo, e mesmo o próprio universo, era indestrutível. O conceito cristão expressado aqui estaria em rigoroso contraste. Esta transitoriedade da criação material aparentemente imutável, serve para ressaltar o contraste com a estabilidade divina. Há um som majestoso nas palavras: tu, porém, permaneces. Esta declaração focaliza a atenção na estabilidade inabalável, que é ressaltada ainda mais pelo quadro impressionante de DEUS enrolando os céus e a terra, agora esfarrapados como uma veste envelhecida, por não terem mais utilidade. Este vislumbre magnífico do salmista da consumação da presente era visa levar ao clímax: tu, porém, és o mesmo. Diante da desintegração em todos os outros lugares, o cará­ ter imutável do Filho destaca-se em contraste inconfundível. Os leitores cristãos não teriam dificuldade em aplicar ao Filho as palavras citadas, embora no Salmo se refiram ao Pai. Seria diferente para os leitores judeus visto não haver evidência alguma no sentido de que consideravam este Salmo totalmente messiânico. Apesar disto, a convicção do escritor de que CRISTO é eterno é um aspecto essencial da sua abordagem teológica no decorrer desta Epístola. É uma das distinções mais dramáticas entre a ordem de Melquisedeque e a ordem de Arão, que forma a chave à parte central do seu argumento.
 
HEBREUS 1: 13-14
13. Já foi notado que Salmo 110.1, que passa agora a ser citado, estava na mente do autor no começo da sua Epístola quando falou acerca do Filho assentando-Se à direita da Majestade no céu (v. 3).
A idéia da entronização agora é repetida para ressaltar o contraste mais óbvio entre JESUS CRISTO e a ordem mais alta de seres criados. Em nenhuma ocasião já foi concebido que os anjos ficam sentados, e, portanto, a entronização de JESUS imediatamente estabelece a Sua superioridade. Não somente é ressaltada a Sua soberania, como também Seu poder absoluto sobre Seus inimigos. Que esta idéia está destacada na mente do escritor fica claro no fato dele repetir a declaração no capítulo 10.12, 13. Tanto no capítulo 1 quanto no capítulo 10 a entronização e a vitória estão ligadas com a expiação que JESUS CRISTO faz pelos pecados. Além disto, este tema é achado noutros lugares no Novo Testamento. Ocorre no sermão de Pedro no Pentecoste (At 2.34-35), onde mais uma vez é contrastado com a ação dos judeus ao crucificarem a JESUS. Apesar daquilo que os homens fazem, DEUS nomeou JESUS tanto Senhor quanto CRISTO. Foi esta declaração de Pedro, baseada neste mesmo Salmo, que resultou na notável convicção em massa entre o seu auditório. Aqueles que responderam no dia do Pentecoste teriam motivo de lembrar-se do uso válido que Pedro fez deste Salmo. Não somente eles, mas também Paulo ecoa a mesma idéia na sua carta a Corinto (1 Co 15.25) quando procura comprovar que CRISTO deve ter a soberania absoluta, até mesmo sobre a própria morte. Uma reminiscência do uso do Salmo por Pedro pode ser notada na sua primeira Epístola (1 Pe 3.22). A idéia da supremacia de DEUS sobre Seus inimigos também é achada no Salmo 8.6 que Paulo realmente cita em conjunção com o Salmo 110.1 em 1 Coríntios 15. Não há dúvida, portanto, que o Salmo 110 tem um lugar especial no pensamento deste autor, visto que volta a ocorrer várias vezes na sua exposição.
14. Há um contraste marcante entre o Filho entronizado e os anjos ministradores.
A função destes últimos é essencialmente de serviço, e todos eles (pantes) inclui, de modo significante, todas as categorias dos anjos. Até os mais nobres são enviados para serviço. Há um contraste aqui entre a posição temporária do Filho como Servo no Seu ministério (cf. Fp 2.7) e Seu descartar daquela posição depois de ter completado a Sua missão. Os anjos, por outro lado, estão dedicados ao serviço constante e nunca serão entronizados. O escritor certamente não está querendo diminuir a função dos anjos, porque nota que seu serviço é a favor dos que hão de herdar a salvação.
Talvez pareça estranho que nenhuma definição da salvação seja dada, o que sugere que os leitores já sabiam o que significava. Nem sequer é definida como sendo salvação cristã, embora isto seja claramente tomado por certo. O ponto principal da carta toda aplica-se a explicar a salvação em termos de ofertas e aquilo que realizam. Ademais, o escritor ecoa o tema quase imediatamente na passagem seguinte. O que é importante no momento é observar que os mensageiros celestiais estão ocupados num ministério dirigido em direção à salvação dos homens. O enfoque do plano de DEUS da salvação está sobre as pessoas, consideradas como herdeiras. A idéia de herdar está clara no grego (klêronomein). É familiar no pensamento do Novo Testamento, porque a salvação cristã é concebida como algo que vale a pena ser possuído. Os crentes são chamados herdeiros, até mesmo co-herdeiros com CRISTO (cf. Rm 8.17). A idéia da herança, ademais, volta a ocorrer em Hebreus 3 e 4 (com a metáfora de um descanso), em Hebreus 9 (na linguagem figurada de um testamento) e em Hebreus 11 (em relação às promessas dadas à fé). Pode ser declarado com justiça que neste primeiro capítulo de Hebreus encontram-se muitas das idéias dominantes que voltam a ocorrer na Epístola. Embora não sejam expressas num sentido formal, não deixam de ser uma introdução eficaz à discussão seguinte.
 
HEBREUS 2:1-2
(ii) Uma exortação contra o desvio (2.1-4)
1-2. Embora ainda seja cedo, no decurso da discussão, para o escritor dar uma exortação específica, não deixa de ser uma característica dele incluir breves apartes. Um pormenor interessante é a expressão introdutória (Por esta razão, dia touto). Nenhuma interrupção é pretendida entre a discussão do capítulo 1 e o começo do capítulo 2. A conexão, no entanto, não fica imediatamente transparente. A ligação real parece ser a salvação que se toma o desafio crucial desta exortação (v. 3). Além disto, o papel desempenhado pelos anjos ao estabelecerem a dignidade da mensagem é outro elo. A palavra falada por meio de anjos relembra o que Paulo fala da lei em Gálatas 3.19: “foi promulgada por meio de anjos.” Nos dois casos a agência de anjos visava demonstrar que a mensagem de DEUS é demasiadamente importante para ser desconsiderada — não provém dos homens. Na presente declaração, a dignidade da Lei17 é demonstrada pelo fato de que qualquer violação dela certamente será castigada. A palavra traduzida castigo (misthapodosia) é peculiar a Hebreus. Em 10.35 e 11.26 significa “galardão.” [“Retribuição” serviria como tradução geral da palavra].
O propósito do autor é despertar a consciência às graves conseqüências de negligenciar a mensagem de DEUS. Não tem dúvida de que a retribuição, quando vier, será fusta. O desafio para os leitores prestarem atenção é expressado enfaticamente no v. 1. Tendo em vista a importância daquilo que foi ouvido, os leitores são conclamados a “prestar mais atenção” (importa que nos apeguemos, com mais firmeza), palavras estas que indicam uma observação cuidadosa daquilo que foi falado.18 Não é surpreendente que a exortação é seguida por uma advertência solene, a primeira de muitas nesta Epístola. Demonstra claramente que o escritor não tem intenção alguma de escrever um tratado puramente acadêmica, mas, sim, visa do começo ao fim enfatizar a relevância prática das considerações que faz. Está consciente de que está tratando de uma situação que poderia esvaziar o evangelho do seu significado essencial. Não está pensando em uma recusa deliberada de prestar atenção, mas, sim, de um desvio irresistível — literalmente ir à deriva como madeira flutuando num rio. Daí as palavras: para que delas jamais nos desviemos ou RSV: “a fim de não flutuarmos para longe.”
 
HEBREUS 2:3
3. A pergunta crucial passa, então, a ser introduzida, e fornece um indício para a compreensão do propósito do autor. Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? Evidentemente, havia um
perigo sério de negligência da parte dos leitores, porque doutra forma este desafio não teria sido introduzido tão cedo. Qual, pois, era a natureza desta negligência? É definida somente por contraste. Dalguma maneira ou doutra, a grandeza da salvação estava sendo afetada. Realmente, é altamente provável que, na mente do escritor, os leitores corriam o perigo de virar as costas completamente contra o evangelho cristão. Se assim for, a grandeza da salvação somente aumenta a tragédia. O tipo de pergunta retórica feita aqui é típico desta Epístola. A resposta é tida por certa: não há nenhum escape. A idéia do escape ligado com a salvação expressa a salvação em termos de livramento, conceito que ocorre noutros lugares no Novo Testamento. Volta a ocorrer em Hebreus 2.14-15 (18) Westcott: Comm., pág. 36, entende que o advérbio expressa um excesso absoluto mais do que relativo. Teria o sentido de “com a mais cuidadosa atenção” e não “com mais atenção.” A primeira interpretação é claramente mais enfática e ressalta mais eficazmente a distinção entre aquilo que CRISTO oferece e aquilo que os leitores tinham conhecido anteriormente. no sentido do livramento do poder do diabo. Em comum com outros escritos do Novo Testamento, Hebreus vê a vida não-cristã como uma vida de escravidão contínua. Os pormenores dados para explicar como o escritor e seus associados chegaram a saber acerca da salvação fornecem informações valiosas
acerca da experiência do escritor. O originador básico da mensagem é o Filho, descrito aqui como o Senhor, um título neotestamentário significante para JESUS CRISTO que liga-0 com o nome véterotestamentário para DEUS (Kyrios). Não há dúvida alguma aqui de que o próprio JESUS declarou primeiramente o significado da Sua própria missão. Sua mensagem, por ser pessoal e direta, era superior à mensagem transmitida por anjos. O escritor, porém, claramente não tinha sido pessoalmente um ouvinte do Senhor, o que o distingue dos doze apóstolos e, na realidade, de todos aqueles que acompanharam JESUS durante qualquer parte do Seu ministério. A mensagem aparentemente fora passada adiante por outros: foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram. Segundo o modo mais natural de compreender esta declaração, eram sem dúvida os apóstolos, embora outras testemunhas fidedignas não fossem excluídas. Muitos estudiosos consideram estas palavras conclusivas contra a identidade de Paulo como o escritor, pela razão de que este não teria reconhecio que recebeu seu evangelho doutras pessoas. Além disto, pode ser argumentado que a primeira geração dos cristãos já passara, e que o escritor e seus associados dependem daquela geração anterior para sua compreensão do evangelho.
 
HEBREUS 2:4
4. Houve confirmação divina da mensagem por sinais, prodígios e vários milagres, e por distribuições do Espirito SANTO. Nos Evangelhos Sinóticos há muitos exemplos de “prodígios” e “milagres” acontecendo
no ministério de JESUS, ao passo que o Evangelho segundo João descreve de modo distintivo os acontecimentos sobrenaturais como sendo “sinais.” Estas três palavras, portanto, apresentam uma descrição compreensiva dos milagres nos Evangelhos. O que é importante notar é que estes eventos sobrenaturais têm um valor específico como confirmação da mensagem. Não há sugestão de que os milagres comprovam os fatos básicos do evangelho, tal como o caráter de JESUS CRISTO. Alguns apologistas têm baseado suas declarações acerca da divindade de JESUS na abundância dos milagres, mas isto é inadequado. JESUS ainda teria sido divino mesmo se não tivesse operado milagre algum. Até mesmo recusava-Se a dar sinais mediante pedido. Os homens deviam primeiramente crer nEle antes dos milagres se tomarem, em qualquer sentido, “sinais.” Mesmo assim, conforme João demonstra tão claramente no seu Evangelho, os sinais têm valor confírmatório, e indicam a glória de JESUS CRISTO. É impossível cortar todos os milagres da mensagem, como alguns procuram fazer, porque a própria mensagem é uma comunicação sobrenatural do DEUS para os homens. Além disto, os sinais e as maravilhas continavam a ser operados durante
a primeira era cristã à medida em que as primeiras testemunhas contavam a mensagem. O livro de Atos não pode ser desnudado dos seus milagres sem empobrecer a história do cristianismo primitivo. Se estes milagres não fossem mais do que mitos, o escritor aos Hebreus deve ter ficado grosseiramente enganado ao reconhecer neles o testemunho de DEUS. O verbo traduzido dando... DEUS testemunho juntamente (synepimartyrountos) deve referir-se a DEUS testificando juntamente conosco. Realmente, o escritor não teria apelado aos milagres se tivesse havido qualquer possibilidade dos leitores sustentarem que nunca os viram nem ouviram dizer deles. Trata-os como assunto conhecido a todos. As distribuições do ESPÍRITO SANTO estão numa categoria algo diferente, embora estreitamente associada. O escritor está consciente de que as primeiras testemunhas não declararam a mensagem com sua própria força ou com sua própria engenhosidade. A palavra aqui usada não é aquela para “dons” (charismata) que se usa no Novo Testamento, mas, sim, a palavra mais geral para distribuição (merismoi). A ênfase, portanto, recai sobre quem distribui. Os dons do ESPÍRITO também são mencionados em Atos e especialmente por Paulo em 1 Coríntios, e eram uma característica destacada do cristianismo primitivo. Eram evidências da aprovação de DEUS da proclamação do evangelho. Há uma indicação de diversidade (distribuições) e soberania  segundo a sua vontade). Nosso escritor tem um alto conceito da atividade do ESPÍRITO, e esta primeira menção dEle será seguida por várias outras declarações importantes (cf. 3.7; 6.4; 9.9, 14; 10.15, 29). A ênfase dada aos dons remove toda a justificativa para o orgulho humano entre os cristãos primitivos, visto que a distribuição não dependia das capacidades do homem, mas, sim, da vontade soberana do ESPÍRITO (cf. a declaração semelhante em 1 Co 12.11).
 
HEBREUS 2:5
(iii) A humilhação e a glória de JESUS (2.5-9).
5. O escritor passa agora a lembrar seus leitores de que, apesar da posição de dignidade dos anjos, não é a eles que o mundo vindouro será sujeitado. Isto, também, visa ressaltar a superioridade do Filho, conforme demonstra a citação do Salmo 8.4-6. O pensamento-chave é que DEUS sujeitou, i.é, Ele tomou a iniciativa. O sujeito da sentença nâfo está presente no grego, mas claramente é transportado do v. 4, conforme demonstra a palavra inicial Pois (gar); e deve, portanto, ser DEUS. O significado de o mundo que há de vir é questão de debate. A expressão grega (hè oikoumenê hè mellousa) pode ser entendida de várias maneiras, como, por exemplo,
(i) a vida do porvir, (ii) a nova ordem inaugurada por JESUS CRISTO, i.é o cumprimento da “era vindoura” tão esperada, que agora veio no reino de DEUS presente, ou (iii) o fim da era atual. Pode haver verdade em todas as três, mas a segunda parece estar mais claramente enfocada pelo contexto. Vale a pena notar que a palavra usada aqui para “mundo” não é kosmos (o mundo como sistema), mas, sim, o mundo dos habitantes (oikoumenê). O escritor está mais interessado no que é pessoal do que naquilo que é abstrato. Vê a salvação como uma realidade corpórea (cf. v. 10 “muitos filhos”).
 
HEBREUS 2:6-8
6. A fórmula usada para introduzir a citação do Salmo 8 é surpreendente. Alguém, em certo lugar, deu pleno testemunho talvez sugira que o escritor não conseguir lembrar-se da referência, mas é possível que foi usada simplesmente porque a referência exata não era importante. Contra esta última opinião há o fato de que não é usada para introduzir as demais citações do Antigo Testamento no presente contexto, mas a favor dela há o fato de que Filo ocasionalmente usa uma fórmula semelhantemente vaga (de Ebrietate 61). O que parece ficar claro é a grande importância atribuída às palavras da Escritura, independentemente do seu autor humano ou do seu contexto histórico. Não há dúvida que para o escritor as próprias palavras da Escritura são autorizadas. O uso do Salmo 8 não deixa de ser interessante, no entanto, porque esta passagem nunca foi considerada como messiânica. O contexto original é o homem, não no seu estado comum, mas, sim, no seu estado ideal, indicado pelo uso do título “filho do homem.” Na ocasião da criação, o homem recebeu domínio sobre a terra, mas desde a queda tem faltado a autoridade para sujeitar. O Salmo é apenas perfeitamente cumprido, portanto, no Homem ideal, JESUS CRISTO, sendo que somente Ele tem essa autoridade. O escritor vê um cumprimento deste Salmo de uma maneira que os judeus nunca previram. O mesmo Salmo é citado por JESUS (Mt 21.16) e Paulo (1 Co 15.27),20 ambos de uma maneira que indica que seu cum primento se acha no próprio JESUS. Que é o homem? A pergunta que forma a base desta citação aqui é mais dramática quando é colocada no seu contexto original. O salmista pensa no homem contra o pano de fundo da glória da ordem criada de modo geral. O contraste é tão marcante que a situação do homem é vista na sua perspectiva verdadeira, como assunto de solicitude especial do Criador, mas, em certo sentido, eclipsada pela glória de DEUS no universo. O filho do homem fica sendo, para o JESUS CRISTO, posto que Ele usou o título tantas vezes a respeito de Si mesmo. Ademais, a única outra pessoa que já usou o título para Ele foi Estêvão (At 7.56). Esta identificação de JESUS como Filho do homem leva ao desenvolvimento da idéia na declaração seguinte. Nosso autor não está especificamente interessado em chamar JESUS por esse título, mas claramente reconhece quão apropriada é a referência a Ele no Salmo. É notável que, quando finalmente introduz um nome em 2.9, é o nome de JESUS que escolhe.
 
7. Por um pouco, menor que os anjos visa, no Salmo, ser uma marca da dignidade do homem. Indica a superioridade distintiva do homem sobre todos os outros seres criados a não ser aos anjos. Esta dignidade não está muito bem de acordo com a teoria evolucionária do desenvolvimento humano, porque o salmista vê que a dignidade do homem se deve diretamente à iniciativa de DEUS. Não há sugestão alguma de um processo paulatino. Aquilo que interessa principalmente ao salmista e até mesmo ao escritor aos Hebreus é a condição atual do homem. Mas o coroar de glória e honra, e a sujeição de todas as coisas, são claramente vistos de modo ideal mais do que palpável. Foi concretamente realizado em um só homem — JESUS CRISTO. Ele certamente foi coroado com glória, conforme Paulo indica em Filipenses 2.9ss., e a Ele todas as coisas devem ser sujeitadas, conforme demonstra Paulo em 1 Coríntios 15.27-28. O escritor reconhece aqui que o homem de modo geral não possui a autoridade sobre todas as coisas, de modo que, na seção seguinte, passa a concentrar sua atenção em JESUS.
 
8. As palavras nada deixou fora do seu domínio têm significado somente se forem aplicadas ao Filho do homem, o cumprimento perfeito do Salmo 8. Uma vez que Hebreus já disse que o Filho sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder (1.2-3), não é de se maravilhar que todas as coisas estão sob Seu controle. Quanto a isto, JESUS tem superioridade sobre os anjos. Na Sua encarnação, porém, não parecia assim, pensamento este que é ressaltado pelas palavras: ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas. Esta sujeição é considerada ainda futura, mas o escritor não tem dúvidas a respeito do seu cumprimento ulterior. Alguns consideram que a sujeição é “ao homem” e não “a CRISTO”, mas já que a primeira sujeição somente pode ser realizada através da segunda, faz pouca diferença ao significado.
 
HEBREUS 2:9
9. Agora chegamos à altura de JESUS ser chamado pelo nome, e é significante que o nome escolhido é Seu nome humano. Depois dos conceitos exaltados na primeira seção, o escritor demonstra que Ele é uma
Pessoa estreitamente identificada com o homem. Há uma mistura curiosa de ver e de não ver nesta Epístola. O escritor reconhece algumas coisas que não são vistas (cf. 2.8; 11.1-2). Apresenta uma base firme para a fé presente, naquilo que agora pode ser visto, daí a importância das palavras: vemos, todavia... JESUS. Além disto, a fim de não deixar dúvida alguma acerca do caráter da pessoa vista, combina duas idéias que parecem inicialmente ser opostas: o sofrimento da morte e coroado de glória e de honra. A idéia específica do sofrimento de JESUS entia na Epístola aqui pela primeira vez, embora seja indiretamente subentendida na referência à purificação dos pecados em 1.3. O soTrimento será um tema dominante na carta. De fato, a presente combinação de sofrimento e glória fornece a chave à compreensão do escritor quanto à fé cristã. 0 sofrimento da morte é um problema importante para todos os homens, mas é um problema muito especial para o Filho de DEUS a não ser que alguma explicação dele possa ser dada. O próprio sofrimento pertence a uma categoria um pouco menos exaltada do que a dos anjos, daí a declaração aplicada a JESUS, que, por um pouco, tendo sido feito menor qúe os anjos... (que também pode ser traduzida “que, tendo sido feito um pouco menor que os anjos”). Esta presente seção da carta é complementar à primeira seção. A glória e a honra outorgadas a JESUS são o resultado direto do sofrimento. A combinação entre as duas idéias, que é estranha ao pensamento natural, é, mesmo assim, central no Novo Testamento. Não é somente o próprio JESUS que conquista a glória através do sofrimento, mas também todos os Seus seguidores (cf. Rm 6.8ss.; 2 Tm 2.11-12). O problema da paixão de JESUS  Conforme observa Westcott: “Em ‘o Filho do homem’ (JESUS), pois, há a certeza de que a soberania do homem será ganha.” fica transformado em caminho para a glória, uma vez que é reconhecido que o DEUS que outorga a glória é Aquele que permite o sofrimento. O resultado do sacrifício e da glorificação de JESUS é declarado assim: para que, pela graça de DEUS, provasse a morte por todo homem. Posto que provar a morte é sinônimo de padecer a morte, esta declaração constitui-se em enigma para o intérprete, e muitas sugestões têm sido feitas. A questão é complicada por um texto alternativo: chòris (à parte de DEUS) ao invés de chariti (pela graça de DEUS), que é passível de várias interpretações. Aceitando “graça” como o texto melhor atestado, a ênfase no provar da morte deve cair sobre seu resultado, ou seja: “por todo homem.” É importante notar que a morte de JESUS está relacionada como homem, não somente coletivamente, como também individualmente. Embora o grego pudesse ser compreendido como sendo uma referência a “tudo,” ou “todas as coisas,” o pensamento principal na presente passagem é tão claramente pessoal que “todo homem” é o significado mais provável. Se o texto alternativo for considerado, introduziria uma declaração estranha, porque então seria dito que a morte foi provada “à parte de DEUS.” Isto presumivelmente significaria que JESUS morreu à parte da Sua divindade (o sentido em que os nestorianos o entendiam), ou que a referência dizia respeito a DEUS abandonando-0 no sentido do Seu grito de desolação na cruz (Mt 27.46), ou que somente DEUS estava isento dos resultados da morte de JESUS (cf. 1 Co 15.27). Mesmo se o próprio texto fosse melhor atestado, as possíveis explicações estão menos em harmonia com o contexto do que o texto “pela graça de DEUS,” que explica a provisão feita em prol de JESUS enquanto Ele provava a morte.
(iv) Sua obra em prol dos homens (2.10-18)
 
HEBREUS 2:10
10. Há uma conexão direta entre a declaração que acaba de ser feita e as palavras que a seguem, i.é: Porque convinha. Talvez não pareça óbvio de início porque a morte de JESUS convinha. Realmente, isto sempre tem apresentado um problema aos teólogos que se esforçaram para explicar a conveniência dos sofrimentos de JESUS. Deve ser lembrado que para Héring, pág. 17, prefere o texto “à parte de,” embora não seja apoiado por muitos MSS, poique é o texto mais difícil. Mas o texto alternativo tem tão mais apoio que deve ficar. A variante surgiu, sem dúvida, por causa do problema de pensar na graça como um instrumento da morte. R. V. G. Tasker: NTS 1 (1954-5), pág. 184, considera este último texto como uma correção baseada em 1 Co 15.27. Cf. também J. C. O’Neill: “Hebrews 11.9,” JTS 17 (1966), págs. 79-82, que o entende no sentido de “longe de DEUS” num sentido espacial. os judeus a idéia de um Messias sofredor era repugnante, e a declaração cristã de que deve ser vista neste prisma. Além disto, do ponto de vista do homem, com seu senso de necessidade, era altamente conveniente que a graça de DEUS fosse estendida na sua direção, seja qual for a razão para o método empregado. Alguns talvez sintam que julgar o que convém é um assunto por demais subjetivo, mas não é assim com DEUS, que nunca pode fazer alguma coisa indigna ou inapropriada . Seja qual for a razão da cruz, não há dúvida de que ela revela fortemente a natureza de DEUS. É neste sentido que convinha. A expressão aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem poderia referir-se ou a DEUS Pai ou a JESUS, mas tendo em vista a declaração de que o agente da criação aperfeiçoou a JESUS, o Autor (archègos), a primeira interpretação deve ser a correta. A mesma expressão é aplicada a DEUS em Romanos 11.36. A idéia da posição exaltada de JESUS (como no capítulo 1) acrescenta relevância enorme aos Seus sofrimentos (como aqui), como se a totalidade da ordem criada fosse projetada conforme o princípio de que a glória pode ser obtida através do sofrimento. É importante, outrossim, notar que a atividade criadora de DEUS é estendida da criação material para o âmbito espiritual e pessoal (conduzindo muitos filhos à glória).23 A seqüência do pensamento expressa as multiplicações da glória. Não somente o Filho foi coroado de glória, como também Sua glória é compartilhada com aqueles a quem salva. A expressão aqui é sugestiva, porque é visto que o propósito dos sofrimentos de JESUS é vicário, ou seja: atinge seu clímax no seu efeito sobre outras pessoas. A idéia de JESUS como o Autor da salvação é outra figura de linguagem sugestiva, porque a palavra (lit. “pioneiro”) significa aquele que vai à frente e mostra o caminho. A implicação é que se JESUS não tivesse marcado o caminho, não teria havia salvação alguma. O pioneiro, neste sentido, é mais do que um exemplo para os outros seguirem. Sua missão é fornecer a base sobre a qual a salvação pode ser oferecida a outros. A palavra archègos (“pioneiro,” ARA “Autor”) ocorre outra vez em Hebreus 12.2, onde, como aqui, é ligada com a idéia da perfeição. Fica claro que este conceito era importante na mente do escritor. Ocorre também em Atos 3.15; 5.31, nas duas ocasiões como uma descrição de JESUS. Neste último (23) Surge um problema, no entanto, acerca do tempo da palavra “conduzindo” (agagonta, um particípio aoristo). O aoristo parece ser usado com o sentido de um tempo presente, expressando uma ação simultânea. caso é declarado que DEUS exaltara JESUS a esta posição [“Príncipe” em ARA]. O título “pioneiro” é, portanto, um título de honra. É significante, ainda, que em Atos 5.31 é ligado com o título de “Salvador,” uma combinação de idéias que tem estreito paralelo aqui. A idéia da perfeição destaca-se nesta Epístola, mas seu significado quando é aplicada a CRISTO é diferente de quando é aplicada aos crentes. No caso dEle, Ele já era perfeito. Alguns intérpretes alegam que DEUS levou Seu Filho a uma perfeição que não tinha anteriormente.24 Mas isto parece subentender graus de perfeição, conceito este que levanta dificuldades consideráveis ao ser aplicado a JESUS CRISTO. O significado é mais “levar a um estado completo,” no sentido de que o sofrimento era necessário antes de JESUS ser o pioneiro completo da salvação, ou o Sumo Sacerdote perfeito.25 Não precisava do sofrimento para Sua própria salvação, mas era indispensável para os outros serem salvos. Sem quaisquer explicações teóricas, o escritor pressupõe, em comum com todos os escritores do Novo Testamento, que os sofrimentos de CRISTO e a salvação dos homens estão inextricavelmente vinculados entre si.
 
HEBREUS 2:11-12
11. Outro tema que volta a ocorrer nesta Epístola é o da santificação, que aqui é apresentado pela primeira vez (cf. 9.13; 10.10, 14, 29; 13.12). É importante estabelecer o significado exato da idéia. O uso comum
do teimo “santificar” é tomar santo, mas isto não pode aplicar-se a JESUS CRISTO. Nem é este significado o sentido original da palavra, porque é usada no Antigo Testamento com referência tanto às ofertas levíticas quanto ao povo ao qual as ofertas eram aplicadas. Naquele caso, “santificar” significava colocar de lado para um propósito sagrado, sentido este que certamente é mais aplicável a JESUS CRISTO. O que santifica, aqui, é o Autor da salvação, que mesmo assim santificou aos outros, leva-os para uma experiência através da qual Ele mesmo passou. Está separando-os para a salvação. Aqui o enfoque da atenção não recai, porém, no ato da santificação, mas, sim, na origem comum do que santifica e dos santificados, i.é, o próprio DEUS. Desta maneira, vê-se que a obra de CRISTO é efetuada, tanto na sua conclusão quanto na sua aplicação, pelo próprio DEUS. Além disto, enviar o Filho numa missão de sofrimento surgiu da mesma origem - do amor de DEUS para com a humanidade e do Seu desejo de fornecer um meio eficaz de salvação. A estreita conexão entre o santificador e os santificados é vista, ainda mais, no fato de que aquele não se envergonha destes. De fato, os santificados são considerados como irmãos. Isto segue a idéia semelhante em Romanos 8.29 (cf. também Jo 20.17), e o pensamento adicional de que os crentes são co-herdeiros com CRISTO (Rm 8.17). Pode-se perguntar por que a idéia de envergonhar-se é introduzida para então ser rejeitada. Uma rejeição semelhante da vergonha é achada em Hebreus 11.16, onde DEUS não Se envergonha de ser chamado o DEUS dos patriarcas que morreram na fé. Como contraste, podemos notar que JESUS disse que o Filho do homem Se envergonharia daqueles que se envergonhassem dEle (Mc 8.38). Aqueles que se identificam com JESUS compartilharão da Sua glória. Longe de Se envergonhar deles, Ele Se deleitará em considerá- los Seus “irmãos.” Não poderia haver maior contraste entre o destino dos crentes e dos descrentes. A vergonha e a glória são mutuamente exclusivas.
 
12. Seguem-se três citações, sendo que todas elas visam demonstrar o estreito relacionamento entre CRISTO e Seu povo. A primeira vem do Salmo 22, que os cristãos primitivos reconheciam como um salmo messiânico. Sua aplicação mais poderosa era a citação das suas palavras iniciais por JESUS na cruz. O clamor de abandono estava perfeitamente adaptado à situação patética do Justo que morria pelos injustos. Mas a parte do Salmo citada aqui é a declaração inicial da conclusão mais triunfante (v. 22). A despeito dos sofrimentos da primeira parte, o salmista agora irrompe numa asseveração confiante: A meus irmãos declararei o teu nome. O paralelo com CRISTO é imediatamente aparente. Ele, também, foi identificado com Seus irmãos além de passar pelo sofrimento em prol deles. Os cristãos não deixaram de perceber quão notavelmente apropriado era este Salmo ao ser aplicado a JESUS CRISTO. Que um Salmo que começa com um clamor de desolação termine com um cântico de louvor é relevante para o propósito do presente escritor, porque vê o sofrimento à luz da glória final. As palavras no meio da congregação são significantes porque a Septuaginta, que aqui é citada, usa a palavra ekklèsia (“igreja”) para descrever a companhia dos irmãos.
 
HEBREUS 2:13
13. A segunda citação pode ter sido tirada de Isaías 8.17 ou 2 Samuel 22.3, mas de qualquer forma um “eu” (ege) enfático é acrescentado. Claramente, quando é aplicada a CRISTO, a ênfase pessoal tem um significado diferente dos contextos originais. É, na realidade, uma declaração notável nos lábios do Messias — eu, até mesmo eu, o Messias, porei nele a minha confiança. Neste aspecto, o Messias coloca-Se em pé de igualdade com Seus irmãos, o que prepara o caminho para a declaração posterior no v. 14 de que compartilha da natureza deles. Esta atitude de confiança é vista amplamente na vida de JESUS e fica especialmente em evidência no Evangelho segundo João, onde todas as facetas dos Seus movimentos e pensamentos são reconhecidas como estando de acordo com a vontade de DEUS. Parece certo que o escritor tinha em mente a passagem de Isaías nesta segunda citação, porque a segue com outra citação da mesma passagem (Is 8.18). O propósito da terceira declaração: Eis aqui estou eu, e os filhos que DEUS me deu, não fica óbvio à primeira vista, porque as palavras originalmente se referiam aos filhos do próprio profeta. Isaías se via ligado com seus filhos no serviço de DEUS, porque reconhecia que os filhos eram “sinais” dados por DEUS. Esta identificação do profeta com seus filhos como sinais tem seu paralelo no pensamento do escritor com a estreita ligação entre CRISTO e Seu povo, que leva de modo natural para
a importante seção seguinte.
 
HEBREUS 2:14-15
14. O escritor reflete sobre a encarnação e a missão de JESUS. Era necessário que Ele Se tomasse homem porque Seus “filhos” eram de carne e sangue, um modo algo inesperado de expressar o fato. Mesmo assim, a idéia fica bastante clara. Vale notar que no texto grego a ordem é sangue e came. Tem sido sugerido que “sangue” se refere ao derramamento do sangue de CRISTO, que depois é citado como sendo a razão para Ele Se tomar came, i.é, a expiação exigia a encarnação. Para libertar o homem, JESUS CRISTO teve de compartilhar da natureza dEle. Aqui estamos na presença de um mistério. O fato de que destes também ele, igualmente, participou resume a perfeita humanidade de JESUS. Quando esta declaração é contrastada com as declarações no capítulo 1 acerca da Filiação divina de JESUS, o mistério se aprofunda. Sua superioridade aos anjos é contrastada com Sua igualdade com o homem. Nunca haverá uma explicação plenamente satisfatória destas duas facetas da Sua natureza, porque o homem não tem nenhum ponto de referência apropriado para pautá-las. Não existem analogias humanas. O escritor não se preocupa com o debate teológico: quer demonstrar quão estreitamente JESUS CRISTO Se identifica com Seu povo. É significante que um verbo diferente (meteschen) daquele que é usado (kekoinònèken) para descrever aquilo de que os filhos participaram é usado para descrever aquilo de que JESUS participou. Embora não haja nenhuma diferença essencial de significado, a mudança do tempo do perfeito para o aoristo sugere que a adoção por CRISTO da natureza humana é um ato específico no tempo; veio a ser o que não era antes (i.é, um homem). Mais uma vez, a morte é mencionada. É feita a declaração de que para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder de morte, que claramente ressalta o efeito poderoso da morte de CRISTO comparada com as mortes de todos os outros homens. Na Escritura, a morte é o resultado do pecado. A história de Gênesis confirma este fato. É apoiado nas Epístolas paulinas (cf. Rm 5,12). É básico para o ensino neotestamentário sobre a morte e a ressurreição de CRISTO. Por causa da ressurreição de CRISTO, a morte agora perdeu seu “aguilhão,” o que demonstra que possuía um aguilhão (1 Co 15.15), identificado por Paulo como sendo o “pecado.” Não admira que Hebreus fale do “pavor da morte.” É, portanto, paradoxal que CRISTO usou a morte como meio de destruir a malignidade da morte. Mas a diferença entre Sua morte e todas as outras acha-se no fato da Sua impecabilidade. A morte, para Ele, foi causada pelos pecados doutros homens. É difícil imaginar a transformação completa que veio às mentes dos discípulos primitivos ao avaliarem a morte quando vieram a explicar porque JESUS morreu. A idéia de que o diabo tem o poder da morte está em perfeita concordância com outras passagens do Novo Testamento a respeito do seu poder. A morte é a pior inimiga do homem, mas percebe-se que muitas outras desgraças humanas procedem da mesma origem (e.g. a mulher encurvada é descrita como tendo sido mantida presa por Satanás, Lc 13.16). O poder assim exercido não é absoluto e é aplicado apenas ao homem no seu estado nâo-redimido, como fica claro no fato de que a morte de CRISTO trouxe libertação ao homem e destruição ao diabo. Estas duas são mais potenciais do que atuais, porque o diabo ainda está ativo e a maioria dos homens ainda teme a morte. Apesar disto, a morte e a ressurreição de JESUS demonstraram de uma vez por todas que o diabo já não é senhor da morte. Para uma variação deste tema da vitória, cf. Colossenses 2.15. Nesta Epístola, a salvação envolve mais do que uma libertação do pecado, porque inclui uma libertação completa da escravidão a Satanás.
 
15. A libertação que JESUS CRISTO trouxe é para todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida. A idéia da escravidão é familiar em várias partes do Novo Testamento, mas a palavra empregada aqui (douleia) ocorre fora daqui somente em Romanos (8.15, 21) e Gálatas (4.24; 5.1); em nenhum destes casos refere-se à escravidão e a morte A maioria dos homens rejeita a noção de que está escravizada, conforme fizeram os judeus no seu debate com JESUS (Jo 8.33). Ofende seu orgulho. Esta é uma das razões principais porque o assunto da morte é tão freqüentemente evitado, porque os homens honestos teriam de confessar, doutra forma, sua escravidão ao temor dela. É o único fato que, segundo universalmente se admite, é aplicável a todos os homens. Todos os homens sabem que devem morrer, mas nem todos os homens se reconhecem como pecadores. Além disto, a morte não leva em consideração as pessoas. É a grande niveladora de todas elas. Qualquer poder, portanto, que remove seu terror é uma bênção aplicável a toda a humanidade. A abordagem cristã à morte traz libertação completa. Somente os que recusam o dom gratuito da libertação ainda estão nas suas garras.
 
HEBREUS 2:16
16. O pensamento do escritor oscila de volta para o tema dos anjos, e reconhece imediatamente que aquilo que acaba de dizer não tem relevância para eles. Surge à sua memória Isaías 41.8-9, onde “a descendência de Abraão” é mencionada como o servo escolhido de DEUS. Noutras palavras, uma servidão é trocada por outra, mas a troca é muito desigual, visto que os que servem ao diabo não têm a categoria dos que têm a descendência de Abraão. Os anjos não estão incluídos no ato da libertação, visto não terem necessidade dele. O escritor pode ter concentrado sua atenção nos descendentes de Abraão porque a Epístola é endereçada aos Hebreus. Deve ser lembrado, no entanto, que quando Paulo escreveu para a igreja predominantemente gentia em Roma, podia falar de Abraão como sendo “nosso pai segundo a carne” (Rm 4.1), ao passo1 que JESUS ressaltou que os filhos de Abraão são aqueles que fazem o que Abraão fazia (Jo 8.39). Num sentido espiritual, os filhos de Abraão incluem todos quantos participam da sua fé, e deve ser este o sentido segundo o qual esta passagem deve ser entendida (cf. também Rm 4.11). Deve também ser notado que Mateus e Lucas demonstram que o próprio JESUS, historicamente, foi um descendente de Abraão (Mt 1, Lc 3 nas respectivas genealogias).
 
HEBREUS 2:17
17. Possivelmente, foi o pensamento do Salmo 22.22, que o autor já havia citado (v. 12), que o levou a reenfatizar a necessidade de JESUS CRISTO Se tomar semelhante aos irmãos. Esta é essencialmente uma reafirmação do v. 14, e o acréscimo significante das palavras em todas as coisas chama a atenção à humanidade completa e perfeita de JESUS. Sua reafirmação a esta altura permite ao autor introduzir o assunto principal da carta, o tema do Sumo Sacerdote, embora não seja desenvolvido até o capítulo 5. A passagem interveniente prepara para o mesmo tema por outro caminho. Certos aspectos importantes do caráter e da obra do Sumo Sacerdote são mencionados, mas não são expostos aqui como o são mais tarde na carta. No que diz respeito ao Seu caráter, nosso Sumo Sacerdote (i.é, JESUS), é declarado misericordioso e fiel. A primeira destas palavras ocorre somente aqui nesta carta. Sua única outra ocorrência, realmente, é nas Bem-aventuranças, onde a misericórdia é prometida aos misericordiosos. Apesar disto, a idéia de mostrar misericórdia (o verbo e não o adjetivo) é freqüente e pode ser declarada uma característica predominante da atitude de DEUS para com os homens. A misericórdia, no entanto, não era uma qualidade exigida daqueles que serviam na ordem arônica do sacerdócio, embora, segundo 5.2, o sumo sacerdote devesse ter alguma capacidade de tratar com compaixão os inconstantes. A idéia da fidelidade é ainda mais dominante no Novo Testamento e volta a ocorrer em quatro outros lugares nesta Epístola (3.2; 5-6; 10.23; 11.11), sendo que em todas as referências, menos uma, trata-se da fidelidade de DEUS. A fidedignidade
absoluta é indispensável para que a missão de JESUS seja permanente, e o escritor não tem dúvida alguma de que Ele é completamente fidedigno. Desenvolve este tema à medida em que estende sua discussão
no capítulo seguinte. A fidelidade no caso de nosso Sumo Sacerdote é especificamente ligada às coisas referentes a DEUS (ta pros ton Theon), i.é, aqueles aspectos da obra de um sacerdote que são dirigidos a DEUS, sendo que o aspecto mais notável é fazer propiciação pelos pecados do povo. O verbo usado (hilaskomai) não é, de modo geral, seguido por um objeto que denota a coisa propiciada. Este é, portanto, um uso lingüístico notável. O significado é “fazer propiciação pelos pecados.” O verbo ocorre no Novo Testamento somente em Lucas 18.13, embora haja muitas ocorrências do seu uso na Septuaginta. Em Lucas, é usado no clamor do publicano, implorando misericórdia. Quando é relacionado com os pecados, sua função é fornecer um terreno comum para o pecador e Aquele contra quem o pecado foi cometido. Vale notar que a propiciação (idéia expressa em linguagem sacrificial típica, altamente apropriada para o conceito do sacerdócio), conforme é declarado, é pelos pecados do povo ao invés de “pelo pecado” de modo abstrato. O plural toma a providência mais pessoal. Muitos estudiosos fazem objeção à tradução “propiciação” para o grego hilaskomai, porque faz surgir idéias de aplacar uma divindade irada. Mas isto nunca está em vista no uso da palavra no Novo Testamento, onde é o próprio DEUS quem faz a propiciação (cf. Rm 3.25) com Seu profundo amor para com a humanidade (Rm 5.8). Os substantivos cognatos são usados em Hebreus 9.5; Romanos 3.25 e 1 João 2.2; 4.10. Em todas estas ocorrências o propósito da propiciação é a restauração de um relacionamento previamente quebrado entre DEUS e o homem, ocasionado pelo pecado do homem.
 
HEBREUS 2:18
18. Um pensamento totalmente diferente conclui este capítulo, embora decorra do fato de JESUS CRISTO ter sido feito como Seus irmãos. O problema da tentação sempre está presente com o homem, mas até que ponto é possível pensar em CRISTO sendo tentado da mesma maneira? Nosso escritor está convicto de que a capacidade de CRISTO de ajudar aqueles que são tentados depende da Sua experiência da tentação. Para compreender a presente declaração (Pois naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado), é essencial notar que a tentação é ligada com o sofrimento. Tem sido sugerido que os sofrimentos de JESUS eram aqueles causados pela fraqueza humana: o medo, a mágoa e a dor causados por ferimentos físicos.29 Mas os sofrimentos de JESUS foram principalmente aqueles envolvidos no Seu cargo messiânico, e incluíam mais do que o sofrimento físico. Posto que o sofrimento é especial, assim também é a tentação. O ponto de contato entre JESUS CRISTO e Seu povo não é tanto em paralelos
entre a natureza e a forma da tentação, mas, sim, no fato de que os dois sofrem uma experiência da tentação. A consideração é ressaltada mais claramente em 4.15. Ao comentar aquele versículo será discutido o problema teológico levantado pela tentação de CRISTO. Por enquanto, o pensamento importante é que CRISTO é poderoso para socorrer, porque o tema principal desta primeira parte da Epístola é demonstrar a perfeita adequação de CRISTO para ser o representante do Seu povo no seu relacionamento com DEUS.
 
HEBREUS 3:1
C. A SUPERIORIDADE DE JESUS A MOISÉS (3.1-19)
Por causa da grande importância de Moisés como legislador, uma comparação entre ele e JESUS teria sido de grande relevância para os cristãos judeus bem como para os cristãos gentios, mas especialmente para aqueles. O escritor demonstra que a posição de Moisés como servo era muito inferior à posição de JESUS como Filho. Além disto, a despeito da sua grandeza, Moisés nunca conseguiu sua intenção de levar os israelitas para a terra prometida; este fato, também, está em forte contraste com a obra completa de CRISTO, que é fortemente ressaltada mais tarde na Epístola.
 
(i) Moisés o servo e JESUS o Filho (3.1-6)
HEBREUS 3:1-2
1. Talvez pareça, à primeira vista, haver bem pouca conexão entre o tema de Moisés e o tema do capítulo 2. Mesmo assim, o escritor tinha a intenção de ligar as duas idéias, porque começa, dizendo: Por isso, santos irmãos, que depende da sua declaração de JESUS como Sumo Sacerdote. Há, também, uma seqüência na menção de “irmãos” em 2.11, sua repetição em 2.12, 17 e a descrição dos leitores com a mesma palavra aqui. Duas vezes mais a mesma descrição é usada (10.19 e 13.22), mas somente aqui é que o adjetivo “santos” é acrescentado. É surpreendente neste contexto. Demonstra ao mesmo tempo familiaridade e respeito. É uma combinação que os cristãos fariam bem em acalentar. Sem dúvida, há outras coisas ou pèssoas descritas nesta Epístola como sendo santas (cf. as muitas ocorrências da menção do ESPÍRITO SANTO, do santo lugar, do SANTO dos Santos).
O escritor não está aplicando a palavra levianamente aos irmãos. É, naturalmente, usada de modo ideal, conforme ocorre quando se toma um substantivo para descrever os crentes (os santos), como em 13.24.
Esta descrição dos irmãos passa, então, a ser seguida por uma definição para excluir qualquer possibilidade de confusão. São as pessoas que participam da vocação celestial. Isto, aliás, introduz outro tema característico desta carta, a palavra “celestial.” O escritor fala também do dom celestial (6.4), do santuário celestial (8.5), das coisas celestiais (9.23), da pátria celestial (11.16) e da Jerusalém celestial (12.22). Em todos os casos, o “celestial” é contrastado com o terrestre, e em todos os casos o celeste é o superior, a realidade comparada com a sombra. Se a vocação celestial for compreendida da mesma maneira, deve significar uma vocação que tem uma direção espiritual e não material. Esta palavra para “vocação” (klèsis, “chamada”) é especialmente característica do apóstolo Paulo, que a emprega nove vezes. Ocorre alhures somente em 2 Pedro 1.10. Nffo há apoio para a opinião de que a chamada vem do interior do homem, porque em todos os casos a chamada vem de DEUS. A parte do homem é tomar-se um cooperador ao responder a ela. A idéia de compartilhar volta a ocorrer em 3.14, onde se diz que os cristãos são “participantes de CRISTO.” A frase que o escritor usa no presente contexto é repleta de significado. Participar de
uma chamada celestial é ficar estreitamente identificado com Aquele que chama, i.é, DEUS. Não admira que tais pessoas são chamadas “santas.” O Novo Testamento dá a entender que esta é a norma para os cristãos. São um povo chamado para fora.
Na declaração seguinte acerca de JESUS, os leitores são exortados a considerar (katanoeò) a Ele, ou seja: concentrar a mente inteiramente em direção a Ele (o mesmo verbo é usado em 10.24). Para uma idéia semelhante, embora os verbos sejam diferentes, podemos comparar 12.2-3, onde, mais uma vez, o objeto da consideração é JESUS. Nalgum sentido, o escritor está dando em forma epigramática sua intenção inteira — a de dirigir seus leitores a examinarem as reivindicações de CRISTO quanto ao ser o Sumo Sacerdote superior. Por enquanto, contenta-se em descrever CRISTO como o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão. Não somente é esta a única ocorrência da palavra “apóstolo” nesta carta, como também é a única ocasião no Novo Testamento em que é usada para CRISTO. É notável que o mesmo termo usado para os homens aos quais JESUS escolhera é usado para o próprio JESUS. Não é, nó entanto, tão inesperado quando as próprias palavras de JESUS são consideradas: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (Jo 17.18); sem dúvida, vale a pena notar que a idéia de JESUS sendo enviado é freqüente no Novo Testamento. Noutras palavras, eles se tomaram apóstolos porque Ele foi um Apóstolo. Ele é o perfeito cumpridor do encargo. Todos os demais são pálidas imagens.
Há, além disto, uma estreita conexão entre o apóstolo e o sumo sacerdote. Os dois foram “constituídos” e não tomaram o cargo sobre si. Os dois eram cargos de representação, em que os detentores agiam em
prol doutras pessoas. O apóstolo representava JESUS CRISTO, e o sumo sacerdote representava DEUS diante dos homens e os homens diante de DEUS. Haja vista que uma comparação entre CRISTO e Moisés segue imediatamente, é digno de nota que Moisés realizou a função de um apóstolo ao agir como representante de DEUS diante do povo e a função de um intercessor diante de DEUS em prol do povo. Nunca é especificamente chamado de apóstolo ou sacerdote. Seu irmão Arâo foi, de fato, nomeado ao cargo de sacerdote ao invés dele. CRISTO é visto como sendo superior a Moisés por cumprir perfeitamente as duas funções. Mas porque os cargos são qualificados pelas palavras “da nossa confissão?" O substantivo homologia (“confissão”) não é freqüente no Novo Testamento, sendo que ocorre uma vez em 2 Coríntios (9.13), duas vezes em 1 Timóteo (6.12-13) e três vezes em Hebreus (aqui e em 4.14; 10.23).
Na presente declaração, é usado subjetivamente, i.é, JESUS a quem professamos. Algum reconhecimento extemo da nossa lealdade é evidentemente pretendido, embora esta deva ser considerada em termos de uma confissão constante de CRISTO e não seja restrita a um único ato. Hebreus 4.14 tem um uso semelhante da palavra, porque os leitores são ordenados a conservarem firme a sua confissão, mais uma vez com referência a JESUS como Sumo Sacerdote. De modo semelhante, em 10.23 há outra exortação no sentido de guardar firmemente a confissão. A idéia dominante em Hebreus é que os crentes têm uma confissão maravilhosa para fazer, e que devem vigiar cuidadosamente para não negligenciarem aquilo que DEUS lhes providenciou.
 
2. Outra característica do nosso Sumo Sacerdote é que Ele era fiel. Este fato é especialmente focalizado a esta altura da discussão, já tendo sido mencionado em 2.17. É feita uma comparação entre a fidelidade de JESUS e a fidelidade de Moisés. Semelhante comparação terá muito valor para aqueles que vieram do judaísmo e que transportaram para o cristianismo altíssimo respeito pelo antigo legislador. Sem dúvida, até mesmo os cristãos gentios aprenderiam rapidamente, da sua crescente familiaridade com o Antigo Testamento, que Moisés é um nome de máxima influência na história antiga do Antigo Testamento. A fidelidade de Moisés é subentendida em Números 12.7, londe o Senhor menciona que Moisés era fiel em toda a Sua casa. É este aspecto que fornece uma comparação apropriada com JESUS CRISTO.
As palavras àquele que o constituiu (i.é, a JESUS) são literalmente: “que o fez” (grego poiêsanti). Pode ser que o verbo fosse sugerido por 1 Samuel 12.6, onde a Septuaginta o usa no sentido de “constituir” que
parece ser o significado aqui. Diz-se que a fidelidade de Moisés era em toda a casa de DEUS, que parecer ser uma expressão figurada para todas as responsabilidades confiadas a ele em prol da comunidade teocrática. O texto em toda a casa de DEUS (em comparação com a alternativa: “na casa de DEUS”) ressalta sobremaneira a extensão da fidelidade de Moisés. Apesar disto, esta fidelidade obtém seu maior renome quando serve de padrão para a fidelidade de CRISTO, que até mesmo sobrepuja o padrão.
 
HEBREUS 3:3-4
3. Há uma conexão direta entre o v. 3 e o versículo anterior, conforme é mostrada pela conjunção todavia (gar). As palavras JESUS, todavia, tem sido considerado digno citam a razão porque os leitores devem considerar (katanoèsate) a Ele (v. 1). É um digno objeto de pensamento. Se Moisés era tão altamente respeitado pelos judeus e pelos cristãos judeus igualmente, quanto mais JESUS devia ser honrado! A comparação é ressaltada pela declaração de que aquele que estabeleceu a casa é maior do que a própria casa. Embora a glória de Moisés seja indisputável e seja ressaltada noutras passagens neotestamentárias (especialmente 2 Co 3), ele não era o inovador do sistema legal, mas simplesmente o agente através de quem foi dado. A descrição vívida no Antigo Testamento das tábuas da lei sendo escritas pelo dedo de DEUS imediatamente coloca Moisés na sua perspectiva certa, quase como um espectador que foi, pessoalmente, afetado intimamente por aquilo que viu.
Mas quem é aquele que a estabeleceu que tem mais honra do que a casa que estabelece? Há duas interpretações, (i) Pode referir-se a JESUS, já que Ele está sendo comparado com Moisés. Neste caso, a comparação é entre JESUS, o edificador da casa, e Moisés, a casa que Ele eficiou. Esta interpretação, porém, levanta dificuldades por subentender um conceito da pré-existência de JESUS e da Sua identificação com a outorga da Lei, que introduz um novo pensamento para o qual não houve preparativo nos capítulos anteriores. A glória e a honra atribuídas a JESUS são mediante o sofrimento e a morte (2.9), não através do poder criador (embora este seja referido em 1.2). (ii) A interpretação alternativa identifica DEUS como o edificador, o que é apoiado pelo v. 4. Embora (ii) se encaixe no contexto melhor do que (i), há verdade na idéia de JESUS CRISTO como Fundador da Sua casa, i.é, a igreja. Bruce pensa que nenhuma distinção pode ser feita entre o Pai e o Filho aqui, porque é DEUS quem funda Sua própria casa, mas o faz através do Seu Filho. Deve ser notado que a combinação de glória e honra neste versículo corresponde não somente à citação do Salmo 8 em 2.7, como também ao louvor ao Cordeiro pelos seres viventes em Apocalipse 5.12-13 (cf. também Ap 4.9, 11; 7.12). Mesmo assim, no presente versículo “glória” é aplicada às pessoas e “honra” à casa e ao edificador, presumivelmente porque “glória” seria uma idéia menos apropriada a aplicar a uma construção ou ao seu construtor.
 
4. Este versículo é um parêntese, porque faz uma declaração geral que visa reforçar aquilo que acaba de ser dito. A conjunção pois (gar) demonstra a conexão. Toda casa é estabelecida por alguém; esta é uma declaração genérica que dificilmente precisa ser feita a não ser que haja razões para disputá-la, e estas razões podem ser achadas naquilo que, bem possivelmente, era uma abordagem contemporânea à Lei. Certamente havia perigo em certos ambientes judaicos de um respeito excessivo por Moisés, às expensas de reconhecer que DEUS era o originador da Lei. Mas o presente contexto, em que se fala de DEUS, é muito mais amplo do que isto. Ele é aquele que estabeleceu todas as coisas, não meramente a “casa.” É parte da semelhança a DEUS o ser o inovador de todas as coisas. Podemos rejeitar a opinião de que a segunda parte do versículo é uma glosa que desfaz o contexto31 O propósito do autor em fazer esta consideração é ressaltar a glória de JESUS que foi nomeado por DEUS para Seu cargo (v. 2). Algumas pessoas restringem “todas as coisas” a questões que dizem respeito à igreja,32 mas é melhor entender a expressão mais abrangente a respeito da totalidade da criação material, bem como do estabelecimento da nova comunidade espiritual.
 
HEBREUS 3:5-6
5-6. Outra linha de argumento agora é introduzida para reforçar a posição superior de CRISTO sobre Moisés — a diferença entre um Filho e um servo.33 Mais uma vez, a fidelidade de Moisés é enfatizada de uma
maneira que sugere nada mais de que um servo. A palavra traduzida “servo” aqui não é o teimo usual doulos que é usado noutras partes do Novo Testamento, mas, sim, therapôn que ocorre somente aqui. Refere-se a um “serviço pessoal prestado gratuitamente. É uma palavra de mais ternura do que doulos e não subentende as implicações de servilidade desta última palavra. Mesmo assim, o assistente pessoal não pode compartilhar da mesma categoria do Filho. No caso de Moisés, o servo tinha uma tarefa importante a realizar, para dar testemunho do que havia de se seguir. Noutras palavras, aquilo que Moisés representa na história judaica não é completo em si mesmo. Apontava para o futuro, para uma revelação mais plena de DEUS num tempo posterior, i.é, diz respeito a coisas que haviam de ser anunciadas, expressão esta que deve indicar o tempo de CRISTO. A missão do servo, por mais grandiosa que fosse, prepara o caminho para a missão muito maior do Filho.
A fidelidade de CRISTO é repetida para ressaltar sua superioridade à de Moisés, em virtude da Sua Filiação. Como Filho ecoa o tema principal da parte inicial da Epístola. O escritor está impressionado pelo pensamento de que nosso Sumo Sacerdote não é outro senão o Filho de DEUS. Isto ficará evidente em vários momentos no desenvolvimento da sua discussão. Para ele, a Filiação de JESUS acrescenta dignidade incomparável ao ofício sumo-sacerdotal.
Enquanto ainda pensa na casa de DEUS, fica sendo mais específico e identifica seus leitores com a casa, mas estabelece uma condição ao assim fazer: se guardamos firme até ao fim a ousadia e a exultação da esperança. As declarações condicionais nesta Epístola são significantes. O escritor deseja tomar claro que somente aqueles que são coerentes com aquilo que professam têm qualquer direito de fazer parte da “casa”. A palavra traduzida “ousadia” ou “confiança” (parrèsia) é outra idéia característica nesta Epístola. Aqui a implicação é que temos uma certeza sólida à qual podemos apegar-nos. A palavra neotestamentária para “esperança” é muito mais enfática do que o uso normal em português, onde quase não significa mais do que um piedoso desejo que talvez não tenha base real nos fatos. Tal tipo de esperança dificilmente forneceria uma base satisfatória para a exultação. Ninguém vai exultar numa coisa que não tem certeza de que irá acontecer. O escritor está suficientemente convicto da certeza da esperança cristã para usar uma expressão enfática (tokauchéma, jactância exultante) para descrever a atitude do cristão para com ela. Vale notar que a ousadia da qual aqui se fala é referida outra vez no fim da discussão teológica e no começo da aplicação (cf. 10.19). A mesma idéia de “guardar firme” que é usada aqui ocorre lá na forma de uma exortação.
 
(ii) Enfoque sobre o fracasso do povo de DEUS sob Moisés (3.7-19)
HEBREUS 3:7-8
7. A idéia de que é possível uma nova interpretação da ilustração da casa — uma transferência dos israelitas como sendo a casa de Moisés para a igreja como sendo a casa do Messias — levou o autor a refletir mais sobre a falta de Israel de herdar as promessas. A intenção disto é obvia mente reforçar a importância da condição que acaba de ser imposta, i. é, a de guardarmos firme a nossa confiança. O escritor tem consciência do fato de que alguns dos seus leitores estavam correndo perigo de fazer aquilo que os israelitas tinham feito. Um breve interlúdio histórico, portanto, não está fora de lugar aqui.Começa com uma citação bíblica de Salmo 95.7-11, introduzida pelas palavras: Assim, pois, como diz o Espirito SANTO. Esta expressão, juntamente com 10.15-16, é uma indicação clara que o escritor considera que as palavras do Antigo Testamento são inspiradas pelo ESPÍRITO. Embora não o declare explicitamente ao introduzir outras citações, pode ser considerado que este conceito subjaz a totalidade da sua abordagem do Antigo Testamento. Certamente a sua doutrina do ESPÍRITO em relação à Escritura abrange a relevância da linguagem figurada usada, conforme demonstra 9.8. Ao introduzir assim o texto bíblico, dá tremenda autoridade às palavras que cita, por conterem uma forte advertência. As primeiras palavras da citação captaram a imaginação do escritor de modo especial, porque as repete três vezes (w. 7-8; 3.15 e 4.7). Vê o Hoje inicial como sendo relevante, por permiti-lo a aplicar as palavras aos seus leitores atuais. Embora se volte para a história, sua mente está fixada no cenário contemporâneo. Sem dúvida, as palavras se ouvirdes a sua voz enfatizam esta relevância presente, sendo que Sua voz é a voz de DEUS em CRISTO. Além disto, o contexto nos Salmos é especialmente apropriado, porque o Salmo 95.7 diz: “nós somos povo do seu pasto, e ovelhas de sua mão,” que se enquadra bem no conceito cristão da igreja como o rebanho de DEUS. Mas a exortação subseqüente contra a imitação do exemplo dos israelitas introduz uma nota severa de advertência.
 
HEBREUS 3:8-12
8-9. A idéia do endurecimento do coração ocorre freqüentemente como uma descrição da desobediência de Israel, e é uma lembrança permanente contra adoção de uma atitude fixa de desobediência a DEUS. Es(
34) É esta seção que foima o âmago da teoria de Käsemann de um fundo histórico gnóstíco paxa esta Epístola (cf. Das wandernde Gottesvolk). O. Hofius: Katapausis: Die Vorstellung vom endzeitlichen Ruheort im Hebräerbrief, nega uma origem gnóstica e alega um backgraound apocalíptico. A tese de Hofius é que o lugar de descanso falado nesta seção é o SANTO dos Santos. G. Theissen: Untersuchungen zum Hebraerbrief, págs. 128ss., critica o apelo de Hofius à apocalíptica. Muitos exegetas concordariam com a interpretação do povo de DEUS como um povo peregrino, sem aceitarem a teoria gnóstica de Käsemann.
se endurecimento é realmente visto em várias fases da história do Antigo Testamento. Começou, conforme deixa claro a passagem citada, durante as peregrinações no deserto. A provocação (ou “a rebelião”) refere-se a incidentes tais quais aqueles que foram registrados em Êxodo 15.22*25; 17.1-7 e 32.1ss. De fato, o texto hebraico do Salmo citado menciona Meribá e Massá. Estas foram duas ocasiões clássicas que se destacam na história de Israel como ocorrências de rebelião contra DEUS. A palavra usada para rebelião (parapikrasmos) ocorre no Novo Testamento somente aqui e no v. 15, e vem da raiz pikros (“amargo”); pode ter sido sugerida pelo incidente em Meribá, onde a água foi achada amarga. Parece ter sua origem na própria Septuaginta, para expressar de modo deliberado a provocação contra DEUS. Deve ser distinguida da palavra paralela em SI 95.10 (ARA desgostado), que significa “ter nojo de, aborrecer,” MM). O dia da tentação talvez se refira ao início, e os quarenta anos à duração. Aquilo que apareceu numa determinada ocasião como sintoma desenvolveu-se num hábito fixo da mente; isto levou a uma atitude de indignação da parte de DEUS, a despeito do fato de que no Antigo Testamento DEUS é revelado como Aquele que não é facilmente provocado, mas, sim, é “longânimo” - lento para Se irar. Tem sido sugerido que o escritor desta Epístola talvez tenha entendido por conta própria os “quarenta anos” como o período que decorrera desde a crucificação de JESUS, durante o qual o povo judaico de modo geral tinha continuado a rejeitá-Lo. Mas não chama atenção especial a esta parte da citação. O ponto principal da passagem inteira é advertir contra uma repetição de rebelião semelhante contra DEUS. Outra sugestão é que os quarenta anos talvez tenham tido relevância especial para o escritor, conforme parece ter tido entre os Pactuantes de Cunrã. Estes últimos relacionavam seu futuro com um período de quarenta anos contados após a morte do Mestre da Justiça.
 
10-11. Se acharmos estranho que DEUS possa ser provocado, deve ser lembrado que muitas dificuldades surgem quando qualquer tipo de resposta emocional é atribuída a DEUS. As analogias humanas são o único meio de expressão disponível, mas estão carregadas com o perigo de que DEUS seja reduzido a termos humanos. Quando DEUS é provocado, o é de modo inteiramente diferente da maior parte da provocação humana, porque a ira nunca surge na mente de DEUS sem justa causa, ao passo que isto acontece freqüentemente nas mentes humanas. A descrição dos israelitas recalcitrantes é dupla: seu desvio habitual de DEUS, e sua ignorância (“Estes sempre erram no coração; eles também não conheceram os meus caminhos”). Uma destas coisas aumenta a outra. A ignorância dos caminhos de DEUS naturalmente leva as pessoas a desviar-se deles. Mas o escritor do Salmo menciona-as na ordem inversa, como se a atitude habitual de desviar- se contribuíra à sua ignorância. Um estado endurecido de mente torna-se impenetrável à voz de DEUS e leva à ignorância cada vez maior dos Seus caminhos, não porque DEUS nâío os faça conhecidos, mas, sim, porque a mente endurecida não tem disposição alguma para escutar. O que era verdadeiro para os israelitas é um comentário sobre todos aqueles que resistem às reivindicações de DEUS. O veredito sobre os rebeldes no Salmo é conclusivo, expresso na forma de um juramento. Uma passagem do Antigo Testamento que parece estar refletida aqui é Números 14.21, onde DEUS dá Sua palavra com um juramento. O contexto desta passagem do Antigo Testamento é a ocasião em que os espias voltaram para Cades-Baméia e o relatório da maioria foi desfavorável. As palavras do juramento: Não entrarão no meu descanso, são introduzidas por uma cláusula com “se" (ei), que, por causa de não ser seguida por uma cláusula “então” serve como uma forte negação. O significado de “descanso” é discutido ainda mais no capítulo 4. O que é importante aqui é que os rebeldes efetivamente se colocam fora da provisão de
DEUS. Não são elegíveis.
 
12. Segue-se agora uma discussão, baseada na citação, que é claramente relacionada com a situação histórica dos leitores. Parece mais provável que entre eles houvesse alguns que estavam sendo tentados a  afastarse de DEUS. Tende cuidado (blepete) como exortação aos leitores ocorre outra vez em 12.25, e nos dois casos há uma questão séria envolvida. Assim como os israelitas se tomaram presa da descrença, assim também seus sucessores, os cristãos, devem ter cuidado para não cair na mesma armadilha. O escritor resume o estado de mente dos israelitas no Salmo como sendo de perverso coração de incredulidade, e vê a possibilidade da mesma condição nalguns dos seus leitores. A ordem das palavras, no grego como em ARA, deixa em aberto se a perversidade antecede a incredulidade ou vice-versa. O escritor não está interessado em tais distinções minuciosas. O que lhe preocupa é que a descrença invariavelmente leva a conseqüências malignas. A descrença leva as pessas a afastar-se do DEUS vivo. A palavra usada para “afastar-se” (apostènai) é a raiz da qual é derivada “apostasia.” Envolve um desvio da verdade. Afastar-se do DEUS vivo é a maior  apostasia possível. Este título específico para DEUS, que é familiar no Antigo Testamento, ocorre várias vezes no Novo Testamento, e freqüentemente sem o artigo, como aqui. A forma sem o artigo chama a atenção mais vividamente ao adjetivo “vivo.” Os cristãos nos ambientes pagãos vibrariam com o contraste entre o DEUS vivo, a quem adoravam, e os ídolos mortos do paganismo (cf. At 14.15). O título era igualmente atraente a um discípulo judeu, como na confissão de Pedro em Cesaréia de Filipe (Mt 16.16), ou a um sumo sacerdote judeu, conforme demonstra o juramente em Mateus 26.63. Há outros lugares em Hebreus onde o mesmo título é usado (9.14; 10:31; 12.22). As palavras transmitem a idéia de um DEUS dinâmico e são especialmente relevantes em quaisquer comentários acerca dos homens que se desviam dEle (cf. especialmente 10.31). Semelhante DEUS, além disto, está em comunicação constante com os homens. Se a apostasia em questão for uma volta ao judaísmo, em que sentido ela poderia ser descrita como um afastamento do DEUS vivo, já que os judeus realmente reconheciam a DEUS? A resposta deve ser que os “apóstatas” neste sentido não achariam a DEUS no judaísmo, tendo voltado suas costas ao caminho melhor providenciado em CRISTO.36 Se o escritor considera
que JESUS é DEUS, conforme é o caso, rejeitar a CRISTO seria considerado uma apostasia de DEUS.
 
HEBREUS 3:13-14
13. Ao pensar na passagem que acaba de ser citada, o escritor imediatamente transfere o hoje do Salmo para os dias dos seus próprios contemporâneos. Desta maneira, toma o Salmo relevante a eles, de modo
que assume um sentido duplo: uma aplicação imediata e uma estendida. Sem dúvida, o hoje é estendido para representar a totalidade da presente era da graça, uma vez que os leitores modernos desta Epístola conseguem estendê-lo ainda mais a eles mesmos. O conselho: exortai-vos mutuamente cada dia demonstra a mentalidade prática do escritor em aplicar uma citação do Antigo Testamento. Este é um convite para a constante vigilância contra a possibilidade do “endurecimento.” O escritor reconhece que seus contemporâneos são tão passíveis deste processo de endurecimento quanto foram os israelitas. Atribui-o ao engano do pecado. O pecado aqui parece ser personificado, usando o engano como meio de desenvolver uma atitude endurecida nos seus  aderentes. Se alguns dos cristãos hebreus estavam enganando a si mesmos ao ponto de pensarem que o cristianismo pudesse ser contido nos odres velhos do judaísmo, estariam adotando uma posição inflexível semelhante, que seria contrária à revelação de DEUS mediante CRISTO. Uma atitude endurecida não é uma aberração repentina, mas, sim, um estado mental habitual. 0 pecado usa o manto do engano com efeito devastador contra os que têm a propensão de cair presos nos seus encantos.
Foi a fascinação das riquezas que sufocou a semente na parábola do semeador (Mt 13.22). Um aspecto importante da advertência contra o engano do pecado é que é endereçada ao indivíduo — a fim de que nenhum de vós seja endurecido, Ê certamente mais fácil para os indivíduos serem enganados em isolamento doutros cristãos do que quando compartilham da comunhão dos irmãos na fé. O fato de que havia uma
tendência para os leitores deixarem de congregar-se com os outros (Hb 10.25) lança luz sobre a presente passagem. É impossível exortar-se mutuamente a não ser que se faça parte de uma comunhão. No presente caso, um endurecimento do coração é estreitamente ligado com o “pecado” e esta deve ter sido uma tendência no caso dos hebreus que eram tentados a desviar-se do cristianismo.
 
14. Como contraste com este endurecimento do coração, há a posição daqueles que estSo estabelecidos em Cnsto. Têm uma base firme e estável, porque o escritor diz: Porque nos temos tomado participantes
de CRISTO. A palavra metochoi (“participantes”) poderia ser entendida no sentido ou de “participantes de CRISTO” ou “participantes com CRISTO.” Este último sentido certamente é melhor adaptado ao contexto,
onde a estreita conexão do crente com CRISTO já foi ressaltada (cf. 3.6: “somos a su casa”). Além disto, o uso de metochoi com o genitivo (como aqui) tem o significado de “confederado com” no uso lingüístico da
Septuaginta e do koinê (cf. MM). Tem o mesmo sentido em Lucas 5.7. É geralmente concordado que “participantes com CRISTO” não é o equivalente da frase mais expressiva “em CRISTO” nas Epístolas de Paulo. Apesar disto, embora seja diferente sua maneira de expressar a união com CRISTO, a idéia básica é a mesma. Pode ser preferível pensar na participação como sendo uma participação do reino celestial.
Note-se que nenhuma indicação é dada quanto à maneira de participarmos em ou com CRISTO, porque o escritor está mais interessado nas condições da nossa participação. Expressa-as como se fosse uma cláusula com “se” : se de fato guardarmos firme até ao fim a confiança que desde o principio tivemos. A conjunção grega eanper que introduz esta cláusula ocorre apenas duas vezes no Novo Testamento (aqui e em 6.3). Significa “se pelo menos” ou “se de fato.” È uma partícula intensiva (MM), que chama atenção especial à condição. Embora se fale da participação como se fosse um ato completado, não deixa de tomar por certo que as respectivas pessoas continuariam na comunhão com CRISTO. Esta condição é compreensível, tendo em vista a lembrança vívida que o escritor tinha da herança perdida dos israelitas, que comenta na passagem seguinte. A palavra traduzida confiança (hypostasis) ocorre em 1.3 e 11.1. Parece que, no presente contexto, tem ligação com a certeza que o dono de um imóvel pode ter porque possui o documento de propriedade, sentido este queé possível em 11.1 (q.v.). Mas 1.3 tem um sentido diferente (i.é, “natureza”). Podemos seguir ainda mais longe esta linguagem figurada ao sugerir que a idéia é assegurar-nos que as escrituras do imóvel não escapem do nosso domínio. O escritor usa três vezes nesta Epístola a mesma expressão “guardar fiime” (katechõ, cf. 3.6 e 10.23). É reforçada, outrossim, pela palavra firme (bebaiosj, outra palavra predileta em Hebreus 2.2; 3.6; 6.19; 9.17 (“é confirmado”). Não é sem relevância que seu significado usual refere-se a um penhor legalmente garantido (MM). Logo, neste contexto ressalta a necessidade de segurarmos com firmeza a nossa “participação” em CRISTO. Enquanto exercermos a fé temos a certeza de que nossa participação não nos pode ser tirada, assim como outra pessoa não pode alegar ter a posse do nosso imóvel se ela não possuir os documentos de propriedade.
 
HEBREUS 15-17
15-17. O versículo anterior realmente era um parêntese de qualificação, porque o pensamento agora volta à citação do Salmo 95. Até mesmo as palavras cruciais são repetidas de uma parte anterior do capítulo
(w. 7b, 8). Este fato não somente serve para enfatizar sua importância, como também fornece ao escritor uma oportunidade para acrescer seus comentários sobre elas. Faz uma série de cinco perguntas, das quais a segunda e a quarta virtualmente respondem à primeira e à terceira, ao passo que a quinta contém sua própria resposta. Este método oferece um exemplo fascinante de exegese do Novo Testamento. O escritor claramente toma por certo que seus leitores não precisarão de uma explicação da situação histórica geral à qual o Salmo se refere, mas sua primei Héring, pág. 28, considera que o genitivo hypostaseòs pode significar o “começo da fé,” ou o “princípio da fé,” ou como uma explicação, i.é, “a base, que é a fé.” ra pergunta: Quais os que, tendo ouvido, se rebelaram?, diz respeito à identidade (ou melhor, à extensão) dos ouvintes rebeldes. A segunda pergunta, retórica no seu caráter: Não foram, de fato, todos os que saíram do Egito por intermédio de Moisés?, meramente indica aquilo que os leitores já devem ter sabido: i.é, que a revolta foi total. Não pode deixar de refletir na liderança de Moisés em comparação com a superioridade de JESUS. Moisés era honrado por ser o libertador do seu povo do Egito, mas o próprio povo que ele libertou virou-se em rebelião contra DEUS. A palavra todos não é afetada pelo fato de que dois, Josué e Calebe, realmente entraram na terra prometida. Foi a massa total da rebelião que impressionou o escritor.
As duas perguntas seguintes ensinam a mesma lição. Baseadas na próxima seção do Salmo, fixam-se nos quarenta anos para chamar a atenção à extensa duração da provocação. A rebelião contra DEUS foi tão
persistente que perdurou pelo período inteiro das peregrinações dos israelitas no deserto. Não foi contra os que pecaram? é uma pergunta que define firmemente a atitude dos israelitas como sendo “pecado” (o verbo ocorre outra vez nesta Epístola somente em 10.26). O pecado é a causa radical, da qual a rebelião e a provocação eram manifestações específicas. O resultado para os pecadores é vividamente resumido: cujos cadáveres caíram no deserto, evidência decisiva da indignação de DEUS contra eles. O escritor ressalta, desta maneira, que não foi somente a descrença, mas também a realidade mais profunda da rebelião ativa a responsável pelo fracasso dos israelitas.
 
HEBREUS 3:18-19
18.. A quinta pergunta: E contra quem jurou que não entrariam no seu descanso?, é respondida pelo acréscimo qualificante: senão contra os que foram desobedientes? Os provocadores, tendo sido identificados com aqueles que pecaram, agora são descritos como desobedientes. Este último conceito subentende um padrão de lei do qual deliberadamente se desviaram. O escritor está preenchendo um quadro vívido do triste estado daqueles que agem contra a provisão que DEUS fez por eles. Está ilustrando por meio do passado de Israel a impossibilidade de vencer através de quaisquer outros meios senão a fé e a obediência — um comentário notável sobre 2.3. Deve ser notado que a idéia de um juramento de DEUS, colhida aqui do Salmo 95, ocorre em 6.13, 16-17 e 7.21 (uma citação do Salmo 110.4, cf. também 4-3). Claramente, a idéia tinha considerável importância para o escritor e falava da absoluta veracidade da palavra de DEUS. O “descanso” (i.é, a herança) mencionado aqui é considerado de importância suficiente para sua perda ser grave. É exposto e aplicado na passagem seguinte.
 
19. A última parte da citação do Salmo, acerca de entrar no descanso de DEUS, é expandida mais plenamente no capítulo seguinte, mas uma declaração resumida é feita para focalizar a verdadeira razão para o debate. A incapacidade deles de entrarem remontava à incredulidade. Isto relembra o v. 12 onde os leitores são advertidos contra terem “coração de incredulidade.” É instrutivo notar que no argumento desta Epístola a exegese é tomada relevante aos leitores e constantemente ecoa seu estado imediato. Ao dizer: Vemos, pois, que... o escritor toma por certo que seu raciocínio será evidente em si mesmo. Seus leitores dificilmente poderiam questionar a realidade da descrença dos israelitas, e obviamente o autor espera que verão com igual clareza as conseqüências perigosas de semelhante descrença da parte deles mesmos.
 
A CARTA AOS HEBREUS - Introdução e Comentário por DONALD GUTHRIE - SOCIEDADE RELIGIOSA EDIÇÕES VIDA NOVA E ASSOCIAÇÃO RELIGIOSA EDITORA MUNDO CRISTÃO
 
A SUPERIORIDADE DE JESUS A JOSUÉ (4.1-13)
Visto que Moisés estava impossibilitado de levar os israelitas para Canaã, o escritor reflete sobre a posição de Josué, que de fato os levou para lá. Demonstra, no entanto, que nem sequer Josué obteve para seu povo o descanso verdadeiro. Josué fracassou pela mesma razão que Moisés, ou seja: por causa da descrença do povo. Isto leva o escritor exortar seus leitores a procurarem aquele descanso superior, que, segundo passa a dar a entender, acha-se em CRISTO.
 
(i) O descanso maior que Josué não podia obter (4.1-10)
1. Tendo demonstrado o fracasso dos israelitas de possuir sua herança sob a liderança de Moisés, o escritor passa, então, ao seu sucessor, Josué.
Embora os homens no deserto tenham fracassado quanto a obter o “descanso,” a promessa dele permanecia para seus filhos. Até mesmo é feita a suposição de que a promessa é permanente e ainda disponível ao escritor e aos seus leitores, daí a exortação adicional. É importante notar que as primeiras palavras do texto grego, como de ARA, são: Temamos, portanto (Phobèthõmen oun). A posição do verbo dá-lhe ênfase especial. Seria salutar para os cristãos considerarem seriamente o fracasso dos israelitas, que incorreram no desagrado de DEUS, e temer que uma calamidade semelhante não sobrevenha aos membros da nova comunidade, o Israel espiritual. O escritor aceita sem questionar que nos é deixada a promessa de entrar no descanso de DEUS, presumivelmente porque sua doutrina de DEUS é tal que não pode conceber que qualquer palavra dEle possa falhar. Com isto em mente, um elemento de temor piedoso é de valor incalculável, porque aplica a nós a solene conseqüência de subestimar a provisão que DEUS faz para Seu povo.
O escritor toma por certo, para si mesmo e para seus leitores que algum tipo de descanso pode ser atingido. Nos versículos que se seguem, dá uma explicação que nos ajuda a saber a natureza do descanso que ainda está disponível. Há certa dúvida acerca do significado exato das palavras: suceda parecer que algum de vós tenha falhado, visto que a palavra (dokeò), além de significar “julgar” também pode ser traduzida parecer (ARA), e neste caso a advertência é até mesmo contra a aparência do fracasso. Além disto, pode significar “suceda que algum de vós pense,” e neste caso a ênfase recai sobre um modo errado de aquilatar a situação. É possível que alguns dos leitores estivessem pensando por demais literalmente que o “descanso” se referia a Canaã e, portanto, não tinha relevância para eles. Mas uma advertência do tipo que abunda nesta Epístola seria mais apropriada para o primeiro significado; “ser julgado,” com o agente do julgar deixado em aberto.
 
2. Ao atribuir aos seus leitores uma posição paralela aos israelitas, o escritor emprega um verbo que é altamente importante, incluindo sua própria pessoa na declaração, diz: Porque também a nós foram anunciadas as boas novas, como se deu com eles, que significa literalmente: “o evangelho foi pregado a eles tanto quanto a nós.”
Naturalmente, o conteúdo da mensagem era grandemente diferente, mas o fator em comum é que nos dois casos DEUS estava se comunicando com os homens. Quando a revelação de DEUS aos israelitas é destacada, a mensagem é expressa  pela palavra logos, já usada em 2.2 num sentido semelhante. É uma palavra neotestamentária favorita para a revelação de DEUS. Neste caso é qualificada pela frase que ouviram (tès akoès, literalmente “palavra do ouvir”). A expressão pode ser entendida no sentido da mensagem que foi simplesmente ouvida, mas diante da qual não foi dada resposta, e este modo de compreendê-la se adaptaria bem ao contexto. Seja qual for o significado adotado, fica claro que o que ouviram não recebeu resposta, pelo menos da parte dalguns. A razão dada: visto não ter sido acompanhada pela fé, naqueles que a ouviram.
 
3. Os crentes estão numa posição inteiramente difrente dos israelitas antigos aos quais se refere o Salmo 95.
 Mesmo assim, o escritor cita mais uma vez o julgamento enfático de DEUS que proibiu os israelitas de entrar em Canaâ, porque ao assim fazer coloca em enfoque mais nítido a posição superior dos crentes. Quando diz :Nós, porém, que cremos (tempo passado), entramos (presente) no descanso, está ressaltando que o descanso de que está pensando é uma experiência já no processo de ser cumprida. Não é algo simplesmente a ser esperado para o futuro. É uma parte essencial da realidade presente para os cristãos. É estranho que a palavra “crer” não está no tempo presente, mas o escritor evidentemente pretende referir-se ao evento da conversão. A advertêhcia no v. 1 claramente visa aqueles cuja experiência não ficou à altura daquilo que DEUS lhes providenciou. Presumivelmente, os leitores originais teriam reconhecido a natureza espiritual do “descanso,” que o escritor ainda não definiu. Apesar disto, ele dá algum indício na declaração seguinte — embora, certamente, as obras estivessem concluídas desde a fundação do mundo — como se quisesse que seus leitores levassem sua atenção para além das peregrinações no deserto, para a própria criação. O descanso da citação e as obras do comentário claramente estão estreitamente ligados entre si. Aquilo em que os leitores agora podem entrar não é diferente do tipo de descanso do qual o Criador desfrutou depois de ter completado as Suas obras, o que significa que a idéia do descanso é a da obra aperfeiçoada e não da inatividade. É importante notar que o “descanso” não é algo novo que não tinha sido conhecido por experiência até à vinda de CRISTO. Tem estado disponível no decurso de toda a história do homem. Esta referência para a criação no passado distante  coloca a idéia na base mais ampla possível, e parece sugerir que o descanso fazia parte da intenção de DEUS para o homem. O “descanso”  é uma qualidade que tem frustrado a busca da parte do homem, e, na realidade, não pode ser alcançado a não ser através de CRISTO. O próprio JESUS  convidou os homens a virem a Ele para acharem descanso (Mt 11. 28-30).
 
4-5. Seguem-se duas citações que confirmam as considerações que já foram estabelecidas: a realidade do descanso e a falta de Israel em obtê-lo.
A primeira citação vem de Gênesis 2.2, mas é introduzida pela fórmula  muito geral: Porque em certo lugar (pois assim disse), é um paralelo estreito da fórmula usada em 2.6. A autoridade da passagem tem maior relevância do que o contexto exato. A alusão ao sétimo dia decorre daquilo que foi dito no v. 3, e prepara o caminho para uma menção adicional de um descanso sabático no v. 9.  A segunda citação, introduzida pela fórmula: E novamente, no mesmo lugar (i.é, SI 95), repete o que já tinha sido citado em 3.11 e ecoado em 3.18. É obviamente importante para o escritor inculcar esta idéia em seus ouvintes. Ressalta enfaticamente que é DEUS que em última análise diz a derradeira palavra — e não os descrentes e os provocadores.
 
6-7. Embora a dedução tirada destas citações não seja declarada com clareza lógica, as implicações não deixam de ser bastante claras.
Visto, portanto, liga o v. 6 com os w. 4-5, e deduz-se que alguns haviam de entrar. A linha de argumento deve ser que, uma vez que os israelitas nunca entraram (i.é, aqueles aos quais anteriormente foram anunciadas as boas novas), alguém deve entrar, para a promessa de DEUS não ficar nula. É estranho que a esta altura o escritor não leva em conta a entrada em Canaã dos israelitas da segunda geração, embora introduza  Josué  mais tarde (v. 8). O contraste ainda é entre Moisés, o representante principal da antiga aliança, e CRISTO, o inaugurador da nova aliança. Mais uma vez, o pensamento focaliza-se no fato de que os israelitas não entraram e de que a causa era a desobediência. Somente poderiam culpar a si mesmos. Mas esta mudança de Moisés para CRISTO envolve outra reinterpretação do Hoje do Salmo 95, que já foi reinterpretado alguns séculos depois dos eventos do deserto. O escritor reintroduz este tema de hoje com outra explicação incomum: de novo determina (horizei) certo dia. O verbo, que significa “estabelecer os limites de,” é admiravelmente apropriado para a introdução do sentido estendido que o escritor atribui à citação. Embora o sujeito da ação mais uma vez é deixado indefinido, claramente há referência ao próprio DEUS. Falando por Davi é literalmente “em (enj Davi,” i.é, na pessoa de Davi). Ressalte-se, assim vividamente, a combinação do divino e do humano na produção das Escrituras. Embora se diga que a citação é das palavras de Davi, mesmo assim, é o ESPÍRITO de DEUS que fala através delas. Além disto, embora o endurecimento ocorresse no deserto, Davi o aplica muito tempo depois, que demonstra a firme convicção do escritor de que as palavras de DEUS têm validez contínua. É por isso que se preocupa em achar alguma relevância contemporânea para elas. A repetição da primeira parte da passagem de Salmo 95 citada no capítulo 3 acrescenta solenidade à advertência contida nas palavras, como se fosse um sino constantemente dobrando: “Hoje, não endureçais; hoje, não endureçais.” Conforme diz Bruce: “Por meio da repetição nosso autor esforça-se para inculcar nos seus leitores o fato de que a advertência divina é tão aplicável a eles quanto era nos dias de Moisés ou de Davi.”
 
8-9. Parece provável que a esta altura o escritor considera uma possível objeção, a qual ele mais pressupõe do que declara.
Alguém objetaria que embora Moisés não pudesse levar o povo de Israel para Canaã por causa da sua descrença, Josué conseguiu, e os “alguns” do v. 6 devem, portanto, ser o povo que ele introduziu lá. Nesse caso, naturalmente, Josué estaria em pé de igualdade com CRISTO, que leva Seu povo para um descanso espiritual. Mas o escritor não pensa desta maneira. Argumenta, com base em DEUS falar a respeito de outro dia, que o dia da ação de Josué não poderia ter sido o cumprimento da promessa. De fato o salmista, ao relembrar este descanso e aplicá-lo ao seu próprio dia, claramente não estava pensando no descanso que Josué obteve. Afinal das contas, aquilo que Josué fez tinha importância meramente transitória comparado com o descanso imutável de DEUS depois da criação. Na verdade, a idéia que DEUS faz do “descanso” é totalmente diferente da idéia do homem, e o escritor aqui usa as palavras do Salmista para voltar as mentes dos seus leitores em direção a uma idéia espiritual, do tipo que verdadeiramente pode ser chamado o descanso de DEUS.
 
O v. 9 introduz a conclusão com a palavra: Portanto (ara), que sugere que é indisputável.
A descrição do descanso como um “repouso de sábado” é importante, porque introduz uma palavra (sabbatismos) que não ocorre em nenhum outro lugar. Pode ter sido cunhada por este escritor (assim MM), porque diferencia eficazmente entre o tipo espiritual de descanso e o descanso em Canaã (o Salmo tem a palavra katapausis). Aqueles que são elegíveis para este repouso de sábado (ARA simplesmente repouso) são chamados o povo de DEUS, que os distingue dos israelitas descrentes. Este  é, na realidade, um termo abrangente, apropriado para a comunidade universal, que inclui tanto os judeus quanto os gentios (cf. um uso semelhante em 1 Pe 2.10).  Este aspecto possessivo de DEUS é notável. Deleita-Se em chamar os crentes de Seu povo. Uma nova comunidade, dedicada a ouvir a voz de DEUS e a obedecê-la, tomou o lugar do antigo Israel que fracassou no tempo da provação.
 
10. Este versículo dá uma explicação do descanso do sábado.
É o descanso de DEUS e, portanto, não tem um padrão inferior. O povo de DEUS compartilha do Seu descanso. O que Ele faz, Seu povo faz. Ao identificar-se com Ele, entra nas Suas experiências. Não há dúvida alguma de que o escritor está subentendendo que o repouso sabático que o crente já tem é tanto uma realidade quanto o descanso de DEUS. Não é uma esperança remota, e sim, uma esperança que pode ser imediatamente realizada. Apesar disto, o escrito ainda teme que alguns dos seus leitores deixarão de alcançar o repouso prometido, daí a exortação no v. 11. A glorificação do descanso (katapausis) não subentende que o trabalho é, portanto, um infortúnio. O “descanso” aqui não deve ser considerado como sinônimo de inatividade. Pelo contrário, esta passagem inteira sugere que depois da criação, DEUS começou Seu descanso, que presumivelmente ainda continua. Não há sugestão alguma de que DEUS Se retirou de quaquer interesse adicional pela ordem criada (conforme sustentavam os deístas). Héring comenta: “katapausis não deve invocar meramente a noção de repouso, como também as de paz, alegria e concórdia.”
 
(ii) A urgência em buscar o descanso (4.11-13)
11. Aqui há outra das muitas exortações com as quais esta Epístola está salpicada.
Esforcemo-nos, pois, por entrar é expressado numa forma que sugere que algum esforço considerável é necessário. Não pode ser considerado ponto pacífico. O verbo (spoudazò, “esforçar-se”) envolve certo grau de pressa, e é em conformidade com isto que o escritor dá suas advertências. O exemplo do povo de Israel é citado mais uma vez como motivo principal para a exortação. O escritor claramente pensa que há grave perigo da história se repetir, embora deva ser notado que não dá indicação alguma de que seus leitores já tinham sido culpados do mesmo exemplo de desobediência. O grego (en hypodeigmati) aqui pode ser entendido de duas maneiras: “caindo no mesmo exemplo” ou “caindo segundo o mesmo exemplo.” A primeira tradução é mais natural, mas a diferença de significado é levíssima. Há várias indicações no Novo Testamento de que os cristãos primitivos discerniam paralelos entre a experiência dos israelitas antigos e a deles (cf. por exemplo 1 Pedro onde é notável o tema do Êxodo).
 
12. Existe, indubitavelmente, um forte elo entre este versículo e o anterior.
Porque a palavra de DEUS é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.
A advertência foi baseada nos fatos, na natureza da revelação divina. Esta era de tal caráter que suas reivindicações não podiam ser desconsideradas como inconseqüentes. Pelo contrário, as qualidades poderosas da Palavra são descritas através de uma metáfora impressionante, que enfatiza não somente a atividade, como também a eficácia da palavra de DEUS. Em primeiro lugar, o significado desta frase deve ser estabelecido. Há duas possibilidades. É usada ou num sentido geral da revelação de DEUS, ou num sentido particular do próprio JESUS CRISTO na Sua função de Logos, de conformidade com o uso de João. Estes dois aspectos estão estreitamente vinculados entre si, mas o contexto imediato sugeriria que é no sentido mais geral da mensagem de DEUS ao homem que a expressão visa ser entendida. Um apelo enfático foi feito à revelação de DEUS ao Seu povo, e a implicação é que ninguém pode entrar no descanso verdadeiro a não ser aquele em quem a Palavra de DEUS assumiu pleno controle da sua experiência. Mesmo assim, só é possível no seu sentido mais pleno através daquela completa revelação de DEUS no Seu Filho que já formou a base da declaração introdutória nesta Epístola (l.lss.).
As qualidades e as atividades atribuídas à Palavra — viva, eficaz, cortante, penetrante e discemidora — são apenas parcialmente aplicáveis de um modo pessoal. Além disto, a linguagem figurada da espada talvez não dê, de início, a impressão de julgamento, que não é, porém, o aspecto principal aqui. A idéia da Palavra (logos) divindindo é achada em Filo (Quisrerum divinarum heres sit, Seções 230-233). A idéia de Filo, no entanto, difere da idéia nesta Epístola sendo que o logos dele não distingue as coisas numa base moral, mas, sim, deixa a realização da terefa ao raciocínio do homem. A personificação da Palavra como mandamento autêntico de DEUS é achada em Sabedoria 18.15-16, num sentido muito mais próximo de Hebreus do que de Filo. Aqui, porém, a idéia é mais fundamental. É nada menos do que a permeaçâo da Palavra em todo aspecto da existência de um homem.
Que a Palavra é viva demonstra que reflete o caráter verdadeiro do próprio DEUS, a fonte de toda a vida. Este tipo de vida é cheio de energia para realizar sua finalidade declarada. Esta qualidade viva é particularmente apropriada à idéia da Palavra, especialmente quando é aplicada ao registro da revelação, porque a noção poderia facilmente degenerar num código morto, conforme indubitavelmente a Lei tinha se tomado para muitos judeus. Mas uma revelação que é viva tem aplicação constante às mentes dos endereçados. Quando JESUS declarou que as palavras que Ele falava eram espírito e vida (Jo 6.63), era esta parte vivificante da Sua revelação que estava sendo enfatizada. A segunda característica, eficaz ou “ativa” (energês), serve  para sublinhar a mesma idéia. Uma coisa pode ser viva mas dormente, mas a natureza da vida verdadeira é que explode em atividade e desafia em todas as frentes aqueles que não ficam à altura das suas exigências. A Palavra de DEUS, nas suas exigências intelectuais e morais, persegue os homens e clama por decisões pessoais a serem feitas em resposta às suas exortações. Sem dúvida, o escritor está pensando no caráter sempre presente do desafio espiritual que acaba de extrair da sua leitura do Salmo 95.
A comparação entre a Palavra de DEUS e uma espada é achada também em Efésios 6.17 e volta a ocorrer em Apocalipse 1.16, onde a idéia de uma espada de dois gumes é usada para descrever a natureza das palavras que procedem da boca do Filho de DEUS glorificado. É achada, ademais, em Isaías 49.2 e Sabedoria 7.22. A referência em Efésios está num contexto da armadura espiritual, e é especificamente aplicada ao ataque contra as forças do mal. Aqui, porém, a ênfase recai sobre o caráter penetrante da Palavra, que é expresso na descrição  comparativa: mais cortante. É a capacidade de penetração da espada de dois gumes que impressionou o autor mais fortemente. Mas até mesmo isso não está à altura de tudo quanto a Palavra é na sua atividade. A seguinte descrição elucida este aspecto penetrante da Palavra. Penetra até ao ponto de dividir alma e espírito chama atenção especial à ação divisora da Palavra de DEUS, mas qual é o sentido pretendido aqui? Embora tenha sido sugerido que a divisão é entre a alma (psychê) e o espírito (pneuma), parece melhor supor que a penetração é tanto dentro da alma bem como do espírito, i.é, sua ação ressalta a verdadeira natureza dos dois. Neste caso, a Palavra seria vista penetrando na pessoa como um todo, tanto alma quanto espírito. Se a primeira interpretação for adotada, significará que a penetração era tão eficiente que chegava à linha divisória, notoriamente obscura, entre a alma e o espírito. Tanto a palavra para “penetrar” (diikneomai) quanto a para “dividir” (merismos) são peculiares a este escritor, no Novo Testamento. Esta última palavra ocorre também em 2.4, onde diz respeito à distribuição de dons espirituais, mas claramente o significado aqui é diferente. O uso neotestamentário de pneuma focaliza o aspecto espiritual do homem, i.é, sua vida em relação a DEUS, ao passo que psychê refere-se à vida do homem independentemente da sua experiência espiritual, i.é, sua vida em relação a si mesmo, às suas emoções e ao seu pensamento. Há uma forte antítese entre os dois na teologia de Paulo.
Quando a atividade divisora é estendida a juntas e medulas e pensamentos e propósitos, fica claro mais uma vez que a idéia de eficiência está em mente. O tema de que a Palavra de DEUS nos afeta até ao ponto de discriminar nossas intenções é um desafio para nós. Nada, nem mesmo nossos pensamentos mais íntimos, está abrigado do discernimento da mensagem de DEUS. Afeta, de um modo muito compreensivo, o homem inteiro, conforme claramente ressalta o versículo seguinte.
 
13. O que acaba de ser dito agora é apoiado por uma declaração acerca do relacionamento entre a criação e o Criador, embora o próprio DEUS não seja mencionado pelo nome. "E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar".
Não há dúvida alguma de que a descrição expressiva: aquele a quem temos de prestar contas, é uma referência a DEUS. Um modo literal de entender as palavras seria: “a quem nos é a conta,” bem interpretado por ARA supra. Isto nos faz lembrar da derradeira prestação de contas, à luz da qual o versículo inteiro deve ser entendido.
É uma advertência salutar que nada e ninguém pode ser ocultado das vistas de DEUS. Declara-se que cada criatura está manifesta (gymna, literal (44) C. Spicq: Comm. 1,'págs. 52ss., vê aqui uma distinção filônica entre a alma e o espírito, em que este é superior àquela, sendo que somente o espírito pode compreender o ensinamento divino.
Além disto, diz-se que é descoberta (tetrachèlismena), um termo pitoresco, que ocorre somente aqui no Novo Testamento e não ocorre na Septuagjnta. Significa “curvar o pescoço para trás” (como na luta livre); mas seu sentido secundário é “desnudar,” ou ao ser vencido, ou forçado a cair prostrado, ou, como aqui, na aplicação metafórica de “desnudar.” É como se DEUS garantisse que ninguém poderia esconder seu rosto dos seus olhos, sua cabeça empurrada para trás para estar à plena vista de DEUS. Este pensamento solene prepara o caminho para a  segunda parte principal da Epistola em que o propósito e eficácia da obra sumo-sacerdotal de CRISTO são expostos. O fato de que nada pode ser oculto toma tanto mais urgente a necessidade de um representante eficaz que possa agir em prol dos homens.
 
E. UM SUMO SACERDOTE SUPERIOR (4.14-9.14)
A Lei de Moisés reconhecera e providenciara um sumo sacerdote que pudesse mediar entre DEUS e o homem. Mas o sacerdócio de Arão tinha várias fraquezas, e o escritor demonstra que o sumo-sacerdócio de CRISTO é de um tipo superior. Num interlúdio desafiador, o escritor adverte os leitores acerca das conseqüências de se desviarem da fé cristã. A questão de qual é a ordem sacerdotal à qual CRISTO pertence leva o escritor a discutir a ordem superior de Melquisedeque. Estreitamente vinculado com este tema está o da Nova Aliança, cuja superioridade à antiga é demonstrada.
 
(i) Nosso grande Sumo Sacerdote (4.14-16)
14. Embora tenha sido declarado certo número de vezes (cf. 1.3; 2.17; 3.1) que o tema do sumo sacerdote ocupava um lugar de destaque na mente do escritor, somente agora é que começa a plena explicação dele. É provável que a conjunção pois (oun), que começa este versículo faça uma ligação direta com 2.17-18, sendo que a seção interveniente é um tipo de interlúdio que, mesmo assim, marca o tom ao chamar a atenção dos leitores à importância do tema. Três declarações são feitas acerca de nosso Sumo Sacerdote. 
Em primeiro lugar, Ele é grande, o que O destaca como sendo superior a outros sacerdotes inferiores. O escritor pensa primariamente na Sua superioridade à ordem arônica do sacerdócio, questão que é tratada na passagem subseqüente. Esta grandeza estende-se não somente ao Seu caráter como também à Sua obra.
A segunda característica é que penetrou os céus. Uma vez que o plural “céus” é usado, alguns sugerem que a idéia judaica de uma série ascendente de céus aqui está em mente. Paulo em 2 Coríntios 12.2 fala de ser arrebatado para “o terceiro céu.” Clemente de Alexandria refere-se a sete céus. Mas posto que era a prática regular no Antigo Testamento usar o plural para o céu, é improvável que a idéia judaica de céus sucessivos esteja em mira. É mais provável que a idéia seja geral e que vise contratar-se com a entrada limitada do sumo sacerdote arônico dentro do véu. Nosso Sumo Sacerdote penetra até à própria presença de DEUS. As palavras sugerem que nenhum impedimento atrapalha Sua passagem. Podemos comparar a declaração aqui com aquela em 10.19 que declara que, tendo em vista a obra do nosso Sumo Sacerdote, agora temos confiança para entrar no “SANTO dos Santos.” Temos participação no acesso do nosso Sumo Sacerdote.
A terceira declaração acerca dEle dá Seu nome: JESUS, o Filho de DEUS. O primeiro dos dois nomes já apareceu em 2.9 e 3.1, onde O identifica na Sua natureza humana para demonstrar Sua elegibilidade para o  cargo de sumo sacerdote. O nome é usado outra vez em conexão com o tema sumo-sacerdotal em 6.20; 7.22; 10.19; 12.24; 13.12. Na verdade, o nome de JESUS, sem quaisquer outros títulos, ocorre tão freqüentemente nesta Epístola quanto o título independente “CRISTO” (9 vezes cada). O escritor não dá a impressão de usar indiscriminadamente os diferentes nomes. É altamente importante para ele estabelecer sem questão de dúvida que nosso Sumo Sacerdote não é nenhum outro senão o JESUS histórico. Ao mesmo tempo, reitera o que já deixou claro: que este JESUS também é o Filho de DEUS. Embora a Filiação de JESUS seja tomada por certa na parte anterior da Epístola, o título Filho de DEUS não é usado até esta altura da discussão, e sem dúvida, é intencionalmente introduzido aqui para combinar a humanidade e a divindade de JESUS como sendo as qualificações perfeitas para um Sumo Sacerdote que teria de ser superior a todos os demais. É usado outra vez em 6.6, 7.3 e 10.29; na primeira e na última destas referências, Filho de DEUS descrever Aquele que é tratado com ignomínia pelos que apostatam. Depois da apresentação de tão grande Sumo Sacerdote, não é surpreendente que uma exortação seja imediatamente acrescentada: conservemos firmes a nossa confissão. O verbo aqui usado (kratõmen) significa “apegar-se- a”, como se exigisse alguma resolução da nossa parte. A idéia, mas com um verbo levemente diferente (katechõmen), volta a ocorrer em 10.23 em relação ao mesmo objeto: confissão. Esta última palavra já foi encontrada em 3.1, e pode ser considerada uma idéia-chave nesta Epístola, visto haver uma ligação direta entre a presente passagem e 10.19-23.
Sem dúvida, 4.14-16 pode ser considerado o prólogo ao tema sumo-sacerdotal, e 10.19-23 o epílogo. Nas duas passagens ocorrem as idéias de conservar firme a confissão, de achegar-nos a DEUS através de um grande Sumo Sacerdote, e de uma confiança (parrèsia) para fazê-lo. Os paralelos são por demais marcantes para serem acidentais. Refletem o propósito do autor na estrutura da sua Epístola. Seu interesse em expor seu tema sumo-sacerdotal não é teórico, mas, sim, prático, i.é, exortar seus  leitores a se achegarem a DEUS.
 
15. Embora a capacidade do nosso Sumo Sacerdote de simpatizar-Se com os que são tentados já tenha sido ressaltada (2.18), a mesma idéia é agora expressa de um modo negativo: Não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se. Por que o escritor muda da forma positiva para a negativa? Parece mais provável que tenha consciência de uma objeção, talvez que, dalguma maneira, JESUS CRISTO esteve demasiadamente distante da necessidade do homem. Se for assim, apressa-se para dissipar este temor. A declaração é dada aqui como a razão para o conservar-se firme, conforme demonstra a conjunção porque  (gar). Nossa confiança está diretamente relacionada com a capacidade do nosso Sumo Sacerdote. Somente nesta Epístola (aqui e em 10.34) é que o verbo simpatizar (sympatheò, literalmente “sofrer juntamente com”) é usado no Novo Testamento. Aqui, diz respeito à simpatia de CRISTO por Seu povo, e em 1034 à compaixão do cristão pelos encarcerados. A capacidade do cristão para a simpatia é baseada na capacidade de CRISTO simpatizar-se. No presente caso, o objeto da simpatia é nossas fraquezas. Esta idéia de fraqueza (astheneia), que subentende uma consciência de necessidade, ocorre noutros lugares da Epístola com referência à fraqueza da ordem do sacerdócio de Arão (5.2; 7.28), e fica em notável contraste com a ausência de tal fraqueza da parte do.nosso grande Sumo Sacerdote. É porque Ele não tem essa  fraqueza ministerial, que Ele pode simpatizar-se com os homens em suas fraquezas. A palavra fraquezas é suficientemente abrangente para incluir qualquer forma de necessidade. Há simpatia para os necessitados, mas não para os auto-suficientes. Caso alguém pense que mesmo que o nosso Sumo Sacerdote possa simpatizar-se conosco, não pode conhecer as tentações que assaltam os outros homens, as tentações de JESUS agora são especificamente referidas. Ele foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança. Este é um desenvolvimento mais específico da declaração em 2.18, onde o fato da tentação de JESUS é citado como garantia de que Ele pode ajudar aos outros nas suas tentações. Há duas asseverações adicionais aqui que levantam um problema penetrante: que Suas tentações são como as nossas (à nossa semelhança), e que se estendem a todos os aspectos (em todas as coisas). A primeira declaração pode ser entendida no sentido de que Sua natureza é como nossa, e não Suas tentações, mas isto evitaria as implicações da segunda declaração. Em todas as coisas (kata panta) coloca JESUS na mesma categoria que nós mesmos quando se trata da tentação. Isto transmite um aspecto que é tremendamente encorajador. Podemos conseguir grande consolo do fato de que Sua experiência se equipara à nossa. O problema, no entanto, surge da cláusula de exceção: mas sem pecado. Uma vez que nós somos tentados e pecamos, e Ele é tentado e não peca, como Suas tentações podem ser iguais às nossas? Se Ele não tem a mesma tendência ao pecado que nós temos, não está, por este mesmo fato, numa posição privilegiada que imediatamente distingüe Sua tentação da nossa? Para uma solução a esta dificuldade, devemos notar que a tentação, em si mesma, não é pecaminosa. A idéia diz respeito mais ao ser exposto à prova ou à sedução. Isto é claramente possível, e não exige que a pessoa tentada peque. Embora certamente haja um sentido em que o fato de JESUS ter sido exposto à tentação foi diferente das tentações dos homens, porque Ele estava livre da tendência ao pecado, mesmo assim, num outro sentido, Sua própria provação foi, em todos os aspectos, semelhante à nossa. A experiência de JESUS não foi confinada às três tentações no deserto, afetou a totalidade da Sua missão. Basta saber que Ele passou por tensões e pressões que nenhum outro homem já conheceu. O maior neste caso inclui o menor. O que são as minhas tentações, mesmo enfrentando uma tendência que uma Pessoa perfeita e divina não experimentou, comparadas com o que Ele suportou? Sua impecabilidade é demonstrada para Seu povo, não tanto como exemplo quanto como inspiração. Nosso Sumo Sacerdote é altamente experiente nas provações da vida humana. Com esta declaração importante e específica acerca da impecabilidade de CRISTO, podemos comparar o comentário de Paulo em 2 Coríntios 5.21. É um aspecto integral do ensino do Novo Testamento e especialmente importante para o tema sumo-sacerdotal deste escritor (cf. as declarações adicionais em 7.26ss.), que JESUS, embora fosse um homem, nunca pecou.
 
16. Surge uma outra exortação que, conforme já foi notado supra, volta a ocorrer em 10.22-23. Foi a possibilidade de nos achegarmos a DEUS que captou a imaginação do escritor. Há, aqui, certo número de aspectos que vale a pena notar. Em primeiro lugar, a abordagem a DEUS pelò cristão deve ser caracterizada pela confiança ou ousadia (parrèsia), por uma liberdade de expressão e ausência do medo. Este é um dos aspectos mais marcantes do caminho cristão para DEUS, que nem sequer é embaraçado  pelo senso humano do temor na presença de DEUS. É perfeitamente refletido na Oração Dominical, onde o uso de um trato como “Pai Nosso” revela uma ousadia maravilhosa. O segundo aspecto é a expressão trono da graça. O trono representa a realeza, e certamente poderia inspirar temor se sua característica principal não fosse a graça, i.é, o lugar onde o favor gratuito de DEUS é distribuído. Em 8.1 e 12.2 JESUS CRISTO é visto assentado à destra do trono. Um terceiro aspecto é a combinação da misericórdia e da graça como favores especiais dispensados a partir do trono. Nosso Sumo Sacerdote já foi descrito como sendo misericordioso (cf. 2.17). Este é um tema de destaque no Novo Testamento e é característica especial das Espístolas paulinas. A quarta consideração é a ajuda que está disponível em ocasião oportuna. O fornecimento da graça é irrestrito, sendo que a única condição prévia é a disposição para recebê-la, um senso da sua indispensabilidade.
 
(ii) A comparação com Arão (5.1-10)
1. Os quatro primeiros versículos do capítulo 5 são históricos e dizemrespeito à ordem de Arão. Se a Epístola é dirigida a cristãos judeus, as declarações vêm como lembrança para servir de pano de fundo para a introdução de uma ordem superior. Tendo já declarado que JESUS CRISTO é um grande Sumo Sacerdote, alguma comparação com a ordem arônica é inevitável e pode, na realidade, ter dois alvos. Pode demonstrar que JESUS preenche todas as condições do sumo-sacerdócio e pode demonstrar, ainda mais, quão superior Ele é à linhagem de Arão. Se este último alvo não tivesse sido incluído, o significado verdadeiro da ordem de Melquisedeque teria ficado desapercebido. A discussão começa com uma declaração bem geral acerca do ofício sumo-sacerdotal. Esta declaração, ademais, segundo se percebe, tem alguma conexão com a seção introdutória no fim do capítulo 4, conforme demonstra a conjunção inicial Porque (gar). Certamente, a capacidade de nosso Sumo Sacerdote de socorrer depende até que ponto Ele cumpre as condições.
Há várias características específicas mencionadas,
(i) O sumo sacerdote é essencialmente um representante do homem; é tomado dentre os homens. É porque é identificado por natureza com os homens que pode agir e pleitear em prol deles. Isto era fundamental ao sacerdócio arônico. Não havia questão da tarefa ser entregue a um ser sobre-humano. Necessitava de um homem que pudesse compreender os homens e sentir por eles.
(ii) É constituído (kathistatai). Como o verbo é passivo, e' subentendido que a nomeação do sumo sacerdote é feita por DEUS. A ordem arônica não fez disposições para a eleição democrática, mas, somente para nomeações teocráticas autoritárias,
(iii) Sua nomeação e' nas coisas concernentes a DEUS (ta pros ton Theon). Sua obra de Mediador, para agir em prol de DEUS para com os homens e em prol dos homens para com DEUS, é vista claramente aqui. Esta é uma função essencial do sacerdócio,
(iv) Seu propósito é oferecer assim dons como sacrifícios pelos pecados. Esta cláusula (uma cláusula com hina) ressalta o resultado dEle estar tão estreitamente identificado tanto com DEUS quanto com os homens. As duas palavras até mesmo são ocasionalmente usadas intercambiavelmente, mas aqui há distinção entre elas. Neste caso os dons (dòra) devem referir-se às ofertas de cereais e os sacrifícios (thysias) às ofertas de sangue. O sumo sacerdote arônico, na realidade, estava se aproximando de DEUS por causa dos pecados dos homens. Aqui a declaração “pelos pecados” é significante, porque não é restrita aos sacrifícios, como também diz respeito aos dons. É melhor, portanto, entender que esta expressão refere-se à gama total da obra do sumo sacerdote. Seu desempenho inteiro como representante do seu povo tem valor expiatório, i.é, tem a ver com os pecados das pessoas que representa.
2. Depois destas funções gerais do ofício, o aspecto mais pessoal é enfocado: a capacidade do sumo sacerdote de condoer-se (ou “tratar mansamente” — metriopathein) dos ignorantes e dos que erram. Embora
não seja dito nada no Antigo Testamento acerca das qualidades morais, o escritor deduziu esta qualidade de mansa compreensão do fato básico de que o sumo sacerdote é essencialmente um homem entre homens. E muito fácil ver-se livre dos ignorantes e dos que erram, ou pelo menos não lhes dar a mínima consideração. São um estorvo em qualquer sociedade bem-organizada. Mas numa sociedade teocrática não podem ser deixados fora de consideração. Deve ser dada atenção a eles. O sumo sacerdote não era apenas o representante das melhores seções da sociedade, era também das piores. As duas descrições — ignorantes (agnoousi) e os que erram (planòmenois) — talvez indiquem a origem e a característica do tipo de pecado com o qual o sumo sacerdote pode lidar. Os pecados da ignorância eram cuidadosamente distinguidos dos pecados deliberados, para os quais a lei não fazia provisão. Os que erram são aqueles que se desviaram do caminho de DEUS, mas querem voltar. Não são os rebeldes endurecidos. O sumo sacerdote tinha um ministério especial de mansidão para com aqueles que tinham consciência da sua necessidade. É com estes que podia identificarse nas suas fraquezas. Neste aspecto, porém, a linhagem de Arão difere de nosso Sumo Sacerdote que tem ainda mais capacidade de tratar com mansidão o Seu povo, por causa da Sua força e não por causa da Sua fraqueza. Nunca foi ignorante, nem errou, mas tem perfeita compreensão daqueles que são assim. Mesmo assim, as palavras traduzidas rodeado de fraquezas podem ser entendidas no sentido de “embrulhado em fraqueza.” Neste caso, pode-se pensar no sumo sacerdote como estando vestido das fraquezas do seu povo; se este for o significado, há um paralelo mais estreito com nosso grande Sumo Sacerdote. Todavia, o primeiro sentido, que contrasta a fraqueza de Arão com a força de CRISTO, é mais provável.
3. Há uma divergência ainda mais evidente neste versículo entre JESUS CRISTO e a ordem de Arão. O sumo sacerdote arônico, sendo ele mesmo um homem pecaminoso, deve oferecer sacrifícios pelos pecados... como de si mesmo. Uma parte importante dos procedimentos do Dia da Expiação era que o sumo sacerdote devia primeiramente, oferecer um sacrifício como expiação pelos seus próprios pecados (cf. Lv 16.1 lss.). Na mente do escritor parece haver uma estreita conexão entre a fraqueza e o pecado,  embora não decorram necessariamente um do outro. No caso dos homens, no entanto, i.é, todo homem menos o Homem perfeito, a fraqueza tem como resultado o pecado. O exemplo perfeito de uma forma impecável de fraqueza física é a cruz. Mas a ordem arônica não fazia provisão para esse tipo de fraqueza nos seus sacerdotes, a não ser talvez idealmente, no seu sistema sacrificial. Mas, conforme esta Epístola passará a demonstrar, ao passo que Arão tinha de oferecer um animal, CRISTO ofereceu a Si mesmo. Há claramente um fator comum entre os pecados do sumo sacerdote e os do povo. Estava na mesma condição necessitada que eles. Mais uma vez, porém, nosso Sumo Sacerdote destaca-Se em marcante contraste. Estando sem pecado, não tinha necessidade de oferecer sacrifícios em prol de Si mesmo, e isto O coloca numa categoria diferente.
 
4. Um fator importantíssimo no ofício do sumo sacerdote é sua origem. Era uma nomeação divina e não uma auto-nomeação ou uma nomeação humana: Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo. O caso de
Arão agora é mencionado especificamente, porque foi chamado por DEUS. A chamada divina é um fator importante no Novo Testamento como era no Antigo Testamento, porque chama a atenção à iniciativa divina. Quando a comparação é feita com nosso grande Sumo Sacerdote, fica evidente que Ele também foi nomeado para Seu ofício. Somos lembrados de que Ele reconhecia que DEUS Lhe deu a obra que viera realizar (cf. Jo 17.4).
 
5. Os seis versículos seguintes explicam o relacionamento entre CRISTO e a ordem de Arão, introduzem a ordem de Melquisedeque, que depois é desenvolvida adicionalmente após o interlúdio de 5.11-6.20. O escritor explora primeiramente a nomeação divina de CRISTO, característica esta que está em linha direta com a posição de Arão. É digno de nota que o título CRISTO é usado aqui ao invés de JESUS (que é preferido em 4.14). Isto sugere que o escritor está profundamente impressionado pelo pensamento de que o ungido, o Messias, no Seu ofício não se glorificou como bem poderia ter feito. O quadro neotestamentário do Messias, no entanto, sempre revela alguém cuja missão é servir, nunca alguém que procurou conquistar posições de honra. Em João 8.54, JESUS sustenta que não honra a Si mesmo, mas, sim, que é honrado pelo Pai. O fato de que foi nomeado é apoiado pelo Salmo 2, de uma passagem que já foi citada em Hebreus 1.5. Este tema, que volta a ocorrer, e que aqui está ligado com outra citação do Salmo 110, sugere que houve meditação sobre estes Salmos, e que formavam uma parte vital da estrutura da Epístola. São como linhas melódicas que se repetem numa música, sendo que cada nova introdução delas apresenta alguma variação. O escritor quer que a idéia do sumo-sacerdote seja estreitamente vinculada com seu conceito sublime de CRISTO como Filho de DEUS. A nomeação por DEUS é uma indicaçãoque nosso Sumo Sacerdote é totalmente aceitável por DEUS. Se Ele tivesse sido nomeado pelos homens, sempre teria havido dúvida.47
 
6. A segunda citação, do Salmo 110.4, é introduzida por uma fórmula muito geral: Como em outro lugar também diz, presumivelmente para distingui-la da primeira citação. Mesmo assim, é citada como autoritativa, porque “diz” claramente se refere a DEUS. A nomeação divina ao ofício de sacerdote é apoiada por esta citação, mas dois fatores inteiramente novos também são introduzidos, e demonstram que o sacerdócio de CRISTO é diferente do de Arão. Em primeiro lugar, é para sempre, porque nunca poderá ficar melhor do que já é. Sendo perfeito, nunca chega ao ponto de ceder lugar a um melhor. Em segundo lugar, é segundo a ordem de Melquisedeque, porque, conforme será exposto mais tarde, não tem sucessão  como tinha a ordem de Arão. Aconteceu de uma vez por todas, porém é constantemente aplicável. Neste sentido é para todos os tempos. Melquisedeque, diferentemente de Arão, é uma pessoa misteriosa. A menção fugaz dele em Gênesis 14.18-20 mostra que era uma personagem histórica cujo sacerdócio foi aceito por Abraão. É  \igno de nota que o autor da Epístola não tira lição alguma do fato de que o relato de Gênesis diz que Melquisedeque trouxe pão e vinho. Poderia ter atribuído importância simbólica a isto, já que o pão e o vinho são de tão alta significância com referência à Ceia do Senhor. Mas, ao invés disto, concentra-se no fato histórico de que Abraão ofereceu dízimos a Melquisedeque (veja cap.7). Poderia, ainda mais, ter citado e comentado o juramento divino nos capítulos 3 e 4. Não obstante, reserva tal comentário para 6.13, quando, então, faz exposição do significado do juramento. O método do autor de introduzir a figura estranha de Melquisideque é tão misterioso quanto a figura do próprio sacerdote. Há nele uma certa aura que é apropriada, tendo em vista o Sumo Sacerdote exaltado que Melquisedeque tipifica.
 
7. Nesta Epístola há muitas surpresas na introdução de temas diferentes que, à primeira vista, não parecem acompanhar naturalmente o contexto. A seção seguinte (w. 7-10) é um exemplo disto. O escritor introduz o que pode ser chamado de uma reminiscência histórica da vida de JESUS. Podemos perguntar a nós mesmos o que isto tem a ver com Melquisedeque, cuja ordem sacerdotal é mencionada outra vez no v. 10. É possível que a repetição da citação do Salmo 2 tenha lembrado o escritor da sua seqüência de pensamento onde concentra-se na Filiação divina (capítulo 1) e na humanidade de JESUS (capítulo 2). Parece que quer dissipar qualquer idéia de que JESUS seja uma figura mística nâo-histórica por meio de, abruptamente, lembrar aos leitores aquilo que aconteceu nos dias da sua came. A expressão é interessante porque chama a atenção à realidade da Sua vida humana. O escritor já deixou clara esta realidade no capítulo 2 (veja w. 14 e 17), mas a presente referência introduz muito mais vividamente uma clara alusão ao registro histórico da vida de CRISTO. Sem dúvida, este é um dos exemplos mais vívidos do Novo Testamento, fora dos Evangelhos. No texto grego, o sujeito não é definido, mas deve referir-se a JESUS, que é o sujeito desta seção inteira (cf. v. 5). A declaração principal acerca da vida humana de JESUS diz respeito às Suas poderosas orações. As duas palavras usadas para isto; orações e súplicas, são estreitamente ligadas entre si, mas não deixa de haver distinção entre elas. A primeira (deèsis) é a palavra neotestamentária geral para as orações, mas a última (hiketêria) tem um elemento mais forte de súplica e é derivada da antiga prática de estender um ramo de oliveira como sinal de apelo. Estas são palavras notáveis para descrever a oração do Filho ao Pai, mas demonstram o quão completamente identificado Ele está com Seu povo. O forte clamor e lágrimas parecem ser uma alusão inegável à agonia de JESUS no jardim de Getsêmane, onde Suas orações foram acompanhadas por um suor de sangue, revelando a intensidade interior da luta pela qual passava. Os relatos nos Evangelhos não mencionam as lágrimas, mas estas não estariam fora de harmonia naqueles relatos. Aquele que podia chorar ao lado do túmulo de Lázaro não estaria longe de poder expressar- Se de modo semelhante noutras ocasiões de profunda emoção. Embora as lágrimas geralmente sejam consideradas um sinal de fraqueza, não deixam de ter propriedades curativas. Nosso Sumo Sacerdote não estava tão alto acima de nós que as lágrimas estivessem distantes dEle nas ocasiões em que Sua mente estava cruelmente aflita. Ao aludir-se à Pessoa a quem estas orações intensas eram endereçadas, o escritor deliberadamente usou uma frase descritiva para chamar a atenção à capacidade de DEUS para salvar: quem o podia livrar da morte. Esta ide'ia de DEUS como libertador é tão característica no Novo Testamento que não é fácil apreciar seu pleno significado. Esta Epístola já chamou a atenção à constante escravidão do homem ao pavor da morte (2.15). A mensagem de que a vitória é através de CRISTO tem trazido, no passado, um desafio e nova esperança a muitas pessoas. Não é de se admirar que o escritor volte a ela quando pensa nas orações de JESUS. Quando diz, porém, que Ele, JESUS... tendo sido ouvido por causa da sua piedade... não fica imediatamente claro como as palavras devem ser compreendidas. Muitos comentaristas consideram que a forma das palavras significa que Sua piedade — Sua Paixão — foi transformada em meio para lançar fora todo o medo. As palavras, no entanto, pareceriam ser uma alusão mais direta à agonia no jardim, onde o clímax era a aceitação da vontade divina por JESUS (“contudo, não se faça a minha vontade, e, sim, a tua”), e neste caso a palavra (apo) significaria por causa da (sua piedade). Outro meio de entender a mesma preposição seria o significado mais usual “fora de,” o que daria o significado: “liberto do seu temor piedoso,” mas este pensamento parece estranho ao contexto. O escritor toma cuidado com a palavra que emprega para expressar temor (eulabeia - piedade, ARA) e não usa a palavra mais comum (phobos). De fato, é só nesta Epístola, em todo o Novo Testamento, que ocorre esta palavra (cf. também 12.28 onde o significado é “reverência”). Sobre seu uso aqui, Westcott observa: “mais comumente expressa a reverente e bem-pensada hesitação de ser demasiadamente atrevido, que é compatível com a verdadeira coragem.”48 A idéia, portanto, é aplicável à experiência do Getsêmane. Tem sido imaginado que um problema surge pelo fato de os relatos nos Sinóticos declararem que a oração no Getsêmane, pedindo a remoção do cálice, não foi feita assunto de insistência até ao fim. Em que sentido, portanto, JESUS foi ouvido? A resposta acha-se, decerto, na Sua perfeita aceitação da vontade divina.
 
8. Esta reminiscência da experiência terrestre de JESUS, que é uma contribuição essencial à Sua qualificação como grande Sumo Sacerdote, leva o escritor a refletir sobre o paradoxo dos seus sofrimentos. Não seria inteiramente ininteligível dizer que os filhos usualmente aprendem a obediência por aquilo que sofrem, i.é, às mãos dos pais terrestres, mas com CRISTO é muito diferente. Sua Filiação era perfeita e, portanto, levanta a pergunta do porque Ele precisava aprender a obediência. Aqui somos confrontados com o mistério da natureza de CRISTO. Ao considerar o Filho divino, talvez seja difícil ligar qualquer sentido ao processo  de aprendizagem (aprendeu a obediência), mas ao pensar no Filho como o Homem perfeito, fica sendo imediatamente inteligível. Quando Lucas diz que JESUS crescia em sabedoria (2.52), quer dizer que por um processo progressivo demonstrou pela Sua obediência à vontade do Pai um processo contínuo de tomar a vontade de DEUS Sua própria, chegando ao seu clímax na Sua maneira de abordar a morte. A exclamação de aceitação no jardim de Getsêmane foi a evidência conclusiva da obediência do Filho ao Pai. Ninguém negará que há profundo mistério aqui, mas o fato desta aceitação toma a compreensão que nosso Sumo Sacerdote tem de nós inquestionavelmente mais real. Há certos paralelos aqui com Filipenses 2.6ss. que também ressalta a obediência de CRISTO na forma de um servo. Nas duas passagens, o Servo Sofredor de Isaías pode estar em mente.
9. Não menos impressionante é a idéia de um processo de aperfeiçoamento sendo aplicado a CRISTO (como em 2.10). Como no primeiro caso, há uma estreita vinculação entre a perfeição e o sofrimento. É através de um caminho de sofrimento que a perfeição é conseguida. No presente caso, é a obediência que está especialmente ligada com a perfeição, lembrando-nos da seqüência de Filipenses 2.8-9. Não pode ser dito de nenhum sumo sacerdote humano: tendo sido aperfeiçoado. Esta expressão não deve ser entendida no sentido de sugerir que houve tempo em que Ele não era perfeito. No curso da Sua vida, a perfeição que JESUS possuía foi submetida ao teste. Essa perfeição permaneceu imaculada através de tudo quanto ele sofreu. Conforme observa Hughes: “Seus sofrimentos tanto testaram quanto, vitoriosamente suportados, atestaram Sua perfeição, livre de fracasso e de derrota. A ênfase recai aqui sobre a perfeição que é uma realidade sempre presente. Deve também ser notado que o verbo é freqüentemente usado na Septuaginta acerca da consagração do Sumo Sacerdote ao seu ofício, idéia esta que tem alguma relevância para o tema desta Epístola. A perfeição de CRISTO é vista como a base da nossa salvação. De fato: tomou-se o Autor da salvação etema. O “tomar-se” (egeneto) refere-se à efetivação da salvação e, por este motivo, é expressado com um tempo passado. Historicamente, parece referir-se àquele momento no tempo quando JESUS assumiu o ofício de Sumo Sacerdote. A palavra traduzida “Autor” (aitios) ocorre somente aqui no Novo Testamento e significa “causa.” Pode referir-se a uma causa boa ou ruim, mas aqui é totalmente boa, e “origem” ou “Autor” traduzem bem este sentido. Não há maneira de fazer um cuito circuito nos meios da salvação. Aquilo que não vem através de JESUS não é nenhuma salvação verdadeira. Para nosso escritor, há significância especial na idéia das coisas eternas. Fala do juízo eterno (6.2), da etema redenção (9.12), do ESPÍRITO eterno (9.14), da etema herança (9.15), da etema aliança (13.20). É óbvio que deseja lançar alicerces permanentes, em contraste com o cenário em constante mudança de qualquer sacerdócio e método terrestres para abordar a DEUS. Há algo de estável e duradouro na salvação que JESUS CRISTO fornece. Podemos comparar a ocorrência freqüente da idéia da vida etema no Evangelho segundo João. Fica bem claro que há condições estabelecidas para aqueles que desejam valer-se desta salvação. Estas são resumidas como a obediência, o equivalente daquilo que o Filho já aprendeu (v. 8). A obediência, nesse sentido, envolve uma aceitação completa da vontade divina. No que diz respeito aos cristãos, isto resume a resposta do homem à provisão de um meio de salvação que DEUS fez. É digno de nota que os que são elegíveis para a salvação são todos os que lhe obedecem, que significa todas as classes dos obedientes, judeus e gentios, ricos e pobres, eruditos e incultos, livres e escravos (cf. por exemplo a declaração de Paulo em G1 3.28). A universalidade do evangelho é refletida na eficácia universal do ofício do Sumo Sacerdote.
 
10. Agora é usada outra palavra que é única no Novo Testamento para descrever a outorga pública de um nome ou título, que ARA traduz como nomeado (prosagoreuó — “designar”). A proclamação de uma nova ordem de sacerdócio é feita por DEUS, fato este que chama a atenção à nomeação divina, conforme já foi mencionada nos w. 4-5. De qualquer maneira, a ordem de Melquisedeque não é uma ordem com uma sucessão hereditária, conforme demonstra o escritor em 7.3, e, portanto, ninguém poderia ser consagrado nesta ordem a não ser pelo próprio DEUS. É, além disto, uma ordem sem igual, sendo que ninguém mais pertenceu a ela a não ser CRISTO. A palavra incomum mencionada supra é especialmente apropriada para a categoria do nosso Sumo Sacerdote, por ser Ele de uma ordem totalmente diferente da de Arão. A esta altura no desenvolvimento do seu argumento, o autor deixa seu tema de Melquisedeque para tratar dalguns problemas sérios que afetavam seus leitores. Parece ser uma digressão planejada, que volta paulatinamente ao tema de Melquisedeque no fim do capítulo 6 através de uma discussão do juramento a Abraão.
 
(iii) Um interlúdio desafiador (5.11-6.20)
11. De modo inesperado, o escritor passa repentinamente a refletir sobre a capacidade dos seus leitores de captar aquilo que acaba de dizer e aquilo que pretende expor adiante. Isto revela inconfundivelmente que está se dirigindo a pessoas genuínas cuja situação lhe é conhecida. Tem consciência de que são tardios em ouvir, presumivelmente num sentido espiritual. Talvez pense que sua discussão da ordem de Arão e da sua inferioridade a Melquisedeque soará por demais acadêmica e teórica e alguns dos seus leitores. Parece, pelo menos, reconhecer que há dificuldades na sua exposição por enquanto, e que ainda haverá dificuldades maiores; sabe, porém, que não devem apresentar obstáculos a homens de mentes maduras. Apesar disto, tem problemas sérios no tocante aos leitores, e resolve interromper seu discurso principal para emitir uma forte advertência. Quando diz: A esse respeito temos muitas coisas que dizer, e difíceis de explicar, refere-se especialmente ao tema de Melquisedeque, que não deve ter sido um dos temas mais familiares no judaísmo contemporâneo, embora haja alguma menção dele nos escritos de Filo, e nos documentos de Cunrã. Pode ser notado aqui que um relacionamento direto e' pressuposto entre a condição espiritual e o entendimento. Este último não é meramente uma questão de intelecto. A dificuldade é essencialmente um problema de comunicação, como expressar verdades de uma maneira que fique dentro do alcance dos leitores. Indubitavelmente, o problema que o escritor enfrenta é enfrentado por todo expositor da verdade divina.
12. A crítica acerca deles serem tardios em ouvir daria a impressão e não ter motivo, e por isso precisa de alguma justificativa. Tendo isto em mente, é exposta a razão da avaliação. A primeira coisa é a falta notável dos leitores de cumprirem aquilo que era esperado deles: devíeis ser mestres. A razão porque se esperava deles que ensinassem é que tinham sido cristãos por tempo suficiente para terem adquirido os conhecimentos básicos necessários para poder passá-los a outras pessoas. Surge aqui a questão da identidade destas pessoas. Parece razoável supor que não pode ser uma alusão a todos os membros de uma igreja, porque todas as igrejas contêm aqueles que não são aptos para ensinar. Sugere que está em mente um grupo de pessoas que tinha o potencial para ensinar os outros, mas que, mesmo assim, não tinha o entendimento básico necessário. Eles mesmos precisavam voltar às questões elementares. Formavam provavelmente um pequeno grupo de intelectuais ao qual faltava percepção espiritual. Vale observar que o verbo traduzido devíeis (opheilontes) subentende uma obrigação e não apenas uma característica desejada. A comunicação de uma compreensão plena da mensagem cristã só pode acontecer se os cristãos maduros instruírem os cristãos imaturos. É uma situação grave, portanto, em qualquer comunidade, quando seus mestres em potencial são ainda cristãos imaturos. A necessidade destes leitores passa, então, a ser especificada: de alguém que vos ensine de novo quais são os princípios elementares dos oráculos de DEUS. Parece claro que estas pessoas não tinham meramente avançado: chegaram mesmo a perder seu entendimento dos princípios elementares. Precisavam voltar à estaca zero. A instrução exigida era tão básica assim. É um comentário trágico sobre sua compreensão espiritual. Não admire que o escritor acha dificuldade em comunicar sua mensagem. É de se admirar que não dedicou a totalidade da sua Epístola a uma exposição do Evangelho ao invés de laboriosamente comunicar seu tema do Sumo Sacerdote. A resposta talvez seja que o tema do sumo sacerdote, tão integral para os modos judaicos de pensar, era uma das causas principais dos leitores deixarem de se desenvolver. A frase dos oráculos de DEUS (tòn logiõn tou Theou) é usada noutras partes do Novo Testamento para descrever o Antigo Testamento (cf. At 7.38; Rm 3.2). Aqui, no entanto, parece significar o ensino básico do evangelho, porque é usada em conjunção com “princípios elementares” (stoicheia), palavra comumente usada para descrever o A.B.C. de uma coisa. Se os “oráculos” forem compreendidos no mesmo sentido que noutros lugares, a referência pode, possivelmente, dizer respeito a um fracasso da parte dos leitores de compreenderem os princípios básicos da interpretação do Antigo Testamento, o que os estava levando a conceitos errôneos acerca da singularidade do cristianismo. Precisavam voltar ao pensamento básico acerca disto. O contraste entre leite e alimento sõlido não visa tomá-los mutuamente exclusivos, mas, sim, sugerir um desenvolvimento normal de um para outro. A fase do leite é tão essencial quanto a fase do alimento sólido, mas aqueles que nunca chegam a esta última etapa estão tristemente deficientes. A parte física tem um paralelo exato na parte espiritual. Há vários graus de entendimento, e é altamente desejável que o homem de mentalidade espiritual avance nos conhecimentos. Este uso metafórico do leite e do alimento sólido também é empregado em 1 Coríntios 3.1-2.
 
13. Neste versículo, uma explicação mais detalhada da metáfora do leite passa a ser dada. O cristão “de leite” é aquele que é inexperiente na palavra da justiça, expressão esta que merece comentário. Em primeiro lugar, a palavra “inexperiênte” (apeiros) significa literalmente “não provado,” e daí, “inexperiente,” e sugere que a falta de perícia estava ligada com a falta de prática. É uma situação distinta de um estado de completa ignorância. As coisas de DEUS exigem algo mais do que um mero conhecimento casual. O escritor não hesita em colocar seus leitores na categoria do leite. Nunca chegaram a desenvolver as habilidades necessárias. O segundo comentário diz respeito à frase palavra da justiça. No grego não há artigos aqui, e a frase não deve ser entendida no sentido de qualquer corpo específico de doutrina, mas, sim, do tipo de palavra (logos) que tem o caráter da justiça. Isto concordaria com o uso do mesmo termo (logos) em 6.1 onde se refere à doutrina. O escritor talvez esteja pensando do uso especial da justiça (dikmosyne), que descreve aquilo que é obtido pela fé em CRISTO, mas que também pode referir-se à idéia mais geral da retidão. Estas duas interpretações estão ligadas entre si de qualquer maneira, porque o homem não pode ter  qualquer idéia daquilo que é certo senão através da retidão de CRISTO. Indubitavelmente, quando os homens passam a crer pela primeira vez, não ganham de imediato a capacidade de apreciar este tema, mas alguma interpretação deste tipo é necessariamente indispensável a qualquer pessoa que deseja ser madura. A descrição final da pessoa tipo leite como sendo uma criança decorre naturalmente da metáfora usada. A criança deve anteceder o homem. Ninguém quer ficar sendo criança perpetuamente. Há um paralelo a esta linguagem figurada em 1 Coríntios 13.11 onde Paulo diz: “Quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino.” Os homens feitos não são sustentados com uma dieta de leite.
 
14. Há um comentário igualmente valioso sobre os adultos (teleiòn — “maduros”). A idéia da maturidade está ligada com a perfeição, embora certamente não esteja identificada com ela a não ser no caso de CRISTO. A maturidade aqui é vista como o desenvolvimento desejável a partir da infância espiritual. Esta é uma idéia familiar nas Epístolas paulinas (cf. Ef 4.13ss. — note especialmente “cresçamos em tudo;” cf. 1 Co 2.6; 3.1; 14.20). O Novo Testamento retrata a vida cristã na sua plenitude como uma vida íntegra completa. O cristão experiente sabe que precisa de carne forte para chegar a este tipo de maturidade. O pensamento é desenvolvido ainda mais quando os maduros são definidos como aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas. Há uma referência ao hábito no grego aqui. Na verdade, as palavras  pela prática (dia tên hexin) poderiam ser traduzidas “pelo hábito,” o que ressaltaria mais claramente, talvez, a edificação da experiência mediante um processo contínuo no passado. A palavra ocorre somente aqui no Novo Testamento. A maturidade espiritual não advém dos eventos isolados nem de uma grande explosão espiritual. Advém de uma aplicação regular da disciplina espiritual. Outra palavra sem paralelos no Novo Testamento é a usada aqui para faculdades (ta aisthètèria), que denota aquelas faculdades especiais da mente que são usadas para o entendimento e o julgamento. Dentre todos os homens, é o cristão que têm conhecimento das coisas espirituais porque sua mente é treinada na arte da compreensão. Este processo de treinamento é achado em Hebreus 12.11; 1 Timóteo 4.7 e 2 Pedro 2.14, embora neste último caso ocorra no sentido adverso de treinamento na avareza. O poder de distinguir entre o bem e o mal tem sido procurado desde os tempos de Adão e Eva, mas alcançá-los não ocorre facilmente
até mesmo para aqueles com algum conhecimento de CRISTO. Esta perícia imediatamente demonstra a diferença entre o maduro e o imaturo. Deve ser reconhecido que os cristãos, especialmente entre os gentios, teriam de forjar um novo código da moral a fim de não serem maculados pelo mundo.
 
Hebreus 6.1-15
1 - Pelo que, deixando os rudimentos da doutrina de CRISTO, prossigamos até a perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em DEUS, 2 - e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. 3 - E isso faremos, se DEUS o permitir. 4 - Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do ESPÍRITO SANTO, 5 - e provaram a boa palavra de DEUS e as virtudes do século futuro, 6 - e recaíram sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de DEUS e o expõem ao vitupério. 7 - Porque a terra que embebe a chuva que muitas vezes cai sobre ela e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada recebe a bênção de DEUS; 8 - mas a que produz espinhos e abrolhos é reprovada e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada. 9 - Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos. 10 - Porque DEUS não é injusto para se esquecer da vossa obra e do trabalho de amor que, para com o seu nome, mostrastes, enquanto servistes aos santos e ainda servis. 11 - Mas desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado até ao fim, para completa certeza da esperança; 12 - para que vos não façais negligentes, mas sejais imitadores dos que, pela fé e paciência, herdam as promessas. 13 - Porque, quando DEUS fez a promessa a Abraão, como não tinha outro maior por quem jurasse, jurou por si mesmo, 14 - dizendo: Certamente, abençoando, te abençoarei e, multiplicando, te multiplicarei. 15 - E assim, esperando com paciência, alcançou a promessa.
 
6.1. O contraste entre o homem maduro e a criança passa agora a ser desenvolvido por uma descrição daquilo que a criança espiritual deve deixar para trás a fim de amadurecer.
O escritor introduz uma exortação dupla: pondo de parte e deixemo-nos levar. Estão incluídos, portanto, um olhar para trás e outro olhar para a frente. Todo o progresso é assim. Aqueles que nunca vão além dos inícios nunca amadurecem. Quais, porém, são estes princípios, na mente do autor? São descritos assim: os princípios elementares da doutrina de CRISTO (ho tès archès tou Christou logos), expressão que representa palavras passíveis de diferentes interpretações. O significado poderia ser “a palavra do início de CRISTO”, ou como aqui na ARA, que aplica o princípio (archès) à doutrina e não a CRISTO. Não há dúvida de que a primeira maneira de entender o grego é mais natural, por causa da ordem na qual as palavras ocorrem. Mas o que significa aqui “o início de CRISTO”? Um paralelo pode ser visto em 5.12 onde são mencionados “os princípios elementares dos oráculos de DEUS.” Evidentemente, alguns aspectos básicos de CRISTO devem estar em mira aqui. O “princípio,” portanto, seria a compreensão inicial da posição cristã que a diferenciava do judaísmo.
A segunda injunção positiva: deixemo-nos levar para o que é perfeito, é expressa no grego, de modo um pouco inesperado, numa forma passiva, no sentido de: “sejamos levados para a maturidade (ou a perfeição).” Esta forma sugere um elemento de entrega a uma influência mais nobre, como se o processo da maturação não fosse uma questão da nossa engenhosidade. A maturidade espiritual não é do tipo que pode ser recebido mediante pedido, mas, sim, requer poderes superiores às capacidades naturais do homem. Apesar disto, este escritor está profundamente consciente da responsabilidade do próprio homem, como demonstram suas declarações subseqüentes neste capítulo. Há, claramente, fatores na experiência espiritual de um homem que podem, efetivamente, cortar ocrescimento. Não pode ser “levado para o que é perfeito” se não tem desejo algum de ser perfeito.
Há seis fatores na descrição das doutrinas elementares de CRISTO:
O arrependimento e a fé, os batismos e a imposição das mãos, a ressurreição e o juizo.
O agrupamento em três partes pares provavelmente não é acidental. Os dois primeiros são básicos para o caráter essencial de uma fé cristã viva. É importante que estes até são chamados uma base, que, por sua própria natureza, não precisa de renovação. A estultícia de um construtor cuja obra é tão insatisfatória que deve começar de novo pelos alicerces é evidente em si mesma. Mas o escritor está sugerindo que seus leitores talvez não estivessem recebido o alicerce verdadeiro no início das suas vidas cristãs? As palavras não lançando de novo parecem militar contra essa idéia. A sugestão é que o alicerce já foi lançado e que o necessário é desenvolver uma estrutura adequada. A expressão arrependimento de obras mortas é única. Em nenhum outro lugar, a não ser em 9.14, que fala em purificar a consciência de obras mortas, a idéia de morte é aplicada às obras. É, no entanto, aplicada à fé (Tg 2.17), ao corpo (Rm 8.10) e aos homens (Rm 6.11; Ef 2.1,5; Cl 2.13). Em cada caso a morte indica um estado de não-funcionamento. Quando a fé está morta, não está cumprindo seu propósito verdadeiro. Julgada por sua inutilidade, seria a mesma coisa se ela não existisse. As obras mortas, segundo a mesma analogia, seriam as obras que tinham apenas a aparência de obras, mas às quais faltava qualquer poder eficaz. No presente caso, pode haver uma alusão à idéia judaica de atingir a justificação mediante as obras, que de um ponto de vista cristão seriam consideradas “mortas” por serem ineficazes. Todos aqueles que se voltassem do judaísmo para o cristianismo necessitariam de arrepender-se da sua confiança nas boas obras. Num sentido mais geral, o primeiro passo para todos os que se voltam para o cristianismo é o arrependimento, conforme demonstram João Batista, o próprio JESUS, e os pregadores primitivos. O mesmo pode ser dito acerca da exigência básica da fé em DEUS (epi Theonj, que ressalta fortemente a direção da fé: “em relação a DEUS.” Todas as várias partes do Novo Testamento testificam da necessidade da fé em qualquer abordagem a DEUS. Esta Epístola tem, em certos aspectos, um uso distintivo de “fé” (cf. 4.2; 6.12; 10.22, 38, 39; 11.1-39; 12.2; 13.7). Aqui, o significado deve ser a resposta da fé à provisão de DEUS. No capítulo 11, a ênfase é colocada na atividade da fé. Não se pode negar o caráter dinâmico da fé, vista através dos olhos deste escritor.
 
2. As duas doutrinas elementares que se seguem são, por contraste, atos externos de um tipo cultual. Os batismos e a imposição de mãos têm seu paralelo no judaísmo, mas claramente tinham um significado diferente ao serem aplicados ao cristianismo. As “abluções” (RSV) dizem respeito literalmente a batismos (baptismòn). O plural demonstra que não é simplesmente um só ato; pelo contrário, várias purificações rituais estão em mente. Deve ser notado que a comunidade de Cunrã observava alguns tipos de purificações rituais, mas não há evidência de que este tipo de ritual era praticado na igreja cristã. Não é impossível que o escritor tenha usado o plural para sugerir uma comparação entre a prática cristã do batismo e a idéia judaica da lavagem,53 porque a palavra é usada noutros trechos no sentido geral de lavagens cultuais (Hb 9.10 - “abluções” ARA). Uma vez que estas práticas são introduzidas pela palavra ensino, que também se estende à terceira copla, parece que o escritor está negando a necessidade de qualquer ensino básico adicional sobre estas facetas cristãs elementares.
A imposição de mãos, que na prática judaica era vinculada com a transmissão de uma bênção, na igreja adquiriu um novo sentido. Há muitas ocorrências em que a imposição de mãos está ligada com a cura (cf. Mc 16.18; At 28.8, onde tem conexão com a cura cristã por este meio). O sentido aqui, no entanto, é mais específico. Provavelmente incluísse a transmissão de dons específicos (cf. At 8.17; 13.3; 19.6; 1 Tm 4.14) A prática aqui é de caráter básico, e presumivelmente tem relacionamento com todos os cristãos, e não simplesmente com aqueles que são chamados para tarefas especiais (como na ordenação). Pode ter, portanto, seu paralelo em Atos 8.17; 19.6, sendo que nos dois casos houve o acompanhamento do dom do ESPÍRITO. Os outros dois fatores são de caráter doutrinário. A ressurreição dos mortos e o juízo eterno nem por isso deixam de ser uma parte constituinte essencial do ensino cristão. O primeiro destes fatores é tão essencial que os pregadores primitivos não podiam pregar sem introduzilo. Nunca mencionam a morte de CRISTO sem incluir a Sua ressurreição. Além disto, a aplicação da mesma idéia aos crentes é implícita (cf. At 23.6 e especialmente 1 Co 15.12ss.). O Novo Testamento não faz sentido se a ressurreição dos mortos for negada. O escritor nío argumenta sobre esta questão. Considera-a suficientemente óbvia para ser incluída nas doutrinas elementares. O mesmo se aplica ao julgamento. O uso do adjetivo “eterno” pode ser comparado com Marcos 3.29, onde é mencionado o conceito do “pecado eterno.” É possível que a expressão aqui pretenda ter um sentido abrangente, para incluir o ensino escatológico básico que todos os cristãos receberiam. Cada crente deve ter algum conhecimento tanto da ressurreição quanto do julgamento, porque os dois estão ligados a uma consciência das exigências bem como da gloriosa provisão de DEUS. Este tema de julgamento não é infreqüente em Paulo. Parte do problema que os Hebreus enfrentavam era a semelhança superficial entre as doutrinas elementares do cristianismo e as do judaísmo, que tomava possível aos judeus cristãos pensar que poderiam sustentar as duas coletâneas de doutrinas. O perigo da apostasia era muito maior para eles do que para os convertidos do paganismo.
 
3. As palavras: Isso faremos, se DEUS permitir podem ser entendidas como uma exortação: “Façamos assim, se DEUS permitir,” conforme alguns manuscritos. Mas, entendidas como uma resolução específica da parte do escritor, confiantemente ligando seus leitores consigo mesmo, as palavras têm mais aplicação. Certamente o escritor não duvida que DEUS deseja que Seu povo avance na vida espiritual. A única outra ocasião no Novo Testamento em que uma frase paralela é usada é em 1 Coríntios 16.7, onde Paulo a emprega em relação aos seus planos propostos. Já que o escritor passa na seção seguinte a falar da apostasia, talvez esteja pensando nas condições em que DEUS permite o progresso. Neste caso, a condição é a acrescentada como lembrança de que avançar para a maturidade não é mecânico nem automático, mas, sim, envolve levar em conta as condições de DEUS. Não poderia ter havido dúvida alguma na mente do autor de que DEUS deseja a maturidade no Seu povo. Seria contrário à natureza de DEUS conforme é vista nesta Epístola supor doutra forma.
 
4. Que há uma conexão específica entre a declaração que acaba de ser feita e a discussão acerca da apostasia fica claro por causa da conjunção pois (gar). Há pelo menos uma possibilidade teórica de que a maturidade espiritual possa revelar-se inatingível. É importante para uma compreensão verdadeira deste versículo reconhecer este contexto. É igualmente importante notar que a declaração depende do cumprimento de uma condição, conforme demonstra a cláusula com “se” no v. 6. As várias maneiras que este autor adota no uso da palavra impossível (adynatonj são instrutivas. Aqui, emprega-a para a impossibilidade do arrependimento em certas circunstâncias; em 6.18, acerca da impossibilidade de DEUS revelar-Se falso; em 10.4, acerca da incapacidade do sangue dos animais de remover o pecado; e em 11.6, acerca da impossibilidade de agradar a DEUS sem fé. Em cada caso, não há provisões para um meio-termo. Todas estas declarações são absolutas. A presente declaração, no entanto, é a que causa mais dificuldade e pode ser corretamente compreendida somente quando todas as facetas do caso forem examinadas na sua totalidade.
Há quatro verbos para descrever os sujeitos da impossibilidade:
(i) iluminados (phõtisthentas),
(ii) provaram (geusamenous),
(iii) se tomaram participantes (metochous genêthentas),
(iv) provaram a boa palavra (kalon geusamenous).
Aparentemente, os três últimos verbos visam tomar claro o sentido em que o primeiro é usado. A idéia da iluminação é característica do Novo Testamento em relação à mensagem de DEUS ao homem (cf. também 10.32 na outra passagem sobre a apostasia). Isto é especialmente verdadeiro no que diz respeito ao Evangelho segundo João em que JESUS declara ser a luz do mundo (8.12; cf. 1.9). Outro paralelo é 2 Coríntios 4.4, que diz: “o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de CRISTO.” Sempre que a luz tem brilhado nas mentes individuais, tem vindo alguma compreensão da glória de CRISTO. Bruce55 acha tentadora a opinião de que a iluminação se refira ao batismo e ao provar a eucaristia, mas aceita, especialmente neste último caso, uma referência mais ampla também. Hughes56 cita exemplos de escritores patrísticos que adotaram este tipo de interpretação. Ele mesmo, porém, prefere um sentido metafórico, i.é, o sentido de experimentar a bênção. Aqueles que são referidos aqui, portanto, devem ter alguma revelação inicial de JESUS CRISTO. Este conceito é reforçado pelas outras três declarações que são feitas.
A idéia de provar o dom celestial subentende mais do que um mero conhecimento da verdade. Subentende a experiência dela. Este é um uso lingüístico do Antigo Testamento (cf. SI 34.8). No Novo Testamento, 1 Pedro 2.3 contém a mesma idéia. Há um desenvolvimento entre saber acerca do alimento, até mesmo gostar da aparência dele, e realmente prová-lo. Ninguém pode apenas fingir provar um alimento. Naturalmente, nem sempre o provar é agradável, e no caso hipotético que o escritor estava supondo, claramente não o era. O dom celestial não foi apreciado. Mas o que significa esta expressão? Em nenhuma outra parte do Novo Testamento “o dom celestial” (tès dõreas tês epouraniou) é mencionado, embora a idéia de um dom de DEUS ocorra várias vezes, principalmente em relação ao ESPÍRITO SANTO (cf. At 10.45; 11.17). Noutros casos, é ligado com a graça de DEUS (Rm 5.15; Ef 3.7; 4.7), onde abrange a totalidade da dádiva da salvação. Na presente declaração, o conteúdo do dom não é definido, mas a sua origem não fica em dúvida. Embora tenha sido sustentado que “celestial” descreve, não a origem, mas, sim, a esfera em que o dom é exercido, ainda demonstraria que o dom não é de feitio humano. Deve ser notado que a palavra usada aqui para “dom” é usada exclusivamente para dons espirituais no Novo Testamento. A terceira declaração está estreitamente vinculada com a anterior, porque o tipo de pessoa que o escritor está imaginando  consiste daqueles que se tomaram participantes do Espirito SANTO, o que se harmoniza com o dom do ESPÍRITO. Mesmo assim, é provável que isto seja visto como um aspecto distintivo na sua experiência. Já encontramos a palavra para “participantes” (metochoi) em 1.9; 3.1, 14, e a encontraremos outra vez em 12.8. A única outra ocorrência da palavra no Novo Testamento é em Lucas 5.7, onde significa “companheiros.” Visto que em 3.1 o escritor está se dirigindo àqueles que participam de uma vocação celeste, o mesmo sentido deve ser pretendido aqui. A idéia de participar do ESPÍRITO SANTO é notável. Isto imediatamente distingue a pessoa daquela que não tem mais do que um conhecimento superficial do cristianismo.
 
5. A quarta declaração: e provaram a boa palavra de DEUS, introduz ainda outro aspecto da experiência cristã. A repetição da metáfora do “provar” demonstra a importância que o escritor ligava a ela. Mas esta vez  é uma questão de provar a “bondade” (kalon), palavra esta que incorpora em si alguma noção de beleza. Inclui a atratividade bem como a bondade moral. É contrastada com o mal em 5.14. Descreve uma boa consciência em 13.18. É algo altamente desejável. Isto se encaixa bem com a metáfora. É agradável ao paladar. Além disto, não é por acidente que o que é provado não é a própria palavra de DEUS, mas, sim, a sua bondade. A distinção é importante. É possível abordar a palavra de DEUS de modo sincero, mas sem efeito. No presente caso, os que provavam a bondade estavam bem imersos na experiência cristã. A frase descritiva “palavra de DEUS” (Theou rhèma) ocorre outra vez em 11.3 e nalguns outros lugares no Novo Testamento, mas não é tão freqüente quanto a expressão mais geral, porém paralela (Jogos tou Theou), que ocorrre nesta Espístola em 4.12 e 13.7. A presente frase chama a atenção mais a uma comunicação específica de DEUS do que a uma mensagem geral de DEUS. De fato, pode, mais provavelmente, referir-se à experiência de DEUS que a pessoa conhece na conversão, quando a maravilhosa condescendência de DEUS para com os pecadores raia sobre a alma em toda a sua beleza resplandecente. Mas o provar também chega “à bondade dos poderes do mundo vindouro, ” que parece uma idéia estranha. Se a era do porvir ainda é futura, conforme sugerem as palavras (mellontos aiònos), não pode ser que o escritor quer referir-se a uma esperança remota. Visto que emprega “estes últimos dias” (1.1) para denotar os dias da inauguração do Messias, é bem possível que aqui esteja pensando no antegozo presente de uma experiência que não chegará ao seu clímax até à segunda vinda. De qualquer maneira, está mais interessado nos poderes da era vindoura, o que sugere a operação das mesmas influências poderosas que terão pleno domínio naquela era futura.
 
6. Finalmente, a parte condicional da frase aparece: “se então cometerem a apostasia” (no grego, o condicional é expresso por um particípio: parapesontas - ARA: e caíram). A declaração que segue é aplicável somente quando a experiência da iluminação e da participação é ligada com uma apostasia completa (conforme é indicado pelo tempo do aoristo). A idéia da apostasia é expressa por um verbo que ocorre exclusivamente aqui no Novo Testamento. O significado da sua raiz é “cair para o lado,” i.é, o desvio de um padrão ou caminho aceito. A declaração subseqüente neste caso toma clara a natureza irrecuperável da apostasia. É dito que de novo estão crucificando para si mesmos o Filho de DEUS, e o verbo composto empregado (anastaurountas) demonstra que o escritor está pensando em uma repetição da crucificação. Não poderia ter expressado a seriedade da apostasia em termos mais enfáticos ou mais trágicos. Enquanto pensa naquilo que os inimigos de JESUS fizeram a Ele, até mesmo vê aqueles que se desviam dEle como igualmente responsáveis. Talvez esteja pensando que tais apóstatas seriam mais culpáveis do que aqueles que originalmente clamaram “crucifica-o,” que nunca conheceram coisa alguma acerca da maravilhosa graça de DEUS através de CRISTO. Qualquer pessoa que voltasse do cristianismo para o judaísmo se identificaria não somente com a descrença judaica, como também com aquela maldade que levou a crucificação de JESUS. As palavras para si mesmos ou “por conta própria” tomam claro que devem assumir a plena responsabilidade pela crucificação. Além disto, o escritor explica que o efeito desta ação é este: expondo-o [CRISTO] à ignominia (paradeigmatizontas, outra palavra achada somente aqui no Novo Testamento). Não poderia haver maneira mais vívida de identificar a posição dos apóstatas com aqueles cujo ódio a CRISTO os levou a exibi-Lo como objeto de desprezo numa odiada execução romana. A condenação destas pessoas é tão forte que nada senão a atuação mais grave da parte deles poderia explicá-la. Subentende uma atitude de hostilidade incessante. Esta passagem tem causado extensos debates, e tem resultado em muitos mal-entendimentos. O problema principal é se o escritor está dando a entender que um cristão pode cair tão longe da graça ao ponto de ser culpado do pior delito possível contra o Filho de DEUS. Se a resposta for “sim,” como explicaremos aquelas outras passagens que sugerem a segurança eterna dos crentes?
As seguintes considerações podem nos ajudar a compreender a mente do escritor a esta altura:
(i) Calvino, convicto de que DEUS vigiava Seus eleitos, somente podia supor que o ato de “provar” mencionado aqui era meramente uma experiência parcial e que as respectivas pessoas não corresponderam a ela. A dificuldade com semelhante hipótese é que não está à altura das palavras da Epístola, que não dão impressão alguma de iluminação incompleta. Calvino fala dalguns vislumbres de luz. Faz uma distinção entre a graça recebida pelos réprobos e a que é recebida pelos eleitos.
(ii) Do outro lado, pode ser alegado que, tendo em vista as declarações desta Epístola, permanece a possibilidade para qualquer crente apostatar da mesma maneira descrita aqui? Isto tomaria menos certa qualquer garantia da fé. Até mesmo tem sido sugerido que a severidade da advertência aqui talvez forme uma ligação com o pecado imperdoável contra o ESPÍRITO SANTO. Alguns têm ficado profundamente perturbados, perguntando-se se já cometeram semelhante pecado, mas ninguém com um estado de mente tão endurecido ao ponto de expor o Filho de DEUS à ignomínia se preocuparia em qualquer momento com uma questão desta natureza. A própria preocupação é evidência de que o ESPÍRITO SANTO ainda está ativo.
(iii) Deve ser levado em conta que nenhuma indicação é dada nesta passagem de que qualquer dos leitores tinha cometido o tipo de apostasia mencionada. Parece que o escritor está refletindo sobre um caso hipotético, muito embora, na natureza do argumento inteiro, deve ser suposto que era uma possibilidade real. A intenção, claramente, não é fazer uma dissertação sobre a natureza da graça, mas, sim, dar uma advertência nos termos mais enfáticos possíveis. A passagem inteira é vista do lado das responsabilidades do homem e deve, portanto, ser considerada limitada. Noutras palavras, o lado divino deve ser contrastado com esta passagem para ser obtido um equilíbrio verdadeiro.
(iv) A passagem, além disto, declara a impossibilidade em termos de restaurar os transgressores a uma nova condição de arrependimento (w. 4-6). Surge a pergunta acerca do escopo do arrependimento aqui. Referese ao ato inicial de um homem quando vem a DEUS, no sentido em que parece ser usado no v. 1? Se for assim, é claramente impossível uma segunda realização de semelhante ato inicial, embora seja certamente possível lembrar-se dele. Visto que o arrependimento é um ato que envolve a auto-humilhação do pecador diante de um DEUS santo, fica evidente porque um homem com uma atitude de desprezo para com CRISTO não tem possibilidade de arrependimento. 0 processo do endurecimento fornece uma casca impenetrável que remove toda a sensibilidade para com o pleitear do ESPÍRITO. Chega-se a um ponto de nenhum retomo, quando, então, a restauração é impossível. Embora o escritor esteja expondo um caso extremo, tem confiança nos seus leitores (v. 9). Apesar disto, acha necessário voltar a advertir severamente no cap. 10. 7-8. O que acaba de ser dito ilustra um princípio que pode ser apoiado pela natureza. Negligenciar o cultivo da terra leva a resultados sem valor, da mesma maneira que a recusa de apegar-se às provisões da graça de DEUS leva à bancarrota espiritual. O Novo Testamento contém muitos exemplos de ilustrações agrícolas sendo usadas para recomendar verdades espirituais. Baseia-se parcialmente no conceito de que as leis naturais estão ligadas com as leis espirituais, porque os dois tipos de leis têm o mesmo originador e, por esta razão, os fenômenos naturais podem servir de analogias espirituais. Ninguém se queixa dos espinhos e dos abrolhos que se devem à negligência, mas todo agricultor espera que, dada a condição correta de umidade, a terra cultivada produzirá a erva útil. Estranhamente, a ação humana não é mencionada, mas a frutificação é julgada pela sua utilidade aos agricultores e mesmo para outras pessoas. No âmbito espiritual, algum tipo de frutificação é essencial para o mais pleno cultivo da experiência espiritual. Aqueles indivíduos ou grupos que não produzem nada para compartilhar com os outros são estéreis (cf. 5.12, que sugere que os leitores enfrentam uma tentação deste tipo). Vale notar que é a terra, e não o povo que, segundo se diz, recebe bênção da parte de DEUS, o que, presumivelmente, significa que sua própria produtividade á aumentada por DEUS. Sem dúvida, o conceito bíblico da ceifa e' que DEUS dá o crescimento. Os espinhos e abrolhos são uma lembrança direta de Gênesis 3.17- 18, onde a maldição sobre a terra tomaria esta forma e a labuta do homem seria exigida para dominá-los e cultivar a terra. Conforme sabem todos os agricultores, uma colheita de ervas más só serve para ser queimada. É importante notar que as palavras perto está da maldição são menos enfáticas do que teria sido sem a palavra “perto” (engys), mas não deixam de chamar a atenção à iminência constante do fim. A queima das ervas más não seria atrasada por muito tempo se elas persistissem.S9 A palavra traduzida rejeitada (adokimos) ocorre em 1 Coríntios 9.27 no sentido de desqualificado, e em 2 Coríntios 13.5 no sentido de não passar no teste. Não é nenhuma rejeição arbitrária, mas, sim, o resultado do exame apropriado. Neste caso, a terra revela-se inútil pela ausência de frutificação efetiva.
 
9. A esta altura o escritor volta-se para o encorajamento. Suas advertências severas chegaram ao fim, por enquanto, e quase se apressa para assegurar os leitores que não considera que eles chegaram à posição extrema da qual falara. As palavras: Quanto a vós outros (peri hymòn) marcam um forte contraste com os supostos apóstatas, o que acrescenta peso à sugestão de que estes últimos eram hipotéticos. O escritor até mesmo repetinamente chama os leitores de amados, o que não faz em nenhuma outra parte desta Epístola, e isto transmite um senso de calor especial. Obtém mais força por causa do seu contraste com as advertências anteriores. Há usos semelhantes da palavra nas Epístolas paulinas (e.g. 1 Co 10.14; 2 Co 12.19). Realmente, Paulo a usa em todas as suas cartas a não ser Gálatas, 2 Tessalonicenses e Tito, e
 ocorre na maioria dos demais livros do Novo Testamento. Pode-se dizer, portanto, que é um termo predileto de afeição cristã. Não é sem certa significância que os Evangelhos Sinóticos registram ocasiões em que JESUS foi chamado de “amado” por uma voz celestial. No presente caso, o uso desta palavra demonstra a verdadeira solicitude do escritor para com seus leitores. Estamos persuadidos (pepeismetha) aparece como a primeira palavra no texto grego, e, portanto, leva mais ênfase do que a tradução sugere. De fato, o tempo perfeito revela que não se trata dalguma decisão do momento, mas, sim, do resultado permanente da consideração passada. Esta forte persuasão subjazia todas as advertências que acabaram de ser dadas. Parece ter sido derivada do conhecimento pessoal que o escritor tinha dos leitores. A referência às coisas que são melhores está em harmonia com o uso característico da palavra “melhor” nesta Epístola. Neste caso, o contraste está com os apóstatas. A posição cristã verdadeira sempre está do lado do “melhor” em comparação com o “pior.” As “coisas” são especificadas como sendo as pertencentes à salvação, que literalmente significa as que “se apegam” à salvação. O que parece que o escritor está dizendo é que suas convicções acerca deles dizem respeito à esfera inteira da salvação e, realmente, isto fica claro no versículo seguinte. 10. Como base para sua firme persuasão, o escritor cita dois fatores:
(i) a justiça de DEUS e (ii) as obras dos leitores. Sua consciência da justiça de DEUS, ou, melhor, a convicção de que DEUS não pode ser injusto (porque é expressada aqui com uma dupla negação, ou gar adikos), é outra parte integrante da teologia do escritor. Pode citar com aprovação Deuteronômio 4.24, que DEUS é um fogo consumidor (12.29), mas não O considera um tirano que não presta atenção à justiça. Em 1.9 cita a atribuição paralela do salmista a DEUS: do amor à justiça e do ódio da iniqüidade. A palavra de DEUS é uma palavra de justiça (5.13) e o escritor diz que a disciplina divina produz fruto pacífico da justiça (12.11). O escritor não pode conceber que DEUS pode ficar esquecido do trabalho e do amor que, na sua opinião, procederam da graça. Esta combinação entre vosso trabalho e o amor que evidenciastes é
 importante, porque o trabalho é expressado em termos do amor, e não deve ser considerado independente dele. É tomado por certo que aqueles que demonstram amor por meio de servir aos santos estão exibindo os resultados das coisas que são melhores. As palavras adicionais para com o seu nome demonstram que DEUS considera que atos de bondade praticados ao Seu povo são feitos para Ele mesmo. O impacto das palavras no grego ressalta vividamente este fato, visto que o amor é dirigido para (com) o seu nome (eis to onoma), e, portanto, “para Ele”. Não há comparação nem contraste com a oferta de esmolas pelos judeus aqui, embora possa ser notado que, para os judeus, o amor não era muito importante. O amor cristão para com os santos vai muito além de dar esmolas, embora esta última ação não deva ser negligenciada. O serviço baseado no amor é totalmente diferente do serviço que é realizado para acumular mérito. O fato de que aqueles leitores estavam tão solícitos para com seus irmãos cristãos diz muita coisa a favor deles. É a convicção do escritor que estas ações demonstravam que a graça de DEUS ainda estava ativa entre eles. 11-12. Embora o amor deles seja recomendável, há outras áreas em que o mesmo espírito poderia ser exercitado, e o escritor nota algumas destas. O verbo Desejamos (epithymoumen) é enfático, e expressa mais do que um desejo piedoso. Sua forma plural acrescenta intensidade, porque o escritor está expressando aquilo que, segundo sabe, será compartilhado pelos cristãos de modo geral. O desejo é a plena certeza da esperança (plèrophoria), palavra que volta a ocorrer no clímax da exposição (10.22), onde a possibilidade de semelhante “plena certeza” é inquestionvel à luz do sacrifício de JESUS. O forte desejo do escritor é que os leitores possam ter plena certeza da esperança, isso sugere que, no momento, está faltando. É possível que o conflito sobre a atração do judaísmo estivesse despojando-os da alegria desta certeza. É possível os cristãos terem grande amor para com seus irmãos e ainda ter falta de certeza para si mesmos. Oxalá a diligência do amor transbordasse para a certeza! É um fato triste que muitos daqueles que são mais ativos nas obras cristãs têm falta de convicções. Pode ser, em muitos casos, porque estão dependendo das obras para contribuírem para sua salvação, abordagem esta que nunca poderia levar à certeza, visto que nunca poderiam saber se suas obras eram suficientes. Outro aspecto interessante é que o forte desejo é dirigido a cada um de vós, tomando, portanto, individual tanto a diligência quanto a plena certeza. Estas duas são experiências que não têm sua origem em grupos. Para que não vos tomeis indolentes dá o complemento à diligência. A palavra aqui traduzida indolentes (nõthroi) já foi aplicada aos leitores em 5.11, onde são chamados “tardios em ouvir.” Semelhante lerdeza, se não for refreada, se desenvolverá numa incapacidade de fazer qualquer progresso. Embora acabe de emitir uma advertência grave, o escritor não fala agora como em 5.11, como se fosse um fato consumado. Pelo contrário, mostra como semelhante indolência pode ser evitada. Outro alvo alternativo é um tipo certo de imitação. O Novo Testamento tem muita coisa a dizer acerca deste assunto de imitadores. No ensino de JESUS, Seus discípulos são conclamados a seguir Seu exemplo (e.g. Jo 13.15). Paulo, em mais de uma ocasião, conclamou seus convertidos a imitá-lo (1 Co 4.16; 11.1; 1 Ts 1.6; 2.14), usando a mesma palavra que aparece aqui. Semelhante imitação era de grande valor prático para aqueles que não tinham as Escrituras do Novo Testamento para fornecer padrões adequados. Os homens de DEUS que tinham aprendido novas idéias morais e espirituais ficavam sendo guias valiosos para os menos maduros. No presente caso, o padrão era providenciado da parte daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas. Tem sido sugerido que a exortação no sentido de imitar a fé dos herdeiros da promessa refere-se aos homens do Antigo Testamento e que antecipa Hebreus 11. Não parece, porém, haver razão alguma porque os cristãos também não possam ser incluídos. A combinação entre a fé e a longanimidade é sugestiva porque, embora o fato da fé por si só garanta a herança, até que esta seja possuída é necessária a paciência. A palavra usada para “paciência” (makrothymia) significa longanimidade e em Hebreus ocorre somente aqui, mas várias vezes em Paulo e umas poucas vezes noutros lugares. É uma qualidade divina (Rm 9.22) que não é natural do homem, mas fica sendo característica dos seguidores de JESUS. Está alistado por Paulo no fruto do ESPÍRITO em Gálatas 5.22. Os herdeiros da promessa são mencionados outra vez no v. 17.
13. A esta altura da discussão, o pensamento volta para Abraão que já foi mencionado em 2.16. Esta seção (w. 13-20) serve de prelúdio para a exposição do tema de Melquisedeque. O que o escritor está preocupado em demonstrar é (i) a solenidade das promessas de DEUS,
(ii) Seu caráter imutável, e, portanto, (iii) a absoluta certeza da Sua palavra. Esta é realmente uma explicação da base da “plena certeza da esperança” do cristão. A promessa a Abrão foi confirmada por um juramento. Muitas vezes a promessa foi feita sem haver menção do juramento, mas a referência em Gênesis 22.16 faz a declaração específica: “Jurei por mim mesmo.” Esta é claramente a base da presente declaração: jurou por si mesmo. O escritor elabora o tema: visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, que é o equivalente de dizer que Sua própria palavra bastava. Filo (Legum Allegoriae 3.203) tem um comentário semelhante sobre Gênesis 22.16.
 
14-15. A promessa de que Abraão seria abençoado e multiplicado  tem significância adicional quando é colocada lado a lado com o mandamento no sentido de sacrificar Isaque. Quando a obediência de Abraão foi aceita no lugar do ato, deve ter vindo com força adicional quando DEUS reforçou a promessa com um juramento. Há um indício disto no v. 15. Abraão, depois de esperar com paciência, claramente se refere à sua provação no assunto de Isaque, como resultado da qual obteve a promessa. Há um eco do v. 12, supra. Abraão é um exemplo por excelência de quem ganhou sua herança com fé e paciência. Mesmo que os leitores não pudessem pensar em qualquer outro exemplo, Abraão ilustraria admiravelmente o que o escritor queria dizer. 
 
16. Ao apelar aos juramentos humanos, o escritor demonstra que a promessa divina é superior à palavra do homem. A limitação da palavra do homem acha-se no fato de que sua palavra não é suficiente em si mesma. A própria necessidade de um juramento para apoiar uma declaração reflete o caráter da pessoa que a faz. Deve ser lembrado que JESUS criticava os homens cuja palavra era tão indigna de confiança que juramentos eram usados para reforçar suas declarações. Exortou Seus seguidores assim: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não , não” (Mt 531). Há, portanto, uma diferença entre a abordagem cristã e a convenção contemporânea. O escritor aqui se refere ao conceito contemporâneo. Sua declaração: Pois os homens furam pelo que lhes é superior, reflete a abordagem natural do homem ao assunto. A não ser que houvesse alguém maior, em condições de confirmar o juramento, a atividade não teria valor. Embora a palavra “superior” possa ser neutra e, portanto, incluir objetos além de pessoas, o contexto claramente revela que a forma masculina é a mais provável.
Uma vez que um juramento é confirmado, não poderá haver mudança. Neste sentido é o fim de toda contenda. Afirma positivamente aquilo que apóia e exclui eficazmente aquilo que nega. Em quaisquer contendas (antilogiai) é conclusivo. Esta natureza obrigatória dos juramentos humanos é usada pelo escritor para transferir seu pensamento, por excelência, à palavra divina.
 
17. Ao explicar a razão de um juramento divino, este escritor mostra que é uma concessão à convenção humana. Não havia necessidade de DEUS confirmar Sua palavra. Era inviolável. Mas se os homens eram melhor persuadidos por um juramento, Por isso (en hõj... se interpôs com juramento. Presumivelmente o interpor-Se (mesiteuein, somente aqui no Novo Testamento) era entre DEUS e Abraão. É importante notar que o juramento era para o benefício dos herdeiros da promessa, embora fosse realmente dado a Abraão. Aquilo que é real para Abraão é real para sua descendência também. Os “herdeiros” é um termo compreensivo para os verdadeiros filhos de Abraão, e não é exclusivamente uma referência ao povo de Israel. JESUS, ao dirigir-Se aos judeus que alegavam ser filhos de Abraão, disse: “Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão” (Jo 8.39). O apóstolo Paulo, ao escrever aos Romanos, pode referir-se “ao que é da fé que teve Abraão (porque Abraão é pai de todos nós...)” (Rm 4.16). Os herdeiros da promessa, portanto, são diferentes dos descendentes naturais.
Ao falar da intenção divina, o escritor, em comum com muitos escritores do Novo Testamento, usa a palavra grega mais forte (boulomenos) ao invés da mais fraca (thelein). A intenção de DEUS é mais do que uma inclinação ou uma vontade; é uma resolução específica. Fica ainda mais forte quando é apoiada pelo advérbio perissoteron (mais firmemente). Na Sua graciosa compreensão da necessidade que o homem tem de evidências que não podem ser refutadas, DEUS a toma duplamente convincente. O caráter imutável do Criador já foi ressaltado no cap. 1, e agora o enfoque recai sobre a imutabilidade do seu propósito. Este é um desenvolvimento adicional, concentrando-se especialmente na mente de DEUS. A palavra “imutável” (amethatetetos) é usada somente aqui (e no v. 18) no Novo Testamento. Há evidência (conforme MM) de que era usada num sentido técnico acerca da natureza imutável de um testamento. 0 propósito imutável de DEUS separa-0 das divindades pagãs contemporâneas caprichosas e toma todas as Suas promessas totalmente fidedignas. Certamente, o conceito cristão de DEUS exige que Ele honre tudo quanto tem dito. O juramento, embora não acrescente nada a esta convicção, também não lhe tira nada. Sua palavra ainda teria sido verdadeira sem o juramento.
 
18. O escritor vê alguma relevância no juramento, no entanto, porque vê uma combinação de duas coisas mutáveis (i.é, a natureza de DEUS e Seu juramento, ou a promessa e o juramento). Uma vez que nenhuma destas duas coisas pode mudar, é impossível que DEUS minta. Esta é a âncora grande da convicção do cristão. Sabe que sua certeza depende, não da estabilidade nem da força da sua própria fé, mas, sim, da absoluta fidedignidade da palavra de DEUS. Os herdeiros agora são mais especificamente descritos como nós que já corremos para o refúgio, que não somente toma o argumento relevante para os leitores, como também inclui o escritor. Talvez seja surpreendente que estas pessoas sejam descritas como sendo fugitivas. O único outro lugar onde a mesma palavra é usada é Atos 14.6 onde descreve a fugra de Paulo dos seus perseguidores. Mas no presente contexto a fuga é definida pela expressão: a fim de lançar mão da esperança proposta. Parece denotar, portanto, o abandono urgente do estado de desencorajamento e apatia. Talvez indique uma certa urgência da parte deles, que deveria, então, ser colocada no contexto da forte advertência acerca da apostasia. Do outro lado, o escritor pode estar restringindo o encorajamento àquele grupo dos seus leitores que fugiu daquela posição perigosa em que outros se colocaram. Não há dúvida na sua mente acerca do caráter do encorajamento. É agarrar a esperança proposta. A idéia de agarrar subentende segurar e manter-se firme de modo resoluto, o que também ressalta a suprema importância da açâo. A esperança é de tal natureza que é preciso tenacidade para retê-la. Nâo acontece por conta própria. É exposta como uma realidade objetiva a ser agarrada e também uma realidade suhjetiva a ser pessoalmente experimentada. Nosso escritor já mencionara duas vezes a esperança (veja o comentário sobre 3.6 e cf. 6.11), e ocorre mais duas vezes, em 7.19 (esperança superior) e 10.23 (a confissão da esperança). É outro dos seus temas prediletos.
19. Meditar no tema da esperança leva-o a comentar certas características da esperança. A primeira é sua imobilidade que é vividamente ilustrada pela figura de uma âncora. Em nenhuma outra parte do Novo Testamento a âncora é usada de modo metafórico. É uma figura de linguagem riquíssima. O serviço da âncora é permanecer fixa no fundo do mar sejam quais forem as condições marítimas. De fato, quanto mais violento o tempo, tanto mais importante é a âncora para a segurança e a estabilidade do barco. É um símbolo apto da esperança cristã. Era, na realidade, usada como símbolo entre os cristãos primitivos, e era freqüentemente ligado ao símbolo do peixe. É surpreendente que nenhum outro escritor do Novo Testamento faça uso dele. Talvez seja por demais imaginativo sugerir que o escritor tivera experiência do mar e que pessoalmente aprendera a dar valor à âncora em tempos de perigo. Segundo a ARA, é a âncora que é segura e firme, mas os adjetivos poderiam referir-se à esperança. Faz pouca diferença ao significado. O primeiro adjetivo significa “seguro” (asphalê), incapaz de ser movido. O segundo (bebaian), seguro em si mesmo, é praticamente um sinônimo do outro. É traduzido por “confiança” em 3.14, e em 3.6 aparece na margem de UBS. No pensamento neotestamentário em geral, como aqui, a confiança e a esperança estão estreitamente ligadas entre si. O lado mais estranho desta metáfora é que a âncora penetra além do véu (i.é, para dentro do SANTO dos Santos). O escritor ou deliberadamente misturou suas metáforas, ou rapidamente transferiu seu pensamento acerca da esperança para um cenário diferente em que uma âncora parece incongruente. Alguns dos comentaristas patrísticos contrastavam a âncora natural no fundo do mar com a âncora espiritual no lugar celestial. Mas parece melhor supor que o pensamento transferiu-se do mar para o tabernáculo, como meio de introduzir outra base da esperança, bem mais firme, i.é, o tema do Sumo Sacerdote. Por este meio, o escritor introduz sua exposição da ordem de Melquisedeque.
 
20. A idéia de que JESUS... entrou além do véu é altamente sugestiva. A cortina é o véu no tabernáculo (e no Templo) que separava o SANTO dos Santos do SANTO Lugar. A alusão diz respeito ao fato de que somente o sumo sacerdote podia penetrar além do véu, e mesmo assim, somente uma vez por ano. Somos lembrados que o véu do Templo se rasgou de alto abaixo quando JESUS morreu (Mt 27.51). Nosso escritor, no entanto, está preocupado com uma realidade espiritual mais profunda. É um fato consumado que nosso Sumo Sacerdote está “além do véu,” i.é, na presença direta de DEUS. A estreita conexão entre a esperança cristã e nosso Sumo Sacerdote exaltado é um dos temas principais desta Epístola. A esperança é baseada na obra completa, porém sempre contínua, de JESUS como Sumo Sacerdote. É descrito primeiramente como precursor (prodromos), palavra que ocorre somente aqui no Novo Testamento, e que era usada para uma parte avançada de um exército, de reconhecimento. Um precursor, portanto, pressupõe outros para seguir. É uma grande inspiração perceber que aquilo que JESUS fez, fê-lo por nós, declaração que ressalta fortemente o Seu caráter representativo e que pode, ademais, subentender um papel de Substituto. A declaração*final, acerca de Melquisedeque, forma uma ligação com 5.10 e encerra o interlúdio de advertência. O único fator novo é que CRISTO é sumo sacerdote para sempre, tema desenvolvido na seção seguinte.
 
(iv) A ordem de Melquisedeque (7.1-28)
1. Até agora, o escritor não deu pormenor algum a respeito de Melquisedeque.61 Quase toma por certo que seus leitores estarão familiarizados com ele, embora passe agora a dar uns poucos pormenores históricos que lhe darão vida, mas isto de modo muito misterioso. Considera que os pormenores que oferece possuem uma relevância espiritual que vai além do contexto histórico original. Chega perto da alegorização, sem propriamente chegar a ela. Este primeiro versículo é uma declaração de fatos em harmonia com o relato em Gênesis 14.17-20. Fala da posição de Melquisedeque, tanto como rei de Salém quanto como sacerdote do DEUS Altíssimo. Esta combinação entre dignidade real e o sacerdócio revela-se significativa para o propósito do escritor, conforme demonstram os versículos seguintes. Não importa par ele a localização de Salém. Há uma forte tradição que a identifica com Jerusalém. Bruce62 cita as evidências em prol desta tradição e demonstra que a conexão da etimologia de Jerusalém com shalom (paz) é bem fundamentada. O escritor, no entanto, está mais interessado no significado simbólico do nome. O título aqui atribuído a DEUS vale ser notado, porque é achado não somente em Gênesis 14.18, como também em Deuteronômio 32.8 e vários outros lugares no Antigo Testamento, especialmente nos Salmos. Chama a atenção ao caráter exaltado de DEUS. Qualquer sacerdócio é avaliado de conformidade com a categoria da divindade que é servida, o que significa que o de Melquisedeque deve ter sido de um tipo muito exaltado. O encontro entre Melquisedeque e Abraão é o aspecto que traz aquele para a história bíblica. Acontece na conclusão da participação de Abraão num conflito entre duas confederações de reis. A vitória notável de Abraão, no entanto, não é o que ocupa o interesse do autor, mas, sim, o fato dele ser abençoado por Melquisedeque, o que imediatamente colocou este último numa posição de superioridade a Abraão. Isto em si mesmo teria sido considerado uma alta dignidade pelos judeus cristãos, bem como pelos judeus ortodoxos, não-cristãos, que tinham altíssima estima por Abraão (veja o desenvolvimento desta consideração no v. 4).
 
2. O pormenor adicional a respeito do dízimo que Abraão deu a Melquisedeque, tirado da narrativa de Gênesis, reforça a superioridade deste último. Ao fazer assim, Abraão reconheceu o direito de Melquisedeque de receber este dízimo. Tendo anunciado os fatos históricos, o escritor passa, então, a fazer uma exposição deles. O primeiro comentário baseia-se no significado do nome, i.é, rei de justiça. Este hino de exegese teria um impacto especial sobre os leitores judeus, para os quais os nomes eram significantes, porque aceitava-se que os nomes denotavam a natureza bem como a identidade da pessoa. A validade de “Melquisedeque” como descrição da natureza de JESUS como nosso Sumo Sacerdote teria apelo imediato ao escritor. Investiria a ordem de Melquisedeque com uma qualidade especial de justiça. Como Melquisedeque adquiriu seu nome não é discutido, mas o escritor claramente mencionou o amor que o Filho tem à justiça (1.9) e isto para ele é a consideração crucial na sua presente exposição. O escritor vê significância adicional no nome da cidade do sacerdote-rei, i.é, paz, outra dedução simbólica daquilo que parece ser fato histórico. Deve ser reconhecido que sua exegese volta das características conhecidas
de CRISTO para a analogia do Antigo Testamento. Embora não tenha anteriormente ligado “paz” com JESUS CRISTO, a totalidade da sua apresentação da obra de CRISTO subentende tal ligação. Há indubitavelmente algum significado simbólico na ordem em que as características são mencionadas, porque a justiça deve ser a base de toda a paz verdadeira. Na sua carta aos Efésios, (2.14), Paulo chama JESUS CRISTO “nossa paz.”
 
3. É quando o escritor baseia sua exposição no silêncio da Escritura que seu método de. exegese parece mais estranho aos leitores modernos.63 Porque não há menção da origem nem da morte de Melquisedeque no relato de Gênesis, o escritor deduz que está sem pai, sem mãe, sem genealogia. Obviamente tirou da narrativa uma interpretação que não aparece na superfície do relato de Gênesis. Mas a seqüência do seu pensamento é clara.
Diferente dos sacerdotes arônicos para os quais a descendência levítica era necessária para a elegibilidade ao cargo, a ordem de Melquisedeque é de um tipo totalmente diferente. Não há histórico do seu pai nem dos seus filhos. Fica misteriosamente à parte de qualquer necessidade de estabelecer a sua genealogia. Por esta razão, mais uma vez, é admiravelmente apropriado para ser comparado com JESUS CRISTO. Quando, no entanto, o escritor acrescenta que Melquisedeque não teve principio de dias, nem fim de existência, leva ainda mais longe seu argumento baseado no silêncio. Tomada literalmente, sua exegese sugeriria que Melquisedeque deve ter sido um ser celestial,64 e neste caso a narrativa histórica deve ter sido espiritualizada, porque não há sugestão alguma na narrativa de Gênesis de que Melquisedeque fosse outra coisa senão carne e sangue. A idéia de basear a exegese no silêncio é familiar nos escritos de Filo, e, por si só, não teria parecido estranha aos leitores judaicos. Mas é um pouco inesperado ver que Melquisedeque é considerado um sacerdote para sempre, exatamente como o Filho de DEUS. A verdadeira chave para o método exegético do escritor é achada na frase feito semelhante ao Filho de DEUS. A palavra traduzida feito semelhante (aphòmoiòmenos) ocorre somente aqui no Novo Testamento. É uma palavra sugestiva, usada no ativo para “uma cópia ou modelo fax-símile” e no passivo para “ser feito semelhante a.” É porque JESUS CRISTO é da ordem de Melquisedeque que o representante da ordem é visto como modelo do verdadeiro. Noutras palavras, é o sacerdócio de CRISTO que é o padrão, não o de Melquisedeque. Esta passagem chega perto de ser alegórica. Mas o fator importante que o escritor quer estabelecer é o sacerdócio eterno do Filho de DEUS e não o de Melquisedeque, embora este último seja subentendido. O que toma perpétua a ordem de Melquisedeque é que a Escritura nada diz acerca da sucessão. Aquilo que toma perpétuo o sacerdócio de CRISTO, no entanto, é sua própria natureza. O cumprimento é mais glorioso do que o tipo. O título Filho de DEUS leva o pensamento de volta para 4.14, onde JESUS, nosso Sumo Sacerdote tem este títuto atribuído a Ele (cf. também 6.6 e 10.29, duas passagens de advertência).
4. A razão para a exposição histórica é fornecer uma comparação entre Abraão e Melquisedeque. A declaração neste versículo resume este ponto de vista. Considerai, pois, como era grande esse... Esta exortação (64) Sobre a preexistência de Melquisedeque, cf. G. R. Hammerton-Kelly: Pre-existence, Wisdom and The Son o f Man (CUP, 1973), págs. 256ss. 148 HEBREUS 7:4-7 a um estudo especial da grandeza de Melquisedeque é baseada na sua superioridade à grandeza reconhecida de Abraão. Destacava-se no palco da história. Agora, surge outros, a quem Abrão oferece um dizimo, ação esta que demonstra sua estima  por Melquisedeque. Mesmo assim, a grandeza já foi demonstrada nos w. 1-3. A posição das palavras no texto grego ressalta o contraste, porque a palavra o patriarca aparece bem no fim, como se fosse para enfatizar a dignidade daquele que ofereceu os dízimos. A palavra ocorre no Novo Testamento, fora daqui, somente em Atos 2.29, onde é aplicada a Davi, e em Atos 7.8, a Jacó e seus filhos. É especialmente apropriada como título para Abraão, porque era considerado não somente o pai de Israel, como também de toda a família dos fiéis (Rm 4.11,16).
5. A comparação que o escritor pretende fazer não é entre Abraão e Melquisedeque, mas, sim, entre Arão e Melquisedeque. São as duas ordens do sacerdócio que ele tem em mente. Isto explica a referência repentina a Levi. Todos os sacerdotes arônicos tinham de ser filhos de Levi,que imediatamente se contrasta com Melquisedeque, que não tinha descendentes. Os sacerdotes levíticos tinham um direito legal, um mandamento de recolher, de acordo com a lei, os dízimos do povo. Números 18.26-27 propõe estes direitos. Nosso autor está ocupado somente com os sacerdotes, embora houvesse disposições especiais para- os levitas nãosacerdotais (cf. Dt 10.8-9). Na questão de direitos, Melquisedeque era diferente dos sacerdotes levíticos por ter recebido dízimos, não por mandamento, mas, sim, pela ação espontânea de Abraão. Nenhuma tentativa é feita nesta Epístola para explicar porque Abraão deu um dízimo dos seu despojos. O escritor se contenta em deixar esta questão de lado. O que o impressiona é a superioridade total de Melquisedeque. Os sacerdotes de Arão, além disto, cobram dízimos dos seus irmãos, que, como eles, têm descendido de Abraão. O contraste agora está entre os descendentes de Abraão e o próprio Abraão. O escritor dá a entender que as ofertas de Abraão devem ser maiores do que as ofertas feitas por seus descendentes. Mas este é um contraste válido? O princípio básico parece ser que a categoria de quem recebe determina a categoria de quem dá, porque quem recebe é sempre superior a quem dá (conforme declara o v. 7).
6-7. A genealogia era um fator indispensável no sistema sacerdotal judaico. O escritor obviamente anseia por demonstrar que, embora Melquisedeque esteja sem genealogia, mesmo assim, recebeu dízimos e abençoou uma personagem não menor do que o próprio Abraão. Além disto, visto que Abraão já recebera as promessas de DEUS, a bênção recebida através de Melquisedeque era um acréscimo que teria sido prezado somente no caso de, reconhecidamente, vir de uma fonte equivalente. E assim foi mesmo, porque Melquisedeque era sacerdote do DEUS Altíssimo, cuja bênção transmite. Vale notar que o tempo perfeito é usado para o recebimento dos dízimos (dedekatõken) por Melquisedeque, que chama a atenção, não somente ao evento histórico, como também à sua signiflcância permanente. O escritor está, por assim dizer, transportando o evento para os tempos dos próprios leitores para demonstrar a continuidade desta ordem de sacerdócio. Continua no seu perfeito cumprimento em CRISTO. O escritor sublinha a superioridade de Melquisedeque a CRISTO no v. 7. Chama-a fora de qualquer dúvida (chôris pasès antilogias), expressando-se nos termos mais compreensivos. Espera que seus leitores aceitem esta posição sem questioná-la. É um elo essencial no seu argumento em prol da superioridade de Melquisedeque sobre Arão, conforme demonstram as declarações que se seguem.
8. O contraste entre aqui e ali é uma referência à linhagem de Arão em contraste com a de Melquisedeque, com um contraste adicional entre homens mortais e aquele de quem se testifica que vive. Embora a ordem levítica fosse disposta por DEUS, os sacerdotes eram, afinal das contas, homens mortais. O máximo que poderim esperar seria uns poucos anos para o serviço de DEUS. A ordem de Melquisedeque, do outro lado, era inteiramente diferente, porque o escritor sustenta que sua vida é contínua. Assim faz, apelando para o texto específico de Gênesis, com a fórmula: de quem se testetifica (martyroumenos). O verbo ocorre sete vezes nesta carta. Em duas outras ocorrências (7.17 e 10.15) é usado, como aqui, em referência a citações diretas do Antigo Testamento. Seu uso aqui é uma lembrança delicada de que o escritor está baseando sua declaração numa fonte autorizada.
 
9-10. O argumento adota uma linha diferente à medida em que o relacionamento entre Levi e Abraão é exposto. Para um judeu ortodoxo, a ordem de Arão seria a única ordem sacerdotal autêntica, porque Abraão não era um sacerdote. Mas o autor sugere que, visto que Levi era um descendente de Abraão, pode ser dito que já estava nos lombos de Abraão (ARC). Sente que este método é algo estranho, daí sua fórmula introdutória: E, por assim dizer (hõs eposepein), uma expressão que não é achada em nenhum outro lugar no Novo Testamento. Parece estar preparando seus leitores para um modo de pensar que talvez não lhes seja familiar. A idéia é claramente que os descendentes de Abraão estão identificados no seu antepassado e, portanto, que a ordem levítica estava, com efeito, reconhecendo a superioridade de Melquisedeque. A força deste argumento teria mais impacto em mentes familiarizadas com a idéia da solidariedade, como era o caso dos hebreus, do que naquelas que estão dominadas pela idéia da individualidade. Nem o pai nem os filhos poderiam ser independentes uns dos outros. O pagamento dos dízimos feito por Abraão podia ser transferido para seu descendente Levi e, a partir dele, para a ordem inteira do seu sacerdócio. Sem dúvida, o pagamento de dízimos que Levi fez através de Abraão avoluma-se tão importantemente quanto seu direito de receber dízimos doutras pessoas, ou talvez até mais importante. Desta maneira, um equilíbrio delicado é sugerido entre a dívida que o homem tem para com seu passado e sua responsabilidade pelo presente. Alguns aspectos da idéia da solidariedade são inescapáveis.
 
11. Agora que demonstrou a superioridade de Melquisedeque à ordem levítica, o escritor passa a demonstrar a necessidade de haver um sacerdote que pertence àquela ordem superior do sacerdócio. A  superioridade pessoal de Melquisedeque não o estabeleceria, por si mesmo, como substituto de Arão. Alguém poderia imediatamente objetar que a ordem de Melquisedeque era fogo de palha, por mais misteriosa que fosse, ao passo que a de Arão era uma linhagem que já havia muito era estabelecida e respeitada. O escritor antecipa semelhante objeção ao indicar as insuficiências da linhagem e, portanto, a necessidade
 de um sucessor em Melquisedeque. Reconhecidamente, o padrão do escritor não é nada menos do que a perfeição. A frase condicional: se... a perfeição houvera sido... que necessidade haveria ainda...?, depende de duas suposições prévias. Pressupõe que a “perfeição” é um fim desejável, e também pressupõe que o sacerdócio levitico e com ele a lei não poderia produzir tal perfeição. A primeira suposição faz parte do  fundo básico da Epístola. Até mesmo as pessoas mais nobres na história de Israel (conforme demonstra o capítulo 11) não poderiam atingir a perfeição por si mesmas (cf. 11.40). Todos os anseios do homem por DEUS são uma expressão deste profundo desejo da perfeição. O sistema levitico era uma disposição especial mediante o qual os imperfeitos podiam aproximar-se de DEUS por meio de ofertas vicárias. Não possuía dentro de si mesmo o poder de aperfeiçoar os adoradores. A lei não tinha nenhum mandato para um alvo tão positivo. Tem sido sugerido que a legislação divina não poderia ter outra finalidade senão a perfeição (assim Westcott). Mas os argumentos de Paulo em Romanos 7.7ss. são suficientes para demonstrar que, na prática, a lei trazia somente a frustração. A lei, na realidade, nada mais poderia fazer senão revelar as faltas do homem. A necessidade de sucessor de Melquisedeque, portanto, baseia-se na incapacidade da ordem de Arão de produzir a perfeição. É bem possível, conforme indica Bruce, que a vinculação da perfeição com a ordem levítica teria sido inteligível somente para os leitores judeus, que talvez ainda estivessem inclinados, depois da sua conversão ao cristianismo, a ver algum valor no ritual antigo.65 12. A estreita conexão entre o sacerdócio arônico e a Lei é ressaltada outra vez. Tendo em vista a santidade da Lei nas mentes judaicas, havia real dificuldade em aceitar qualquer outro sacerdócio do que o de Arão, e este é o problema que o escritor tem em mente ao sustentar que um sacerdócio diferente envolve uma lei diferente. Somente assim poderia apoiar a ordem de Melquisedeque. Pensa de um modo muito semelhante 
ao argumento usado por Paulo em Romanos no sentido de que a promessa a Abraão antecedeu a outorga da lei em cerca de quatrocentos anos. O escritor aqui está argumentando hipoteticamente, porque a própria lei não pode ser alterada. Tem primariamente em mente a lei que afeta o sacerdócio arônico.
 
13. Porque aquele, de quem são ditas estas coisas refere-se ao versículo 11, anterior, onde está em mente um sucessor de Melquisedeque — uma alusão preparatória a JESUS CRISTO que é introduzido no versículo seguinte como “nosso Senhor.” Este modo um pouco indireto de argumentar era necessário para justificar a identificação como sacerdote de alguém que pertence a outra tribo, i.é, a tribo de Judá. Ninguém desta tribo já exercera o cargo sacerdotal. Mais uma vez, o escritor está prevendo objeções à sua tese principal de JESUS como sumo sacerdote superior a Arão. O fato de que se dá tanto trabalho com cada pormenor do seu argumento demonstra a importância que atribuía à totalidade do seu tema sumo-sacerdotal.
 
14. As palavras pois é evidente subentendem que era bem conhecido a qual tribo nosso Senhor pertencia. Mesmo assim, somente aqui e em Apocalipse 5.5 é que especificamente se diz que Ele pertencia a esta tribo, embora seja subentendido na narrativa do nascimento registrado em Mateus (2.6). Isto sugere que a descendência do Senhor de Judá era uma parte reconhecida da tradição. As genealogias em Mateus e Lucas apoiariam este fato. Além disto, o fato de que muitas vezes JESUS é mencionado no Novo Testamento como Filho de Davi é testemunho adicional, porque Davi era o representante mais ilustre da tribo de Judá. A palavra usada aqui para a descendência, “procedeu” (anatetalken) às vezes é usada para uma planta que brota da sua semente, e às vezes para o levantar do sol. Ao passo que o versículo anterior apela ao costume do passado que excluía Judá, este versículo termina com um apelo ao silêncio de Moisés acerca de sacerdotes da tribo de Judá. Para aqueles que consideravam conclusivo o testemunho de Moisés, esta era uma dificuldade considerável, mas é contrabalançada pelo apelo adicional ao testemunho do Salmo 110 (v. 17).
 
15. O escritor volta ao pensamento da ordem de Melquisedeque. Assim diz porque sua mente está fixa em outro sacerdote (i.é, JESUS CRISTO). A combinação entre a descendência de Judá e a semelhança de Melquisedeque é considerada uma base suficiente para um novo tipo de sacerdócio. Neste versículo, as primeiras palavras: E isto é ainda muito mais evidente, demonstram que o pensamento do escritor remonta do sacerdócio de CRISTO, que considera indisputável, para a existência de uma ordem anterior que o acomodaria. É importante levar isto em conta no curso da sua exposição. O direito de CRISTO ao cargo
 sacerdotal baseia-se em fundamentos totalmente diferentes do sacerdócio levítico. O direito dEle é inerente, e transcende as qualificações tribais e acha um paralelo numa figura misteriosa fugaz do período patriarcal. Realmente, uma mudança aqui da “ordem” para a semelhança é significante, porque indica que em certo sentido Melquisedeque era considerado na sua pessoa um prenúncio do seu sucessor que Arão nunca foi. Aqui há, sem dúvida, um eco da sua origem e destino misteriosos já mencionados no v. 3 e ressaltados especificamente outra vez no v. 16.
 
16. Ao passo que no versículo anterior outro sacerdote “se levanta” (anistatai), aqui diz que é “constituído (gegonen), sacerdote, referindo- se à Sua aceitação histórica do cargo. O sacerdócio de CRISTO está inextricavelmente ligado com a Sua encarnação. Conforme já foi indicado nesta carta, é elegível para ser sacerdote do Seu povo somente porque compartilha da natureza deste (2.17-18). Um duplo contraste é visto aqui. .4 lei do mandamento é contrastada com o poder, e a descendência camal com a vida indissolúvel. O primeiro contraste é entre a obrigação externa e a dinâmica interna que imediatamente coloca a nova ordem de sacerdócio numa base diferente. A exigência da lei concentrava-se na hereditariedade mais do que na qualidade pessoal. Por melhor que tenha sido o cargo sacerdotal, não poderia ser garantido que os descendentes de Arão seriam dignos dele. Faltava a idéia de poder pessoal interior. No caso de JESUS CRISTO não era assim. Ele era a concretização do poder vivo. A palavra traduzida camal (sarkinês) literalmente significa “pertencente à carne ou feito da carne,” usado no Novo Testamento em contraste com “espiritual” (pneumatikos), como, e.g., em 1 Coríntios 3.1. É essencialmente mortal, em contraste com indissolúvel (akatalytou, incapaz de ser dissolvido). Esta é simplesmente uma reafirmação, em palavras diferentes, da superioridade de CRISTO sobre o sacerdócio de Arão, mas com ênfase especial dada à continuidade de CRISTO em comparação com a sucessão constante causada pela morte de Arão, fato este que é exposto ainda mais nos w. 23ss. Embora nosso Sumo Sacerdote tenha morrido, e embora Sua morte fizesse essencialmente parte do Seu cargo sacerdotal, ainda pode ser descrito como sendo indissolúvel. A morte não poderia segurá-Lo. Seu cargo sumo-sacerdotal continua em virtude da Sua vida ressurreta. Se não houvesse outra razão, este fato por si só O colocaria incomensuravelmente acima de todos os sacerdotes da linhagem de Arão.
17. Mais uma vez a citação do Salmo 110, que pode ser descrita como a melodia temática desta parte da Epístola, é repetida (cf. 5.6). Aqui, é introduzida com a frase: Porquanto se testifica, que forma um estreito paralelo com 7.8. Como ali, acrescenta uma nota de autoridade, tirada das palavras exatas da Escritura. A razão da repetição da citação aqui e' chamar a atenção às palavras para sempre, que apóiam diretamente a reivindicação da vida indestrutível feita no versículo anterior.
 
18-19. Em certo sentido, os w. 16-17 podem ser considerados um interlúdio, porque os versículos seguintes continuam o tema do v. 15. Há uma declaração contrastante em duas partes, com um comentário parentético entre elas. Por um lado introduz a primeira parte, que tem a ver com a fraqueza da lei no que diz respeito ao sacerdócio. As palavras traduzidas anterior ordenança não se referem meramente a um mandamento cronologicamente anterior, mas também a um que preparava um melhor. Tomou o anterior desnecessário, portanto. Três declarações são feitas acerca do mandamento: (i) é fraco; (ii) é inútil; (iii) é revogado. Embora a lei tenha cumprido uma função vital, sua fraqueza essencial era que não podia dar vida e vitalidade até mesmo àqueles que a guardavam, e muito menos àqueles que não a guardavam. Na realidade, sua função não era fornecer forças, mas, sim, fornecer um padrão mediante o qual o homem pudesse medir sua própria categoria moral. Um sacerdócio baseado num potencial tão limitado deve necessariamente compartilhar das mesmas limitações. Sua inutilidade não deve ser considerada no sentido de estar completamente sem valor, mas, sim, no sentido de ser ineficaz para fornecer um meio constante de aproximação a DEUS baseado num sacrifício totalmente adequado (consideração esta que será elaborada adiante). É por causa destas duas características, a fraqueza e a inutilidade, que o escritor considera o mandamento revogado (athetêsis), palavra esta que ocorre outra vez em 9.26 no sentido de colocar de lado (“aniquilar”) o pecado. Não há dúvida de que o escritor não quer dizer aqui que a própria lei é
anulada, mas que pode ser descontada como meio de chegar à perfeição. Esta é a razão para o parêntese no começo do v. 19. É característica da lei — não meramente da lei mosaica, mas de toda a lei — que nunca aperfeiçoou coisa alguma. Tudo quanto podia fazer era focalizar a imperfeição. De fato, a lei mosaica ia além, e demonstrava na sua aplicação que a perfeição era impossível. Apesar disto, o impacto inteiro do argumento nesta Epístola é que o homem deve esforçar-se em prol da perfeição. A parte contrastante da declaração, por outro lado (de), fixa-se no tema da esperança, notavelmente ausente da abordagem legalista. Além disto, a esperança é descrita como sendo melhor, um comparativo já encontrado em 1.4; 6.9; 7.7 e ligada aqui no versículo 22 com uma aliança melhor. Surge a pergunta: em qual sentido a esperança introduzida por CRISTO é melhor? A declaração significa que Sua esperança é melhor do que a esperança trazida pelo mandamento, ou significa melhor do que o próprio mandamento? Este último ponto  de vista se adaptaria bem ao contexto em que a fraqueza e inutilidade do mandamento já foram ressaltadas — não o tipo de coisa que oferece muita esperança. A palavra esperança é outra característica desta Epístola (veja os comentários sobre 3.6; 6.11, 18 e 10.23; também o uso do verbo em 11.1), embora ocorra muito mais freqüentemente em Paulo (31 vezes). A idéia da esperança como meio mediante o qual nos chegamos a DEUS continua o pensamento de 6.19, que menciona o tipo de esperança que até mesmo penetra além do véu, i.é, em aproximação direta com DEUS. Vale notar que a aproximação a DEUS da parte do homem ocorre como a exortação final da parte doutrinária da Epístola (10.22). A despeito de um conceito impressionante de DEUS em 12.29, ainda há o encorajamento para aproximar-se em adoração. Somente um sistema melhor do que o velho poderia estimular semelhante encorajamento.
 
20-21. Outra distinção entre os sacerdotes arônicos e a ordem de Melquisedeque é que para esta última, era necessário um juramento para estabelecer quem exerceria o mesmo tipo de sacerdócio, ao passo que para aqueles, nenhum juramento assim foi dado. O argumento parece depender do fato de que quando DEUS acrescenta um juramento à Sua própria palavra a questão fica duplamente garantida (cf. 6.18). Comparado com isto, a ordem levítica dependia somente da lei. O escritor está convicto de que isto demonstra a superioridade de Melquisedeque, também porque está baseado na Escritura. Quando diz: mas este, com juramento, refere-se à citação anterior no v. 17, mas agora cita a primeira metade do Salmo 110.4 que anteriormente omitira. O juramento, no Salmo, é ligado diretamente com a imutabilidade de DEUS. Aqui o pensamento é repetido, a fim de impressionar sobre os leitores a autoridade que subjazia esta exposição do tema sumo-sacerdotal.
 
22. Numa declaração resumida que reitera a lição principal da discussão, JESUS mais uma vez é mencionado pelo nome (a última vez foi 6.20). Além disto, no texto grego o nome fica na posição enfática no fim da frase. É claro que o significado especial deve ser atribuído ao uso do nome humano aqui, posto que é como o representante perfeito do homem que Ele Se toma Fiador (engyos). Esta palavra não ocorre noutro lugar do Novo Testamento. É comum nos papiros, nos documentos legais, no sentido de um penhor ou em referência à fiança. Quando o pai dá o consentimento ao casamento da sua filha, presta fiança do dote (veja MM). No presente caso, o fiador tem relacionamento com a aliança e não diretamente com o homem. Visto que a aliança no sentido bíblico é um acordo iniciado por DEUS, o Fiador (i.é, JESUS) garante que aquela aliança será cumprida. No capítulo seguinte o escritor delonga-se sobre a idéia da nova aliança, e é claro que é ela que tem em mente ao falar de superior aliança. A antiga aliança estava estreitamente vinculada com a lei e com a ordem levítica. A nova aliança oferece uma esperança superior (v. 19) e sem dúvida alguma tem um Sumo Sacerdote melhor.
 
23-24. A continuidade do sumo-sacerdócio de JESUS já foi ressaltada, mas o escritor não pode deixar o assunto sem reiterar o contraste entre aqueles... sacerdotes (a linhagem de Arão) e JESUS. A multiplicidade da linhagem de Arão era inevitável porque todos eles são impedidos pela morte de continuar no exercício do cargo. Era o cargo que continuava, e não a pessoa. Por via de contraste, JESUS tem o seu sacerdócio imutável, i.é, é inviolável. Alguns comentaristas têm procurado entender a palavra no sentido de “intransferível,” mas este não é o sentido técnico da palavra. Embora JESUS, nosso Sumo Sacerdote, tenha morrido, Seu sacerdócio não cessou, nem foi passado adiante para outras pessoas, porque Sua morte não foi um ato definitivo. Foi eclipsada por Sua ressurreição (continua para sempre), separando-O, assim, de todos os  demais sacerdotes.
25. Aqui, o resultado do sumo-sacerdócio inviolável é especificamente declarado como sendo Sua capacidade contínua de salvar. Teria sido totalmente diferente se Seu cargo sumo-sacerdotal tivesse sido apenas temporário. Realmente, a força inteira do argumento nesta Epístola depende da continuidade do cargo de JESUS. A capacidade de JESUS CRISTO já fora focalizada antes nesta Epístola, mas em nenhum lugar tão compreensivamente quanto aqui. Em 2.18, tratava-se da Sua capacidade de ajudar, em 4.15 da Sua capacidade de simpatizar, mas aqui, da Sua capacidade de salvar. A salvação já foi mencionada, mas somente aqui é que o verbo usado é aplicado a JESUS. Assim fica mais pessoal. Mas fica sendo ainda mais compreensivo pelo fato de que Sua capacidade de salvar é, segundo é declarado aqui “para todo o tempo” (eis to panteles). O grego geralmente significa totalmente (ARA), mas um significado temporal é justificado pelos paralelos nos papiros (MM). O significado parece ser que, enquanto o Sumo Sacerdote funcionar, é poderoso para salvar, pensamento este que é reforçado pelas palavras vivendo sempre (pantote zòn). Os que por ele se chegam a DEUS já foram referidos no v. 19, embora um verbo diferente seja usado aqui. Há uma conexão recíproca entre a capacidade de JESUS se salvar e a disposição do homem de vir. Nenhuma provisão é feita para aqueles que vêm por qualquer outra maneira senão através de  JESUS CRISTO. Este escritor compartilha com os demais escritores do Novo Testamento a convicção de que a salvação é inseparável da obra de CRISTO. Nesta carta, a obra intercessória de CRISTO já foi aludida de modo indireto. Sua simpatia e Sua ajuda estão em harmonia com esta obra, mas é nesta passagem que é ressaltada mais claramente. A palavra para interceder (entynchanein) não ocorre em qualquer outro lugar nesta Epístola, mas é usada por Paulo para a intercessão do ESPÍRITO (Rm 8.27) e para a intercessão de CRISTO (Rm 8.34). A função do nosso Sumo Sacerdote é pleitear a nossa causa. Isto, também, Ele pode fazer de modo mais eficaz do que Arâo ou qualquer dos descendentes deste poderia fazer. Este ministério intercessório de CRISTO demonstra Sua atividade atual em prol do Seu povo e é uma continuação direta do Seu ministério terrestre.
26. Aqui o escritor passa a resumir algumas daquelas qualidades que são características específicas de um sumo sacerdote ideal e que são vistas perfeitamente em JESUS CRISTO.
Anteriormente nesta Epístola o escritor usou a mesma fórmula - convinha (eprepen) que é usada aqui, i.é, em 2.10. Nos dois casos referese à perfeição das atividades de JESUS CRISTO. Aqui, subentende que nenhum outro tipo de sumo sacerdote cumpriria as exigências. Este fato não somente se aplica às qualidades que serão mencionadas, como também àquelas já mencionadas no v. 25, porque a palavra de ligação (grego gar) com efeito olha para trás e para a frente. É tomado por certo que a declaração acerca do sumo sacerdote é relevante somente para os cristãos, conforme subentende o nos (hèminj. Não parece ser apropriado para todos, mas somente àqueles que se chegam a DEUS mediante JESUS CRISTO (como no v. 25).
Em primeiro lugar, são mencionadas três características pessoais do sumo sacerdote ideal, sendo que todas elas estão estreitamente ligadas entre si — santo, inculpável, sem mácula. A primeira refere-se à santidade pessoal. Tem um aspecto positivo, um cumprimento perfeito de tudo quanto DEUS é e tudo quanto Ele requer, um caráter que nunca poderá ser acusado de erro ou de impunidade. As outras qualidades dizem respeito ao impacto do seu caráter sobre outras pessoas. Ninguém pode acusá-lo de apostasia moral ou de corrupção. A palavra inculpável (akakos) significa “inocente” no sentido de não ter dolo, ao passo que a palavra sem mácula (amiantos)