LIÇÃO 1, QUANDO A CRISE MOSTRA A SUA FACE
Lições Bíblicas do 4º Trimestre de 2011 - CPAD - Jovens e
Adultos
NEEMIAS - Integridade e
Coragem em Tempos de Crise
Comentários da revista da CPAD: Pr. Elinaldo Renovato de Lima
Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD: Pr. Antonio
Gilberto
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz
Henrique de Almeida Silva
QUESTIONÁRIO
TEXTO AUREO
"E disseram-me: Os restantes, que não foram
levados para o cativeiro, lá na província estão em grande miséria e
desprezo, e o muro de Jerusalém, fendido, e as suas portas, queimadas a
fogo" (Ne 1.3).
VERDADE PRATICA
Somente uma liderança guiada e orientada por
DEUS pode vencer a crise.
LEITURA DIÁRIA
Segunda - 1 Sm 15.22 - O obedecer é melhor do
que o sacrificar
Terça - Cl 3.6 - A desobediência atrai a ira de
DEUS
Quarta - 1 Rs 8.46 - O pecado é causa de
cativeiro
Quinta - Ed 9.7 - As iniqüidades são causa de
cativeiro
Sexta - 2 Cr 7.14 - A intercessão livra do
cativeiro
Sábado - Sl 126.1,2 - A libertação traz alegria
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Neemias
1.1-7
1 - As palavras de Neemias, filho de Hacalias. E
sucedeu no mês de quisleu, no ano vigésimo, estando eu em Susã, a fortaleza,
2 - que veio Hanani, um de meus irmãos, ele e alguns de Judá; e
perguntei-lhes pelos judeus que escaparam e que restaram do cativeiro e
acerca de Jerusalém. 3 - E disseram-me: Os restantes, que não foram levados
para o cativeiro, lá na província estão em grande miséria e desprezo, e o
muro de Jerusalém, fendido, e as suas portas, queimadas a fogo. 4 - E
sucedeu que, ouvindo eu essas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei
por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o DEUS dos céus. 5 - E
disse: Ah! Senhor, DEUS dos céus, DEUS grande e terrível, que guardas o
concerto e a benignidade para com aqueles que te amam e guardam os teus
mandamentos! 6 - Estejam, pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos,
abertos, para ouvires a oração do teu servo, que eu hoje faço perante ti, de
dia e de noite, pelos filhos de Israel, teus servos; e faço confissão pelos
pecados dos filhos de Israel, que pecamos contra ti; também eu e a casa de
meu pai pecamos. 7 - De todo nos corrompemos contra ti e não guardamos os
mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, teu
servo.
Comentários da BEP - CPAD
1.1 NEEMIAS. Neemias partiu da Pérsia para
Jerusalém em 444 a.C., como governador de Judá. Isto ocorreu treze anos após
a chegada de Esdras a Jerusalém. Neemias veio incumbido pelo rei da Pérsia
para reconstruir o muro de Jerusalém e fortificar a cidade (2.7,8). Apesar
de muita oposição, Neemias completou o muro em cinqüenta e dois dias (6.15).
Era um homem capaz, corajoso, perseverante e de oração (ver 2.4 nota). Ele
também cooperou com Esdras, para levar a efeito a renovação espiritual do
povo (cap. 8).
1.4 CHOREI... E ESTIVE JEJUANDO E ORANDO. Neemias tinha grande solicitude
pelo seu povo e pela obra de Deus em Judá. Durante quatro meses (cf. v. 1
com 2.1), derramou seu coração diante de Deus, em jejum e oração, com muitas
lágrimas, por causa do problema que afligia o povo de Deus em Jerusalém e em
Judá (cf. At 20.31). Sua oração incluiu a confissão de pecados (vv. 6,7),
súplica a Deus para Ele cumprir a sua própria palavra (v. 8; cf. Lv
26.40-45; Dt 30.1-6), seu zelo pela glória e propósitos de Deus (vv. 5-8) e
intercessão incessante pelos filhos de Israel (v. 6).
1.11 DÁ-LHE GRAÇA PERANTE ESTE HOMEM. "Este
homem" era Artaxerxes, rei da Pérsia (2.1). Neemias orou para que Deus lhe
concedesse graça perante o rei, para o bem dos judeus. Quando precisarmos de
alguma coisa doutra pessoa, devemos primeiramente apresentar diante de Deus
aquilo que estamos precisando. Deus pode comover o coração e a mente de
líderes influentes, para cumprirem a vontade divina (ver Et 4.16; Pv 21.1).
PALAVRACHAVE - Crise: Momento perigoso ou
decisivo.
Neemias – COMENTÁRIO BÍBLICO DO ANTIGO TESTAMENTO, VOL 1,
Gênesis a Neemias - Matthew Henry
A
história do entretanto se fecha com o livro de Neemias, no qual se registram
as obras de seu coração na administração dos assuntos públicos, com muitas
reflexões devotas.
CAPÍTULO 1
A angústia de Neemias pela desgraça de Jerusalém – Sua oração
Neemias era o
copeiro do rei da Pérsia. Quando DEUS tem uma obra que realizar, nunca lhe
faltarão instrumentos para realizá-la. Neemias vivia comodamente e com
honra, porém não esquece que é israelita e que seus irmãos estão
angustiados. Estava disposto a utilizar seus bons ofícios para ajudá-los em
tudo quanto pudesse; e para saber como fazê-lo melhor, realiza indagações a
esse respeito. Nós devemos investigar especialmente o que se refere ao
estado da igreja e da religião.
Cada Jerusalém,
antes da chegada da celestial, terá algum defeito que requererá da ajuda e
dos serviços de seus amigos.
A primeira
apelação de Neemias foi a DEUS, para ter a plena confiança em sua petição ao
rei. Nossas melhores argumentos em oração são tomadas da promessa de DEUS, a
palavra pela qual nos dá esperanças. Devem usar de todos os métodos, mas a
oração eficaz do justo pode muito em seus efeitos. A comunhão com DEUS nos
preparará para tratar com os homens. Quando temos encomendado nossas
preocupações a DEUS, a mente fica livre; sente satisfação e compostura, e se
desvanecem as dificuldades. Sabemos que se o assunto for lesivo, Ele poderia
impedi-lo facilmente, e se for bom para nós, Ele pode fazê-lo progredir
facilmente.
Walter Sousa Borges - História do povo judeu
O
Período Persa
(538-142 a.E.C.)
Em
conseqüência de um decreto do Rei Ciro, da Pérsia, que conquistou o império
babilônico, cerca de 50.000 judeus empreenderam o Primeiro Retorno à Terra
de Israel, sob a liderança de Zerobabel, da dinastia de David. Menos de um
século mais tarde, o Segundo Retorno foi liderado por Esdras, o Escriba.
Durante os quatro séculos seguintes, os judeus viveram sob diferentes graus
de autonomia sob o domínio persa (538-333 a.E.C.) e helenístico - ptolemaico
e selêucida (332-142 a.E.C.).
A repatriação
dos judeus, sob a inspirada liderança de Esdras, a construção do Segundo
Templo no sítio onde se erguera o Primeiro, a fortificação das muralhas de
Jerusalém e o estabelecimento da Knesset Haguedolá (a Grande Assembléia), o
supremo órgão religioso e judicial do povo judeu, marcaram o início do
segundo estado judeu (período do Segundo Templo). Dentro do âmbito do
Império Persa, a Judéia era uma nação cujo centro era Jerusalém, sendo a
liderança confiada ao Sumo Sacerdote e ao conselho dos Anciãos.
Livro Décimo Primeiro -
Flávio Josefo - História dos
Hebreus - 2004 - CPAD
Capítulo 1
Ciro, rei da Pérsia, permite que os judeus
voltem ao seu país e reconstruam Jerusalém e o Templo.
436.
Esdras 1 e Neemias 3. No primeiro ano do reinado de Ciro, rei dos
persas, setenta anos depois que as tribos de Judá e de Benjamim foram
levadas escravas para a Babilônia, DEUS, tocado de compaixão pelo sofrimento
delas, realizou o que havia predito pelo profeta Jeremias, antes mesmo da
ruína de Jerusalém: que, passados setenta anos em dura escravidão, sob
Nabucodonosor e seus descendentes, voltaríamos ao nosso país,
reconstruiríamos o Templo e desfrutaríamos a nossa primeira felicidade.
Assim, pôs Ele no coração de Ciro escrever uma carta e enviá-la por toda a
Ásia. Eis o que declara o rei Ciro: "Cremos que o DEUS Todo-poderoso, que
nos constituiu rei de toda a terra é o DEUS que o povo de Israel adora, pois
Ele predisse por meio de seus profetas que nós traríamos o nome que trazemos
e reconstruiríamos o Templo em Jerusalém, na Judéia, consagrado à sua
honra".
Esse
soberano falava assim porque lera nas profecias de Isaías, escritas duzentos
e dez anos antes que ele tivesse nascido e cento e quarenta anos antes da
destruição do Templo, que DEUS lhe tinha feito saber que constituiria a Ciro
rei sobre várias nações e inspirar-lhe-ia a resolução de fazer o povo voltar
a Jerusalém para reconstruir o Templo. Essa profecia causou-lhe tal
admiração que, desejando realizá-la, mandou reunir na Babilônia os
principais dos judeus e anunciou que lhes permitia voltar ao seu país e
reconstruir a cidade de Jerusalém e o Templo, que eles não deveriam duvidar
de que DEUS os auxiliaria nesse desígnio e que escreveria aos príncipes e
governadores de suas províncias vizinhas da judéia para que lhes fornecessem
o ouro e a prata de que iriam precisar e as vítimas para os sacrifícios.
Depois
desse favor, os chefes das tribos de Judá e de Benjamim dirigiram-se
imediatamente a Jerusalém com sacerdotes e levitas. Os que não quiseram
deixar os seus bens ficaram na Babilônia. Chegaram depois os nobres aos
quais o rei havia escrito e contribuíram com ouro e prata. Alguns deram-lhe
animais, como cavalos. Outros, que haviam feito votos, ofereciam sacrifícios
solenes para cumpri-los, tal como fariam se tivessem de começar a construir
a cidade e realizar pela primeira vez as cerimônias que nossos pais
observavam.
Ciro
restituiu nesse mesmo tempo os vasos sagrados tomados do Templo no reinado
de Nabucodonosor e que haviam sido levados para a Babilônia. Encarregou
disso Mitredate, seu tesoureiro-mor, com ordem de confiá-los aos cuidados de
Sesbazar, para que os guardasse até que o Templo fosse reconstruído e os
entregasse então aos sacerdotes e aos principais dos judeus, para que fossem
recolocados no Templo.
Escreveu
também esta carta aos governadores da Síria: "O rei Ciro, a Sisina (Ou Tatenai) e a Sarabazam, saudação. Nós permitimos a todos os judeus que moram em nosso
território e que quiserem voltar ao seu país que para lá se retirem com toda
liberdade e reconstruam a cidade de Jerusalém e o Templo de DEUS. Enviamos Zorobabel, seu príncipe, e Mitredate, nosso tesoureiro-mor, para que lhe
lancem os alicerces e o elevem à altura de sessenta côvados, com a mesma
largura, e três ordens de pedras polidas e uma da madeira que existe naquela
província. Queremos também que lá se erga um altar para se oferecerem
sacrifícios a DEUS e entendemos que todas as despesas sejam feitas por nossa
conta. Restituímos também, por meio de Mitredate e de Zorobabel, os vasos
sagrados que o rei Nabucodonosor retirou do Templo, para que lá sejam
recolocados. Seu número é de cinqüenta bacias de ouro e quatrocentas de
prata; cinqüenta vasos de ouro e quatrocentos de prata; cinqüenta baldes de
ouro e quinhentos de prata; trinta grandes pratos de ouro e trezentos de
prata; trinta grandes taças de ouro e duas mil e quatrocentas de prata; e,
além disso, mil outros grandes vasos. Concedemos ainda aos judeus as mesmas
rendas de que seus predecessores desfrutavam e lhes damos como compensação
animais, vinho e óleo, duzentas e cinco mil e quinhentas medidas de trigo,
que queremos que sejam tomadas nas terras de Samaria. Os sacerdotes
oferecerão a DEUS todas as vítimas em Jerusalém, segundo a lei de Moisés, e
rogarão pela nossa prosperidade, pela de nossos descendentes e pelo império
dos persas. E, se alguns forem tão obstinados que não queiram obedecer às
nossas ordens, queremos que sejam crucificados e que os seus bens sejam
confiscados em nosso proveito". Era o que diziam as cartas de Ciro. O número
de judeus que voltaram a Jerusalém foi de quarenta e dois mil quatrocentos e
sessenta e dois.
Capítulo 2
Os judeus começam a reconstruir Jerusalém e o
Templo. Depois da morte de Ciro, os samaritanos e as outras nações vizinhas
escrevem ao rei
Cambises, seu filho, para que mandasse suspender o trabalho.
437.
Esdras 4. Depois da ordem expedida por Ciro, os judeus lançaram os
alicerces do Templo e trabalharam com ardor para reconstruí-lo. As nações
vizinhas, particularmente os chuteenses, que Salmaneser, rei da Assíria,
fizera vir da Pérsia e da Média para povoar Samaria depois de haver levado
os israelitas, pediram aos governadores e aos que tinham o encargo da
direção dessa obra que ordenassem aos israelitas cessar os trabalhos e
suspender a reconstrução da cidade. Esses indivíduos, subornados por elas,
venderam-lhes a negligência com a qual executaram a sua comissão, mas Ciro
não lhes deu atenção porque estava ocupado com a guerra contra os massagetas,
na qual veio a morrer.
Cambises
(Ou Artaxerxes),
seu filho, sucedeu-o, e logo que subiu ao trono os sírios, os fenícios, os amonitas, os moabitas e os samaritanos escreveram-lhe esta carta:
"Majestade, Reum, vosso chanceler, Sinsai, vosso secretário, e todos os
outros oficiais da Síria e da Fenícia, vossos servidores. Nós nos julgamos
obrigados a vos advertir de que os judeus, que haviam sido transferidos para
a Babilônia, retornaram a este país. Eles reconstroem a sua cidade, que foi
destruída por causa de sua revolta. Eles ergueram novamente as suas
muralhas, estabeleceram os seus mercados, e também reconstroem o Templo. Se
isso lhes for mesmo permitido, majestade, e eles continuarem os trabalhos,
logo que os terminarem certamente hão de se recusar a pagar o tributo a
vossa majestade e a fazer o que vossa majestade lhes determinar, porque
estão sempre prontos a opor-se aos reis, pela sua inclinação a querer mandar
e nunca obedecer. Por isso, vendo com que entusiasmo eles trabalham na
reconstrução do Templo, julgamos nosso dever avisar vossa majestade que, se
vos aprouver ler os registros dos reis vossos predecessores, vereis que os
judeus são naturalmente inimigos dos soberanos e que por esse motivo a sua
cidade foi destruída. A isso podemos acrescentar que, se vossa majestade
permitir que eles a reconstruam e a cerquem de novo com muralhas, eles vos
fecharão a passagem da Fenícia e da Baixa Síria".
Capítulo 3
Cambises, rei dos persas, proíbe aos judeus
continuar a reconstruir o Templo e Jerusalém. Ele morre no seu regresso do
Egito. Os magos governam o reino durante um ano. Dario é constituído rei.
438. Essa
carta deixou Cambises muito irritado. E, sendo naturalmente mau, respondeu:
"O rei Cambises, a Reum, nosso chanceler, a Sinsai, nosso secretário, a
Belcem e aos outros habitantes de Samaria e da Fenícia, saudação. Depois de
receber a vossa carta, mandamos consultar o registro dos reis nossos
predecessores e lá encontramos que a cidade de Jerusalém foi sempre, desde
todos os tempos, inimiga dos reis, que os seus habitantes são sediciosos,
sempre prontos a se revoltar, e que ela foi governada por príncipes
poderosos e muito empreendedores, os quais exigiram à força grandes tributos
da Síria e da Fenícia. Para impedir que o atrevimento desse povo possa
levá-lo a novas rebeliões, proibimos que eles continuem a reconstruir a
cidade".
Mal
receberam essa carta, Reum, Sinsai e os outros rumaram para Jerusalém com um
grande séquito e proibiram aos judeus reconstruir a cidade e o Templo.
Assim, o trabalho ficou interrompido durante nove anos, até o segundo ano do
reinado de Dario, rei da Pérsia. Cambises reinou apenas dois anos e morreu
em Damasco, no seu regresso do Egito, que ele havia subjugado. Os magos,
depois de sua morte, governaram o reino durante um ano, com poder absoluto.
Mas os chefes das sete principais famílias da Pérsia os depuseram e de comum
acordo constituíram Dario, filho de Histaspe, rei.
Capítulo 4
Dario, rei da Pérsia, propõe a Zorobabel,
príncipe dos judeus, e a dois outros, questões para serem resolvidas. Zorobabel resolve-as e recebe como recompensa: a restauração de Jerusalém e
do Templo.
Um grande número de judeus volta em seguida
para Jerusalém sob o comando de Zorobabel e trabalha nessa obra. Os
samaritanos e outros povos pedem a Dario que a impeça. Mas esse príncipe faz
justamente o contrário.
439.
Esdras 5 e 6. Dario era ainda um simples cidadão, mas fizera a DEUS um
voto: se um dia subisse ao trono, restituiria ao Templo em Jerusalém tudo o
que estava ainda na Babilônia dos vasos sagrados. Quando ele foi proclamado
rei, aconteceu que Zorobabel, príncipe dos judeus, que era seu velho amigo,
estava próximo dele. E assim, confiou a ele e a dois outros dos principais a
direção de sua casa e de tudo o que mais de perto se referia à sua pessoa.
O grande
rei, no primeiro ano de seu reinado, ofereceu um suntuoso banquete aos seus
principais auxiliares, aos maiorais dos medos e dos persas e aos
governadores das cento e vinte e sete províncias sobre as quais estendia o
seu domínio, que ia desde as índias até a Etiópia. Terminado o banquete,
todos se retiraram, e Dario dormiu um pouco, mas logo acordou.
OBS.:Veja no livro algumas
explicações para a admiração do rei à pessoa de Zorobabel.
O rei
então ordenou que se escrevesse aos governadores de suas províncias, para
que o ajudassem a reconstruir o Templo, bem como aos que o acompanhassem na
viagem a Jerusalém. Deu também aos magistrados da Síria e da Fenícia ordem
para que mandassem cortar cedros sobre o monte Líbano e os fizessem levar a
Jerusalém e para que ajudassem os que iam reconstruir a cidade.
Essas
mesmas cartas diziam que o rei desejava que todos os judeus que fossem a
Jerusalém de volta do cativeiro fossem libertados, proibiam a todos os seus
oficiais fazer-lhes imposições ou obrigá-los a pagar tributo e ordenavam que
lhes fosse permitido cultivar todas as terras aproveitáveis. O rei ordenava
aos idumeus, aos samaritanos e aos da Baixa Síria que lhes entregassem tudo
o que os seus pais haviam possuído e contribuíssem com cinqüenta talentos
para a construção do Templo. Permitia também aos judeus oferecer a DEUS os
mesmos sacrifícios e observar as mesmas cerimônias que seus antepassados.
Podiam ainda tomar do fundo dos bens reais o que fosse necessário para as
vestes dos sumos sacerdotees e dos outros sacerdotes e para os instrumentos
de música com os quais os levitas cantavam louvores a DEUS, e a cada ano se
daria aos guardas do Templo e da cidade terras e o dinheiro necessário à sua
manutenção. Por fim, Dario confirmou tudo o que Ciro havia determinado,
tanto para a restauração da nação judaica quanto para a restituição dos
vasos sagrados.
440.
Depois que Zorobabel obteve do soberano tudo o que podia desejar, a primeira
coisa que fez ao sair do palácio foi elevar os olhos ao céu e agradecer a
DEUS o favor que Ele lhe fizera, ou seja, torná-lo perante o príncipe o mais
hábil e inteligente de todos. Confessou que devia toda a sua felicidade ao
auxílio dEle e pediu que Ele continuasse a ajudá-lo. Quando chegou à
Babilônia e deu essa grata notícia aos de sua nação, eles também deram
graças a DEUS por Ele haver permitido que se restabelecessem em sua pátria e
passaram sete dias inteiros em festas de regozijo. As famílias escolheram em
seguida pessoas de sua tribo para que fossem levadas a Jerusalém e
procuraram cavalos e outros animais para carregar as suas mulheres e filhos.
Assim uma grande multidão de todas as idades e ambos os sexos, guiadas por
aqueles que Dario havia posto à frente, fez toda a caminhada com incrível
alegria, ao som de flautas e de timbales.
O temor
de aborrecer o leitor e de interromper o fio de minha narração não me
deixará mencionar nomes em particular. Contentar-me-ei em dizer o seu
número. Havia nas tribos de Judá e de Benjamim, da idade de doze anos para
cima, quatro milhões seiscentas e vinte e oito mil pessoas. A multidão era
seguida por quatro mil e setenta levitas e quarenta mil setecentos e
quarenta e duas mulheres e crianças. Da estirpe dos levitas, havia cento e
vinte e oito cantores, cento e dez porteiros e trezentos e vinte e dois que
serviam no Santuário. Seiscentos e cinqüenta e dois se diziam israelitas,
rrias, sem poder prová-lo, não foram reconhecidos como tais. Quinhentos e
vinte e cinco haviam desposado mulheres que eles diziam ser da descendência
dos sacerdotes e dos levitas, mas os seus nomes não constavam das
genealogias. Sete mil trezentos e trinta e sete escravos caminhavam atrás
deles, bem como duzentos e quarenta cantores e cantoras. Havia ainda
quatrocentos e trinta e cinco camelos e quinhentos e vinte e cinco cavalos
ou outros animais de carga no transporte das bagagens.
Zorobabel, de que falamos há pouco, era filho de Sealtiel, da tribo de Judá
e da estirpe de Davi. Ele chefiava essa grande multidão, auxiliado por
Jesua, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, Mardoqueu e Cerebeu, escolhidos
pelas outras duas tribos. Os dois últimos contribuíram, das próprias
economias, com cem peças de ouro e cinco mil de prata para as despesas dessa
viagem. Os sacerdotes, os levitas e uma parte do povo judeu que estava na
Babilônia voltaram para morar novamente em Jerusalém, e os que lá ficaram os
acompanharam durante uma parte do caminho e depois retornaram.
441. Sete
meses depois, Jesua, sumo sacerdote, e o príncipe Zorobabel enviaram a toda
parte convites aos de sua nação, para que se dirigissem a Jerusalém. Eles
foram com grande alegria e, depois de construírem um altar no mesmo local
onde estivera o primeiro, ofereceram sacrifícios a DEUS segundo o que Moisés
havia determinado. As nações vizinhas viram isso com grande desprazer, por
causa do ódio que lhe votavam. Os judeus celebraram também nesse mesmo
tempo a festa dos Tabernáculos, segundo fora instituída anteriormente:
fizeram as oblações e os sacrifícios que se deviam fazer todos os dias, como
também os dos sábados, das festas sagradas e das solenidades ordinárias. Os
que haviam feito votos cumpriram-nos, oferecendo sacrifícios depois da lua
nova do sétimo mês.
Começaram
depois a trabalhar na construção do Templo, sem lastimar a despesa
necessária para o pagamento e a alimentação dos operários. Os sidônios
enviaram, com bastante agrado, grandes vigas de cedro, que haviam cortado
nas florestas do monte Líbano e ligado umas às outras, fazendo-as flutuar
nas águas do mar até o porto de Jope, como Ciro e Dario haviam determinado.
Depois de
no segundo mês do segundo ano lançarem os alicerces do Templo, começaram,
no dia primeiro de dezembro, a construir a parte superior. Todos os levitas
com vinte anos ou mais, e Jesua, com os seus três filhos e seus irmãos, e
Cadmiel, irmão de Judá, filho de Aminadabe, com os seus filhos, que haviam
sido encarregados da direção dessa obra, nela trabalharam com tanto empenho
e solicitude que a concluíram muito antes do esperado. Então os sacerdotes,
revestidos de seus vestes sacerdotais, marcharam ao som de trombetas,
enquanto os levitas e os descendentes de Asafe cantavam em louvor a DEUS
hinos e salmos compostos pelo rei Davi. Os mais antigos do povo, que haviam
contemplado a magnificência e a riqueza do primeiro templo, considerando o
quanto esse estava longe de igualá-lo e julgando assim a grande diferença
entre a sua prosperidade no passado e a presente, sentiram tão profunda dor
que não puderam reter as lágrimas e soluços. O povo em geral, porém, ao qual
somente o presente podia impressionar, não fazia tal comparação. Estava tão
contente que as queixas de uns e os gritos de júbilo de outros impediam que
se ouvisse o som das trombetas.
442. Essa
notícia chegou até Samaria, e os habitantes dessa cidade vieram indagar o
que se passava. Ao saber que os judeus, regressando do cativeiro da
Babilônia, haviam reconstruído o Templo, rogaram a Zorobabel, a Jesua, sumo
sacerdote, e aos principais das tribos que lhes permitissem contribuir para
aquelas despesas, dizendo que adoravam o mesmo DEUS e que não tinham outra
religião desde que Salmaneser, rei da Assíria, os trouxera da Chutéia e da
Média para morar em Samaria. Todos de comum acordo responderam que não
podiam fazer o que desejavam, porque Ciro e Dario haviam permitido que só
eles, os judeus, reconstruíssem o Templo, mas que isso não impediria que
eles e todos os de sua nação viessem adorar a DEUS, o que podiam fazer com
toda a liberdade.
Os
chuteenses (pois é assim que chamamos os samaritanos) ficaram tão ofendidos
com essa resposta que persuadiram os sírios e seus governados a empregar,
para impedir a construção do Templo, os mesmos meios de que se haviam
servido outrora, nos tempos de Ciro e de Cambises, acrescentando que não
havia um momento a perder, por causa da pressa com que os judeus
trabalhavam naquela obra. Naquele mesmo tempo, Sisina, governador da Síria e
da Fenícia, acompanhado por Sarabazam e por alguns outros, veio a Jerusalém
e perguntou aos principais dos judeus quem lhes permitira reconstruir o
Templo, fazendo-o tão robustecido que mais parecia uma fortaleza, e também
cercar toda a cidade com muralhas tão espessas.
Zorobabel
e o sumo sacerdote responderam que eram servidores do DEUS Todo-poderoso;
que o Templo fora outrora construído em sua honra por um de seus reis, que
era um dos mais bem-aventurados príncipes do mundo, ao qual nenhum outro
jamais se igualara em sabedoria e em inteligência; que aquele soberbo
edifício fora conservado intacto durante vários séculos; que seus
antepassados, tendo desgostado a DEUS com os seus pecados, haviam permitido
que Nabucodonosor, rei de Babilônia e da Caldéia, tomasse a cidade e a
destruísse e incendiasse, bem como ao Templo, depois de retirar dele tudo o
que existia de mais precioso, e levasse o povo escravo para a Babilônia; que
Ciro, depois rei da Pérsia e da Babilônia, ordenara expressamente, por
cartas escritas a esse respeito, que se reconstruísse o Templo e que depois
de terminado se levassem para lá os vasos sagrados que haviam sido dele
retirados e que os confiara a Zorobabel e a Mitredate, seu tesoureiro-mor;
que antes, para apressar a construção do Templo, havia mandado Abazar a
Jerusalém, o qual então já lhe lançara os alicerces; que desde então
somente as nações inimigas haviam feito esforços para impedir os trabalhos;
e que, como prova daquela afirmação, ele precisava apenas escrever ao rei,
para que este lhe mostrasse nos registros dos reis precedentes se tudo não
se havia passado como estavam dizendo.
Sisina e
os que o acompanhavam ficaram satisfeitos com essas razões e não impediram a
continuação dos trabalhos, mas indagaram antes da vontade do rei e para isso
lhe escreveram. No entanto os judeus temiam que esse príncipe se
arrependesse da permissão concedida, porém os profetas Ageu e Zacarias
disseram-lhes que nada temessem, nem de Dario nem dos persas, porque estavam
informados da vontade de DEUS sobre aquele assunto. Assim,
tranqüilizaram-se e continuaram a trabalhar com o mesmo ardor. Os
samaritanos, ou chuteenses, não deixaram, por sua vez, de escrever ao rei
Dario, contando que os judeus fortificavam a sua cidade e construíam um
templo que mais parecia uma fortaleza que um lugar destinado ao culto a
DEUS. E, para testemunhar ao rei o quanto aquilo lhe seria prejudicial,
mandaram-lhe as cartas do rei Cambises pelas quais ele havia proibido a
continuação daquelas obras, pois não as julgava proveitosas para o seu
serviço.
Quando
Dario recebeu essas cartas e as de Sisina, mandou procurar os registros dos
reis. Encontraram um deles no castelo de Ecbátana, na Média, onde estava
escrito assim: "O rei Ciro ordenou no primeiro ano de seu reinado que se
construísse em Jerusalém um templo de sessenta côvados de altura e outros
tantos de largura, com três ordens de pedras polidas e uma da madeira que
se encontra naquele país; que se edificasse um altar naquele templo; que
tudo seria feito às suas expensas; que os vasos sagrados retirados por
Nabucodonosor seriam levados para lá; e que Abazar, governador da Síria e da
Fenícia, e os oficiais da província tomariam o cuidado de mandar prosseguir
a obra sem no entanto ir a Jerusalém, porque os judeus, que eram servidores
de DEUS, e seus príncipes deveriam assumir a direção. Seria suficiente
ajudá-los com o dinheiro que se obteria dos tributos das províncias e
dar-lhes para os seus sacrifícios touros, carneiros, cordeiros, cabritos,
farinha, óleo, vinho e todas as outras coisas que os sacerdotes lhes
pedissem, a fim de que rogassem pela prosperidade dos reis e pelo império
dos persas. E, se alguém se atrevesse a desobedecer a essa ordem, que fosse
crucificado e tivesse todos os seus bens confiscados. A isso acrescentou
uma imprecação que atingiu a todos os que quisessem impedir a construção do
Templo. Ele rogava a DEUS que fizesse desencadear sobre eles a sua justa
vingança, para castigá-los por tal impiedade".
Dario,
tendo visto os registros de Ciro, escreveu a Sisina e aos seus outros
oficiais o que segue: "O rei Dario a Sisina, lugar-tenente-general de nossa
cavalaria, a Sarabazam e aos outros governadores, saudação. Mandamo-vos a
cópia das ordens do rei Ciro que encontramos nos seus registros e queremos
que o que elas contêm seja rigorosamente executado. Adeus!"
Sisina e os
outros aos quais era endereçada essa carta, tendo conhecido a intenção do
rei, nada esqueceram, no que dependia deles, para executá-la e ajudaram os
judeus com todas as suas forças para que pudessem continuar as obras do
Templo.
Com esse
auxílio, as obras progrediram e, pelo entusiasmo que as profecias de Ageu e
de Zacarias continuavam a dar ao povo, o Templo foi terminado ao fim de sete
anos, no nono ano do reinado de Dario e no vigésimo terceiro dia do décimo
primeiro mês a que chamamos adar, e os macedônios, distro, os sacerdotes,
os levitas e o resto do povo deram graças a DEUS por lhes permitir
recuperar a antiga felicidade depois de tão longo cativeiro e por lhes dar
o novo Templo. Ofereceram-lhe em sacrifício cem touros, duzentos carneiros,
quatrocentos cordeiros e doze bodes pelos pecados das doze tribos. Os
levitas escolheram entre eles alguns porteiros, para distribuí-los por todas
as portas do Templo, segundo ordenava a lei de Moisés.
A festa
dos Pães Ázimos aproximava-se e devia ser celebrada no primeiro mês, a que
os macedônios denominam xântico, e nós, nisã. O povo das aldeias e das
cidades veio a Jerusalém com as suas mulheres e filhos e, depois de se
haverem purificado, ofereceram o cordeiro pascal no décimo quarto dia da lua
do mesmo mês, segundo o costume de nossos antepassados. Passaram sete dias
em banquetes de regozijo, sem deixar de oferecer a DEUS os holocaustos e de
agradecer-lhe por haver tocado o coração do rei, que lhes permitira
regressar ao seu país.
Estabeleceram em seguida uma nova forma de governo aristocrático, no qual os
sumos sacerdotes tiveram sempre autoridade soberana, até que os hasmoneus
chegaram à realeza e assim os judeus tornaram a entrar no governo
monárquico, sob o qual tinham vivido durante quinhentos e trinta e dois
anos, seis meses e dez dias, desde Saul e Davi até o cativeiro. Antes também
haviam sido governados durante mais de quinhentos anos, desde Moisés e
Josué, por aqueles aos quais davam o nome de juizes.
No
entanto os samaritanos, que além do ódio e da inveja que tinham de nossa
nação, não podiam tolerar a obrigação de contribuir com as coisas
necessárias para os nossos sacrifícios e além disso se vangloriavam de ser
do mesmo país que os persas, não deixavam do mesmo modo de nos fazer todo o
mal que podiam. E os governadores da Síria e da Fenícia não perdiam ocasião
alguma de secundá-los em seus desígnios. O senado e o povo de Jerusalém,
vendo-os tão animados contra si, resolveram enviar Zorobabel e quatro
outros dos mais ilustres a Dario para se queixar dos samaritanos.
Logo que
esse príncipe escutou os deputados, mandou que lhes dessem cartas
endereçadas aos principais oficiais de Samaria, cujas palavras são estas: "O
rei Dario a Tangar e Sembabe, que comandam a cavalaria em Samaria, e a
Sadrague, Bobelom e outros, que estão encarregados dos nossos negócios nesse
país, saudação. Zorobabel, Ananias e Mardoqueu, deputados pelos judeus junto
de nós, queixaram-se das dificuldades que lhes moveis na construção do
Templo e de que recusais contribuir para os sacrifícios com aquilo que
ordenamos. Escrevemo-vos esta carta a fim de que logo que a tenhais recebido
não deixeis de cumprir as vossas obrigações e de tomar para esse fim, no
nosso tesouro proveniente dos tributos da Samaria, tudo o que os sacerdotes
de Jerusalém tiverem necessidade, porque a nossa intenção é que não se deixe
de oferecer sacrifícios a DEUS pela nossa prosperidade e pela do império dos
persas".
Capítulo 5
Xerxes sucede a Dario, seu pai, no reino da
Pérsia. Permite que Esdras, sacerdote, retorne com grande número de judeus a
Jerusalém e concede tudo o que ele deseja. Esdras obriga os que haviam
desposado mulheres estrangeiras a restituí-las. Antes de sua morte. Neemias obtém de
Xerxes licença para reconstruir os muros de Jerusalém e termina essa grande
obra.
443.
Esdras 7. Xerxes sucedeu a seu pai, Dario, e não foi menos herdeiro de
sua piedade para com DEUS que seu antecessor no trono. Nada mudou a respeito do
que fora determinado com relação ao culto a DEUS, e Xerxes teve sempre uma
grande afeição pelos judeus. Joaquim, filho de jesua, era sumo sacerdote
durante o seu reinado, e Esdras era o primeiro e o mais considerável dentre
todos os sacerdotes que haviam ficado na Babilônia. Era um homem de bem e
muito instruído nas leis de Moisés. Desfrutava grande fama no meio do povo e
era muito amado pelo rei.
Assim,
quando resolveu voltar a Jerusalém e levar consigo alguns judeus que estavam
morando na Babilônia, ele obteve desse príncipe algumas cartas de
recomendação endereçadas aos governadores da Síria, nestes termos: "Xerxes,
rei dos reis, a Esdras, sacerdote e leitor da lei de DEUS, saudação,
julgando que é de nossa bondade permitir a todos os judeus, quer sacerdotes,
quer levitas, bem como a outros que desejarem voltar a Jerusalém para lá
servir a DEUS, nós, com o conselho de nossos sete auxiliares, concedemos
essa graça e vos encarregamos de apresentar ao vosso DEUS o que nós e nossos
amigos fizemos voto de lhe oferecer. Damo-vos o poder de levar todo o ouro e
toda a prata que os vossos conterrâneos ainda espalhados pelo reino da
Babilônia quiserem ofertar a DEUS, a fim de que seja empregado na aquisição
de vítimas a serem oferecidas sobre o altar, na confecção de vasos de ouro e
de prata para o seu serviço e no que mais vós e vossos irmãos desejarem.
Devereis oferecer também ao vosso DEUS os vasos sagrados que vos
entregaremos. Damo-vos o poder de fazer, além disso, tudo o que julgardes
conveniente e entendemos que o fundo necessário deva ser tirado de nosso
tesouro. Para isso, estamos escrevendo ao nosso tesoureiro-mor da Síria e da
Fenícia que vos entregue sem demora tudo o que lhe pedirdes. E, para que
DEUS seja favorável a nós e à nossa posteridade, queremos que lhe sejam
oferecidas, por nós, cem medidas de trigo, de conformidade com a Lei.
Proibimos a todos os nossos oficiais exigir algo dos sacerdotes, dos
levitas, dos cantores, dos porteiros e dos outros que servem no Templo de
DEUS ou impor-Ihes tributos e obrigações. Quanto a vós, Esdras, usareis da
prudência e da sabedoria que DEUS vos concedeu para estabelecer na Síria e
na Fenícia juizes que administrem a justiça, e que os já instruídos nas
vossas leis ensinem aos que ainda as ignoram e castiguem com multas ou mesmo
com a morte os que não temerem violar os vossos mandamentos e os nossos".
Esdras,
ao receber essa carta, adorou a DEUS e deu-lhe imensas graças, pois só podia
atribuir ao seu auxílio demonstrações de bondade tão extraordinárias da
parte do rei. Reuniu em seguida todos os judeus que estavam na Babilônia,
leu-lhes as cartas e, conservando o original, enviou cópias aos judeus que
estavam na Média. Pode-se imaginar a alegria que eles sentiram por saber da
piedade do rei para com DEUS e de seu afeto por Esdras. Muitos decidiram
dirigir-se imediatamente à Babilônia com o que possuíam de bens a fim de
irem com Esdras a Jerusalém. Mas o resto dos israelitas não quis abandonar
esse país. Assim, somente as tribos de Judá e de Benjamim voltaram a
Jerusalém, e estão ainda hoje sujeitas, numa parte da Ásia e da Europa, ao
domínio dos romanos. As outras dez tribos permaneceram além do Eufrates, e é
incrível o quanto se multiplicaram.
Dentre os
que se dirigiram em grande número a Esdras, havia muitos sacerdotes,
levitas, porteiros, cantores e outros consagrados ao serviço de DEUS. Ele os
reuniu ao longo do Eufrates e, depois de jejuarem durante três dias e orarem
a DEUS pedindo proteção na viagem, puseram-se a caminho no décimo segundo
dia do primeiro mês do sétimo ano do reinado de Xerxes, sem que Esdras
quisesse receber a escolta da cavalaria, oferecida pelo príncipe,
declarando que confiava no auxílio de DEUS, que cuidava dele e de seu povo.
Chegaram
no quinto mês do mesmo ano a Jerusalém. Esdras entregou logo aos que tinham
a guarda dos tesouros do Templo e que eram da descendência dos sacerdotes o
depósito sagrado que o rei, os amigos dele e os judeus que moravam na
Babilônia lhe haviam confiado e que consistia de seiscentos e cinqüenta
talentos de prata, vasos de prata no valor de cem talentos, vasos de ouro no
valor de vinte talentos e vasos de cobre, mais preciosos que o ouro, no peso
de doze talentos.
Em
seguida, Esdras ofereceu a DEUS em holocausto, como a Lei ordenava, doze
touros para a salvação do povo e, pelos pecados, setenta e dois carneiros e
cordeiros e doze bodes. Na Síria e na Fenícia, entregou aos governadores e
oficiais do rei a carta que o soberano lhes escrevera. E, como não podiam
deixar de obedecer, prestaram grandes honras à nação judaica e nos ajudaram
em nossas necessidades. Deve-se a Esdras a honra dessa transmigração. E ele
não somente a idealizou, como também não tenho dúvidas de que a sua virtude
e a sua piedade foram a causa do feliz êxito que DEUS lhe quis outorgar.
444.
Pouco tempo depois, ele soube que alguns sacerdotes e levitas, não querendo
se sujeitar à disciplina, haviam, por um insolente desprezo às leis de seus
maiores, desposado mulheres estrangeiras e manchado a pureza da ordem
sacerdotal. Os que lhe deram esse aviso rogaram-lhe que se armasse do zelo
da religião para impedir que o crime de alguns atraísse a cólera divina
sobre todo o povo e os precipitasse de novo na desgraça da qual acabavam de
sair. Como eram de qualidade as pessoas culpadas desse pecado, esse santo
homem, considerando que uma ordem para despedir as mulheres e os filhos não
seria obedecida por eles, foi tomado de tão viva dor que rasgou as próprias
vestes, arrancou a barba e os cabelos e lançou-se por terra banhado em
lágrimas. Os outros homens de bem reuniram-se a ele e juntaram as suas
lágrimas às dele.
Nessa
amargura de coração, ele elevou os olhos e as mãos ao céu e disse: "Tenho
vergonha, meu DEUS, de ousar levantar os meus olhos ao céu, quando penso que
este povo recai sempre mais no pecado e perde logo a lembrança dos castigos
com que punistes a impiedade de seus maiores. Todavia, Senhor, como a vossa
misericórdia é infinita, tende, por favor, piedade destes que restaram do
antigo cativeiro que suportamos e que quisestes reconduzir à antiga pátria.
Perdoai-lhes, Senhor, mais esse crime e, embora eles mereçam a morte, não
vos canseis de lhes demonstrar a vossa bondade, conservando-lhes a vida".
Esdras
10.
Enquanto assim falava e todos os presentes, homens e mulheres, choravam com
ele, Secanias, que era o primeiro cidadão de Jerusalém, aproximou-se e
disse que, não se podendo duvidar de que os que tomaram esposas estrangeiras
haviam cometido um grande pecado, era preciso convencê-los a restituí-las,
bem como aos filhos que delas haviam gerado, e castigar os que recusassem
obedecer à lei de DEUS. Esdras aprovou essa proposta e fez jejuar os
principais sacerdotes, os levitas e o povo, o qual os ajudaria a obrigá-los
a isso. Depois que saiu do Templo, foi para a casa de Joanã, filho de Eliasibe, e passou ali o resto do dia sem comer nem beber, tão abatido
estava pela dor. Mandou em seguida publicar por toda parte que todos os que
haviam voltado da escravidão deveriam vir dentro de dois ou três meses a
Jerusalém, sob pena de serem excomungados e de terem os seus bens
confiscados em favor do tesouro do Templo, segundo o juízo que seria
pronunciado pelos anciãos.
No
terceiro dia, que era o vigésimo do nono mês, que os hebreus chamam tebete,
e os macedônios, apeléia, os da tribo de Judá e de Benjamim dirigiram-se à
parte superior do Templo, e os principais assentaram-se. Esdras levantou-se
e disse-lhes que os que haviam desposado mulheres estrangeiras, contra a
proibição da Lei, tinham cometido um grande pecado e que DEUS só tornaria a
ser-lhes favorável se as mandassem embora. Todos responderam em voz alta
que o fariam de boa vontade, mas o número delas era tão grande e a estação
tão contrária, pois era inverno, de frio intenso, que aquilo não podia ser
feito imediatamente. Assim, seria necessário um pouco de paciência. Enquanto
isso, os principais dentre o povo que estivessem isentos desse pecado,
ajudados pelos anciãos, informar-se-iam com exatidão a respeito dos que
haviam transgredido a determinação da Lei.
A
proposta foi aprovada, e no primeiro dia do décimo mês começou-se a
indagação dos que haviam contraído matrimônio ilícito. A investigação durou
até quase o primeiro dia do mês seguinte, e vários parentes de Jesua, sumo
sacerdote, dos outros sacerdotes, dos levitas e de outros dentre o povo
devolveram imediatamente as suas mulheres, preferindo assim a observância
da Lei à paixão que sentiam por elas, por maior que fosse. Depois ofereceram
a DEUS carneiros em sacrifício, para aplacar-lhe a cólera. Eu poderia citar
nomes, mas não julgo necessário. Dessa forma, Esdras remediou o erro
cometido por esses matrimônios profanos e aboliu esse mau costume, no qual
ninguém mais caiu.
No sétimo
mês, que era o tempo de se comemorar a festa dos Tabernáculos, quase todo o
povo reuniu-se próximo da porta do Templo, a qual está do lado do oriente, e
rogou a Esdras que lhes desse a lei de Moisés. Ele consentiu, e essa leitura
durou desde a manhã até a tarde. Eles se foram tão comovidos que derramavam
lágrimas, porque aquelas santas leis não somente lhes mostraram o que eles
deviam fazer no tempo presente e no futuro, como também revelaram que, se as
tivessem observado no passado, não teriam caído em tantas desgraças. Esdras,
vendo-os naquela aflição, disse-lhes que se retirassem para as suas casas e
enxugassem as lágrimas, pois não deviam chorar no dia de uma festa tão
solene, e sim alegrar-se e regozijar-se e aproveitar o arrependimento que
demonstravam pelas suas faltas passadas para não cometer outras semelhantes
no futuro. Essas palavras consolaram-nos, e eles celebraram alegremente
durante oito dias essa grande festa, gratos a Esdras pela reforma de seus
costumes, e voltaram cantando hinos de louvor a DEUS. Um feito tão
importante, somado às outras obrigações de que a nação lhe era devedora,
conquistou-lhe tanta glória que quando ele terminou os seus dias, em
venturosa velhice, enterraram-no em Jerusalém com grande magnificência.
Joaquim, sumo sacerdote, morreu também nesse mesmo tempo, e Eliaquim, seu
filho, substituiu-o.
445.
Neemias 1. Depois da morte de Esdras, um judeu dentre os
escravos, de nome Neemias, que era mordomo do rei Xerxes, passeando um dia
fora da cidade de Susã, capital da Pérsia, viu uns estrangeiros que vinham
de províncias distantes e percebeu que eles falavam a língua hebraica.
Aproximou-se deles para perguntar de onde vinham e soube que eram da Judéia.
Perguntou-lhes como ia aquele país, particularmente Jerusalém.
Responderam-lhe que tudo estava em muito mau estado, que as muralhas da
cidade estavam em ruínas e que não havia males que os povos vizinhos não
lhes causassem, pois devastavam continuamente os campos, levavam
prisioneiros os habitantes da cidade, e freqüentemente encontravam-se
cadáveres pelas estradas.
Neemias
ficou tão desconsolado pela aflição do povo de seu país que não pôde reter
as lágrimas. E, elevando os olhos ao céu, disse a DEUS: "Até quando, Senhor,
permitireis que a vossa nação seja perseguida e torturada por tantos males?
Até quando permitireis que ela seja presa de vossos inimigos?" O sofrimento
fez-lhe esquecer até o momento em que se encontrava, pois vieram dizer-lhe
que o rei estava prestes a se pôr à mesa, e ele correu para servi-lo.
Neemias 2.
O
príncipe, que estava de bom humor, tendo notado ao sair da mesa que Neemias
estava muito triste, perguntou-lhe o motivo. Ele respondeu, depois de rogar
a DEUS em seu coração que tornasse as suas palavras bem persuasivas: "Como
poderia, majestade, não estar triste pela aflição de saber a que estado se
acha reduzida a cidade de Jerusalém, minha querida pátria, onde estão os
sepulcros de meus antepassados? Os seus muros estão completamente em
ruínas, e as suas portas, reduzidas a cinzas. Fazei-me, Senhor, o favor de
permitir que eu vá reerguê-las e de fornecer o que falta para completar a
restauração do Templo!"
O
soberano recebeu tão bem esse pedido que não somente concedeu o que ele
desejava, como também prometeu escrever aos seus governadores para que o
tratassem com muita honra e o ajudassem em tudo o que ele desejasse.
Acrescentou o príncipe: "Esquecei então a vossa aflição e continuai a
servir-me, com alegria". Neemias adorou a DEUS e deu ao rei os seus humildes
e sinceros agradecimentos por tão grande favor. O seu rosto tornou-se tão
alegre quanto antes estava triste.
No dia
seguinte, o rei entregou-lhe as cartas endereçadas a Sadé, governador da
Síria, da Fenícia e de Samaria, pelas quais ordenava tudo o que dissemos há
pouco. Neemias partiu com essas cartas para a Babilônia, de onde levou
várias pessoas de sua nação, e chegou a Jerusalém no vigésimo quinto ano do
reinado de Xerxes. Depois de entregar as cartas a Sadé e as que eram
endereçadas aos outros, mandou reunir todo o povo e falou: "Não ignorais o
cuidado que o DEUS Todo-poderoso teve de Abraão, de Isaque e de Jacó, nossos
antepassados, por causa da piedade deles e de seu amor pela justiça. E hoje
ainda Ele nos faz ver que não nos abandonou, pois obtive do rei, por auxílio
dEle, permissão para reedificar as nossas muralhas e ultimar a construção do
Templo. No entanto, como não posso duvidar do ódio que nos têm as nações
vizinhas, as quais, quando virem o entusiasmo com que trabalhamos nestas
obras, tudo farão para nos atrapalhar, creio que temos duas coisas a fazer.
A primeira é pormos toda a nossa confiança no auxílio de DEUS, que pode sem
dificuldade confundir os desígnios de nossos inimigos. A segunda é trabalhar
dia e noite com ardor infatigável, para terminarmos a nossa empresa sem
perda de tempo, pois este nos é favorável e deve ser para nós muito
precioso".
Depois
dessas palavras, Neemias ordenou aos magistrados que mandassem medir o
perímetro das muralhas. Dividiu o trabalho entre o povo, fixou a cada porção
um número de aldeias e de vilas, para também trabalharem com eles, e
prometeu ajudá-los o quanto possível. Todos animaram-se com essas palavras e
puseram mãos à obra. Foi então que se começou a chamar de judeus os que de
nossa nação regressaram da Babilônia e da judéia
ao país,
porque fora outrora propriedade da tribo de Judá.
Neemias 4 e 6.
Quando os
amonitas, os moabitas, os samaritanos e os habitantes da Baixa Síria
souberam que a obra progredia, sentiram grande desgosto, e nada houve que
não fizessem para dificultar o empreendimento: faziam emboscadas aos
nossos, matavam os que lhes caíam nas mãos e, como Neemias era o principal
objeto de seu ódio, deram dinheiro a alguns assassinos, para que o matassem.
Procuraram também assustar os judeus com vãos terrores, fazendo correr o
boato de que um exército formado por diversas nações avançava para
atacá-los. Tantos esforços e artifícios acabaram assustando o povo, e pouco
faltou para que abandonassem o empreendimento.
Nada,
porém, foi capaz de assustar ou desanimar Neemias. Intrépido em meio a
tantas dificuldades, continuou a trabalhar com mais ardor do que nunca e
fez-se acompanhar por alguns soldados, para lhe servirem de guardas, não que
tivesse medo da morte, mas por saber que os seus concidadãos perderiam a
coragem se não o tivessem mais entre eles para animá-los na execução de tão
santa empresa. Ordenou aos operários que, no trabalho, mantivessem a espada
sempre ao lado e perto de si os seus escudos, para deles se servirem em caso
de necessidade. Colocou trombeteiros de quinhentos em quinhentos passos,
para dar o alarme e obrigar o povo a tomar logo as armas se aparecessem os
inimigos. Ele mesmo fazia, durante toda a noite, a ronda pela cidade. Para
fazer o trabalho progredir não bebia, não comia e não dormia, exceto quando
obrigado pela necessidade. Isso ele fez não por pouco tempo, mas de forma
contínua pelo espaço de vinte e sete meses, que foi o quanto empregaram na
restauração das muralhas da cidade. Por fim, a obra foi concluída, no nono
mês do vigésimo oitavo ano do reinado de Xerxes.
Então
Neemias e todo o povo ofereceram sacrifícios a DEUS e passaram oito dias em
festas e banquetes de regozijo, o que causou aos sírios visível desprazer. Neemias, vendo que Jerusalém não estava bastante povoada, induziu os
sacerdotes e os levitas que moravam no campo a vir para a cidade morar nas
casas que ele mandara construir e obrigou os camponeses a lhes trazer os
dízimos (o que eles fizeram com prazer), a fim de que nada os pudesse
impedir de se dedicar inteiramente ao serviço de DEUS. Assim, Jerusalém
povoou-se, e esse grande homem, após realizar ainda outras coisas dignas de
mérito, morreu em idade avançada. Era um homem tão bom, justo e zeloso do
bem de sua pátria, a quem ela é devedora de tantos benefícios, que a sua
memória jamais há de perecer entre os judeus.
Flávio Josefo - História dos
Hebreus - 2004 - CPAD (Adquira
esse livro da CPAD e leia com atenção para ministrar suas aulas).
INTERAÇÃO
Prezado professor, antes de iniciar a aula de
hoje apresente aos alunos o tema geral deste trimestre: "Neemias,
integridade e coragem em tempos de crise". Comente que as treze lições falam
dos principais desafios do mundo contemporâneo para a liderança cristã.
Vivemos em meio a uma sociedade ética e moralmente falida. Por isso, a fim
de influenciar nossa nação, precisamos de uma liderança comprometida com os
valores do Reino de DEUS. O comentarista deste trimestre é o pastor Elinaldo
Renovato de Lima, líder da Assembleia de DEUS em Parnamirim, RN,
comentarista de Lições Bíblicas, professor universitário, bacharel em
Ciências Econômicas e autor de diversas obras editadas pela CPAD. DEUS o
abençoe!
OBJETIVOS -
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Reconhecer que em tempos de crises DEUS dá o
escape.
Compreender a
chamada de Neemias.
Saber que
devemos orar em tempos de crise.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Caro professor, o livro de Neemias narra todo o
processo de reconstrução dos muros de Jerusalém. A serviço de Artaxerxes,
rei da Pérsia, Neemias recebeu um triste diagnóstico social da Cidade Santa
e pôs-se a orar pela intervenção de DEUS em favor de Jerusalém. Como
resposta de sua prece, o capítulo 2 descreve que, através de Artaxerxes,
Neemias foi nomeado governador da cidade e iniciou a restauração moral e
política de Jerusalém. Portanto, antes de iniciar a lição deste domingo,
apresente aos alunos o esboço geral do livro de Neemias (conforme o quadro
abaixo).
RESUMO DA LIÇÃO 1, QUANDO A CRISE MOSTRA A
SUA FACE
I. A CRISE EM JERUSALÉM
1. Antecedentes históricos.
2. DEUS dá o escape.
3. A volta com Zorobabel.
II. O CHAMADO DE NEEMIAS
1. Quem era Neemias.
2. Chamado por DEUS.
3. Orando em tempos de crise.
III. A INTERCESSÃO DE NEEMIAS
1. Ele Adorou a DEUS.
2. Ele intercedeu por seu povo (Ne 1.6).
3. Ele fez confissão de pecados (Ne 1.6b).
SINOPSE DO TÓPICO (1)
Através do rei Ciro, o Senhor proporcionou o
escape ao povo judeu, trazendo Zorobabel a Jerusalém para reconstruí-la.
SINOPSE DO TÓPICO (2)
Neemias foi chamado por DEUS para deixar o
conforto palaciano a fim de reconstruir os muros de Jerusalém.
SINOPSE DO TÓPICO (3)
A intercessão de Neemias caracterizou-se pela
adoração a DEUS, súplicas pelo povo e confissão sincera de pecados.
VOCABULÁRIO
Expedição: Grupo que viaja a uma região para
inspecioná-la.
Mesopotâmia: Região situada entre rios.
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed., RJ: CPAD,
2009.
PACKER, J. I. Neemias - Paixão pela fidelidade.
Sabedoria extraída do livro de Neemias. 1.ed., RJ: CPAD, 2011.
ZUCK, R. B. Teologia do Antigo Testamento.
1.ed., RJ: CPAD, 2009.
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I - Subsídio Teológico
"Independente da visão da autoria de Esdras e
Neemias e a sua relação com Crônicas, o ponto de vista teológico da coleção
[Livros de Esdras, Neemias e 2 Crônicas] é essencialmente o mesmo. A
mensagem é endereçada à comunidade pós-exílica dos judeus que desejam saber
se há esperança de restauração política e religiosa. O tema central é que há
realmente esperança, mas essa esperança tem de estar concretizada na
reconstrução do Templo, do culto e do sacerdócio. Só quando os judeus
remanescentes se tornassem a nação teocrática, fundamentada e fiel ao
concerto que o Senhor fez com os seus pais, é que poderiam reavivar a casa
davídica e esperar o reinício do seu papel de mediação entre as nações da
terra. Esdras e Neemias são incumbidos de esclarecer (1) a Pessoa e obras de
DEUS, (2) a identidade e função de Israel como povo do concerto e (3) a
natureza do concerto nos tempos pós-exílicos" (ZUCK, R. B. (Ed.) Teologia do
Antigo Testamento. 1.ed., RJ: CPAD, 2009, p.210).
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II - Subsídio Devocional
"Nem todo o mundo tem o nome de Neemias em sua
lista de personagens bíblicos favoritos. Imagino que isso se deva a, pelo
menos, duas razões: Para começar, a maioria dos cristãos conhece bem pouco
sobre ele. Suas leituras do Antigo Testamento são incompletas, e o livro de
Neemias não é mencionado no Novo Testamento, inferem que não seja importante
e não se interessam por ele. Se lhes fosse dito como é forte o caso que o
liga a Moisés refundador da nação, para cuja criação DEUS usou Moisés,
ficariam surpresos. Além disso, aqueles que conhecem algo a seu respeito
formaram uma imagem desagradável dele, que os impede de levá-lo a sério como
homem de DEUS. Veem-no como uma pessoa um tanto selvagem, que lançava a
própria carga sobre os outros e nunca foi uma companhia agradável, em
circunstância alguma. Notam as imprecações em suas orações: 'Caia o seu
opróbrio sobre a sua cabeça, e faze com que sejam um despojo, numa terra de
cativeiro. E não cubras a sua iniqüidade, e não se risque diante de ti o seu
pecado' (Ne 4.4,5; compare com 6.14 e 13.29, onde 'lembrar' significa
'lembrar para julgamento'). Observam que, ao menos em uma ocasião, ele
amaldiçoou e espancou seus compatriotas, e arrancou-lhes os cabelos (13.25).
E então concluem que, dificilmente, ele era um homem bom; decerto, não um
homem de grande estatura espiritual, de quem se pode aprender lições
preciosas. Qual é o comentário para tal avaliação? Primeiro, havia algumas
arestas realmente ásperas em Neemias; todo líder as possui. Com base nos
quatro temperamentos, ele parece ter sido um homem colérico, rijo, indócil e
franco, que se sentia extremamente feliz despendendo energia em projetos
desafiadores, e que achava mais fácil fazer do que ser. Pessoas desse tipo
são sempre consideradas assustadoras, em particular quando, guiadas por seu
zelo, falam e agem de modo excessivamente enfático - o que acontece com
frequência. Segundo, DEUS prepara Neemias para uma tarefa que um homem menos
franco não seria capaz de executar. E, terceiro, a limpeza que JESUS fez no
Templo e a acusação que lançou aos fariseus foram mais rudes que qualquer
coisa feita por Neemias. Se achamos que a impetuosidade de JESUS era
justificada, podemos admitir a possibilidade de que a de Neemias também
fosse. [...] Todavia, não defendo que Neemias tenha sido impecável. Eu seria
tolo e beiraria à blasfêmia, se o fizesse. JESUS CRISTO é o único homem sem
pecado encontrado na Bíblia. [...] Todo servo de DEUS falha, de um modo ou
de outro, e Neemias não era a exceção à regra. Contudo, a sua força era
maravilhosa. Por isso, espero que ninguém perca o interesse nesse estadista,
simplesmente por havermos concordado que ele não era perfeito" (PACKER, J.
I. Neemias - Paixão pela fidelidade. 1.ed., RJ: CPAD, 2011, pp.35,36).
QUESTIONÁRIO DA
LIÇÃO 1, QUANDO A CRISE MOSTRA
A SUA FACE
RESPONDA CONFORME A REVISTA DA CPAD DO 4º TRIMESTRE DE 2011
Complete os espaços vazios e marque com "V" as respostas corretas e com "F"
as falsas.
TEXTO AUREO
1- Complete:
"E disseram-me: Os restantes, que não foram
levados para o ___________________________, lá na província estão em grande
____________________________ e
desprezo, e o muro de Jerusalém, fendido, e as suas ________________________, queimadas a
fogo" (Ne 1.3).
VERDADE PRATICA
2- Complete:
Somente uma _________________________ guiada e
___________________________ por DEUS pode _______________________________ a crise.
INTRODUÇÃO
3- Quando Neemias e o povo de Israel tiveram
sua fé renovada?
( ) Ao se voltarem à Palavra
de DEUS.
( ) Ao se voltarem às guerras
de DEUS.
( ) Ao se voltarem para a
terra
de DEUS.
I. A CRISE EM JERUSALÉM
4- Por que o reino do Norte,
composto por dez tribos, foi destruído pela Assíria que, para humilhar ainda
mais os filhos de Israel, levou-os cativos à Mesopotâmia? Quando aconteceu
isso?
( )
Por causa de sua deliberada desobediência ao Senhor, isso aconteceu em 386
a.C..
( )
Por causa de sua deliberada desobediência ao Senhor, isso aconteceu em 586
a.C..
( )
Por causa de sua deliberada desobediência ao Senhor, isso aconteceu em 722
a.C..
5- Quando e o que aconteceu ao reino do Sul,
composto por duas tribos, por causa de sua deliberada desobediência ao
Senhor?
( ) Em 386 a.C, Nabucodonosor
veio contra Jerusalém, deitou por
terra o SANTO Templo e derribou os muros da Cidade Santa,
e levou os filhos de Judá cativos a Babilônia, onde
permaneceriam durante setenta anos.
( ) Em 586 a.C, Nabucodonosor
veio contra Jerusalém, deitou por
terra o SANTO Templo e derribou os muros da Cidade Santa,
e levou os filhos de Judá cativos a Babilônia, onde
permaneceriam durante setenta anos.
( ) Em 786 a.C, Nabucodonosor
veio contra Jerusalém, deitou por
terra o SANTO Templo e derribou os muros da Cidade Santa,
e levou os filhos de Judá cativos a Babilônia, onde
permaneceriam durante setenta anos.
6- Quando e atraves de quem DEUS deu escape
aos seus servos, em Jerusalém? Complete:
Com a ascensão do império medo-persa no ano 536
a.C, o rei _____________________________, instigado por DEUS, permite que um
grupo de judeus retorne a Jerusalém, a fim de reconstruir os muros da cidade
e reerguer o SANTO Templo (Dn 8.3; Ed 1.1). O Senhor sempre dá um escape aos
seus servos, quando estes o honram e lhe obedecem à ___________________________. Observemos que
Ciro era um rei _________________________. Isso nos mostra que DEUS, para cumprir o seu
propósito, usa a quem Ele quer e como quer.
7- Qual era a população de Israel durante o
êxodo? O que lhes aconteceu para que diminuissem consideravelmente o número
de sua população?
( ) No Êxodo, a população de Israel era, de acordo com
alguns cálculos, de aproximadamente trinta mil pessoas.
( ) No Êxodo, a população de Israel era, de acordo com
alguns cálculos, de aproximadamente três milhões de pessoas.
( ) Mas esse número
foi decrescendo à proporção que o povo se rebelava contra DEUS.
8- Complete segundo a liderança de Zorobabel:
Sob a proteção de
Ciro, uma primeira leva de ____________________________ judeus, sob a liderança de Zorobabel,
retorna a Jerusalém, para reconstruir a cidade e a Casa de DEUS (2 Cr
36.22,23; Jr 29.10). Zorobabel começou a reconstrução pelo ___________________________
(Ed 3.2,3). Se este acha-se em ruínas, nada prospera no meio do povo de
DEUS. Algum tempo depois, os inimigos levantaram-se e denunciaram a
reconstrução da cidade ao rei medo-persa que, nessa ocasião, era
________________________________. Eles
pediram-lhe que ordenasse a paralisação dos trabalhos. Mas, com a subida de
__Dario__ ao trono, a obra foi retomada e concluída (Ed 6). O SANTO Templo foi
reinaugurado em __________________ a.C (Ed 6.13-22).
II. O CHAMADO DE NEEMIAS
9- Quem era Neemias?
( ) Seu nome significa "DEUS
consola". Ele era filho de Hacalias e o seu irmão chamava-se Hanani.
( ) Na corte persa, exerceu a função de copeiro do rei Artaxerxes I.
( ) Na corte persa, exerceu a função de
auxiliar-mor do rei Artaxerxes I.
10- Como Neemias foi
Chamado por DEUS?
( ) Catorze anos depois da
expedição de Esdras a Jerusalém, em 444 a.C, Neemias recebe urgentes e
preocupantes notícias de Jerusalém.
( ) Quatro anos depois da
expedição de Esdras a Jerusalém, em 444 a.C, Neemias recebe urgentes e
preocupantes notícias de Jerusalém.
( ) Apesar de o SANTO Templo já estar
funcionando conforme as leis levíticas, a cidade encontrava-se ainda
abandonada.
( ) Neemias, sente o chamado de
DEUS para
deixar o conforto palaciano e viajar para Israel, a fim de reconstruir os
muros da Cidade Santa que se achavam fendidos "e as suas portas, queimadas a
fogo".
11- O que podemos deduzir de "Templo sem
muros" e "portas queimadas"?
( ) Templo sem muro significa
casa sem boca e portas queimadas como pessoas que estão perdidas.
( ) Templo sem muros é
igreja sem doutrina.
( ) Portas queimadas representam o liberalismo que,
infelizmente, predomina em muitas igrejas, facilitando a entrada de costumes
mundanos entre os santos.
12- Complete segundo "Assentei-me e
chorei" (Ne 1.4)?
Ao tomar conhecimento da situação de seu povo,
em Jerusalém, ______________________________ sentiu-se incomodado e pôs-se a orar ao Senhor. Sua
oração, regada com abundantes lágrimas e acompanhada de jejum, lamentos,
adoração e confissão, é um exemplo de como um homem de DEUS deve proceder em
momentos de ___________________________ (Ne 1.5-10). Ele fez o que o Senhor ordenou em 2 Crônicas
7.14. Neemias orou durante ________________________ meses antes de se dirigir ao rei (cf. 1.1
e 2.1). A oração é a _______________________ que nos abre as portas dos céus. Neemias não
confiava em sua capacidade ou habilidades __________________________. Sua __confiança__ estava
no Todo-Poderoso que ouve e responde as nossas orações.
III. A INTERCESSÃO DE NEEMIAS
13- Como Neemias adorou a DEUS? Complete:
"E disse: Ah! Senhor, _______________________
dos céus, DEUS grande e terrível, que guardas o __________________________ e
a benignidade para com aqueles que te amam e guardam os teus
_____________________________!" (Ne 1.5). Neemias não iniciou sua
oração, pedindo; iniciou-a, ___________________________a DEUS. Antes de
pedir, de suplicar, o crente deve __________________________ e exaltar o nome do Senhor. Adore ao Senhor pelo que Ele é independentemente do que venha a fazer em seu
favor.
14- Neemias intercedeu por seu povo (Ne 1.6). Qual a situação de nossa nação? Por
que a
Igreja precisa orar e suplicar ainda mais a intervenção de DEUS em nossa
nação (2 Cr 7.14). Por que temos de interceder, chorar e jejuar por nosso país antes
que seja tarde?
( ) Hoje,
mais do que nunca, há necessidade de contínua intercessão pela família, pela
igreja e pela nação.
( ) A sociedade atual em nada difere de Sodoma e Gomorra.
( ) Os governos posicionam-se abertamente contra os princípios da Palavra de
DEUS.
( ) O casamento foi proibido.
( ) O aborto é defendido como "caso de saúde pública" e não de ética ou de
moral.
( ) O homossexualismo tem expresso apoio das autoridades.
15- Para castigar, DEUS tem limites, mas para abençoar, é
ilimitado. Sua benignidade é para sempre (Sl 106.1). Por que Neemias fez confissão de pecados (Ne 1.6b)?
( ) A
confissão foi certamente um dos pontos altos da oração de Neemias.
( ) Ele só não tinha
consciência do tamanho pecado de seu povo contra DEUS.
( ) Ele tinha
consciência do pecado de seu povo contra DEUS.
( ) Israel mesmo conhecia
as advertências dos profetas quanto à desobediência à lei divina. Uma das
mais terríveis era a sua dispersão pelas nações.
( ) Os judeus amargaram setenta anos de exílio em Babilônia.
CONCLUSÃO
16- Complete:
Nesta lição, aprendemos que DEUS levanta homens,
como ______________________________, para executar seu propósito. O bravo e
sábio judeu liderou a _______________________________ de Jerusalém e a
restauração espiritual do seu povo. Ele não se limitou a orar pela nação,
mas agiu e não se ______________________________ às circunstâncias.
Precisamos de homens de oração e iniciativa para que ajudem na restauração
moral e ________________________________ de nossa gente.
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BANCROFT, E. H. Teologia Elementar. São
Paulo, IBR, 1975.
CEGALLA, D. P. Novíssima Gramática da
Língua Portuguesa. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1977.
BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Edição
contemporânea. São Paulo, Vida, 1994.
SILVA, S. P. da. Apocalipse Versículo por
Versículo. Rio de Janeiro, CPAD, 1995.
McNAIR, S. E. A Bíblia Explicada. Rio de
Janeiro, CPAD, 1994.
CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento
Interpretado. Milenium, 1982.
Comentários do livro "Romanos" da editora
Mundo Cristão e Vida Nova - F. F. Bruce - 5. Edição - 03/1991 - São Paulo
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Atos - Introdução e Comentário - I. Howard
Marshall - Série Cultura Bíblica - edições 1985,1988, 1991, 1999 e 2001 -
Sociedade Religiosa Edições Vida Nova - SP
Espada Cortante 2 - Orlando S. Boyer - CPAD
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ARRINGTON, French L; STRONSTAD,
Roger. Comentário Bíblico
Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 5. ed. São
Paulo: Hagnos, 2001. v. 1
JOSEFO, Flávio. História dos hebreus: de Abraão à queda de Jerusalém obra
completa. 9. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
PFEIFFER; Charles F.; HARRISON, Everett F. Comentário Bíblico Moody: os
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VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; WHITE JR, William. Dicionário
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WILLIAMS, David J. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo: Atos. São Paulo:
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