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TEXTO ÁUREO - " A todos os que estais em Roma, chamados
SANTOs: Graça
e paz de DEUS, nosso Pai, e do Senhor JESUS CRISTO" (Rm 1.7)
VERDADE PRÁTICA - Independente das diferenças raciais e culturais entre
seus membros, a Igreja continua a expandir-se até os confins da terra a exemplo
do que ocorria entre os crentes romanos.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - ROMANOS 1.7-15;16.3-7,16
Romanos 1
7- A todos os que estais em Roma, chamados
SANTOs: Graça e paz de
DEUS, nosso Pai, e do Senhor JESUS CRISTO.
8- Primeiramente, dou graças ao meu DEUS por
JESUS CRISTO, acerca de
vós todos, porque em todo mundo é anunciada a vossa fé.
9- Porque DEUS, a quem sirvo em meu ESPÍRITO, no evangelho de seu
Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós,
10- pedindo sempre em minhas orações que, nalgum tempo, pela vontade
de DEUS, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco.
11- Porque desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de
que sejais confortados,
12- isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé
mútua, tanto vossa como minha.
13- Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que muitas vezes propus
ir ter convosco (mas até agora tenho sido impedido) para também ter entre vós
algum fruto, como também entre os demais gentios.
14- Eu sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios
como a ignorantes.
15- E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos
anunciar o evangelho, a vós que estais a Roma.
COMENTÁRIO ROMANOS (1.1-6)
(1.7-15)
Saudação(I:I-7).
Antigamente uma carta
começava com uma saudação simples: " a ... saudações". Tal saudação
constitui o esboço das saudações que se usava para iniciar a maior parte das
epístolas do Novo Testamento, ampliadas de vários modos e recebendo ênfase
cristã.
A saudação desta carta toma
forma parecida: "Paulo... a todos os chamados de DEUS que estais em Roma ...
saudações." Mas cada parte da ;"saudação é ampliada - o nome do remetente, o
nome dos destinatários e .i.é saudações propriamente ditas.
1.
Paulo, servo de JESUS CRISTO, chamado para ser apóstolo.
A palavra traduzida por
"servo" é o termo grego doulos, "escravo". Paulo está completamente à
disposição do seu Senhor. A convocação dele deveria ser apóstolo, para ser
especialmente comissionado por CRISTO, foi dita diretamente - diz ele - "por
JESUS CRISTO, e por DEUS Pai" (Gl 1:16), que lançaram sobre ele a
responsabilidade de proclamar o Evangelho no mundo gentílico (Gl 1:16).
Separado para
o evangelho de
DEUS, isto é, posto à parte para o ministério do Evangelho, muito antes
de sua conversão (ver Gl 1:15, onde fala dele mesmo como tendo sido separado
antes do seu nascimento). Todos os ricos e variados dons da herança de Paulo
(judaica, grega e romana), e da sadia educação foram predestinados por DEUS
com vistas ao seu serviço apostólico. Verifique-se a descrição que o Senhor
ressurreto faz de Paulo como "um instrumento escolhido para levar o meu nome
perante os gentios" (At 9:15). O "evangelho de DEUS", Seu evangelion,
é Sua jubilosa proclamação da vitória e da exaltação de Seu Filho, e da
conseqüente anistia e libertação que os homens podem desfrutar pela fé nele.
O fundo veterotestamentário do uso neotestamentário de evangelion
acha-se na LXX, em Isaías 40-66 (principalmente em Is 40:9,52:7,60:6,61:1),
onde se usa este substantivo ou seu verbo cognato evangelizomai para
indicar a proclamação da iminente libertação de Sião e retorno do exílio. Os
escritores do Novo Testamento tratam dessa proclamação como prefigurando
aquela libertação do cativeiro e da alienação espiritual alcançada pela
morte e ressurreição de CRISTO (ver, p. 169).
2. O
qual foi por DEUS outrora prometido por intermédio dos seus
profetas nas Sagradas Escrituras.
Comparar 1:17,3:21, 4:3,6ss.
Para o desenvolvimento desta sentença.
3. Com respeito a seu
Filho.
Esta frase, que expressa o
tema do "evangelho de DEUS", introduz um breve sumário confessional
(versículos 3, 4) que talvez tenha sido tão familiar aos cristãos romanos
como ao próprio Paulo. Todavia, é provável que Paulo tenha refundido o
fraseado com o fim de expor certas ênfases necessárias. .
O qual. segundo a carne,
veio ("nasceu", RV) da descendência dE Davi (da "semente" de
Davi). É evidente que a descendência davídica de JESUS fazia parte do
conteúdo da pregação e da confissão dos cristãos primitivos. JESUS não
parece ter insistido muito nisso, mas não recusou a designação de "Filho de
Davi" quando Lhe foi aplicada, por exemplo. pelo cego Bartimeu (Mc 10:47).
Sua indagação sobre a exegese que os escribas faziam do Salmo 110: 1 (Mc
12:35-37) não deve ser interpreta como repúdio da descendência de Davi.
4. E foi poderosamente
demonstrado Filho de DEUS.
A palavra traduzida por
"demonstrado" (horizõ) tem a mais completa força do termo
"nomeado" ou "constituído" (usa-se em At 10:42. 17:31 referindo-se à
nomeação de CRISTO como Juiz de todos). Paulo não quer dizer que JESUS se tornou
o Filho de DEUS pela ressurreição, mas. sim, que Aquele que durante Sua vida
terrena "foi o Filho de DEUS em fraqueza e humildade" , pela ressurreição
tornou-se "o Filho de DEUS em poder" (A. Nygren, ad loc.).
Semelhantemente, Pedro, no dia de Pentecoste, concluiu sua proclamação da
ressurreição e exaltação) de CRISTO com as palavras: "Esteja absolutamente
certa, pois, toda a casa de Israel de que a este JESUS que vós
crucificastes, DEUS o fez Senhor e CRISTO" (A: 2:36). A expressão
"poderosamente" - literalmente com poder (é dunameo aparece também em
Marcos 9:1, onde a vinda do reino de DEUS "com poder" é provavelmente a
seqüência direta da morte e vindicação de JESUS.
Segundo
o ESPÍRITO de
santidade. É óbvia a antítese entre "segundo a carne" e "segundo o
ESPÍRITO . Mas quando Paulo estabelece o segundo termo desta antítese,
esclarece a que "ESPÍRITO" se refere acrescentando. genitivo "de santidade".
O ESPÍRITO de santidade é a maneira hebraica " normal de dizer "o
ESPÍRITO SANTO". E aqui Paulo reproduz em grego a expressão idiomática
hebraica. Pela presente antítese. de "carne" e "ESPÍRITO" ele "evidentemente
... não alude às duas naturezas de nosso Senhor, mas aos dois estados,
de humilhação e exaltação". É um e o mesmo Filho de DEUS que aparece
igualmente em humilhação e em exaltação. Mas Sua descendência davídica,
matéria de glória "segundo a carne” é contudo vista agora como pertencente à
fase de Sua humilhação, absorvida e transcendida pela sobrepujante glória
de Sua exaltação, pela qual inaugurou a era do ESPÍRITO. O derramamento e o
ministério do ESPÍRITO atestam a entronização de JESUS como "Filho de
DEUS
com poder".
Pela ressurreição dos
mortos
(melhor que "pela ressurreição dentre os mortos"). A frase literal é: "em
conseqüência da ressurreição dos mortos" (de ressuscitarem os mortos). O
plural "mortos" pode ser tomado como um exemplo do que os gramáticos chamam
de "plural de generalização". Exatamente a mesma expressão aparece, com
referência à ressurreição de CRISTO, em Atos 26:23, "sendo o primeiro da
ressurreição entre os “mortos" (RV, "pela ressurreição dos mortos").
Portanto, aqui a referência é à ressurreição da pessoa de CRISTO, e não
(como pensam alguns), à Sua ação ressuscitando Lázaro e outros - -muito
menos ao fenômeno descrito em Mateus 27:52. Mas a ressurreição de CRISTO é
indicada por uma frase que faz pensar na futura ressurreição do povo de
CRISTO. A ressurreição dele é a primeira etapa da "ressurreição dos mortos",
como o esclarece 8:11 (ver 1 Co 15:20-23).
5. Graça
e
apostolado.
Esta expressão é
provavelmente uma hendiadis significando "a graça ou dom celeste) do
apostolado". Compare-se isto com as alusões em 12:6 .os "diferentes dons
segundo a graça que nos foi dada", e em 15:15 à “graça" dada por DEUS a
Paulo para ser "ministro de CRISTO JESUS entre os gentios" .
Para a obediência por fé.
Melhor,
"para a obediência da fé" (RV), i.e para produzir a obediência baseada na fé
em CRISTO. "Fé" aqui não é o Evangelho, o corpo doutrinário apresentado para
ser crido, mas é o ato de crer propriamente dito. (Ver 15:18, 16:26.)
Entre todos os gentios.
Ou "entre
as nações" (RV, "entre todas as nações"). Esta frase indica a vocação
especial de Paulo para ser apóstolo entre os gentios. A palavra grega
ethne (como seu equivalente hebraico Oyim) ora é traduzida por
"nações", ora por "gentios", ora por "pagãos" (para esta tradução, ver Gl
1:16, 2:9, 3:8, AV).
6. De cujo número sois
também vós.
Isto provavelmente significa
não só que a igreja romana estava situada no mundo gentílico, mas que seus
membros eram na maioria gentios.
Chamados para serdes
de JESUS CRISTO
(como RV; melhor que "chamados de JESUS CRISTO"). Ver
8:28,30.
ROMANOS 1.7-15
7. Em Roma.
Chamados para serdes
SANTOs, i.
e., "SANTOs por vocação divina".
convocados por DEUS para
serem o Seu povo SANTO, separado para Ele No Novo Testamento há indicações
aqui e ali de que a expressão "os SANTOs" era uma designação (muito
provavelmente uma auto-designação daqueles judeus cristãos (ver 15:25; Ef
2:19) que se consideravam come "os SANTOs do Altíssimo", destinados a
receber autoridade real e judicial de DEUS (Dn 7:22,27). Paulo insiste em
aplicar o mesmo designativo aos cristãos gentílicos, pertencentes ao mesmo
corpo a que pertenciam os seus irmãos da raça judaica.
Graça a vós outros
e paz. As
palavras "graça e paz" , tão comuns nas saudações de Paulo, provavelmente
unem os modos grego e hebraico de saudar. O grego diz: Chaire! - que
literalmente significa "Alegra-te!" O judeu diz: Shalom! - "Paz!" Só
que, ao unir estas formas de saudação. Paulo troca a palavra chaire
pela palavra charis, "graça", que é o melhor termo homófono e que é
mais caracteristicamente cristão. A graça de DEUS é Seu livre amor e Seu
imerecido favor aos homens, dado mediante CRISTO. A paz de DEUS é o
bem-estar que os homens desfrutam mediante Sua graça.
Da parte de DEUS nosso
Pai e
do Senhor JESUS CRISTO. Esta espontânea e repetida colocação de CRISTO
com DEUS testifica do lugar que CRISTO ocupava nos pensamentos e no culto
que Paulo e outros cristãos da igreja primitiva prestavam a DEUS.
Depois de ter-se apresentado
assim, e ao seu tema, Paulo explica por que lhes está escrevendo agora. As
notícias que recebera acerca da elevada e renomada qualidade da fé que
possuem provoca profunda ação de graças da parte de Paulo, e ele lhes
assegura que estão sempre presentes em suas orações. As igrejas pelas quais
ele tinha primordial responsabilidade - as que ele mesmo tinha fundado -
faziam fortes e contínuos apelos a seu tempo e a seu pensamento, mas ele
podia lembrar-se Perante DEUS de outras igrejas também, e não menos da
igreja da capital. Fala de seu velho desejo e de sua oração pela
oportunidade de visitar os cristãos romanos. E agora, após empecilhos,
parecia que sua oração estava para ser atendida. Ele espera não somente
transmitir uma bênção dos cristãos de Roma, como também receber uma graça à
sua comunhão com eles. E embora não tenha a intenção de firmar sua
autoridade apostólica em Roma, visa a pregar o Evangelho ali e a chegar à
conversão de algumas pessoas de Roma, como no restante do mundo
gentílico. A pregação do Evangelho está no sangue dele, e não pode
refreá-Ia. Ele nunca está "de folga", mas está constantemente em serviço,
procurando aliviar um pouco o débito que tem para com a humanidade toda ,
débito que jamais saldará plenamente enquanto viver.
8. Dou graças a meu
DEUS
mediante JESUS CRISTO.
Assim como é por intermédio
de CRISTO que a graça de DEUS é comunicada aos homens (versículo 5), também
é por intermédio de CRISTO que a gratidão dos homens é comunicada a DEUS. A
obra mediadora de CRISTO é exercida tanto para com DEUS como para com o
homem.
Em todo
o mundo é
divulgada a vossa fé. Ver 1 Tessalonicenses 1:8:
“por toda a parte se
divulgou a vossa fé para com DEUS". Em ambas as passagens, Paulo pensa mais
particularmente em todos os lugares onde o cristianismo fora estabelecido.
10. A
quem sirvo em meu ESPÍRITO - ou "com o meu ESPÍRITO". NEB: a quem ofereço o humilde
serviço do meu ESPÍRITO".
Incessantemente faço
menção de vós, em todas as minhas orações.
ver Ef 1:16; Fp 1:3s.; Cl
1:3; 1 Ts 1:2; 2 Tm 1:3; Fm 4.) Era de esperar que Paulo orasse
metodicamente pelos que se converteram por seu trabalho. Mas esta passagem
evidencia que suas orações ultrapassavam o círculo imediato de suas relações
pessoais e de sua responsabilidade apostólica.
Nalgum tempo
(e "muitas
vezes", versículo 13). Dessas ocasiões prévias em que Paulo tinha esperado
ou planejado visitar Roma não temos nenhuma informação específica.
11-. Para que entre vós,
reciprocamente nos confortemos.
(RSV: "nos encorajemos").
Isto corrige qualquer impressão dada no versículo 11 de que ele seria o
benfeitor e eles os beneficiários. Paulo espera tanto receber como dar ajuda
durante sua planejada visita a Roma.
13. Não quero, irmãos,
que ignoreis.
É uma das expressões
favoritas de Paulo, e significa: "Quero que saibais". (Ver 11:25; 1 Co
10:1: 12:1; 2 Co 1:8; 1 Ts 4:13).
No que tenho sido até
agora impedido.
Comparar com 2. Tessalonicenses 2:7.
14. Tanto a gregos como a
bárbaros.
Para os gregos, todos os que
não eram gregos eram "bárbaros"! barai, palavra que provavelmente
arremedava o som ininteligível da éguas estrangeiras).
15. Em Roma.
Romanos 16
3- Saudai a Priscila e a Áquila, meus
cooperadores em CRISTO JESUS,
4- os quais pela minha vida expuseram a sua cabeça; o que não sou eu
lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios.
5- Saudai também a igreja que está em sua casa. Saudai a Epêneto,
meu amado, que é as primícias da Ásia em CRISTO.
6- Saudai a Maria, que trabalhou muito por nós.
7- Saudai a Andrônico e a Júnia, meus parentes e meus companheiros na
prisão, os quais se distinguiram entre os apóstolos e que foram antes de mim
em CRISTO.
16- Saudai-vos uns aos outros com SANTO ósculo. As igrejas de
CRISTO
vos saúdam.
COMENTÁRIO - INTRODUÇÃO
No dia de Pentecostes, quando os
primeiros discípulos foram batizados no ESPÍRITO SANTO, a cidade de Jerusalém achava-se repleta de
judeus e prosélitos romanos, que testemunharam a gloriosa manifestação do
poder de DEUS (At 2.10). Neste dia memorável, militares e funcionários do
governo romano, destacados na Palestina, foram salvos pelo Senhor, e ao
retornarem à sua cidade, levavam a poderosa mensagem evangelho (At
10.1,13-18;2.10,41;4.4;5.14).
A igreja de Roma , por conseguinte, já existia quando
Paulo escreveu esta carta (At 28.14,15).
Naquela igreja, surgiram dificuldades e dúvidas de
natureza doutrinária. Alguns membros de origem gentílica abusavam da liberdade
cristã com procedimentos que ofendiam os irmãos de origem judaica. A Epístola
aos Romanos, a mais importante carta de Paulo, é a maior exposição da
doutrina da salvação em toda a Bíblia. Pois responde a milenar pergunta:
"Como pode o homem ser justo diante de DEUS?" (Jó 9.2). Através
desta epístola, o leitor é impelido a buscar e a conhecer qual seja a boa,
perfeita e agradável vontade de DEUS para sua vida (Rm 12.2).
I. A RAZÃO DA CARTA
Época da Produção da Epístola
Paulo passou os dez anos que vão de 47 a 57 A. D. realizando intensa
evangelização dos territórios que margeiam o Mar Egeu. Durante aqueles anos,
concentrou-se sucessivamente nas províncias romanas da Galácia, da Macedônia,
da Acaia e da Ásia. O Evangelho fora pregado e igrejas tinham sido fundadas ao
longo das principais estradas dessas províncias e em suas cidades principais.
Paulo recebeu com justa seriedade a responsabilidade que lhe foi dada como
apóstolo de CRISTO entre os gentios. Bem podia contemplar com grato louvor não
(como ele teria dito) o que ele fizera, mas o que CRISTO havia feito
juntamente com ele. O seu primeiro e grande plano de campanha estava agora
realizado. Pôde deixar as igrejas que tinha estabelecido em Icônio, Filipos,
Tessalônica, Corinto, Éfeso, e em muitas outras cidades daquelas quatro
províncias, aos cuidados dos seus líderes espirituais, ou presbíteros, sob a
soberana direção do ESPÍRITO SANTO.
Mas a missão de Paulo não estava de forma alguma terminada Durante o
inverno de 56-57 A. D., que ele passou em Corinto, na casa de Gaio seu amigo
que se convertera, ficou ansioso (com alguma apreensão, para fazer uma visita
a Jerusalém no futuro imediato - pois tinha de cuidar da entrega de uma
oferta em dinheiro aos presbíteros da igreja de lá, por cuja arrecadação
estivera trabalhando alguns anos entre os gentios convertidos pelo seu
intermédio. Esperava que essa oferta fortalecesse os laços entre a igreja-mãe,
na Judéia, e as igrejas gentílicas. Mas quando se consumou essa transação,
Paulo ficou ansioso para lançar um plano que vinha tomando forma em sua mente
nos últimos anos. Concluída sua missão nas terras banhadas pelo Mar Egeu,
tinha de localizar novos campos a conquistar para CRISTO. Ao fazer a escolha
de uma nova esfera de atividade, resolveu fazer-se pioneiro. Não se
estabeleceria como apóstolo radicado num lugar já alcançado pelo Evangelho.
Não iria "edificar sobre fundamento alheio" (Rm 15:20). Sua escolha recaiu na
Espanha, a mais antiga colônia romana no Ocidente e o principal baluarte da
civilização romana naquelas partes.
Mas a excursão à Espanha lhe daria a oportunidade de satisfazer uma velha
ambição - a ambição de ver Roma. Embora cidadão romano por direito de
nascimento, nunca tinha visto a cidade da qual era cidadão. Quão esplêndido
seria visitar Roma e passar algum tempo lá!
Seria deveras esplêndido porque havia uma florescente igreja em Roma, e
muitos cristãos que Paulo tinha encontrado aqui e ali em suas viagens,
residiam agora em Roma e eram membros daquela Igreja. O próprio fato de que o
Evangelho tinha chegado a Roma bem antes de Paulo, excluía Roma como lugar
onde ele poderia estabelecer-se para fazer evangelização pioneira. Mas sabia
que continuaria sua viagem para a Espanha com muito mais gosto se pudesse
primeiro renovar seu ESPÍRITO com algumas semanas de companheirismo com os
cristãos de Roma.
Portanto, durante os primeiros dias do ano 57 A. D., ele ditou a seu amigo
Tércio - cristão posto às suas ordens talvez por seu hospedeiro Gaio, para
servir-lhe de secretário - uma carta destinada aos cristãos romanos. Esta
carta visava prepará-los para a sua visita à cidade e explicar a finalidade da
mesma. E julgou de bom alvitre, ao escrevê-la, oferecer-lhes uma completa
exposição do Evangelho como ele o compreendia e o proclamava. .
| O que motivou o apóstolo a escrever à igreja em Roma foi a exposição do Evangelho de CRISTO. O tema da justificação pela fé predomina nos primeiros cinco capítulos. |
| Paulo estava no final de sua terceira viagem missionária, plantando igreja nos grandes centros orientais do Império Romano: Éfeso, Corinto, Flipos etc, onde a Palavra do senhor prospera significativamente (At 19.11,20,26;Ap 1.4,11). O apóstolo já havia difundido o evangelho a partir de Jerusalém até as atuais Iugoslávia e Albânia (Rm 15.19). |
| Como já vimos, o evangelho estava bem difundido em Roma, onde o apóstolo menciona vários irmãos na fé (Rm 16.3-5). Agora Paulo, o incansável e corajoso homem de DEUS, escreve aos crentes de Roma, manifestando o seu propósito de estar com eles (Rm 1.13,15;At 19.21). |
II. O INÍCIO DA IGREJA EM ROMA
A igreja em Roma era muito expressiva. por ocasião da
epístola, já se estendera até Putéoli, o principal porto de Roma,numa
distância de 200 quilômetros (At 28.13,14).
Os termos em que Paulo se dirige aos cristãos
de Roma esclarecem que a igreja daquela cidade não era de organização tão
recente. Mas quando tentamos determinar alguma coisa sobre a origem e a história
dos primeiros períodos do cristianismo romano, encontramos bem poucos dados
evidentes em que apoiar-nos. Temos de reconstruir a situação na medida do
possível, baseados em várias referências literárias e arqueológicas.
Conforme Atos 2: 10, a multidão de peregrinos presentes em Jerusalém para a
festa de Pentecoste do ano 30 A. D., e que ouviu Pedro pregar o Evangelho,
incluía "visitantes procedentes de Roma. tanto. judeus como prosélitos" (RSV).
Não temos informação sobre se alguns deles estavam entre os três mil que
creram na mensagem de Pedro e foram batizados. Talvez seja significativo que
aqueles visitantes romanos são o único grupo europeu a receber menção expressa
entre os peregrinos.
Em todo caso, todos os caminhos levavam a Roma e, uma vez que o
cristianismo estava firmemente estabelecido na Palestina e nos territórios
circunvizinhos, era inevitável que fosse levado para Roma. Dentro de um ano ou
dois, "no outono seguinte à crucifixão, é
bem possível que JESUS já recebesse honra na comunidade judaica de Roma como
Aquele que esteve em Damasco". O "pai" da igreja latina, do século quarto, a
quem chamamos Ambrosiastro, diz, no prefácio do seu comentário desta epistola,
que os romanos "tinham abraçado a fé em CRISTO, embora de acordo com o rito
judaico, sem ver nenhum sinal de obras poderosas e nenhum dos apóstolos".
Evidentemente foram cristãos simples e comuns os primeiros a levar o
Evangelho a Roma e a implantá-lo ali - provavelmente no seio da comunidade
judaica da capital.
Já no segundo século a.C. existia uma comunidade judaica em Roma. Seu
número cresceu consideravelmente em conseqüência da conquista da Judéia por
Pompeu em 63 a.C.', e seu "triunfo" em Roma dois anos mais tarde, quando
muitos prisioneiros de guerra judeus cooperaram com a sua marcha, e depois
receberam a liberdade. Em 59 a.C., Cícero faz alusão ao tamanho e à influência
da colônia judaica de Roma. No ano 19 A. D., os judeus de Roma foram expulsos
da cidade por um decreto do imperador Tibério (ver p. 76), mas em poucos anos
estavam de volta em número maior do que nunca. Não muito depois disto,
registra-se outra expulsão em massa dos judeus de Roma, essa vez pelo
imperador Cláudio (41-54 A. D.). Essa expulsão é mencionada ligeiramente em
Atos 18:2, onde se diz que Paulo, ao chegar a Corinto (provavelmente no fim do
verão do ano 50 A. D.), "encontrou certo judeu chamado Áquila (...)
recentemente chegado da Itália, com Priscila, sua mulher, em vista de ter
Cláudio decretado que todos os judeus se retirassem de Roma". A data do édito
de expulsão é incerta, embora Orósio possa estar certo colocando-a no ano 49
A. D. Outras referências aparecem na literatura antiga, sendo a mais
interessante uma nota que há na obra "Vida de Cláudio" , XXV,
informando que o imperador "expulsou de Roma os judeus porque estavam constantemente em
rebelião, à instigação de Cresto (impusare Chresta)' '. Dá para pensar que
este Cresto era um agitador judeu em Roma naquele tempo. Entretanto, o modo
como Suetônio introduz seu nome torna muito mais provável que a rebelião tenha
sido uma conseqüência da introdução do cristianismo na comunidade judaica da
capital. Escrevendo cerca de setenta anos mais tarde, Suetônio pode ter
conhecido algum registro contemporâneo da ordem de expulsão, registro que
mencionava Cresto como o líder de uma das partes envolvidas, e inferiu que ele
estava realmente em Roma naquela ocasião. Decerto sabia que Chrestus (uma
variante da ortografia gentílica de Christus) era o iniciador dos cristãos,
aos quais descreve em outras partes como "perniciosa e funesta classe de
gente". Bem podia parecer-lhe uma inferência muito razoável que Cresto tivesse
tomado parte ativa no incentivo àquelas rebeliões.
Parece que Áquila e Priscila já eram cristãos antes de encontrarem Paulo.
Provavelmente eram membros do grupo original de crentes em JESUS residentes em
Roma. Não sabemos onde ou quando eles ouviram o Evangelho pela primeira vez.
Paulo jamais dá a idéia de que eram seus filhos na fé. Mas podemos estar
certos de que o grupo original de crentes da cidade de Roma consistia
inteiramente de judeus cristãos, e que a ordem de expulsão emitida por Cláudio
acarretou a saída e a dispersão deles.
Contudo, os efeitos da ordem de expulsão duraram pouco. Não muito tempo
depois, a comunidade judaica florescia uma vez mais em Roma, e o mesmo
acontecia com a comunidade cristã. Menos de três anos depois da morte de
Cláudio, Paulo pôde escrever aos cristãos de Roma e falar da fé que eles
tinham como assunto que era do conhecimento universal. Bem pode ser que o
édito de expulsão tenha caducado com a morte de Cláudio (54 A. D.), se não
antes. Mas em 57 A. D., os cristãos de Roma incluíam gentios bem como"judeus,
conquanto Paulo faça lembrar aos cristãos gentílicos que a base da comunidade
é judaica, e que não a devem desprezar ainda que venham a superá-la em número
(11:18).
Na verdade, o lastro judaico do cristianismo romano não foi esquecido logo.
Ainda no tempo de Hipólito (falecido em 235 A. D.), alguns traços das práticas
religiosas cristãs em Roma proclamavam sua origem judaica - origem que deve
ser procurada no judaísmo sectário ou dissidente, e não em suas correntes
principais. Se as saudações que se acham em 16:3-16 se destinavam a Roma e
não a Éfeso (ver pp. 215-224), então podemos achar nelas alguma informação
muito interessante a respeito dos membros da igreja romana em 57 A. D. Estes
eram presumivelmente cristãos que Paulo tinha encontrado em outros lugares
durante sua carreira apostólica e que nesse tempo residiam em Roma. Estavam
incluídos entre eles alguns que eram dos primeiros cristãos da igreja
primitiva, tais como Andrônico e Júnia (ou Júnias) que, como diz Paulo,
"estavam em CRISTO antes" dele próprio, e eram bem conhecidos nos círculos
apostólicos, se é que não eram de fato reconhecidos como "apóstolos" (16:7). Ê
razoável identificar o Rufo mencionado no versículo 13 com o filho de Simão Cireneu mencionado em Marcos 15:21. Paulo pode tê-lo conhecido, e à sua mãe,
em Antioquia. Áqüila e Priscila, que tinham sido compelidos a deixar Roma uns
oito ou mais anos antes, estavam agora de novo na capital, e sua casa era um
dos locais de reunião dos membros da igreja de lá (O fato de que a basílica -
o estilo típico dos edifícios eclesiásticos primitivos - preserva o contorno
de uma casa particular romana, lembra-nos que a casa-igreja era geralmente o
lugar de reunião dos cristãos nos tempos primitivos.) Com efeito, talvez o
cristianismo já tivesse começado a exercer algum impacto nas altas camadas da
sociedade romana. Em 57 A. D., ano em que Paulo escreveu sua Epístola aos
Romanos, Pompônia Graecina, mulher de Aulo Pláutio (que acrescentou a
província da Bretanha ao Império Romano em 43 A. D.), foi julgada e absolvida
por um tribunal doméstico, da acusação de haver abraçado uma "superstição
estrangeira", que podia ter sido o cristianismo. Mas aos olhos da maioria dos
romanos que pouco sabiam do cristianismo, este era simplesmente outra
enfadonha superstição oriental, a espécie de coisa que o satírico Juvenal
tinha em mente sessenta anos mais tarde, quando se queixou do modo como os
esgotos do Orontes se descarregavam no Tibre. (Visto que Antioquia, à margem
do Orontes, era o lar do cristianismo gentílico, é provável que Juvenal
considerasse o cristianismo gentílico como um dos elementos presentes naqueles
esgotos.) Sete anos depois da produção desta epístola, quando Roma foi
devastada por enorme incêndio, e o imperador Nero procurou à sua volta bodes
expiatórios para os quais pudesse desviar a suspeita popular (talvez
injustamente) dirigida contra ele, encontrou-os perto e prontos. Os cristãos
de Roma eram impopulares. Eram vistos como "inimigos da raça humana" e
acusados de práticas criminosas como o incesto e o canibalismo. Por isso,
fizeram-se em grande número vítimas do ódio imperial. E é essa perseguição
movida por Nero que tradicionalmente compõe o cenário para o martírio de Paulo
e de Pedro.
Três anos após escrever esta carta, Paulo afinal concretizou sua esperança
de visitar Roma. E o fez de um modo que não esperava ao escrevê-la. O receio
quanto à acolhida que lhe dariam em Jerusalém - receio que expressara em 15:31
- provou-se bem fundado. Poucos dias depois de sua chegada ali, foi acusado
perante as autoridades romanas da Judéia de ter feito grave ofensa à santidade
do templo. O processo arrastou-se inconclusivamente, até que, por fim, Paulo
se valeu dos seus direitos de cidadão romano e apelou para que sua causa fosse
transferida para Roma, para a jurisdição direta do imperador. Foi, então,
enviado para Roma. Depois de um naufrágio, e após invernar em Malta, chegou a
Roma no princípio do ano 60 A. D. Quando estava sendo conduzido para o norte,
pela Via Ápia, por um corpo militar de mensageiros sob cuja custódia estava,
os cristãos de Roma, ouvindo falar de sua chegada, foram encontrá-lo em pontos
situados a 50 ou 60 quilômetros do sul da cidade e lhe deram algo assim como
uma escolta triunfal para o resto da viagem. Ver estes amigos foi uma fonte de
grande estímulo para ele. Nos dois anos seguintes, Paulo ficou em Roma,
mantido sob guarda em seus alojamentos particulares, com permissão para
receber visitas e propagar o Evangelho no centro vital do império.
O que sucedeu no fim desses dois anos é objeto de conjetura. Não há plena
certeza de que ele tenha chegado a cumprir o seu plano de visitar a Espanha e
de pregar o Evangelho ali. O que é mais provável é que, não muitos anos mais
tarde, tendo sido sentenciado à morte em Roma, como líder dos cristãos, foi
levado para fora da cidade, pela estrada que vai ao porto marítimo de Ostia, e
ali decapitado, no local até hoje assinalado pela Igreja de
San
Paolo Fuori Le Mura
("São Paulo Fora dos Muros").
Todavia, nas palavras de Tertuliano, ficou provado que o sangue dos
cristãos é semente. Só a perseguição e o martírio não extinguiram o
cristianismo em Roma. A igreja ali continuou a florescer com crescente vigor e
a contar com a estima dos cristãos do mundo inteiro como uma igreja "digna de
DEUS, digna de honra, digna de congratulações, digna de louvor, digna de
sucesso; digna em pureza, preeminente em amor, andando segundo a lei de CRISTO e levando o nome do Pai".
Nações presentes - Dia Pentecostes
| 2. Judeus no dia de Pentecostes. | O Pentecostes era uma das sete festas sagradas de Israel. Estas prefiguravam eventos futuros na história da redenção efetuada por CRISTO. O novo Testamento confirma que elas eram profecias tipológicas da salvação(Cl 2.16,17; Hb 10.1) |
| Nos dias do Novo Testamento, judeus devotos, bem como gentios prosélitos de todas as partes do Império romano, compareciam a Jerusalém para a celebração da festa de Pentecostes (At 2.1,10;20.16). É possível que alguns dos convertidos, quando da descida do ESPÍRITO SANTO no dia de Pentecostes, tenham levado, num trabalho pioneiro, o evangelho de CRISTO a Roma (At 2.1,10,37-10). Assim como fez o homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros, e tinha ido a Jerusalém para adoração,(At 8.27) | |
| Sendo Roma a capital do império, havia um fluxo constante de viajantes que se dirigiam de todas as partes para lá. O capítulo 16 de romanos demonstra que muitos cristãos daquela congregação eram procedentes de outras regiões, especialmente da Ásia Menor. | |
| Quando o Testemunho Cristão, repleto do poder do ESPÍRITO SANTO, ressoou nas sinagogas em Roma, logo surgiram e multiplicaram-se igrejas na região, como acontecera em Damasco, Antioquia, Ásia Menor, Macedônia e Grécia. Multidões aceitaram a CRISTO, conforme relata o evangelista Marcos: " E eles tendo partido, pregaram por toas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a Palavra com sinais que se seguiram. Amém" (Mc16.20). |
III. A IGREJA EM ROMA NA ÉPOCA DA CARTA DE PAULO
Paulo, ao escrever aos romanos por volta do ano 57 d.C.,
destacou a fé daqueles crentes, tanto no início da epístola como no seu final
(1.12;16.19). Eles tinham muita fé, e esta já era conhecida como todos (1.8).
Romanos e o Corpo Paulino
"Carta de Paulo aos Romanos - e a Outros" é o título sugerido para esta
epístola por T. W. Manson." Pois há boas razões para crer que, em adição à
cópia da carta levada a Roma, foram feitas outras cópias mais, "enviadas a
outras igrejas. Uma das coisas que apontam para isso é a evidência textual do
fim do capítulo 15 (ver p", 27), que indica que havia em circulação na
Antigüidade, uma edição da carta à qual faltava o capítulo 16. Este capítulo,
com suas saudações pessoais, teria valor apenas para uma igreja. É possível
que Paulo mesmo tenha sido o responsável pelo despacho de cópias a várias
igrejas - não somente porque o conteúdo da maior parte da carta era de
interesse e importância para os cristãos em geral, mas também (quem sabe)
porque sua apreensão acerca do que o esperava em Jerusalém (ver 15:31) o moveu
a deixar esta exposição do Evangelho aos cuidados das igrejas gentílicas como
uma espécie de "testamento". O exemplar mandado para Roma certamente foi
guardado como tesouro na igreja daquela cidade, e sobreviveu à perseguição de
64 A. D.
Por volta do ano 96 A. D., Clemente "secretário estrangeiro" da igreja
romana, mostra-se bem familiarizado com a Epístola aos Romanos. A linguagem
desta reaparece repetidamente como um eco na carta que Clemente enviou aquele
ano, em nome da igreja romana, à igreja de Corinto. A maneira pela qual repete
a Linguagem de Romanos dá idéia de que a sabia de cor. É possível que a
epístola fosse lida regularmente nas reuniões da igreja romana desde quando
foi recebida. É preciso aduzir que, embora Clemente esteja familiarizado com a
linguagem da epístola, não parece ter captado seu significado tão
completamente como era de esperar. Mas Clemente não está de modo algum sozinho
quanto a isso entre os leitores desta epístola!
Pela carta de Clemente se vê claramente que por volta de 96 A. D. que algumas cartas de Paulo tinham começado a circular em outros lugares além
daqueles para onde foram inicialmente enviadas. Clemente, por exemplo,
conhece e cita 1 Coríntios. E não muitos anos depois, um anônimo benfeitor de
todas as eras subseqüentes transcreveu pelo menos dez cartas paulinas num
códice do qual foram feitos muitos exemplares para uso em muitas partes do
mundo cristão. Desde o começo do segundo século, as cartas de Paulo
circulavam como uma coleção - o corpus Paulinum - e não isoladamente. Os
escritores do segundo século tanto os ortodoxos como os heterodoxos - que se
referem às cartas paulinas, conheciam-nas na forma de um corpo de escritos.
Um desses escritores - da variedade heterodoxa - foi Márcion, natural do
Ponto, na Ásia Menor. Márcion foi para Roma por volta do ano 140 A. D. e
poucos anos mais tarde publicou um cânon da Escritura Sagrada. O autor
rejeitava a autoridade do Velho Testamento e sustentava que Paulo fora o único
apóstolo de JESUS que se mantivera fiel, sendo que os demais haviam corrompido
o ensino de CRISTO com misturas judaizantes. Seu cânon refletia suas idéias
peculiares. Consistia de duas partes - o Evangelion, edição do Evangelho de
Lucas que começava com as palavras: "No ano XV de Tibério César, JESUS desceu
a Cafarnaum" (ver Lc 3:1; 4:31); e o Apostolikon, que abrangia dez das
epístolas paulinas (excluídas as cartas a Timóteo e a Tito).
Gálatas, objeto da predileção natural de Márcion por causa de sua ênfase
anti-judaizante, ocupava o primeiro lugar no Apostolikon de Márcion. As outras
epístolas vinham depois em ordem descendente, segundo a extensão. As epístolas
"duplas" (isto é, as duas aos Coríntios e as duas aos Tessalonicenses) foram,
para aquele fim, consideradas, cada par, como uma única epístola. Assim,
Romanos vinha depois de Coríntios. E junto a cada uma das epístolas vinha um
prefácio. O de Romanos diz o seguinte: "Os romanos vivem na região da Itália.
Já tinham sido visitados por falsos apóstolos, sendo induzidos a reconhecerem
a autoridade da Lei e dos Profetas, com o pretexto do nome do Senhor JESUS
CRISTO. O apóstolo, escrevendo-Ihes de Atenas, os chama de volta à verdadeira
fé característica do Evangelho".
Esta não é uma inferência que se poderia deduzir naturalmente da
argumentação de Paulo. Márcion, porém, assumia pressuposições na abordagem das
epístolas e as afirmava categoricamente. Onde ele encontrava, nas epístolas,
afirmações contrárias a essas pressuposições, concluía que o texto apostólico
fora adulterado por escribas judaizantes, e fazia emendas para ajeitá-las ao
seu modo de entender (ver pp. 26ss.). E a influência do cânon -de Márcion foi
tanta - chegando a ultrapassar os limites dos seus seguidores - que muitos MSS
"ortodoxos" das epístolas paulinas contêm os prefácios marcionitas.
O mais antigo MS de epístolas paulinas que chegou até nós, datado do fim do
século segundo, contém o mais curto corpus Paulinum, consistindo de dez
epístolas, juntamente com a Epístola aos Hebreus. Este MS (o papiro 46, um dos
papiros bíblicos de Chester Beatty) provém do Egito, e no Egito
(diferentemente do que ocorria em Roma) Hebreus era considerada epístola
paulina já em 180 A. D. No P 46 (como lhe chamaremos daqui por diante),
Romanos vem em primeiro lugar.
Romanos ocupa o último lugar entre as epístolas paulinas enviadas a igrejas
noutro documento dos últimos anos do segundo século - o "Cânon Muratori", uma
lista de livros do Novo Testamento reconhecidos em Roma. Esta lista credencia
o corpus Paulinum mais longo, de treze cartas, pois em seguida às cartas a
igrejas, acrescenta as enviadas a pessoas individualmente - não só Filemom,
mas também Timóteo e Tito.
Na ordem em que finalmente se fixou, Romanos tem lugar de honra entre as
epístolas paulinas. Historicamente, isto se dá evidentemente porque ela é a
epístola mais comprida. Mas há uma validade ingênita na concessão desta
posição de primazia à epístola que, acima de todas as outras, merece o título
de "Evangelho Segundo Paulo".
| 1. Uma igreja heterogênea. | A lista de saudações de Paulo (no capítulo 16) evidencia que a igreja em Roma tinha um caráter heterogêneo,. Havia judeus (convertidos), gentios e escravos. A menção de Paulo a seus "parentes" pode referir-se a seus irmãos de raça - judeus, agora convertidos a CRISTO (9.3,4). É bem provável que estes fossem cristãos que o apóstolo conhecera em outros lugares durante suas extensas e prolongadas viagens evangelísticas, pastorais e administrativas e que , na ocasião em que escreveu a carta, residissem em Roma. |
| Áquila e Priscila, queridos irmãos , amigos e colaboradores de Paulo, foram obrigados a deixar Roma anteriormente. Mas, agora, estavam e volta, e sua casa era um dos locais de reunião da igreja (era prática comum na igreja primitiva a reunião nas casas dos próprios cristãos). |
| 2. Uma igreja respeitada. | Os crentes de Roma eram fiéis e delicados seguidores de CRISTO, segundo o evangelho (Rm1.8,12;6.17;7.4;15.14;16.19). |
| Conforme se lê em Rm 15.24, Paulo, por ocasião da epístola, contava com a assistência daqueles irmãos para a realização de uma obra missionária na Espanha. | |
| Em romanos 16.16, Paulo transmite uma saudação das demais igrejas dirigida exclusivamente à igreja de Roma. |
| 2 | 3 | 4 | 5 | |
| 1 | M | |||
| S | ||||
| A | O | |||
Principal Missionário e Pregador do Evangelho durante a igreja primitiva |
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