Salomão, que despendeu muito de sua existência para observar a
realidade humana, nos deixa algumas lições claras:
“O pobre é aborrecido até do seu companheiro, mas os amigos dos
ricos são muitos”.
“O que despreza o seu companheiro peca, mas o que se compadece
dos humildes é bem aventurado.”(Pv 14:20-21) (guarde este texto,
pois voltaremos a abordá-lo).
“O pobre fala com rogos, mas o rico responde com dureza”. (Pv
18:23).
Um episódio do Novo Testamento nos mostra a forma pela qual
todos que seguiam JESUS tentaram afastar dele um homem que era
cego e “pobre”:
“E aconteceu que, chegando ele perto de Jericó, estava um cego
assentado junto ao caminho, mendigando”.
“E, ouvindo passar a multidão, perguntou que era aquilo”.
“E disseram-lhe que JESUS Nazareno passava”.
“Então clamou, dizendo: JESUS, Filho de Davi, tem misericórdia
de mim”.
“E os que iam passando repreendiam-no para que se calasse, mas
ele clamava ainda mais: Filho de Davi tem misericórdia de
mim”... (Lc 18: 35-43);(Mt 20:29-34; Mc 10:46-52).
A combinação da pobreza e da deficiência física grave colocava
aquele homem em uma posição de total desvantagem, pois não tinha
os recursos e nem os meios para vir a obtê-los.
Estava ele em pior situação do que aquele paralítico cujos
amigos fizeram descer pelo telhado, uma vez que a casa estava
tão cheia que não podiam entrar pela porta (Lc 5: 7-26).
Ao contrário, JESUS era a única esperança daquele homem, mas a
multidão de pessoas que o cercavam, com visão, com capacidade de
enfrentar a vida, não queriam que o “pobre” chegasse perto e o
repreendiam, como que dizendo, “você é cego e, além disso, não
se enxerga”, “não importune o Mestre que tem mais o que fazer”.
Típica reação com os que estão lá em baixo, esquecida a
recomendação de Paulo de “quem está em pé olhe para não vir a
cair” (I Cor 10:12).
Naturalmente eles não levaram em conta que uma das principais
partes da missão de JESUS era “levar o evangelho aos pobres” (Mt
1:5), e o resultado final da história foi uma conversa aberta
entre o enfermo e CRISTO, e sua cura maravilhosa, o que moveu a
todos que estavam por ali.
A posição de recusa, discriminação e desagrado para com os
“pobres” está completamente fora da visão divina para com o
homem (pois ele vê o coração: I Sm 16:7).
“Pois o Senhor vosso DEUS é o DEUS dos deuses, e o Senhor dos
senhores, o DEUS grande e poderoso e terrível, que não faz
acepção de pessoas, nem aceita recompensas”.(Dt 10:17).
“E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço por verdade, que DEUS
não faz acepção de pessoas”.(Atos 10:34)
DEUS determinou um tratamento igualitário, respeito e apoio para
com os pobres desde os tempos da lei e reafirma isto na graça.
“Quando também segares a sega da vossa terra, o canto do seu
campo não segarás totalmente, nem as espigas caídas colheras da
tua sega”.
“Semelhantemente não rabiscarás a tua vinha, nem colherás os
bagos caídos da tua vinha: deixá-los-ás ao pobre e ao
estrangeiro: Eu sou o Senhor vosso DEUS”. (Lv 19:9-10).
Quem plantou e cuidou certamente terá o interesse de aproveitar
tudo, e isso acontece em nossos dias, quando guardamos coisas
que nem mais usamos, pois, afinal, pagamos algo por elas um dia.
A norma da lei proibia que se fizesse uma “repescagem” da
colheita. O que ficou para trás, ficou, e os “pobres” iriam se
aproveitar disso para subsistir.
Foi isso que aconteceu com Rute no campo de Boaz, que viria a
ser seu marido e um ascendente de JESUS (Rt 2:1-7; Mt 1:5). Da
mesma forma as dívidas pagas com o trabalho, de servo de alguma
pessoa, expiravam em sete anos e com isso ocorria a liberdade,
para que não houvesse exploração dos menos afortunados:
“Ao fim dos sete anos farás remissão.”...
...“Somente para que entre ti não haja pobre: pois o Senhor
abundantemente te abençoará na terra que o Senhor teu DEUS te
dará por herança, para possuí-la.”... (Dt 15:1-23).
No Novo Testamento, vejamos as palavras do apóstolo Tiago sem
bem enfáticas sobre a questão da discriminação para com os
desvalidos:
“Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor JESUS CRISTO,
Senhor da glória, em acepção de pessoas”.
“Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de
ouro no dedo, com vestidos preciosos, e entrar também algum
pobre com sórdido vestido”.
“E atentares para o que traz vestido precioso, e lhe disserdes:
Assenta-te tu aqui num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu
fica ali em pé, ou assenta-te abaixo do meu estrado.”
“Porventura não fizeste distinção dentre vós, mesmos, e não vos
fizestes juízes de maus pensamentos?”
“Ouvi, meus amados irmãos: Porventura não escolheu DEUS aos
pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino
que prometeu aos que o amam?” (Tg 2:1-5).
Não estamos aqui, de forma alguma, procurando apresentar uma
“teologia da recuperação dos pobres”, “uma vez que eles sempre
irão existir na terra”:
“Pois nunca cessará o pobre do meio da terra: pelo que te
ordeno, dizendo: Livremente abrirás a tua mão para teu irmão,
para o teu necessitado, e para teu pobre na tua terra.” (Dt
15:11).
...“Porque sempre tendes os pobres convosco, e podeis fazer-lhes
bem, quando quiserdes; mas a mim nem sempre me tendes...” (Mc
14:3-9)
Nem estamos dando um mérito à pobreza associado à idéia de que
os salvos são tirados dentre os pobres, pois a prosperidade do
justo é promessa real.
Tudo o que o justo fizer prosperará: Salmos 1:1-6
O justo nunca estará em necessidade ou mendigará pão: Salmos
37:25.
A ovelha do Senhor de nada terá falta: Salmos 23:1.
JESUS promete vida abundante global: João 10:10.
DEUS, com JESUS, nos oferece tudo: Rm 8:32
Na realidade, o justo tanto pode ser “relativamente pobre” como
“relativamente rico”, ou meramente “equilibrado”, como nos
mostram os exemplos bíblicos:
Abraão foi rico (Gn 13:1-9).
Jó foi rico, ficou pobre, voltou a ser mais rico ( Jó:1:1-3 e
42:10-17).
Salomão foi muito rico (I Rs 4:1-28).
José foi muito bem colocado e não sendo rico tinha acesso
irrestrito as glórias do Egito (Gn 44:38-57).
Daniel andou com DEUS e seu poder no reino da Babilônia foi
mantido durante o comando de vários mandatários (Dn 4 a 12).
Elias, grande homem de DEUS, foi sempre pobre (I Rs 17: 1-24).
Eliseu, sucessor de Elias foi pobre (II Rs 4:38-41).
Pedro, como a maioria dos discípulos, era pobre (Mt 4:10-22).
JESUS, o rei dos reis, não tinha reino na Terra (Lc 9:58).
João Batista era pobre (Mc 1:6)
Certamente a qualificação e o esforço de cada um, sempre
associados à benção divina (Sl 127:1-4), estabelecem situações
várias, sendo a preguiça e o desinteresse trazidos também à
ponderação pelo sábio Salomão.
“Vai ter com a formiga, ó preguiçoso: olha para os seus
caminhos, e sê sábio”. (Pv 6:6).
“O que trabalha com mão enganosa empobrece, mas a mão dos
diligentes enriquece”. (Pv 10:4).
“O preguiçoso não lavrará por causa do inverno, pelo que
mendigará na sega, e nada receberá”. (Pv 20:4).
“Um pouco de sono, adormecendo um pouco, encruzando as mãos
outro pouco, para estar deitado”.
“Assim sobrevirá a tua pobreza como ladrão, e a tua necessidade
como um homem armado”. (Pv 24: 33-34).
“Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as
nuvens nunca segará”. (Ecl 1:4)
Ninguém admite a preguiça, mas, infelizmente, temos no homem a
vontade inerente de superar a determinação divina registrada em
Gênesis de que deveria obter resultados materiais para seu
sustento com o suor do rosto (Gn 3:17-19), sendo o “trabalhador
digno de sua retribuição” (Lc 10:7), e o micróbio do “amor às
riquezas e a demonstração do poder vem contaminando a muitos”.
As pessoas não se contentam em ter o necessário, nem em sobejo,
mas precisam pensar que são os únicos, os tais, e que as suas
posses lhes permitem “passar sobre os outros”, primordialmente
sobre os “pobres”, que passam a ser humilhados e explorados.
“Depois voltei-me, e atentei para toda a opressão que fazem
debaixo do sol; e eis que vi as lágrimas dos que foram oprimidos
e dos que não têm consolador; e a força estava da banda dos seus
opressores; mas eles não tinham nenhum consolador”. (Ecl 4:1).
“Se vires em alguma província opressão de pobres, e a violência
em lugar do juízo e da justiça, não te maravilhes de semelhante
caso; porque o que mais alto é do que os vossos altos para isso
atenta; e há mais altos do que eles.” (Ecl 5:8)
“Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a
esperança na incerteza das riquezas, mas em DEUS, que
abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos”. (I
Tm 6: 17).
“Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não vos oprimem os
ricos, e não vos arrastam aos tribunais?”
“Porventura não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi
invocado?” (Tg 2:6)
JESUS nos trás a parábola do rico e do Lázaro que identifica a
diferença que existe entre esses dois segmentos de pessoas,
irmãos e compatriotas de um mesmo país, de uma mesma cidade ou
bairro:
“E havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho
finíssimo, e vivia todos os regalado e esplendidamente”.
“Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio
de chagas à porta daquele.”
“E desejava alimentar-se com migalhas que caíam da mesa do rico;
e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas.”
“E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para
o seio d’Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado”.
“E no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao
longe Abraão, e Lázaro no seu seio”.
“E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e
manda a Lázaro que molhe na água a ponta de seu dedo e me
refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama”.
“Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus
bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora é consolado e
tu atormentado”.
“E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de
sorte que os que quiserem passar daqui para vós não poderiam,
nem tão pouco de lá passar para cá.” ... (Lc 16: 19-31)
Esta parábola já foi objeto de muitas meditações, pregações,
estudos e reflexões, tendo dado margem a interpretações corretas
e incorretas.
Como já nos referimos, riqueza e pobreza não são elementos de
salvação, CRISTO é o único que nos confere esta graça (Atos
4:12), e não são obras que nos redimem, mas o sangue do Cordeiro
(Rm 3:20; Gl 2:16; Ap 22:14). Porém, quem é salvo em JESUS tem o
fruto do ESPÍRITO (Gl 5: 22), e, por isso, não age como o rico
da estória.
Alguns pontos podem ser anotados a respeito dessa narrativa do
Mestre:
A – O pobre e o rico viviam no mesmo local, estando o primeiro à
porta do segundo.
B – O rico não tinha somente para o seu sustento, mas
aproveitava de todas as coisas supérfluas e se “regalava” com
elas.
C – Não restam dúvidas de que o rico sabia da existência do
pobre, mas ele não iria se “rebaixar”, tomando qualquer
iniciativa a seu favor.
D – O pobre queria comer os “restos” do rico, mas nem isso lhe
foi dado.
E – O rico não “partilhou” de nada que tinha com o pobre, e, por
isso, não estabeleceu uma “cumplicidade”, uma “parceria” com
ele.
F – Terminada a jornada terrestre, o rico queria “partilhar” do
que o pobre usufruía, mas cabe ao homem viver uma vez, e,
depois, somente o juízo, sem chances novas (Hb 9:27).
G – Ao dizer que é salvo, a pessoa precisa ver como agir, pois
somos sal da terra e luz do mundo (Mt 5:13-16), de forma que
nosso viver deve levar os homens a glorificar a DEUS e não a
recusá-lo (Mt 5:16).
Essa questão é deveras antiga. Aquele jovem que procurou a JESUS
em busca do caminho para a vida eterna, embora correto em
praticamente tudo, recuou quando lhe foi proposto quer “deixasse
sua riqueza” e se unisse a um grupo de homens simples, cujo
líder não tinha onde reclinar a cabeça (Mc 10: 17-31; Mt 8:20).
Davi fala a respeito das pessoas de alta posição e das pobres e
simples e considera que ambas, por si mesmas, nada mais são que
vaidade (Sl 62:9), mas que existe maior valor na sabedoria do
que na riqueza( Pv 19:1; Pv 28:6; Ec 4:13).
Eis, pois, algo que nos convida a uma reflexão profunda. Será
que ter a prosperidade na Terra vai, efetivamente, estabelecer
uma diferença para com DEUS no grande dia do Senhor?
Para tal questão não existe uma resposta isolada, pois o que se
pretende é o “equilíbrio” diante de DEUS, com a busca
prioritária do Reino (Mt 6:33) e a conseqüente benção material,
na qual, contudo, não é permitido colocar o coração, como o rico
insensato (Lc 12:13-21).
Se as riquezas aumentam não coloque nelas o coração: Sl 62:10.
Nada é especificamente seu: Fp 2:4.
O texto citado sobre o rico insensato mostra que para que
sejamos ricos, e mesmo assim espiritualmente abençoados,
precisamos estabelecer uma compensação que nos faça ricos na
Terra e também diante de DEUS na eternidade:
“Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico diante
de DEUS”. (Lc 12:21).
Mais uma vez o rei Salomão nos mostra essa situação de
“equilíbrio”, quando formula um interessante pedido ao Senhor:
“Duas coisas te pedi: não mas negues, antes que morra;”
“Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a
pobreza nem a riqueza: mantém-me do pão da minha porção
acostumada”
Para que porventura de farto te não negue, e diga: Quem é o
Senhor? Ou que, empobrecido, não venha a furtar, e lance mão do
nome de DEUS.”(Pv 30: 7-9).
Se a lição da Palavra de DEUS, sobre avareza, a soberba e a
opressão para com os outros, foi devidamente registrada, não
basta que digamos: “Mas eu não prejudico ninguém e não defraudo
ninguém, assim estou isento”.
A orientação divina vai mais longe e nós sabemos que temos
certas coisas a fazer e não podemos omiti-las:
“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz, comete pecado”
(Tg 4:17).
Aqui há duas coisas, colocadas pela Palavra, que podem ser de
grande ajuda para nossa vida material de forma associada com
aquela, mais importante, a espiritual.
1- Para os que são salvos e atuam em uma igreja é preciso
lembrar que o maior apoio que se pode dar a alguém é levá-lo ao
conhecimento de CRISTO. Isso pode ocorrer diretamente, por meio
de sua ministração, conforme ordenou JESUS (Mc 16:15), ou por
meio de sua contribuição, com alegria, em dízimos e ofertas que
apóiem pessoas com ministérios específicos (Ml 3:10; II Cor
9:7).
2. O primeiro tópico é relativamente comum e alguns até se
vangloriam, como fez aquele fariseu (Lc 18:9-14). Está correto e
é rico em bênçãos, mas deixa espaço para uma outra prática,
extremamente importante, a ajuda ao próximo.
Embora não se possa atribuir qualquer mérito de salvação para a
denominada “caridade” ou mesmo “beneficência”, a atitude de
“amor ao próximo” (João 13:35; Mt 22:39; Rm 13:9; I João 4:20)
possui não poucas considerações nas Escrituras:
A - JESUS fala sobre aqueles que deram de beber e comer e
visitaram os pobres, doentes e necessitados.
“Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde,
benditos do meu Pai, possuí por herança o reino que está
preparado desde a fundação do mundo.”
“Porque tive fome, e deste-me de comer, tive sede e deste-me de
beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;”
“Estava nu, e vestiste-me; adoeci, e visitastes-me; estive na
prisão, e fostes ver-me”.
“Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te
vimos com fome, e te demos de comer? Ou com sede e te demos de
beber?”
“E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? E nu e te
vestimos?”
“E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?”
“E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que,
quando fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o
fizeste.”...
...“Então eles também responderão, dizendo: Senhor, quando te
vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo,
ou na prisão, e não te servimos?”
Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando
a um destes pequeninos o não fizeste, não o fizestes a mim”. (Mt
25: 31-46).
Observe que os que haviam agido bem não estavam convencidos ou
sequer cientes disso, ou seja, agiram de acordo com a
recomendação de JESUS, sem alarde, por amor, de forma natural e
costumeira (Mt 6: 1-4).
Como consideração adicional, podemos lembrar o que JESUS falou a
respeito dos “pobres de espírito”, que não são pessoas de mente
fraca, como aventam alguns, mas aqueles que precisam de apoio
que não é material, mas espiritual, que caem freqüentemente em
dificuldades, e estão dispostos receber ajuda se lhes for
oferecida. (Como crianças, de quem é o reino dos céus: Mc 10:14)
“Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino
dos céus”. (Mt 5:3)
Este é um campo no qual a maioria das pessoas não quer penetrar
e se afasta logo que vê alguém com problemas, fraco ou caído.
Paulo, porém, nos dá uma lição quando diz:
“Fiz-me fraco para com os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me
tudo para com todos, para por todos os meios chegar a salvar
alguns”. (I Cor 9:22).
Podemos pensar que, se eles são bem aventurados, não há o que
possamos acrescentar, cabendo somente a DEUS suas restaurações,
mas há outro ensinamento na história de Jó:
“E o Senhor virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus
amigos; e o Senhor acrescentou a Jó outro tanto o dobro a tudo
quanto dantes possuía”.
“Então vieram a ele todos os seus irmãos e todas as suas irmãs e
tidos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele pão em sua
casa, e se condoeram dele, e o consolaram de todo o mal que o
Senhor lhe havia enviado; e cada um deles lhe deu uma peça de
dinheiro, e cada um um pendente de ouro. (Jô 42: 10-17)
Observe:
A- Jó era justo e o que passou foi uma experiência originária da
luta nos lugares celestiais (Ef 6 ).
B- Durante todo o livro que relata sua provação não se fala de
“irmãos ou irmãs ou de variados amigos”.
C- Estes personagens que “dantes o conheceram” provavelmente se
afastaram dele quando ficou pobre e doente.
D- DEUS lhe ofereceu o livramento “quando orou por seus amigos”,
mas as pessoas que o visitaram lhe deram “um dinheiro e um
pendente de ouro”, que certamente contribuíram para refazer sua
fortuna.
Tiago nos define a “verdadeira religião” como a fuga do mundo e
a atenção para os necessitados.
“A religião pura e imaculada para com DEUS, o Pai, e esta:
Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se
da corrupção do mundo”. (Tg 1:27)
Cornélio foi um homem não judeu, que ainda não havia aceito a
CRISTO, mas DEUS viu suas “orações e esmolas” e mandou buscar a
Pedro para lhe trazer a mensagem de salvação:
“E havia em Cesaréia um varão por nome Cornélio, centurião da
coorte chamada italiana”.
“Piedoso e temente a DEUS, com toda a sua casa, o qual fazia
muitas esmolas ao povo, e de contínuo orava a DEUS”.
“Este, quase a hora nona do dia viu claramente numa visão um
anjo de DEUS, que se dirigia para ele e dizia: Cornélio”.
“O que fixando os olhos nele, muito atemorizado, disse: Que é
Senhor? Eu disse-lhe: As tuas orações e as tuas esmolas têm
subido para memória diante de DEUS.”
“Agora, pois, envia homens a Jope, e manda chamar a Simão, que
tem por sobrenome Pedro”.... (Atos 10: 1-48).
Tabita era mulher que apoiava os pobres, e quando veio a morrer,
DEUS a ressuscitou:
“E havia em Jope uma discípula chamada Tabita, que traduzido se
diz Dorcas. Esta estava cheia de boas obras e esmolas que
fazia.”
“E aconteceu naqueles dias que, enfermando ela, morreu; e,
tendo-a lavado, a depositaram num quarto alto”....
...“Mas Pedro, fazendo-as sair a todas, pôs-se de joelhos e
orou: e, voltando-se para o corpo, disse: Tabita, levanta-te. E
ela abriu os olhos, e vendo a Pedro assentou-se”... (Atos
9:32-42)
DEUS fala ao povo de Israel, sobre algo que se aplica a nós,
deixando de lado o valor das práticas rituais, como o jejum, mas
determina o atendimento ao próximo e faz uma promessa linda a
esse respeito:
...“Seria este o jejum que eu escolheria: que o homem um dia
aflija a sua alma, que incline a sua cabeça como o junco, e
estenda debaixo de si saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e
dia aprazível ao Senhor?”
“Porventura não é este o jejum que escolhi? Que soltes as
ligaduras da impiedade, que desfaça as ataduras do jugo? E que
deixes livres os quebrantados e despedaces todo o jugo?”
“Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e
recolhas em casa os pobres desterrados? E, vendo o nu, o cubras,
e não te escondas da tua carne?”
“Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura
apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face,
e a glória do Senhor será a tua retaguarda”.
“Então clamarás, e o Senhor te responderá: gritarás, e ele dirá:
Eis-me aqui: se tirardes do meio de ti o jugo, e estender do
dedo, e o falar vaidade”.
“E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita:
então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como
o meio dia”.
“E o Senhor te guiará continuamente, e fartará a tua alma em
lugares secos, e fortificará os teus ossos, e serás como um
jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam”...
(Isaías 58: 1-12)
Veja que não temos como “erradicar a pobreza”, pois isso,
conforme a palavra bíblica já anotada, é uma utopia cada vez
mais distante nos dias atuais, mas suprir o faminto, com parte
do que DEUS nos deu, é o objetivo.
Por mais de uma vez a ordem de DEUS fala em “despedaçar o jugo”,
ou seja, tirar de sobre os oprimidos o peso esmagador que os
coloca cada vez mais lá embaixo.
Fala-se de hospedar pessoas que não têm onde ficar, e as
Escrituras nos advertem que muitas vezes, ao hospedarmos uma
pessoa pobre e simples, estamos hospedando “anjos” (Hb 13:2-3).
Isso não significa colocar pessoas em nossa casa, mas tratá-las
como o Samaritano tratou o homem ferido: Lc 10:25-37.
Quando fazemos algo por alguém estamos nos qualificando para
receber parte do galardão daquela pessoa, que pode ser um grande
servo de DEUS, como aconteceu com a viúva que apoiou Elias (I Rs
17: 8-16).
“Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim,
recebe aquele que me enviou.”
“Quem recebe um profeta em qualidade de profeta, receberá
galardão de profeta; e quem recebe um justo em qualidade de
justo, receberá galardão de justo.”
“E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um
destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que
de modo algum perderá o seu galardão.” (Mt 10:40-42).
A verdadeira diferença entre os homens não está em nada que
possuam, pois todos precisam respirar, se alimentar, ter sonhos.
O que conta é a atitude real de uns para com os outros, pois
essa tem um registro na eternidade.
Estudo bíblico de autoria de Pr. Elcio Lourenço – Pastor desde
1968 – Brasília-DF
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