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Lição 2, A Natureza dos Anjos, A Beleza do Mundo Espiritual
1º Trimestre de 2019 - Batalha Espiritual: O povo de DEUS e a guerra contra as potestades do mal. - Comentário: Esequias Soares
Complementos, Ilustrações e Vídeos: Pr. Luiz Henrique de Almeida Silva - 99-99152-0454.
 
Vídeo Completo https://www.youtube.com/watch?v=1pjVCDmD3mk
Slides do Blog - https://ebdnatv.blogspot.com/2019/01/slides-da-licao-2-natureza-dos-anjos.html
Slides SlideShere - https://www.slideshare.net/henriqueebdnatv/slideshare-lio-2-a-natureza-dos-anjos-a-beleza-do-mundo-espiritual-1tr19-pr-henrique-ebd-na-tv
 
Estude esses ensinos
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao6-vc-anjos-ministroseenviadospordeus.htm
 
 
 
 
 
TEXTO ÁUREO
“Bendizei ao SENHOR, anjos seus, magníficos em poder, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra.” (Sl 103.20)
 
 
 

VERDADE PRÁTICA
Os anjos são seres reais, espirituais e celestiais a serviço de DEUS e enviados para ajudar os que vão herdar a salvação.
 
 
 

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Ne 9.6 Os anjos pertencem a uma ordem da criação de DEUS
Terça – Jó 38.6,7 Os anjos testemunharam a criação do universo físico
Quarta – Lc 2.13,14 Os anjos estão organizados em milícias espirituais que povoam o céu
Quinta – Cl 1.16 Os anjos são identificados na Bíblia de diversas formas
Sexta – 1 Tm 3.16 Os anjos assistiram o Senhor JESUS desde o anúncio do seu nascimento até a sua ascensão
Sábado – Hb 1.14 Os anjos são espíritos que servem a DEUS e ao seu povo
 
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Lucas 1.26-35
26 - E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por DEUS a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27 - a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. 28 - E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres. 29 - E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras e considerava que saudação seria esta. 30 - Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de DEUS, 31 - E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de JESUS. 32 - Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor DEUS lhe dará o trono de Davi, seu pai, 33 - e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim. 34 - E disse Maria ao anjo: Como se fará isso, visto que não conheço varão? 35 - E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o ESPÍRITO SANTO, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o SANTO, que de ti há de nascer, será chamado Filho de DEUS.
 
OBJETIVO GERAL
Mostrar os anjos como seres espirituais reais, cujo serviço glorifica a DEUS e auxilia seu povo.
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Expor a identidade dos anjos;
Explicar a natureza e o ofício dos anjos;
Elencar a ordem hierárquica dos anjos.
Destacar a relação de JESUS com os anjos a partir do Arcanjo Miguel.
 
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
A época contemporânea está em volta em misticismos de diversas origens. O Ocidente tem sido influenciado por religiões orientais e, por isso, há inclinações sobejas para uma espiritualidade centrada em criaturas espirituais e não no Criador. Porém, a Bíblia mostra que os anjos não são mitos nem lendas, mas seres espirituais que atuam na vida dos que se entregam a CRISTO e o tem como Senhor de suas vidas. Portanto, nesta lição, devemos falar a respeito da identidade dos anjos, a natureza e ofício, a organização e a relação de JESUS, o Filho de DEUS, com eles. Nesta semana contemplaremos a beleza do mundo espiritual.

PONTO CENTRAL
Os anjos são seres celestiais a serviço de DEUS para auxiliar os salvos em CRISTO.
 
Resumo da Lição 2, A Natureza dos Anjos, A Beleza do Mundo Espiritual
I – OS ANJOS
1. Quem são eles?
2. Os gregos e os romanos.
3. Na Bíblia.
II – OS SERES CELESTIAIS PARA SERVIR
1. Natureza.
2. Ofício.
3. A ação dos anjos durante o ministério de JESUS.
III – AS HOSTES ANGELICAIS
1. As hierarquias angelicais.
2. Serafins e querubins.
3. Arcanjos.
IV – JESUS E O ARCANJO MIGUEL
1. A identidade de Miguel.
2. Uma diferença abissal.
 
 
SÍNTESE DO TÓPICO I
A palavra anjo significa mensageiros. Nas Escrituras, os anjos sempre desempenharam essa função.
Observação - Os anjos assistiram a JESUS durante todo o seu ministério terreno, na tentação do deserto, na agonia do Getsêmani, na sua ressurreição e na ascensão ao céu.
 SÍNTESE DO TÓPICO II
Os anjos são criaturas espirituais invisíveis às pessoas. As principais funções deles são glorificar a DEUS e fazer obras em favor dos seres humanos.
Observação - As Escrituras Sagradas revelam existir mais seres no céu, da mesma natureza e com a mesma posição de arcanjo.
SÍNTESE DO TÓPICO III
Há uma organização clara dos anjos no céu, mas sobre a natureza dessa hierarquia a Bíblia nos revela muito pouco.
SÍNTESE DO TÓPICO IV
Há uma diferença abissal entre JESUS CRISTO e o Arcanjo Miguel: este é príncipe, aquele é o Senhor dos senhores.
 
 
 
 
COMENTÁRIOS DIVERSOS
 
OBSERVAÇÕES DO Pr.HENRIQUE
Existem mais de um Arcanjo (Chefe ou líder de anjos) com certeza - veja que Miguel era um dos primeiros. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia. Daniel 10:13 (UM DOS PRIMEIROS) Mas eu te declararei o que está registrado na escritura da verdade; e ninguém há que me anime contra aqueles, senão Miguel, vosso príncipe. Daniel 10:21 (PRÍNCIPE) Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda. Judas 1:9 (ARCANJO)
 
O ANJO DO SENHOR - JESUS - TEOFANIA
 
SÃO EM NÚMERO DE MILHÕES DE MILHÕES E MILHARESD E MILHARES.
E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares, (Apocalipse 5:11)
 
PODEM ESTAR EM REDOR DO TRONO DE DEUS
E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares, (Apocalipse 5:11)
 
OS ANJOS ÀS VEZES PODEM SER CHAMADOS DE FILHOS DE DEUS PORQUE DEUS OS CRIOU.
DEUS é pai dos espíritos (Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Hebreus 12:9).
E num dia em que os filhos de DEUS vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles. (Jó 1:6).
 
A TERÇA PARTE DOS ANJOS SE TORNARAM DEMÔNIOS
 a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho. Apocalipse 12:4
 
O DESTINO DE SATANÁS E DOS DEMÔNIOS JÁ ESTÁ SELADO.
Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; Mateus 25:41
 
 
SERES HUMANOS TAMBÉM SÃO CHAMADOS DE ANJOS NA BÍBLIA, EM ALGUMAS OPORTUNIDADES
E ao anjo da igreja em Esmirna, escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto, e reviveu: Apocalipse 2:8
O mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete castiçais de ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, que viste, são as sete igrejas. Apocalipse 1:20
 
OS ANJOS SÃO CHAMADOS DE ANJOS DE SATANÁS
E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos; Apocalipse 12:7
 
OS ANJOS FORAM CRIADOS ANTES DOS HOMENS
 
Assim como existe hierarquia no exército terrestre - existe no celeste. QUERUBINS, SERAFINS, ARCANJOS, ANJOS. Por exemplo, num exército todos são homens, só que existe uma hierarquia -
Oficiais Generais
Marechal - General de Exército - General de Divisão - General de Brigada
Oficiais Superiores
Coronel
Tenente-Coronel
Major
Oficiais Intermediarios
Capitão
Oficiais Subalternos
1º Tenente
2º Tenente
Aspirante a Oficial
Graduados
Subtenente
1º Sargento
2º Sargento
3º Sargento
Taifeiro-Mor
Cabo
Taifeiro de 1a Classe
Taifeiro de 2a Classe
Soldado
 
 
Porém um dos serafins voou para mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; Isaías 6:6
Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam. Isaías 6:2 (Strong Português)
SERAFINS שרף saraph
Seres majestosos com 6 asas, mãos ou vozes humanas a serviço de DEUS.
Os anjos possuem asas, mas quando aparecem a homens, na maioria das vezes se manifestam em forma humana, com vestes resplandecentes ou não.
O importante é que as pessoas ao vê-los os reconheciam imediatamente como anjos.
Abraão se enganou pensando que eram três anjos que lhe visitaram. Dois anjos estavam em angelofania e Um era JESUS, em uma teofania.
 
 
PARA OS QUEREM DIZER QUIE SERAFINS SÃO SERPENTES DE FOGO VEJA AI O ORIGINAL E 8 TRADUÇÕES DE BIBLIAS MAIS USADAS. EM OUTRAS PASSAGENS PODE SER SERPENTE, MAS AQUI EM ISAIAS SÃO SERAFINS MESMO.
2 Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam.
2 Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava.
2 Os serafins estavam acima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés e com duas voavam.
2 Os serafins se mantinham junto dele. Cada um deles tinha seis asas; com um par ( de asas ) velavam a face; com outro cobriam os pés; e, com o terceiro, voavam.
2 Serafins estavam por cima dEle; cada um deles tinha seis asas; com duas delas cobria o seu rosto, e com outras duas cobria os seus pés, e com mais duas voava.
2 À sua volta voavam poderosos serafins, anjos que tinham seis asas. Com duas asas, eles cobriam seus rostos, com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam.
2 Os serafins estavam acima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés e com duas voavam.
2 Os serafins se mantinham junto dele. Cada um deles tinha seis asas; com um par ( de asas ) velavam a face; com outro cobriam os pés; e, com o terceiro, voavam.
OITO TRADUÇÕES DIFERENTES DE NOVE BÍBLIAS DIFERENTES - COMO SÃO ANJOS QUE SE MANIFESTAM COM FOGO ALGUNS SE CONFUNDEM. IMAGINE O ABSURDO SE SERPENTES SOBREVOASSEM O TRONO DE DEUS. (SERPENTES SIMBOLIZAM SATANÁS).
 
Salmos 91:11 Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.
Eu já refutei na lição passada porque dizia que o homem não era espírito, alma e corpo.
CONCLUSÃO ENTÃO. OS ANJOS NOS GUARDAM
 
Salmos 34:7 O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra.
Gn 22:15 Então, o Anjo do SENHOR bradou a Abraão pela segunda vez desde os céus
Quando SENHOR ESTÁ TODO EM MAIÚSCULAS SIGNIFICA TEOFANIA. MANIFESTAÇÃO DE JESUS (DEUS) em forma humana.
 
Porque só Gabriel e Miguel, foram citados seus nomes na Bíblia? [embora anjos maus também são nomeados como  Apolion ou Abadon (hebraico: אֲבַדּוֹן , 'Ǎḇaddōn), assim como Apolion (grego: Ἀπολλύων, Apollyon) - Apocalipse 9:11]
Pode ser que só foram citados os anjos que trabalham diretamente para Israel e tiveram maior importância em seus trabalhos em favor desta nação.
 
 
CRIAÇÃO DOS ANJOS
Sabemos ao certo que DEUS criou os anjos antes de criar o universo físico. O livro de Jó descreve os anjos adorando a DEUS durante a criação do mundo: "Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases ou quem lhe assentou a pedra angular, quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de DEUS?" (Jó 38:4-7).
Se considerarmos a função dos anjos, podemos concluir que DEUS os criou bem antes da criação da humanidade, já que um dos seus deveres é ser "espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação" (Hebreus 1:14). Também sabemos que já existiam antes do jardim do Éden porque Satanás, que anteriormente era o anjo Lúcifer, já estava presente no jardim em seu estado caído. No entanto, uma vez que outra função dos anjos é adorar a DEUS ao redor de Seu trono (Apocalipse 5:11-14), eles podem ter existido milhões de anos - como contamos o tempo - antes de DEUS criar o mundo, adorando e servindo a Ele.
Então, embora a Bíblia não diga especificamente quando DEUS criou os anjos, com certeza foi antes do mundo ser criado. Quer tenha sido um dia ou bilhões de anos antes - novamente, como nós calculamos o tempo - não podemos ter certeza.
 
 
Os Anjos - A Doutrina dos Anjos - Silva, Severino Pedro da - 1997 - CPAD - São Paulo, Capital
Introdução
Quando consideramos os anjos, como nas outras divi­sões da Teologia Sistemática, existe um vastíssimo campo para o uso da razão. Por quê? porque desde que o Universo foi ordenado, esses seres entram em foco: Eles estiveram presentes ali! e, continuarão presentes pela eternidade.
A Angelologia (doutrina dos anjos) sempre foi proemi­nente em ambos os Testamentos. Muitas passagens das Escrituras ensinam que há uma ordem de seres celestes to­talmente distintos da humanidade e da Divindade, que ocupam uma posição exaltada acima da atual posição do homem. Nem sempre podemos ter consciência da presença dos anjos. A Bíblia, porém, nos garante que, um dia, será removido de nossos olhos "o véu da separação" entre o visível e o invisível. Então, a partir daí, poderemos vér e conhecer em toda a plenitude a atenção que os anjos nos dedicaram em cada passo de nossa vida (1 Co 13.12). A crença em tais mensageiros angelicais é de caráter univer­sal! Filósofos, poetas, historiadores, teólogos, etc, fre­qüentemente falaram no ministério de anjos. Muitas expe­riências do povo de Deus indicam que os anjos o tem auxiliado. Muitas pessoas poderão não ter sabido que estavam sendo ajudadas, porém a visita era real. A Bíblia nos diz que Deus ordenou aos anjos que auxiliassem o seu povo - a todos os que foram redimidos pelo poder do sangue de Cristo.
Negar esta verdade é negar a própria Bíblia.
 
Sua existência
"Não são porventura todos eles espíritos ministrado-res, enviados para servir a favor daqueles que hão de her­dar a salvação?" (Hb 1.14). O vocábulo "anjo" tal qual aparece nas versões correntes, vem de uma raiz hebraica "mal’ãkh" (Lê-se malaque). No grego da Septuaginta (LXX), porém, os tradutores traduziram por "angellos" e, com tal sentido, o vocábulo aparece em ambos os testa­mentos.
Para o povo da Aliança (os judeus) e até fora dele, am­bos os termos, designam um "mensageiro de Deus", fami­liarizado com Ele face a face, e por isso pertence a uma or­dem de seres superiores aos homens (Sl 8.3; Hb 2.7,9; 2 Pe 2.11).
Em alguns casos, aplica-se também o vocábulo "men­sageiro de Deus" para uma pessoa humana, dependendo apenas, do contexto (2 Sm 14.17; Mt 11.10; Ap 1.20; 2.1,8,12,18; 3.1,7,14, etc).
Essas criaturas angelicais são mencionadas em ambos os Testamentos e em todas as épocas da história humana e sagrada. Vejamos:
a) No Antigo Testamento eles são mencionados tex­tualmente por 108 vezes e sempre em missões específi­cas. Veja! Gênesis 16.7,9-11; 19.1,15; 22. 11,15; 24.7,40; 28.12; 31.10,11; 32.1; 48; Êxodo 3.2; 14.9; 23.20,23; 32.34; 33.2; Números 20.16; 22.22-27,31,32,34,35; Juízes 2.1,4; 5.23; 6.11,12,20-22; 13.3,6,13,15-17,19,20; 1 Samuel 29.9; 2 Samuel 14.17; 19.27; 1 Reis 13.18; 19.5,7; 2 Reis 1.3,15; 19.35; 1 Crônicas 21.12,15,16,18,20,27,30; 2 Crônicas 32.21; Jó 4.18; Salmo 8.5; 34.7; 35.5,6; 91.11; 103.20; 148.2; Eclesiastes 5.6; Isaías 37.36; 63.9; Daniel 3.28; 6.22; Oséias 12.4; Zacarias 1.9, 11-14,19; 2.3; 3.3,5,6; 4.1,4,5; 5.10; 6.4,5; 12.8; Malaquias 2.7; 3.1.
b) No Novo Testamento essas criaturas são menciona­das sempre servindo aos santos, por 175 vezes. Observe­mos cada texto e contexto onde a palavra está presente:
Mateus 1.20,24; 2.13,19; 4.6,11; 11.10; 13.39,41,49; 16.27; 18.10; 22.30; 24.31,36; 25.31,41; 26.53; 28.2,5; Mar­cos 1.2,13; 8.38; 12.25; 13.27,32; Lucas 1.11,13,18,19,26,28,30,34,35,38; 2.9,10,13,15; 4.10; 7.27;9.26; 15.10; 16.22; 20.36; 22.43; 24.23; João1.51; 5.4; 12.29;20.12; Atos 5.19; 6.15; 7.35,53; 8.26; 10.3,7,22; 12.7-11,15,23;23.8,9;27.23; Romanos 8.38; 1Coríntios4.9; 6.3;11.14; Gálatas 1.8; 3.19; 4.14;Colossenses2.18;2Tessalonicenses1.7; 1Timóteo3.16;5.21;Hebreus1.47,13;2.2,7,9,16;12.22;13.2;1Pedro1.12;3.22;2Pedro2.4,11;Judasv.6;Apocalipse1.1,20;2.1,8,12,18;3.1,7,14;5.1,11;7.1,2,11;8.2-8,10,12.13;9.1,11,13,14,15;10.1,5,7-10;11.1,15; 12.7; 14.6,8-10,15,17-19;15.1,6,8;16.1,3-5,8,10,12,17; 17.1,7; 18.1,21; 19.17; 20.1; 21.9,12,17; 22.6,8,16(4).No Apocalipse deJoão,existemapenastrêscapítulos (4,6,13) onde o vocábulo está ausente, mas nos demais ele ocorre 71 vezes. Na esfera celeste, porém, este número angelical é elevado a um grau supremo. A Bíblia afirma existir "...milhares de milhares "e" milhões de milhões" (Ap 5.11). Existem muitas outras citações similares com outros apelativos que expressam o mesmo significado do pensamento, a saber: "arcanjo" (Jd9). "varões" (Gn18.2), "homens" (Js 5.13), "intérpretes" (Jó 33.23), "sacerdotes" (Ml2.7), "ministros" (Sl 104.4), "espíritos" (Hb1.14), "ventos" (Sl 104.4), "mancebos" (Marc 16.5). "águia= ARA" (Ap 8.13), "estrelas" (Ap 1.20; 12.4), "deuses = LXX" (Sl 97.7), "Labaredas de fogo" (Hb 1.7), "filhos de Deus" (Jó 1.6 e 2.1), "filhos dos poderosos" = referência à Trindade, LXX (Sl 29.1), "hostes" (SL 103.20 - LXX), "querubins" (Gn 3.24), "serafins"(Is 6.2-6), "criaturas vi­ventes" (Ap 4.6), "principados" (Ef 1.21), "potestades" (Ef 1.21), "poderes" (1 Pe 3.22 = ARA), "domínios" (Ef 1.21), "santos" (Dn 4.13), "mensageiros" (Jó 33.23), "vi­gias" (Dn 4.13), "Príncipes" (Js 5.13,14), etc.
A alusão ao número destes ministros de Deus é um dos superlativos da Bíblia. Eles foram descritos em multidões que ultrapassam nossa imaginação. Temos razões para concluir que há tantos seres espirituais em existência no Universo quantos seres humanos vão existir em toda a his­tória da Terra.
É significativo que a frase "o exército do céu" descre­ve tanto as estrelas materiais quanto os anjos, sendo que ambos não podem ser contados (Gn 15.5; Ap 5.11; 12.4).
c) O doutor William Cooke, observa esta enumeração em cada contexto dos exércitos celestiais. Vejamos:
"E foi também Jacó o seu caminho, e encontraram-no os anjos de Deus. E Jacó disse, quando os viu: Este é o exército de Deus. E chamou o nome daquele lugar Maa-naim" (Gn 32.1,2). O presente texto, conforme seu origi­nal, diz que Jacó viu-se cercado ali de dois exércitos ange­licais: "Maanaim" - dois bandos!
Micaías, profeta da corte acabiana, afirma ter visto o contingente celestial à "mão direita e à esquerda de Deus".
Veja! "... Vi ao Senhor assentado sobre o seu trono, e todo o exército do céu estava junto a ele, à sua mão direita e à sua esquerda" (1 Rs 22.19b).
O salmista Davi faz também similar declaração na poesia inusitada: "Os carros [de combate] de Deus são vinte milhares, milhares de milhares. O Senhor está entre eles, como em Sinai, no lugar santo" (Sl 68.17).
O profeta Eliseu viu um destacamento de anjos que foram enviados para sua proteção pessoal: "...Eis que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu" (2 Rs 6.17b).
Daniel, um dos profetas do cativeiro babilónico, teve uma visão futurística e nela contemplou um exército de anjos que serviam e adoravam a Deus, tudo ao mesmo tempo. Observe:
"Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milha­res de milhares o serviam, e milhões de milhões estavam diante dele..." (Dn 7.10a).
Os pastores belemitas viram e ouviram uma multidão destes agentes de Deus cantando quando Jesus nasceu. Ouça!
"No mesmo instante, apareceu com o anjo uma multi­dão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo: Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os homens" (Lc 2.13,14).
Nosso Senhor falou que o Pai poderia mandar mais de "doze legiões de anjos" (72 mil) e chegar até Ele para defesa numa fração de segundos "Ou pensas tu [falou a Pedro] que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me da­ria mais de doze legiões de anjos?" (Mt 26.53).
O escritor da carta aos hebreus fala destas hostes espi­rituais, quando diz: "Mas chegastes ao monte de Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos" (Hb 12.22).
Finalmente, no Apocalipse de João, há anjos por todas as partes: do começo ao fim! Ele inicia sua missão já falan­do em anjos. Veja! "...pelo seu anjo" (1.1) e fecha: "Eu, Jesus, enviei o meu anjo..." (22.16a). E no remate, escreve João: "E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos... e era o nú­mero deles milhões de milhões e milhares de milhares" (Ap 5.11). Na passagem de Hebreus 12.22, os anjos são in­dicados como uma companhia inumerável, literalmente, miríades. Isso expressa o pensamento do doutor A. C. Gae-belein: "Quão vasto é o número deles, somente o sabe Aquele cujo nome é Jeová-Sabaote, o Senhor dos Exérci­tos".
d) A angelologia do Antigo Testamento atingiu seu alto desenvolvimento no livro de Daniel. Ali os anjos são pela primeira vez, em toda a extensão das Escrituras -pelo menos em referência especificada - dotados de nomes (Dn 8.16; 10.21). Num conceito geral dos escritores sagrados, o anjo é um "mensageiro" ou segundo conceito co­mum um "enviado", pouco importa sua natureza boa ou má, dependendo do contexto.
São enviados por Deus para missões específicas e, de­pendendo do ofício do mensageiro, são chamados por vá­rios títulos.
Vejamos!
Sacerdotes (Mt 2.7); Intérpretes (Jó 33.23); Mancebos (Marc 16.5); Homens (Gn 18.2,16 - ARA); Varões (Lc 24.4); Mensageiros (Jó 33.23); Anjos (Gn 16.7 - pela primeira vez); Na poesia são chamados de "deuses" (Sl 97.7-LXX). E assim aparecem também no texto original da Epístola aos Hebreus.
Sua origem
Os anjos são filhos de Deus numa condição original. Visto que Deus os criou (Gn 1.31; 2.1; Ne 9.6; Jó 1.6; 2.1; 38.7; Sl 29.1-LXX; 89.6-LXX; Cl 1.16). Os anjos são cha­mados "filhos de Deus" porque são uma criação separada ou distinta de todas as outras criaturas.
O primeiro homem, Adão, podia também ser chamado de "filho de Deus" no mesmo sentido que foram chamados os anjos, porque Deus o criou numa condição original (Lc 3.38). Observe bem a frase na genealogia do Senhor onde expressa o significado do pensamento: "E o mesmo Jesus começava a ser de quase trinta anos, sendo (como se cuidava) filho de..." e ss. "...E Enos de Sete, e Sete de Adão, e Adão [filho a continuação] de Deus" (Lc 3.23,38). Em Gênesis 6.2,4 ocorre a expressão enigmática "filhos de Deus" que o doutor Bullinger em seu How to Enjoy the Bible traduz por "anjos de Deus". Porém para nós, de acordo com o que falou o Senhor Jesus em Mateus 22.30 e Lucas 20.35,36, respectivamente, esta maneira de inter­pretação do doutor Bullinger não se coaduna com o argu­mento e pensamento principal das Escrituras. A Bíblia afirma que os anjos, como os homens, foram criados por Deus. Por cuja razão é evidente que tenham em Deus a sua origem. Houve um tempo em que não existiam; na verda­de, havia unicamente o Deus Trino e Uno: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Na terminologia do Antigo Testamento, às vezes os anjos são chamados de "filhos de Deus"; enquanto que os homens foram chamados de "servos de Deus". No Novo Testamento, porém, isto foi invertido. Os anjos são chamados de "servos" ou "conservos" dependendo do contexto e os cristãos de "filhos" (Jó 1.6; 2.1; 38.7; Jo 1.12; Ap 22.9).
Mas, evidentemente, este título de "servo" e "filho" pode ser aplicado aos homens e aos anjos em qualquer época, passada, atual ou futura. Em várias partes das Escrituras os anjos são apresentados como coparticipantes da adoração, do louvor e do serviço prestado a Deus. Ver ilustração disso em Daniel 7.10, onde miríades de anjos se encontram na presença de Deus, para cultuá-lo e servi-lo; e nos Salmos, onde o Espírito Santo os conclama para que prorrompam em louvores (Sl 103.20; 148.2).
O ministério dos anjos bons é variado; diz respeito à santa obra e à adoração de Deus, bem como ao serviço de ajuda a favor dos homens.
Com respeito à sua filiação, alguns expositores defendem que a expressão Gênesis 6.2, que se encontra comentada no capítulo 2 (p.5 deste livro), com o título "Filhos de Deus", é explicada em todo o Antigo Testamento apenas para os anjos, mas a declaração de Jesus, em Mateus 22.30 e ss, afasta esta forma restrita de interpretação.
Mas adiante, no mesmo livro (How to Enjoy the Bible), numa exposição detalhada de 1 Pedro 3.19, o doutor Bullinger diz o seguinte em referência a Gênesis 6.2: "O propósito de Satanás era frustrar o conselho de Deus predito em Gênesis 3.15, degenerando a raça humana, pela qual 'a semente da mulher' (Cristo) havia de vir ao mundo. Assim essa tentativa foi corromper e destruir a humanidade. Esta destruição, seria segundo ele, através do ajuntamento ilícito dos seres angélicos com as filhas dos homens". Mas é evidente que, na passagem de 1 Pedro 3.19 e ss; 4.6, os personagens ali não devem ser anjos, e, sim, homens. Portanto, não foram os anjos!

Sua criação
De Colossenses 1.16,17, deduzimos que todos os anjos foram criados simultaneamente. Igualmente, deduzimos que a criação dos anjos foi completa naquela ocasião e que nenhum outro anjo foi acrescentado depois ao seu número.
Em Gênesis 2.1, a criação dos anjos é atual e com­pleta: "Assim os céus, e a Terra e todo o seu exército foram acabados". Eles não estão sujeitos à morte ou qualquer forma de extinção; portanto eles não diminuem nem au­mentam de número.
O plano pelo qual a família humana tem garantia de propagação da espécie não tem o seu correlativo entre os anjos; cada anjo, sendo uma criação direta de Deus, tem um relacionamento imediato e pessoal com o Criador. Da família humana no mundo vindouro, disse nosso Senhor Jesus Cristo: "...Os filhos deste mundo casam-se, e dão-se em casamento. Mas os que forem havidos por dignos de al­cançar o mundo vindouro, e a ressurreição dos mortos nem hão de casar, nem ser dados em casamento. Porque já não podem mais morrer; pois são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição" (Lc 20.34b-36).
Os anjos foram criados, no que diz respeito ao tem­po, quando Deus criou os céus (o imaterial); criou os anjos (o espiritual). As citações depreendidas do livro de Gênesis 1.1; 2.1; Neemias 9.6; Colossenses 1.16 e outras passagens similares, nos afirmam isso.
"A criação, tanto de céus e Terra e do mundo espiri­tual é atual também no primeiro capítulo da Bíblia, Deus criou: 'Céus e Terra'. O céu e a Terra com todo o seu exército é mencionado em Gênesis 2.1 - Exército aqui, é 'tsebaam', de 'tsaba', significa 'avançar como soldado' (Gesenius, erudito hebreu do século dezenove), andar jun­tos para serviço (Fürst); o termo é usado, portanto, acerca dos anjos, 1 Reis 22.19; 2 Crônicas 18.18; Salmo 148.2; Lc 2.13. Refere-se também aos corpos celestes e aos pode­res do Céu (Is 34.4; Dn 8.10; Mt 24.29). Na criação ori­ginal de Gênesis 1 a 2, está incluído o 'Céu e a Terra', o es­piritual com seus anjos. São eles as personalidades criadas no mundo espiritual (Ne 9.6), e a raça humana no mundo material (Marc 10.6)".
c) O doutor Arno Clemens Gaebelein, no seu livro "The Angels of God (Os anjos de Deus), descreve o que se­gue: "Nas belas e sublimes palavras com as quais Deus respondeu a Jó, do meio do redemoinho, encontramos uma indicação quanto ao tempo em que os anjos vieram à exis­tência: 'Onde estavas tu, quando eu fundava a Terra? Faze-mo saber, se tens inteligência... quando as estrelas [anjos] da alva juntas alegremente cantavam, e todos os fi­lhos de Deus [os anjos] rejubilavam?' (Jó 38.4,7). Que Deus se refere aqui à criação está perfeitamente claro. Portanto, já existiam os anjos quando Deus lançou os fun­damentos da Terra, quando Ele a criou no princípio. E, fica claro que os anjos já tinham sido criados. E, ao con­templarem a obra da criação, clamaram eles de júbilo".
Sua natureza
"Não são porventura todos eles espíritos ministradores..." (Hb 1.14a). O doutor William Cooke investigou o vasto campo da verdade relativa à natureza e corporalida­de dos anjos:
"No Antigo Testamento o Salmista os chama de espí­ritos: 'Fazes a teus anjos ventos [espíritos], e a teus minis­tros, labaredas de fogo' (Sl 104.4). E no Novo Testamento eles são chamados pelo mesmo termo: 'Não são porventura todos eles [anjos] espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?'" (Hb 1.14).
Alguns escritores renomados, especialmente da Idade Média, discutiram bastante quanto à corporalidade dos anjos. Chegaram até a fazer perguntas entre si: "Os anjos são espirituais a ponto de serem absolutamente imateriais como Deus? ou estarão revestidos de uma refinada estru­tura material?" As opiniões, tanto dos antigos como dos modernos comentadores, estão muito divididas neste as­sunto, porém as Escrituras mostram à luz de cada contex­to, que os anjos são de fato, seres espirituais. Este fato, en­tretanto, não impede sua transfiguração quando se fizer necessária; pois os espíritos humanos no estado eterno, embora desincorporados, têm seu relacionamento com o homem aparecido em forma humana material: Moisés, no monte Santo, também Elias, foram vistos assim. Os an­ciãos que apareceram a João no Apocalipse, tinham tam­bém forma humana (Ap 5.5 e ss).
O termo "anjo", em seu sentido literal sugere a ideia de ofício - o ofício do mensageiro, e não a natureza do mensageiro. Por isso é que lemos em Lucas 2.15: "E, acon­teceu que, ausentando-se deles os anjos para os céus, disse­ram os pastores uns aos outros: Vamos pois até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber". Ora, na frase "os anjos",lê-se no original: "os mensagei­ros". Porém, com esse sentido, o termo "anjo" setõrnou familiarizado entre o povo da aliança e até fora dele para designar um "espírito imortal" que leva uma mensagem. Eles são vistos por toda a história humana e divina com tal objetivo.
Suas atividades no Céu e sobre a Terra, no passado, são registradas em ambos os Testamentos, como mensa­geiros "enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação".
Martinho Lutero (o grande reformador alemão) define tais seres da seguinte maneira: "O anjo é uma criatura es­piritual sem corpo (físico) criada por Deus para o serviço da cristandade e da Igreja".
A mitologia de quase todas as nações antigas fala em tais seres. O doutor Arno Clemens Gaebelein, já citado noutras ocasiões, diz: "A mitologia babilónica pintava-os como deuses que transmitiam mensagens dos deuses aos homens em ocasiões difíceis". A mitologia grega e romana tinha seus gênios, semideuses, faunos, ninfas e náiades, que segundo sua crença visitavam a Terra. Hesídio, depois de Homero, o poeta cego da mitologia grega, assim escre­veu: "Milhões de criaturas espirituais andavam pela Ter­ra". No Egito e nas nações orientais, os antigos povos acre­ditavam em tais criaturas sobrenaturais e invisíveis. Essa crença nos anjos é universal.
As mitologias são ecos débeis e distorcidos de um co­nhecimento verdadeiro possuído pela raça humana. Para o povo da aliança (os hebreus) tanto a existência como a na­tureza destes seres eram reais. O Antigo Testamento su­bentende que os anjos foram testemunhas alegres do ato criativo de Deus, embora não necessariamente participan­tes. No Novo Testamento, aparecem intimamente associa­dos com a transmissão da Lei (Atos 7.53; Gl 3.19; Hb 2.2), e não é incoerente que apareçam frequentemente ligados com o julgamento.
Seu caráter
"Porque, qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos" (Lc 9.26). As Escrituras nos dão a entender que, antes da queda dos anjos, em um passado remoto, eles eram san­tos apenas no seu caráter, mas não o eram no seu ser. Po­rém, aqueles anjos que se mantiveram fiéis a Deus durante a grande revolta de Satanás, guardando seu estado origi­nal, Deus os confirmou em santidade tanto no seu caráter como em seu ser. Declarando-os"...santos anjos".
As Escrituras não usam termo atual sobre o pecado dos anjos, tais como: "aos anjos que pecam" ou "anjos que estão pecando, etc". Mas, usam sim, "aos anjos que peca­ram" (2 Pedro 2.4; Judas v.6.) A partir desta época, que marcou uma "cisão" na companhia angelical, evidente­mente o Criador declarou por seus "santos anjos" aqueles que escaparam ilesos da sedução de Satanás. A partir daí, sua santidade, à semelhança da santidade de Deus, não é apenas uma isenção de toda impureza moral, mas antes, o conjunto de todas as excelências morais. Eles são exata­mente na era atual aquilo que Deus deseja que eles sejam. Eles possuem um senso de apreciação da santidade do Criador; sentem, por essa santidade, intensa admiração, e assim, são seres santos em qualquer significado do pensa­mento.
a) No que tange à disciplina angelical, as Escrituras dão também, de igual modo,testemunho abundante. Elas revelam que os anjos estão aprendendo muito com a obser­vação dos homens na Terra, especialmente na obra da Re­denção.
O apóstolo Pedro (1 Pe 1.12) exemplifica no sentido do argumento: "Aos quais [os profetas] foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar". Ora, é significativo que estas "coisas" para as quais os anjos dese­jam bem atentar, referem-se ao programa de Deus no pri­meiro e segundo adventos de Cristo e o evangelho da graça divina que está agora sendo pregado no mundo. Com o mesmo fim, a Igreja na Terra é uma revelação aos anjos, da sabedoria de Deus. Assim está escrito: "Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus" (Ef 3.10). E o após­tolo Pedro um pouco mais na frente declara: "O qual [Je­sus] está à destra de Deus, tendo subido ao céu: havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades e as potências" (1 Pe 3.22). Falando sobre isso, declara o doutor Otto Von Gerlach: "Pela revelação de si mesmo em Cristo, pela instituição da Igreja Cristã na Terra, Deus de um modo até agora desconhecido pela imaginação humana glorifica a si mesmo diante dos principados e potestades celestiais. Os anjos até agora, estão cheios de respeito e louvam a Deus pela maravilha da criação; agora veem a sua sabedoria glorificada em uma nova obra: a da redenção. Esta em si mes­ma, transmite aos homens e aos anjos uma nova forma de comunhão..." (Mas isso não dá base para a crença de que a redenção mediante a morte de Cristo se estendeu aos anjos caídos). "...Deus não perdoou aos anjos que pecaram..." está declarado (2 Pe 2.4). Mas os santos anjos evidente­mente foram beneficiados e passaram a esferas mais eleva­das de conhecimento e, consequentemente de sabedoria e santidade, através do que viram o amor do Criador de­monstrado na redenção feita por Cristo. Assim, Cristo tor­nou-se para eles um aperfeiçoador. Ora, isso não deve ser entendido no plano da salvação para os anjos e, sim, no plano da adoração.
A adoração foi invertida no pensamento gnóstico, isto é, eles, ao invés de dedicarem a Cristo a adoração angeli­cal, fizeram dos anjos seus objetos de adoração (Cl 2.18). Os gnósticos davam excessivo valor aos poderes angelicais, ao mesmo tempo que rebaixavam a posição de Cristo, o único que deveria ser por eles adorado.Outrossim, segundo­sua doutrina, Deus estaria distante demais, talvez fosse o motivo por que adoravam os anjos, como se Deus não desse atenção aos homens, por ser inabordável.
Para os gnósticos, os "aeons" ou poderes angelicais emanados, deveriam ser adorados, porquanto ajudariam no processo da redenção humana. Paulo mostrara, em Colossenses 2.18, que uma das superioridades de Jesus Cristo é que somente nele e por Ele será efetuada a redenção hu­mana. Muitos eruditos creem que a forma particular de "pretexto de humildade", exibida pelos mestres gnósticos, envolvia a adoração aos anjos. Enquanto que do lado angé­lico vem a exortação sincera e verdadeira: "Adora a Deus!"
Os anjos e a eternidade
"E, entrando no sepulcro, viram um mancebo assentado à direita, vestido de uma roupa comprida, bran­ca..." (Marc 16.5a). Duas características primordiais são inerentes a estas criaturas espirituais: a primeira delas é sua juventude e a segunda, sua beleza. Acreditamos que, na passagem de Jó 38.7, os anjos são reputados ali como sendo "as estrelas da alva", isto é, são comparados com a alvorada! Eles não têm a eternidade na mão como Deus, mas quanto ao tempo e ao espaço, são seres eternos. Maria Madalena afirma ter visto um anjo que ainda era "mance­bo". Este anjo possuía, evidentemente, uma eternidade de anos! Mas observe bem: ainda era mancebo!
A eternidade é um atributo que decorre da imortalida­de. O eterno é, com efeito, aquilo que não muda e não pode mudar de maneira alguma, por conseguinte, aquilo que não começa nem termina e que possui na atualidade pura, exclusiva de qualquer sucessão ou modificação, a plenitu­de de seu ser. Mas a eternidade assim definida, prende-se exclusivamente à pessoa de Deus. Os anjos tiveram princí­pios, embora não tenham mais extinção de existência. De­les disse Jesus: "...não podem mais morrer".
Quando nos deparamos com a seguinte expressão "...dos anjos eleitos", em 1 Timóteo 5.21, devemos ter em mente duas formas de interpretação, a primeira delas prende-se ao fato de "eleitos para a eternidade", e a segun­da, "eleitos como juízes" para os julgamentos.
Um outro ponto de suma importância no presente ar­gumento, prende-se à "beleza angelical". Alguns textos e contextos das Escrituras falam muito bem disso. Vejamos! Da passagem de Gênesis 19.5, infere-se que estes seres apresentam um porte impressionante! Há passagens simi­lares, tais como Juízes 13.6; 2 Samuel 14.17; Jó 38.7; Atos 6.15, etc. Nesta última passagem é esboçado o significado do pensamento. Vejamos! "Então todos os que estavam assentados no conselho, fixando os olhos nele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo". Acreditamos que nenhum galã, nenhuma Misse Universo traduza em si a beleza de Adão e Eva antes de pecarem. O pecado deforma. Mas os anjos fiéis não sofreram esta deformação, e, portanto, são seres de extrema beleza. Do Apocalipse (por todo o livro), infere-se tal pensamento. E pelo menos até onde entendo e sei não existem provas em contrário.
 
A natureza geral dos Anjos
Sua aparência
"Então a mulher entrou e falou a seu marido, dizendo: Um homem de Deus veio a mim, cuja vista era semelhante à vista dum anjo de Deus, terribilíssima..." (Jz 13.6). O evangelista Mateus diz que o anjo que presenciou a ressur­reição de Nosso Senhor tinha "...o seu aspecto... como um relâmpago..." (Mt 28.3) e, segundo o texto em foco da pri­meira passagem citada, "uma aparência terribilíssima".
Quanto à sua estatura, a Bíblia não fornece maiores detalhes; mas nos leva a entender que há uma certa cate­goria "maior" que a estatura humana (Sl 8.5) e outra "me­nor" (Ap 21.17). Billy Graham diz em seu livro Anjos, os agentes secretos de Deus que, segundo parece, os anjos têm a capacidade de mudar a aparência e de se transportarem num relâmpago da suprema corte do Céu para a Terra e re­tornar numa fração de segundo. Intrinsecamente, eles não possuem corpos físicos, conquanto possam assumir formas físicas, quando Deus lhes prescreve missões especiais. Além disso, Deus não lhes concedeu a capacidade de se reproduzirem, e eles nem se casam, nem são dados em casa­mento (Marc 12.25).
O zoroastrismó, o judaísmo e o islamismo concebiam os anjos como tendo gentil aspecto (Atos 6.15). No judaísmo pós-bíblico sete anjos são mencionados pelo nome. Segun­do estas concepções: o anjo Custódio ou da Guarda é o anjo guardião de cada ser humano. Miguel é Mikal, no Islam, Gabriel é Jibril. Juntamente com Izrail e Israfil, guardam o trono de Alá.
Por exemplo, quem visita o Irã pode contemplar uma linda figura de "anjo" (segundo a imaginação artística) na Catedral Armênica de Isfahan, no Irã. No catolicismo con­servador a ideia angélica é também difundida. Benedito XV (1921) determinou que a Festa de Todos os Anjos fosse celebrada a 2 de outubro.
Sua categoria
No tocante à categoria ou a classificação angelical, as Escrituras dão um testemunho mais abundante, citando seus postos e até funções: embora seu serviço e dignidade possam variar, não há nenhuma implicação na Bíblia que alguns anjos são mais inteligentes e poderosos que outros. Cada aspecto da personalidade dos anjos foi criado e esta­belecido pelo Criador. Isto é, cada anjo em si mesmo se contenta com aquilo que é.
No que tange a seus ofícios, as Escrituras apresentam-nos assim:
Anjo (Lc 2.9-15); arcanjo (Jd 1.6); querubim (Gn 3.24); serafim (Is 6.2-6); hoste (Ef 6.12); principado (Ef 6.12); potestade (Ef 6.12); príncipe (Ef 6.12), etc. Eles são seres individuais e, embora espíritos, experimentam emo­ções. Eles prestam culto inteligente ao Criador (Sl 148.2); contemplam com o devido respeito a face de Deus (Mt 18.10); conhecem suas limitações: não são oniscientes (Gn 19.12; Mt 24.36); em relação ao Senhor Jesus, conhecem a inferioridade deles (Hb 1.4-14); e, no caso dos anjos rebel­des, eles conhecem a sua capacidade de fazer o mal. Os an­jos são individuais, mas, embora às vezes apareça em mul­tidões elevadas, estão sujeitos, portanto, a classificações e a variedades de categorias e de importância.
A revelação específica dos anjos determina certos grupos de anjos como também, segundo se depreende em alguns textos, diversas importâncias individuais entre os anjos. Vejamos, pois:
Mencionam-se cinco representações principais de su­premacia entre estes seres,tais como: "tronos", "domí­nios", "principados", "autoridades" e "poderes". Além das citações já mencionadas, a Bíblia fala também no "trono de Satanás" onde ele exerce autoridade, como se fora rei.
A palavra "trono" (no grego do Novo Testamento, "thronnos"), é usada no Novo Testamento com o sentido de "trono real", ou com o sentido de "tribunal judicial" (Mt 19.28). Há também alusão aos "tronos" de elevados poderes angelicais ou de governantes humanos (Cl 1.16; 1 Pe 3.22). É evidente que, no mundo angelical, nesse vasto reino de luz e glória, há diferentes categorias e posições. Deus distribuiu entre eles, domínios e poderes, nos lugares celestiais, que existem nesse mundo invisível.
Assim, a verdade revelada sobre isso deve ser: "tro­nos" refere-se àqueles que estão sentados sobre eles, parti­cipando do governo divino; "domínios",aqueles que domi­nam determinada área celestial ou terrena; "principados", aqueles que governam reinos espirituais; "poderes", aque­les que exercem poderes sobre qualquer resistência boa ou má; "e autoridade", aqueles que estão investidos de res­ponsabilidade imperial.
Seus nomes
Talvez na esfera celeste, os nomes dos anjos sejam abundantes; porém, na esfera terrena, ou pelo menos aqueles que chegaram até nós através de seu serviço ou revelação, seus nomes não são tão abundantes, apenas co­nhecemos por nomes estes:
Gabriel (Dn 8.16; Lc 1.26), Miguel (Dn 8.13; 12.1), Maravilhoso? (Jz 13.6,17,18). Os livros não-canônicos ci­tam estes: Uriel, Rafael, Saracael, Raquel e Remuel. Quanto aos anjos maus, seus nomes são também citados com escassez excessiva. Apenas estes: Apoliom, Abadom, Diabo, Legião, etc. (Lc 8.30; Ap 9.11; 12.9). Entre o povo de Deus, o nome não era apenas uma simples etiqueta, ou pura descrição externa, o nome no Antigo Testamento ex­prime a realidade profunda do ser que o carrega. Assim sendo, os nomes dos anjos bons, como Miguel e Gabriel, exprimem sua natureza e seu ofício; enquanto que, os no­mes dos anjos maus, tais como Diabo, Demônios, Abadom e Apoliom, exprimem suas disposições hostis, opondo-se a Deus e aos homens. Portanto, por causa da natureza, é graças ao nome que se conhece o ser bom ou mau depen­dendo do contexto (Êx 33.12; 1 Cr 4.41; Ed 10.16; Sl 9.11; 91.14; Is 52.6; Jr 48.17) e pelo nome se dá a conhecer (Is 64.2), tanto que não se conhecendo o nome não se conhece a pessoa que o leva (Jz 13.6).
Certos anjos só ficaram conhecidos pelo serviço que prestaram na história humana. Destes, temos aqueles que serviram como anjos executadores de juízos especiais (Gn 18.13; 2 Sm 24.16; 2 Rs 19.35; Sl 78.49; Ez 9.1,5,7). Fala-se também de "vigilantes" (Dn 4.13,23); o anjo das águas (Ap 16.5); fala-se daquele que tem autoridade sobre o fogo (Ap 14.18), mas este anjo não é tão difícil sua identifica­ção! A pessoa do Pai deve estar em foco nesta passagem. Os sete juízes que tocaram suas trombetas e taças respecti­vamente (Ap 8.2ss; 16.1ss).
Sua realidade
A palavra "anjo", como já tivemos ocasião de verifi­car, tem vários significados e aplicações. Dependendo do contexto; pode referir-se a Deus (Gn 18.1-13; 22.11-17); a Cristo (Ml 3.1; Ap 8.3-5; 10.1 e ss); aos homens (Ml 2.7; Mt 11.10; Ap 1.20; 2.1,8,12,18; 3.1,7,14), e a seres espirituais como está em foco no presente livro.
Para alguns teólogos, a passagem de Mateus 18.10, onde lemos: "Vede, não desprezeis algum destes pequeni­nos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre veem a face de meu Pai que está nos céus", refere-se ao espírito humano, no primeiro caso, e ao anjo guardião de cada crente, no segundo. Para nós esta última maneira de interpretar o texto se coaduna bem com a tese principal. Os anjos, de fato, nos guardam e protegem nossos passos.
O Salmista declara: "O anjo do Senhor acampa-se ao re­dor dos que o temem, e os livra" (Sl 34.7). E Billy Graham declara: "Não estamos sós neste mundo. Os anjos são reais. Eles são enviados por Deus para proteger e auxiliar o seu povo. Seus poderes estão acima da imaginação huma­na. Sua presença pode tranquilizar e confortar em tempos de crise". João Calvino (Preceitos da Religião Cristã, primeiro volume) declara: "Os anjos são os distribuidores e administradores da beneficência divina com relação a nós. Eles dão atenção à nossa segurança, encarregam-se da nossa defesa, dirigem nossos caminhos e exercem uma soli­citude constante no sentido de que nenhum mal nos atin­ja". Os anjos têm um lugar muito mais importante na Bíblia do que o Diabo e os seus demônios. Estes últimos nos atacam. Os primeiros nos defendem. A Bíblia ensina que os anjos intervêm nos assuntos das nações (Dn 9.13-21; 11.1 e ss; 12.1). Deus os utiliza com frequência, a fim de exercer julgamento sobre as nações. Eles guiam, consolam e cuidam do povo de Deus em meio ao sofrimento e perse­guição. Billy Graham diz em um trecho de seu livro: "Em meio à crise mundial que estamos destinados a atravessar nos anos vindouros, esse tema, sobre os anjos, será de gran­de conforto e inspiração para os que creem em Deus - e um desafio aos incrédulos para que acreditem".
Este ministério dos anjos quanto à nossa segurança e bem-estar, parece que começa logo na infância e continua durante a vida toda. Os anjos nos observam (1 Co 4.9); um fato que deve influenciar a nossa conduta (Nm 22.34). Eles recebem os espíritos dos cristãos quando partem desta vida para a eternidade (Lc 16.22). O apóstolo Paulo alude aos "anjos" como espectadores, e interessados na conduta dos servos de Deus; em 1 Coríntios 6.3, o apóstolo refere-se a certos "anjos" que serão julgados pelos santos. E, eviden­temente, isso se dará por ocasião do Grande Trono Branco, quando "grandes" (os anjos) e "pequenos" (os homens) ali serão julgados (1 Co 6.3; Jd v.6).
"A casa de oração é uma corte adornada com a presen­ça de poderes angelicais. Ali estamos nós, cantando e en­toando hinos a Deus, contando com os anjos entre nós, como nossos associados; e foi com alusão a eles que Paulo requereu tão grande cuidado, com relação à decência, e acrescentou: "por causa dos anjos". A.M. Stibbs observa: "No pensamento judaico, os anjos mantinham um impor­tante lugar como mediadores da revelação de Deus ao seu povo e, por conseguinte, o escritor da carta aos Hebreus passa a demonstrar a superioridade de Cristo sobre os anjos.
Além do que já ficou demonstrado, lemos em seis exemplos que os anjos foram e são espectadores:
Em Lucas 15.10 (na parábola da dracma perdida) eles observam a alegria do Senhor por um pecador que se arre­pende. O texto em si não diz que a alegria é dos anjos como em outras passagens (Jó 38.7; Lc 2.13,14), e, sim, a alegria do Senhor Jesus Cristo. Observe bem a frase "...há alegria diante dos anjos" (Lc 15.10; Jd v. 24).
Em Lucas 12.8,9, Cristo diz: "E digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens também o fi­lho do homem o confessará diante dos anjos de Deus. Mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus".
Em1 Timóteo 3.16, diz que a vida terrena do Filho de Deus foi observada pelos anjos: "E sem dúvida alguma grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou em carne, foi justificado em espírito, visto dos anjos, pre­gado aos gentios, crido no mundo, e recebido acima na gló­ria".
Em1 Coríntios 11.10 diz que a conduta da mulher cristã é observada pelos anjos. Vejamos, pois: "Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos".
Em1 Coríntios 4.9, é dito que os anjos observam nosso ministério. Veja!"Porque tenho para mim,que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculos ao mundo, e aos anjos".
E em Apocalipse 14.10, é retratado o sofrimento dos perdidos, na presença dos anjos: "Também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cá­lice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos..." Ora, segundo se depreende em cada significado do pensamento, a presença dos anjos percorre a Bíblia por todas as partes: Na criação das coisas materiais (Jó 38.7); na doação da Lei (Atos 7.53; Gl 3.19; Hb 2.2); no nascimento de Cristo (Lc 2.13); na tentação do Se­nhor (Mt 4.11); na sua agonia (Lc 22.43); na sua ressurrei­ção (Mt 28.2); na sua ascensão (Cf Atos 1.10,11); na sua parousia (Mt 24.31; 2 Ts 1.7). Podemos, portanto, ter cons­ciência da realidade das vastas hostes dos maus, apenas através da meditação das Escrituras que registram essas verdades, e através da oração.
Ora, o argumento das Escrituras, no que diz respeito à realidade dos anjos, põe por terra as especulações do gnosticismo em relação a estes seres. Os anjos são seres reais! Viventes da mais alta posição e importância do Universo. São mais do que simples poderes emanentes de Deus, o Pai.
Não são uma raça
"Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu" (Mt 22.30). Os anjos em sentido algum compõem uma ra­ça, mas, antes, uma companhia ou diversas companhias. Cada anjo é uma criação original. Por esta causa não pro­pagam a sua espécie; eles não têm sexo, ainda que citados no sentido masculino, porém neste campo são neutros. As Escrituras, jamais, infere aos anjos pronomes do gênero fe­minino como: "angélica, etc". Seus nomes são poucos e li­mitados nas Escrituras, mas os que são dados são nomes masculinos. Observemos, pois-
Miguel, Gabriel, Maravilhoso, entre os bons; e Sata­nás, Abadom e Apoliom, entre os maus. Na Bíblia sempre lemos frases assim: "filhos de Deus" (Gn 6.2), "filhos dos homens" (Sl 11.4), "filha das mulheres" (Dn 11.17), mas nunca lemos "filhos dos anjos". Deve ser observado que, apesar de serem os anjos chamados de "filhos de Deus", nunca são chamados de "filhos do Senhor". O título "fi­lhos de Deus" se restringe a anjos, no Antigo Testamento, nas seguintes passagens: Jó 1.6; 2.1; 38.7; Sl 29.1 (LXX); 89.6 (LXX); Dn 3.25 (LXX). A Septuaginta, e todos os manuscritos traduzem o hebraico destas passagens por "anjos de Deus", por "meus anjos", especialmente a passagem de Jó 38.7. No livro de Gênesis 6.2 encontramos a enigmática expressão: "filhos de Deus", que o doutor Bullinger traduz por "anjos de Deus". Para nós esta ma­neira de traduzir o texto não se coaduna com o argumento principal das Escrituras por vários motivos.
Os anjos diferem dos homens tanto em relação ao ca­samento quanto a várias outras necessidades humanas. Também diferem dos homens no que tange à limitação da vida. Deste modo, como já tivemos ocasião de expor em outras notas, os anjos fiéis a Deus não morrem. Os decaí­dos serão submetidos a julgamento final quando Deus aca­bar sua história em relação aos homens e aos anjos, mas mesmo assim, eles continuarão sua existência. Não terão vida; mas terão existência.
Para nós, é inadmissível pensar ou ensinar que esta passagem de Gênesis 6.2, refere-se aos anjos, seres que "...nem casam nem são dados em casamento" (Mt 22.30) refere-se sim, à violação da separação entre a descendência piedosa de Sete e a descendência iníqua de Caim. Vejamos mais um argumento para melhor compreensão do signifi­cado do pensamento:
Clarence Larkin, em seu livro, The Spirit World (O Mundo dos Espíritos), tece um longo comentário sobre "os filhos de Deus" e as "filhas dos homens", porém, sua tese embora brilhante, não se harmoniza com a declaração de Jesus em Mateus 22.30 e Marcos 12.13 e Lucas 20.36, respectivamente. Vejamos!
"Quatro nomes foram usados em Gênesis 6.1-4:'Bne-ha-Elohim', traduzido para 'filhos de Deus'; 'Bnoth-Ha-Adam', 'filhas dos homens'; 'Hans-nephilim', 'gigantes'; 'Hig-Gibborim', 'varões de renomes'. O título 'Bne-Ha-Elohim', 'filhos de Deus', no conceito de Larkin, não tem o mesmo significado no Antigo e no Novo Testamento. No Novo Testamento se aplica àqueles que se tornaram 'filhos de Deus' através do novo nascimento (Jo 1.12; Rm 8.14-17; Gl 4.6; 1 Jo 3.1-3). No Antigo Testamento ele se aplica aos anjos e foi dessa forma usado cinco vezes. Duas em Gênesis (segundo Larkin) e três vezes em Jó (cf. Gn 6.2-4; Jó 1.6; 2.1; 38.7)". Larkin porém, não cita Mateus 22.30 e, portanto, seu argumento de que "os filhos de Deus" ali são os anjos não tem aceitação dentro do conceito geral do pensamento restante da Bíblia.
São seres visíveis?
Existe grande discrepância entre os pensadores da Bíblia no que diz respeito à corporação ou à incorporação angelical. Há quem sugira que tais seres são visíveis, mas que nossos olhos não foram feitos para vê-los. A visão humana foi ajustada apenas para uma pequena porção das ondas luminosas e está longe de ser perfeita ou completa. Porém mesmo havendo certa percepção de que os anjos sejam seres visíveis, isso deve-se prender apenas, dentro dos limites do campo espiritual ou metafísico. Mas embora sejam tais como acabamos de descrevê-los, isto é, invisíveis aos olhos humanos, os anjos em certas ocasiões têm aparecido com forma humana (Hb 13.2). Isto prende-se exclusivamente às ordens de Deus que, segundo se diz, permitiu que os olhos humanos focalizassem os raios de luz celeste para realmente ver os corpos celestiais dos anjos tais como eles são.
Leslie Miller (Tudo Sobre Anjos), diz: "Em cenas ocasiões os anjos tomaram forma humana e foram vistos com aparência física e roupas de acordo com a civilização da época que era objeto da divina visitação. Isto não se limitou ao passado. O mesmo acontece hoje em dia!
Observemos aqui alguns pontos importantes sobre isso e depois façamos um julgamento do significado do pensamento:
Comparados com a existência humana e animal, os anjos podem se dizer incorpóreos, mas apenas no sentidode que não têm uma organização mortal. As Escrituras dão a entender que os anjos têm uma corporificação. Deus é Espírito, mas quando Cristo se dirigiu aos judeus, Ele disse do Pai: "...Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer" (Jo 5.37). É essencial que um espírito tenha forma localizada, determinada e espiritual (Jó 4.15,16).
Isso parece dar a entender que os anjos são revestidos de corpos espirituais, como os que nos são prometidos. Portanto, talvez se possa entender que, apesar de os anjos serem espíritos, possuindo corpos espirituais, nem todos os espíritos são anjos. Os judeus, por exemplo, faziam essa distinção. Em Atos 23.9 diz: "...nenhum mal achamos neste homem, e se algum espírito ou anjo lhe falou, não resistamos a Deus". Por conseguinte, os demônios já não devem ser concebidos da mesma maneira ou ordem. Eles não possuem corpos de ordem alguma. Eles são espíritos e, como tais, não pertencem portanto, à categoria e ordem angelical. Talvez que num passado remoto, tenham pertencido a tal ordem angelical, mas à semelhança de seu príncipe (Satanás), foram rebaixados para uma categoria inferior, isto é, perderam seu primitivo estado de configuração.
 
Seres magníficos em poder
Não são oniscientes
"Então disseram aqueles varões a Ló: Tens alguém mais aqui?..." (Gn 19.12;Mt 24.36; Marc 13.32). Em outras passagens tais como 2Samuel 14.17,20, fica subentendido à luz do contexto, que os anjos de Deus são sábios e dota­dos de conhecimento superior. Porém, nunca lhes é atri­buída a "onisciência". "Os anjos excedem a humanidade no seu conhecimento; quando o rei Davi estava sendo ins­truído para trazer Absalão de volta a Jerusalém, Joabe pe­diu a uma mulher de Técoa para falar com o rei. Ela disse: "...Porém sábio é meu senhor, conforme à sabedoria dum anjo de Deus, para entender tudo o que há na terra" (2 Sm 14.20b). Os anjos possuem um conhecimento que os ho­mens não têm; mas, por mais que seja o seu conhecimento, podemos estar certos de que não são oniscientes. Não sa­bem tudo. Não são como Deus. Jesus forneceu testemunho do conhecimento limitado dos anjos quando falou da suasegunda vinda. Em Marcos 13.32, Ele disse: "Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu...". Os anjos sabem, provavelmente, coisas a nosso respeito que desconhecemos. E devido ao fato de serem espíritos auxiliadores, usarão sempre este conhecimento para o nosso bem e não para maus propósitos.
Quanto à sua inteligência, não é de estranhar que a história do povo favorecido por Deus, desde os dias de Abraão, tenha estimulado e confirmado e demonstrado esse ponto de vista. Tem havido freqüentes interpretações feitas por anjos, como são vistas em Apocalipse. O livro de Zacarias, por exemplo, teve um anjo auxiliando na reda­ção.
O conceito portanto, segundo se depreende, faz criar a idéia de que os anjos se sobressaem aos homens não só em poder como também em sabedoria. Porém não são seres de conhecimentos ilimitados.
Sua rapidez
"Estando eu, digo, ainda falando na oração, o varão Gabriel, que eu tinha visto na minha visão ao princípio, veio voando rapidamente..." (Dn 9.21a). A arte medieval apegou-se à narrativa que está em foco, que descreve o anjo Gabriel "...voando rapidamente" como fundamento para a imposição de asas em todos os seres angélicos. É verdade que os querubins (Êx 25.20), os serafins (Is 6.2-6), Gabriel (Dn 9.21), o anjo dos dois ais (Ap 8.13) e o anjo do evangelho eterno (Ap 14.6) foram declarados como tendo asas. Os querubins aparecem nas imagens douradas sobre o propiciatório. E, assim, os serafins de Isaías tinha "seis asas" cada. Os anjos passam de um local para outro com uma rapidez inconcebível e retornam novamente como se não estivessem estado ali! Vejamos pois:
Entre todas as criaturas que estão dentro dos limites de nossa visão, aquelas que possuem asas e voam, exempli­ficam as dotadas de maior velocidade. As Escrituras e con­seqüentemente nossa própria imaginação, nos levam a en­tender que os anjos são seres velozes além da imaginação humana. Isto é, eles se movimentam dentro do campo da metafísicavão além das leis estabelecidas pela física.
Em nossas dimensões, a capacidade da rapidez ange­lical é comparada à "rapidez de um relâmpago" (Mt 28.3); 300.000 km por segundo, mas na esfera celeste são rápidos como a imaginação. Observe o que diz o Senhor em Ma­teus 26.53: "Ou pensas [Pedro] tu que eu não poderia ago­ra orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze le­giões de anjos?" Observe agora! Que distância há entre o trono de Deus e o Jardim do Getsêmani? É inconcebível! Mas "doze legiões" poderiam chegar ali, numa fração de segundo. Isso indica também a idéia de "um momento" (1 Co 15.52). "Momento", em grego, é "átomos". É a única ocorrência desse termo, em todo o Novo Testamento. De acordo com o doutor R. N. Champlin, Ph. D., esse vocábu­lo era originalmente usado para denotar uma partícula in­divisível, devido à sua pequenez. Literalmente, essa pala­vra significa "impossível de ser cortada", ou seja, incapaz de sofrer qualquer divisão. (2) Essa idéia o apóstolo Paulo procurou esclarecer ainda mais citando um "...piscar de olhos" (1 Co 15.52).
O pensamento que deve ser destacado, em relação à velocidade angelical é que sua morada é o Céu, mas, mes­mo assim, podiam chegar instantaneamente para defesa de seu Senhor. Isso indica velocidade, rapidez verdadeira­mente inconcebível. Apenas cinco classes de anjos são apresentados na Bíblia como portando asas:
Os querubins (Êx 25.20; 2 Co 5.7; Ez 1.6; Ap 4.8 e ss).
Os serafins (Is 6.1-6).
O anjo Gabriel (Dn 9.21).
O anjo dos "dois ais" (Ap 8.13).
O anjo do "evangelho eterno" (Ap 14.6).
Seres superiores
"Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Se­nhor" (2 Pe 2.11), estes seres celestiais, já contam na pre­sente Era com a felicidade da vida última, isto é, são seres imortais (Lc 20.36). Esta capacidade a eles imposta, lhes dá a condição de serem superiores aos homens que são se­res mortais (Sl 8.5; Hb 9.27). Porém quanto à pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, são inferiores a Ele em cinco pontos. "Ainda que por um pouco de tempo, Jesus fora fei­to um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão e morte" (Sl 8.5; Hb 2.9). Vejamos:
Os anjos são "criaturas" de Deus, ainda que chama­dos "filhos de Deus", contudo, não têm em si a condição original peculiar ao Senhor Jesus. O escritor aos Hebreus, salienta: "Feito [Jesus] tanto mais excelente do que os an­jos, quanto herdou mais excelente nome do que eles" (Hb 1.4). Isso se prende ao fato de que eles são chamados de "anjos"; Jesus é chamado de "Filho". Cristo é o "Filho ge­rado" enquanto que os anjos são seres criados. Embora eles tenham nomes e categorias, o nome do Filho excede a to­dos. Miguel, o Arcanjo (Jd 1.9), foi mencionado como um "dos primeiros príncipes" da corte celestial (Dn 10.13), tanto Daniel como Lucas apresentam Gabriel como "um príncipe embaixador da corte divina" (Dn 8.16; 9.21; Lc 1.19,26). Mas a glória desses nomes angelicais fica empa­nada a se desvanecer na infalível luminosidade daquele cujo "...nome é sobre todo o nome" (Fl 2.9b).
Em razão da adoração, os anjos são inferiores a Cristo; eles são adoradores, enquanto que Cristo é adorado! Isto é depreendido nas próprias palavras do Criador: "...E todos os anjos de Deus o adorem" (Hb 1.6b). Este direito ineren­te ao Filho de Deus, o coloca acima deles.
As Escrituras dizem que os anjos são seres superiores aos homens: contudo, jamais em hipótese alguma, eles aceitam adoração; em lugar de os anjos serem objeto de adoração, eles são súditos que adoram Jesus Cristo. O apóstolo Paulo advertiu: "Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos..." (Cl 2.18a). E no Apocalipse (19.10; 22.9) João é advertido pelo próprio ser angelical: "...Olha não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guar­dam as palavras deste livro. Adora a Deus". Portanto, o anjo, ou os anjos não são objetos de adoração como João chegou a supor momentaneamente. Esta rejeição por parte do anjo, foi certamente (além do respeito a Cristo) um gol­pe mortal, na prática gnóstica da Ásia Menor ao tempo em que João escrevia o livro do Apocalipse.
As Escrituras apresentam os anjos como sendo minis­tros da salvação; porém, descrevem nosso Senhor Jesus como autor da salvação. Isso certamente coloca Cristo aci­ma de qualquer posição angelical, pois "...em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos" (Atos 4.12b). E no contexto do significado do pen­samento diz Paulo: "Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos... nem alguma outra cria­tura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor!" (Rm 8.38,39). Ora, isto apre­senta Cristo como sendo Senhor dos próprios anjos. E de fato, Ele foi feito mais excelente do que os anjos (Hb 1.4).
Os anjos foram criados; Cristo é Criador: "Porque nele [Jesus] foram criadas todas as coisas que há nos céus e na Terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam domina­ções, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele" (Cl 1.16; Hb 1.7-12). Como Criador, Je­sus é superior aos anjos, pois maior do que a criatura é aquele que a criou (cf. Is 45.9).
Os anjos são súditos; Cristo é o Senhor. Ora, tanto no passado como no presente, e, muito mais no futuro, os an­jos foram, são e serão súditos do reino de Deus, porém Cris­to, foi, é e será o Soberano Senhor (Hb 2.5-9).
Seu poder

"Bendizei ao Senhor, anjos seus, magníficos em po­der, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra" (Sl 103.20). O que se aplica a todas as criaturas em relação ao poder que têm, também se aplica aos anjos: seu poder deriva de Deus. O seu poder, embora seja gran­de, contudo é restrito. Eles não podem fazer aquelas coisas que são peculiares à Trindade: criar, agir sem os meios, ou sondar o coração humano. Eles podem influenciar a mente humana como uma criatura pode influenciar outra. O co­nhecimento desta vontade é muito importante quando, no sentido inverso, examinamos a ascendência que os maus espíritos podem sobre os seres humanos (1 Cr 21.1; Mt 13.4,19; Jo 13.2; Atos 5.3). Milton descreve-os arrancando as colinas dos seus fundamentos e arremessando-as contra os seus antagonistas. Isto é poesia - é mitologia.
Mas no registro das Escrituras temos a verdade sem o colorido da ficção; e aí encontramos anjos "...magníficos em poder", como ministros da administração divina que um só deles, destruiu 70 mil soldados valorosos do reino de Israel em três dias (2 Sm 24.12,15); outro elevado poder destruiu em uma noite 185 mil guerreiros do exército ar­mado do monarca assírio (2 Rs 19.35); um outro anjo des­truiu todos os primogênitos no Egito em uma noite (Êx 12.19-30; Sl 136.10).
No Apocalipse vemos anjos detendo os quatro ventos do céu (7.1), esvaziando taças e controlando os trovões da ira de Deus sobre as nações inquietas e angustiadas; a ve­lha terra treme sob a exibição dos ministros de um Deus vingador do pecado. Mas os anjos são também bons para fazer o bem; e enquanto sua natureza santa faz deles fiéis executadores da justiça, sua benevolência, como também sua santidade, faz que se deleitem no emprego de suas energias no serviço da misericórdia.
Seu louvor
"Quando as estrelas da alva juntas alegremente can­tavam, e todos os filhos (os anjos) de Deus rejubilavam" (Jó 38.7); alguns estudiosos da Bíblia insistem em que os anjos não cantam. Isso porém, não é verdade! Os anjos possuem a suprema aptidão de oferecer louvores, e a sua musica vem sendo desde tempos imemoriais o veículo pri­mordial de louvor ao nosso Deus Todo-poderoso. Jó diz que quando Deus lançava os fundamentos da Terra, os an­jos cantavam rejubilando de alegria. A música é a lingua­gem universal. E possível que João tenha visto um impo­nente coro celeste (Atos 5.11,12) de muitos milhões de anjos que expressavam seu louvor ao Cordeiro celeste através de magnífica música. Não é debalde que o Salmista exorta (Sl 148.2): "...Louvai-o todos os seus anjos..." Isto é real!
De acordo com Lucas 2.13, multidões de anjos apare­ceram na noite do nascimento de Cristo, clamando de ale­gria em vista do início da nova criação, como tinham feito no princípio da primitiva criação. Quão vasto é o número deles, somente o sabe Aquele cujo nome é Jeová-Sabaote, o Senhor dos Exércitos. João, no Apocalipse, contempla um cenário de beleza nunca vista; ele ouviu a voz de mui­tos anjos. Não está escrito aqui que eles cantavam. Acreditamos que sim! Seu louvor a Deus, diverge um pouco do louvor humano: o dos anjos é o louvor de agradecimento por sua criação; o louvor humano, porém, pela redenção!
Leslie S. M'Caw descreve um poema intitulado "O Trovão de Deus" que se baseia no Salmo 29 da Bíblia.
Este cântico sobre uma tempestade é ouvido no inte­rior do auditório do Céu, e os anjos (filhos de Deus - LXX) são convocados para se ajuntarem ao louvor e à adoração a Jeová, na beleza da sua santidade. Os versículos 3-9, o âmago do poema, descrevem a passagem de uma tempesta­de vinda das águas do mar Ocidental que atravessou as co­linas cobertas de florestas do Norte da Palestina e chegou aos lugares áridos de Cades, nas fronteiras extremas de Edom (Nm 20.16).
Tal acontecimento é apresentado não como demons­tração de poder natural, mas como uma sinfonia de louvor ao Criador, que realmente participou com uma voz de tro­vão (cf. Sl 18.13).
A porção do poema se divide em três estrofes iguais que correspondem com a formação, o assalto e a passagem da tempestade; porém, a subordinação dos fenômenos na­turais às forças espirituais é constantemente salientada. Vejamos!
Primeiro: A aproximação da tempestade. Esta é apre­sentada pelas sugestivas repetições, como de murmúrios distantes. Sobre as águas (v 3); isto é, ou o mar ou as águas da enxurrada que já se despejavam; a impressão geral é de pressentimento opressivo, a atividade está oculta, o poder está sendo controlado, o Deus da Glória ainda não se mani­festou, e sua voz está abafada.
Segundo: O assalto. O vocábulo "poderoso" contido no versículo 4 anuncia uma nova frase, uma cena de cres­cente atividade, quando os galhos de grandes árvores são sacudidos e arrancados por violentas rajadas, que deixam os troncos esqueléticos e despedaçados (vv 5,6). Aquele cuja voz produziu a tempestade faz com que fogo saia de lugaresocultos, que são abertos pelo raio (v 7).
Terceiro: Cessa a tempestade, a atividade diminuiu, e agora o deserto distante é abalado. As corças assustadas deram cria prematuramente. A impressão deixada é de perplexidade, como se o templo inteiro da natureza ecoas­se com um murmurado "Glória!" ao Senhor. As três cenas sugerem turbulenta energia, pintada em enxurradas ali­mentadas pela chuva, florestas destruídas, e ventos dan­çando a distância. Agora, porém, a cena muda de posição, voltando-se para a dignidade do tribunal supremo do Céu, onde os angélicos "filhos de Deus" (v. 1-LXX) se prostram em santa adoração!
No livro do Apocalipse, encontramos o louvor dos an­jos quase que por todas as partes! A celebração do fato da redenção convoca a todos em redor do trono. Em primeiro lugar ratificam o cântico de louvor levantado pela multi­dão dos "...espíritos dos justos aperfeiçoados" (Hb 12.23), com a sua profunda adoração e o seu "Amém". Em segui­da também expressam o seu ponto de vista angelical, em contemplação da redenção. Esse é o louvor prestado a Deus, proferido pelos maiores dentre todos os seres cria­dos, em reconhecimento da grandiosidade de Deus.
No capítulo 5 (op. cit), encontramos três doxologias. A primeira delas aqui começa inserida no versículo, e ocorre na cena imediata do trono, sendo proferida pelos elevados poderes angelicais. A segunda (ver versículo 11 e 12) é um eco da primeira, com adições da parte da inumerável hoste de anjos. E a terceira é expressa pela "criação inteira", partindo dos céus, da Terra e até do Hades.
À medida que o Apocalipse se desdobra, esta doxolo-gia aumenta. Nesta passagem (5.9) ela possui duas partes: em 4.11, possui três; em 5.13, possui quatro e em 7.12, sete. O grande "Amém" celestial dos seres espirituais santifica essas três doxologias.
Nos capítulos 4 e 5 (op. cit) revelam várias ordens de seres angelicais, cada qual postado ao redor do trono, em distâncias cada vez maiores. Imediatamente perto do trono há os quatro seres viventes (os querubins); então apare­cem os vinte e quatro anciãos; finalmente, figuram os an­jos em grande multidão. Supomos que essa ordem também representa diferentes níveis de poder, de inteligência e de tipos variados de utilidades. Cumpre-nos observar que, nesta seção, a enumeração começa por aqueles que estavam mais distantes do trono; agora, porém, aproximam-se cada vez mais do trono. João afirma ter visto "...todos os anjos ao redor do trono", dizendo: "Amém", Louvor... ao nosso Deus, para todo o sempre, Amém (cf. Ap 7.11,12). Portanto estas criaturas cantam e cantam muito bem!
 
A hierarquia angelical
O anjo do Senhor
"E o anjo do Senhor a achou junto a uma fonte de á-gua no deserto, junto à fonte no caminho de Sur" (Gn 16.7). Sobre este enigmático "anjo do Senhor", veja o que diz o doutor Geo Goodman: "Vamos virar a nossa aten­ção agora para essa figura gloriosa e única, ‘o anjo de Jeo­vá’. Notemos o que se diz dele:
Ele é um homem (Jz 13.6,11). Mas nada se diz de ele possuir aqui características extraordinárias, como asas ou auréolas, como os homens gostam de delinear os anjos de Deus.
Ele é também Deus (Jz 13.22). O versículo 16 de Juí­zes 13, sugere que ao princípio Manué, o pai de Sansão, não reconheceu que foi o Senhor que falara, mas depois sim (v 21) descobriu que não foi nenhum outro senão o Se­nhor mesmo.
Ele declara ser seu nome secreto, ou "admirável ser" (Jz 13.18). É a mesma palavra traduzida por "maravilho­so" que aqui está oculto e revelado em Isaías (9.6).
Jacó lutara com esse ser maravilhoso (Gn 32.22 a 32), que Moisés chamou de "um homem" (Gn 32.24) e de "Deus" (Gn 32.28,30) quando escrevia o Pentateuco. E, a mulher de Manué, queria saber o seu nome, mas o pedido, à semelhança de Jacó, foi negado. Esse nome não foi reve­lado até muitos anos mais tarde, quando foi anunciado a Maria pelo anjo Gabriel: "...Chamarás o seu nome JE­SUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados" (cf. Mt 1.21 e Lc 1.31). Este é o seu nome sobre todo o nome (Fl 2.9). O anjo do Senhor é identificado como sendo o próprio Jesus Cristo (Ml 3.1; Ap 8.3 e ss; 10.1 e ss). Observemos o significado do argumento:
O nome do Deus de Israel estava sobre este anjo para garantir autoridade suprema (Êx 23.21); ele tinha poder para perdoar pecados como o Filho do Homem (Êx 23.21; Mt 9.6); esse anjo representava também a presença de Deus (Êx 23.21 e 33.14). Literalmente, esse anjo represen­tava a face de Deus (cf. Cl 1.15). O anjo do Eterno prefigu­ra, indiscutivelmente, o "mistério da encarnação". Além disso, Ele é o modo "acidental da presença e ação de Deus no meio do seu povo. Fontes eloístas do Pentateuco viram nele a segunda Pessoa da Santíssima Trindade; outros po­rém, não opinam assim. Mas isso não afasta a força do ar­gumento defendido pelas Escrituras e aceito pelos cristãos de todos os tempos, que sempre pensaram assim.
Para nós o anjo do Eterno ou o anjo de Deus como o traduz o original grego, é o Senhor Jesus Cristo; Deus age desde o Céu; seu anjo aparece e fala diretamente na Terra. Mas isso não afasta a possibilidade de o mesmo agir e falar absolutamente como o próprio Deus. Deus age plenamente por meio dele: "...nele está o meu nome". Em Isaías 63.9 Jesus é chamado de "...o anjo da sua face". Enquanto que, em Malaquias 3.1, onde "dois anjos" são mencionados: o primeiro, refere-se a João Batista; o segundo, porém, à Pessoa de Cristo. Em muitas passagens Ele é virtualmente identificado com Deus, como extensão da personalidade divina, e fala não meramente em nome de Deus, mas fala como o próprio Deus, na primeira pessoa do singular.
Assim falou a Hagar (Gn 16.7-13; 21.17-21), a Abraão (Gn 22.11-17); a Jacó (Gn 31.11-13); a Moisés (Êx 3.2-22); a todo o Israel (Jz 2.1 e ss); a Gedeão (Jz 6.11 e ss); algu­mas vezes, no entanto, ele é distinguido de Deus, como em 2 Samuel 24.16 e "Zacarias 1.11-13; isso dá maior ênfase a que o identifiquemos diretamente com Cristo.
O anjo do Senhor é a expressão vulgarmente usada no Antigo Testamento, para designar o próprio Cristo em vá­rias de suas manifestações antes da encarnação, e, por con­seguinte, estas manifestações foram feitas pelo próprio Cristo. Assim sendo, o anjo do Senhor, que algumas vezes aparece como "o anjo de Deus" ou como "meu anjo" quan­do Deus fala, é representado como um ser celeste enviado por Deus para tratar com os homens como seu agente ou embaixador pessoal e porta-voz. Em muitas passagens ele é distinto de Deus, mas depois é identificado como sendo de fato uma personalidade divina em sentido Uno.
Quanto à função, o anjo do Senhor aparece algumas vezes como sendo agente da destruição e do julgamento (2Sm 24.16; 2 Rs 19.35; Sl 35.5,6; Atos 12.23); da proteção e li­vramento (Êx 14.19; Sl 34.7; Is 63.9); em Daniel, Ele apa­rece também como agente do livramento (Dn 3.25,28; 6.22; cf. Atos 12.11); Ele oferece orientação e fornece instruções (Gn 16.7 e ss; Gn 24.7,40; Êx 23.23; 1 Rs 19.7; 2 Rs 1.3,15; Mt 2.13; Atos 8.26). Ele não é conhecido imediatamente e nem mes­mo quando fala! mas todos o aceitam como sendo de fato um ser divino e também como Deus (Gn 16.13 etc).
 
O Arcanjo Miguel
"Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o Dia­bo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Se­nhor te repreenda" (Jd 1.9). "Archangelos" (Arcanjos): a expressão é somente usada aqui e em 1Tessalonicenses 4.16 em todo o Novo Testamento. Designa algum poder altíssimo angelical, dotado de autoridade sobre larga área, celestial ou terrena. O livro de Enoque (considerado apó­crifo) dá os nomes de sete arcanjos, a saber: Uriel, Rafael, Raquel, Saracael, Miguel, Gabriel e Remiel. Segundo é dito ali, a cada um deles Deus entregou uma província sobre a qual reina.
A província de Miguel seria autoridade "sobre a me­lhor porção da humanidade e sobre os caos". Os escritos judaicos fazem assim dele o protetor de Israel como nação.
O Arcanjo. Apesar daquilo que se depreende dos livros não-canônicos, isto é, que há sete arcanjos, as Escrituras Sagradas só designam um, Miguel, como Arcanjo (Jd 1.9); talvez antes de sua queda, Lúcifer, (o resplandecente) fos­se também um arcanjo, igual a Miguel (Ez 28.1 e ss). Mas por causa do seu pecado, teve seu título cassado por Deus, e agora apenas é tratado assim: "tu eras".
"O prefixo 'are' sugere um anjo-chefe, principal ou po­deroso. Assim, Miguel é agora o anjo acima de todos os an­jos, reconhecido como sendo o primeiro príncipe do Céu. É o primeiro-ministro da administração divina do Universo, sendo o 'administrador angélico' de Deus para o povo ju­deu, também o será para o juízo". O arcanjo em foco é sempre representado como um anjo-chefe, o capitão dos exércitos celestiais (Ap 12.7).
No Antigo Testamento, Miguel aparece primordial­mente identificado com Israel como nação. Deste modo, Deus fala dele como o príncipe do povo eleito: "Naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se le­vantará pelos filhos do teu povo..." (Dn 12.1a). Ele protege e defende em caráter especial o povo eleito de Deus. Seja como for, ele é sempre visto como o Arcanjo representado.
Os "principados" (Cl 1.16) para os escritos pós-bíblicos são tipos de arcanjos. As explicações judaicas da­das sobre esse tema indicam que tais anjos têm, sob suas ordens, vasto número de seres espirituais. São quais "reis celestiais", com muitíssimos súditos; mas eles mesmos es­tão, naturalmente, sujeitos a Deus, o Grande Rei.
Estes mesmos escritos defendiam que, talvez o trecho de Atos 7.38, se refira a Miguel como o anjo enviado na doação da Lei. Em qualquer conexão das Escrituras, Mi­guel é sempre pintado "como um anjo guerreiro". Miguel, em hebraico significa "Quem é semelhante a Deus". Não nos é revelado o porquê deste significado, mas pode ser, em oposição às disposições hostis de Satanás, que disse: "...subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo" (Is 14.14). Assim, nasce o nome "Miguel", acrescentado ao vocábulo "Arcanjo" (chefe), para defen­der que, nenhum ser criado pode ser "semelhante a Deus". Este deve ser o sentido do pensamento.
Miguel entra em foco nas seguintes passagens (Dn 10.13,21; 12.1; 1 Ts 4.16; Jd 1.9; Ap 12.7). Na passagem de Daniel 10.13,21 e Dn 12.1, ele é pintado como o anjo guardião de Israel. Seu nome: "O arcanjo" (Jd v. 9), deriva-se do vo­cábulo "arc", que quer dizer "chefe", complementado no sufixo "mensageiro" que quer dizer "anjo". Miguel, por­tanto, é chefe dos anjos, enquanto que Jesus é o Senhor de Todos (Hb 1.4-6). Ele é chamado em Daniel (10.13,21): "...um dos primeiros príncipes" e "vosso príncipe". Nessa capacidade lhe é peculiarmente apropriada que ele é o Ar­canjo representado. Alguns teólogos o chamam de "O mensageiro da Lei e do juízo" ou do "julgamento" de Deus. Os teólogos medievais concebiam que a Bíblia apre­senta a existência do príncipe do mal, a epítome de toda a maldade, uma pessoa real, e que Miguel, seria, segundo este pensamento, o Príncipe do bem, em oposição àquele.
Comandando os exércitos que combateram a Satanás, o grande dragão, e todos os seus sequazes, Miguel, sempre se destaca isolado! De vez que a Bíblia nunca se refere a arcanjos, apenas ao "Arcanjo". Seu nome "Miklã'el", no hebraico é sinônimo de Micaías e Mica. É nome pessoal de onze personagens mencionados nas Escrituras, apenas uma delas recebe mais do que uma referência passageira. Essa exceção é o Arcanjo Miguel. Sobre o ministério, ou função por ele desempenhada, vejamos:
Em Daniel 10.13,21 e 12.1, sua missão específica é guardar e proteger a nação israelita. Mas é óbvio que suas atividades são as mais variadas, envolvendo até mesmo uma vastíssima área. Isso nos fornece alguns pensamentos quanto à sua piedade, mesmo sendo guerreiro, e poderoso (Jd v9), e, no tocante ao ministério dos anjos, destaca-se como comandante.
Em1 Tessalonicenses 4.16, Miguel, o arcanjo, virá aos brados, acompanhando Jesus na sua vinda para o arrebata­mento. Não apenas proclamará a nova incomparável e emocionante de que Jesus retorna, como também pronun­ciará simultaneamente com Cristo a palavra de vida para todos os que "...dormem em Cristo e aguardam a ressurrei­ção: "Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido e com voz de arcanjo... e os que morreram em Cristo res­suscitarão... Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos ar­rebatados juntamente com eles nas nuvens..."
Em Judas (v9), ele é visto a contender com o Diabo. A disputa diz respeito ao corpo de Moisés: "Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o Diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés..." Sobre isto, há muitas tradi­ções tais como: "Esta disputa teve lugar com o Diabo re­clamando para si 'o corpo de Moisés"'. Ele alegara que Moisés pertencia à uma ordem material e que ele fora ho­micida no passado (Êx 2.11-15), por esse motivo não mere­cia um sepultamento decente. O segundo ponto desta tra­dição se prende à resposta de Miguel à Satanás. Vejamos, pois: "Miguel responde a essa primeira acusação, alegando que o Senhor é o Criador e Governador do mundo material, pelo que Satanás nada tinha a dizer acerca do que ocorres­se com o corpo de Moisés". A segunda acusação de Sata­nás não se prendia tão somente à falha de Moisés, mas era apenas um embuste para poder adquirir seu corpo, para fazer do mesmo um "ídolo" monumental, para com ele corromper a nação israelita.
Miguel, então, solicita a imediata ajuda de Deus, e este guardou o corpo de Moisés da "vista da serpente", e a seguir ordenou a Miguel triunfar sobre ele com um só gol­pe: "O Senhor te repreenda!" (cf. Zc 3.2; Jd 1.9). Assim Miguel, pela razão e ajuda direta de Deus, saiu vencedor. (Citado por Adam and Chrales Black, Londres, 1897, The Assump of Moses, pp. 105-110).
Em Apocalipse 12.7, Miguel é visto a combater o Dia­bo e seus anjos em defesa do Céu. A passagem em foco apresenta um segundo quadro da revolta original de Sata­nás quando se rebelou contra Deus no passado (Is 14.12-16; Ez 28.1 e ss). Mas em todas as passagens em que Miguel aparece no cenário da História angelical, é sempre em co­nexão com a guerra; mas sempre triunfante! Até o dia do arrebatamento, Miguel não terminará sua missão. Portan­to, poderá nos socorrer quando for necessário! (Sl 34.7).
 
 
O Anjo Gabriel
"E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado a falar-te e dar-te estas alegres novas" (Lc 1.19). O anjo Gabriel vem citado nas seguintes passagens das Escrituras (Dn 8.16 e ss; Dn 9.21 e ss; Lc 1.19,26), mas como sendo "um anjo do Senhor" ele está em foco, provavelmente, nestas passagens, NT: Mateus 1.20,24; 2.13,19; Lucas 1.11,19,26; Atos 8.26; 12.7,11; 27.23 etc. Seu nome em hebraico é "Gabhri'êm", e signifi­ca "o herói de Deus", ou, segundo outros, "varão de Deus". Segundo a tradição judaica, Gabriel era o guardião do te­souro sagrado. Miguel era'o destruidor do mal, agente de Deus contra qualquer força contrária à vontade divina. Gabriel é também o mensageiro da paz e da restauração. No livro de Tobias (livro apócrifo), Gabriel é pintado como um dos sete arcanjos que estão na presença de Deus. Nessa qualidade, segundo o conceito judaico, as suas palavras merecem aceitação sem reservas.
Gabriel é primordialmente o mensageiro da misericór­dia e da promessa divina. Ele aparece quatro vezes na Bíblia. Nas Escrituras encontramos nosso primeiro toque sobre Gabriel (Dn 8.15,16). Ali ele anuncia a visão de Deus para o "fim dos tempos". Alifala-se também que ele foi despertado por uma poderosa voz que "gritou". Essa voz, sem dúvida, é a voz de Deus, o Pai.O Deus Eterno está em foco! Jamais um anjo comum falaria ou se dirigiria a tão elevado poder dessa forma. Nas quatro vezes que ele apa­rece nas Escrituras, à semelhança de Miguel, é sempre vis­to em missões específicas.
Os judeus em sua concepção angélica dão os nomes de quatro anjos que supostamente rodeiam o trono de Deus e que são dotados de posição e poderes especiais: Miguel, Gabriel, Uriel e Rafael. "Miguel", segundo eles, põe a sua mão à direita de Deus, e Uriel a sua mão esquerda; Gabriel está em sua presença (conforme ele mesmo diz sobre si mesmo).
Nas quatro ocasiões em que este anjo aparece nas Es­crituras, é sempre trazendo boas-novas. Alguns têm pensa­do que ele seja também um arcanjo, mas as Escrituras não nos revelam isto. A concepção de que Gabriel é "um dos sete arcanjos" prende-se aos livrosnão-canônicos do pós-exílio; mas escrituristicamente falando, isso não é prová­vel.
Observemos suas aparições e cada uma delas, com sentido especial.
Em Daniel 8.16, ele aparece a Daniel fazendo a inter­pretação da visão do "bode peludo" que, na sua interpre­tação representava o império greco-macedônico.
Em Daniel 9.21, há uma nova aparição de Gabriel, para esclarecer a Daniel o segredo das "setenta semanas" escatológicas, nas quais, Jerusalém seria reedificada; o Messias haveria de vir; a cidade depois de sua reedificação e vinda do Messias seria destruída e o santuário profanado (Dn 9.24-27).
Em Lucas 1.11 e seguintes, ele aparece a Zacarias, e pormenorizadamente anuncia o nascimento de João Batis­ta. Ali, então, dada a incredulidade do sacerdote na sua palavra, ele se identifica dizendo: "...Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado a falar-te estas alegres novas" (Lc 1.19b); e, depois acrescenta: "E eis que ficarás mudo, e não poderás falar até ao dia em que estas coisas aconteçam..." (Lc 1.20a). Em cumprimento à sua expressa ordem, Zacarias ficou mudo e surdo ao mesmo tempo (cf. Lc 1.22,62).
Em Lucas 1.26 e seguintes, Gabriel é novamente en­viado por Deus à Virgem Maria para predizer o nascimen­to de Jesus Cristo. Seu primeiro contato com ela foi "...Salve, agraciada; o Senhor é contigo: bendita és tu entre as mulheres" (Lc 1.28b). Seu nome, Gabriel, é visto tam­bém como o Embaixador de Deus, em razão das suas apa­rições na Terra terem o caráter especial de um embaixa­dor. Observe, pois:
Primeiro, trouxe a Daniel uma embaixada divina sobre o futuro de Israel por duas vezes (Dn 8.8,16 e ss; Dn 9.21 e ss).
Segundo, avisou a Zacarias o nascimento de João Ba­tista e também deu instrução para serem seguidas por sua esposa Isabel (Lc 1.11 e ss).
Terceiro, trouxe ao mundo (através de Maria) a notí­cia alvissareira do nascimento de Jesus Cristo (Lc 1.26 e ss).
Josefo nos informa que o povo judeu estava bem fami­liarizado com este anjo. "Gabriel era o nome do príncipe angélico enviado do Céu, a fim de fazer os preparativos para a chegada do Filho de Deus (Lc 1.19,26). Diz o histo­riador Lucas que foi ele o anjo que, com a milícia celestial, apareceu aos pastores (Lc 2.9,13). E também o que fora en­viado a José (Mt 1.24), e dirigiu a fuga para o Egito (Mt 2.13,19). Dera a Daniel a profecia das setenta semanas (Dn 9.24-27). Como esteve ele interessado na redenção huma­na! E como apreciaremos conhecê-lo, quando chegarmos no céu!" Seja como for, Gabriel é um elevado poder an­gelical, da mais alta confiança da corte celestial: Ele assiste diante de Deus.
 
 
 Os Querubins
"E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do Jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vi­da" (Gn 3.24). As interpretações a respeito destes seres ce­lestiais veriam bastante. O doutor A. H. Strong defende que são apenas "figuras simbólicas temporárias e artifi­ciais que não têm vida ou existência pessoal". Ele tenta comprovar esta idéia afirmando que estas designações es­pecíficas não se encontram acopladas aos anjos em nenhu­ma passagem da Escritura. Já o doutor Smith (Dicionário Bíblico) e o doutor Alford (Testamento Grego) defendem que são apenas símbolos dos atributos de Deus. Outros, porém, opinam que são anjos das mais elevadas posições, e, isto de fato, se coaduna com o argumento e pensamento das Escrituras. Vejamos, pois:
O vocábulo "querubim" (singular) ou "querubins" (plural), acha-se pela primeira vez na passagem de Gêne­sis 3.24. A palavra tem sua raiz no verbo "querub", que significa "guardar", "cobrir" e "celestial". Estes seres aparecem pela primeira vez junto ao portão oriental do Jardim do Éden, depois que o homem foi expulso e sua função, segundo está registrado ali, é proteger para que o homem não retorne, poluindo a santa presença de Deus. Aparecem novamente como protetores, embora em figuras de ouro, sobre a Arca da Aliança, onde Deus se comprazia em habitar. Ezequiel, profeta do cativeiro babilónico, refe­re-se a estes seres chamando-os pelo seu título dezenove vezes e a verdade relacionada com eles deriva destas pas­sagens. João, no Apocalipse, identifica-os como sendo "criaturas viventes". Sendo que ali, se torna mais ex­presso o sentido do argumento.
Alguns dos escritos paralelos do pós-exílio, concebiam os "querubins" da seguinte forma:
Não são anjos. São animais mitológicos (Ez 1 e Ez 10), importados do ambiente babilónico, que servem de caval­gadura a Jeová (Sl 18.11), sentinelas que vedam o acesso dos mortais à divindade (Gn 3.24) e colocados sobre a co­bertura da Arca (Êx 25.20), e parece terem função inter­cessora no lugar santo (Êx 26.1,31). Essa interpretação foi bastante divulgada na Idade Média, mas não foi aceita pela maioria dos cristãos por não se harmonizar com o pen­samento das Escrituras. A segunda maneira de interpreta­ção teve mais aceitação sobre o povo de Deus de ambos os Testamentos.
Os querubins são seres reais. São vistos pela primeira vez como "guardiões celestiais" (Gn 3.24). Mas em outras seções da Bíblia, eles figuram simbolicamente as coisas ce­lestiais (cf. Hb 8.5; 9.23). A palavra "querubim" não ocor­re no grego secular; é uma transliteração do hebraico (ou Aramaico), daí a variedade de terminação no plural.
Entre os profetas, somente Ezequiel menciona a pala­vra. Os querubins de ouro sobre os quais descansava a gló­ria do Deus de Israel estavam abandonados agora (Ez 9.3), e Ele descansa entre os querubins vivos que cumpriam to­das a sua vontade (Ez 1.5 e ss; Ez 10.1 e ss).
Os querubins são mencionados em ambos os Testa­mentos, como seres associados ao trono do Criador. Veja­mos:
No Antigo Testamento. O judaísmo meditava consi­deravelmente acerca do trono-carro descrito em Ezequiel, mas os rabinos não encorajaram tais especulações, e o Mishina proibiu o emprego litúrgico dos capítulos de Eze­quiel que faziam esta declaração. Nos rolos de Qunrã, um fragmento, "O Trono-Carro Divino" descreve os queru­bins, que pronunciavam bênçãos, com o acompanhamento de uma voz calma e baixa ao baterem as asas (1 Rs 19.12).
No Novo Testamento. A palavra ocorre apenas em Hebreus 9.5: "...os querubins da glória". A frase "queru­bins da glória" é empregada numa descrição do Santo dos Santos. Os querubins se associam especificamente com o trono de Deus, como já tivemos ocasião de focalizar acima, seja no Céu, seja no seu equivalente terrestre. Ficam de guarda, sustentam o trono, e agem como velozes mensagei­ros do Senhor dos Exércitos, a quem adoram.
"Sob a direção de Deus, eles foram incorporados ao plano da Arca da Aliança, e do Tabernáculo. O templo de Salomão utilizou-os na sua decoração.
Tinham asas, pés e mãos. Ezequiel capítulo 10, des­creve os querubins em detalhes como tendo não apenas asas e mãos, mas sendo também "cheios de olhos", circun­dados por "rodas dentro de rodas". O profeta então passa a falar de "rodas junto dos querubins" (Ez 1.15). Porém, em Apocalipse 4.8, os olhos que circundavam as rodas são transferidos para os próprios seres viventes, ao invés de es­tarem associados às rodas que os acompanhavam.
Alguns estudiosos afirmam que os "olhos" represen­tam o governo onisciente da providência divina, imanente na vida do mundo, consciente por todos os lados. À absolu­ta visão circundante corresponde uma absoluta visão inte­rior, que expressa a concentração contemplativa e a unida­de da onisciência divina. Em Apocalipse 4.8, os seres vi­ventes que identificamos com os mesmos querubins de Ezequiel (1 e 10), "...não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor, o Todo-poderoso".
As descobertas arqueológicas na Palestina têm trazido à luz algumas antigas representações de querubins. Em Samaria, certos painéis de marfim apresentam uma figura composta com um rosto humano, corpo de animal quadrú­pede, e duas asas elaboradas e conspícuas. A aparência do rosto sugere certo grau de influência hípica. Escavações efetuadas na antiga cidade fenícia de Gebel (em Grego, Biblos), têm revelado uma representação esculpida de dois querubins a sustentar o trono de Deus, rei de Gebel, que reinou cerca de 1200 a.C. Essas figuras concordam em ge­ral com seus paralelos de Samaria. Mas a concepção de que os querubins são animais quadrúpedes, não se prende tanto ao fato bíblico e sim mitológico. A expressão "zoon" - Apocalipse 4.6 e ss - significa, "o que vive". Diferente de "therion", que significa, "uma fera". Evidentemente, os querubins não devem ser concebidos como sendo "ani­mais", e, sim, "criaturas viventes".
Existe uma característica dupla nestes seres viventes denominados de querubins: Eles são chamados de queru­bins e como tais desempenham dupla função, isto é, são guardas celestiais (Gn 3.24), e ao mesmo tempo eles de­sempenham a função de serafins (os componentes do coro angelical) que clamam dia e noite: "Santo, Santo, Santo, é o Senhor dos Exércitos: toda a Terra está cheia da sua gló­ria" (cf Is 6.1-6; Ap 4.8 e ss). Assim, tanto estes seres (os querubins) como os serafins, estão sempre associados com o Tabernáculo e o Templo.
Em Ezequiel 9.3, o Senhor desceu do seu trono acima dos querubins até o limiar do Templo, enquanto em 10, e 11, Ele vem retomar o seu assento acima deles. Ali, o efeito deste padrão simétrico era que, seja qual for a direção da qual olhavam os quatro querubins, um rosto diferente era visto de cada lado, de modo que todos os quatro rostos eram visíveis ao mesmo tempo de qualquer ângulo.
O rosto mais perto de quem olhava seria mostrado como o de um homem (Ez 10.14), o do lado esquerdo fica­ria na sua frente como leão, e o ser no fundo estaria reve­lando sua aparência como águia. O rosto do bezerro não aparece nesta secção como na antevisão (Ez 1.10), e sim, aparece agora "o rosto do próprio querubim" (cf Ez 10.14).
Na calma que precede a tempestade, vemos os queru­bins estacionados no lado S.ul do santuário. Postados na direção da cidade, eles testemunham o começo da retirada gradual da glória de Jerusalém. O tremular de suas asas indica acontecimentos imensamente importantes que deverão seguir (Ez 10.15). Em seguida, os querubins elevam-se, prontos para a partida, num verdadeiro "Icabô": Foi-se a glória de Israel (1 Sm 4.21). Em outras passagens simila­res das Escrituras, encontramos os querubins junto ao tro­no de Deus. É ainda acrescentado que Deus, o Pastor de Is­rael, está assentado "entre querubins" (Sl 80.1) e, em lin­guagem poética, o salmista contempla o Senhor embar­cando numa destas espécies de naves celestiais: "...Mon­tou num querubim, e voou; sim, voou sobre as asas do ven­to" (Sl 18.10). No pensamento cristão, Deus é louvado e re­velado por estes seres angelicais: "Ele habita entre eles", pois está "entronizado entre os querubins" (Sl 99.1). Sobre o propiciatório (a tampa da Arca), eram contemplados dois querubins de ouro, que, por expressa ordem de Deus, foram postos ali. Era este o lugar (o propiciatório) o ponto central do encontro de Deus com o homem: "... Ali virei a ti, e falarei contigo de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins" (Êx 25.22). Os querubins ali postos na so­lidão eram uma figura do Cristo crucificado, o ponto de en­contro entre Deus e o homem (cf. Jo 12.32,33; 2 Co 5.19).
As bordaduras das cortinas, que decoravam o taber­náculo,eram figuradas de querubins (Êx 25.18), de igual modo o véu que separava o lugar santo do Santíssimo era bordado com figuras de querubins (Êx 26.31,33). Entre suas faces se podiam ler três palavras de advertência: "So­mente até aqui!" (cf. Hb 9.5,8).
No Novo Testamento, em Apocalipse 4.6, eles entram em foco pela primeira vez, e, de agora em diante, apare­cem em conjunto com os anciãos, em quase todas as cenas do Apocalipse (Ap 4.4,6,10; 5.5,6,8,11,14; 7.11,13; 11.16; 14.3; 19.4), agora, porém, eles dão o "Amém" final! E não reaparecem mais, a não ser quando nós os encontrarmos na eternidade. Em cada aparição destes seres viventes vem ao nosso entendimento que são, segundo se depreen­de, "vigias eternos" do trono de Deus, e também alguns expositores têm visto neles algo especial na apresentação dos quatro Evangelhos de nosso Senhor Jesus Cristo. O doutor Ridout, diz:
"Somos de opinião que estas criaturas viventes deno­minadas de querubins, dependendo do contexto, correspondem a significação dos quatro Evangelhos e a sua apre­sentação de Cristo. Assim, em Mateus, o primeiro Evange­lho, Cristo é ali representado como o poderoso 'Leão da Tribo de Judá' (Ap 5.5), em razão de ser este animal, o mais nobre da Fauna (Pv 30.30); em Marcos, o segundo Evangelho, Cristo é visto aí como o paciente novilho, re­presentando a força divina e sua paciência no holocausto da cruz (Lv 1.3 e ss; Fl 2.8). Em Lucas, o terceiro Evange­lho, Cristo é contemplado como 'O Filho do homem' - sua humanidade representada por mais de 40 vezes, e em João, o quarto Evangelho, Cristo é representado como uma Águia voando, em virtude de ser esta ave a mais nobre das aves do céu e Jesus, o nobre Filho de Deus (Hb 1.4 e ss; Hb 7.26)".
Portanto, finalizando nosso argumento no que diz res­peito aos "querubins", deduzimos que eles são seres reais, criaturas vivas que, segundo se diz, atuam permanente­mente ao redor daquele cujo nome é: "Jeová Sabaote", o Senhor dos Exércitos!
 
 
Os Serafins
"Os serafins estavam acima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés e com duas voavam" (Is 6.2). O título "Sera­fins" fala de adoração incessante, do seu ministério de pu­rificação e de sua humildade. Eles aparecem apenas uma vez nas Escrituras sob esta designação. Os seres celestiais em foco, na visão de Isaías, tinham forma humana, ainda que, segundo é dito ali, dispunham de seis asas cada um.
O vocábulo "serafim" deve vir da raiz hebraica "Saraph", cuja raiz primitiva queria dizer: "consumir com fo­go". Porém, alguns hebraístas a traduzem também por "queimadores", "ardentes", "brilhantes", "refulgentes", "amor" e "nobres"; alguns escritores judeus têm procura­do derivar o vocábulo de uma raiz hebraica cognata, "saraph" (queimar, sustentando que os serafins são anjos rebrilhantes). Os menos escrupulosos traduzem também o vocábulo por "serpentes ardentes", ou "áspides voadores" (cf. Is 14.29; 30.6 etc). E finalmente, alguns já pensaram também, em "seres exaltados ou nobres".
Já tivemos ocasião de falar sobre o vasto reino de luz dos seres angélicos. As especulações judaicas, e até fora delas, também investigavam a respeito deste mundo invisí­vel. As especulações humanas, porém, nem sempre estão de acordo com o pensamento das Escrituras quanto a este vasto mundo espiritual, onde se movimentam inúmeros exércitos organizados e preparados, à disposição do seu Criador (SI 103.20). O apóstolo Paulo e outros escritores do Novo Testamento, falam dele como sendo muito vasto e poderoso.
Como no plano terrestre, chamamos "autoridades", "potestades" as pessoas humanas que têm uma responsa­bilidade, assim também recebem estas denominações os servos imediatos de Deus no mundo invisível e os instru­mentos diretos de sua "autoridade". Este uso terminológi­co é levado mais longe ainda no plano celestial, chegando a designar os próprios "seres" invisíveis sujeitos ao domí­nio de sua vontade.
A investigação arqueológica de um túmulo da XII Di­nastia, em Beni-hasam, revelou dois grifos alados, conhe­cidos em egípcio demótico pelo nome de "seref", resguar­dando um sepulcro. Foi descoberto em Tel Hallf um arte­fato vindo da Mesopotâmia representando um "serafe" com seis asas. Segundo o achado, tal criatura tinha um corpo humano, em contraste com a combinação águia-leão do Egito, com quatro asas distribuídas abaixo da cintura e as duas restantes entre os ombros. O rosto exibia traços da influência hitita posterior, e o artefato foi datado como pertencente a cerca de 1000 a.C. Estas descobertas ar­queológicas sobre possíveis representações de serafins, são muito importantes, porém, longe de traduzir ou represen­tar os verdadeiros serafins componentes do coro angelical.
Os serafins são elevados poderes do mundo angelical que se situam dentro do domínio do Criador. São os possí­veis regentes dos grandes corais no interior do Céu. Seu louvor constantemente é dirigido à Trindade (Is 6.3): San­to (Deus), Santo (Jesus), Santo (Espírito Santo). Na pas­sagem de Isaías, a Trindade está em foco! Observe o pronome ("nós") no versículo8, e deduza o significado do pensamento.
O doutor C.I. Scofield, observa que estas criaturas de­nominadas de serafins, conforme vemos aqui, contrastam àluz do contexto com os querubins, isto é, não devem ser as mesmas criaturas, ainda que tenham algumas coisas em comum. Vejamos:
"Os querubins contrastam com os serafins. Embora exprimam a santidade divina, que requer que o pecador se aproxime de Deus somente por meio de um sacrifício que realmente vindique a santidade de Deus (cf. Rm 3.24-26), e que o crente seja primeiro purificado antes de servir; Gê­nesis 3.22-24, mostra as exigências dos primeiros; e Isaías 1-6 a dos segundos".
O alcance do argumento. Os serafins habitam "aci­ma" do trono de Deus. A expressão "acima" não deve ser entendida "em cima". A gramática semítica parafrasean­do esta expressão diz: "Os serafins estavam a altura do trono de Deus. No cimo do trono. E ali velavam pela santi­dade divina". Os serafins cultuam a Deus nos umbrais eternos, porém, como os demais anjos, são sujeitos à auto­ridade divina de Jesus Cristo (Hb 1.6). A Ele e por Ele, es­tão sujeitos todas as autoridades, e as potências. Seja como for, os mensageiros de Deus estão por todas as par­tes!
 
 
Outros Anjos em funções especiais
O anjo das águas
"E ouvi o anjo das águas que dizia: Justo és tu, Ó Se­nhor, que és, e que eras, e santo és, porque julgaste estas coisas" (Ap 16.5). Além daquilo que é depreendido do pre­sente texto havia também entre o povo da aliança a ideia helenista de que certos elementos da natureza são contro­lados pelos anjos.
Assim, teríamos os anjos dos quatro ventos (Ap 7.1), do fogo (Ap 14.18), do calor, da geada, das águas, e assim, interminavelmente. No texto em foco, o anjo das águas, li­teralmente falando, tinha a tarefa de guardar e fazer dis­tribuição do suprimento das águas, sendo por assim dizer; o anjo-capitão dessa parte da natureza (cf. Jo 5.4; Atos 27.23,24).
Na teologia judaica, os judeus e outros escritores de índole proselitada, chegaram até a exagerar nomes de al­guns deles, tais como:
Niconias, que estaria'encarregado das fontes das á-guas. Assim, segundo este pensamento, o anjo aqui men­cionado seria Niconias.
E Admael seria o anjo da Terra, conforme diziam as ideias da época sobre os anjos. Para nós, porém, o sentido simbólico deve ser aqui invocado, por estar mais apropria­do com a natureza do argumento: "As águas que viste, onde se assenta a prostituta, são povos, e multidões, e na­ções, e línguas" (Ap 17.15). Na simbologia profética do sig­nificado do pensamento, fontes, rios e mares, têm o sentido geral das nações inquietas e desorganizadas (cf. Jr 6.7; Ez 29.3; Dn 7.2,3; Lc 21.25; Tg 1.6; Ap 16.3). Assim, para nós, "o anjo das águas" aqui representado, refere-se, evidente­mente, a "um guarda eterno" responsável pela segurança das nações, e também de executar juízos sobre elas. (Cf. Êx 14.19,20; 23.20; Dn 10.13,20,21). O vidente João insere em seu livro tais pensamentos, mas por expressa ordem de Deus. Nada aqui está fora de lugar. Pelo que, aqui, apren­demos a lição de Deus que controla tudo, nada fazendo fora de sua influência, isso pode visar à bênção ou à maldi­ção dos homens, dependendo de como os homens se entre­gam à impiedade ou à santidade.
A proclamaçãodeste elevado poder angelical é que Deus "é justo" e "santo". As palavras "justo" e "santo" são usadas aqui no julgamento deste anjo-capitão para ad­jetivar Deus nas suas execuções necessárias. A retribuição é o resultado da santidade e da majestade intensas de Deus, que se impõem em favor do seu povo em autovindicação. Seja como for, diz o "vigia-eterno": Deus julgará quem não lhe obedecer. E para confirmação, o poder angé­lico invoca a Eternidade e a permanência de Deus. Deus transcende ao tempo, embora, também, quando necessá­rio, se manifesta dentro dele; e se faz sempre presente. Ele é o Deus "...bem presente!" (Sl 46.1), cuidando tanto em julgar como em defender aos homens, dependendo apenas do contexto.
O anjo destruidor
"E o Senhor mandou um anjo a Jerusalém para a des­truir; e, ao destruí-la ele, o Senhor o viu, e se arrependeu daquele mal, e disse ao anjo destruidor: Basta, agora retira a tua mão, e o anjo do Senhor estava junto à eira de Omã Jebuseu" (1 Cr 21.15).
De todos os anjos que são apresentados nas Escrituras em missões específicas, o "anjo destruidor" é o mais difícil de ser identificado, por vários motivos.
Primeiro, em alguns lugares ele aparece como sendo o "Senhor" (Êx 11.4-7; 12.12,13,23,27,29; SI 136.10) e, se­gundo, em outros, ele é "o anjo do Senhor" (2 Sm 24.16 e 1 Cr 21.15 e ss). Terceiro, "praga de mortandade" em Êxodo 12.13. Na passagem de 1 Crônicas 21.15, ele é denominado sem nenhuma reserva de "anjo destruidor", e, segundo se diz, cumpriu ali sua missão: 70 mil súditos do reino de Davi pereceram debaixo de sua execução (cf. 2 Sm 24.1 e ss). Lendo a passagem de Êxodo 12.23, entendemos que "o anjo destruidor" não era o próprio Senhor, mas um mensa­geiro (mensageiro da morte) que executava o juízo, debai­xo ou como diz o original "ancorado na mão de Deus". Deus estava também ali! Mas para proteger: "...vendo eu sangue, passarei por cima de vós" (12.13) e no versículo 23 da mesma seção o Senhor Deus Eterno, também está em foco: "O Senhor passará por aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas para vos ferir".
A passagem desta seção tem seu paralelo no livro do profeta Isaías, onde Deus aparece como um pássaro que voa sobre seu ninho para o defender. Ouça! "Como as aves voam, assim o Senhor dos Exércitos amparará a Jerusa­lém: ele a amparará e a livrará, e, passando, a salvará" (31.5). Portanto, segundo se depreende dos textos sagra­dos, o título pois, deste ser angelical indica nosso Senhor Jesus Cristo em suas aparições pré-encarnatórias, mas quando observamos sua função; a função da morte, não deve ser nosso Senhor, e, sim, um outro mensageiro desig­nado para tal função. Jesus disse durante sua missão terre­na: "...eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância" (Jo l0.l0b). Na aparição de nosso Senhor a Josué ao pé de Jericó devemos observar vários detalhes importantes:
Primeiro: É um homem (5.13 ERC), mas aceita o cul­to de adoração devido a Deus (v 15), o que jamais um anjo qualquer aceitaria (Ap 19.10; 22.8,9).
Segundo: Seu ofício é o mesmo do Messias, Guia e Ca­pitão do povo (v 14).
Terceiro: Ele imediatamente assume o comando su­premo, e diz como a batalha há de ser.
Quarto: Na pergunta de Josué: "És tu dos nossos, ou dos nossos inimigos?" (v 13b) Josué com a idéia fixa no duelo que ia travar-se entre israelitas e cananeus, interro­ga um desconhecido. Seria um aliado? Não, não era um aliado! É um "Príncipe do Exército do Senhor", a quem o próprio Josué devia submeter-se. Na resposta salientada pelo ser supremo a Josué, fica subentendido que aquele Capitão não era "um anjo destruidor". Sua resposta ("NÃO.") expressa o significado do pensamento. Ele era a favor de Israel, mas não era contra os pecadores! É esta portanto, a missão plena do Filho de Deus. "Porque o Fi­lho do homem não veio para destruir..." (Lc 9.56a).
O anjo do altar
"E ouvi outro (anjo) do altar, que dizia: Na verdade, ó Senhor Deus Todo-poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos" (Ap 16.7). No Apocalipse o altar celestial é mencionado nas seguintes passagens: 6.9; 8.3,5; 9.13; 11.1; 14.18; 16.7. Em Ap 11.1, o altar deve ser o do sacrifício, que ficava no pátio dos sacerdotes. Em uma outra seção (ao aludir este ao Templo), aparece um único altar, em lugar dos "dois" altares do Templo antigo, na Terra, mas que in­corporava as funções do "Altar do Sacrifício" (o do cobre), que ficava fora do santuário, e as funções do altar do incen­so, perante o véu do Santo dos Santos, pelo lado desse véu. O altar do presente texto, pode ser, literalmente, aquele que fica diante da face do Cordeiro, onde os mártires da Grande Tribulação estão a repousar (Ap 6.9 e 7.9-17). Ali, portanto, conforme veremos, está posicionado um "anjo-sacerdote", guardando as pequenas e grandes orações de todos os tempos e de todos os santos.
Em Apocalipse 6.9 as almas dos mártires cristãos, cla­mavam debaixo do altar, por vingança. O altar do presente versículo, é o mesmo altar visto por João na visão anterior do seu livro, e o "outro do altar", que se traduz também no original grego por "o anjo do altar", é sem dúvida um ele­vado poder angelical revestido de uma "função sacerdo­tal", responsável em guardar "...as orações dos santos". A voz deste ser celestial assinala o cumprimento e resposta as orações dos santos de 6.10 do Apocalipse. O apóstolo João ouviu a poderosa voz do anjo intercessor justificando d julgamento de Deus. Como exemplo disso, encontramos o sangue de Abel falando desde a terra, clamando por jus­tiça (Gn 4.10; Hb 11.4), e o altar é a base dos juízos de Deus, que nos fala da morte de Cristo. Deus ouvirá tam­bém, a voz dos santos mártires, desde Abel até os da Gran­de Tribulação (Ap 8.5) e, como certeza disso, destina um ser de sua mais alta corte celeste, que durante todos os Mi­lênios, está velando sobre isso. A implacável ira de Deus, santo e justo em juízos, finalmente cairá sobre os homens culpados, porque acima da morte de todos os santos e pro­fetas de ambos os Testamentos, está a morte de Cristo (Hb 12.24), requerendo do Trono uma resposta segura e firme, e como resposta disso, nele está posto "um vigia eterno!" O anjo do altar!
O anjo da igreja
"Escreve ao anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro" (Ap 2.1). Sobre "o anjo" da igreja, têm havido várias opiniões, sendo que, apenas uma (a de que são os pastores) predominou. Vejamos, pois:
Há grandes poderes espirituais que exercem controle sobre as nações, sobre os indivíduos e sobre a Igreja - tal­vez até sobre as igrejas locais - de tal modo que, sob hipó­tese alguma, estamos sozinhos. Contamos com a presença e assistência de elevados poderes, e nossos melhores ho­mens são aliados deles.
As sete estrelas são os sete anjos da Igreja (Ap 1.20). Não são homens. São seres angelicais. Contudo (diz esta interpretação), mantêm íntima associação com os líderes das igrejas, pois orientam as comunidades cristãs. Mui provavelmente servem de mediadores dos dons espirituais, pelo menos em alguns casos. Desse modo, estão intima­mente relacionados com o crescimento e a expansão da Igreja, usando homens como instrumentos.
São os anjos protetores de cada igreja. É uma terceira interpretação. Sendo, porém, o guardião invisível (cf. Sl 34.7). Para nós todas estas interpretações, não estão de to­do, rejeitadas, pois, pode e deve, haver nelas algo que seja verdadeiro. Mas no que diz respeito ao "anjo da igreja" como já ficou demonstrado, tais opiniões não combinam com o sentimento natural do pensamento das Escrituras, pois ali, encontramos "anjos mortos" que podiam ser res­taurados e, evidentemente, isso não poderá acontecer com "anjos" no sentido de seres espirituais. Pedro diz: "...Deus não perdoou aos anjos" (2 Pe 2.4). E acrescenta: "...que pe­caram". Ele não diz que "pecam" (atual) e sim: "que pe­caram" (passado). Portanto, está fora de cogitação que, o anjo da igreja, seja de fato, na expressão da palavra, "um ser angelical" (Ap 3.1,15-19).
A interpretação natural do "anjo da Igreja", deve ser e é de fato, a mais aceita: "sete pastores das sete igrejas da Ásia Menor (hoje, atual porção da Turquia Asiática) que foram enviados pelas referidas igrejas para saberem do es­tado do velho apóstolo, então um exilado em Patmos (compare-se Filipenses 4.18). Mas sendo na sua volta por­tadores das Sete Cartas. Este deve ser, portanto, o verda­deiro sentido do "anjo da igreja" (Ap 1.20; 2.1,8,12,18; 3.1,7,14).
 
 
O Ministério Angelical noAntigo Testamento
"Vós, que recebestes a lei por ordenação dos anjos, e não a guardastes" (Atos 7.53). Veje-se o contexto de Gálatas 3.19: "...a lei... foi posta pelos anjos na mão de um media­neiro". Não só as Escrituras, mas também a teologia ju­daica helenista desenvolve uma elaborada noção sobre como Deus faz os anjos servirem aos seus filhos no plano da salvação, protegendo-os, ajudando-os, de inúmeras manei­ras. "Testemunhem o aparato sem precedente e não mais repetido do Monte Sinai quando Deus se dirigiu ao povo; trata-se de um acontecimento de primeira magnitude e nele se pode incluir a visitação de hostes angelicais. Em meio às nuvens crescentes que cobriam o Sinai um anjo anunciou a presença de Deus. ("E Moisés levou o povo fora do arraial ao encontro de Deus; e puseram-se ao pé do monte. E todo o monte de Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo: e o seu fumo subiu como o fumo dum forno, e todo o monte tremia grandemente. E o sonido da buzina ia crescendo em grande maneira: Moisés falava, e Deus respondia em voz alta"). Agora com a pre­sença de Deus na montanha, tudo mudou de aspecto. Amontanha inteira pareceu pulsar de vida. O terror se apo­derou do povo embaixo. A terra pareceu abalada por meio obscuro. Quando Deus veio ao topo da montanha, estava acompanhado de milhares de anjos (Sl 68.8,17). Moisés, testemunha silenciosa e solitária deveria ter sido domina­do por uma visão ainda que limitada das forças de Deus. Abala a imaginação pensar que espécie de manchete teria ocorrido ali. "E tão terrível era a visão que Moisés disse: Estou todo assombrado, e tremendo" (Hb 12.21a).
O comentador Matthew Henry observa que a aparição de Deus cercada de seres angélicos foi gloriosa. Ele res­plandeceu como o sol quando ganha força no firmamento. Mesmo Seir e Parã, duas montanhas a alguma distância, foram iluminadas pela glória divina que apareceu no mon­te Sinai, refletindo alguns de seus raios; tão brilhante foi a aparição de Deus e seus ministros e tanto empenho de rela­tar as maravilhas da providência divina, que até "...raios brilhantes saíam da sua mão" (Cf. Sl 18.7,8; Hc 3.3).
Além desta aparição de anjos ao lado do seu Criador, o ministério angelical é proeminentemente desenvolvido no Antigo Testamento. H. Halley observa que os anjos estão presentes em quase todos os acontecimentos tanto do Anti­go como do Novo Testamento. Eles afloram por toda a Bíblia! Um apareceu no deserto de Sur, à escrava egípcia, Hagar a fim de lhe socorrer e foi identificado como sendo "O Anjo do Senhor" (Gn 16.7-12); anjos anunciaram o nas­cimento de ísaque ao Patriarca Abraão na tenda em que residia (Gn 18.1 e ss); anunciaram também a destruição das cidades de campina: Sodoma, Gomórra, Admar e Zeboim (Gn 18.16-29; Dt 29.23); anjos salvaram Ló do meio da destruição quando Deus derribava Sodoma e Gomorra por meio do fogo (Gn 19.1 e ss). Um anjo impediu que Abraão matasse Isaque na montanha de Moriá (Gn 22.11,12), anjos guardaram Jacó durante sua vida de pere­grinação (Gn 28.12; 32.1; 49.16); um anjo comissionou Moisés a libertar a Israel do Egito (Êx 33.2); um anjo guiou Israel no deserto (Êx 14.19; 23.20); um anjo dirigiu Eliézer, o damasceno, para Arã (Gn 24.7); a Lei foi dada por inter­médio dos anjos (Atos 7.53; Gl 3.19); um repreendeu Balaão, um profeta moabita (Nm 22.31-35); o Anjo do Senhor Príncipe do Exército do Senhor) falou a Josué quando se encontrava ao pé de Jericó (Js 5.13-15); um anjo subiu de Boquim e repreendeu os israelitas (Jz 2.1-5); um anjo amaldiçoou a Meroz (Jz 5.23); um anjo comissionou Gideão a libertar o povo de Israel do jugo dos midianitas (Jz 6.11 e ss); um anjo anunciou o nascimento de Sahsão a Manué e sua esposa (Jz 13.1 e ss).
Durante o tempo que se seguiu à monarquia judaica, os anjos tornam-se também eminentes na história do povo escolhido: algumas vezes livrando-os e outras castigando-os.
Um anjo feriu a 70 mil escolhidos de Israel no tempo de Davi (2 Sm 24.14 e ss); um anjo acudiu Elias quando fu­gia da fúria de Jezabel (1 Rs 19.5-8); Eliseu, certa manhã, viu-se cercado de anjos invisíveis aos olhos de seu criado e visíveis aos seus (2 Rs 6.14-17). Durante o cativeiro babiló­nico, um anjo livrou o profeta Daniel da cova dos leões (Dn 6.22); um anjo ajudou a Zacarias na redação de seu livro (Zc 1.9; 2.3 e 4.5).
Durante todo o período da Antiga Aliança os anjos es­tiveram presentes na vida de muitos personagens da Bíblia. Vejamos pois!
Hagar (Gn 16.7,8); Abraão (Gn 22.1,12); Ló (Gn 19.1); suas filhas e esposa (Gn 19.16); Eliézer (Gn 22.7); Jacó (Gn 28.12; 31.11,12; 32.1,2; 48.16); Moisés (Êx 3.2 e ss); Balaão (Nm 22.22-35); Josué (Js 5.13-15); a todo o Israel (Jz 2.1-4); Gideãp (Jz 6.11); Manué e sua mulher (Jz 13.1,9,13); Davi (Sm 24.17): Araúna (1 Cr 21.20); Gade (1 Cr 21.18); Isaias (Is 6.2-7); Ezequiel (Ez 1.2-10); Sadraque, Mesaque e Abednego (Dn 3.25,28); Daniel (Dn 6.22); Dario (Dn 10.5-21; 11.1 e ss); Zacarias (Zc 1.9 e ss). Podemos fazer outras citações, tais como;1 Reis 13.18; Jó 4.15,16; Salmo 34.7; Zacarias 3.3, etc. Ora, estas aparições ou interven­ções angélicas na vida destas pessoas, são apenas manifes­tações tópicas, pois em outras ocasiões os anjos estiveram presentes, porém invisíveis aos olhos humanos.
 
 
O Ministério Angelical no NovoTestamento

"Não são porventura todos eles espíritos ministrado-res, enviados para servir a favor daqueles que hão de her­dar a salvação?" (Hb 1.14). Observem-se os contextos de Lucas 15.10; Atos 8.26; 10.3-5; Apocalipse 14.6,7.
Em toda a extensão do Novo Testamento, o testemu­nho dos anjos como nossos conservos é abundante;
Um anjo anunciou o nascimento de João Batista (Lc 1.11-14) e lhe deu o nome (Lc 1.13); semelhantemente, o mesmo mensageiro anunciou a Maria o nascimento de Je­sus Cristo (Lc 1.26-37) e lhe deu o nome (Lc 1.31); um anjo anunciou a José o mesmo acontecimento (Mt 1.20,21). Os anjos anunciaram aos pastores belemitas o nascimento de Jesus (Lc 2.8-15); foi visto também naquela mesma noite um coral de anjos que cantavam dizendo: "Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os ho­mens".
O nascimento, a vida, a morte, a ressurreição e a as­censão de Jesus foram pontilhados pelos anjos. Não foi por menos que diz Paulo a respeito de Cristo: "...contemplado pelos anjos" (1 Tm 3.16) - (Edição Revista e Atualizada no Brasil). Seu interesse e devoção ao Senhor da glória são medidos até certo ponto pela adoração que eles lhe ofere­cem desde a criação até o presente momento. Portanto, se ouve tanto na "estrofe" como no "estribilho": "Todos os anjos de Deus o adorem" (Hb 1.6).
Um anjo dirigiu sua fuga para o Egito (e o regresso) através de sonhos (Mt 2.13-20). O doutor William Cooke, observa cuidadosamente como foi constante a assistência angelical ao Salvador Encarnado durante a sua vida e mi­nistério entre os homens!
No seu nascimento foram seus arautos e com hinos exultantes anunciaram as boas-novas à humanidade. Na tentação, eles o serviram; em sua agonia o socorreram; na sua ressurreição foram os primeiros a proclamar o seu triunfo; na sua ascensão o escoltaram até o trono; e, quan­do Ele voltar para julgar o mundo da presente Era, eles formarão o seu séquito! No seu estado glorioso, eles lhe rendem homenagem suprema de seu Senhor. Que pensa­mentos sublimes não foram sugeridos, que emoções de es­panto e alegria não foram despertadas pelas cenas que eles testemunharam na Terra e ainda testemunha no céu, com referência a Cristo, sua natureza dupla e sua grande obra redentora.
Veja o que eles sentiram quando presenciavam cada detalhe da vida terrena e celestial do Salvador.
Deus encarnado! Coisa nova para eles. Eles viram o Filho em sua Divindade; mas nunca o tinham visto envolto em humanidade. Que condescendência espantosa! Obede­cendo às próprias leis como se fosse uma simples criatura e na atitude de um servo.
Deus como servo! Coisa nova para eles. Eles o tinham visto como Governador do Universo; mas nunca como um súdito! Enfrentando Satanás em conflito e prolongada tentação.
Deus sendo tentado! Coisa nova para eles. Eles o ti­nham visto expulsando o arqui-rebelde da sua presença, atirando-o para a perdição; mas nunca se submetendo para ser tentado por ele cuja sutileza e poder reduzira as miríades à ruína eterna, nem podiam imaginá-lo sofrendo o escárnio e o descrédito dos homens pecadores!
Deus sofrendo escárnio! Coisa nova para eles. Eles vi­ram miríades de espíritos felizes adorando-o e amando-o; mas nunca o tinham visto pessoalmente insultado e mal­tratado por criaturas finitas. Gemendo no Getsêmane e crucificado entre dois ladrões, morrendo como uma vítima sacrificada!
Deus crucificado! Coisa nova para eles. Eles o viram supremamente feliz e glorioso; mas vê-lo agonizando, ou­vir aquele gemido agonizante: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mt 27.46b) e contemplar aquele corpo sangrando tudo para salvar o mundo que revoltara-se contra ele! Que amor misterioso! Vê-lo, depois de tudo isto entronizado e glorificado em sua forma suprema, era um fato novo na história moral do Universo. Todas as ce­nas eram cheias de interesse, de maravilhas e de mistério; uma gradação de maravilhas se sucedendo, até que culmi­naram na presença permanente do Deus-homem, resplan­decente com uma glória que enche o Céu dos céus.
Foram capítulos de instruções para as mentes angéli­cas ponderarem; foram revelações de verdades ocultas; fo­ram descobertas de perfeições divinas antes não conheci­das; e que continuam se revelando da maneira mais reful­gente, enquanto os séculos se sucederem!
O próprio Jesus falou abundantemente sobre estes se­res em muito de seus elementos doutrinários e, de igual modo, os apóstolos nos Atos, nas Epístolas e no Apocalip­se. Vejamos!
Nos Evangelhos: Jesus falou de anjos que subiam e desciam sobre Ele (Jo 1.51); disse poder contar com mais de 12 legiões de anjos em prol de sua defesa (Mt 26.53); os anjos estarão com ele no julgamento das nações vivas por ocasião da sua Parousia (Mt 25.31); os anjos serão os cei­feiros no fim da presente era (Mt 24.39); os anjos ajuntarão os eleitos no retorno de Cristo à Terra com poder e grande glória (Mt 24.31); os anjos conduziram Lázaro para o Seio de Abraão (Lc 16.22); os anjos separarão os ímpios dos jus­tos por ocasião da ceifa (Mt 13.41-49); os anjos no Céu con­templam a face de Deus (Mt 18.10); anjos contemplam a alegria do Senhor no Céu por um pecador que se arrepende (Lc 15.10; Jd 1.24); Jesus disse confessar o nosso nome perante seus anjos (Lc 12.8); Jesus falou sobre a imortalidade dos anjos (Mt 22.30); falou também no Diabo e seus anjos maus (Mt 25.41).
Nos Atos dos Apóstolos: A Igreja Primitiva teve seu princípio de formação auxiliada e protegida por estes seres celestiais. Vejamos: dois anjos foram testemunhas da as­censão de Cristo (Atos 1.10,11); um anjo abriu as portas da prisão e soltou os apóstolos Pedro e João (Atos 5.19); um anjo encaminhou Filipe, o Evangelista, ao eunuco etíope (Atos 8.28); um anjo soltou Pedro da prisão (Atos 12.7-9) e por con­seguinte foi chamado "...seu anjo" (Atos 12.15); um anjo orientou o Centurião Cornélio, a chamar a Pedro (Atos 10.3); um anjo feriu Herodes e ele morreu comido de bichos (Atos 12.23); um anjo esteve com Paulo no caminho de Roma (Atos 27.23).
Nas Epístolas: Os anjos estão também em foco nas epístolas em muitas de suas seções. Paulo falou de "anjos eleitos" (1 Tm 5.21); disse que nós, isto é, os ministros, so­mos "...feitos espetáculo ao mundo, aos anjos" (1 Co 4.9); falou de anjos que virão com Jesus na sua vinda (2 Ts 1.7); falou de anjos que nos observam (1 Co 6.3). Falou de um "possível anjo descendo do céu" (Gl 1.8), e que as mulhe­res deviam se portar decentemente por causa dos anjos (1 Co 11.10). A Epístola aos Hebreus é marcada ao redor por estes seres celestiais (Hb 1.4,5,6,7,13; 2.2,5,7,9,16; 12.22; 13.2).
No Apocalipse: Os anjos neste livro são proeminentes. Um anjo dirigiu a redação do livro para João (Ap 1.1; 22.6,16). Cada igreja tem seu anjo (Ap 2.1,8,12,18; 3.7,14). Cerca de 71 vezes, os anjos são nele mencionados com missão espe­cial.
Não é imaginação, mas realidade, que os anjos são nossos conservos de mil maneiras. Nenhuma verdade está mais estabelecida pelas Escrituras do que a declaração de Hebreus 1.14, que diz serem estes seres enviados para ser­vir a favor daqueles que hão de herdar a salvação. Em rela­ção aos ministérios específicos dos anjos da Terra e em be­nefício da humanidade, especialmente dos santos, os deta­lhes formam um campo muito aberto à investigação de modo que não podem, ser extensamente enumerados aqui.Embora os anjos estivessem presentes na criação, nenhu­ma referência foi feita ao ministério deles até os dias de Abraão. Só depois eles aparecem (Gn 16.7 e ss) e a partir daí, eles estão presentes até no último capítulo da Bíblia (Ap 22.16).
 
Os Anjos na Evangelização
"E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não te­mas receber a Maria tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; E dará à luz um filho e chama­rás o seu nome JESUS; porque Ele salvará o seu povo dos pecados deles" (Mt 1.20,21). Ora, a partir desta passagem até Apocalipse 22.16, vamos encontrar a grande e eficaz missão angelical na pregação e ensino concernente à salva­ção da humanidade. Vejamos pois:
1. Encontramos os anjos anunciando as "boas-novas". As boas-novas eram que o Salvador chegara. Eles precisa­vam de alguém que os pudesse trazer de volta à associação com Deus. Os anjos, mesmo dentro ainda dos limites do evangelho do reino, já traziam consigo uma mensagem universal: "...Eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo" (Lc 2.10). Que testemunho para o evangelho! E foi em seguida confirmada a mensagem pela milícia celestial que o acompanhava. Eles disseram: ''Boa vontade para com os homens!"
2. No livro de Atos encontramos alguns exemplos magníficos do interesse dos anjos na pregação do evange­lho.
O primeiro deles se prende à orientação angelical a Fi­lipe, o Evangelista. Ouça! "E o anjo do Senhor falou a Fili­pe, dizendo: Levanta-te, e vai para a banda do sul, ao ca­minho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deser­ta" (Atos 8.26). Filipe obedeceu ao mensageiro celestial e o resultado foi a conversão do ministro eunuco.
O segundo deles (retroativo) encontramos em Atos 5.19,20: "Mas de noite um anjo do Senhor abriu as portas da prisão, e, tirando-os para fora, disse: Ide e apresentai-vos no templo, e dizei ao povo todas as palavras desta vi­da".
O terceiro, encontramos em Atos 10.3-6, que fala de Cornélio, centurião da coorte chamada italiana. "Este qua­se à hora nona (15.00 horas em nosso calendário) do dia, viu claramente numa visão um anjo de Deus"; então, este lhe dizia: "...envia homens a Jope, e manda chamar a Si­mão, que tem por sobrenome Pedro... Ele te dirá o que de­ves fazer". Billy Graham observa um detalhe interessante nas duas passagens de Atos 8.26 e 10.3-6. Neste caso a si­tuação está invertida. O anjo dissera a Filipe o que fazer, a fim de que o etíope pudesse ser salvo. E foi! Aqui, ele não disse a Pedro o que fazer, mas antes ordenou a Cornélio que procurasse Pedro, o qual então iria falar-lhe sobre o evangelho, a fim de que ele pudesse ser salvo.
O quarto, encontramos ainda em Atos 27.24, quando um anjo diz a Paulo que tome ânimo, e em seguida acres­centa: "Deus te deu todos quantos navegam contigo". Evi­dentemente a missão da evangelização do mundo será completada por homens e mulheres usadas pelo Espírito Santo. Mas, onde quer que vejamos o evangelho operando com o seu poder de transformar, existe uma possibilidade de que de alguma maneira os anjos estejam envolvidos.
3. No fim da presente Era, Deus mandará um anjo para completar a pregação do "evangelho do reino". Na passagem de Apocalipse 14.6, está pintado literalmente a missão deste mensageiro. Ouça! "E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a Terra, e a toda a naçáo, e trino, e língua, e povo". Duas pregações deste evangelho são men­cionadas nas Escrituras, uma passada, começando com o ministério de João Batista e terminando com a rejeição do seu Rei pelos judeus. A outra ainda é futura (Mt 24.14), durante a Grande Tribulação, e imediatamente antes da vinda em glória de Cristo. Isso será feito pelo anjo do pre­sente texto. Este evangelho será pregado logo no fim da Grande Tribulação e imediatamente como já dissemos aci­ma antes do julgamento das nações vivas (Mt 25.31-46).
Estas "boas-novas", pregadas pelo "anjo" são uni­versais e abrangem a "toda a criatura".
4. Uma outra cooperação angelical no que diz respeito à pessoa humana, prende-se ao fato de cura divina. Embo­ra um pouco escasso, a passagem de João 5.4 ilustra o sig­nificado do pensamento. Ali um anjo de Deus trazendo cura para os enfermos, "...descia em certo tempo, ao tan­que, e agitava a água; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse". Em muitas outras passagens tanto do Antigo como do Novo Testamento, observamos os anjos cooperan­do com Deus e os homens no plano da redenção (Êx 23.20,23; Jó 33.23; Dn 9.24-27; Hb 1.14; 1 Pe 1.12, etc).
5. Esta cooperação angelical, prende-se ao ministério da “consola- ção” e do "conforto".
Sua presença pode tranquilizar e confortar em tempos de crise, argumenta Billy Graham (Anjos, Os Agentes Se­cretos de Deus). Daniel também afirma isto no capítulo 10.19 do seu livro. Veja!
"...E, falando ele [o anjo] comigo, esforcei-me, e disse: Fala, meu senhor, porque meconfortaste".Nosso amado Salvador, apesar de ser Senhor dos anjos, foi também certa vez confortado por um deles. Ouça! "E apareceu-lhe um anjo[Gabriel?] do Céu, que o confortava" (Lc 22.43; Hb 5.7). O profeta Zacarias teve também similar experiência quando Deus pôs na boca do anjo intérprete palavras "...boas, palavras consoladoras", as quais foram transmi­tidas para o profeta (Zc 1.13b). Outras passagens simila­res, tanto do Antigo como do Novo Testamento, poderiam ser aqui anotadas, mas somente catalogamos estas para expressar o significado do pensamento.
 
 
Os Anjos na Vida Diária
Sempre perto de nós
Hoje em dia, nos caminhos da vida (declara o doutor V. R. Edman), podemos nos encontrar com os anjos. Eu es­tou falando literalmente e não por metáfora.
Conhecemos e amamos amigos e parentes piedosos os quais às vezes chamamos de "anjos", mas sabemos serem seres humanos, cuja bondade e gentileza revelam o Salva­dor que habita neles. Além dessas considerações humanas, estou convencido, por meio das Escrituras, e dos testemu­nhos contemporâneos de milhares de santos, que os anjos estão presentes neste mundo de tanta dor e sofrimento.
Geralmente, em alguns casos, não são percebidos pe­los olhos humanos, mas o seu trabalho é muito real para o cristão, que é "um herdeiro da salvação" (Hb 1.14). Algu­mas vezes o seu trabalho exige que apareçam em forma hu­mana, dentro do contexto vivido por nós, e nada em suas roupas ou palavras poderiam diferenciá-los das outras pes­soas presentes. Só o coração atento e sensível percebe, e ge­ralmente muito tempo depois, que o estranho que o ajudou Pedro: "Agora sei verdadeiramente que o Senhor enviou o seu anjo!"
Doutor Arno Clemens Gaebelein
O doutor A. C. Gaebelein, relata em seu livro como em uma certa ocasião um anjo de Deus o socorreu.
"Há alguns anos, quando viajávamos para o Norte, entregamo-nos de maneira especial nas santas mãos de Deus. Havia um sentimento de perigo no coração. O Se­nhor nos deu uma noite de repouso. Mas de manhã ouvi­mos contar o que tinha acontecido durante a noite.
O trem estava com horas de atraso e o pessoal nos con­tou que perto da meia-noite, o trem fora interceptado por um fazendeiro, fazendo-o parar a menos de quatro metros e meio de um profundo abismo. Uma tempestade mais ao norte enviara suas águas pelo rio abaixo e carregara a pon­te de madeira.
Um pouco antes o fazendeiro estava dormindo. Uuviu uma voz angelical que o chamava para que se levantasse. Ouviu o ruído das águas e vestiu-se apressadamente, acen­dendo uma lanterna, quando percebeu a aproximação do trem, que finalmente conseguiu parar a tempo de salvar a composição. Sempre acreditamos, que um anjo de Deus agiu naquela ocasião".

Corrie Ten Boom
Corrie nos conta como, durante a rebelião de Jeunes-se, no Congo, como Deus interveio através de seus anjos. "Quando os rebeldes avançaram contra uma escola onde viviam duzentos filhos de missionários, planejavam matar crianças e professores.
Lá dentro da escola, todos sabiam do perigo e por isso puseram-se a orar. Sua única proteção era uma cerca e dois soldados, enquanto o inimigo, que se aproximava cada vez mais, atingia diversas centenas. Quando os rebel­des já se encontravam bem perto, de repente, aconteceu uma coisa: Voltaram-se e saíram correndo para outra dire­ção! No dia seguinte aconteceu a mesma coisa e no terceiro outra vez.
Um soldado dos rebeldes foi ferido e o levaram ao hos­pital da missão. Enquanto o médico se ocupava em atar-lhe os ferimentos, perguntou: 'Por que vocês não atacaram a escola conforme o planejado?' -'Não pudemos fazê-lo porque vimos centenas de soldados de uniformes brancos e ficamos com medo.' Na África os soldados jamais usaram uniformes brancos; portanto, deviam ser anjos!"

Ken Weathers
Outra história emocionante sobre intervenção angeli­cal, aconteceu com Ken Weathers, da Wycliffe Bible Translators, que dirigia uma escola entre os chenalhos do México. Um jovem aluno mintontic, chamado Erasto, fre­qüentava a escola. Aceitou a Cristo e então, pregou o Evangelho a um seu companheiro chamado Vicente.
Vicente foi grandemente usado por Deus, e enquanto o poder do Espírito Santo se manifestava, muitos pagãos se arrependeram e creram em Cristo. Então o poder das trevas começou a coordenar suas forças para o contra-ataque. A perseguição cresceu a tal ponto que a vida dos cristãos mintontics estava constantemente ameaçada.
Finalmente os homens esconderam suas esposas e fi­lhos numa caverna para protegê-los. Mas os inimigos da igreja conheciam o esconderijo dos crentes, e certa noite decidiram atacar e matar todos os que encontrassem ali.
Os inimigos disseram depois que, quando chegaram perto da caverna, a uma distância de alguns metros da en­trada, foram atacados por homens com técnicas completa­mente diferentes daquelas usadas por eles, de tal modo, que os compararam à cães ferozes.
O testemunho dos cristãos, porém, foi diferente e di­zem que viram os homens armados se aproximando ousa­damente, mas, quando chegaram a uma distância de alguns metros da caverna, subitamente pararam, apavora­dos com as manifestações divinas simultâneas com a pre­sença angelical; partiram apavorados e gritando com medo.
Numa outra ocasião, alguns homens planejaram ir à casa de Vicente para matá-lo. Mas, quando se aproxima­ram da casa, encontraram-na rodeada de um verdadeiro exército de soldados armados! Os possíveis assassinos e o povo da cidade vizinha foram tomados de pânico, pensan­do que iam ser atacados pelos protetores do Vicente.
A Bíblia começa sua história falando em Deus (Gn 1.1) e termina falando no homem: mas do homem santo! (Ap 22.21).('') Porém, tal revelação não exclui os seres an­gelicais que, na Bíblia inteira são proeminentes. E, pelo menos, em alguns casos, a sua presença traduz claramente a presença do próprio Deus (Éx 23.20-22).
Prezado leitor, espero que este livro: Os Anjos - sua Natureza e Ofício, enriqueça sua confiança na proteção di­vina através do auxílio angelical. Portanto, não esqueça! Se assim o fizer "nenhum mal te sucederá, nem praga al­guma chegará à tua tenda".
Porque [Deus] aos seus anjos dará ordem a teu respei­to, para te guardarem em todos os teus caminhos.
"Eles te sustentarão nas suas mãos..." (Sl 91.10-12a).
Este cuidado dos anjos a nosso respeito, começa logo na infância e continuará por toda nossa vida. E quando um cristão morre, os anjos ali estão para confortá-lo, dando-lhe paz e alegria até mesmo nessa hora decisiva, e prontos a conduzi-lo à imediata presença de Deus (Lc16.22).
Quero agradecer ao irmão Nelson A. Alessi, que dati­lografou o original deste livro.
Também ao pastor Nemuel Kessler, pela apresenta­ção e, de igual modo, o pastor José Wellington Bezerra da Costa; meu amigo e meu pastor por excelência, por ter pre­faciado esta obra.
Aqui termino. Agradeço a Deus. Amém.
 
 
 
Tesouro de Conhecimentos Bíblicos - CPAD
 
ANJO
- Do hebraico “mal’ãk” e do grego “aggelos”, ambos significando mensageiro ou enviado; para exercerem essa função, os anjos têm movimentos que os capacitam a levar r mensagem onde lhe seja ordenado.
Os problemas de ordem espiritual, fáceis ou difíceis, que muitos enfrentam à medida que vão estudando as Escrituras, devem ser equacionados e esclarecidos através da própria Bíblia. Não há dúvida de que, i às vezes, os problemas de ordem espiritual transcendem a capacidade e os conhecimentos mais apurados dos estudiosos. Nesses casos, não se deve ir além do que a Palavra de DEUS autoriza, nem ultrapassar por conta própria os limites da revelação divina; além de perigoso, é ilegal fazê-lo.
Os anjos celestiais, os que estão diante de DEUS, nada têm a ver com essas figuras aladas e de ares inocentes que aparecem nos quadros feitos pelos artistas ou nas esculturas que ornamentam templos e museus.
A Bíblia relata alguns fatos acerca dos anjos, a fim de demonstrar-nos que a vida angelical não é estática, mas ativa e dinâmica, como se exige de um mensageiro eficiente. Não é necessário recorrer a imaginações nem à fantasias para explicar algumas verdades relacionadas com a doutrina dos anjos, nem tampouco é aconselhável que o conhecimento dos leitores se limite ao terreno da superstição tão difundida entre os povos.
Muitas figuras angélicas hoje conhecidas têm suas raízes nas representações mitológicas orientais, segundo as quais DEUS está rodeado de uma corte de serafins, de um exército celestial, destinado a enobrecê-lo, glorificá-lo e a colocá-lo em posição inacessível aos mortais.
Considerados os anjos em conjunto ou em grupos, são denominados de exército ou exércitos de “Yahweh”.
Não há nada na Bíblia especificamente relacionado à criação dos anjos, isto é, como, quando e onde vieram a existir. No entanto, a Escritura deixa bem claro que foram criados por DEUS (Êx 20.11; Sl 148; Cl 1.16).
Os anjos já existiam quando o pecado entrou no mundo. Na queda de Adão e Eva, ao serem expulsos do Éden, foram os anjos investidos da missão de guardar o caminho que conduzia à árvore da vida, para evitar que o homem decaído provocasse ainda maiores transtornos. Eram os querubins que guardavam a entrada do Paraíso. Uma visita que os anjos fizeram a Abraão está registrada em Gênesis 18. O caráter desse encontro e a mensagem que eles, da parte de DEUS, entregaram a Abraão foi uma palavra que fez renascer no velho patriarca a esperança de ser pai de uma grande nação, conforme lhe fora prometido. Os anjos deram a Abraão a certeza de que Sara, sua mulher, lhe daria um filho, o herdeiro da promessa, e que, através desse filho, sua descendência seria tão numerosa como a areia do mar. Essa visita não foi a única registrada nas Escrituras. Todas as vezes que DEUS tinha uma palavra a entregar ao povo hebreu, envia-va-lhe um ou mais anjos com a mensagem. Lembremos o aparecimento do anjo do Senhor a Moisés numa chama de fogo no meio da sarça, quando o futuro legislador hebreu apascentava o rebanho de seu sogro Jetro, em Midiã. Essa visita tinha relação com o futuro de Israel e com o destino da história do mundo. Envolvia uma promessa de libertação do povo de DEUS escravizado no Egito. O caráter simbólico dessa libertação apontava para um livramento mais amplo e de caráter universal - a libertação do pecado através da fé em JESUS CRISTO.
O anjo de “Yahweh” ou anjo de “Elohim” aparece com freqüência nas Escrituras (Gn 16.7-13; 22.11-15; Ex 3.2-4,17). Para alguns estudiosos o anjo do Senhor era apenas um enviado; para outros, porém, era o Senhor JESUS CRISTO (Gn 18.2,3,10,13; Jo 8.56). Lagrange diferencia o anjo do Senhor da pessoa de DEUS, baseando-se em Êxodo 32.24 ; 33.3-17. Desde então, a comunicação direta do Todo-poderoso se fazia mais raramente. Outros-sim, os judeus começaram a temer o pronunciamento do nome de “Yahweh” e o substituíam por “seu anjo”. Daí a ambigüidade dos textos sobre o anjo do Senhor.
Apesar de suas aparições em forma humana, com vestidos deslumbrantes, olhos brilhantes, resplendor de fogo, de aspecto terrível ou então pacífico e tranqüilizador, nunca a Bíblia fala do corpo ou da alma dos anjos; apesar de realizarem algumas ações humanas, como comer e beber, fazem-no aparentemente; não têm sexo; são incorruptíveis e imortais (Jz 13.16; Mt 22.30; Lc 20.36).
“Quando contemplo os teus céus, obras dos teus dedos, e a lua e as estrelas que preparaste; que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem para que o visites? Contudo, pouco menor o fizeste do que os anjos” (Sl 8.3-5). Essa declaração evidencia que no plano da criação os anjos são mais elevados do que os homens. Esclarece também que eles foram criados por DEUS.
Os anjos de acordo com a palavra do apóstolo Paulo, são membros da “família de DEUS”.
Essa verdade é confirmada nesta passagem: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades: tudo foi criado por ele e para ele" Cl 1.16.
Os anjos são seres vivos, ativos, com funções definidas a cumprir e as cumprem sem hesitar. Eles são diferentes dos homens no que diz respeito a obediência às ordens divinas e à adoração que prestam ao Criador. Enquanto os homens são volúveis como a moinha que o vento leva para onde quer, os anjos movem-se diante de DEUS, dia e noite, prontos a cumprir as ordens emanadas do trono, como mensageiros fiéis que são.
Aparecem nas Escrituras como mensageiros de DEUS para dirigir os homens, guiá-los, guardá-los, fortalecê-los, avisá-los, censurá-los e puni-los (Gn 18.19,22,28,32; Jz 2.6,13; 2 Sm 24.16,17; 2 Rs 19.35; Sl 34.7; 35.5,6; 91.11). Os anjos revelam-se como guardas de indivíduos e de nações (Êx 23.20; Dn 10.13-20).
Os anjos serviram a JESUS (Mc 1.13; Lc 22.43); manifestaram interesse pelo decoro nas reuniões da Igreja (1 Co 11.10) e pela salvação dos homens (Lc 15.10; 1 Pe 1.12); tiveram parte na grandiosa revelação do Sinai (At 7.53; G1 3.19; Hb 2.2) e executarão o juízo final (Mt 13.41).
Dois anjos são especialmente mencionados: Miguel, um dos principais príncipes angélicos (Dn 10.13), o arcanjo (Jd 9), e Gabriel (Dn 8.16; Lc 1.19).
A doutrina sobre os anjos é complexa e não pode ser tratada completamente numa obra como esta.
Até aqui somente fizemos referência aos anjos bons, aos que servem diante de DEUS. Existe, no entanto, a classe dos anjos maus, dos rebeldes que estão a serviço de Satanás.
Viveram nos céus como os que atualmente vivem lá; foram criados por DEUS, mas passaram à condição atual por haverem aderido à rebelião de Lúcifer, seu chefe, que organizou a revolta contra o Altíssimo. A queda dos anjos está suposta na tentação de Adão e Eva pelo espírito do mal, simbolizado pela serpente. Deuteronômio menciona os maus espíritos ou demônios (Dt 32.17). O Novo Testamento é mais explícito e fala dos maus espíritos que caíram de seu estado de graça e foram castigados por sua apostasia, no Inferno (2 Pe 2.4; Jd 6; Ap 12.7s).
Há uma promessa de DEUS relacionada com os anjos e com os homens de todos os tempos, inclusive com os leitores. No passado, DEUS cumpriu essa promessa, no presente igualmente a cumpre, e no futuro o Senhor também a cumprirá. A promessa é esta: “O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra” (Sl 34.7). Tesouro de Conhecimentos Bíblicos - CPAD
 
 
Lições Bíblicas CPAD - Jovens e Adultos -  4º Trimestre de 2006
Título: As verdades centrais da Fé Cristã - Comentarista: Claudionor Corrêa de Andrade
Lição 6: Anjos, ministros enviados por DEUS - Data: 05 de Novembro de 2006
 
TEXTO ÁUREO
 “Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” (Hb 1.14).
 
VERDADE PRÁTICA
 Embora magníficos em poder, os anjos não devem nem podem ser adorados. Sua missão é exaltar a DEUS e trabalhar em prol dos que hão de herdar a vida eterna.
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Lc 9.26 Os anjos são seres gloriosos. 
Terça - Sl 103.20 Os anjos são magníficos em poder. 
Quarta - Mt 4.11 Os anjos ministram a CRISTO. 
Quinta - Hb 1.14 Os anjos são enviados para servir aos santos.
Sexta - Mt 16.27 Os anjos compõem o exército de CRISTO.
Sábado - Mt 24.31 Os anjos no final dos tempos.
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Hebreus 1.1-8.
 1 - Havendo DEUS, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho, 2 - a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.
3 - O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas; 4 - feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles. 5 - Porque a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho?
6 - E, quando outra vez introduz no mundo o Primogênito, diz: E todos os anjos de DEUS o adorem. 7 - E, quanto aos anjos: O que de seus anjos faz ventos e de seus ministros, labareda de fogo. 8 - Mas, do Filho, diz: Ó DEUS, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do teu reino.
 
PONTO DE CONTATO
 Professor, alguns teólogos liberais acreditam que os anjos são apenas “essências platônicas” ou “emanações da parte de DEUS”. Segundo eles, crer na existência dos anjos como seres racionais é “grosseira mitologia”. Essa posição, ajusta-se à crença racionalista assumida pelos saduceus no tempo de CRISTO (At 23.8). Em outro extremo estão os místicos, os cabalistas, os ufologistas, que acreditam e adoram irracionalmente os seres celestiais, à semelhança dos antigos membros das religiões gnósticas (Cl 2.18). Somente o ensino das Escrituras é capaz de contestar o misticismo e o racionalismo desenfreado que têm invadido a sociedade, e até muitas igrejas.
 
OBJETIVOS
 Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Definir o termo anjo.
Descrever a missão dos anjos.
Contestar a adoração aos anjos.
 
SÍNTESE TEXTUAL
 O vocábulo “angelologia” procede de dois termos gregos: angelos, traduzido por “mensageiro” ou “enviado”, e logia, “discurso” ou “tratado”. Angelologia, portanto, é a doutrina que estuda a natureza, o caráter, e a missão dos anjos, conforme as Escrituras. No Antigo Testamento, os anjos são chamados de mal’āk, isto é, “mensageiro ou representante”. Enquanto no grego e no hebraico, os anjos são denominados pela função (mensageiro), na língua aramaica, eram chamados de qaddîsh, isto é, “santos”, descrevendo-lhes o caráter e não apenas o ofício. Quanto ao caráter, a Bíblia afirma que os anjos são mansos (2 Pe 2.11), obedientes e poderosos (Sl 103.20), sábios (2 Sm 14.17), e reverentes (Is 6.2,3). A respeito do ministério angélico, a Escritura declara que: adoram a DEUS (Sl 103.20; 148.2), protegem os servos de DEUS (Sl 34.7), e executam juízos divinos (2 Rs 19.25).
 
ORIENTAÇÃO DIDÁTICA
 Esta lição trata de diversos assuntos pertinentes à doutrina dos anjos. A fim de corrigirmos alguns erros concernentes à natureza desses seres, é conveniente que o caro professor exponha esse tema com bastante objetividade. Apesar de os vocábulos mal’āk e angelos designarem a função dos anjos e não a sua natureza, as expressões “anjos do Senhor” ou “anjos de DEUS”, descrevem claramente os anjos como seres morais procedentes de DEUS. Isto é, possuem natureza espiritual singular. Apresente aos alunos a tabela “Aspectos da Natureza dos Anjos” a fim de reforçar a aprendizagem.
 
COMENTÁRIO
 introdução
 A angelologia bíblica é uma doutrina que nos leva a uma dupla reflexão. Se por um lado, somos confortados, sabendo que os anjos de DEUS acham-se à disposição dos que hão de herdar a vida eterna (Hb 1.14); por outro, apesar de sua capacidade e poderio que lhes conferiu o Senhor, não devem nem podem ser adorados (Ap 19.10; 22.9).
Nesta lição, veremos o que a Bíblia ensina acerca dos anjos.
 I. QUEM SÃO OS ANJOS
 1. Os anjos são criaturas morais. O Senhor DEUS criou os anjos não para que fossem meros autômatos; criou-os dotados de livre-arbítrio, a fim de que o servissem amorosa e voluntariamente.
Eles são tratados por qualificativos que lhes ressaltam a responsabilidade moral: ministros e servos de DEUS (Hb 1.7; Ap 19.10).
2. A criação dos anjos. Canta o salmista terem sido os seres angélicos criados pela Palavra de DEUS: “Mandou, e logo foram criados” (Sl 148.5; 33.6; Ne 9.6).
 II. OS ANJOS NA BÍBLIA
 1. Os anjos no Antigo Testamento. A presença dos anjos, no Antigo Testamento, pode ser facilmente detectada nas seguintes passagens:
a) Na era patriarcal. Abraão e Jacó tiveram várias experiências com os anjos de DEUS. Abraão encontrou-os em, pelo menos, duas ocasiões (Gn 18.1-33; 22.1-17); Jacó, em três (Gn 28.12; 32.1,24).
b) Na peregrinação de Israel a Canaã. A assistência dos anjos na peregrinação israelita rumo à Terra Prometida é claramente observada na chamada de Moisés (Êx 3.2), na proteção de Israel quando da travessia do Mar Vermelho (Êx 14.19) e em sua condução pelo deserto (Êx 23.23).
c) Na vida dos hebreus em Israel. Vejamos algumas: na época dos juízes (Jz 2.4; 6.11; 13.3); na época dos reis (2 Sm 24.16; Is 37.36); na atividade profética (Is 6.1-3; Dn 6.22). Aliás, é no profeta Daniel que encontramos a mais desenvolvida angelologia do Antigo Testamento. Pela primeira vez, na Bíblia, são os anjos chamados por seus respectivos nomes: Gabriel (Dn 8.16) e Miguel (Dn 10.13; 12.1).
2. Os anjos no Novo Testamento. Eles podem ser encontrados tanto no ministério de CRISTO quanto no avanço da Igreja.
a) No ministério de CRISTO. No anúncio do nascimento de CRISTO (Lc 1.26). Na proclamação de seu nascimento aos pastores (Lc 2.9-11). Na tentação do deserto (Mt 4.11). Em sua paixão e morte (Lc 22.43). E em sua ressurreição (Lc 24.1-12).
b) Na Igreja Primitiva. No conforto dos discípulos após a ascensão de CRISTO (At 1.10,11). No livramento dos apóstolos (At 5.19,20; 12.7,8; 27.23,24). No auxílio à proclamação do Evangelho (At 8.26; At 10.3).
 III. O CARÁTER DOS ANJOS
 1. Os anjos como seres eleitos. Os anjos bons são assim classificados não por que hajam sido criados para serem eleitos (1 Tm 5.21); classifica-os dessa maneira a Bíblia devido à escolha que fizeram em servir ao Senhor dos Exércitos. Os que optaram em seguir a Lúcifer foram chamados de anjos das trevas. Demonstra-nos isso que, à nossa semelhança, são os anjos também dotados de livre-arbítrio.
2. Os anjos são santos. Por que os anjos de DEUS são dessa forma considerados? Em primeiro lugar, por haverem escolhido obedecer-lhe as ordens. Quanto aos outros, optaram por seguir a Satanás em sua rebelião contra o Senhor. Ler Mt 25.31,41 e Ap 14.10.
3. Os anjos são sábios. São os anjos também considerados sábios em virtude de seu temor a DEUS (Pv 1.7). No Antigo Testamento, eles são vistos como sinônimo de sabedoria (2 Sm 14.20). E esta não é meramente intelectual; é essencialmente amorosa tanto para servir e adorar a DEUS como para auxiliar os que hão de herdar a vida eterna. Os anjos são sábios porque sabem fazer o bem e o fazem.
4. Os anjos são obedientes. Na Oração Dominical, o Senhor JESUS mostra, de modo implícito, serem os anjos piedosamente submissos à vontade divina (Mt 6.10). Como se pode deduzir dessa passagem, são os anjos eficazes na execução das ordens que recebem do Senhor.
 IV. A CLASSIFICAÇÃO DOS ANJOS
 1. Anjo do Senhor. Este é o mais especial dos anjos. Em nome de DEUS, aceitava adoração (Êx 3.1-6; Js 5.13-15), executava juízos (Nm 22.22), intercedia pelo povo escolhido (Zc 1.12). A ciência de DEUS encontra-se em seus lábios como nos lábios do sacerdote se achava a lei e o conselho (Ml 2.7).
A expressão “o anjo do Senhor”, dependendo da passagem, pode referir-se profeticamente ao Senhor JESUS em sua pré-encarnação. Em Ml 3.1b, “o anjo do concerto” é uma alusão a Ele. O “concerto” é certamente o de Mt 26.28.
2. Arcanjo Miguel. Único arcanjo citado nas Sagradas Escrituras. Sua missão: conduzir os exércitos de DEUS (Ap 12.7) e lutar em prol dos filhos de Israel (Dn 12.1). Foi ele quem sepultou o corpo de Moisés (Jd v.9). Ele é conhecido também como um dos primeiros príncipes (Dn 10.13). Arcanjo significa, literalmente, principal entre os anjos.
3. Gabriel. Conhecido como varão, ou herói de DEUS, aparece Gabriel como intérprete dos arcanos divinos. É ele quem explicou a Daniel o mistério das setenta semanas (Dn 9.20-27). Assistindo diante do trono de DEUS (Lc 1.19), anunciou a encarnação do Verbo de DEUS (Lc 1.26,27). Apesar de sua importância, a Bíblia não o menciona como arcanjo.
4. Querubins. São os querubins responsáveis por sustentar o trono divino e por reivindicar seja o nome Todo-Poderoso constantemente santificado pelos homens (Gn 3.24; Sl 99.1; Ez 10.1). Pertencia Satanás à classe dos querubins (Ez 28.14). Dos textos bíblicos, inferimos serem os querubins uma das mais elevadas classes de seres angélicos.
5. Serafins. A missão dos serafins que, em hebraico, significam ardentes, é magnificar o nome de DEUS, louvando-o constantemente e exaltando a santidade divina (Is 6.1-6). Esta é a única passagem bíblica que os menciona.
6. Outras classes angélicas. São também tidas como classes angélicas estas categorias mencionadas por Paulo: JESUS “é imagem do DEUS invisível, o primogênito de toda a criação; porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele” (Cl 1.15,16).
 V. A MISSÃO DOS ANJOS
 1. Enaltecer a DEUS. Em Isaías lemos que os anjos não cessam de clamar dia e noite: “SANTO, SANTO, SANTO é o Senhor dos Exércitos” (Is 6.3). Quando do nascimento de CRISTO, os anjos formaram corais que magnificaram o nome de DEUS (Lc 2.13,14).
2. Trabalhar em prol dos que hão de herdar a vida eterna. O autor da Epístola aos Hebreus descreve a missão dos anjos entre os santos em Hb 1.14. No livro de Atos, são os anjos enviados em diversas ocasiões para socorrer os discípulos de CRISTO (At 5.19; 12.7; 27.23).
3. Proteger a nação de Israel. Em Daniel 12.1, lemos que, nos últimos dias, levantar-se-á Miguel, o grande príncipe, para proteger a nação hebréia. Não fosse a intervenção divina, certamente Israel não mais existiria, pois muitos são os seus inimigos. Acontece que Israel é ainda povo de DEUS, alvo de seus cuidados; aguarda-o um futuro promissor.
 VI. O CULTO AOS ANJOS
 Embora poderosos em obras, não podem os anjos ser adorados: são criaturas de DEUS, nossos conservos e também comprometidos com a glória de DEUS. Vejamos por que os anjos não devem ser objetos de nosso culto.
1. Os anjos são criaturas de DEUS. Somente o Criador é digno de toda a honra e de todo o louvor; sendo os anjos criaturas (Sl 33.6), têm como missão louvar a DEUS.
2. Os anjos são nossos conservos. Sendo eles criados por DEUS, consideram-se nossos conservos (Ap 19.10).
3. Os anjos são comprometidos com a glória de DEUS. Esta é recomendação dos anjos: “Adora a DEUS” (Ap 22.9). Erram, portanto, aqueles que, menosprezando o Criador de todas as coisas, buscam adorar a criatura (Rm 1.25). O culto aos anjos é uma perigosa idolatria, na qual muitos têm naufragado. Ler também Cl 2.18.
 CONCLUSÃO
 É reconfortante saber que o Senhor nos colocou à disposição um exército eficiente que nos ajuda em todas as instâncias. Embora seja-lhes proibido anunciar o Evangelho, assistem-nos nesta gloriosa tarefa. Todavia, não podemos, sob hipótese alguma, adorá-los. Eles não são deuses; são servos de DEUS e conservos nossos; servimos ao mesmo Senhor.
Devemos todos sempre dar graças a DEUS pelo ministério providente e protetor dos seus anjos em nosso favor.
 
VOCABULÁRIO
 Arcano: Segredo, mistério, oculto, encoberto.
Autômato: Pessoa que age como máquina, sem raciocínio.
 
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
 HORTON, S. M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. RJ: CPAD, 1996.
FRANCISCO, V. A doutrina dos anjos e demônios. RJ: CPAD, 2005.
 
EXERCÍCIOS
 1. Quem são os anjos?
R. São criaturas morais, ministros e servos de DEUS (Hb 1.7; Ap 19.10).
 2. Onde, na Bíblia, encontramos a mais desenvolvida angelologia?
R. No livro do profeta Daniel.
 3. Como é o caráter dos anjos?
R. Seres eleitos, santos, sábios, obedientes.
 4. Qual a missão dos anjos?
R. Enaltecer a DEUS, trabalhar a favor dos salvos, proteger a nação de Israel.
 5. Por que os anjos não devem ser adorados?
R. Pois são criaturas, nossos conservos, e estão comprometidos com a glória de DEUS (Ap 22.9).
 
AUXÍLIOS SUPLEMENTARES
 Subsídio Teológico
“As Evidências Bíblicas
Os anjos têm uma natureza incomparável; são superiores aos seres humanos (Sl 8.5), mas inferiores ao JESUS encarnado (Hb 1.6). A Bíblia ressalta os seguintes fatos a respeito deles:
1. Os anjos são reais, mas nem sempre visíveis (Hb 12.22). Embora DEUS ocasionalmente lhes conceda a visibilidade (Gn 19.1-22), são espíritos (Sl 104.4; Hb 1.7,14). Nos tempos bíblicos, seres humanos experimentavam, às vezes, efeitos da presença de um anjo, mas não viam ninguém (Nm 22.21-35). Às vezes, viam o anjo (Gn 19.1-22; Jz 2.1-4; Mt 1.20-25; Lc 24.4-6; At 5.19-20). Além disso, os anjos podem ser vistos sem serem reconhecidos como anjos (Hb 13.2).
2. Os anjos adoram, mas não devem ser adorados. São incomparáveis entre as criaturas, mas nem por isso deixam de ser criaturas. Correspondem com adoração e louvor a DEUS (Sl 148.2; Is 6.1-3; Lc 2.13-15; Ap 4.6-11) e a CRISTO (Hb 1.6). Como consequência, os cristãos não devem exaltá-los (Ap 22.8,9); os que fazem, perdem a sua recompensa futura (Cl 2.18).
3. Os anjos servem, mas não devem ser servidos. DEUS os envia como agentes para ajudar os seres humanos, especialmente os fiéis (Êx 14.19; 23.23; Nm 20.16; 22.22-25; Jz 6.11-22; Sl 34.7; 91.11; At 27.23-25; Hb 13.2). Os anjos também mediam os juízos de DEUS (Gn 19.22,24; At 12.23) e suas mensagens (Jz 2.1-5; Mt 1.20-24). Mas eles nunca devem ser servidos, pois assemelham-se aos cristãos num aspecto muito importante: são também servos de DEUS (Ap 22.9).
4. Os anjos acompanham a revelação, mas não a substituem total ou parcialmente. DEUS os emprega, mas não são o alvo da revelação divina (Hb 2.2s). No século I, surgiu uma heresia que se constituiu num ‘pretexto de humildade e culto aos anjos’ (Cl 2.18). Envolvia dura disciplina do corpo sem nada fazer para refrear a indulgência sensual (Cl 2.23 - NVI). Sua filosofia enfatizava as idéias falsas de que: (a) os cristãos são inferiores na sua capacidade de abordarem pessoalmente a DEUS; (b) os anjos têm capacidade superior nesse sentido; (c) a adoração lhes é devida por causa da sua intervenção em nosso favor. Paulo respondeu a essa heresia com um hino que glorifica a CRISTO, que é a fonte da nossa glória futura (Cl 3.1-4).
5. Os anjos sabem muitas coisas, mas não tudo. O discernimento que têm foi-lhes concedido por DEUS; não é inato nem infinito. Sua sabedoria talvez seja vasta (2 Sm 14.20), mas seus conhecimentos, limitados: Não sabem o dia da segunda vinda de nosso Senhor (Mt 24.36) nem a plena magnitude da salvação dos seres humanos (1 Pe 1.12)”.
(BAKER, C. D.; MACCHIA, F. D. Seres espirituais criados. In HORTON, S. M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. RJ: CPAD, 1996, p.196-8.)
 
 
LIÇÃO 6 –ANJOS, MINISTROS E ENVIADOS POR DEUS
TEMA –As Verdades Centrais da Fé Cristã
COMENTARISTA : Claudionor Correia de Andrade
oder, os anjos não devem nem podem ser adorados. Sua missão é exaltar a DEUS e trabalhar em prol dos que hão de herdar a vida eterna.
 
1.1,2 FALOU-NOS... PELO FILHO. Estes dois primeiros versículos estabelecem o tema principal deste livro. No passado, o instrumento principal de DEUS para sua revelação foram os profetas, mas agora Ele tem falado, ou se revelado pelo seu Filho JESUS CRISTO, que é supremo sobre todas as coisas. A Palavra de DEUS falada mediante seu Filho é final: ela cumpre e transcende tudo o que foi anteriormente falado da parte de DEUS. Absolutamente nada, nem os profetas (v. 1), nem os anjos (v. 4), têm maior autoridade do que CRISTO. Ele é o único caminho para a salvação eterna e o único mediador entre DEUS e o homem. O escritor de Hebreus confirma a supremacia de CRISTO ao enumerar dEle sete grandes revelações (vv. 2,3)
1.3 ASSENTOU-SE À DESTRA. Depois de CRISTO ter efetuado o perdão dos nossos pecados mediante a sua morte na cruz assumiu o seu lugar de autoridade à destra de DEUS. A atividade redentora de CRISTO no céu envolve seu ministério de mediador divino (8.6; 13.15; 1 Jo 2.1,2), de sumo sacerdote (2.17,18; 4.14-16; 8.1-3), de intercessor (7.25) e de batizador no ESPÍRITO (At 2.33).
1.4 MAIS EXCELENTE QUE OS ANJOS. JESUS é superior aos anjos pela mesma razão porque Ele é superior aos profetas: Ele é o Filho (vv. 4-14). Os anjos desempenharam um papel importante na outorga do concerto do AT (Dt 33.2; At 7.53; Gl 3.19). O autor, escrevendo aos judeus crentes, estabelece a superioridade de CRISTO sobre os anjos, recorrendo ao AT. 
1.5 HOJE TE GEREI. Ver Jo 1.14. CRISTO, o DEUS eterno, tornou-se humano (Fp 2.5-9). NEle se uniram a humanidade e a divindade. De modo humilde, Ele entrou na vida e no meio-ambiente humanos com todas as limitações das experiências humanas (cf. 3.17; 6.38-42; 7.29; 9.5; 10.36).
1.8 DO FILHO, DIZ: Ó DEUS. O escritor sacro destaca aqui a deidade de CRISTO (ver Jo 1.1):
João começa seu Evangelho denominando JESUS de "o Verbo" (gr. Logos). Mediante este título de CRISTO, João o apresenta como a Palavra de DEUS personificada e declara que nestes últimos dias DEUS nos falou através do seu Filho (cf. Hb 1.1). As Escrituras declaram que JESUS CRISTO é a sabedoria multiforme de DEUS (1 Co 1.30; Ef 3.10,11; Cl 2.2,3) e a perfeita revelação da natureza e da pessoa de DEUS (Jo 1.3-5, 14,18; Cl 2.9). Assim como as palavras de um homem revelam o seu coração e mente, assim também CRISTO, como "o Verbo", revela o coração e a mente de DEUS. João nos apresenta três características principais de JESUS CRISTO como "o Verbo". (1) O relacionamento entre o Verbo e o Pai. (a) CRISTO preexistia "com DEUS" antes da criação do mundo (cf. Cl 1.15,19). Ele era uma pessoa existente desde a eternidade, distinto de DEUS Pai, mas em eterna comunhão com Ele. (b) CRISTO era divino ("o Verbo era DEUS"), e tinha a mesma natureza do Pai (Cl 2.9; ver Mc 1.11). (2) O relacionamento entre o Verbo e o mundo. Foi por intermédio de CRISTO que DEUS Pai criou o mundo e o sustenta (v. 3; Cl 1.17; Hb 1.2; 1 Co 8.6). (3) O relacionamento entre o Verbo e a humanidade. "E o Verbo se fez carne" (v. 14). Em JESUS, DEUS tornou-se um ser humano com a mesma natureza do homem, mas sem pecado. Este é o postulado básico da encarnação: CRISTO deixou o céu e experimentou a condição da vida e do ambiente humanos ao entrar no mundo pela porta do nascimento humano (ver Mt 1.23)
OS ANJOS, E O ANJO DO SENHOR 
Jz 2.1 “E subiu o Anjo do SENHOR de Gilgal a Boquim e disse: Do Egito vos fiz subir, e vos trouxe à terra que a vossos pais tinha jurado, e disse: Nunca invalidarei o meu concerto convosco.”
 
A Bíblia menciona freqüentemente os anjos; o presente estudo provê uma noção geral do ensino bíblico a respeito dos anjos. 
 
ANJOS. A palavra “anjo” (hb. malak; gr. angelos) significa “mensageiro”. Os anjos são mensageiros ou servidores celestiais de DEUS (Hb 1.13,14), criados por DEUS antes de existir a terra (Jó 38.4-7; Sl 148.2,5; Cl 1.16). 
(1) A Bíblia fala em anjos bons e em anjos maus, embora ressalte que todos os anjos foram originalmente criados bons e santos (Gn 1.31). Tendo livre-arbítrio, numerosos anjos  participaram da rebelião de Satanás (Ez 28.12-17; 2Pe 2.4; Jd 1.6; Ap 12.9; ver Mt 4.10) e abandonaram o seu estado original de graça como servos de DEUS, e assim perderam o direito à sua posição celestial.
(2) A Bíblia fala numa vasta hoste de anjos bons (1Rs 22.19; Sl 68.17; 148.2; Dn 7.9-10; Ap 5.11), embora os nomes de apenas dois sejam registrados nas Escrituras: Miguel (Dn 12.1; Jd 1.9; Ap 12.7) e Gabriel (Dn 9.21; Lc 1.19,26). Segundo parece, os anjos estão divididos em diferentes categorias: Miguel é chamado de arcanjo (lit.: “anjo principal”, Jd 9; 1 Ts 4.16); há serafins (Is 6.2), querubins (Ez 10.1-3), anjos com autoridade e domínio (Ef 3.10; Cl 1.16) e as miríades de espíritos ministradores angelicais (Hb 1.13,14; Ap 5.11).
(3) Como seres espirituais, os anjos bons louvam a DEUS (Hb 1.6; Ap 5.11; 7.11), cumprem a sua vontade (Nm 22.22; Sl 103.20), vêem a sua face (Mt 18.10), estão em submissão a CRISTO (1Pe 3.22), são superiores aos seres humanos (Hb 2.6,7) e habitam no céu (Mc 13.32; Gl 1.8). Não se casam (Mt 22.30), nunca morrerão (Lc 20.34-36) e não devem ser adorados (Cl 2.18; Ap 19.9,10). Podem aparecer em forma humana (geralmente como moços, sem asas, cf. Gn 18.2,16; 19.1; Hb 13.2).
(4) Os anjos executam numerosas atividades na terra, cumprindo ordens de DEUS. Desempenharam uma elevada missão ao revelarem a lei de DEUS a Moisés (At 7.38; Gl 3.19; Hb 2.2). Seus deveres relacionam-se principalmente com a obra redentora de CRISTO (Mt 1.20-24; 2.13; 28.2; Lc 1—2; At 1.10; Ap 14.6,7). Regozijam-se por um só pecador que se arrepende (Lc 15.10), servem em prol do povo de DEUS (Dn 3.25; 6.22; Mt 18.10; Hb 1.14), observam o comportamento da congregação dos cristãos (1Co 11.10; Ef 3.10; 
1Tm 5.21), são portadores de mensagens de DEUS (Zc 1.14-17; At 10.1-8; 27.23-24), trazem respostas às orações (Dn 9.21-23; At 10.4); às vezes, ajudam a interpretar sonhos e visões proféticos (Dn 7.15-16); fortalecem o povo de DEUS nas provações (Mt 4.11; Lc 22.43), protegem os santos que temem a DEUS e se afastam do mal (Sl 34.7; 91.11; Dn 6.22; At 12.7-10), castigam os inimigos de DEUS (2Rs 19.35; At 12.23; Ap 14.17—16.21), lutam contra as forças demoníacas (Ap 12.7-9) e conduzem os salvos ao céu (Lc 16.22). 
(5) Durante os eventos dos tempos do fim, a guerra se intensificará entre Miguel, com os anjos bons, e Satanás, com suas hostes demoníacas (Ap 12.7-9). Anjos acompanharão a CRISTO quando Ele voltar (Mt 24.30-31) e estarão presentes no julgamento da raça humana (Lc 12.8,9).
 O ANJO DO SENHOR. É mister fazer menção especial ao “Anjo do SENHOR” (às vezes, “o Anjo de DEUS”), um anjo incomparável que aparece no AT e no NT.
(1) Seu primeiro aparecimento foi a Agar, no deserto (Gn 16.7); outros aparecimentos incluíram pessoas como Abraão (Gn 22.11,15), Jacó (Gn 31.11-13), Moisés (Êx 3.2), todos os israelitas durante o êxodo (Êx 14.19) e mais tarde em Boquim (Jz 2.1,4), Balaão (Nm 22.22-36), Josué (Js 5.13-15, onde o príncipe do exército do SENHOR é mais provavelmente o Anjo do SENHOR), Gideão (Jz 6.11), Davi (1Cr 21.16), Elias (2Rs 1.3-4), Daniel (Dn 6.22) e José (Mt 1.20; 2.13).
(2) O Anjo do SENHOR realizou várias tarefas semelhantes às dos anjos, em geral. Às vezes, simplesmente trazia mensagens do Senhor ao seu povo (Gn 22.15-18; 31.11-13; Mt 1.20). Noutras ocasiões, DEUS enviava o seu anjo para suprir as necessidades dos seus (1Rs 19.5-7), para protegê-los do perigo (Êx 14.19; 23.20; Dn 6.22) e, ocasionalmente, destruir os seus inimigos (Êx 23.23; 2Rs 19.34,35; Is 63.9). Quando o próprio povo de DEUS rebelava-se e pecava grandemente, este anjo podia ser usado para destruí-lo (2Sm 24.16,17).
(3) A identidade do anjo do Senhor tem sido debatida, especialmente pelo modo como ele freqüentemente se dirige às pessoas. Note os seguintes fatos: (a) em 2.1, o anjo do Senhor diz: Do Egito Eu vos fiz subir, e Eu vos trouxe à terra que a vossos pais Eu tinha jurado, e Eu disse: Eu nunca invalidarei o meu concerto convosco (o grifo dos pronomes foi acrescentado). Comparada esta passagem com outras que descrevem o mesmo evento, verifica-se que eram atos do Senhor, o DEUS do concerto dos israelitas. Foi Ele quem jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó que daria aos seus descendentes a terra de Canaã (Gn 13.14-17; 17.8; 26.2-4; 28.13); Ele jurou que esse concerto seria eterno (Gn 17.7), Ele tirou os israelitas do Egito (Êx 20.1,2) e Ele os levou à terra prometida (Js 1.1,2). (b) Quando o anjo do Senhor apareceu a Josué, este prostrou-se e o adorou (Js 5.14). Essa atitude tem levado muitos a crer que esse anjo era uma manifestação do próprio Senhor DEUS; do contrário, o anjo teria proibido Josué de adorá-lo (Ap 19.10; 22.8-9). (c) Ainda mais explicitamente, o anjo do Senhor que apareceu a Moisés na sarça ardente disse, em linguagem bem clara: “Eu sou o DEUS de teu pai, o DEUS de Abraão, o DEUS de Isaque e o DEUS de Jacó” (Êx 3.6; ver Gn 16.7; Êx 3.2). 
(4) Porque o anjo do Senhor está tão estreitamente identificado com o próprio Senhor, e porque ele apareceu em forma humana, alguns consideram que ele era uma aparição do CRISTO eterno, a segunda pessoa da Trindade, antes de nascer da virgem Maria.
 
 
  
 
AUXÍLIOS SUPLEMENTARES: Subsídio Teológico
“As Evidências Bíblicas
Os anjos têm uma natureza incomparável; são superiores aos seres humanos (Sl 8.5), mas inferiores ao JESUS encarnado (Hb 1.6). A Bíblia ressalta os seguintes fatos a respeito deles:
1. Os anjos são reais, mas nem sempre visíveis (Hb 12.22). Embora DEUS ocasionalmente lhes conceda a visibilidade (Gn 19.1-22), são espíritos (Sl 104.4; Hb 1.7,14). Nos tempos bíblicos, seres humanos experimentavam, às vezes, efeitos da presença de um anjo, mas não viam ninguém (Nm 22.21-35). Às vezes, viam o anjo (Gn 19.1-22; Jz 2.1-4; Mt 1.20-25; Lc 24.4-6; At 5.19-20). Além disso, os anjos podem ser vistos sem serem reconhecidos como anjos (Hb 13.2).
 
2. Os anjos adoram, mas não devem ser adorados. São incomparáveis entre as criaturas, mas nem por isso deixam de ser criaturas. Correspondem com adoração e louvor a DEUS (Sl 148.2; Is 6.1-3; Lc 2.13-15; Ap 4.6-11) e a CRISTO (Hb 1.6). Como conseqüência, os cristãos não devem exaltá-los (Ap 22.8,9); os que fazem, perdem a sua recompensa futura (Cl 2.18).
 
3. Os anjos servem, mas não devem ser servidos. DEUS os envia como agentes para ajudar os seres humanos, especialmente os fiéis (Êx 14.19; 23.23; Nm 20.16; 22.22-25; Jz 6.11-22; Sl 34.7; 91.11; At 27.23-25; Hb 13.2). Os anjos também mediam os juízos de DEUS (Gn 19.22, 24; At 12.23) e suas mensagens (Jz 2.1-5; Mt 1.20-24). Mas eles nunca devem ser servidos, pois assemelham-se aos cristãos num aspecto muito importante: são também servos de DEUS (Ap 22.9).
 
4. Os anjos acompanham a revelação, mas não a substituem total ou parcialmente. DEUS os emprega, mas não são o alvo da revelação divina (Hb 2.2s). No século I, surgiu uma heresia que se constituiu num ‘pretexto de humildade e culto aos anjos’ (Cl 2.18). Envolvia dura disciplina do corpo sem nada fazer para refrear a indulgência sensual (Cl 2.23 – NVI). Sua filosofia enfatizava as idéias falsas de que: (a) os cristãos são inferiores na sua capacidade de abordarem pessoalmente a DEUS; (b) os anjos têm capacidade superior nesse sentido; (c) a adoração lhes é devida por causa da sua intervenção em nosso favor. Paulo respondeu a essa heresia com um hino que glorifica a CRISTO, que é a fonte da nossa glória futura (Cl 3.1-4).
 
5. Os anjos sabem muitas coisas, mas não tudo. O discernimento que têm foi-lhes concedido por DEUS; não é inato nem infinito. Sua sabedoria talvez seja vasta (2 Sm 14.20), mas seus conhecimentos, limitados: Não sabem o dia da segunda vinda de nosso Senhor (Mt 24.36) nem a plena magnitude da salvação dos seres humanos (1 Pe 1.12).”
(BAKER, C.D; MACCHIA, F.D. Seres espirituais criados. In HORTON, S. M. Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p.196-8.)
Leia mais: Revista Ensinador Cristão CPAD, no 28, pág. 39
 
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Colossenses 2:18, "Ninguém atue como árbitro contra vós, afetando humildade ou culto aos anjos, firmando-se em coisas que tenha visto, inchado vãmente pelo seu entendimento, carnal."

CAPÍTULO SEIS - TEOLOGIA SIST.HORTON - CPAD
Seres Espirituais Criados - Carolyn Denise Baker Frank D. Macchia
Anjos
Embora os anjos sejam mencionados em muitos trechos da Bíblia, principalmente no Novo Testamento, muitos são os que concordam com Tim Unsworth: "Parece difícil definir especificamente os anjos".1 Nem por isso o estudo desses seres criados deixará de trazer-nos benefícios espirituais.
Uma das razões por que é "difícil definir especificamente os anjos" é que a angelologia não se constitui no enfoque primário das Escrituras. Os contextos angelicais sempre têm DEUS, ou CRISTO, como seu ponto central (Is 6.1-3; Ap 4.7-11). A maioria dos aparecimentos de anjos é fugaz, sem ser provocada nem predita. Tais manifestações confirmam ver­dades, mas nunca as produzem por si mesmas. "Quando os anjos são mencionados, é sempre para informar-nos mais a respeito de DEUS, o que Ele faz, e como o faz"2 - bem como o que Ele requer.
A ênfase primária da Bíblia, portanto, é o Salvador, e não os seus servos; o DEUS dos anjos, e não os anjos de DEUS. Anjos podem ser escolhidos como método ocasional para revelação, mas nunca se constitutem na mensagem. O estu­do dos anjos, contudo, pode ser um desafio ao coração bem eomo ao intelecto. Embora sejam mencionados várias vezes tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, "na maior parte das vezes, podemos dizer com toda a franqueza, não nos dizem respeito. Nossa responsabilidade é aprender a amar a DEUS e ao próximo. A caridade. A santidade. Aí, sim, temos o trabalho vitalício e que nos é bem definido."3
A velha pergunta escolástica que, na verdade, não passa de exercício de lógica: Quantos anjos conseguem dançar na cabeça de um alfinete? é irrelevante, pois não transforma o caráter humano.4 Não obstante, a angelologia pode encora­jar as virtudes cristãs como estas:
A humildade. Os anjos são seres que, apesar de habitarem junto ao trono de DEUS, servem continuamente aos salvos de maneira invisível e, às vezes, imperceptivelmente. São o mais puro exemplo de serviço humilde; buscam somente a glória de DEUS e o bem dos fiéis. Eles são uma lição prática de como deve e pode ser o serviço cristão.
Confiança, segurança, e serenidade. Nos tempos de desespero, DEUS coloca esses seres poderosos para ajudar os mais fracos entre os crentes. Por isso, a tranquilidade e a confiança têm de caracterizar o viver cristão.
Responsabilidade cristã. Tanto DEUS quanto os anjos estão presenciando as ações mais ímpias dos cristãos (1 Co 4.9). Que motivação para o crente comportar-se de modo digno!
Otimismo sadio. Desafiando o próprio maligno, os bons anjos escolheram - e continuam a escolher - servir ao santo propósito de DEUS. Seu exemplo, pois, torna plausível o serviço dedicado a um DEUS perfeito neste universo imper­feito. No futuro, os anjos serão os instrumentos do afasta­mento definitivo de todos os ímpios (Mt 13.41-42, 49-50. Esse fato encoraja-nos a perseverar em meio a todas as situações da vida.
Um conceito cristão do próprio eu. Homens e mulhe­res foram criados "pouco menor... do que os anjos" (SI 8.5). Mesmo assim, em CRISTO, a humanidade redimida é elevada muito acima desses magníficos servos de DEUS (Ef 1.3-12).
Reverente temor. Homens como Isaías e Pedro, e mu­lheres como Ana e Maria, "reconheciam a santidade quando esta apresentava-se de forma angelical, e sua reação era mui apropriada".5
A participação na história da salvação. DEUS empre­gou anjos na História Sagrada, especialmente Miguel e Gabriel, para preparar o caminho para o Messias. Posteriormente, anjos proclamaram e adoraram a CRISTO. Compreendê-los devidamente levará o crente a envolver-se no serviço cris­tão.
Havendo experiências com anjos, hoje, elas devem pas­sar pelo crivo das Escrituras. Quando o anjo Gabriel apare­ceu, trazia uma mensagem que glorificava a DEUS. Mas as alegações de Joseph Smith no tocante à visita que lhe teriam feito os anjos levaram-no diretamente a caminhos errados.6
O estudo dos anjos é uma parte vital da teologia, tendo valor tangencial e implicações para outros ensinamentos da Bíblia: a natureza da Palavra inspirada de DEUS, posto que os anjos mediaram a outorga da Lei (At 7.38, 53; Gl 3.19; Hb 2.2) ;7 a natureza de DEUS, pois os anjos atendem ao DEUS santo do Universo; e a natureza de CRISTO e os tempos do fim,8 posto que anjos estão incluídos nos eventos da Primeira e da Segunda Vindas de CRISTO.

O Conceito de Anjos no Decurso da História
Nas tradições pagãs (algumas das quais influenciaram os judeus de tempos posteriores), os anjos eram, às vezes, conside­rados divinos, e outras vezes, fenômenos naturais. Eram seres que faziam boas ações em favor das pessoas, ou eram as próprias pessoas que praticavam o bem. Tal confusão está refletida no fato de que tanto a palavra hebraica mal'akh, quanto a grega angelos, têm dois sentidos. O significado básico de cada uma delas é "mensageiro". Mas este mensageiro (dependendo do contexto) pode ser um mensageiro humano comum, ou um mensageiro celestial - um anjo.
Alguns, com base na teoria da evolução, fazem a ideia de anjos remontar ao início da civilização. "O conceito de anjos pode ter evoluído dos tempos pré-históricos quando, então, os seres humanos primitivos emergiram das cavernas e co­meçaram a erguer os olhos aos céus... A voz de DEUS já não era a rosnada da floresta, mas o estrondo do céu."9 Segundo essa teoria, desenvolveu-se daí um conceito de anjos que servissem à humanidade como mediadores de DEUS. O conhecimento genuíno dos anjos, no entanto, veio somente através da revelação divina.
Posteriormente, os assírios e os gregos deram asas a alguns desses seres semi-divinos. Hermes tinha asas nos cal­canhares. Eros, "o espírito voador do amor apaixonado", tinha asas afixadas aos ombros. Num tom bastante diverti­do, os romanos inventaram Cupido, o deus do amor erótico, retratado como um garoto brincalhão que atirava flechas invisíveis para encorajar romances.10 Platão (c. de 427-347 a.C.) também falava de anjos da guarda.
As Escrituras Hebraicas atribuem nomes a somente dois anjos: Gabriel, que iluminou o entendimento de Daniel (Dn 9.21-27), e o arcanjo Miguel, o protetor de Israel (Dn 12.1).
A literatura apocalíptica não-judaica posterior, tal como Enoque (105-64 a.G), também reconhece que anjos ajuda­ram na promulgação da Lei de Moisés. O livro apócrifo de Tobias (200-250 a.C), porém, inventou um arcanjo chama­do Rafael que, repetidas vezes, ajudou Tobias em situações difíceis. Realmente, só existe um arcanjo (anjo principal), que é Miguel (Jd 9). Mais tarde, Filo (c. de 20 a.C. até c. de 42 d.C), o filósofo judaico de Alexandria, no Egito, retratou os anjos como mediadores entre DEUS e a raça humana. Os anjos, criaturas subordinadas, habitavam nos ares como "os servos dos poderes de DEUS. Eram almas incorpóreas... sendo totalmente inteligentes em tudo... e possuindo pensamentos puros."11
Durante o período do Novo Testamento, os fariseus acre­ditavam que os anjos fossem seres sobrenaturais que, frequentemente, comunicavam a vontade de DEUS (At 23.8). Os saduceus, todavia, influenciados pela filosofia grega, diziam: "não há ressurreição, nem anjo, nem espírito" (At 23.8). Para eles, os anjos não passavam de "bons pensamen­tos e intenções" do coração humano. 12
Nos primeiros séculos depois de CRISTO, os pais da igreja pouco disseram a respeito dos anjos. A maior parte de sua atenção era dedicada a outros assuntos, mormente à nature­za de CRISTO. Mesmo assim, todos eles acreditavam na exis­tência dos anjos. Inácio de Antioquia, um dos primeiros pais da igreja, acreditava que a salvação dos anjos dependia do sangue de CRISTO. Orígenes (182-251) declarou a im­pecabilidade dos anjos, afirmando que, se foi possível à queda de um anjo, talvez seja possível a salvação de um demônio. Semelhante posicionamento acabou por ser rejei­tado pelos concílios eclesiásticos. 13
Já em 400 d.C, Jerônimo (347-420) acreditava que anjos da guarda eram dados aos seres humanos quando do nasci­mento destes. Posteriormente, Pedro Lombardo (1100-1160 d.C.) acrescentou que um único anjo podia guardar muitas pessoas de uma só vez.14
Dionísio, o Areopagita, (c. de 500 d.C.) contribuiu nota­velmente para o estudo dos anjos. Ele retratou o anjo como "uma imagem de DEUS, uma manifestação da luz oculta, um espelho puro, brilhante, sem defeito, nem impureza, ou man­cha".15 A semelhança de Ireneu, quatro séculos antes (c. de 130-195), também construiu hipóteses a respeito de uma hierarquia angelical.16 Depois, Gregório Magno (540-604) atribuiu aos anjos corpos celestiais.
Ao raiar do século XIII, os anjos passaram a ser assunto de muita especulação. O teólogo italiano Tomás Aquino (1225-1274) formulou perguntas mui relevantes a respeito. Sete das suas 118 conjeturas sondavam as seguintes áreas: De que se compõe o corpo de um anjo? Há mais de uma espécie de anjo? Quando os anjos assumem a forma humana, exercem funções vitais do corpo? Os anjos sabem quando é manhã e quando é entardecer? Conseguem entender muitos pensamentos ao mesmo tempo? Conhecem nossas inten­ções mais secretas? Têm capacidade de falar uns com os outros? 17
Mais descritivos foram os retratos pintados pelos renascentistas; representavam os anjos como "figuras varo­nis... crianças tocando harpas e trombetas, bem diferentes de Miguel, o arcanjo". Pintadas com péssimo gosto como "cupidinhos, gorduchinhos, com muito colesterol, vestidas com pouca roupa, estrategicamente colocadas",18 essas cria­turas eram frequentemente usadas como friso artístico.
O cristianismo medieval assimilou a massa de especula­ções. E, como consequência, começou a incluir a adoração aos anjos em suas liturgias. Essa aberração continuou cres­cendo, levando o Papa Clemente X (1670-1676 d.C.) a decretar uma festa em homenagem aos anjos. 19
A despeito dos excessos católicos romanos, o Cristianis­mo Reformado continuou a ensinar que os anjos ajudam o povo de DEUS. João Calvino (1509-1564) acreditava que "os anjos são despenseiros e administradores da beneficência de DEUS para conosco... Mantêm a vigília, visando a nossa segurança; tomam a seu encargo a nossa defesa; dirigem os nossos caminhos, e zelam para que nenhum mal nos aconteça.
Martinho Lutero (1483-1546) em Conversas à Mesa, falou em termos semelhantes. Observou como esses seres espirituais, criados por DEUS, servem à Igreja e ao reino. Eles ficam mui perto de DEUS e do cristão. "Estão em pé diante da face do Pai, perto do sol, mas sem esforço vêm rapidamente socorrer-nos". 21
Na Era do Racionalismo (c. de 1800), surgiram graves dúvidas contra a existência do sobrenatural; os ensinamentos historicamente aceitos pela Igreja começaram a ser reexaminados. Como consequência, alguns céticos resolve­ram chamar os anjos "personificações de energias divinas, ou princípios bons e maus, ou doenças e influências natu­rais". 22
Já em 1918, alguns eruditos judaicos começaram a ecoar a voz liberal, afirmando que os anjos não eram reais, pois desnecessários. "Um mundo de leis e de processos não preci­sa de uma escada viva para levar-nos da Terra até DEUS, nas alturas." 23
Isso não abalou a fé dos evangélicos conservadores, que continuam a confirmar a validade dos anjos. 24
O Consenso do Cenário Moderno
Foi talvez o teólogo liberal Paul Tillich (1886-1965) quem postulou o conceito mais radical do período moderno. Con­siderava os anjos essências platônicas: emanações da parte de DEUS. Acreditava que os anjos queriam voltar à essência divina da qual surgiram para serem iguais a DEUS. Tillich aconselhava: "Para interpretar o conceito dos anjos de modo relevante, hoje, interprete-os como as essências platônicas, como os poderes da existência, e não como seres especiais. Se você interpretá-los desta última maneira, tudo não passará de grosseira mitologia". 25
Karl Barth (1886-1968) e Millard Erickson (1932-), en­tretanto, encorajavam uma abordagem mais cautelosa e sa- B dia. Barth, o pai da neo-ortodoxia, achava ser o assunto "o mais notável e difícil de todos". Reconhecia o enigma do intérprete: Como "avançar sem ser precipitado"; estar "ao mesmo tempo aberto e cauteloso, crítico e ingênuo, perspi­caz e modesto?" 26
Erickson, teólogo conservador, acrescentou que podería­mos ser tentados a omitir, ou negligenciar, o estudo dos anjos, porém "se é para sermos estudiosos fiéis da Bíblia, não temos outra escolha senão falar a respeito deles." 27
Nos escritos populares a respeito dos anjos, o extremismo sempre se fez presente. O interesse renovado pelos anjos vem sendo acompanhado por ideias duvidosas ou antibíblicas. Alguém que alega ter imenso consolo nos anjos, confessa: "Falo frequentemente com meu anjo da guarda. Assim, pos­so colocar a minha vida em ordem". Outras pessoas relatam visitações e favores recebidos por parte dos anjos. Descre­vem-nos de tal maneira que estes mais parecem mordomos celestiais sempre prontos a atender aos nossos caprichos. 28 Alguns dizem que os anjos "ministram de conformidade com a Palavra de DEUS... e sua única limitação parece ser a deficiência da Palavra na boca dos crentes aos quais minis­tram." 29

As Evidências Bíblicas
"Existe uma única maneira de demitologizar as fantasias populares a respeito dos anjos - voltar à realidade bíblica." 30
Os anjos desfrutam de uma razão de viver que todos os seres volitivos poderão experimentar. Adoram a DEUS e pres­tam-lhe serviços. Seu propósito geral, refletido nas palavras hebraicas e gregas traduzidas por "anjo" (mal’akh e angelos, "mensageiro"), é levar a mensagem das palavras e das obras divinas.
Os anjos, portanto, servem primariamente a DEUS. Em­bora as Escrituras reconheçam-nos como "espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação" (Hb 1.14), não deixam de ser espíritos enviados por DEUS (Ap 22.16).
Que são servos de DEUS fica também subentendido pela linguagem das Escrituras. São designados como "o anjo do SENHOR" (49 vezes), "o anjo de DEUS" (18 vezes), e os anjos do Filho do Homem (7 vezes). DEUS os chama especi­ficamente "meus anjos" (3 vezes), e as pessoas se referem a eles como "seus anjos" (12 vezes).31 Finalmente, quando o termo "anjos" ocorre isoladamente, o contexto normalmen­te indica a quem eles pertencem - DEUS!
Todos os anjos foram criados numa só ocasião. A Bíblia não dá nenhum indício de um cronograma de criação incremental de anjos (nem dalguma outra coisa). Foram formados por CRISTO e para Ele quando "mandou, e logo foram criados" (SI 148.5; ver também Cl 1.16-17; 1 Pe 3.22). E posto que os anjos "nem casam, nem são dados em casa­mento" (Mt 22.30), formam um grupo completo, que não necessita de reprodução.
Como seres criados, são perpétuos, mas não eternos. So­mente DEUS tem a "imortalidade" (1 Tm 6.16) no sentido de não ter começo nem fim. Os anjos tiveram um começo, mas não terão fim, pois estarão presentes nos tempos eternos e na Nova Jerusalém (Hb 12.22; Ap 21.9, 12).
Os anjos têm uma natureza incomparável; são superiores aos seres humanos (SI 8.5), mas inferiores ao JESUS encarna­do (Hb 1.6). A Bíblia ressalta os seguintes fatos a respeito deles:
Os anjos são reais, mas nem sempre visíveis (Hb 12.22). Embora DEUS ocasionalmente lhes conceda a visibilidade (Gn 19.1-22), são espíritos (SI 104-4; Hb 1.7, 14). Nos tempos bíblicos, seres humanos experimentavam às vezes os efeitos da presença de um anjo, mas não viam ninguém (Nm 22.21-35). Às vezes, viam o anjo (Gn 19.1-22; Jz 2.1-4; 6.11-22; 13.3-21; Mt 1.20-25; Mc 16.5; Lc 24.4-6; At 5.19-20).32 Além disso, os anjos podem ser vistos sem serem reco­nhecidos como anjos (Hb 13.2).
Os anjos adoram, mas não devem ser adorados. "São incomparáveis entre as criaturas, mas nem por isso deixam de ser criaturas."33 Correspondem com adoração e louvor a DEUS (SI 148.2; Is 6.1-3; Lc 2.13-15; Ap 4-6-11; 5.1-14) e a CRISTO (Hb 1.6). Como consequência, os cristãos não de­vem exaltá-los (Ap 22.8-9); os que o fazem, perdem a sua recompensa futura (Cl 2.18).
Os anjos servem, mas não devem ser servidos. DEUS os envia como agentes para ajudar os seres humanos, especial­mente os fiéis (Êx 14.19; 23.23; 32.34; 33.2-3; Nm 20.16; 22.22-35; Jz 6.11-22; 1 Rs 19.5-8; SI 34.7; 91.11; Is 63.9; Dn 3.28; At 12.7-12; 27.23-25; Hb 13.2). Os anjos também mediam os juízos de DEUS (Gn 19.22; ver também 19.24; SI 35.6; At 12.23) e suas mensagens (Jz 2.1-5; Mt 1.20-24; Lc 1.11-38).34 Mas eles nunca devem ser servidos, pois asseme­lham-se aos cristãos num aspecto muito importante: são também servos de DEUS (Ap 22.9).
Os anjos acompanham a revelação, mas não a substi­tuem total ou parcialmente. DEUS os emprega, mas não são o alvo da revelação divina (Hb 2.2ss.). No século I, surgiu uma heresia que se constituiu num "pretexto de humildade e culto dos anjos" (Cl .18). Envolvia dura disciplina do corpo sem nada fazer para refrear a indulgência sensual (Cl 2.23 -NVI). Sua filosofia enfatizava as ideias falsas de que (a) os cristãos são inferiores na sua capacidade de abordarem pes­soalmente a DEUS; (b) os anjos têm capacidade superior nesse sentido; e (c) a adoração lhes é devida por causa da sua intervenção em nosso favor.35 Paulo respondeu a essa heresia com um hino que glorifica a CRISTO que é a fonte da nossa glória futura (Cl 3.1-4).
Os anjos sabem muitas coisas, mas não tudo. O discer­nimento que têm foi-lhes concedido por DEUS; não é inato nem infinito. Sua sabedoria talvez seja vasta (2 Sm 14.20), mas seus conhecimentos, limitados: Não sabem o dia da segunda vinda de nosso Senhor (Mt 24-36) nem a plena magnitude da salvação dos seres humanos (1 Pe 1.12).
O poder angelical é superior, mas não supremo. DEUS simplesmente lhes empresta o seu poder, pois eles são os seus agentes especiais. Os anjos, portanto, são "maiores em força e poder" do que nós (2Pe 2.11). Como "magníficos em poder, que cumpris as suas ordens," (SI 103.20) "anjos pode­rosos" mediarão os juízos finais de DEUS contra o pecado (2 Ts 1.7; Ap 5.2, 11; 7.1-3; 8.2-13; 9.1-15; 10.1-11; 14.6-12, 15-20; 15.1-8; 16.1-12; 17.1-3, 7; 18.1-2, 21; 19.17-18). Os anjos são frequentemente usados em poderosos livramentos (Dn 3.28; 6.22; At 12.7-11) e curas (Jo 5.4).36 E um anjo sozinho lançará o principal e mais poderoso inimigo dos cristãos no abismo, e o trancará ali durante mil anos (Ap 20.1-3).
7. Os anjos tomam decisões. A desobediência de um grupo deles subentende sua capacidade de escolha, e de influenciar outros com a sua iniquidade (1 Tm 4.1). Por outro lado, quando o bom anjo recusou a adoração de João (Ap 22.8-9), fica subentendido sua capacidade de escolha, e de influenciar outros com o bem.37 Embora os anjos bons correspondam com obediência ao mandamento de DEUS, não são autômatos. Pelo contrário: optam com intenso ardor pela obediência dedicada.
O número dos anjos é imenso: "muitos milhares" (Hb 12.22), "milhões de milhões e milhares de milhares" (Ap 5.11).38 JESUS expressou a mesma ideia: "Ou pensas tu que eu não poderia, agora, orar a meu Pai e que ele não me daria mais de doze legiões39 de anjos?" (Mt 26.53).
Alguns intérpretes veem uma hierarquia de anjos em cinco graus, sendo que os de categoria inferior acham-se sujeitos aos que se encontram em categoria superior: tronos, potestades, governantes, autoridades e domínios (Rm 8.38; Ef 1.21; Cl 1.16-18; 1 Pe3.22).40
Os anjos servem a DEUS em obediência aos seus ditames, e nunca à parte destes. "Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?" (Hb 1.14). São "enviados". DEUS ordena suas atividades específicas (SI 91.11; 103.20-21),41 pois são seus servos (Hb 1.7).
Embora os anjos sejam enviados para nos servir, o seu serviço (gr. diakonia) é primariamente ajuda, alívio e apoio espirituais; pode também incluir gestos tangíveis de amor. O verbo correspondente (diakoneiri) foi empregado quando os anjos cuidaram de JESUS de modo sobrenatural depois de Satanás o haver tentado (Mt 4.11). Outros exemplos inclu­em os anjos diante do túmulo (Mt 28.2-7; Mc 16.5-7; Lc 24.4-7; Jo 20.11-13), e o livramento dos apóstolos pelos anjos (At 5.18-20; 12.7-10; 27.23-26). Um anjo também deu orientação a Filipe, porque DEUS vira a fé e o desejo do eunuco etíope, e queria que este se tornasse herdeiro da salvação (At 8.26). Foi também um anjo que levou a mensagem de DEUS a Cornélio, para que este fosse salvo (At 10.3-6). Tais intervenções são ministérios da Providência de DEUS.42 Em nenhum caso, porém, há evidência de que os crentes hajam exigido a ajuda dos anjos ou prescrito qualquer man­damento a eles. Somente DEUS tem poder para prescrever o que os anjos devem ou não fazer.
Além dos seres especificamente designados como anjos, o Antigo Testamento fala de outros seres frequentemente classificados como entes angélicos: querubins, serafins e vigias.
Os querubins e os serafins permanecem na presença ime­diata de DEUS. Os querubins (Hb. qeruvim, vocábulo correlato com um verbo acadiano que significa "bendizer, louvar, ado­rar") estão sempre associados com a santidade de DEUS e a adoração que a sua presença imediata inspira (Ex 25.20, 22; 26.31; Nm 7.89; 2 Sm 6.2; 1 Rs 6.29, 32; 7.29; 2 Rsl9.15; 1 Cr 13.6; SI 80.1; 99.1; Is 37.16; Ez 1.5-26; 9.3; 10.1-22; 11.22). Proteger a santidade de DEUS é uma atividade impor­tante deles; impediram que Adão e Eva reentrassem no Jardim (Gn 3.24).43 Representações de querubins trabalha­dos em ouro foram afixadas à tampa ("propiciatório) da arca da aliança, onde suas asas serviam de abrigo para a arca da aliança e de apoio ("carro") para o trono invisível de DEUS (1 Cr 28.18).
Em Ezequiel, os querubins são criaturas altamente sim­bólicas com características humanas e animais, tendo dois rostos (Ez 41.18-20) ou quatro (Ez 1.6; 10.14).44 Na visão inaugural do profeta, o trono de DEUS está acima dos querubins com seus quatro rostos. O rosto de homem é mencionado em primeiro lugar como o mais sublime da criação divina, sendo que o rosto do leão representa os animais selvagens; o do boi, os animais domésticos; e o da águia, os animais alados. Assim, fica retratado o fato de que DEUS está acima da totalidade da sua criação. Os querubins também têm cascos (Ez 1.7). O rosto do boi é o próprio rosto do querube (Ez 10.14). DEUS, às vezes, é retratado montado nos querubins como "nas asas do ven­to" (2 Sm 22.11; SI 18.10).
Os serafins (da palavra hebraica saraph, "arder") são , retratados na visão inaugural de Isaías (Is 6.1 -3), irradian­do a glória e a pureza brilhantes de DEUS; parecem estar incandescidos. Declaram a glória incomparável de DEUS e a sua santidade suprema.45 A semelhança dos querubins, os serafins guardam o trono de DEUS (Is 6.6-7).46 Alguns estudiosos acreditam que os "seres viventes" [ou: ani­mais] (Ap 4.6-9) são sinônimos de serafins e querubins. Todavia, os querubins em Ezequiel parecem semelhantes, e os "seres viventes" em Apocalipse são diferentes entre si.47
Os "vigias" ou "vigilantes" (aram. 'irin, correlato com o heb. 'ur, "estar acordado")48 são mencionados somente em Daniel 4.13,17,23. São os "santos" que promoviam zelosamente os decretos soberanos de DEUS, e demonstra­vam o senhorio de DEUS sobre Nabucodonosor.
Outra designação especial no Antigo Testamento é "o anjo do SENHOR" (mal’akh YHWH). Em muitas das 60 ocorrências no Antigo Testamento, ele é identificado com o próprio DEUS (Gn 16.11; cf. 16.13; 18.2; cf. 18.13-33; 22.11-18; 24.7; 31.11-13; 32.24-30; Êx 3.2-6; Jz 2.1; 6.11, 14; 13.21-22). Mas esse "anjo do SENHOR" tam­bém pode ser distinguido de DEUS, pois DEUS fala com esse anjo (2 Sm 24.16; 1 Cr 21.15), e esse anjo fala com DEUS (Zc 1.12).49 Portanto, segundo a opinião de muitos, "o" anjo do Senhor ocupa uma categoria exclusiva. "Ele não é apenas um anjo de maior categoria, nem sequer o anjo supremo: é o Senhor que aparece na forma angelical." Posto que esse anjo não é mencionado no Novo Testa­mento, ele era provavelmente uma manifestação da Se­gunda Pessoa da Trindade.50 Alguns levantam a objeção de que qualquer manifestação pré-encarnada de JESUS di­minuiria a qualidade incomparável da Encarnação. Na sua Encarnação, porém, JESUS se identificou plenamente com a humanidade, desde seu nascimento até sua morte, e possibilitou a nossa identificação com Ele na sua morte e ressurreição. Nenhuma manifestação pré-encarnada tem­porária teria a mínima possibilidade de diminuir a quali­dade incomparável desse fato.

O Papel dos Anjos
Os anjos operaram na vida de CRISTO. Na eternidade passada, adoravam a CRISTO (Hb 1.6). Profetizaram e anun­ciaram o seu nascimento (Mt 1.20-24; Lo 1.26-28; 2.8-20), protegeram-no na sua infância (Mt 2.13-23), e viram a sua vida encarnada (1 Tm 3.16). Eles também o acompanharão na sua segunda vinda visível (Mt 24.31; 25.31; Mc 8.38; 13.27; Lc 9.26; 2 Ts 1.7).
Durante a sua vida na terra, JESUS às vezes desejava a assistência dos anjos. Acolheu bem a ajuda deles depois da tentação no deserto (Mt 4.11) e durante a sua luta no Getsêmane (Lc 22.43). Tanto a sua ressurreição (Mt 28.2,5; Lc 24.23; Jo 20.12) quanto a sua ascensão (At 1.11) foram acompanhadas por seres angélicos. Às vezes, porém, Ele recusava a sua ajuda. Durante sua tentação no deserto, não tirou proveito indevido do poder dos anjos (Mt 4-6), e quan­do de sua paixão e morte, não quis a sua intervenção (Mt 26.53).51
Os anjos operam na vida dos seres humanos. Eles prote­gem os crentes, especialmente quando esse socorro é neces­sário para a proclamação do Evangelho (At 5.19-20; 12.7-17; 27.23-24; cf. 28.30-31). Ajudam os salvos (sem nunca substi­tuir) na salvação e na proclamação de CRISTO (At 8.26; 10.1-8; cf. 10.44-48). Os anjos podem auxiliar o crente naquilo que este necessitar externa e fisicamente, ao passo que o ESPÍRITO SANTO ajuda na iluminação espiritual e interior.
Embora os anjos escoltem os justos ao lugar de recom­pensa (Lc 16.22), os cristãos, e não os anjos, é que comparti­lharão do governo de CRISTO no porvir (Hb 2.5). Os crentes também avaliarão o desempenho dos anjos (1 Co 6.3). Até então, os discípulos de CRISTO devem viver e adorar de modo cuidadoso para não ofender aos vigilantes angelicais (1 Co 4.9; 11.10; 1 Tm 5.21).
Os anjos operam na vida do incrédulo. Há alegria entre os anjos quando os pecadores se arrependem (Lc 15.10). Mas os anjos também mediarão os juízos finais de DEUS contra os seres humanos que recusam a CRISTO (Mt 13.39-43; Ap 8.6-13; 9.1-21; 14.6-20; 15.1, 6-8; 16.1-21; 18.1-24; 19.1-21; cf. 20.2, 10, 14-15).
No passado, os anjos anunciaram o nascimento de Cris-, to, que alterou para sempre a História da Humanidade. No presente, a sua proteção dá-nos confiança. Quando eles finalmente expulsarem o mal, a vitória será completa. Com o Pai por nós, com CRISTO acima de nós, o ESPÍRITO dentro de nós, e os anjos ao nosso lado, somos encorajados a correr com firmeza em direção ao prêmio que está diante de nós.


Repudiando o Inimigo: Satanás e os Demônios
Na pequena aldeia de Moettlingen, no Subda Alemanha, o pastor Johann Blumhardt viu-se exausto ao raiar do sol em 28 de dezembro de 1843. Era o fim de uma vigília que durara a noite inteira, em que ele havia orado fervorosamente pela cura e libertação de Gottlieben Dittus, uma jovem severa­mente atormentada por espíritos malignos.
Gottlieben fora ter com o pastor Blumhardt alguns meses antes, queixando-se de crises de desmaio e por ouvir vozes e barulhos estranhos durante a noite. De início, o pastor havia procurado ajudá-la mediante o aconselhamento. No entan­to, quanto mais tempo passava com ela, tanto mais violentos se tornavam os seus sintomas e tormentos. Investigações na vida de Gottlieben revelaram que, em tenra idade, fora ela dedicada a Satanás por uma tia iníqua, que também a envol­vera no ocultismo.
Blumhardt não podia tolerar ver a mulherser atormenta­da pelas forças das trevas. Não se afastava dele a ardente pergunta: "Quem é o Senhor?" E Blumhardt passou a preo­cupar-se com a nítida contradição entre o reino de um DEUS soberano que liberta os cativos, e o sofrimento desnecessário de Gottlieben Dittus.
Ele simplesmente não conseguia aceitar tal contradição com passividade.
Ele entrou numa batalha (kampf) em prol da libertação de Gottlieben. Depois de numerosas sessões de oração na casa de Gottlieben, esta resolvera pela primeira vez chegar à casa do pastor Blumhardt para pedir oração, sinal óbvio de que ela mesma estava desejando a sua libertação. Pouco depois, Blumhardt achou-se no fim da vigília supra meneio­nada. De repente, quando o sol começou a raiar naquela manhã de dezembro de 1843, um demônio exclamou: "JESUS é vencedor!" E Gottlieben ficou completamente liberta. 52
A Chamada ao Discernimento
Tendo em vista o enfoque que o liberalismo protestante dá à experiência interior, devemos admirar a coragem que Blumhardt teve ao confrontar as forças das trevas com o poder do reino de DEUS; e, assim, transformar, não somente a vida interior do crente, mas também as dimensões físicas e sociais da vida humana. Há necessidade urgente de seme­lhante audácia hoje em dia.
O mal causou tremendo impacto através de forças nefas­tas tais como o materialismo, o racismo, o sexismo e outras ideologias que negam tanto a DEUS quanto o valor da vida humana. Existem, também, os relacionamentos destrutivos, revelados nos abusos contra esposas e filhos. Além disso, os crimes tornam-se cada vez mais frequentes nas ruas das cidades. E são incontáveis os desabrigados, sendo muitos destes, doentes mentais; eles percorrem as ruas buscando onde se refugiar. A pergunta que muitos levantam nos seus esforços para combater tais males é: para que meter o diabo nessa história toda?
A demonologia não desvia a atenção das causas dos males generalizados e de suas possíveis soluções? Não sus­tentava Rudolf Bultmann ser a demonologia unia fuga para uma cosmovisão mitológica antiquada?53 Se os problemas sociais e morais forem elevados ao âmbito da luta entre a Igreja e as forças demoníacas, a Igreja não perde a sua capacidade de participar do tipo de diálogo humilde e análi­se sábia tão necessários para uma ação moral necessária?
A demonologia é trivializada e problemática quando con­finada ao âmbito da fantasia mitológica que envolve criatu­ras escuras e feias, com chifres e patas. Semelhantes capri­chos da imaginação são facilmente deixados de lado pelo pensamento moderno. Semelhantes imagens e fantasias po­dem inclusive levar à preocupação malsã com um âmbito abstrato de horror, criado pela própria pessoa, bem diferente dos males concretos que oprimem as vidas humanas e que se opõem à vontade de DEUS. Como consequência, C. S. Lewis tinha toda a razão ao dizer que parece que a demonologia , provoca, numa diversidade de culturas modernas, ou uma rejeição simplista da existência dos demônios, ou uma preo­cupação malsã com eles.54 Ambos os erros removem os cren­tes do desafio real de repudiar as reais forças das trevas. Entende-se, agora, porque os cristãos alemães, durante a Segunda Guerra Mundial, repudiavam o diabo e todas as suas obras, em sua resistência contra os nazistas.
Antigo Testamento
As Escrituras não estão dominadas pela preocupação com as forças demoníacas. A Bíblia ressalta o reino soberano de DEUS, o evangelho da salvação, e as exigências da graça de DEUS na vida dos redimidos. Embora as Escrituras não desconsiderem as forças das trevas, enfatizam o poder de DEUS para redimir e para curar. Por outro lado, as sociedades antigas, coevas das Escrituras, produziam um conceito assus­tador do mundo. Acreditavam que os espíritos e os semi­deuses, alguns mais iníquos que outros, podiam intrometer-se como queriam na vida dos seres humanos.
Encantações complicadas, formas espíritas de comunica­ção e rituais mágicos desenvolveram-se em vários contextos cultuajs, na tentativa de outorgar ao homem comum certo controle nesse mundo ameaçador. Semelhante cosmovisão ainda pode ser encontrada nalgumas partes do mundo hoje.
Em contraste com esse conceito caótico e ameaçador do mundo, existia o testemunho incomparável que o An­tigo Testamento prestava a respeito de Yahweh, o Se­nhor. Esse DEUS e Criador não somente é o Senhor de Israel, como também o Senhor dos Exércitos que reina supremo sobre o universo inteiro. Nesta vida e na morte, temos de nos entender com o Senhor, e com Ele somente. Somente Ele deve ser amado, temido e adorado (SI 139; Is 43). Em Israel, os espíritos que se avultuavam nas religi­ões doutros povos quase caíram no esquecimento diante da luz do Senhor soberano e de sua Palavra. Por isso, nenhuma comunicação ou encantação espírita, nem ritu­al mágico podia ocupar algum lugar na fé de Israel (Is 8.19-22). A demonologia não desempenha nenhum papel de destaque no Antigo Testamento.
Não queremos dizer com isso que não existe 'nenhum adversário satânico no Antigo Testamento.
A presença de semelhante adversário é encontrada logo na tentação de Adão e Eva no Jardim do Eden (Gn l-3). Nessa ocasião, o adversário, na forma de um réptil mui sagaz, alega estar falando em nome de DEUS, e, assim, induz nossos primeiros pais ao pecado. Mas observe que esse tentador é descrito apenas como uma criatura entre as demais, e não como um deus que, dalguma maneira, pudesse medir forças com o Senhor, o Criador dos céus e da terra. Adão e Eva não foram confrontados com dois deuses, sendo um bom, e o outro, mau. Pelo contrário: são levados a escolher entre o mandamento do único DEUS verdadeiro, e a palavra de uma criatura insinuante, cujo único alvo era contrariar a vontade de DEUS. Na realidade, parece que o tentador desempenha um papel no teste a que DEUS submete a fidelidade de nossos primeiros genitores.
Esse adversário aparece noutro drama importante no Antigo Testamento. No prólogo do Livro de Jó, questiona o Senhor no tocante à fidelidade de seu servo. E o Senhor dá-lhe licença para infligir os mais indescritíveis sofrimentos ao patriarca, ainda que dentro de certos limites. E este livro revela como Jó busca a DEUS no meio das provações, e termina quando o Senhor lhe aparece de modo dramático (Jó 38). Por meio de uma série de perguntas, o Senhor leva Jó a aceitar o mistério da soberania divina sobre o mundo bem como sobre todos os assuntos da vida, por mais comple­xos que se mostrem. Só que, desta vez, o adversário não aparece. A verdade é que este não tem nenhum papel a desempenhar no Livro de Jó depois dos primeiros capítulos. Se Jó lutava, não era contra Satanás, mas com DEUS.
Mesmo assim, Satanás e as forças das trevas não funcio­nam como mansos animais de estimação nas cortes celestiais, nem meramente como ferramentas do Senhor para provar a humanidade. Tanto em Gênesis quanto no prólogo de Jó, o adversário levanta genuína oposição contra a vontade de DEUS à humanidade. O Livro de Daniel até retrata a batalha entre "o príncipe do reino da Pérsia" e um mensageiro angelical enviado para ministrar ao profeta (Dn 10.13). Embora Daniel não tivesse nenhum papel a desempenhar na batalha, as forças sinistras, por trás do reino persa, levantam séria oposi­ção contra a mensagem que DEUS lhe enviava. DEUS é soberano, mas essa soberania não elimina a oposição que Satanás move contra a sua vontade.

A Vitória de DEUS Sobre Satanás e os Demônios
Satanás e os Demônios do Novo Testamento
Em contraste com a atenção relativamente pequena que o Antigo Testamento dedica à derrota das forças das trevas, os Evangelhos impressionam-nos com a ênfase que dedica à ques­tão. Aliás, tal ênfase já fora dada na literatura intertestamentária, que levou a alguns a especular a respeito da possível influência do dualismo persa.55 Mas teologicamente falando, a implicação é que o aumento da atenção dada à derrota dos demônios nos Evangelhos deve-se à revelação prévia da graça e da verdade na vinda de JESUS CRISTO (Jo 1.14). Realmente, a chegada da luz a este mundo tornou visíveis às obras das trevas (Jo 3.19-21). Isso significa que a derrota das trevas somente pode ser entendida à luz da graça e da libertação divina. Não estudamos as forças das trevas a fim de descobrir as riquezas da graça de DEUS. Muito pelo contrário: o enfoque deve recair nas riquezas da graça divina, que hão de desmascarar os logros e enganos pregados pelas vozes das trevas.
JESUS confrontava seus ouvintes com a asseveração eston­teante de que o Reino de DEUS já tinha irrompido para lançar luzes sobre esse conflito, e levá-lo a uma virada deci­siva. Declarou: "Mas, se eu expulso os demônios pelo Espíri­to de DEUS, é conseguintemente chegado a vós o Reino de DEUS" (Mt 12.28). Satanás procurou tentar a JESUS a com­provar a sua identidade messiânica, de maneira a fazê-lo desobedecer à vontade do Pai, mas o Senhor permaneceu fiel. As numerosas referências à expulsão de demônios por JESUS, inclusive relatos detalhados (Mc 1.23-28; 5.1-20; 7.24-30; 9.14-29), bem como a acusação feita por seus oponentes de que Ele expulsava os demônios mediante o poder de Satanás (Mt 12.27-28), são evidências de que Ele derrotava publicamente os espíritos demoníacos, sendo este um dos aspectos do seu ministério.56 Assim como JESUS acalmou os mares tempestuosos mediante a sua palavra soberana em Marcos 4.35-41, também ordenou que a legião de demônios saísse do endemoninhado gadareno (Mc 5.1-20).
Posteriormente, a proclamação apostólica fez da morte e ressurreição de CRISTO o cumprimento da vitória de JESUS sobre as forças das trevas (1 C 2.6-8; Cl 2.14-15; Hb 2.14). O falecido teólogo sueco luterano Gustav Aulen argumentava que a vitória soberana de DEUS sobre as forças das trevas representa a teoria "clássica" da Expiação, fundamental para a proclamação do Novo Testamento. 57
JESUS, mediante a sua morte na cruz, destruiu "o que tinha o império da morte, isto é, o diabo" - e livrou a "todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão" (Hb 2.14-15; cf. l Jo 3.8). "Despojando os princi­pados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo" (Cl 2.15). A cruz, onde Satanás fez o pior que conseguia fazer, acabou sendo sua derrota. Quando JESUS exclamou: "Está consumado!", declarava completa a sua paixão para a nossa redenção e sua vitória indelével sobre a morte; as forças das trevas chefiadas por Satanás haviam sido derrotadas.
Já no século IV, a descida de CRISTO ao inferno, quando de sua morte, foi acrescentada ao Credo dos Apóstolos. Realmente, o Novo Testamento fala de uma descida de CRISTO ao Hades (At 2.27) e ao abismo (abussos, Rm 10.7). Esses termos não eram meros símbolos da morte em si mes­ma, mas da morte no que, diz respeito à triste situação dos perdidos (Ap 20.1-3, 14). Parece que CRISTO realmente des­ceu ao inferno ao morrer, para proclamar a vitória da cruz sobre as forças das trevas. E possível que Efésios 4.9 e 1 Pedro 3.18-20 se refiram ao mesmo evento.58 Devemos, porém, exercer cautela para não inventar fantasias a respeito de batalhas entre JESUS e os demônios, pois CRISTO já comple­tara a sua obra de redenção na cruz.59 Devemos evitar, também, qualquer alegação de que Ele houvesse arrancado de Satanás as chaves da morte e do inferno, pois JESUS já havia recebido do Pai toda a autoridade (Mt 28.18). A descida de JESUS ao inferno para proclamar a vitória da cruz é relevante como sinal de que não existe nenhuma dimensão do mal ou das trevas fora do alcance da cruz.
No Dia de Pentecoste, o mesmo ESPÍRITO de DEUS, por, meio de quem JESUS derrotara as forças das trevas, foi trans­ferido à Igreja. No poder do ESPÍRITO, a Igreja podia continuar o ministério de JESUS, "fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo" (At 10.38). Os Atos dos Apóstolos mostram o contraste entre o poder libertador do ESPÍRITO e os atos mágicos e supersticiosos que procuram controlar o po­der demoníaco (19.13-16). O discernimento de espíritos e a cura passaram a fazer parte da multiplicidade de dons no corpo de CRISTO (1 Co 12.9-10) como antegozo da volta do Senhor (1 Co 1.7).
Embora a morte de CRISTO tenha desferido o golpe fatal em Satanás mesmo assim este continua a andar em derredor como leão buscando a quem possa tragar (1 Pe 5.8). O diabo prejudica a obra missionária (2 Co 12.7; 1 Ts 2.18), cega a mente dos incrédulos (2 Co 4-4) e atira "dardos inflamados" contra os redimidos de DEUS (Ef 6.16).
Nossa defesa e vitória, em tais casos, provêm de nossa submissão a DEUS e de nossa resistência aos enganos do inimigo (Tg 2.19). Observe que a vitória provém, em primeiro lugar, da submissão a DEUS ou da atenção com que focalizamos a graça de DEUS. Sem isso, não podere­mos opor resistência ao inimigo. Somente dessa maneira, o povo de DEUS poderá se fortalecer "no Senhor e na força do seu poder" (Ef 6.10), e usar a armadura divina (a verdade, a justiça, a fé, a salvação, a oração e a Palavra de DEUS), embraçando o escudo da fé para apagar todos os "dardos inflamados" (6.11-17).
O túmulo vazio e o testemunho do ESPÍRITO SANTO são as garantias da vitória final de DEUS. Satanás realmente dirigirá uma resistência tardia contra DEUS, mas será fútil (2 Ts 1.9-12; Ap 19.7-10). A vitória final pertence a DEUS!

A Soberania de DEUS sobre o Inimigo
Como é que DEUS, como o Senhor soberano, permitiria a existência de tamanha oposição? Por que a derrota final das forças satânicas precisa ser adiada até que o senhorio de DEUS o vença mediante o triunfo de CRISTO e de uma Igreja revestida pelo poder do ESPÍRITO SANTO? Não podemos res­ponder a tais perguntas, declarando que DEUS não tem capa­cidade de fazer mais que esperar, como se Ele estivesse envolvido numa batalha dualista com o deus do mal, e não tivesse nenhuma esperança de vencer sem acossa ajuda.60 Conforme já foi observado, esse dualismo seria uma contra­dição contra o que as Escrituras sustentam a respeito da soberania absoluta de DEUS. Nem podemos responder as tais perguntas, declarando que a oposição e a destruição realiza­das por Satanás fazem parte da vontade de DEUS para a humanidade, como se a totalidade da realidade fosse um monismo determinado exclusivamente por DEUS, sem ne­nhum senso de conflito genuíno pelas forças do mal que se opõem a Ele.61 Esse monismo seria uma contradição daquilo que já foi notado a respeito da oposição genuína entre as forças das trevas e o amor do Senhor soberano e seus propósitos para a redenção da humanidade. Tais perguntas têm a ver com a "teodicéia" (justificar a DEUS diante do mal e do sofrimento). Introduzir as complexidades do problema dentro do contexto deste capítulo não é possível, mas umas poucas palavras de explicação seriam bem apropriadas a essas alturas. 62
Historicamente, a Igreja tem ressaltado duas considera­ções correlatas entre si, que são mui relevantes para uma orientação bíblica sobre as perguntas retrocitadas. Primeiro: DEUS criou a humanidade com a liberdade de se rebelar contra suas orientações e desígnios e, assim, tornar-se vulne­rável à oposição satânica. DEUS permitiu que a oposição satânica existisse a fim de testar a sinceridade dos seres humanos que, livremente, se declararam a favor dEle. Se­gundo: o plano de DEUS é triunfar sobre a oposição satânica, não somente em favor dos crentes, mas também através deles. Por isso, o triunfo da graça divina tem uma história e um desenrolar. Esse triunfo não depende necessariamente da cooperação humana para seu progresso e realização, mas certamente inclui a história da fiel obediência da humanida­de a DEUS no seu cumprimento estratégico.
Na estratégia da redenção, a tolerância divina quanto à oposição satânica é só provisória; não faz parte do processo de redenção da humanidade. Pelo contrário: a vontade de DEUS é que todos triunfemos sobre a oposição satânica. DEUS não está secretamente por trás das obras de Satanás, embora possa obrigar tais obras a concorrerem para a redenção do homem. Mas não há nada em comum entre Satanás e DEUS. Satanás não tem nenhuma participação na redenção que o Senhor traçou à raça humana. DEUS está claramente ao lado da libertação e da redenção de tudo quanto Satanás intenta destruir e oprimir.
Isso não responde a todas as perguntas a respeito de "como?" e "por quê?" existem males e sofrimentos no mun­do. A dificuldade das soluções filosóficas tais como o dualismo e o monismo é que procuram fornecer uma resposta definiti­va ao problema do mal. Em última análise, porém, não há resposta definitiva ao problema do mal. Mas certamente o Evangelho oferece-nos a esperança e a garantia da redenção final em CRISTO JESUS, e também nos conclama a batalhar corajosamente, pela graça de DEUS, em favor de sua realiza­ção.

A Demonologia e a Responsabilidade Humana
Na cosmovisão dualista, conforme já observamos, DEUS não é soberano, nem triunfará sobre as forças do mal. Semelhante cosmovisão também elimina a liberdade e a responsabilidade humanas. Isto porque, já não passamos de meras petecas na batalha entre os deuses do bem e do mal. Tudo quanto acontece na vida humana deve-se a um poder absoluto (o bem) ou a outro poder absoluto (o mal) que manipulam os eventos humanos ao guerrearem eles entre si. Dessa forma, nossas decisões não desempenham nenhum papel no destino da humanidade. Por isso, as religiões dualistas tendem a se preocupar demasiadamen­te com a demonologia. 63
A soberania de DEUS sobre as forças do mal realmente serve para libertar a humanidade de semelhante insignifi­cância para que venhamos a desempenhar um papel decisi­vo no destino humano. No relato da Criação e da Queda, em Gênesis 1-3, o tentador podia contrariar a vontade divi­na somente até ao ponto em que Adão e Eva houvessem consentido livremente em cooperar com ele. Assim era por­que DEUS, e não o tentador, era o Senhor soberano. Por isso, o pecado e a morte ficaram sendo o resultado indireto da obra de Satanás, pois eram o resultado direto das ações humanas. Adão e Eva, e não Satanás, trouxeram o pecado e a morte ao mundo.
O pecado e a morte são aspectos da escravidão humana. E a desobediência humana que criou tal condição, e é a desobediência humana que a mantém.
E certo que Satanás é o tentador (1 Ts 3.5), mas cada um é tentado "quando atraído e engodado pela sua própria con­cupiscência" (Tg 1.14). Satanás é o mentiroso (Jo 8.44), o acusador (Ap 12.10), o ladrão, e o assassino (Jo 10.10). Não pode, porém, levar a efeito nenhum ato desse tipo sem a participação (e até mesmo a iniciativa) humana. Ressaltar demasiadamente o papel dos demônios (segundo a nossa opinião) naquilo que se opõe a DEUS, tende a amainar a responsabilidade humana e a denegrir a responsabilidade de DEUS. Precisamos corrigir essa ênfase a fim de atribuir à responsabilidade humana seu devido peso.
Observe que o Novo Testamento coloca o pecado e a morte como inimigos em si, lado a lado com as forças das trevas (Rm 8.1-2; 1 Co 15.24-28; Ap 1.18). É realmente notável que Paulo defina a morte, e não Satanás, como o último inimigo a ser destruído (1 Co 15.24-26). Vale a pena observar também que a Bíblia não considera a oposição a DEUS exclusivamente no contexto da demonologia. JESUS disse que a oposição humana ao seu ministério cumpria as obras do diabo (Jo 8.44). Posteriormente, Paulo afirmou que "o príncipe das potestades do ar... opera nos filhos da deso­bediência" (Ef 2.2). Isso não significa que toda a desobediên­cia a DEUS seja uma resposta à tentação demoníaca direta. Mas certamente significa que o reino das trevas é bem servi­do, e seus propósitos são realizados através da desobediência humana. Por isso, semelhante desobediência e escravidão ao pecado devem receber a devida atenção em qualquer estudo daquilo que se opõe à vontade de DEUS.
Tudo o que foi dito acima deixa implícito que há uma dimensão essencialmente humana em todos os males pesso­ais e sociais. Por isso, devemos permitir que soluções huma­nas e científicas desempenhem um papel legítimo no processo da cura. Precisamos reconhecer que as ciências têm promovido o entendimento da dimensão genuinamente huma­na de muitos problemas sociais, bem como as estratégias para solucioná-los. Em muitos desses estudos, não há nada necessariamente contrário às Escrituras, posto que a Bíblia, conforme já observamos, reconhece nossa condição caída como uma situação genuinamente humana, à parte de qual­quer influência demoníacadireta.
Na Igreja, devemos acolher os discernimentos da medici­na, da psiquiatria e da sociologia nos nossos esforços para representar uma força terapêutica e libertadora neste mun­do. DEUS cura e liberta através de meios extraordinários e por meios comuns, por milagres ou pela sua providência. Não ousamos declarar que todos os problemas são demonía­cos, nem queremos defender a ilusão de que todos eles possam ser resolvidos mediante a expulsão de demônios!
Além disso, muitos dos sintomas descritos na Bíblia como demoníacos formam um paralelo com sintomas que, hoje em dia, têm sido isolados como patológicos e humanos. Por isso, distinguir entre o demoníaco e o patológico, torna-se uma tarefa complexa. Mas a Bíblia realmente faz a distinção entre a enfermidade e a possessão demoníaca (Mc 3.10-12). Assim, devemos distinguir entre os casos psiquiátricos e os virtualmente de possessão demoníaca. Essa distinção é im­portante porque, conforme indicou o teólogo Karl Rahner, exorcismos de pacientes patológicos podem agravar o seu estado.64 Quando for possível, o discernimento com oração associado aos recursos da ciência, por pessoas devidamente qualificadas, deve ser utilizado no ministério aos atormenta­dos. Até mesmo casos que envolvem influências demoníacas também podem exigir a atenção psiquiátrica.
A negação simplista da existência dos demônios deixa a humanidade completamente incapaz de explicar ou lidar com o profundo desespero subentendido na loucura e na iniquidade humanas, mesmo não estando envolvida nenhuma influência demoníaca direta. Há, realmente, um profundo desespero sub­entendido em comportamentos humanos distorcidos, que trans­cendem as definições científicas ou racionais. A mente científi­ca gostaria de definir com exatidão tais distorções para que semelhantes problemas sejam definitivamente resolvidos. Mas o comportamento patológico continua a acossar a humanidade, deixando a todos sem resposta. Mesmo nas categorias bem, definidas dessas enfermidades, o que temos, a não ser etiquetas usadas, para englobar os sintomas correlatos? Por mais úteis que sejam essas categorias, chegam a solucionar o mistério da exis­tência humana que a patologia parece indicar tão dramatica­mente? Conforme realçou o falecido teólogo teuto-americano Paul Tillich, a categoria do demonismo serve para tornar-nos conscientes da profundidade e do mistério envolvidos na distorção humana. 65
A demonologia, à luz do evangelho de JESUS CRISTO, pode fornecer-nos a chave do mistério do mal acima mencionado. Conforme já observamos, a vitória de CRISTO na sua vida, morte e ressurreição, iluminou o conflito entre a vontade divina para nos redimir, e as forças das trevas que dão origem ao mal. Mesmo assim, Paulo continuou usando a palavra "mistério" para caracterizar o poder da iniquidade operando no mundo (2 Ts 2.7). O que é importante observar é que a plena revelação da profundidade do mal, chamado "demonismo," é escatológica. Paulo deixa subentendido que os últimos dias da presente era incluirão um aumento da revelação do mal neste mundo, através do aparecimento do "iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda" (2 Ts 2.8). Essa figura do Anticristo comandará um novo surto da iniquidade nos últimos tempos. O derradeiro castigo divino - o lago de fogo - desmascarará plenamente as forças das trevas que se acham por trás de todo o mal que existe no mundo (Ap 20.10). Nessa ocasião, o diabo, a morte e o inferno serão vencidos pelo juízo divino (20.10, 14). Embora o lago de fogo seja (com toda a naturalidade) temido por todos, o propósito que DEUS lhe deu é realmente servir a humanida­de, ou seja: destruir os piores e derradeiros inimigos da raça humana.
Somente no derradeiro juízo escatológico é que a nature­za do demonismo e a sua conexão com a morte e o inferno serão plenamente reveladas. Nessa ocasião, o mistério da iniquidade será revelado na plena profundidade da sua resis­tência a DEUS e à sua vontade redentora. Aí ficarão plena­mente esclarecidos o conflito e a oposição. Se a primeira vinda de CRISTO colocou às claras o conflito contra o mal, era apenas um esclarecimento temporário, porque a revelação final precisa aguardar a sua segunda vinda. Na era presente, discernir corretamente o mal e o sofrimento exige a luz espiritual das Escrituras, bem como uma avaliação científica cuidadosa. No triunfo final de DEUS sobre o diabo, porém, ficará óbvia a raiz e a natureza do mal que será desmascarado mediante o derradeiro juízo divino. Esse juízo já foi iniciado pela cruz e ressurreição de CRISTO. Será cumprido totalmente no triunfo final do Cordeiro de DEUS no fim dos tempos.
A natureza escatológica do desmascaramento e do derra­deiro julgamento do mal subentende que o repúdio a Sata­nás e às suas obras não é uma "demonização" mitológica dos males pessoais e sociais, nem uma fuga consequente ao discernimento cuidadoso exigido para se isolar e resolver tais problemas. Os movimentos escatológicos, especialmente os apocalípticos, que focalizam o juízo divino final contra as forças das trevas buscam a reduzir todas as lutas presentes contra os males humanos a uma luta contra o demonismo. Se realidades humanas, complexas e ambíguasrquenos pa­recem ameaçadoras ou estranhas, forem demonizadas dessa maneira, fica criado um dualismo ético arrogante, no qual alegamos estar na luz total, ao passo que os outros permane­cem em trevas absolutas.
A demonologia, corretamente compreendida, não levará as pessoas a negarem as dimensões humanas do mal e seus efeitos com todas as suas ambigüidades e complexidades. Freqüentemente, seremos capazes de descobrir, em nós mes­mos, alguns elementos do mal que queremos resistir, e mui­tas vezes acharemos elementos do bem desejável noutras pessoas que somos tentados a considerar inimigas. Não po­demos simplesmente reduzir nossa luta contra as forças hu­manas do mal e da opressão a uma guerra contra os demôni­os. Mas nosso repúdio a Satanás e às suas obras, em meio às lutas contra a impiedade e a opressão, realmente coloca-nos dentro do horizonte da vitória final de DEUS contra as forças das trevas quando então o Reino de DEUS será a derradeira realidade no fim de todas as coisas.
Repudiar o diabo e ao mal dá a entender que há alguma coisa mais profunda em jogo do que simples reformas pesso­ais ou sociais. O que está em jogo é o irromper escatológico do Reino de DEUS para subverter os sistemas deste mundo presente e introduzir, mediante o ESPÍRITO de DEUS, um mun­do futuro que siga o padrão do amor divino revelado em CRISTO.


O Lugar de Satanás e dos Demônios na Teologia Cristã
Existe um lugar legítimo para a demonologia na teologia cristã? Existe uma base legítima para incluir o demonismo nas confissões de fé da Igreja? Certamente, "crer no" diabo não é linguagem apropriada para o credo cristão. Neste, a fé em DEUS e o repúdio ao diabo e a todas as forças que servem a causa da iniquidade devem ser bastante claros. Mas que tipo de ênfase devemos dar, na confissão cristã, e esse repú­dio de Satanás?
O poeta Howard Nemerov declarou: "Hesito muito em falar do Diabo para ninguém pensar que o estotrtn-vocan-do."66 Karl Barth deixou claro que só daria uma olhadela rápida e penetrante na área da demonologia. A olhada deve ser "rápida" para não dar valor e atenção desnecessários ao demonismo.67 Para Barth, a teologia devia ser dominada pela graça de DEUS revelada em CRISTO. Mas a olhada tem de ser "penetrante" pois o demonismo não deve ser tratado levia­namente.
Infelizmente, nos movimentos pentecostais e carismáti­cos, os ministérios de guerra espiritual e de libertação abun­dam, dedicando atenção deliberada ao âmbito do demonismo. Muitos defensores de semelhantes ministérios vão nitida­mente além do lugar legítimo que a mensagem bíblica atribui ao demonismo. Parece que nesses ministérios há certo fascí­nio com o âmbito dos demônios, e o resultado é que muito mais atenção é prestada a eles do que a Bíblia pode apoiar.
Realmente, certa glória e legitimidade são concedidas ao diabo em tais ministérios. O diabo é frequentemente referido como o elemento exclusivo (ou pelo menos, dominante) em toda a oposição aos propósitos redentores de DEUS para a humanidade. A totalidade da atividade divina na redenção é reduzida à destruição do diabo de modo que a soteriologia, a cristologia, a pneumatologia e todas as demais áreas da teo­logia são debatidas quase exclusivamente à luz da luta contra os demônios! Sem o diabo, semelhante pregação e teologia seriam reduzidas a uma casca vazia! Em semelhante contex­to, a demonologia concorre muito bem com DEUS e com todas as demais áreas da teologia, e exige e conseguiu aten­ção igual, ou até mesmo maior. R.Gruelich sustenta que o novelista Frank Peretti tem dado seu apoio literário a seme­lhante distorção teológica, pois considera que o mundo e o destino humano estão dominados pelos resultados da guerra contra os demônios.68
Em semelhante contexto, a demonologia recebe glória e relevância teológica muito além dos limites estabelecidos pela Bíblia. Nessa visão, acredita-se que o horizonte do mun­do cristão esteja cheio de ataques de demônios. A forma grotesca dessa crença acha-se na suposição de que os demô­nios podem possuir e dominar cristãos desobedientes. Para harmonizar tal suposição com o ensino bíblico de que os cristãos pertencem a CRISTO e que são dirigidos primaria­mente pelo ESPÍRITO de DEUS (Rm 8.9-17), uma dicotomia antibíblica é estabelecida entre o corpo e a alma de modo que DEUS acaba dominando a alma ao passo que os demôni­os controlam o corpo.69 Mas a Bíblia ensina que uma lealda­de tão radicalmente dividida é uma impossibilidade para a pessoa de fé genuína (Mt 7.15-20; 1 Co 10.21; Tg 3.11-12; 1 Jo 4.19-20).
A glorificação dos demônios no mundo cristão tem seu paralelo numa tendência semelhante na cultura. A huma­nidade sempre sentiu certo fascínio pelas coisas sinistras e demoníacas. Maxilmilian Rudwin declarou, por exemplo, que a figura de Satanás "avulta-se amplamente na literatu­ra". Acrescenta: "Seria realmente triste a situação da litera­tura sem o diabo." 70 A história das práticas ocultistas tem se alimentado do fascínio que a humanidade sente pelos demô­nios. E até mesmo a ascensão do pensamento científico moderno tem servido quase nada para reduzir tal fascínio.
Na segunda metade do século XX, registrou-se um reno­vado interesse pelos demônios e pelo ocultismo. A indústria do cinema de terror ficou cada vez mais fascinada pelos demônios e pelos consequentes lucros financeiros. Filmes tais como O Exorcista e Poltergeist buscam ressaltar a incapa­cidade da ciência e da Igreja em lidar com os espíritos, malignos. Apresentam histórias nas quais elementos demo­níacos, muitas vezes confundidos com as almas dos entes queridos, dominam o fluxo dos eventos. Em tais conjecturas, a graça de DEUS está ausente, ou mostra-se débil. Até mesmo o final "feliz" surpreende mais que as vitórias demoníacas que lhe antecederam.
Por certo, semelhante fascínio pelo demonismo não é saudável nem bíblico. A fixação que os discípulos de JESUS sentiram com a sua autoridade sobre os demônios foi corrigida. O Senhor os exortou a se regozijarem" antes de mais nada pelo fato de haverem sido escolhidos pessoalmente por DEUS (Lc 10.17-20).
A oposição de Satanás ao Evangelho somente pode ser entendida à luz do próprio Evangelho. A verdadeira profun­didade do mal somente há de ser compreendida à luz da profundidade da graça de DEUS à qual o mal se opõe, procu­rando destruí-la. A verdadeira tragédia das trevas apenas pode ser entendida no contexto das glórias da luz divina. A ênfase do Novo Testamento, portanto, recai sobre a glória de DEUS e a vida com DEUS, e não sobre as tentativas do inimigo de se opor a elas.
Entre os cristãos, a tendência de enfatizar o papel de Satanás tem até mesmo levado a uma legitimização de seu papel de oponente de DEUS, como se o adversário tivesse o direito legal sobre pessoas e governos. Enfim, como se a sua posição de "deus da presente era" devesse ser respeitada até mesmo pelo Altíssimo!
De modo contrário àquilo que alguns pensam, não há em Judas 9 nenhum respeito por Satanás quando o anjo hesitou em lançar contra ele acusação caluniadora. O arcanjo Miguel refreou qualquer acusação baseada na sua própria autorida­de, mas disse: "O Senhor te repreenda". Isso significa que qualquer rejeição das reivindicações enganosas de Sata­nás somente poderá vir da autoridade de DEUS e da sua graça, e não da sabedoria ou autoridade que geramos em nós mesmos.
Na realidade, uma noção dos direitos satânicos era apoi­ada pela teoria do resgate na Expiação, defendida por certos teólogos latinos antigos e medievais, no Ocidente; e por Orígenes, no Oriente. Essa teoria supunha que Satanás tinha o direito de governar e oprimir a humanidade por causa da rebelião humana contra DEUS. CRISTO, então, foi enviado para pagar a Satanás um resgate pela libertação da raça humana.
A teoria do resgate, porém, elimina desde o início qual­quer oposição real entre DEUS e Satanás. Fica pressuposta a aceitação por DEUS da posição e do papel de Satanás, e a disposição divina de se entender com o adversário segundo as condições impostas por este. A Satanás é concedido ter sua própria posição legítima à parte do plano redentor de DEUS, posição esta que DEUS precisa respeitar no seu esforço de redimir a humanidade!
Em contraste com a teoria do resgate há o ensino bíblico de que a posição e a atuação de Satanás baseiam-se numa mentira (Jo 8.44). Não há nenhuma legitimidade que DEUS deva reconhecer, e com que Ele deva se conformar! O triun­fo da graça divina sobre as forças das trevas não concede a elas nenhuma posição legítima e digna de respeito, e declara que Satanás, como o "deus deste século," tem uma posição ilegítima que lhe foi concedida pela cegueira e rebelião da própria humanidade (2 Co 4.4). Realmente, um "pagamen­to" foi feito por CRISTO na cruz, não a Satanás, mas a DEUS, em favor da humanidade. 71
Nossa resposta mais sábia às reivindicações falsas e enga­nosas de Satanás é negá-las; e devemos fazê-lo somente através da "olhadela" rápida e penetrante que o teólogo Karl Barth lhes deu na luz maior da graça e verdade de DEUS. Parecer haver, contudo, uma pressuposição oculta entre muitos participantes dos ministérios de libertação no sentido de que Satanás somente pode ser derrotado por aqueles que melhor o conhecem. Noutras palavras: quanto mais mistérios puder­mos desvendar a respeito dos demônios, tanto mais podere­mos controlá-los e derrotá-los. Nesses casos, entende-se que a libertação é o resultado de um conhecimento secreto (gnõsis) que pessoas fora do movimento da libertação não possuem. Especulações muito complexas são feitas a respeito da organização e das características dos demônios e de como se relacionam com os governos humanos e as vidas individuais. Práticas primorosas de "amarrar" as potências demoníacas podem ser usadas contra elas, uma vez compreendidas as suas verdadeiras posições e funções no mundo.
Por outro lado, ao lermos a Bíblia, percebemos como é notável a total ausência de semelhantes especulações e prá­ticas. A Bíblia encoraja-nos a resistir às forças enganadoras das trevas, e não estudá-las e amarrá-las.72 Nenhum esforço é feito na Bíblia para levar-nos a conhecer melhor o diabo. O enfoque exclusivo recai em conhecer melhor a DEUS, resistindo, ao mesmo tempo, quaisquer tentativas de Satanás de obter a nossa atenção. Submeter-se a DEUS e resistir ao diabo é o conselho que Tiago nos deu (Tg 4.7).
Certamente não devemos ignorar a existência do diabo. Mas qualquer atenção que a ele prestarmos não deve passar de nossa negação quanto as suas reivindicações à luz do enfoque sobre as reivindicações divinas. A Bíblia não espe­cula, nem dá muitas informações a respeito de Satanás e dos demônios. Não existe aí muita coisa para satisfazer a nossa curiosidade. Há indícios de haver ocorrido uma queda de Satanás e dos demônios (Jd 6; Ap 12.7-9).
Alguns especulam que o Antigo Testamento descreve a queda de Satanás em Isaías 14.12-20, mas o significado desse trecho não fica bem claro, e talvez não passe de uma repre­ensão poética ao "rei de Babilônia" (14-4). O "quando" e "como" dessa queda não é definido explicitamente em ne­nhum lugar. A verdade é que o propósito da Bíblia ao tratar de Satanás e dos demônios visa à redenção do homem, e não a especulação teológica. O enfoque recai em afirmar o pro­pósito redentor de DEUS, e o seu poder em repudiar as obras e as reivindicações de Satanás. Não existe nenhuma ênfase em obtermos conhecimentos profundos a respeito de Sata­nás para o derrotarmos.
Precisamos de muito discernimento para derrotar o que realmente pertence ao reino das trevas, pois o próprio Sata­nás pode disfarçar-se em anjo de luz (2 Co 11.14). O orgu­lho, a idolatria, o preconceito e as fobias mais prejudiciais podem aparecer na forma de religiosidade e patriotismo, por exemplo, e serem defendidos como doutrinas e práticas no­bres. A escravidão e o racismo têm sido defendidos por pessoas que alegam estar apoiando as mais nobres causas religiosas e patrióticas. Semelhantes pecados só servem para apoiar o reino das trevas. Será necessário sempre esquadri­nharmos o nosso próprio coração para negar as obras do diabo e reafirmar a renovação do ESPÍRITO na Igreja.
O testemunho das Escrituras oferece-nos fontes específi­cas de orientação para discernirmos as forças do mal e da opressão. Há um critério cristológico e uma base no ESPÍRITO de DEUS para o discernimento do mal. Por exemplo: já que DEUS criou a humanidade à sua imagem, e reivindicou o direito à raça humana mediante o nascimento, morte e res­surreição de CRISTO, qualquer tentativa de desumanizar uma pessoa contradiz o amor divino, e serve aos propósitos das forças das trevas. Já que o ESPÍRITO ungiu a CRISTO para pregar as boas novas aos pobres, aos cegos, e aos presos (Lc 4.18), isso significa que as estruturas e as forças que encorajam a pobreza, a doença e o crime servem ao reino do mal. Já que Satanás deixa as mentes dos ímpios cegas diante do Evange­lho (2 Co 4-4), as coisas que desencorajam nosso testemu­nho evangélico (em palavras e ações) diante dos necessita­dos hão de promover as ações de Satanás.
O demonismo ajuda-nos a reconhecer que a resistência humana a DEUS tem relevância ulterior. Colocada no hori­zonte da vitória escatológica do Reino de DEUS sobre as forças das trevas, a obediência e a desobediência a DEUS, no presente tempo, são questões bastante graves. Com cada decisão na vida cristã, os crentes devem optar em favor do Reino de DEUS e postar-se contra o reino das trevas. Buscar o Reinode DEUS e a sua justiça é o desafio constante do cristão. Às vezes, as escolhas poderão parecer difíceis e ambí­guas. Mas a gravidade da escolha da obediência e a necessi­dade do consolo e do perdão divinos em meio as nossas opções nunca deverão ser subestimadas. O papel desempenha­do pelo demonismo na teologia e no testemunho cristãos indica a gravidade das nossas escolhas.
Perguntas do Estudo
Considere as interpretações de Origines, de Tomás de Aquino (n.r. 17), de Martinho Lutero (n.r. 21), dos Cabalistas (n.r. 38), de Ireneu (n.r. 40), e de Paul Tillich (n.r. 25) acerca da natureza ou do papel dos anjos. Por que essas opiniões são problemáticas? Como suas dificuldades hermenêuticas poderão ser re­solvidas ou evitadas?
Tendo por base sua própria pesquisa cuidadosa de Co-lossenses 1.15-18, considere o lugar apropriado dos an­jos.
Aliste algumas das crenças comuns na sua comunidade e igreja a respeito dos anjos. Como você corrigiria ou confirmaria cada crença alistada?
Anjos são servos. Como seu exemplo deve afetar a nossa motivação em servir a DEUS?
O que os anjos podem e querem fazer por nós hoje, segundo demonstra a Bíblia?
O que, segundo a Bíblia, não podemos esperar que os anjos façam por nós hoje?
A demonologia remove-nos dos verdadeiros problemas e males da vida? Explique como ela poderia fazê-lo? Por que é relevante repudiar o diabo e as suas obras quando resistimos às forças do mal na vida?
Como a abordagem do Antigo Testamento à demonologia difere dos conceitos pagãos antigos dos espíritos malig­nos? Considere-a em relação à soberania de DEUS. Em particular, a soberania divina significa que não há oposi­ção real entre DEUS e Satanás no Antigo Testamento?
Qual verdade se pode achar no fato de a derrota das forças das trevas ter sido revelada no Novo Testamento somente após a revelação de CRISTO como a encarnação da graça e da verdade?
10. Descreva a vitória de CRISTO sobre as forças das trevas. Essa verdade desempenha algum papel na proclamação apostólica do Evangelho? Explique.
Descreva os problemas com o dualismo e o monismo filosóficos. Qual o equilíbrio bíblico entre a soberania de DEUS e a oposição de Satanás contra os propósitos de DEUS?
A demonologia elimina a responsabilidade humana? Por quê?
Os cristãos podem ser possuídos por demônios?
Os discernimentos humanos e científicos dos nossos pro­blemas têm algum lugar legítimo entre os crentes?
São legítimas as reivindicações e acusações de Satanás? Devem ser concedidos a ele direitos legítimos como deus desta era? Como a teoria do resgate tem apresentado incorretamente as reivindicações e direitos de Satanás?
Os entendimentos humanos e científicos dos nossos pro­blemas têm algum lugar legítimo entre os crentes?
Existe o fascínio com o demonismo na Igreja e na cultu­ra? O que está errado com isso? Qual o verdadeiro lugar da demonologia na teologia cristã?
 

Angelogia — a Doutrina dos anjos - Wagner Caby - Teologia Sistemática Pentecostal - CPAD

Angelologia é o tratado acerca dos anjos; é o estudo, a doutrina sobre os seres angelicais. Embora seja um estudo cativante, é também um dos mais difíceis da teologia sistemática. Karl Barth — teólogo protestante suíço liberal (1886-1968) que escreveu um extenso tratado sobre o assunto em apreço —, em sua obra Churcb Dogmatics, descreveu o tópico dos anjos como “o mais notável e difícil de todos”.
Há inúmeros registros de anjos nas páginas da Bíblia Sagrada. Não obstante, a descrição dos anjos é sucinta e objetiva nas Escrituras quanto a sua origem, identidade, natureza e ofícios. Basta verificarmos nos tratados de teologia siste­mática para constatarmos um espaço relativamente pequeno referente aos anjos se compararmos este assunto com as outras doutrinas fundamentais.
O teólogo, filósofo e monge dominicano Tomás de Aquino, nascido na Itália (1224-1274), conhecido como o doutor angélico, tentou fazer uma abordagem completa sobre os anjos, em 1215. Naquela época, milhares de pessoas queriam ouvir grandes professores. E o povo estava então grandemente interessado em anjos. Assim, em quinze palestras proferidas em uma semana, Aquino tentou transmitir tudo o que sabia sobre os anjos.
Mais tarde, as palestras de Aquino foram publicadas tornando-se a base de sua obra-prima Suma Teológica, a qual contém uma extensa exposição especulativa sobre os anjos. Ele tomou como base não apenas a Bíblia, mas também a cultura e a tradição religiosas de sua época, sob o argumento de que as Escrituras não respondem a muitas indagações sobre os anjos.
Temos de admitir que muitos fatos sobre os anjos não são claramente reve­lados nas Escrituras. Elas contêm o que precisamos saber de essencial sobre eles. Quando a Bíblia não detalha, devemos nos abster de especular. Deus não esquece de nada em sua Palavra. Evitemos, pois, ser intrometidos.
Como seres humanos, somos limitados no entendimento dos seres sobrena­turais ou celestiais. Nenhum cientista jamais ganhará um Prêmio Nobel por pes­quisa feita no âmbito dos anjos. Espíritos não podem ser pesados nem medidos. Aparelhos científicos não são aplicáveis ao estudo de seres celestiais. Métodos científicos aplicam-se a coisas terrenas, mas não a espirituais.
Por essa razão, precisamos tomar muito cuidado ao fazer deduções fun­damentadas apenas em experiências humanas, em torno de anjos. Sobre este assunto, a fonte de informação infalível é a Bíblia Sagrada, que tem muitíssimas referências a seres angelicais.
Ao pregar uma mensagem sobre anjos, o renomado pastor norte-ameri­cano Billy Graham, mostrou-se surpreso pela escassez de literatura existente sobre o assunto. Foi então que resolveu escrever o livro Anjos, Agentes Secretos de Deus, no ano de 1975. De lá para cá, o interesse pelo estudo dos anjos, aumentou extraordinariamente.
O PERIGO DO CULTO AOS ANJOS
O interesse por anjos em nossos tempos ocupam páginas das revistas internacio­nais mais lidas no mundo, bem como nos best-selkrs da literatura mundial. Na revista americana Time, edição de 27/12/1993, página 58, em sua reportagem de capa, está escrito: “Se existe algo semelhante a uma idéia universalmente aceita, comum às diversas culturas através dos séculos, a crença nos anjos é a que mais se aproxima disso”.
Essa citada revista semanal, chegou a destacar que dentre os dez livros mais lidos no segmento religioso, cinco versavam sobre anjos.
Em decorrência dessa “febre” atual de anjos, o enganoso e deturpado movi­mento religioso-filosófico Nova Era passou a explorar esse assunto, sendo como é, ocultista, disseminando suas heresias através da venda de livros, imagens de anjos, cursos, seminários e palestras sobre o assunto. A expressão “Os anjos estão voltando” é vista como mais um modismo da indústria esotérica que explora a crendice popular, ressuscitando velhas superstições populares.
Desde a década de 1960 um fenômeno hoje conhecido como “onda mística” vem crescendo. Primeiro como um movimento de contracultura, contestando os valores materialistas estabelecidos, e depois como uma busca pelo verdadeiro significado da existência humana. Influenciado pelas falsas filosofias e religiões orientais, este movimento cresceu em todo o mundo.
Kenneth Copeland — bem conhecido líder do movimento Confissão Positiva—, formado no Centro de Treinamento Bíblico Rhema, fundado por Kenneth Hagin, na cidade deTulsa, Oklahoma (Estados Unidos), afirmou: “quando você usa a Palavra de Deus em nome de Jesus, eles [os anjos] estão obrigados a seguir suas ordens”.
Glória Copeland chega a dizer que talvez haja um número de quarenta mil anjos designados para cada crente:
... não há escassez de poderio angelical (...) quanto tempo você acha que seria necessário para que eles o tornassem rico? (...) Suas palavras põem os anjos a trabalhar em seu favor para fazer realizar o que quer que você diga... as palavras de sua hoca os amarram ou libertam para que trabalhem para você.
Há uma mensagem de alerta na Palavra de Deus quanto aos espíritos enga­nadores, para a qual devemos sempre atentar: “Ora, o Espírito afirma expressa­mente que, nos últimos tempos apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (I Tm 4.1).
Infelizmente, o mundo deliberadamente ignora os tratados teólogicos de escritores compromissados com a Palavra de Deus acerca dos anjos. E o assunto vem sendo tratado por pessoas sem autoridade para tal. Será que aqueles que afirmam conhecer tão bem o mundo angelical possuem base bíblica e teológica ortodoxas sobre os anjos?
Vale salientar que a falta de informações corretas sobre os anjos deve-se a má formação cristã de muitos, como também ao desconhecimento da extensa doutrina bíblica acerca dos anjos.
Acerca disso Bruce Milne faz o seguinte comentário:
Ao contrário de seu passado, os cristãos de hoje praticamente ignoram os anjos de Deus. O anti-sobrenaturalismo moderno, a percepção dos perigos da curiosidade nesta área e o temor de introduzir mediadores entre Deus e os homens, além de Cristo, se combinaram para constranger-nos. Essa reserva não é também inteiramente contrária à Bíblia. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento relutam em dar proeminência a esses servos celestiais do Senhor, mesmo porque seria uma proeminência indevida. Mas o crescente interesse nos agentes espirituais negativos,
demoníacos e outros, e o fascínio popular pelas várias fantasias de ficção cientifica devem levar o cristão a meditar às vezes sobre os milhares e milhares de anjos, esses abençoados e radiosos cidadãos das hostes celestiais que, entre outras coisas, se ocupam de nossos interesses ÇHb 1.14; 12.22).
Quem são os anjos
Em hebraico, a palavra "anjo” é mal’ak; em grego, angelos. No grego clássico, o termo tinha o significado de “mensageiro”, razão pela qual os tradutores da Septuagmta utilizaram a palavra para verter o hebraico mal(e)ak ou mal’ak, cujo significado primário era o mesmo. Da forma latina angelus provém o termo por­tuguês “anjo”, do século XV, precedido de uma forma arcaica angeo. Angelologia, tratado sobre anjos, na linguagem teológica.
Angelos t usada poucas vezes no Novo Testamento para mensageiros humanos (Lc. 7.24; 9.52; Tg 2.25; Lc 9.52). Na maioria das vezes, a palavra refere-se aos mensageiros de Deus que habitam o céu e assistem em sua presença. Os anjos são, pois, segundo as Escrituras, uma ordem de seres sobrenaturais ou celestiais, cuja atividade é adorar a Deus e também servirem como mensageiros de Deus a favor do povo salvo (Hb 1.13,14).
A existência dos anjos. A Bíblia Sagrada revela a presença de anjos desde o seu início, no seu primeiro livro — Gênesis.
Havia, nos tempos do Novo Testamento, entre os judeus, alguns que não acreditavam na existência de anjos: “Pois os saduceus declaram não haver ressur­reição, nem anjo, nem espírito” (At 23.8a). Da mesma forma, nos dias hodiernos, há muitas pessoas que não somente duvidam, mas negam a existência dos anjos, principalmente os anjos decaídos que estão sob o domínio de Satanás.
Bendizei ao Senhor; anjos seus, magníficos em poder; que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra. Bendizei ao Senhor; todos os seus exércitos, vós, ministros seus, que executais o seu beneplácito (Sl 103.20,21).
O texto bíblico em apreço mostra que os anjos existem para servir a Deus de muitas maneiras:
Para ministrar em nome de Deus a favor dos santos.
Para fazer o que agrada a Deus (porque as hostes celestiais estão sob o seu comando).
Os anjos foram criados por Deus; por esta razão, não são eternos. Em Co- lossenses I.16, a Bíblia afirma com clareza que Jesus Cristo é o seu Criador. Ler Neemias 9.6. A palavra “anjo” aparece 292 vezes em 35 livros da Bíblia. O termo anjo, na Bíblia, é comum para qualquer mensageiro. Daí, somente no estudo do contexto é que se pode averiguar se a referência diz respeito a um mensageiro humano ou a um enviado angelical, por Deus.
Há também outros termos usados para designar os seres angelicais como querubins, serafins, espíritos ministradores, sentinelas, filhos de Deus, carros de Deus, santos, estrelas da alva, tronos, potestades, dominações, autoridades, exército dos céus, coros celestiais e milagres. Alguns eruditos incluem os 24 “anciãos” e os 4 “seres viventes”, de Ap 4.4,6,8,10 entre os seres angelicais.
Lewis Sperry Chafer, em sua Teologia Sistemática, ensina que os anjos como seres celestiais são mencionados nas Escrituras 108 vezes no Antigo Testamen­to, e 165, no Novo Testamento. Jesus deixou bem claro o fato da existência dos anjos bons, bem como dos anjos maus, enfatizando a existência de Satanás. Os cristãos primitivos criam na existência dos anjos, crença essa que acompanha a Igreja durante toda a sua história. Agostinho, Lutero, Calvino e outros teólogos de nomeada, não somente demonstraram a crença na existência dos anjos, como também a sustentaram e a defenderam.
A crença na existência e doutrina dos anjos está fundamentada na Bíblia Sa­grada, a suprema autoridade sobre o assunto, principalmente nos ensinamentos de Jesus e dos apóstolos.
A época da criação dos anjos. Antes da criação do mundo nada existia a não ser o próprio Deus. “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo I.I-3). O Verbo divino “é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele” (Cl I.I7).
Após o sexto dia da Criação, nenhuma nova criatura está revelada nas Escritu­ras. “Assim, os céus, e a terra, e todo o seu exército foram acabados. E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito” (Gn 2.1,2).
Não há como precisar a época exata em que os anjos foram por Deus criados, mas possivelmente isso se deu antes da criação do mundo. Tudo leva a crer que eles já existiam antes da fundação da terra e da criação do homem.
Onde estavas tu quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes? Ou quem estendeu sobre eh o cordel' Sobre que estão findadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos osfilhos de Deus rejubilavam? (Jó 38A-1).
As estrelas da alva (estrelas personificadas) e os filhos de Deus (anjos) são descritos como expressando imensa alegria pela grandeza da terra enquanto ob­servavam Deus construí-la. Eles estavam lá, mas Jó não estava (Comentário Bíblico Beacon, CPAD).
A rebelião dos anjos sob a liderança de Lúcifer ocorreu no céu (Is 14.12-15; Ez 28.12-19; 2 Pe 2.4; Jd v.6). Que os anjos não existem desde a eternidade é mostrado pelos versículos que falam de sua criação (Ne 9.6; SI 148.2,5; Cl I.16). O Salmo 148 afirma: “Louvai-o, todos os seus anjos... pois mandou Ele e logo foram criados”.
A NATUREZA DOS ANJOS
São criaturas. Os anjos não consistem meramente de forças físicas ou morais, mas são seres espirituais reais e distintos, mas imateriais e incorpóreos fisica­mente, criados por Deus (SI 148.2-5; Cl 1.16,17; I Pe 3.22). A Palavra de Deus menciona muitas vezes um inumerável exército de Deus constituído de anjos (SI 68.17; Mt 26.53; Hb 12.22; Ap 5.11).
O Catecismo Maior de Westminster nos diz o seguinte:
Deus criou todos os anjos, corno espíritos mortais, santos, excelentes em conhecimento, grandes em poder, para executar os seus mandamentos e louvarem o seu nome, todavia sujeitos a mudança.
Os anjos foram criados de uma única vez, simultaneamente (Cl I.16); são imutáveis, não podendo aumentar, nem diminuir o seu número, conforme de­clarou o Senhor Jesus: “... pois na ressurreição, nem se casam nem se dão em casamento; mas serão como os anjos no céu” (Mt 22.28-30). Em Lucas 20.36, Jesus ensinou que, uma vez criados, os seres celestiais jamais morrem.
Em razão dos anjos serem criaturas, não aceitam adoração (Ap 19.10; 22.8,9). A Bíblia Sagrada proíbe terminantemente que o homem os adore (Cl 2.18).
São incorpóreos fisicamente. A luz de Hebreus I.14 — “Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” —, os anjos são descritos como sendo espíritos. Eles não estão limitados às condições físicas e materiais, pois são capazes de aparecer e desaparecer, sem serem vistos, a qualquer momento, além de se movimentarem de forma extremamente rápida (Dn 9.21).
Que os anjos são incorpóreos está claro em Efésios 6.12: “a nossa luta não é contra a carne nem sangue, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (cf. SI 104.4; Hb 1.7,14; At 1912; Lc 7.21; 8.2; 11.26; Mt 8.16; 12.45). Os anjos não têm corpos materiais, “pois um espírito não tem carne e nem ossos” (Lc 24.39) e são invisíveis (Cl I.16).
Por serem espíritos sem corpo físico, os anjos não têm alma. Seu “corpo” é imaterial, espiritual.
Precisamente porque os anjos não são almas, mas apenas espíritos é que eles não podem possuir a mesma essência rica que o homem, cuja alma é o ponto de união em que se encontram o espírito e a natureza.2
Quanto à natureza e à corporeidade dos anjos, o Dr. William Cook afirmou:
E verdade que, no aparecimento dos anjos aos homens, eles assumiram uma forma humana visível. Este fato, entretanto, não prova a sua materialidade; pois os espíritos humanos no estado intermediário, embora desincorporados, têm em seu relacionamento com o corpo aparecido em forma humana material: como Moisés, no Monte da Transfiguração, também Elias foi reconhecido como homem; e os anciãos que apareceram e conversaram com João no Apocalipse, também tinham forma humana (Ap.5.5; 7.13).
Segundo o teólogo Charles Hodge, ficou decidido no Concilio de Nícéia, em 784, que os anjos possuíam corpos compostos de éter ou luz; opinião baseada em Mateus 28.3 e Lucas 2.9, além de outros textos que se referem à sua aparência luminosa, bem como à glória que os acompanha.
Já o Concilio Laterano, em 1215, decidiu que os anjos eram incorpóreos, decisão essa acatada pela Igreja, por bíblica. A Bíblia Sagrada, a inerrante Pa­lavra de Deus, silencia sobre a substância desses espíritos angélicos. Entretanto, apesar de serem seres espirituais, os anjos podem assumir forma humana que pode tocar as coisas, bem como ingerir alimentos sólidos como os três anjos que apareceram a Abraão (Gn 18.1-8).
Semelhante experiência teve Ló, seu sobrinho: “E vieram os dois anjos a Sodo- ma à tarde, e estava Ló assentado à porta de Sodoma; e vendo-os Ló, levantou-se ao seu encontro e inclmou-se com o rosto à terra... E porfiou com eles muito, e
vieram com ele, e entraram em sua casa; e fez-lhes banquete, e cozeu bolos sem levedura, e comeram...Aqueles homens porém estenderam as suas mãos e fizeram entrar a Ló consigo na casa, e fecharam a porta” (Gn I8.I-I0)
São imortais. Como espíritos puros (imateriais e incorpóreos), os anjos não estão sujeitos à morte. Jesus deixou claro que os anjos não morrem, ao ensinar aos saduceus que os santos serão semelhantes aos anjos, após a ressurreição.
E, respondendo Jesus, disse-lhes: Os filhos deste mundo casam-se, e dão-se em casamento; mas os que forem havidos por dignos de alcançar c mundo vindouro, e a ressurreição dos mortos, nem hão de casar; nem ser dados em casamento; porque, já não podem mais morrer; pois são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição (Lc 20.35-36).
São numerosos. A Bíblia Sagrada mostra que os anjos são inumeráveis. A Palavra de Deus sempre se refere a eles como sendo multidões.
São do doutor Arno Clemens Gaebelein estas palavras: “Quão vasto é o número deles, somente o sabe aquele cujo nome é “Jeová Sabaote”, o Senhor dos Exércitos”.
Tomás de Aquino afirmou:
Deve-se dizer, portanto, que os anjos, enquanto são substâncias imateriais, constituem uma multidão imensa, e superam toda multidão material. E o que diz Dionísio: “Multi sunt beati exercitus supernarium mentium materialium numerorum commensurationem”. (Os exércitos bem-aventurados dos espíritos celestes são numerosos, superando a medida pequena e restrita de nossos números materiais). E a razão disto é que tendo Deus a pe feição do universo como finalidade principal na criação, quanto mais pe feitas são algumas coisas, em tanta maior abundância Deus as criou/
Vejamos algo do testemunho bíblico acerca do número dos anjos:
Disse, pois: O Senhor veio do Sinai e lhes alvoreceu de Seir, resplandeceu desde o monte Parã; e veio das miríades de santos; à sua direita, havia para eles o fogo da lei (Dt 33.2).
Vi o Senhor assentado no seu trono, e todo o exército celestial em pé junto a ele, à sua direita e à sua esquerda (l Rs 22.19).
Acaso, têm número os seus exércitos? (Jó 25.3).
Os carros de Deus são miríades, milhares de milhares. O Senhor está no meio deles, como em Sinai, no santuário (Sl 68.1 7).
... e eis que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo em redor de Eliseu (2 Rs 6.17).
Um rio de jogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e milhões de milhões assistiam diante dele; assentou-se o juízo, e abriram-se os livros (Dn 7. Z 0).
Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos? (Mt 26.53).
Então, de repente, apareceu junto ao anjo grande multidão da milícia celestial, louvando a Deus... ÇLc 2.13).
Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos ÇHb 12.22).
Daí o apóstolo João admitiu ter visto junto ao trono de Deus, “milhões de milhões, e milhares de milhares” de anjos ao redor do trono (Ap 5.1 L).
São seres dotados de personalidade e inteligência. Os anjos são seres pessoais. E o que se depreende da leitura de Lucas I.19, que diz: “Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus”. O texto mostra claramente que este anjo tmha plena consciência de sua existência e de sua personalidade.
Os anjos são também seres emotivos (Jó 38.7). Possuem inestimável conhe­cimento e sabedoria (2 Sm 14.20) e, apesar de serem espíritos, são racionais; prestam adoração inteligente (SI 148.2); contemplam a face de Deus com enten­dimento (Mt 18.10); são conscientes de suas limitações (Mt 24.36); alegram-se quando um pecador se arrepende de seus pecados (Lc 15.10); têm ciência de sua inferioridade em relação a Cristo, o Filho de Deus (Hb 1.4-14); anelam perscrutar as coisas do Reino de Cristo (I Pe 1.12).
Além disso, são mansos, não retêm ressentimentos pessoais, nem injuriam seus opositores (2 Pe 2.11); são reverentes: a atividade mais elevada executada por eles é a adoração a Deus (Ap 7.11); são santos (Ap.I4.I0) e leais; apesar da rebelião que houve nos céus, os anjos eleitos permaneceram fiéis ao Senhor. Quanto à sua inteligência, leia ainda Daniel 10.14 e Apocalipse 17.7.
Em sua Teologia Elementar, Bancroft assevera:
Sem dúvida, os anjosforam criados espíritos inteligentes, cujo conhecimento teve início em sua origem, continuando a se ampliar até os nossos dias. As oportunidades de observação que os anjos têm, e as muitas experiências que, nesse sentido, conjorme podemos supor; devem ter tido, juntamente com as revelações diretas da parte de Deus, devem ter-se adicionado grandemente ao acúmulo da sua inteligência original.
Além de elevada sabedoria e inteligência, os anjos têm vontade própria e poder de decisão:
Como caíste desde o céu, o estrela da tnatikã, filka da alva! Como foste cortado por terra, tu que dcbilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no mente da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo (Is 14.12-14).
E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia (jd v.6).
Apesar da sua extraordinária inteligência, os anjos não possuem onisciência, atributo exclusivo de Deus. Eles não conhecem os pensamentos dos corações, pois esse conhecimento é próprio, exclusivo de Deus, como diz o profeta Jere­mias: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração” (Jr 17.9,10).
São poderosos. Os anjos têm elevado poder, conforme as palavras de Davi: “Ben­dizei ao Senhor, vós anjos seus, poderosos em força, que cumpris as suas ordens” (SI 103.20; 2Pe 2.11; Gn 19.10-13,24,25; Lm 4.6). Na Bíblia Sagrada, os anjos são chamados de “os poderosos” e “os poderosos de Deus”.
Esses seres celestiais, como já adiantamos, deslocam-se com espantosa velocidade, podendo se transportar dos Céus à Terra instantaneamente: “Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?” (Mt 26.53).
A Palavra de Deus ensina que os anjos são seres sobre-humanos criados superiores aos homens:
Que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites? Contudo, pouco menor o fzeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste (Sl 8.4,5).
Tu o fzeste um pouco menor do que os anjos, de glória e de honra o coroaste, e o constituístes sobre as obras das tuas mãos ÍHb 2. 7).
Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder; não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor (2 Pe 2.11).
O Antigo Testamento destaca pelo menos três ações poderosíssimas dos anjos em relação à proteção e a preservação do povo de Deus. Com relação ao castigo de Davi, um anjo destruiu setenta mil pessoas em Israel em três dias (2 Sm 24.15,16). Numa única noite, um só anjo destruiu 185.000 soldados do exército do orgulhoso rei da Assíria (2 Rs 19.35,36). Na luta que requereu muita resistência espiritual,
Daniel foi consolado e confortado pelo anjo que lhe apareceu, o qual lhe revelou que o arcanjo Miguel veio ajudá-lo (Dn 10.12,13).
No Novo Testamento mencionam-se ações extraordinárias de manifestação de poder dos anjos: na ressurreição de Cristo (Mt 28.2), na libertação dos apóstolos Pedro e João da prisão (At 5.19,20) e na futura prisão de Satanás (Ap 20.1-3).
Além de dotados de poder, constituindo o exército de Deus, uma hoste de heróis poderosos, está sempre pronta para fazer o que o Senhor mandar (SI 103.20; Cl 1.16; Ef I.2I; 3.10; Hb 1.14) enquanto que os anjos maus são o exército de Satanás, empenhados em destruir a obra do Senhor (Lc 11.21; 2Ts 2.9; I Pe 5.8).
Categorias de anjos
Da tradição pós-bíblica popular e também da rabínica entre os judeus, e dos comentários da Patrística, surgem idéias contrastantes quanto à hierarquia entre os anjos. Fala-se de nove grupos, resultantes das cinco classes citadas pelo apóstolo Paulo: principado, poder, potestade, domínio e trono (Ef 1.21; Cl 1. 16) e mais os anjos, arcanjos,4 querubins e serafins.
Segundo a tradição, foi Cirilo de Jerusalém o primeiro a introduzir essa concepção da Angelologia na teologia cristã do Oriente, seguida, no Oci­dente, por Gregório Magno.
Quando a Bíblia Sagrada se refere a principados (Ef 3.10), potestades Cl
, tronos (Cl 1.16) e domínios (Ef 1.21; Cl I.I6), não alude a espécies de anjos, mas à diversificação dos níveis de autoridade exercida pelos seres angelicais. Neste particular, optamos pela dtvisão clássica dos doutos pentecostais.
Anjos. São seres espirituais criados, dotados de apurado juízo moral e alta inteligência, porém desprovidos de corpos físicos (SI 103.20; FJb 2.20; Mt 28.2; SI 8.5). A Bíblia Sagrada somente menciona especificamente o nome de três anjos: Miguel, Gabriel e Lúcifer — este último com a ressalva de que por causa de seu terrível e inominável pecado de rebelião contra Deus, tornou-se Satanás. Sobre ele discorreremos ao tratarmos da demonologia.
Gabriel, cujo nome quer dizer “homem de Deus” ou “herói de Deus”. Signifi­ca, também, “o poderoso”, evidenciando o que o nome sugere. A Palavra de Deus não menciona Gabriel como arcanjo. Ele aparece nas Sagradas Escrituras quatro vezes, como porta-voz de Deus ou como revelador do propósito divino.
A primeira menção a Gabriel encontra-se registrada em Daniel 8.15-27, em que ele fala ao profeta Daniel a respeito do fim dos tempos. A segunda, diz respeito à grandiosa revelação escatológica (as setenta semanas proféticas concernentes
a Israel, em Dn 9). A terceira, trata do seu aparecimento ao sacerdote Zacarias, anunciando o nascimento de João Batista: “Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado a falar-te estas alegres novas” (Lc I.I9). A quarta, ocupa-se do anúncio do nascimento de Jesus a Maria: “No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem... a virgem chamava-se Mana” (Lc 1.26,27).
Arcanjo. A palavra “arcanjo” (gr. archangelos'') significa “anjo principal”. O prefixo “arch” sugere tratar-se de um anjo chefe, principal ou poderoso. Na Bíblia Sagrada, mais precisamente em Judas v.9 e I Tessalonicenses 4.16, aparece a menção de apenas um arcanjo: Miguel. Seu nome em hebraico significa: “Quem é como Deus?”, talvez para representar uma resposta a Lúcifer, cujo coração se elevou dizendo: “Serei se­melhante ao Altíssimo” (Is 14.14). Assim, Miguel, acrescido do vocábulo “arcanjo” (Jd v. 9), denota que nenhum ser criado pode ser “semelhante a Deus”.
Nas Escrituras, Miguel é descrito como: o arcanjo (Jd v.9); o líder das hostes angélicas no conflito com Satanás e os seus anjos maus (Ap 12.7); um dos pri­meiros príncipes (Dn 10.13); “vosso Príncipe” (Dn 10.21); e o grande príncipe, “defensor dos filhos do teu povo” (Dn I2.I).
Querubins. Querubim origina-se do hebraico kerub, cujo significado é “guardar”, “cobrir”. Parece que os querubins constituem uma categoria amda mais elevada de anjos relacionados com os propósitos retributivos e redentores de Deus para com o homem (Gn 3.24; Êx 25.22). No hebraico, querubim é um vocábulo cor­relato com um verbo acadiano que significa “bendizer”, “louvar”, “adorar”. Os querubins estão diretamente ligados à santidade de Deus e à sua adoração (Êx 25.20,22; 26.31; Nm 7.89; 2 Sm 6.2; I Rs 6.29,32; 7.29; 2 Rs 19.15; I Cr 13.6; SI 80.1; 99.1; Is 37.16; Ez 1.5-26; 9.3; 10.1-22; 11.22).
Myer Pearlman, ao mencionar que os querubins são descritos como tendo rostos de leão, de homem, de boi e de águia, afirmou: “isto sugere que representam uma perfeição de criaturas — força de leão, inteligência de homem, rapidez de águia, e serviço semelhante ao que o boi presta”.8 Tal simbolismo relaciona-os imediatamente com as criaturas viventes da visão de João (Ap.4.6-5.I4).
Na Bíblia de referências e anotações do doutor C.I. Scofield, encontramos o seguinte comentário, em uma nota sobre Ezequiel 1.5:
As “criaturas viventes” são idênticas aos querubins. O assunto ê um tanto obscuro, mas da posição dos querubins junto ao portão do Éden, sobre a cobertura da arca da aliança e em Apocalipse 4, concluímos que eles têm a ver com a vindicação da santidade de Deus contra o orgulho presunçoso do homem pecador; “para que não estenda a mão e tome também da árvore da vida” (Gn.3.22-24), apesar do seu pecado. Sobre a arca ia aliança, que ê da mesma essência do propiciatório•, eles viam o sangue aspergido que falava, um tipo da perfeita manutenção da justiça divina pelo sacrifício de Cristo (Êx.25.1 7-20; Rm.3.24-26).
As criaturas viventes (ou querubins) parecem ser seres reais da ordem angélica.
Os querubins ou seres viventes não são idênticos aos serafns (Is.6.2-7). Aqueles parecem relacionar-se com a santidade de Deus ultrajada pelo pecado, os serafns, com a impureza do povo de Deus. A passagem de Ezequíel é altamente figurativa, mas o efeito foi a revelação da glória Shequiná do Senhor ao profeta. Tais revelações estão invariavelmente ligadas com novas bênçãos e serviços.
Os querubins receberam a missão de guardar a entrada do jardim do Eden, como guardiães da santidade de Deus (Gn 3.24). As Sagradas Escrituras dizem que Deus está entronizado acima dos querubins, ou que Ele viaja com os querubins (SI 18.10; Ez 10.1-22). Havia dois querubins de ouro sobre a arca da aliança, com suas asas estendidas sobre a arca. “Ali, virei a ti e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho, falarei contigo acerca de tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel” (Ex 25.22; cf. w. 18-21).
Serafins. O vocábulo “serafim” origina-se da raiz hebraica sarap, que quer dizer: “ardentes”, devido o fogo; fogo do Senhor. Os serafins são mencionados somente em Isaías 6.2-7. Pouco se sabe acerca desses elevados seres angelicais. Acredita-se que constituem a ordem mais elevada de anjos e que a característica que os distingue é um flamejante amor a Deus. No texto em apreço, aparecem acima do trono do Senhor, clamando e proclamando os atributos da santidade do Senhor dos Exércitos.
No Comentário Bíblico Beacon, editado pela CPAD, lê-se a seguinte explicação a respeito dos serafins:
Além dos seus rostos epés reverentemente cobertos, as asas e vozes dos serafins estavam em perfeita prontidão para cumprir a sua missão e cantar em um antfônico coro a sua tríplice expressão de santidade ao Senhor dos Exércitos. O padrão de serviço deles é reverência, prontidão e júbilo; e é o que mais apropriadamente condiz com Aquele cujo “majestoso esplendor enche toda a terra!” (Moffat). Não ê de estranhar que os fundamentos dos umbrais das portas do Templo se moviam e começavam a encher-se com a fumaça da Shekinah celestial!
Seres viventes. Seres viventes é um título que, tudo indica, representa esses anjos, manifestando a plenitude da vida divina, sua atividade incessante e permanente participação na adoração a Deus. Para alguns eruditos, como já vimos, os seres viventes que circundam o trono de Deus, citados em Ezequiel 1.5-14 e Apocalipse 4.6-8, são identificados como querubins (Ez 10.20).
Wayne Grudem declarou:
Com os seus semblantes de leão, boi, homem e águia, representam os seres mais poderosos de partes diversas de toda a criação divina [animais selvagens, animais domesticados, seres humanos e pássaros] e adoram a Deus continuamente: “Não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo ê o Senhor Deus, o Todo Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir” ÍAp 4.8)7
Anjos das nações. Em sua classificação dos anjos, o escritor Mver Pearman inclui os anjos das nações. Baseando-se em Daniel 10.13,20, ensina que cada nação tem seu anjo protetor, o qual se empenha pelo bem-estar dela. O referido autor assim se expressou:
Era tempo de os judeus regressarem do cativeiro (Dn 9.1,2), e Daniel se dedicou a orar e a jejuar pela sua volta. Depois de três semanas, um anjo apareceu-lhe e deu como razão da demora o fato de que o príncipe, ou anjo da Pérsia, havia-se oposto ao retorno dos judeus. A razão talvezfosse por não desejar perder a influência deles na Pérsia. O anjo lhe disse que a sua petição para o regresso dos judeus não tinha apoio a não ser o de Miguel, o príncipe da nação hebraica ÇDn 10.21). O príncipe dos gregos também não estava inclinado a favorecer a volta dos judeus ÇDn 10.20). A palavra do Novo Testamento “principados” pode referir-se a esses príncipes angélicos das nações; e o termo é usado tanto para os anjos bons como para os maus (Ef 3.10; Cl 2.15; Ef 6.12).w
Anjos eleitos. Todos os anjos foram criados igualmente bons e santos. No princípio, todos os anjos estavam em estado de liberdade portanto, de provação. Muitos deles pecaram e, por essa razão, “Deus não poupou a anjos quando pecaram” (2 Pe 2.4). Os demais não pecaram, mas guardaram o seu estado original em que foram criados. Por isso, eles “agora estão confirmados em sua santidade, são incapazes de pecar; são anjos santos (Mt 25.31) e fruem eterna alegria e comunhão com Deus (Mt 18.10), o que devem exclusivamente à bondade de Deus”.11
A Bíblia Sagrada se refere a esses anjos bons como eleitos: “Conjuro-te, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, e dos anjos eleitos, que, sem preven­ção, guardes estas coisas, nada fazendo por parcialidade” (I Tm 5.21). Segundo Pearlman, os anjos eleitos são certamente aqueles que, em seu estado probatório, permaneceram fiéis a Deus, na rebelião de Satanás.
Anjos com designações específicas. Existem anjos que somente são conhecidos através do serviço que realizam. Vejamos alguns deles:
Anjos de juízo (Gn 19.13; 2 Sm 24.16; 2 Rs 19.35; SI 78.49; Ez 9.1,5,7).
Anjo destruidor (1 Cr 21.15).
Anjo vigilante (Dn 4.12,23).
Anjo do Concerto (Ml 3.1).
Anjo da cura (?) (Jo 5.1-4).
Anjo das águas (Ap 16.5).
Anjos do vento (Ap 7.1).
Os sete anjos (Ap 8.2).
Anjo do abismo (Ap 9.11).
Anjo do Senhor. Em muitos textos dos primeiros livros da Bíblia a proteção de YHWH (Jeová ou Javé) em favor de Israel é personificada na expressão “Anjo de Jeová” (Gn.I6.7-I4; 18.2; 21.17-19; 22.11-14; 3I.II-I3; Êx.3.2-6). Este anjo, que algumas vezes aparece como “o Anjo de Deus” ou como “o meu anjo’, é representado como um ser celestial enviado por Deus para tratar com os homens como seu agente pessoal e porta-voz.
A expressão “Anjo do Senhor” é mencionada na Bíblia Sagrada mais de cin­qüenta vezes no Antigo Testamento. Em algumas passagens, a expressão aponta apenas para algum ser angelical, criado. Em outras citações trata-se da presença pessoal de Jeová. As vezes, a expressão “Anjo do Senhor” trata-se de um anjo peculiar, agindo e falando como representante de Deus.
Em um bom número de citações bíblicas “o anjo do Senhor” fala como o próprio Deus, na primeira pessoa do singular. Vejamos alguns exemplos. Ele primeiro apareceu a Agar (Gn 16.7; 21.17). Outros aparecimentos incluíram pessoas como Abraão (Gn 22.11,15), Jacó (Gn 31.11-13), Moisés (Ex 3.2), todos os israelitas durante o êxodo (Ex 14.19). Mais tarde, apareceu em Boquim (Jz 2.1,4); a Balaão (Nm 22.22-36); a Josué (Js 5.13-15), como o príncipe do exército do Senhor; a esposa de Manoá, pai de Sansão (Jz 13.2-22); a Gideão (Jz 6. II); a Davi (I Cr 21.16); a Elias (2 Rs 1.3,4); a Daniel (Dn 6.22) e a José (Mt 1.20; 2.13). '
A maneira pela qual esse Anjo do Senhor é descrito distingue-o de qualquer outro. A ele é atribuído o poder de perdoar ou reter pecados (Ex 23.20-23). Duas coisas sumamente importantes são ditas acerca dEle: primeiro, que o nome do Senhor está nEle (Ex 23.20-23); segundo, que Ele é o rosto do Senhor, isto é,
o rosto do Senhor pode ser visto nEle (Êx 32.34; 33.14). Por isso, tem o poder de salvar (Is 63.9) e de recusar o perdão (Ex 23.21).
Pearlman afirmou:
Não se pode evitar a conclusão de que este anjo misterioso não é outro senão o Fílbo de Deus, o Messias, o Libertador de Israel, e o que seria o salvador do mundo. Portanto, o Anjo do Senhor é realmente um ser incriado.12
Tudo mdica que “Anjo do Senhor” é a expressão usada no Antigo Tes­tamento para designar o próprio Cristo em várias de suas manifestações (ou teofonias) antes da sua encarnação.
Teofama (gr. theophanía) é uma palavra composta pelos vocábulos theos e phainei (“aparecer”), referente a alguma manifestação visível de Deus, na forma como Ele quiser. Como termo teológico, indica qualquer manifestação tem­porária e normalmente visível de Deus. Deve ser distinguida da manifestação divina permanente, em Jesus Cristo, chamada encarnação. Quase todos os casos de teofania encontram-se no Antigo Testamento.
No estudo doutrinário “Os Anjos e o Anjo do Senhor”, na Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD), encontramos uma explanação que amplia o conhecimento do assunto em andamento:
Em Juizes 2.1, o anjo do Senhor diz: Do Egito Eu vos fiz subir, e Eu vos trouxe à terra que a vossos pais Eu tinha jurado, e Eu disse: Eu nunca invalidarei o meu concerto convosco (o grifo dos pronomes foi acrescentado). Comparada esta passagem com outras que descrevem o mesmo evento, verifica- se que eram atos do Senhor, o Deus do concerto dos israelitas. Foi ele quem jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó que daria aos seus descendentes a terra de Canaã (Gn 13.14-17; 17.8; 26.2-4; 28.13); Ele jurou que esse concerto seria eterno (Gn 17.7), Ele tirou os israelitas do Egito (Ex 20.1,2) e Ele os levou à terra prometida (Js 1.1,2).
Quando o anjo do Senhor apareceu a Josué, este se prostrou e o adorou (Js 5.14). Essa atitude tem levado muitos a crer que esse anjo era uma mani­festação do próprio Senhor Deus; do contrário, o anjo teria proibido Josué de adorá-lo (Ap 19.10; 22.8,9).
Amda mais explicitamente, o anjo do Senhor que apareceu a Moisés na sarça ardente disse, em linguagem bem clara: “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó” (Êx 3.6; ver Gn 16.7 nota; Êx 3.2 nota).
Outras categorias
Anjo da Igreja. Não há entre os comentadores da Bíblia uma uniforme com­preensão da expressão “as sete estrelas são os anjos das sete igrejas”, ditas por Jesus ao apóstolo João em Apocalipse 1.20. Alguns eruditos, como Orígenes de Alexandria, afirmam que esses anjos eram seres angelicais designados para pro­teger as igrejas, fundamentando essa assertiva em Daniel 10.13 e 12.1. Outros entendem explicar que se tratava de homens enviados pelas sete igrejas para se informarem do estado de saúde do apóstolo João, agora bastante idoso, e con­duzirem às igrejas mencionadas o livro citado em I.II.
... cada carta está endereçada a um leitor humano (“anjoque traduzido do grego também significa “mensageiro”) da congregação local. Seres realmente angelicais, como poderíamos supor, não precisariam de uma carta que os informasse a respeito da vontade de Deus!13
Considerando que há repreensões e censuras nas referidas cartas, estas não devem ter sido remetidas a anjos.
Stanley M. Horton comentou:
... desde que os pastores são os ensinadores do rebanho, eles é quem eram os responsáveis pela leitura do livro em voz alta à igreja (Ap 1.3).14
Assim sendo, os “anjos das sete igrejas” refere-se aos pastores responsáveis perante Deus pelas igrejas locais: “Escreve ao anjo da igreja que está em Efeso” (Ap 2.1); “E ao anjo da igreja que está em Esmirna escreve” (Ap 2.8); “E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve” (Ap 2.12); “E ao anjo da igreja de Tiatira escreve” (Ap 2.18); “E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve” (Ap 3.1); “E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve” (Ap 3.7); “E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve” (Ap 3.14).
Anjo da Guarda. Muitos perguntam se cada ser humano tem um anjo da guarda; isto é, um anjo pessoal que os guarda. A Bíblia Sagrada declara que Deus envia anjos para nos proteger: “Aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra” (SI 91.11,12). Estes versículos foram citados por Satanás na ocasião em que ele tentou Jesus no deserto (Mt 4.6; Lc 4.10,11). Ler também SI 34.7; Mt 18.10; Hb I.I4.
Na Bíblia de Estudo Plenitude, num comentário de Salmos 92.11,12, intitulado Anjos da guarda cuidam de nós, está escrito:
Cada um de nós tem os seus próprios anjos da guarda. O Dr, Billy Graham, observando o plural neste texto, concluiu que cada crente deve ter no mínimo dois anjos designados a protegê-lo. O Sl 9 1.4, fala de Deus “cobrindo-nos com as suas penas” e menciona que estamos sob suas “asas” Visto que Deus não tem penas ou asas, alguns sugerem que essas penas e asas se referem às asas de nossos anjos da guarda, os quais para nos proteger, nos encobrem para que não caíamos, nos percamos ou tropecemos para dentro de perigos desconhecidos no campo espiritual invisível.
Anjos Alados. A arte medieval partindo da narrativa de Daniel 9.21, que descreve um anjo “voando rapidamente”, passou a pintar e esculpir asas em todos os seres angelicais. Daí, na Igreja Romana os seres angelicais são quase sempre representados com asas, refletindo essa influência da arte temporal. No paganismo greco-romano, seus deuses são retratados com asas.
Hermes tinha asas nos calcanhares. Eros, o espírito voador da paixão sensual, tinha asas afixadas nos ombros. Os romanos criaram o Cupido, o deus do amor erótico, retratado como um garoto hilariante, de asas, que atirava flechas invisíveis para motivar romances.
Deus diretamente, deu prescrições a Moisés, no deserto, para que os dois querubins de ouro sobre a arca, no Tabernáculo, tivessem asas (Êx 25.1,20). Moisés assim procedeu (Ex 37.9).
Salomão fez para o suntuoso Templo de Deus em Jerusalém, querubins escul­pidos em madeira, recobertos de ouro, com asas (I Rs 6.24,27; 8.6,7). Salomão assim fez, conforme instruções de Davi, seu pai, que as recebeu do Senhor (I Cr 18.18,19; 2 Cr 3.I0-I3).
Em Isaías 6.2,6, serafins (outra classe de seres celestiais) são pelo profeta Isaías vistos perante o trono de Deus, com asas e voando.
Em Ezequiel, caps. I e 3, aquele profeta teve “visões de Deus” (I.I), e viu seres viventes sobrenaturais dotados de asas (1.6,24,25; 3.13).
Em Ezequiel 10.5, o mesmo profeta, noutra visão viu querubins dotados de asas (10.1,5,12,16; 11.22), identificando-os com os seres viventes vistos no capítulo I (10.15,20).
Alguns teólogos deduzem que as crianças possuem anjos pessoais da guarda, considerando as palavras de Jesus sobre as criancinhas: “... os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus” (Mt 18.10). Entretanto, este texto indica que os anjos velam pelo bem-estar das crianças, mas o referido texto não assegura que cada criança, ou cada crente, possua o seu anjo particular da guarda.
Alguns afirmam que o pensamento dos discípulos em Atos 12.15, de que era o anjo de Pedro quem batia à porta, é uma evidência de anjos pessoais da guarda. Mas Charles Hodge comenta que o fato de a criada ter dito que se tratava de um fantasma prova a superstição popular de então acerca dessa questão: “A lin­guagem registrada não é a de uma pessoa inspirada, mas de uma serva destituída de instrução, e não pode ser tomada como de autoridade didática. Apenas prova que os judeus daqueles tempos criam em aparições espirituais”.
Filhos de Deus. Em Gênesis 6.1,2 está escrito:
E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sohre a face da terra, e lhes nasceram f lhas, viram os flhos de Deus que as flhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.
Tem havido discussões inúteis sobre a expressão “filhos de Deus” em Gênesis 6.2 como sendo anjos. Talvez isso proceda da especulação rabínica em afirmar que o fíreferido texto refere-se a anjos, o que não tem respaldo bíblico.
Dentre os muitos notáveis comentadores que tratam do assunto, menciono Gleason L. Archer:
A idéia de seres humanos incomuns, dotados de estatura gigantesca terem resultado desses casamentos não se baseia em nenhuma evidência de paternidade angelical. Ninguém declara que os flhos deAnaque, de Colias e de seus irmãos tinham ligação com os anjos por causa de sua grande estatura; tampouco há razões para que possamos supor que os gigantes antediluvianos tinham ascendência angélica.
O que Gênesis 6.1,2,4 registra é a primeira ocorrência de casamento misto entre crentes e incrédulos, dando o resultado característico de tais uniões: total falta de testemunho do Senhor e pleno desprezo pelos padrões morais. Em outras palavras, os “flhos de Deus” desta passagem eram descendentes da linhagem piedosa de Sete. Em vez de permanecerem féis ao Senhor e leais à sua herança espiritual, permitiram-se a si mesmos serem tentados e seduzidos pela beleza de mulheres ímpias, as “flhas dos homens” — a saber, as seguidoras da tradição e do exemplo de Caim.
O resultado natural desses casamentos foi a depravação da natureza humana, no tocante às gerações mais jovens, até que as civilizações antediluvianas se afundaram nas profundezas da iniqüidade e perversão. “Viu o Senhor que a
maldade do homem se havia multiplicado na terra, e que era continuamente mau todo o desígnio do seu coração” (v.5j.O resultado inevitável foi o julgamento, a terrível destruição pelo Dilúvio.1'
A teoria de que os “filhos de Deus” de Gênesis 6.2 eram anjos se desfaz quando confrontada com o ensino de Jesus, de que os anjos não casam (Mt 22.30; Mc 12.25).
Anjos caídos. Há quem admita que os anjos caídos foram criados por Deus nesse estado, ou que eles se rebelaram porque Deus assim quis. Essas idéias são blasfemas; idéias de desvairados e desviados da doutrina bíblica. Deus nem os criou nem preordenou que os tais se rebelassem (Dt 32.4; SI 145.17). Os anjos caídos foram criados perfeitos, mas, tendo dado ouvidos a Satanás, rebelaram-se contra o domínio e a autoridade de Deus.
Num remoto passado, ocorreu essa rebelião entre os seres angelicais encabe­çada por Lúcifer, o querubim ungido, nos lugares elevados (Jó 4.18; Mt 25.41;
Pe 2.4; Ap 12.4).
De acordo com Koehler, esses anjos foram condenados para sempre, sendo guardados sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do Grande Dia (Jd v.6). “Não há redenção para eles. Nenhuma promessa de graça a eles se aplica. Ne­nhum evangelho é pregado a eles. Jamais retornarão à comunhão com Deus, pois ‘fogo eterno’ foi preparado para o diabo e seus anjos (Mt 25.41)”. Exammar aqui, Hebreus 2.16 ARA e NVI.
Caráter dos anjos
Quanto ao caráter moral dos anjos, a descrição dada por Pearlman, amda que de forma sintética, mas didática, nos provê um ensino resumido, mas satisfatório da natureza e caráter dos anjos.
Os anjos são obedientes. Eles cumprem os seus encargos sem questionar ou vacilar. Por isso oramos: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10; SI 103.20; Jd v.6; I Pe 3.22). '
Os anjos são reverentes. Sua atividade mais elevada é a adoração a Deus (Ne 9.6; Fp 2.9-11;Hb 1.6).
Os anjos são sábios. “Como um anjo... para discernir o bem do mal” (2 Sm
. A inteligência dos anjos excede a dos homens nesta vida, porém é evidentemente finita. Os anjos não podem diretamente discernir os nossos pensamentos (I Rs 8.39) e os seus conhecimentos dos mistérios da graça são limitados (I Pe 1. 12).
Como diz certo escritor, “A capacidade intelectual dum anjo é vastíssima em relação a nossa; uma só imagem na mente angelical contempla mais detalhes do que uma vida toda de estudos poderia proporcionar aqui”.
Os anjos são mansos. Não abrigam ressentimentos pessoais, nem injuriam os seus opositores (2 Pe 2.11; Jd v.9).
Os anjos são poderosos. São “magníficos em poder” (SI 103.20).
Os anjos são santos. Sendo separados por Deus e para Deus, são “santos anjos”
(Ap 14.10).
Ministério dos anjos
A Bíblia Sagrada ensina que os anjos estão em torno de Cristo e sempre prontos a cumprir qualquer missão para a qual forem designados (IPe 3.22). Como agentes de Deus, como seus mensageiros, e ainda, como servos de Deus, eles exercem um ministério de grande relevância nos desígnios divinos. Passaremos em revista, algumas de suas missões;
Glorificam diretamente a Deus. Em Apocalipse 4.8-II, vislumbramos os quatro seres viventes os quais provavelmente representam a totalidade da criação vivente, em adoração incessante, exaltando e louvando a santidade de Deus.
Os anjos glorificam a Deus pelo que Ele é em si, pela sua excelência (Jó 38.7; SI 103.20; 148.2; Is 6.2,3; Lc 2.13,14; Hb 1.6; Ap 4.8;).
Entre os seres humanos, facilmente subestima-se a importância da adoração. Na acepção divina, é a atividade mais importante diante de Deus. Na Terra, com muita freqüência, a adoração a Deus “em espírito e em verdade” é algo que Robert Webber chama de “a jóia esquecida”.
Os anjos executam desígnios de Deus. Deus governa sobre toda a criação. Os anjos são mensageiros para executar a sua vontade e as suas ordens, segundo o seu querer e propósitos (SI 103.19-22).
Os Anjos regozijam-se quando um pecador se arrepende. “Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.10).
Os anjos são exemplos para nós. Eles nos dão grandes exemplos quanto à sua obediência e adoração, exemplos esses que devemos imitar (Mt 6.10; Is 6.3; Ap 5.11,12).
Eles cumprem as determinações de Deus. Dando ouvidos à voz de sua palavra (SI
. Os anjos estão nas mãos de Deus e exercem sua vontade; Ele os usa de modo semelhante aos ventos e ao relâmpago (Hb 1.7; SI 104.4).
Os anjos encorajam Nos momentos mais difíceis da nossa vida, em épocas de dor, de sofrimento, de provação e de perigo, os anjos estão ao nosso lado, provendo-nos consolo e estímulo de diferentes maneiras. Em Atos 27.23,24, um anjo assegurou a Paulo que este seria preservado com vida na acidentada viagem em curso, a fim de que pudesse ensinar e pregar em Roma.
Os anjos estão conosco na hora da morte. Jesus ensinou que, na hora da morte, os anjos levam os servos de Deus para o Céu (Lc 16.22).
Duas outras missões capitais dos anjos: adoram a Deus (Jó 38.7; Is 6.3; SI 103.20; 148.2; Ap 5.11) e servem aos santos (Gn 18.9,10; Êx 14.19,20; SI 34.7; 91.11; Mt 1.20; 2.13; 24.31; Lc 1.11-38; 2.8-15; At 10.3-5; Hb I.I4; Ap 17.7).

Quem é Satanás - Veja próxima Lição 4 -
.
Onde podemos encontrar informações sobre os anjos?
Qual é o perigo da fascinação pelos anjos?
Quem são os anjos?
Assinale a alternativa errada:
Os saduceus acreditavam em anjos.
Os saduceus não acreditavam em anjos.
Os saduceus não só acreditavam nos anjos como também na ressurreição.
Os saduceus só acreditavam nos anjos, e não na ressurreição.
Nenhuma das anteriores.
Qual é o título da mais brilhante especulação sobre os anjos já escrita, e que é o seu autor?
De acordo com Lewis Sperry Chafer, os anjos são mencionados mais de cem vezes no Antigo Testamento, e mais de 160, no Novo. Cite pelo menos dez passagens de cada Testamento em que os seres angelicais aparecem.
Quando os anjos foram criados?
Quais são as categorias angelicais mencionadas nas Escrituras?
O que a Palavra de Deus diz sobre arcanjos? Existe uma classe es­pecífica de arcanjos? Quantos arcanjos existem? Qual é o nome de cada um deles, segundo as Escrituras?
Faça um comentário sobre querubins e serafins. Defina essas duas categorias, relacionando as suas possíveis semelhanças e principal­mente as suas diferenças.
Cite pelo menos três designações específicas dos anjos, incluindo para cada uma delas referências bíblicas.
A expressão bíblica “anjo do Senhor” refere-se a quem, na maioria das suas ocorrências? Explique a sua resposta.
Na Bíblia há referências a anjos da guarda? Por quê?
 
 
SUBSÍDIOS DA REVISTA CPAD - 1 TRIMESTRE DE 2019
 
SUBSÍDIO DIDÁTICO - PEDAGÓGICO
Quem são os anjos? O que eles fazem? Essas perguntas podem ser elaboradas na lousa ou em um slide, ou ainda, em um retroprojetor. Iniciar a aula fazendo essas perguntas, levando os alunos à reflexão acerca da identidade das criaturas espirituais que eles conhecem desde a infância. É possível que haja na classe pessoas que ouviram sobre a existência de anjos em outras tradições religiosas, mas nunca tiveram a oportunidade de refletirem de maneira madura sobre o que a Bíblia diz a respeito deles. Esta é uma grande oportunidade de apresentar o que as Escrituras dizem a respeito desses seres espirituais.
Aproveite também para mostrar a herança da palavra portuguesa “anjo” pela palavra latina “angelus”. Mostre como exemplo de quanto somos devedores ao idioma que ajudou a fundar o Ocidente: o Latim.
SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO
“Esses seres angelicais executam as obras de DEUS tanto no julgamento dos inimigos do povo de DEUS como também dos crentes quando estes desobedecem a DEUS. Eles revelam e comunicam a mensagem de DEUS aos seres humanos. Há inúmeros fatos dessa natureza nas Escrituras, como o anúncio a Zacarias sobre o nascimento de João Batista e a Maria, sobre o nascimento do Senhor JESUS. Esses mensageiros celestiais assistiram os apóstolos Pedro e Paulo e o próprio Senhor JESUS. Foram eles que anunciaram às mulheres a ressurreição de JESUS e estiveram presentes na sua ascensão. [...] A Bíblia mostra diversas vezes os anjos socorrendo os servos e servas de DEUS em suas lutas e dificuldades” (Declaração de Fé das Assembleias de DEUS. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.87).
SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO
“A Bíblia afirma com frequência que JESUS é DEUS: ‘No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com DEUS, e o Verbo era DEUS’ (Jo 1.1); ‘Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade’ (Cl 2.9). [...] As suas obras revelam também a sua divindade. Ele é o absoluto soberano e criador de todas as coisas. Ele é a fonte de vida, autor do novo nascimento, habita nos fiéis, dá a vida eterna, inspirou também os profetas e apóstolos, perdoa pecados, é adorado pelos humanos, pelos anjos,
na terra e no céu. Possui títulos divinos, como “Eu Sou”, o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, e o Senhor dos Senhores” (Declaração de Fé das Assembleias de DEUS. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.51).
PARA REFLETIR - A respeito de “A Natureza dos Anjos”, responda:
O que indica, na cultura judaica, o termo hebraico para anjo? O termo mal‘ak, na cultura judaica, indicava um ser celeste e espiritual dotado de poderes sobrenaturais e acima de qualquer humano (Sl 103.20; 2 Pe 2.11).
O que são as manifestações angelofânicas na Bíblia? Manifestações angelofânicas são os anjos, que não possuem corpo físico ou material, se apresentarem na forma humana.
Que são os serafins e os querubins? Os serafins são criaturas sobrenaturais associadas à glória de Javé e representam a presença, a grandeza e a majestade divinas (Is 6.2). Os querubins são representados como criaturas aladas colocadas no propiciatório da arca do concerto (Êx 25.18-20; 37.7-9).
Cite uma passagem bíblica que mostra existirem mais seres angelicais da mesma categoria do arcanjo Miguel. “E eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia” (Dn 10.13).
Por que o Senhor JESUS não pode ser o mesmo arcanjo Miguel? Cite duas razões e as respectivas citações bíblicas. JESUS é adorado até pelos anjos, e isso inclui o próprio Miguel; no entanto, Miguel, sendo anjo, não pode ser adorado (Hb 1.6; Ap 19.10; 22.8,9). JESUS é o Senhor dos senhores, e Miguel é príncipe (Ap 17.14; Dn 10.13,21).

CONSULTE - Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 77 p. 37
 
 
AJUDA BIBLIOGRÁFICA
Teologia Sistemática de Charles Finney
BÍBLIA ILUMINA EM CD - BÍBLIA de Estudo NVI EM CD - BÍBLIA Thompson EM CD.
Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
CPAD - http://www.cpad.com.br/ - Bíblias, CD'S, DVD'S, Livros e Revistas. BEP - Bíblia de Estudos Pentecostal.
CHAMPLIN, R.N. O Novo e o Antigo Testamento Interpretado versículo por Versículo. 
Conhecendo as Doutrinas da Bíblia - Myer Pearman - Editora Vida
Comentário Bíblico Beacon, v.5 - CPAD.
Comentário Bíblico TT W. W. Wiersbe
Comentário Bíblico Expositivo - Novo Testamento - Volume I - Warren W. Wiersbe
CRISTOLOGIA - A doutrina de JESUS CRISTO - Esequias Soares - CPAD
Dicionário Bíblico Wycliffe - CPAD
GARNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada. VIDA
Guia Básico de Interpretação da Bíblia - CPAD
http://www.gospelbook.net, www.ebdweb.com.br, http://www.escoladominical.net, http://www.portalebd.org.br/, Bíblia The Word.
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.
Peq.Enc.Bíb. - Orlando Boyer - CPAD
Pequeno Atlas Bíblico - CPAD Hermenêutica Fácil e Descomplicada - CPAD
Revista Ensinador Cristão - CPAD.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Teologia Sistemática Pentecostal - A Doutrina da Salvação - Antonio Gilberto - CPAD
Teologia Sistemática - Conhecendo as Doutrinas da Bíblia - A Salvação - Myer Pearman - Editora Vida
Teologia Sistemática de Charles Finney
VÍDEOS da EBD na TV, DE LIÇÃO INCLUSIVE - http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
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TAYLOR, J. B. Ezequiel,IntroduçãoeComentário,1ªEdição. Editora Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1984
VANNI, H. Apocalipse-UmaAssembléiaLitúrgicaInter­pretaaHistória.Edições Paulinas, São Paulo, SP,1984
Livro Batalha Espiritual - Livro de Apoio Adulto 1º Trimestre -  2019 - Pr. EsequiasSoares
Angelogia — a Doutrina dos anjos - Wagner Caby - Teologia Sistemática Pentecostal - CPAD
Primeira tradução do Antigo Testamento do hebraico para o grego, em Alexandria, no Egito, feita em cerca de 285 a.C., conhecida como a tradução dos setenta — LXX.
MARTENSEN, Christian Dogmatics, 133.
Questão 50, artigo 3°, da Suma Teológica (Volume II Lovola, São Paulo,
2002), a qual trata da natureza dos anjos de modo absoluto. Tomás de Aquino aqui cita as palavras de Dionísio, o areopagita, acerca do número de anjos existentes.
Nota do Editor — apesar de alguns teólogos acreditarem que haja uma categoria de anjos formada por arcanjos, só há menção explícita a um arcanjo nas Escrituras (Jd v.9; I Ts 4.16, ARA).
O Novo Testamento Versículo por Versículo, Candeia. Champlm comenta sobre Efésios 1.21.
O Novo Testamento Versículo por Versículo, Candeia. Champlin comenta sobre Colossenses I.16.
SILVA, Severmo Pedro da, A Doutrina Bíblica dos Anjos, CPAD.
PERLMAN, Mver, Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, Editora Vida.
Teologia Sistemática Atual e Exaustiva, Edições Vida Nova.
PERLMAN Mver, Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, Editora Vida.
J KOEHLER, Edward W. A., Sumário da Doutrina Cristã, Concórdia.
PERLMAN, Myer, Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, Editora Vida.
Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento, CPAD.
HORTON, Stanley M., A Vitória Final, CPAD.
ARCHER, Gleason L., Enciclopédia de Dificuldades Bíblicas, Editora Vida. Archer
é professor de Antigo Testamento e Estudos Semíticos naTrinity Divinitv School — em Deerfield, Illinois, Estados Unidos — e deão no Fuller Theological Seminary.
GRAHAM, Billy. Anjos, os Agentes Secretos de Deus. Record, pp.79-89.
Bíblia de Estudo de Genebra.
Homília de Centum Ovibus (Homílias sobre os Evangelhos), citado porTomás de Aquino.
OLSON, N. Lawrence, Plano Divino através dos Séculos, CPAD.
GILBERTO, Antomo, Manual da Escola Dominical, CPAD.
JOSEFO, Flávio, de Bello Judaico, VII. 6:3.
OLSON, N. Lawrence, Plano Divino através dos Séculos, CPAD.
BOYER, Orlando, Espada Cortante, Vol. I, CPAD.
COSTA, Samuel, Psicoteologia Geral, Vol I, Editora Silvacosta.
http://www.cblibrary.net/portugue/colossenses/col_ch5.htm
 
 
 
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