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Lição 3, A Salvação e o Advento do Salvador
4º Trimestre de 2017 - Título: A Obra da Salvação - JESUS CRISTO é o Caminho, e a Verdade e a Vida
Comentarista: Pr. Claiton Ivan Pommerening, Assembleia de DEUS de Joinvile, SC
Complementos, Ilustrações e Vídeos: Pr. Luiz Henrique de Almeida Silva - 99-99152-0454
AJUDA
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao2-jhp-2tr15-o-nascimento-de-jesus.htm
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao1-jc-1tr08-jesus-overbodedeus.htm
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao2-jc-1tr08-jesus-ofilhodedeus.htm
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao9-jc-oministeriodeensinodejesus.htm
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao11-jc-amortevicariadeJesus.htm
 
https://ebdnatv.blogspot.com.br/2017/10/figuras-da-licao-3-salvacao-e-o-advento.html
FIGURAS
 
 
TEXTO ÁUREO
"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." (Jo 1.14)
 
 
VERDADE PRÁTICA
O nascimento de JESUS CRISTO se deu dentro do plano divino para salvar a humanidade.
 
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Jo 1.9-12 JESUS CRISTO é a luz de todos os que creem
Terça - Mt 1.1-17 O nascimento de JESUS e a linhagem de Davi
Quarta - Rm 5.14-17 JESUS CRISTO, mediante sua morte, tira o pecado do mundo
Quinta - Rm 3.23,24 A justificação do pecador foi um ato da graça de DEUS
Sexta - Ef 2.8 A salvação pela graça mediante a fé somente
Sábado - Jo 3.16 O amor de DEUS pela humanidade é a razão de sua ação salvadora
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - João 1.1-14
1 - No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com DEUS, e o Verbo era DEUS. 2 - Ele estava no princípio com DEUS. 3 - Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. 4 - Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens; 5 - e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. 6 - Houve um homem enviado de DEUS, cujo nome era João. 7 - Este veio para testemunho para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele. 8 - Não era ele a luz, mas veio para que testificasse da luz. 9 - Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo, 10 - estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo não o conheceu. 11 - Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
 
BEP - CPAD
1.1 O VERBO. João começa seu Evangelho denominando JESUS de "o Verbo" (gr. Logos). Mediante este título de CRISTO, João o apresenta como a Palavra de DEUS personificada e declara que nestes últimos dias DEUS nos falou através do seu Filho (cf. Hb 1.1). As Escrituras declaram que JESUS CRISTO é a sabedoria multiforme de DEUS (1 Co 1.30; Ef 3.10,11; Cl 2.2,3) e a perfeita revelação da natureza e da pessoa de DEUS (Jo 1.3-5, 14,18; Cl 2.9). Assim como as palavras de um homem revelam o seu coração e mente, assim também CRISTO, como "o Verbo", revela o coração e a mente de DEUS (14.9;). João nos apresenta três características principais de JESUS CRISTO como "o Verbo". (1) O relacionamento entre o Verbo e o Pai. (a) CRISTO preexistia "com DEUS" antes da criação do mundo (cf. Cl 1.15,19). Ele era uma pessoa existente desde a eternidade, distinto de DEUS Pai, mas em eterna comunhão com Ele. (b) CRISTO era divino ("o Verbo era DEUS"), e tinha a mesma natureza do Pai (Cl 2.9; ver Mc 1.11). (2) O relacionamento entre o Verbo e o mundo. Foi por intermédio de CRISTO que DEUS Pai criou o mundo e o sustenta (v. 3; Cl 1.17; Hb 1.2; 1 Co 8.6). (3) O relacionamento entre o Verbo e a humanidade. "E o Verbo se fez carne" (v. 14). Em JESUS, DEUS tornou-se um ser humano com a mesma natureza do homem, mas sem pecado. Este é o postulado básico da encarnação: CRISTO deixou o céu e experimentou a condição da vida e do ambiente humanos ao entrar no mundo pela porta do nascimento humano (ver Mt 1.23)
1.2 NO PRINCÍPIO COM DEUS. CRISTO não foi criado; Ele é eterno, e sempre esteve em comunhão amorosa com o Pai e com o ESPÍRITO SANTO (ver Mc 1.11 sobre a Trindade).
1.4 VIDA... A LUZ DOS HOMENS. CRISTO é a personificação da genuína e verdadeira vida (cf. João 14.6; 17.3). Sua vida era a luz para todos, i.e., a verdade de DEUS, sua natureza, propósito e poder tornam-se disponíveis a todos por meio dEle (João 8.12; 12.35,36,46).
1.5 A LUZ RESPLANDECE NAS TREVAS. A luz de CRISTO brilha num mundo mau e pecaminoso controlado por Satanás. A maior parte do mundo não aceita sua vida, nem sua luz; mesmo assim "as trevas não a compreenderam", i.e., não prevaleceram contra ela.
1.9 ALUMIA A TODO HOMEM. CRISTO ilumina toda pessoa que ouve o seu evangelho, concedendo-lhe certa medida de compreensão e graça para que essa pessoa possa livremente escolher, aceitar ou rejeitar a mensagem. Além da luz de CRISTO, não há outra mediante a qual possamos conhecer a verdade e sermos salvos.
1.10 O MUNDO NÃO O CONHECEU. O "mundo" se refere à totalidade da sociedade organizada e que age independente de DEUS, da sua Palavra e do seu governo. O mundo nunca concordará com CRISTO; permanecerá indiferente ou hostil a CRISTO e ao seu evangelho, até o final dos tempos (ver Tg 4.4). O mundo é o grande oponente do Salvador na história da salvação (cf. Tg 4.4; 1 Jo 2.15-17; 4.5).
1.12 FILHOS DE DEUS. O homem tem o poder -(o direito) de se tornar filho de DEUS somente se crer no nome de CRISTO. Quando ele o recebe, nasce de novo e é feito filho de DEUS (João 3.1-21). Portanto, nem todas as pessoas são "filhos de DEUS" no sentido bíblico.
1.12 CRÊEM. É importante notar que João nunca emprega o substantivo "fé" (gr. pistis). Entretanto, emprega o verbo "crer" (gr. pisteuo) 98 vezes. Para João, a fé salvífica é, pois, uma atividade; algo que as pessoas realizam. A verdadeira fé não é crer e confiar de modo estático em JESUS e na sua obra redentora, mas uma dedicação amorosa e abnegada que continuamente nos aproxima dEle como Senhor e Salvador (cf. Hb 7.25).
1.12 RECEBERAM... CRÊEM. Este versículo retrata claramente como a fé salvífica é tanto um ato instantâneo como uma atitude da vida inteira. (1) Para alguém se tornar filho de DEUS, deve "receber" (gr. elabon, de lambano) a CRISTO. O tempo pretérito do aoristo aqui denota um ato definido de fé. (2) Após este ato de fé, de receber a CRISTO como Salvador, deve haver da parte do pecador uma ação contínua de crer. O verbo "crer" (gr. pisteuosin, de pisteuo) é um particípio presente ativo, indicando a necessidade da perseverança no crer. A fé genuína precisa continuar após o ato inicial da pessoa aceitar a CRISTO para que ela seja salva. "Aquele que perseverar até ao fim será salvo" (Mt 10.22; 24.12,13; Cl 1.21-23; Hb 3.6, 12-15).
1.13 NASCERAM... NEM DA VONTADE DA CARNE. Esta passagem mostra que DEUS não tinha obrigação de prover salvação para o homem mediante a morte de CRISTO. Na provisão da salvação, DEUS não teve outra compulsão senão o seu próprio amor e compaixão. A iniciativa em prover a salvação do perdido pecador, parte de DEUS.
1.14 O UNIGÊNITO DO PAI. O termo "unigênito" não significa que CRISTO foi um ser criado. Pelo contrário, a declaração refere-se ao seu relacionamento exclusivo com o Pai, i.e., ao fato de Ele ser o Filho de DEUS desde toda a eternidade. Aqui temos a sua filiação em relação ao DEUS trino (João 1.1,18; 3.16,18; ver Mc 1.11).
1.14 E O VERBO SE FEZ CARNE. CRISTO, o DEUS eterno, tornou-se humano (Fp 2.5-9). NEle se uniram a humanidade e a divindade. De modo humilde, Ele entrou na vida e no meio-ambiente humanos com todas as limitações das experiências humanas (cf. João 3.17; 6.38-42; 7.29; 9.5; 10.36).
 
OBJETIVO GERAL - Mostrar que o nascimento de JESUS CRISTO se deu dentro do plano divino para salvar a humanidade.
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Apresentar como se deu o anúncio do nascimento do Salvador;
Explicar a respeito da concepção do Salvador;
Mostrar que "o Verbo se fez carne e habitou entre nós".
 
PONTO CENTRAL - JESUS CRISTO veio ao mundo na plenitude dos tempos para salvar a humanidade.
 
Resumo da Lição 3, A Salvação e o Advento do Salvador
I - O ANÚNCIO DO NASCIMENTO DO SALVADOR
1. No Antigo Testamento (Lc 24.27).
2. Anunciado pelos anjos.
3. Desfrutado pela humanidade.
II - A CONCEPÇÃO DO SALVADOR
1. Um plano concebido desde a fundação do mundo.
2. O nascimento do Salvador.
3. Um roteiro divino de vida.
III - "O VERBO SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS"
1. A encarnação do "Verbo".
2. A humilhação do servo.
3. O exemplo a ser seguido.
 
 
SÍNTESE DO TÓPICO I - O anúncio do nascimento do Salvador se deu no Antigo e no Novo Testamento.
SÍNTESE DO TÓPICO II - A concepção do Salvador foi um plano concebido desde a fundação do mundo.
SÍNTESE DO TÓPICO III - JESUS é o "Verbo de DEUS".
 
PARA REFLETIR - A respeito da salvação e o advento do Salvador, responda:
Como os pastores receberam o nascimento de JESUS?
Quando os anjos anunciaram o nascimento do Salvador aos pastores, estes foram tomados de grande alegria e glória do Senhor.
Qual foi o plano concebido por DEUS desde a fundação do mundo?
JESUS CRISTO é o Cordeiro de DEUS que foi morto desde a fundação do mundo, pois antes de o homem pecar, o Pai, em sua presciência, já havia provido um Salvador.
O que a Bíblia afirma sobre a doutrina da encarnação?
A Bíblia afirma, reiteradas vezes, que o Filho de DEUS se tornou "carne", ou seja, uma pessoa inteira, de carne e osso, em pleno uso de suas funções psíquicas. Sobre isso, o apóstolo Paulo escreveu que JESUS realizou a reconciliação "no corpo da sua carne" (Cl 1.21,22), isto é, quando se fez "carne" e habitou entre os homens, assumiu a humanidade juntamente com as fragilidades próprias dela.
Como aconteceu a humilhação de JESUS?
A humilhação de JESUS teve início com o esvaziamento de sua glória para tomar a forma de servo e culminou com o sofrimento na cruz (Fp 2.7,8). Sua humilhação está relacionada aos seus sofrimentos, como ao ser perseguido, desprezado pelas autoridades, discriminado (Jo 1.46), silenciado diante de seus acusadores, açoitado impiedosamente, injustamente julgado diante de Pilatos e Caifás e, finalmente, morto.
Qual foi o exemplo de JESUS para nós humanos?
Quando andou na Terra, JESUS nos ofereceu o melhor exemplo, fazendo a vontade do Pai e amando o próximo
 
CONSULTE - Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 72, p. 37.
 
Resumo Rápido - Comentários do Pr Henrique
Há um erro na Parte I, Tópico 3, da revista - Os Sábios não visitaram JESUS numa manjedoura, mas em uma casa. Os pastores do campo, sim, visitaram JESUS quando ainda estava na manjedoura.
E, vendo eles a estrela, regoziram-se muito com grande alegria. E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra. Mateus 2:10,11.
 
ADVENTO - Vinda, chegada.
ADVENTO - Dicionário Teológico - [Do lat. cristão adventus] Vinda, chegada, aparecimento, retorno. No Novo Testamento, deparamo-nos com dois adventos distintos de CRISTO: o primeiro refere-se à sua encarnação (nascimento aqui na Terra); o segundo, ao seu retorno para arrebatar a Igreja (2 etapas, arrebatamnento e vinda em glória). Entre ambos, desenrola-se a militância desta, cujo principal objetivo é a proclamação do Evangelho e a expansão do Reino de DEUS.
ADVENTO - Dicionário Almeida - A vinda de CRISTO na ENCARNAÇÃO, quando ele se tornou um ser humano.
ADVENTO - Dicionário Strong Português
 ελευσις eleusis
1) vinda, advento
 
Resumo Rápido do Pr. Henrique da Lição 3, A Salvação e o Advento do Salvador
 
INTRODUÇÃO
Nesta Lição estudaremos a vinda do salvador. Um plano de salvação anterior à criação de todas as coisas foi elaborado segundo a presciência de DEUS. A predição de sua vinda por parte de DEUS, de seus profetas e por parte dos anjos. Veremos que Pastores dos arredores de Belém, Simeão, Ana e os Magos (astrólogos ou sábios) do oriente foram comunicados a respeito de seu nascimento. Veremos o plano de DEUS executado com o nascimento, humilhação e exemplo do salvador, o verbo de DEUS.
 
I - O ANÚNCIO DO NASCIMENTO DO SALVADOR
1. No Antigo Testamento (Lc 24.27).
Teve início em Gênesis 3.15 a promessa de um salvador. Dai até o nascimento de JESUS, várias foram as profecias a respeito de sua vinda. A páscoa foi uma prefiguração de sua morte. Os sacrifícios da lei o apontavam. Vinte e seis salmos o identificavam  como o Messias. Ageu e Zacarias o viam visitando o templo no futuro trazendo a glória de DEUS ali. O profeta Isaias chegou a vê-lo na cruz e anunciou seu sacrifício em detalhes (Is 53). Veja tabelas Abaixo.
 
 
 
2. Anunciado pelos anjos.
Os anjos o anunciaram antes e no dia de seu nascimento.
Anjo anunciou a Zacarias - E um anjo do Senhor lhe apareceu, posto em pé, à direita do altar do incenso. E Zacarias, vendo-o, turbou-se, e caiu temor sobre ele. Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João.
E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento, Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe. E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus, E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto.
Disse então Zacarias ao anjo: Como saberei isto? Pois eu já sou velho, e minha mulher avançada em idade.
Lucas 1:11-18
Anjo anunciou a Maria - E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, A uma virgem desposada com um homem, cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres. E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras, e considerava que saudação seria esta. Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus. E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus.
Lucas 1:26-31.
Anjo anunciou a José - E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Mateus 1:20,21.

3. Desfrutado pela humanidade.
A humanidade toda estava representada pelos Pastores, Sábios do oriente, por Simeão e por Ana.
Pastores dos arredores de Belém comunicados (O visitaram na caverna, na manjedoura) - Lucas 2:8-16 (vide abaixo).
Magos (astrólogos ou sábios) do oriente comunicados (O visitaram na casa, em Belém, quase dois anos depois) - Mateus 2:1-11 (vide abaixo).
Simeão comunicado (apresentação de JESUS no templo) - Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, esperando a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. E fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor. E pelo Espírito foi ao templo e, quando os pais trouxeram o menino Jesus, para com ele procederem segundo o uso da lei, Ele, então, o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse: Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, Segundo a tua palavra; Pois já os meus olhos viram a tua salvação,
Lucas 2:25-30.
Ana comunicada (apresentação de JESUS no templo) - E estava ali a profetisa Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Esta era já avançada em idade, e tinha vivido com o marido sete anos, desde a sua virgindade; E era viúva, de quase oitenta e quatro anos, e não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia. E sobrevindo na mesma hora, ela dava graças a Deus, e falava dele a todos os que esperavam a redenção em Jerusalém. Lucas 2:36-38.
 
OBSERVAÇÃO - MANJEDOURA E PRESÉPIO SÃO A MESMA COISA?
Não. Manjedoura é cocho de dar comida a animais. Presépio é representação católica do ambiente onde JESUS nasceu (em quase sua totalidade, desprovida de conhecimento bíblico, pois colocam os Magos, ou astrólogos, ou Sábios presentes junto a manjedoura, o que ocorreria só dois anos depois numa casa, em Belém).
Basta ler Mateus e Lucas sobre o assunto para entender:
Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho. E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo: Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens. E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. E foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura. Lucas 2:8-16.
AQUI PASTORES NO CAMPO VISITARAM JESUS NA MANJEDOURA.
 
E, tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém, Dizendo: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no oriente, e viemos a adorá-lo. E o rei Herodes, ouvindo isto, perturbou-se, e toda Jerusalém com ele. E, congregados todos os príncipes dos sacerdotes, e os escribas do povo, perguntou-lhes onde havia de nascer o Cristo. E eles lhe disseram: Em Belém de Judéia; porque assim está escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá,De modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá;porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo Israel. Então Herodes, chamando secretamente os magos, inquiriu exatamente deles acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera. E, enviando-os a Belém, disse: Ide, e perguntai diligentemente pelo menino e, quando o achardes, participai-mo, para que também eu vá e o adore. E, tendo eles ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela, que tinham visto no oriente, ia adiante deles, até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino. E, vendo eles a estrela, regoziram-se muito com grande alegria. E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra. Mateus 2:1-11.
AQUI MAGOS ACHARAM JESUS NUMA CASA - JÁ DEPOIS DE QUASE DOIS ANOS QUE HAVIA NASCIDO.
POR QUE DOIS ANOS?
PORQUE HERODES CALCULOU O TEMPO QUE OS MAGOS PASSARAM POR LÁ E ACHOU QUASE DOIS ANOS E MANDOU MATAR AS CRIANÇAS DE DOIS ANOS PARA BAIXO.
Então Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito, e mandou matar todos os meninos que havia em Belém, e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos. Mateus 2:16.
 
 
Não era fácil sair de Nazaré e ir até Belém para alistar-se. José tinha uma árdua tarefa pela frente. Mas, porque tinha que ir a Jerusalém, de qualquer maneira, depois do nascimento do menino, para o apresentar e resgatar, no templo, decidiu levar consigo sua esposa grávida de nove meses, não sabendo que estava exatamente cumprindo o plano de DEUS. 145 Km equivalia, naquele tempo, a uma caminhada de uma semana com uma mulher grávida.

II - A CONCEPÇÃO DO SALVADOR
1. Um plano concebido desde a fundação do mundo.
E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. Ap 13.8.
O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós; 1 Pedro 1:20.
Antes da fundação do mundo quer dizer que DEUS em sua presciência, mesmo antes de criar todas as coisas, já viu o pecado do ser humano e já preparou um plano de salvação e redenção deste ser humano. DEUS fez isso por amor.
O plano só seria possível com a participação e execução de JESUS. Veja abaixo o Plano cumprido:
 
 
2. O nascimento do Salvador.
DEUS procurou um homem na Terra que nunca pecou para poder executar seu plano. Não encontrou - Rm 3.213. DEUS mesmo deveria vir. Para isso deveria se tornar homem. Tinha que nascer na terra como todo homem nasce de uma mulher. Não poderia nascer descendente de Adão e Eva, pois, se assim o fizesse, nasceria com a semente do pecado. Então, de um casal, não poderia nascer.
JESUS veio para salvar o mundo (Jo 3.16). Seu nascimento tem que ser secreto para Satanás e os grandes da época (Lc 2.1-7). Ele vem como homem, pois para salvar o homem, tinha que ser um homem. JESUS teria que se despojar de sua glória para realizar esta tão árdua tarefa (Fp 2.7). DEUS é amor (1 Jo 4.8), por isso JESUS se ofereceu a sim mesmo por nós.
 
3. Um roteiro divino de vida.
Para nascer na Terra como homem, filho de uma mulher, e sem a semente de Adão, só sendo de uma virgem. Assim JESUS é concebido no útero virgem de Maria por obra do ESPÍRITO SANTO. A semente que gerou a vida foi a Palavra de DEUS falada pelo anjo e aceita por Maria. Nasceu em pobreza e humilhação. Desenvolveu-se em família humana. Seu ministério foi entre homens a quem DEUS escolheu para serem seus filhos (Lc 1.35; 2.10,11; 40, 49; 4.18-21; 10.9,11).
E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. Lucas 1:35.
E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; Mateus 1:20.
 
III - "O VERBO SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS"
O evangelho dá testemunho da intensidade da expectativa dos judeus pela vinda do Messias. Toda a esperança da nação está contida nas palavras de João Batista: "Quem és tu?" — isto é, "És tu o Messias?" Acha-se também inclusa na resposta simples da mulher samaritana: "Eu sei que há de vir o Messias" (isto é, o CRISTO); na mensagem enviada a JESUS por João Batista: "És tu aquele que estava para vir, ou havemos de esperar outro?"; no interrogatório impaciente do Senhor no templo, feito pelos peregrinos: "Até quando nos deixarás a mente em suspenso? Se tu és o CRISTO, dize-o francamente"; assim como nas aclamações da multidão quando JESUS entrou em Jerusalém em triunfo no Domingo de Ramos. O sentimento na verdade era tão forte que o Senhor foi obrigado a acalmar o excesso de entusiasmo do povo, pois queriam coroá-lo rei, o Messias de Israel.
1. A encarnação do "Verbo".
JESUS se fez "carne" (1 Tm 3.16; 1 Jo 4.2; 2 Jo v.7; 1 Pe 3.18; 4.1), ou seja, um ser humano normal (mas. sem a semente do pecado). JESUS nos reconciliou com DEUS "no corpo da sua carne" (Cl 1.21,22). Antes éramos inimigos e fomos feitos filhos de DEUS por causa de sua humanização, morrendo em nosso lugar. Depois disso somos declarados santos, nós que o aceitamos como Salvador e Senhor.
A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis, Colossenses 1:21,22.
 
JESUS, em tudo se tornou semelhante ao ser humano, para nos salvar, que chorou em público (Jo 11.35), admitiu perdas e sentiu saudades (Jo 11.36), experimentou dor (Mt 27.50), sentiu tristeza de morte (Mt 26.38), sentiu-se cansado (Jo 4.6), teve sede (Jo 19.28), teve dificuldades familiares (Jo 7.3-5), foi tido como louco (Mc 3.21), mostrou que a privacidade e a oração são períodos essenciais para a sobrevivência espiritual (Mc 1.35; 6.30-32,45,46; Lc 5.16). Tudo isso para se tornar semelhante em tudo aos homens, pois era necessário isso para nos salvar, cumprindo o plano de DEUS. Veja Palno de Salvação acima.
 
2. A humilhação do servo.
Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; Fl 2.7.
Imaginemos DEUS mesmo andando aqui na Terra, pisando em poeira, bebendo água sem filtragem e comendo a mesma coisa que os homens, Fazendo suas necessidades no mato, tomando banho de rio, dormindo ao relento. Tudo isso por pecadores. Meu DEUS! Que Amor!
Passou por sofrimentos, como ao ser perseguido, desprezado pelas autoridades, discriminado (Jo 1.46), traído por um amigo, condenado por líderes que deveriam saber tudo sobre Ele, silenciado diante de seus acusadores, açoitado impiedosamente, injustamente julgado diante de Pilatos, Caifás e o povo e, finalmente, morto. Assim se cumpriu cada detalhe da profecia a respeito do Servo Sofredor (Is 53).
Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Romanos 5:8
 
3. O exemplo a ser seguido.
JESUS fez a vontade do Pai, amou o próximo como a si mesmo, cumprindo assim toda lei e os profetas. Um exemplo de perfeição para nós (Jo 4.34; Lc 4.18,19).
Imitemos a JESUS como fez Paulo, um homem como nós.
Sede meus imitadores, como também eu de Cristo.1 Coríntios 11:1
Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam. Filipenses 3:17
Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; Efésios 5:1
Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores. 1 Coríntios 4:16
E vós fostes feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo.1 Tessalonicenses 1:6
 
CONCLUSÃO
O anúncio do nascimento do salvador no antigo testamento (Lc 24.27) teve início em Gênesis 3.15 e depois confirmado com Moisés e os profetas. Foi anunciado pelos anjos e desfrutado pela humanidade. A concepção do salvador foi um plano concebido desde a fundação do mundo. O nascimento do salvador cumpriu um roteiro divino de vida, "o verbo se fez carne e habitou entre nós". A encarnação do "verbo" foi um exemplo de humilhação do servo de DEUS, um exemplo a ser seguido.
 
 
Comentários em diversos Livros
 
SALVAÇÃO - Strong Português -  σωτηρια soteria
1) livramento, preservação, segurança, salvação
1a) livramento da moléstia de inimigos
1b) num sentido ético, aquilo que confere às almas segurança ou salvação
1b1) da salvação messiânica
2) salvação como a posse atual de todos os cristãos verdadeiros
3) salvação futura, soma de benefícios e bênçãos que os cristãos, redimidos de todos os males desta vida, gozarão após a volta visível de CRISTO do céu no reino eterno e consumado de DEUS.
Salvação quádrupla: salvo da penalidade, poder, presença e, mais importante, do prazer de pecar. (A.W. Pink)
 
SALVAÇÃO (Dicionário Teológico)
- [Do gr. soteria; do lat. salvatio] Salvamento, libertação de um perigo iminente. Livramento do que aceita a CRISTO do poder e da maldição do pecado. Restituição do homem à plena comunhão com DEUS.
A salvação é obtida pela graça; é um dom gratuito e imerecido que o pecador recebe mediante a fé que empenha no sacrifício vicário de JESUS CRISTO (Ef. 2.8-11).
SALVAÇÃO (Almeida.dctx)
1) Ato pelo qual DEUS livra a pessoa de situações de perigo (Is 26.1), opressão (Lm 3.26; Ml 4.2), sofrimento (2Co 1.6), etc.
2) Ato e processo pelo qual DEUS livra a pessoa da culpa e do poder do pecado e a introduz numa vida nova, cheia de bênçãos espirituais, por meio de CRISTO JESUS (Lc 19.9-10; Ef 1.3,13). A salvação deve ser desenvolvida pelo crente (Fp 2.12), até que seja completada no fim dos tempos (Rm 13.11; 1Pe 1.5; 2.2). V. REDENÇÃO, SALVADOR e VIDA ETERNA.
 
Emanuel - Strong Português -  עמנואל ÌImmanuw’el
com a inserção de um sufixo pronominal
Emanuel = “DEUS conosco” ou “conosco está DEUS”
1) nome simbólico e profético do Messias, o CRISTO, profetizando que ele iria nascer de uma virgem e seria “DEUS conosco”.
 
Virgem - Strong Português -  עלמה Ìalmah
1) virgem, mulher jovem
1a) em idade para casamento
1b) moça ou recém-casada
Não há ocorrência pela qual possa ser provado que esta palavra designa uma mulher que não é virgem. (DITAT)
 
SALVADOR - Dicionario Davis
Pessoa que livra de algum mal, ou de algum perigo, 2 Rs 13: 5; Ne 9: 27.
Em o Antigo Testamento a palavra salvador emprega-se particularmente em referência a DEUS e a Jeová, como libertador do povo escolhido de Israel, 2 Sm 22: 3; Sl 106: 21; Is 43: 3, 11; 45: 15, 21; 49: 26; 63: 8; Jr 14: 8; Os 13: 4. Os escritores clássicos empregavam o vocábulo grego soter, libertador, Heród. 7: 139, referindo-se aos seus deuses. Às vezes, também aos reis se dava este título como fizeram Ptolomeu Soter e Demétrio I.
Em o Novo Testamento a palavra salvador aplica-se a DEUS o Pai, 1 Tm 1: 1; 4: 10; Tt 1: 3; 3: 4; Jd 25, e com especialidade a CRISTO, o Filho que salva o seu povo dos pecados dele, Mt 1: 21, livrando-o de seu estado de pecado e de miséria, da maldição e da ira de DEUS, do poder do pecado e dos laços de Satanás, e trazendo-o um estado de salvação em íntima comunhão com DEUS, Lc 19: 10; At 5: 31; Rm 5: 8-11; Fp 3: 20-21; 1 Tm 1: 15; 2 Tm 1: 10; Tt 2: 13-14; Hb 7: 25.
 
 
TERMOS BÍBLICOS PARA SALVAÇÃO (Estudos Doutrinarios da Biiblia de Estudo Pentecostal - BEP - CPAD)
Rm 1.16 “Porque não me envergonho do evangelho de CRISTO, pois é o poder de DEUS para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. ”
DEUS nos oferece livremente a vida eterna em JESUS CRISTO, mas, às vezes, nos é difícil compreender o processo exato usado para torná-la disponível a nós. Por isso, DEUS apresenta na Bíblia vários aspectos da salvação, cada um com sua ênfase exclusiva. Este estudo examina três desses aspectos: a salvação, a redenção e a justificação.
 
SALVAÇÃO. Salvação (gr. soteria) significa “livramento”, “chegar à meta final com segurança”, “proteger de dano”. Já no AT, DEUS revelou-se como o Salvador do seu povo (Êx 15.2; Sl 27.1; 88.1; ver Dt 26.8; Sl 61.2; Is 25.6; 53.5). A salvação é descrita na Bíblia como “o caminho”, ou a estrada através da vida, para a comunhão eterna com DEUS no céu (Mt 7.14; Mc 12.14; Jo 14.6; At 16.17; 2Pe 2.21; cf. At 9.2; 22.4; Hb 10.20). Esta estrada deve ser percorrida até o fim. A salvação pode ser descrita como um caminho com dois lados e três etapas:
O único caminho da salvação. CRISTO é o único caminho ao Pai (Jo 14.6; At 4.12). A salvação nos é concedida mediante a graça de DEUS, manifesta em CRISTO JESUS (3.24). A salvação é baseada na morte de CRISTO (3.25; 5.8), sua ressurreição (5.10) e sua contínua intercessão pelos salvos (Hb 7.25).
Os dois lados da salvação. A salvação é recebida de graça, mediante a fé em CRISTO
. Isto é, ela resulta da graça de DEUS (Jo 1.16) e da resposta humana da fé (At 16.31; Rm 1.17; Ef 1.15; 28).
As três etapas da salvação. (a) A etapa passada da salvação inclui a experiência pessoal mediante a qual nós, como crentes, recebemos o perdão dos pecados (At 10.43; Rm 4.6-8) e passamos da morte espiritual para a vida espiritual (1 Jo 3.14); do poder do pecado para o poder do Senhor (6.17-23), do domínio de Satanás para o domínio de DEUS (At
. A salvação nos leva a um novo relacionamento pessoal com DEUS (Jo 1.12) e nos livra da condenação do pecado (1.16; 6.23; 1Co 1.18).
A etapa presente da salvação nos livra do hábito e do domínio do pecado, e nos enche do ESPÍRITO SANTO. Ela abrange: (i) o privilégio de um relacionamento pessoal com DEUS como nosso Pai e com JESUS como nosso Senhor e Salvador (Mt 6.9; Jo 14.18-23; ver Gl 4.6); (ii) a conclamação para nos considerarmos mortos para o pecado (6.1-14) e para nos submetermos à direção do ESPÍRITO SANTO (8.1-16) e à Palavra de DEUS (Jo 8.31; 14.21; 2Tm 3.15,16); (iii) o convite para sermos cheios do ESPÍRITO SANTO e a ordem de continuarmos cheios (ver At 2.33-39; Ef 5.18); (iv) a exigência para nos separarmos do
pecado (6.1-14) e da presente geração perversa (At 2.40; 2Co 6.17); e (v) a chamada para travar uma batalha constante em prol do reino de DEUS contra Satanás e suas hostes demoníacas (2Co 10.4,5; Ef 6.11,16; 1Pe 5.8).
A etapa futura da salvação (13.11,12; 1Ts 5.8,9; 1Pe 1.5) abrange: (i) nosso livramento da ira vindoura de DEUS (5.9; 1Co 3.15; 5.5; 1Ts 1.10; 5.9); (ii) nossa participação da glória divina (Rm 8.29; 2Ts 2.13,14) e nosso recebimento de um corpo ressurreto, transformado (1Co 15.49-52); e (iii) os galardões que receberemos como vencedores fiéis (ver Ap 2.7). Essa etapa futura da salvação é o alvo que todos os cristãos se esforçam para alcançar (1Co 9.24-27; Fp 3.8-14). Toda advertência, disciplina e castigo do tempo presente da vida do crente têm como propósito preveni-lo a não perder essa salvação futura (1Co 5.1-13; 9.24-27; Fp 2.12,16; 2Pe 1.5-11; ver Hb 12.1).
 
REDENÇÃO. O significado original de “redenção” (gr. apolutrosis) é resgatar mediante o pagamento de um preço. A expressão denota o meio pelo qual a salvação é obtida, a saber: pagamento de um resgate. A doutrina da redenção pode ser resumida da seguinte forma:
O estado do pecado, do qual precisamos ser redimidos. O NT mostra que o ser humano está alienado de DEUS (3.10-18), sob o domínio de Satanás (At 10.38; 26.18), escravizado pelo pecado (6.6; 7.14) e necessitando de livramento da culpa, da condenação e do poder do pecado (At 26.18; Rm 1.18; 6.1-18, 23; Ef 5.8; Cl 1.13; 1Pe 2.9).
O preço pago para nos libertar dessa escravidão: CRISTO pagou esse resgate ao derramar o seu sangue e dar sua vida (Mt 20.28; Mc 10.45; 1Co 6.20; Ef 1.7; Tt 2.14; Hb 9.12; 1Pe 1.18,19).
O estado presente dos redimidos: Os crentes redimidos por CRISTO estão agora livres do domínio de Satanás e da culpa e do poder do pecado (At 26.18; Rm 6.7,12,14,18; Cl 1.13). Essa libertação do pecado, no entanto, não nos deixa livres para fazer o que queremos, pois somos propriedade de DEUS. A nossa libertação do pecado por DEUS nos torna em servos voluntários seus (At 26.18; Rm 6.18-22; 1Co 6.19,20; 7.22,23).
A doutrina de redenção no NT já estava prefigurada nos casos de redenção registrados no AT. O grande evento redentor do AT foi o êxodo de Israel (ver Êx 6.7; 12.26). Também, no sistema sacrificial levítico, o sangue de animais era o preço pago para expiar o pecado (ver Lv 9.8).
 
JUSTIFICAÇÃO. A palavra “justificar” (gr. dikaioo) significa ser “justo (ou reto) diante de DEUS” (2.13), tornado justo (5.18,19), “estabelecer como certo” ou “endireitar”. Denota estar num relacionamento certo com DEUS, mais do que receber uma mera declaração judicial ou legal. DEUS perdoa o pecador arrependido, a quem Ele tinha declarado culpado segundo a sua lei e condenado à morte eterna, restaura-o ao favor divino e o coloca em relacionamento correto (comunhão) com Ele mesmo e com a sua vontade. Ao apóstolo Paulo foram reveladas várias verdades a respeito da justificação e como ela é efetuada:
A justificação diante de DEUS é uma dádiva (3.24; Ef 2.8). Ninguém pode justificar-se diante de DEUS guardando toda a lei ou fazendo boas obras (4.2-6; Ef 2.8,9), “porque todos pecaram e destituídos estão da glória de DEUS” (3.23).
A justificação diante de DEUS se alcança mediante a “redenção que há em CRISTO JESUS” (3.24). Ninguém é justificado sem que antes seja redimido por CRISTO, do pecado e do seu poder.
A justificação diante de DEUS provém da “sua graça”, sendo obtida mediante a fé em JESUS CRISTO como Senhor e Salvador (3.22,24; cf. 4.3,5).
A justificação diante de DEUS está relacionada ao perdão dos nossos pecados (Rm 4.7). Os pecadores são declarados culpados diante de DEUS (3.9-18,23), mas por causa da morte expiatória de CRISTO e da sua ressurreição são perdoados (ver 3.25; 4.25; 5.6-10).
Uma vez justificados diante de DEUS, mediante a fé em CRISTO, estamos crucificados com Ele, o qual passa a habitar em nós (Gl 2.16-21). Através dessa experiência, nos tornamos de fato justos e começamos a viver para DEUS (2.19-21). Essa obra transformadora de CRISTO em nós, mediante o ESPÍRITO (cf. 2Ts 2.13; 1Pe 1.2), não se pode separar da sua obra redentora a nosso favor. A obra de CRISTO e a do ESPÍRITO são de mútua dependência.
 
SOTERIOLOGIA - SALVAÇÃO - (Grandes Doutrinas da Bíblia)
INTRODUÇÃO
No contexto das Escrituras, “Salvação” é um termo inclusivo e de grande abrangência. O termo inclui tanto o perdão do pecado passado, assim como a libertação do poder do pecado presente, e a preservação contra as invasões do pecado futuro (Jo 11.24,25). Há a salvação do espírito na regeneração, da alma na santificação e do corpo na glorificação. Neste sentido a salvação é tanto uma perspectiva futura como um usufruto presente (Tt 2.11,12).
I. A PROVISÃO DA SALVAÇÃO
A Bíblia diz que CRISTO é tanto o “autor” como o “consumador” da nossa fé (Hb 12.2). A designação de “autor” refere-se à provisão da salvação mediante JESUS CRISTO; e “consumador” refere-se à aplicação dessa mesma salvação também mediante CRISTO. Através da sua vida imaculada e da sua morte expiatória, CRISTO providenciou a salvação, e na medida em que ela é aplicada individualmente a cada pessoa que aceita, é CRISTO quem está completando a sua obra, prosseguindo até o momento da glorificação final dos salvos.
1. O Pecado do Homem
A nossa compreensão a respeito da salvação deve começar pela compreensão de quem é que necessita da salvação e por que necessita dela. De acordo com as Escrituras o homem é um ser totalmente depravado, alienado da glória de DEUS e destinado ao castigo divino (Ef 2.1-3). Deste modo por si só, o homem não pode se salvar (Rm 7.18). Sob a perspectiva divina, o homem é considerado espiritualmente paralitico, aguardando o estender do “braço salvador” do Senhor, o único capaz de levantar o pecador do seu estado de miséria espiritual (Is 59.16). A raiz do problema espiritual do homem é inerente à sua própria natureza caída. Do nascimento à morte o homem estar em inimizade e conflito com DEUS (Sl 57.7; Jr 17.9; Rm 7.48). Não há homem que consiga a salvação por seus próprios méritos, uma vez que todos são achados culpados diante de DEUS (Ec 7.20). O apóstolo Paulo pontifica “não há justo, nem sequer um” (Rm 3.10). Muitos se imaginam mais justos que os outros, e deste modo ficam satisfeitos com o conceito de justiça que fazem de si mesmos. Devemos compreender, porém, que DEUS não estabelece a justiça comparando homem com homem. DEUS busca comparação entre o nosso viver e a sua lei, e nos acha em falta. Neste particular, o veredito das Escrituras é que “todas as nossas justiças são trapo de imundícia” (Is 64.6), e que “todos pecaram e carecem da glória de DEUS” (Rm 3.23).
2. A Graça de DEUS
No contexto da doutrina da salvação, graça divina deve ser abordada sob duplo aspecto: Como favor imerecido da parte de DEUS para com todos os pecadores, indistintamente; Como poder restringidor do pecado, operante na reconciliação do homem com DEUS, e na santificação do crente. Não se deve confundir a graça de DEUS como “obrigação moral” divina a constrangê-lo a fazer alguma coisa contrária à sua natureza santa. Nada, poderá ser estabelecido e aceito como lei, constrangendo-o a soerguer o pecador do estado no qual se encontra. “e todos nós recebemos também da sua plenitude, com graça sobre graça” (Jo 1.16). Enquanto o homem continuar a responder afirmativamente à graça de DEUS, esta será o grande agente pelo qual ele receberá a justificação, a regeneração, a santificação e a segurança em DEUS (Tt 3.7; Jo 3.3; Act 26.18; 1 Pd 1.5). A proporção da graça que o homem recebe depende exclusivamente da sua decisão, independentemente da vontade, já manifesta. Por esta razão, nos adverte o apóstolo Pedro: “antes, crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO” (2 Pd 3.18).
3. A Provisão de CRISTO
Apesar de estar empenhado na nossa salvação e segurança, não é querer de DEUS declarar-nos inocentes simplesmente. Devemos ter em mente o fato de que DEUS é um DEUS não só de amor, é um DEUS também de justiça. Portanto, para DEUS declarar-nos inocentes independentemente da nossa conversão, seria uma ofensa à sua justiça. Seria um procedimento que entraria em choque com a sua santidade que declara que “a alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4). Então, como poderia DEUS manter a perfeição da sua justiça e ainda assim salvar pecadores? A resposta está no fato de que DEUS não desculpa o nosso pecado, pelo contrário, Ele o remove completamente. Para nos ajudar a compreender isto, DEUS nos dá o exemplo de um cordeiro substituto e expiador. Esse cordeiro típico do Antigo Testamento apontava para JESUS, “o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Assim como o cordeiro para o uso nos sacrifícios da antiga aliança devia ser um animal sem nenhum defeito ou mancha, de igual modo DEUS requeria um Cordeiro substituto perfeito, capaz de oferecer um único sacrifício, suficiente para salvar a tantos quantos aceitassem o seu sacrifício. De acordo com a Epístola aos Hebreus, JESUS CRISTO satisfez plenamente essa exigência de DEUS “quanto mais o sangue de CRISTO, que, pelo ESPÍRITO eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a DEUS, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao DEUS vivo?” (Hb 9.14). Na morte de CRISTO a justiça de DEUS a nosso respeito foi plenamente satisfeita.
4. O Alcance da Salvação
Com muita freqüência se ouve a pergunta: “Por quem CRISTO morreu?” se alguém responde: - “Pelo mundo inteiro”, alguma outra pessoa poderá objetar: - “Então porque nem todas as pessoas são salvas?” agora, se alguém afirmar que CRISTO morreu apenas pelos “eleitos”, facilmente outra pessoa considerará injusta a ação de DEUS, visto que somente uns poucos “escolhidos” serão salvos. A Bíblia responde a esta questão, dizendo que:
a) A Salvação é Para o Mundo Inteiro
Através do sacrifício perfeito de CRISTO, todos os habitantes da terra foram representados, e os seus pecados foram potencialmente perdoados. CRISTO “é a propiciação pelos os nossos pecados, e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1 Jo 2.2; 2 Co 5.14; Hb 2.9).
b) A Salvação é Para os que Crêem
Apesar de CRISTO haver morrido pelos pecados do mundo inteiro, há um sentido em que a expiação é uma provisão divina feita especialmente por aqueles que crêem. Paulo apresenta JESUS CRISTO como o “Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis” (1 Tm 4.10). Deste modo, apesar de a salvação estar à disposição de toda a humanidade, de forma experimental ela se aplica exclusivamente àqueles que crêem. A salvação foi preparada para todas as pessoas, o problema é que nem todas as pessoas estão preparadas para a salvação.
c) Alguns Abandonarão a Salvação
A Bíblia dá a entender que muitos daqueles pelos quais CRISTO morreu, aceitarão a sua provisão salvadora, mas depois a abandonarão, perdendo com isto o direito à vida eterna. Sobre esses, escreverão Paulo e Pedro: “Perece o irmão fraco, pelo qual CRISTO morreu” (1 Co 8.14). “Negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição” (2 Pd 2.1).
II. O LADO DIVINO DA SALVAÇÃO
Muitos antes de o homem pensar em DEUS, ele já estar no pensamento de DEUS. Antes mesmo de o convertido clamar a DEUS, DEUS já o tem atraído pelo o ESPÍRITO SANTO. Paulo escreve este esforço de DEUS, nas seguintes e sublimes palavras: “e sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a DEUS, daqueles que são chamados por seu decreto. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.28-30).
1. A Presciência de DEUS
“presciência” é o aspecto da onisciência relacionado com o fato de DEUS conhecer todos os eventos e possibilidades futuros. No que diz respeito à salvação, a presciência de DEUS não afeta as decisões do homem, nem o seu livre arbítrio. As ações de um homem não são permitidas ou impedidas simplesmente porque são previstas ou conhecidas de antemão, por DEUS. No Novo Testamento, o termo “presciência” aparece, inclusive com conceitos paralelos, nos seguintes textos: Romanos 3.25; Atos 26.5; Romanos 8.29; 11.2; 1 Pd 1.20; 2 Pd 3.17; Atos 2.23 e 1 Pd 1.2. Estas passagens destacam três importantes fatos relacionados com o conceito de “presciência”. Primeiramente significa de fato “saber alguma coisa de antemão”. Alguns estudiosos da Bíblia negam que esta palavra envolva conhecimento, e então alegam que significa “amor de antemão”, porque conhecer pode ser usado como uma expressão correspondente, para amar. Entretanto quando a mesma palavra grega é usada em casos não-teológicos, esses mesmos estudiosos nunca interpretam o termo por “amor de antemão. Por exemplo, em Atos 26.5, o termo se refere a homens que conheciam a reputação de Paulo muito antes da sua chegada a Roma; e em 2 Pedro 3.17 a palavra é usada para designar um conhecimento prévio acerca dos falsos mestres.
2. A Eleição Divina
A palavra “eleição” no contexto da doutrina da salvação, não significa que DEUS escolheu alguns para serem salvos e outros para a perdição, sem qualquer participação da pessoa nessa escolha. No que diz respeito à salvação, eleição é a escolha de DEUS de algumas pessoas para a salvação e privilégios, baseada na escolha inicial feita Por essas mesmas pessoas. Atentemos para o que diz o apóstolo Paulo: “como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade” (Ef 1.4). Deste modo o “mérito” de sermos escolhidos não se baseia em nós mesmos, mas no “mérito” de estarmos em CRISTO. Assim como estamos “em” CRISTO, assim também fomos feitos dignos de sermos escolhidos (eleitos) por DEUS. A maior dificuldade em entender a eleição está no fator tempo. Daí a freqüência com que surge a seguinte pergunta: “se a pessoa é ‘eleita’ antes de lançados os fundamentos da terra, como, pois, a eleição pode ser baseada na fé em CRISTO?” Pedro responde a esta pergunta, dizendo o seguinte: “eleitos segundo a presciência de DEUS Pai, em santificação do ESPÍRITO, para a obediência e aspersão do sangue de JESUS CRISTO” (1 Pd 1.2). Baseado no seu conhecimento quanto à decisão que o crente tomaria, DEUS o elegeu, antes mesmo de lançados os fundamentos da terra.
3. A Predestinação
A doutrina da predestinação é uma das mais consoladoras doutrinas da Bíblia. Sua essência repousa no fato de que DEUS tem um plano geral e original para o mundo, e que seus propósitos jamais serão frustrados. Negativamente analisada, certamente que a predestinação não é uma manipulação da parte de DEUS das escolhas do homem. Isto o rebaixaria à posição de um fantoche, sem poder de escolha nem vontade. A predestinação nunca predetermina as escolhas dos homens, mas, sim, preordena as escolhas de DEUS no que concerne ao seu relacionamento com as inclinações, necessidades e escolhas dos homens. Sabendo de todas as possibilidades futuras, bem como os corações dos homens, DEUS fez um plano dos seus atos: atos estes que resultarão em maior glória para DEUS, na salvação do maior número de pecadores, e que contribuirão com o desenvolvimento da mais perfeita obediência de seus servos (Rm 8.28,29). A fim de entender a predestinação, é necessário distinguir entre predestinação e fatalismo. Fatalismo é uma crença herética que atribui as ações e escolhas do homem ao “determinismo” de DEUS. Ou melhor, DEUS decide o que o homem será e fará. Mediante o planejamento predeterminado por DEUS (a predestinação), a salvação é oferecida a todas as pessoas (Act 4.27,28) e é possível a todos quantos buscam a DEUS (Act 17.26,27). Por causa desta provisão, nenhuma pessoa poderá, em qualquer tempo, acusar DEUS de não lhe ter dado oportunidade para crer e se salvar (Rm 1.20). DEUS não apenas planeja uma maneira de todos os povos conhecerem a salvação, como também tem um plano para ajudar os crentes a progredirem na sua vida espiritual. “Também os predestinou para serem conforme a imagem de seu Filho” (Rm 8.29). Este plano, no entanto, depende da disposição do crente de corresponder em obediência a DEUS (Jr 15.19). DEUS “nos predestinou para ele, para adoção de filhos, por meio de JESUS CRISTO” (Ef 1.5). Fomos “predestinados... a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em CRISTO” (Ef 1.11,12).
4. O Chamamento
DEUS jamais força alguém a aceitá-Lo, mas certamente convida todos os homens a receberem a salvação. Para isto DEUS dispõe da sua graça e do poder do ESPÍRITO SANTO. Os atos de graça, mediante os quais DEUS concede a salvação e ajuda o homem a alcançá-la, são conhecidos como “chamamento de DEUS” (Rm 8.28). É importante compreender que o chamamento de DEUS para a salvação, é tanto universal quanto irresistível. Há três argumentos nas Escrituras quanto ao chamamento universal de DEUS aos homens para a salvação. São eles: DEUS deseja que todos os homens sejam salvos (2 Pd 3.9) mas não obriga o homem a aceitar a salvação, quer o homem queira, ou não. Os crentes são conclamados a “proclamar” o evangelho ao mundo inteiro e a “persuadir” os homens a aceitá-lo (Mt 28.19; 2 Co 5.11). A natureza universal do chamamento de DEUS é revelado no “convite da Escritura”. Lendo passagens como João 3.16; Isaias 55.1 e Mateus 11.28, notamos que o convite para a salvação não é seletivo, mas sim, coletivo, para todos quantos o atenderem. Não obstante o chamamento de DEUS seja dirigido a todos os homens, ele pode ser rejeitado (Jo 5.40; Act 7.51; Rm 10.21; Hb 10.29). O fato do chamamento de DEUS ser universal não faz a salvação um fato incondicionalmente universal. Assim como a redação através de CRISTO é suficiente para todas as pessoas, mas eficazmente para o que crê, assim também a chamada de DEUS é válida para o mundo inteiro, mas aplicável unicamente àqueles que a atendem.
5. Cooperação Com DEUS na Salvação
Quanto à doutrina da salvação, existem hoje duas correntes de interpretação: uma comprometida com o “determinismo”, e a outra com o “livre arbítrio”.
a) O Determinismo
O cristão determinista crê que DEUS predeterminou de antemão os salvos e os perdidos, independentemente da escolha humana. A salvação, portanto, é uma conseqüência inteiramente da graça de DEUS. Neste caso, a fé é expressa, não como uma decisão da parte do crente, mas, sim, como uma resposta à irresistível atuação de DEUS sobre o espírito do homem. Quanto aos predestinados á perdição eterna, segundo o determinismo, embora querendo ser salvos, lhes é negado este direito. Vieram ao mundo, podem ouvir a pregação do evangelho, porém jamais se salvarão, uma vez que DEUS decretou de antemão a perdição deles.
b) O Livre Arbítrio
Segundo esta corrente de interpretação, todos os tratos de DEUS com o homem, inclusive a eleição e a predestinação, estão baseados nas decisões que o homem toma, uma vez que é um agente livre para aceitar ou rejeitar o dom de DEUS. Mais que isto, todos os homens têm igual oportunidade de buscar a DEUS, ouvir o evangelho, se arrependerem de seus pecados e serem salvos.
c) Cooperando Com aSalvação
Os defensores do determinismo estão equivocados quando salientam demasiadamente a verdade da majestade, da graça e do poder de DEUS, em detrimento da insuficiência do homem para fazer qualquer coisa sem o auxilio divino. Ignoram a capacidade de decisão do homem quanto à determinação do seu futuro eterno. De igual modo os defensores do livre arbítrio correm o risco de enfatizar a livre agência do homem, reduzindo a fé a um ritual sem vida, levando o cristão a uma obediência apenas à letra do evangelho, esquecendo-se do poder de DEUS operante na sua vida. A salvação, como experiência prática, só é possível com a cooperação do crente. Quanto a isto diz o apóstolo Paulo: “de sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora, na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; porque DEUS é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.12,13).
III. O LADO HUMANO DA SALVAÇÃO
A salvação é obra de DEUS em favor do homem, e não do homem em favor de DEUS. Como já vimos, o homem é completamente incapaz de agradar a DEUS por si só, pois leva sobre si a sentença de “morte espiritual”. Por este motivo DEUS mesmo tomou a iniciativa de prover a salvação independentemente dos méritos e possibilidades do homem. Há, porém, uma coisa que DEUS não faz no que diz respeito à salvação do homem: DEUS não o obriga a aceitá-la. Antes de experimentar a conversão, o homem precisa desejá-la, dando lugar à operação divina.
1. O Que é Conversão
O termo “conversão”, literalmente, significa “virar-se para a direção oposta”. De acordo com a Bíblia, é o ato pelo qual o pecador se volta do pecado para JESUS CRISTO, tanto para obter perdão dos pecados como para liberta-se deles. Isso inclui livramento da pena do pecado. Embora nitidamente ligada ao arrependimento, a conversão difere dele, uma vez que o arrependimento enfatiza o aspecto negativo do abandono ou saída do pecado, enquanto que a conversão enfatiza o aspecto positivo da volta para CRISTO (1 Ts 1.9). O arrependimento nos retira de todos os amores ou inclinações pecaminosas, enquanto que a conversão nos faz voltar para o Esposo. O arrependimento produz tristeza pelo pecado, já a conversão produz alegria por causa do perdão e livramento da pena do pecado. O arrependimento nos leva à cruz; a conversão nos leva ao túmulo vazio do Salvador ressuscitado. A conversão fala do abandono da vida de pecador para abraçar a vida real e verdadeira oferecida por DEUS através de JESUS CRISTO (Act 14.15; 26.18; Ez 18.30). A verdadeira conversão envolve dois atos da parte do pecador: Dar as costas ao “eu” e ao pecado e crer em DEUS, voltando-se para Ele e abraçando a vida eterna (Act 26.30; Mt 7.14; 1 Ts 1.8,9). Se a pessoa não se chega a DEUS, buscando-o, a conversão é incompleta. O simples fato de rejeitar o pecado, resultado somente numa reforma humana provisória e não em transformação divina e plena.
2. O Que é Arrependimento
O arrependimento envolve uma completa mudança de pensamento sobre o pecado e a percepção da necessidade de um Salvador. O arrependimento faz o homem ficar tão contristado por causa do pecado, que ele aceita com alegria tudo o que DEUS requer para uma vida de retidão. A fé é o correlativo conseqüente do arrependimento. Os dois juntos – arrependimento e fé – constituem a conversão. A isso pode adicionar-se a obra divina do perdão. “Arrependimento para com DEUS e a fé em nosso Senhor JESUS CRISTO” (Act 20.21) necessariamente caminham juntos. O arrependimento para salvação é encorajado pelo conhecimento de que DEUS é propício ao pecador, não em fazer vista grossa ao seu pecado mas em mandar o seu Filho para morrer em lugar do pecador. A fé em CRISTO é encorajada pela compreensão do propósito e significado da sua morte. É então a pregação da cruz que induz o pecador ao arrependimento e a fé. O arrependimento não é a mesma coisa que remorso. O remorso é um beco sem saída; o arrependimento é estrada transitável. O remorso olha só para os nossos pecados; o arrependimento olha para além dos nossos pecados – para o calvário. O remorso nos devolve para nós mesmos; o arrependimento nos faz voltar para DEUS. O remorso nos faz odiar a nós mesmos, muito embora possamos ao mesmo tempo amar nossos pecados; o arrependimento nos leva a odiar nossos pecados e amar nosso Senhor num único ato. O remorso é a tristeza do mundo que “produz morte”; o arrependimento é “a tristeza segundo DEUS” e conduz à salvação (2 Co 7.10). Os passos que levam o homem ao arrependimento, uma vez DEUS operando, são: reconhecimento do pecado, tristeza pelo pecado e abandono do pecado.
3. O Que é Fé
Arrependimento é dizer “Não”, ao pecado, enquanto que a fé na salvação, é dizer “Sim”, a DEUS. Este é o lado afirmativo da conversão. Enquanto o arrependimento dá ênfase aos nossos pecados, a fé fixa os nossos olhos em CRISTO. A fé é um relacionamento vivo com CRISTO, baseado no amor, confiança e consagração da vida e da vontade a Ele. A fé não é um mero assentimento intelectual, mas um relacionamento pessoal com DEUS (Gl 2.19,20). A fé não é uma emoção que passa de uma pessoa para outra, mas uma convicção interior da pessoa (2 Tm 1.12). A fé não se dirige a um credo ou crença doutrinária, mas a uma pessoa (Cl 2.5). Fé não é um ato isolado na vida, mas uma maneira de se viver (Rm 1.17). A fé não é uma simples confissão, mas uma dedicação ou entrega, evidenciada pelas “obras da fé”, na vida da pessoa (Tg 2.18). A palavra “fé” aparece cerca de 240 vezes no Novo Testamento, nem sempre se referindo à fé para a salvação. A fé salvadora é mais do que um assentimento mental ou reação; é um relacionamento vivo entre duas pessoas: DEUS e o homem. Pela impossibilidade do pecador autogerar a fé salvadora em beneficio próprio, a Bíblia a apresenta como um dom de DEUS (Fp 1.29; Hb 12.2; Rm 12.3).
IV. A JUSTIFICAÇÃO
O Antigo Testamento utiliza duas formas diferentes do mesmo termo hebraico (hidsdik e tsiddek) para expressar o conceito de justificação. Esses termos, exceto em algumas passagens, não indicam uma mudança moral operada por DEUS no homem, mas regularmente designam uma declaração divina a respeito do homem. Transmitem a idéia de que DEUS, em sua qualidade de juiz, declara o homem justo (Dt 25.1; Pv 17.15; Is 5.23; Sl 143.2). O termo do Novo Testamento (dikaio-o) tem o mesmo significado, isto é, declarar justo (Rm 3.20-28; 4.5-7; Gl 2.16; 3.11; 5.4; Rm 8.33,34; Jo 3.18; 5.24; 2 Co 5.19). Entende-se, pois que o termo “justificar” não significa fazer, mas declarar justo.
1. A Natureza e as Características da Justificação
Por “justificação”, entende-se o ato pelo qual DEUS declara posicionalmente justa a pessoa que a Ele se chega através da pessoa de JESUS CRISTO. Esta justificação envolve dois atos: o cancelamento da dívida do pecado na “conta” do pecador, e o lançamento da justiça de CRISTO em seu lugar. Tornado-se mais claro: justificação não é aquilo que o homem é ou tem em si mesmo, mas aquilo que o próprio CRISTO é e faz na vida do crente. “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em CRISTO JESUS, a quem propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter DEUS, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça, no tempo presente, para ele mesmo ser justo e justificador daquele que tem fé em JESUS (Rm 3.24-26). “Não se deve confundir justificação com regeneração. A justificação tem lugar fora de nós, junto ao trono de DEUS, onde Ele nos declara justos. É, pois, coisa objetiva. A regeneração é obra divina operando em nosso interior. É por isso, subjetiva. A justificação é o veredito de DEUS, e a regeneração é uma experiência humana. A justificação é o que DEUS faz por nós; a regeneração é o que DEUS faz em nós. A justificação muda a nossa posição, ou situação; a regeneração tem a ver com o nosso estado. A justificação muda a nossa relação para com DEUS; já a regeneração muda a nossa “natureza” (Os Oitos Pilares da Salvação – Editora Betânia – Pág. 74).
2. Elementos da Justificação
Existem especialmente dois elementos na justificação, um negativo e outro positivo.
a) O Elemento Negativo
O elemento negativo da justificação é o perdão dos pecados com base na justiça imputada por CRISTO. O efeito produzido pelo ato da justificação se aplica a todos os pecados passados, presentes e futuros por isso incluem a libertação de toda a culpa e castigo. Isto acontece devido ao fato de que a justificação não se pode repetir (Rm 5.21; 8.1,32-34; Hb 10.14; Sl 103.12; Is 44.22).
b) O Elemento Positivo
O elemento positivo da justificação se distingue em duas partes: primeiro a adoção de filhos e segundo o direito a vida eterna. Pelo processo da justificação DEUS adota o crente como seu filho, conferindo-lhe todas as regalias decorrentes dessa filiação. Esta filiação por adoção deve ser distinguida da filiação moral dos crentes que resulta da regeneração e santificação. Deste modo os crentes são filhos de DEUS, não apenas em decorrência da adoção, e portanto num sentido jurídico, mas também em virtude do novo nascimento, conseqüentemente num sentido espiritual (Manual de Doutrina Cristã – Editora Luz Para o Caminho e Ceibel – Págs. 232,233). Já o direito à vida eterna está virtualmente incluído no elemento precedente. Quando os pecadores são adotados como filhos de DEUS, tomam posse de todos os direitos legais de filhos, e se tornam herdeiros de DEUS e co-herdeiros com CRISTO (Rm 8.17). Constituem-se herdeiros de todas as bênçãos da salvação na vida presente, e além dessas recebem o direito a “herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada no céu” para eles (1 Pd 1.4).
3. Obtenção e Conservação da Justificação
Os efeitos da justificação pela fé abrangem a totalidade da vida do crente. No passado, a fé justificou-o, libertando-o inicialmente da condenação do pecado. No presente, a fé continua a justificá-lo, libertando-o da prática do pecado. Na medida em que ele continua na fé, a justificação do crente culminará na glorificação, libertando-o para sempre da presença do pecado. “Desde o momento da conversão até o fim da vida terrena, a justificação é sempre a mesma. O crente poderá necessitar de perdão como filho do Pai, mas nunca mais será considerado criminoso perante o Juiz. A justificação é o ato de juiz; o perdão é o ato de pai. A justificação abrange o passado, presente e o futuro. A questão do pecado, entre a alma e DEUS, foi resolvida para sempre. É possível o crente ser um filho desobediente, e assim necessitar da vara de castigo do Pai, mas nunca mais pode ser considerado pecador perdido e sujeito à condenação do Juiz” (A Doutrina da Salvação – EETAD – Pág. 70).
4. Os Benefícios da Justificação
A justificação não é uma experiência, é uma declaração legal de justiça, só possível mediante um relacionamento com CRISTO. Esta declaração traz inúmeros benefícios à vida do crente justificado, entre os quais se destacam os seguintes:
a) Um Novo Relacionamento com a Lei
A justificação concede ao crente uma nova posição em relação à Lei de DEUS. Uma vez que a lei divina exigia obediência como condição de o homem obter a vida eterna (Rm 8.3,4), e como o homem jamais foi capaz de cumprir inteiramente com as exigências divinas neste sentido, em vez de abolir a lei, DEUS enviou JESUS CRISTO para cumprir-la por nós (Mt 5.17). Deste modo, por meio de JESUS CRISTO, “todo o que crê é justificado de todas as coisas das quais vós não pudestes ser justificados pela lei de Moisés” (Act 13.39).
b) Um Novo Relacionamento com DEUS
Mediante a justificação, a separação existente entre DEUS e o homem por causa do pecado, é abolida através de JESUS CRISTO, e transformada em “paz com DEUS”. A ira de DEUS é traduzida em benignidade, legal e completamente. “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com DEUS, por meio de nosso Senhor JESUS CRISTO... Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5.1,9).
c) Uma Nova Concepção da Culpa Pessoal
Mediante a justificação, o crente é uma pessoa livre do peso da culpa pessoal (Rm 5.1). No que pesem as lembranças dos pecados de outrora, e as acusações por parte do Diabo, o crente se mantém confiante na provisão justificadora de DEUS em seu favor na pessoa de CRISTO. Deste modo “quem intentará acusação contra os eleitos de DEUS? É DEUS quem os justifica. Quem os condenará? É CRISTO JESUS quem morreu” (Rm 8.33). Independentemente do pecado outrora cometido, todo ele foi absolvido pela obra meritória de JESUS no calvário. “Quanto está longe o oriente do ocidente, assim afasta [o Senhor] de nós as nossas transgressões” (Sl 103.12).
d) Uma Nova Concepção do Futuro
A justificação tem o duplo mérito de nos liberta tanto da culpa do passado quanto dos temores do futuro. Uma vez justificado por DEUS, o crente pode saber, nesse exato momento, que é salvo. Ele não precisa esperar até à consumação dos séculos, para ver se foi “suficientemente bom” para merecer a salvação. O crente encara com confiança o futuro, sabendo que, a qualquer momento, poderá entrar na presença de DEUS, purificado de todos os seus pecados e vestido com as vestes da justiça do CRISTO. “A fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna” (Tt 3.7). “Porque me cobriu de vestes de salvação, e me envolveu com o manto da justiça” (Is 61.10).
V. A REGENERAÇÃO
A regeneração é a obra sobrenatural por graça e instantânea de DEUS que outorga nova vida ao pecador que aceita a CRISTO como seu salvador pessoal. Através desse milagre, o pecador é ressuscitador da morte (do pecado) para a vida (na justiça de CRISTO). Esta nova vida é a natureza divina que passa a habitar no crente, mediante o poder do ESPÍRITO SANTO (Tt 3.5; Jo 1.12,13). Sem esta miraculosa transformação espiritual, o pecador arrependido permaneceria morto na sua natureza pecaminosa (Ef 2.1) e incapaz de conhecer a DEUS num relacionamento pessoal (Rm 8.7).
1. A Necessidade da Regeneração
Através de JESUS CRISTO DEUS propicia a todos os homens o privilégio duma nova vida. Neste sentido a necessidade da regeneração espiritual do pecador é necessária, pelo menos por três razões:
Primeira é necessária para entrar no reino de DEUS: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de DEUS” (Jo 3.3).
Segunda é necessária para resistir ao pecado: “Todo aquele que é nascido de DEUS não vive na prática do pecado” (1 Jo 3.9).
Terceira é necessária para uma vida de retidão: “Reconhecereis também que aquele que prática a justiça é nascido dele” (1 Jo 2.29).
2. Os Meios para a Regeneração
A Bíblia diz que assim como o etíope não pode mudar a cor de sua pele, nem o leopardo mudar as suas manchas, tampouco pode o homem mudar para melhor a sua natureza pecaminosa (Jr 13.23). Qualquer esforço humano neste sentido redundaria em fracasso. O fato de o homem, por seus próprios esforços, poder refrear a prática de determinados pecados mais grosseiros e de se dar à prática de boas obras, não o dignifica como nova criatura diante de DEUS. Comparada com a mudança que o ESPÍRITO SANTO quer fazer na vida do pecador, qualquer mudança resultante de esforços próprios será vã aos santos olhos de DEUS. Só DEUS pode operar o milagre do novo nascimento, transformando o homem a partir do seu interior. Para alcançar experimentalmente este milagre da parte de DEUS, o pecador precisa fazer apenas duas coisas:
a) Ouvir a Palavra de DEUS
A primeira coisa que o pecador deve fazer, habilitando-se para o novo nascimento, é ouvir a Palavra de DEUS. O Evangelho não é uma mensagem morta, mas, sim, uma semente viva. Quanto a isto testificam Pedro e Tiago: "Pois fostes regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de DEUS, a qual vive e é permanente" (1 Pd 1.23) "Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas” (Tg 1.18).
b) Crer na Palavra de DEUS
A mensagem do amor de DEUS pode produzir um grande anseio no coração; mas somente quando o homem responde positivamente a esta mensagem, pela fé, é que terá lugar a transformação divina do coração. "E o testemunho é este, que DEUS nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de DEUS não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, a fim de que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de DEUS" (1 Jo 5.11-13; Jo 1.12,13).
3. Regeneração é Mudança
A regeneração não trata duma mudança evolucionária e sim revolucionária. Também não é uma reforma. A reforma tem a ver com os projetos humanos, enquanto que a regeneração é um ato divino. A reforma é algo ligado ao exterior, ao passo que a regeneração é mudança no interior, que Vem de dentro. A reforma afeta a conduta sem modificar o caráter, e a regeneração afeta a conduta modificando o caráter. A reforma é uma aquisição, e a regeneração é transformação. A reforma é um esforço,e a regeneração é nova vida. A reforma é uma dotação que muitas pessoas pensam Ievá-la ao reino de DEUS; a regeneração é uma exigência para se entrar nesse reino (Jo 3.3.). "A educação e a instrução jamais levam o homem pura além do topo do seu crânio. Além disso, precisa ele duma obra divina vinda duma esfera superior, se quiser entrar nessa esfera. Precisa ser regenerado, ou nascer de novo” (Os Oitos Pilares da Salvação – Editora Betânia – Pág. 61).
4. O Simbolismo do Batismo em Águas
A verdade central da regeneração é que o crente é uma nova criatura, que foi separada do seu passado de pecado e destinada a viver em novidade de vida. "E assim, se alguém está em CRISTO, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas" (2 Co 5.17). O ato do batismo por imersão, em águas, é um símbolo visual de o crente ter morrido completamente para a vida velha de outrora, e da sua disposição de viver vida nova: “Fomos, pois sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como CRISTO foi ressuscitado dentre os mortos peIa glória do Pai, assim andemos em novidade de vida" (Rm 6.4). Alguém pode perguntar: "Se o batismo em águas é apenas um simbolismo, por que eu preciso ser batizado?” A resposta é que DEUS ordenou este meio de demonstração diante do mundo, do nosso rompimento com a vida de outra, marcando assim um novo começo. Deste modo, batizar-se em águas não é uma opção para o crente, é um mandamento de CRISTO (Mt 28.19; Act 2.38; 10.48).
VI. A ADOÇÃO
Humanamente falando, adoção é o processo pelo qual uma criança é trazida e aceita numa família, quando por natureza não tinha direito algum de pertencer àquela família. Esta transação legal traz como resultado, a criança tornar-se um filho; um novo membro da família, com plenos direitos sobre o patrimônio da família que a adotou. A adoção espiritual é baseada neste mesmo princípio, se bem que a adoção divina é infinitamente mais abrangente no seu alcance e finalidade. Depois que o homem, que por natureza é filho da ira, (Ef 2.3) crê em CRISTO, é feito filho de DEUS, e passa a ter os direitos e privilégios inerentes àquela posição: o privilégio da filiação, de ser membro da família de DEUS, e o direito de ser herdeiro de DEUS e co-herdeiro com CRISTO (Rm 8.15-17).
1. O Crente Como Filho de DEUS
O relacionamento filial do crente com DEUS independe do tempo. Não é uma esperança futura, mas um usufruto presente. Quanto a isto escreve o apóstolo João: "Amados, agora somos filhos de DEUS, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é" (1 Jo 3.2). Um dos privilégios que goza o filho de DEUS diz respeito à estreita comunhão que ele goza com o seu Pai celestial. Contrastando o relacionamento amoroso e filial que o crente goza com DEUS, com a atitude de um escravo que treme de medo diante do seu senhor, escreve o apóstolo Paulo: "Porque não recebestes o espírito da escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai" (Rm 8.15). A Bíblia ensina o crente a temer a DEUS, mas numa atitude de respeito e reverência, e não de angústia e de medo. O ESPÍRITO de CRISTO libertou o crente do medo servil de ser castigado ou rejeitado por causa do menor erro que pudesse desagradar a seu Senhor. O crente deve saber que é filho e não mero empregado de DEUS. Como filho de DEUS o crente deverá obedecer-lhe; (Mt 5.16; Fp 2.15; 2 Co 6.17.18), sujeitar-se à orientação e disciplina do seu Pai; (Rm 8.14,16; Hb 12.5,6,12,13) ir à presença do Pai livre e desimpedidamente, tantas vezes deseje (Ef 2.18; Mt 6.31,32; Fp 4.19).
2. O Crente Como Irmão de JESUS CRISTO
Ao adotar o crente como filho, DEUS criou uma posição de honra e dignidade anteriormente inexistente. Este fato modificou toda a hierarquia do Universo. Deste modo, apesar de os anjos terem sido criados superiores ao homem, mediante a provisão divina para a salvação e adoção do crente, este foi exaltado para dominar sobre os anjos (Hb 2.7,5; 1.14). Hebreus 2.11, diz que CRISTO não se envergonha de chamar os crentes de "irmãos". Ser chamado "filho de DEUS" é em si um privilégio difícil de entender, mas ser chamado "irmão de JESUS CRISTO" é quase além da imaginação. É um fato extremamente maravilhoso! Em CRISTO, todos os crentes foram feitos irmãos uns do outros. JESUS disse: "Porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos" (Mt 23.8). Aqueles que fazem parte da família de DEUS participam de um amor e solicitudes especiais uns para com os outros. É exatamente este amor que comprova a realidade da nossa adoção como filhos de DEUS. "Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte" (1 Jo 3.14). "Nisto conhecerão todos que sois meus "discípulos, se tiverdes amor uns aos outros" (Jo 13.35).
3. O Crente Como Herdeiro do Céu
Mediante a adoção divina, o crente não somente é elevado à oposição de participante da aristocracia do Céu, como também torna-se herdeiro do maior patrimônio do Universo: “... somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de DEUS e co-herdeiros com CRISTO" (Rm 8.17). Em contraste com as heranças terrestres que são entregues ao herdeiro só quando o pai morre, o crente recebe a sua herança em abundante vida. Além da herança recebida aqui como usufruto e antegozo, dentre outras coisas, DEUS nos assegura: "um reino de glória... uma pátria melhor, uma cidade... uma coroa de glória. uma coroa de vida, uma coroa de justiça... eterno peso de glória... verão a sua face... reinarão para sempre e sempre... para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros, que sois guardados pelo poder de DEUS, mediante a fé, para salvação preparada para revelar-se no último tempo" (1 Pd 1.4,5). São as imensuráveis riquezas de CRISTO, o nosso "irmão mais velho", que nos fazem abundantemente ricos também. "Pois conheceis a graça de nosso Senhor JESUS CRISTO, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que pela sua pobreza vos tornásseis ricos" (2 Co 8.9).
4. Bênçãos Decorrentes da Adoção
Dentre as incontáveis bênçãos decorrentes da adoção divina, através da qual somos feitos legítimos filhos de DEUS, se destacam as seguintes:
a) Libertação da Escravidão da Lei
Ismael e Isaque não podiam viver sob o mesmo teto. Ismael era o filho da escrava, enquanto Isaque era filho da esposa legítima (Gl 4.21-30) "E assim, irmãos, somos filhos não da escrava e sim da livre" (Gl 4.31). "DEUS enviou seu Filho... para resgatar os que estavam sob a lei para que recebêssemos a adoção de filhos" (Gl 4.4,3). Esse lugar de adoção tira de nosso pescoço o jugo do qual diz o apóstolo - "nem nossos pais puderam suportar, nem nós" (Act 15.10). A adoção traz-nos à liberdade não de pecar, mas da filiação.
b) Libertação do Medo
Os filhos de DEUS com freqüência sofrem temores – o temor de falhar o medo passado, do presente, do futuro; e o medo de Satanás, ou do homem, ou de si mesmo. Esses temores e medos não provêm de DEUS, uma vez que "DEUS não nos tem dado o espírito de covardia" (2 Tm 1.7). A apropriação dos nossos direitos de adoção nos livrará do temor. "Porque não recebestes o espírito de escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção" (Rm 8.15). Há grande conforto e alívio ao nos lembrarmos que podemos confiar no cuidado do Pai celeste uma vez que somos seus filhos pela fé em JESUS CRISTO. Deste modo o medo é anulado para dar lugar à confiança filial.
c) Segurança e Certeza
“O próprio ESPÍRITO dá testemunho com o nosso espírito, de que somos filhos de DEUS" (Rm 8.16). Uma vez que o testemunho do ESPÍRITO SANTO é um testemunho verdadeiro, então há grande segurança e certeza no seu testemunho. A exclamação Aba, Pai é coisa real, nascida do próprio ESPÍRITO de DEUS. Isso nos liberta da incerteza no que diz respeito ao porvir, e também de arrependimentos do passado, ao mesmo tempo em que nos leva à presente comunhão com o Pai, a quem pertencemos.
VII. A SANTIFICAÇÃO
Santificação é a obra da graça pela qual o crente é separado do ego e da pecaminosidade interior, e, pela concessão do ESPÍRITO SANTO, separado para a santidade de DEUS. Marca uma crise subseqüente à conversão quando o pecador é levado a ver sua necessidade e se apropria da provisão que DEUS fez por ele (Os Oitos Pilares da Salvação – Editora Betânia – Pág. 89).
1. A Natureza da Santificação
"Santificação", na Bíblia é um termo de grande abrangência e de rico significado para a vida do crente. Relacionada com a experiência da vida cristã, a santificação tem a ver com o tempo passado, presente, e futuro da sua vida. Para melhor compreender isto, atentemos para os três tempos da santificação:
a) Santificação do Passado
"Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de JESUS CRISTO, feita uma vez ... Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (Hb 10.10,14).Em CRISTO o crente é posicionalmente santificado no momento da sua conversão. Este nível de santificação se dá como concessão divina através de JESUS CRISTO, independentemente do que o crente possa ou não fazer. Aqui a santificação é uma experiência instantânea. Isto é: posicionalmente, em CRISTO, o crente não poderá ser mais santo amanhã do que é hoje.
b) Santificação no Presente
"E o mesmo DEUS de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor JESUS CRISTO" (1 Ts 5.23). Aqui temos a santificação ao nível da experiência cristã no cotidiano. Fala da assimilação da vontade de DEUS pelo cristão no seu dia-a-dia. Falando da santificação como uma realidade presente, escreveu o apóstolo Paulo: “Não que já na tenha alcançado ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também 4preso por CRISTO JESUS. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de DEUS em CRISTO JESUS” (Fp 3.12-14). A santificação como experiência presente fala do nosso crescimento em CRISTO, da maturidade da vida cristã e do progresso espiritual capaz de conduzir o crente a alcançar a estatura de varão perfeito.
c) A Santificação no Futuro.
“Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do DEUS vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos,à universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a DEUS, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; e a JESUS, o Mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel” (Hb 12.22-24). Só quando os crentes adentrarem o grande portal de cristal das mansões de DEUS cumprir-se-á na sua inteireza o ideal joanino: “Amados, agora somos filhos de DEUS, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” (1 Jo 3.2).
2. O Propósito da Santificação
A santificação tem como finalidade primordial acudir a necessidade mais profunda da criatura humana, identificando com CRISTO. Essa necessidade está retratada com matizes mui vivos no capítulo 7 da carta de Paulo aos Romanos, de acordo com este escrito de Paulo, existe um inimigo interior chamado "a lei do pecado"; e que há necessidade da obra regeneradora do ESPÍRITO no sentido de que o pecador “tenha prazer na lei de DEUS". Também é preciso que o ESPÍRITO revele ao pecador que "em mim... não habita bem algum". A santificação é a provisão feita por DEUS. Mas, como podemos experimentar a apropriação disso? Pela identificação com CRISTO em sua morte. Devemos consentir em morrer com CRISTO em sua morte. Precisamos subir à cruz com Ele, e de toda a nossa vontade renunciar ao ego que há causado todos os nossos distúrbios. A crucificação é o único meio de libertação. "Estou crucificado com CRISTO” (Gl 2.19). Que tem tudo isso a ver com a santificação? Simplesmente isto: O ESPÍRITO SANTO não santificará a vida egoísta, ou a natureza pecaminosa. Essa precisa identificar-se com CRISTO na cruz antes que o ESPÍRITO SANTO possa realizar sua obra de santificação e enchê-Ia. Pode acontecer que nossa compreensão de tudo isso seja um tanto vaga no tempo em que nos entregamos ao enchimento do ESPÍRITO, mas Ele nos conduzirá fielmente para frente, e, seja qual for a luz que Ele nos fornecer no futuro, é contrabalançada pelo fato de que toda controvérsia foi resolvida quando nos entregamos a Ele" (Os Oitos Pilares da Salvação – Editora Betânia – Pág.94).
3. Meios da Santificação
Na obra da santificação há o lado humano e o lado divino. Do lado divino a obra é completa e resultante duma série de fatores, dignos da consideração do crente.
a) Somos Santificados Pela Palavra
JESUS orou ao Pai acerca dos seus discípulos, dizendo: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade" (Jo 17.17-19). A Palavra de DEUS tem o mérito de purificar e lavar as manchas do pecado que maculam a alma e prejudicam as relações entre DEUS e o homem. Para tanto, torna-se, imprescindível que o crente ame-a, leia-a e permita que ela faça parte da sua vida cotidiana.
b) Somos Santificados Pelo Sangue de JESUS
Sobre o sangue carmesim do nosso Salvador repousa toda a nossa pureza e vitória. "Por isso foi que também JESUS, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta" (Hb 13.12).Sempre que o ESPÍRITO SANTO lida conosco, seja por causa dos nossos atos pecaminosos ou por causa da nossa natureza tendente ao pecado, Ele nos faz voltar ao calvário e nos conscientiza de que o sangue derramado na cruz não foi em vão, mas é eficaz para romper com o círculo do pecado em nossa vida.
c) Somos Santificados Pela Trindade
A Bíblia atribui a santificação cristã tanto ao Pai, como ao Filho e ao ESPÍRITO SANTO:
-"E o mesmo DEUS da paz vos santifique em tudo” (1 Ts 5.23).
-"Pois, tanto o que santifica [o contexto refere-se a JESUS], como os que são santificados, todos vêm de um só” (Hb 2.11).
-"DEUS vos escolheu desde o princípio, para a salvação pela santificação do Espíritofé na verdade” (2 Ts 2.13).
-"Eleitos... em santificação do ESPÍRITO" (1 Pd 1.2).
Uma vez que o DEUS Trino e Uno opera em favor da nossa santificação, devemos cooperar com Ele.
4. O Lado Humano da Santificação
O lado humano da santificação envolve dois atos da parte do crente, são eles: separação e dedicação.
a) Separação do Pecado
"Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra" (2 Tm 2.21).
A presença do pecado na nossa vida é incompatível com o interesse de DEUS em nos usar no cumprimento da sua vontade.
b) Dedicação ao Serviço de DEUS
Só após serem purificados de- pecados é que os crentes poderão assimilar em suas vidas o ideal do ESPÍRITO SANTO como diz o apóstolo Paulo: "Rogo-vos pois, irmãos pela compaixão de DEUS, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a DEUS, que é o vosso culto racional" (Rm 12.1). DEUS não arrasta ninguém pelo caminho do discipulado, da dedicação e serviços verdadeiros. É um ato espontâneo e completo da parte do cristão.
VIII. É POSSÍVEL PERDER A SALVAÇÃO?
No V Século da nossa era, Agostinho pontificou que o crente, em circunstância alguma, poderá perder a salvação. Segundo ele, o crente uma vez salvo, permaneceria salvo por toda a eternidade, independentemente das suas ações ou atitudes. Esta declaração deu início a um debate doutrinário e teológico que permanece até os nossos dias.
1. O Argumento das Escrituras
Um dos maiores argumentos bíblicos, segundo o qual o crente pode perder a salvação, é a freqüente menção do condicional "se", com respeito à salvação. As porções bíblicas dadas a seguir demonstram que a salvação como uma experiência humana, depende da situação do crente, e é manifesta em expressões bíblicas tais como: "Permanecer em CRISTO", "Continuar na fé", "andar na luz", "não retroceder", etc. Segue-se uma lista de trechos das Escrituras onde estas frases aparecem.
-"Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora" (Jo 15.6).
-"Se é que permaneceis na fé" (Cl 1.23).
- "Se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei” (1 Co 15.2).
-"Se negligenciardes tão grande salvação" (Hb 2.3).
-"Se de fato guardarmos firmes até ao fim a confiança" (Hb 3.14).
-"Se retroceder” (Hb 10.38).
-"Se, porém, andarmos na luz” (1 Jo 1.7).
2. Advertências Diretas
A Bíblia contém muitas advertências acerca do perigo de cair da graça divina. Paulo advertiu os santos que achavam que fazendo o que quisessem mesmo assim estariam salvos: "Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia” (1 Co 10.12). O escritor da epístola aos Hebreus advertiu que é possível deixar o coração encher-se de descrença, ao ponto de perder a salvação: "Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do DEUS vivo" (Hb 3.12). A epístola de Judas leva-nos a meditar nos santos do Antigo Testamento, nos dias de Moisés, quando diz: "Quero, pois, lembrar-vos que o Senhor, tendo libertado um povo tirando-o da terra do Egito, destruiu, depois, os que não creram" (Jd v.5). Há uma exortação severa de João, que não deixa dúvida alguma quanto à possibilidade de alguém perder a sua salvação: "O vencedor, de nenhum modo sofrerá o dano da segunda morte” (Ap 2.11). “Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa" (Ap 3.11).
3. Exemplos a Considerar
A Bíblia não apenas ensina sobre a possibilidade de se perder a salvação, como também registra casos de várias pessoas que viraram as costas para DEUS, perdendo por completo a comunhão com Ele. No Antigo Testamento, lemos acerca de Saul que "DEUS lhe mudou o coração" e que "o ESPÍRITO de DEUS se apossou de Saul" (1 Sm 10.9,10). Mais tarde, porém, tomou-se possuído dum espírito maligno, e acabou a sua vida cometendo suicídio. Está dito de Salomão, que na sua juventude "amava ao Senhor, andando nos preceitos de Davi, seu pai" (1 Rs 3.3). Mais tarde, porém, ele rejeitou a DEUS e começou a adorar os falsos deuses (1 Rs 11.1-8). Felizmente, em tempo, retornou a DEUS, não porque fosse predestinado à salvação, mas porque deu lugar ao arrependimento no seu coração. No Novo Testamento, o exemplo mais destacado dum desviado e apóstata, éo de Judas Iscariotes. Judas no princípio era um verdadeiro crente, pois jamais CRISTO confiaria a um pecador o ministério de evangelizar curar enfermos e expulsar demônios (Mt 10.7,8). Porém, já por ocasião da última Ceia Judas havia abandonado a fé. CRISTO sabia que Judas ja não fazia parte do grupo dos salvos. O próprio Judas confirmou isto, quando traiu a CRISTO e cometeu suicídio. Himeneu e Alexandre, dois dos cooperadores de Paulo pós manterem a fé e boa consciência, naufragaram na fé, pelo que Paulo os entregou a Satanás (1 Tm 1.19,20). Demas, outro associado ministerial de Paulo é declarado um ajudante fiel. Estava presente quando Paulo escrevia suas epístolas aos Colossenses e a Filemom (Cl 4.14; Fl v.24). Paulo mesmo o chamou de "cooperador" seu. É, pois, difícil compreender que Demas não fosse um crente verdadeiramente salvo. Apesar disto, mais tarde abandonou a fé, literalmente perdeu a salvação, por causa do seu "amor' ao presente século" (2 Tm 4.10). Apesar de tudo, o crente não tem porque ter medo. Pois aquele que não dormita e nem dorme, "aquele que te guarda" (Sl 121.3), diz: "Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10).
 
 
Soteriologia a Doutrina da Salvação - Teologia Sistemática Pentecostal - Pr. Antônio Gilberto
 
Em Tito 3.5, está escrito: “segundo a sua misericórdia nos salvou”. O verbo está no pretérito: “nos salvou”. Isso nos leva a refletir sobre a certeza dessa gloriosa salvação em CRISTO JESUS. Somos salvos mesmo? Temos visto casos de crentes antigos que descobrem, para a surpresa de muitos, que ainda não eram salvos segundo o evangelho!
Por que as igrejas de Efeso e Corinto eram tão diferentes? Aos coríntios disse Paulo, inspirado pelo ESPÍRITO SANTO: “Vigiai justamente e não pequeis; porque alguns ainda não têm o conhecimento de DEUS; digo-o para vergonha vossa” (I Co 15.34). Apenas fazer parte de uma congregação formada por salvos não significa ser salvo!
A salvação não é coletiva, e sim individual. Vemos que, no passado, entre o povo de DEUS viveu um povo denominado o “vulgo” (Nm 11.4; Ex 12.38). Esse “vulgo” não era convertido e tornou-se em Israel uma perturbação, uma fonte de fraquezas, de desobediência, de rebeldia e de pecado. Em Lucas 15.8 JESUS contou uma parábola acerca de uma moeda perdida dentro de casa. E no livro de Ezequiel menciona-se uma ovelha “perdida” dentro do rebanho (34.4b). O leitor tem plena convicção da parte de DEUS de que está salvo mesmo} Por CRISTO, segundo “o evangelho da vossa salvação”? (Ef 1.3; Rm 1.16,17; Tt 3.5).
Em Lucas 9.23, JESUS disse: “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me”. Observe a parte final do versículo: “e siga-me”. O que significa isso? È perseverar em seguir ao Senhor JESUS; é persistir em seguir aos passos dEle. Enfim, implica ser um dos seus discípulos. Na aludida referência, JESUS não falou primeiramente de “vir a mim”, mas “vir após mim”.
O que é ser um discípulo dEle segundo o evangelho? Consideremos o texto de Lucas 14.26,27,33:
Se alguém vier a mim e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher; e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.
E qualquer que não levar a sua cruz e não vier após mim não pode ser meu discípulo. Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.
Como vemos no texto acima, o Senhor JESUS aplica um tríplice teste pelo qual se confirma um verdadeiro discípulo. Por três vezes, o Mestre disse: “não pode ser meu discípulo”. Somos — eu e o leitor — de fato discípulos de JESUS, ou apenas pensamos que o somos?
O QUE É SALVAÇÃO
O que é a salvação em CRISTO? A palavra “salvação” é de profundo significado e de infinito alcance. Muitos têm uma concepção muito pobre da inefável salvação consumada por JESUS, o que às vezes reflete numa vida espiritual descuidada e negligente, em que falta aquele amor ardente e total por JESUS e a busca constante de sua comunhão.
Salvação é uma milagrosa transformação espiritual, operada na alma e na vida — no caráter — de toda a pessoa que, pela fé, recebe JESUS CRISTO como seu único Salvador pessoal (Ef 2.8,9; 2 Co 5.17; Jo 1.12; 3.5). Observe as afirmações bíblicas “é nova criatura” (conversão) e “tudo se fez novo” (nova vida, novo e íntegro caráter).
Não se trata apenas de livramento da condenação do inferno; a salvação abarca todos os atos e processos redentores, bem como transformadores da parte de DEUS para com o ser humano e o mundo (isto é, a criação), através de JESUS CRISTO, nesta vida e na outra (Rm 13.11 I; Hb 7.25; 2 Co 3.18; Ef 3.19).
Pessoalmente — isto é, em relação à pessoa —, a salvação que CRISTO realiza abrange: a regeneração espiritual do crente, aqui e agora (Tt 3.5; 2 Co 3.18); a redenção do corpo do crente, no futuro (Rm 8.23; I Co 15.44); e a glorificação integral do crente, também no futuro (Cl 3.4; Ef 5.27).
Como receber a salvação. Há três passos necessários para um pecador receber a gloriosa salvação em CRISTO. Primeiro, reconhecer mediante o evangelho que é pecador (Rm 3.23). Segundo, confiar em JESUS como o seu Salvador (Ato 16.31). Terceiro, confessar que o Senhor JESUS é o seu Salvador pessoal, “Visto que... com a boca se faz confissão para a salvação” (Rm 10.10).
A obediência honesta do pecador movido por DEUS a esses três passos resultará na sua salvação, operando o ESPÍRITO SANTO e a Palavra. Isso não falha; não se trata de uma mera teoria; é a verdade de DEUS sobre a salvação do pecador, revelada aos homens segundo a infalível Palavra de DEUS e o testemunho da infinitude de salvos em CRISTO por toda parte.
Pleno conceito e convicção de salvação. Vemos em Hebreus 2.3 uma cristalina verdade sobre a salvação: “... uma tão grande salvação”. O que denota esta expressão? Ela diz respeito às riquezas imensuráveis da salvação; às bênçãos subseqüentes a ela; à eternidade infinita dela; ao seu alcance imensurável; e à sua sublimidade.
Se todos os crentes tivessem uma plena visão da salvação; se pudessem ver plenamente ao longe a tão grande salvação que receberam, com certeza teriam atitudes diferentes no seu dia-a-dia. Teríamos tanto regozijo, tanta motivação, tanto entusiasmo, tanta convicção, tanto anseio e enlevo pelo céu, que não haveria na Terra um só salvo descontente, descuidado, negligente e embaraçado com as coisas desta vida e deste mundo!
Ademais, teríamos uma tão profunda compreensão do que é o céu — e, por isso, teríamos tanto desejo de ir para lá—, que o Diabo não teria na igreja um só fã, um só admirador de suas coisas, um só aliado. Mas, há crentes que admiram e gostam das coisas do Maligno e se aliam a ele. Por mais que não admitam, pelo fato de não atentarem para a “tão grande salvação”, tornam-se vulneráveis às investidas do Tentador.
Visão atrofiada da salvação. Inúmeros crentes, por terem uma visão atrofiada da salvação em CRISTO, levam uma vida comprometida com o mundo, descuidada, negligente, sem amor, sem dedicação, sem ideal, sem uma busca constante da face do Senhor. Quais devem ser os passos normais de uma vida salva:
Regeneração espiritual;
Plenitude do ESPÍRITO SANTO;
Maturidade espiritual;
Dedicação ao Senhor no seu trabalho.
Necessidade e importância do estudo da Soteriologia. A experiência da salvação deve ser seguida de um maior conhecimento da salvação (I Tm 2.4b). Isso constitui o alicerce da vida cristã. A Palavra de DEUS, em Hebreus 5.12-14, enfatiza a importância de buscarmos esse maior conhecimento da salvação:
Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de DEUS; e vos baveis feito tais que necessitais de leite e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido épara ospeifeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.
Bênçãos gloriosas decorrem da salvação, e fazem parte dela. E primeiramente porque somos salvos que experimentamos o batismo com o ESPÍRITO SANTO, os dons espirituais, o amadurecimento na fé, a chamada para o ministério evangélico, etc.
Muitos crentes — e até obreiros! —, em vez de sempre priorizaram o estudo da Escatologia (uma doutrina importante, é verdade, inclusive parte integrante deste tratado teológico), deveriam primeiro estudar Soteriologia, isto é, as doutrinas da nossa gloriosa salvação em CRISTO.
Há várias passagens das Santas Escrituras que mostram o quanto é importante na vida cristã e na obra do Senhor em geral, inclusive na evangelização, o conhecimento genuinamente bíblico da salvação. Em Efésios 6.17 mencionam-se de início o capacete da salvação e a espada do ESPÍRITO.
Quando o apóstolo discorreu sobre a armadura do cristão, e mencionou o capacete — o qual cobria totalmente a cabeça, protegendo-a — enfatizou a plenitude do conhecimento e da experiência da salvação. Assim como o capacete protegia (e protege) a cabeça, o conhecimento bíblico da salvação em nossa mente é qual capacete espiritual, como forma de proteção da nossa salvação, das investidas mentais de Satanás, dos seus emissários, dos falsos mestres, da mídia corrompida, da literatura nociva, etc.
Em Lucas 1.77 está escrito: “para dar ao seu povo conhecimento da salvação, na remissão dos seus pecados”. Observe que, aqui, a ênfase recaí primeiramente no “conhecimento da salvação”, e não no “sentimento da salvação”. É, pois, uma necessidade conhecer e prosseguir em conhecer a salvação.
A Epístola de João trata desse assunto — a sua mensagem aos salvos é: “sabemos”, “conhecemos”. Em Salmos 46.10 e 100.3, está escrito: “Sabei”, e não “Senti”. E Jó, em meio a muitas lutas, bradou: “Eu sei que o meu Redentor vive” (Jó 19.25). Quando compararmos Hebreus 8.10 com 10.16, vemos que essas passagens mostram que a lei divina deve estar primeiro na mente do crente e depois no seu coração:
Porque este é o concerto que, depois daqueles dias, farei com a casa de Israel, diz o Senhor: porei as minhas leis no seu entendimento e em seu coração as escreverei; e eu lhes serei por DEUS, e eles me serão por povo. Este é o concerto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seu coração e as escreverei em seus entendimentos...
Em Apocalipse 12.3, o Diabo é simbolizado no dragão com sete cabeças — o que indica plenitude de astúcia, engano, cilada, maquinações. Isso denota que o príncipe das trevas sempre investirá contra a nossa mente, como mencionamos acima, procurando incutir nela dúvidas quanto à gloriosa salvação.
Ao tentar JESUS no deserto, o Diabo procurou lançar dúvidas na sua mente: “Se tu és o Filho de DEUS” (Mt 4.3,6). Por que o Inimigo não logrou êxito? Porque o Filho de DEUS tinha as leis de DEUS na mente e no coração, o que ficou evidente em suas três citações das Escrituras, todas antecedidas da expressão “Está escrito” (vv.4,7,I0).
O valor da sã doutrina. Neste estudo sobre a Soteriologia devemos ter em mente que estamos tomando como base a sã doutrina (Tt 2.1). È da palavra “sã” (gr. hygiaino) que vem o tão empregado termo “higiene”, o qual denota higidez, saúde. A doutrina (ou a soma das doutrinas) quanto à salvação deve ser, portanto, isenta de falsificação e contaminação.
Nesses últimos dias, seitas e doutrinas falsas vêm contaminando as doutrinas bíblicas da salvação em CRISTO. Falsos mestres, falsificadores da Palavra de DEUS, têm ingressado nas igrejas, inclusive doutores (2Tm 4.3; 3.1-5; 2 Pe 2.1), torcendo as Escrituras. E, quanto à Soteriologia, isso ocorre principalmente quanto à eleição do povo de DEUS, a predestinação e o livre-arbítrio, como veremos mais adiante.
Em que consiste a salvação. È importante, antes de avançarmos, respondermos a algumas perguntas. Em que consiste a salvação para o caro leitor? No seu passado na fé? Ou seja, apenas livramento da condenação do pecado? No seu presente na fé? Quer dizer, apenas livramento do poder do pecado? Ou no seu futuro na fé? Isto é, apenas livramento da presença do pecado?
Na verdade, a salvação consiste na resposta afirmativa a todas as três perguntas mencionadas. A nossa “grande salvação” em CRISTO nos livra: da condenação, que outrora era uma realidade; do poder do pecado, pois hoje ele não tem domínio sobre nós, se é que não “andamos segundo a carne, mas segundo o espírito” (Rm 8.1b); e da presença do pecado, haja vista a nossa glorificação futura.
O que não é salvação. É importante, ainda nessa introdução à Soteriologia, apresentar algumas definições do que não é a salvação em CRISTO:
Apenas ter uma religião com o nome de cristã. O que dizer dos seguidores do mormonismo, cujo nome da igreja é JESUS CRISTO dos Santos dos Últimos Dias. São eles salvos por seguirem a uma religião “cristã”?
Apenas freqüentar ou tornar-se membro de uma igreja local. Uma coisa é pertencer a uma igreja, e outra é pertencer à Igreja.
Apenas ter e ler a Bíblia. Isso os católicos romanos fazem!
Apenas professar um credo religioso. Ser salvo é muito mais que adotar, seguir, abraçar dogmas.
Apenas praticar a “regra áurea” de Mateus 7.12. Boas obras não salvam ninguém (Ef 2.8,9).
Apenas aspergir um infante com “água benta”. Afinal, dependendo da idade da criança, sequer tem a capacidade de crer para a salvação (Mc 16.16a;
Rm 10.9).
Apenas batizar um adulto ou uma criança. Batismo não salva, mas destina- se a quem já é salvo (Mc 16.16b).
Apenas “confirmar” um adepto da sua confissão religiosa.
Apenas participar da Ceia do Senhor, ou da Eucaristia.
Apenas ter um irrepreensível código de conduta, bom testemunho, porte.
Apenas praticar sempre boas obras.
O que é salvação. E tudo o que JESUS realizou e ensinou para levar uma raça pecadora à comunhão com um DEUS santo. Trata-se da redenção do ser humano do poder do pecado (I Pe 1.18,19). Ê, ainda, a libertação do cativeiro espiritual (Rm 8.2). E a saída do pecador dentre o poder das trevas do pecado (Cl 1.13). E, finalmente, é o retorno do exílio espiritual do pecador para DEUS (Ef 2.13). Isso é salvação em resumo.
Como se vê, o homem não pode efetuar a sua salvação, nem ao menos ajudar nisso (Ef 2.8,9; Tt 2.11; Jn 2.9b). Daí ter dito o salmista: “A salvação vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção” (SI 3.8). A salvação é pela graça de DEUS, e não por nosso esforço próprio, conquanto os salvos sejam chamados para a prática das boas obras (Ef 2.10).
A salvação é chamada de novo nascimento (Jo 3.5) e de ressurreição (Cl 3.1), Não obstante o pecador venha a desejar a “tão grande salvação”, é JESUS CRISTO quem o ressuscita dentre os mortos no pecado e o faz nascer de novo.
Afinal, um bebê nada pode fazer para nascer, assim como um morto nada pode fazer para ressuscitar — toda ajuda tem de vir de fora.
Introdução à Soteriologia
Soteriologia é em suma o conjunto de doutrinas da salvação. Há pelo menos umas vinte doutrinas relacionadas com a nossa gloriosa salvação em CRISTO. Discorremos de modo resumido sobre as doutrinas da salvação, a saber:
A SALVAÇÃO NO SENTIDO FACTUAL OBJETIVO
A salvação é um fato em si, isto é, no sentido objetivo. Ela tem um lado objetivo (o lado divino), e um, subjetivo (o humano). O primeiro refere-se a DEUS como o Doador da salvação; e o segundo refere-se ao homem como o recebedor.
No sentido objetivo, a salvação tem três aspectos, todos simultâneos: a justificação, que nos declara justos (esse aspecto tem a ver com a nossa posição diante de DEUS: “em CRISTO”); a regeneração, que nos declara filhos (tem a ver com a nossa condição espiritual, interior); a santificação, que nos declara santos, mediante a nossa fé no sangue derramado de JESUS.
A salvação no seu sentido objetivo, diante de DEUS, não tem tempos, mas aspectos ou lados. Ao mesmo tempo em que uma pessoa é pela fé em CRISTO justificada, é também regenerada e santificada.
Justificação. E a mudança de posição externa e legal do pecador diante de DEUS: de condenado para justificado. Pela justificação passamos a pertencer aos justos. Justificação é o tempo passado da nossa salvação, mas sempre presente em nossa vida espiritual (I Co 6.11; Rm 8.30,33b; 5.1; 3.24; Gl 2.16).
Regeneração. E a mudança de condição do pecador: de servo do pecado para filho de DEUS. A regeneração é tão séria diante de DEUS, que a Bíblia chama-a de “batismo em JESUS” (I Co 12.13; Gl 3.27; Rm 6.3). Trata-se de um ato interior, dentro do indivíduo, abrangendo também todo o seu ser. E um termo ligado a família, filhos: “gerar”; é o novo nascimento (Jo 3.5). Mediante a regeneração somos chamados “filhos de DEUS” (cf. Gn 2.7; Jo 20.22; 15.5).
Santificação. E a mudança de caráter (mudança subjetiva); e a mudança de serviço (mudança objetiva), “em CRISTO” (posicionai), como lemos em João 15.4 ;17.26.
A SALVAÇÃO NO SENTIDO EXPERIMENTAL SUBJETIVO
Na experiência humana, a salvação é subjetiva. A salvação experimental tem três tempos (não aspectos): passado, presente e futuro.
No passado. Justificação; é o que DEUS fez por nós. E a salvação da pena do pecado. Ela é referida na Bíblia como ocorrida no passado da vida cristã.
... haveis sido justificados em nome do Senhor JESUS e pelo Espirito do nosso DEUS (I Co 6. Z l).
E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou... Quem intentará acusação contra os escolhidos de DeusP E DEUS quem os justifica (Rm 8.30,33).
Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com DEUS por nosso Senhor JESUS CRISTO (Rm 5.1).
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de DEUS, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em CRISTO JESUS (Rm 3.23,24).
Sabendo que o homem não é justifcado pelas obras da lei, mas pela fé em JESUS CRISTO, temos também crido em JESUS CRISTO, para sermos justificados pela fé de CRISTO e não pelas obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justifcada (Gl 2.16).
No presente. Santificação em conduta, diante do mundo. Ê a salvação do poder do pecado. E aquilo que DEUS faz em nós agora. Uma frutinha pode ser perfeita, e não ser madura.
Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda imundíàa da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de DEUS (2 Co 7.1).
E o mesmo DEUS de paz vos santifque em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor JESUS CRISTO (l Es 5.23).
Aquele que diz que está nele também deve andar como ele andou (l Jo 2.6).
.. . operai a vossa salvação com temor e tremor (Fp 2.12).
No futuro. Glorificação; é o que DEUS fará conosco na glória celestial (I Pe 1.5). Será a salvação da presença do pecado. Trata-se da nossa inteira “conformação” com JESUS CRISTO.
Amados, agora somos flhos de DEUS, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar; seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos (1 Jo 3.2).
... nós mesmos, que temos as primícias do ESPÍRITO, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber; a redenção do nosso corpo (Rm 8.23).
E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé (Rm 13.11).
E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo, assim também CRISTO•, ofere:endo~se uma vez; para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez; sem pecado•, aos que o esperam para a salvação (Hb 9.27,28).
Evidências da salvação experimental. São os testemunhos do ESPÍRITO em nosso interior (Rm 8.16); da Palavra de DEUS (Ato 16.31); da nossa consciência (I Jo 3.19); da transformação da nossa vida (2 Co 5.17); dos frutos produzidos (Mt 5.8; 7.16-20); da aversão ao pecado (I Jo 3.9); do cumprimento da doutrina (2 Jo v.9); do amor (e comunhão) fraternal (Jo 13.35); e da vitória sobre o mundo (I Jo 4.5).
A DOUTRINA DO PECADO
Embora haja nesta obra — no capítulo anterior — um estudo específico sobre a doutrina do pecado, realçaremos aqui alguns aspectos dessa doutrina, com o objetivo de estabelecer um elo entre Hamartiologia e Soteriologia, haja vista ser incoerente estudar esta sem aquela.
O estudo do pecado deve preceder ao da graça salvadora de DEUS (cf. I Jo 1.8; 2.2). A Epístola aos Romanos enfatiza que uma das principais finalidades da Lei é expor a hediondez do pecado (7.8,13b), porque é depois de tomarmos conhecimento disso que passamos a valorizar a graça de DEUS em toda a sua extensão: “Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça” (5.20).
Introdução à doutrina do pecado. O veredicto divino é claro: “Todos pecaram” (Rm 3.23). A Palavra de DEUS diz: “Não há um justo, nem um sequer” (Rm 3.23)
; “... não há homem que não peque” (I Rs 8.46).
Todos os seres humanos foram nivelados à condição de pecadores, segundo a reta justiça do Senhor: “A Escritura encerrou tudo debaixo do pecado” (GI 3.22). E ainda: “DEUS encerrou a todos debaixo da desobediência” (Rm 11.32
32). Mas, antes de atingir a todos os homens, mediante a desobediência de Adão, o pecado teve origem no mundo espiritual, na corte angelical (Is 14.12-17; Ez 28.15).
No ser humano, o pecado, sediado na alma, domina a sua vontade e tem como instrumento orgânico o corpo humano. O homem não é pecador primeiramente porque peca, mas peca porque é pecador. Ou seja, cada indivíduo é um pecador por natureza. Por isso, em Israel, quando uma mulher dava à luz, tmha de apresentar a DEUS uma oferta pelo pecado (Lv 12.6; Lc 2.24).
Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram (Rm 5.12).
Definição do pecado. Pecado é a causa da perdição do homem. Uma das palavras que significa “pecado” (gr. hamartia) denota tudo aquilo que não se conforma com a lei divina; não se alinha com ela (Rm 5.20; I Jo 3.4a; 5.17b).
As Escrituras citam 372 formas de pecado, e há centenas de outras não mencionadas na Bíblia. Na relação das obras da carne, lemos, no fim dela: “e coisas semelhantes a estas, acerca das quais eu vos declaro (...) que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de DEUS” (Gl 5.21).
Nas diversas admoestações bíblicas preventivas quanto ao pecado, existem várias outras modalidades implícitas de pecado, caso essas advertências forem descumpridas. Ê importante, aqui, termos em mente a definição de alguns dos termos originais para pecado, haja vista cada qual descrever um tenebroso aspecto da sua malignidade.
A palavra “transgressão” (hb. pesha' e gr. bamartema) denota quebra das leis divinas; significa transpor a fronteira da lei, do bem, da ordem, da decência: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará...” (Pv 28.13).
Outro termo para pecado é “iniqüidade”, isto é, fora do prumo; fora de nível; do lado de fora; erro; afastar-se do certo; errar o alvo — hb. hatta’t (Ez 18.20). O termo iniqüidade refere-se principalmente ao pecado do crente. No Novo Testamento, a palavra correspondente é hamartano (Rm 3.23). Neste versículo, “pecaram” é literalmente “erraram o alvo”. E este erro pode ser moral (2 Pe 2.18) ou na doutrina (I Jo 4.6b). Doutrina e moral devem andar juntas!
Já o vocábulo “pecado”, conforme se registra em Romanos 5.12 ("por um homem entrou o pecado [errar o alvo] no mundo”), diz respeito ao desvio do alvo por DEUS traçado, previsto, determinado, que é a glorificação dEle. O pecado, pois, é um alvo que o ser humano acerta ao desviar-se do propósito verdadeiro, que é a glória de DEUS (Rm 3.23).
O homem foi criado por DEUS para viver na esfera divina, porém, ao pecar, sua natureza foi mudada, e a sua inclinação natural é somente para pecar, mesmo que não pareça assim. Pecar, por conseguinte, é o ser humano desviar-se de sua finalidade moral, que é exaltar a DEUS, e somente a Ele.
Outros quatro termos, quanto aos principais significados de “pecado”, na Bíblia, são: “desobediência”, rebeldia, má vontade para com DEUS e a sua lei; “incredulidade”, falta de confiança em DEUS e de dependência dEle; “ilegalidade”, subversão, oposição à lei e à ordem divinas; e “erro”, afastamento das normas divinas estabelecidas.
A lei divina da reprodução segundo a sua espécie. Em Gênesis, vemos essa lei em evidência nos vegetais (1.11,12), nos animais (1.24,25) e no ser humano, após
o pecado (5.3). O homem fora criado segundo a imagem de DEUS (1.26), e não segundo a sua própria espécie!
Portanto, já nascemos espiritualmente contaminados (Rm 5.12), como disse o salmista: “Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu a minha mãe” (Sm 51.5). O homem tem dentro de si uma natureza pecaminosa. Por isso, todos nós precisamos ser participantes da natureza divina, mediante a conversão (2 Pe 1.4).
Porque aqueles [nossos pais segundo a carne], na verdade, por um pouco tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este [DEUS Pai], para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade (Hb 12.10).
O “homem natural”e o pecado. A Palavra de DEUS usa a expressão “homem natural” (I Co 2.14), numa referência clara ao estado do homem ainda não alcançado pela graça de DEUS. Ele está sob o pecado, espiritualmente morto, sob condenação e perdido.
Não há um justo. Como vimos, o veredicto de DEUS é claro: “Não há um justo; nem um sequer”. E importante que o estudioso do assunto leia todo o capítulo de Romanos 9, principalmente os versículos 9-26, que tratam especificamente dessa verdade, de que não há um justo sequer. Todos os homens já nascem pecadores.
Para que o homem fosse justo — por conta própria — diante de DEUS, seria preciso que nunca praticasse o mal e jamais quebrasse a lei divina. Além disso, seria preciso que sempre fizesse o bem, como está escrito em Eclesiastes 7.20: “Que faça bem, e nunca peque”. Há pessoas que relativamente não pecam tanto, porém não estão sempre praticando o bem.
A principal definição divina para o pecado. E a que está contida em passagens como
João 3.4 e 5.17. O termo hamartema denota errar o alvo, desviar-se do caminho, perder-se (I Jo 3.4a; 5.17b). Já a palavra anomia, contida em 3.4b, implica transgressão, desordem, rebeldia, subversão. Outro termo que aparece nessas passagens é adikia (5.17a), cuja significação é injustiça.
Em Salmos 41.4, o pecado é definido como uma doença espiritual que faz enfermar a alma: “... sara a minha alma, porque pequei contra ti”. Em I Pedro 2.24, na expressão “fostes sarados”, o sentido é o mesmo, à luz do contexto. Essa denotação também pode ser encontrada em outros textos:
E morador nenhum dirá: Enfermo estou; porque o povo que habitar nela será absolvido da sua iniqüidade (Is 33.24).
Porque serieis ainda castigados, se vos rebelaríeis? Eoda a cabeça está enferma, e todo o coração, fraco. Desde a planta do pé até à cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres, não espremidas, nem ligadas, nem nenhuma delas amolecida com óleo (Is 1.5,6).
Porque males sem número me têm rodeado; as minhas iniqüidades me prenderam, de modo que não posso olhar para cima; são mais numerosos do que os cabelos da minha cabeça, pelo que desfalece o meu coração (Sl 40.12).
E JESUS lhe disse: Vê; a tua fé te salvou (Lc 18.42).
A tradução literal da passagem acima é: “Vê; a tua fé te curou”. O termo grego aqui é sozo, “curar”, “salvar”, “livrar” (cf. Lc 7.50; Mt 9.22).
A origem do pecado. A Palavra de DEUS apresenta, em Ezequiel28.I5,I6, a origem do pecado: “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti. Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora do monte de DEUS e te farei perecer, ó querubim protetor, entre pedras afogueadas”. Esta descrição, ainda que de modo conotativo, relaciona-se a Satanás e sua rebelião contra DEUS.
O pecado é universal. Em Romanos 3.23, vemos outro aspecto do pecado, a sua universalidade: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de DEUS”. Aqui e em outras passagens correlatas fica evidente que toda a humanidade, sem exceção, foi atingida pelo pecado.
A realidade do pecado. Ainda que muitos procurem ignorar a existência do pecado, temos de considerar os esmagadores testemunhos da realidade do pecado> na Bíblia (Hb 12.1; Sl 51.5), na História, na consciência, no dia-a-dia. Perguntemos a Adão após a sua queda, a Davi, a JESUS. Todos confirmarão que o pecado é uma realidade.
Evidências da realidade do pecado. Elas são tão contundentes que é um absurdo negá-lo; é idiotice; é insanidade. Algumas dessas evidências são: cada hospital; cada casa funerária; cada cemitério; cada fechadura de porta; cada caixa forte de banco; cada alarme contra ladrão; cada policial, guarda, soldado; cada tribunal; cada prisão; cada dor, doença, deficiência, morte, tristeza, pranto, guerra.
O pecado e sua raiz. A Palavra de DEUS menciona a raiz da incredulidade como a geratriz do pecado (Jo 16.9; Hb 3.12) e também a do egoísmo, isto é, do culto ao “eu”, da personalidade (Ez 28.7; Is 14.13,14; Rm 1.25). O egoísmo é uma forma de rebeldia à vontade e à lei de DEUS; existe também o egotismo, endeusamento do homem por ele mesmo.
O pecado como ato. Olhemos, agora, à luz da Palavra de DEUS, para o interior do pecado, a fim de conhecermos detalhadamente os seus aspectos. E importante, aqui, distinguirmos entre ato e estado pecaminosos. A Bíblia apresenta o pecado como um ato nosso, perpetrado por natureza e escolha deliberada:
Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.
Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte Çl 1.14,15).
Segundo a Bíblia, o pecador não sabe escolher o bem; ele sempre opta pelo mal. O filho pródigo não soube escolher o bem; preferiu o pior (Lc 15.11-18). O pecado como um ato praticado é, pois, um efeito, e não uma causa; a causa é o pecado congênito em nossa natureza decaída.
O crente carnal também não sabe escolher o bem. Ló, por si mesmo, optou pelo pior, para ele e sua família (Gn 13.11,12). Esaú, de igual modo, vendeu a sua primoge- nitura por um simples prato de lentilhas (Gn 25.29-34). E Marta não soube escolher o melhor, como sua irmã, que representa um crente consagrado (Lc 10.41,42).
O pecado como estado. Em Romanos 6.6, está escrito: “... o nosso velho homem foi com ele [CRISTO] crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado” — a expressão “corpo do pecado” é uma referência ao corpo como instrumento do pecado; não é a Bíblia querendo dizer que o pecado possui corpo tangível.
O pecado como um estado indica que todos os homens estão propensos a pecar. È caracterizado pelo princípio da rebelião contra DEUS; trata-se de um poder maléfico; é um princípio gerador do mal. Ou seja, é primeiramente uma causa, e conseqüentemente um efeito.
Como causa, o pecado é parte integrante da nossa natureza herdada de Adão. Em resumo, o homem não é culpado apenas pelos pecados cometidos; ele tem dentro de si uma natureza pecaminosa que em si já é pecado.
A natureza do pecado. Há o pecado praticado, isto é, cometido, que aparece na Bíblia no plural (I Jo 1.9). Para este tipo de pecado há perdão de DEUS, como vemos no “sacrifício pela culpa” (Lv 5.14-19). Mas há também o pecado congênito, mencionado no singular (I Jo 1.7; SI 51.5; Rm 7.18,23). No caso deste tipo de pecado, só há purificação no sangue de JESUS. Vemos isso tipificado no “sacrifício pelo pecado” (Lv 4.1-12).
O pecado e sua prática. Quanto à prática, há o pecado de comissão, que é fazer ou praticar a coisa errada (Tg I.I5); e o de omissão, que significa deixar de fazer a coisa certa, justa. Assim, pecado não é somente praticar o mal; deixar de fazer o que é certo é também pecado.
Aquele, pois, que sabe jazer o bem e não ojaz comete pecado Çlg 4.11).
E, quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por vós; antes, vos ensinarei o caminho bom e direito (l Sm 12.23).
Mas, ainda quanto ao pecado por omissão, a Palavra de DEUS menciona vários exemplos, como o caso do servo inútil, condenado porque não fez nada, apesar de ter recebido bens de seu senhor para cuidar (Mt 25.24-30). Outro exemplo de omissão vemos na parábola das dez virgens. As loucas não se prepararam (Mt 25.3). Temos outro exemplo no julgamento das nações: as omissas para com Israel serão punidas (Mt 25.42-45).
Em Números 32.23a, está escrito: “e, se não fizerdes assim, eis que pecas- tes contra o Senhor”. Deixar de cumprir a lei de DEUS é tanto pecado quanto transgredi-la (cf. Jz 5.23). A Palavra de DEUS diz que os ímpios serão lançados no inferno por omissão: “Os ímpios serão lançados no inferno e todas as nações que se esquecem de DEUS” (Sm 9.17).
Outrossim, todo pecado, seja ele qual for, é praticado primeiramente contra DEUS. Davi, além de pecar contra Bate-Seba, Urias e si mesmo, pecou primeiramente contra DEUS, o Legislador: “Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que a teus olhos é mal...” (Sm 51.4). O pródigo pecou contra si mesmo e contra a sua família, mas primeiramente contra o seu pai, que na parábola aponta para DEUS (Lc 15.21).
A origem do pecado dentro do homem. Na Palavra de DEUS mencionam-se o pecado da carne (2 Co 7.1) e o do espírito (2 Co 7.1; Sm 66.18). Muitos acham que pecado mesmo é o do assassino, do bandido, do ladrão, do viciado, do imoral, do fornicário, do adúltero, da prostituta; pensam que é o engano, o calote, o furto, o mundanismo e outros pecados predominantemente da carne.
Entretanto, os pecados do espírito são às vezes piores que os pecados da carne acima mencionados. Davi cometeu pecados da carne terríveis, a ponto de dizer, ao ser repreendido pelo Senhor: “Pequei contra o Senhor” (2 Sm 12.13; Sm 51). Mas o pecado do espírito que ele cometeu foi pior, levando-o a confessar: “Gravemente pequei” (I Cr 21.8). “Toda iniqüidade é pecado” (I Jo 5.17).
Os fariseus do tempo em que JESUS andou na Terra acusavam pessoas que cometiam pecados da carne, como a mulher adúltera que JESUS perdoou, dizendo-lhe: “vai-te e não peques mais” (Jo 8.I-I I). Contudo, os mesmos fariseus cometiam grandes pecados do espírito (Mt 23).
Vejamos alguns exemplos de pecados do espírito: orgulho, soberba, vangloria, arrogância, inveja, ganância, cobiça, ira, amargura, mau humor, ciúme doentio, hipocrisia, leviandade, irreverência com o que é sagrado, mentira, egoísmo, roubar a DEUS, quebra do Dia do Senhor, mau testemunho, desonestidade, negligência na oração e quanto à Bíblia, relaxamento com a obra de DEUS, etc.
As conseqüências do pecado. Na Bíblia são mencionados o pecado para morte e o que não é para morte: “Se alguém vir seu irmão cometer pecado que não é para morte, orará, e DEUS dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore” (I Jo 5.16).
O pecado para morte — dependendo de sua gradação — traz como conseqüências: sofrimentos, morte espiritual, morte física e até perdição eterna. São pecados que levam o seu praticante à morte física prematura: desobediência deliberada (I Rs 13.26); incesto (I Co 5.5); murmuração (I Co 10.5); profanação (I Co 11.29-32); desvio (Jr 16.5,6); tentar a DEUS (Nm 14.29,32,35; 18.22; 27.12-14); falsidade (Ato 5.10); rebeldia — não momentânea, mas como estado (Ef 6.3) —, etc.
Entretanto, há pecado que não é para morte. Todo pecado é transgressão diante de DEUS, mas nem todo pecado é igual aos olhos de DEUS. O pecado tem gradação, como se vê nas seguintes expressões bíblicas: “grande pecado” (Êx 32.30,31; I Sm 2.17; Sl 25.11; Am 5.12); “maior pecado” (Jo 19.11); “muito grande pecado” (I Sm 2.17; 2 Sm 24.10 com I Cr 21.8,17); “muitos pecados” (Lc 7.47); “multidão de pecados” e “multiplicar pecados” (Ez 16.51; Os 13.2; Tg 5.20).
Qualquer pecado, mesmo perdoado, não nos exime dos seus maus efeitos, das suas conseqüências; do seu castigo aqui (Sl 99.8; Nm 14.19-23). O perdão de DEUS nos exime da condenação como filhos de DEUS, porém o castigo aqui tem a ver com o nosso aprendizado espiritual aqui] há crentes que só aprendem “apanhando”. E mais: o tempo não apaga, não desfaz o pecado:
Então, falou o copeíro~mor a Faraó, dizendo: Dos meus pecados me lembro hoje (gn 41.9).
... quando for outra vez, o meu DEUS me humilhe para eonvoseo, e eu chore por muitos daqueles que dantes pecaram e não se arrependeram da imundícia, e prostituição, e desonestidade que cometeram 2 Co 2.21.
O pecado e seu perdão. Quanto ao perdão, a Bíblia menciona o pecado perdoável e o imperdoável em Mateus 12.31,32:
Portanto, eu vos digo: todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens, mas a blasfêmia contra o ESPÍRITO não será perdoada aos homens. E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do Homem> ser-lbe~á perdoado, mas, se alguém falar contra o ESPÍRITO SANTO, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro.
O pecado imperdoável não diz respeito a um ato isolado. Trata-se de um pecado contínuo, não cometido por ignorância (cf. I Tm 1. 13). A má interpretação disso tem causado aflição em muitas pessoas, que pensam ter cometido o tal pecado.
No Capítulo 4 desta obra, há uma explicação sobre o pecado imperdoável do ponto de vista da Pneumatologia. Quanto à Soteriologia, tal pecado leva quem o pratica à condenação porque o tal peca contra a única Pessoa da Trindade cuja obra no que concerne á nossa salvação não está concluída. A obra do Pai foi consumada; a do Filho está concluída, mas a do ESPÍRITO continua (cf. Jo 16.8).
A consumação do pecado. No que concerne à sua consumação, há o pecado voluntário, consciente, deliberado (Mt 25.25; Lc 19.20-23; Js 7.21); e o involuntário, inconsciente, não deliberado (SM 19.12; 90.8; Jr 17.9; Lv 4.I3-2I; 5.15,17; Nm 15.22-31). Este, ainda que cometido de modo involuntário, por imprudência ou inconsciência, terá a sua devida condenação.
Aqui no mundo, se alguém, por ignorância, violar as leis da Física, sofrerá as conseqüências disso. Por exemplo, se alguém saltar de um prédio de dez andares, mesmo não tendo consciência de que a força da gravidade fará com que o seu corpo se estatele no chão, a sua ignorância não impedirá a sua morte.
Quanto ao corpo humano, de acordo com I Coríntios 6.18 — que diz: “Fugi da prostituição. Todo pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo” —, há dois tipos de pecado: contra o corpo, que destrói primeiro o próprio pecador que o comete; e fora do corpo, que arruina primeiro os outros, além de quem o comete.
O pecado relacionado ao crente. O pecado conhecido e tolerado na vida do crente gera conseqüências terríveis, como: perda das bênçãos de DEUS, disciplina divina e da igreja, interrupção da comunhão com DEUS, cessação de operação divina por meio do crente e perda de galardão no futuro.
O julgamento do pecado. DEUS nem sempre julga logo o pecado. Se Ele julgasse de imediato, nem este escritor estaria mais aqui. A Palavra do Senhor diz: “Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos retribuiu segundo as nossas miqüidades” (SI 103.10).
DEUS dá tempo para que o pecador se corrija, se arrependa, mude. Em certas pessoas, o pecado é logo manifesto e julgado; noutras, isso ocorre depois: “Os pecados de alguns homens são manifestos, precedendo o juízo; e em alguns manifestam-se depois” (I Tm 5.24). Por quê?
O justo Juiz sabe de tudo isso. E, como nos ensina a Palavra de DEUS, nada julguemos antes de tempo, até que o Senhor traga à luz as coisas ocultas e manifeste os desígnios dos corações, em sua gloriosa vinda (I Co 4.5).
... nada há encoberto que não haja de revelar-se; nem oculto que não haja de saber-
se (Mt 10.26).
... eis que pecastes contra o SEKHOR; porém sentireis o vosso pecado, quando vos achar Nm 32.23).
Como triunfar sobre o pecado. Os passos para vencer o pecado, triunfando sobre ele, são os seguintes:
Amar a Palavra de DEUS, a ponto de escondê-la no coração; isso faz com que o crente vença o pecado (Sm 119.11).
Crer no poder do sangue de JESUS, isto é, no sacrifício expiatório que Ele realizou, a fim de que o pecado não tenha domínio sobre nós (I Jo 1.9).
Confiar no poder do ESPÍRITO SANTO, o qual habita em nós e, se Ele exercer pleno predomínio em nosso viver, faz-nos triunfar sobre o pecado (Rm 8.2).
O ministério sacerdotal de CRISTO. Ele venceu todas as coisas, e, se estivermos nEle, também venceremos o pecado (Hb 4.15,16).
A nossa fé depositada em JESUS CRISTO também nos faz triunfar sobre o pecado (Fp 3.9).
Finalmente, a nossa total submissão e entrega a CRISTO (Rm 6.14). E submissão implica ser obediente à sua vontade e também agradar-lhe por amor.
Conclusão. A nossa recomendação final, ao concluir este tópico sobre a doutrina do pecado é, como diz o escritor sacro: “Evita o pecado!” A Palavra de DEUS admoesta: “Meus filhinhos (...) não pequeis” (1 Jo 2.1). Lembre-se de que “Obedecer é melhor do que sacrificar” (I Sm 15.22). E “sacrificar”, aqui, também pode significar “remediar”.
Evitemos, pois, os pecados vindos de dentro; e, de fora: “A ninguém imponhas precipitadamente as mãos, nem participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro” (I Tm 5.22).
A DOUTRINA DA GRAÇA DE DEUS
Na matéria Soteriologia, a ênfase recai sobre a graça de DEUS para salvar o pecador. E, por essa razão, não discorrermos sobre a grafa comum, extensiva a todos os homens: “Abres a mão e satisfazes os desejos de todos os viventes”. Aqui não se trata de graça salvadora; diz respeito ao favor de DEUS dispensado bondosamente aos seres humanos, no sentido de prover os meios de subsistência a todos, sem distinção (Sl 104.10-30).
Gra^a relacionada com a salvação. E a atitude (ou provisão) graciosa do Senhor para com o indigno transgressor da sua lei (cf. Rm 3.9-26). Ela resulta da parte de DEUS para com o pecador em: misericórdia (I Tm 1.2; 2Tm 1.2; Tt 1.4; 2 Jo3; Jd v.2I); benevolência (Lc 2.14b); paz (resultado da misericórdia de DEUS no coração do homem); gozo (que é mais interior), bem como alegria, beleza e adorno espirituais — que são mais externos (cf. Rm 12.6).
No original, graça é charis, donde vêm “charme”, “carismático” (no sentido exato), “caridade”, “agradável”, “atraente”, “agradecer”, “gratidão”.
A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um (Cl 4.6).
... segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado (Ef 1.5,6).
O nosso assunto diz respeito à graça de DEUS para salvar. A provisão divina para com o indigno transgressor da lei existia desde o Antigo Testamento (Ex 33.13; Jr 3.12; 31.2). A passagem de Atos 15.10,11 não deixa dúvidas quanto a isso:
Agora, pois, por que tentais a DEUS, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós podemos suportar? Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor JESUS CRISTO, como eles também.
No Novo Testamento, a graça de DEUS para salvar o pecador é mencionada de maneira mais direta (Ef 2.7,8; I Tm 1.13,16; Rm 5.20; Jo 1.16,17).
Porque a graça de DEUS se há manfestado, trazendo salvação a todos os homens (Tt 2.11).
Mas, quando apareceu a benignidade e caridade de DEUS, nosso Salvador) para com os homens, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do ESPÍRITO SANTO (Tt 3.4,5).
De acordo com Efésios 2.5,6, o pecador está morto, e nessa condição não pode ajudar em nada. Como efetuaria ele a sua própria ressurreição? Assim como não pudemos ajudar em nada quando do nosso primeiro nascimento, muito menos em nosso segundo (novo) nascimento. Tudo é pela graça, para que o homem não tenha de que se gloriar.
Tudo épelagraça de DEUS. Na vida do crente, ela gera crescimento na fé (2 Pe 3.18). E por meio dela que triunfamos contra o mal (Rm 6.14; Hb 13.9; Ato 4.33; 2 Co 12.9
e trabalhamos para o Senhor (Hb 12.28; I Co 3.10; 15.10; 2 Co 6.1). Por ela, falamos (Sm 45.2; Cl 4.6); cantamos (Cl 3.16); e tratamos (Rt 2.10).
È pela graça também que somos capacitados a dar a DEUS e ao próximo (2 Co 8.1,6,7). Essa liberalidade pela graça, para dar a DEUS, leva-nos a fazer isso em quatro sentidos:
Dar-nos a nós mesmos inteiramente ao Senhor.
Dar-lhe o nosso tempo; a nossa vida.
Dar-lhe os nossos talentos.
Dar-lhe o nosso dinheiro.
A Palavra de DEUS menciona, no Antigo Testamento, a liberalidade do crente para com o Senhor: “E ali trareis os vossos holocaustos, e vossos sacrifícios, e os vossos dízimos, e a oferta alçada da vossa mão, e os vossos votos, e as vossas ofertas voluntárias, e os primogênitos das vossas vacas e das vossas ovelhas” (Dt).
. Vemos aqui sete tipos de ofertas, todas implicando finanças.
Nós devemos tanto a DEUS, que, no viver para com Ele, e no trabalho dEle, mesmo fazendo o nosso melhor e o máximo que pudermos, não vamos além do dever (Lc 17.1). Ou seja, nunca ingressaremos no mérito! Nesse caso, a graça de DEUS é mais abundante na vida daqueles que são humildes (Tg 4.6). A humildade é, pois, o fio condutor da graça (I Pe 5.5).
A graça de DEUS em resumo. Diante do exposto, a graça de DEUS é o dom da salvação em CRISTO, como dádiva de DEUS ao pecador, indigno e merecedor do justo juízo de DEUS (Tt 2.11).
Ela é o poder sustentador de DEUS, que nos mantém firmes e perseverantes na fé, depois de salvos (2 Co 12.9), como lemos em 2 Timóteo 2.1: “Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em CRISTO JESUS”.
A graça do Senhor é a dádiva das bênçãos diárias que recebemos dEle, sem merecê-las (Jo 1. 16). E, ainda, a dádiva da capacitação divina no crente, para este realizar a obra de DEUS (I Co 15.10; Hb 12.28). Atentemos, pois, para a recomendação da Palavra de DEUS, em I Coríntios 3.10: “Segundo a graça de DEUS que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele”.
A DOUTRINA DA EXPIAÇÃO PELO SANGUE
Em Isaías 53.10, está escrito acerca da obra expiatória de CRISTO:
Todavia; ao Senhor agradou o moê-lo; fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expíação do pecado} verá a sua posteridade; prolongará os dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão.
A doutrina em apreço é chamada de kilasmologia. Expiação, para nós do Novo Testamento, é a morte de JESUS em nosso lugar para poder nos remir do pecado; salvar-nos do pecado — expiar é tirar o pecado: “Eis o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Expiação tem a ver com o pecado (Lv 4; 16; 23).
Quatro palavras para a salvação. Há quatro grandes palavras doutrinárias empregadas na Bíblia para nos revelar a extensão do valor da morte de JESUS, isto é, do seu sangue remidor, para tirar os nossos pecados. Tão vasto e infinito é o alcance da obra efetuada por JESUS que um só vocábulo das Escrituras não pode resumi-la.
A palavra “expiação” aplica-se em relação ao pecado em se tratando da salvação quanto ao seu alcance, que é infinito (Sm 103.12; Is 53.10). Já “redenção” diz respeito à salvação em relação ao pecador e seu pecado. Outro termo, “propiciação”, aplica-se à salvação quanto à transgressão; isto é, a salvação considerando o ser humano como o transgressor. E a quarta palavra é “imputação”, que se relaciona com a salvação quanto ao seu “creditamento”. Ou seja, a justiça de DEUS “lançada em nossa conta”, pela fé no próprio DEUS (cf. Fp 4.17; Mt 6.12; Fm v.I8; Rm 4.3).
Portanto, a salvação é tão grande e tão rica que uma só palavra não abarca o seu significado! Glória a DEUS!
Tecnicamente, a palavra “expiar” — hb. kapar— significa “encobrir”, “cobrir”, “ocultar”, “tirar da vista”. A primeira menção dessa palavra nas Escrituras está em Gênesis 6.14 (hb. kapar, “betumarás”, ARC; “calafetarás”, ARA) e ilustra muito bem o seu emprego através da própria Bíblia, como a Palavra de DEUS.
Biblicamente, expiar é pagar, quitar, tirar os pecados de alguém, perdoar, mediante um sacrifício reparador exigido, mas também propiciador. Expiar, pois, é tirar o pecado mediante a morte de alguém como substituto do culpado e condenado. No nosso caso, foi JESUS que morreu por nós, pecadores perdidos (Is 53.10; Jo 1.29; Ap 13.8; 2 Co 5.21). Sem expiação pelo sangue não há perdão do pecado (Lv 4.35).
A expiação aplaca o Legislador, por satisfazer a sua Lei, violada que foi, pela culpa do pecado como ato praticado (Lv 5), bem como manchada e ultrajada pelo pecado como estado, na natureza do pecador (Lv 4). Neste capítulo, vemos quatro categorias universais de pecadores e a expiação de seus pecados mediante o sangue expiador.
Mas a expiação vai além. Ela também torna o Legislador benevolente para com o transgressor perdoado. Essa decorrência da expiação é chamada de propiciação.
A necessidade da expiação. A expiação pelo sangue foi necessária para dar satisfação à Lei divina — caso contrário, essa Lei seria vã — e seu Legislador escarnecido.
A pecammosidade da natureza e dos atos do homem também tornou necessária a expiação divina.
JESUS, para expiar nossos pecados, bastava morrer por nós na cruz; mas, para nos justificar diante de DEUS e sua Lei violada, era preciso que Ele ressuscitasse (Rm 4.25;
. Desse modo, a nossa ressurreição espiritual (isto é, a nossa regeneração) dependia da ressurreição dEle (I Pe 1.3; Cl 3.1). Glória a DEUS porque JESUS ressuscitou!
Há diferença entre a expiação, a redenção e a propiciação, todas realizadas por JESUS CRISTO. A expiação é do pecado do pecador; a redenção é da pessoa do pecador; e a propiciação tem a ver com DEUS em relação ao pecador já perdoado (cf Lc 18.13; I Jo 2.2). A salvação de criancinhas inocentes — apesar de pecadores por natureza — decorre da expiação efetuada por CRISTO, e não primeiramente da redenção.
A ohra expiatória de CRISTO. No Antigo Testamento, a expiação dos pecados na nação “durava” um ano apenas! O que ocorria anualmente no solene Dia da Expiação, mencionado em Levítico 16, era que a sentença de morte que pairava sobre todos, por causa do condenável e criminoso pecado, praticado pelo povo diariamente, era prorrogado por mais doze meses. Ora, isso apenas aumentava a dívida espiritual desse povo para com DEUS, cada ano que passava (Hb 9.25; 10.1-3).
CRISTO na cruz, pelo seu sangue expiou os nossos pecados uma vez para sempre — “... porque isso fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo” (Hb 7.27); “Doutra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas, agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo” (Hb 9.26) —, mas a salvação só se realiza na vida de cada pecador quando este aceita o Redentor, JESUS CRISTO.
A DOUTRINA DA REDENÇÃO
Como já vimos, redenção tem a ver com a pessoa do pecador. Ela é realizada por JESUS CRISTO: “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Ef 1.7). Pois “... por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (Hb 9.12).
Definição de redenção. Nos dias bíblicos, redenção é a libertação de um escravo, mediante um resgate — gr. lytron (este termo aparece em Mateus 20.28) —, além de retirar esse escravo do mercado de escravos, para não mais ficar exposto à venda. Redenção sempre requer o preço a ser pago para garantir a liberdade do escravo.
Há sete principais palavras originais no Novo Testamento para redenção:
Agorazo, “compraste” (Ap 5.9). Comprar na praça. O pecador estava na praça do mercado de escravos, vendido ao pecado e servindo a Satanás: “Assim,
meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de CRISTO, para que sejais doutro, daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto para DEUS” (Rm 7.4).
Exagorazo, “resgatou” (Gl 3.13). Comprar o escravo na praça e retirá-lo de lá, para que não fosse mais exposto à venda: “Ele nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor” Cl 1.13.
Lytroo, “resgatados” (I Pe 1.18,19). Pagar o preço exigido pelo resgate de um escravo e libertá-lo.
Lytrosis, “redenção” (Hb 9.12). Libertar mediante o pagamento de resgate. È um termo mais vigoroso do que lytroo,
Apolytrosis, “redenção” (Ef 1.7). È empregado em Lucas 21.28 para significar soltura, libertação, livramento, desprendimento do povo de DEUS, ao sair deste mundo opressor e escravisador, para ficar eternamente com o Senhor. Este termo é uma forma mais vigorosa que lytrosis.
Antilyron (I Tm 2.6). A troca de uma pessoa por outra; ou seja, a redenção de vida por vida, no caso de um cativo, escravo ou prisioneiro.
Lytron (Êx 21.30; Mt 20.28; Mac 10.45). O resgate pago pela redenção de um cativo, escravo ou prisioneiro de guerra.
A redenção do pecador. A nossa redenção espiritual foi planejada e decidida por DEUS antes da fundação do mundo (I Pe 1.18,19; Ap 13.8). Essa redenção, em CRISTO, é formosa e claramente ilustrada em Levítico 25 — principalmente nos versículos 25, 48 e 49 — e Rute 2.20; 3.9-13; 4.1-9. Nessas passagens, o termo go’el significa “parente remidor”, o qual tinha de ser consangüíneo do escravo. Vemos claramente no papel desse parente remidor um tipo de nosso Redentor, o Senhor JESUS (Tt 2.14).
O tríplice resultado da redenção. A nossa redenção efetuada por JESUS resulta na conversão da alma, pois esta foi perdida pelo homem, na sua Queda (Gn 2.17; Ez 18.20).
Outro resultado da redenção é a nossa ressurreição, isto é, a redenção do corpo. O homem perdeu o seu corpo ao perder o direito a comer da árvore da vida, no Èden, devido à Queda: “Então, disse o Senhor DEUS: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente” (Gn 3.22).
A redenção resulta também em domínio da terra. O ser humano perdeu a terra ao pecar (Gn 1.28). Em João 1.29, vemos que JESUS é o Cordeiro de DEUS que tira o pecado do mundo (cf. Ap 5.1-5,9). Na Segunda Vinda de CRISTO, começará a redenção da terra, que fora amaldiçoada depois da Queda: “maldita é a terra” (Gn 3.17).
A DOUTRINA DA PROPICIAÇÃO
Em Êxodo 32.30, está escrito: “E aconteceu que, no dia seguinte, Moisés disse ao povo: Vós pecastes grande pecado; agora, porém, subirei ao Senhor; porventura, farei propiciação por vosso pecado”. Propiciar é aplacar; tornar benevolente o ofendido, mediante uma oferta judicial e expiatória, e que seja aceita.
Definição. A propiciação resulta da expiação. A palavra portuguesa “propiciação” deriva do latimpropitío, “unir”, “reconciliar”, “pacificar”. O conceito pagão de propiciação é aplacar um deus irado, vingativo (cf. I Rs 18.26,29). Mas, à luz da Palavra de DEUS, implica satisfazer a Lei divina violada e, desse modo, remover aquilo que impedia DEUS de fazer extravasar e fluir o seu amor, sua benevolência e suas bênçãos sobre o pecador, salvando-o.
Propiciar a DEUS não foi só satisfazê-lo, reparando a sua Lei e a sua vontade ultrajadas, mas torná-lo benevolente e abençoador do ofensor. Aqui na Terra quando o próximo é ofendido e reparado, ele não quer ser benevolente nem abençoador do ofensor.
JESUS é a nossa propiciação (Rm 3.25; I Jo 4.10). Como nosso Sumo Sacerdote, Ele é tanto a nossa propiciação, como o nosso propiciatório. “E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (I Jo 2.2).
A reconciliação do homem com DEUS é resultado da propiciação pelo sangue de JESUS — gr. katallage, “reconciliação” (Rm 5.11). Assim como a expiação leva à propiciação, esta leva à reconciliação. CRISTO, ao consumar a expiação dos nossos pecados, consumou também a nossa reconciliação com DEUS e com o nosso próximo (Ef 2.16,17).
Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com DEUS pela morte de seu Eilho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não somente isto, mas também nos gloriamos em DEUS por nosso Senhor JESUS CRISTO, pelo qual agora alcançamos a reconciliação (Rm 5.10,1 1).
Em 2 Coríntios 5.18,19, está escrito: “E tudo isso provém de DEUS, que nos reconciliou consigo mesmo por JESUS CRISTO e nos deu o ministério da reconciliação, isto é, DEUS estava em CRISTO reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação”. Vemos, aqui, que Ele nos deu o ministério da reconciliação (v. 18) e pôs em nós a palavra da reconciliação (v. 19).
A reconciliação que vem da expiação efetuada por CRISTO abrange tudo o que foi criado, na terra e nos céus (Cl 1.20; Hb 9.12). CRISTO, pelo seu sangue, promoveu a paz, já que nós não podíamos. Em hebraico, um dos termos para salvação é shalom, “paz”, “saúde”, “integridade”, “completude”.
Ilustração de propiciação. Em Lucas 18.13 (ARA) está escrito do humilde e indigno publicano, da parábola proferida por JESUS: “O DEUS, sê propício [gr. hílaskomaí] a mim, [o] pecador”. Literalmente, o publicano da parábola mencionada em Lucas 18.9-14 estava dizendo: “DEUS, olha para mim, o pior pecador, assim como tu olhas para o sangue propiciador aspergido sobre o propiciatório, na arca da aliança”. DEUS teve prazer em responder à sua oração! (v. 14).
A DOUTRINA DA FÉ SALVÍFICA
Fé não é crer sem provas — ela é baseada na maior de todas as provas: a Palavra de DEUS. A fé é um fato, mas também um ato (Tg 2.17,26; Mt 17.20); manifesta-se por ações, por obras — “como um grão de mostarda”. Há dois aspectos da fé: ativo e passivo. A fé ativa diz respeito a nosso viver, nosso agir, nosso trabalhar para DEUS. Já a passiva se relaciona com a fidelidade do crente ao Senhor e sua firme perseverança.
Como a fé salvífca se manifesta. A fé salvífica tem a ver com o pecador em relação a DEUS (Ef 2.8,9; Ato 16.31), pois “... sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de DEUS creia que ele existe e que é galar- doador dos que o buscam” (Hb 11.6).
A pergunta que o jovem rico devia ter feito, em Mateus 19.16, seria: “Em quem devo crer para ser salvo?”, e não “Que devo fazer para me salvar?” Salvação não é o que eu devo fazer, mas em quem devo crer para me salvar (Ato 16.31).
Em Romanos 10.9,10 está escrito: “Se, com a tua boca, confessares ao Senhor JESUS e, em teu coração, creres que DEUS o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação”. De acordo com a passagem acima, o pecador confessa a CRISTO e crê nEle como Senhor e Salvador — rende-se a Ele (Jo 9.38; Rm 4.3).
A fé natural. E a fé “da cabeça”, natural, que não resulta em salvação. A Palavra de DEUS diz que até os demônios crêem que há um só DEUS e estremecem diante de tal fato (Tg 2.19). A fé que Tomé teve, inicialmente, foi meramente “da cabeça”. Daí JESUS lhe ter dito: “Porque me viste, Tomé, creste” (Jo 20.29a). Isso também aconteceu com Marta:
Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último Dia. Disse-lhe JESUS: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de DEUS? (Jo 11.24,40).
Uma pessoa pode, por conseguinte, crer só com a mente, e não com o coração. A fé natural — também chamada de “pensamento positivo” — é de grande utilidade nas relações humanas, mas inoperante e sem valor para a salvação.
A defesa da fé. Textos como 2 Timóteo 4.7 e Filipenses I.16 mostram que o crente deve defender a sua fé nesse mundo de tanta confusão e antagonismo quanto à fé. O apóstolo Paulo disse: “Combati o bom combate (...) guardei a fé”. Isso significa que devemos viver pela fé cada dia, sem esmorecer, defendendo o evangelho de nosso Senhor JESUS CRISTO. A fé deve ser conservada, pois é essencial à vida cristã (Rm 1.17; Gl 2.20; 2 Pe 1.5; Hb 11.6).
Outras expressões da fé. A significação do termo “fé” varia, no Novo Testamento. Em Gálatas 5.22, ela é uma das virtudes do fruto do ESPÍRITO, expressando fidelidade. Há ainda outras expressões da fé: um dom do ESPÍRITO (I Co 12.9), o evangelho completo (2Tm 4.7), a confiança absoluta em DEUS, como proteção ou “escudo” (Ef 6.17), além de uma fé que santifica (Fp 3.9).
A DOUTRINA DO ARREPENDIMENTO
A fé se relaciona com DEUS; o arrependimento, com o pecado. O arrependimento, pois, é uma doutrina básica quanto à salvação (Mt 3.2; 4.17; Lc 13.3; Mc 6.12). Foi por isso que JESUS ordenou que “em seu nome, se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém” (Lc 24.47).
O verdadeiro arrependimento é o que produz convicção do pecado; contrição do pecado; confissão do pecado; abandono do pecado; e conversão do pecado. Se essas cinco reações por parte do homem não ocorrerem, não se trata de arrependimento verdadeiro, completo, mas apenas tristeza e remorso: “Porque a tristeza segundo DEUS opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte” (2 Co 7.10).
Para que o homem não se glorie, o verdadeiro arrependimento é obra de DEUS (Ato 5.31; 11.18; 2 Tm 2.25; Rm 2.4). Até o abrir do coração do pecador para o evangelho vem de DEUS: “E certa mulher, chamada Lídia (...) nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia” (Ato 16.14). Isso ocorre pela exposição da Palavra de
DEUS, que conduz a pessoa ao arrependimento, sendo ela crente ou não (Ato 2.37,38,41; Jn 3).
Uma das características sempre presente nos verdadeiros avivamentos, bem como entre um povo que se mantém avivado espiritualmente, é o arrependimento profundo.
O arrependimento deve sempre acompanhar o crente durante toda a sua vida. Isso demonstra sua humildade e fá-lo zeloso de DEUS e de suas coisas. Davi, por exemplo, era um crente que sabia se arrepender e chorar diante de DEUS; e por isso venceu. O Filho Pródigo iniciou o caminho de subida, de volta ao pai, a partir do momento em que começou a se arrepender (Lc 15. 11-24).
A DOUTRINA DA CONFISSÃO
No original, o verbo homologeo (gr.) e o substantivo homologia são os termos para confissão. Confessar é dizer de coração o que DEUS diz sobre nós na sua Palavra (Rm 10.9,10; Lv 5.5; Sm 38.18; I Jo 1.9). No sentido bíblico, confissão não se refere primeiramente a confessar pecados. Significa concordar com o que DEUS diz sobre nós — e dEle — na sua Palavra, bem como reconhecer os nossos pecados e faltas como sendo nossos e admitir os nossos erros, falhas, pecados e declará-los (Ato 19.18).
Vemos em Hebreus 3.1 que JESUS CRISTO é o Sacerdote da nossa confissão, isto é, a quem confessamos quanto à nossa salvação e tudo o mais pertinente à fé. Em I João 1.9, está escrito: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça”.
Elementos da confissão. De acordo com o I João 1.9, a confissão deve ser contrita e definida: “nossos pecados”. Observe que são “pecados” (plural). Outro elemento é a renúncia ao pecado (Pv 28.13). E, quanto for o caso, a confissão deve ser com restituição.
Confissão secreta. E a confissão feita somente a DEUS. Confissão de pecados cometidos pelo crente e conhecidos somente por ele e DEUS. Tais pecados devem ser confessados secretamente ao Senhor, dependendo isso da base bíblica desse crente e da confiança plena e firme no que DEUS declara na sua Palavra.
Confissão pessoal. E a confissão feita a pessoas contra quem pecamos. Nesse caso, antes de irmos a DEUS contritamente, temos de tratar com o ofendido ou o cúmplice, pois a comunhão espiritual é tanto vertical (comunhão com DEUS) como horizontal— comunhão com o próximo (I Jo I.7a).
Confissão pública. E a confissão feita à igreja, à congregação. São pecados conhecidos, cometidos contra a coletividade cristã.
A DOUTRINA DO PERDÃO DE PECADOS
E importante distinguir perdão divino (I Jo 1.9) de perdão humano (Cl).Do lado divino, perdão é a cessação da ira moral e santa de DEUS contra o pecado, e o seu cancelamento ou anulação. Visto do lado humano, o perdão é o alívio ou remissão da culpa do pecado, que oprime a consciência culpada.
Perdão é a remissão da punição do pecado, o qual leva à perdição eterna (Nm 23.21; Rm 8.33,34). Para nós, seres humanos, que, pela Queda, herdamos uma natureza pecaminosa e pecadora, parece fácil o perdão, e parece fácil DEUS nos perdoar; isso por sermos todos uma raça de pecadores. Porém, com um DEUS santíssimo em quem não há pecado, o caso é diferente!
Ora, até o homem acha difícil perdoar quando é injustiçado. Quanto mais
DEUS! DEUS nos perdoa porque Ele é amor; mas saibamos que o seu perdão é
baseado na mais perfeita justiça (I Jo 1.9).
Perdão judicial. E para o descrente. A condição exigida por DEUS para esse perdão é a conversão do pecador: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (At 3.19). O meio exigido, portanto, é a fé em DEUS.
Perdão doméstico. E para o filho de DEUS; da casa de DEUS. A condição exigida é a confissão dos pecados com arrependimento e o abandono desses pecados.
Se confessarmos os nossos pecados} ele éfiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça 1 Jo l.9
O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia (Pv 28.13).
O meio exigido é também a fé em DEUS, e segundo a Palavra. Se a condição exigida por DEUS para perdoar o crente faltoso fosse uma nova conversão, seria necessário nos convertermos constantemente...
As conseqüências de o crente não querer perdoar. O crente se recusar a perdoar, não querer perdoar de forma alguma, é uma atitude que afeta comunhão com DEUS, individual e coletivamente. Afeta, ainda, a nossa comunhão com os irmãos — com a igreja —, bem como o nosso caráter cristão e a nossa saúde em geral (cf. Mt 18.34,35).
JESUS, no seu ensino, no “Pai Nosso”, o único assunto que Ele repetiu três vezes foi o perdão; isto é, perdoarmos aos outros (Mt 6.12,14,15). O momento ideal para o crente perdoar o seu ofensor é durante a oração (Mt 11.25). Até nisso a oração é uma bênção! Crente que ora pouco, também perdoa pouco (ou nunca).
Além do perdão entre os irmãos, deve haver reparação, quando for o caso (cf. Ef 5.28; Ato 16.33; Lv 4—6).
Falou mais o Senhor a Moisés; dizendo: Dize aos filhos de Israel: Quando homem ou mulher jizer algum de todos os pecados humanost transgredindo contra o Senhor; tal alma culpada ê. E confessará o pecado que fez; então, restituirá pela sua culpa segundo a soma total, e lhe acrescentará o seu quinto•, e o dará àquele contra quem se fez culpado
(Nm 5.5-1).
A DOUTRINA DA REGENERAÇÃO ESPIRITUAL
O termo regeneração tem a ver com a nossa inclusão na família de DEUS (I Pe 1.3,23; Tt 3.5). Em Gênesis 1.27, temos a criação natural do homem; em Efésios 2.10, temos a sua criação espiritual.
Regeneração é o ato interior da conversão, efetuada na alma pelo ESPÍRITO SANTO. Conversão é mais o lado exterior e visível da regeneração. Uma pessoa verdadeiramente regenerada pelo ESPÍRITO SANTO é também convertida (cf. Lc 22.32).
Sendo regenerado pelo ESPÍRITO SANTO, o crente é declarado filho de DEUS (Jo) O que ocasiona a regeneração espiritual não é primeiramente a justificação pela fé, mas a comunicação da vida de CRISTO — da “vida eterna” ao pecador arrependido. Justificação tem a ver com o pecado do pecador; regeneração tem a ver com a natureza do pecador. Justificação é imputada por DEUS; regeneração é comunicada por DEUS.
Bem vês que a fé cooperou com as suas ohras e que, pelas obras, a fé foi aperfeiçoada, e cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em DEUS, e foi-lhe isso imputado como justiça, efoi chamado o amigo de DEUS (Tg 2.22,23).
A DOUTRINA DA IMPUTAÇÃO DA JUSTIÇA DE DEUS
Imputação é o lançamento ou creditamento da justiça de CRISTO a nosso favor, mediante a nossa fé em CRISTO (Rm 4.3ss; Gl 2.16ss; 3.6-8; Gn 15.6;Tg 2.23). “O Senhor Justiça Nossa” (Jr 23.6). “Mas vós sois dele em JESUS CRISTO, o qual para nós foi feito por DEUS (...) justiça” (I Co 1.30).
O princípio da doutrina da imputação da justiça de DEUS é visto em passagens como Gênesis 3.21; 6.14 (hb.); e 15.6. Em Filemom v. 18 e Filipenses 4.17 vemos a imputação ilustrada na prática natural:
E, se te fez algum dano ou te deve alguma coisa, põe isso na minha conta.
Não que procure dádivas, mas procuro o fruto que aumente a vossa conta.
Assim como a justiça divina é imputada ao que nEle crê, ao ímpio impenitente são imputados os seus pecados contra DEUS (Sm 32.2). E também, da mesma forma, à nossa conta podem ser imputados males que cometemos contra o próximo (2Tm 4.16; Ato 7.60; I Ts 4.6; Mt 6.12 — “as nossas dívidas”).
Somos feitos justos diante de DEUS, não primeiramente pela influência da moral cristã sobre nós, mas primacialmente pela imputação da justiça (retidão) de DEUS sobre nós, pela fé em JESUS CRISTO. Aleluia ao DEUS Trino!
Respondida está, por DEUS, a pergunta de Jó, de antanho: “Como seria justo o homem perante DEUS, e como seria puro aquele que nasce da mulher?” (Jó 25.4).
A DOUTRINA DA ADOÇÃO DE FILHOS
A adoção de filhos é mencionada em textos como Romanos 8.15; Efésios 1.5; e João 1.12.
Porque não recehestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor; mas recehestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.
[DEUS PaíJ ... nos predestinou para filhos de adoção por JESUS CRISTO, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade.
Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de DEUS: aos que crêem no seu nome.
A expressão “adoção de filhos” é uma única palavra no original: huiothesis — de huios, “filho”, e thesis, “posição”. A idéia da adoção de filhos também se encontra no Antigo Testamento (Êx 2.10 com Hb 11.24; Êx 4.22 com Os 11.1 e Mt 2.15).
Em Efésios 1.4,5 está escrito que fomos predestinados por DEUS para adoção de filhos, antes da fundação do mundo; portanto, antes da existência do homem. Isso exclui qualquer mérito humano e somente revela a graça infinita de DEUS.
Na antiga Grécia. A adoção de filhos, na antiga Grécia, nada tinha a ver com a filiação da criança, e sim com a sua posição em relação à família (gr. huiothesis). Por meio do ato da adoção, o “filho”, ao atingir a idade necessária, passava à posição de herdeiro da família. Daí a expressão bíblica “adoção de filhos” (Gl 4.4,5).
O ato da “adoção de filhos” passou dos gregos para os romanos, e assim chegou aos tempos do Novo Testamento e da igreja. Biblicamente, então, DEUS “adota” a quem já é seu filho.
No presente. Há bênçãos desfrutadas já nesta vida, decorrentes da adoção, como: o nosso nome de família: “chamados filhos de DEUS” (I Jo 3.1; Ef 3.14,15); o testemunho do ESPÍRITO SANTO em nosso interior, de que somos filhos de DEUS (Rm 8.16); o recebimento do ESPÍRITO SANTO (Rm 8.15; Lc 11.11-13); a disciplina da parte de DEUS que nos é ministrada, como seus filhos: “Se estais sem disciplina (...) sois então bastardos, e não filhos” (Hb 12.8; cf. vv.6-11); a nossa herança celestial, declarada e garantida por DEUS (Rm 8.17); e a redenção do nosso corpo.
Por meio da adoção, os nossos nomes foram registrados no livro da vida do Cordeiro (Lc 10.20; Fp 4.3; Ap 17.8; 3.5; 13.8; 20.12,15; 21.27).
No futuro. Em Romanos 8.23, vemos que os nossos privilégios quanto à adoção de filhos de DEUS têm ainda um lado futuro: “... gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”. Isso se dará à vinda de JESUS para levar a sua Igreja.
Vede quão grande caridade nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamadosfilhos de DEUS.
Por isso, o mundo não nos conhece, porque não conhece a ele. Amados, agora somos filhos de DEUS, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele épuro (l Jo 3.1-3).
A DOUTRINA DA SANTIFICAÇÃO DO CRENTE
A justificação efetuada por DEUS para nos salvar põe-nos em correto relacionamento com Ele. Já a santificação comprova a realidade da justificação em nossa vida, manifestando seus frutos em nós; em nossa vida.
SANTO é aquele crente que vive separado do pecado, do mal, do mundo (mundanismo), e dedicado a DEUS e ao seu serviço. Observe as palavras de Paulo em Atos 27.23: “Porque, esta mesma noite, o anjo de DEUS, de quem eu sou e a quem sirvo, esteve comigo”.
O cristão tem duas naturezas: uma humana, herdada de Adão, pela geração natural; e outra, divina, através da geração espiritual (I Pe 1.23). Daí a santificação do crente ter dois aspectos: um diante de DEUS, e outro, diante de si mesmo e do mundo (I Jo 3.3; 2 Co 7.1; Hb 12.14; Mt 5.16). Essas duas naturezas do crente são vistas em Gálatas 5.17 e Romanos 6—8.
Em Levítico 20.8 — “Eu sou o Senhor que vos santifica” — vemos a santificação do crente diante de DEUS, mas, no versículo 7, menciona-se a santificação crente diante de si mesmo e do mundo: “Santificai-vos e sede santos” (cf. I Pe LI5).
Santificação de objetos, eventos, datas, pessoas, animais. Esse aspecto da santificação é muito comum em relação aoTabernáculo e seus objetos, e seus oficiantes, os quais pertenciam somente a DEUS, como vemos nos livros de Exodo e Deuteronômio. Esse aspecto da santificação implica um só sentido, que é a posse de DEUS, e a dedicação e separação desses elementos para o serviço de DEUS.
Alguns exemplos desses elementos santos:
Eventos e datas (Êx 20.8; Dt 5.12; Lv 25.10; 23.2).
O Templo (I Rs 9.3).
O altar dos holocaustos (Ex 29.37).
As vestes sacerdotais (Êx 28.2; 29.29; 40.13).
Pessoas (Êx 13.12; 28.41; 29.1,44; I Sm 16.5; I Cr 15.14; 2 Cr 29.5).
Animais (Nm 18.17; Êx 13.2b).
Nesse sentido, os templos atuais da igreja são santificados a DEUS, bem como os objetos dedicados ao serviço dEle.
Santificação de pessoas. Há dois principais sentidos de santificação do crente em relação a DEUS. O primeiro diz respeito à separação do mal para pertencer a DEUS
“Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo” (Lv 20.26). E o sentido negativo da santificação, pois se ocupa do “não farás isso; não farás aquilo”, etc; é separar-se para DEUS.
O segundo sentido de santificação do crente é o positivo. O crente, já separado do mal, dedica-se a DEUS para o seu serviço, ocupa-se em fazer algo para Ele: “De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra” (2Tm 2.21). Paulo, ao falar de DEUS, disse: “de quem eu sou e a quem eu sirvo” (Ato 27.23).
A santificação é dúplice. Ser santo não é somente evitar o pecado, mas também servir ao Senhor, com a vida; com os talentos; com os dons; com os bens; com a casa; com o tempo; com as finanças; com os serviços, inclusive mão de obra. Por isso, muitos crentes não conseguem viver uma vida santa; eles não vivem pecando continuadamente, mas não querem nada com as coisas do Senhor, nem com a sua obra, nem com a igreja para zelar por ela e promovê-la.
Os tempos da santificação. A santificação de pessoas quanto à vida cristã abrange três tempos:
Santificação passada e instantânea (I Co 6.II;Hb 10.10,14; Fp 1.1; I Co 1.2; Jo 15.4). E aspectual e posicionai, isto é, o crente estando “em CRISTO” (Cl 1.20; Fp I.I). O crente posicionalmente “em CRISTO” não pode ser mais santo do que o é no momento da sua conversão, pois a santidade de CRISTO é a sua santidade (c£ I Jo 4.17). Na Igreja Romana, alguns são “canonizados” (feitos santos) depois de mortos, mas no Remo de DEUS é diferente: os salvos são santos aqui, enquanto estão vivos!
Santificação presente e progressiva (2 Co 7.1). E temporal, vivencial. Ê a santificação experimental, ou seja, na experiência humana, no dia-a-dia do crente (I Ts 5.23; Hb 13.12 — “para santificar o seu povo”). A santificação posicionai e a experimental (progressiva) são vistas juntas nestas passagens: Hebreus 12.10 com 12.14; Filipenses 3.15 com 3.12; João 15.4 com 15.5; Coríntios 1.2; Filipenses I.I; e Levítico 20.7 com 20.8.
Santificação futura e completa (Ef 5.27; I Ts 3.13). È plena; trata-se da santificação final do crente (I Jo 3.2). Ela ocorrerá à Segunda Vinda de JESUS, para levar os seus (I Jo 3.2; Ef 5.26,27). Seremos então mudados: “num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (I Co 15.52).
Os meios divinos de santificação:
DEUS, o Pai (I Ts 5.23). DEUS, o Filho (Hb 10.10; 13.12; Mt 1.21). DEUS, ESPÍRITO SANTO (I Pe 1.2), cujo título principal — ESPÍRITO SANTO — já indica a sua missão principal: santificar.
A correção divina. E um meio de santificação (Hb 12.10,11).
A Palavra de DEUS. Lida, crida, estudada, ouvida, amada, meditada, pregada, ensinada, obedecida, vivida, memorizada (SI 119.II; Jo 15.3; 17.17; SI 119.9; Ef 5.26).
A paz de DEUS em nós. Seu cultivo, sua busca, sua promoção (Hb 12.14; 1Ts 5.23a). Nestas duas passagens, a paz está ligada à santificação do crente.
A fé em DEUS. Esta, baseada na sua Palavra, é um meio divino de santificação (Rm 4; Hb 11.33; 2Ts 2.13b; Ato 26.18; 15.9).
Alerta divino. A Palavra de DEUS tem um alerta para a igreja quanto à santificação: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). E ainda: “Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça” (Ec 9.8). Tenhamos cuidado com a falsa santidade, enganosa, sectarista, fartsaica e exclusivista (2 Tm 3.5); sigamos a verdadeira santidade (Ef 4.24).
A DOUTRINA DA PRESCIÊNCIA DE DEUS
A presciência de DEUS é o seu pré-conhecimento de todas as coisas (I Pe 1.2; Rm 8.29). Ela é parte do seu atributo de onisciência. Ele pré-conhece todas as coisas sobre o homem, mas não as evita, por ser o homem livre e responsável por seus atos. No caso do pecado de Adão, o Senhor sabia disso na sua presciência; porém, não o evitou, por ter Adão livre-arbítno.
No caso de Judas Iscariotes, vemos que ele, que foi escolhido por JESUS como um dos doze (Jo 6.70; Lc 6.13), “tirava” — e não apenas “tirou” — da bolsa o que ali se lançava, o que indica um ato voluntário, preconcebido e continuado (Jo) E mais: a Palavra de DEUS diz que Judas “se desviou”, o que denota ato voluntário, consciente e gradual (At 1.25). E importante enfatizar que ele não nasceu marcado para trair JESUS; apenas enquadrou-se nas condições da profecia sobre aquele que seria o traidor.
O rei Saul — que fora enviado por DEUS (I Sm 9.15-17); ungido por Ele (I Sm 10.1); mudado (I Sm 10.9); possuído pelo ESPÍRITO (I Sm 10.10); que profetizara pelo ESPÍRITO (I Sm 10.10-13); edificara um altar ao Senhor (I Sm 14.35) — também desviou-se, ao edificar “uma coluna para si” (I Sm 15.12) e envolver-se, em seguida, em práticas espíritas. Por fim, morreu como suicida; distanciado de DEUS.
Demas foi um obreiro que trabalhou com o apóstolo Paulo, porém se desviou, como lemos em 2 Timóteo 4.10: “Porque Demas me desamparou, amando o presente século...” Outros que também “naufragaram na fé”, desviando-se do caminho da verdade, foram Himeneu e Alexandre (I Tm 1.19,26). Basta ler a sucmta biografia desses obreiros para chegar à conclusão de que eles escolheram o seu próprio caminho, haja vista a presciência de DEUS não forçar a livre-vontade do homem.
O Todo-Poderoso, como onisciente, conquanto conheça de antemão os que o rejeitarão, não interfere, por ter Ele criado o homem dotado de livre- arbítrio. DEUS não viola esse princípio. Sim, o Senhor não criou o homem como um autômato, um robô, mas como ser moral, responsável por seus atos, com a faculdade de decisão e livre-escolha — se bem que essas faculdades estão grandemente prejudicadas pelo efeito deletério do pecado, principalmente os de incredulidade e rebeldia.
A DOUTRINA DA ELEIÇÃO DIVINA
“Eleição” e “escolha” são apenas um termo, no original: eeloge. A eleição “olha” para o aspecto passado da nossa salvação (I Pe 1.2; Ef 1.4). Eleição divina é, pois, a nossa escolha para a salvação, feita por DEUS. Nós, pecadores por natureza, não sabemos escolher, mas o Senhor nos escolhe (Jo 15.16).
E claro que a eleição, em si, não implica salvação:
Mas devemos sempre dar graças a DEUS, por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter DEUS elegido desde o principio para a salvação, em santificação do Espirito efié da verdade (2 Ts 2.13).
eleitos segundo a presciência de DEUS Pai, em santificação do Espirito, para a obediência e aspersão do sangue de JESUS CRISTO: graça e paz vos sejam multiplicadas (l Pe 1.2).
Na Bíblia mencionam-se a eleição divina coletiva, como a de Israel (Is 45.4;9) e a da Igreja (Ef 1.4); e a individual, como a de Abraão (Ne 7.9) e a de cada crente (Rm 8.29). A vocação e a eleição do crente, do seu lado humano. Em 2 Pedro LIO lemos: “Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis”.
A escolha divina ocorre da maneira como é descrita em I Ts 1.4-10. Ela se dá pelo recebimento do evangelho, pela fé, e permanência em CRISTO, mediante a santificação daqueles que se convertem dos ídolos ao DEUS vivo e verdadeiro, a fim de servi-lo “e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, JESUS, que nos livra da ira futura” (v. 10).
DEUS não elege uns para a salvação, e outros, para a perdição. O homem é capaz de fazer a livre-escolha. E a graça de DEUS não é irresistível, como muitos ensinam, valendo-se do falacioso chavão “Uma vez salvo, salvo para sempre”.
A DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO
A predestinação “olha” para o aspecto futuro de nossa salvação (Rm 9.29; Ef 1.5,11). Segundo as Escrituras, ela é o nosso pré-destino. A salvação não é um decreto divino, pois isso seria um fatalismo cego e impróprio atribuído a DEUS.
O decreto de DEUS. A expressão em apreço, conforme mencionada em Romanos 8.28 (gr. prothesis) aparece em outras passagens como “decreto”, “propósito” (Rm 9.11; Ef 1.11; 3.11; 2 Tm 1.9). Trata-se do eterno propósito de DEUS, segundo o desígnio de sua própria vontade, pelo qual Ele preordenou, para a sua glória, tudo o que acontece. Esta definição é geral e não abrange especificamente a salvação da humanidade, como a que se segue.
DEUS decretar é uma coisa; a execução por Ele desse decreto, outra, como lemos em 2 Timóteo 1.9: “[DEUS,] que nos salvou e chamou com
uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em CRISTO JESUS, antes dos tempos dos séculos”.
Alguns fatores implícitos na execução do decreto de DEUS são:
O tempo determinado por DEUS, isto é, o “quando” do Senhor.
A condicionalidade ou a mcondicionalidade do seu decreto (2Tm 1.9).
O decreto da criação do mundo, que teve lugar na eternidade passada,
só foi executado por DEUS “no princípio” (Gn 1.1). Apesar de o decreto do advento de JESUS vir da eternidade (Ap 13.8; I Pe 1.20), o seu cumprimento só ocorreu em Belém. O Remo, preparado desde a fundação do mundo, só será desfrutado no futuro (Mt 25.34).
Da mesma forma, o decreto da nossa eleição para a salvação é eterno, mas só começou a se cumprir quando CRISTO veio (2Tm 1.9; Rm 8.28; 9.11,23,24; 16.25; Ef 1.9; 3.11).
... [DEUS, o Pai] nos elegeu nele [CRISTO] antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade (Ef 1.4,1l).
E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se eglorifuaram a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna (At 13.48).
Predestinação divina e livre-escolha humana. Na Bíblia temos tanto a predestinação divina como a livre-escolha humana, em relação à salvação; mas não uma predestinação em que uns são destinados à vida eterna, e outros, à perdição eterna. Mas a Palavra de DEUS não apresenta uma livre-escolha humana como se a salvação dependesse de obras, esforços e méritos humanos.
Os extremos nesse assunto (e noutros) é que são maléficos, propalando ensinos que a Bíblia não contém. A ênfase inconseqüente à soberania de DEUS no tocante à salvação leva a pessoa a crer que a sua conduta e procedimento nada têm com a sua salvação. Por outro lado, a ênfase inconseqüente à livre-vontade (livre-arbítrio) do homem conduz ao engano de uma salvação dependente de obras, conduta e obediência humanas.
Ora, somos salvos, não por aquilo que fazemos ou deixamos de fazer para DEUS, mas pelo que JESUS já fez por nós, uma vez para sempre. Há muitos por aí tendo a salvação dependente de suas obras, obediência, conduta, santidade, etc. Não é de admirar que os tais caiam e não se levantem, e que quando pequem duvidem da sua salvação.
Na realidade, parece incoerente e irreconciliável que algo predestinado por DEUS admita livre-escolha ou livre-vontade. Mas, só porque não entendemos algo, ou entendemo-lo apenas em parte, deixa ele de existir? A conversão, por exemplo, tem muito de misterioso:
Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do ESPÍRITO. Nicodemos respondeu e disse-lhe: Como pode ser isso? JESUS respondeu e disse-lhe: Tu és mestre de Israel e não sabes isso?
Jo 3.1-10).
Há muitas coisas com as quais convivemos em nosso dia-a-dia, e que não as entendemos bem, ou quase nada, e, contudo, não queremos passar sem elas: o sono (semi-hibernação), os sonhos (o mundo onírico), o metabolismo basal, a teoria eletrônica, a eletricidade, o vento, a água suspensa no espaço (infinitas toneladas!), etc.
Há quem afirme que uma pessoa verdadeiramente salva não poderá jamais perder-se. Mas, quanto a isso, precisamos ver o que realmente a Bíblia diz, não esquecendo os são princípios da exegese bíblica, e o que essas pessoas deduzem do que a Bíblia diz.
Calvimsmo e Arminianismo. Muitos têm seguido cegamente a João Calvino - teólogo francês, radicado na Suíça, falecido em 1564 —, o qual pregava a predestinação como uma eleição arbitrária de indivíduos; como graça irresistível e impossibilidade de perda da salvação.
Outros têm seguido as idéias de Jacobus Arminius, teólogo holandês falecido em 1609, o qual pregava doutrinas conflitantes quanto à salvação e a sua segurança. Um perigo fatal a que pode levar o arminianismo é o crente depender de suas obras, de sua conduta, de seu porte, de sua obediência pessoal, para a sua salvação (Hb 9.12). Nesse extremo campeia a falsa santidade, sendo o homem enganado pelo seu próprio coração (Jr 17.9).
No caso da predestinação e da livre-escolha, no tocante à salvação, a tendência humana é rejeitar uma ou outra. Os arminianistas extremistas rejeitam a predestinação, e os calvimstas extremistas rejeitam o livre-arbítrio.
Entretanto, um exame atento e livre de preconceito da Palavra de DEUS mostra que, através da obra redentora de JESUS, DEUS destinou de antemão (predestinou) todos os homens à salvação: “quem quiser, tome de graça da água da vida” (Ap 22.17; Is 45.22; 55.1; Mt 11.28,29; 2 Co 6.2; I Tm 2.4). De acordo com João 12.32, todos podem ser atraídos a CRISTO. Mas nem todos querem seguir a CRISTO.
A predestinação segundo os predestinalistas. Estes dizem que o homem, decaído como está, no seu estado de depravação total, é incapaz de fazer livre-escolha concernente a sua salvação, pois está incapacitado espiritualmente para isso. Então DEUS elege o homem para a salvação. Segundo essa teoria, DEUS elege uns para a salvação, comunicando-lhes também a fé. Os demais, não-escolhidos, estão perdidos. Isso eqüivale a dizer que CRISTO morreu apenas pelos “escolhidos”.
Do raciocínio acima decorre outro: que a graça de DEUS é irresistível, isto é, a graça de DEUS não pode ser recusada por aqueles a quem DEUS escolhe salvar. Segundo o predestinalismo, a salvação é um decreto divino, e a conversão é simplesmente o início da execução desse decreto. O termo “decreto” é extraído de textos como Romanos 8.28: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a DEUS, daqueles que são chamados por seu decreto”.
Afirmam também os predestinalistas que a vida eterna em CRISTO é um dom de DEUS, e que uma vez recebida não pode ser jamais perdida em conseqüência de qualquer ato ou determinação da vontade humana. E que se, de fato, o crente nasceu de novo, está eternamente salvo. Caso venha a desviar-se, comprometerá, sim, o seu galardão, mas jamais perderá a sua salvação, nem cairá em apostasia. Ê como alguém que, estando a bordo de um navio, escorrega e cai, porém continua a bordo.
Finalmente, dizem que o crente salvo “está escondido com CRISTO em DEUS” (Cl 3.3), e que o Inimigo jamais o achará, nem jamais o arrebatará dessa posição. Em abono dessa predestinação fatalista, os predestinalistas citam textos como João 6.37; 10.28,29; Romanos 8.28-30; Efésios 1.4,5; 2 Ts 2.13; Eclesiastes 3.14; Filipenses 1.6; I Pedro 1.2; e Apocalipse 17.8 — mas sem interpretá-los à luz de seus respectivos contextos imediato e remoto.
Ora, proceder como acima exposto é adaptar a Bíblia ao raciocínio humano; ou seja, ao modo humano de pensar, como se a Palavra de DEUS dependesse de argumentos humanos.
A Bíblia é contrária ao predestinalismo. A Palavra de DEUS não afirma que CRISTO morreu apenas pelos eleitos. CRISTO morreu por todos, e não somente pelos eleitos (I Tm 2.4,6; I Jo 2.2; 2 Pe 3.9; Ato 2.21; 10.43;Tt 2.11; Hb 2.9; Jo 3.15,16; 2 Co 5.14; Ap 22.17). Ora, aqui não se trata somente de “eleitos”, mas de “todos” que quiserem ser salvos. O falso ensino de que CRISTO teria morrido apenas pelos eleitos pode conduzir a um desinteresse pela evangelização, haja vista DEUS já ter separados os perdidos que vão para o inferno.
Qualquer pessoa que crê em JESUS torna-se um dos escolhidos de DEUS, pois somos eleitos em CRISTO (Ef 1.4). Em Mateus 22.1-14, vemos que todos os convidados foram “chamados”; porém “escolhidos” foram os que aceitaram o convite do rei. No versículo 14, a expressão “muitos são chamados, mas poucos escolhidos” revela, portanto, que das multidões que ouvem o evangelho apenas uma pequena parte crê em CRISTO e o segue.
DEUS elegeu para si um povo chamado Igreja, e não indivíduos, isoladamente. Somos predestinados porque somos parte da Igreja de DEUS; não somos parte da Igreja porque fomos antes, individualmente, predestinados. Se, na Igreja, como Corpo de CRISTO, alguém individualmente se desvia, e não volta, a eleição da Igreja não se altera.
De igual modo foi a eleição de Israel. O Senhor elegeu aquele povo para si; não indivíduos de per si. E tanto que milhares de israelitas se desviaram, porém a eleição de Israel, como povo, prosseguiu.
A livre-escolha do homem é uma realidade inconteste. A Bíblia acentua a cada passo a responsabilidade do homem no tocante à sua salvação. DEUS oferece a salvação e, mediante o seu ESPÍRITO, convence o pecador do seu pecado, da justiça e do juízo O homem aceita a salvação ou rejeita-a (Is 1.19,20; Js 24.15; Dt 30.19; Jo 1.11,12; 3.15,16,19; Ap 22.17; Lc 13.34; Ato 7.51; I Rs 18.21; I Tm 4.1; 2 Cr 15.2; Mac 16.16; Hb 2.3; 3.12; 12.25).
Não existe graça irresistível. O homem através dos tempos tem resistido a DEUS, por sua incredulidade e rebeldia (At 7.51; I Ts 5.19; Pv 1.23-30; Mt 23.37; 2 Pe 2.21; Hb 6.6,7; Tg 5.19). Ora, a ação do ESPÍRITO SANTO no pecador, para que se salve, é persuasiva, e não compulsória: “Assim que, sabendo o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens à fé, mas somos manifestos a DEUS; e espero que, na vossa consciência, sejamos também manifestos” (2 Co 5.11).
Um cristão salvo pode vir a se perder; pode, sim, desviar-se, cair em pecado e perecer, caso não se arrependa ante a insistência do ESPÍRITO SANTO (Ez 18.24,26; 33.18; Hb 3.12-14; 5.9; I Tm 4.1; 5.15; 12.25; 2 Pe 3.17; 2.20-22; Rm 11.21,22; ITs 5.15; Dt 30.19; I Cr 28.9; 2 Cr 15.2; I Co 10.12; Jo 15.6). Essa verdade fica amda mais evidente quando consideramos o “se” condicional quanto à salvação (Hb 2.3; 3.6,14; Cl 1.22,23), bem como a condição: “ao que vencer”, que aparece sete vezes em Apocalipse 2 e 3.
As palavras de JESUS em João 6.37 — “Todo o que o Pai me dá, esse virá a mim, e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” — significam que DEUS destinou à salvação, não somente este ou aquele indivíduo, mas sim todo aquele que nEle crê (Jo 3.16). Ou seja, tal passagem refere-se ao fato de DEUS aceitar o pecador quando este vem a Ele.
Outro texto empregado pelos predestinalistas é João 10.27,28: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos”. Note
que o versículo 27 mostra as condições da ovelha, para que ela nunca venha a perecer, nem sair das mãos de JESUS e do Pai (cf. Jo 6.67).
Se não há perigo de queda definitiva para o crente, por que a Bíblia adverte com tanta ênfase para que ninguém caia (I Co 10.12; Hb 3.12; Jo 15.6; I Tm 4.1 [“apostatarão”]; 2Ts 2.3 [“apostasia”]; Pv 16.18; 28.14; Ap 2.4,5)?
Porque; se viverdes segundo a carne, morrereis... (Rm 8.13).
Portanto, irmãos, procurai Jazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis (2 Pe 1.10).
Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira afcar reprovado (l Co 9.27).
... porquanto vos desvíastes do Se^OR, o Senhor não será convosco ÍNm 14.43).
O verdadeiro signifcado da predestinação. Em I Timóteo 2.4, está escrito: “TDeus] quer que todos os homens se salvem”. Nisto está incluído o mundo inteiro que queira. De fato, todos os que verdadeiramente crêem, se salvam; somos testemunhas disso. O Senhor predestinou à salvação todo aquele que aceitar a JESUS. A própria aceitação já é um dom de DEUS, para que ninguém se glorie julgando que assim contribuiu para a sua salvação.
A predestinação fatalista da alma, como ensinada pelos calvmistas, bem como a dependente de obras humanas, propalada pelos arminianistas, não têm apoio na Palavra de DEUS. O termo original de onde provém a nossa palavra “predestinação” (gr. proorizo) significa “destinar de antemão”, “predeterminar”, “preestabelecer”, “prefixar”, “preeleger”, etc.
Esse vocábulo aparece seis vezes no Novo Testamento, variavelmente traduzido, dependendo da versão utilizada. Na versão Revista e Corrigida (ARC), a palavra aparece nas seguintes passagens:
Atos 4.28 — “anteriormente determinado”.
Romanos 8.29 — “predestinou”.
Romanos 8.30 — “predestinou”.
I Coríntios 2.7 — “ordenou antes”.
Efésios 1.5—“predestinou”.
Efésios 1.11 — “predestinados”.
A predestinação que a Bíblia realmente ensina não é a de uns para a vida eterna e a de outros para a perdição eterna. A predestinação é para os que quiserem ser salvos, conforme lemos em 2 Tessalonicenses 2.13 e 2 Timóteo 2.10: “DEUS nos escolheu desde o princípio para a salvação”; “Escolhidos para que também alcancem a salvação”.
Eleição é o ato divino pelo qual DEUS escolhe ou elege um povo para si, para salvá-lo (2Ts 2.13). Predestinação é o ato de DEUS determinar o futuro desse povo. No Novo Testamento, esse povo é a Igreja, o Corpo de CRISTO, o povo salvo (Ef 1.22,23).
Na predestinação de DEUS para a Igreja está a sua conformação à imagem do Filho de DEUS (Rm 8.29), a sua chamada para a salvação (Rm 8.30), a sua justificação (Rm 8.30) e a sua glorificação (Rm 8.30). Essa conformação depende de chamada, justificação e glorificação do crente. E depende, ainda, da santidade de DEUS (Ef 1.4) e da adoção de filhos (Ef 1.5).
Outrossim, a eleição divina não consiste somente na soberania de DEUS, mas também na sua graça (Rm 11.5).
A real segurança da salvação. O crente está seguro quanto à sua salvação enquanto permanecer em CRISTO (Jo 15.1-6). Não há segurança fora de JESUS e do seu aprisco. Não há segurança espiritual para ninguém, estando em pecado (cf. Rm 8.13; Hb 3.6; 5.9). JESUS guarda o crente do pecado; e não no pecado.
Somos mantidos em CRISTO pelo seu poder, mediante a nossa fé nEle (I Pe 1.5; Jd v.20; 2 Co I.24b). A salvação é eterna para os que obedecem ao Senhor (Hb 5.9; I Co 15.1,2). Estamos em pé pela fé em CRISTO, e não pela predestinação: “tu estás em pé pela fé” (Rm 11.20); “se é que permaneceis firmes e fundados na fé” (Cl 1.22,23); “DEUS é salvador de todos, mas principalmente dos fiéis [lit. “dos que crêem”]” (I Tm 4.10).
Há vários outros textos que também mostram a segurança do crente somente enquanto este está em CRISTO:
Pois que tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei num alto retiro, porque conheceu o meu nome (Sl 91.14).
Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei (Sl 16.8).
Porque nos tornamos participantes de CRISTO, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim (Hb 3.14).
...eu sei em quem tenho crido e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele Dia (2 Tm 1.12).
[Senhor JESUS CRISTO, j o qual vos confirmará também até ao fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor JESUS CRISTO (l Co 1.8).
O crente deve obedecer a DEUS; não para que a sua obediência o salve ou o mantenha salvo, mas como uma expressão da sua salvação, do seu amor e da sua gratidão para com aquEle que o salvou. Não nos tornamos salvos por aquilo que fazemos ou deixamos de fazer, mas pela fé em JESUS CRISTO (At 16.31). A conservação da salvação também vem pela fé em CRISTO, pois está escrito: “O justo viverá da fé” (Rm I.17).
Conclusão. A doutrina da predestinação como ensinada pelo calvinismo só leva em conta a soberania de DEUS, e não a sua graça (Rm 11.5; Tt 2.11) e a sua justiça (SI 145.17; Rm 3.21; 1.17; 10.3). Em Ezequiel 18.23 ;33.11 vemos que DEUS quer que o ímpio se converta, e não apenas os eleitos e predestinados. DEUS jamais predestinaria alguém ao inferno sem lhe dar oportunidade de salvação. Isso aviltaria a natureza dEle.
Se todos já estão predestinados quanto ao seu destino eterno, então não há lugar para escolha, decisão ou livre-arbítrio por parte do homem. Entretanto, temos essa escolha mencionada e exposta em vários textos bíblicos, como vimos.
Que DEUS nos conceda cada dia uma visão espiritual cada vez mais ampla e profunda, a fim de compreendermos a sublimidade da gloriosa salvação que JESUS CRISTO consumou; da qual, pela graça de DEUS, já somos participantes. Glória, pois, a Ele!
A doutrina da predestinação situando o crente na presciência de DEUS não está na Bíblia para motivar choques de idéias, especulações ou coisas semelhantes; mas para, de modo carinhoso, DEUS encorajar o crente. Através dela, o Senhor está mostrando que antes que o mundo existisse, e o homem nascesse, Ele antecedeu- se e antecipou-se a tudo, prevendo problemas e dificuldades em nosso caminho e nos mostrando que é poderoso para nos levar a salvo para o seu Remo celestial (2Tm 4.18, ARA).
Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de JESUS CRISTO (Fp 1.6).
Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória (..) seja glória e majestade; domínio c poder, antes de todos os séculos, agora e para todo o sempre. Amém! Qd vv.24,25).
A DOUTRINA DA CHAMADA DIVINA PARA A SALVAÇÃO
Essa chamada não se refere apenas à salvação, mas também ao plano de DEUS para a vida do crente, como lemos em Efésios 4.1-15, especialmente nos versículos11 a 15:
E ele [CRISTO] mesmo deu uns apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de CRISTO, até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de DEUS, a varão perfeito, à medida da estatura completa de CRISTO, para que não sejamos mais meninos inconstantes... Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, CRISTO.
Em Efésios I.18 vemos também nessa chamada a esperança divina para a qual DEUS nos chamou: “tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos”. Na nossa chamada para a salvação temos o cumprimento da nossa eleição: “Assim, os derradeiros serão primeiros, e os primeiros, derradeiros, porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (Mt 20.16). Leia também Mateus 22.14.
A DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO
Justificação é o ato judicial de DEUS, pelo qual Ele declara justo diante dEle o pecador que põe sua fé para a salvação em JESUS, ficando assim isento de culpa e condenação (Rm 8.30). A justificação é um ato e também um processo, como a santificação experimental na vida do crente; ela é primeiramente um ato de DEUS.
O que é justificar? E DEUS declarar justo diante dEle o transgressor que crê em JESUS como o seu Salvador pessoal (Rm 4.3-5; 8.33). Justificar, como DEUS justifica, é mais que perdoar. Em teologia sistemática, a justificação precede a santificação, mas na Bíblia a santificação precede a justificação (I Co 6.11), que também é um processo — “justificação de vida” (Rm 5.18).
Diferenças entre justificar e perdoar. O perdão remove a condenação do pecado; a justificação nos declara justos diante de DEUS; isto é, como se nunca tivéssemos pecado! Quão maravilhosa é a graça de DEUS! Aleluia!
Somente DEUS pode perdoar e também justificar a um só tempo. O homem jamais pode fazer isso; ele pode relativamente perdoar, mas não justificar — declarar justo um transgressor da lei. Como é possível um DEUS perfeitamente justo perdoar e também justificar o ímpio, transgressor, sobrecarregado de delitos e pecados?
Mediante o seu amor, DEUS substituiu o culpado pelo inocente. O imaculado Cordeiro de DEUS, no Calvário, pelo amor divino, nos substituiu, levando sobre si os nossos pecados.
Verdades fundamentais da justificação pela fé, As verdades fundamentais da justificação pela fé em DEUS são: (I) a sua origem, que é a graça de DEUS (Rm 3.24;Tt 3.7); a sua base, o sangue de JESUS (Rm 5.9); o seu meio, a fé (Rm 5.1; 3.25); o seu testemunho perante os homens são as obras (Tg 2.24); e a sua causa instrumental é a ressurreição de JESUS CRISTO (Rm 4.25).
A DOUTRINA DO JULGAMENTO DO CRENTE
A doutrina do julgamento do crente é geralmente estudada, em teologia sistemática, sob a escatologia. Trata-se do Tribunal de CRISTO, isto é, o julgamento da igreja após o seu arrebatamento (2 Co 5.10; Rm 14.10; I Jo 4.17). É o dia da prestação de conta da nossa vida; da nossa mordomia cristã, da nossa diaconia ante o citado Tribunal.
Segundo a Palavra de DEUS, o julgamento do crente é tríplice. No passado, o crente foi julgado em CRISTO, no Calvário, como pecador (2 Co 5.21). No presente, ele é julgado como filho de DEUS, durante a sua vida (I Co 11.31). No futuro, será julgado como servo de DEUS, quanto à sua fidelidade no serviço prestado a DEUS (2 Co 5.10).
Não será um julgamento de pecados do crente (Rm 8.1; Jo 5.24), mas das obras do crente (Ap 22.12; 14.13). Todos os crentes serão julgados, e não apenas alguns. Este autor e o leitor — eu e tu — também: todos havemos de
comparecer ante o tribunal de CRISTO” (Rm 14.10). “... para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal” (2 Co 5.10).
Os critérios do julgamento. Os critérios de julgamento do crente no Tribunal de CRISTO envolvem: a “lei da liberdade cristã” (Tg 2.12), haja vista sermos livres para fazermos ou não a vontade de DEUS (vamos responder por essa liberdade diante do Senhor naquele dia); a qualidade do trabalho que fazemos para DEUS (Mt 20.1-16); vemos neste ensino de JESUS que muitos crentes trabalharão a vida toda (“o dia todo”, v. 12), mas receberão a recompensa de quem trabalhou apenas “uma hora”. Não será primeiramente a quantidade de trabalho que será julgada, e sim primeiramente a qualidade desse trabalho.
Outros critérios de julgamento serão: o “material” empregado no trabalho feito para DEUS (I Co 3.8,12-15); a conduta do crente por meio do seu corpo (2 Co 5.10; o modo como tratamos nossos irmãos na fé (Rm 14.10; Tg 5.9; Ef 6.8; Cl 3.25); e os motivos secretos do nosso coração que nos levaram aos respectivos atos (I Co 4.5; Rm 2.16).
Um aviso a todos os que ensinam na casa de DEUS: o seu julgamento será maior, mais rigoroso e mais exigente:
Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres; sabendo que receberemos mais duro juízo lg 3.1).
Qualquer; pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus (Mt 5.19).
 
O MUNDO VIVO - Comentário Bíblico - Devocional (NT)
João 1.1-18
“DEUS nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer” (Jo 1.18).
João introduziu o mistério final. DEUS havia assumido a natureza humana e se tornado carne.
Contexto
O Verbo (ou, a Palavra). Em ambos os Testamentos, “verbo” ou “palavra” é um conceito fundamental e complexo. O grego logos aparece mais de 300 vezes no Novo Testamento, com uma variedade de significados. A identificação de JESUS como o “Verbo” tem grande importância teológica. Como o Verbo, JESUS é a expressão da pessoa e caráter de DEUS no mundo: aquEle que revela o Pai. E como o Verbo, JESUS é também a presença poderosa e ativa de DEUS no mundo: aquEle que tem a autoridade final sobre todas as forças naturais e sobrenaturais, capaz, por infusões de graça, não apenas de dar vida, mas também de transformar a natureza interior dos seres humanos para prepará-los para a comunhão com DEUS.
Embora os teólogos tenham a tendência de ser eloquentes quanto às implicações filosóficas do logos, quando lemos o Evangelho de João percebemos a possibilidade de ter um significado mais simples e mais direto em mente. JESUS, a Palavra de DEUS, é aquEle por meio do qual ouvimos a voz de DEUS. Ele é aquEle no qual encontramos a DEUS e pelo qual recebemos a DEUS em nossas vidas.
Visão Geral
O “Verbo” — o Criador e fonte da nossa vida — preexistia com e como DEUS (1.1-5). João Batista anunciou sua vinda (w. 6-9), mas, quando Ele chegou, seu próprio povo o rejeitou (w. 10,11). Mas todos que o recebem tornam-se filhos de DEUS (w. 12-14). Ele é a fonte da graça, o Filho que, sendo DEUS, revela o Pai à humanidade (w. 15-18).
Entendendo o Texto
“No princípio era o Verbo” (Jo 1.1,2). Como os primeiros versos de Gênesis, João 1.1-12 nos arremessa de volta às origens do tempo, ao mistério do próprio DEUS.
Os cristãos confirmaram o ensinamento do Novo Testamento de que o DEUS único do Antigo Testamento existe em três Pessoas: DEUS Pai, o Filho e o ESPÍRITO SANTO. João iniciou seu Evangelho com uma afirmação poderosa de que o Homem JESUS é DEUS Filho, o Verbo eterno por meio da qual DEUS sempre se expressou (Hb 11.2)
“Nele, estava a vida” (Jo 1.3-5). No Evangelho de Joio, “vida” às vezes indica a vitalidade biológica, mas, com mais frequência, indica a vida espiritual. João muitas vezes descreveu a vida de que falava como “eterna.” A vida disponível para nós em CRISTO tem uma qualidade e poder sobrenaturais, assim como extensão infinita. É esta vida eterna oferecida por CRISTO que brilha em nosso mundo como uma luz radiante. Como um farol para um viajante perdido, a luz que brilha em JESUS oferece esperança a todos os homens. Não apenas a esperança da vida após a morte, mas a esperança de uma vida rica e significativa aqui e agora.
“E as trevas não a compreenderam” (Jo 1.5). A intenção específica do verbo grego katelaben foi muito debatida. Trata-se simplesmente de dizer que os homens que estão nas trevas não perceberam a natureza da luz brilhante? Ou a palavra significa “superar”, como em outras passagens de João? (6.17; 8.3,4; 12.35). João logo desenvolveria seu tema sobre um conflito básico entre o bem e o mal, as trevas e a luz. O mundo dos homens não apenas ignora o caráter da luz, mas é hostil a ela!
Uma guerra invisível está em andamento no Planeta Terra. DEUS e Satanás estão em perpétuo conflito e, conscientemente ou não, todo ser humano toma partido. A luz derramada pela oferta de vida eterna do Filho torna as questões da guerra mais claras e desafia todos a tomarem partido.
Quão bom é saber que, não importando quão hostis os homens e as mulheres possam ser, eles nunca podem superar a luz de CRISTO.
“Um homem enviado de DEUS” (Jo 1.6-9). Lucas contou a história de João Batista; João enfatizou sua missão. O fato de que era “enviado de DEUS” estabelecia sua autoridade. Sua missão resumia-se na palavra “testemunho” (v. 8). Ao longo de todo este Evangelho, João juntaria indícios que estabeleciam JESUS como o Filho de DEUS. João Batista foi a primeira testemunha, identificando JESUS para os homens e mulheres judeus do primeiro século. Hoje também DEUS envia homens e mulheres para dar testemunho de seu Filho. Embora o próprio JESUS seja a luz, você e eu devemos dar testemunho dos benefícios de ir a Ele para ter a vida eterna.
“O poder de serem feitos filhos de DEUS” (Jo 1.10-13). Estas palavras, como boa parte dos escritos de João, estão cheias de informação. O “mundo” no versículo 10 é, primeiro, a própria terra como ambiente da vida e, segundo, uma ordem social pecaminosa que se recusou a reconhecer o Criador. Embora o próprio povo e nação de JESUS não o tenham recebido, Ele continua a estender aos indivíduos a oferta divina da vida eterna. Aqueles que o recebem obtêm o direito de se tornarem filhos de DEUS.
Os versículos esclarecem duas questões. Primeiro, nós, seres humanos, somos todos filhos de DEUS? Embora todos os seres humanos sejam suas criaturas, e objetos do seu amor, João nos lembra que nem todos estão espiritualmente relacionados com DEUS. Apenas o dom especial da vida eterna em CRISTO muda a nossa natureza, de modo que nos tomamos tekna de DEUS, seus “nascidos” que, pelo renascimento espiritual, compartilham a sua natureza divina.
Segundo, o que significa “crer”?
João iniciou sua explicação igualando “crer” e “receber.” A nova vida em CRISTO é oferecida como um presente. Assim como alguém que estende a mão e recebe um presente demonstra com sua aceitação que acredita na realidade do presente e na fidedignidade da pessoa que o oferece, ao recebermos CRISTO como Salvador, demonstramos a crença no dom e na fidedig-nidade de DEUS, o doador.
Como isto é simples! Ouvimos a Boa-Nova do evangelho, nosso coração recebe a CRISTO e, em uma grandiosa transação sobrenatural, somos perdoados e inundados com uma nova vida. Tornamo-nos filhos de DEUS, novamente nascidos por um ato do próprio DEUS.
 
João 1 - Comentário Bíblico TT W. W. Wiersbe
Mas, de fato, habitaria DEUS na terra?", perguntou Salomão ao consagrar o templo (1 Rs 8:27). Uma ótima pergunta! A glória de DEUS havia habitado no tabernáculo (Êx 40:34) e no templo (1 Rs 8:1011), mas essa glória fora embora do meio do povo desobediente de Israel (Ez 9:3; 10:418; 11:22, 23).
Então, algo maravilhoso aconteceu; a glória de DEUS voltou a habitar com seu povo na Pessoa de seu Filho, JESUS CRISTO. Os autores dos quatro Evangelhos apresentam apenas alguns episódios da vida de JESUS na Terra, pois seria impossível redigir uma biografia completa (Jo 21:25). Mateus escreveu especialmente a seus compatriotas judeus e enfatizou que JESUS de Nazaré havia cumprido as profecias do Antigo Testamento. Marcos escreveu aos romanos atarefados e, enquanto Mateus enfatizou o caráter de Rei, Marcos apresentou o Servo ministrando ao povo necessitado. Lucas escreveu seu Evangelho aos gregos e lhes apresentou o Filho do Homem, o Salvador compassivo.
Mas coube a João, o discípulo amado, escrever um livro tanto para judeus quanto para gentios, apresentando JESUS como o Filho de DEUS. Sabemos que, quando João escreveu seu relato, tinha em mente tanto os gentios quando os judeus, pois em várias ocasiões "interpretou" palavras e costumes judaicos para seus leitores (Jo 1:38, 41, 425:2; 9:7; 19:13, 17 ; 20:16). Para os judeus, enfatizou que JESUS não apenas cumpriu as profecias do Antigo Testamento, mas também seus tipos. JESUS é o Cordeiro de DEUS (Jo 1:29) e a Escada entre o céu e a Terra (Jo 1:51; ver Gn 28). Ele é o Novo Templo (Jo 2:19-21) e oferece um novo nascimento (Jo 3:4ss). É a serpente que Moisés levantou no deserto (Jo 3:14) e o Pão de DEUS que desceu do céu (Jo 6:35ss).
Enquanto os três primeiros Evangelhos concentram-se em descrever acontecimentos da vida de CRISTO, João enfatiza o significado desses acontecimentos. Por exemplo, os quatro Evangelhos relatam a ocasião em que JESUS alimentou os cinco mil, mas somente João registra o sermão sobre "O Pão da Vida", proferido logo depois do milagre e no qual JESUS interpretou ao povo o que havia feito.
Ao longo de todo o Evangelho de João, pode-se ver um tema constante: JESUS CRISTO é o Filho de DEUS, e, se nos entregarmos a ele, receberemos dele a vida eterna (Jo 20:31). Neste primeiro capítulo, João registra sete nomes e títulos de JESUS que o identificam como DEUS eterno.
1.0 Verbo (Jo 1:1-3, 14)
Assim como nossas palavras revelam a outros o que se passa em nossa mente e coração, também JESUS CRISTO é o "Verbo" de DEUS, que nos revela sua mente e seu coração. "Quem me vê a mim vê o Pai" (Jo 14:9). Uma palavra é composta de letras, e JESUS CRISTO é "Alfa e ômega" (Ap 1:8), a primeira e a última letra do alfabeto grego. De acordo com Hebreus 1:1-3, JESUS CRISTO é a última palavra de DEUS para a humanidade, pois ele é o ápice da revelação divina.
JESUS é o Verbo eterno (vv. 1, 2). Existia desde o princípio, não por ter um princípio como criatura, mas por ser eterno. Ele é DEUS e estava com DEUS. "Antes que Abraão existisse, Eu Sou" (Jo 8:58).
JESUS CRISTO é o Verbo criador (v. 3). Sem dúvida, há um paralelo entre João 1:1 e Gênesis 1:1, a "nova criação" e a "antiga criação". DEUS criou o mundo por meio da sua palavra: "Disse DEUS [...] e houve [...]". "Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir" (SI 33:9). DEUS criou todas as coisas por meio de JESUS CRISTO (Cl 1:16), o que significa que JESUS não é um ser criado. Ele é o DEUS eterno.
No grego, a expressão "foram feitas" encontra-se no tempo verbal perfeito, que indica um "ato concluído". A criação está consumada. Não é um processo em andamento, apesar de DEUS certamente continuar a operar em sua criação (Jo 5:17). A criação não é um processo, mas sim um produto acabado.
JESUS CRISTO é o Verbo encarnado (v. 14). Quando ministrou na Terra, JESUS não era um fantasma nem um espírito, e seu corpo não era uma ilusão. Tanto João quanto os outros discípulos tiveram uma experiência pessoal que os convenceu da realidade do corpo de JESUS (1 Jo 1:1, 2). Apesar da ênfase de João sobre a divindade de CRISTO, ele deixa claro que o Filho de DEUS veio em carne e osso e, ainda que sem pecado, se sujeitou às fragilidades da natureza humana.
Em seu Evangelho, João ressalta que JESUS sentiu cansaço (Jo 4:6) e sede (Jo 4:7). Agitou-se no espírito e comoveu-se (Jo 11:33) e chorou abertamente (Jo 11:35). Quando estava na cruz, sentiu sede (Jo 19:28), morreu (Jo 19:30) e sangrou (Jo 19:34). Depois de sua ressurreição, provou a Tomé e aos outros discípulos que ainda possuía um corpo real (Jo 20:24-29), porém glorificado.
De que maneira "o Verbo se fez carne"? Pelo milagre do nascimento virginal (Is 7:14Mt 1:18-25; Lc 1:26-38). Assumiu uma natureza humana sem pecado e se identificou conosco em todos os aspectos da vida, desde o nascimento até a morte. "O Verbo" não era um conceito abstrato nem uma filosofia, mas uma Pessoa real, que podia ser vista, tocada e ouvida. O cristianismo é CRISTO, e CRISTO é DEUS.
A revelação da glória de DEUS é um tema importante no Evangelho. JESUS revelou a glória de DEUS em sua Pessoa, em suas obras e em suas palavras. João relata sete sinais maravilhosos (milagres) que declararam publicamente a glória de DEUS (Jo 2:11). A glória da antiga aliança era passageira, mas a glória da nova aliança em CRISTO é crescente (ver 2 Co 3). A Lei podia revelar o pecado, mas não removê-lo. JESUS CRISTO veio com plenitude de graça e verdade, e essa plenitude encontra-se à disposição de todos os que crerem nele (Jo 1:16).
2. A luz (Jo 1:4-13)
A vida é um tema-chave de João, sendo um termo usado 38 vezes neste Evangelho. Quais são os elementos essenciais da vida humana? Há pelo menos quatro: luz (se o Sol apagasse, tudo morreria), ar, água e alimento. JESUS é todas essas coisas! Ele é a Luz da vida e a Luz do mundo (Jo 8:12). Ele é "o sol da justiça" (Ml 4:2). Por meio do seu ESPÍRITO SANTO, ele nos dá "fôlego de vida" (ver Jo 3:8; 20:22) e água viva (Jo 4:10, 1314; 7:37-39). Por fim, JESUS é o Pão da Vida que desceu do céu (Jo 6:35ss). Não apenas tem vida e dá vida, mas também é vida (Jo 14:6).
Luz e trevas são temas que se repetem ao longo de todo o Evangelho de João. DEUS é luz (1 Jo 1:5), Satanás é o "poder das trevas" (Lc 22:53). As pessoas amam a luz ou as trevas, e esse amor controla seus atos (Jo 3:16-19). Os que crêem em CRISTO são "filhos da luz" (Jo 12:35, 36). Assim como a primeira criação começou com a injunção "Haja luz!", também a nova criação começa com a entrada da luz no coração do que crê (2 Co 4:3-6). A vinda de JESUS CRISTO ao mundo foi a aurora de um novo dia para o ser humano pecaminoso (Lc 1:78, 79).
Espera-se que pecadores cegos recebam a luz com alegria, mas nem sempre é o caso. A vinda da verdadeira luz gerou conflito, pois sofreu a oposição dos poderes das trevas. Pode-se traduzir João 1:5, literalmente, assim: "E a luz continua resplandecendo nas trevas, e as trevas não a sobrepujaram nem compreenderam". O verbo grego pode significar "superar" ou "captar, compreender". Ao longo de todo o Evangelho de João, vemos as duas atitudes reveladas: as pessoas não entendem o que JESUS está dizendo e fazendo e, como resultado, opõem-se a ele. João 7 a 12 mostra o crescimento dessa oposição, que, por fim, levou à crucificação de CRISTO.
Sempre que JESUS ensinava uma verdade espiritual, seus ouvintes a interpretavam de maneira material ou física. A luz não conseguia penetrar as trevas de sua mente. Foi assim quando falou sobre seu corpo ser o templo (Jo 2:19-21), sobre o novo nascimento (Jo 3:4), sobre a água viva (Jo 4:11), sobre a importância de comer sua carne (Jo 6:51 ss), sobre a liberdade espiritual (Jo 8:30-36), sobre a morte como um sono (Jo 11:11-13) e sobre várias outras verdades espirituais.
Satanás esforça-se para manter as pessoas nas trevas, porque trevas significa morte e inferno, ao passo que luz significa vida e céu.
Esse fato ajuda a explicar o ministério de |oão Batista (Jo 1:6-8). João foi enviado como testemunha de JESUS CRISTO, para dizer ao povo que a Luz havia chegado ao mundo. Apesar de todas as suas vantagens espirituais, a nação de Israel estava cega para o próprio Messias! O termo testemunho é uma palavra-chave nesse livro; João emprega o termo testemunho e co-relatos 26 vezes. João Batista foi uma das muitas pessoas que testemunharam sobre JESUS afirmando: "Este é o Filho de DEUS!" Infelizmente, João Batista foi martirizado, e os líderes judeus não fizeram coisa alguma para impedir que isso acontecesse.
Por que a nação rejeitou JESUS CRISTO? Porque "não o conheceu". O povo de Israel era espiritualmente ignorante. JESUS é a "verdadeira Luz" - a Luz original da qual toda outra luz é cópia -, mas os judeus contentaram-se com as cópias. Tinham Moisés e a Lei, o templo e os sacrifícios, mas não entendiam que essas "luzes" apontavam para a verdadeira Luz, a conclusão e a consumação da religião do Antigo Testamento.
Ao estudar o Evangelho de João, veremos JESUS ensinando ao povo que ele é o cumprimento de tudo o que se encontrava tipificado na Lei. Não bastava nascer judeu; era preciso nascer de novo, nascer do ESPÍRITO (Jo 3). JESUS realizou dois milagres no sábado para ensinar que tem um novo descanso a oferecer (Jo 5; 9). Ele é o maná que sacia (Jo 6), a água vivificadora (Jo 7:37-39). Ele é o Pastor de um novo rebanho (Jo 10:16), é uma nova Videira (Jo 15). Mas o povo estava tão acorrentado pela tradição religiosa que não era capaz de compreender as verdades espirituais. JESUS veio a seu mundo, mundo criado por ele, mas seu próprio povo não o compreendeu nem o recebeu.
Viram suas obras e ouviram suas palavras. Observaram sua vida perfeita. JESUS deu-lhes inúmeras oportunidades de compreender a verdade, de crer e de receber a salvação. JESUS é o caminho, mas se recusaram a andar com ele (Jo 6:66-71). Ele é a verdade, mas se recusaram a crer nele (Jo 12:37ss). Ele é a vida, mas o crucificaram!
Os pecadores de hoje, porém, não precisam cometer os mesmos erros. Em João 1:12, 13, DEUS promete que todo o que receber CRISTO nascerá de novo e se tornará parte da família de DEUS! João fala mais sobre esse novo nascimento em João 3, mas mostra aqui que se trata de um nascimento espiritual divino, não de um nascimento físico que depende da natureza humana.
A Luz continua a brilhar! Já recebeu essa Luz pessoalmente e se tornou um filho de DEUS?
 
Jo 1:1-14 - Prólogo - Comentario Biblico Moody
Sem delongas o escritor apresenta a figura central do Evangelho, mas não a chama de JESUS ou CRISTO. Neste ponto Ele é o Logos (Palavra). Este termo tem raízes no V.T., sugerindo conceitos de sabedoria, poder e um relacionamento especial com DEUS. Era também largamente usado pelos filósofos para exprimir idéias tais como discussão e mediação entre DEUS e o mundo. No tempo de João toda sorte de leitores entenderiam sua adequabilidade aqui, onde a revelação é a nota principal. Mas o aspecto diferente é que o Logos também é o Filho do Pai, que se encarnou a fim de revelar DEUS plenamente (1:14,18).
A. O Logos Preexistente. 1:1,2.
1, 2. O princípio do Evangelho (Mc. 1:1) foi ligado ao princípio da criação (Gn. 1:1) e vai além dela dando uma visão da Deidade "antes que o mundo existisse" (cf. Jo. 17:5). A Palavra não se fez; era. Com DEUS sugere igualdade e também associação. O Verbo era DEUS (divindade) sem confusão de pessoas.
B. O Logos Cósmico. 1:3-5. Ele foi o agente da criação. Por ele. Por meio dele.
3. Todas as coisas inclui a totalidade da matéria e existência, mas considerada aqui em seu "status" individual e não universal.
4. A vida está nEle, não simplesmente através dEle. Como vida, a Palavra comunicava luz (conhecimento de DEUS) aos homens.
5. As trevas são em primeiro lugar morais. Nem todos têm vantagem da luz (cons. 3:19). Provavelmente o pensamento não é idêntico a 1:9, 10; assim as trevas não a prevaleceram é uma tradução menos aceitável do que as trevas não a venceram.
C. O Logos Encarnado. 1:6-18.
Aqui está incluído um sumário da missão de João, o precursor.
6. Houve. Antes, veio. Esta é a aparição de João na história, como enviado por DEUS. A frase resume o material contido em Lc. 1:5-80; 3:1-6.
7. Que João veio para testemunho, ou para testificar, é a maior ênfase deste Evangelho (1:15, 34; 5:33, 36, 37; 15:26, 27; 19:35; 21:24). Sua missão foi testemunhar da luz, que brilhava desde a Criação e estava ali para iluminar os homens com a sua presença. O testemunho foi idealizado para que os homens viessem a crer (a palavra "fé" não aparece neste Evangelho, mas o verbo quase se transforma em um refrão; cons. 20:31).
9. A luz verdadeira não transforma João em uma luz falsa. Dá a entender que é uma luz antitípica, máxima – o sol, não uma vela. Daí, venerar João indevidamente, depois que a Luz despontou, é errado (3:30; Atos 19:1-7). A sintaxe do versículo no grego é difícil. A verdadeira luz que, vinda ao mundo; ilumina a todo homem é a tradução mais provável. Através de sua presença entre os homens o Logos traria uma iluminação superior àquela que fora proporcionada aos homens antes de sua vinda.
10, 11. A Luz era verdadeira e resplandecente, mas a acolhida que teve foi desapontadora. Além da semelhança que há nos dois versículos, jazem neles diferenças deliberadas: estava, mundo; veio, o que era seu; e os seus não o receberam. Deixar de discernir o Logos pré-encarnado é mais compreensível do que a recusa trágica de seu próprio povo, em aceitá-lo quando veio entre eles.
12, 13. Nem todos recusaram a Luz. Aqueles que a receberam ganharam poder (autoridade, direito) de serem feitos (naquele exato momento) filhos de DEUS. Aqueles que o receberam são descritos como aqueles que crêem no seu nome (pessoa). Veja 20:31. Há duas maneiras de se dizer a mesma coisa. Os crentes são mais adiante descritos em termos do que DEUS faz por eles.
Eles nasceram ... de DEUS. Não é um processo natural que traz pessoas ao mundo – não do sangue (literalmente, sangues), sugerindo a mescla das correntes sanguíneas paterna e materna na procriação. Da vontade da carne sugere o desejo natural e humano de se ter filhos, como da vontade do varão (a palavra usada para marido) sugere o desejo especial de se ter uma descendência que continue com o nome da família. Assim, o novo nascimento, algo sobrenatural, foi cuidadosamente resguardado da confusão com o nascimento natural.
14. Antes que a fé possa produzir o novo nascimento, deve haver um objeto sobre o qual repousar, tal como a encarnação do Verbo, o Filho de DEUS. DEUS, tendo se expressado na criação e na história, onde a atividade do Logos era evidente mas a sua pessoa velada, agora se revelava através do Filho em forma humana, que não era simples semelhança, mas carne, João poderia ter usado "homem" mas escolheu declarar a verdade da encarnação enfaticamente como se quisesse contrariar aqueles que tinham tendências gnósticas. Essa falsa visão de CRISTO recusava-se a aceitar que a divindade pura pudesse assumir corpo material, uma vez que a matéria era considerada má (cons. I Jo. 4:2, 3; II Jo. 7).
Habitou. Tabernaculou. Em combinação com a glória sugere a personalização da nuvem luminosa que repousava sobre o tabernáculo no deserto (Êx. 40:34). O Verbo encarnado é também a resposta à oração de Moisés (Êx. 33:18). João não narra a Transfiguração, pois apresenta todo o ministério como uma transfiguração, exceto quanto à luz da qual fala, que é moral e espiritual (cheio de graça e de verdade e não algo visível, cons. Jo. 1:17).
 
JOÃO 1.1-14 - A Divindade de JESUS - Comentário Histórico Cultural do Novo Testamento
 
EXPOSIÇÃO
João tem sido chamado de "O Evangelho universal”. Ele é distintamente diferente dos Sinóticos. Embora Mateus, Marcos e Lucas tenham finalidade de alcançar públicos diferentes, cada um dos três descreve o ministério público de JESUS mais ou menos de forma cronológica. Cada um deles tende a descrever os eventos com um mínimo de comentários. E cada um tende a se concentrar na Galiléia, onde ocorreu a maior parte do ministério público de CRISTO. A identidade de JESUS — seja como o Messias Rejeitado de Mateus, o Homem de Ação de DEUS de Marcos, ou o Ser Humano Ideal de Lucas — brilha através de cada um dos Sinóticos. Contudo, embora a identidade paralela de CRISTO como o Filho de DEUS e Salvador seja afirmada e totalmente demonstrada através dos milagres e ensinos de JESUS que foram registrados, nenhum dos três Sinóticos “teologizain” os relatos.
Quando começamos a ler o Evangelho de João, percebemos imediatamente que este relato é diferente. As primeiras palavras de João nos atraem para dentro dos mistérios centrais da fé, quando João nos desafia a olharmos tanto para trás quanto além do início — e a encontrarmos ali um JESUS que existe não como o suposto filho de um carpinteiro de Nazaré, mas como DEUS, em forma distinta de DEUS, embora esteja com DEUS e seja igual a DEUS.
Ao continuarmos a ler encontramos grandes diferenças estruturais entre João e os Sinóticos. Eles registram o curso da história terrena de CRISTO; João seleciona sete milagres e os utiliza como o contexto para registrar os discursos profundamente teológicos do Salvador. Os três Sinóticos se concentram nos eventos que se passam na Galiléia; João concentra nossa atenção na Judéia. De forma mais significativa, por diversas vezes João coloca o ensino de JESUS em categorias universais; luz versus trevas, vida versus morte, verdade versus falsidade, amor versus ódio, fé versus incredulidade.
Estes contrastes têm levado alguns a argumentar que o quarto Evangelho foi apenas atribuído ao Apóstolo João, sem ter sido escrito por ele. Contudo, cada argumento lançado contra a autoria de João tem sido totalmente respondido pelos estudiosos, e a opinião tradicional demonstra ser a melhor. Qual é esta opinião? Sabemos que o Apóstolo João viveu muito mais do que os outros membros do círculo íntimo de JESUS. Com o passar das décadas, João viu a necessidade de um relato do Evangelho que atendesse a necessidade da igreja cristã que se desenvolvia - um relato que respondesse os desafios do entendimento de JESUS, fixados tanto por fontes judaicas como seculares/filosóficas. Assim, em algum momento entre 90 e 100 d.C., embora alguns argumentem a favor de uma data por volta do ano 80 d.C., João escreveu suas próprias memórias mais vividas dos atos e ensinos de JESUS, que mostravam que CRISTO era tanto DEUS como Homem, separando-o, de forma contundente, de toda distorção contemporânea.
E assim, no Evangelho de João temos um retrato inigualável de nosso Senhor. Ele é tão preciso quanto os retratos dos outros Evangelhos, apesar de suas diferenças em estrutura e propósito. E ele nos lembra que, em JESUS CRISTO, DEUS não só se revelou aos judeus como seu Messias, aos romanos como seu Homem de Ação ideal, e aos gregos como verdadeiro modelo de humanidade. Em JESUS CRISTO, DEUS se revelou em seu Filho, como absolutamente a única resposta para as necessidades mais profundas e universais de uma humanidade perdida. Em JESUS, a luz brilha e revela as trevas nas quais uma vez andamos. Através de JESUS, recebemos vida plena e dinâmica que quebra para sempre o poder da morte sobre nosso presente e sobre nosso futuro. Por JESUS somos finalmente capazes de medir a verdade e a falsidade. Com JESUS, o amor de DEUS faz desaparecer a animosidade que uma vez sentimos em relação a DEUS e aos nossos semelhantes. E tudo depende de uma única questão: fé versus incredulidade.
A mensagem clara e maravilhosa do mais teológico dos Evangelhos é que DEUS nos convida a crermos em seu Filho. Quando cremos, a luz, a vida, a verdade e o amor - todos os maiores dons de DEUS - tornam-se nossos.
ESTUDO DA PALAVRA
No princípio, era o Verbo (1.1). O termo grego é logos, que geralmente concentra a atenção na palavra falada, mas no significado em vez de simplesmente no som. No pensamento filosófico grego, logos era usado em relação ao princípio racional ou à Mente que regia o universo. No pensamento hebraico “a palavra de DEUS” era sua auto expressão ativa, a revelação de si mesmo para a humanidade através da qual uma pessoa não só recebe a verdade a respeito de DEUS, mas se encontra com DEUS face a face.
A. T. Robertson resume a importância do termo logos em sua obra Word Pictures of the New Testament (vol. 5, p. 3):
Logos vem de lego, uma antiga palavra em Homero para reservar, coletar, colocar palavras lado a lado, falar, expressar uma opinião. Logos é comum tanto para a razão, como para a fala. Heráclito a usou para o princípio que controla o universo. Os estóicos a empregavam para a alma do mundo (anima mundi), e Marco Aurélio usava spermatikos logos para o princípio generativo na natureza. O hebraico memra era usado nos Targuns como uma referência à manifestação de DEUS como o Anjo de Jeová, e a Sabedoria de DEUS em Provérbios 8.23.
Os primeiros escritores cristãos tinham mais a dizer sobre o Evangelho de João do que sobre qualquer um dos outros. E a maioria dos antigos escritores se concentrava no tema apresentado na declaração de abertura de João: JESUS é a Palavra (ou o Verbo) pré-existente de DEUS. O uso de João do termo logos, “palavra”, com suas raízes profundas tanto na filosofia grega como no pensamento hebraico, imediatamente introduziu este Evangelho na esfera da especulação que há muito tempo tem fascinado os pensadores religiosos.
Aqui estão vários comentários sobre este Evangelho e suas palavras iniciais, escritos pelos primeiros escritores cristãos.
IRINEU (c. 125-200 d.C.)
E todos os presbíteros, que associados na Asia com João, o discípulo do Senhor, testificam que este transmitiu [estas coisas]. Pois ele permaneceu com eles até a época de Trajano [98-117 d.C.]. E também a igreja em Éfeso fundada por Paulo - e João permaneceu com estes irmãos até a época de Trajano - é uma verdadeira testemunha da tradição dos Apóstolos.
Agora Mateus publicou também um livro do Evangelho entre os hebreus em seu próprio dialeto, enquanto Pedro e Paulo estavam pregando o Evangelho em Roma e fundando a igreja. Depois da morte deles, Marcos, o discípulo e intérprete de Pedro, também nos transmitiu informações ao escrever as coisas pregadas por Pedro. Lucas também, o seguidor de Paulo, registrou em um livro o Evangelho pregado por aquele. Depois disso João, o discípulo do Senhor que também se inclinou em seu peito, também publicou um Evangelho enquanto morava em Éfeso, na Ásia.
E rodos estes nos transmitiram [a doutrina de que há] um DEUS, criador dos céus e da terra, proclamado pela Lei e pelos Profetas, e um CRISTO, o Filho de DEUS. Se uma pessoa não consentir com estes, certamente rejeitará os seguidores do Senhor; e rejeitará até mesmo o próprio CRISTO, o Senhor. Tal pessoa certamente rejeitará também o Pai e estará autocondenada, resistindo e lutando contra sua própria salvação — coisa que todos os hereges fazem.
João, o discípulo do Senhor, proclama esta fé e deseja, pela proclamação do Evangelho, remover este erro que foi disseminado entre os homens por Cerinto, e muito antes por aqueles que são chamados de nicolaítas, que são ramificação daquilo que é falsamente chamado de conhecimento. João deseja confundi-los e convencer a todos de que existe um único DEUS que fez todas as coisas através de sua Palavra, e não como eles dizem que o Criador era certamente um, e que o Pai do Senhor era um outro; e que o Filho do Criador era certamente um, mas que o CRISTO das esferas mais elevadas era um outro, que ele viveu impassível até o fim, desceu sobre JESUS o Filho do Criador, e voltou outra vez ao seu Pleroma; e que o Unigênito foi certamente o início, mas que o Verbo era o verdadeiro Filho do Unigênito; e que o mundo em que Vivemos’’ não foi feito pelo DEUS Supremo, mas por algum poder que existia muito abaixo dele, estando excluído da comunhão com as coisas invisíveis e inefáveis... Portanto, João começou “com” o ensino do Evangelho: “No princípio, era o Verbo...”
TEÓFILO (c. 170-180 d.C.)
Mas quando DEUS determinou fazer as coisas que havia proposto, produziu esta Palavra exprimível, o primogênito de toda a criação; Ele não foi esvaziado da Palavra, mas produzindo [a] Palavra sempre teve harmonia com sua Palavra. Conseqüentemente, as Sagradas Escrituras e todos os escritores inspirados nos ensinam, como, por exemplo, quando um deles, João, diz: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com DEUS”, mostrando que no princípio DEUS estava sozinho e o Verbo estava com Ele. Então João diz: “E o Verbo era DEUS; todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. Portanto, o Verbo, sendo DEUS e procedendo por natureza de DEUS, sempre que o Pai do universo determina, o envia a um certo lugar; vindo Ele, é ouvido e visto; sendo enviado por Ele, Ele também se encontra no lugar que determinou.
TERTULIANO (155-235 d.C.)
Ele apareceu entre nós. Aquele cuja vinda para renovar e iluminar a natureza do homem foi pré anunciada por DEUS — quero dizer CRISTO, o Filho de DEUS. E assim o Líder e Mestre supremo desta graça e disciplina, o Iluminador e Instrutor da raça humana, o próprio Filho de DEUS, foi anunciado entre nós, nascido — mas não nascido a ponto dele se envergonhar do nome Filho ou de sua origem paterna. A sua porção não foi ter como seu pai — por incesto com uma irmã, ou por violação de uma filha ou da mulher de outro — um deus no formato de uma serpente, ou boi, ou ave, ou amante, para suas finalidades vis transmutando-se no ouro de Danaus. Estas são suas divindades, sobre as quais estas obras básicas de Júpiter foram feitas. Mas o Filho de DEUS não tem mãe em nenhum sentido que envolva a impureza; ela, cujos homens presumem ser sua mãe da maneira comum, nunca havia entrado em laços de casamento. Mas, primeiro, devo discutir sua natureza essencial, e assim a natureza de seu nascimento será entendida. Já declaramos que DEUS fez o mundo, e tudo o que ele contém, por sua Palavra, e Razão, e Poder. Está bastante evidente que os seus filósofos, também, consideram o Logos — isto é, a Palavra e a Razão — como o Criador do universo. Porque Zeno estabelece que Ele é o criador, tendo feito todas as coisas de acordo com um plano determinado; que seu nome é Destino, e DEUS, e a alma de Júpiter, e a necessidade de todas as coisas. Cleantes atribui tudo isso ao espírito, o que ele defende permeia o universo. E nós, de igual modo, defendemos que a Palavra, a Razão e o Poder, pelo qual dissemos que DEUS tudo fez, possui espírito em seu substrato próprio e essencial, no qual a Palavra tem inerência para apresentar pronunciamentos, e o propósito subsiste para dispor e ordenar. E o poder está sobre tudo para executar. Porque DEUS, também, é um ESPÍRITO. Mesmo quando o raio é lançado do sol, ele ainda faz parte da massa de origem, o sol ainda estará no raio, porque ele é um raio do sol - não há divisão de essência, mas simplesmente uma extensão. Portanto, CRISTO é ESPÍRITO de ESPÍRITO, DEUS de DEUS, assim como a luz é acesa a partir da própria luz. Desta forma, também, como Ele é ESPÍRITO de ESPÍRITO e DEUS de DEUS, Ele se toma um segundo em seu modo de existência — em posição, não em natureza; e Ele não retirou nada da fonte original, mas veio dela. Este raio de DEUS, então, como foi sempre predito nos tempos antigos, descendo sobre uma certa virgem, e transformado em carne em seu ventre é, em seu nascimento, DEUS e homem unidos. A carne formada pelo ESPÍRITO é alimentada, cresce e chega à vida adulta, fala, ensina, trabalha, e é o CRISTO.
ATANÁSIO (298-373 d.C.)
1. Mas não se pode deixar de ficar totalmente espantado pelos gentios, que, enquanto riem do que não é motivo para zombaria, se mostram insensíveis à sua própria desgraça, não percebendo que construíram algo mau para si, em uma forma estável como se estivesse edificada com varas e pedras.
2. Assim — como nosso argumento não carece de prova demonstrativa —coloquemo-los também em uma situação vergonhosa através de uma base razoável — principalmente a partir daquilo que nós mesmos também vemos. Porque o que existe do nosso lado que seja absurdo, ou digno de escárnio? É meramente nossa palavra de que o Verbo foi manifestado no corpo? Mas a isto até mesmo eles se unirão, reconhecendo que tal acontecimento não tem qualquer absurdo, mostrando- se amigos da verdade.
3. Se des negam em absoluto que haja um Verbo de DEUS, fazem isto gratuitamente, zombando daquilo que não conhecem.
4. Mas se confessam que há um Verbo de DEUS, e que Ele é o governante do universo, e que nele o Pai produziu a criação, e que por sua Providência tudo recebe luz, vida, e existência, e que Ele reina sobre tudo, de forma que a partir das obras de sua providência Ele se torna conhecido, e através dele o Pai se torna igualmente conhecido — considere, por favor, se eles não estão inconscientemente levantando a zombaria contra si mesmos.
5. Os filósofos dos gregos dizem que o universo é um grande corpo, e estão corretos. Porque vemos tanto a ele quanto ao seu caminho como objetos dos nossos sentidos. Se, então, o Verbo de DEUS está no universo, que é um corpo, e uniu-se com o todo e com todas as suas partes, o que há de surpreendente ou absurdo se dissermos que ele também se uniu com o homem?
6. Porque se fosse completamente absurdo que Ele estivesse em um corpo, também seria absurdo que Ele estivesse unido ao todo, dando luz e movimento a todas as coisas por sua providência, porque o todo também é um corpo.
7. Mas se convém a Ele unir-se com o universo, e tornar-se conhecido no todo, também deve lhe convir estar em um corpo humano, que por Ele deve ser iluminado e funcionar. Porque a humanidade faz parte do todo, bem como todas as demais coisas. E se for impróprio que uma parte seja adotada como Seu instrumento para ensinar aos homens a respeito de sua Divindade deve ser ainda mais absurdo que Ele deva se tornar conhecido até mesmo por todo o universo [Capítulo XLI].
“No princípio, era o Verbo” (1.1). É provável que João, conscientemente, tenha duplicado as palavras de Gênesis 1.1, “No princípio... DEUS". O “princípio”, em cada caso, nos transporta para o passado além da Criação, em uma eternidade que só era habitada por DEUS o agente ativo em todas as coisas que existia como DEUS e com DEUS.
Isto é enfatizado no texto pelo uso do termo en, era e estava. João usa este termo três vezes neste versículo, o tempo imperfeito do verbo eimi, cm vez de uma forma do verbo egeneto. Eimi e en simplesmente descrevem a existência contínua; egeneto significa “tornar-se”. No princípio o Verbo, como DEUS, já desfrutava de existência infinita, sem início e sem fim. A tradução de Knox exibe o sentido deste verbo, quando de traduz a frase seguinte: “DEUS tinha o Verbo morando consigo”.
Não conseguimos sequer começar a entender como DEUS pode existir sem que haja um início. As Escrituras não tentam explicar, nem mesmo discutir o assunto. As Escrituras simplesmente afirmam que DEUS é, era, e sempre será. E João nos lembra ao começar seu Evangelho que jamais devemos nos esquecer de que JESUS, o carpinteiro de Nazaré, mestre e operador de milagres de Israel, Salvador crucificado e ressurreto, também é DEUS encarnado. Eterno, imutável, imortal, o DEUS único e sábio, a quem devemos honra e louvor para rodo o sempre.
E o Verbo era DEUS (1.1). Uma seita contemporânea, refletindo uma posição teológica adotada por hereges antigos, salienta que no grego o artigo definido “o” é encontrado com “Verbo" mas não com “DEUS”. Com base nisto os membros da seira argumentam que João ensina que JESUS era "um" DEUS, mas não DEUS. Uma divindade inferior, dizem des, sim. Mas o DEUS da eternidade? Nunca.
A falácia deste argumento é que ele se baseia no inglês em vez de se basear na gramática grega. Como o artigo “Qualitative Anarthrous Predicate Nouns” no Journal of Biblical Literature (Março de 1973) salienta, no grego a ausência do artigo com “DEUS” enfatiza a qualidade. Portanto, João está claramente declarando que o Verbo possui a mesma qualidade que DEUS, e é DEUS!
Longe de abdicar de ter elevada visão da natureza de JESUS, João afirma fortemente a completa divindade deste Homem que era o Verbo encarnado!
Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez (1.3). Aqui há uma mudança distinta no verbo, do imperfeito de eimi nos versículos 1 e 2 pai a o aoristo de ginomai, “tornar-se”. Aqui, como em cada a Escritura, João tem em vista um princípio para o mundo material, e para aqueles seres criados que povoam o universo espiritual. E João agora apresenta CRISTO como o agente ativo nesta Criação.
Aqui está uma passagem do Novo Testamento que também afirma esta verdade: “O qual é imagem do DEUS invisível, o primogênito de toda a criação; porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na teria, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por de e para de. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.15-17).
E aqui está uma passagem no Antigo Testamento, que prefigura a clara revelação do papel de CRISTO na criação de rodas as coisas: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus; e todo o exército deles, pelo espírito de sua boca... Temã toda a terra ao Senhor; remam-no rodos os moradores do mundo. Porque falou, e tudo se fez; mandou, e logo tudo apareceu” (Sl 33.6,8,9).
Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens (1.4). A palavra grega aqui é zoe, o que pode indicar o princípio da vida que vivifica o corpo, ou que se refere mais frequentemente à vida e à vitalidade espiritual. Aqui João retrata o Verbo, JESUS, como a fonte de toda a vida, que dá a vitalidade, e a vida eterna e espiritual aos homens.
“Vida” é um dos ternas favoritos de João; a palavra ocorre cerca de 36 vezes em seu Evangelho. O artigo sobre “vida e morte” no Zondervan Expository Dictionary of Bible Words traz o seguinte comentário sobre esta passagem:
O pecado humano foi a fonte da morte. Só DEUS é a fonte da vida, porque DEUS “tem a vida em si mesmo” (5.26). Qualquer outra vida é derivada. Como Criador, DEUS é a fonte da vida biológica. O primeiro capítulo do Evangelho de João apresenta JESUS como o agente ativo na criação, e a fonte da vida no universo. “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens” (Jo 1.3,4).
DEUS também é a fonte da vida eterna, a dinâmica espiritual que despedaça o poder da morte na personalidade humana. João registra as palavras de JESUS: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de DEUS, e os que a ouvem viverão. Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo” (5.24-26).
JESUS também é a fonte da vitalidade para a experiência de vida eterna do crente aqui na terra. Como Paulo escreve, “Já estou crucificado com CRISTO; e vivo, não mais eu, mas CRISTO vive em mim; c a vida que agora vivo na carne vivo- a na fé do Filho de DEUS, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2.20; cf. Fp 1.21). De forma bastante clara, o ensino da Bíblia sobre a vida aponta para JESUS. Como o Mediador enviado por DEUS, JESUS é a fonte na qual a vida eterna que vem de DEUS pode ser encontrada (1 Jo 1.1,2).
De que modo esta vida é “a luz dos homens”? Somente tendo um vislumbre de esperança e convertendo-nos ao Salvador é que nós, seres humanos, poderemos receber a vida eterna.
E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam (1.5). É difícil traduzir o verbo grego katelaben aqui. Ele pode significar “alcançar” ou “superar”, bem como “compreender” ou “atingir”. O problema é discernir qual é o significado que se aplica aqui, e como ele se encaixa naquilo que João está dizendo sobre a luz brilhando nas trevas.
Luz e trevas são outro par de opostos frequentemente encontrados nos escritos de João. De forma real, o termo “trevas” representa o mundo dominado por Satanás, cujos habitantes perdidas são estimulados pelas mesmas paixões que o levaram à queda, e que, portanto, “amaram mais as trevas do que a luz” (3.19). Somente seguindo as palavras de JESUS e andando na luz é que um ser humano pode evitar que as trevas o “apanhem” (outra vez katelambano [12.35]).
Talvez isto nos dê a melhor pista para entendermos o sentido de João 1.5. A vida que pulsava em JESUS espargiu luz enquanto Ele viveu entre nós neste mundo, que é o reino de Satanás. As forças das trevas aglomeraram-se: Satanás, demônios, e até mesmo os líderes religiosos do povo de DEUS, lutando para apagar esta luz. No entanto, as trevas foram incapazes de extinguir ou vencer a luz.
Em JESUS, a luz de DEUS continua a brilhar. E não importa que forças se disponham para a batalha contra o Salvador, as trevas jamais triunfarão sobre a luz!
Este veio para testemunho para que testificasse da luz (1.7). De forma superficial isto parece estranho. Por que alguém teria que “testificar” (marturesei, dar testemunho, esclarecer) a respeito de uma “luz”? Se há uma coisa que é óbvia em lugar escuro, é uma luz brilhando ali!
Mas, devemos nos lembrar de uma coisa. A luz brilhando no escuro só é óbvia para aqueles que podem ver! Os cegos não podem ver a luz, não importa quão claramente ela brilhe.
João foi enviado por DEUS, como cumprimento profético, para clamar a uma geração que estava cega por causa do pecado, que o Redentor havia realmente vindo. Por causa do testemunho de João, muitos tatearam seguindo-o. E aqueles que ouviram as próprias palavras de JESUS, e creram, viram!
O mesmo acontece hoje. JESUS ainda é a luz do mundo. E aqueles que estão cegos pelo pecado ainda precisam de nós, para que testifiquemos a respeito dele, para que também possam crer — e ver.
Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo (1.9). Se o homem está perdido no pecado e cego para as realidades espirituais, como JESUS mostra em 9-39-41, o que João quer dizer ao falar do Verbo como a “verdadeira luz”, mencionando que Ele “alumia a todo homem”?
Uma solução é argumentar a favor de uma tradução alternativa que ligue o particípio “vem” com “luz” em vez de “homem”. Assim, o versículo significaria que CRISTO, a luz genuína, “ilumina a cada homem ao entrar no mundo”. Em vez de sugerir que todo homem tem luz, o versículo, deste modo, está dizendo que a luz genuína é aspergida sobre todos na vinda de CRISTO.
Embora a frase acima seja provavelmente a melhor tradução para o versículo, a tradução da NIV possui implicações interessantes. Sabemos a partir de um estudo comparativo de religiões que muitas crenças do mundo compartilham elevada visão moral. O que os seres humanos realmente deveriam ser não é discutido naquilo que é conhecido como religiões “mais elevadas”. A diferença é que só o cristianismo afirma que não há nada que o homem possa fazer para ser recomendado a DEUS, ou para merecer a salvação; mas que o amor de DEUS pelos perdidos é tão grande que Ele sacrificou seu próprio Filho por nós,
Mas de onde, então, as religiões humanas extraem as inspirações morais que exibem? João pode estar dizendo que toda a luz genuína é espargida por CRISTO, e que os vislumbres de verdade que os perdidos têm, são oriundos da graça inigualável de DEUS.
Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo não o conheceu (1.10). No texto original, o termo “mundo”, kosmos, vem primeiro em todas as três frases, e cada uma delas exibe um aspecto diferente do relacionamento do Verbo com seu universo e com seus habitantes.
O Verbo estava “continuamente” (porque assim o imperfeito indica) no mundo. Aqui João quer que entendamos que a Encarnação foi um envolvimento especial do Verbo com sua criação, mas que em nenhum momento antes da Encarnação o Verbo deixara de manter sua presença entre nós. Na revelação de DEUS através da natureza, na Lei de Moisés, e nas vozes dos profetas, o Verbo tornou sua presença conhecida.
O Verbo fez o mundo, Sua própria existência dependia de seu aro criativo e sustentador. Este era e é seu mundo, em sentido mais profundo.
No entanto, o mundo se recusou a (ou falhou em) reconhecer o Verbo quando Ele veio viver entre nós. E aqui temos uma mudança delicada na conotação de kosmos. Em seu sentido teológico, o termo kosmos no NT retrata a sociedade humana separada de DEUS, uma rede de relacionamentos e instituições estimulados pelas mesmas paixões que levaram à rebelião de Satanás contra o Senhor, Quando usado sem este toque teológico, kosmos concentra nossa atenção na terra, não como planeta, mas como biosfera, um sistema infinitamente bem organizado criado por DEUS que com vida animada e inanimada incorpora a humanidade como elemento essencial. E assim João nos lembra de que, como o Verbo, CRISTO sempre esteve envolvido no tecido complexo deste planeta. Como o Verbo, CRISTO é real mente seu Criador. Mas quando o Verbo, JESUS CRISTO, esteve na terra, a humanidade — a coroa da criação - se recusou a reconhecê-lo.
Todo o universo dá testemunho do Verbo. Somente o homem se recusa a reconhecer seu papel ou a adorá-lo.
Veio para o que era seu, e os seus não o receberam (1.11). Na primeira frase, o termo “seu" é plural neutro: suas próprias coisas, ou sua criação. A segunda frase difere: agora "os seus” [pessoas] estão em vista. No primeiro caso João provavelmente está pensando nos judeus, escolhidos de DEUS, que não só se recusaram a reconhecer o seu Messias, mas decisivamente o rejeitaram. No segundo, porém, este versículo abrange toda a humanidade, porque tudo e todos pertencem a Ele por direito de criação, e Ele chama todos os seus em sua oferta universal de graça.
Mas a todos quantos o receberam... aos que creem no seu nome (1.12). “Crer” é talvez a palavra mais importante no Evangelho de João. Ao se aproximar do fim de seu relato único de JESUS, o apóstolo conclui: “Estes, porém, foram escritos para que creiais que JESUS é o CRISTO, o Filho de DEUS, e para que, crendo, renhais vida em seu nome” (20.31).
Mas o que significa “crer”? Em 1.12. João fornece uma definição preliminar igualando “crer" a “receber”. Que imagem clara é esta. O que você e eu podemos fazer para obtermos um dom? Simplesmente estendermos nossas mãos e apanharmos o que é oferecido. Ao respondermos a uma oferta, ao estendermos as mãos para a apanharmos, nós expressamos nossa confiança no doador, e nossa confiança em sua promessa.
Filhos de DEUS - os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de DEUS (1.12,13). João aqui retrata uma admirável mudança de posição. A fé nos transforma de meras criaturas de DEUS, em filhos: membros de sua família, filhos e filhas do Pai Celestial. O versículo prossegue, deixando muito claro que este relacionamento não depende de nenhum acidente de nascimento ou relacionamento biológico. É espiritual, um relacionamento que depende de renascimento interior que é, em si mesmo, uma obra sobrenatural de DEUS. J. B. Phillips parafraseia: “Estes eram homens que verdadeiramente creram nele, e o nascimento deles não dependeu da descendência natural, nem de qualquer impulso físico ou de algum plano do homem, mas de DEUS”.
O tema de um novo nascimento é introduzido aqui. Porém ele é desenvolvido posteriormente nas conversas de JESUS com Nicodemos (cap. 3).
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós (1.14). Há uma importante transição aqui. João começou afirmando que desde o princípio o Verbo era DEUS. Agora João nos diz que este Verbo se fez carne. Note que não há nenhuma sugestão aqui de que a Divindade tenha entrado temporariamente em um ser humano existente. Não, o grande mistério dos séculos é declarado aqui: o Verbo eterno tornou-se um ser humano, aceitando as limitações sob as quais nós vivemos, estando sujeito às condições que a natureza e a história impõem aos homens comuns. João faz freqüentes alusões a estas limitações, como, por exemplo, em 3.17; 6.38-42; 7.29; 8.23; 9.5; 10.36, e 16.28, lembrando-nos de que a realidade da Encarnação não é conceito filosófico abstrato, mas foi para JESUS uma realidade experimental.
Quanto a João, ele testifica que, na Encarnação, viu a glória de DEUS revelada na Pessoa de seu Filho unigênito.
[Que veio] do Pai, cheio de graça e de verdade (1.14). Esta expressão significativa, “graça e verdade”, é repetida no versículo 17, onde a graça e a verdade trazidas por JESUS são colocadas em contraste com a Lei que foi dada através de Moisés. João não quer destacar que a Lei era algo diferente de um dom divino. O que ele quer mostrar é que enquanto a Lei exibia a justiça de DEUS para todos, CRISTO exibe a graça de DEUS para rodos. E a verdade revelada em JESUS CRISTO tem uma autoridade que ultrapassa a autoridade da verdade revelada através de Moisés.
Posteriormente Paulo explora completamente o relacionamento entre a Lei e a Graça (veja o índice). Aqui João simplesmente afirma que, através de CRISTO, ocorreu uma nova revelação do caráter e do plano de DEUS, uma revelação que tem precedência sobre todas aquelas que foram dadas anteriormente.
 
JESUS Entre o Seu Povo e o Seu Tempo (A Vida Diária Nos Tempos de JESUS)
JESUS ENTRE SEU POVO E EM SEU TEMPO
JESUS de Nazaré, um judeu entre judeus — "CRISTO superou a Lei" — O povo judeu e JESUS
JESUS DE NAZARÉ, UM JUDEU ENTRE JUDEUS
Que tipo de homem era Ele, cuja vinda deveria marcar a maior data na história da humanidade, cujo advento renovou, de uma vez para sempre, a revelação feita a Israel? De que forma se enquadrou Ele, como homem, no padrão dessa nação cujas características procuramos descrever? Quais as razões, derivadas tanto de sua natureza como da de seu povo, que iriam forçar a separação entre eles e provocar o amargo drama em que a mensagem trazida por Ele seria transmitida em toda a sua plenitude? Nenhum livro sobre a vida na Palestina na época de CRISTO poderia terminar sem ter considerado essas questões.
Uma única frase fornece a resposta, a frase que Péguy dirigiu ao "povo dos judeus": "Ele era um judeu, um simples judeu, um judeu como você, um judeu entre vocês. Este é o fato inegável, um fato que um número excessivo de cristãos tem tentado esquecer por muito tempo, mas que uma das obras históricas e exegéticas mais recentes vem tornando cada vez mais evidente. "JESUS CRISTO, a quem os cristãos adoram como DEUS mas (quem eles também dizem ser) também verdadeiramente homem" era um judeu, um judeu palestino da época de Augusto e Herodes. Ele não era apenas judeu por descendência, pelo seu estilo de vida e hábitos intelectuais, mas sua mensagem espiritual achava-se profundamente enraizada no solo judeu de Israel. "Cujo fato de forma alguma diminui a sua origem divina".
Os textos do Novo Testamento não poderiam ser mais categóricos. O apóstolo Paulo, ao declarar com orgulho que os israelitas eram seus "compatriotas, segundo a carne", também recorda, como uma verdade evidente por si mesma, que "deles descende o CRISTO” "Pois é evidente que nosso Senhor procedeu de Judá," acrescenta a Epístola aos Hebreus. E à sua própria maneira simbólica o apóstolo João repete esta afirmativa no Apocalipse. Os evangelistas escrevem continuamente sobre nosso Senhor como o "filho de Davi"; e dois deles, Mateus e Lucas, dão até mesmo a genealogia deste descendente remoto dos reis que haviam sido a glória do Povo Escolhido.
JESUS, "nascido sob a lei", foi imediatamente integrado na comunidade judaica de acordo com as regras de que já falamos. Ele foi circuncidado no oitavo dia. Seus pais obedeceram a todos os requisitos da Lei, tanto com relação às suas pessoas como à dele. Sua mãe observou os regulamentos estabelecidos na Torá para as mulheres depois de terem dado à luz,e Ele foi apresentado ao Templo, consagrado ao Senhor e remido pela oferta de duas pombas, como qualquer outro primogênito de uma família judia,
O nome recebido por Ele, Yeshua, ou JESUS, do qual Josué é uma outra forma, era um nome judeu bastante antigo, relacionado com DEUS, significando "Javé é salvação" ou "Javé nos salva", muito encontrado na Bíblia, não só como o nome daquele famoso juiz de Israel que fez parar o sol em seu curso, mas também como o do autor do livro de "Eclesiástico", que assinou sua obra, quase no final — JESUS, filho de Siraque. Quatro sumo sacerdotes, entre os anos 37 A.C. e 70 A.D.; tiveram esse nome; e, segundo Lucas, um dos ancestrais do Senhor também o tivera. Os nomes dos pais deles eram outrossim tipicamente judeus: aquele famoso patriarca, o administrador do Faraó que estabelecera Israel no Egito, chamava-se José; e Maria era um nome dos mais comuns entre as mulheres judias da época. Os nomes de todos os parentes de JESUS eram judeus: João (Yohanan) seu primo, que seria o Batista; os pais de João, Zacarais e Isabel.
Em sua infância, JESUS deve ter sido certamente educado como qualquer outra criança judia; isto é, recebeu uma educação religiosa, aprendendo a ler as Escrituas na Beth ha-Sefer, a escola de sua cidadezinha. Seus pais o ensinaram a ser um israelita piedoso, fazendo com que os acompanhasse desde cedo em suas peregrinações a Jerusalém. O episódio do Menino entre os doutores da Lei, debatendo com eles no Templo, nos diz muito sobre a instrução bíblica por Ele recebida. Por mais sobrenaturais que tenham sido os seus dojes nas ciências teológicas, é razoável supor que um menino de doze anos devesse ter bastante cultura para "surpreender" os rabinos com seus conhecimentos.
Ele com certeza aprendeu o offcio do pai, a carpintaria, e quando adulto, como a maioria dos judeus daquela época, JESUS trabalhou com as mãos, fazendo arados e jugos para os bois e barcos de pesca, para serem vendidos ali perto em cafarnaum. Existe uma tradição, registrada por Justino Mártir no segundo século, que preserva a memória de seus trabalhos. Os seus contemporâneos o viram então usar uma apara de madeira por trás da orelha, que era a identificação especial dos que trabalhavam com madeira; e O viram alisando a madeira com um plaina e batendo nela com um malho. A casa em que viveu na cidade de Nazaré, antes de iniciar sua missão e não ter "onde reclinar a cabeça",era sem dúvida uma daquelas habitações humildes, em forma de cubo, como os camponeses da Palestina continuam construindo até hoje. Pode ter também sido em parte uma caverna. Quando a noite caía e chagava a hora de dormir, Ele estendia o tapete que servia de leito para o povo comum, e se enrolava numa coberta ou na sua capa.
A sua aparência física, sobre a qual milhares de pintores exercitariam a imaginação nos séculos futuros, era a de um judeu praticante daqueles dias. Cabelo curto, a barba não era uma exigência necessária, mas certamente usava os cachos laterais (costeletas) que são uma continuação do cabelo nas têmporas e que a lei tornou obrigatórios. Suas roupas eram aquelas usadas por todos: o evangelho fala de sua "túnica sem costura", e pelo episódio da mulher com um fluxo de sangue fica claro que não deixou de usar as quatro borlas de lã nos cantos da capa — aqueles tzitzith que lembram simbolicamente o usuário dos mandamentos do Senhor. Levava nos pés sandálias, como a maioria de seus companheiros.
Sua alimentação, como vemos nos textos, era a mais comum do país. Deve ter comido pouca carne. No evangelho o novilho cevado só é morto em uma ocasião extraordinária, e o cordeiro escassamente é visto na mesa, exceto na Páscoa. O peixe, por outro lado, que, como sabemos, tinha lugar importante na dieta judia,é mencionado com frequência. Afim de provar aos discípulos que não era um espírito, o CRISTO ressurreto comeu um pedaço de peixe na frente deles, nas praias do Mar da Galiléia. O evangelho também menciona com frequência um outro dos principais alimentos dos judeus — o pão, simbolicamente usado na ceia. As bodas de Caná já bastam para mostrar que CRISTO bebia vinho,cujo vinho viría também a partilhar da revelação da Ceia do Senhor (nunca sendo de teor alcoólico). Os hábitos alimentares citados nos evangelhos são sempre muito frugais. Como vimos, a cozinha judia, pelo menos entre os pobres, nada tinha dos elaborados pratos romanos; mas, mesmo assim, a família era regalada com ricas iguarias nos dias festivos; e vemos no evangelho nosso Senhor participando freqüentemente desses banquetes em companhia de seus amigos.
Todos esses costumes, como aparecem nos quatro evangelhos, nos apresentam JESUS como um judeu idêntico em todos os sentidos a qualquer outro homem de sua raça. A linguagem por Ele falada nâo diferia de modo algum da de seus conterrâneos — o aramaico (meio misturado com hebraico), que Marcos não hesita em citar, injetando a mesma em seu texto grego, com alguns termos ditos pelo próprio Senhor. Quanto ao hebraico, a linguagem bíblica, nâo há dúvida de que também o conhecia, pois fez a leitura de uma passagem das escrituras em voz alta na sinagoga e depois a comentou.    -
Quando iniciou seu ministério, qual o contexto em que o exerceu, e quem foram seus ajudantes, seus colaboradores? O contexto físico foi o da terra judaica, a Palestina que praticamente nâo deixou apesar de suas muitas viagens. Seus discípulos, os doze apóstolos, eram todos judeus, a maioria deles camponeses e pescadores da Galiléia. Os próprios nomes deles mostram isso: Simão, João, Judas, Levi, que viría a ser Mateus, e os demais. Quando falava, seu estilo mostrava-se de tal forma impregnado com a forma judia de expressão que os ritmos, as repetições harmoniosas e as aliterações da poesia judaica se fazem sentir mesmo, no grego dos evangelhos. Percebemos também em suas parábolas o mesmo tipo de pensamento que produziu o midrash de Israel. Possuía excelente conhecimento da Bíblia. O texto sagrado formava parte de sua própria mente; Ele o citava a toda hora, e mesmo quando nâo usava as palavras exatas da Bíblia, com que freqüencia se referia a ela e quantas vezes fez harmonizarem-se as suas passagensI Alguns de seus ditos mais originais nâo passam de citações bíblicas brilhando com uma nova luz. Fica claro que este era um hábito mental que devia à sua educação israelita. Basta lembrar como sua mâe, Maria, declamou o "Magnificat", este hino esplêndido parece ser um resumo de todos os grandes temas da esperança dos judeus.
Mas nâo foi somente pelo nascimento, roupas, estilo de vida, amizades e modo de falar que JESUS, como um homem, foi judeu; e tâo inteiramente judeu, que tudo que tem sido dito sobre a vida diária de seu povo aplica-se a Ele e permite que formemos uma imagem concreta dEle, em sua época e entre o seu povo. Era também judeu ao reconhecer que seu povo possuía uma missão particular e um destino inteiramente seu. Da mesma forma que seus conterrâneos, Ele era um filho da aliança. E aqui novamente nâo há dúvida de que podemos sentir a influência da educação materna: todo o conjunto final do Magnificat glorifica "a promessa que ele fizera a nossos pais, Abraão e sua descendência, para sempre". A salvação, afinal de contas, deve vir dos judeus, disse JESUS á mulher samaritana, como se isto fosse uma coisa ordenada. Parece mesmo que pelo menos no início de seu ministério ele desejou limitar a revelação da sua mensagem, "às ovelhas perdidas da casa de Israel", e "nâo tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos" como se pretendesse enraizar seus ensinamentos firmemente na terra judaica antes da dar-lhes aquele caráter universal que deveria ter num período posterior, quando ordenou aos discípulos que fossem pregar em "todo o mundo, a fim de que todas as nações ouvissem a verdade".
JESUS, um filho da aliança, comportou-se como um judeu praticante, fervorosamente religioso. O evangelho menciona repetidamente sua presença nas sinagogas a fim de ensinar e orar — sente-se que ali ele estava em casa — e quando foi a Jerusalém subiu ao Templo a fim de orar ao Pai. Seu respeito ao templo, o centro da vida religiosa judia, fica evidenciado pela sua indignação contra os que "compravam e vendiam no Templo",que transformaram sua "casa de oração" em um "covil de salteadores". Ele nâo deixou de celebrar as grandes festas que se salientavam como marcos durante o ano, santificando-o: Ele celebrou a Festa dos Tabernáculos e a da Dedicação; e apenas alguns dias antes de sua morte mandou que dois de seus discípulos providenciassem os arranjos para a Páscoa, a fim de poder celebrá-la com eles. Supõe-se erradamente, e muitos fazem isso, que ele rejeitou e condenou todas as observâncias da Lei Mosaica. Mas nâo foi assim. Uma conhecida passagem em Mateus declara formalmente: "Em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem, nem um i ou til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus”. Ele referiu-se com grande respeito ao sábado, aquela pedra de toque da observância judia: por exemplo, quando falou do fim das coisas, Ele disse: "Orai para que a vossa fuga nâo se dê no sábado", por ser proibido viajar nesse dia mais do que a jornada de um sábado ou levar quaisquer pertences. E se de fato Ele tomou posição contra as observâncias e contra o sábado foi por causa da excessiva importância dada pelos doutores a essas práticas ritualistas, e nâo por estar em desacordo com o princípio subjacente. Sua atitude é definida na famosa frase: "Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir".
Todos os temas essenciais da fé judia podem ser encontrados nos ensinos de CRISTO. Em primeiro lugar, vemos aquele monoteísmo absoluto e imperativo, aquele avanço em direção ao DEUS Único que era o orgulho de Israel. Para JESUS, DEUS sempre foi "o primeiro a ser servido". Para Ele, como afirmamos antes, o "primeiro de todos os mandamentos" era amar a DEUS; e não foi por simples acaso que na resposta ao escriba Ele replicou recitando a Shema: "O Senhor nosso DEUS é o único DEUS". Vimos, no entanto, que o grande princípio evangélico, "Ama teu próximo como a ti mesmo", o "segundo mandamento", também tinha suas raízes na tradição israelita. O ensino moral de CRISTO originava-se também da doutrina fundada por Moisés e desenvolvida pelos profetas, por Jó, o Salmista, com o mesmo propósito de tornar a vida espiritual mais interior e impedir que se transformasse numa obediência mecânica a determinados mandamentos. Quantos profetas, desde Isaías até Joel, já haviam dito que o jejum e a oração ostentosos não bastavam? O próprio universalismo cristão está ligado a uma corrente de pensamento judeu que, embora não tenha talvez sido a mais largamente aceita, mesmo assim possuía uma força muito real.
Embora seja verdade que o Senhor não possa ser tido como membro de qualquer das seitas religiosas que dividiam a comunidade judia, não existe dúvida que Ele concordava com os ensinos às vezes de um às vezes de outro grupo — até mesmo com a doutrina dos fariseus que, por uma leitura superficial do evangelho, parecem ter sido seus inimigos, homens rejeitados imediatamente por ele. Vimos também quantas semelhanças podem ser apontadas entre a sua doutrina e seu modo de expressá-la, com a dos essênios, como revelado pelos rolos do Mar Morto. Existem até alguns ritos tipicamente cristãos que podem ser associados, embora apenas até um ponto limitado, com os costumes dos monges de Cunrã:por exemplo, aquelas purificações que nos fazem lembrar do batismo de CRISTO por João, e aquelas refeições de toda a comunidade que prefiguram a Última Ceia, em relação à qual os textos essênios falam de pão e vinho. Tudo isto situa JESUS e sua mensagem numa estrutura que é tão claramente judia que qualquer consideração de seu pensamento e sua personalidade que não dê crédito às raízes judias de ambos está fadada a cair em erro.
Quando o Filho de Maria veio ao mundo, ele assumiu a função daquele Messias sobre quem as esperanças de Israel se haviam concentrado por centenas de anos; e foi no contexto da "redenção de Israel" que ele tornou conhecida a salvação que trouxe à humanidade. Esse sublime conceito do Redentor jamais teria sido acessível a não ser que uma longa tradição o fizesse surgir e desenvolver-se na consciência da nação a quem fora confiada a vontade expressa de DEUS; É preciso perceber perfeitamente os múltiplos elos que ligavam JESUS a seu povo, e reconhecer por completo sua associação racial, intelectual, moral e espiritual com a nação da aliança, a fim de medir até que ponto Ele superou suas idéias fundamentais, e compreender por que era o Messias esperado por Israel.
Não pode ser negado que èm certos assuntos — os quais eram, como sabemos, da máxima importância aos olhos dos judeus — JESUS deixou as tradições de sua raça e tomou posições que não podiam senão chocar o seu povo. Entramos aqui, portanto, em contato com as causas subjacentes do drama.
Esta era uma nação que estivera lutando em defesa de sua religião, a própria razão de sua existência, durante séculos; uma nação que se achava na época sob o governo e ocupação de pagãos idólatras, e devido â sua longa experiência, os judeus sabiam muito bem que o pagão poderia transformar-se num acirrado inimigo. A defesa da fé era assim uma questão de vida ou morte, sendo este o motivo por que a nação expulsava os hereges e cismáticos com tanto horror e desprezava igualmente aqueles que se mostravam infiéis aos preceitos religiosos. Qual foi, porém, a atitude de CRISTO? Ele adiantou-se muito ao mais universalista dos rabinos, vendo um irmão no pagão incircunciso, no pecador declarado e no incrédulo. Não partilhou de modo algum dos sentimentos anti-romanos de seus compatriotas mais violentos; em sua conhecida resposta: "Dai a César o que é de César", tornou perfeitamente claro que não se preocupava absolutamente com as questões políticas; e chegou ao ponto de apontar a fé manifestada pelo centurião de Cafarnaum, um gentio, como exemplo. Ele teve esse mesmo comportamento em relação aos samaritanos, aqueles heréticos cujo "pão era pior do que carne de porco”; pois falava deliberadamente com eles, e também os usou como exemplos de gratidão e caridade. Sua bondade estendeu-se igualmente a pecadores notórios, os desprezados publicanos, mulheres de vida fácil e aos am-ha-arez tidos como desconhecedores da Lei. Houve aqui uma inversão tão completa de tudo que era tão costumeiro, não havendo portanto outro modo de considerar seu comportamento senão como escandaloso.
Tratava-se de uma nação que para melhor defender a sua fé, durante centenas de anos a protegera incessantemente com preceitos formais que deveriam assegurar a observância invariável dos grandes princípios religiosos. A tendência do conjunto global dos ensinamentos rabínicos era providenciar para que em todas as circunstâncias de sua vida o indivíduo tivesse um mandamento aplicável âs mesmas, sabendo que agindo assim conformava-se à sua religião. Para eles, a verdadeira proteção do sistema, o "resguardo" dos fariseus, era sem dúvida a letra da Lei: mas JESUS se opunha a esta severidade. Duas questões preocupavam a mente dos rabinos: a observância do sábado e a impureza ritual. JESUS tomou, em relação a ambas, posições que desafiaram a opinião pública. Ele poderia dizer que o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado sem que isso constituísse um insulto muito grande, pois havia doutores da mesma opinião. Mas ao mesmo tempo em que afirmava a obrigação de respeitar o dia, Ele referiu-se è sua pessoa como "Senhor do sábado"; aprovou a desobediência dos discípulos às proibições rabínicas. Sua atitude com relação à impureza ritual era a mesma. Ao declarar que "Não é o que entra pela boca o que contamina o homem", JESUS reduziu às suas devidas proporções aquilo a que os rabinos atribuíam uma importância capital. Adiantou-se ainda mais, pois seu ensinamento que Paulo expressa nas palavras: "A lei escrita inflinge a morte, enquanto a espiritual traz vida", proclamava a vaidade de toda simples observância. Isto implicava em opor-se diretamente ao ensino oficial e â opinião pública: cujo resultado foi provocar uma cisão declarada.
Mesmo que não tivessem surgido essas duas causas sérias de discórdia, JESUS, como Ele era, tinha poucas possibilidades de ser reconhecido como o Messias. As razões são claras: de modo natural numa nação humilhada, a grande maioria dos judeus esperava que o homem enviado pela Providência viesse vingá-los, e disto surgira a imagem largamente difundida do Messias como um líder guerreiro, um rei glorioso, o terror de seus inimigos, o vingador de Israel. O filho do carpinteiro de Nazaré correspondia realmente a esta descrição? O fato do Senhor ter contado a seus discípulos as tentações que sofrera e rejeitara durante seu retiro no deserto é significativo. E ele deve ter feito isso, pois não poderiam ficar sabendo dessas coisas por qualquer outra fonte. É como se desejasse que compreendessem claramente, desde o início, que o seu reino não seria deste mundo. Porém a idéia de um Messias absolutamente terreno estava de tal forma arraigada que até seus próprios discípulos ingenuamente se referiram a ela, e na sua simplicidade perguntaram-Lhe se iria naquela ocasião estabelecer o reino em Israel, e que estavam espantados com o fim que Ele teria. Quanto à imagem de um Messias sofredor, sacrificado pela salvação do mundo, que poderia ter-se formado com base em algumas poucas e breves passagens da Bíblia, devemos dizer de novo que era "completamente estranha ao judaísmo do período próximo à era cristã". Mais do que isso, a opinião pública daquela orgulhosa nação teria julgado escandaloso tal conceito, pois a derrota jamais lhes parecera um sinal divino. Esse o motivo pelo qual na multidão de observadores não surgiu piedade à vista daquele homem açoitado, sangrando, em quem haviam cuspido com desprezo. Aquele Messias ridículo bem tinha direito à cruz.
Não há sombra de dúvida que o próprio JESUS tinha plena consciência de que Ele e sua mensagem eram contrários aos sentimentos do povo. Expressões tais como, "não confiavam nele", "pedra de tropeço" e "vocês não me receberam" mostram perfeitamente seu modo de pensar. Segundo Ele, falando da plenitude de seu conhecimento, o "vinho novo" que trouxera não podia ser colocado em "odres velhos". O seu ensino era realmente novo, e ele o transmitia embora corresse o risco de cortar relações com aqueles que defendiam a antiga doutrina.
A recusa de Israel em aceitar o Messias surgiu de um processo lógico que a história tende a reconhecer. Seria ultrapassar o escopo deste livro dizer que do ponto de vista cristão esta recusa só pode ser plenamente reconhecida à luz de seu significado divino, desde que uma espécie de necessidade faz com que ela se associe ao ministério do sacrifício redentor da Cruz. Deve ser porém destacado que esta recusa colocou o selo sobre outro mistério, o do destino maravilhosamente estranho e único do povo a quem a revelação divina fora confiada, o povo que tivera DEUS em seu meio.
 
A NATUREZA DE CRISTO (Conhecendo as Doutrinas da Bíblia)
I. A natureza de CRISTO.
A pergunta "Quem é CRISTO?" tem sua melhor resposta na declaração e explicação dos "nomes", títulos pelos quais ele é conhecido.
 
1. Filho de DEUS (Deidade).
Da mesma forma como "filho do homem" significa um nascido do homem, assim também Filho de DEUS significa um nascido de DEUS. Por isso dizemos que esse título proclama a Deidade de CRISTO. JESUS nunca é chamado um Filho de DEUS, como os homens santos são chamados filhos de DEUS (Jo 2:1). Ele é o Filho de DEUS no sentido único. JESUS é descrito mantendo uma relação para com DEUS não participada por nenhuma outra pessoa no universo. Para explicar e confirmar essa verdade consideremos o seguinte:
(a) Consciência de si mesmo. Qual era o conteúdo do conhecimento de JESUS acerca de si mesmo; isto é, que sabia JESUS de si mesmo? Lucas, o único escritor que relata um incidente da infância de JESUS, diz-nos que com a idade de doze anos (pelo menos) JESUS estava cônscio de duas coisas: primeira, uma revelação especial para com DEUS a quem ele descreve como seu Pai; segunda, uma missão especial na terra — "nos negócios de meu Pai". Exatamente como e quando este conhecimento de si mesmo veio a ele, deve permanecer um mistério para nós. Quando pensamos em DEUS vindo a nós em forma humana devemos reverentemente exclamar: "Grande é o mistério da piedade!" Não obstante tratar-se de mistério, a seguinte ilustração pode ser proveitosa. Ponde uma criancinha diante de um espelho; ela se verá, porém, sem se reconhecer. Mas virá o tempo quando ela há de saber que a imagem refletida representa sua própria pessoa. Em outras palavras, a criança adquiriu a consciência de sua identidade. Não poderia ter sido assim com o Senhor JESUS? Ele sempre foi o Filho de DEUS, porém chegou o tempo quando, depois de estudar as Escrituras relacionadas com o Messias de DEUS, raiou em sua mente o conhecimento íntimo, de que ele, o Filho de Maria, não era outro senão o CRISTO de DEUS. Em vista de o Eterno Filho de DEUS ter vivido uma vida perfeitamente natural e humana, é razoável pensar que o autoconhecimento de sua Deidade houvesse surgido dessa maneira. No rio Jordão, JESUS ouviu a voz do Pai corroborando e confirmando o seu conhecimento intimo (Mat. 3:17), e no deserto resistiu com êxito à tentativa de Satanás de fazê-lo duvidar de sua filiação ("Se tu és o Filho de DEUS..." Mat. 4:3). Mais tarde em seu ministério louvou a Pedro pelo testemunho divinamente inspirado concernente à sua Deidade e ao seu caráter messiânico. (Mat. 16:15-17.) Quando diante do concilio judaico, JESUS poderia ter escapado à morte, negando sua filiação ímpar e simplesmente afirmando que ele era um dos filhos de DEUS no mesmo sentido em que o são todos os homens; porém, sendo-lhe exigido juramento pelo sumo sacerdote, ele declarou sua consciência de Divindade, apesar de saber que isso significaria a sentença de morte. (Mat. 26:63-65.)
(b) As reivindicações de JESUS. Ele se colocou lado a lado com a atividade divina. "Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também." "Saí do Pai" (João 16:28). "O Pai me enviou" (João 20:21). Ele reivindicava uma comunhão e um conhecimento divinos. (Mat. 11:27; João 17:25.) Alegava revelar a essência do Pai em si mesmo. (João 14:9-11.) Ele assumiu prerrogativas divinas: Onipresença (Mat. 18:20); poder de perdoar pecados (Mat. 2:5-10); poder de ressuscitar os mortos. (João 6:39, 40, 54; 11:25; 10:17, 18.) Proclamou-se Juiz e árbitro do destino do homem. (João 5:22; Mat. 25:31-46.) Ele exigia uma rendição e uma lealdade que somente DEUS por direito podia reivindicar; insistia em uma absoluta rendição da parte dos seus seguidores. Eles deviam estar prontos a cortar os laços mais íntimos e mais queridos, porque qualquer que amasse mais o pai ou a mãe do que a ele, não era digno dele. (Mat. 10:37; Luc. 14:25-33.) Essas veementes reivindicações foram feitas por UM que viveu como o mais humilde dos homens, e foram declaradas de modo simples e natural; por exemplo, Paulo com igual simplicidade diria "Sou homem e judeu". Para chegar-se à conclusão de que CRISTO era divino é necessário admitir somente duas coisas: primeira, que JESUS não era um homem mau; segundo, que ele não era demente. Se ele dissesse que era divino, sabendo que não o era, então não poderia ser bom; se ele falsamente se imaginasse DEUS, então não poderia ser sábio. Porém nenhuma pessoa sensata sonharia em negar o caráter perfeito de JESUS ou sua superior sabedoria. Em conseqüência, é inevitável concluir que ele era o que ele próprio disse ser — o Filho de DEUS, em sentido único.
(c) A autoridade de CRISTO. Nos ensinos de CRISTO nota-se a completa ausência de expressões como estas: "é minha opinião"; "pode ser"; "penso que..."; "bem podemos supor", etc. Um erudito judeu racionalista admitiu que ele falava com a autoridade do DEUS Poderoso. O Dr. Henry Van Dyke assinala que no Sermão da Montanha, por exemplo, temos: a preponderante visão de um hebreu crente colocando-se a si mesmo acima da autoridade de sua própria fé; um humilde Mestre afirmando autoridade suprema sobre toda a conduta humana; um Reformador moral pondo de lado todos os demais fundamentos, dizendo: "Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha... (Mat. 7:24)" Quarenta e nove vezes, nesse breve registro do discurso de JESUS, repete-se a solene frase com a qual ele autentica a verdade: "Em verdade vos digo."
[d) A impecabilidade de CRISTO. Nenhum professor que chame os homens ao arrependimento pode evitar algumas referências às suas próprias faltas ou imperfeições; em verdade, quanto mais santo ele é, mais lamentará e reconhecerá suas próprias limitações. Porém, nas palavras e nas obras de JESUS há uma ausência completa de conhecimento ou confissão de pecado. Embora possuísse profundo conhecimento do mal e do pecado, em sua alma não havia a mais leve sombra ou mácula de pecado. Ao contrário, ele, o mais humilde dos homens, desafiou a todos: "Quem dentre vós me convence de pecado?" (João 8:46).
(e) O testemunho dos discípulos. Jamais algum judeu pensou que Moisés fosse divino; nem o seu discípulo mais entusiasta nunca lhe teria atribuído uma declaração como esta: "Batizando-as em nome do Pai, e de Moisés, e do ESPÍRITO SANTO." (Vide Mat. 28:19.) E a razão disso é que Moisés nunca falou nem agiu como quem procedesse de DEUS e fosse participante de sua natureza. Por outro lado, o Novo Testamento expõe este milagre: Aqui está um grupo de homens que andava com JESUS e que o viu em todos os aspectos característicos de sua humanidade — que, no entanto, mais tarde o adorou como divino, o proclamou como o poder para a salvação e invocou o seu nome em oração. João, que se reclinava no peito de JESUS, não hesitou em dele falar como sendo JESUS o eterno Filho de DEUS, que criou o universo (João 1:1, 3), e relatou, sem nenhuma hesitação ou desculpa, o ato da adoração de Tomé e a sua exclamação: "Senhor meu, e DEUS meu!" (João 20:28). Pedro, que tinha visto o seu Mestre comer, beber e dormir, que o havia visto chorar — enfim, que tinha testemunhado todos os aspectos da sua humanidade, mais tarde disse aos judeus que JESUS está à destra de DEUS; que ele possui a prerrogativa de conceder o ESPÍRITO SANTO (Atos 2:33, 36); que ele é o único caminho da salvação (Atos 4:12); quem perdoa os pecados (Atos 5:31); e é o Juiz dos mortos. (Atos 10:42.) Em sua segunda epístola 3:18) ele o adora, atribuindo-lhe "glória assim agora como no dia da eternidade". Nenhuma prova existe de que Paulo o apóstolo tivesse visto JESUS em carne, apesar de tê-lo visto em forma glorificada), mas esteve em contato direto com aqueles que o tinham visto. E este Paulo, que jamais perdera essa reverência para com DEUS, reverência que desde a sua mocidade estava nele profundamente arraigada, contudo, com perfeita serenidade descreve JESUS como "o Grande DEUS e nosso Salvador" (Tito 2:13); apresenta-o como encarnando a plenitude da Divindade (Gál. 2:9), como sendo o Criador e Sustentador de todas s coisas. (Gál. 1:17.) Como tal, seu nome deve ser invocado em oração (1 Cor. 1:2; vide Atos 7:59), e seu nome está associado com o do Pai e o do ESPÍRITO SANTO à bênção. (2 Cor. 13:14.) Desde o princípio a igreja primitiva considerava e adorava a CRISTO como divino. No princípio do segundo século um oficial romano relatou que os cristãos costumavam reunir-se de madrugada para "cantar um hino de adoração a CRISTO, como se fosse a DEUS". Um autor pagão escreveu: "Os cristãos ainda estão adorando aquele grande homem que foi crucificado na Palestina." Até o escárnio dos pagãos é um testemunho da deidade de CRISTO.
Em um antigo palácio romano foi encontrada uma inscrição (que data do terceiro século) apresentando uma figura humana com cabeça de asno pendurado na cruz, enquanto que um homem está de pé em atitude de adoração. Em baixo aparece a inscrição: "Alexamenos adora a seu DEUS." O Dr. Henry Van Dyke comenta: Assim os cânticos e orações dos crentes, as acusações dos perseguidores, o escárnio dos céticos, e as pilhérias grosseiras dos escarnecedores, tudo se une para provar, sem dúvida, que os primitivos cristãos rendiam honra divina ao Senhor JESUS... não há razão para duvidar de que os primitivos cristãos houvessem visto em CRISTO uma revelação pessoal de DEUS, assim como não pode haver dúvida de que os amigos e seguidores de Abraão Lincoln o tenham considerado um bom e leal cidadão americano. Entretanto, não devemos inferir dai que a igreja primitiva não adorasse a DEUS, o Pai, pois sabemos que era costume geral orar ao Pai em nome de JESUS e dar-lhe graças pelo dom do Filho. Mas, para eles era tão real a deidade de CRISTO e a unidade entre as duas Pessoas, que lhes era muito natural invocar o nome de JESUS.
Foi a firme lealdade deles ao ensino do Antigo Testamento acerca da verdade de DEUS, combinada com a firme crença na deidade de CRISTO, que os conduziu a formular a doutrina da Trindade. Embora as seguintes palavras do credo de Nicéia (século quarto) tenham sido, como ainda são, recitadas por muitos de uma maneira formalista, não obstante, elas expressam fielmente sincera convicção da igreja primitiva: Cremos em um Senhor JESUS CRISTO, o Filho de DEUS, o Unigênito do Pai, isto é, da substância do Pai, DEUS de DEUS, Luz de Luz, verdadeiro DEUS de verdadeiro DEUS, gerado, foi feito; sendo da mesma substância que o Pai; pelo qual foram feitas todas as coisas que estão no céu e na terra, e o qual por nós os homens e por nossa salvação desceu, encarnou e foi feito homem, sofreu, e ressuscitou ao terceiro dia, e ascendeu ao céu, donde virá outra vez para julgar os vivos e os mortos.
 
2. O Verbo (pré-existência e atividade eternas).
A palavra do homem é aquela por meio da qual ele se expressa e por meio da qual ele se comunica com os seus semelhantes. Por sua palavra ele dá a conhecer seus pensamentos e sentimentos, e por sua palavra ele manda e executa a sua vontade. A palavra com que se expressa está impregnada de seu pensamento e de seu caráter.
Pela expressão verbal de um homem até um cego pode conhecê-lo perfeitamente. Embora se veja uma pessoa e dela se tenha informações, não se conhecerá bastante enquanto ela não falar. A palavra do homem é a expressão de seu caráter. Da mesma maneira, a "Palavra de DEUS" é o veiculo mediante o qual DEUS se comunica com outros seres, e é o meio pelo qual DEUS expressa o seu poder, a sua inteligência e a sua vontade.
CRISTO é a Palavra ou Verbo, porque por meio dele, DEUS revelou sua atividade, sua vontade e propósito, e por meio dele tem contato com o mundo. Nós nos expressamos por meio de palavras; o eterno DEUS se expressa a si mesmo por meio do seu Filho, o qual "é a expressa imagem da sua pessoa" (Heb. 1:3). CRISTO é a Palavra de DEUS, demonstrando-o em pessoa. Ele não somente traz a mensagem de DEUS — ele é a mensagem de DEUS. Considere-se a necessidade de tal Revelador. Procure-se compreender a extensão do universo com seus imensuráveis milhões de corpos celestes, cobrindo distâncias que deixam estupefata a mente; imaginem-se as infinitas extensões do espaço além do universo material; a seguir, procure-se compreender a grandeza daquele que é o Autor de tudo isso. Considere-se por outro lado, a insignificância do homem. Tem-se calculado que se todas as pessoas neste mundo medissem 1,80m de altura, 45cm de largura, e 30cm de espessura, os três bilhões da raça humana caberiam em uma caixa medindo menos de um quilometro cúbico. DEUS — quão poderoso e vasto! O homem — quão infinitesimal! Além disso, esse DEUS é ESPÍRITO, portanto, não pode ser compreendido pelo olho material, nem pelos demais sentidos naturais. Surge a grande pergunta: Como pode o homem ter comunhão com um DEUS como esse? Como pode sequer ter a mínima idéia da sua natureza e caráter? É certo que DEUS se revelou pela palavra profética, por meio de sonhos e visões e por meio de manifestações temporais. Porém, o homem anelava por uma resposta mais clara à seguinte pergunta: Como é DEUS? Para responder a esta pergunta, surgiu o evento mais significativo da história — "E o Verbo se fez carne" (João 1:14). O Verbo eterno de DEUS tomou sobre si mesmo a natureza humana e se tornou homem, a fim de revelar o eterno DEUS por meio de uma personalidade humana. "Havendo DEUS antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho" (Heb. 1:1, 2). De modo que à pergunta "como é DEUS?", o cristão responde: DEUS é como CRISTO, porque CRISTO é o Verbo — a idéia que DEUS tem de si mesmo. Isto é, ele é "a expressa imagem da sua pessoa" (Heb. 1:3), "a imagem do DEUS invisível" (Col. 1:5).
 
3. Senhor (deidade, exaltação e soberania).
Uma ligeira consulta a uma concordância bíblica revelará o fato de que "Senhor" é um dos títulos mais comuns dados a JESUS. Este título indica a sua deidade, exaltação e soberania.
(a) Deidade. O título "Senhor", ao ser usado como prefixo antes de um nome, transmitia, tanto a judeus como a gentios, o pensamento de deidade. A palavra "Senhor" no grego ("Kurios") era equivalente a "Jeová " na tradução grega do Antigo Testamento; portanto, para os judeus "o Senhor JESUS" era claramente uma imputação de deidade. Quando o imperador dos romanos se referia a si mesmo como "Senhor César", requerendo que seus súditos dissessem "César é Senhor", os gentios entendiam que o imperador estava reivindicando divindade. Os cristãos entendiam o termo da mesma maneira, e preferiam sofrer perseguição a atribuir a um homem um título que somente pertencia a Um que é verdadeiramente divino. Somente àquele a quem DEUS exaltara eles renderiam adoração e lhe atribuiriam senhorio.
(b) Exaltação. Na eternidade CRISTO possui o título "Filho de DEUS" em virtude da sua relação com DEUS. (Fil. 2:9); na história Ele ganhou o título "Senhor", por haver morrido e ressuscitado para a salvação dos homens. (Atos 2:36; 10:36; Rom. 14:9.) Ele sempre foi divino por natureza; chegou a ser Senhor por merecimento. Por exemplo: Se um jovem nascido na família de um multimilionário não está contente em herdar aquilo pelo qual outros tenham trabalhado, mas deseja possuir unicamente o que ganhou por seus próprios esforços, ele então voluntariamente renuncia a seus privilégios, toma o lugar de um trabalhador comum, e por meio do seu labor conquista para si um lugar de honra e riqueza. Igualmente, o Filho de DEUS, apesar de ser por natureza igual a DEUS, voluntariamente sujeitou-se a si mesmo às limitações humanas, porém sem pecado, tomando sobre si a natureza do homem, fez-se servo do homem, e finalmente morreu na cruz para redenção do mesmo homem. Como recompensa, CRISTO foi exaltado ao domínio sobre todas as criaturas — uma recompensa apropriada, pois, que melhor credencial poderia alguém ter para exercer senhorio sobre os homens, visto que os amara e se entregara a si mesmo por eles? (Apoc. 1:5.) Esse direito já foi reconhecido por milhões e a cruz tomou-se um degrau pelo qual JESUS alcançou a soberania dos corações dos homens.
(c) Soberania. No Egito, Jeová se revelou a Israel como Redentor e Salvador; no Sinai, como Senhor e Rei. As duas coisas se justapõem, porque ele, que se tomou Salvador deles, tinha direito de ser o seu Soberano. É por isso que os Dez Mandamentos iniciam com a declaração: "Eu sou o Senhor teu DEUS, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão" (Êxo. 20:2). Em outras palavras, "Eu, o Senhor, que vos redimi, tenho o direito de governar sobre vós." E assim aconteceu com CRISTO e seu povo. Os cristãos primitivos reconheceram instintivamente — como todos os verdadeiros discípulos — que aquele que os redimiu do pecado e da destruição, tem o direito de ser o Senhor de suas vidas. Comprados por bom preço, não pertencem a si mesmos (1 Cor. 6:20), mas, sim, a quem morreu e ressuscitou por eles. (2 Cor. 5:15.) Portanto, o título "Senhor", aplicado a JESUS pelos seus seguidores, significa: "Aquele que por sua morte ganhou o lugar de soberania no meu coração, e a quem me sinto constrangido a adorar e servir com todas as minhas forças." O paralítico que foi curado, ao ser repreendido por levar sua cama no dia de sábado, respondeu: "Aquele que me curou, ele próprio disse: Toma a tua cama, e anda" (João 5:11). Ele soube, instintivamente, com a lógica do coração, que JESUS que lhe tinha dado saúde, possuía o direito de dizer-lhe como usar essa saúde. Se JESUS é o nosso Salvador, deve ser o nosso Senhor.
 
4. Filho do homem (humanidade)
(a) Quem? De acordo com o hebraico a expressão "filho de" denota relação e participação. Por exemplo: "Os filhos do reino" (Mat. 8:12) são aqueles que hão de participar de suas verdades e bênçãos. "Os filhos da ressurreição" (Luc. 20:36) são aqueles que participam da vida ressuscitada. Um "filho de paz" (Luc. 10:6) é um que possui caráter pacifico. Um "filho da perdição" (João 17:12) é um destinado a sofrer a ruína e a condenação. Portanto, "filho do homem" significa, principalmente, um que participa da natureza humana e das qualidades humanas. Dessa maneira, "filho do homem" vem a ser uma designação enfática para o homem em seus atributos característicos de debilidade e impotência. (Num. 23:19; Jo 16:21; 25:6.) Neste sentido o título é aplicado oitenta vezes a Ezequiel, como uma recordação de sua debilidade e mortalidade, e como um incentivo à humanidade no cumprimento da sua vocação profética. Aplicado a CRISTO, "Filho do homem" designa-o como participante da natureza e das qualidades humanas, e como sujeito às fraquezas humanas. No entanto, ao mesmo tempo, esse título implica sua deidade, porque, se uma pessoa enfaticamente declarasse: "Sou filho de homem", a ele dir-se-ia: "Todos sabem disso." Porém, a expressão nos lábios de JESUS significa uma Pessoa celestial que se havia identificado definitivamente com a humanidade como seu representante e Salvador. Notemos também que é: o — e não um — Filho do homem. O título está relacionado com a sua vida terrena (Mar. 2:10; 2:28; Mat. 8:20; Luc. 19:10), com seus sofrimentos a favor da humanidade (Mar. 8:31), e com sua exaltação e domínio sobre a humanidade (Mat. 25:31; 26:24. Vide Dan. 7:14). Ao referir-se a si mesmo como "Filho do homem", JESUS desejava expressar a seguinte mensagem: "Eu, o Filho de DEUS, sou Homem, em debilidade, em sofrimento, mesmo até à morte. Todavia, ainda estou em contato com o Céu de onde vim, e mantenho uma relação com DEUS que posso perdoar pecados (Mat. 9:6), e sou superior aos regulamentos religiosos que somente tem significado temporal e nacional. (Mat. 12:8.) Esta natureza humana não cessará quando eu tiver passado por estes últimos períodos de sofrimento e morte que devo suportar para a salvação do homem e para consumar a minha obra. Porque subirei e a levarei comigo ao céu, de onde voltarei para reinar sobre aqueles cuja natureza "tornei sobre mim". A humanidade do Filho de DEUS era real e não fictícia Ele nos é descrito como realmente padecendo fome, sede, cansaço, dor, e como estando sujeito em geral às debilidades da natureza, porém sem pecado.
(b) Como? Por qual ato, ou meio, o Filho de DEUS veio a ser Filho do homem? Que milagre pôde trazer ao mundo "o segundo homem" que é o "Senhor do céu"? (1 Cor. 15:47.) A resposta é que o Filho de DEUS veio ao mundo como Filho do homem sendo concebido no ventre de Maria pelo ESPÍRITO SANTO, e não por um pai humano. E a qualidade da vida inteira de JESUS está em conformidade com a maneira do seu nascimento. Ele que veio através de um nascimento virginal, viveu uma vida virginal (inteiramente sem pecado) — sendo essa última característica um milagre tão grande como o primeiro. Ele que nasceu milagrosamente, viveu milagrosamente, ressuscitou dentre os mortos milagrosamente e deixou o mundo milagrosamente. Sobre o ato do nascimento virginal está baseada a doutrina da encarnação. (João 1:14.) A seguinte declaração dessa doutrina é da pena do erudito Martin Scott: Como todos os cristãos sabem, a encarnação significa que DEUS (isto é, o Filho de DEUS) se fez homem. Isso não quer dizer que DEUS se tomou homem, nem que DEUS cessou de ser DEUS e começou a ser homem; mas que, permanecendo como DEUS, ele assumiu ou tomou uma natureza nova, a saber, a humana, unindo esta à natureza divina no ser ou na pessoa — JESUS CRISTO, verdadeiro DEUS e verdadeiro homem. Na festa das bodas de Caná, a água tornou-se em vinho pela vontade de JESUS CRISTO, o Senhor da Criação (João 2:1-11). Não aconteceu assim quando DEUS se fez homem, pois em Caná a água deixou de ser água, quando se tornou em vinho, mas DEUS continuou sendo DEUS, quando se fez homem. Um exemplo que nos poderá ajudar a compreender em que sentido DEUS se fez homem, mas ainda não ilustra de maneira perfeita a questão, é aquele de um rei que por sua própria vontade se fizera mendigo. Se um rei poderoso deixasse seu trono e o luxo da corte, e vestisse os trapos de um mendigo, vivesse com mendigos, compartilhasse seus sofrimentos, etc., e isto, para poder melhorar-lhes as condições de vida, diríamos que o rei se fez mendigo, porém ele continuaria se‹ido verdadeiramente rei. Seria correto dizer que o que o mendigo sofreu era o sofrimento de um rei; que, quando o mendigo expiava uma culpa, era o rei que expiava, etc. Visto que JESUS CRISTO é DEUS e homem, é evidente que DEUS, de alguma maneira é homem também. Agora, como é que DEUS é homem? Está claro que ele nem sempre foi homem, porque o homem não é eterno, mas DEUS o é. Em um certo tempo definido, portanto, DEUS se fez homem tomando a natureza humana. Que queremos dizer com a expressão "tomar a natureza humana"? Queremos dizer que o Filho de DEUS, permanecendo DEUS, tomou outra natureza, a saber, a do homem, e a uniu de tal maneira com a sua, que constituiu uma Pessoa, JESUS CRISTO. A encarnação, portanto, significa que o Filho de DEUS, verdadeiro DEUS desde toda a eternidade, no curso do tempo se fez verdadeiro homem também, em uma Pessoa, JESUS CRISTO, constituída de duas naturezas, a humana e a divina. Isso, naturalmente é um mistério. não podemos compreendê-lo, assim como tampouco podemos conceber a própria Trindade. Há mistérios em toda parte. Não podemos compreender como a erva e a água, que alimentam o gado, se transformam em carne e sangue. Uma análise química do leite não demonstra conter ele nenhum ingrediente de sangue, entretanto, o leite materno se torna em sangue e carne da criança. Nem a própria mãe sabe como no seu corpo se produz o leite que dá a seu filho. Nenhum dentre os sábios do mundo pode explicar a conexão existente entre o pensamento e a expressão desse pensamento, ou seja, as palavras. Não devemos, pois, estranhar se não podemos compreender a encarnação de CRISTO. Cremos nela porque aquele que a revelou, é o próprio DEUS, que não pode enganar nem ser enganado.
(c) Por que o Filho de DEUS se fez Filho do homem, ou quais foram os propósitos da encarnação?
1) Como já observamos, o Filho de DEUS veio ao mundo para ser o Revelador de DEUS. Ele afirmou que as suas obras e suas palavras eram guiadas por DEUS (João 5:19, 20; 10:38); sua própria obra evangelizadora foi uma revelação do coração do Pai celestial, e aqueles que criticaram sua obra entre os pecadores demonstraram assim sua falta de harmonia com o espírito do céu. (Luc. 15:1-7.)
2) Ele tomou sobre si nossa natureza humana para glorificá-la e desta maneira adaptá-la a um destino celestial. Por conseguinte, formou um modelo, por assim dizer, pelo qual a natureza humana poderia ser feita à semelhança divina. Ele, o Filho de DEUS, se fez Filho do homem, para que os filhos dos homens pudessem ser feitos filhos de DEUS (João 1:2), e um dia serem semelhantes a ele (1 João 3:2); até os corpos dos homens serão "conforme o seu corpo glorioso" (Fil. 3:21). "O primeiro homem (Adão), da terra, é terreno: o segundo homem, o Senhor é do céu" (1Cor. 15:47); e assim, "como trouxemos a imagem do terreno (vide Gên. 5:3), assim traremos também a imagem do celestial" (verso 49), porque "o último Adão foi feito em espírito vivificante" (verso 45).
3) Porém, o obstáculo a impedir a perfeição da humanidade era o pecado — o qual, ao princípio, privou Adão da glória da justiça original. Para resgatar-nos da culpa do pecado e de seu poder, o Filho de DEUS morreu como sacrifício expiatório.
 
5. CRISTO (título oficial e missão)
(a) A profecia. "CRISTO" é a forma grega da palavra hebraica "Messias", que literalmente significa, "o ungido". A palavra é sugerida pelo costume de ungir com óleo como símbolo da consagração divina para servir. Apesar de os sacerdotes, e às vezes os "Ungido" era particularmente aplicado aos reis de Israel que reinavam como representantes de Jeová . (2 Sam. 1:14.) Em alguns casos o símbolo da unção era seguido pela realidade espiritual, de maneira que a pessoa vinha a ser, em sentido vital, o ungido do Senhor, (1 Sam. 10:1, 6; 16:13.) Saul foi um fracassado, porém Davi, que o sucedeu, foi "um homem segundo o coração de DEUS", um rei que considerava suprema em sua vida a vontade de DEUS e que se considerava como representante de DEUS. Porém, a grande maioria dos reis se apartou do ideal divino e conduziu o povo à idolatria; e até alguns dos reis mais piedosos não estavam sem culpa nesse particular. Sob esse fundo negro, os profetas expuseram a promessa da vinda de um rei da casa de Davi, um rei ainda maior do que Davi. Sobre ele descansaria o ESPÍRITO do Senhor com um poder nunca visto (Isa. 11:1-3; 61:1). Apesar de Filho de Davi, também seria ele o Filho de Jeová , recebendo nomes divinos (Isa. 9:6, 7; Jer. 23:6). Diferente do de Davi, seu reino seria eterno, e sob seu domínio estariam todas as nações. Esse era o Ungido, ou o Messias, ou o CRISTO, e sobre ele concentravam-se as esperanças de Israel.
(b) O Cumprimento. O testemunho constante do Novo Testamento é que JESUS se declarou o Messias, ou CRISTO, prometido no Antigo Testamento. Assim como o presidente deste pais é primeiramente eleito e depois publicamente toma posse do governo, da mesma maneira, JESUS CRISTO foi eternamente eleito para ser o Messias e CRISTO, e depois empossado publicamente em seu oficio messiânico no rio Jordão. Assim como Samuel ungiu primeiro a Saul e depois explicou o significado da unção (1Sam. 10:1), da mesma maneira DEUS, o Pai, ungiu a seu Filho com o ESPÍRITO de poder e sussurrou no seu ouvido o significado da sua unção: "Tu és o meu Filho amado em quem me comprazo" (Mar. 1:11). Em outras palavras: "Tu és o Filho de Jeová , cuja vinda foi predita pelos profetas, e agora te doto de autoridade e poder para a tua missão, e te envio com minha bênção." As pessoas entre as quais JESUS teria de ministrar esperavam a vinda do Messias, mas infelizmente suas esperanças eram coloridas por uma aspiração política. Esperavam um "homem forte", que fosse uma combinação de soldado e estadista. Seria JESUS esse tipo de Messias? O ESPÍRITO o conduziu ao deserto para debater a questão com Satanás, que astuciosamente lhe sugeriu que adotasse um programa popular e dessa maneira tomasse o caminho mais fácil e curto para o poder. "Concede-lhes seus anelos materiais", sugeriu o Tentador (vide Mat. 4:3, 4 e João 6:14, 15, 26), "deslumbra-os saltando do pináculo do templo (e logicamente ficarás em boas relações com o sacerdócio), faze-te o campeão do povo e conduze-os à guerra." (Vide Mat. 4:8, 9 e Apoc. 13:2, 4.) JESUS sabia que Satanás estava advogando a política popular, a qual era inspirada por seu próprio espírito egoísta e violento. Que esse curso de ação conduziria ao derramamento de sangue e à violência, não havia dúvida. Não! JESUS seguiria a direção do seu Pai e confiaria somente nas armas espirituais para conquistar os corações dos homens, ainda que a senda conduzisse à falta de compreensão, ao sofrimento, e à morte! JESUS escolheu a cruz. e escolheu-a porque era parte do programa de DEUS para sua vida. Ele nunca se desviou dessa escolha, apesar de ser muitas vezes tentado a abandonar o caminho da cruz. (Vide, por exemplo, Mat. 16:22.) Escrupulosamente JESUS conservou-se fora de embaraços na situação política contemporânea. Às vezes proibia aos que ele curava de espalharem sua fama, para que seu ministério não fosse mal interpretado como sendo uma agitação popular contra Roma. (Mat. 12:15, 16; Vide Luc. 23:5.) Nessa ocasião seu êxito tornou-se uma acusação contra ele. Recusou-se deliberadamente a encabeçar um movimento popular (João 6:15). Proibia a proclamação pública de seu caráter messiânico, como também o testemunho de sua transfiguração para que não suscitassem esperanças falsas entre o povo. (Mat. 16:20; 17:9.) Com sabedoria infinita, escapou a uma hábil armadilha que o desacreditaria entre o povo como "traidor da nação", ou, por outro lado, que o envolveria em dificuldades com o governo romano. (Mat. 22:15-21.) Em tudo isso o Senhor JESUS cumpriu a profecia de Isaias que o Ungido de DEUS seria proclamador da verdade divina, e não um violento agitador, nem um que buscasse seu próprio bem, nem que excitasse a população (Mat. 12:16-21), como o faziam alguns dos falsos messias que o precederam e outros que posteriormente surgiram. (João 10:8; Atos 5:36; 21:38.) Ele evitou fielmente os métodos carnais e seguiu os espirituais, de maneira que Pilatos, representante de Roma, pôde testificar: " não acho culpa alguma neste homem." Observamos que JESUS começou seu ministério entre um povo que tinha a verdadeira esperança de um Messias, tendo porém um conceito errôneo de sua Pessoa e obra. Sabendo disso, JESUS não se proclamou no princípio como Messias (Mat. 16:20) porque sabia que isso seria um sinal de rebelião contra Roma. Ele, de preferência, falava do Reino, descrevendo seus ideais e sua natureza espiritual, esperando inspirar no povo uma fome por esse reino espiritual, que por sua vez os conduziria a desejar um Messias espiritual. E seus esforços neste sentido não foram inteiramente infrutíferos, pois João, o apóstolo, nos diz (capítulo 1) que desde o princípio houve um grupo espiritual que o reconhecia como CRISTO. Também, de tampos em tempos ele se revelava a indivíduos que estavam preparados espiritualmente. (João 4:25, 26; 9:35-37.) Porém, a nação em geral não entendia a conexão entre o seu ministério espiritual e o pensamento do Messias. Admitiam livremente que ele fosse um Mestre capaz, um grande pregador, e ainda um profeta (Mat. 16:13, 14); mas certamente, não um que pudesse encabeçar um programa econômico, militar e político — como julgavam coubesse ao Messias fazer. Mas por que culpar o povo de uma expectação tal? Em verdade, DEUS havia prometido restabelecer um reino terrena. (Zac. 14:9-21; Amós 9:11-15; Jer. 23:6-8.) Certamente, mas antes desse evento, deveria operar-se uma purificação moral e uma regeneração espiritual da nação. (Ezeq. 36:25-27; vide João 3:1-3.) E tanto João Batista, como JESUS, esclareceram que a nação, na condição em que se encontrava, não estava preparada para participar desse reino. Daí a exortação: "Arrependei-vos: porque é chegado o reino dos céus." Mas enquanto as palavras "reino dos céus" comoviam profundamente o povo, as palavras "arrependei-vos" não lhes causaram boa impressão. Tanto os chefes (Mat. 21:31, 32) como o povo (Luc. 13:1-3; 19:41-44) se recusaram a obedecer às condições do reino e conseqüentemente perderam os privilégios do reino. (Mat. 21:43.) Mas DEUS onisciente havia previsto o fracasso de Israel (Isa. 6:9,10; 53:1; João 12:37-40), e DEUS Todo-poderoso o tinha dirigido para o fomento de um plano até então mantido em segredo. O plano era o seguinte: a rejeição por parte de Israel daria a DEUS a oportunidade de tomar um povo escolhido de entre os gentios (Rom. 11:11; Atos 15:13, 14; Rom. 9:25, 26), que, juntamente com os crentes judeus, constituiriam um grupo conhecido como a Igreja. (Efés. 3:4-6.) JESUS mesmo deu a seus discípulos um vislumbre desse período (a época da igreja) que sucederia entre seus adventos primeiro e segundo, chamando essas revelações "mistérios" porque não foram reveladas aos profetas do Antigo Testamento. (Mat. 13:11-17.) Certa ocasião a inabalável fé demonstrada por um centurião gentio contrastada com a falta de fé em muitos israelitas trouxe àsua inspirada visão o espetáculo de gentios de todas as terras entrando no reino que Israel havia rejeitado. (Mat. 8:10-12.) A crise prevista no deserto havia chegado, e JESUS se preparou para dar tristes noticias a seus discípulos. Começou com muito tato a fortalecer-lhes a fé com testemunho divinamente inspirado acerca do seu caráter messiânico, testemunho dado pelo apóstolo Pedro. Então fez uma surpreendente predição (Mat. 16:18, 19), que se pode parafrasear da seguinte maneira: "A congregação de Israel (ou "igreja", Atos 7:38) rejeitou-me como seu Messias, e seus chefes realmente vão excomungar-me a mim, que sou a verdadeira pedra angular da nação. (Mat. 21:42.) Mas por isso, não fracassará o plano de DEUS porque eu estabelecerei outra congregação ("igreja"), composta de homens como tu, Pedro (1 Ped. 2:4-9), que crerão na minha Deidade e caráter messiânico. Tu serás dirigente e ministro dessa congregação, e teu será o privilégio de abrir-lhe as portas com a chave da verdade do Evangelho, e tu e teus irmãos administrareis os seus negócios." Então CRISTO fez um anúncio que os discípulos não compreenderam inteiramente, senão depois de sua ressurreição (Luc. 24:25-48); isto é, que a cruz era parte do programa de DEUS para o Messias. "Desde então começou JESUS a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muito às mãos dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia" (Mat. 16:21). No devido tempo a horrenda profecia foi cumprida. JESUS poderia ter escapado à morte, negando a sua Deidade; poderia ter sido absolvido negando que fosse rei; porém, ele persistiu em seu testemunho e morreu numa cruz que levava a inscrição: Este é o Rei dos Judeus. Mas o Messias sofredor (Isa. 53:7-9) ressurgiu dentre os mortos (Isa. 53:10, 11), e, como Daniel havia previsto, ascendeu à destra de DEUS (Dan. 7:14; Mat. 28:18), de onde virá para julgar os vivos e os mortos. Depois desse exame dos ensinos do Antigo e Novo Testamentos, temos elementos para declarar a definição completa do título "Messias"; a saber, aquele a quem DEUS autorizou para salvar a Israel e às nações do pecado e da morte, e para governar sobre eles como Senhor de suas vidas e Mestre. Que semelhante afirmação implica deidade é compreendido por pensadores judeus, se bem que para eles isso constitui um escândalo. Claude Montefiore, notável erudito judeu, disse: Se eu pudesse crer que JESUS era DEUS (isto é, Divino), então obviamente ele seria meu Mestre. Porque o meu Mestre — o Mestre do judeu moderno, é, e só pode ser DEUS.
 
6. Filho de Davi (linhagem real).
Esse título é equivalente a "Messias", pois uma qualidade importante do Messias era sua descendência davídica.
(a) A Profecia. Como recompensa por sua fidelidade, a Davi foi prometida uma dinastia perpétua (2 Sam. 7:16), a à sua casa foi dada uma soberania eterna sobre Israel. Esta foi a aliança davídica ou a do trono. Data desse tempo a esperança de que, acontecesse o que acontecesse à nação, no tempo assinalado por DEUS apareceria um rei pertencente ao trono e à linhagem de Davi. Em tempos de aflição os profetas relembravam ao povo essa promessa, dizendo-lhe que a redenção de Israel, e das nações, estava ligada com a vinda de um grande Rei da casa de Davi. (Jer. 30:9; 23:5; Ezeq. 34:23; Isa. 55:3, 4; Sal. 89:34-37.) Notemos particularmente Isa. 11:1, que pode ser traduzido como segue: "Porque brotará rebento do trono de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará". Em Isa. 10:33,34, a Assíria, a cruel opressora de Israel, é comparada a um cedro cujo tronco nunca brota renovos, mas apodrece lentamente. Uma vez cortada, essa árvore não tem futuro. E assim é descrita a sorte da Assíria, a qual, há muito, desapareceu do palco da história. A casa de Davi, por outro lado, é comparada a uma árvore que terá novo crescimento do tronco deixado no solo. A profecia de Isaias é como segue: A nação judaica será quase destruída, e a casa de Davi cessará como casa real — será cortada junto à raiz. Entretanto, desse tronco sairá um renovo; das raízes desse tronco sairá um ramo — o Rei-Messias.
(b) O cumprimento. Judá foi levado ao cativeiro, e desse cativeiro voltou sem rei, sem independência, para ficar subjugado, sucessivamente, pela Pérsia, Grécia, Egito, Síria, e, depois de um breve período de independência, por Roma. Durante esses séculos de sujeição aos gentios, houve tempo de desalento quando o povo voltava seu pensamento às glorias passadas do reino de Davi e exclamava como o Salmista: "Senhor, onde estão as tuas antigas benignidades que juraste a Davi pela tua verdade?" (Sal. 89:49.) Os judeus nunca perderam a esperança. Reunidos ao redor do fogo da profecia Messiânica, fortaleciam seus corações e esperavam pacientemente pelo Filho de Davi. Não foram desapontados. Séculos depois da casa de Davi haver cessado, um anjo apareceu a uma jovem judia e disse: "E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome JESUS. Este será grande, e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor DEUS lhe dará o trono de Davi, seu pai; e reinará eternamente na casa de Jacó, e seu reino não terá fim" (Luc. 1:31-33. Vide Isa. 9:6, 7). Assim um Libertador se levantou na casa de Davi. Em um tempo quando a casa de Davi parecia estar reduzida a seu estado mais decadente e quando os herdeiros vivos eram um humilde carpinteiro e uma simples donzela, então, por milagrosa ação de DEUS, o Ramo brotou do tronco e cresceu tornando-se uma poderosa árvore que tem provido proteção para um sem-número de povos e nações. O seguinte é a substância da aliança davídica, como é interpretada pelos inspirados profetas: Jeová desceria para salvar o seu povo, no tempo em que haveria na terra um descendente da família de Davi, pelo qual Jeová resgataria e posteriormente governaria o seu povo. Que JESUS era esse filho de Davi manifesta-se pelo anúncio feito ao tempo de seu nascimento, por suas genealogias (Mat. 1 e Luc. 3), pelo fato de ter ele aceitado esse título quando lhe foi atribuído (Mat. 9:27; 20:3031; 21:1-11), e pelo testemunho dos escritores do Novo Testamento. (Atos 13:23; Rom. 1:3; 2 Tim. 2:8; Apo. 5:5; 22:16.) Mas o título "Filho de Davi", não era uma descrição completa do Messias, porque acentuava principalmente a sua ascendência humana. Por isso o povo, ignorando as Escrituras que falavam da natureza divina de CRISTO, esperava um Messias humano que seria um segundo Davi. Em certa ocasião JESUS procurou elevar os pensamentos dos chefes sobre esse conceito incompleto. (Mat. 22:42-46.) "Que pensais vos de CRISTO (isto é, do Messias)? Ele perguntou: "de quem é filho?" Os fariseus naturalmente responderam: "é filho de Davi." Então JESUS, citando o Salmo 110:1, perguntou: "Se Davi lhe chama Senhor, como é ele seu filho?" Como pode o Senhor de Davi ser filho de Davi? — foi a pergunta que confundiu os fariseus. A resposta naturalmente é: O Messias é tanto Senhor como filho de Davi. Pelo milagre do nascimento virginal, JESUS nasceu de DEUS e também de Maria; ele era desse modo o Filho de DEUS e Filho do homem. Como Filho de DEUS ele é Senhor de Davi; como filho de Maria ele é filho de Davi.
O Antigo Testamento registra duas grandes verdades messiânicas. Alguns trechos declaram que o Senhor mesmo virá do céu para resgatar o seu povo (Isa. 40:10; 42:13; Sal. 98:9); outros esclarecem que da família de Davi se levantaria um libertador. Essas duas vidas completam-se na aparição da pequena criança em Belém, a cidade de Davi. Foi então que o Filho do Altíssimo nasceu como filho de Davi. (Luc. 1:32.)
Notemos como em Isaias 9:6,7, combinam-se a natureza divina e a descendência davídica do Rei vindouro. O título mencionado aqui — "Pai da eternidade" — tem sido mal interpretado por alguns, que dele deduzem não haver Trindade, afirmando erroneamente que JESUS é o Pai e que o Pai é JESUS. Um conhecimento da linguagem do Antigo Testamento evitaria esse erro. Naqueles dias um regente que governava sábia e justamente, era descrito como um "pai" para seu povo. Por isso, o Senhor, falando por meio de Isaias, diz acerca de um oficial: "E ser como pai para os moradores de Jerusalém, e para a casa de Judá . E porei a chave da casa de Davi sobre o seu ombro" (Isa. 22:21, 22). Note-se a semelhança com Isa. 9:6, 7 e vide Apoc. 3:7. Esse título foi aplicado a Davi, conforme se vê na aclamação do povo na entrada triunfal de JESUS em Jerusalém: "Bendito o reino do nosso pai Davi" (Mat. 11:10). Eles não queriam dizer que Davi fosse seu antecessor, pois nem todos descendiam da sua família; e naturalmente não o chamariam de Pai celestial. Davi é descrito como "pai" porque, como o rei segundo o coração de DEUS, foi o verdadeiro fundador do reino israelita (já que Saul foi um malogrado) ampliando suas fronteiras de 9.600 para 96.000 quilômetros quadrados. De igual maneira muitas vezes se refere a George Washington como o "Pai dos Estados Unidos da América". O "pai" Davi era humano, e morreu; seu reino foi terrena, e com o tempo se desintegrou. Mas, de acordo com Isaias 9:6, 7, o descendente de Davi, o Rei-Messias, seria divino, e seu reino seria eterno. Davi foi um "pai" temporário para seu povo; o Messias será um Pai eterno (imortal, divino, imutável), para todo o povo — assim destinado por DEUS, o Pai. (Sal. 2:6-8; Luc. 22:29.)
 
7. JESUS (obra salvadora).
O Antigo Testamento ensina que DEUS mesmo é a Fonte da salvação: Ele é o Salvador e Libertador de Israel. "A salvação vem de DEUS." Ele livrou o seu povo da servidão do Egito, e daquele tempo em diante Israel soube, por experiência, que ele era o Salvador. (Sal. 106:21; Isa. 43:3, 11; 45:15, 22; Jer. 14:48.) Mas DEUS age por meio de seus instrumentos; portanto, lemos que ele salvou Israel por meio do misterioso "anjo da sua face" (Isa. 63:9). Às vezes foram usados instrumentos humanos; Moisés foi enviado para libertar Israel da servidão; de tempos em tempos foram levantados juízes para socorrer Israel. "Mas, vindo a plenitude dos tempos, DEUS enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos" (Gál. 4:4,5). Ao entrar no mundo, ao Redentor foi dado o expressivo nome da sua missão suprema: "E chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados" (Mat. 1:21). Os primeiros pregadores do Evangelho não precisaram explicar aos judeus o significado do nome "Salvador"; já tinham aprendido o fato pela sua própria história. (Atos 3:26; 13:23.) Eles entenderam a mensagem, mas recusaram-se a crer. Crucificado, CRISTO cumpriu a missão indicada pelo seu nome, JESUS, pois salvar o povo dos seus pecados implica expiação, e expiação implica morte. Como na sua morte, assim também durante a vida, ele viveu à altura do seu nome. Foi sempre o Salvador. Em toda a Palestina muita gente podia testificar: "Eu estava preso pelo pecado, mas JESUS me libertou." Maria Madalena podia dizer: "Ele me libertou de sete demônios." Aquele que outrora fora paralítico, também podia testificar: "Ele perdoou os meus pecados."
 
JESUS CRISTO (Dicionário Davis)
Nosso Senhor foi denominado JESUS, de acordo com as indicações do anjo a José, Mt 1: 21, e a Maria, Lc 1: 31. Quando aplicado a qualquer criança, este nome meramente significava a fé que seus pais tinham em DEUS, como salvador de seu povo, ou a fé na futura salvação de Israel. Em referência ao filho de Maria, designava a missão especial que ele vinha cumprir: " E lhe chamarás por nome JESUS, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles", Mt 1: 21. A palavra CRISTO vem do grego Christos, e quer dizer ungido, correspondente à palavra hebraica Mashiah, que tem o mesmo sentido. JESUS, pois, era o nome da pessoa de nosso Senhor, e CRISTO designava o título da sua pessoa (o CRISTO), nome este que ficou servindo de nome próprio, isolado da palavra JESUS, ou junto dela.
O objeto do presente artigo é esboçar a vida do Senhor, sobre a terra, pondo em ordem os eventos principais relacionados entre si.
Cronologia. As datas referentes ao seu nascimento e à sua morte não podem ser determinadas com absoluta exatidão. A maior parte dos teólogos concordam entre si dentro de estreitos limites. O nosso calendário atual teve origem em Dionísio Exiguus, abade romano, falecido em 556. Tomou como ponto de partida o ano da encarnação. Deu o nascimento de JESUS no ano da fundação de Roma, 754, começando nele o ano 1 da nova era. Porém, o historiador Josefo demonstra com clareza que Herodes, o Grande, faleceu pouco depois do nascimento de JESUS, Mt 2: 19-22, e alguns anos antes de 754 da era da fundação de Roma. A morte dele deu-se 37 anos depois da sua nomeação pelo senado romano para ser rei da Judéia, A. U. C. 714. Isto deve ser no ano751 ou 750 A.C., quer contasse a fração pelo ano inteiro, quer não. O ano 750 é o mais provável, porque por uma narração de Josefo, contando que pouco antes da morte de Herodes foram executados por sua ordem, dois rabinos judaicos, e que na noite desta execução, se deu um eclipse lunar. Os cálculos astronômicos dão este fenômeno no ano 750 em que houve um eclipse parcial da lua na noite de 12 ou 13 de março, e em 751 não se deu eclipse algum.
Narra também Josefo que Herodes morreu pouco antes da Páscoa, que no ano 750 caiu a 12 de abril. Pode-se, com toda a certeza, asseverar que a morte de Herodes se deu a primeiro de abril do ano de Roma 750, ou 4 anos antes da era cristã. Podemos colocar os acontecimentos narrados nos evangelhos, antes daquela data, no tempo entre o nascimento de CRISTO e a morte de Herodes que naturalmente seria uns dois ou três meses. O nascimento de CRISTO, portanto, deu-se nos fins do ano 5 ou princípios do ano 4, antes de CRISTO. A data de 25 de dezembro, como o natalício de JESUS, começou no quarto século, sem autoridade que a justifique. Pode, contudo ser aceita, como abeirando a verdade, se a dermos a 25 de dezembro do ano 5 A. C., isto é, 5 anos antes do calendário de Dionísio que o dá a 25 de dezembro do ano 1, A. D. A data em que principiou o ministério público de Nosso Senhor pode ser determinada principalmente pelo cap. 3 do evangelho segundo Lucas, v. 23, onde se diz que o batismo de JESUS se deu quando ele começava a ser de quase trinta anos. Esta declaração é muito precisa. Dado que ele tivesse nascido a 25 de dezembro do ano 5 A. C., devia ter trinta anos a 25 de dezembro do ano 26. A data tradicional do batismo de JESUS é 6 de janeiro, e supondo-se que se tenha dado no princípio do ano 27, a narração de Lucas, dizendo que ele começava a ser de quase trinta anos, é correta. Esta data é confirmada também pelas afirmações dos judeus, registradas no cap. 2: 20 do evangelho segundo João, quando disseram: "Em se edificar este templo gastaram-se quarenta e seis anos, e tu hás de levantá-lo em três dias?" A reconstrução do templo por Herodes, como se pode provar, foi 19 ou 20 anos antes da nossa era, de modo que os 46 anos, supondo que se tivessem decorrido quando os judeus fizeram esta declaração, nos transportam outra vez ao ano 27 da era cristã. Finalmente, se o "décimo quinto ano do império de Tibério César", Lc 3: 1, quando João Batista deu começo a seu ministério for aceito, como não pode deixar de ser, como a época em que Tibério estava associado com Augusto no governo do império, A. D. 11 a 12, coincide com o A. D. 26 e vem confirmar os cálculos já feitos. É certo que todos estes pontos podem sofrer contestações, mas as datas que temos apresentado são as mais prováveis e se confirmam mutuamente.
A duração do ministério de CRISTO, e o conseqüente ano de sua morte são determinados pelo número das páscoas de que fala o evangelho segundo João. Se tivéssemos apenas os evangelhos sinóticos, poderíamos inferir que o seu ministério durou apenas um ano, opinião aceita por muitos nos antigos tempos. Porém o evangelho segundo João menciona pelo menos três páscoas, 2: 13; 6: 4; 13: 1. É muito provável que a festa referida no cap. 5: 1 de João, seja também uma páscoa. Se assim for, no ministério de CRISTO deram-se quatro páscoas, na última das quais, ele morreu. Se ele foi batizado logo no princípio do ano 27, a primeira páscoa foi em abril daquele ano: e ele morreu no ano 30, quando a festa da páscoa se realizou a 7 de abril. Aqueles que pensam que a festa mencionada no cap. 5: 1 de João, não é a festa pascoal, dão a morte de CRISTO no ano 29. Concluímos, pois, como mais provável, que as datas principais da vida de CRISTO, são: nascimento, a 25 (?) de dezembro do ano 5 A. C.; batismo, e o princípio de seu ministério, a 27 de janeiro (?) do ano A. D. e a sua morte, a 7 de abril do ano 30.
Condições políticas dos judeus. Quando JESUS nasceu, Herodes, o Grande, era rei dos judeus. O seu reino incluía a Judéia, a Samaria e a Galiléia. Pertencia à raça iduméia, mas professava a religião judaica. Seu pai Antipater havia sido nomeado governador da Judéia por Júlio César, e depois de alguns caprichos da sorte, Herodes era declarado rei dos judeus, pelos romanos, no ano 40 A. C. Apesar de independente em muitos respeitos, Herodes se mantinha no poder pelo favor dos romanos e na dependência deles, que praticamente regiam o mundo. Por ocasião de sua morte, quatro anos antes da era cristã, o reino foi dividido entre os seus filhos. Arquelau recebeu a Judéia e a Samaria; Herodes Antipas, a Galiléia e a Peréia, e Herodes Filipe recebeu o território a nordeste do mar de Galiléia, Lc 3: 1. Porém, no décimo ano de seu reinado, Arquelau foi deposto por Augusto César, e daí então, a Judéia e a Samaria passaram a ser governadas por procuradores até à destruição de Jerusalém, excetuando apenas os anos 41-44, quando Agripa I foi investido nas funções reais, At 12: 1. Durante o ministério de CRISTO, portanto, a Galiléia e a Peréia, onde gastou a maior parte de seu ministério, eram governadas por Herodes Antipas, Mt 14: 3; Mc 6: 14; Lc 3: 1, 19; 9: 7; 13: 31; 23: 8-12, enquanto que Samaria e Judéia eram governadas diretamente pelos romanos por meio de seu procurador, que neste tempo era Pôncio Pilatos. O governo romano, quer fosse direto quer indireto, irritava sobremodo o povo judaico. No tempo de CRISTO a Palestina fermentava politicamente falando. Os romanos procuravam dar à nação, a maior autonomia possível, de modo que o sanedrim que era a corte suprema, exercia jurisdição sobre grande número de casos. Os romanos também garantiam muitos privilégios aos judeus, especialmente no que tocava às suas práticas religiosas. Apesar de tudo isto, a nação odiava o jugo estrangeiro, que sempre se fazia sentir, quando era preciso, e que de modo algum, permitia a conquista de sua antiga liberdade. A aristocracia judaica, inclusive a maior parte dos saduceus, simpatizava com os romanos. Os fariseus, que formavam a parte mais devotada às observâncias religiosas, geralmente evitavam complicações políticas, mau grado seu espírito conservador e intolerante. Os herodianos de que nos dá notícia a história, favoreciam as pretensões da família de Herodes ao trono da Judéia. Havia, porém, segundo narra o historiador, formado de patriarca, que fazia constantes condições, quem tivesse a pretensão de ser o Messias, não poderia evitar a influência política. Veremos como JESUS evitou cuidadosamente e com bom êxito, este perigo, a fim de proclamar o verdadeiro espírito do reino de DEUS.
Condições religiosas do povo judaico. A religião sofria grandemente com o estado político. As classes superiores da sociedade, haviam quase esquecido as esperanças religiosas dos seus antepassados, e a massa do povo sonhava com um reino temporal, perdendo de vista a feição espiritual do reino do Messias. O Evangelho dá notícia de duas seitas dominantes na sociedade judaica: a dos fariseus e a dos saduceus. A primeira zelava pela pureza da religião, mas punha em primeiro lugar as tradições teológicas, as cerimônias e as sutilezas da casuística, deixando à parte a palavra de DEUS. A religião de Moisés e dos profetas havia tomado uma forma bem diferente em suas mãos. Os fariseus opunham-se muito naturalmente à religião que JESUS ensinava, toda espiritual e despida de formalismo, apelando para as lições das Escrituras com desprestígio das tradições. Os saduceus, por outro lado, formavam a aristocracia social, a que pertenciam as famílias dos príncipes sacerdotes, gente saturada pela cultura do paganismo, rejeitando as tradições farisaicas, e mais interessada em negócios políticos, do que na religião. O motivo da sua oposição a CRISTO, é que os seus triunfos no meio do povo perturbavam as relações políticas existentes, Jo 11: 48. Entretanto, as cerimonias do culto divino realizavam-se com toda a magnificência no templo de Jerusalém. O povo atendia fielmente, e em grandes massas, às festas religiosas. Havia muito zelo pela religião e pelas tradições. De vez em quando, porém, uma explosão de patriotismo, misturado com fanatismo, assoprava as cinzas quentes das esperanças do povo, convertendo-as em viva chama. Eram poucos os que ainda conservavam o espírito da pura religião e a fé viva em DEUS. Estes elementos vivos encontravam-se, principalmente, nas classes humildes da sociedade, nas quais não se havia extinguido a esperança de um Salvador, e foi do centro de um desses círculos de piedade, que JESUS CRISTO veio. Pode-se dizer, pois, que o povo judaico, do tempo de CRISTO, ainda era povo religioso; conhecia o Antigo Testamento, que se lia escola. A nação mostrava a sua liberdade política. Tudo isto vem explicar o motivo da excitação popular, quando João Batista começou a pregar no deserto da Judéia, e a exaltação do espírito público que a doutrina de JESUS havia produzido. As classes dirigentes da sociedade opunham-se a ambos estes estranhos profetas de Israel. O método que JESUS adotava na pregação do seu evangelho era eficiente; seus resultados, mesmo considerados pelo humano, eram inevitáveis.
A vida de JESUS. As circunstâncias do nascimento de CRISTO, mencionadas nos evangelhos, condiziam com a sua dignidade, e harmonizavam-se com as profecias a ele referentes, mesmo aquelas que falavam da sua humilde aparência sobre a terra. Malaquias anunciou, 3: 1; 4: 5, 6, que um arauto com o espírito e com o poder de Elias, havia de preceder o Senhor, quando viesse ao seu tempo. Lucas começa o seu evangelho falando do nascimento de João Batista, precursor de CRISTO. Um piedoso sacerdote, chamado Zacarias, que não tinha filhos, era de idade avançada, estava desempenhando as suas funções no templo, na ordem da sua turma, para oferecer o incenso sobre o altar no lugar santo. Apareceu-lhe o anjo Gabriel e anunciou-lhe que seria o pai do precursor do Messias. Devia ser isto em outubro do ano 6 antes da era Cristã. Terminado que foi o tempo de seu ministério, ele e sua mulher Isabel retiraram-se para sua casa nas montanhas da Judéia, Lc 1: 39, aguardando o cumprimento da promessa. Dois meses depois, o anjo apareceu a Maria, donzela da linhagem de Davi, residente em Nazaré desposada com José, que também descendia de Davi, o grande rei de Israel, Mt 1: 1-10; Lc 1: 27. José exercia o ofício de carpinteiro, homem de humilde classe, ainda que de alta linhagem e de elevado sentimento religioso. O anjo anunciou a Maria que ela ia ser mãe do Messias, Lc 1: 28-38, em virtude do ESPÍRITO SANTO, e que o menino que se chamaria JESUS possuiria o trono de seu pai Davi. Ao mesmo tempo anunciou-lhe que Isabel, sua parenta, também havia concebido na sua velhice, estando já no sexto mês. Levantando-se Maria, foi às pressas à casa de Zacarias. Quando se encontrou com Isabel, o espírito de profecia entrou nelas. Enquanto Isabel a saudava, como sendo a mãe de seu Senhor, Maria, semelhante à velha Ana do tempo de Hali, 1 Sm 2: 1-10, produziu um cântico de louvor pela salvação de Israel e pela honra que lhe havia sido conferida. É claro que estes acontecimentos, tão extraordinários, às piedosas mulheres, possuídas de profundo espírito de fé e dominadas por uma santa exaltação, significariam o cumprimento das esperanças de Israel. Chegado que foi o tempo de Isabel dar à luz, Maria voltou para Nazaré. A defesa de sua honra, DEUS a faria em tempo oportuno. José, conhecendo o estado interessante de sua desposada, resolveu deixá-lo secretamente evitando assim um escândalo público. O plano caridoso de José deixou de ser executado, porque um anjo revelou-lhe em sonhos que o que se achava no ventre de Maria era obra do ESPÍRITO SANTO e que o menino que ia nascer chamar-se-ia JESUS, porque salvaria o seu povo dos pecados dele, para se cumprir o que falou o profeta Isaías, dizendo que este JESUS nasceria de uma virgem. Com fé igual à de Maria, José creu na mensagem, e recebeu legalmente como sua esposa aquela que não queria infamar. Estava assim assegurado que o filho de Maria nasceria sem um pai reconhecido pela lei e que sua mãe era protegida pelo amor e pelo respeito de um esposo. Não haverá a menor dúvida que todos estes fatos chegaram ao conhecimento de Maria em tempo próprio. Pelo fato de , nem CRISTO, nem os seus apóstolos aludirem à concepção miraculosa de JESUS, como prova de seu ofício messiânico, de modo algum se enfraquece o valor da narrativa. O fato não constitui prova de caráter bíblico. A história do nascimento de CRISTO harmoniza-se muito bem com o que hoje sabemos da sua dignidade e da importância de sua missão na terra. O Messias devia ser a bela flor da vida espiritual de Israel, e, por isso, JESUS nasce no seio de um piedoso círculo familiar, onde a pura religião do Antigo Testamento dominava os corações pela fé e pelo amor. O Messias tinha de aparecer sem aparência do que era, e daí, o ter nascido no lar do carpinteiro de Nazaré; o Messias teria de ser filho de Davi, e, por isso, José, seu pai putativo, e provavelmente a virgem Maria sua mãe, segundo a carne, eram descendentes do grande rei. O Messias devia ser a encarnação divina, unindo-se à natureza humana, e por isso, nasceu miraculosamente de uma mulher que concebeu por obra do ESPÍRITO SANTO.
Depois de relatar o nascimento de João Batista e o cântico profético que proferiram os lábios cheios de unção do velho Zacarias, Lc 1: 57-69, sobre o advento do precursor do Messias, o evangelista Lucas explica como foi que JESUS veio a nascer em Belém de Judá. O imperador Augusto havia ordenado um alistamento geral de todos os súbitos de seu império, e, apesar de a Palestina ser governada pelo rei Herodes, os seus habitantes foram compreendidos no decreto imperial. O alistamento dos judeus, evidentemente, teria de ser feito pelos seus métodos, pelos quais o pai de família tinha de ser alistado no lugar de seus antepassados, e não no da sua residência atual. Portanto, José precisava de ir a Belém, lugar primitivo da casa do Davi. Maria foi com ele. A hospedaria, ou khan, onde os estrangeiros poderiam repousar, já estava inteiramente ocupada, quando lá chegaram, e só encontraram abrigo em um estábulo, que, segundo uma antiga tradição, existia em uma caverna perto da cidade. As cavernas serviam muitas vezes para esse fim. O Evangelho não diz que existisse gado lá dentro, sendo provável que estivesse inteiramente desocupada. Naquele tempo, naquele país e entre aquele povo, o estábulo não era lugar tão desprezível para um alojamento, como entre nós; não obstante, era por demais humilde para servir de berço ao Messias. Tal berço estava destinado para o nascimento do filho de Maria, que o depositou em uma manjedoura, Lc 2: 7. Tendo nascido em tão humilde local, nem por isso passou sem notável aviso. Naquela noite, os pastores que guardavam os rebanhos nas campinas próximas, tiveram notícia, por uma numerosa milícia celestial, de que na cidade de Davi havia nascido o Salvador, o CRISTO Senhor. E cantavam: "Glória a DEUS nas alturas e paz na terra aos homens a quem quer bem", Lc 2: 14. Os pastores apressaram-se a ir a Belém e viram o menino, relataram o que tinham visto e ouvido, e depois voltaram aos seus rebanhos. Todos estes fatos se harmonizavam perfeitamente com tudo quanto vinha sendo dito em referência à missão de JESUS. É bom notar que este fato se deu em um círculo de humilde pastores, sem fazer éco lá fora no grande mundo. José e Maria demoraram-se por um pouco ali em Belém. No oitavo dia o menino foi circuncidado, Lc 2: 21, e deram-lhe o nome de JESUS, conforme havia sido anunciado. Quarenta dias depois de seu nascimento, Lv 12, seus pais o tomaram, segundo ordenava a lei, e o levaram ao templo oferecendo Maria ao Senhor o que era ordenado pela sua purificação e consagraram o menino ao Senhor.
O primogênito dos hebreus devia ser resgatado por cinco siclos de prata do peso do Santuário, Nm 18: 16, quando fosse apresentado ao Senhor. A mãe também tinha de oferecer em sacrifício o que a lei mandava, e Maria ofereceu um par de rolas ou dois pombinhos que era a oferta dos pobres. As condições precárias desta humilde família tem mais uma vez a sua confirmação. Todavia o menino JESUS não deixaria a casa de seu pai sem um atestado de sua grandeza. O velho Simeão chegou ao templo, e sobre ele veio o ESPÍRITO do Senhor logo que avistou o menino. DEUS lhe havia dito que veria o Messias antes de morrer. Tomando o menino em seus braços, deu graças e profetizou a glória e os sofrimentos de sua vida, Lc 2: 25-35. Havia também uma profetisa chamada Ana, avançada em anos, e que não se apartava do tempo, a qual deu testemunho, falando dele a todos como a esperança de Israel, Lc 2: 36-38. Porém, o mais eloqüente testamento de sua grandeza é que segue: Logo que José e Maria regressaram a Belém, uns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, declarando que tinham visto a estrela do Messias nos céus, e que vieram adorá-lo. Os judeus, espalhados pelo Oriente, teriam levado consigo as tradições proféticas referentes ao nascimento do Messias, rei de Israel e grande libertador dos
homens. Seria com eles que os magos aprenderam a lição? Com certeza estudavam os fenômenos celestes, e DEUS serviu-se de suas noções supersticiosas para fazê-los testemunhas, perante o mundo gentílico, e que também esperava à meia-luz da religião natural a vinda do Salvador desejado, mas cujo caráter real não podiam bem compreender. Viram no oriente uma estrela, que por algumas razões consideravam ser indicação de haver nascido o rei dos Judeus. Vindo a Jerusalém, indagaram do lugar do seu nascimento. Esta notícia alarmou o supersticioso Herodes, que convocou uma reunião dos escribas para saber deles onde havia de nascer o CRISTO. Quando disseram que havia de nascer em Belém, Herodes os mandou lá, fazendo que prometessem voltar a Jerusalém, a dar notícia do menino. De caminho para Belém viram de novo a estrela sobre Belém e encontraram o menino, a quem ofereceram ouro, incenso e mirra. Podemos imaginar o novo espanto que José e Maria tiveram ao contemplarem a estranha visita dos magos. Era mais um novo sinal dos altos destinos do menino que havia nascido. Avisados por DEUS, os magos voltaram para a sua terra por outro caminho, visto que a intenção de Herodes era achar o menino para o matar. José também foi avisado em sonhos do perigo que ameaçava a vida do menino, recebendo ordem divina para ausentar-se para o Egito. E não era cedo demais, porque o cruel Herodes, que nem poupava a vida de seus próprios filhos, segundo diz Josefo, enviou soldados a Belém para matar a todos os meninos que tivessem menos de três anos de idade. Contava por este modo realizar o desejo de que havia sido privado pela falta dos magos. Belém era lugar pequeno e não deveria ser muito grande o número das crianças mortas, mas nem por isso diminui a crueldade do ato. JESUS havia escapado. Não se sabe quanto ficou no Egito. Alguns meses talvez. No Egito havia muitos judeus, entre os quais, o piedoso José encontraria bom acolhimento. Em tempo oportuno, o anjo anunciou a José que Herodes era morto, e que poderia regressar à prática. Era seu propósito ficar em Belém, cidade de Davi, mas Arquelau, filho de Herodes, reinava na Judéia, o que o fez hesitar. Recebeu novas instruções, em virtude das quais buscaram abrigo na sua velha morada, Nazaré. Em conseqüência disto, JESUS apareceu entre o povo, no começo de sua vida pública, como profeta de Nazaré. Tais são alguns dos incidentes registrados nos evangelhos sobre o nascimento e a infância de JESUS.Maravilhosos como nos parecem, não deram na vista do mundo de então. São poucas as pessoas que os testemunharam, ou os esqueceram ou os guardaram para si. Porém se fundou a Igreja, é lícito supor que Maria os revelou aos discípulos. Mateus e Lucas os escreveram cada um a seu modo, o primeiro ilustrando a realeza de JESUS e o cumprimento da profecia, e o segundo explicando a origem de JESUS e a história de seus primeiros anos. Depois de voltar a Nazaré, nada mais se nos diz a respeito da vida de JESUS a não ser o incidente de sua visita a Jerusalém na companhia de seus pais, que o encontraram no templo a discutir com os doutores da lei, quando tinha apenas doze anos, Lc 2: 41-51. Este incidente é instrutivo: mostra que José e Maria continuavam a ser piedosos e fiéis na educação religiosa do menino. Mostra também como se desenvolveu o espírito religioso de JESUS, visto já se mostrar tão interessado nas questões religiosas em que os rabinos instruíram as crianças. Não se deve pensar que o menino de doze anos estivesse a dar lições aos doutores da lei; devemos antes imaginar que era um dos discípulos que se achavam na escola do templo, e que pelas suas perguntas e pelo alcance de sua inteligência provocou a admiração de todos. Este incidente também ilustra a vida humana que JESUS levava. Ele crescia em sabedoria, em idade e em graça diante de DEUS e dos homens , Lc 2:52. As maravilhas da sua infância eram conservadas em secreto por seus pais. A seus companheiros e aos membros da família, JESUS não pareceria um ente sobrenatural, mas simplesmente um tipo notável pela sua mentalidade e pela pureza de seu caráter. Considerando em conjunto outros fatos incidentalmente mencionados nos evangelhos, podemos formar alguma idéia das circunstâncias em que a infância de JESUS se desenvolveu. Ele era membro de uma família; tinha quatro irmãos e algumas irmãs, Mc 6: 3, etc.
Pensam alguns que estes irmãos eram filhos de José de um primeiro matrimônio; outros opinam que eram eles primos de JESUS. Parece mais natural e mais de conformidade com a Escritura, acreditar que eram filhos de José e Maria depois do nascimento de JESUS. Como quer que seja, JESUS cresceu em família, gozando de seus prazeres e obedecendo à sua disciplina. Como seu pai, exercia o ofício de carpinteiro, 3, de modo que estava acostumado ao trabalho manual. Não lhe faltava a disciplina mental. As crianças dos hebreus eram bem instruídas nas Escrituras, o que se evidencia nos ensinos de JESUS. As parábolas revelam um espírito aberto aos ensinos da natureza, tão fecundos para evidenciar a saberia de DEUS nas obras de sua mão. Nazaré, ainda que um pouco oculta, achava-se na orla da parte mais laboriosa do mundo judaico, e perto das mais famosas cenas da história de Israel. Das alturas que lhe indicavam na face posterior, descortinavam-se a olho nu, muitos dos lugares associados a grandes eventos. Não, muito distante, via-se o mar da Galiléia, em cujo horizonte se agrupavam todos os elementos da vida mundial, em miniatura. Era também um período de grande excitação política, em que os lares da família se agitavam com as notícias de acontecimentos sensacionais. Não há razão para supor que JESUS tivesse vida de isolamento. Devemos antes imaginar que ele acompanhava com interesse os acontecimentos progressivos da sua pátria. Quanto à linguagem por ele falada, devia ser o aramaico, idioma este que havia substituído o velho hebreu. A língua grega não lhe seria desconhecida por ser falada geralmente na Judéia. Todo este período de sua vida, os evangelhos não relatam. Os seus escritos não tinham por objeto descrever a vida íntima de JESUS, e sim relatar o seu ministério público. Podemos, no entanto, ver o suficiente para provar a naturalidade da vida de JESUS, a adaptação do meio em que vivia e no qual se preparava par a sua obra futura, e a beleza de seu caráter; e deste modo, apreciar o desenvolvimento gradual de sua humanidade, até chegar o momento de oferecer-se a seu povo como o enviado de DEUS. Aproximava-se a hora, quando, talvez no verão do ano 26, João, filho de Zacarias, que até então havia passado vida de devoção ascética no deserto, Lc 1: 80, recebeu de DEUS a comissão de convidar o povo a arrepender-se de seus pecados e preparar-se para a vinda do Messias. João andava em volta do vale do Jordão, administrando o rito do batismo a todos que criam na sua mensagem. Chamava o povo e os indivíduos ao arrependimento em tom dos antigos profetas, especialmente do profeta Elias, anunciando que o Messias estava a chegar, para purificar a Israel e fazer expiação pelos pecados do mundo, Mt 3; Mc 1: 1-8; Lc 3: 1-18; Jo 1: 19-36. O efeito do seu ministério foi longe. Desde a Galiléia o povo acudia a ouvi-lo. O sinédrio enviou deputados para saber da autoridade de sua missão, Jo 1: 19-28. Enquanto as classes dirigentes da sociedade se mostravam indiferentes à sua pregação, Mt 21: 25, o vulgo despertava. O caráter puramente religioso da sua mensagem levou muita gente a crer que as esperanças de Israel iam ter o seu cumprimento. O ministério de João Batista durava seis meses ou mais, quando JESUS aparece no meio das multidões, chegando-se a João para ser batizado. Instintivamente, o Batista reconheceu aquele que não precisava de arrependimento para ser batizado; viu nele o Messias e disse: "Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?" Mt 3: 14. Não se deve pensar que JESUS ignorasse ser ele verdadeiramente o Messias. Pela sua reposta se vê o contrário: "Deixa por enquanto, porque assim nos convém cumprir toda a justiça." O batismo significava para ele, em parte, dedicação pessoal à obra anunciada por João, e também queria dizer que ele ia tomar sobre si o pecado do povo que ele veio salvar. Logo que saiu da água, Mc 1: 10; Jo 1: 33, 34, João viu os céus abertos e o ESPÍRITO de DEUS que descia em forma de pomba e pousava sobre ele; e ouviu-se uma voz que dizia: "Este é o meu Filho amado em quem eu me comprazo" Mt 3: 17. Estava plenamente consumado e consórcio da natureza humana de nosso Senhor com o poder espiritual para o seu ministério. Verdadeiramente homem e verdadeiro DEUS, que ele era, provou-o a tentação que imediatamente se seguiu. Não devia iniciar a sua obra sem ter preparo mental adequado. Para evidenciar a sua vocação, foi levado pelo espírito ao deserto. Ali, o grande tentador o foi encontrar procurando perverter os seus propósitos, aplicando-os a fins mundanos e egoísticos. JESUS devia ter relatado a seus discípulos esta provação. Conquanto não possamos duvidar da realidade material do tentador e das feições físicas da cena como a descrevem os evangelistas, Mt 4: 1-11; Lc 4: 1-13, não se deve ignorar que a força da tentação consistia na sutileza com que o mundo foi apresentado a JESUS, em um aspecto muito mais atraente do que a vida de obediência a DEUS com seu epílogo. JESUS voltou dali para o Jordão, inteiramente dedicado à sorte que lhe estava destinada para cumprir a vontade de DEUS. Sem altas e retumbantes proclamações de seu advento, deu princípio à sua obra. O Batismo o apontou a alguns de seus discípulos, como o cordeiro de DEUS que tira o pecado do mundo, Jo 1: 29, 36. Dois deles, João e André, seguiram o novo profeta. Logo depois veio Simão, 35-42. Um dia mais tarde, Filipe e Natanael receberam convite, 43-51. Com este pequeno bando, JESUS regressou à Galiléia, e em Caná operou o seu primeiro milagre em que os discípulos testemunharam os primeiros lampejos da sua futura glória, 2: 1-11. É caso para estranhar que JESUS não fizesse este milagre mais publicamente. O novo movimento começou com uns poucos de obscuros galileus.
A narrativa de João deixa bem claro que JESUS tinha perfeito conhecimento de si e da missão que o trouxe ao mundo. Esperava apenas o momento favorável para se apresentar a Israel como o seu Messias. Este momento devia ser por ocasião da festa da páscoa, abril, de 27. De Cafarnaum, para onde tinha ido com sua família e com os discípulos, 12, subiu a Jerusalém e ali procedeu à purificação do templo, lançando fora os que o profanavam, ato digno de um profeta, reformando o culto de DEUS. As palavras de JESUS: "Tirai isto daqui e não façais da casa de meu Pai, casa de negociações" 16, indicam que pretendia ser mais do que um profeta. Havia de fato um apelo para todo o Israel para acompanhá-lo na obra de reformar a religião. Foi somente depois de rejeitado, que ele procedeu à organização da nova igreja do futuro. Bem sabia ele que não o haviam de acompanhar, como bem o provou o diálogo com Nicodemos, predizendo, ainda que em linguagem velada, a sua morte às mãos dos judeus, 19, enquanto que, na conversa com Nicodemos, mostra a necessidade de um novo nascimento e a conveniência de seus sofrimentos, 3: 1-21, a fim de que os pecadores pudessem entrar no reino que o amor de DEUS lhe havia mandado estabelecer na terra. Devemos ao evangelista João, 2: 13; até cap. 4: 3, a notícia do primeiro ministério de JESUS na Judéia, que durou cerca de nove meses. Depois da Páscoa, JESUS se retirou da cidade, e começou a pregar a necessidade do arrependimento, como o Batista ainda estava fazendo. Por um pouco, os dois operavam em linhas paralelas. Somente depois que João acabou a sua missão, é que JESUS começou a trabalhar sozinho. Finalmente, os discípulos de JESUS foram em maior número que os de João. Não importava, porém, que houvesse rivalidades entre ambos, Jo 4: 1-3. Voltou JESUS novamente para Galiléia. Passando por Samaria, deu-se a notável entrevista com a mulher samaritana, á beira do poço de Jacó, 4-42. Dali seguiu apressadamente para noroeste. Chegado que foi à Galiléia, notou que o precedia a fama de seu nome, 43-45.
Um régulo, cujo filho, estava doente em Cafarnaum, foi ter com JESUS em Caná de Galiléia, rogando-lhe que fosse à sua casa curar a seu filho que estava a morrer, 46-54. Era perfeitamente claro que a Galiléia devia ser o centro de suas operações, porque os campos em roda, estavam branquejando próximos à ceifa, 35. Este fato parecia indicar que havia chegado a hora para começar a sua obra. João Batista havia sido posto na prisão por ordem de Herodes Antipas. A obra do precursor estava terminada. A velha igreja judaica recebeu formal convite para arrepender-se e reformar os seus costumes. Este convite ela desprezou. JESUS, daí por diante, começou a pregar o reino de DEUS, na Galiléia, anunciando os princípios geradores da nova dispensação, e formando o núcleo da fatura Igreja . Ministerial, o grande trabalho de JESUS em Galiléia durou dezesseis meses. Centralizou-os em Cafarnaum, empório comercial da província. A população predominante era judaica e aquela região estava escoimada de autoridades eclesiásticas. Evidentemente, JESUS tinha em vista manifestar o verdadeiro reino de DEUS, e, por meio de suas maravilhosas obras, tornar evidente a sua autoridade e o caráter do reino espiritual que vinha estabelecer. Queria que cressem nele; manifestou o seu caráter divino e ensinou aos homens as obrigações que tinham para com o seu DEUS. Não se apelidou de Messias para evitar a má compreensão por parte dos espíritos prejudicados pelas noções falsas a respeito deste nome. Geralmente, falava de si como sendo Filho do Homem. A princípio não aludiu à sua morte. Não era tempo ainda para ser compreendido sobre este assunto. Ensinou os princípios da verdadeira religião, com a autoridade de sua própria pessoa. Suas obras maravilhosas produziam grandes entusiasmos no povo. As atenções para a sua pessoa generalizaram-se de tal modo em todo o país, de sorte que toda a gente desejava vê-lo e ouví-lo. Como era de prever, os resultados finais não correspondiam aos seus esforços: o povo não compreendia as cousas espirituais. Somente um pequeno grupo lhe era fiel. Todavia, pelos seus ensinos, estabeleceu verdades que o grupo de seus discípulos teriam de levar a todo o mundo, depois de sua morte. Em relação à ordem dos acontecimentos durante o ministério da Galiléia, o leitor poderá consultar o artigo - Evangelhos. Aqui, apenas mencionamos os fatos culminantes da história. O primeiro deles foi o ato inaugural de sua obra, consistindo em milagres, em apelos para crer no Evangelho e no despertamento de entusiástico interesse dos galileus pela pessoa de JESUS. Este ato inaugural compreende também os eventos mencionados na Harmonia dos Evangelhos, começando com o primeiro ato de rejeição em Nazaré, e terminando com o banquete em casa de Levi. O encerramento desta fase de sua obra, que durou cerca de quatro meses, deu em resultado a formação de um centro de geral interesse na Galiléia, e congregar em torno de sua pessoa um pequeno grupo de fiéis e dedicados discípulos. Pouco se diz ainda acerca da doutrina, mas desse pouco e dos milagres que operou, tais como, a cura do endemoninhado, Mc 1: 23-27, a cura do leproso, 40-45, a cura do paralítico, 2: 1-12, a pesca miraculosa, Lc 5: 1-12, é claro que a substância de sua mensagem estava compreendida na leitura que ele fez na sinagoga em Nazaré, 4: 18-21: "O ESPÍRITO do Senhor repousou sobre mim, pelo que ele me consagrou com a sua unção, e enviou-me a pregar o Evangelho aos pobres, a sarar aos quebrantados de coração, anunciar aos cativos redenção, e aos cegos vista; a por em liberdade aos quebrantados para seu resgate, a publicar o ano favorável do Senhor, e o dia da retribuição. "O aspecto do trabalho em breve mostrou nova feição, graças à resistência dos fariseus. Começa aqui a segunda fase do ministério de JESUS em Galiléia. Agora ele visita Jerusalém, Jo 5: 1, cura um paralítico em dia de sábado, por cujo motivo explode contra ele o ódio dos rabinos e dos sacerdotes. Este conflito parece que JESUS o provocou muito de propósito, com o fim de mostrar as diferenças entre o espírito de sua doutrina e os ensinos do judaísmo. Vê-se nele verdadeiro intérprete do Antigo Testamento, dando o sentido real das doutrinas, com expresso apelo à sua autoridade como Filho de DEUS, divinamente destinado para instruir os homens. Esta nova fase compreende, além do que se contém no cap. 5 de João, mais os incidentes da colheita das espigas e da cura de um homem que tinha a mão ressequida.
O conflito com os fariseus e o interesse crescente que o povo mostrava por JESUS, deu origem à terceira fase desta parte de seu ministério, com a organização de seus discípulos em um corpo; nomeia os doze apóstolos, no famoso sermão da montanha descreve o caráter e a vida dos verdadeiros membros do Reino de DEUS, sublime exibição de uma existência genuinamente religiosa, em evidente harmonia com o Pai celestial, consagrada ao seu serviço, na salvação do mundo, real cumprimento da antiga lei, ainda que em oposição ao formalismo e à superfluidade dos fariseus, ideal de confiança e de comunhão com seu DEUS. No sermão do monte, JESUS não ensinava o caminho da salvação, nem sintetizava as doutrinas de seu evangelho. Neste sermão, em que atacava o farisaísmo e a ignorância popular, ensinava, ao mesmo tempo que a vida espiritual é a manifestação do reino de DEUS, no qual se entra pela fé em JESUS. Feito, como foi, o esboço da nova organização, chegamos à quarta fase, que se caracteriza por uma sucessão de milagres e de viagens pela baixa Galiléia, em companhia de seus apóstolos, com o fim de estender a sua influência.
Esta fase desenvolve-se harmônicamente, desde o final de seu sermão do monte, até ao tempo em que Herodes indagou quem era o novo profeta. Durante estes meses cresceu o interesse popular acerca de CRISTO, e na mesma proporção, cresceu também a oposição dos fariseus. O mais notável ponto desta história é o dia das parábolas. A parábola era uma forma de instrução em que JESUS não tinha rivais. Era um meio de ministrar a verdade às mentes receptivas, e ao mesmo tempo evitar o emprego de expressões que pudessem servir de arma na mão de seus inimigos. O ensino, por meio de parábolas, neste período, revela a gravidade crescente da situação, que exigia prudentes reservas da parte de CRISTO. É digna de grande admiração a incomparável perícia com que ele incorpora nestas simples histórias as mais profundas verdades, a respeito da origem e desenvolvimento do seu reino espiritual que estava fundando neste mundo, bem como dos perigos e dos destinos a ele inerentes. Afinal, sobreveio uma crise à sua obra em Galiléia. Herodes Antipas começou a indagar acerca de JESUS, fato este que podia originar complicações, como já havia acontecido com João Batista, que o levaram à prisão e que originaram a sua morte. Contudo, a nova situação dava ao povo boa oportunidade de experimentar suas relações com a verdade. Nesta ocasião ocorreu um fato que veio resolver a crise. JESUS se havia retirado com os doze a um lugar deserto. As multidões acompanharam-no e acamparam-se a nordeste do mar de Galiléia. Compadecido de suas necessidades, JESUS as alimentou, milagrosamente, sustentando-as com cinco pães e dois peixes. Eram cinco mil os que comeram, e todos ficaram fartos. Subiu de tal modo o entusiasmo dos galileus, que o queriam arrebatar para o fazerem rei, Jo 6: 15. Este fato veio provar quão longe estavam eles de compreender a sua missão. Ia chegando o tempo de dar fim à sua obra. Desde o princípio que ele dava a entender que veio a este mundo para ser entregue à morte, e que somente pela morte poderia salvar o mundo, Jo 3: 14, 15. Era tempo de se preparar para o sacrifício. No dia que se seguiu ao milagre dos cinco pães, JESUS proferiu em Cafarnaum, o discurso recordado no cap. 6: 22-71, falando de si como sendo o pão da vida, e da necessidade que todos tinham de comer a sua carne e de beber o seu sangue para terem vida. Depois de algumas objeções dos fariseus sobre práticas cerimoniais da religião, Mc 7: 1-23, foi com seus discípulos para os confins de Tiro e de Sidônia.
O período seguinte da vida de CRISTO é o último do seu ministério em Galiléia, e durou seis meses. Foi a única vez que JESUS penetrou em território de gentios, i, é, em Tiro e Sidônia. Tendo passado para o lado sul ao longo do Jordão superior, e do mar de Galiléia, encontramo-lo na região de Decápolis. Voltou de novo para a parte setentrional da Galiléia e, finalmente, entrou em Cafarnaum. Neste período, dedicou-se principalmente a preparar o espírito de seus discípulos para a morte que se avizinhava e falava-lhes sobre a extensão de seu reino, entre todos os povos. Pregou pouco e isso mesmo de preferência aos gentios, ou às populações mistas do oriente e do sul do mar de Galiléia. Finalmente, perto de Galiléia de Filipos, na raiz do Monte Hermom, provocou a confissão de seus discípulos, declarando-se estes quanto ao caráter de sua pessoa, e, em seguida, disse-lhes claramente que ia a Jerusalém para ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. E disse-lhes mais: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me." Pouco depois, deu-se a transfiguração, em que três de seus apóstolos testemunharam a sua glória e em que, com sublime exaltação de espírito, se anunciaram, e que Moisés e Elias relembraram. Continuou a repetir a predição de sua morte. Chegando a Cafarnaum, instruiu seus discípulos, Mt 18, sobre o serviço de DEUS, para o qual deviam ser abnegados, humildes e amorosos, de que ele era exemplo permanente.
Estamos agora no princípio do outono do ano 29. JESUS sai de Cafarnaum pela última vez e dirige-se para Jerusalém, Lc 9: 51. O período seguinte de seu ministério é a última jornada que ele faz para aquela cidade. É impossível acompanhar com exatidão a ordem das viagens que JESUS fez, porque Lucas, que nos serve de base neste estudo, não é muito exato no seu método de narrações cronológicas. As feições salientes deste período são suficientemente claras. JESUS procura atrair a atenção pública de todo o país, inclusive a Judéia. Enviou setenta discípulos para anunciarem a sua vinda; visitou Jerusalém pela festa dos tabernáculos, Jo 7, e outra vez, na festa da dedicação, 10: 22, e em ambas as vezes, mostrou-se ao povo, chamando-se a luz do mundo, o bom pastor do rebanho divino, valorosamente disputando com os doutores que se opunham à sua doutrina. Andou pela Judéia e pela Peréia, explicando em discursos e com a maior beleza de ilustrações de que nunca antes o fizera, a verdadeira vida religiosa, a noção real da idéia de DEUS e da natureza de seu serviço. Aqui entram as parábolas do samaritano, do banquete de núpcias, da ovelha perdida, da dracma, do filho pródigo, do servo infiel, do rico e Lázaro, da viúva importuna, do fariseu e do publicano. Assim, ao mesmo tempo que a oposição dos inimigos se mostrava mais violentas e feroz, culminando em um fato de mais intenso valor.
Vieram contar a JESUS que o seu amigo Lázaro de Betânia estava doente. Indo vê-lo, achou que havia quatro dias tinha sido sepultado. JESUS chamou-o à vida, operando um milagre que deixava a perder de vista quantos havia feito antes, 11: 1-46, tão estupendo, e operado tão perto de Jerusalém, que produziu ali grande sensação, não só entre o povo da capital como do sinédrio, que tinha como presidente o pontífice Caifás. Reunido o conselho dos pontífices e dos fariseus, decidiram que a influência de JESUS só poderia ser aniquilada pela morte, 47-53. Daqui em diante, JESUS subtraía nas vistas do povo, 54, evidentemente determinado a não se entregar antes da páscoa. Logo que se avizinhou o dia da festa, foi-se chegando à cidade, vindo de Peréia, Mt 19 e 20; Mc 10; Lc 18: 15 até cap. 19: 28. À medida que se aproximava, ia profetizando, até que chegou novamente a Betânia, seis dias antes da festa, Jo 12: 1. Em Betânia, Maria, irmã de Lázaro, ungiu-lhe os pés e a cabeça, quando JESUS ceava, fato este que silenciosamente anunciava a morte do Senhor. No dia seguinte, deu-se a entrada triunfal em Jerusalém, com grande desafio à inveja e ao ódio dos príncipes dos sacerdotes. Entrou montado em um asninho, simbolizando o espírito pacífico do reino que veio fundar na terra. De volta, mais uma vez a Jerusalém, e pelo caminho encontrou uma figueira coberta de folhas, porém sem fruto algum, a qual ele amaldiçoou, emblema da igreja judaica, tão pretenciosa porém, vazia de frutos. Então, como havia feito três anos antes, purificou o templo, lançando fora os cambiadores que profanavam os átrios, tácito convite à nação para acompanhá-lo na purificação de Israel. Os peregrinos que tinham vindo para a festa que o haviam aclamado na sua entrada triunfal agrupavam-se em torno de JESUS, plenos de entusiasmo. Apesar disso, os inimigos conservavam intenso ódio. No dia seguinte, terça-feira, JESUS chega de novo à cidade, e entra no templo. O sinédrio enviou ao seu encontro uma deputação para saber dele com que autoridade fazia todas estas cousas. Recusou responder como desejavam, uma vez que estavam resolvidos a dar-lhe a morte. Por meio das parábolas dos dois filhos, do feitor iníquo e das bodas do filho do rei, pôs em relevo a desobediência às leis de DEUS, a falta de fidelidade para com Ele e as funestas conseqüências que viriam sobre a cidade e a igreja. Com o intuito de encontrar motivos para acusações e enfraquecer a sua autoridade, vários grupos o assediaram com perguntas. Os fariseus e os herodianos foram perguntar-lhe se era lícito dar tributo a César; os saduceus interrogavam-no sobre a ressurreição; um doutor da lei, queria saber qual era o grande mandamento da lei. Pelas suas repostas reduziu ao silêncio a cada um dos adversários, e confundiu-os, citando as palavras de Davi, dirigidas ao Messias como seu Senhor, porquanto, a linguagem do salmista, bem mostrava que JESUS não blasfemava, quando se dizia filho de DEUS. Este foi um dia de grande conflito. JESUS denunciou com veemência, a indignidade dos condutores de Israel, Mt 23: 1-38. Quando alguns gregos mostraram desejo de vê-lo, JESUS descobriu nisso a futura rejeição dos judeus, e que os gentios o receberiam. Estava prestes a realização destas palavras, Jo 12: 20-50.
Ao sair do templo, disse com tristeza a seus discípulos que brevemente aquele esplêndido edifício seria destruído.
No mesmo dia à tarde, revelou a quatro de seus discípulos a destruição da cidade. Anunciou-lhes que o seu Evangelho seria espalhado em todo o mundo, que os crentes sofreriam grandes perseguições. Profetizou a sua volta ao mundo, mostrando-nos que no meio da tempestade levantada pelas hostilidades judaicas, o Mestre divino conservava a visão clara do seu futuro e caminhava ao encontro do sacrifício com certeza na vitória final. Talvez que na noite daquele dia ficasse decretada a morte de JESUS. Judas, um dos doze, segundo se crê, há muito havia abandonado a idéia de ser fiel ao Mestre. A declaração que JESUS fez sobre a espiritualidade do seu reino, havia de tê-lo ofendido, porque, segundo escreve o apóstolo João, era ele homem avarento. Na ceia em Betânia, ficou perfeitamente demonstrada a falta de simpatia que ele tinha por JESUS. Cresciam mais e mais as desilusões de proventos materiais; agora JESUS falava de sua morte, e, por isso, resolveu tirar algum proveito, entregando-o aos sacerdotes, mediante preço ajustado. O plano concebido devia ser executado depois da festa, quando a cidade seria evacuada pelos forasteiros. Na falta de provas reais contra JESUS, acharam de bom aviso aproveitaram-se da proposta de Judas. O dia de quarta-feira, JESUS o passou em recolhimento talvez em Betânia. Na quinta-feira, à tarde, devia ser morto o cordeiro pascoal e depois do sol-posto tinha cabimento a ceia, começando então o sétimo dia da festa em que se comiam os pães asmos. Neste dia, JESUS enviou Pedro e João à cidade a fim de prepararem o que era mister para ele comer a páscoa com seus discípulos. Enviou-os à casa de um discípulo ou de um amigo, Mt 26: 18, e para ajudá-los na pesquisa, disse-lhes: Sair-vos-á ao encontro um homem que levará uma bilha de água, ide atrás dele, e ele nos preparará secretamente o lugar, sem conhecimento dos demais, com o fim provável de que Judas não descobrisse aos sacerdotes e viesse perturbar na última hora a íntima comunhão com os seus discípulos. Chegada que foi a tarde, celebrou JESUS a páscoa. Para seguir a ordem dos fatos durante a tarde, vide a Harmonia no artigo Evangelho. Alguns pensam, baseados no Evangelho segundo João, 13: 1, 29; 18: 28; 19: 31, que JESUS foi crucificado no dia 14 do mês de Nisã, dia em que se matava o cordeiro pascoal, e portanto, que ele não celebrou a páscoa no tempo regular, porém, que adiantou um dia. Esta opinião não encontra apoio na linguagem de Mt 26: 17-19, de Mc 14: 12-16, e de Lc 22: 7-13, 15. A expressão citada no evangelho segundo João e que serve de fundamento à opinião referida, pode ser explicada, por hipótese como abaixo se vê (*): Deve-se notar que provavelmente Judas se retirou da celebração da páscoa, e que JESUS predisse por duas vezes a negação de Pedro, uma no quarto alto, e outra, no caminho para o Getsêmani. O evangelista João não relata a celebração da páscoa, porém, relata os discípulos entristecidos pela idéia da separação. Nesses discursos, revelou ele a união indissolúvel das relações espirituais que os ligariam ao Mestre, e a missão do ESPÍRITO SANTO para confortá-los. Recorda também a oração sacerdotal sublime nas expressões de amor e ternura, cap. 17. em caminho para o Jardim das Oliveiras, JESUS declarou-lhes que em breve seriam espalhados, e convocou-os para uma reunião na Galiléia logo depois de ressuscitar. A agonia no Getsêmani foi a última rendição de sua pessoa ao sacrifício, interrompida pela chegada de Judas, acompanhado de soldados, tirados da guarnição que estacionava perto do templo, sob pretexto de prender uma pessoa sediciosa, Jo 18: 3, 12. Em companhia dos soldados vieram também as guardas dos levitas e os servos do sumo sacerdote. Judas sabia que o Mestre descansava ali. Supõem alguns que ele tinha primeiro subido ao quarto alto, e sabendo que JESUS tinha ido para o Monte das Oliveiras, em cuja base estava o Jardim, seguiu-o de longe. Depois de ligeiras perguntas, JESUS entregou-se à prisão. Neste momento, os discípulos o abandonaram e fugiram. A escolta levou-o primeiramente à casa de Anás, 13, sogro de Caifás, onde sofreu o primeiro interrogatório, enquanto se reunia o sanedrim, 13, 14, 19-24. É provável que Anás e Caifás morassem no mesmo palácio, porque a negação de Pedro deu-se no átrio do palácio, quando foi do primeiro interrogatório perante Anás, e também quando se procedia ao segundo, em presença do sanedrim. No primeiro exame, JESUS se negou a responder, e, por isso, procuravam testemunhas que viessem depor contra ele. Manietado, conduziram-no à presença de Caifás, onde o sanedrim se reuniu apressadamente. Não puderam colher provas contestes para acusá-lo de blasfêmia, crime este que desejavam evidenciar, pelo que, o sumo sacerdote se viu forçado a conjurá-lo para que dissesse se ele era o Messias. JESUS respondeu da maneira mais explícita. Acendeu-se a ira do tribunal que imediatamente o declarou digno de morte pelo crime de blasfêmia. A decisão injusta do tribunal provocou o escárnio da multidão. Segundo a lei, as decisões do sanedrim só tinham efeito jurídico, quando tomadas de dia. Por isso, muito de manhã, o tribunal reuniu-se de novo, observando as mesmas formalidades anteriores, Lc 22: 66-71. A execução das penas contra delinqüentes, só poderia efetuar-se com a permissão do governador, e para isso apressaram-se levar JESUS à presença de Pôncio Pilatos. Este açodamento tinha por fim evitar que algum movimento popular viesse prejudicar o julgamento. Pilatos ocupava o palácio de Herodes no Monte Sião. A distância desde a casa do sumo sacerdote não era muito grande. Era ainda muito cedo, quando o governador foi chamado para atender ao requerimento dos sacerdotes. Queriam que assinasse a sentença de morte sem tomar conhecimento das causas. Ele se recusou a isso, Jo 18: 29-32. Acusavam a JESUS de perverter a nação, e vedar o tributo a César e de se fazer rei, Lc 23: 2. Pilatos perguntou-lhe: "Tu és rei?" a que ele respondeu: "Tu o dizes" 3. De novo o governador o interrogou em particular, Jo 18: 33-38, descobrindo que nenhuma culpa ele tinha. Daí em diante procurava inocentá-lo, dizendo ao povo: "Eu não acho nele crime algum."
O governador receava muito contrariar os desejos de seus súditos que pediam insistentemente a condenação de JESUS à morte pela crucificação. Ele então lançou mão de vários expedientes para afastar de si a responsabilidade. Sabendo que JESUS era da província de Galiléia, mandou que o levassem a Herodes Antípas , Lc 23:7-11 , que nesse tempo se achava em Jerusalém. Este, por sua vez, recusou exercer jurisdição. A grita popular crescia mais e mais. Pilatos propôs a soltura de JESUS pela páscoa segundo lhe era facultado. Esperava que a popularidade de JESUS o havia de arrebatar da mão dos sacerdotes. Triste engano: o povo pediu que lhe soltasse a Barrabás. O pedido que sua mulher lhe fez aumentou a sua ansiedade para soltar a JESUS. Apesar de todos os seus esforços, a multidão mostrava-se sedenta de sangue. Pilatos temia ir de encontro às suas convicções, mas a sua fraqueza consentiu no crime. Previamente, o condenado era açoitado. Tentando ainda mais um esforço, e desejando ao mesmo tempo agradar aos judeus, veio fora e disse ao povo: "Eis aqui vo-lo trago para que saibas que eu não acho nele crime algum. Saiu, pois, JESUS, trazendo uma coroa de espinhos e uma veste de púrpura e Pilatos disse: "Eis aqui o homem." Então os príncipes dos sacerdotes e os seus oficiais, tendo-o visto, gritaram dizendo: "Crucifica-o. Nós temos uma lei, e ele deve morrer segundo a lei, pois se fez filho de DEUS" Jo 19: 1-7. Pilatos pois, como ouviu estas palavras, temeu ainda mais, e entrou outra vez no pretório, e disse a JESUS: "Donde és tu?" JESUS não deu resposta alguma. Procurando ainda algum meio de o livrar, os judeus gritaram: "Se tu livras a este, não és amigo de César, porque todo que se faz rei, contradiz a César" 8-12. Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe para fora a JESUS, e assentou-se no seu tribunal para dar a sentença. JESUS ia ser crucificado. Não era a execução de uma sentença, e, sim, um assassinato jurídico. A sentença era confiada a quatro soldados, Jo 19: 23, sob o comando de um centurião. Mais dois condenados iam ser executados: eram dois ladrões. Geralmente as vítimas carregavam a sua cruz inteira, ou somente a parte transversal. JESUS parece que a carregou inteira, porque caiu desfalecido, sob o seu peso. O lugar do sacrifício estava a curta distância da cidade (Vide Gólgota). O paciente costumava ser pregado à cruz antes de a erguerem, firmando-a ao chão em um buraco previamente aberto. A causa da condenação era posta por cima da cabeça do condenado e escrita numa tábua. A de JESUS estava escrita em hebraico, grego e latim e dizia: JESUS Nazareno, Rei dos Judeus, 19: 19. Marcos relata que o ato da crucificação consumou-se à terceira hora (nove da manhã). Sabendo-se que o processo começou logo ao amanhecer, Lc 22: 66, não é para estranhar que tudo estivesse pronto às nove horas, de acordo com a precipitação dos judeus, desde o princípio, empenhados na condenação de JESUS. Deixaremos de mencionar os incidentes relatados nos evangelhos, ocorridos durante a crucificação. Os pacientes muitas vezes permaneciam alguns dias vivos; o corpo enfraquecido de JESUS não podia suportar tão longa agonia. À nona hora (três da tarde), expirou, dando grande grito. As palavras que proferiu na cruz indicam que ele conservou a lucidez de espírito até ao fim, e que tinha pleno conhecimento de tudo que se passava e do valor e importância de seu sacrifício. Por ocasião de sua morte, parece que havia poucas pessoas presentes. A multidão que acompanhava os condenados ao Calvário, havia-se retirado para a cidade. Os sacerdotes que o escarneceram, também haviam saído. Só alguns dos discípulos e os soldados ficaram até ao fim. Os inimigos não tinham certeza de sua morte. Não querendo que os corpos ficassem na cruz durante o dia de Sábado. Foram a Pilatos e pediram-lhe que mandasse quebrar as pernas dos condenados. Os soldados executaram a ordem, quanto aos dois ladrões, deixando de o fazer na pessoa de JESUS, por o haverem encontrado morto. Um dos soldados feriu-lhe o lado com uma lança para certificar-se de sua morte. O apóstolo João que ali estava, viu que da ferida aberta saiu sangue e água, 19-34. JESUS parece ter morrido, literalmente quebrantado de coração. Logo depois, José de Arimatéia, discípulo oculto de JESUS, homem rico e membro do sanedrim e que não havia consentido na condenação de JESUS, Lc 23: 51, quando soube da sua morte pediu o corpo e sepultou-o num sepulcro aberto em rocha, onde ainda ninguém tinha sido posto. É claro que os discípulos estavam inteiramente desconcertados e profundamente abatidos pela inesperada prisão e morte de seu Senhor. Apesar de haverem sido previamente avisados da morte e conseqüente ressurreição de JESUS, ao terceiro dia, as esperanças se haviam enfraquecido sensivelmente; pois, tendo JESUS ordenado que o esperassem na Galiléia, eles permaneciam em Jerusalém. Não é de estranhar que assim procedessem, levando em conta os efeitos produzidos em seu espírito pela tristeza e pelo desapontamento. JESUS apareceu-lhes em Jerusalém e suas vizinhanças. Os evangelistas não visam dar notícias completas dos acontecimentos, nem pretendem por em ordem as evidências em favor da ressurreição. As provas deste fato existem no testemunho repetidas vezes, 1Co 15: 3-8. Encontra-se nos evangelhos grandes números de incidentes, cuja importância consiste, ou no seu valor intrínseco, ou no merecimento da instrução espiritual que eles fornecem aos crentes. A ordem dos fatos referentes à ressurreição de JESUS, é mais ou menos a seguinte: No primeiro dia da semana, logo ao amanhecer, umas piedosas mulheres de Galiléia foram ao sepulcro para o sepultamento definitivo. A primeira visita foi de Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé, Mc 16: 1. O outro grupo de visitantes compunha-se destas mesmas mulheres, mais Joana e outras mulheres que estavam com ela, Lc 24: 10. As primeiras mulheres viram que a pedra estava revolvida do sepulcro, que o corpo havia desaparecido e foram dar notícias a Pedro e a João, Jo 20: 1, 2. As suas companheiras entraram no sepulcro por boca do anjo que JESUS havia ressuscitado, de que deram notícias aos discípulos, Mt 18: 1-7; Mc 16: 1-7. Quando se retiravam apressadas, supõe-se que encontraram outras mulheres em demanda do sepulcro e que todas elas voltaram a ele, recebendo de dois anjos a confirmação do milagre, Lc 24: 1-8. As mulheres, voltando do sepulcro, contaram todas estas cousas aos onze e a todos os demais. No caminho, JESUS saiu-lhes ao encontro, Mt 28: 9, 10. Maria Madalena havia contado a Pedro e a João que o sepulcro estava vazio; estes, saindo, foram ao sepulcro, e verificaram a verdade, Jo 20: 3-10. Maria acompanhou-os até lá. Voltando eles para casa, ficou só, e a ela só, JESUS apareceu, 11-18. Todas elas, voltando a ter com os discípulos, contaram-lhes tudo o que tinham visto. Não era unicamente no testemunho das mulheres que repousavam a fé na ressurreição de CRISTO. Naquele mesmo dia apareceu a Pedro, Lc 24: 34; 1 Co 15: 5, logo em seguida a dois discípulos que iam para Emaús, Lc 24: 13-35, e na tarde do mesmo dia a todos os discípulos, exceto Tomé, 36: 43; Jo 20: 19-23. Nesta ocasião comeu diante deles, provando a realidade física de sua ressurreição. Tomé, contudo, não deu crédito. Os discípulos continuavam em Jerusalém. No domingo seguinte, JESUS apareceu outra vez a todos e provou ao discípulo a realidade da sua pessoa, Jo 20: 24-29. Parece que os apóstolos foram para Galiléia. O evangelista João conta que JESUS apareceu a sete discípulos que pescavam no Mar de Galiléia, cap. 21. Sobre um monte da Galiléia, onde JESUS lhe havia ordenado que se achassem, ele apareceu-lhes e deu-lhes a grande comissão de "ensinar todas as gentes" com o auxílio de sua presença constante" Mt 28: 16-20. Pode ser que esta fosse a ocasião em que se achavam reunidos mais de quinhentos irmãos, 1 Co 15: 6. Logo em seguida, apareceu também a Tiago, 7, mas não sabemos em que lugar. Finalmente, vieram outra vez a Jerusalém e JESUS os levou até Betânia, e levantando as mãos os abençoou, Lc 24: 50, 51. E aconteceu que, enquanto os abençoava, se ausentou deles e o recebeu uma nuvem que o ocultou a seus olhos, At 1: 9-12. Temos pois, recordado em o Novo Testamento o aparecimento de JESUS em dez ocasiões diferentes depois de haver ressuscitado, além daquela vez em que se encontrou com Saulo de Tarso no caminho de Damasco, 1 Co 15: 8. É possível que se tenham dado outras aparições que não foram registradas. Diz Lucas, At 1: 3, "que ele se mostrou a si mesmo vivo, com muita provas, depois da sua paixão, aparecendo-lhes por quarenta dias." Não estava sempre com eles como fazia antes: aparecia-lhes ocasionalmente, Jo 21: 1. Os quarenta dias decorridos entre a sua ressurreição e a ascensão, formaram um período de transição, em que os discípulos se preparavam para a sua obra futura. Era preciso que eles tivessem provas amplas, repetidas e variadas acerca da ressurreição, como já temos visto; era preciso que eles estivessem plenamente convencidos de que a morte de CRISTO se impunha, e que tivessem conhecimento dos caracteres do reino que ia ser estabelecido por meio deles. No cumprimento das Escrituras, que falavam da morte e ressurreição de CRISTO, teriam eles a prova de que a nova dispensação era o prolongamento da antiga. O conhecimento destas cousas não o podiam obter senão depois da morte de JESUS, e durante estes quarenta dias, Lc 24: 44-48; Jo 20: 21-23; 21: 15-22; At 1: 3-8. Finalmente as experiências recebidas neste período, prepararam os discípulos a pensar em seu Mestre como ausente, mas vivo; como invisível, mas sempre junto dele; como ressuscitado para nova vida e retendo a antiga natureza e o antigo corpo, agora glorificado, que tanto amavam; como exaltado, mas ainda o mesmo. Deste modo, poderiam eles ir mundo afora proclamar a JESUS como o Filho de DEUS glorificado, cingindo a coroa dos reis de Israel, e ao mesmo tempo, sendo o homem de Nazaré e o cordeiro de DEUS que tira o pecado do mundo. Entretanto, corria ente os Judeus que os discípulos haviam furtado o corpo. E foi para evitar isto que pediram guardas a Pilatos para junto do sepulcro. Quando se deu a ressurreição, confirmada por um anjo que havia descido e tirado a pedra do sepulcro, os soldados foram dominados por grande susto, fugindo. Pagãos e supersticiosos como eram, sem dúvida não se impressionaram menos pelo que tinham visto, do que as pessoas ignorantes, quando pensam ver pensam ver almas do outro mundo. Os príncipes dos sacerdotes, julgando, provavelmente, que se tratava de alguma manobra dos discípulos, deram aos soldados grande soma para dizerem que os discípulos haviam furtado o corpo enquanto eles dormiam, Mt 28: 11-15. No dia de pentecostes começaram a dar testemunho da ressurreição de JESUS, e o número dos crentes aumentou rapidamente, At 2. Não aduzindo provas em contrário, os sacerdotes lançaram mão da violência para os fazer calar, At 4. Não foi nosso intuito, neste artigo, expor os ensinos de JESUS, e, sim, dar um esboço histórico da sua vida. Vê-se, pelo que se colhe dos evangelhos, que ele fez a revelação gradual de sua pessoa e da sua obra, o que constitui uma das evidências mais fortes das verdades em que se baseia o nosso conhecimento. A sua natureza humana faz com que ele apareça na história como sendo verdadeiramente homem, vivendo sob a influência do meio, com objetivo seguro. Era personagem genuinamente humana e, portanto, servindo de assunto para estudo histórico. Ao mesmo tempo declarou ser mais do que simples homem, Mt 11: 27; Jo 5: 17-38; 10: 30; 17: 5. etc. À medida que ia se revelando, os discípulos iam conhecendo melhor o seu caráter divino, Mt 16: 16; Jo 20: 28. As experiências finais, corroboradas pelo testemunho do ESPÍRITO SANTO, fixaram, de uma vez para sempre a crença na divindade de JESUS. O último dos apóstolos sobrevivente, que escreveu o quarto evangelho, ocupou-se especialmente em descrever a carreira de JESUS neste mundo, tratando de por em evidência a sua natureza divina, o Verbo que se fez carne, sem contudo esconder a sua natureza humana. A respeito de sua pessoa, diz ele: "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com DEUS, e o Verbo era DEUS" Jo 1: 1. E o verbo se fez carne e habitou entre nós, e nós vimos a sua glória, glória como a do Filho Unigênito de DEUS, cheio de graça e de verdade" 14. "Estas cousas foram escritas" conclui ele, "para que vós creias que JESUS é o CRISTO, Filho de DEUS, e de que, crendo-o assim, tenhais a vida em seu nome" 20-31. G. T. P.
Nota
(*) Às palavras do cap. 13: 1 do evangelho segundo João significam que tudo que se acha no cap. 13, se deu antes da festa da páscoa, é antes uma nota introdutória, descrevendo o espírito meigo com que JESUS ia celebrar aquela fatal solenidade. As palavras do v. 29, "compra as cousas que havemos mister para o dia da festa" podem referir-se às cousas necessárias para o dia seguinte, dia em que o povo fazia as suas ofertas. Às palavra do cap. 18: 28, comerem a páscoa, podem simplesmente significar para esperarem a páscoa. Também as palavras do cap. 19: 31, a preparação, não querem referir-se à preparação de páscoa, mas à preparação para o sábado.
 
AJUDA BIBLIOGRÁFICA
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A TENTAÇÃO E A QUEDA - Comentário Neves de Mesquita
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TERMOS BÍBLICOS PARA SALVAÇÃO - BEP - SALVAÇÃO
Teologia Sistemática - Conhecendo as Doutrinas da Bíblia - A Salvação - Myer Pearman - Editora Vida
CRISTOLOGIA - A doutrina de JESUS CRISTO - Esequias Soares - CPAD
Conhecendo as Doutrinas da Bíblia - Myer Pearman - Editora Vida
Dicionário Bíblico Wycliffe - CPAD
 
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