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Lição 4, JESUS é Superior a Josué - O meio de entrar no Repouso de DEUS
1º Trimestre de 2018 - Título: A Supremacia de CRISTO - Fé, Esperança e Ânimo na Carta aos Hebreus
Comentarista: Pr. José Gonçalves, pastor presidente das Assembleias de DEUS em Água Branca, PI.
Complementos, Ilustrações e Vídeos: Pr. Luiz Henrique de Almeida Silva - 99-99152-0454.
Ajuda http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/hebreus.htm
https://www.slideshare.net/henriqueebdnatv/slides-da-lio-4-jesus-superior-a-josu-o-meio-de-entrar-no-repouso-de-deus-pr-henrique-ebd-na-tv SLIDES
 
 
TEXTO ÁUREO
"Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência." (Hb 4.11)
 
 
VERDADE PRÁTICA
O descanso provido por Josué foi terreno, temporário e incompleto; o descanso provido por CRISTO é celestial, eterno e completo.
 
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Hb 4.2 A mensagem de DEUS deve ser recebida pela fé
Terça - Hb 4.6 A mensagem de DEUS deve ser acompanhada pela obediência
Quarta - Hb 4.7 A mensagem de DEUS dever ser acolhida com contrição
Quinta - Hb 4.8,9 A mensagem de DEUS promove um descanso real e total
Sexta - Hb 4.11 A mensagem de DEUS promove um descanso eterno
Sábado - Hb 4.12 A Palavra de DEUS é viva e eficaz
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Hebreus 4.1-13
1 - Temamos, pois, que, porventura, deixada a promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fique para trás. 2 - Porque também a nós foram pregadas as boas-novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes ?aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram. 3 - Porque nós, os que temos crido, entramos no repouso, tal como disse: Assim, jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso; embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo. 4 - Porque, em certo lugar, disse assim do dia sétimo: E repousou DEUS de todas as suas obras no sétimo dia. 5 - E outra vez neste lugar: Não entrarão no meu repouso. 6 - Visto, pois, que resta que alguns entrem nele e que aqueles a quem primeiro foram pregadas as boas-novas não entraram por causa da desobediência, 7 - determina, outra vez, um certo dia, Hoje, dizendo por Davi, muito tempo depois, como está dito: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração. 8 - Porque, se Josué lhes houvesse dado repouso, não falaria, depois disso, de outro dia. 9 - Portanto, resta ainda um repouso para o povo de DEUS. 10 - Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como DEUS das suas. 11 - Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência. 12 - Porque a palavra de DEUS é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. 13 - E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar.

OBJETIVO GERAL
Demonstrar que JESUS é superior a Josué na mensagem e no provimento de repouso para o povo de DEUS.
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Mostrar que a mensagem de JESUS é superior a de Josué;
Mencionar a provisão de um descanso superior ao de Josué;
Apontar a superioridade da orientação de JESUS em relação à de Josué.
 
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
O texto de Hebreus 4 mostra o que a história de Josué representa para a Igreja de CRISTO. Enquanto o ministério do sucessor de Moisés foi de caráter terreno, temporário e incompleto - primeiro porque Israel não conquistou toda a terra; depois, as guerras continuaram ?, JESUS CRISTO proveu um descanso celestial, eterno e completo. Na lição desta semana, é preciso fazer o contraste entre os ministérios de JESUS e Josué, conforme abaixo:
JOSUÉ - Terreno - Temporário - Incompleto
JESUS - Celestial - Eterno - Completo
Devido à popularização da teologia da prosperidade, bem como o aumento da "politização ideológica" dos movimentos evangélicos, é comum alguns cristãos virarem as costas para a dimensão celestial e eterna do ministério de JESUS, alegando que se dermos ênfase ao "céu" formaremos cristãos "escapistas". O problema é que eles se esqueceram de combinar isso com o autor de Hebreus. A natureza celestial, eterna e esperançosa do ministério de CRISTO é cristalina nas Escrituras! Por isso, embora a obra de CRISTO tenha consequências presentes como uma antecipação das bênçãos futuras, claro que podemos vivê-las hoje, aqui e agora, não tenha receio de enfatizar a natureza do porvir da obra de CRISTO, pois Ele nos prometeu a vivência da comunhão no Reino Celestial (Mt 26.28,29).
 
PONTO CENTRAL
Enquanto Josué proporcionou um descanso terreno, temporário e incompleto para Israel, JESUS CRISTO proveu um descanso celestial, eterno e completo para a Igreja.
 
Resumo da Lição 4, JESUS é Superior a Josué - O meio de entrar no Repouso de DEUS
I - JESUS PROVEU UMA MENSAGEM SUPERIOR A DE JOSUÉ
1. Uma mensagem que deve ser recebida pela fé.
2. Uma mensagem que se fundamenta na obediência.
3. Uma mensagem que conduz à contrição.
II - JESUS PROVEU UM DESCANSO SUPERIOR AO DE JOSUÉ
1. Um descanso total.
2. Um descanso real.
3. Um descanso eterno.
III - JESUS PROVEU UMA ORIENTAÇÃO SUPERIOR A DE JOSUÉ
1. Uma palavra viva.
2. Uma palavra eficaz.
3. Uma palavra penetrante.
 
SÍNTESE DO TÓPICO I - A mensagem de JESUS deve ser percebida pela fé, praticada com obediência e recebida em contrição pessoal.
SÍNTESE DO TÓPICO II - O descanso que JESUS proveu para o seu povo é completo, real e eterno.
SÍNTESE DO TÓPICO III - A orientação de JESUS foi manifesta por meio de uma Palavra viva, eficaz e penetrante.
 
CONSULTE - Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 73, p38
SUGESTÃO DE LEITURA - Dicionário Bíblico Wycliffe, Dicionário Vine, Gálatas, Filipenses, 1 e 2 Tessalonicenses, Hebreus
 
RESUMO RÁPIDO DO Pr. HENRIQUE da Lição 4, JESUS é Superior a Josué - O meio de entrar no Repouso de DEUS
 
INTRODUÇÃO
Depois de mostrar a superioridade de JESUS CRISTO sobre os profetas, sobre os Anjos e sobre Moisés, agora o autor aos Hebreus demonstra Sua superioridade sobre Josué. o general de guerra dos Hebreus e substituto de Moisés na Jornada rumo à Terra Prometida.
 
Êx 17:9 Moisés disse a Josué:------------------------------------------- 
Este é o primeiro lugar em que Josué, filho de Num é mencionado: a parte ilustre que ele tomou em assuntos judaicos, até a liquidação de seus compatriotas na terra prometida, é bem conhecida. Ele era capitão-geral dos hebreus sob Moisés, e sobre a morte deste grande homem, ele tornou-se seu sucessor no governo. Josué foi chamado pela primeira vez de OséiasNúmeros 13:16, e depois chamado de Josué por Moisés. Tanto na Septuaginta e Testamento grego ele é chamado de Jesus: o nome significa Salvador, e ele tem permissão para ter sido um tipo muito expressivo de nosso bendito Senhor. Ele lutou e conquistou os inimigos do seu povo, levou-os para a terra prometida, e dividiu a eles por sorteio. O paralelo entre ele e o Salvador do mundo é demasiado evidente para exigir apontando (Comentário do Velho Testamento de Adam Clarke).
Josué 1:1 E SUCEDEU depois da morte de Moisés, servo do SENHOR, que o SENHOR falou a Josué, filho de Num, servo de Moisés, dizendo: 2 Moisés, meu servo, é morto: levanta-te pois agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel.
 
A familiaridade entre Moisés e Josué. Enquanto Moisés estava na nuvem, como na câmara da presença, Josué permaneceu tão próximo quanto podia, na antecâmara (de certa forma), esperando até que Moisés saísse, para poder estar pronto para servi-lo. E embora estivesse sozinho por quarenta dias (alimentado, provavelmente, por maná), não se cansou de esperar, como o povo, mas quando Moisés desceu, Josué desceu com ele, e não antes disto (Êx 32). Com. Bíblico - Matthew Henry (Exaustivo) AT e NT.
 
Y ̂ehowshuwa Ì ou יהושׂע Y ̂ehowshu Ìa
Josué = “Javé é salvação” n pr m - filho de Num, da tribo de Efraim, e sucessor de Moisés como o líder dos filhos de Israel; liderou a conquista de Canaã.
 
Esse relato, onde está escrito que DEUS mandou Moisés escrever o acontecido (como a peleja foi vencida) e relatar a Josué, é uma prova que nesta peleja ele já não se chamava Oséias. Esta peleja ocorreu bem antes de Moisés enviar os espias para a terra de Canaã. Eles ainda não haviam nem mesmo chegado ao Monte Sinai. Leia Êxodo 16:1; 17:1 e 19:1 e compare com Números 10:11-13 e 11:1-3. Dos três versos, nos quais aparece o nome Oséias {Êxodo 13:8 e 16 (עשוה).}, dois é no capítulo onde são escolhidos os espias e enviados e o último é em Deut. 32:44: (עשוה). Neste, Josué ainda é chamado Oséias filho de Num. E curiosamente, a primeira vez em que Oséias filho de Num é chamado de Josué, é na peleja contra Amaleque. O que podemos entender, é que ele foi chamado de Josué, em Êxodo 17:8-16, justamente para que ele não pensasse em si mesmo ou de si mesmo como o vencedor da peleja em função do seu nome. Oséias - Salvação. Por isso, Moisés teria que escrever e relatar a ele Josué, quem foi realmente o verdadeiro vencedor da peleja, ou seja DEUS. Assim Josué sempre dependeria de DEUS para vencer as batalhas que viriam. (E Moisés edificou um altar e lhe chamou: O SENHOR É Minha Bandeira).
 
 Jehoshua (Josué) é uma contração do nome Oséias - O que ocorreu é que Moisés pegou o nome Salvação (já consumada) para DEUS vai salvar (livrar). Na guerra contra Amaleque Oséias era o general e seu nome era Salvação, então Moisés demonstrando sua fé em DEUS e na vitória que DEUS lhes daria chamou Salvação (Oséias) de DEUS VAI SALVAR (Josué). Parece que o nome prevaleceu, pois, para demonstrar fé em DEUS e nas vitória que DEUS lhes daria no futuro, continuaram a chamar Oséias de Josué, pois era ele que seguia a frente do exército e os comendava na guerra.
 
O descanso no AT é descanso material, é físico - um dia literal de descanso ou entrar e possuir uma terra. Nosso cansaço, na verdade está na alma sobrecarregada de pecados. Só JESUS pode nos aliviar de tal carga. Em JESUS está nosso descanso final.
Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. Mateus 11:28-30.
 
REPOUSO em nossa lição tem significado, para os Israelitas, de descanso na Terra prometida, Descanso de guerras, de fuga, de divisões.
Para nós REPOUSO tem significado de salvação em que se experimenta já um pouco do celestial, enquanto aqui na Terra, esperando a perfeição no céu. Significa salvação, descanso, paz, alegria e concórdia. No futuro, eternidade com DEUS.
 
Josué
JESUS
A conquista de Canaã Terrestre
A conquista de Canaã Celeste
Terra Prometida  (Êx 3.8; Js 1.2,3).
Salvação Prometida (Is 46:13; 62:1; Mt 1:21; 18:1)
Entraram na Terra (Js 3:15-17).
Todo que crê e Confessa é salvo (Mt 10:32; Rm 10.9).
Muitos morreram pelo Caminho por falta de fé, desânimo e desobediência. (Hb 4:1, 6).
Muitos perdem a salvação por falta de fé, desânimo e desobediência. (Mt 24:13)
Salvação só ao Remanescente, no final da Grande Tribulação. (Zc 12:10; Rm 9:27; Ap 1:7).
Manter-se na Fé e Retornar ao Caminho, só por meio da Palavra de DEUS - JESUS. (Sl 119:105; 1Ts 2:13; 1Pe 1:23).
Só no Milênio, no governo de JESUS CRISTO terão toda Terra Prometida. (Is 11:10-13; 26:15; Am 9:11-15).
A Vida eterna é concedida a todos que permanecerem fiéis.
(Hb 3:6; 2Tm 2:11;Ap 2:10).
 
A Promessa de descanso, de repouso na Terra Prometida para os judeus só se realizará no Milênio, quando JESUS governará sobre todos e os Israelitas e toda Terra Prometida lhes será dada. Essa é a promessa material. Porém existe uma promessa superior, a espiritual, que só se realizará para os judeus convertidos a CRISTO, após o milênio, quando todos serão introduzidos na Nova Terra e estarão para sempre com o Senhor JESUS.
 
Os Hebreus tinham realmente de ocupar o território para recebê-lo de Deus, derrotando os inimigos que ali moravam; exatamente como os cristãos devem reclamar e apropriar-se de suas bênçãos espirituais em Cristo (Ef. 1:3). Não há vitória sem luta. A vida cristã é uma vida de lutas contra nós mesmos, o pecado e satanás e seus demônios.
Esforça-te, e tem bom ânimo; porque tu farás a este povo herdar a terra que jurei a seus pais lhes daria. Josué 1:6
Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, Hebreus 12:1
Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Efésios 6:12
 
Porque a palavra de DEUS é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.
A Palavra pregada é viva e produz o resultado esperado por DEUS - O ESPÍRITO SANTO sabe tudo sobre nós e ELE mesmo é CRISTO em Nós.
...espada do ESPÍRITO, que é a palavra de DEUS; Efésios 6:17b
Para que CRISTO habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, Efésios 3:17 
Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que JESUS CRISTO está em vós? Se não é que já estais reprovados.2 Coríntios 13:5
 
I - JESUS PROVEU UMA MENSAGEM SUPERIOR A DE JOSUÉ
1. Uma mensagem que deve ser recebida pela fé.
Os Hebreus receberam um evangelho, ou seja, notícias de boas novas: Seriam libertos da escravidão e seriam conduzidos a uma terra que manava Leite e Mel. Uma Terra de descanso e paz, Seriam conduzidos ao repouso (Hb 4.2).
O autor aos Hebreus diz que os crentes judeus também haviam recebido um evangelho que dizia que seriam salvos e herdariam a vida eterna (descanso, repouso eterno).
Os Hebreus ouviram as boas novas, mas os corações de muitos estava endurecido pela falta de fé. Estes não entraram na terra Prometida.
O autor aos Hebreus adverte aos judeus cristãos que também eles estavam repetindo a falta de fé dos hebreus e não estavam crendo nas promessas de JESUS, por isso muitos deles não chegariam ao céu de glória salvos se continuassem assim.
 
2. Uma mensagem que se fundamenta na obediência.
 “Visto, pois, que resta que alguns entrem nele e que aqueles a quem primeiro foram pregadas as boas novas não entraram por causa da desobediência” (Hb 4.6).
A falta de fé em DEUS gera a desobediência. Como crer em quem não existe? Como crer em promessas de alguém que não se vê? Profetas, Moisés e Josué eram personagens vitoriosos e reias na história Hebréia, mas JESUS morreu numa cruz, símbolo de maldição e derrota.
O autor aos Hebreus chama a atenção do judeus cristãos para que não caiam na mesma derrota de seus irmãos hebreus no passado. Por falta de fé, não obedeceram e foram mortos pelo deserto e não entraram na Terra Prometida, no descanso prometido.
 
3. Uma mensagem que conduz à contrição.
“Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração” (Hb 4.7b).
Tem ai o "SE" ouvirdes e tem ai o "NÃO ENDUREÇAIS" - Era preciso duas coisas para que fossem salvos: OUVIR e ABRIR O CORAÇÂO.
os cristãos judeus estavam sendo advertidos para que fizessem as duas coisas: ouvirem a Palavra de DEUS e para abrirem seus corações para que esta Palavra penetrasse neles e os salvasse.
Quando o homem endurece seu coração para com DEUS e sua Palavra existe o perigo de que DEUS faça como fez com Faraó:
Porém o coração de Faraó se endureceu, e não os ouviu, como o Senhor tinha falado. Êxodo 7:13                                                                                                                                                    O Senhor, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não deixou ir os filhos de Israel. Êxodo 10:20
O Senhor, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não os quis deixar ir. Êxodo 10:27
 
II - JESUS PROVEU UM DESCANSO SUPERIOR AO DE JOSUÉ
1. Um descanso total.
Josué 11:23 Assim Josué tomou toda esta terra, conforme a tudo o que o Senhor tinha dito a Moisés; e Josué a deu em herança aos filhos de Israel, conforme as suas divisões, segundo as suas tribos; e a terra descansou da guerra.
Veja que o descanso aqui é temporário e a vitória sobre os inimigos é parcial. Se este fosse o descanso final e total para o povo de DEUS seria um descanso material e ilusório. Josué tinha fama e seu exército era temido, mas acabaram por confiar em seu próprio braço e foram enganados pelos Gibeonitas, com quem fizeram acordo; foram alguns massacrados pelos habitantes de Ai por falta de consulta a DEUS e por confiarem em si próprios.
Julgavam-se vencedores por terem adentrado à Terra e se estabelecido, mas fizeram acordos com os inimigos e sofreram várias derrotas e também nunca dominaram totalmente a Terra .
 
Josué 13:1 Era, porém, Josué já velho, entrado em dias; e disse-lhe o SENHOR: Já estás velho, entrado em dias; e ainda muitíssima terra ficou para possuir.
A realidade era esta - Nunca conseguiram conquistar a Terra toda que estava prometida e a eles. Nunca alcançaram o descanso, viveram todos os seus dias em guerras e sem alcançar a vitória total.
 
O autor aos Hebreus mostra aos hebreus cristãos que JESUS é superior a Josué, pois venceu o pecado, a morte e Satanás e seus demônios e reina para sempre.
Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono. Apocalipse 3:21
Vencemos pela fé - Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. 1 João 5:4
 
2. Um descanso real.
Determina outra vez um certo dia, Hoje, dizendo por Davi, muito tempo depois, como está dito: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações. Porque, se Josué lhes houvesse dado repouso, não falaria depois disso de outro dia. Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus. Hebreus 4:7-9
 
Veja que se o repouso final e total, prometido por DEUS, fosse o de Josué, o de entrar na Terra Prometida, então o rei Davi, muito tempo depois da existência de Josué, não diria que ainda restava um repouso para o povo de DEUS. Se já tivesse sido dado o repouso então não haveria necessidade de outro repouso ainda.
 
A conquista da Terra Prometida por Josué era apenas uma sombra da qual Jesus é a realidade.
Na linguagem dos tipos, ou, linguagem tipológica, o tipo é apenas uma sombra ou figura do verdadeiro que é o antitipo.
Por exemplo: Moisés (Tipo de CRISTO) construiu um Tabernáculo, figura ou sombra (Tipo) do que existe no céu, na presença de DEUS. JESUS (Titipo) entrou no céu, no verdadeiro tabernáculo  (Titipo) e também estabeleceu em nós um tabernáculo para DEUS na Terra, nós mesmos (Titipo).
 
A conquista de Canaã era apenas um tipo da qual a Canaã celestial é o antítipo.
A conquista do verdadeiro descanso para o povo de Deus foi dada por Jesus, não por Josué:
28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. 30 Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.  (Mateus 11.28-30).
JESUS é o nosso descanso, nosso repouso, nossa salvação.
 
3. Um descanso eterno.
O autor de Hebreus mostra aos hebreus cristãos que o descanso provido por Josué não foi apenas incompleto e tipológico, ele foi também temporário:
“Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus” (Hb 4.9). O verdadeiro e eterno repouso só se dará quando JESUS vier nos buscar, no arrebatamento. Depois estaremos com Ele em sua vinda gloriosa e em seu governo milenial. Após tudo isso estaremos com ELE eternamente na Nova Terra e Novos Céus, morando na Nova Jerusalém, ai sim, nosso repouso eterno.
“Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência” (Hb 4.11).
Estamos vivendo atualmente no repouso (reino de DEUS), pois experimentamos de algumas coisas de seu eterno reino, mas ainda não temos a plenitude de nosso descanso. Só entraremos nesse repouso eterno que se inicia no arrebatamento, se permanecermos fiéis a DEUS, com fé e perseverança.
 
III - JESUS PROVEU UMA ORIENTAÇÃO SUPERIOR A DE JOSUÉ
1. Uma palavra viva.
 Jesus afirmou que suas palavras “são espírito e vida” (Jo 6.63). Como devemos nos portar diante da Palavra Viva de Deus?
O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica. 2 Coríntios 3:6
A palavra de DEUS, falada pelo próprio JESUS saia de sua boca ungida pelo ESPÍRITO SANTO que sonda os corações e penetra lá dentro do ser humano e sabe suas intenções e desejos e vontades. Esta Palavra é muito superior à lei que veio para revelar o pecado e a necessidade de um salvador.
 
2. Uma palavra eficaz.
A Palavra de Deus é viva e eficaz. Produz resultados de acordo com a vontade de DEUS.
“sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre” (1Pe 1.23).
“assim será a palavra que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia; antes fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei” (Is 55.11).
 
E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. João 16:8
De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. Romanos 10:17
Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; Efésios 1:13
Quando ouvimos a Palavra de DEUS, acreditamos na pregação, nos arrependemos de nossos pecados, pois o ESPÍRITO SANTO nos convence deles. Assim somos salvos, recebemos o selo do ESPÍRITO SANTO.
Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação. 1 Coríntios 1:21
Somos salvos pela conquista de JESUS na cruz e por ouvir a Palavra de DEUS e crer nela. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Efésios 2:8
 
3. Uma palavra penetrante.
Somos sondados pela Palavra de DEUS (Logos de DEUS - JESUS), representada pelo ESPÍRITO SANTO que em nós habita. JESUS habita em nós pelo ESPÍRITO SANTO. A figura ai é de ua espada que penetra até nossas intenções e nossos pensamentos mais íntimos. O ser humano possui alma e espírito e mora em um corpo,é uma tricotomia. (E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. 1 Tessalonicenses 5:23).
Mas, como fomos aprovados de Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não como para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações. 1 Tessalonicenses 2:4
E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos. Romanos 8:27
Todo caminho do homem é reto aos seus olhos, mas o Senhor sonda os corações. Provérbios 21:2
Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada. João 14:23
Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. Romanos 8:9
 
CONCLUSÃO
JESUS PROVEU UMA MENSAGEM SUPERIOR A DE JOSUÉ
A mensagem do descanso eterno (salvação) deve ser recebida pela fé. É uma mensagem que se fundamenta na obediência a DEUS. É uma mensagem que conduz à contrição, ao arrependimento e entrega total a DEUS.
II - JESUS PROVEU UM DESCANSO SUPERIOR AO DE JOSUÉ
Nosso descanso é total, nada por ainda ser realizado. JESUS já fez tudo o que era preciso fazer. É um descanso real, não fictício ou apenas físico. É um descanso eterno e não temporal.
III - JESUS PROVEU UMA ORIENTAÇÃO SUPERIOR A DE JOSUÉ
Uma palavra viva nos foi dirigida pelo próprio Senhor, nos evangelhos. É uma palavra eficaz que produz o que DEUS quer produzir, a salvação. É uma palavra penetrante que vai até nosso coração, ou seja, nossos intimo.
JESUS, EM TUDO É SUPERIOR A JOSUÉ - TEMAMOS POIS E OBEDEÇAMOS EM TUDO A ELE PARA QUE ENTREMOS NO PLENO REPOUSO DA VIDA ETERNA.
 
Comentários diversos de Bíblias e livros e revistas
 
LIÇÃO 4 - REPOUSO PARA O POVO DE DEUS - LIÇÕES - 3º trimestre 2001 - www.cpad.com.br 
Comentários Pr. Elinaldo Renovato de Lima, Natal - RN
Complementos, Ilustrações e Vídeos: Pr. Luiz Henrique de Almeida Silva - 99-99152-0454.
 
Mt 11.29 = Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas.
A alma é que precisa de repouso. O verdadeiro cansaço está na alma e não no corpo que basta uma noite de sono e já descansou.
 
TEXTO ÁUREO:
“Portanto, resta ainda um repouso para o povo de DEUS” (Hb 4.9).
 
VERDADE PRÁTICA:
Nosso Sumo Sacerdote, JESUS, preparou-nos um repouso sublime, no qual só teremos acesso se ouvirmos a sua voz, não endurecendo o coração.
 
LEITURA DIÁRIA:
Segunda Js 23.1 DEUS deu repouso a Israel
Terça Is 32.17 Repouso, fruto da justiça
Quarta Rm 8.34 JESUS, nosso intercessor
Quinta Mt 11.29 JESUS dá descanso à alma
Sexta Êx 33.14 A presença de DEUS dá descanso
Sábado Ap 14.13 Os salvos descansarão
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE:
HEBREUS 4.1-16 
1 Temamos, pois, que, porventura, deixada a promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fique para trás. 2 Porque também a nós foram pregadas as boas-novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram. 3 Porque nós, os que temos crido, 4 Porque, em certo lugar, disse assim do dia sétimo: E repousou DEUS de todas as suas obras no sétimo dia. 5 E outra vez neste lugar: Não entrarão no meu repouso. 6 Visto, pois, que resta que alguns entrem nele e que aqueles a quem primeiro foram pregadas as boas-novas não entraram por  causa da desobediência, 7 determina, outra vez, um certo dia, Hoje, dizendo por Davi, muito tempo depois, como está dito: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração. 8 Porque, se Josué lhes houvesse dado repouso, não falaria, depois disso, de outro dia. 9 Portanto, resta ainda um repouso para o povo de DEUS. 10 Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como DEUS das suas. 11 Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência. 12 Porque a palavra de DEUS é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. 13 E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem  temos de tratar. CRISTO é superior aos sumos sacerdotes do antigo pacto  14 Visto que temos um grande sumo sacerdote, JESUS, Filho de DEUS, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa  confissão. 15 Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. 16 Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de  sermos ajudados em tempo oportuno.
 
PONTO DE CONTATO:
Você crê, realmente, que DEUS fará o que prometeu na sua vida? A Palavra de DEUS é digna de confiança? DEUS fez uma promessa ao povo de Israel: Ele se responsabilizaria pela sua segurança ao entrar em Canaã. Israel  respondeu com incredulidade: o povo duvidara da veracidade divina. No texto em estudo, o sacro escritor adverte aos crentes hebreus acerca do perigo da incredulidade e relembra-os que, dentre os que saíram do Egito, somente dois (Josué e Calebe) entraram no descanso prometido, na terra de Canaã. Mesmo tendo presenciado milagres portentosos, operados por DEUS, o povo duvidou da capacidade do Altíssimo para expulsar os poderosos habitantes daquela terra. Há também um descanso para os cristãos no campo espiritual, mas para tomar posse desse repouso é necessário ter fé, obediência e perseverança em DEUS.
 
OBJETIVOS: Após esta aula seu aluno deverá estar apto a:
Reconhecer que a pregação sem a fé não atinge os objetivos propostos por DEUS.
Definir as principais características da Palavra de DEUS.
 
INTRODUÇÃO
Em conseqüência da desobediência do povo de Israel durante sua peregrinação, os que pecaram, rebelando-se contra o Todo-Poderoso, morreram, e seus corpos caíram no deserto. De acordo com o juramento de DEUS, os desobedientes não entraram no seu repouso. Que isto jamais venha a acontecer conosco! Nesta lição, veremos em que consiste o repouso espiritual reservado aos crentes fiéis.
I. AS BOAS NOVAS FORAM PREGADAS 
1. Ouviram mas não obedeceram. Segundo cálculos razoáveis, os israelitas tirados do Egito pela poderosa mão de DEUS foram cerca de três milhões de pessoas. Somente os homens de guerra somavam 600.000 (Êx 12.37). Desses, só entraram em Canaã, dois: Josué e Calebe (Dt 1.36,37). Por causa da desobediência e da incredulidade, o juízo de DEUS prostrou-os no deserto, impedindo-os de chegar à Terra Prometida. Isso mostra que DEUS dá mais valor à qualidade do que à quantidade. No Dilúvio, só oito escaparam. Na destruição de Sodoma e Gomorra, somente três ficaram vivos.
2. A pregação sem proveito (v.2). Os israelitas ouviram as “boas novas”. A razão pela qual muitos não entraram no “repouso”, ou seja, em Canaã, é que “a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram” (v.2). Aí, vemos a importância da fé para a salvação. A Bíblia 
assevera que sem fé é impossível agradar a DEUS (Hb 11.6). Hoje, em todo o mundo, é grande a provocação ao Senhor. Os ímpios estão em rebelião aberta e declarada contra DEUS. Infelizmente, também há crentes que ouvem a Palavra nas igrejas, mas preferem continuar desobedecendo aos preceitos do Senhor.
II. O DESCANSO PARA O POVO DE DEUS 
1. A ilustração do descanso de DEUS. O escritor, no v.10, relembra o que está escrito em Gn 2.2, quando DEUS, no sétimo dia, descansou de suas obras: “Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como DEUS das suas”. Obviamente que aqui não se trata de descanso físico, pois por ser ESPÍRITO, 
DEUS não sofre desgaste. 
2. O descanso dos israeli-tas. O sofrimento dos israelitas no Egito após a morte de José foi cruel. Por mão de Moisés e pelo poder de DEUS, o povo foi libertado milagrosamente. Entretanto, por causa da incredulidade e rebeldia, grande parte deles não pôde entrar na Terra Prometida. Foram obrigados a passar 40 anos caminhando 
no deserto (Hb 3.19; 4.6,11; 1 Co 10.1-11). Somente por misericórdia, DEUS lhes destinou a terra de Canaã, onde enfim encontraram o descanso de seus sofrimentos. 
3. O descanso (repouso) do povo de DEUS (v.9). Aqui o descanso prometido não é físico, mas espiritual, celestial, mirífico, indizível e pleno para os salvos: “Ainda resta um descanso para o povo de DEUS”. Trata-se do bendito estado da alma e do espírito, em que os crentes, obedientes e santos, que ouvem a Palavra e a obedecem, terão direito à paz e a tranqüilidade perene, na comunhão com o Senhor. Lembremo-nos de que o descanso espiritual só se obtém através da nova vida em CRISTO (ver Mt 11.28,29). É preciso ouvir e obedecer a Palavra de DEUS. “Procuremos pois entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo 
exemplo de desobediência” (v.11). 
III. O PODER PENETRANTE DA PALAVRA DE DEUS 
1. Ela é viva. A Palavra de DEUS mostra quem vai entrar no repouso eterno. Ela não se constitui de meras argumentações humanas ou filosóficas, que atingem o intelecto, mas não penetram no coração, no mais íntimo do ser humano. A Palavra de DEUS é viva, poderosa e vivificante. JESUS afirmou: “as palavras que eu vos disse são espírito e vida” (Jo 6.63). Somente Ele tem palavras de vida eterna (Jo 6.68). 
2. Ela é eficaz. A palavra de DEUS sempre produz efeitos: “Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que 
me apraz e prosperará naquilo para que a enviei” (Is 55.11). Ninguém ouve a palavra de DEUS sem ser alcançado por seus resultados. Quem ouve e crê “tem a vida eterna” (Jo 5.24). Quem ouve e não crê “já está condenado” (Jo 3.18). 
3. Ela é penetrante. É comparada a uma espada cortante, que “penetra até à divisão da alma e do espírito e das juntas e medulas”. Sendo “espírito e vida”, a palavra de DEUS atinge a parte sensorial do homem. O espírito, a alma e o corpo são alcançados pelo poder penetrante da palavra divina. Por quê? Quando o homem ouve a Palavra e crê, no seu interior ocorrem modificações extraordinárias que beneficiam inclusive o 
funcionamento orgânico do seu corpo. 
4. Ela discerne pensamentos e intenções. Muitos filósofos, com seu intelectualismo frio e racionalista, têm confundido os homens afastando-os ainda mais do seu Criador. A Bíblia, no entanto, sendo a Palavra de DEUS, tem transformado a vida de inúmeras pessoas, elevando-as à condição de salvas e remidas pelo sangue de 
JESUS. No v.13 o escritor adverte que diante do poder penetrante da palavra de DEUS, “não há criatura alguma encoberta diante dele”, e todas as coisas estão “nuas e patentes aos seus olhos”, ou seja, não há nada velado diante do Todo-Poderoso.
IV. NOSSO GRANDE SUMO SACERDOTE (vv.14-16).
1. “JESUS, Filho de DEUS”. Ele é grande, no sentido absoluto. Os “sumo sacerdotes” de outras religiões jamais chegaram aos céus. Buda pregou que chegaria ao Nirvana (no budismo, estado de ausência total de sofrimento); Chrisna, mentor do Hinduísmo, também não foi aos céus; para seus adeptos, deve estar reen-carnando por aí. Os seguidores de Maomé imaginam que ele esteja num “paraíso”, onde há muitas 
mulheres e tâmaras. Os sumo sacerdotes do Antigo Testamento só adentravam uma vez por ano, no lugar Santíssimo, onde era manifestada a glória de DEUS. Eles não podiam permanecer lá. Mas JESUS, nosso Sumo Sacerdote por excelência, “penetrou nos céus”, “está à direita de DEUS, e também intercede por nós” (Rm 8.34b). 
2. Sacerdote compassivo. Em seu ministério terreno, JESUS sempre se preocupou com as multidões sofredoras (Mt 9.36; 14.14). Em sua missão sacerdotal, demonstra grande compaixão por nós: sendo “longânimo e grande em benignidade” (Sl 103.8), Ele suporta as nossas fraquezas, não querendo que ninguém se perca (2 Pe 3.9). 
Não perecemos unicamente em razão de sua infinita misericórdia. 
3. Em tudo foi tentado. Mesmo com a natureza divina, JESUS “em tudo foi tentado”, diz a Palavra de DEUS. Só conhece o que é tentação quem já passou por ela. As tentações de JESUS não partiam de seu íntimo, como ocorre com o “homem natural” (1 Co 2.14). Elas foram provações e provocações externas, advindas do 
tentador e seus agentes. Além das tentações no deserto, o Mestre certamente experimentou a opressão do Maligno em outras ocasiões. Para nós é muito significativo saber que JESUS, como homem, foi tentado em todas 
as coisas, “mas sem pecado”. A Bíblia nos assegura: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de DEUS” (2 Co 5.21). Diante disso, compreendemos o grande amor de JESUS por nós: Ele sofre conosco, colocando-se sempre ao nosso lado. 
4. Acheguemo-nos ao trono da graça (v.16). Tendo JESUS como nosso Sumo Sacerdote, podemos pela fé adentrar ao trono da graça, à sua santa presença a qualquer momento, e sermos “ajudados em tempo oportuno”. Glória a Ele para todo o sempre.
CONCLUSÃO
Três das grandes mensagens da lição estudada são: a) DEUS tem preparado um verdadeiro descanso espiritual em CRISTO para os que a Ele vêm; b) DEUS tem um prometido lugar de descanso celestial para seu povo, em sua presença, na eternidade. Para chegarmos lá, só precisamos ser fiéis, obedientes e santos e c) JESUS é o nosso 
Sumo Sacerdote perfeito, que, como homem, “em tudo foi tentado, mas sem pecado”. Que o Senhor nos ajude a servi-lo conforme a sua vontade; e que jamais venhamos a dar lugar à desobediência.
 
Subsídio Bibliológico
“Pareça que algum de vós fique para trás’ (4.1). Deixar de perseverar na fé e na obediência a JESUS resulta em deixar de alcançar o prometido repouso eterno no céu (cf. 11.16; 12.22-24). (1) A expressão “pareça que algum de vós” é falada à luz dessa possibilidade terrível e do juízo de DEUS. (2) A perseverança na fé exige que 
continuemos a nos aproximar de DEUS, por meio de CRISTO, com sincera resolução (v.16; 7.25). “‘Entramos no repouso (4.3). Somente nós, que temos crido na mensagem salvadora de CRISTO, entramos no repouso espiritual de DEUS. Isto é, CRISTO carrega nossos fardos e nossos pecados, e nos dá o “repouso” do seu perdão, da sua salvação e do ESPÍRITO SANTO (Mt 11.28) Mesmo assim, nesta vida, o nosso repouso é apenas parcial, porque somos como peregrinos que caminham com dificuldade na penosa estrada deste mundo. Ao morrermos no Senhor, entramos no seu repouso perfeito no céu.“‘Resta ... um repouso (4.9). O repouso prometido por DEUS não é somente o terrestre, mas também o celestial (vv. 7,8 cf. 13.14). Para os crentes, resta ainda o repouso eterno no céu (Jo 14.1-3; cf. Hb11.10,16). Entrar nesse repouso final significa cessar do labor, dos sofrimento e das perseguições, tão comuns em nossa vida nesta terra (cf. Ap 14.13); significa participar do repouso do próprio DEUS e experimentar eterna alegria. Deleite, amor e comunhão com DEUS e com os santos redimidos. Será um descanso sem fim (Ap 21,22). (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, págs. 1902,1905)
 
QUESTIONÁRIO:
1. Por que a pregação das “boas novas” aos israelitas, no deserto, foi sem proveito?
R. Porque não estava misturada com a fé.
2. Qual o caráter do descanso para o povo de DEUS?
R. Espiritual. 
3. Quais as quatro características da palavra de DEUS, conforme Hb 4.12?
R. Viva, eficaz, penetrante e apta para discernir pensamentos e intenções.
4. Com relação ao acesso ao lugar santíssimo, qual a diferença entre JESUS e os sacerdotes do AT?
R. O sumo sacerdote, no AT, só entrava no lugar santíssimo uma vez por ano. JESUS penetrou nos céus eternamente. 
5. Por que JESUS é o nosso Sumo Sacerdote perfeito?
R. Em tudo foi tentado, mas sem pecado. 
 
BEP - CPAD
4.9 RESTA... UM REPOUSO. O repouso prometido por DEUS não é somente o terrestre, mas também o celestial (vv. 7,8; cf. Hb 13.14). Para os crentes, resta ainda o repouso eterno no céu (Jo 14.1-3; cf. Hb 11.10,16). Entrar nesse repouso final significa o cessar do labor, dos sofrimentos e da perseguição, tão comuns em nossa vida nesta terra (cf. Ap 14.13); significa participar do repouso do próprio DEUS e experimentar eterna alegria, deleite, amor e comunhão com DEUS e com os santos redimidos. Será um descanso sem fim (Ap 21,22).
4.11 PROCUREMOS, POIS, ENTRAR. À luz da bênção gloriosa do estado eterno e da terrível sorte dos que não entrarão ali, o crente deve esforçar-se diligentemente para alcançar o lar celestial do povo de DEUS. Isso requer nosso esforço em direção ao alvo celestial (Fp 3.13,14), apego à Palavra (v. 12) e dedicação à oração (v. 16).
4.12 A PALAVRA DE DEUS A palavra de DEUS mostra quem vai entrar no repouso de DEUS. Ela é uma espada cortante que penetra no mais íntimo do nosso ser para discernir se nossos pensamentos e motivos são espirituais ou não (vv. 12,13). Tem dois gumes e corta, ou para nos salvar ou para nos condenar à morte eterna (cf. Jo 6.63; 12.48). Por isso, nossa atitude para com a palavra de DEUS deve ser achegar-nos a JESUS como nosso sumo sacerdote (vv. 14-16).
 
A CARTA AOS HEBREUS - Introdução e Comentário por DONALD GUTHRIE - SOCIEDADE RELIGIOSA EDIÇÕES VIDA NOVA E ASSOCIAÇÃO RELIGIOSA EDITORA MUNDO CRISTÃO
 
A SUPERIORIDADE DE JESUS A JOSUÉ (4.1-13)
Visto que Moisés estava impossibilitado de levar os israelitas para Canaã, o escritor reflete sobre a posição de Josué, que de fato os levou para lá. Demonstra, no entanto, que nem sequer Josué obteve para seu povo o descanso verdadeiro. Josué fracassou pela mesma razão que Moisés, ou seja: por causa da descrença do povo. Isto leva o escritor exortar seus leitores a procurarem aquele descanso superior, que, segundo passa a dar a entender, acha-se em CRISTO.
 
(i) O descanso maior que Josué não podia obter (4.1-10)
1. Tendo demonstrado o fracasso dos israelitas de possuir sua herança sob a liderança de Moisés, o escritor passa, então, ao seu sucessor, Josué.
Embora os homens no deserto tenham fracassado quanto a obter o “descanso,” a promessa dele permanecia para seus filhos. Até mesmo é feita a suposição de que a promessa é permanente e ainda disponível ao escritor e aos seus leitores, daí a exortação adicional. É importante notar que as primeiras palavras do texto grego, como de ARA, são: Temamos, portanto (Phobèthõmen oun). A posição do verbo dá-lhe ênfase especial. Seria salutar para os cristãos considerarem seriamente o fracasso dos israelitas, que incorreram no desagrado de DEUS, e temer que uma calamidade semelhante não sobrevenha aos membros da nova comunidade, o Israel espiritual. O escritor aceita sem questionar que nos é deixada a promessa de entrar no descanso de DEUS, presumivelmente porque sua doutrina de DEUS é tal que não pode conceber que qualquer palavra dEle possa falhar. Com isto em mente, um elemento de temor piedoso é de valor incalculável, porque aplica a nós a solene conseqüência de subestimar a provisão que DEUS faz para Seu povo.
O escritor toma por certo, para si mesmo e para seus leitores que algum tipo de descanso pode ser atingido. Nos versículos que se seguem, dá uma explicação que nos ajuda a saber a natureza do descanso que ainda está disponível. Há certa dúvida acerca do significado exato das palavras: suceda parecer que algum de vós tenha falhado, visto que a palavra (dokeò), além de significar “julgar” também pode ser traduzida parecer (ARA), e neste caso a advertência é até mesmo contra a aparência do fracasso. Além disto, pode significar “suceda que algum de vós pense,” e neste caso a ênfase recai sobre um modo errado de aquilatar a situação. É possível que alguns dos leitores estivessem pensando por demais literalmente que o “descanso” se referia a Canaã e, portanto, não tinha relevância para eles. Mas uma advertência do tipo que abunda nesta Epístola seria mais apropriada para o primeiro significado; “ser julgado,” com o agente do julgar deixado em aberto.
 
2. Ao atribuir aos seus leitores uma posição paralela aos israelitas, o escritor emprega um verbo que é altamente importante, incluindo sua própria pessoa na declaração, diz: Porque também a nós foram anunciadas as boas novas, como se deu com eles, que significa literalmente: “o evangelho foi pregado a eles tanto quanto a nós.”
Naturalmente, o conteúdo da mensagem era grandemente diferente, mas o fator em comum é que nos dois casos DEUS estava se comunicando com os homens. Quando a revelação de DEUS aos israelitas é destacada, a mensagem é expressa  pela palavra logos, já usada em 2.2 num sentido semelhante. É uma palavra neotestamentária favorita para a revelação de DEUS. Neste caso é qualificada pela frase que ouviram (tès akoès, literalmente “palavra do ouvir”). A expressão pode ser entendida no sentido da mensagem que foi simplesmente ouvida, mas diante da qual não foi dada resposta, e este modo de compreendê-la se adaptaria bem ao contexto. Seja qual for o significado adotado, fica claro que o que ouviram não recebeu resposta, pelo menos da parte dalguns. A razão dada: visto não ter sido acompanhada pela fé, naqueles que a ouviram.
 
3. Os crentes estão numa posição inteiramente difrente dos israelitas antigos aos quais se refere o Salmo 95.
 Mesmo assim, o escritor cita mais uma vez o julgamento enfático de DEUS que proibiu os israelitas de entrar em Canaâ, porque ao assim fazer coloca em enfoque mais nítido a posição superior dos crentes. Quando diz :Nós, porém, que cremos (tempo passado), entramos (presente) no descanso, está ressaltando que o descanso de que está pensando é uma experiência já no processo de ser cumprida. Não é algo simplesmente a ser esperado para o futuro. É uma parte essencial da realidade presente para os cristãos. É estranho que a palavra “crer” não está no tempo presente, mas o escritor evidentemente pretende referir-se ao evento da conversão. A advertêhcia no v. 1 claramente visa aqueles cuja experiência não ficou à altura daquilo que DEUS lhes providenciou. Presumivelmente, os leitores originais teriam reconhecido a natureza espiritual do “descanso,” que o escritor ainda não definiu. Apesar disto, ele dá algum indício na declaração seguinte — embora, certamente, as obras estivessem concluídas desde a fundação do mundo — como se quisesse que seus leitores levassem sua atenção para além das peregrinações no deserto, para a própria criação. O descanso da citação e as obras do comentário claramente estão estreitamente ligados entre si. Aquilo em que os leitores agora podem entrar não é diferente do tipo de descanso do qual o Criador desfrutou depois de ter completado as Suas obras, o que significa que a idéia do descanso é a da obra aperfeiçoada e não da inatividade. É importante notar que o “descanso” não é algo novo que não tinha sido conhecido por experiência até à vinda de CRISTO. Tem estado disponível no decurso de toda a história do homem. Esta referência para a criação no passado distante  coloca a idéia na base mais ampla possível, e parece sugerir que o descanso fazia parte da intenção de DEUS para o homem. O “descanso”  é uma qualidade que tem frustrado a busca da parte do homem, e, na realidade, não pode ser alcançado a não ser através de CRISTO. O próprio JESUS  convidou os homens a virem a Ele para acharem descanso (Mt 11. 28-30).
 
4-5. Seguem-se duas citações que confirmam as considerações que já foram estabelecidas: a realidade do descanso e a falta de Israel em obtê-lo.
A primeira citação vem de Gênesis 2.2, mas é introduzida pela fórmula  muito geral: Porque em certo lugar (pois assim disse), é um paralelo estreito da fórmula usada em 2.6. A autoridade da passagem tem maior relevância do que o contexto exato. A alusão ao sétimo dia decorre daquilo que foi dito no v. 3, e prepara o caminho para uma menção adicional de um descanso sabático no v. 9.  A segunda citação, introduzida pela fórmula: E novamente, no mesmo lugar (i.é, SI 95), repete o que já tinha sido citado em 3.11 e ecoado em 3.18. É obviamente importante para o escritor inculcar esta idéia em seus ouvintes. Ressalta enfaticamente que é DEUS que em última análise diz a derradeira palavra — e não os descrentes e os provocadores.
 
6-7. Embora a dedução tirada destas citações não seja declarada com clareza lógica, as implicações não deixam de ser bastante claras.
Visto, portanto, liga o v. 6 com os w. 4-5, e deduz-se que alguns haviam de entrar. A linha de argumento deve ser que, uma vez que os israelitas nunca entraram (i.é, aqueles aos quais anteriormente foram anunciadas as boas novas), alguém deve entrar, para a promessa de DEUS não ficar nula. É estranho que a esta altura o escritor não leva em conta a entrada em Canaã dos israelitas da segunda geração, embora introduza  Josué  mais tarde (v. 8). O contraste ainda é entre Moisés, o representante principal da antiga aliança, e CRISTO, o inaugurador da nova aliança. Mais uma vez, o pensamento focaliza-se no fato de que os israelitas não entraram e de que a causa era a desobediência. Somente poderiam culpar a si mesmos. Mas esta mudança de Moisés para CRISTO envolve outra reinterpretação do Hoje do Salmo 95, que já foi reinterpretado alguns séculos depois dos eventos do deserto. O escritor reintroduz este tema de hoje com outra explicação incomum: de novo determina (horizei) certo dia. O verbo, que significa “estabelecer os limites de,” é admiravelmente apropriado para a introdução do sentido estendido que o escritor atribui à citação. Embora o sujeito da ação mais uma vez é deixado indefinido, claramente há referência ao próprio DEUS. Falando por Davi é literalmente “em (enj Davi,” i.é, na pessoa de Davi). Ressalte-se, assim vividamente, a combinação do divino e do humano na produção das Escrituras. Embora se diga que a citação é das palavras de Davi, mesmo assim, é o ESPÍRITO de DEUS que fala através delas. Além disto, embora o endurecimento ocorresse no deserto, Davi o aplica muito tempo depois, que demonstra a firme convicção do escritor de que as palavras de DEUS têm validez contínua. É por isso que se preocupa em achar alguma relevância contemporânea para elas. A repetição da primeira parte da passagem de Salmo 95 citada no capítulo 3 acrescenta solenidade à advertência contida nas palavras, como se fosse um sino constantemente dobrando: “Hoje, não endureçais; hoje, não endureçais.” Conforme diz Bruce: “Por meio da repetição nosso autor esforça-se para inculcar nos seus leitores o fato de que a advertência divina é tão aplicável a eles quanto era nos dias de Moisés ou de Davi.”
 
8-9. Parece provável que a esta altura o escritor considera uma possível objeção, a qual ele mais pressupõe do que declara.
Alguém objetaria que embora Moisés não pudesse levar o povo de Israel para Canaã por causa da sua descrença, Josué conseguiu, e os “alguns” do v. 6 devem, portanto, ser o povo que ele introduziu lá. Nesse caso, naturalmente, Josué estaria em pé de igualdade com CRISTO, que leva Seu povo para um descanso espiritual. Mas o escritor não pensa desta maneira. Argumenta, com base em DEUS falar a respeito de outro dia, que o dia da ação de Josué não poderia ter sido o cumprimento da promessa. De fato o salmista, ao relembrar este descanso e aplicá-lo ao seu próprio dia, claramente não estava pensando no descanso que Josué obteve. Afinal das contas, aquilo que Josué fez tinha importância meramente transitória comparado com o descanso imutável de DEUS depois da criação. Na verdade, a idéia que DEUS faz do “descanso” é totalmente diferente da idéia do homem, e o escritor aqui usa as palavras do Salmista para voltar as mentes dos seus leitores em direção a uma idéia espiritual, do tipo que verdadeiramente pode ser chamado o descanso de DEUS.
 
O v. 9 introduz a conclusão com a palavra: Portanto (ara), que sugere que é indisputável.
A descrição do descanso como um “repouso de sábado” é importante, porque introduz uma palavra (sabbatismos) que não ocorre em nenhum outro lugar. Pode ter sido cunhada por este escritor (assim MM), porque diferencia eficazmente entre o tipo espiritual de descanso e o descanso em Canaã (o Salmo tem a palavra katapausis). Aqueles que são elegíveis para este repouso de sábado (ARA simplesmente repouso) são chamados o povo de DEUS, que os distingue dos israelitas descrentes. Este  é, na realidade, um termo abrangente, apropriado para a comunidade universal, que inclui tanto os judeus quanto os gentios (cf. um uso semelhante em 1 Pe 2.10).  Este aspecto possessivo de DEUS é notável. Deleita-Se em chamar os crentes de Seu povo. Uma nova comunidade, dedicada a ouvir a voz de DEUS e a obedecê-la, tomou o lugar do antigo Israel que fracassou no tempo da provação.
 
10. Este versículo dá uma explicação do descanso do sábado.
É o descanso de DEUS e, portanto, não tem um padrão inferior. O povo de DEUS compartilha do Seu descanso. O que Ele faz, Seu povo faz. Ao identificar-se com Ele, entra nas Suas experiências. Não há dúvida alguma de que o escritor está subentendendo que o repouso sabático que o crente já tem é tanto uma realidade quanto o descanso de DEUS. Não é uma esperança remota, e sim, uma esperança que pode ser imediatamente realizada. Apesar disto, o escrito ainda teme que alguns dos seus leitores deixarão de alcançar o repouso prometido, daí a exortação no v. 11. A glorificação do descanso (katapausis) não subentende que o trabalho é, portanto, um infortúnio. O “descanso” aqui não deve ser considerado como sinônimo de inatividade. Pelo contrário, esta passagem inteira sugere que depois da criação, DEUS começou Seu descanso, que presumivelmente ainda continua. Não há sugestão alguma de que DEUS Se retirou de quaquer interesse adicional pela ordem criada (conforme sustentavam os deístas). Héring comenta: “katapausis não deve invocar meramente a noção de repouso, como também as de paz, alegria e concórdia.”
 
(ii) A urgência em buscar o descanso (4.11-13)
11. Aqui há outra das muitas exortações com as quais esta Epístola está salpicada.
Esforcemo-nos, pois, por entrar é expressado numa forma que sugere que algum esforço considerável é necessário. Não pode ser considerado ponto pacífico. O verbo (spoudazò, “esforçar-se”) envolve certo grau de pressa, e é em conformidade com isto que o escritor dá suas advertências. O exemplo do povo de Israel é citado mais uma vez como motivo principal para a exortação. O escritor claramente pensa que há grave perigo da história se repetir, embora deva ser notado que não dá indicação alguma de que seus leitores já tinham sido culpados do mesmo exemplo de desobediência. O grego (en hypodeigmati) aqui pode ser entendido de duas maneiras: “caindo no mesmo exemplo” ou “caindo segundo o mesmo exemplo.” A primeira tradução é mais natural, mas a diferença de significado é levíssima. Há várias indicações no Novo Testamento de que os cristãos primitivos discerniam paralelos entre a experiência dos israelitas antigos e a deles (cf. por exemplo 1 Pedro onde é notável o tema do Êxodo).
 
12. Existe, indubitavelmente, um forte elo entre este versículo e o anterior.
Porque a palavra de DEUS é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.
A advertência foi baseada nos fatos, na natureza da revelação divina. Esta era de tal caráter que suas reivindicações não podiam ser desconsideradas como inconseqüentes. Pelo contrário, as qualidades poderosas da Palavra são descritas através de uma metáfora impressionante, que enfatiza não somente a atividade, como também a eficácia da palavra de DEUS. Em primeiro lugar, o significado desta frase deve ser estabelecido. Há duas possibilidades. É usada ou num sentido geral da revelação de DEUS, ou num sentido particular do próprio JESUS CRISTO na Sua função de Logos, de conformidade com o uso de João. Estes dois aspectos estão estreitamente vinculados entre si, mas o contexto imediato sugeriria que é no sentido mais geral da mensagem de DEUS ao homem que a expressão visa ser entendida. Um apelo enfático foi feito à revelação de DEUS ao Seu povo, e a implicação é que ninguém pode entrar no descanso verdadeiro a não ser aquele em quem a Palavra de DEUS assumiu pleno controle da sua experiência. Mesmo assim, só é possível no seu sentido mais pleno através daquela completa revelação de DEUS no Seu Filho que já formou a base da declaração introdutória nesta Epístola (l.lss.).
As qualidades e as atividades atribuídas à Palavra — viva, eficaz, cortante, penetrante e discemidora — são apenas parcialmente aplicáveis de um modo pessoal. Além disto, a linguagem figurada da espada talvez não dê, de início, a impressão de julgamento, que não é, porém, o aspecto principal aqui. A idéia da Palavra (logos) divindindo é achada em Filo (Quisrerum divinarum heres sit, Seções 230-233). A idéia de Filo, no entanto, difere da idéia nesta Epístola sendo que o logos dele não distingue as coisas numa base moral, mas, sim, deixa a realização da terefa ao raciocínio do homem. A personificação da Palavra como mandamento autêntico de DEUS é achada em Sabedoria 18.15-16, num sentido muito mais próximo de Hebreus do que de Filo. Aqui, porém, a idéia é mais fundamental. É nada menos do que a permeaçâo da Palavra em todo aspecto da existência de um homem.
Que a Palavra é viva demonstra que reflete o caráter verdadeiro do próprio DEUS, a fonte de toda a vida. Este tipo de vida é cheio de energia para realizar sua finalidade declarada. Esta qualidade viva é particularmente apropriada à idéia da Palavra, especialmente quando é aplicada ao registro da revelação, porque a noção poderia facilmente degenerar num código morto, conforme indubitavelmente a Lei tinha se tomado para muitos judeus. Mas uma revelação que é viva tem aplicação constante às mentes dos endereçados. Quando JESUS declarou que as palavras que Ele falava eram espírito e vida (Jo 6.63), era esta parte vivificante da Sua revelação que estava sendo enfatizada. A segunda característica, eficaz ou “ativa” (energês), serve  para sublinhar a mesma idéia. Uma coisa pode ser viva mas dormente, mas a natureza da vida verdadeira é que explode em atividade e desafia em todas as frentes aqueles que não ficam à altura das suas exigências. A Palavra de DEUS, nas suas exigências intelectuais e morais, persegue os homens e clama por decisões pessoais a serem feitas em resposta às suas exortações. Sem dúvida, o escritor está pensando no caráter sempre presente do desafio espiritual que acaba de extrair da sua leitura do Salmo 95.
A comparação entre a Palavra de DEUS e uma espada é achada também em Efésios 6.17 e volta a ocorrer em Apocalipse 1.16, onde a idéia de uma espada de dois gumes é usada para descrever a natureza das palavras que procedem da boca do Filho de DEUS glorificado. É achada, ademais, em Isaías 49.2 e Sabedoria 7.22. A referência em Efésios está num contexto da armadura espiritual, e é especificamente aplicada ao ataque contra as forças do mal. Aqui, porém, a ênfase recai sobre o caráter penetrante da Palavra, que é expresso na descrição  comparativa: mais cortante. É a capacidade de penetração da espada de dois gumes que impressionou o autor mais fortemente. Mas até mesmo isso não está à altura de tudo quanto a Palavra é na sua atividade. A seguinte descrição elucida este aspecto penetrante da Palavra. Penetra até ao ponto de dividir alma e espírito chama atenção especial à ação divisora da Palavra de DEUS, mas qual é o sentido pretendido aqui? Embora tenha sido sugerido que a divisão é entre a alma (psychê) e o espírito (pneuma), parece melhor supor que a penetração é tanto dentro da alma bem como do espírito, i.é, sua ação ressalta a verdadeira natureza dos dois. Neste caso, a Palavra seria vista penetrando na pessoa como um todo, tanto alma quanto espírito. Se a primeira interpretação for adotada, significará que a penetração era tão eficiente que chegava à linha divisória, notoriamente obscura, entre a alma e o espírito. Tanto a palavra para “penetrar” (diikneomai) quanto a para “dividir” (merismos) são peculiares a este escritor, no Novo Testamento. Esta última palavra ocorre também em 2.4, onde diz respeito à distribuição de dons espirituais, mas claramente o significado aqui é diferente. O uso neotestamentário de pneuma focaliza o aspecto espiritual do homem, i.é, sua vida em relação a DEUS, ao passo que psychê refere-se à vida do homem independentemente da sua experiência espiritual, i.é, sua vida em relação a si mesmo, às suas emoções e ao seu pensamento. Há uma forte antítese entre os dois na teologia de Paulo.
Quando a atividade divisora é estendida a juntas e medulas e pensamentos e propósitos, fica claro mais uma vez que a idéia de eficiência está em mente. O tema de que a Palavra de DEUS nos afeta até ao ponto de discriminar nossas intenções é um desafio para nós. Nada, nem mesmo nossos pensamentos mais íntimos, está abrigado do discernimento da mensagem de DEUS. Afeta, de um modo muito compreensivo, o homem inteiro, conforme claramente ressalta o versículo seguinte.
 
13. O que acaba de ser dito agora é apoiado por uma declaração acerca do relacionamento entre a criação e o Criador, embora o próprio DEUS não seja mencionado pelo nome. "E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar".
Não há dúvida alguma de que a descrição expressiva: aquele a quem temos de prestar contas, é uma referência a DEUS. Um modo literal de entender as palavras seria: “a quem nos é a conta,” bem interpretado por ARA supra. Isto nos faz lembrar da derradeira prestação de contas, à luz da qual o versículo inteiro deve ser entendido.
É uma advertência salutar que nada e ninguém pode ser ocultado das vistas de DEUS. Declara-se que cada criatura está manifesta (gymna, literal (44) C. Spicq: Comm. 1,'págs. 52ss., vê aqui uma distinção filônica entre a alma e o espírito, em que este é superior àquela, sendo que somente o espírito pode compreender o ensinamento divino.
Além disto, diz-se que é descoberta (tetrachèlismena), um termo pitoresco, que ocorre somente aqui no Novo Testamento e não ocorre na Septuagjnta. Significa “curvar o pescoço para trás” (como na luta livre); mas seu sentido secundário é “desnudar,” ou ao ser vencido, ou forçado a cair prostrado, ou, como aqui, na aplicação metafórica de “desnudar.” É como se DEUS garantisse que ninguém poderia esconder seu rosto dos seus olhos, sua cabeça empurrada para trás para estar à plena vista de DEUS. Este pensamento solene prepara o caminho para a  segunda parte principal da Epistola em que o propósito e eficácia da obra sumo-sacerdotal de CRISTO são expostos. O fato de que nada pode ser oculto toma tanto mais urgente a necessidade de um representante eficaz que possa agir em prol dos homens.
 
 
Hebreus  - SÉRIE Comentário Bíblico - SEVERINO PEDRO DA SILVA – CPAD
 
Lembrai-vos da Mulher de Ló
1- Temamos, pois, que, porventura, deixada a promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fica para trás.
Ficar para trás, aqui, é o equivalente de “não olhar para trás”. O “olhar para trás” lembra a mulher de Ló, que desfrutava de todos os privilé­gios e direitos possíveis da felicidade humana.
Era esposa de um justo (2 Pe 2.7 );
Era mulher de um homem rico (Gn 13. 5);
Era casada com um sobrinho de Abraão, o amigo de DEUS (Gn 14.12 );
Seu pai talvez tenha sido um rei da Mesopotâmia ou da própria Sodoma (cf. Gn 13.12 );
Era esposa de um juiz (Gn 19.9 );
DEUS preservou a virgindade de suas filhas (Gn 19.8 );
Os anjos de DEUS jantaram à sua mesa (Gn 19.3 );
Os anjos tiraram-na para fora da cidade segurando na sua mão (Gn 19.19 ).
O nome da mulher de Ló não é mencionado nas Escrituras, mas encontra-se nos escritos judaicos como Adite ou Irite, onde é mencionado ainda que era nativa de Sodoma, motivo por que relutava em ir-se embora. Contudo, ela “olhou para trás” quando seu corpo já estava fora de perigo, conforme pensou, mas seu coração continuava preso em Sodoma. Por isso, mesmo tendo escapado à destruição de Sodoma, sendo conduzida pela miseri­córdia de DEUS, ela desobedeceu à ordem divina e teve um triste fim. “E a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal” (Gn 19.26 ). Em Lucas 17.32,  o Senhor JESUS Cris­to lembra aos seus ouvintes este episódio, advertindo-os: “Lembrai- vos da mulher de Ló”. E aqui no texto em foco, o escritor sagrado da Epístola aos Hebreus começa a observar nestes cristãos alguns sintomas de desânimo e apego às coisas desta vida. Por esta razão alguns deixaram de prosseguir, pararam de ir “correndo com pa­ciência” em direção ao alvo maior: o arrebatamento dos salvos, quando a redenção de nosso corpo será consumada (Rm 8.23 ).
 
2- Porque também a nós foram pregadas as boas-novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram.
 
Aqui, o escritor sagrado faz alusão à pregação das Boas Novas em ambos os Testamentos. A diferença, no entanto, é que, em nós, a fé cooperou, mas para eles a pregação não esta­va “misturada” com a fé, e sim, com a justiça de DEUS. Tudo na Lei dependia da justiça, ou seja, a ordem era: “Fazei e vivei!” Na graça, contudo, a mensagem de CRISTO é: “Crede e vivei”. A justificação pela fé antecipava o período da Lei. Por esta razão a Escritura declara que DEUS imputou a fé de Abraão como sendo justiça, que mais tarde a Lei vindicou; a dispensação patriarcal também o exigia (cf. Gn 18.19,25 ). Paulo afirma: “Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que DEUS havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti. De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão” (Gl 3.7-9). Na Nova Aliança, somos salvos pela fé. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de DEUS” (cf. Atos 16.31;   Rm 5.1; 9.30-32 Ef 2.8 ), guar­dados pela fé (Rm 11.20 2 Cl 1.24;  I Pe 1.5 I Jo 5.4 ), enriquecidos pela fé (Gl 3.5,14 ), estabelecidos e curados pela fé (Is 7.9 Atos 14.9 Tg 5.15 ) e santificados pela fé (Atos 26.18).
 
O Repouso do Sábado
 
3- Porque nós; os que temos crido, entramos no repouso, tal como disse: Assim, jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso; embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo.
Em nossos dias há muitas pessoas preocupadas em guar­dar dias, meses e anos (Gl 4.10), e outras em guardar festas,
luas novas e sábados (Cl 2.16). Todas essas coisas são apenas sombras, das quais CRISTO haveria de ser a realidade. CRISTO substituiu o repouso do sábado, que na cultura judaica é con­siderado um dia de descanso. Mas não deve ser concebido para nós, que não somos judeus, como repouso obrigatório. O 4o mandamento da Lei divina servia de sinal entre DEUS e o seu povo (cf. Ex 20.9-11; 31.16,17). O mandamento que or­denava a guarda do sábado era seguido de outras ordens rela­cionadas com o trabalho e o repouso tanto dos homens como dos animais.
1o        — Era obrigação legal trabalhar “seis dias em sete”.
2° — Ele era abrangente e incluía os homens e os animais. Isto indica que ele era ligado mais ao trabalho do que a atos religiosos, porque os animais não têm consciência de DEUS.
 
4- Porque, em certo lugar, disse assim do dia sétimo: E repousou DEUS de todas as suas obras no sétimo dia.
O contexto desta passagem e de outras similares neste capítulo refere-se a Gênesis 2.1-3,  que diz: “Assim, os céus e a terra, e todo o seu exército foram acabados. E, havendo DEUS acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, des­cansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou DEUS o dia sétimo e o santificou; porque nele des­cansou de toda a sua obra, que DEUS criara e fizera”. “A criação, tanto de céus e terra e do mundo espiritual, é atual também no primeiro capítulo da Bíblia. DEUS criou: ‘céus e terra’. O céu e a terra com todo o seu exército é mencionado em Gênesis 2.1  — Exército, aqui, é tsebaam, de tsaba, que signi­fica ‘avançar como soldado’ (Gesenius, erudito hebreu do século XIX), ou ‘andar juntos para serviço’ (Furst); o termo é usado, portanto, acerca dos anjos (I Rs 22.19 2 Cr 18.18;  Sl 148.2; Lc 2.13 ). Refere-se também aos corpos celestes e aos poderes do céu (Is 34.4 Dn 8.10 Mt 24.29 ). Na cria­ção original mencionada nos capítulos I e 2 de Gênesis, está incluído o ‘céu e a terra’, o espiritual com seus anjos. São eles as personalidades criadas no mundo espiritual (Nm 9.6 ), os seres e as coisas e a raça humana no mundo material (Mc 10.6)”. DEUS, portanto, deixando o exemplo às suas criatu­ras, instituiu um dia para o descanso e “... ao sétimo dia, descansou, e restaurou-se” (Ex 31.17).
5- E outra vez neste lugar: Não entrarão no meu repouso.
O dr. Geo Goodman salienta que este repouso aqui men­cionado trata-se do “repouso da fé”. Ele comenta este repou­so da seguinte maneira: “A palavra ‘descanso’, neste trecho, é aplicada a três coisas:
Ao descanso do sábado, instituído na criação (vv. 3,4), quando DEUS acabara toda a sua obra;
Ao descanso da Terra Prometida (v. 5). Este mandamen­to foi violado 70 vezes nos 490 anos de monarquia e DEUS determinou os 70 anos de cativeiro sobre a nação hebréia, para ‘... que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da desolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram’ (2 Cr 36.21);
Ao descanso que Davi previu: o descanso do Evangelho, que se encontra somente em CRISTO (vv. 7-9). Três des­cansos são aqui ensinados: Que o sábado é figura (Cl 2.16,17 ), um tipo de descanso do coração que se acha em CRISTO (Mt 11.29); que o descanso na Terra Prometida era também típico, pois se Josué tivesse dado o descanso final que DEUS propusera, Davi não teria falado de outro descanso, o descanso que tanto os vivos como os mortos encontram em CRISTO — o primeiro, sendo o descanso da alma, o segundo, o descanso das obras (Ap 14.13)”.
 
6- Visto, pois, que resta que alguns entrem nele e que aqueles a quem primeiro foram pregadas as boas-novas não entraram por causa da desobediência,
Ao mencionar “alguns” que estão habilitados para entrar no repouso prometido por DEUS, o autor sagrado se refere àqueles que aceitaram as Boas Novas do Evangelho de CRISTO, que “... primeiro foi anunciada pelo Senhor” e “... depois con­firmada pelos que a ouviram” (Hb 2.3 ). Enquanto “... aqueles a quem primeiro foram pregadas as boas-novas” são os judeus descrentes que rejeitaram o Rei e o reino. JESUS “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11). O apóstolo Paulo descreve esta cegueira de Israel em Romanos 11, mos­trando-nos que Israel buscava uma salvação pela sua própria justiça; no entanto, a salvação outorgada por JESUS é pela graça. “Pois quê? [pergunta o apóstolo] O que Israel buscava não o alcançou; mas os eleitos o alcançaram, e os outros foram endu­recidos” (Rm 11.7). Contudo, quando a plenitude dos gentios for completada, os judeus voltarão a ser alcançados pela bon­dade de DEUS. “Porque DEUS encerrou a todos debaixo da de­sobediência, para com todos usar de misericórdia” (Rm 11.32 ).
 
7- determina, outra vez, um certo dia, Hoje, dizendo por Davi, muito tempo depois, como está dito: Hoje, se
ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração.
Devemos observar que o argumento deixado no capítulo
é novamente retomado aqui. O uso da expressão “outra vez”, portanto, nos dá a entender que DEUS toca mais de uma vez neste mesmo assunto. Jó diz: “Antes, DEUS fala uma e duas vezes, porém ninguém atenta para isso” (Jó 33.14 ). Muitas vezes o homem se encontra tão distante de DEUS e de seus propósitos, que se faz necessário que DEUS insista em falar algumas vezes, até que o homem escute a sua voz (cf. Ap 3.20). O mesmo se aplica à pessoa que está pervertida em seus senti­mentos: “Ao homem herege, depois de uma e outra admoesta- ção, evita-o” (Tt 3.10). DEUS não contenderá para sempre com o homem que não escuta a sua voz, e chegará o momento em que Ele porá termo à sua misericórdia e entrará em juízo com ele (cf. SI 7.12). Contudo, aquele que “hoje” ouvir a sua voz, alcançará misericórdia e será ajudado em tempo oportuno.
 
O Repouso que Temos nesta Terra E Temporário
8- Porque, se Josué lhes houvesse dado repouso, não falaria,
depois disso, de outro dia.
Durante o cativeiro egípcio, os filhos de Israel eram obriga­dos a trabalhar ininterruptamente. Ali não era observado o sábado (repouso), pois esse pertencia a DEUS, e não a Faraó. Durante a caminhada no deserto, pouco a pouco o descanso do sábado foi sendo observado pelo povo eleito, e por expres­sa ordem de DEUS um homem foi morto porque apanhou le­nha no sábado (Nm 15.32-36 ). No entanto, quando Josué — que é uma figura de CRISTO — introduziu o povo na Terra Pro­metida, a nação começou a desfrutar um tipo de descanso, ainda que terreno. Mas o escritor sagrado nos mostra aqui que este era apenas uma figura daquele descanso que DEUS deseja dar ao seu povo, o qual é encontrado em CRISTO por meio da vida eterna. Em Apocalipse 6.9-11,  João nos confir­ma isso dizendo: “... vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de DEUS e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizen­do: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E a cada um foram dadas uma comprida veste branca e foi-lhes dito que repousassem ainda por um pouco de tempo...” Evidente­mente, qualquer repouso dedicado ao cristão, no sentido reli­gioso, seja ele na vida ou na morte, somente será encontrado em CRISTO. Ele é “o Senhor do sábado” — portanto, é “o Se­nhor do repouso”.
 
9- Portanto, resta ainda um repouso para o povo deDeus.
Qualquer repouso ou bem-estar alcançado pelo homem é apenas temporário e não permanente. Mas em CRISTO e atra­vés dEle o homem pode alcançar o repouso eterno, quando se tornar um morador da cidade celestial, a Nova Jerusalém.
“Josué foi símbolo de CRISTO em muitas ações de sua vida: Nos milagres que operou ou que foram efetuados por causa dele; nos combates em que lutou, nas vitórias que obteve; na salvação de Raabe e sua família; no recebimento dos gibeonitas que vieram a ele submissos e na condução dos filhos de Israel à terra de Canaã, a qual foi dividida por sortes. Porém, embo­ra os tivesse feito entrar na terra de descanso, no descanso simbólico, onde tiveram repouso, por algum tempo livres de seus inimigos, contudo ele não lhes conferiu o verdadeiro des­canso espiritual” (John Gill).
 
10- Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras; como DEUS das suas.
O tempo passado empregado aqui na expressão “repou­sou” tem trazido grande dificuldade para os intérpretes, que pensam referir-se a CRISTO o pronome “ele”. Outros intérpre­tes, porém, vêem nestas palavras o repouso do crente, pois todo o contexto da passagem em foco não alude à pessoa de JESUS uma vez se quer em todo o texto de 3.7-19; 4.1-9. O pronome “ele”, aqui mencionado, parece na verdade fazer alu­são ao cristão entrando no descanso divino, seja pela vida, seja pela morte, ou pelo arrebatamento da Igreja. No contexto de Apocalipse 14.13 fica talvez confirmado o significado deste pensamento, quando diz: “Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o ESPÍRITO, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam”.
 
11- Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência.
 Ao abandonar o caminho que conduz à salvação, não aten­tando para a promessa de um dia entrar no “repouso” eterno, o cristão incorre precisamente no mesmo exemplo de desobe­diência — tanto em sua conduta como em seu destino — da nação de Israel, em sua caminhada pelo deserto. JESUS entrou nesse descanso; Ele se encontra ali à mão direita de DEUS, no SANTO dos Santos, esperando-nos (Hb 6.20 ). A advertência do escritor sagrado, aqui, é quanto à desobediência da geração do deserto. Eles pensavam que, tendo desobedecido com fre­qüência, e tendo abandonado o caminho da fé, a despeito de tudo, finalmente DEUS haveria de introduzi-los triunfalmente na Terra Prometida, sem qualquer esforço da parte deles. No entanto, esqueceram-se de que DEUS é o Senhor, ao que Ele pergunta aos seus filhos: “O filho honrará o pai, e o servo, ao seu senhor; e, se eu sou Pai, onde está a minha honra? E, se eu sou Senhor, onde está o meu temor? — diz o Senhor dos Exér­citos a vós...” (Ml 1. 6 ). Portanto, o caminho que nos leva a DEUS é o da obediência; fora dele, não há como se aproximar do Senhor.
 
O Corpo como Templo de DEUS
 
12-  Porque a palavra de DEUS é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.
Este versículo se divide em duas partes importantes:
O que representa a Palavra de DEUS;
Sua penetração na tríplice constituição do homem.
Io         — Vários sentidos representam o valor desta espada de dois gumes: a Palavra de DEUS. O primeiro é retrospectivo — aponta para trás (o Antigo Testamento). O segundo gume é prospectivo — aponta para frente (o Novo Testamento).
Ela ataca e defende;
Ela fere e cura;
Ela justifica o homem e também o condena;
Ela está na terra [a Palavra visível] e no céu [a Palavra invisível];
Ela indica o caminho da vida e o caminho da morte;
Ela é doce e também amarga;
Ela prepara o homem como cidadão na terra e como ci­
dadão do céu.
2° — O homem também é o templo de DEUS, e da mesma maneira constitui-se de três partes. O corpo é como o átrio exterior, com sua vida visível a todos. Aqui o homem deve obedecer a cada mandamento de DEUS; aqui o Filho de DEUS serve como substituto e morre pela humanidade. Por dentro está a alma do homem, que constitui a sua vida interior e inclui sua emoção, vontade e mente. Tal é o Lugar SANTO de uma pessoa regenerada, pois seu amor fileo), vontade e pensa­mento estão plenamente iluminados para que possa servir a DEUS como o sacerdote do passado o fazia. No interior, além do véu, encontra-se o SANTO dos Santos, no qual nenhuma luz humana jamais entrou e olho humano algum jamais penetrou. Ele é o “esconderijo do Altíssimo”, a habitação de DEUS. O homem não pode ter acesso a ele, a menos que DEUS queira rasgar o véu, como fez por ocasião da morte de CRISTO (Mt 27.51 ). Ele é o espírito do homem. Este espírito jaz além da consciência própria do homem e acima da sua sensibilidade. Aqui o homem une-se a DEUS e tem comunhão com Ele, mas sempre por meio do corpo. Este argumento esboça o seguin­te, na presente analogia do corpo como templo de DEUS: Ne­nhuma luz é fornecida para o SANTO dos Santos porque DEUS habita ali. E assim está escrito: “... O Senhor disse que habita­ria nas trevas” (I Rs 8.12b). No SANTO dos Santos, portanto, era desnecessária a luz, porque “DEUS é luz” e, habitando na “luz inacessível”, “cobre-se de luz como uma cortina” (SI 104.2b; I Tm 6.16 I Jo 1.5 ). Já no Lugar SANTO existia a luz fornecida pelo candeeiro de sete braços. O átrio exterior fica sob a ampla luz do dia. Todos estes servem como imagens e sombras para uma pessoa regenerada. Seu espírito é como o SANTO dos Santos habitado por DEUS, onde tudo é realizado pela fé, além da vista, sentidos ou entendimento. A alma sim­bolizava o Lugar SANTO, pois ela é amplamente iluminada com muitos pensamentos e preceitos racionais, conhecimento e entendimento concernente às coisas do mundo idealista e ter­reno. O corpo é comparado ao átrio exterior, claramente visí­vel a todos.
 
13-  E não há criatura alguma encoberta diante dele: antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar.
Nada pode escapar à Onipresença de DEUS, porque “to­das as coisas estão nuas e patentes” perante os seus olhos. O
salmista escreveu: “O Senhor olha desde os céus e está ven­do a todos os filhos dos homens; da sua morada contempla todos os moradores da terra” (Sl 33.13,14). Ainda no Sl 139, o salmista descreve este infinito alcance da onipresença de DEUS, dizendo: “Para onde me irei do teu ESPÍRITO ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também; se tomar as asas da alva, se habitar nas extremida­des do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá” (Sl 139.7-10). DEUS está em todas as coisas, dentro mas não enclausurado, fora mas não excluído, acima mas não levantado, embaixo mas não comprimido. Ele encontra-se inteiramente acima, presidindo, sustentando totalmente por dentro, preenchendo todo espaço.
 
A Excelencia da Nova Aliança em CRISTO - Orton H Wiley - Comentário Exaustivo da carta aos Hebreus - Editora Central Gospel - Estrada do Guerenguê . 1851 - Taquara I 11111 - Rio de Janeiro - RJ - CEP: 22713-001 PEDIDOS: (21) 2187-7090 .
 
O DESCANSO DA FÉ
O descanso da fé - que experiência maravilhosa aguarda o povo de DEUS! Pode ser comparada a uma bela manhã de primavera no campo: a relva ainda orvalhada, as árvores fragrantes de flores, os pássaros gorjeando seus cânticos de louvor, flores emprestando sua beleza colorida à cena e, acima de tudo, a luz suave da madrugada e o silêncio santo de um novo e belo dia de descanso. Assim também, quando o ESPÍRITO SANTO entra no mais íntimo santuário da alma, Ele a ilumina até os seus mais longínquos horizontes com um senso de pureza e enche-a com a presença de DEUS. Que descanso Ele deu à minha alma!" É neste quarto capítulo da Epístola aos Hebreus que o autor trata do descanso da fé como um aspecto importante e estrutural da vida de santidade. É descanso não apenas da culpa e do poder do pecado, mas também da presença do próprio pecado. Alguns chamam atenção para o contraste histórico entre o terceiro capítulo, com sua experiência do deserto, e o quarto, com o descanso prometido em Canaã, mas o contraste espiritual simbolizado é muito maior. Foram-se as dúvidas e os temores, e, em lugar deles, o amor de DEUS está derramado em nosso coração pelo ESPÍRITO SANTO que nos foi dado (Rm 5.5).  Passemos, agora, a um estudo exegético deste importante capítulo.
 
O ALVO DA OBRA APOSTÓLICA DE CRISTO
Ao considerar JESUS como o Apóstolo da nossa confissão (Hb 3.1 ), vimos que a comparação de CRISTO com os anjos dá lugar à de CRISTO com Moisés. Sob o simbolismo de Moisés como o apóstolo da antiga aliança, o escritor de Hebreus apresentou CRISTO como o Apóstolo da nova aliança. O objetivo de Moisés, ao tirar o povo do Egito, era Canaã, sua herança prometida. Moisés, porém, não introduziu o povo nessa terra, tarefa que foi deixada para Josué. CRISTO, o Apóstolo da nova aliança, não é apenas o nosso Moisés a livrar-nos da servidão, mas o nosso grande Josué, o Capitão da nossa salvação, que nos introduz na nossa herança espiritual. JESUS nos libertou para nos introduzir neste descanso da fé, descanso em DEUS, sendo este o alvo supremo de nossa experiência espiritual na terra. É preciso que compreendamos integralmente estes  dois estágios dessa experiência, para alcançarmos o significado do maravilhoso plano de salvação de DEUS.
O Calvário e o Pentecostes são os dois ápices da redenção, mas o segundo segue-se ao primeiro, vem após este e extrai toda a sua virtude do sangue de JESUS derramado naquela rude cruz. O Calvário assinalou a consumação do ministério terreno de CRISTO, a expiação completa. O Pentecostes assinalou o derramamento do ESPÍRITO SANTO e o início do ministério celestial de CRISTO. O rompimento do véu da carne de CRISTO não apenas nos abriu o caminho para o SANTO dos Santos, o acesso direto à presença do Senhor, mas, mediante o recebimento do ESPÍRITO, que purifica o nosso coração, também permitiu que DEUS viesse habitar em nós. O descanso da fé, portanto, é o nosso descanso em DEUS a partir do momento em que o ESPÍRITO dele repousa em nosso interior.
 
TERCEIRA ADVERTÊNCIA: CONTRA A INCREDULIDADE
Esta advertência é contra a incredulidade como fonte do endurecimento do coração. Tomadas em conjunto, essas advertências são as mais solenes de que a linguagem é capaz. O povo do êxodo não se quis deixar persuadir, voltando as costas para DEUS às vésperas da vitória. Os israelitas tiveram fé para deixar o Egito, mas não para entrar em Canaã. Não compreenderam que a murmuração em Meribá e Massá iria tornar-se a rebelião manifesta em Cades-Barnéia. Não perceberam também que estas formariam uma ponte para a disposição geral de incredulidade, que foi a razão de sua desobediência. Israel recusou o bem maior que DEUS tinha-lhe reservado e pereceu miseravelmente no deserto. Os cristãos judeus, aos quais o escritor de Hebreus se dirige, sentiram-se tentados ainda a voltar à Lei Mosaica e não estavam esforçando-se para entrar na nova aliança em CRISTO, segundo a qual, mediante o ESPÍRITO SANTO, a Lei seria escrita no coração e na mente deles. Tendo diante de si o exemplo do que acontecera ao povo de DEUS no Antigo Testamento, o escritor da Epístola advertiu os cristãos (e a nós), a fim de que não falhassem por causa da incredulidade . Quando DEUS fez a promessa a Abraão e a renovou aos que tirara do Egito, realizou, de certa forma, um chamado para o descanso espiritual da fé. DEUS poderia tê-lo feito por ocasião da posse de Israel em Canaã [ou quando JESUS, o DEUS Emanuel, esteve na terra prometida, entre os seus irmãos israelitas. Mas isto não ocorreu]. Daí o lamento de nosso Senhor sobre Jerusalém: Ah! Se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas, agora, isso está encoberto  aos teus olhos (Lc 19.42).
Quem pode dizer o que teria acontecido se os judeus tivessem aceitado o Messias? Mas até mesmo a geração que foi contemporânea de JESUS falhou em reconhecê-lo, e o resultado foi a queda de Jerusalém com todo o seu horror, toda a sua devastação e morte. Sendo assim, concluímos que não é uma questão de escolha para o cristão prosseguir ou não até este descanso que aguarda o povo de DEUS. Nada ímpio ou impuro, seja em ações, seja em condição, pode subsistir na presença da santidade flamejante do Altíssimo. É por isso que se ordena a todo cristão que possua o melhor que DEUS tem para os Seus filhos, e isto porque, sem santidade, ninguém verá o Senhor (Hb 12.14b).
 
HEBREUS 4:1
1. Temamos portanto, que sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de DEUS (Hb 4.1 a ARA)
O escritor de Hebreus se dirigiu a seus leitores na primeira pessoa do plural, temamos, incluindo-se, embora imediatamente tenha mudado para a segunda pessoa do plural quando assinala que alguns cristãos poderiam falhar em alcançar a promessa (Hb 4.Ib). O objetivo do autor foi transmitir o temor que ele mesmo possuía aos seus leitores. Isto pode ser observado pelo fato de que o imperativo phobethomen é um aoristo, que, se ingressivo, poderia ser traduzido como: Tenhamos este medo. O autor da Epístola queria que os cristãos judeus compreendessem a gravidade da situação como ele a compreendia. Este interesse foi ainda salientado pelo uso da palavra mepote (f..tiJnorre), que, geralmente, indica ansiedade. Neste verskulo, os cristãos judeus são instados à diligência e vigilância, com base tão-somente na pressuposição de que existe ainda uma promessa de descanso que os aguarda. Visto que a promessa, no capítulo precedente, referia-se diretamente à herança dos israelitas, Canaã, da qual a primeira geração de israelitas libertada da escravidão egípcia foi excluída pela incredulidade, é evidente que o escritor de Hebreus concebeu a promessa como sendo mais ampla do que a herança material e contendó algo mais elevado e mais nobre - um repouso da ou descanso em DEUS; algo espiritual. Isto inclui um estado de pureza e santidade nesta vida e, na vida futura, um descanso perfeito de todas as causas e consequências do pecado: ignorância, fraquezas, enfermidade, sofrimento e morte.
 
2. Suceda parecer que algum de vós tenha falhado (Hb 4.1 b ARA)
A palavra dokei (boKfl), parecer, é difícil e tem sido interpretada de muitas maneiras. Thayer disse que se trata de uma expressão polida, usada em lugar de uma declaração direta, realmente falhou. Westcott a considerou uma advertência extensiva de que a mera aparência ou suspeita de fracasso deveria ser sinceramente temida. Vaughan a analisou do ponto de vista forense, e achava que é usada no sentido de veredito, devendo-se, então, lê-la: "Para que nenhum de vós seja ·julgado como tendo errado ou falhado". O uso da palavra mepote, talvez indique para que não continue a pensar ou imaginar que chegou tarde demais. Outra interpretação, a qual, contudo, parece inadequada, é a de que a palavra parecer foi usada apenas para mitigar ou enfraquecer o termo que acompanha, a fim de evitar uma declaração direta. Palavra difícil também é husterekenai, que significa chegar no dia seguinte, chegar tarde demais, ficar atrás e, figurativamente, perder, não ter e não alcançar. Segundo a interpretação tradicional, em suceda parecer que algum de vós tenha falhado, fica evidente que o propósito do autor da Epístola foi impedir que os leitores deixassem de atingir o descanso prometido.
Contudo, o texto também poderia ser traduzido como: "Para que algum de vós não suponha que chegou tarde demais"; então, o alvo do autor da Epístola aos Hebreus seria mostrar aos cristãos judeus que eles não estavam atrasados, pois o descanso de DEUS ainda aguarda o Seu povo. Existe aqui, também, um tom geral de cautela e solicitude, implicando que tampouco é tarde demais para ser excluído do repouso cristão da fé, como foi para a geração de israelitas pósêxodo na antiguidade.
 
HEBREUS 4:2
3. Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles (Hb 4.2a ARA)
Essas palavras podem soar confusas em algumas traduções bíblicas, ao levar alguns a suporem que o que chamamos tecnicamente de boas-novas no Novo Testamento tivesse sido antes pregado, no mesmo sentido, aos que saíram do Egito e morreram no deserto. Mas não é este o sentido dessa palavra em Hebreus 4.2. A palavra euaggellion ( EuayyÉi\.tov), evangelho, é usada em dois sentidos. O sentido primário é boas novas, ou seja, boas notícias; o secundário é boas-novas da salvação, que entendemos como o evangelho, a mensagem pregada por CRISTO. Não pode haver dúvida de que, no texto acima, o significado é o primário. Além disso, o verbo floram anunciadas] é empregado no perfeito, o que indica a continuação da mensagem e não um simples anúncio dela no passado. Portanto, devemos depreender dessa passagem de Hebreus que fomos agraciados, como o povo de Israel, com as boas notícias de um repouso prometido. Os israelitas, naturalmente, podiam dizer que estavam vivendo na Terra da Promessa. Mas, após sua entrada em Canaã, de modo algum se cumpriu perfeitamente a promessa original. Com o descanso em Canaã, incluído na prorp.essa original, 'há um repouso espiritual que não se poderia realizar sob a antiga aliança. No entanto, tendo sido aberto por CRISTO o caminho para nós até DEUS, podemos atravessar o véu e penetrar no SANTO dos Santos, chegando à presença de DEUS, mediante o ESPÍRITO. Esse ponto será retomado mais à frente, quando analisaremos os quatro descansos mencionados nas Escrituras (Hb 4.3-11).
 
4. Mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram (Hb 4.2b ARA)
O termo palavra tem sido muitas vezes comparado ao alimento para o corpo, e a fé, ao processo de digestão pelo qual a palavra se combina a outros elementos essenciais, para tomá-los nutrientes. Sendo assim,a palavra que [os israelitas] ouviram entrou em sua mente, mas não foi combinada à fé de tal modo que se tomasse um alimento saudável para a alma. Existem dois sentidos para o verbo grego sunkekerasmenos, traduzido como ter sido acompanhada, que frequentemente se combina ou com o dativo de pessoa2 {instrumento),ou com o de coisa3{referência). O primeiro sentido, concordando com fogos, a palavra, traz uma ideia negativa. Quer dizer que a palavra, nos ouvintes, não foi combinada com a fé, isto é, eles ouviram a mensagem, mas, devido à falta de fé, não foram interiormente inspirados por ela. No segundo sentido, significa que a palavra e a fé não se misturaram no coração a ponto de tornarem-se eficazes na vida dos ouvintes. No primeiro caso, a fé está ligada mais intimamente com a palavra, ou seja, a própria palavra não foi vivificada pela fé no coração dos que a ouviram. Esta é a interpretação mais aceita do texto em questão. No segundo caso, sunkekerasmenous, do mesmo radical, mas terminado em ous, mostra a concordância não com fogos, ou palavra, mas com ekeinous, naqueles Segundo Ebrard, o texto, então, seria: "A palavra não aproveitou àquelas pessoas, porque não se uniram na fé àquelas que obedeceram", a saber, Calebe e Josué. Lindsay fez uma tradução mais elaborada: "Não lhes aproveitou a palavra, não estando associados aos que a ouviram com fé; ficararn à distância dos ouvintes fiéis e, portanto, morreram debaixo da maldição".  Em cada uma das interpretações, contudo, observa-se que a fé é fundamental na aceitação e no cumprimento das promessas de DEUS.
 
HEBREUS 4:3 - 5
5. Nós, porém, que cremos, entramos no descanso (Hb 4.3a ARA)
Só a fé permite a entrada neste descanso de DEUS, cujas obras foram concluídas desde a fundação do mundo (Hb 4.3c). Não pode referir-se, portanto, ao descanso de Canaã, pois foi repetido o juramento à primeira geração de israelitas que saiu do Egito de que esta não entraria na terra da promessa (Hb 4.3b ARA). O descanso da fé é um repouso pessoal, espiritual, da alma em DEUS, e é prometido como herança a todos os que são filhos dele pelo novo nascimento - uma segunda crise definida na vida dos verdadeiros cristãos. Muitos supõem que esta doutrina seja peculiar da tradição wesleyana, porém comentadores das várias denominações têm, em seus estudos exegéticos, defendido as mesmas grandes verdades. Disse, por exemplo, John Owen, antigo escritor e enérgico calvinista "O descanso mencionado (Hb 4.1) não pode ser o descanso do céu e da glória, como alguns têm afirmado, equivocando-se inteiramente quanto ao argumento do autor da Epístola, que é a superioridade de CRISTO sobre Moisés. O descanso ao qual se alude neste trecho é aquele a que os crentes têm acesso por meio de JESUS CRISTO, neste mundo. O bispo Westcott, um dos comentadores mais eruditos e equilibrado exegeta, observou que as palavras eiserchometha gar  - nós, porém, [ ... ] entramos - pressupõem que a experiência real confirma a realidade da experiência. O escritor parece dizer: "Falo sem hesitação de uma promessa que nos foi deixada, pois entramos, estamos entrando no descanso de DEUS - nós, os que cremos". O verbo acima não é tomado no sentido futuro, mas como expressão de um fato presente. Além do mais, a eficiência da fé é aqui considerada em sua ação crítica, e não, como se poderia esperar, em seu exercício contínuo. Ao mesmo tempo, ele não diz simplesmente "entramos ao crer", mas considera os crentes como classe definida que abraçou a revelação divina quando esta lhes foi oferecida. Esta fé eficaz opera o seu resultado pleno enquanto prossegue. (WESTCOTT, Commentary on the Epistle to the Hebrews, p. 96)  
 
OS QUATRO DESCANSOS
Mencionam-se, no capítulo 4 de Hebreus, quatro descansos, aos quais devemos dispensar alguma consideração preliminar. São eles:
1. O descanso da criação (Hb 4.4)
2. O descanso do Sábado (Hb 4.4,9)
3. O descanso de Canaã (Hb 4.8)
4. O descanso divino (Hb 4.1-3; 6-11)
 
O Dr. Edwards4 lembrou que a mente grega estava sempre na expectativa de algo novo. A característica dela era o movimento. Contudo, o ideal do Antigo Testamento era o repouso, e este encontra sua realização mais genuína e elevada em CRISTO, que começou o Seu ministério com um chamado para o descanso em DEUS.
 
1. O descanso da criação Porque, em certo lugar, assim disse, no tocante ao sétimo dia: E descansou DEUS, no sétimo dia, de todas as obras que fizera. Hebreus 4.4 ARA
A palavra descanso aqui não significa folga, para recuperação das forças físicas e mentais exauridas durante o trabalho, mas o cessar das atividades até então desempenhadas, para o gozo da paz, da tranquilidade e da alegria decorrentes da conclusão de uma obra; o deleite por constatar sua perfeição. Assim, esse texto, citado de Gênesis 2.2, remete-nos à ideia de que DEUS, no sétimo dia, descansou de Suas obras após constatar que tudo quanto tinha feito era muito bom (Gn 1.3la). Aliás, não poderia ser diferente, visto que o eterno DEUS, o SENHOR, o Criador dos confins da terra, nem se cansa, nem se fatiga (Is 40.28). Além disso, em Hebreus 4.4, o verbo grego genetenton está no particípio [que dá a ideia de uma ação acabada], e foi usado com o mesmo sentido de teleisthai, terminar, levar a cabo, aperfeiçoar.
A obra de DEUS estava terminada não apenas exteriormente, mas interior e qualitativamente. Não havia pecado nem corrupção. Tudo estava novo em folha ao sair das mãos do Criador. Logo, em Hebreus 4.4, é indicado que DEUS mantém duas espécies de relação para com a Sua obra. Primeiro, existe Sua atividade criadora, que cessou quando Ele terminou tudo o que tinha feito. Segundo, Seu descanso, que é apenas uma forma nova e mais elevada de atividade, isto é, a de deleitar-se em Sua obra aperfeiçoada. É neste descanso, pela fé, na obra aperfeiçoada de DEUS - um descanso como o Seu- que Ele chama o Seu povo a entrar.
 
2. O descanso do Sábado
No relato sobre a Criação é dito ainda que abençoou DEUS o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que DEUS criara e fizera (Gn 2.3). Fica evidente por esta passagem que existe
uma relação íntima e vital entre o descanso da criação e o do Sábado. Duas coisas caracterizam este último: (1) é um descanso após seis dias de trabalho; e (2) é um descanso em que DEUS habita, e esta presença constante santifica o descanso e o dia. '" Só aquilo em que o Senhor repousa é santo, e a alma em que Ele repousa, por intermédio do ESPÍRITO, é igualmente santa. Mas qual é o sétimo dia em que o Senhor descansa? É aquele que se segue aos seis dias de atividade criadora, caracterizados por um princípio e um término. Em Gênesis, porém, não se fala de noite ou manhã no sétimo dia. É um dia ilimitado, eterno, e o descanso também o é. Por esta razão, é mencionado como o descanso de DEUS, meu descanso, este descanso, e, em mais de um caso, aquele descanso. Enquanto o descanso da criação é o Hoje eterno de DEUS, o sétimo dia também foi apontado pelo Senhor, segundo o tempo humano, como Sábado santo, dia de descanso, símbolo do descanso eterno do Altíssimo.
 
3. O descanso de Canaã
Porque, se Josué lhes houvesse dado repouso, não falaria, depois disso, de outro dia. Hebreus 4.8
Devemos esclarecer que as palavras JESUS e Josué são idênticas no grego, e que JESUS, conforme consta na Authorized Version, deveria ser traduzida como Josué. Isto se evidencia pelo contexto, sendo assim
traduzida nas versões revisadas. Passamos a uma nova etapa do argumento sobre o descanso de DEUS, tomando como base o versículo 6, que tenciona contestar a afirmação dos judeus de que o descanso em Canaã era o cumprimento  integral da promessa divina. Mas este descanso físico foi o cumprimento de uma promessa material que DEUS fez a Abraão (ver Gn 15.7,13-16) de que sua descendência, após a libertação da servidão no Egito e a exaustiva jornada pelo deserto, moraria numa terra maravilhosa; terra de montes e de vales; da chuva dos céus beberá as águas; terra de que o SENHOR, teu DEUS, tem cuidado; os olhos do SENHOR, teu DEUS, estão sobre ela continuamente desde o principio até ao fim do ano (Deuteronômio 11.11,12). Por esta descrição, Canaã devia ser uma espécie de segundo jardim do Éden; um dos lugares mais belos e férteis do mundo antigo. Contudo, como observamos no capítulo 3 de Hebreus, a geração israelita contemporânea de Moisés se recusou a entrar nessa terra porque foi incrédula e dura de coração. É verdade que a segunda geração daqueles que foram libertos do Egito entrou na herança material recusada por seus pais, mas Canaã não é o descanso de que o autor da Epístola aos Hebreus trata. Josué proporcionou aos israelitas muitas coisas, mas não lhes pôde dar o descanso espiritual pelo qual ansiavam; do contrário, o ESPÍRITO SANTO não teria falado por Davi acerca de um outro dia que denotaria este descanso. O salmista, habitando na conturbada Canaã, poderia bem compreender que este não era o descanso que DEUS designara para o Seu povo de maneira definitiva, e, portanto, havia outro descanso ainda não atingido nem realizado, o qual aguardava Israel. Como o Sábado do Decálogo, Canaã só poderia ser um símbolo daquele descanso espiritual que DEUS preparou para os que o servem. Assim, o estabelecimento de Israel em Canaã é frequentemente considerado uma alegoria do descanso prometido por DEUS para o Seu povo. Contudo, os que se opõem a essa opinião observam que essa simbologia não é boa, porque os inimigos ainda permaneciam em Canaã. Necessitamos, pois, entender com clareza em que sentido a Terra Prometida se torna o símbolo do descanso da fé. Associa-se a cada um dos membros da Trindade uma obra consumada e uma contínua. Com relação ao Pai, a obra consumada é a criação, e a contínua, a preservação dela e a providência para ela. A obra consumada do Filho é a expiação; a contínua, a intercessão pelos salvos. A obra consumada do ESPÍRITO SANTO é a purificação da alma; a contínua é a Sua presença constante como Consolador, Revelador de CRISTO, Guia à verdade e doador da unção à Igreja, para o crescimento espiritual e o serviço desta a DEUS. Existem dois símbolos que representam a obra consumada e a contínua dos filhos de DEUS: o Sábado e a terra. O sábado é o símbolo da obra consumada, o descanso da fé em que o cristão cessa suas práticas carnais, liberta-se da escravidão do pecado; a terra é o símbolo da caminhada contínua na vida cristã ou daquele estado de vitória constante sobre os inimigos por intermédio do ESPÍRITO. A Lei do Sábado é que creiamos no descanso e entremos nele; que cessemos de ocupar-nos com nossas próprias obras e que DEUS
possa operar em nós e por meio de nossa vida. A Lei da terra é: Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado (Js 1.3). Disso deriva o fato de que devemos tomar posse de nossa herança. Mas estas vitórias não podem ser conseguidas por nosso próprio esforço, e sim pela fé em DEUS e pela obediência à Sua Palavra. Canaã, então, é o símbolo de uma vida de êxito espiritual para aqueles que entraram no descanso da fé, o Sábado da alma. Atrelada à promessa da Canaã material estava, para os israelitas que criam em DEUS, a promessa da Canaã espiritual, sem a qual a primeira teria sido transitória e ilusória. É o pensamento que perpassa o capítulo 4 de Hebreus e encontra um paralelo nas afirmações inequívocas do capítulo 11 quanto à amplitude da fé dos santos das antigas dispensações. (EBRARD, Epistle to the Hebrews, p. 73)
 
4. O descanso divino (Hb 4.1-3; 6-11)
O descanso divino é o tema central do capítulo 4 de Hebreus, e todas as outras alusões a ele são meramente incidentais. O descanso da criação é mencionado como seu alicerce, e também para explicar 0o Sábado, que mais plenamente define este descanso. O descanso em Canaã, após as peregrinações no deserto, é mencionado como símbolo também, mas não cumpriu a promessa do descanso espiritual, pois Abraão esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é DEUS (Hb 11.1 O). Em Hebreus 4.1-3, o autor da Epístola objetiva demonstrar que o descanso prometido por DEUS não se limitava à posse da terra de Canaã. Há também, nesse texto, uma reiteração da superioridade de JESUS sobre Moisés. Na primeira comparação entre eles (Hb 3.2-6), o contraste focou as duas personalidades: Moisés como servo, e CRISTO como Filho de DEUS. Agora, na segunda comparação (Hb 4.1-3), o contraste é entre a obra destas duas pessoas. O escritor de Hebreus mostra a fragilidade de Moisés: (1) sua obra não foi suficientemente poderosa para realizar-se cabalmente; por isso, ele não pôde introduzir o povo no descanso prometido; (2) o descanso em que os israelitas penetraram posteriormente foi terreno e meramente representativo do verdadeiro descanso divino. CRISTO é superior a Moisés em ambos os pontos: (1) Ele é capaz de, mediante o ESPÍRITO, realmente conduzir-nos a este descanso espiritual; e (2) este descanso é real e substancial e corresponde, em espécie, ao descanso sabático de DEUS. Tendo analisado essa declaração a respeito do descanso divino, seria valioso examinar, da mesma maneira, o argumento do autor da Epístola a respeito da natureza desse repouso.
 
HEBREUS 4:6
A NATUREZA DO DESCANSO DIVINO
Visto, portanto, que resta entrarem alguns nele e que, por causa da desobediência, não entraram aqueles aos quais anteriormente foram anunciadas as boas-novas. Hebreus 4.6a ARA
Vimos que nem o descanso sabático nem o em Canaã alcançaram a plenitude da promessa de. DEUS - o que se salienta no versículo anterior pelos termos usados para o verbo restar. A cláusula infinitiva tinas eiselthein é o sujeito do verbo resta e significa, literalmente, entrarem alguns. Estaria mais em harmonia com o contexto, entretanto, traduzi-la como que alguns entrem (ARe). Embora DEUS, em Sua infinita sabedoria, jamais proveja algo para o Seu povo sem estar implicado que alguns aceitarão a Sua misericórdia e descansarão nas Suas promessas, o texto em Hebreus não contém essa ideia de necessidade. O versículo 6, convenientemente interpretado, oferece uma oportunidade nova, ainda não realizada, a todos os que crerem no descanso. A palavra apoleipetai  está no indicativo presente passivo e significa restar, permanecer. A mesma ideia é transmitida pela palavra kataleipomenes, a qual, estando no presente, expressa uma transmissão sucessiva ou contínua para os outros até que a promessa seja finalmente cumprida: sendo-nos deixada a promessa de entrar (Hb 4.1). A oferta feita à geração do êxodo se repetiu à de Davi, cerca de 500 anos depois. Westcott observou que, embora o descanso seja o mesmo, existem agora duas condições, em vez de uma [obedecer à voz de DEUS]. É determinado um outro dia. Isto nos remete de novo à comparação feita pelo escritor de Hebreus entre CRISTO e Moisés. Visto que não se faz menção de uma nova promessa a Josué ou de sua aceitação por parte da geração de Davi, podemos concluir que o autor da Epístola tinha em mente apenas duas gerações: a de Moisés e a de CRISTO. A de Moisés falhou porque não havia fé associada à palavra no coração dos que a ouviram; a de CRISTO teve êxito porque Ele ministrou (e ainda ministra) o ESPÍRITO SANTO aos que creram na obra expiatória do Filho de DEUS e aceitaram Seu senhorio sobre sua vida. É a presença do ESPÍRITO que nos introduz naquele supremo descanso espiritual, que é a herança de todo filho de DEUS.
 
HEBREUS 4:7- 8
A INDICAÇÁO DE OUTRO DIA
De novo, determina certo dia, Hoje, falando por Davi, muito tempo depois, segundo antes fora declarado: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração. Ora, se ]osué lhes houvesse dado descanso, não falaria, posteriormente, a respeito de outro dia. Hebreus 4.7,8 ARA
O autor da Epístola aos Hebreus alude outra vez ao texto do Salmo 9 5. 7-11, não tanto para continuar o argumento principal, mas para confirmá-lo às Escrituras antes de expor a sua conclusão final (Hb 4.1 O).
Também aponta alguns erros associados à interpretação do salmo:
1. Se o descanso divino for interpretado como o descanso em Canaã, alguém poderia supor que os que entraram na terra com Josué realmente gozaram do descanso prometido. Todavia, visto que depois é mencionado outro dia de descanso, o descanso físico em Canaã não poderia ser aquele à que DEUS se referiu como meu descanso, citado no Salmo 95.11 (ARA).
2. Por outro lado, se o descanso for compreendido como algo mais do que o que vemos em Canaã, o juramento Não entrarão no meu descanso (Hb 4.5b ARA) significaria o cancelamento total da promessa feita por DEUS. O escritor de Hebreus corrige essas interpretações equivocadas, afirmando que foi apontado outro dia com a promessa de DEUS de entrar no Seu descanso (Hb 4.7,8 ARA). O verbo determina aqui (Hb 4. 7) significa definir, assinalar, fixar ou marcar, e pode ser interpretado como estipular uma promessa ou fixar uma instituição oficial. Quando DEUS fala de outro dia, isto não deve ser entendido como um outro descanso, mas como o meu descanso do Salmo 95.11, que não se exaurira com tudo o que o precedera e ainda seria desfrutado pelo povo de DEUS. O sétimo dia para o descanso foi definido e fixado para a geração do êxodo quando esta recebeu o maná (Êx 1'6.22-30). Portanto, esse outro dia apontado em Hebreus 4.8 não se pode referir ao descanso após o estabelecimento em Canaã da nova geração de Israel liderada por Josué, pois esta ainda vivia sob a dispensação do sétimo dia (o Sábado). Logo, o autor da Epístola se referia ao novo e espiritual descanso que ainda pode ser aceito ou rejeitado, explicado no  versículo 10, daí a exortação: Não endureçais o vosso coração (Hb 4.7c).
 
HEBREUS 4:9
UM REPOUSO PARA O POVO DE DEUS A TERRA
Portanto, resta ainda um repouso para o povo de DEUS. Hebreus 4.9
Este versículo marca a conclusão do argumento principal. A seguir, o escritor da Epístola aos Hebreus passará às provisões reservadas para a entrada neste descanso. A palavra repouso, nesta passagem, é sabatismos, que, em sua forma nominal, não se encontra em outra parte das Escrituras. É formada de uma palavra hebraica [shabat] com um sufixo do grego [ismos], tornando-se, assim, um termo de amplo alcance. O vocábulo hebraico original significa descansar, e é usado em Gênesis 2.2,3, onde se diz que DEUS descansou ou sabatizou no sétimo dia. A alteração de termos, portanto, pretende evidentemente identificar o descanso de DEUS com aquele prometido ao Seu povo; do contrário, a palavra katapausis é que teria sido usada, como em Hebreus 3.11,18; 4.1,3,5,10,11. O autor de Hebreus, sem dúvida, vê em sabatismos não um dia de Sábado isolado, mas uma vida de Sábado. É o próprio descanso de DEUS em si mesmo- o deleite que Ele tem na Sua perfeição e a eterna satisfação em todas as Suas obras. Por isso, para expressar este sabatismo, ou vida sabática, definiu-se ou determinou-se a observância de um outro dia (Hb 4.8 ARA), como penhor ou símbolo dele. Mas o que é este descanso? É uma experiência real, prática, pessoal e espiritualde repouso em DEUS, assinalada pelas seguintes características:
 
1. É um repouso para o povo de DEUS, ou seja, é a rica herança de todo verdadeiro filho de DEUS, o que exclui os ímpios.
Como no capítulo 3 foi declarado que nos tornamos participantes de CRISTO (Hb 3.14), aqui se diz que o povo de DEUS entra com Ele no repouso.
 
2. É um repouso da fé.
 Por esta expressão, entendemos uma confiança plena em DEUS, mediante a obra redentora de CRISTO. É um repouso perfeito em uma expiação consumada. Há alguns que parecem considerar a fé como um esforço próprio ou uma luta para crer; isto não é fé, mas uma forma sutil de obras. Fé é descanso e repouso, não esforço e luta. É descanso em DEUS, porque é outorga Sua. A obra operada é toda dele. Não existe mérito na fé. A fé em si mesma não nos salva; CRISTO nos salva por meio dela. O poder e a glória pertencem a Ele.
 
3. É um descanso da escravidão do pecado.
Geralmente admite-se que a natureza carnal permanece no coração do regenerado [até a glorificação]. Desta tendência para o erro, o coração humano é continuamente purificado pelo ESPÍRITO SANTO mediante a fé (At 15.8,9). Este descanso é, portanto, a vitória final de CRISTO sobre o pecado, que põe fim ao domínio da carne, porque os que são de CRISTO, no pleno sentido da nova aliança, crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências (Gl 5.24).
 
4. É um descanso contínuo em DEUS, mediante a obra expiatória de CRISTO.
Somente os que têm um coração limpo verão a DEUS (Mt 5.8), e apenas os que caminham na luz têm comunhão constante com Ele. O sangue de JESUS CRISTO, seu Filho, nos purifica de todo pecado (1 Jo 1.7b), isto é, purifica continuamente. Este descanso não é separado da expiação; ao contrário, é um descansar constante e contínuo nos méritos do sangue de CRISTO. Com tão preciosos privilégios a nós proporcionados, é de admirar que o escritor de He;breus insista conosco para que dediquemos roda a atenção ao ato de entrar neste descanso. As duas palavras gregas traduzidas como fé e crer ocorrem cerca de 500 vezes no Novo Testamento. Pistuo é a raiz verbal e expressa ação; ocorre 256 vezes no Novo Testamento, onde é traduzida como crer, significa um ato da criatura, nunca sendo atribuída a DEUS. A outra forma do texto grego é pistis, traduzida como"'fé, e ocorre 247 vezes no Novo Testamento, onde o seu único significado legítimo é um ato de confiança realizado pela criatura. A idéia perfeita, compreendida nestas duas palavras, formula-se na mente como um ato da criatura, pelo qual a vontade subordina as paixões, ações e vida ao seu Criador. Implica a rendição do homem todo, no mais pleno sentido, ao seu Redentor, para Seu uso e glória. O erro mais fatal com respeito à fé é a pressuposição de que é um dom divino; que é uma influência indefinível, misteriosamente infundida na alma. O penitente esforça-se, aguarda e indaga-se a si mesmo, porém não progride. O professor analisa as suas mutações espirituais, procura estar atento às suas emoções e fica angustiado e desanimado porque DEUS não lhe dá fé. Lamenta a sua pobreza e morre de fome no meio da abastança, porque insiste em inverter a ordem divina da salvação. Recusamo-nos a aceitar o fato de que ter fé em DEUS e crer na Sua promessa é o mesmo ato expresso de duas maneiras diferentes. QoNES, Entire sanctiftcation, scripturally and psychologically examined, p. 63,64).
 
HEBREUS 4:10
A OBRA REDENTORA DE CRISTO
O descanso da criação foi perturbado e prejudicado pelo pecado, e o homem perdeu aquele repouso interno, espiritual em DEUS, o verdadeiro Sábado da alma. O ser humano já não podia encontrar descanso por meio das obras ou no cessar delas, pois tanto ele próprio quanto o seu trabalho estavam internamente manchados pelo pecado. Por isso, DEUS não descansa mais em Sua obra criada para o homem, da qual o sétimo dia é um símbolo; apenas na obra redentora mediante CRISTO. Eis por que disse o salmista: Porque o SENHOR elegeu a Sião; desejou-a para sua habitação, dizendo: Este é o meu repouso para sempre; aqui habitarei, pois o desejei (SI 132.13,14). DEUS descansa em Sua criação, que é interna e espiritual.  É evidente que Isaías considerava o verdadeiro Sábado como um dia consagrado ao Senhor, e não às obras da carne: Se desviares o teu pé do sábado, de fazer a tua vontade no meu santo dia, e se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do SENHOR digno de honra, e se o honrares, não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falar as tuas próprias palavras, então, te deleitarás no SENHOR Isaías 58.13,14a. É por causa da natureza carnal, da tendência ao erro que os homens consideram o dia consagrado a DEUS como um tédio. Somente quando fazemos a vontade do Pai e o Seu descanso é internalizado em nós somos capazes de conceber o Sábado como um deleite, o dia santo do Senhor.
 
O DESCANSO REDENTOR EM CRISTO
Porque aquele que entrou no descanso de DEUS, também ele mesmo descansou de suas obras, como DEUS das suas. Hebreus 4.10 ARA
Neste trecho, percebemos claramente a mudança dos pronomes no plural para os pronomes no singular, o que torna a mensagem agora não geral, mas específica. Aquele que entrou no descanso não se refere aos homens, mas a JESUS. Ebrard disse que todo leitor imparcial  "deve também, por causa do aoristo katepause, entender o descanso da mesma maneira". O autor da Epístola não mencionou em Hebreus 4.1 O, expressamente, o nome de JESUS porque, no versículo 8, a mesma palavra que corresponde a Ele foi usada para designar Josué. É evidente que Josué não deu o descanso que o escritor cita; do contrário, não teria sido determinado um outro dia para o repouso. Já observamos que, quando DEUS descansou no sétimo dia, Sua obra tinha sido consumada tanto interior como anteriormente. Foi a isto que JESUS se remeteu quando disse: O que fez o exterior não fez também o interior? (Lc 11.40). Este descanso, portanto, deve ser tomado qualitativamente, incluindo a obra da redenção realizada por CRISTO, pois está escrito que as obras [estavam] concluídos desde a fundação do mundo (Hb 4.3 ARA, final). João expressou esta mesma verdade: o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo (Ap 13.8). Isto indica que a obra da redenção foi planejada para o homem, no caso de uma possível Queda, antes mesmo da entrada do pecado no mundo. Ebrard comentou ainda que, quando as palavras do versículo 10 são traduzidas em sua exatidão gramatical, temos: "Porque aquele que entrou no descanso, ele próprio descansou de igual maneira de suas obras, como DEUS das suas". Nesse caso, notamos o paralelo entre a obra de DEUS, na criação, e a obra de CRISTO, na redenção. Esta se completou tanto externa como internamente quando, na cruz, o Mestre exclamou: Está consumado G o 19 .30b). Depois da expiação consumada e do fim da Sua humilhação, JESUS deixou o estado em que Sua alma estava separada do corpo na morte, ressuscitou e assumiu o corpo glorificado. Durante 40 dias, permaneceu sob certa forma transitória, visitando ocasionalmente os discípulos. Findos tais dias na presença deles, ascendeu aos céus, até que uma nuvem o escondeu da vista deles, achando-se, agora, assentado à direita do Pai nas alturas. Esse paralelo, contudo, deve ser analisado ainda mais profundamente, pois as aparições de JESUS estão relacionadas principalmente com a observância do Sábado. Com a ressurreição de CRISTO, iniciou-se o Sábado do Filho. E porque a doutrina do Sábado exige que, após seis dias de atividade, seja dedicado um dia de descanso à nossa vocação celestial, a Igreja conta o sétimo dia não a partir do sábado de DEUS na criação, mas do Sábado do Filho, que ressuscitou no primeiro dia da semana. O Sábado cristão, frequentemente chamado o dia do Senhor, assume grande significado. Em si mesmo, não é apenas uma instituição estabelecida como memorial do descanso de DEUS após a obra concluída da criação, mas, celebrada em outro dia novo, torna-se também um memorial da obra consumada de CRISTO na redenção. O Dr. Wardlaw, em seu tratado sobre o assunto, disse: "Como o fato de DEUS descansar das obras da criação deu origem ao antigo Sábado, assim a consumação por CRISTO da obra deu origem ao Sábado que é agora observado na Igreja". Declarou ainda: Sou de opinião, como alguns críticos eminentes, que temos nestes versículos (Hb 4.9,10) uma sugestão inequívoca e autoridade expressa para a mudança do Sábado [do sétimo para o primeiro dia da semana]. Estou perfeitamente satisfeito no que se refere ao significado da passagem como declaração definida e explícita quanto à mudança do sábado. (WARDLAW, in: Lindsay, Lectures on the Epistle to the Hebrews, p. 177, 178). Este assunto é também mencionado pelo Dr. Adam Clarke em seu  Commentary on Hebrews.
 
O CESSAR DAS OBRAS - O TRONO NA TERRA
Também ele mesmo descansou de suas obras, como DEUS das suas. Hebreus 4.10b ARA
Após concluir Sua obra terrena e ascender ao Seu trono nos céus, CRISTO continua a Sua obra de onde Ele se encontra, em um ministério de intercessão mediante o ESPÍRITO SANTO. Do mesmo modo que anteriormente o escritor da Epístola aos Hebreus se referiu ao homem como aquele que não tem todas as coisas sob o seu domínio, e a seguir disse Vemos, todavia, [ ... ]JESUS (Hb 2.9aARA), assim observamos aqui o Salvador entrando no descanso divino e abrindo Ocaminho para o SANTO dos Santos a todo o Seu povo. Como o Capitão da nossa salvação, CRISTO conduz muitos filhos à glória mediante
a santificação (Hb 2.10,11 KJ). Dessa forma, diz-se que Ele os conduz ao descanso da fé, isto é, àquele repouso eterno da alma que se encontra apenas na comunhão com o Pai e com o Filho . Este é o aspecto profético de CRISTO prefigurado por Moisés. Mais adiante, o autor de Hebreus apresentará a mesma verdade sob a tipificação de Arão, o sumo sacerdote. Como o cristão entra neste descanso divino? (1) Cessando as obras da carne e (2) descansando em fé singela na obra consumada de CRISTO. São atos concomitantes, pois é impossível, ao mesmo tempo, descansar em nossas próprias obras mortas e no sangue de CRISTO oferecido como expiação por nós. A vida de JESUS nos proporciona um exemplo de dependência contínua e absoluta do Pai. O Mestre disse: O Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer ao Pai, porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente (Jo 5.19). CRISTO é a luz do mundo, e tão transparente foi a Sua natureza durante o tempo de Sua humilhação, que tudo o que vinha de DEUS por intermédio dele era transmitido, sem obstrução, ao homem, e tudo o que era apresentado a DEUS mediante CRISTO igualmente chegava intacto ao Pai. CRISTO é luz, e até nas profundezas infinitas do Seu ser não existem trevas. Que significa, porém, o cessar de todas as nossas obras? Não quer dizer o cessar de toda atividade, como em uma vida de pura contemplação; é, antes, um viver ativo. É despojar-se das obras da carne, a fim de que os propósitos de DEUS possam cumprir-se em nós. É uma rendição de nossa vontade, para que, como JESUS, vivamos integralmente a vontade de DEUS. Da mesma forma que JESUS morreu para nos libertar da escravidão do pecado, devemos morrer para a antiga vida, pois só assim nossas obras cessarão. Tem de haver, portanto, a morte do eu pecaminoso, a crucificação deste com CRISTO, a santificação, ou qualquer que seja a terminologia escriturística usada para designar esta experiência. Em última análise, significa a purificação do coração por DEUS, o qual opera em nós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade (Fp 2.13). !saque M. See disse: "Não pode haver equívoco maior a respeito do viver santo do que julgar que nós é que vivemos. Não somos nós que vivemos; é CRISTO vivendo em nós. E a vida que agora vivemos, na carne, vivemo-la pela fé no Filho de DEUS (cp Gl 2.20)". Fé é descansar em DEUS. Quantos há que se esforçam com suas próprias energias para ter uma vida digna de CRISTO, deparando-se com decepções e fracassos! É CRISTO que vive em nós e manifesta-se por meio de nós; vivemos pela fé naquele que habita em nosso coração.
Paulo aprendeu o segredo do viver e do labutar santos: Para isto [apresentar todo homem perfeito em JESUS CRISTO] também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia [de CRISTO], que opera em mim poderosamente (CI 1.29). As palavras gregas usadas pelo apóstolo são enfáticas: agonizomenos, agonizando segundo a Sua energeian, energia que vitaliza em mim dunamei, poder ou forças. Não é pelo nosso próprio poder e pela nossa força que havemos de afadigar-nos e viver, mas por Aquele que habita dentro do coração santo. Um dos grandes perigos que enfrentamos é descansar, antes, naquilo que CRISTO fez por nós do que naquele que continuamente opera em nós. Somente quando somos purificados de todo pecado e cessam todas as nossas obras é que o poder de DEUS flui por nosso intermédio, segundo a nossa própria medida, como aconteceu com CRISTO em toda a Sua plenitude. Só assim é possível ter um viver santo e trabalhar efetivamente pela expansão do Reino.
 
HEBREUS 4:11
UMA EXORTAÇÃO À DILIGÊNCIA
Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência. Hebreus 4.11 ARA
Esforcemo-nos é uma tradução de spoudasomen oun, que significa ser diligente, apressar-se, estar zeloso e alerta. A alusão é principalmente à intensidade de propósito ou ao máximo de empenho em entrar naquilo que DEUS tão ricamente proporcionou ao Seu povo. Não se trata de uma bênção concedida pela observância dos Seus mandamentos, mas em observá-los - bênção que flui tão-somente da graça divina.
As expressões temamos (Hb 4.1 ARA) e esforcemo-nos (Hb 4.11 ARA) são aoristos, portanto decisivas e ativas. A primeira tem sentido negativo implícito; a segunda é positiva. Uma apela para o motivo do medo; a outra, para a grandeza da esperança. E ainda, a palavra temamos toca o lado negativo, mas a palavra em ( ev) -para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência (ARe) - não significa exatamente segundo (ARA), isto é, cair segundo o exemplo dos antepassados, como que, se alguém cair, estará acrescentando-se aos mesmos exemplos de desobediência dos israelitas, que se recusaram a entrar em Canaã por causa da incredulidade. Eis a tradução de Ebrard: "Acautelemo-nos, portanto, para não negligenciarmos o segundo e mais excelente e poderoso chamado da graça, para que nós também, por nossa vez, não nos tornemos um exemplo de advertência para os outros". O descanso da fé, como demonstramos, é uma experiência pessoal e espiritual de repouso em DEUS mediante o ESPÍRITO. Mas nota-se que não se trata do descanso final do cristão pelo fato de que ainda está associado à observância de um dia de Sábado rípico. Acham alguns que as palavras aquele descanso (Hb 4.11 ARA) são usadas, em vez de o descanso• de DEUS, a fim de abranger, em uma única expressão, tanto o Sábado de descanso da alma como a observância do dia para comemorá-lo. Existe uma semelhança entre o ensino de Paulo sobre o penhor da nossa herança e a entrada no descanso da fé. O penhor não é meramente um símbolo, mas uma verdadeira porção daquilo que depois será concedido em medida mais rica e plena. É uma porção daherança, não a porção inteira. Assim também este repouso da fé é apenas o princípio daquilo que se fundirá depois no repouso da glória, o objetivo último ao qual o Capitão da nossa salvação conduz aqueles que santifica aqui (Hb 2.10,11 KJ). É o antegozo daquilo que há de vir, quando "a esperança se transformará em alegre fruição, a fé em contemplação, e a prece em louvor". O Sábado celebrado no sétimo dia comemorou o descanso de DEUS pela criação e o Seu selo de propriedade em todas as Suas obras. O Sábado celebrado no primeiro dia comemora a obra redentora de CRISTO e é a certeza de nossa ressurreição e glória final. Haverá um outro Sábado no mundo vindouro, o Sábado do ESPÍRITO SANTO. Como no dia em que DEUS descansou não teve noite nem manhã, assim o Sábado do porvir será um eterno dia, pois não haverá noite. Será um repouso eterno, pois, no novo céu e na nova terra, só habita a justiça. O descanso da fé e o repouso final na glória se encontram e fundem-se nos portais da morte e nas glórias da ressurreição primeira. Por isso, João escreveu: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o ESPÍRITO, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham (Ap 14.13 ARA). A palavra aqui traduzida como fadigas é kopon, que significa trabalho, labuta, lutas. Naquela terra gloriosa, todas as consequências do pecado serão removidas, pois DEUS limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas (Ap 21.4). Descansaremos para sempre no lugar que JESUS foi preparar-nos,
mas, acima de tudo, repousaremos com Ele em glória resplandecente: Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; 'porque assim como é o veremos (1 Jo 3.2b). Bem naquele momento, uma influência celestial encheu a sala, e mal tinha balbuciado ou pronunciado as palavras do meu coração: "Hei de ter a bênção agora", um fogo refinador atravessou-me o coração, iluminando-me a alma, permeando-me por toda parte e santificando  tudo. Recebi, então, o pleno testemunho do ESPÍRITO de que o sangue de JESUS me purificara de todo pecado. Exclamei: "Isto é o que desejava. Recebi agora um novo coração! Fui esvaziado de mim mesmo e do pecado e fiquei cheio de DEUS".
 
HEBREUS 4:12 - 13
A VIVA E EFICAZ PALAVRA DE DEUS
Os versículos 12 e 13 de Hebreus 4 devem ser considerados como um reforço da advertência e da exortação precedentes. Neles, a alusão é principalmente à Palavra de DEUS escrita. DEUS, porém, jamais se separa da Sua Palavra; por isto, existe sempre uma relação íntima entre o Verbo Q o 1.1, 14) e a Palavra de DEUS falada ou escrita (Lc 5.1; Me 7.13). Podemos observar as seguintes características da Palavra de DEUS:
 
1. Porque a palavra de DEUS é viva, e eficaz (Hb 4.12a ARA)
A palavra grega zon, viva, está colocada em primeiro lugar na sentença por uma questão de ênfase. As Escrituras recebem esta qualificação porque são a Palavra do DEUS vivo, a efusão da vida divina. JESUS salientou esta grande verdade quando disse: As palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida (vs6.63b ARA). A palavra energes, traduzida como eficaz, significa poder em ação, em contraste com poder em potencial. É expressa, portanto, por palavras como ativo, vigoroso, eficiente. O escritor de Hebreus se referia à Palavra escrita que os judeus possuíam e a considerou como o poder ativo de DEUS, o que se observa pelos pronomes pessoais do versículo seguinte [suas, daquele]. Que presunção, portanto, falsificar a Palavra de DEUS ou sujeitá-la às opiniões limitadas, senão enganosas, dos homens! É insensatez criticar aquilo pelo que nós mesmos seremos julgados diante do universo reunido.
 
2. E mais cortante do que qualquer espada de dois gumes (Hb 4.12b ARA)
A palavra distomon , significa literalmente de duas bocas, e é uma alusão à espada curta, machaira, usada pelos legionários romanos (Ef 6.17). A palavra pasan, pode ser traduzida como toda, em vez de qualquer, e é mais enfática. Essa espada é usada como ilustração do poder penetrante da Palavra de DEUS. Assim como a espada atravessa a carne e corta os ossos, expondo a medula, a Palavra de DEUS pode atravessar a alma e o espírito até os pensamentos e desígnios mais íntimos do coração.
 
3. E penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas (Hb 4.12c ARA) 
O verbo traduzido como penetrar é diikoume~os, que significa cortar ao meio ou ir de princípio a fim. O uso da palavra rnerismou, dividindo ou separando, em conexão com as palavras te kai, tanto, como, não pode significar a separação entre a alma e o espírito, mas a divisão tanto da alma como do espírito, e também das juntas e medulas (no plural). Westcott afirmou que a explicação mais simples do texto é considerar as duas cláusulas compostas como ligadas pelo te, de sorte que os dois primeiros termos [alma e espírito] representam a parte imaterial do ser do homem, e os últimos (juntas e medulas], a material. Pode-se, então, dizer que a Palavra ou a Revelação divina penetra.rodo o ser do homem. Eis como Ebrard bem parafraseia o encadeamento de ideias contido nesse texto: A Palavra de DEUS é mais afiada do que toda espada de dois gumes, pois penetra a ponto de dividir ao meio o espírito bem como a alma, lembrando assim uma espada, que penetra até a separação das partes, tanto da medula como das juntas.
 
4. Alma e espírito (Hb 4.12c ARA)
O emprego dos termos alma e espírito exige consideração adicional. Sabe-se que a palavra grega psiche, não é o equivalente exato da palavra alma, sendo usada pelos gregos para significar meramente a vida que anima o corpo, compreendida como a fonte dos apetites e desejos carnais. Para nós, o vocábulo alma está associado a uma ideia mais profunda como a parte imaterial ou espiritual do homem, que, portanto, compõe-se de uma dimensão material, o corpo, e de uma imaterial, conhecida como alma ou espírito. Todavia, a parte imaterial é considerada pelo escritor da Epístola aos Hebreus de duas maneiras: a alma, que anima o corpo, e o espírito, que é a fonte de nossas relações para com DEUS. É isto que dá origem ao seu ensino sobre a tricotomia funcional, embora adote uma dicotomia essencial. Convém ter em mente que a alma é espiritual em relação ao corpo, sendo o espírito o princípio da vida, e a alma, a sede da vida. Quando, entretanto, distinguem-se estes dois termos um do outro, a alma, psiche, é a vida do corpo que o espírito lhe dá; e o espírito, pneuma, a mesma porção imaterial considerada corno divinamente inspirada e, portanto, a esfera do poder regenerador e santificador de DEUS. O pecado operou a desordem moral no homem e produziu um estado de injustiça em que o princípio superior do espírito foi dominado pela psiche ou vida natural. A esta condição, o autor da Epístola aplica o termo psíquico ou da alma, sendo a psiche a sede dos pensamentos, sentimentos e volições no que tange somente à existência física. Mas a Palavra de DEUS penetra muito além disto, e, assim, é capaz de renovar e santificar o entendimento do homem (Rm 12.2). A esta última condição, o escritor de Hebreus aplica o termo espiritual, em oposição ao meramente psíquico.
 
5. E é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração (Hb 4.12d ARA)
Esta declaração se adiciona materialmente à ideia do poder penetrante da Palavra. O termo usado neste contexto é coração, e não alma e espírito, como antes, sendo aquele o centro ativo da existência pessoal. Do coração, do ser interior procedem enthumeseis, os desejos naturais, as paixões, reflexões e meditações que se manifestam livremente na mente natural; e ennoiai, a vida mental do consciente, as opiniões, os princípios e as ideias formados com base nas reflexões anteriores, que têm como resultado a atividade intencional. Assim, temos a Palavra sondando os pensamentos e propósitos do coração. A expressão apta para discernir não é krites, que significaria julgar, e sim kritikos, que denota o que é hábil no julgamento. A Bíblia, portanto, exerce um efeito distintivo e crítico sobre todo o caráter moral do homem, e o discernimento, os julgamentos, as advertências e as consolações que traz são sempre infalível e impecavelmente verdadeiros. A Palavra de DEUS nos permite distinguir entre o que é natural e o que é operado em nós pelo ESPÍRITO. Como as juntas que unem os membros ficam mortas sem a medula, assim a alma está morta em delitos e pecados antes de ser vitalizada pelo ESPÍRITO vivificador. A transmissão da vida espiritual na regeneração, contudo, não remove a natureza carnal, que Paulo chama carne e condena como inimizade contra DEUS (Rm 8.7). Todavia, a Palavra penetra nos recônditos do coração e manifesta o que é espiritual e o que é carnal. Esta penetração, este rasgar a carne, é cirurgia dolorosa, mas resulta na saúde da alma e na inteireza ou santidade do coração e da vida. É da maior importância identificar estes dois estágios da experiência cristã e do conhecimento pessoal de DEUS. O primeiro é o recebimento do dom da vida, que nos dá poder para caminhar no ESPÍRITO e permite que não atendamos aos desejos da carne, embora o conflito na alma permaneça (Gl5.16,17). O segundo é o início da caminhada para um plano mais elevado, em que a natureza carnal é crucificada, sendo removidas as suas manifestações de maus desejos e paixões desordenadas. Dessa forma, a pureza se dissemina em todo o ser, e a alma entra na plenitude da bênção de CRISTO.
 
6. E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas (Hb 4.13 ARA).
Nesta passagem bíblica, DEUS e a Sua Palavra parecem estar identificados pelo uso dos dois pronomes pessoais auto, o que pode ser uma síntese do pensamento do versículo anterior, em que é usada a expressão Palavra de DEUS. A transição da manifestação de DEUS por meio da Sua Palavra para a manifestação de DEUS por meio da Sua pessoa é perfeitamente natural, sendo ainda confirmada pela última sentença. O termo aqui é pros, face a face, o que torna claro que estamos sempre sujeitos à onisciência do Todo-poderoso. Não há dúvida de que esta declaração liga eficazmente DEUS à Sua palavra e substancia o que é dito neste sentido. A frase manifesta na sua presença, no grego, está expressa na forma negativa aphanes, isto é, não aparente, tratando-se de uma declaração enfática de que nada há que não seja aparente ou evidente a DEUS. Assim, os olhos do Senhor, Sua providência estende-se a todas as Suas criaturas, de sorte que nem mesmo um pardal é esquecido pelo Pai. Toda a criação está constantemente diante da Sua vista, e não existe nada que possa ocultar-se à sua visão ou obscurecê-la. A intensidade desta visão é ainda fortalecida pela palavra gumna, descobertas, e pelo acréscimo de tetrachelismena, que significa aberto ou posto nu, dai despido de todo disfarce, patente. Esse versículo é especialmente enfático por conter uma dupla negativa: não há criatura [singular] que não seja manifesta e todas as coisas [plural] estão descobertas, ou seja, sem disfarce. É evidente que não se poderia dar maior ênfase a esta grande verdade da existência do olho daquele que tudo vê e a quem temos de prestar contas. O escritor de Hebreus chegou à sua segunda conclusão: de que CRISTO é superior aos anjos e também o é em relação a Moisés. JESUS acumulou, em si mesmo, não apenas o cargo apostólico de Moisés, mas o sumo sacerdócio de Arão, elevando-os da esfera de tipos e sombras a uma nova e celestial ordem. Contudo, o tema do autor da Epístola é ainda o descanso da fé. Ai de nós, porque não apenas os israelitas da primeira geração do êxodo, mas muitos nas igrejas de hoje deixaram de preservar até a santidade do coração e da vida! Eles igualmente, por causa da incredulidade, desistiram e voltaram às práticas antigas, estando já às portas deste descanso espiritual. Ebrard fez este pertinente comentário a respeito do poder distintivo da Palavra: Este poder Ela tem, porque, como Palavra daquela graça na mais alta manifestação de que a santidade de DEUS permanece de rodo incólume, perdoa e julga o mesmo pecado no coração do homem, a um e mesmo tempo, e por um mesmo ato. Na cruz de CRISTO, a culpa foi expiada, e o pecado que levou CRISTO à cruz ao mesmo tempo condenado e exposto como objeto de repulsa a todos os que amam o propiciador. Assim, tem esta Palavra, de prodígio, o prodígio de rodas as. palavra, o poder para consolar sem seduzir à leviandade; abalar sem mergulhar no desespero. Atrai enquanto repreende; esquadrinha enquanto atrai. Quem a ouviu uma vez não pode libertar-se dela; sua afabilidade não lhe permitirá lançá-la fora e, ao apegar-se a ela, não escapará ele também de sua severidade perscrutadora. Em uma palavra, é como se ela tivesse farpas. A Lei de Moisés censura o mal praticado; a Palavra do Evangelho opera sobre a fonte de onde procedem as ações, a mente, o coração. Julga antes de a ação ser praticada, não depois. É viva; seu julgamento consiste em tornar melhor, em santificar o homem interior do coração, estendendo a sua eficácia à vida exterior. (EBRARD, Bíblica! Commentary on the Epistle to the Hebrews, p. 163)
 
DA LIÇÃO 4 - 2018
SUBSÍDIO DIDÁTICO TOP 1
Professor(a), o recebimento da Palavra com fé, o viver em obediência e o coração contrito e aberto à Palavra são os três aspectos do ouvinte da mensagem de JESUS que devem ser enfatizados neste primeiro tópico. Deixe claro que sem fé é impossível agradar a DEUS; sem obediência à Palavra não há fundamento na vida cristã; sem coração contrito não há arrependimento.
 
SUBSÍDIO TEOLÓGICO TOP 2
"O repouso de DEUS, no qual os crentes são convidados a entrar, é algo para o presente ou para o futuro? Certamente o repouso de DEUS em seu sentido mais amplo aguarda a era por vir, mas há também um sentido presente de entrar pela fé, como é indicado pelo versículo 3: 'porque nós, os que temos crido [tempo passado], entramos [tempo presente] no repouso' (cf. a ênfase do tempo presente em 4.1,10,11). A fé torna possível, no presente, realidades que são futuras, invisíveis, ou celestiais (cf. 11.1).
Em 4.3-5, são enfatizados dois fatos importantes:
1) O repouso de DEUS é uma realidade presente e completa (4.3c,4) e
2) Os israelitas não puderam entrar no repouso de DEUS (4.3b,5b) por causa de sua incredulidade e desobediência (3.19; 4.6). Note que nosso autor cita Gênesis 2.2 em Hebreus 4.4 e se refere ao Salmos 95.11 (duas vezes) em Hebreus 4.3,5. Sua preocupação por seus leitores é que entrem no repouso de DEUS agora pela fé e que não o percam para sempre, como fez a geração que peregrinou no deserto. A incredulidade fecha o coração para DEUS e torna sua promessa sem efeito.
O que é o repouso de DEUS? É um repouso baseado na conclusão de sua obra na criação (4.3c,4), do qual o sábado sagrado é um testemunho duradouro. Nossa participação em seu repouso é baseada na obra consumada de CRISTO na cruz; o fato de Ele estar 'assentado' (que inclui o pensamento de repouso) à direita do Pai é o testemunho duradouro. O fato de DEUS ter repousado não significa que Ele, por conseguinte, tenha estado ou esteja em um estado de ociosidade, mas apenas que não há nada a se acrescentar àquilo que Ele fez. DEUS repousou após criar todas as coisas porque sua obra (de criar) foi terminada 'desde a fundação do mundo' (4.3c)" (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger. COMENTÁRIO Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, pp.1563,64).

CONHEÇA MAIS TOP 2
O Descanso - "A preocupação pastoral do autor se torna novamente evidente: 'Que, porventura, deixada a promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fique para trás' (cf.3.12,13; 4.11). Entrar no repouso de DEUS não é algo que acontece automaticamente após a conversão a CRISTO, da mesma maneira que Israel não entrou automaticamente em Canaã após a sua redenção do Egito. Como Bruce observa, os leitores 'farão bem em temer a possibilidade de perder a grande bênção que nos está prometida, da mesma maneira que a geração de israelitas que morreu no deserto perdeu a Canaã terrestre, embora este fosse o objetivo que tinham diante de si quando saíram do Egito'." Leia mais em "Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento", CPAD, p.1563,64.
 
SUBSÍDIO DIDÁTICO TOP 3
Ao terminar a exposição deste tópico , e com o auxílio das seções objetivos específicos e sínteses dos tópicos, faça uma breve recapitulação dos assuntos abordados nesta aula. Não esqueça também de trabalhar com a classe as questões da seção Para Refletir.
 
JOSUÉ (Dicionário Wycliffe)
Líder dos israelitas em sua conquista da terra prometida. Seu nome completo “Jehoshua” (Nm 13.16) significa “Jeová é salvação” e tem a mesma forma grega do nome de Jesus (Act 7.45; Hb 4.8). Seu nome está escrito como “Josué” em Neemias 8.17, mas seu nome original era Oséias (Nm 13.8). Josué era filho de Num, da tribo de Efraim (Nm 13.8). Depois de dirigir a distribuição de terras, ele se instalou nas terras altas de Efraim em Timnate-Sera, onde foi sepultado (Js 19.50; 24.30).
Como tinha mais de 40 anos de idade quando deixou o Egito, e parecia bem qualificado para assumir o comando das forças israelitas que lutaram contra os amalequitas em Refidim (Êx 17.8-16), é possível que tivesse sido treinado pelo exército do Faraó. Durante aquele ano, no monte Sinai, Josué serviu como auxiliar direto de Moisés quando esse último recebeu as leis, e todas as vezes que ia à tenda onde encontrava e ouvia o Senhor (Êx 24.13; 32.17; 33.11). Mesmo depois de deixar o Sinai, Moisés considerava Josué como um “moço” e achava necessário censurá-lo por proibir dois anciãos do acampamento de profetizar (Nm 11.27-29).
Além dos possíveis contatos que pode ter tido antes ao Êxodo com Canaã e sens habí- tantes, que vinham comercializar com os egípcios, ou mesmo que pudesse ter viajado ao Egito em alguma campanha militar, Josué adquiriu experiência dessa terra por ser um dos doze espias. Foi escolhido para ser o representante da tribo de Efraim (Nm 13.8). Eles exploraram cuidadosamente desde o Neguebe até Reobe, perto de Lebo- Hamate (Lebweb, pouco mais de 20 quilômetros a noroeste de Baalbek, entre os limites do Líbano). Como Josué e Calebe se opunham ao difamatório relatório da maioria, e insistiam que os israelitas deviam entrar na terra que era “muito boa” (Nm 14.7) ao invés de se rebelar contra o Senhor, eles cresceram em sua estatura espiritual. Os outros dez que não creram na promessa da terra, que fôra feita pelo Senhor, morreram devido à praga (Nm 14.36-38). Dos que iniciaram a jornada, somente Josué, Calebe e aqueles que tinham menos de 20 anos permaneceram vivos ao final dos 40 anos, e receberam permissão para entrar em Canaã (Nm 26.65; 32.12; Dt 1.34-40).
O Senhor ordenou a Moisés que desse a Josué o encargo de ser o novo pastor de seu povo, quando o legislador entendeu que logo morreria ao invés de entrar em Canaã (Nm 27.12-23; Dt 3.21-29). Moisés solenemente investiu Josué com honra e autoridade perante Eleazar, o sumo sacerdote, e toda a congregação, e compartilhou o espírito de sabedoria ao impor as mãos sobre ele (Nm 27.18,23; Dt 34.9). Como parte dos preparativos finais de Moisés para a continuidade da aliança, ele publicamente advertiu Josué a ser corajoso e forte a fim de levar Israel à terra de sua prometida herança (Dt 31.3,7,8). Quando Moisés e seu sucessor se dirigiram à porta da tenda, Deus comissionou Josué de uma forma direta (Dt 31.14,15,23). Depois da morte de Moisés, o Senhor bondosamente repetiu essa ordem particularmente a Josué, aumentando as suas promessas com a finalidade de encorajá-lo na véspera da invasão de Canaã (Js 1.1-9).
Acampado a leste do Jordão, Josué enfrentou dois imensos problemas: (a) como cruzar o rio transbordante; e (i>) como vencer os adversários cananeus. Será que estariam esperando na margem oposta com espadas desembainhadas? Ele enviou dois espias para fazer o reconhecimento da fortaleza de Jericó e ordenou-lhes que mantivessem a missão em segredo caso seu relatório pudesse desencorajar o povo, como os dez espias anteriores haviam feito (Js 2; cf. Nm 13; 14). Deus lhes deu a vitória sobre os dois obstáculos, enchendo de terror os habitantes da tenra (Js 2.9-11) e interrompendo as águas do Jordão, quando o povo marchou cheio de fé em sua direção e na hora em que os sacerdotes que carregavam a arca pisaram em suas águas (3.14-17).
Obedecendo ao Senhor, Josué ordenou a circuncisão de todos os homens que haviam nascido no deserto (5.2-9). A nação estava novamente disposta a caminhar pela fé com Jeová, o seu Deus, nas promessas da aliança que havia sido feita com Abraão, e se submeter à circuncisão, que era o Sinal desta aliança. Dessa forma, Deus eliminou toda reprovação e desgraça que foram trazidas pelo comportamento idólatra e sensual que haviam demonstrado no Egito (5.9).
Josué demonstrou ser possuidor de grande disciplina ao obedecer às inusitadas táticas de Deus para vencer Jericó. Ele ordenou aos sacerdotes e ao povo que marchassem em volta da cidade e ignorassem os gritos e as réplicas mordazes cheias de visível deboche dos defensores cananeus (6.6-10). Exceto no caso de Acã, as tropas israelitas seguiram suas ordens de não saquear as ruínas em benefício próprio. Sentindo-se pessoal mente responsável, Josué teve um grande sofrimento pela derrota e pela perda de 36 de seus homens em Ai, e prostrou- se sobre a sua face, desesperado, perante o Senhor (7.6-9).
Os detalhes do segundo ataque a Ai demonstram o cuidadoso planejamento e a estratégia que estavam presentes nas campanhas de Josué, Ele era cuidadoso e decisivo em suas atitudes, como mostra a marcha noturna de Gilgal para aliviar o cerco de Gibeão (10.9). Quando as fileiras dos amorreus foram rompidas, ele induziu o seu exército a prosseguir ramo às vitórias (10.19,20). Josué havia pedido que Deus o ajudasse a destruir, em campo aberto, o potencial de luta do inimigo e, depois da saraiva que fora divinamente enviada, ele continuou a utilizar a vantagem alcançada, enquanto os exércitos amorreus fugiam para fortalezas situadas a 30 quilômetros de distância (10.10-14).
Com incrível velocidade, ele atacou as principais fortalezas do sul, uma após outra, com o objetivo maior de matar as tropas e não de ocupar e dominar as cidades (10.28-43). Ele contava muito mais com a direção e o suporte divino (10.25,30,31,42; 11.69,15־), com a surpresa e a astúcia, a disciplina e o incentivo aos seus homens e com o colapso moral do inimigo, do que com a superioridade e a quantidade das armas e homens. Como o seu exército havia sido formado no deserto, e não estava treinado para operações de cerco, ele não podia se arriscar a ficar atolado do lado de fora de uma cidade murada. E provável que muitos cananeus tenham fugido para as montanhas e cavernas, para depois retomar e reoeupar as suas cidades. Outras cidades, como Gibeão e seus aliados, capitularam imediatamente. Dessa forma, exceto no caso de Jericó, Ai e Hazor, que Josué incendiou
(11.13), os arqueólogos podem esperar encontrar poucas e claras evidências da destruição ae uma cidade por causa das incursões de Josué. Ele subjugou o país como um todo, e promoveu a necessária segurança para permitir que cada tribo entrasse e reclamasse a herança que lhe fora destinada. Gradualmente se seguiram a instalação dos israelitas e a construção dos edifícios durante o período.que decorreu desde os juizes até Davi. Veja Êxodo, O
Josué possuía as qualidades de um verdadeiro líder. Exibiu grande coragem desde a primeira batalha contra os amalequitas em Refidim, mantendo-se firme todas as vezes que começavam a prevalecer, até o seu ataque contra a associação de reis cananeus junto às águas de Merom. Era rápido ao receber e obedecer às ordens de seu divino Comandante-em-Chefe (por exemplo, 5.13-6,5), e suficientemente humilde para reconhecer sua constante necessidade de depender do Senhor - embora tenha deixado de buscar a Deus na questão da identidade dos enviados de Gibeão (9.14,15). Josué era um homem de honra. Ele cumpriu o acordo feito com os dois espias sobre o lar de Raabe, e poupou a família desta mulher quando a cidade de Jericó foi derrotada (6.22-25). Também não invalidou o tratado feito pelos príncipes israelitas com os gibeonitas (9.18-26).
Porém, a melhor qualidade que ele demonstrava era a sua total devoção à lei de Deus. Saturava a sua mente e o seu coração com a Palavra do Senhor, Dessa maneira, a nação confiava em suas decisões (veja 1.13-18; 11.11,15; 14.1-5). Em meio às suas primeiras campanhas, Josué dedicou tempo ao estabelecimento da aliança de Israel com a nova lei da terra em seu próprio centro, em Gerizim e Ebal (8.30-35). Em seu discurso de despedida apelou ao povo, pedindo que cada um renovasse o compromisso de sua aliança com o Senhor, exortando-os a guardar e a fazer “tudo quanto está escrito no livro da Lei de Moisés” (23.6).
Seu santo exemplo de temor e obediência ao Senhor continuou a influenciar a nação mesmo depois de sua morte, e durante o período dos anciãos que a ele sobreviveram (24.31).  J.R.
 
AJUDA BIBLIOGRÁFICA
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BÍBLIA ILUMINA EM CD - BÍBLIA de Estudo NVI EM CD - BÍBLIA Thompson EM CD.
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Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.
Revista Ensinador Cristão - CPAD.
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GARNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada. VIDA
CHAMPLIN, R.N. O Novo e o Antigo Testamento Interpretado versículo por Versículo. 
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
AS GRANDES DEFESAS DO CRISTIANISMO - CPAD - Jéfferson Magno Costa
O NOVO DICIONÁRIO DA BÍBLIA – Edições Vida Nova – J. D. Douglas
Comentário Bíblico Expositivo - Novo Testamento - Volume I - Warren W. Wiersbe
http://www.gospelbook.net
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Comentário Bíblico TT W. W. Wiersbe
Teologia Sistemática Pentecostal - A Doutrina da Salvação - Antonio Gilberto - CPAD
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Teologia Sistemática - Conhecendo as Doutrinas da Bíblia - A Salvação - Myer Pearman - Editora Vida
CRISTOLOGIA - A doutrina de JESUS CRISTO - Esequias Soares - CPAD
Conhecendo as Doutrinas da Bíblia - Myer Pearman - Editora Vida
Dicionário Bíblico Wycliffe - CPAD
Teologia Sistemática de Charles Finney
A CARTA AOS HEBREUS - Introdução e Comentário por DONALD GUTHRIE - SOCIEDADE RELIGIOSA EDIÇÕES VIDA NOVA E ASSOCIAÇÃO RELIGIOSA EDITORA MUNDO CRISTÃO
SÉRIE Comentário Bíblico - HEBREUS - As coisas novas e grandes que DEUS preparou para vocè - SEVERINO PEDRO DA SILVA
A Excelencia da Nova Aliança em CRISTO - Orton H Wiley - Comentário Exaustivo da carta aos Hebreus - Editora Central Gospel - Estrada do Guerenguê . 1851 - Taquara I 11111 Rio de Janeiro - RJ - CEP: 22713-001 PEDIDOS: (21) 2187-7090 .
 
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