LIÇÃO 07 - DÉBORA, UMA MULHER CORAJOSA
TERCEIRO TRIMESTRE DE 2007
TEMA: “A busca do caráter cristão: aprendendo com homens e mulheres da
Bíblia”.
Comentarista: Eliezer de Lira e Silva
Complementos: Ev. Henrique
QUESTIONÁRIO
TEXTO ÁUREO:
"Esforça-te e tem bom ânimo; não pasmes, nem te
espantes, porque o SENHOR, teu DEUS, é contigo, por onde quer que andares"
(Js 1.9).
VERDADE PRÁTICA:
As adversidades não esmorecem a fé de um crente corajoso e
completamente submisso ao Senhor.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Juízes 4.4,6-9; 5.1,7.
Resumo Teológico:
Débora e Baraque Contra Jabim e Sísera e Canaã
(4:1-24)
4:1-3. A opressão de Jabim. O foco de atenção muda, das tribos sulinas para as
nortistas. A ameaça de Jabim e Sísera, longe de relacionar-se a pequenas
porções de território, envolvia seis tribos, nesse novo conflito. Foi o
primeiro grande perigo da época dos juízes.
Em Josué 11:1-11 faz-se menção a Jabim, rei de Hazor, onde se nota a captura e
destruição da cidade pelo exército de Josué Muitos eruditos têm sugerido que
os relatos de Josué 11 e Juízes 5 e 6 foram confundidos pelo historiador, ou
que o grande nome de Josué atraiu para si mesmo uma vitória retumbante, obtida
um século depois, principalmente pelas tribos de Zebulom e Naftali. Não há,
contudo, dificuldades insolúveis no relato como o temos. O nome de Jabim pode
ser um título hereditário adotado pelos sucessores reis de Hazor. A própria
Hazor, queimada pelo exército de Josué, quase um século antes, e
presumivelmente não ocupada pelos israelitas, havia sido reconstruída pelos
cananeus, e recuperado sua hegemonia. Isto não é de surpreender, porque Hazor
ficava numa posição estratégica a cerca de 6 quilômetros a sudoeste do lago
Hule e, à semelhança dos vales de Megido e Esdrelon, comandava a principal
rota entre o Egito e os impérios do Oeste Asiático. O local,foi identificado
por John Garstang em 1927, mas não escavado até 1955-58, cobria mais de 200
acres, em comparação com os 20 acres, ou menos, de Megido. Sua população havia
sido estimada em cerca de 40.000, contra 1.500 de Jericó. Estes fatos explicam
por que ela era denominada "a capital de todos estes reinos" (Js 11:10), e
pode explicar por que Jabim era chamado de rei de Canaã (4:2, 23, 24; cl.
4:17, "rei de Hazor". Harosete-Hagoim, a cidade de Sísera, não foi
identificada com precisão; Tel el-Harjab, a sudeste de Haifa, e Tel'Amr, a
17quilômetros a noroeste de Megido, têm sido sugeridas. O movimento da batalha
faz com que esta última seja a mais provável. Ambas ficam a alguma distância
de Hazor, sendo provável que houvesse uma coalizão de cidades-estados
cananitas, sob o comando nominal do rei da cidade mais importante, Hazor, mas
sob o comando militar de Sísera, seu capitão mais hábil. Sísera poderia ter
sido o rei de Harosete, porém, seu principal papel nesta narrativa é o de
líder militar dos exércitos unidos. Estes fatos explicam por que Jabim quase
não é mencionado (provavelmente era já um ancião; não aparece no capítulo 5
nem é mencionado na guerra), mas Sísera é proeminente na história.
A superioridade do equipamento dos cananeus é
demonstrada no uso das novecentas carruagens de ferro, que lhes daria controle
completo dos vales e planícies, a menos que alguma ocorrência incomum
imobilizasse esta poderosa arma de guerra. Tal evento, considerado milagre da
intervenção divina, serviria para transferir as vantagens aos israelitas, no
encontro decisivo.
4-9. Débora e Baraque. Neste ponto somos
apresentados a Débora, salvadora de seu povo, e a única mulher no distinto
grupo de juízes. Na estrutura tribal de Israel, as mulheres ocupavam uma
posição subordinada, porém, elas poderiam subir a cargos de projeção, e de
fato, em raras ocasiões isto aconteceu. O Antigo Testamento testemunha as
qualificações de mulheres proeminentes como Miriam (Êx15:20) e Hulda (2 Rs
22:14). Nada se sabe de Lapidote, marido de Débora, a não ser a mera menção de
seu nome, que não foi o único a ficar apagado, visto que o próprio Baraque
desempenhou papel secundário na peleja. Ele recebeu coragem e inspiração pela
presença desta grande e talentosa mulher. Há uma opinião segundo a qual
Lapidote, que significa "tochas", e Baraque, que significa "relâmpago", são
dois nomes para a mesma pessoa, isto é, que Baraque, o libertador, era marido
de Débora, mas as provas são débeis demais.
Há uma dificuldade nestes capítulos, na menção específica de apenas duas
tribos, as de Naftali e Zebulom, em 4:7, 10, comparando-se com a lista de
tribos participantes, na narrativa poética, a qual inclui também as tribos de
Efraim, Benjamim, Maquir (Meia tribo de Manassés) e Issacar. Uma sugestão para
explicar-se este fato é que houve duas fases na campanha: uma inicial, em que
apenas duas tribos tomaram parte, e uma segunda fase, em que se aliaram a elas
grandes contingentes das tribos vizinhas.
As alusões geográficas do capítulo podem indicar a
magnitude da tarefa enfrentada pelo que seria o libertador de Israel. A
própria Débora veio de entre Ramá e Betel, ao sul de Efraim, a cerca de 79
quilômetros do cenário do conflito; as depredações da confederação cananita
sob Jabim poderiam ter-se estendido até aqui, no sul. Por outro lado, vemos
aqui um caso de maior união entre as tribos neste período, do que normalmente
se suporia. Débora conhecia perfeitamente bem o aperto das tribos do norte e
elas, por sua vez, conheciam bem a reputação desta excelente mulher, a ponto
de virem a ela, em sua angústia, para suplicar-lhe ajuda (Sb). A opinião de
que havia tal unidade e conhecimento mútuo se torna mais plausível pela
escolha que Débora fez de Baraque, como comandante militar das tribos, visto
ser ele habitante de Quedes-Naftali, a cerca de 8 quilômetros a noroeste do
lago Bule, em área profundamente afetada pela opressão cananita. O domínio
cananita dos principais vales e rotas comerciais não parece ter impedido a
livre movimentação das tribos israelitas, nos planaltos ao norte e sul dos
vales de Esdredon e Jezreel.
À época da crise, Débora já se havia firmado como
profetisa e juíza, na esfera não-militar; na verdade, teria sido a
demonstração de qualidades carismáticas nesta esfera que, com toda certeza,
induziu as tribos a procurarem sua ajuda. A convocação e o desafio que ela
lança a Baraque são em nome de Javé, o nome distintivo de DEUS de Israel. A
ordem a Baraque foi: "Vai, e leva gente ao monte Tabor"; o verbo significa
"retirar" ou "estender", sugerindo uma formação bem solta, como a que seria
adotada por soldados mal armados, ansiosos por escapar de serem vistos,
movendo-se em território inimigo para atingir um ponto de encontro central. O
monte Tabor, na junção das porções tribais de Issacar, Naftali e Zebulom, foi
escolhido como ponto de encontro. Era uma montanha de formato cônico,
erguendo-se a pouco mais de 400 metros do canto nordeste do vale de Esdrelon,
constituindo-se em marco limítrofe tão proeminente que evitaria qualquer
confusão da parte dos israelitas a caminho da reunião.
A convocação inicial foi feita aos homens de Naftali e Zebulom, das tribos
mais interessadas, embora o capítulo 5 deixe bem claro que outras quatro
tribos tomaram parte ativa, possivelmente a fase posterior das operações. A
opinião de que houve duas batalhas principais, ou, pelo menos, dois estágios
numa única campanha, é fortalecida pelo fato de que no capítulo 4 a batalha se
trava entre o monte Tabor e o rio Quisom, enquanto que no capítulo 5, embora o
rio Quison ainda seja proeminente (5:21), menciona-se outro local a alguns
quilômetros mais ao sul, como campo de Batalha, "em Taanaque, junto às águas
de Megido" (5: 19). Outros têm conjeturado que Naftali e Zebulom tomaram parte
numa batalha em Quedes (4:9, 10, 11), identificada como Quedes-Naftali, cidade
natal de Baraque, com Jabim de Hazor, antes de uma segunda batalha, ao lado do
Quisom, contra Sísera, da qual tomou parte uma força israelita maior e mais
representativa.
Talvez seja ingenuidade esperar precisão militar num exultante poema como o de
Débora, sendo sempre sábio lembrar que os israelitas, ao preservar suas
tradições, interessavam-se em celebrar o poder libertador de Javé, ao invés de
preservar os minuciosos detalhes que possibilitariam aos futuros historiadores
elaborar uma reconstrução precisa de cada batalha! Lamentaremos, às vezes, a
falta de informações mais completas; contudo, não deveríamos negar ao
historiador hebreu o direito de manter seu ponto de vista, que atribuía
crédito maior a Javé (cl. 4:7b, "e o darei nas tuas mãos"; cf. também 2 Sm
8:6, 14).
7. O rio Quisom tem suas cabeceiras nos
contrafortes montanhosos, ao sul do vale de Esdrelon, depois do qual é o
principal rio deste vale, fluindo na direção noroeste, até esvaziar-se na baía
de Acre, ao norte da cordilheira do Carmelo. A parte superior toda, deste rio,
é sazonal, dependendo do volume de chuva, de forma que no verão é pouco mais
que um leito seco; todavia, quando engrossado pelas chuvas do inverno e do
começo da primavera, pode tornar-se uma torrente impetuosa. Em tais condições,
as áreas baixas, ao redor do rio, poderiam tornar-se completamente alagadas,
tornando impossível o uso de carruagens.
8, 9. A falta de alegria com que Baraque atendeu
ao desafio é compreensível, humanamente falando, porque a disparidade entre as
forças oponentes era considerável. É bom observar que Baraque, em sua
hesitação, tem excelentes companheiros, no Antigo Testamento.
Moisés, até mesmo no final de seu encontro com DEUS, na sarça ardente,
demonstrou extraordinária falta de entusiasmo para aceitar a chamada divina
(:E:x4: 13); Gideão achou que ele mesmo fora a pior escolha (Jz 6: 15); e
Jeremias protestou, por causa de sua pouca idade (Jr 1:16). Os grandes homens
percebem sua pequenez e inadequação, ao serem chamados pelo Senhor para
realizar uma grande tarefa; contudo, a chamada divina nunca vem só: é sempre
acompanhada pela provisão divina. As palavras de Paulo referem-se a todos
quantos são chamados para o serviço de DEUS: "Não que por nós mesmos sejamos
capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a
nossa suficiência vem de DEUS, o qual nos habilitou para sermos ministros. .
." (2 Co 3: 5, 6). Baraque exigiu a presença de Débora, como condição para
aceitar a tarefa, e na aceitação dela há uma pista para o descontentamento da
heroína quanto à atitude do comandante: ela afirmou que a obra de uma mulher
eclipsaria qualquer honra devida a ele. É natural atribuir-se esta posição de
honra a Débora, porque a posteridade, ao olhar para trás, a veria como a força
impulsora que levou Israel ao livramento. Entretanto, a profecia foi cumprida
no ato insensível de Jael, ato de traição contra o vencido Sísera, que confiou
na segurança de sua hospitalidade.
Para nós, tal ato seria considerado vil; contudo, para um povo que vinha
sofrendo um domínio cruel e prolongado, a ação de Jael seria vista sob luz
diferente, de modo que os detalhes do assassinato foram cuidadosamente
preservados para nós, como foram os do caso de Eglom. Talvez seja demasiado
fácil para aqueles que não tiveram de suportar extrema perseguição ou
servidão, fazer julgamento apressado dos antigos israelitas, ou dos
sobreviventes dos campos de concentração nazistas, de nossa própria geração.
Entretanto, a atitude cristã se opõe a um espírito exultante de vingança.
4:10-16. Reunião e derrota das hostes cananéias.
Os dez mil homem de Baraque são mencionados outra vez (c/. verso 6) a fim de
sublinhar-se a disparidade existente entre o exército israelita e o exército
maciço, e bem equipado, de Sísera. Quedes dificilmente pode ser identificada
com Quedes-Naftali, mas com outro lugar mais perto do cenário da batalha. Este
nome significa "santuário", e é excessivamente comum. A nota a respeito de
Héber, queneu, é parentética, servindo como apresentação da família a que
pertencia Jael (17). Os queneus eram um grupo nômade, associados com Judá, de
modo que era preciso explicar-se a presença deste grupo familiar tão longe, ao
norte (veja-se sobre 1: 16). O carvalho de zaanim é um distrito notado em
19:33, como estando nas fronteiras de Naftali. Além desta informação, e do
fato óbvio de que estava na rota de fuga de Sísera, não existe certeza quanto
à sua localização.
12-14. Sísera, o líder dos cananitas, sem dúvida
estava bem informado sobre os movimentos dos israelitas, embora as manobras
deste tenham, talvez ocultado seu número real. Para aniquilar esta ameaça,
reuniu um exército maciço, que incluía a força total das carruagens, sem
dúvida objetivando um golpe decisivo contra os rebeldes israelitas. Não é
provável que ele fosse tão tolo de tentar usar estes carros de combate na
estação chuvosa; 5:4, 5, 20, 21 sugerem uma chuvarada torrencial incomum,
possivelmente uma tempestade com trovões, que costumava sobrevir após a
estação normal das últimas chuvas de abril e princípios de maio. É possível
que Débora tivesse dado a ordem de atacar (14) ao ver a aproximação da
tempestade, sabendo que uma chuva torrencial nulificaria a vantagem numérica
dos cananeus, e o equipamento bélico superior; seria este, pois, o momento
propício para o ataque.
O Senhor era freqüentemente mencionado como o DEUS das tempestades, movendo-se
em terrível esplendor e poder, a fim de ajudar Seu povo (cl. Js 10:11; 1 Sm
7:10; SI 18:9-15), e tal crença poderia estar implícita nas palavras de
Débora: ... porventura o Senhor não saiu diante de ti? Entenda-se, todavia,
que os israelitas não tinham o monopólio deste conceito, visto que descobertas
recentes em Ras Shamra (antigo Ugarite), demonstraram que os cananeus
esperavam a mesma coisa da parte de Baal. Era ele o deus da tempestade, o que
cavalgava as nuvens (cl. Is 19:1). É sempre representado tendo uma clava numa
das mãos e uma espada estilizada na outra, simbolizando, respectivamente, o
trovão e o raio. Uma tempestade nesta conjectura, entretanto, favoreceu aos
israelitas, e capacitou-os a estender sua vantagem das altas montanhas (onde
as carruagens não podiam funcionar com eficiência), para os vales, onde até
então os cananeus tinham sido supremos.
l5, 16. O verbo derrotou não transmite ao leitor
moderno, talvez, a totalidade da ação do Senhor. A origem da palavra está no
latim diruptus, roto, esfarrapado, derruído. Militarmente, derrotar significa
destroçar, desbaratar. A cena pode ser reconstruída na imaginação.
Os dez mil israelitas levemente armados mas capazes de rápida movimentação,
despejaram-se no vale para travar combate com uma força de carruagens bélicas
impossibilitadas de movimentar-se no lamaçal.
A única manobra sábia seria a fuga, para aguardar a possibilidade de lutar sob
condições melhores, em outro dia. Portanto, Sísera tentou refugiar-se em sua
base militar, em Harosete dos gentios. Ao sul jaziam as faldas montanhosas
centrais; ao norte, além do rio sob forte enchente, estavam os contrafortes
das montanhas da Galiléia. À medida que os cananeus fugiam na direção geral
noroeste, com os israelitas em perseguição feroz, o vale estreitava-se,
diminuindo o espaço disponível para as manobras. Em conseqüência, carruagens
abalroavam noutras carruagens, escavando a superfície do solo e tornando a
situação, assim, mais difícil para aqueles (desse exército tomado de pânico),
que vinham mais atrás. Enquanto isso, o rio continuava a subir, alimentado por
inúmeros tributários menores, que desciam pelas colinas adjacentes. As
palavras de Débora (5:21) devem ter sido o epitáfio de muitos deles: "O
ribeiro Quisom os arrastou." Os jubilosos israelitas não deram tréguas, mas
pressionaram os inimigos, com vantagem, até os muros de Harosete dos gentios.
Foi uma vitória esmagadora, verdadeiramente decisiva em seus efeitos, visto
que não houve nenhum outro encontro bélico de importância, entre israelitas e
cananeus, embora alguns focos isolados, de resistência, só fossem eliminados
no tempo de Davi. Sísera abandonou a batalha, como desertor, provavelmente ao
perceber que a situação caótica tornava impossível a fuga em carruagens.
Tentou, então, fugir a pé, talvez tomando a direção norte, visto que Héber, o
queneu, estava acampado em Zaamim, nos limites de Naftali (veja 4.11).
4:17-22. Fuga e morte de Sísera. O capitão do
exército destroçado, completamente exausto pela terrível e extenuante
experiência, ficou contente em poder servir-se do oferecimento de abrigo na
tenda de uma mulher. Seu destino final certamente era a cidade de Hazor, em
cujas vizinhanças o grupo nômade dos queneus se havia estabelecido.
As palavras de tranqüilização de Jael, de que ele não precisava temer nada; a
hesitação e a cortesia de suas palavras; as precauções recomendadas por ele,
mais a terrível necessidade de sono, tudo isto indica que o homem estava no
fim de suas forças, destroçado mental e moralmente, e exausto no corpo. "De
acordo com as convenções daquela época, Sísera tinha todas as razões para não
alimentar suspeitas; a própria Jael parecia a personificação da amizade e da
consideração e, como maior segurança ainda, o oferecimento e a aceitação de
hospitalidade na tenda de um nômade era, tradicionalmente, garantia de
proteção. Além disso, nenhum perseguidor pensaria em procurar um homem na
tenda de uma mulher, especialmente se fosse um fugitivo fatigado, porque isto
seria uma quebra de etiqueta.
19. Assim, Sísera tranqüilizou-se com um falso
sentido de segurança, mediante esta mulher traiçoeira. Ao aceitar seu convite,
permitiu que ela o cobrisse com" uma coberta (ARC), palavra que ocorre apenas
aqui, e cujo significado tem causado algumas conjecturas. É mais plausível que
se tratasse de uma rede, ao invés de coberta, porque aquela seria bem mais
conveniente a um homem nas condições de Sísera: sujo, alagado de suor, depois
de tanto esforço, e precisando de sono. O pedido de água foi atendido
generosamente, e ela abriu um odre de leite. As peles dos animais
freqüentemente eram usadas para guardar líquidos, especialmente leite, que
poderia ser facilmente sacudido para produzir coalhada. A segunda metade de
5:25 mostra que esta foi a bebida oferecida a Sísera; "nata" seria substituída
por "coalhada". Conhecida em geral como iogurte, é comumente oferecida pelos
árabes de hoje (como leben ou shensan) àqueles que estão cansados, sendo,
quase sempre, o único alimento quando um deles está doente. Bebem eles,
também, um tipo de leite fermentado que tem qualidades soporíficas, porém, não
é necessário pensar-se que este foi o refresco oferecido a Sísera. No caso
dele, não havia necessidade de induzir ao sono: este veio natural e
imediatamente.
Jael, em seguida, agiu com eficiência insensível. Sísera não sabia que a
mulher que o abrigara era membro de uma tribo que mantinha fortes laços com os
israelitas, e que ele estava, de fato, na tenda de um inimigo. A destreza de
Jael no uso da estaca e do martelo, ou macete de madeira, se explica pelo fato
de a ereção e desmonte de tendas ser trabalho feminino. Aproximou-se dele
furtivamente e, sem que seu hóspede percebesse, enterrou a estaca em sua
têmpora, com alguns golpes rápidos, transfixando-o na terra. Tão violentos
foram os golpes que a estaca cravou-se na terra. Desse modo, o perseguidor de
Israel encontrou morte traiçoeira, mas rápida, nas mãos de uma mulher, sendo
ela mesma uma desgraça, às vistas daquela época (cf. 9:54).
22. É difícil calcular o lapso de tempo que
Baraque demorou para aparecer, perseguindo Sísera. Pode ter sido depois de
algumas horas após o capitão do exército cananeu ter aparecido na tenda de
Jael. Ele chegou para verificar que a profecia de Débora havia sido cumprida
(cf. verso 9) e que a honra principal, a de matar Sísera, não seria dele.
4:23, 24. Fim de Jabim. O historiador, ao
completar a narrativa em prosa, não faz declarações extremadas. A captura
imediata de Hazor não é mais reivindicada do que a de Harosete dos gentios. O
que se afirma é que a espinha dorsal da dominação cananéia foi quebrada, e que
os israelitas continuaram a pressionar (a mão dos filhos de Israel prevalecia
contra Jabim indica a pressão constante; cf. cada vez mais) até que Jabim e
seu reino foram exterminados, processo que pode ter exigido muitos anos.
Já aludimos ao ato de Jael como sendo ato de traição, e não precisamos tentar
indultá-Ia, ou minimizar sua ação. Tentamos, isto sim, sentir empatia por um
povo oprimido de maneira cruel, a fim de entendermos a reação muito humana de
delícia selvagem à morte de seu arqui-inimigo, e a cuidadosa preservação dos
horrendos detalhes.
Olhamos para o incidente, no passado, através dos olhos de CRISTO, que nos
ensinou a amar a nossos inimigos, orar pelos que nos perseguem, fazer o bem a
quem nos odeia, orar por aqueles que nos caluniam, e nos perseguem (Mt 5:44).
E se julgarmos que isto seria impossível, isto é, uma exigência impossível
para alguém em situação comparável à dos israelitas opressos, lembremo-nos de
que CRISTO, que nos deixou um exemplo de paciência, ao suportar o escárnio de
um julgamento e morte cruéis, é capaz de transformar nossa reza humana, tão
fraca, em Sua própria semelhança, ao habitar o coração.
O Cântico de Débora (5:1-31)
o cântico de Débora é um dos mais belos exemplos de poder de triunfo,
preservado na literatura israelita, havendo acordo geral em que é
contemporâneo dos eventos que descreve. É verdade que o poema sofreu, durante
o processo de transmissão, conforme indica o grande número de notas marginais;
contudo, o hebraico ainda retém a vida, uma ação quase com efeito de "staccato
" , e um espírito de pura exultação, que indica participação ou, pelo menos,
ter sido testemunha pessoal dos fatos. Sem sombra de dúvidas trata-se de um
dos mais antigos elementos de nosso atual livro de Juízes, sendo, pois, de
grande importância como testemunha das condições econômicas, sociais,
políticas e religiosas desse período. Com toda probabilidade, foi incluído
numa das antologias poéticas que existiam no Israel antigo.
Duas destas coleções são mencionadas, especificamente, no Velho Testamento. Em
Números 21: 14 há uma referência ao "Livro das Guerras do Senhor" que,
presumivelmente, era uma antologia de poemas celebrando vitórias, sempre
consideradas como obra do Senhor.
Em Josué 10:13 e 2 Samuel 1:18 menciona-se o "Livro dos Justos". Como se
derivou o título é coisa incerta, mas em geral é traduzido "Livro dos Justos",
isto é, "Livro das Boas Obras". Sugere-se, também, que "Jashar" (no heb.) é
forma abreviada de Israel, ou corrupção da palavra "Cântico".
A autoria do poema também é assunto de conjecturas. O primeiro verso o
descreve como um cântico de Débora e de Baraque; contudo, no versículo 12, a
ambos se dirige a palavra, diretamente. Este fato não é decisivo, contudo,
visto que em outros textos do Antigo Oriente Próximo ocorrem alusões diretas
ao autor, pelo nome. O versículo 7, em que Débora fala na primeira pessoa,
parece conclusivo, porém, a maioria dos eruditos modernos traduzem o verbo
como sendo segundo singular, feminino, o que é possível gramaticalmente. O
assunto é destituído de importância; porém, quem melhor do que Débora poderia
descrever o evento, passar julgamento nas tribos que não participaram, e
expressar louvor ao Senhor, pela Sua intervenção?
Há muitas indicações de apostasia e de lassidão moral, em Juízes; no entanto,
a evidência de forte fé em DEUS, a percepção de Seu poder infinito, Seu
envolvimento na situação de Israel, e a existência dos laços da aliança, tudo
isto pode ser visto no Cântico de Débora, e contribui para remediar a
situação.
Estaria completamente fora do escopo desta obra
uma explicação aqui, das características da poesia hebraica; no entanto, cabe
explicar os principais elementos da mesma; que são:
1. Paralelismo. A unidade da poesia hebraica não
é, normalmente o verso simples, mas o verso dobrado, ou duplo, havendo uma
curta pausa no fim da primeira linha, e uma pausa maior, no fim dá segunda.
Ocasionalmente, usa-se um verso tríplice, ainda como unidade bem definida de
poesia. Isto significa que o verso hebraico se baseia no pensamento, nunca no
som como no verso tradicional de nossa poesia. O poeta produz um quadro mental
que encontra resposta em outro quadro verbal suplementar. O paralelismo toma
várias formas, duas das quais aparecem com proeminência no Cântico de Débora.
A primeira forma é a do paralelismo sinônimo, ou idêntico, em que o pensamento
expresso na primeira linha é reproduzido na segunda, sem variação marcante;
apenas as linhas reforçam-se mutuamente. A segunda forma é a do paralelismo em
forma de clímax, em que parte da linha anterior é repetida, e em seguida se
adiciona novo detalhe, levando em frente o movimento do pensamento. O leitor
poderá encontrar exemplos neste poema.
2. Sistema de ritmo ou métrica. Na poesia
tradicional ocidental há um equilíbrio cuidadoso no número de sílabas, em cada
verso, atingindo-se este equilíbrio com várias combinações possíveis. No
hebraico, cada pensamento isolado é expresso numa única palavra, fortemente
acentuada, que, com prefixos e sufixos, pode ser equivalente a uma sentença
curta. Cada uma destas palavras possui uma sílaba tônica, a qual recebe ênfase
particular, sendo determinativa "do acento que recai sobre todas as demais
sílabas da palavra. Em mais de metade do Cântico de Débora há três destas
palavras, ou cadências de linha, e pouco mais de um quarto do poema emprega
uma cadência de quatro tônicas. Ocasionalmente introduzem-se variações como a
de cadência de quatro palavras, seguida de cadência de três palavras, ou o
contrário. Não existe qualquer sugestão de que o poema tenha sido composto a
partir de fontes diferentes; tais variações são uma característica própria da
poesia antiga, fato amplamente comprovado pelos textos ugaríticos. O efeito
geral deste sistema que, infelizmente, não pode ser reproduzido adequadamente
numa tradução, é criar uma impressão de vigor e de movimento.
Fez-se referência aos pontos de desigualdade entre
os relatos nos capítulos 4 e 5. Incluem a ausência de qualquer menção a Jabim,
rei de Hazor, e ao monte Tabor, no capítulo 5; a inclusão de quatro outras
tribos, além de Zebulom e Naftali, as duas tribos que são mencionadas no
capítulo 4; o local da batalha do capítulo 5, ao sudoeste de Taanaque, e das
águas do Megido, e as ligeiras diferenças nos relatos sobre a morte de Sísera.
Estas diferenças ocorrem, provavelmente, devido a serem os registros
incompletos. É possível, como já observamos, que houvesse dois estágios na
campanha: a ação unida da parte das tribos da área de Esdrelon seguiu-se à
ação inicial, vitoriosa, das tribos de Zebulom e Naftali. Deve-se lembrar,
também, que a linguagem poética nem sempre é precisa; usam-se hipérboles e
outras figuras de linguagem para aumentar o efeito. Nossa preocupação com as
minúcias históricas não deve nublar nossa apreciação de nenhum relato, desta
ou daquela categoria.
Antes de começarmos a examinar o poema em si
mesmo, chamamos a atenção para a visão, testemunhada aqui, de DEUS e Seu
relacionamento com Seu povo. Pensava-se, antigamente, que a religião de Israel
evoluiu gradualmente, ao longo de muitos séculos, culminando nas visões dos
profetas do oitavo século, Amós, Oséias, Isaías e Miquéias. Dava-se ligeira
atenção à literatura que propugnasse ter essa religião surgido bem antes;
julgava-se improvável a idéia de que existisse, neste período, um
relacionamento baseado na aliança. O Cântico de Débora, que se originou nas
últimas décadas do décimo segundo século a.C., é importante por causa de suas
alusões incidentais ao relacionamento entre a nação e seu DEUS. Reis e
príncipes de nações vizinhas são convidados a considerar a grandeza do DEUS de
Israel. O Senhor (observe-se o uso do nome do DEUS da aliança) é mostrado
agindo a favor de Seu povo, lutando por ele na guerra, tema este que encontra
paralelo no Pentateuco, nos Livros Históricos e nos Salmos. A despeito do
espírito de exultação quase selvagem que nele predomina, o escritor está
interessado na glória de DEUS. Já existia, neste tempo, claramente, o
relacionamento baseado na aliança e, dentro deste relacionamento, as tribos
têm responsabilidade umas para com as outras. Aquelas que não atenderam à
convocação de Débora foram repreendidas em termos que sugerem forte obrigação
moral, e não apenas opção cívica. O ponto principal da censura não é que elas
deixaram de vir em socorro das demais tribos, mas que deixaram de ajudar ao
próprio Senhor (23), o DEUS da aliança. Há muitas indicações de apostasia e de
lassidão moral em Juízes, no entanto, a evidência da forte fé em DEUS, a
percepção de seu poder infinito, seu envolvimento na situação de Israel, e a
existência dos laços da aliança, tudo isso pode ser visto no Cântico de
Débora, e contribui para remediar a situação.
5:1, 2. Convite ao Louvor. O versículo de abertura
deste capítulo, em prosa, provavelmente foi introduzido pelo editor, quando
ele incorporou o Cântico em seu registro sobre os juízes. O título original
talvez tenha sido preservado no versículo 2, bendizei ao Senhor, indicando
tratar-se de um hino de louvor. O resto do versículo dá a ambientação da
época, e registra a resposta espontânea do povo. Tem-se dado considerável
atenção à primeira parte do versículo 2 que diz, literalmente, "no rompimento
dos rompedores em Israel". (Na ARA: "desde que os chefes se puseram à frente
de Israel".) Uma interpretação possível é que se refere à resposta dos
governantes do povo, que restaura o paralelismo com a segunda parte do verso.
Outra tradução alternativa é: "quando longos cachos de cabelos pendiam soltos
em Israel", alusão ao costume de deixar crescer o cabelo (considerado sagrado)
durante o período de cumprimento de um voto ao Senhor (cl. Nm 6:15, 18; At
18:18). Era prática dos soldados que partiam para a guerra deixar crescer o
cabelo, o que pode sugerir que estavam engajados em guerra santa. Este costume
fala de uma dedicação integral e, neste sentido, também restaura o paralelismo
do verso, complementando a pronta oferta do povo.
5:3-5. A intervenção do Todo-Poderoso. Reis e
todas as pessoas de importância (é o sentido de príncipes) são convidados a
prestar atenção ao hino de louvor, dirigido ao DEUS de Israel. Outras nações
ao redor de Israel temerão e se maravilharão, quando ouvirem falar dos
portentosos atos de DEUS em prol de Seu povo. A atribuição de louvor ao Senhor
é de grande interesse, visto que parece ligar Sinai, o monte da aliança, com
Edom, identificação encontrada em outros lugares, no Velho Testamento (por
ex.: Dt 33:2; SI 68:7ss.; Hc 3:3ss.).
Não há, evidentemente, nada de sacrossanto no local tradicional do Sinai,
Jebel Musa, na península do Sinai, e tais áreas podem ser relacionadas às
peregrinações no deserto. Em linguagem poética, o Cântico liga o livramento
atual com a revelação do passado, no Sinai, quando, na cerimônia da aliança,
DEUS falou, sendo acompanhado de grande tempestade e, possivelmente, de um
grande terremoto. O mesmo DEUS Todo-Poderoso havia saído diante deles nesta
ocasião, (no presente), a cantora tenta transmitir algo da infinita grandeza
de Seu poder. Aumenta-se a vivacidade e o significado do quadro se aceitar-se
que a tempestade terrível, fora do comum, causou consternação e confusão no
exército dos cananeus. Toda a criação pareceu enfileirar-se ao lado do
exército insignificante e mal equipado dos israelitas.
5:6-8. Efeitos da opressão cananita. O tema destes
versículos é a condição miserável, empobrecida, de Israel sob o jugo cananita.
É surpreendente a conexão dos nomes de Sangar e de Jael.Já estudamos
características incomuns do livramento que Sangar trouxe aos israelitas
(veja-se 3:31). O ponto parece ser o seguinte: embora ambos vivessem, nenhum
deles efetuou um livramento permanente do poder cananita. Várias tentativas
foram feitas no sentido de remover o nome de Jael do poema, nenhuma das quais
foi satisfatória. Neste período turbulento, as comunicações estavam rompidas.
Uma pequena alteração na vocalização permite que estradas (a ARC traz
caminhos) se transforme em "caravanas", e isto preserva o verdadeiro sentido
do verbo: cessaram as caravanas, isto é, a comercialização tornou-se
impossível, e aqueles que precisavam viajar, faziam-no através das rotas menos
freqüentadas, para evitar serem molestados. A agricultura também era afetada,
da mesma forma, pelas depredações dos cananeus; as pequenas vilas sem muros,
dos israelitas, não serviam de proteção contra as pilhagens de seus agressivos
vizinhos. Esta situação desesperadora persistiu até que Débora levantou-se
para efetuar o livramento da nação. O versículo 8 dá-nos um resumo e também um
julgamento sobre Israel. O povo havia abandonado o Senhor, e escolhido para si
novos deuses (cl. Dt 32: 17; Jz 2: 12, 17).
Como resultado sobrevieram a guerra, a fraqueza e
a servidão. Tem-se levantado uma objeção, segundo a qual a situação
imediatamente anterior ao livramento de Débora, era de submissão abjeta a uma
tirania cruel, e não de guerra nos portões. Esta objeção tem peso
insignificante, porque nestes capítulos nós vemos, não o processo, mas o fim,
quando a oposição a Israel é efetivamente esmagada. Eles haviam sido privados
de suas armas (cf. 1 Sm 13:22), mas, não é prudente aceitar isto como
declaração absoluta. Se o fosse, a batalha de Quisom dificilmente poderia ter
sido travada. É provável que o significado da declaração é que estas armas de
maneira nenhuma poderiam ser exibidas em público. Quarenta mil pode ser uma
indicação dos efetivos recrutáveis, em disponibilidade dentro as tribos, na
época. Certamente, o milagre da vitória sobre as hostes bem equipadas de
Sísera é magnificado por estes detalhes, como também a completa mudança no
moral israelita, como resultado da liderança inspirada de Débora. Estas
criaturas abjetas! curvadas sob uma tirania cruel, são os mesmos homens que se
atiraram audaciosamente no vale a fim de atacar um exército muitíssimo
superior. A fé viva no DEUS vivo faz uma diferença nada menos que sensacional.
As palavras de Josué: "Um só homem dentre vós perseguirá a mil, pois o Senhor
vosso DEUS é quem peleja por vós" (Js 23: 10), cumpriram-se literalmente nesta
ocasião.
5:9-11. Convite para testemunhar. O pensamento do
versículo 2 é retomado aqui: a campanha não poderia ter sido empreendida sem o
apoio dos comandantes; daí a proeminência que lhes é atribuída em todo o
poema. As palavras soam naturalmente nos lábios de Débora. A situação
transformada é retratada com efeitos dramáticos. O viajante não precisava mais
viajar furtivamente por caminhos menos conhecidos: havia liberdade de
movimentos, e reuniões tranqüilas à beira dos poços, lugar de encontro, óbvio,
dos viandantes. A população toda é exortada a unir-se num hino de louvor ao
Senhor, pelo grande livramento. Todas as classes deveriam participar: os que
cavalgavam jumentas brancas, isto é, os que exerciam autoridade (cl. 10:4;
12:14) tanto quanto seus irmãos menos afortunados, que andavam a pé. A palavra
que foi traduzida por juízo, na verdade, significa qualquer coisa que se
desdobra, talvez tapetes, ou forros de sela (Juízo é tradução equívoca), o que
pode indicar outra classe ainda, um tanto vagamente definida. Talvez se
referisse às pessoas que ficam em casa em contraste com as classes dos
viajantes. O povo devia reunir-se nos portões (portas, segundo a ARC; lares,
segundo a ARA), que eram os lugares tradicionais para julgamento e discussão.
Agora, o motivo dessa reunião era o culto de ação de graças.
Dois pontos no versículo 11 precisam de comentário. O sentido da palavra
hebraica traduzida por frecheiros na ARC é incerto; provavelmente relaciona-se
com algum tipo de músicos (à música dos distribuidores. .. na ARA), talvez
aquela classe de músicos perambulantes que tocavam lira. Estes menestréis
estavam de volta, em seus lugares costumeiros, com novos cânticos! Outro ponto
de interesse diz respeito aos atos de justiça do Senhor; o verso 7 refere-se
aos camponeses, que formaram o grosso das tropas, mediante quem o Senhor
produziu atos de justiça. Glória a DEUS, a quem a devemos, o reconhecimento
aos participantes humildes, que não devem ser esquecidos.
5:12-18. Chamada das tribos. Traça-se, nesta
seção, a imediata resposta de muitas das tribos, inspiradas no exemplo de seus
líderes; a ausência de outras, contudo, torna-se mais repreensível, à luz
deste apoio espontâneo. A fala direta a Débora não é, necessariamente,
incompatível com a idéia de que ela seja a autora do poema. Antes que as
tribos pudessem ser motivadas à ação, ela própria, mediante a palavra do
Senhor (4:6), deveria ser acordada de sua apática aceitação das circunstâncias
más. De modo semelhante, Baraque, que lutou valorosamente, exercendo uma
liderança tão extraordinária, precisava ser sacudido, e arrancado de sua
covarde aceitação do domínio cananita. Antes de as massas populares serem
reavivadas, era preciso galvanizar os corações daqueles que tinham qualidades
de liderança. O versículo 13 observa a resposta geral do povo à convocação,
resposta esta das tribos relacionadas nos versículos seguintes:
Então desceu o restante dos nobres, o povo do Senhor em meu auxílio contra os
poderosos. A reação foi magnífica; no entanto, os efeitos de vinte anos de
opressão cruel foram de tal ordem, que o número dos atendentes foi
pateticamente baixo, apenas uma fração do potencial humano disponível, nos
dias da supremacia israelita.
14. A primeira parte deste versículo diz,
literalmente: "De Efraim, sua raiz em Amaleque", que tem o significado óbvio
de: "De Efraim, cujas raízes estão na antiga região de Amaleque." A referência
a Amaleque é surpreendente. Alguns afirmam que se trata de um grupo seminômade
de amalequitas (como o dos queneus), que se estabelecera entre os efraimitas
(como o fez Héber, o queneu), um pouco mais longe, ao norte. Visto que os
amalequitas eram inimigos de morte de Israel (veja-se 3: 13), esta
alternativa é pouco provável.
Não mais aceitável é a sugestão de que Efraim
ocupava a área que antigamente era ocupada pelos amalequitas, porque não há
evidências de que este grupo penetrasse tanto, ao norte. Uma ligeira correção
faz a linha adquirir sentido, e preserva a unidade de pensamento nos
versículos 13-15, "de Efraim, eles desceram ao vale". O quadro geral é de uma
descida precipitada dos israelitas, ao vale, para engajar-se na luta contra
Sísera, com Benjamim na liderança, seguido de Efraim.
Maquir, Zebulom e Issacar. Maquir refere-se normalmente ao estabelecimento da
meia-tribo de Manassés na direção este do Jordão; contudo, aqui, refere-se
mais naturalmente à seção oeste. O território das seis tribos aliadas dariam
uma idéia do alcance das depredações dos cananeus.
É digno de nota o fato de os benjamitas terem primazia, e já se fez referência
à sua bravura na batalha (vejam-se 3:15-22; 20:12-17). Comparando-se o verso
14 com Oséias 5:8, temos a sugestão de que seu grito de guerra expressaria sua
ascendência: seguiu Benjamim com seus povos. Naftali não é mencionado senão no
verso 18 onde, em conjunto com Zebulom, recebe lugar especial de honra, no
relato.
15b-17. Entretanto, se houve pronto reconhecimento
das tribos participantes, houve também severa repreensão àquelas que colocaram
sua própria segurança antes das queixas de seus irmãos. As quatro tribos
mencionadas tinham suas porções tribais bem longe do campo de batalha e não
eram, talvez, afetadas diretamente pela opressão cananita; entretanto, fica
bem claro que o apelo para ajuda caiu em ouvidos moucos, porque nem mesmo uma
força simbólica foi enviada. As circunstâncias destas tribos pode ter-Ihes
tornado impossível atender ao apelo de seus agoniados irmãos. A referência a
Dã sugere que esta tribo ainda não havia migrado para o norte; se isto for
verdadeiro, a tribo provavelmente já estava sofrendo pressão da parte dos
amorreus, e dos "povos do mar", que finalmente tornaram inviável àquela tribo
tomar posse de suas terras (veja-se 1:34, 35). Os apertos de Aser estão
anotados em 1:31,32. Concernente a Rúben e Gileade, duas tribos cujas
possessões estavam na Transjordânia, sabe-se muito pouco, a não ser que esta
área era sujeita a invasões de moabitas e amonitas. A crítica daqueles que não
vêm em nosso socorro, em época de aflição, pode, às vezes, ser uma condenação
de nossa própria falta de vivacidade em socorrer nossos irmãos.
Antes de terminarmos esta seção, observe-se mais
uma vez que este apelo às quatro tribos, não direta e imediatamente afetadas,
atestam fortemente a unidade essencial das tribos. Somente Judá e Simeão
deixam de ser mencionadas. A grande distância geográfica ficou acentuada por
fatores políticos, notadamente a barreira causada por uma Jerusalém não
submetida, e outras cidades na fronteira norte, ainda não conquistadas, além,
possivelmente, da pressão exercida pelos filisteus, pelo lado oeste.
5:19-22. A derrota dos cananeus. O decurso da
batalha foi discutido com minúcias, no capítulo 4, não sendo necessária uma
repetição. Os exércitos conjugados dos reis das cidades-estados cananitas
enfrentaram as forças da natureza, convocadas por ordem do DEUS de Israel. A
violenta tempestade e a turbulência do Quisom, bastante aumentado, foram os
responsáveis diretos pela vitória; nesta seção os galantes dez mil israelitas
não recebem menção. Os reis cananeus chegaram de olho no saque após a batalha
(19), porém fugiram de mãos vazias, confiados na velocidade de seus rápidos
cavalos (22), que demonstraram serem incapazes de salvá-Ios.
As tropas moviam-se na direção do oeste, os israelitas perseguindo os cananeus
em retirada, porém, o momento decisivo ocorreu em Taanaque, junto às águas de
Megido. Tem sido sugerido que Megido e Taanaque, tendo apenas 7 quilômetros
entre si, estavam demasiado próximas para florescerem ao mesmo tempo, e que a
referência no verso 19 implica em que Megido não fora ocupada nesta ocasião
particular. As pesquisas arqueológicas indicam que Megido (Estrato VII) foi
destruída no período de 1150-1125 a.C., o que permite datar-se a vitória de
Débora em cerca de 1125 a.C"
21. Um grito breve, exultante, de vitória,
sublinha esta vívida descrição da aniquilação de um exército. Avante, ó minha
alma, firme!
Esta tradução é mais precisa do que a da ARC: "Pisaste; ó minha alma, a
força."
5:23-27. Traição e patriotismo. A traição de Meroz
contrasta deliberadamente com a ação patriótica de Jael. Lançou-se sobre Meroz
uma maldição amarga, por sua negação de apoio, não simplesmente ao exército
israelita, mas ao próprio Senhor. Meroz pode ser a moderna Quirbete Maurus, a
10 quilômetros ao sul de Cades-Naftali. Independentemente de esta
identificação ser aceita ou não, torna-se claro que Meroz demonstrou ser uma
notável exceção à reação imediata das outras tribos. Muito provavelmente,
situava-se na área diretamente afetada (ao contrário das demais quatro tribos,
cujas reprimendas são suaves, em comparação); portanto, a falta de
participação covarde, talvez por medo de represálias, mereceu repreensão
maior. Jael, por outro lado, não mostrou nenhuma hesitação em assassinar a
sangue frio o principal inimigo dos israelitas, desconsiderando as possíveis
conseqüências. A aparente ação de generosidade, de oferecer a Sísera coalhada
ao invés de leite, induzindo-o, assim, a um falso sentimento de segurança, foi
o prelúdio de um ato que, como foi observado, quebrou todos os padrões aceitos
de hospitalidade. Cada minúcia é descrita com prazer, havendo desaparecido os
sentimentos mais nobres, substituídos pela delícia selvagem trazida pela morte
de Sísera. A repetição, no relato poético, mais a incerteza na tradução de
vários verbos, nesta descrição, explica a maior parte das diferenças entre
este relato e aquele em prosa.
5:28-30: A cena na casa de Sísera. Há, igualmente,
uma nota dramática e vingativa, nesta delineação da apreensão da mãe de
Sísera. Pode ser que a atenção devotada a Jael e às condições emocionais de
uma mãe indiquem autoria feminina. Se assim for, a exultação selvagem nos
detalhes horrendos e cruéis ilustra o pensamento semi-humorístico de Rudyard
Kipling de que "a fêmea de qualquer espécie é mais mortífera do que o macho"!
Desconsiderando este elemento, a descrição é vívida e movimentada. A demora no
regresso do ente amado é sublinhada por uma pergunta, uma incerteza agonienta:
"Por que tarda em vir o seu carro?". Com olhar aflito, a mãe de Sísera
permanece à janela, aguardando a carruagem, ou o ruído reconfortante dos
cascos dos cavalos. O autor do poema sabe que Sísera jamais retomará; contudo,
a imaginação fornece uma explicação plausível que poderia ter sido aventada
pelos participantes, e pela mãe de Sísera mesma. O capitão das hostes deve
superintender a divisão do saque, de modo que a demora sugere um espólio
riquíssimo. O tratamento maldoso que aguardava as mulheres de um exército
derrotado é mencionado sem que haja qualquer agulhada na consciência, nem
piedade. A palavra traduzida por damas é desdenhosa. Noutros lugares, no Velho
Testamento, tem o sentido de "útero", e na pedra moabita significa "moças
escravas", O equivalente mais próximo, em português, seria "meretriz"; é claro
que estas jovens cativas infelizes seriam usadas para identificar a luxúria de
seus captores. A guerra é portadora de muitos efeitos vis. Mas, a mãe de
Sísera estaria muito mais interessada na capa ricamente bordada, a cores, que
seria uma das principais indicações da riqueza e posição, reservada para um
oficial comandante; em sua imaginação, ela antecipa o uso que faria dessa
capa. Neste ponto termina o poema, deixando à imaginação o pensamento de que,
ao invés de estofos de várias cores de bordados, haveria saco e cinzas de
tristeza.
5:.31. Coro final. Muitos eruditos consideram este
versículo como adição litúrgica ao Cântico, expressando os sentimentos de uma
época posterior, e com paralelos distintos nos salmos (cf. SI 68:2b, 3).
Pode-se objetar que se este versículo é eliminado, o cântico fica sem uma
conclusão lógica. O escritor está interessado em enfatizar a intervenção do
Senhor a favor de Seu povo, sendo o corolário inevitável disto, que aqueles
que se Lhe opõem devem perecer; contudo, aqueles que O amam e cooperam com Ele
devem prosperar.
Resumo Contextualizado para nossos dias.
MULHERES
A Bíblia revela a influência de muitas mulheres na
sociedade israelita e na sociedade gentílica. Vejamos:
1.1-A Bíblia diz em Jz.4.4, que Débora julgava a
Israel naquele tempo. Débora, além de juíza e profetiza, possuía uma
influência política tão grande na sociedade israelita, que, até Baraque, o
general do exército lhe prestava continência e dependia de suas orientações
(Jz.4.6-9).
1.2- Em 1 Rs.1.11-31, a influência de Bate-Seba foi um fator importante para a
escolha de Salomão como o sucessor de Davi.
1.3- Em 2 Cr.34.19-28, a Bíblia mostra a grande influência da profetiza Hulda
no reinado de Josias.
1.4- Em Et.5.1-3 e 7.1-10, a influência de Éster no palácio do rei Assuero foi
um fator determinante para a queda do primeiro ministro de Assuero, e o
livramento do povo judeu.
1.5- Em At.17.4, a Bíblia cita muitas mulheres distintas e influentes na
sociedade de Tessalônica que se tornaram cristãs.
1.6- Em At.17.12, a Bíblia cita muitas mulheres gregas de alta posição e
influentes na sociedade bereana que se tornaram cristãs.
MULHERES DO ANTIGO TESTAMENTO
A- Eva – A mulher Curiosa _ Gn.3.6
B- Sara – A mulher submissa e fiel – Gn.16.13
C- Rebeca – A Esposa esperada – Gn.24.1-67
D- Raquel – A pastora (Gn.29.9).
E- Hagar – A mulher desprezada – Gn.21.14-19
F- Miriã – A mulher que louva ao Senhor0 – Ex.15.20-21
G- Raabe – A mulher regenerada – Js.2.1-21; Mt.1.5 e Hb.11.31
H- Rute – A mulher constante – Rt.1.16
I- Ana – A mulher de oração – 1 Sm.1.10-11
J- Abigail – A mulher sábia – 1 Sm.25.3,18,19
L- Dalila – A mulher mercenária – Jz.16.4-5
M- Jezabel – A mulher má – 1 Rs.19.1-3
N- Atália – A mulher assassina – 2 Rs.11.1-3
O- Sunamita – A mulher hospitaleira – 2 Rs.4.8-10
P- Éster – A mulher patriota – Et.4.16
MULHERES DO NOVO TESTAMENTO
A- Maria – A mulher bem-aventurada – Lc.1.30-38
B- Isabel – A mulher humilde – Lc.1.43
C- Madalena – A mulher transformada – Lc.8.1-3
D- Marta – A mulher doméstica – Lc.10.40
E- Maria de Betânia – A mulher espiritual – Lc.10.42
F- A Cananéia – A mulher de fé e perseverança – Mt.15.28
G- A Samaritana – A mulher evangelista – Jo.4.29
H- Dorcas – A mulher industriosa – At.9.36
I- Lídia – A mulher comerciante – At.16.14-15
J- Priscila – A Esposa que compreende o ministério do marido – Rm.16.3-4
L- Lóide – A avó que incentiva a fé do neto – 2 Tm.1.5
M- Eunice – A mãe que compreende a chamada do filho – 2 Tm.1.5
Débora era grande líder do povo de Israel.
A palavra "Débora" significa "abelha". Na cultura
do Egito, a abelha era símbolo do poder dos reis.
Nos capítulos 4 e 5 de Juízes, Débora demonstra
que é a mulher adequada para todas as circunstâncias. É piedosa, sábia,
confiante, talentosa, trabalhadora, administradora, corajosa, positiva,
otimista, profetisa (4.4-5), patriota (4.6-14), poetisa (capítulo 5), além de
juíza, estadista, e até estrategista militar.
Ela era chamada de "Mãe de Israel". Que mulher
formidável! Parece impossível que uma só mulher reunisse tantas boas
qualidades. Débora é, sem dúvida, uma das grandes mulheres da Bíblia. E ela,
como todas as grandes mulheres, fez uma diferença no mundo dela. Débora
apareceu num momento muito difícil em Israel e colocou sua vida nas mãos de
DEUS. Através dela, DEUS realizou uma grande obra.
Vamos ver algumas características de Débora,
uma vida nas mãos de DEUS:
1 - ACEITA OS DESAFIOS QUE DEUS
COLOCA À SUA FRENTE (vs. 1-4)
Uma vez estabelecido na Terra Prometida, o povo de Israel havia se
comprometido a ser fiel e servir exclusivamente ao Senhor (Josué 24.16-21).
Mas não cumpriu a promessa a DEUS. Acabou esquecendo por completo do voto que
havia tomado. Cada um começou a fazer o que era direito aos seus próprios
olhos (Juízes 21.25 e outros textos). No livro de Juízes encontramos cinco
fases em um círculo vicioso que se repetia várias vezes:
(1) Pecado e apostasia - O povo pecou contra DEUS, adorando deuses falsos,
esquecendo-se do DEUS verdadeiro.
(2) Opressão e castigo - Veio o castigo de DEUS sobre o povo através da
opressão de inimigos.
(3) Arrependimento e apelo a DEUS - A terceira fase foi quando o povo apelou a
DEUS e confessou seus pecados.
(4) Livramento - Veio o livramento da mão opressora do inimigo poderoso.
(5) Paz: O povo gozou de alguns anos de paz.
Podemos ver estas fases na época de Débora, que
aceitou o desafio de liderar o esforço para dar liberdade ao seu povo. (As
primeiras três fases estão aqui nos versículos 1 a 3.) Não sabemos muita coisa
sobre o lar de Débora, a não ser que era esposa de Lapidote. Mas é difícil
entender como ela conseguiu ser esposa, mãe, conselheira, juíza, mediadora,
profetisa, e grande líder do povo naquela época quando às mulheres quase não
eram dadas oportunidades de liderança. A única explicação é que ela colocou a
sua vida nas mãos de DEUS e buscava sempre a orientação de DEUS para sua vida
e para o povo. E ela aceitou os desafios que DEUS colocou à sua frente,
dedicando-se de corpo e alma à solução dos problemas de seu país e de seu
povo.
Aceite os desafios que DEUS coloca à sua frente. Seja uma vida nas mãos de
DEUS!
2 - SABE DIVIDIR TAREFAS (vs. 6-10)
Humanamente falando, não havia solução para a situação desastrosa em que se
encontrava o povo de Israel. O inimigo o dominava e o escravizava. Como seria
difícil para um homem e líder do povo acreditar na palavra de uma mulher. Mas
Baraque acreditou em Débora porque ela era uma grande e santa mulher de DEUS,
e tinha a confiança do povo. Baraque sabia que DEUS estava com ela, apesar de
parecer impossível derrotar o vasto e bem equipado exército do inimigo. E ele
insistiu que Débora o acompanhasse junto com seu exército. Observem nos
versículos 7 a 10 que ela não hesitou ou apresentou desculpas, mas foi.
Veja a descrição do exército do inimigo em comparação com o pequeno exército
de Débora e Baraque (v. 13). Entre os dez mil de Israel, ela era a única
mulher e uma espécie de comandante chefe do exército, enquanto Baraque era o
seu general. E aquele exército caminhou quase cinqüenta quilômetros através
das montanhas, com Débora acompanhando-o passo a passo. Débora soube
incentivar os outros a fazerem a sua parte. Ela soube dividir as tarefas e as
honras, e dar todo o crédito a DEUS. Ela fez o que pôde, e DEUS fez o resto.
DEUS quer que você e eu façamos assim.
Diante de tão grandes desafios no dia de hoje, você está pronta para fazer a
sua parte?
3 - DEMONSTRA FÉ EM DEUS E LEVA O POVO A
SEGUÍ-LO E A OBEDECÊ-LO (v. 14)
Débora demonstrou uma grande fé em DEUS.
Débora não inventou desculpa nenhuma. Ela não
sabia como DEUS iria agir para derrotar o inimigo e livrar o seu povo, mas
tinha plena fé e confiança nEle.
As forças da natureza, controladas por DEUS, foram importantes armas contra o
inimigo (4.15-16). Débora cantou: "Desde os céus pelejaram as estrelas; desde
as suas órbitas pelejaram contra Sísera" (5.20).
Veio a vitória! E conforme Juízes 4.16,23-24, o poder do inimigo foi
totalmente destruído. Nunca mais os inimigos daquela terra conseguiram
derrotar o povo de DEUS. DEUS quer agir em situações que parecem impossíveis
aos homens para demonstrar o Seu poder. Será que o seu DEUS é pequeno demais
para os desafios que você enfrenta? Tenha fé. Obedeça e siga a orientação de
DEUS! E você também terá a vitória que DEUS quer lhe dar.
4 - LOUVA A DEUS (5.2-3, 9, 31)
Num momento decisivo, Débora foi a líder que inspirou o povo e o conduziu à
vitória.
E deu toda a glória e honra a DEUS.
Ela louvou a DEUS e levou o povo a celebrar a
vitória que DEUS lhe havia dado.
Num alegre cântico poético (capítulo 5), Débora
louvou a DEUS pelos seus feitos e foi grata por tudo que DEUS fez. (ver vs. 2,
3, 9 e 31.)
Ela louvou a DEUS pela Sua majestade, verdade,
caráter, e poder.
CONCLUSÃO
Débora foi a única mulher da Bíblia que DEUS escolheu para ser a líder
nacional de Seu povo.
Débora fez uma grande diferença no mundo que a
cercava.
Débora soube aceitar os desafios que DEUS colocou
em sua vida, soube dividir tarefas, demonstrou muita fé e levou o povo a
seguir e a obedecer a DEUS, e louvou a DEUS continuamente.
Débora estava pronta a se arriscar para cumprir a
vontade de DEUS.
Débora verdadeiramente representava a mulher que
diariamente coloca a sua vida nas mãos de DEUS e desenvolve todo o seu
potencial.
COMENTÁRIO RESUMO DA REVISTA DA CPAD. 3º TRIMESTRE
DE 2007 - Comentarista: Pr. Eliezer de Lira e Silva
FIGURA DE ENOMIR - ANANINDEUA - PA
INTERAÇÃO:
Professor, a palavra-chave desta lição é "coragem". Você sabe o que significa
essa virtude? No Novo Testamento, coragem, do grego "tolmao", significa "ser
corajoso", "ser ousado" ou "ser audacioso". A ênfase está na capacidade de
manter-se firme e resoluto diante de uma situação perigosa. Um dos usos do
termo descreve a coragem de José de Arimatéia (Mc 15.43) e a de Paulo ao
manter suas convicções em situações de conflito (2 Co 10.2).
Ensine aos alunos que o crente corajoso mantém o seu testemunho cristão diante
das ameaças mundanas (At 5.13).
OBJETIVOS:Após esta aula, seu aluno deverá estar apto a:
Explicar o contexto histórico-religioso do tempo dos
juízes.
Descrever as virtudes morais de Débora.
Exercitar princípios de liderança.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA:
Professor, a fim de ressaltarmos a coragem e bravura da personagem principal
desta lição, Débora, releia os capítulos 4 e 5 de Juízes. Agora, anote os
pontos geográficos relacionados à batalha citados no texto: Quedes, monte
Tabor, Harosete-Hagoim, etc... Leia um pouco mais a respeito dessas regiões em
uma obra de geografia ou enciclopédia bíblica. Releia a lição e faça um
paralelo entre a história narrada e os pontos geográficos destacados. Descreva
a vitória de Débora com todos os subsídios geográficos que você estudou. Use o
mapa abaixo para incrementar a lição. Lembre-se de que os juízes eram também
líderes militares.
INTRODUÇÃO
Débora destacou-se como grande líder espiritual
numa época em que Israel fora governado por juízes. Sua carreira, embora
breve, teve grande importância para história do seu povo. Das experiências
dessa competente e corajosa mulher, podemos extrair valiosas lições para os
nossos dias.
I. CONTEXTO HISTÓRICO DOS JUÍZES DE ISRAEL
1. Idolatria e paganismo.
2. Progresso da civilização pagã.
3. Opressão sob os cananeus.
II. DÉBORA, PROFETISA E JUÍZA (Jz 4.4)
1. Débora, "mãe em Israel" (Jz 5.7).
2. Débora e sua biografia bíblica.
3. Débora, a profetisa (Jz 4.4).
4. Débora, a juíza (Jz 4.4).
5. A vitória de Israel.
CONCLUSÃO
Débora é um exemplo de fé e coragem para todos
os que amam a Palavra de DEUS (1 Tm 1.6-12; Hb 11.32). Quando estivermos
indecisos acerca do caminho a trilhar, é melhor seguirmos o exemplo de Débora.
Tomarmos o caminho da confiança incondicional em DEUS. Sua fé inabalável
tornou-a determinada e atuante. Essas virtudes estão ao alcance de todos os
que desejam viver sob a soberana vontade de DEUS.
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO: Subsídio Teológico
"Coragem"
No NT existem três raízes diferentes de palavras
que transmitem a idéia de coragem. O verbo "tolmao" contém um elemento de
ousadia, de um ato que se coloca acima do medo (Mc 12.34; 15.43; At 7.32; Rm
5.7; 2 Co 11.21; Fp 1.14). A segunda, "tharréo", denota confiança e esperança
em DEUS (2 Co 5.6,8; Hb 13.6), confiança nos homens (2 Co 7.16) e coragem nas
relações humanas (2 Co 10.1,2). A terceira palavra, "parresia", entretanto,
caracteriza, de forma surpreendente, os cristãos primitivos. Ela tem a
conotação de falar livre e corajosamente, e traz consigo a antiga tradição
ateniense de um discurso democrático e desembaraçado. Os discípulos seguiram o
exemplo de seu Mestre, que falava aberta (Jo 7.26) e claramente (Mc 8.32; Jo
11.14). Em numerosas ocasiões, os apóstolos mostraram grande coragem ao falar
perante seus oponentes (At 4.13,29; 9.27; 13.46; 14.3; 28.31). Essa coragem é
atribuída à presença do ESPÍRITO SANTO, que enchia a vida de cada um deles (At
4.31). Paulo dá testemunho de sua própria coragem ao pregar e ensinar o
Evangelho a seus convertidos (1 Ts 2.2; 2 Co 3.12; Fm 8). Entretanto, ele às
vezes sentia a necessidade de orar para poder continuar falando corajosamente
a respeito do Senhor (Ef 6.19s)." (PFEIFFER, C. F. Dicionário bíblico
Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 454.)
APLICAÇÃO PESSOAL
A Palavra de DEUS habita em corações
corajosos! A coragem e a fé se complementam. Quem não crê não é capaz de atos
de coragem. A incredulidade impede o crente de agir corajosamente. Mas o que
crê age com coragem! A fé em DEUS e nas promessas da Palavra do Senhor
estimulam a coragem que suscita atos heróicos. Fé e destemor acompanham a
trajetória não apenas dos heróis bíblicos, mas também do incontável número de
heroínas e heróis anônimos por todo o mundo. Fé e coragem estimularam os
trezentos homens de Gideão. Fé e coragem têm sustentado, diante da morte, o
testemunho de muitos missionários cristãos. Fé envolve confiança ilimitada no
poder de DEUS, mas a coragem, a nossa decisão em dar o primeiro passo.
QUESTIONÁRIO DA LIÇÃO 07 - 3º TRIMESTRE DE 2007 - DÉBORA, UMA MULHER
CORAJOSA
RESPONDER CONFORME A REVISTA DA
CPAD.
TEXTO ÁUREO
1- Complete:
"Esforça-te e tem bom ________________; não pasmes, nem
te ______________, porque o SENHOR, teu DEUS, é ________________, por onde
quer que andares"
(Js 1.9).
VERDADE PRÁTICA:
2- Complete:
As adversidades não _________________________________ a
fé de um _____________________ corajoso e completamente
_______________________ ao Senhor.
I. CONTEXTO HISTÓRICO DOS JUÍZES DE ISRAEL
3- Para que Débora foi convocada?
Marque com "X" a alternativa correta:
( ) Para comandar o exército nacional.
( ) Para organizar as festas da vida
nacional.
( ) Para julgar seu povo num dos piores
momentos da vida nacional.
4- Por que não havia mais unidade espiritual
no país? Marque com "X" a alternativa correta:
( ) Porque Josué, o grande líder, não estava
mais entre eles.
( ) Porque Baraque, o general, não queria ir
à guerra.
( ) Porque Débora só ajudava a tribo de
Efrain.
5- O que assolava a nação nesta tão difícil
época de Débora? Marque com "V" a alternativa Verdadeira e com "F" a Falsa:
( ) A idolatria.
( ) A apostasia.
( ) A União entre as tribos de Israel.
6- Como era a vida financeira no tempo dos
juízes, na Palestina, em Canaã? Marque com "V" a alternativa Verdadeira e
com "F" a Falsa:
( ) Era uma região muito próspera.
( ) Havia grandes e pomposas cidades.
( ) Havia muitos pobres entre os Cananitas,
por isso invadiam Israel.
7- O que é o responsável pelo desvio de
muitos cristãos, nos dias atuais? Marque com "X" a alternativa correta:
( ) A doutrina bíblica severa.
( ) Os costumes bíblicos.
( ) O
secularismo.
8- Qual rei dominava as principais rotas
comerciais da região de Canaã? Marque com "X" a alternativa correta:
( ) Joaquim.
( ) Jabim.
( ) Sísera.
9- Em que os cananeus eram bem superiores a
Israel?Marque com "V" a alternativa Verdadeira e com "F" a Falsa:
( ) Em armas de guerra.
( ) Vendiam mais armas do que Israel.
( ) Possuíam novecentos carros de
ferro.
( ) Recebiam treinamento militar
especializado.
( ) Dominavam a indústria e o comércio
bélicos.
( ) Armavam seus vizinhos contra Israel
( ) Não permitiam que ninguém vendesse armas
aos judeus.
10- Complete:
Só a intervenção _________________________ de
DEUS poderia fazer de __________________ um povo _____________________.
Quando a guerra é do Senhor a vitória é _______________________! (1 Sm
7.1-13; 17.40-54). I
II. DÉBORA, PROFETISA E JUÍZA (Jz 4.4)
11- Complete:
O nome Débora, no hebraico, significa
"_______________________". O título "mãe de Israel" pode ser uma alusão às
________________________ e à importância da "_____________________-rainha"
em seu meio (5.7).
Débora era casada com
____________________________ e, provavelmente, descendia da tribo de
______________________ (Jz 4.4,5). Mulher madura, séria, determinada e de
conduta moral elevada. Além do mais, era muito __________________________:
em nenhum momento temeu estar à frente da batalha com
______________________________, o grande general dos exércitos de Israel
(4.8).
12- Quem foi a a única juíza de
Israel? Marque com "V" a alternativa Verdadeira e com "F" a Falsa:
( ) Débora.
( ) Jael.
( ) Hulda.
( ) Raquel.
13- Antes de julgar Israel, Débora já atuava
em que ministério? Marque com "V"
a alternativa Verdadeira e com "F" a Falsa:
( ) Profético.
( ) Louvor.
( ) Sacerdotal.
14- Complete:
Débora era _____________________, e
profundamente _______________________. Sabia discernir e julgar com retidão.
Sob orientação divina estabeleceu um fórum público ao ar __________________.
15- O que denota o verbo "levantar"?
Marque com "V" a alternativa
Verdadeira e com "F" a Falsa:
( ) Desprendimento.
( ) Força física.
( ) Coragem.
( ) Fé.
( ) Determinação.
16- Complete:
Providencialmente, _______________ estava no
lugar __________________, no momento ____________________ e com a estratégia
certa.
17- Caça-Palavras: BARAQUE - CANAÃ -
DEBORA - EFRAIN - ISRAEL - JABIM - JAEL - PALMEIRA - SISERA
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C
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