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A)
QUEM ERA MELQUISEDEQUE -
A Bíblia não provê detalhes
sobre a pessoa de Melquisedeque; daí haver muitas especulações
a seu respeito.
1. Era rei de Salém.
“E Melquisedeque, rei de Salém,
trouxe pão e vinho...” (Gn 14.18a; Hb 7.1); “e este era sacerdote
do Deus Altíssimo” (Gn 14.18). Esta é a primeira referência
bíblica a Melquisedeque. Ele aparece nas páginas do
Antigo Testamento, quando foi ao encontro de Abraão, após
este haver derrotado Quedorlaormer, rei de Elão, e
seus aliados. Salém veio a ser Jerusalém após a ocupação
da terra prometida por Deus a Abraão e seus
descendentes (Gn 14.18; Js 18.28; Jz 19.10). Rei de Salém
que dizer “rei de paz” (v.2b).
2. Era sacerdote do Deus Altíssimo.
“...e este era
sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14.18b; Hb 7.1). As funções
de rei e sacerdote conferiam-lhe grande dignidade perante os
que o conheciam. Estas duas funções são relembradas
em Hb 7.1: “Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém
e sacerdote do Deus Altíssimo...”.
3. Era de uma ordem sacerdotal diferente.
Estudiosos da Bíblia
supõem que Melquisedeque pertencia a uma dinastia de
reis-sacerdotes, que tiveram conhecimento do Deus Altíssimo
pela tradição oral inspirada, transmitida desde o
princípio, quando a religião era única e monoteísta e
que conservava a esperança do Redentor da raça
humana, conforme Gn 3.15. Ele não pertencia à linhagem
sacerdotal arônica, proveniente da tribo de Levi.
4. Recebeu dízimos de Abraão (Hb 7.2). Isto nos mostra que
a instituição do dízimo remontava ao período bem anterior
à Lei. Esse fato indica “quão grande” era
Melquisedeque (v.4). Ele abençoou Abraão, como detentor das
promessas (vv.5,6).
5. Era rei de justiça (v.2).
Como um tipo de Cristo,
Melquisedeque tinha as qualidades de um rei justo e fiel.
6. Sem genealogia (v.3).
O texto afirma ter sido
Melquisedeque “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não
tendo princípio de dias nem fim de vida...”. O que o
sacro escritor quer dizer é que não ficou registrada sua ascendência
e sua descendência, bem como os dados referentes a sua
morte. Pelo contexto, entende-se que ele era um homem
com características especiais diante de Deus.
B) A MUDANÇA DO SACERDÓCIO E DA LEI
1. O novo e perfeito sacerdócio (v.11b).
O sacerdócio levítico
era imperfeito (v.11a). Nele, os sacrifícios, as ofertas,
o culto e a liturgia, eram apenas sombra do verdadeiro
sacerdócio, que veio por Cristo. O sacerdócio de
Cristo, não da ordem de Arão ou de Levi, mas “segundo a
ordem de Melquisedeque”, trouxe a perfeição no relacionamento
do homem com Deus.
O primeiro sacerdócio, com suas imperfeições, não era
capaz de salvar, mas Cristo como Sumo Sacerdote, mediante
o seu próprio sangue deu-nos acesso a Deus, garantindo-nos
a salvação plena.
2. Mudança
de lei (v.12).
“Porque, mudando-se o sacerdócio,
necessariamente se faz também mudança da lei”. Com
Cristo, de fato, houve uma mudança não só do sacerdócio,
mas também da lei. Antes, era a lei da justiça, a lei
das obras. Com Cristo, veio a lei da graça, a lei do amor.
3. A lei era ineficaz.
“O precedente mandamento”, ou
seja, a antiga lei, foi “ab-rogado por causa de sua fraqueza
e inutilidade” (v.18). Ab-rogar quer dizer anular, cessar,
perder o efeito, revogar. Foi o que aconteceu quando
Cristo trouxe o evangelho, ab-rogando a antiga lei, a Antiga
Aliança.
C) O SACERDÓCIO PERPÉTUO E PERFEITO DE CRISTO
1. Jesus trouxe salvação perfeita (v.25).
Os sacerdotes do
antigo pacto pereceram (v.23). O sacerdócio arônico
foi constituído por centenas de sacerdotes, que se sucediam
constantemente, visto que “pela morte foram impedidos
de permanecer”. Os sacerdotes arônicos apenas intercediam
pelos homens a Deus, mas não os salvavam. Jesus, nosso
Sumo Sacerdote, não só “vive sempre para interceder”
por nós, como nos assegurou uma perfeita salvação
por seu intermédio (v.25; Rm 8.34). Jesus garante salvação
plena (Jo 5.24), sem depender de um suposto purgatório ou de uma hipotética
reencarnação.
2. Jesus, sacerdote perfeito (v.26).
A Palavra de Deus
indica aqui as qualificações de Cristo, que o diferenciam de
qualquer sacerdote do antigo pacto. “Porque nos convinha
tal sumo sacerdote”:
a) Santo.
O sacerdote do Antigo Testamento teria que ser
santo, separado, consagrado. Até suas vestes eram santas
(Êx 28.2,4; 29.29). Contudo, eram homens falhos,
imperfeitos, sujeitos ao pecado. Jesus, nosso Sumo Sacerdote,
era e é santo no sentido pleno da palavra.
b) Inocente.
Porque nunca pecou, Jesus não tinha qualquer
culpa. Ele desafiava seus adversários a acusá-lo (Jo
8.46).
c) Imaculado.
O cordeiro, na antiga Lei, tinha que ser sem
mancha (Lv 9.3; 23.12; Nm 6.14). Jesus, como o “Cordeiro
de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), não tinha
qualquer mancha moral ou espiritual.
d) Separado dos pecadores.
Jesus viveu entre os homens,
comeu com eles, inclusive na casa de pessoa de baixa
reputação, como Zaqueu, mas foi “separado dos
pecadores”. Ele não se misturou, nem se deixou influenciar
pelo comportamento dos homens maus.
e) Feito mais sublime do que os céus. Tal expressão fala
da exaltação de Cristo, como dele está predito na Bíblia:
“Pela minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará
diante de mim, e toda língua confessará a Deus” (Rm
14.11).
f) Ofereceu-se a si mesmo, uma só vez (v.27).
Os sumos
sacerdotes do Antigo Testamento necessitavam de oferecer
sacrifícios, muitas vezes, primeiro por eles próprios e,
depois, pelo povo. Mas Jesus, por ser imaculado, sem
pecado, não precisou fazer isso por si. Tão-somente
ofereceu-se num sacrifício perfeito, uma vez, pelos pecadores.
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