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                                                                                    OBRA MISSIONÁRIA DE PAULO
 
ANO d.C.
ACONTECIMENTOS
33-34
CONVERSÃO EM DAMASCO + ou – 01 ANO AQUI PREGANDO
35-47
ANOS DE SILÊNCIO. SABEMOS APENAS O SEGUINTE:
1. PASSOU ALGUM TEMPO NA ARÁBIA E EM DAMASCO ( 3 ANOS ) ORANDO E RECEBENDO REVELAÇÕES DA PALAVRA DE DEUS; SE PREPARANDO PARA EVANGELIZAÇÃO DO MUNDO (Gl 1:18, At 9:26 )
2. FEZ SUA PRIMEIRA VIAGEM A JERUSALÉM ( IRMÃOS RECEOSOS DE RECEBÊ-LO, BARNABÉ O APRESENTA AOS APÓSTOLOS
3. FOI PARA TARSO, NA REGIÃO DA SÍRIA-CILÍCIA
4. ESTEVE COM BARNABÉ EM ANTIOQUIA
5. COM BARNABÉ LEVOU SOCORRO AOS IRMÃOS DA JUDÉIA – REVELAÇÃO DE GRANDE FOME (PROFETA ÁGABO) – SEGUNDA VIAGEM A JERUSALÉM – 14 ANOS DEPOIS DE SUA CONVERSÃO
6. VOLTA PARA ANTIOQUIA; ENVIADO COM BARNABÉ PELA IGREJA DE ANTIOQUIA, PARA A OBRA MISSIONÁRIA
47-48
PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA: NESSA ÉPOCA + ou - TERIA ESCRITO GÁLATAS
49
CONCÍLIO EM JERUSALÉM – PAULO VISITA JERUSALÉM (CONFERE COM Gl 2:1) - 16 ANOS DEPOIS DE SUA CONVERSÃO
1-O ENCONTRO DEPOIS DE CATORZE ANOS:
1.1 QUANDO PAULO SUBIU A JERUSALÉM?
QUANDO ESCREVE AOS CORÍNTIOS SITA A GALÁCIA (ERA O ANO DE 54-55 d.C.) JÁ TINHA ESCRITO AOS GÁLATAS
1.2 SUBINDO OUTRA VEZ A JERUSALÉM
14 ANOS DEPOIS DE SUA CONVERSÃO, É SUA SEGUNDA VISITA E VEIO POR UMA REVELAÇÃO
1.3 BARNABÉ
COMPANHEIRO E AMIGO DE PAULO, MUITO CONHECIDO NAS IGREJAS DE ANTIOQUIA, PSÍDIA, LISTRA, DERBE E ICÔNIO
OS INIMIGOS DO CRISTIANISMO
2.1 TITO E A CIRCUNCISÃO
PAULO TOLERANTE COM OS FRACOS NA FÉ CIRCUNCIDOU TIMÓTEO QUE ERA DECENDENTE DE JUDIA COM GREGO (At 16:3); MAS NÃO CIRCUNCIDOU TITO POIS O MESMO ERA GREGO E TAMBÉM SE O FIZESSE ESTARIA CONCORDANDO COM OS JUDAIZANTES QUE DIZIAM QUE NINGUÉM PODERIA SER SALVO SEM SE TORNAR JUDEU PELA CIRCUNCISÃO
2.2 PREOCUPAÇÃO DO APÓSTOLO PAULO
PERSEGUIDO PELOS JUDAIZANTES, SUA PREOCUPAÇÃO PRINCIPAL ERA COM A VERDADE DO EVANGELHO (Gl 2:5,14)
2.3 OS INIMIGOS DO CRISTIANISMO
PRESSIONADOS PAULO E BARNABÉ PELOS JUDAIZANTES (FALSOS IRMÃOS), ERAM INIMIGOS DA LIBERDADE CRISTÃ
2.4 LEGALISTAS DA ATUALIDADE
SEITAS GUARDANDO O SÁBADO, LEVANDO MILHARES À PERDIÇÃO EM TROCA DE PRÊMIOS COMO BÍBLIAS GRÁTIS
O MESMO EVANGELHO
3.1 OBJETIVO DA REUNIÃO (vv 1-6)
SUBIU À JERUSALÉM PARA AJUDAR OS POBRES, CONVERSOU COM APÓSTOLOS SOBRE JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ, TENDO OS MESMOS CONCORDADO COM ELE.
3.2 UM SÓ EVANGELHO (vv 7,8)
EXISTE UM SÓ EVANGELHO, PAULO FOI ORIENTADO POR JESUS A PREGAR AOS GENTIOS (INCIRCUNCISOS), LEVANDO A MENSAGEM DE LIBERDADE CRISTÃ, COM SALVAÇÃO SEM OBRAS DA LEI; PEDRO FOI DESIGNADO POR JESUS A LEVAR A MENSAGEM DE SALVAÇÃO AOS JUDEUS, PREGANDO A CONVERSÃO A CRISTO, E COMO RESULTADO DESSA CONVERSÃO AS BOAS OBRAS SERIAM MUITO IMPORTANTES, O SINAL DE CIRCUNCISÃO PODERIA SER FEITO MAS NÃO VISANDO A SALVAÇÃO.
3.3 A UNANIMIDADE RESULTANTE (v. 9)
DERAM-NOS AS DESTRAS, EM COMUNHÃO, COMIGO E COM BARNABÉ, PARA QUE NÓS FOSSEMOS AOS GENTIOS E ELES À CIRCUNCISÃO.
Baseado na revista da escola bíblica dominical da C.P.A.D
 
                               
 O MINISTÉRIO PASTORAL DE PAULO
 
INTRODUÇÃO
O rebanho necessita de afeto, cuidado, compreensão e atenção. O relacionamento do pastor com a igreja e a igreja com o pastor é o assunto que vamos destacar nesta lição.
1-                 O RELACIONAMENTO PASTORAL DE PAULO COM OS GÁLATAS
1.1-            A TERNURA PASTORAL
Depois de uma dura repreensão aos GÁLATAS o apóstolo prossegue com uma exortação amorosa. DEUS faz a ferida e é o mesmo DEUS que a sara.
1.2-            O APELO DE PAULO (v.12)
Abriu mão dos costumes de seus antepassados, como mensageiro de CRISTO. Os GÁLATAS se converteram a CRISTO por sua graça mediante a fé, e agora estavam deixando esse caminho para seguir a lei. O desejo apostólico era que os GÁLATAS se libertassem dos rituais da lei da mesma maneira como Paulo se libertou mediante a fé em JESUS CRISTO  
1.3-            O PERFIL DUM PASTOR
O fator principal que caracteriza os vocacionados por DEUS para o ministério pastoral é a fidelidade, o prazer e a satisfação de se identificar com o rebanho – “Ter em si o cheiro de ovelhas.”
 
2-                 A ENTRADA DE PAULO ENTRE OS GÁLATAS
2.1-            O ESTADO DE SAÚDE DE PAULO
O apóstolo revela o seu estado físico e de saúde quando chegou à província da GALÁCIA. Chegou àquela região por causa de uma enfermidade.
2.2-            PRIMEIRO VOS ANUNCIEI (v.13)
Paulo visitou a maioria dessas cidades na ida e na volta, portanto, duas vezes.
 
3-                 A ENFERMIDADE DE PAULO
3.1-            A ENFERMIDADE DO APÓSTOLO SERIA “O ESPINHO NA CARNE”?
2 Co 12:3 fala de um “espinho na carne” que pode ser uma malária ou alguma outra enfermidade.
3.2-            HIPÓTESES PROVÁVEIS
“Espinho na carne” pode ser um problema no corpo que provoca dores e repulsa de parte dos outros (2 Co 12:7).
3.3-            HIPÓTESE MAIS ACEITA
A maioria dos estudiosos chegaram à conclusão que o problema ou “espinho na carne” que Paulo relata é um problema de oftalmológico (nos olhos); baseando-se em At 23:1-5 ( reunião no sinédrio), em  Gl 4:15 (arrancar os olhos) e Gl 6:11 (escreveu com grandes letras) .
 
4-                 CUIDADO COM OS FALSOS MESTRES
4.1-            A PERVERSÃO DO EVANGELHO
4.1.1-            JUDAIZANTES diziam que o homem precisa se tornar judeu, viver os rituais judaicos, para poder ser salvo (guardar dias, meses, anos, luas novas, sábados e a lei);
4.1.2-            LEGALISTAS ensinavam a boa conduta como meio de conduzir o homem a DEUS, pelas obras.;
4.1.3-            ANTINOMIANISTAS afirmavam que o cristão está acima da lei e não precisa das normas da palavra de DEUS.;
Todos são perversões do evangelho de CRISTO.
4.2-            O ZELO PASTORAL DE PAULO (v.16)
Não tinha nada pessoal contra eles; o assunto tinha a ver com a verdade do evangelho.
4.3-            O ZELO INTERESSEIRO DOS JUDAIZANTES (v.17)
Os GÁLATAS eram filhos na fé de Paulo e além disso o apóstolo os amava de verdade. Os JUDAIZANTES eram aproveitadores, que procuravam agradar os GÁLATAS na tentativa de persuadi-los a adotar a religião judaica.
 
CONCLUSÃO
O pastor de verdade, procura falar aquilo que o rebanho precisa ouvir e não necessariamente o que o povo quer ouvir. “Fiz-me, acaso, vosso inimigo, dizendo a verdade?”
 
 
O APÓSTOLO PAULO
Anísio Renato de Andrade - Bacharel em Teologia
HISTÓRIA E CARACTERÍSTICAS
Neste primeiro tópico do nosso estudo, abordaremos questões referentes à pessoa do apóstolo Paulo, suas viagens, sua obra, seu zelo e sua doutrina. Suas viagens se revestem de fundamental importância e estão ligadas ao propósito do seu ministério. Apóstolo significa "enviado". Sendo assim, o apóstolo precisa ir. Suas viagens produziram uma obra, que foi o estabelecimento de igrejas em diversas cidades do Império Romano. Após a fundação das igrejas, Paulo poderia, simplesmente, seguir adiante sem se importar com o rebanho. Entretanto, destaca-se o seu zelo, demonstrado pelo envio de cartas às igrejas, inclusive a uma que não foi por ele fundada, a igreja de Roma. Essa correspondência poderia conter apenas assuntos de interesse pessoal do autor e dos destinatários. Entretanto, contêm a mais sublime exposição da doutrina cristã. Depois de todo esse trabalho, o apóstolo não recebeu recompensa humana. Pelo contrário, foi perseguido, preso, açoitado e morto. As suas viagens e as suas prisões foram necessárias para que hoje tivéssemos as epístolas paulinas no Novo Testamento.
 FAMÍLIA E INFÂNCIA
Paulo se chamava também Saulo (At.13.9), nome hebraico derivado de "Saul", que significa "pedido". Nasceu em Tarso, na Cilícia, no ano 1 d.C. (At.21.39). Era judeu por descendência e romano devido ao status de sua cidade natal no Império (At.16.37; 22.25-30). Paulo era seu nome romano, derivado do latim "Paulus", que significa "pequeno" (At.13.9). O livro "Atos de Paulo e Tecla" nos apresenta o apóstolo como um homem de "baixa estatura, que possuía cabelos ralos na cabeça, sobrancelhas ligadas e nariz convexo."
Jerônimo escreveu que os antepassados de Paulo viviam na Galiléia e depois migraram para Tarso. Eram, portanto, judeus da diáspora. Não sabemos os motivos da mudança, já que eram várias as razões que faziam com que muitos judeus abandonassem a Judéia. O próprio crescimento do comércio no Império era motivo de muitos deslocamentos.
Tarso era a principal cidade da Cilícia, célebre (At.21.39) e bela. Era um centro cultural, religioso e filosófico. Possuía um templo dedicado a Baal e uma universidade tão importante quanto as de Atenas e de Alexandria.
A família de Paulo pertencia à tribo de Benjamim. Não se sabe o nome dos seus pais, mas apenas que eram da seita dos fariseus, à qual o próprio Saulo aderiu. (At.23.6; Fp.3.5 Rm. 11.1).
 JUVENTUDE, EDUCAÇÃO, OFÍCIO E SEITA RELIGIOSA
Embora Tarso fosse uma ótima cidade, sua cultura e costumes eram estranhos ao judaísmo. Os pais de Saulo parecem ter se preocupado com a formação religiosa do filho. Por isso, Saulo foi morar em Jerusalém (At.26.4), onde estavam sua irmã e seu sobrinho (At.23.16). Tal mudança deve ter ocorrido por volta dos 13 anos de idade, quando todo judeu deveria se apresentar no templo judaico. Daí em diante, o jovem Saulo passou a ser instruído pelo mestre fariseu Gamaliel (At.5.34; 22.3). Tornou-se também um fariseu convicto e extremamente zeloso (Gál.1.14). Pela análise de todos os textos mencionados, entendemos que a família de Saulo era influente. Ele mesmo chegou a possuir algum nível de autoridade política e religiosa em Jerusalém. Pode ter participado do Sinédrio ou simplesmente de uma sinagoga, onde votava contra os cristãos (At.26.10). Parte de sua instrução foi o aprendizado da confecção de tendas, ofício que mais tarde lhe serviria como fonte de renda em algumas viagens.
Tendo nascido no ano 1, Paulo era contemporâneo de Jesus. Contudo, não sabemos se chegaram a ter algum contato antes da crucificação. Isso é bastante possível, mas, por falta de provas, torna-se apenas objeto de especulação. Os versículos de II Cor.5.16 e I Cor.9.1 podem indicar esse conhecimento, mas isso não é absolutamente certo. Mesmo que tenha tomado conhecimento a respeito de Jesus, Paulo, como fariseu, não via em Cristo a realização de suas esperanças, uma vez que os fariseus aguardavam a emancipação política de Israel. Assim, o cristianismo, que anunciava um reino espiritual, apresentava-se como abominação aos olhos de Paulo, o qual se tornou um perseguidor implacável contra os cristãos (Gál. 1.13; I Cor. 15.9). Não satisfeito com as perseguições dentro de Jerusalém, Paulo os perseguia em outras cidades, procurando prendê-los afim de que fossem mortos. Notamos nisso um ímpeto "missionário" às avessas. Nesse tempo de perseguidor, Saulo ainda era um jovem, conforme está escrito em At.7.58; 8.1-3.
 CONVERSÃO
A conversão de Saulo se deu por volta dos anos 33 ou 34 d.C.. Converteu-se sem a pregação do evangelho por parte de outro homem (Gál.1.11-12). Afinal, quem pregaria para Saulo? O próprio Ananias ficou temeroso quando Deus lhe enviou a orar por aquele que era conhecido como o grande perseguidor da igreja (At.9.13). Uma conversão sem pregação constitui-se exceção. O normal é que alguém pregue o evangelho para que outros se convertam (Rm.10.14).
PRIMEIRAS VIAGENS APÓS A CONVERSÃO
Em Gálatas 1, Paulo apresenta seu itinerário após a conversão para mostrar que não aprendeu de nenhum apóstolo a doutrina cristã:
Damasco (At.9.8)
Deserto da Arábia – Gál. 1.17
Damasco – Gál 1.17
Jerusalém – 3 anos depois da conversão, onde esteve 15 dias com Pedro – Gál. 1.18. Seu objetivo nesse ponto era deixar claro que não esteve com Pedro tempo suficiente para aprender com ele as doutrinas do cristianismo.
Síria e Cilícia - Gál. 1.21 – Esteve, por aproximadamente 10 anos, morando em sua cidade natal, Tarso. Talvez tenha passado esse período sozinho. Tinha sido rejeitado pela família, pelos judeus e encontrava dificuldades entre os cristãos, pois estes tinham receio dele. Por suas epístolas, entendemos que muitos não aceitavam seu apostolado pelo fato de não ter vivido com Jesus. Em Atos 1, na hora de escolher o substituto de Judas Iscariotes, Pedro apresentou os requisitos: o candidato deveria ter acompanhado Jesus desde o batismo de João até a ressurreição (At.1.21-22). Portanto, se Paulo estivesse ali, não seria escolhido para ser apóstolo.
Antioquia – Por fim, Barnabé foi até Tarso à procura de Paulo e logo depois conduziu-o a Antioquia da Síria, onde passou a participar da igreja (At.11.25-26). Antioquia foi o oásis de Paulo. Barnabé foi aquele irmão de que Paulo tanto necessitava para introduzi-lo no convívio cristão. Em Antioquia Paulo permaneceu um ano.
Jerusalém – Depois disso, Paulo foi a Jerusalém com Barnabé e Tito afim de levar a ajuda enviada pelos irmãos de Antioquia (At.11.27-30). Era então o ano 47 ou 48, 14 anos depois de sua conversão, conforme Gálatas 1.18.
Antioquia – Paulo volta para Antioquia, que passou a ser um tipo de "quartel-general".
De acordo com os Atos e as epístolas, entendemos que Paulo era um homem muito instruído, tanto em relação ao judaísmo quanto na filosofia grega. Contudo, seu conhecimento espiritual sobre os mistérios de Deus sobrepujava a tudo isso. Era também homem impetuoso, disposto e extremamente zeloso em tudo.
 A EVANGELIZAÇÃO DOS GENTIOS.
Pedro iniciou a evangelização dos gentios em Atos 10, mas isso não foi algo natural para ele que era um judeu de Jerusalém. Somente após um arrebatamento, uma visão e uma palavra direta de Deus, é que Pedro admitiu a idéia de pregar aos gentios. Paulo, porém, era um judeu romano. Isso facilitava sua visão rumo aos povos não judeus. Deus o escolheu para essa missão: ser apóstolo aos gentios (At.22.21; Gál. 2.2,8).
Nas cidades em que chegava, Paulo normalmente ia primeiro às sinagogas (At.13.13-14, 42-48; 14.1; 17.1-2). Ainda não havia igrejas ou templos cristãos nesses lugares. Por outro lado, ele ainda honrava os judeus com a primazia no anúncio da fé cristã. Entretanto, eles não viam por essa ótica. As pregações nas sinagogas terminavam com a revolta dos judeus. Paulo era expulso, agredido e muitos queriam até apedrejá-lo. Desse modo, ocorria um escândalo em público, mas a essa altura, alguns judeus já haviam se convertido. Até as disputas em praça pública eram proveitosas para que os gentios ouvissem a palavra de Deus. Com esse grupo de convertidos se formava a igreja e as reuniões mudavam de local (At.18.4-7).
 PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA – entre os anos 47 e 49 (At.13 e 14)
Paulo esteve durante algum tempo participando da igreja em Antioquia. Esta cidade era muito importante. Chegou a ser uma grande metrópole ainda nos tempos dos reis gregos da Síria, os selêucidas. Após a conquista por Roma, continuou como capital da província e ali se encontravam os governadores romanos. Era bela, com muitos palácios e templos, dentre os quais se destacava o Santuário de Apolo. Nessa cidade havia uma grande colônia judaica, correspondendo à sétima parte da população.
Estando reunido com os irmãos em Antioquia, Paulo recebeu uma direção do Espírito Santo para empreender sua primeira viagem missionária juntamente com Barnabé. Partiram então, levando João Marcos.
Eis o roteiro da primeira viagem missionária de Paulo: Antioquia da Síria; Ilha de Chipre (Salamina e Pafos); Antioquia da Psídia; Icônio, Listra, Derbe; Perge; Antioquia da Síria.
No meio da viagem, Marcos abandonou o grupo e voltou para Jerusalém. Por esse motivo, Paulo não quis levá-lo em sua próxima viagem (At.13.13).
TERCEIRA VISITA A JERUSALÉM
Após a primeira viagem missionária, Paulo faz sua terceira visita a Jerusalém, por volta do ano 49. Nessa oportunidade ocorre a famosa discussão dos apóstolos sobre o que deveria ser exigido dos gentios convertidos no que se refere à observância da lei mosaica. (At.15)
 SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA
Entre os anos 50 e 52 d.C. (At.15.40 a 18.22)
Terminado o concílio de Jerusalém (At.15), Paulo e Barnabé voltaram para Antioquia, levando consigo Judas, chamado Barsabás, e Silas. Alguns dias depois (At.15.36), Paulo inicia sua segunda viagem missionária, em companhia de Silas, com o principal propósito de visitar as igrejas estabelecidas nas cidades anteriormente visitadas.
Eis o roteiro da segunda viagem: Antioquia da Síria; Cilícia; Listra; Frígia; Galácia; Trôade; Macedônia/Grécia: Filipos; Tessalônica; Beréia; Acaia; Atenas; Corinto; Éfeso; Jerusalém; Antioquia da Síria.
Em Listra, Timóteo entrou na equipe de Paulo. Em Trôade foi a vez do médico Lucas. Paulo ficou um ano e meio em Corinto, ocasião em que estabeleceu a igreja. Daí escreveu aos Tessalonicenses.
 TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA – 53 a 58 d.C. (At.18.23 a 20.38).
Tendo ficado "algum tempo" em Antioquia (At.18.23), Paulo parte para sua terceira viagem missionária.
O apóstolo muda então sua "base" para Éfeso, que passa a ser sua cidade de retorno. Ali esteve durante dois anos (At.19.10). O versículo mencionado diz que toda a Ásia foi evangelizada naquele período. Portanto, parece certo que Paulo fez diversas viagens às cidades da Ásia Menor, voltando sempre para Éfeso.
O itinerário da terceira viagem foi: Antioquia da Síria, Galácia, Frígia, Éfeso, Macedônia, Grécia, Trôade, Mileto, Tiro e Cesaréia.
 VIAGEM A JERUSALÉM
Percebe-se na história de Paulo seu amor pelo seu povo e pela cidade de Jerusalém (At.20.16). Agora, esse amor se dirigia, mais especialmente, aos cristãos daquela cidade. Ali chegando, o apóstolo foi recebido com alegria pelos irmãos. Vinha trazendo uma oferta para eles (I Cor.16.3; II Cor.9; Rom.15.25; At.21.17). Afinal, todo o receio contra o ex-perseguidor estava dissipado. A igreja havia finalmente abraçado o apóstolo. Contudo, a fúria dos judeus continuava crescendo contra aquele que consideravam um traidor da pátria e da religião judaica. Com esse espírito de ódio, os judeus prenderam Paulo em Jerusalém e o espancaram. O grande tumulto que se formou chamou a atenção das autoridades romanas, que prenderam Paulo. Aproveitando a oportunidade, o apóstolo pediu para falar à multidão que se ajuntou. Nesse momento, ele deu seu testemunho de conversão até ser interrompido por aqueles que queriam sua morte (At.22.1-22).
 PRISÃO EM CESARÉIA
Os judeus de Jerusalém decidiram matar Paulo. Por isso, as autoridades romanas o conduziram em segurança até Cesaréia, onde esteve preso durante dois anos (At.23.23 a 26). Nesse período, ele se apresentou a várias autoridades: ao governador Félix e sua mulher Drusila, ao governador Pórcio Festo, sucessor de Félix, e ao rei Agripa e sua mulher Berenice. Diante deles, o apóstolo proferiu suas defesas, que foram verdadeiros testemunhos e pregações do evangelho. Estas autoridades não viam motivo para matar Paulo. Resolveram então devolvê-lo aos judeus para que eles mesmos resolvessem o problema. Diante dessa possibilidade, Paulo, sabendo que os judeus o matariam, apelou para César, ou seja, o imperador Nero.
 PRISÃO EM ROMA
Sendo cidadão romano, Paulo tinha o direito de ser julgado em Roma. Foi então enviado para lá. Afinal, convinha que chegasse à capital do Império e ali pregasse o evangelho (At.19.21; 23.11). Após uma viagem conturbada e um naufrágio, Paulo finalmente chega a Roma (At.27). Ali permanece preso em uma casa alugada por ele mesmo durante dois anos (At.28). Nesse tempo, pregou o evangelho a todos quantos se interessavam por ouvi-lo.
A MORTE DE PAULO
As últimas palavras bíblicas sobre a vida do apóstolo Paulo encontram-se em At.28 e II Tm.4.6-8. Informações extra-bíblicas dão conta de que ele teria sido solto em 63 d.C.. Talvez tenha visitado a Espanha e outros lugares (de acordo com epístola de Clemente, Cânon Muratoriano e Atos de Pedro.). Finalmente, a tradição nos informa que o apóstolo Paulo foi preso e decapitado pelo imperador Nero em 67 d.C.
Resumindo a cronologia da vida de Paulo:

Data aproximada
Fato ou localidade visitada
Ano 1 d.C.
Nascimento de Paulo
Ano 33 ou 34 d.C.
Conversão
Entre 33 e 36
Deserto da Arábia
Ano 36
Primeira visita a Jerusalém
Entre 36 e 46
Síria, Cilícia (principalmente Tarso)
entre 46 e 47 (Atos 11.25-26)
Antioquia da Síria
47
Segunda visita a Jerusalém
47
Antioquia da Síria
47 a 49
Primeira viagem missionária
49 (Atos 15)
Terceira visita a Jerusalém
50 a 52
Segunda viagem missionária
53 a 58
Terceira viagem missionária
58
Quarta visita a Jerusalém
58 a 59
Prisão em Cesaréia
60 a 62
Prisão em Roma
63 a 66
Liberdade e viagens diversas (???)
67
Morte em Roma

 

 
 A EPÍSTOLA DE PAULO AOS ROMANOS
 ROMA – "A CIDADE ETERNA"
 INFORMAÇÕES HISTÓRICAS E GEOGRÁFICAS
 Localização – Roma está localizada no continente europeu, na região central da península Apenina ou Itálica, que hoje corresponde ao território italiano. Nos primórdios da história romana, não existia um país chamado Itália. A península era ocupada por várias cidades-estado independentes.
Fundação – A cidade foi fundada em 735 a.C. às margens do rio Tibre, sobre 7 colinas. Sua origem está envolta em lendas. A principal está relacionada às figuras dos irmãos Rômulo e Remo, os quais teriam sido amamentados por uma loba. Outra versão nos informa que naquela região foi montado um posto militar dos povos do norte com o objetivo de resistir às invasões dos povos do sul, principalmente dos etruscos. Esse posto teria dado origem à cidade de Roma.
Formação da população – os povos latinos, sabinos, e até mesmo os etruscos participaram da formação inicial da população romana. Posteriormente, outras etnias se introduziram no processo.
Organização social – A população romana, já nos seus primeiros séculos, dividiu-se em classes: patrícios, plebeus, clientes e escravos. Patrícios eram os nativos da cidade, os quais estavam ligados às famílias tradicionais (gens). Eram os donos da terra, possuíam cidadania e status de nobreza. Tais famílias se organizavam em "cúrias" que, por sua vez, formavam as tribos. Daí vinham os membros do senado e o rei.
Os plebeus constituíam a classe popular, a plebe. Eram aqueles indivíduos sem raízes hereditárias entre as famílias importantes. Normalmente eram imigrantes e não possuíam nenhum direito à terra. Contudo, exerciam alguma atividade que lhes garantia uma renda. Portanto, pagavam impostos. Os clientes eram aqueles indivíduos que ocupavam um pedaço de terra de um patrício e, em troca, devia-lhe determinado pagamento. Os escravos eram aqueles que, por motivo de dívida ou de guerra, tornavam-se propriedade dos patrícios. De uma mistura de lenda e história vem a tradição de que Roma teve 7 reis. A monarquia acabou quando os próprios patrícios se ressentiram da tirania do poder real. Inicia-se então a república romana.
Com o passar dos séculos, a plebe cresceu demasiadamente. Muitos plebeus se tornavam escravos por não poderem quitar seus compromissos financeiros. Desse modo, a classe dos escravos também crescia. Os menos favorecidos eram então a maioria da população. Nesse tempo, os patrícios controlavam o Estado, tomando todas as decisões como bem lhes parecia. Muitos indivíduos da plebe prosperaram por suas atividades comerciais ou por sua participação no exército. Muitas atividades indispensáveis eram desempenhadas por essa classe sem, contudo, terem direito à cidadania. Explode então a luta de classes em Roma. Em 494 a.C., os plebeus resolvem abandonar Roma. Eles saem da cidade, deixando os patrícios sem proteção e serviços. Diante disso, e vendo sua dependência, os patrícos resolvem dar direitos aos plebeus, os quais passaram a ter representantes eleitos na Assembléia. Exigiram também a elaboração de leis escritas pois, até então, só havia leis orais em Roma e mudavam de acordo com a vontade dos patrícios.
Império Romano – Tendo formado um poderoso exército, Roma conquistou toda a península itálica, a Espanha, Portugal, Sicília, e todas as nações em volta do Mar Mediterrâneo. Forma-se então o Império Romano. Roma se torna a "capital do mundo", dominando sobre povos de diversas nacionalidades, línguas, religiões e costumes.
Guerra, riqueza, e desenvolvimento – As guerras de conquista aumentaram excessivamente a riqueza romana através do espólio das outras nações. Todo esse poderio econômico proporcionou um desenvolvimento muito grande na cidade. As famílias ricas passaram a contratar professores gregos para seus filhos. Além disso, muitos literatos e artistas gregos se deslocavam para Roma. Comerciantes de várias nacionalidades iam morar em Roma ou fazer ali os seus negócios. Desenvolveu-se então a literatura, a engenharia, a arquitetura e as artes. Nesse tempo, a cidadania romana já não estava restrita aos patrícios. Ser cidadão já não dependia apenas da hereditariedade mas se tornara uma questão financeira.
As construções romanas – Até hoje, o que mais impressiona o visitante de Roma são suas edificações. Entre elas podemos destacar:
  • O Panteon, onde se encontravam os deuses romanos;
  • O Coliseu, grande estádio onde se realizavam as lutas entre os gladiadores e onde muitos cristãos foram lançados às feras.
  • Os aquedutos – canais que conduziam água das montanhas para as cidades.
  • Os relevos – esculturas feitas sobre monumentos.
  • Além disso, podemos citas os templos, palácios, monumentos (ex.: arcos), estátuas, castelos, e as estradas que ligavam Roma a todas as partes do Império.
As obras romanas foram muito influenciadas pelo estilo grego. Contudo, os romanos eram mais realistas. Enquanto que os gregos faziam monumentos em homenagem às figuras mitológicas, os romanos honravam pessoas reais, principalmente seus heróis de guerra e seus governantes.
As catacumbas – eram buracos cavados em volta da cidade para extração de areia. Eram tão profundos que acabavam formando túneis e galerias. Na época da perseguição, os cristãos se escondiam nesses lugares e ali milhares deles morreram e ficaram sepultados.
 Religião
Politeísmo – Desde a antigüidade, a religião romana se caracterizava pela adoração a diversos deuses. Inclusive, chegaram a adorar muitas divindades da mitologia grega.
Culto aos antepassados – As famílias tradicionais adoravam seus próprios ancestrais em seus cultos domésticos.
Culto ao imperador – Estabelecido por Augusto, o culto ao governante tornou-se parte da religiosidade romana.
Cristianismo clandestino – O cristianismo entrou em Roma sem reconhecimento oficial. A recusa dos cristãos em relação ao culto ao imperador foi um dos motivos que deflagraram a perseguição. Após ter incendiado Roma, o imperador Nero acusou os cristãos. Este foi um dos momentos de maior perseguição. Segundo a tradição católica, nessa ocasião Paulo e Pedro foram mortos naquela cidade.
Cristianismo oficial – A partir do governo de Constantino, o cristianismo foi autorizado. Algum tempo depois, o imperador Teodósio tornou o cristianismo religião oficial do Império. As práticas religiosas antigas passaram a ser proibidas. Contudo, continuaram a existir no campo, nas regiões afastadas dos centros urbanos. Com isso, entrou no vocabulário religioso o termo "pagão" que significa "do campo".
 Referências bíblicas a Roma: A bíblia se refere a Roma em Atos, Romanos e II Timóteo. Existem comentaristas que interpretam a "Babilônia" de I Pedro 5.13 como sendo a cidade de Roma. Bem maior é o número dos que tem essa interpretação com relação à "Babilônia" do Apocalipse (cap.17 etc.). O texto fala de uma mulher sobre 7 montes e embriagada com o sangue dos seguidores de Jesus. Com efeito, quando João escreveu aquele livro, muitos cristãos já tinham sido mortos em Roma, a cidade das 7 colinas.
Influência romana – Roma marcou a história da humanidade e até hoje carregamos suas influências em diversas áreas. Alguns exemplos: o direito romano, o estilo artístico, o calendário, os algarismos, o catolicismo, etc. Este último, com sua estrutura de domínio mundial, nos faz lembrar o antigo Império.
 A IGREJA EM ROMA
Fundação : Em sua epístola, Paulo deixa claro que ainda não conhecia Roma. Logo, a igreja ali não foi por ele fundada. Entendemos que Pedro também não participou desse processo pois, se este ou outro apóstolo fosse responsável por aquela igreja, Paulo não escreveria uma carta doutrinária para aqueles irmãos. Por outro lado, se Pedro estivesse em Roma, o mesmo teria sido mencionado nas saudações do último capítulo. Ambrosiastro, escritor do século IV disse: "Os romanos abraçaram a fé em Cristo sem ver nenhum sinal de obras poderosas e nenhum dos apóstolos." No século II surgiu a tradição segundo a qual Pedro teria exercido ministério em Roma. No século IV iniciou-se a tradição de que ele teria sido o 1o bispo romano. Quem então teria fundado aquela igreja? De fato, isso não tem grande importância, mas sempre gostamos de ter um nome para a atribuição das honras. É isso que fomenta o surgimento das tradições. Uma das hipóteses mais prováveis é que a igreja tenha sido fundada no ano 30 pelos judeus de Roma que estiveram em Jerusalém no Pentecostes – At.2.10,11.
A colônia judaica em Roma - Desde a conquista de Jerusalém por Pompeu no ano 63 a.C., muitos judeus foram morar em Roma. No governo de Cláudio foram expulsos – (At.18.2). A ordem foi revogada por Nero poucos anos depois. Quando Paulo chegou a Roma, no ano 60 (At.28) ele encontrou judeus que ali residiam. (É bom lembrar que o envio da epístola é anterior a essa "visita").
A igreja em Roma era composta de judeus e principalmente gentios. Na epístola, Paulo fala aos judeus e aos gentios de forma específica e direta alternadamente (Rm.1.5-7,13; 2.17-24). Sendo pessoas de origens, tradições e costumes tão distintos, era natural que a convivência entre eles apresentasse suas dificuldades. O apóstolo procura tratar dessa questão no capítulo 14.
 A EPÍSTOLA AOS ROMANOS
 "O EVANGELHO SEGUNDO PAULO" (RM.2.16)
Autor: Apóstolo Paulo
Escritor: Tércio – Rom.16.22.
Data – Ano 58 – entre 53 e 58 (3ª viagem missionária).
Local – Corinto.
Portadora – Febe – (Rm.16.1-2).
Tema- O evangelho de Cristo
Texto chave: 1.16 e 5.1
Classificação: soteriologia (doutrina da salvação).
A epístola de Paulo aos Romanos é uma obra prima da teologia cristã, destacando-se entre os livros do Novo Testamento. É um tratado teológico sobre a salvação. Lutero chegou a dizer: "Se tivéssemos de preservar somente o evangelho de João e a epístola aos Romanos, ainda assim o cristianismo estaria a salvo."
A carta nos apresenta um resumo da bíblia e da história humana sob o ponto de vista teológico. O autor menciona Adão (5.14), Abraão (4.13), Moisés (5.14), Israel (11.25), o Velho Testamento (1.2), Jesus (10.9), a salvação (10.9), a igreja (16.1), o juízo (2.16) e a glorificação dos salvos (8.30). Esses versículos são apenas alguns exemplos dentre tantos que mencionam tais temas e pessoas.
Objetivo de Paulo - Paulo queria expor aos romanos seu entendimento a respeito do evangelho e prepará-los para sua futura visita, quando estivesse a caminho da Espanha. (Rm.15.22-24).
 ESBOÇO (RM.)
I – Introdução – 1.1-17
Apresentação pessoal, saudação, tema (16-17).
II – O problema humano – 1.18 a 3.20.
O pecado, sua universalidade e suas conseqüências.
III – A solução divina – A salvação: 3.21 a 5.21.
A origem do pecado e a origem do perdão.
O método da salvação: justificação pela fé no sacrifício de Cristo.
IV – A santificação – 6 a 8.
Ação do Espírito Santo na vida do salvo.
V - A soberania divina – 9 a 11.
Judeus e gentios no plano de Deus.
VI – O cristianismo prático – 12 a 15.13.
A vida cristã na igreja, na sociedade e nas relações pessoais.
O serviço cristão.
V – Conclusão – 15.14 a 16.27.
Assuntos pessoais, admoestações e saudações finais.
 COMENTÁRIO
Deve-se observar a organização de Paulo. A carta apresenta um desenvolvimento em uma seqüência bem ordenada. Temos: Introdução, histórico, ilustração (Abraão), teoria e exemplos de aplicação prática.
I – Introdução – 1.1-17
Apresentação pessoal, saudação, tema (1.1, 16-17).
As cartas antigas eram iniciadas com três elementos: identificação do remetente, identificação do destinatário e saudação. Vemos isso na epístola aos Romanos. Paulo se apresenta de forma humilde, como servo, chamado para o apostolado e separado para o evangelho. Desse modo, a autoria fica bem definida. Os destinatários são claramente indicados no verso 7. No próprio verso 1, o tema já surge: "o evangelho de Deus". A partir desse ponto, o autor pára de falar de si mesmo e passa a discorrer sobre a trindade, destacando o Filho. O Pai é mencionado nos versos 1, 2 e 7. O Espírito Santo é mencionado no verso 4. Jesus é mencionado em vários versículos, pois ele é o personagem principal no tema escolhido.
Em sua introdução, Paulo apresenta o vínculo entre a história, a humanidade e a divindade. O elemento histórico é o rei Davi. A questão humana é a descendência carnal de Cristo. O elemento divino é a declaração da sua filiação divina. Esta abordagem demonstra que o evangelho de Deus está cravado no contexto humano de forma historicamente comprovada. O ápice da apresentação do tema se dá nos versos 16 e 17.
II – O problema humano – 1.18 a 3.20.
O pecado, sua universalidade e suas conseqüências (condenação e morte).
No desenvolvimento da epístola, Paulo vai falar do evangelho, mas os romanos poderiam perguntar: para quê evangelho? O apóstolo, em sua excelente organização literária, vai demonstrar aos seus leitores os fatores que evidenciam a necessidade que os homens têm do evangelho. Este seria apresentado como um "remédio", mas, para isso, torna-se imperioso que a "doença" seja diagnosticada. Isto é feito de forma magistral pelo "doutor" Paulo. Nesse momento ele quer despertar a consciência dos romanos, então chama a atenção para práticas pecaminosas tais como a idolatria (1.23-25), o homossexualismo (1.27), a prostituição, o homicídio, e uma lista que inclui até à desobediência aos pais (1.29-31).
Os romanos eram a elite política do império. Os judeus eram a elite religiosa, pelo menos para si mesmos. Os gregos eram a elite cultural. Eles poderiam se considerar acima das questões apontadas por Paulo. Entretanto, o autor apresenta, de forma contundente, a universalidade do pecado. Ao citar gentios, judeus, bárbaros, romanos, gregos, sábios e ignorantes, ele não deixa ninguém de fora da sua abordagem (1.13-16). Isso se evidencia de forma definitiva no capítulo 3, onde lemos: "Não há um justo sequer", (3.10). "Toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus" (3.19). "Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (3.23).
O pecado é, em si mesmo, maligno. Contudo, muitas vezes só conseguimos ver essa malignidade através das suas conseqüências. É como uma doença que só é notada e sentida quando surgem os sintomas. Contudo, a doença é muito mais profunda do que os sintomas. As conseqüências do pecado são diversas e se apresentam nas mais variadas esferas da vida humana. Contudo, os piores efeitos são: a morte, que é o salário do pecado (6.23), e a condenação divina (3.19). Se a morte fosse o fim, tudo estaria então resolvido. Porém, o pior vem depois. Conforme diz a epístola aos Hebreus, depois da morte vem o juízo (Hb.9.27).
III – A solução divina – A salvação: 3.21 a 5.21
A origem do pecado e a origem do perdão.
O método da salvação: justificação pela fé no sacrifício de Cristo.
Fazendo um exame mais profundo, Paulo vai explicar como o pecado entrou na história humana. Após ter diagnosticado a "doença", o autor vai buscar sua causa. Então, ele menciona Adão, como sendo o primeiro pecador humano. Na condição de representante da humanidade, o primeiro homem passou a natureza pecaminosa a todos os homens. Novamente, a universalidade do pecado está evidente (3.23). Para o alívio dos leitores, não só o pecado é universal, mas também o amor de Deus possui a característica da universalidade. Já no capítulo 1 o autor diz que os destinatários são "amados de Deus". Afinal, o amor de Deus é o pressuposto fundamental do evangelho, conforme se observa em João 3.16.
Paulo não se limita a mostrar o problema humano e suas conseqüências. Afinal, mostrar o problema é muito fácil e muitos estão fazendo isso a todo tempo. As religiões, as ciências humanas e os meios de comunicação estão mostrando o pecado humano e suas conseqüências diariamente, embora utilizem outros nomes para tudo isso. O tema da epístola aos Romanos é o evangelho e o objetivo do evangelho é a salvação (1.16), e não o enriquecimento material dos convertidos. Depois que o homem está convencido do seu pecado e da respectiva condenação, a salvação se torna muito interessante. Mas, como ela ocorre? E por quais meios? Faz parte do evangelho a resposta a essas questões. E Paulo se dedica a explicar o método divino para a salvação do homem.
A salvação não ocorre por meio das obras e nem através da lei. Os mandamentos da lei são santos, justos e bons (Rm.7.12), porém não salvam. A lei serve para mostrar o pecado e determinar a condenação. Mostrando o pecado, a lei é útil. Porém, não salva. A lei serve para mostrar ao homem a necessidade que ele tem da obra de Jesus Cristo. Tal obra foi o seu sacrifício na cruz, sua morte. Entretanto, tal obra não tem efeito automático. Se assim fosse, toda a humanidade estaria salva a partir do momento em que Cristo expirou. Ao sacrifício de Cristo deve ser aplicada a , pois a salvação é para "todo aquele que crê" (Rm.1.16).
A fé no sacrifício de Jesus produz a justificação. Conforme diz Paulo: "sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo." (Rm.5.1). Justificação é o ato divino de nos declarar justos. Voltando a Romanos 3.10, temos as palavras de Paulo dizendo: "Não há um justo sequer."
No capítulo 5, este problema está resolvido, pois Deus nos declara justos pelos méritos de Cristo. Por natureza, não somos justos, mas pela graça de Deus somos, pois a justiça de Jesus nos é imputada. "Imputar", de acordo com o dicionário Aurélio, significa "aplica um pagamento a determinada dívida". Podemos entender a imputação como um crédito aplicado a uma conta corrente. Paulo disse que Abraão creu e sua fé lhe foi imputada como justiça, ou seja, a fé de Abraão foi considerada como justiça. Da mesma forma a justiça do homem Jesus, sua vida santa, é imputada a todo aquele que nele crê. Sua justiça é creditada em nossa "conta" que estava "negativa" por causa da dívida do pecado. Assim, nossa débito é pago e ficamos em paz com Deus, a quem jamais poderíamos pagar. Por isso, a salvação é o "dom gratuito de Deus" (Rm.6.23). Sendo gratuito, não faz sentido nenhum tipo de pagamento que se pretenda estabelecer para a obtenção do perdão divino. A gratuidade da salvação não significa que ela não tenha um preço, mas indica que esse preço já foi satisfatoriamente pago através do sangue do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
IV – A santificação – 6 a 8.
Ação do Espírito Santo na vida do salvo.
"Onde abundou o pecado, superabundou a graça." (Rm.5.20). Tamanha graça divina poderia ser erroneamente interpretada como licença para o pecado. "Permaneceremos no pecado para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?" (Rm.6.1-2).
A obra de Deus na vida do crente não se resume à justificação. Podemos comparar a justificação à saída dos israelitas do Egito. Esta é uma ilustração excelente para a salvação. Porém, após retirar o povo do Egito, Deus precisava tirar o Egito do coração do povo israelita. Foi o processo do deserto, o qual nós podemos comparar com a santificação do salvo. Este consiste na formação do caráter de Cristo em nós. É uma parte essencial do que costumamos chamar de "crescimento espiritual". Pela justificação, Deus perdoou todos os nossos pecados passados. Pela santificação, vamos nos livrando dos hábitos pecaminosos. Embora muitos possam alegar que tudo isso acontece instantaneamente quando se aceita a Jesus, a realidade nos mostra o contrário. O próprio Paulo demonstra esse conflito quando diz: "não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço." (Rm.7.19). Qual seria o escape para esse dilema prático? A operação do Espírito Santo na vida do crente em junção com a vontade humana e o exercício pessoal da obediência. "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito." (Rm.8.1). Nesse processo, entra, de forma determinante, a Palavra de Deus. O Espírito Santo opera em nós na medida em que conhecemos a Palavra de Deus e procuramos aplicá-la (Rm.10.17; Ef.5.26). Santificar é "separar". Santificação é a separação do salvo de tudo aquilo que não condiz com sua nova condição espiritual. Lembremo-nos do relato da ressurreição de Lázaro. Estando já ressuscitado, ele ainda se encontrava imobilizado por muitas ataduras mortuárias. Era um vivo com cara de morto, cheiro de morto, aspecto de morto. Era preciso que tudo aquilo fosse removido. A santificação dos crentes é uma das principais funções do Espírito Santo no mundo. É a preparação da noiva, a igreja, para o seu encontro com o noivo, Jesus.
V - A soberania divina – 9 a 11
Judeus e gentios no plano de Deus.
Nessa parte da epístola, o apóstolo Paulo se dedica a mostrar aos Romanos o valor dos judeus e sua posição no plano de salvação. Se os romanos não valorizassem os judeus e não reconhecessem neles a origem da revelação divina, como poderiam valorizar a pessoa de Jesus? Mesmo nós, hoje, aceitamos o cristianismo porque entendemos que "a salvação vem dos judeus" (João 4.22). Esse destaque para Israel parecia incompatível com a rejeição que os próprios judeus demonstraram à pessoa de Cristo. Paulo então, expõe alguns detalhes históricos do povo de Deus, sua incredulidade, sua desobediência e seu distanciamento do evangelho. Dizer que Israel era o povo escolhido de Deus poderia soar muito estranho para os romanos. Paulo demostra enfaticamente que Deus é soberano. Ele escolhe a quem quer e rejeita a quem quer. Logo, se Deus escolheu Israel, não se deve questioná-lo por isso. Deus tem razões anteriores às suas soberanas decisões. Sua presciência, conhecimento antecipado, faz com que as evidências das suas escolhas apareçam antes dos fatos que lhes deram causa. Então, a situação pode ter aparência de injustiça aos olhos humanos. Antes que Jacó e Esaú nascessem, Deus disse: "Amei a Jacó e aborreci a Esaú." (Rm.9.11-13). Então, Jacó já nasceu como escolhido de Deus, enquanto que Esaú nasceu rejeitado, mas tudo isso porque Deus já via qual seria, no futuro, a decisão de cada um daqueles meninos diante do plano divino. Deus, em sua presciência, sabia que o "enganador" se converteria e que o primogênito desprezaria sua primogenitura. Contudo, tais atitudes não foram determinadas por Deus, mas por eles mesmos.
O conceito de soberania poderia nos levar a pensar que abaixo de Deus, apenas a sua vontade é feita. Mas não é assim. A soberania divina significa que acima dele não existe mais ninguém. Abaixo dele, nem todos obedecem à sua vontade. Contudo, até a desobediência se encontra debaixo da soberania. Os homens desobedecem porque Deus lhes deu um limitado campo de ação onde a vontade humana prevalece.
Quando pensamos em soberania divina, eleição e predestinação, podemos pensar que toda a história e o destino humano dependem única e exclusivamente de Deus que, por sua absoluta decisão, escolheu quem haveria de se salvar e quem haveria de se perder, independentemente de qualquer ato ou vontade dos seres humanos. Esta posição é defendida por muitos teólogos. A outra maneira de se entender tudo isso é através da consideração da presciência de Deus como base da eleição e da predestinação. Assim, Deus elegeu e predestinou as pessoas porque já sabia antecipadamente qual seria a decisão de cada uma delas em relação à pessoa de Jesus Cristo. Como disse Pedro, somos "eleitos segundo a presciência de Deus" (I Pd.1.2). E voltando a Romanos, "os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho Jesus..." (Rm.8.29). Antes da predestinação existe um conhecimento. Esta é a presciência de Deus a respeito das decisões humanas no uso de seu livre-arbítrio.
A soberania divina não anula a liberdade humana. Paulo mostra que podemos escolher. Ele diz: "Não sabeis vós que a quem vos oferecerdes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?" (Rm.6.16). "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional." (Rm.12.1). Nesses textos, observamos a vontade humana em ativa participação no destino espiritual de cada um.
VI – O cristianismo prático – 12 a 15.13.
A vida cristã na igreja, na sociedade e nas relações pessoais.
A transformação operada pelo evangelho na vida humana deve ter dois aspectos: a pessoa deve deixar de fazer o mal e começar a fazer o bem (Is.1.16-17). A justificação é quase um sinônimo de perdão. A santificação seria o "deixar de fazer o mal". É o abandono de práticas pecaminosas. Contudo, o processo de ação do evangelho ainda não está concluído. Deixamos de fazer as coisas erradas e agora precisamos começar a fazer as coisas certas. Deixamos de servir ao Diabo e precisamos servir a Deus ativamente. Libertos do pecado, tornamo-nos servos da justiça (Rm.6.18). Os mandamentos divinos se dividem em proibições e ordens. São mandamentos negativos e positivos. Os negativos são aqueles que começam com o advérbio "não" e nos mostram os atos e atitudes que devem ser abandonados: "Não matarás", "Não adulterarás", etc. (Rm.13.9-10). Os mandamentos positivos são aqueles que nos ordenam à ação. Por exemplo, "honra teu pai e tua mãe." No desenvolvimento da vida cristã, temos a fase que podemos comparar `a limpeza de um terreno. Talvez haja alguma construção a ser demolida, algum lixo a ser removido, etc. Depois, deve vir a fase de edificação de acordo com o novo propósito. Por isso Paulo nos admoesta a apresentarmos os nossos corpos para o trabalho cristão. Entendemos assim pela análise do conteúdo do capítulo 12. O cristianismo não se resume em espiritualidade, mas em ação. As obras não salvam, mas o salvo pratica boas obras.
Paulo nos convida ao serviço cristão. O apóstolo usa sempre os conceitos de servo e senhor, figuras tão presentes na organização social do Império Romano. Ele mesmo fora chamado para ser apóstolo. Sua vocação não era apenas para a salvação, mas para o serviço sagrado. Somos convidados a apresentar os nossos corpos (12.1) para o serviço no corpo de Cristo (12.5). Orar é bom e necessário, mas não é tudo. É preciso ação na igreja através dos dons espirituais e dos ministérios.
A igreja não é o único campo de ação do cristão nem deve ser um esconderijo ou lugar de alienação. Precisamos enxergar além dos limites do nosso grupo de irmãos, não para lançar mão das imundícies do mundo mas para desempenharmos nele o nosso papel como bons cidadãos e agentes do bem. Por isso Paulo insere a questão da sujeição às autoridades, o pagamento dos impostos e de toda dívida (Rm.13.1,6,7,8). Deve haver coerência entre nossa ação na igreja e no mundo. Quando Jesus perguntou: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?", ele só obteve respostas positivas, embora nem todas estivessem corretas. E quais serão as respostas se fizermos a mesma pergunta a respeito de cada um de nós? O que as pessoas dizem a nosso respeito? Que "títulos" receberemos delas? Ainda que os títulos não tenham grande valor, se forem negativos podem ter grande peso contra o evangelho e contra o nome de Jesus.
Além das relações a nível social ou institucional, temos relações pessoais diversas. Depois de termos consciência do nosso papel na igreja e na sociedade, precisamos ter bem em mente alguns princípios que irão reger nossos relacionamentos individuais. Então, Paulo chega ao nível do tratamento com "o próximo". O evangelho deverá reger tudo isso.
V – Conclusão – 15.14 a 16.27
Assuntos pessoais, admoestações e saudações finais.
  AS EPÍSTOLAS DE PAULO AOS CORÍNTIOS
 A CIDADE DE CORINTO – GRÉCIA
 Localização
As quatro cidades mais importantes do Império Romano eram: Roma, Corinto, Éfeso e Antioquia da Síria. Portanto, Corinto era célebre. A cidade localizava-se em um istmo, que é uma porção de terra que liga uma península ao continente. Possuía dois portos. Assim, além de ser a única passagem por terra entre o norte e o sul da Grécia, era também passagem entre a Ásia, a Palestina e a Itália. Os navegantes poderiam dar a volta pelo sul da península. Porém, o mar na região era muito tempestuoso. Corinto era então um corredor de mercadorias. Além disso, suas terras eram férteis. A cidade era rica e tinha localização estratégica no cenário mundial.
História
Corinto grega
No auge da civilização grega, Corinto já ocupava lugar de destaque. Em 146 a.C., a cidade foi destruída pelo cônsul romano Mummius.
Corinto romana
Devido à sua posição estratégica, a cidade foi reconstruída em 46 a.C. por Júlio César, tornando-se capital da Província Romana da Acaia. A nova Corinto possuía ruas amplas, praças, templos (Netuno, Apolo, etc), estádio (I Cor.9.24), teatros, estátuas, e o santuário de mármore branco e azul (Rostra), onde se pronunciavam discursos e sentenças.
A idolatria de Corinto
A idolatria fazia parte da cultura grega com seus inúmeros deuses mitológicos. Ao sul de Corinto havia uma colina chamada Acrocorinto, que se elevava a 152 metros acima da cidade. Ali estava o templo de Afrodite, também chamada Astarte, Vênus ou Vésper, – deusa do amor e da fertilidade.
A corrupção de Corinto
Os cultos a Afrodite incluíam ritos sexuais realizados por 1000 sacerdotisas, ou seja, prostitutas cultuais. O fato de ser cidade portuária, contribuía para que uma série de problemas se estabelecessem. Muitos viajantes que por ali passavam se entregavam à prostituição e à prática de outros delitos. O fato de estarem de passagem criava uma sensação de impunidade, o que de fato se concretizava normalmente. Estes e outros fatores contribuíam para uma corrupção generalizada na cidade.
História recente
A cidade de Corinto foi destruída por um grande terremoto em 1858. Em seguida foi reconstruída a 6 km do local anterior. Escavações na cidade antiga permitiram diversas descobertas arqueológicas, tais como monumentos, imagens e ruínas de casas, templos e palácios.
A IGREJA EM CORINTO
A igreja em Corinto foi fundada pelo apóstolo Paulo durante sua 2a viagem missionária, entre os anos 50 e 52 d.C. Ali, Paulo permaneceu durante dezoito meses (At.18.1-8). A igreja era composta por judeus e gentios. Entre seus membros havia ricos e pobres, inclusive escravos.
 AS EPÍSTOLAS AOS CORÍNTIOS
Em nossas bíblias, temos duas epístolas de Paulo aos Coríntios. Entretanto, sabemos que elas seriam pelo menos três. Em I Cor.5.9, Paulo se refere a uma carta anterior, a qual não chegou às nossas mãos. Em II Cor. 7.8 existe referência a outra carta que pode ser I Coríntios. Alguns comentaristas sugerem que a carta mencionada em II Cor.7.8 seja uma outra epístola. Nesse caso, teríamos quatro epístolas. Trabalhando ainda com hipóteses, sugere-se que essa epístola corresponda aos capítulos 10 a 13 de II Coríntios, os quais poderiam ter sido ali agrupados posteriormente.
Temos então o seguinte esquema:
1a carta - desaparecida - existência garantida por I Cor.5.9
2a carta - é a que chamamos I Coríntios.
3a carta - desaparecida – existência hipotética.
4a carta – é a que chamamos II Coríntios.
 A PRIMEIRA EPÍSTOLA DE PAULO AOS CORÍNTIOS
 Autor: Paulo (1.1)
Escritor: Sóstenes (1.1)
Data: 56 d.C.
Local: Éfeso (16.8)
Texto chave: 5.7
Tema: o comportamento do cristão.
Classificação: eclesiologia (Estudos referentes à igreja).
Principais motivos da carta
Nessa epístola, Paulo não expõe os fundamentos do evangelho, como fez na carta aos Romanos. Afinal, ele já estivera doutrinando os coríntios pessoalmente durante um ano e meio. Paulo escreveu àquela igreja depois de receber uma carta com perguntas dos coríntios (I Cor. 7.1; 8.1-13) e a visita de pessoas que vieram trazendo más notícias (1.11; 16.17). Os problemas dos coríntios eram muitos. Em destaque estavam a divisão e a imoralidade.
 Divisão na igreja
Logo que Paulo saiu de Corinto, após ter fundado a igreja, Apolo chegou e deu prosseguimento ao trabalho (At.18.24-28). Como disse o apóstolo: "Eu plantei, Apolo regou.." (I Cor.3.6). Sua obra foi importante e digna de reconhecimento. Ele era homem eloqüente e conseguiu conquistar a simpatia de muitos coríntios. Ao que parece, os irmãos ficaram impressionados com a pessoa de Apolo e começaram a fazer comparações com Paulo, que talvez não falasse tão bem. (I Cor.2.1-5; II Cor. 10.10). Muitos chegaram a desprezar o apóstolo Paulo, questionando sua autoridade e seu ministério. (I Cor.1.11-14). Formaram-se então partidos dentro da igreja: os de Paulo, os de Apolo, os de Cefas (Pedro em Aramaico) e os de Cristo (I Cor.1.12). Não sabemos se Pedro esteve pessoalmente em Corinto. Pode ser que sim. De qualquer forma, é mais provável que o nome de Pedro tenha sido levado por judeus cristãos que vieram de Jerusalém. Talvez esse grupo corresponda aos judaizantes que tantos problemas criaram para Paulo.
O fato de alguns se intitularem "de Cristo" pode ter sentido positivo ou negativo. Isso poderia significar uma consagração maior, uma rejeição ao partidarismo, mas pode também indicar independência, rejeição a todo tipo de liderança e uma manifestação "orgulho espiritual". Conquanto não possamos tirar conclusões sobre isso na primeira epístola, o texto de II Cor. 10.7 parece mostrar que aqueles que se diziam "de Cristo" eram os mais problemáticos.
Influências da cidade
Como vimos, a cidade de Corinto estava dominada pela idolatria, pela imoralidade e pela corrupção generalizada. Tais fatores estavam "batendo à porta da igreja". Esta situação não é diferente nos nossos dias, quando o "modernismo" e o "mundanismo" estão querendo entrar no nosso meio. Não podemos simplesmente nos fechar para tudo o que nos rodeia. Nesse caso, teríamos que "sair do mundo". Contudo, precisamos discernir o que é aceitável e o que não é. Muitas influências podem até ser positivas. O que não se pode admitir é a entrada do pecado na igreja. Por exemplo, se usamos instrumentos musicais que foram inventados por ímpios, isso não é problema, mas se trouxermos a sensualidade mundana para a igreja estaremos recebendo o lixo do mundo. Em Corinto, as influências da cidade estavam fazendo apodrecer a igreja. Os costumes pagãos estavam influenciando até mesmo a (des)organização dos cultos.
A carnalidade dos cristãos coríntios
A influência externa só produz resultado quando encontra receptividade interna. A carnalidade daqueles cristãos era a porta aberta para os males externos. Assim, surgiam diversos problemas na vida da igreja. No capítulo 2, Paulo fala sobre o "homem natural" (v.14) e o "homem espiritual" (v.15). O homem natural é o ímpio. O espiritual é o cristão controlado pelo Espírito Santo. No capítulo 3, verso 1, o autor se refere ao "homem carnal". Carnalidade é o modo de vida de acordo com os desejos descontrolados da natureza pecaminosa. O homem carnal é o crente sem o controle do Espírito Santo. Sua vida se torna semelhante à do homem natural, onde o domínio do pecado é visto com naturalidade.
 Especificando as influências
Na seqüência, procuraremos expor o "pano de fundo" dos problemas da igreja de Corinto. Vários elementos estavam contribuindo para aquela situação de caos. A epístola apresenta o esforço de Paulo para colocar as coisas em seus devidos lugares. Muitas delas deveriam ser colocadas para fora da igreja.
 Religião e imoralidade (I Cor.5.1; 6.15-18; 7.2)
A cultura de Corinto misturava religião e imoralidade. Além disso, a vida passada (6.9-11) de muitos daqueles irmãos constituía um ponto fraco, motivo pelo qual alguns (ou muitos?) se deixaram levar pelos pecados sexuais. Paulo deixa bem claro que essa mistura não poderia existir dentro da igreja. O padrão de religiosidade da cidade não servia para os cristãos. O caso mais grave está relatado no capítulo 5: um homem da igreja havia cometido incesto com a sua madrasta. O apóstolo aconselhou que o mesmo fosse expulso da igreja. Em casos assim, muitos poderiam apelar para a tolerância, o amor, etc. Contudo, a impunidade seria um forte incentivo para que outros se deixassem levar por pecados semelhantes. A exclusão precisava ser feita. Posteriormente, o irmão poderia ser re-admitido na congregação, como parece ter ocorrido (II Cor.2).
A imoralidade de Corinto acabava por desvalorizar o casamento. Por isso, Paulo lhes dá diversas orientações no sentido de que o casamento fosse visto como uma instituição divina. Embora o apóstolo afirme que é melhor estar solteiro para servir a Deus, ele também deixa claro seu conselho no sentido de que os casados não se separem. O casamento é colocado como um importante antídoto contra a imoralidade.
O problema sexual deturpava também o conceito de amor. Afrodite era considerada a deusa do amor e este possuía uma conotação principalmente sexual. Desse contexto grego vem a palavra "erotismo", que é derivada do nome "Eros", um deus da mitologia. Paulo parece estar preocupado com essa questão quando dedica o capítulo 13 ao amor. Ele quer formar um conceito correto a respeito do amor, mostrando o que ele é e o que ele não é.
Religião e ordem no culto (I Cor.14.23,26-35)
A desordem pagã e a ordem cristã.
Sabendo que o culto a Afrodite era uma orgia, deduzimos que ali não se encontravam ideais de reverência, ordem, decência e organização. Os cultos da igreja, embora não incluíssem práticas sexuais, estavam bastante tumultuados. Paulo escreveu então, procurando estabelecer princípios que pudessem regulamentar as reuniões da igreja. Por isso ele diz para que se evite o falar em línguas sem interpretação. E quando houver, que não se manifestem mais do que três profetas. Aconselha que as mulheres fiquem caladas durante o culto e que guardem as perguntas para seus maridos em casa. Entendemos que Paulo não pretendia criar uma "camisa de força" para nós, como se estivesse ditando um conjunto de "leis eclesiásticas". Tais orientações foram assim radicais pois a situação dos coríntios era grave. De tudo isso, precisamos guardar os princípios de ordem, decência, reverência e que só se faça no culto aquilo que puder promover a edificação da igreja.
Religião e comportamento feminino
Por quê será que Paulo foi tão rigoroso em relação às mulheres cristãs? Lembremo-nos de que as mulheres ocupavam lugar de proeminência na religião pagã de Corinto. A principal divindade era uma deusa. As mulheres oficiavam os cultos a Afrodite. Eram 1000 sacerdotisas que se prostituíam no templo. Além disso, as prostitutas proliferavam-se pela cidade. Comentaristas nos informam que, quando uma mulher usava o véu, isso significava que ela estava submissa a um homem, quer seja seu marido, seu pai ou um parente responsável. Quando se via uma mulher sem véu e com o cabelo tosquiado ou mesmo raspado, já se deduzia que a mesma estava totalmente disponível. Essa era a maneira como as prostitutas eram identificadas. Sendo assim, as mulheres cristãs precisavam agir com modéstia, precisavam usar o véu e manter seus cabelos compridos. Nos cultos não lhes seria dado lugar de destaque ou liderança. Não se poderia deixar que o estilo pagão de culto influenciasse a igreja. O uso do véu era importante naquele contexto cultural. Deixar de usá-lo naqueles dias seria motivo de mal testemunho ou escândalo. Então, era prudente que as mulheres cristãs usassem o véu. Podemos comparar isto ao uso da aliança hoje como sinal de compromisso matrimonial. Se o homem casado ou a mulher casada deixam de usar aliança, não estarão desobedecendo a um mandamento bíblico específico mas estarão levantando suspeitas e maus juízos, o que não é edificante para o cristão nem para o evangelho. Reforça-se então a necessidade que temos de extrair os princípios que tais passagens nos trazem e não sua aplicação literal. Paulo está ensinando o uso do bom senso em relação aos costumes culturais e também está orientando sobre a autoridade do homem sobre a esposa.
Religião e alimentação (I Cor.8.10; 10.27).
Assim como ocorria no judaísmo, os sacrifícios de animais eram comuns em diversas religiões. Parte do animal era queimado sobre o altar. Outra parte era servida aos ofertantes, sacerdotes e convidados. Eram, portanto, freqüentes as refeições nos templos pagãos. Desta influência surgiram dois problemas para a igreja:
1 – Os cristãos realizavam refeições na igreja em ambiente tumultuado e chamavam isso de ceia do Senhor. Os ricos levavam grande quantidade de comida e bebida para a igreja. Chegavam até a ficar embriagados (I Cor.11.20-22). Enquanto isso, os irmãos pobres muitas vezes não tinham o que levar. Isso se tornava então uma situação constrangedora e humilhante. Por isso, Paulo perguntou: "Não tendes, porventura, casas onde comer e beber?" As reuniões da igreja não podiam reproduzir as refeições dos templos pagãos. Então, o apóstolo orienta como deve ser a ceia do Senhor: com reverência, ordem e santidade (I Cor.11.23-34).
2 – Outro problema é que as refeições nos templos pagãos eram acontecimentos sociais e, eventualmente, os cristãos poderiam ser convidados para participar. Estariam então diante de um alimento sacrificado aos ídolos. Paulo diz que, já que o ídolo é nada, é uma ilusão, então a carne sacrificada é como outra carne qualquer. Ali não existe nenhuma maldição nem contaminação. Porém, se um cristão, que antes adorava naquele templo pagão, vê um irmão comendo ali a carne do sacrifício, ele pode se sentir tentado a voltar à sua prática antiga. Cria-se então uma situação de tropeço e confusão. Se a participação em tais refeições pode se tornar motivo de escândalo, então é melhor evitá-las (I Cor. 8). Ele diz também que o cristão não pode participar da mesa do Senhor (ceia) e da mesa dos demônios (refeições pagãs). Muitas vezes, a carne desses animais sacrificados ia parar até nos mercados. Sobre isso, Paulo diz que o cristão deveria comprar sem preocupação (10.25). Não deveria nem perguntar sobre a origem da carne. Da mesma forma, se o cristão fosse almoçar na casa de um ímpio, deveria comer de tudo sem perguntar (10.27). Entretanto, se o anfitrião dissesse que aquela carne era de um sacrifício aos ídolos, o cristão deveria recusá-la, não por causa do ídolo ou por causa do animal, mas porque o comer poderia ser interpretado como participação na idolatria ou, no mínimo, aprovação (10.28).
 Religião e Filosofia
Se, naquele tempo, a filosofia grega era influente em todo o mundo, quanto mais em Corinto, que estava na Grécia. A filosofia clássica se caracteriza pela interpretação humana da realidade. Tal pensamento formou e ainda forma muitos conceitos que são geralmente aceitos como verdade. As palavras de Paulo nos fazem entender que os coríntios possuíam conceitos distorcidos sobre o amor, a liberdade e a sabedoria. Muitas vezes, a filosofia é utilizada para montar justificativas para o pecado.
Os gregos eram orgulhosos por seu conhecimento filosófico. O apóstolo se esmera por mostrar que o entendimento humano é loucura. Ele procura mostrar o verdadeiro sentido do amor, da liberdade, da sabedoria, etc.. No texto que vai de 1.18 a 2.16, Paulo confronta a sabedoria humana com a sabedoria divina. Estava em alta o pensamento gnóstico, o qual supervalorizava o conhecimento, associando-o à salvação humana. A ciência tomava ares de virtude espiritual. Além de enfatizar a sabedoria divina contra a sabedoria humana, Paulo também afirma: "A ciência incha, mas o amor edifica" (I Cor.8.1). A matéria era vista pelos gnósticos como maligna. Daí surgem várias heresias:
  • Se a matéria é má, o casamento também. Paulo combate essa idéia em I Cor. 7.5.
  • A ressurreição do corpo era vista como "materialista". Por isso Paulo expõe e defende a doutrina da ressurreição no capítulo 15.
  • Enquanto que alguns gnósticos, diante da suposta malignidade da matéria, optavam pelo ascetismo, ou seja, pela negação dos desejos sexuais e a total abstinência, outros, combinando gnosticismo e cristianismo, julgavam-se protegidos contra todos os males e, assim, podiam, supostamente, se entregar aos desejos sem restrições.
Conhecimento, liberdade e amor eram elementos mal interpretados, mal colocados e mal valorizados em Corinto. Isso veio a causar uma série de problemas na igreja. Alguns julgavam que a liberdade cristã lhes dava direito de fazer tudo, quer seja a participação nas refeições dos templos pagãos ou mesmo a união carnal com as meretrizes.
Paulo se posiciona contra todas essas variações da influência filosófica e da falsa interpretação do cristianismo. Assim, ele condena a libertinagem sexual, ao mesmo tempo em que defende a legitimidade do sexo dentro do matrimônio (I Cor. 6.15-16 e I Cor.7). A liberdade cristã é, de fato, ampla. Contudo, o amor é o seu parâmetro maior. Assim, se, no uso da nossa liberdade, ultrapassamos os limites do amor a Deus e ao próximo, saímos da liberdade cristã e entramos nos domínios do pecado. Por isso, Paulo diz: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém." (I Cor.10.23). "Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, pois, os membros de Cristo e fá-los-ei membros de meretriz? Não, por certo" (I Cor.6.15). Ao usar a expressão "não sabeis", fica evidente a questão do conhecimento. Os coríntios sabiam muita coisa, mas era urgente que soubessem sob o ponto de vista de Deus, conforme Paulo estava procurando expor.
Com relação aos alimentos sacrificados aos ídolos, Paulo deixa claro que a liberdade cristã, em princípio, nos permitiria participar deles, uma vez que o ídolo é uma ilusão. Entretanto, vêm novamente à tona a questão do amor. Se tal exercício extremo da liberdade for causar escândalo ao próximo, ou ao irmão, então o amor não estaria operando. "Ninguém busque o proveito próprio, antes cada um o que é de outrem." (I Cor.10.24).
 A solução
Paulo lembra aos coríntios que Jesus é o fundamento de suas vidas. Entretanto, sobre esse fundamento, estava sendo utilizado material estranho para a construção. Entra aí a questão da responsabilidade dos líderes eclesiásticos. Não sabemos quem liderava a igreja em Corinto. Ao que tudo indica, faltava ali uma liderança forte que conseguisse conduzir a igreja. Vemos que a mesma estava dividida em grupos. Certamente, havia líderes, mas estes não estavam conseguindo uma coesão entre si e entre os membros da igreja. Paulo precisou enviar Timóteo (I Cor.4.17; 16.10). Ele insistiu para que Apolo fosse até lá, mas isso não foi possível (I Cor.16.12).
O apóstolo chama a atenção da igreja para o seu fundamento: Cristo (I Cor.3.11). Ele é também a solução para todas aquelas questões e problemas. A edificação precisa ser coerente com o alicerce. O nosso desenvolvimento na fé precisa utilizar doutrinas e conceitos coerentes com a pessoa e o ensino de Cristo. Ele apresenta Jesus como a sabedoria de Deus, justiça, santificação e redenção (1.30). Esses elementos precisam estar combinados na vida do cristão: sabedoria, justiça, santificação e redenção. A sabedoria humana não produz a justiça divina na vida do homem. O conhecimento humano não se vincula à santificação e, muitas vezes, abona o pecado. O resultado de tudo isso jamais será redenção, mas sim perdição. A filosofia como material de edificação da igreja não lhe daria firmeza. Pelo contrário, causaria sua queda e ruína.
Paulo apela para a lembrança da história de Israel no capítulo 10.1-13. Seu objetivo era mostrar que, embora aquele povo tenha saído do Egito sob a poderosa manifestação do poder de Deus, pereceu depois no deserto pelo fato de ter se deixado levar por tentações diversas. Fica então traçado um paralelo dessa narrativa com a experiência dos coríntios, aos quais o apóstolo adverte contra os riscos de fracasso na fé (10.12).
Macro divisão da carta
- Purificação da igreja (1.1 a 11.34);
- Orientação doutrinária (12.1 a 16.24).
 ESBOÇO (I COR.)
I – Saudação – 1.1-9
II – Necessidade de purificação da igreja – 1.10-31.
      • Divisões.
      • Culto ao homem.
      • Glória pela sabedoria humana.
III – Exemplo de Paulo – 2.1-16.
      • Sabedoria humana x sabedoria divina.
IV – Divisão: imaturidade e carnalidade – 3.1-4.
V – Os ministros na igreja – 3.5 a 4.21.
 
      • Quem são? 3.5
      • Como agricultores – 3.6-8.
      • Colaboradores – 3.10.
      • Edificadores – 3.10.
      • Despenseiros – 4.1.
      • Ministros (servos) – 4.1.
      • Sofredores! – 4.9-13 (Paulo se refere aos ministros como: últimos, condenados, espetáculo, loucos, fracos, desprezíveis. Esta seria a visão do mundo a respeito deles).
      • Exemplo para a igreja – 4.16.
VI – O dever de purificar a igreja – 5.1 a 6.20.
      • Da imoralidade – 5.1-13; 6.9-20.
      • Dos litígios entre irmãos – 6.1-8.
VII – O casamento e a vida cristã – 7.1-40.
VIII – A liberdade e o amor (liberdade com responsabilidade) – 8.1-13.
IX – O exemplo de renúncia de Paulo – 9.1-27.
X – Exemplos da história de Israel. Riscos para a igreja. 10.1-15.
XI – A mesa do Senhor e a mesa dos demônios. 10.16-21.
      • A idolatria e as relações sociais.
XII – A liberdade e o amor – 10.23-33.
      • Os alimentos sacrificados aos ídolos.
XIII – Observação dos costumes sociais – 11.1-16.
      • O risco dos escândalos (obs.: 10.32).
XIV – A ceia do Senhor – 11.17-34.
XV – Os dons espirituais e o corpo de Cristo – 12.1-31.
XVI – A supremacia do amor – 13.1-13.
XVII – O dom de línguas, as profecias e a ordem no culto – 14.1-40.
XVIII – A doutrina da ressurreição – 15.1-58.
XIX – Instruções finais. As ofertas para Jerusalém. Saudações. – 16.1-24.
A SEGUNDA EPÍSTOLA DE PAULO AOS CORÍNTIOS
 HISTÓRICO ENTRE AS EPÍSTOLAS AOS CORÍNTIOS.
Ao escrever a primeira epístola, Paulo se encontrava em Éfeso. Ali ocorreu grande tumulto porque os comerciantes de imagens estavam perdendo seus lucros após as pregações de Paulo. Diante da perseguição, o apóstolo vai para Trôade. Por esse tempo, ele se sentia angustiado pela expectativa em relação à igreja de Corinto. Eram "combates por fora e temores por dentro". Paulo aguardava a chegada de Tito. De Trôade, Paulo vai à Macedônia. Pouco depois, Tito chega com notícias de Corinto. (At.19.30 a 20.1 II Cor.2.12-13; 7.5-10,13).
De acordo com as informações de Tito, a epístola enviada recentemente, havia provocado tristeza e arrependimento em alguns e rebeldia em outros. O pecador de I Cor. 5 estava arrependido e acerca dele Paulo dá instruções em II Cor.2 para que a igreja o receba e o perdoe.
Havia falsos apóstolos agindo entre os coríntios (II Cor.11.3,13; 12.11), os quais procuravam desmoralizar a pessoa e a mensagem de Paulo (I Cor.1.17; 10.9-10; 11.1,6,16).
 A HIPÓTESE DA CARTA DESAPARECIDA
Normalmente, se considera que as reações relatadas por Tito se refiram à epístola que conhecemos como I Coríntios. Entretanto, existe a hipótese de que, após o envio da primeira epístola, Paulo tenha visitado Corinto. Nessa oportunidade, ele teria sido gravemente ofendido por alguém (II Cor.2.5-11; 7.12). Logo depois, teria enviado uma epístola muito emocionada, a qual não teria chegado ao nosso conhecimento ou então seria correspondente aos capítulos 10 a 13 de II Coríntios. De acordo com essa hipótese, as reações mencionadas em II Cor.7.8-12 seriam referentes a essa suposta epístola e o homem de II Cor.2.5 seria aquele que ofendeu pessoalmente o apóstolo. Contudo, essa suposição não foi comprovada.
 INFORMAÇÕES GERAIS
Autor: Paulo (e Timóteo)
Data: 57 d.C.
Local: Macedônia
Classificação: eclesiologia
Tema: Defesa do apostolado de Paulo
Texto chave: 3.1; 5.12; 6.3; 7.2; 10.2-3; 11.5-6; 12.11; 13.3.
  CARACTERÍSTICAS DA EPÍSTOLA
Bastante pessoal e emocionada. Mistura amor, censura e indignação. Fala a dois grupos na igreja: os obedientes e os rebeldes.
 OS OBEDIENTES E OS REBELDES.
No estudo da primeira epístola, vimos que a igreja de Corinto estava dividida em partidos, de acordo com as preferências individuais. Na segunda epístola vemos a igreja dividida em dois grupos: os obedientes e os rebeldes. Afinal, esta é diferença que importa. É sob esse ponto de vista que Deus nos observa. Seja qual for a nossa preferência política ou pessoal, precisamos examinar a nós mesmos afim de sabermos a qual grupo pertencemos no que diz respeito à obediência.
 OS ATAQUES AO MINISTÉRIO DE PAULO
Como acontecia em vários lugares, muitos judeus convertidos ao cristianismo queriam impor a lei mosaica aos cristãos gentios. Tais judeus são, normalmente, chamados de "judaizantes" devido ao seu esforço por judaizar o cristianismo. Estes, fizeram diversos ataques ao ministério de Paulo. Os ataques aos ministros de Deus sempre ocorrem. O ataque é normal. As perseguições fazem parte da vida cristã. Contudo, é preciso ver se as acusações contra nós são justas ou não. Como disse Pedro, nenhum de nós deve padecer como transgressor, mas como cristão (I Pd.4.15-16).
Como não havia nenhum motivo concreto com que pudessem acusar Paulo, os judaizantes apelavam para quaisquer argumentos possíveis. Até mesmo uma mudança dos planos de viagens de Paulo foi usada por eles para o acusarem de leviandade, ou imprudência (II Cor.1.17).
Outro ponto muito explorado foi a expectativa grega em relação aos líderes. Ao que tudo indica, Paulo não correspondia ao padrão grego . As credenciais gregas de um grande líder seriam, entre outras, uma ótima aparência e admirável eloqüência. Apolo estaria mais próximo desse paradigma (At.18.24). Talvez isso tenha contribuído para que muitos coríntios tenham se unido em torno do seu nome, formando um partido na igreja (I Cor.1.12). Enquanto isso, Paulo era alvejado pelas infâmias dos falsos apóstolos que pesavam o seu ministério com base em valores humanos e filosóficos. Tais argumentos não eram associados ao judaísmo mas bem poderiam servir como excelentes armas circunstanciais para os ataques dos judaizantes contra o ministério de Paulo. Além de derrubar do pedestal as credenciais da aparência e da eloqüência, Paulo atinge frontalmente o legalismo dos judaizantes ao se referir à lei como "ministério da morte" (3.7) e "ministério da condenação" (3.9). Desse modo, Paulo não ridiculariza a lei, mas coloca-a no seu devido lugar em relação à obra de Cristo.
  A DEFESA DO MINISTÉRIO DE PAULO
Assumindo o papel de seu próprio advogado, Paulo se lança em seu discurso de defesa pessoal. No embasamento de suas colocações, ele trata da expectativa e da perspectiva da igreja em relação aos ministros de Deus. A expectativa se refere àquele padrão que temos em mente em relação aos requisitos que um "homem de Deus" deve preencher. Será que tais requisitos correspondem aos padrões divinos?
A perspectiva é a visão que temos acerca dos líderes que conhecemos. Esta visão pode até não corresponder à realidade, mas estar alterada por conceitos que formamos em nossa mente a respeito da pessoa. A perspectiva pode estar errada. Isso acontece quando temos uma idéia a respeito do líder que difere de sua própria realidade ou do padrão bíblico. Esta abordagem se encontra também na primeira epístola. Os cristãos formavam partidos em torno dos líderes. Então, Paulo lhes escreve dizendo que os líderes deviam ser vistos de maneira mais simples, embora importantes quanto à sua missão. Então, em I Coríntios, o apóstolo questiona: "Quem é Paulo? Quem é Apolo?" (I Cor.3.11). Na seqüência, utilizando figuras de linguagem, ele apresenta os líderes como:
- Agricultores – aqueles que semeiam, plantam, cuidam e colhem – 3.6-8.
- Colaboradores – aqueles que ajudam - 3.10.
- Edificadores – aqueles que constroem - 3.10.
- Despenseiros – aqueles que alimentam no tempo certo - 4.1.
- Ministros (= servos) – aqueles que servem - 4.1.
- Sofredores! – 4.9-13 – (Paulo se refere aos ministros como: últimos, condenados, espetáculo, loucos, fracos, desprezíveis. Esta seria a visão do mundo a respeito deles).
- Exemplo para a igreja – 4.16.
Tipos de perspectiva em relação aos ministros de Deus.
Vasos de ouro ou de barro?
A perspectiva é a visão que se tem de alguma coisa. Isso varia de acordo com a posição em que o observador se encontra em relação ao objeto observado. Essa posição pode ser inferior, superior, distante, longínqua, etc. Essas variações vão alterar, não o objeto, mas a visão que se tem dele. Assim também, a perspectiva a respeito dos ministros varia e, algumas vezes, torna-se distorcida por posições extremadas.
Erro 1 – Valorização exagerada
Alguns vêem os ministros como vasos de ouro. Assim, o valor não estaria no conteúdo mas no recipiente. Já não interessa mais o que está dentro do vaso, nem se existe ali algum conteúdo. O valor está no vaso em si. Vistos como vasos de ouro, os ministros são considerados inquebráveis, infalíveis. Isso pode conduzir ao enriquecimento material do líder e a idolatria da sua pessoa. Parece que esta era a visão dos coríntios ao formarem partidos em torno dos nomes dos apóstolos. A história mostrou o agravamento desse problema, ao ponto de hoje haver quem se refira aos apóstolos como santos, como ídolos, no sentido mais grave do termo. O próprio apóstolo Paulo recebeu o título de "São Paulo" e inúmeras são as homenagens póstumas à sua pessoa.
Erro 2 – Desvalorização e desprezo
O outro extremo é a consideração do ministro como um vaso de material desprezível, vazio e inútil. Essa perspectiva traz como conseqüência a falta de submissão, falta de reconhecimento e até a falta de sustento material para o ministro.
 A perspectiva correta – ponto de equilíbrio
"Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós." (II Cor.4.7). Os ministros devem ser vistos como vasos de barro contendo um tesouro precioso, que é Cristo. O servo de Deus não deve ser idolatrado, nem desprezado, mas amado. Sendo de barro, o vaso é quebrável. O servo de Deus não é infalível. O vaso é quebrável mas não pode estar quebrado. Embora sejamos sujeitos ao erro, não podemos nos dar ao direito de cometer determinados erros. Evidentemente, precisamos combater todo tipo de erro, mas alguns são mais destrutivos do que outros, principalmente para a reputação o líder. O vaso quebrado não tem utilidade. O vaso de barro é frágil e precisa ser tratado com cuidado. O vaso não pode cair. Como disse Paulo, "aquele que pensa estar de pé, cuide para que não caia." ( I Cor.10.12). Embora seja de barro, esse vaso contém um grande tesouro. O maior valor está no conteúdo e não no vaso. Contudo, o vaso se reveste de grande importância em função do seu conteúdo e da sua utilidade.
O mais importante é a mensagem, a notícia, e não o mensageiro. Porém, o mensageiro deve ter credibilidade para que a mensagem não seja rejeitada ou desacreditada.
Ao falar da fragilidade do vaso, Paulo menciona a mortalidade humana. O corpo humano é um vaso de barro. É corruptível (II Cor.4.16). É mortal (5.4). Vai se desfazer (5.1). Sua abordagem se concentra então sobre a questão da morte física. Isso precisava ser enfatizado para combater a supervalorização grega em relação à aparência. (II Cor.4.16 a 5.12; 10.7). Seu enfoque sobre a fragilidade do vaso inclui também aspectos circunstanciais em confronto com a condição interna do servo de Deus (II Cor.4.8-11):
 
Por fora
Por dentro
Atribulados
não angustiados
Perplexos
não desanimados
Perseguidos
não desamparados
Abatidos
não destruídos
Morte
vida
 
Paulo não deixa o assunto terminar numa atmosfera negativa. Ele diz que a vida de Cristo vai se manifestar em nossa carne mortal (II Cor.4.11). A manifestação do poder de Deus supera os nossos limites e isso alcançará seu maior significado na ressurreição dos justos, quando "o mortal será absorvido pela vida" (II Cor.5.4).
Através de suas colocações, Paulo apresentou a fragilidade das credenciais aparentes que os coríntios esperavam ver nos líderes cristãos (5.16).
 CARACTERÍSTICAS DO MINISTÉRIO DE PAULO
  • Sem lucro pessoal. II Cor.11.9.
  • Exercido com grande esforço e sacrifício (6.3-10; 11.23-29).
  • Consolador – 1.4-7.
  • Sofredor – 1.5-9; 4.8-12; 5.4; 6.4-10; 7.5; 11.24-28.
  • Santo, simples, sincero, verdadeiro – 1.12; 2.17; 4.2; 7.2.
  • Constante – 1.17-19; 4.1,16.
  • Interessado pelo bem da igreja, zeloso – 2.3-4; 7.7-8; 11.2-3,7; 12.20-21.
  • Triunfante – 2.14; 4.8-9; 12.10.
  • Abnegado (desprendido) – 4.5,11; 5.13; 11.7,9.
  • Motivado pelo amor de Cristo – 4.5,11; 5.14.
  • Espiritual – 4.18; 5.16; 10.4.
  • Persuasivo – 5.11,20; 6.1; 10.1-2.
  • Reconciliador – 5.19-21.
  • Produtivo – 12.12.
  • Com autoridade – 2.9; 13.2; 10.1-11.
  • Capacitado por Deus – 3.5.
 CREDENCIAIS DO MINISTÉRIO DE PAULO
Para combater os esforços daqueles que procuravam desmoralizar o ministério de Paulo, ele apresentava suas credenciais. Credencial é "aquilo que atribui crédito". O que podemos apresentar às pessoas para que creiam na legitimidade do nosso ministério? Um diploma? Terno e gravata? Um documento de identidade?
As credenciais esperadas pelos coríntios eram apenas boa aparência e eloqüência. Tais fatores não são negativos em si mesmos. São até desejáveis. Porém, podem constituir meios facilitadores do engano. Portanto, a beleza e a boa comunicação não servem como parâmetros para se julgar um servo de Deus. Jesus disse: "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis..." (Mt.7.15-16). Alguns queriam também que Paulo mostrasse cartas de apresentação (II Cor.3.1), talvez emitidas pelos apóstolos de Jerusalém.
Paulo não tinha tais cartas, nem beleza, nem eloqüência. Então, quais seriam suas credenciais?
As credenciais do servo de Deus são, primeiramente, espirituais. É o selo do Espírito Santo, a vocação e aprovação divina, os dons para o ministério, etc. Contudo, isso só serve como testemunho no mundo espiritual. Diante dos homens, precisamos apresentar credenciais visíveis. Nessa hora, a fé não é suficiente. É necessário que se apresentem obras. Pedro disse ao aleijado: "Olha para nós!" (At.3.4). As pessoas estão nos olhando e precisam ver alguma coisa para que creiam. Precisam ver o nosso testemunho.
Isso nos leva a um cuidado para com a nossa vida, afim de que o nosso ministério não seja censurado (II Cor.6.3). Isso pode levar até à renúncia de coisas legítimas pelo bem da obra de Deus (II Cor.11.9). Por incrível que pareça, o ministério do servo de Deus precisa de aprovação humana (Rm.14.18). Isso não significa que todos vão aprová-lo. Contudo, se todos o reprovarem, ele será inútil, pois não alcançará ninguém. A relação do ministro com o poder, o dinheiro e o sexo são pontos em destaque dentro do testemunho e das credenciais do ministério.
 Credenciais do apostolado de Paulo
  • Autenticado pelo Senhor – II Cor.1.1,21,22; 3.5,6; 4.6.
  • Pelas obras – II Cor. 12.12.
  • Pelos perigos e sofrimentos – II Cor.6.4-10; 11.23-27.
  • Pelas revelações divinas – II Cor.12.1-5.
Paulo se admira de que os coríntios estivessem se deixando levar pela idéia de exigir-lhe credenciais. Eles próprios eram frutos do trabalho de Paulo. "Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações", disse o apóstolo (II Cor.3.2). Eles seriam ainda a glória de seu ministério diante de Deus (II Cor.1.14).
Entre suas credenciais, Paulo dá destaque ao sofrimento. Isso não é o tipo de credencial que os gregos esperavam. Eles devem ter ficado decepcionados. Aliás, isso deve decepcionar a muitos que têm uma expectativa colorida a respeito do evangelho, aguardando apenas benefícios sem tribulações. Pelo cristianismo poderemos sofrer muitas perseguições e possíveis privações (II Cor.11.27). Isso não combina com o "evangelho da prosperidade". Paulo e sua experiência também não combinam com um discurso que promete riqueza e ausência de sofrimento. Jesus não prometeu isso (João 16.33).
Paulo até se gabava de ter sofrido mais do que outros que se diziam servos de Deus (11.23-28; 12.10). Aquele que nada sofre, que nenhum risco corre, que nenhum fruto produz, poderá ter o seu ministério desacreditado até por si mesmo.
 GLORIANDO NA TRIBULAÇÃO E NAS FRAQUEZAS
Paulo nos surpreende quando se gloria na tribulação (II Cor.11.30). Isso nos parece estranho, mas tal atitude se dá porque Paulo tem em vista o resultado de um processo, e também considera uma honra sofrer pelo nome de Jesus. Como escreveu aos Romanos, "a tribulação produz perseverança" (Rom.5.3). A tribulação não é inútil. Ela produz alguma coisa. Nisso está o seu valor. Assim como uma cicatriz é um tecido mais resistente do que a pele normal, a tribulação vai produzindo em nós maior resistência, de modo que nos tornamos cada vez mais capazes para enfrentarmos diversas dificuldades futuras.
Gloriar-se nas fraquezas não significa gloriar-se no pecado, mas nas limitações e incapacidades próprias do ser humano. Novamente, a proposição nos surpreende. Qual será o valor da fraqueza? É por causa das nossas fraquezas que recebemos as manifestações do poder de Deus.
 
Desenvolvendo o tema, relacionamos então os seguintes elementos:
Fraqueza humana
poder de Deus.
Problemas
milagres
Crises
oportunidades
Desafios
crescimento
Necessidades
provisão.
Incapacidade
capacidade (II Cor.3.5).
 
Paulo tinha um "espinho" na carne, o qual não foi tirado pelo Senhor. Isso talvez seja uma enfermidade nos olhos, conforme dedução incerta de Gálatas 4.15. O certo é que Paulo tinha um problema que Deus não solucionou no momento em que o apóstolo orou. Isso nos mostra que nem todos os nossos pedidos serão atendidos. Devemos nos lembrar de que em tudo isso Deus tem um propósito.
 ESBOÇO (II COR.)
I – Saudações – 1.1-2.
II – Tribulações antes da volta de Tito – 1.3-14.
III – Primeiro plano de visita. Defesa de Paulo. 1.15-24
IV – Mudança de planos. Arrependimento e perdão. – 2.1-11.
V – Credenciais do ministério – 2.12-17.
VI – Contrastes entre a velha e a nova aliança. – 3.1-18.
VII – A responsabilidade de Paulo.
Sua idoneidade e dependência de Cristo – 4.1-18.
VIII – A vitória sobre a morte – 5.1-9.
IX – O juízo e a urgência da mensagem de salvação.
O ministério da reconciliação – 5.10-21.
X – Os sofrimentos de Paulo e exortação à santidade. 6.1 a 7.1.
XI – Recomendações diversas. Os efeitos da primeira carta – 7.2-16.
XII – A coleta para os irmãos de Jerusalém – 8.1 a 9.15.
XIII – Defesa da autoridade apostólica de Paulo – 10.1-18.
XIV – Defesa diante dos judaizantes. Os falsos apóstolos.
Os sofrimentos de Paulo – 11.1-29.
XV – Os sofrimentos de Paulo. Suas revelações, sinais e receios – 11.30 a 12.18.
XVI – A próxima visita. Saudações – 12.19 a 13.13.
  EPÍSTOLA DE PAULO AOS GÁLATAS
DATA – Entre 55 e 60
TEXTO CHAVE – 5.1
TEMA – A justificação pela fé sem as obras da lei.
ÁSIA MENOR
A Galácia era uma região da Ásia Menor. Para localizarmos melhor, vamos diferenciar Ásia de Ásia Menor. A Ásia é um continente que inclui diversos países: Rússia, Índia, países do Oriente Médio, países do Extremo Oriente, etc. A Ásia Menor, por sua vez, corresponde a território bem menor, que hoje é ocupado pela Turquia.

 

GALÁCIA
O nome Galácia é derivado de gaulês. Os gauleses eram originários da Gália (França hoje), que dominaram a região centro-norte da Ásia Menor por volta do ano 300 a.C.. Em 189 a.C., esse território foi conquistado pelos romanos. Em 25 a.C., Roma estabeleceu ali uma província que manteve o nome de Galácia. Contudo, seus limites eram maiores que a região original. Assim, ao norte havia os gálatas étnicos. Ao sul havia outros grupos que faziam parte da província mas que não tinham a mesma origem genealógica gaulesa. Por essas questões, quando o Novo Testamento menciona os gálatas, existe dificuldade em se determinar se os autores se referem a todo o povo da província ou apenas ao grupo étnico descendente dos gauleses. A qual grupo o apóstolo Paulo teria escrito?
 AS IGREJAS DA GALÁCIA
Enquanto que as epístolas aos coríntios eram destinadas a uma igreja específica, a carta aos gálatas destina-se a várias igrejas, acerca das quais não temos muitas informações específicas. Sabemos que, entre tantas cidades localizadas na província da Galácia, Paulo fundou igrejas em Antioquia da Psídia, Icônio, Listra e Derbe, durante sua primeira viagem missionária (At.13-14).
 MOTIVO DA CARTA
Os judeus estavam presentes em todo o Império Romano, principalmente nas cidades mais importantes. Muitos deles se converteram ao cristianismo e, dentre os convertidos, havia aqueles que queriam impor a lei mosaica sobre os cristãos gentios. São os já mencionados "judaizantes". Assim como os fariseus e saduceus perseguiram Jesus durante o período mencionado pelos evangelhos, os judaizantes pareciam estar sempre acompanhando os passos de Paulo afim de influenciar as igrejas por ele estabelecidas. Essa questão entre judaísmo e cristianismo percorre o Novo Testamento, tornando-se até um elemento que testifica a favor da unicidade e autenticidade histórica dessas escrituras.
Os judaizantes estavam também na Galácia, onde se tornaram forte ameaça contra a sã doutrina das igrejas.
 O ATAQUE DOS JUDAIZANTES CONTRA PAULO E O EVANGELHO
Aqueles judeus davam a entender que o evangelho estava incompleto. Para conseguirem uma influência maior sobre as igrejas, eles procuravam minar a autoridade de Paulo. Para isso, atacavam a legitimidade do seu apostolado, como tinham feito em Corinto. Pelas palavras de Paulo, deduzimos os argumentos de seus acusadores. Eles não admitiam que Paulo pudesse ser apóstolo já que não era um dos 12 nem tinha andado com Jesus.
 O EVANGELHO JUDAIZANTE
Os judaizantes chegavam às igrejas com o Velho Testamento "nas mãos". Isso se apresentava como um grande impacto para os cristãos. O próprio Paulo ensinava a valorização das Sagradas Escrituras. Como responder a um judeu que mostrava no Velho Testamento a obrigatoriedade da circuncisão e da obediência à lei? Além disso, apresentavam Abraão como o modelo para os servos de Deus. Só a revelação e a experiência com Deus poderiam vencer esse desafio. O conhecimento não seria suficiente.
Os judaizantes ensinavam que a salvação dependia também da lei, principalmente da circuncisão. Segundo eles, para ser cristão, a pessoa precisava antes ser judeu (não por descendência mas por religião).
 POR QUÊ NÃO GUARDAMOS A LEI?
1o – A lei de Moisés foi dada aos filhos de Israel (Êx.19,3,6). Nós, cristãos gentios, não somos filhos de Israel.
2o – Jesus cumpriu a lei cerimonial. Tal cumprimento significa não apenas sua obediência mas a satisfação das exigências da lei cerimonial através da obra de Cristo.
Precisamos entender que os mandamentos da lei mosaica se dividem em vários tipos. Vamos, basicamente, dividi-los em mandamentos morais, civis e cerimoniais.
Os mandamentos morais dizem respeito ao tratamento para com o próximo: Não matarás; Não adulterarás; Não furtarás, etc. Tais ordenanças estão vinculadas à palavra amor.
Os mandamentos civis são aqueles que regulamentavam a vida social do israelita. São regras diversas que se aplicam às relações da sociedade. Um bom exemplo é o regulamento da escravidão.
Os mandamentos cerimoniais são aqueles que se referem estritamente às questões religiosas. São as ordenanças que descrevem os rituais judaicos.
A classificação de um mandamento dentro desses tipos nem sempre é fácil. Algumas vezes, uma lei pode pertencer a dois desses grupos ao mesmo tempo, já que a questão religiosa está por trás de tudo. A sociedade israelita era essencialmente religiosa. O Estado e o sacerdócio nem sempre se encontravam separados. Contudo, tal proposta de classificação já serve para o nosso objetivo.
A lei moral se resume no amor a Deus e ao próximo (Gálatas 5.14). Os princípios morais permanecem válidos no Novo Testamento. Hoje, não matamos o próximo, mas não por causa da lei de Moisés e sim por causa da lei de Cristo (Gálatas 6.2), à qual os gálatas deviam obedecer. A lei de Cristo é a lei do amor a Deus e ao próximo.
As leis civis do povo de Israel não se aplicam a nós. Além dos motivos já expostos, nossas circunstâncias são bastante diferentes e temos nossas próprias leis civis para observar. O cristão deve obedecer as leis estabelecidas pelas autoridades humanas enquanto essas leis não estiverem ordenando transgressão da vontade de Deus (Rm.13.1).
As leis cerimoniais judaicas foram abolidas por Cristo na cruz. Por esse motivo, mesmo os judeus que se convertem hoje ao cristianismo estão dispensados da lei cerimonial judaica. Por isso, não fazemos sacrifícios de animais, não guardamos o sábado, não celebramos as festas judaicas, etc.
Se alguém quiser observar algum costume judaico, isso não constituirá problema (Rm.14.5), desde que a pessoa não veja nisso uma condição para a salvação, porque, se assim for, a obra de Cristo estará sendo colocada em segundo plano, como algo incompleto e insuficiente (Gálatas 5.4).
Além de tudo isso, é bom que citemos as palavras de Paulo: "..não estais debaixo da lei mas debaixo da graça." (Rm.6.14) (Veja também Gálatas 3.24-25).
 A RESPOSTA DE PAULO
Diante das alegações e acusações dos judaizantes, Paulo elabora sua resposta: a carta aos gálatas com amor e censura. Sua epístola apresenta:
- Defesa do seu ministério. Nessa parte, a carta aos gálatas parece continuação de II Coríntios.
- Defesa do seu evangelho – sua origem e conteúdo.
Origem do evangelho de Paulo: revelação direta de Jesus Cristo. No início da epístola, após expor sua perplexidade diante da inconstância dos gálatas, o autor relata suas viagens e seus poucos contatos com os apóstolos de Jerusalém. Ele deixa claro que não recebeu o evangelho de homem algum, mas através de uma revelação direta do Senhor Jesus. Tal colocação tinha o objetivo de demonstrar e defender sua autoridade apostólica.
 Conteúdo do evangelho
A perniciosidade da influência judaica na Galácia estava no fato de atentar contra a essência do evangelho. Os judeus queriam acrescentar a circuncisão como condição para a salvação. Se assim fosse, o cristianismo seria apenas mais uma seita do judaísmo. Então, Paulo vem reforçar o ensino de que a salvação ocorre pela fé na suficiência da obra de Cristo. Para se conhecer a suficiência é preciso que se entenda o significado. Em sua exposição, Paulo toma Abraão como exemplo, assim como fez na epístola aos Romanos, afirmando que o patriarca foi justificado pela fé e não por obediência à lei. Tal exemplo era de grande peso para o judeu que lesse a epístola. Na seqüência, o apóstolo expõe diversos aspectos da obra de Cristo e do Espírito Santo na vida do salvo sem as imposições da lei.
 COMPARAÇÃO ENTRE CARACTERÍSTICAS
E EFEITOS DA LEI E DA GRAÇA
LEI / MOISÉS
GRAÇA / JESUS / CRUZ / EVANGELHO
Mostra o pecado
Perdoa o pecado.
Traz maldição
Leva a maldição
Traz prisão e morte
Traz libertação e vida
Enfatiza a carne
Enfatiza o espírito
Infância
Maturidade
Conduz a Cristo
Conduz ao Pai
 
 
 
ÊNFASE NA CARNE E ÊNFASE NO ESPÍRITO
A lei mosaica se concentrava em questões visíveis, embora não fosse omissa com relação ao espiritual. Os pecados ali proibidos eram, principalmente, físicos. Assim também, a adoração era bastante prática. Seus preceitos determinavam o local, a postura, a roupa, o tempo apropriado, etc. No Novo Testamento, Jesus vem transferir a ênfase para o espiritual, embora não seja omisso em relação ao físico. Ao falar com a mulher samaritana, Jesus observa que ela estava muito preocupada com os aspectos exteriores da adoração a Deus. Isso era característica da ênfase do Velho Testamento. Jesus lhe disse: "A hora vem e agora é em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade." (João 4.23). Vemos nisso a ênfase do Novo Testamento: o que é espiritual.
No sermão da montanha, Jesus cita a lei mosaica, dando-lhe uma ênfase espiritual, interior. As questões morais são levadas para uma visão mais profunda. Jesus alcança a raiz do problema humano. Cortada a raiz, o fruto exterior também seria eliminado.
 INFÂNCIA E MATURIDADE
A lei servia para regulamentar a vida dos servos de Deus num tempo em que pouco se conhecia a respeito do Senhor. Ainda que não conheçamos muito sobre Deus, conhecemos bem mais do que as pessoas do Velho Testamento. Aquele tempo primordial da revelação progressiva de Deus pode ser considerado como a infância do povo de Deus. Algumas exigências que os pais fazem aos filhos quando estes são crianças já não se aplicam aos mesmos filhos quando são adultos. Assim, a parte cerimonial da lei já não mais se aplica após a vinda, morte e ressurreição de Cristo. A igreja representa um estágio de maturidade do povo de Deus. Os que hoje se convertem, não precisam repetir toda a experiência de Israel no Egito, no deserto, no cativeiro, etc. Já recebemos todo o resultado desse processo através da bíblia e da pessoa de Jesus. Os gentios são "os trabalhadores da última hora" (Mt.20.1-16). Os judeus são representados pelos que trabalham desde o início do dia e ficam indignados que os que chegam no fim do expediente não tenham passado por tantas horas de labor e estejam recebendo o pagamento integral.
 SALVAÇÃO E LIBERDADE CRISTÃ
 Salvação é libertação. Quando falamos sobre a salvação, normalmente nos referimos ao livramento eterno da alma e à vida eterna. Entretanto, a obra de Cristo tem também outros efeitos salvíficos. Ele nos salva do castigo, da lei, do reino das trevas, e "de nós mesmos".
Livres do castigo – Tendo assumido a pena que sobre nós seria imposta, Jesus sofreu o castigo que merecíamos pelo nosso pecado. Não devemos confundir castigo com disciplina, a qual, muitas vezes vem sobre nós como um método que Deus usa para nos ensinar. Castigo é punição. Disciplina é correção e instrução. Também não devemos confundir castigo com conseqüência do pecado. Deus nos livra do castigo, mas, a conseqüência vem naturalmente. Deus pode retê-la, mas não é garantido que ele o faça. Por exemplo, um fumante pode ser perdoado por ter destruído o seu corpo e mesmo assim vir a morrer de câncer. Fica livre do castigo mas não da conseqüência.
Livres da lei – Jesus nos livrou do domínio da lei. Essa frase é mais aplicável aos judeus, já que a lei foi a eles dirigida. Porém, os gentios também podiam se submeter a ela tornando-se prosélitos do judaísmo. Seja como for, Cristo libertou da lei a todos os que nele crêem.
Livres do reino das trevas – Esse livramento ocorre no momento em que a pessoa se rende a Cristo. É algo imediato. Quando o homem se sujeita a Deus, o Diabo foge. Nenhum demônio permanece dominando aquele que é salvo. Não existe possessão demoníaca sobre o cristão. O Diabo só poderá fazer o que Deus permitir. Haverá tentação, perseguição, sugestão e até opressão se Deus autorizar. Possessão, jamais.
Livre "de si mesmo" - Esta é a parte mais difícil. Refiro-me a sermos liberto de nossas próprias limitações, nossas próprias fraquezas, nossos conceitos errados, nossa natureza pecaminosa, nossos hábitos pecaminosos, etc. A experiência nos tem mostrado que isso ocorre em duas etapas: uma imediata e outra gradativa. Usemos como ilustração a ressurreição de Lázaro. Quando Jesus orou, o milagre ocorreu imediatamente. Ele passou a viver. Entretanto, o "ex-falecido" ainda estava com cara de morto, cheiro de morto, roupa de morto, etc. Jesus disse: "Desatai-o e deixai-o ir." (João 11.44). A vida já estava nele, mas, além disso, muitas coisas que nele estavam não combinavam com o seu novo estado. Esse processo de transformação pelo qual passamos dia a dia recebe também o nome de santificação. É o desenvolvimento da salvação (Fp.2.13). Muitas mudanças que precisam ocorrer em nós vão depender do conhecimento que adquirimos da Palavra de Deus. Alguém pode alegar que, quando aceitarmos a Cristo, somos plenamente transformados imediatamente, mas, se assim fosse, já seríamos perfeitos, não precisaríamos conhecer a bíblia nem crescer espiritualmente. Paulo exortou os cristãos romanos dizendo: "Transformai-vos pela renovação da vossa mente." (Rm.12.2).
 
 
PRESERVAÇÃO DA LIBERDADE
Paulo admoestou os gálatas para que se lembrassem do significado da obra de Cristo, a qual teve o objetivo de libertá-los. Agora que eram livres, não deveriam voltar ao domínio da lei.
Voltar à lei é negar a graça e perder os seus efeitos (Cap.5). É renunciar aos direitos de filho e voltar a viver como servo (Sara e Hagar). É renunciar à liberdade cristã, a qual foi comprada pelo precioso sangue do nosso Senhor. A história de Israel foi uma seqüência de cativeiros e libertações. Não podemos permitir que a nossa vida seja assim.
Os gálatas precisavam se apegar à liberdade cristã. Essa questão se mostrou complexa na experiência das primeiras igrejas cristãs. Os gálatas corriam o risco de perder a liberdade. Os coríntios, por sua vez, abusavam da liberdade. Escrevendo a estes, o apóstolo foi muito enérgico no sentido de expor-lhes os limites que a santidade e o amor colocam para a liberdade. O diabo sempre quer nos prender. Para isso, ele às vezes nos oferece uma "liberdade" maior do que a que possuímos (II Pd.2.19). Na linguagem do maligno, liberdade significa ausência de compromisso com Deus, ausência de limites. Entretanto, aqueles que se aventuram por essa trilha acabam comprometidos com Satanás e presos em suas redes.
Escrevendo aos gálatas, Paulo tinha em mente a consciência do risco que havia em se ter uma interpretação errada acerca da liberdade cristã. Depois de insistir no fato de que os gálatas estavam libertos e não deviam se prender, ele disse: "Não useis, porém, a liberdade para dar ocasião à carne; mas servi-vos uns aos outros pelo amor." (Gálatas 5.13). O amor é o parâmetro da nossa liberdade. Isto é focalizado também nas cartas aos Romanos e aos Coríntios. Não existe liberdade absoluta. Ou somos servos do pecado ou servos da justiça (Rm.6.18).
A liberdade cristã existe dentro dos limites estabelecidos por Deus. Os limites não são necessariamente contrários à liberdade. Somos como os passageiros de um navio, que podem andar para onde quiserem mas sempre dentro dos limites da embarcação. As restrições que Deus nos propõe são para o nosso próprio bem. São como cercas à beira do abismo. Só não somos livres para fazer o que destruiria a nossa liberdade.
 MARCAS IDENTIFICADORAS
A circuncisão era símbolo de status religioso para os judeus. Era a marca que identificava um adepto do judaísmo. As marcas sempre foram importantes. Uma marca pode ter vários objetivos. Um dos principais é o seu uso como sinal de propriedade. Os animais eram e ainda são marcados com ferros em brasa contendo o sinal de seus donos.
Hoje em dia, estamos bastante habituados ao valor das marcas. Sejam marcas de carros, roupas, etc. Elas representam origem, propriedade, qualidade, ou até a ausência ou falsificação de tudo isso. As grandes marcas tornam-se símbolos de status social.
Até no Apocalipse, observa-se o valor das marcas: a besta imporá sua marca sobre seus seguidores.
Os judaizantes estavam querendo impor a marca da circuncisão como se esta fosse um valor cristão. Entretanto, Paulo conduz os gálatas a um exame mais profundo da questão. O sinal exterior tem valor quando corresponde à condição interior. Como disse aos Romanos, "a circuncisão é proveitosa se tu guardares a lei." (Rm.2.25). Então, o que seria evidência fiel do interior humano? As obras da carne e o fruto do espírito. São marcas do caráter e se revelam nas ações. Estas são as marcas mais importantes na vida de um ser humano. Entretanto, se os judaizantes faziam mesmo questão de marcas físicas, Paulo possuía as "marcas de Jesus", sinais de todo o seu sofrimento pela causa do evangelho (Gálatas 6.17).
 ESBOÇO (GÁL.)
1 - Introdução 1.1-9
    1. – Saudação – 1.1-5.
    2. – A inconstância dos gálatas – 1.6-9.
2 - Paulo defende o seu apostolado - 1.10 a 2.10.
2.1 – As viagens de Paulo após a conversão e a origem do seu evangelho
3 - Paulo defende o seu evangelho - 2.11-21.
3.1 – O conflito com Pedro
4 - A salvação pela fé e os seus benefícios - 3.1 - 4.31.
4.1 – O evangelho e a lei.
4.2 – O exemplo de Abraão.
4.3 – A lei e a graça nas figuras de Hagar e Sara.
5 - A liberdade que Cristo nos dá - 5.1 a 6.18.
5.1 – As obras da carne.
5.2 – O fruto do Espírito.
5.3 - Conselhos práticos e saudações.

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