Colossenses – A perseverança da Igreja na
palavra nestes dias difíceis e trabalhosos
Lição 1 – Uma igreja ameaçada pelas heresias
Lição 2 – O perfil dos cristãos colossenses
Lição 3 – A preeminência da pessoa de Cristo
Lição
4
– O mistério do Evangelho
Lição 5 – O progresso espiritual
Lição 6
– O cuidado com as falas doutrinas
Lição 7 – As heresias e os cultos aos anjos
Lição 8 – Evidências da nossa união com Cristo
Lição 9
– Revestidos das virtudes cristãs
Lição 10 – O relacionamento do cristão
Lição 11
– A
oração e o testemunho do crente
Lição 12 – Amados e fiéis amigos
Lição 13 –
Instruções e bênçãos nas saudações
COLOSSENSES:
O
Cristo Preeminente
Tradução e comentário
por Ricardo Sturz
Traduzido por Danilo Mendes de Vasconcellos
1957
Conteúdo
I. Prefácio
II. Introdução
III. O Desejo de Paulo para o Crente
IV. Relação de Paulo com as Igrejas
V. Exposição de Paulo de Superioridade de Cristo
VI. Relações Cristãs
VII. Conclusão
O Cristo Preeminente
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I. Introdução (1:1-8)
-
1. Saudação (1:1,2)
-
2. Exame do estado espiritual dos colossenses (1:3-8)
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II. O desejo de Paulo para o crente (1:9-22)
-
1. Que ele conheça a vontade de Deus (1:9-12)
-
2. Que ele conheça a pessoa de Cristo e Seu trabalho
para o Crente (1:13-22)
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III. A relação de Paulo com as Igrejas (1:23-2:7)
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1. Seu ministério (1:23-25)
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2. Sua mensagem (1:26, 27)
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3. Seu motivo (1:28-2:3)
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4. Seu mandato (2:4-7)
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IV. A exposição de Paulo quanto à Superioridade de
Cristo (2:8-19)
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1. Não consintais que alguém vos engane (2:8-15)
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2. Não consintais que coisa alguma tome o lugar de
Cristo (2:16, 17)
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3. Não consintais que alguém faça com que diminuais a
Cristo (2:18, 19)
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V. Relações cristãs (2:20-4:6)
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1. Relação com Cristo (2:20-3:17)
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2. Relações de um para com outro em Cristo (3:18-4:6)
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VI. Conclusão (4:7-18)
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1. Missão de Tíquico e Onésimo (4:7-9)
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2. Saudações dos cooperadores de Paulo (4:10-14)
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3. Recomendações gerias de Paulo (4:15-17)
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4. Assinatura (4:18)
CAPÍTULO I
PREFÁCIO
Colossenses
tem apenas 95 curtos versículos e pode ser lido de
oito a dez minutos. Ainda assim é um livro para meditação, um livro para
embeber a alma, um livro a cujas insondadas profundezas espirituais nós
demos descer e ver as gloriosas e escondidas verdades da pessoa que
apressadamente passa por elas. Colossenses revela seus tesouros àqueles que
desejam pôr em prática os princípios básicos da nova vida em Cristo.
Paulo, o autor de Colossenses, tinha sido levado para Roma como
prisioneiro e lá esperava ser julgado por César. Enquanto lá estava, Epafras
veio com notícias da Igreja Colossense--tanto dos seus progressos como das
suas dificuldades. Paulo ficou perturbado e resolveu por fim a certas
tendências na Igreja. Ele assim o fez lançado a luz das glórias de Cristo
sobre eles. Mas antes que Epafras pudesse retornar com a carta, foi
aprisionado (Filemon 23). Porisso, esta carta foi enviada pelas mãos de
Tíquico (4:7-9).
Vamos olhar por sobre os ombros dos anciãos de Colossos enquanto eles
lêem esta carta daquele grande guerreiro, Paulo. Ao focalizarmos nossos
corações na mensagem, nossos desejos, nossos planos e nossos prazeres perdem
sua significação. Em seu lugar permanece Jesus Cristo, o majestoso Filho de
Deus. Vistas em relação a Ele, todas as pessoas e todas as coisas reduzem-se
ao seu tamanho real. Poucas passagens da Escritura ascendem às alturas
cristológicas atingidas nesta carta de Paulo aos colossensses. Paulo rejeita
o conceito de não ser Jesus nem Deus nem Homem. Em vez disso, Ele é
declarado ser ambas as coisas. É um glorioso hino de louvor, exaltação e
adoração a Jesus Cristo--o Filho de Deus e homem perfeito.
Esboço. Que escreveu Paulo? Depois de uma breve introdução Paulo
apresenta seu desejo de duplo aspecto para o crente: que ele conheça a
vontade de Deus e que ele conheça o valor da pessoa e da obra de Jesus
Cristo. Daí Paulo mostra sua relação com a Igreja em geral e com a Igreja
Colossense em particular. Depois de lançar este fundamento, ele faz a
tremenda proclamação de que Cristo é igual a Deus e superior a TODOS os
outros "seres". Deste alto ponto concluido em 2:15 o Apóstolo brada dois
grandes avisos: "Não consintais que coisa alguma usurpe o lugar de Cristo" e
"Não consintais que pessoa alguma faça com que O negueis". Então, com um
grande "Pelo que" ele lança-se nas várias relações do crente: primeiro com
Cristo, em seguida com o mal e o bem e, finalmente, de um para com outro. O
capítulo quatro uma espécie de coleção de exortações e informações. Nós bem
podemos considerá-lo uma conclusão prolongada, o resumo de um número de
pontos mais ou menos relacionados.
A heresia. Que os falsos mestres eram de conviccão judaica
deduz-se pela menção do sábado e da explicação concernente à circuncisão e à
lei. (2:16,13,14). Ao mesmo tempo eles pelo menos fingiam ser crentes, de
outra forma sua influência não teria sido perigosa. Eles criticavam Paulo e
chamavam o seu Evangelho de defeituoso. "Com estes Judaizantes Essênios ou
Gnósticos a Lei Mosaica não era nem o motivo, nem o padrão, era apenas o
ponto de partida para suas severidades."1 Sua heresia estava
principalmente em dois campos: primeiro, na ética; isto é numerosos
regulamentos elaborados da Lei de Moisés (2:16-23). Desde que a matéria era
considerada má, estas regras tomaram a forma, em larga escala, de uma
restrita abstinência ascética de certos alimentos e bebidas, na base de que
somente desta forma "era possível ao crente obter liberdade adequada da
matéria e das forças que regem a mesma."2
O segundo elemento da sua heresia era teológico; isto é, envolvia a
pessoa de Cristo. Embora eles adorassem ao Senhor, exaltavam e proclamavam
que certos seres espirituais possuiam vastos poderes mediadores (1:16) .
Desde que eles eram judeus e cristãos, por pouco deixaram de adorar estes
anjos (2:18).3 Contudo estes espíritos não eram capazes de ligar a
brecha existente entre Deus e os homens, porque não eram eles nem homens,
nem Deus.
Propósito. Escrevendo para corrigir as idéias falsas que estavam
devastando as Igrejas de Colossos e Laodicéia, o grande apóstolo abriu as
portas para nos mostrar grandes variedades que de outra maneira nunca
teriamos conhecido . Ele destroi sua falsa ética mostrando que a verdadeira
santificação vem por andarmos com Cristo; isto é, completa identificação com
Ele (2:6, 19, 20; 3:1-3, 10). Não devemos matar nossos corpos físicos, mas
em lugar disso, matar os desejos e ações da nossa velha natureza (3:5-9).
Devemos substituí-la pelo desenvolvimento das virtudes cristãs (3:10-17) .
Paulo igualmente destroi sua falsa teologia mostrando o quanto a pessoa e o
trabalho de Jesus Cristo excedem o de todos os outros seres (1:14-22). Por
isso ele anula a necessidade desses ídolos. A medida que Paulo combatia
idéias e erros específicos, ia deixando princípios importantes que têm
auxiliado a responder outros problemas surgidos em épocas posteriores.
Composição. A Igreja Colossense era composta na sua maior parte
de gentios convertidos (1:21; 2:11, 13). Que havia nela elementos judaicos é
visto pela introdução de conceitos judaicos (ver acima) . Havia, de fato,
uma grande colônia judaica situada em Laodicéia e cidades vizinhas . Embora
a maior parte da igreja permanecesse firme nos dias de Paulo (2:5), a
prontidão para seguir estes mesmos ensinos heréticos permaneceu, como
deduz-se por alguns dos cânones votados por um concílio eclesiástico reunido
em Laodicéia nos meados do século quarto.4 Aparte esta referência
indireta, a história da Igreja Colosscnse permanece na obscuridade.
Autoria paulina. A mais antiga referência a Colossenses ainda
existente é uma má interpretação de 2:18 na Pregação de Pedro, a
qual foi composta. perto de 100 A. D. Cerca de 45 anos mais tarde ela
aparece no Apostolicon de Marcion como uma genuina carta de Paulo.
Estas duas referências são suficientes para colocar a autoria bem dentro do
primeiro século cristão. Além disso, não há razão para um falsário do
segundo século citar Colosos como destinatário desta carta em lugar de
alguma igreja famosa . "Na literatura inteira da igreja primitiva Colossos
não é mencionada nem uma só vez."5 Se a carta foi forjada, suas
notícias pessoais e históricas são uma "obra prima sem paralelo" na
literatura antiga, vendo-se como elas são absolutamente independentes e
contudo não contraditórias às outras cartas paulinas do período. Os críticos
de Colossenses têm sido incapazes de demonstrar, que as condições históricas
não existiram até mais tarde, nem que a linguagem e o estilo não se
harmonizam com as epístolas aceitas como sendo de Paulo. Por isso nós
aceitamos Colossenses sem reservas, como uma epistola genuina de Paulo.
Data . Há inúmeras razões para se escolher a prisão em Roma em
vez da de Cesaréia. Contra esta última estão as seguintes considerações:
1) Na enumeração de seus cooperadores Paulo dificilmente teria omitido o
evangelista. Filipe, com quem tinha estado alojado pouco antes da sua prisão
(Atos 21:8-14) . 2) Não há sugestão em Atos da atividade extensa de pregação
mencionada nas epistolas companheiras, Colossenses e Filipenses. 3) É
difícil imaginarmos o que poderia induzir o escravo pagão, fugitivo,
Onésimo, a ir para Cesaréia, sendo que Roma estava cheia de pessoas como
ele. 4) Paulo esperava para breve sua libertação (Filip. 1:19-25), o que
estava fora de cogitação em Cesaréia, desde que ali ela só poderia ser
conseguida por meio de suborno. Por isso, a carta foi escrita de Roma,
provavelmente durante o segundo dos dois anos mencionados em Atos 28:30.
Texto. A base para o estudo foi o Novo Testamento Grego,
conforme edição do Dr . Erwin Nestle. Portanto, quem estiver seguindo a
versão de Almeida ocasionalmente encontrará uma diferença no texto. Em
nenhum ponto, contudo, é uma doutrina importante modificada de maneira
alguma por estas correções. Os dois manuscritos mais antigos e mais
importantes de Colossenses são: um papiro do terceiro século (p 46) e um
codex do quarto século (B). Sua combinação é considerada praticamente
conclusiva como sendo o texto original. De outro lado, o TEXTUS RECEPTUS,
sobre o qual a Versão de Almeida. foi feita, representa manuscritos do nono
século.
Há apenas 56 diferenças (cerca de 3 por cento) entre o texto de Nestle e
o velho TEXTUS RECEPTUS. Dessas 56, 36 são palavras colocadas como
interpolações. Um terço destas está limitado à questão de adicionar ou
subtrair a conjunção "e" (vide 3:16), ou o artigo definido "o" (vide 1:16) .
Doze diferenças são ocasionadas pelo desvio de pronomes, nomes divinos ou
outras palavras. Isto deixa outras oito modificações de vários tipos. Em
apenas dois casos (1:4 e 4:8) o Dr. Nestle adicionou palavras que ele
conclue que os manuscritos autorizam. Dos 56 casos de variações entre o
texto do Dr . Nestle e o TEXTUS RECEPTUS somente quatro6
envolvem três ou mais palavras.
Aqueles que estudam o Novo Testamento em uma tradução podem possivelmente
estranharem a causa de certas referências cruzadas serem escolhidas. Embora,
possivelmente traduzida por outra palavra. portuguesa, a referência é para a
mesma palavra grega e é dada para mostrá-la em outro contexto e para ajudar
o leitor a melhor defini-la. Quando a mesma palavra. grega não ocorrer, a
referência é introduzida para comparar o sentido da passagem.
No decorrer do comentário aparecem palavras e frases em grifo-maiúsculas.
Tais palavras e frases se ajuntam numa nova tradução da carta aos
colossenses. Foram incorporadas, nesta, várias frases da revisão feita pela
Sociedade Bíblica do Brasil em 1955. De vez em quando uma dessas palavras
grifo maiúsculas está colocada entre parenteses, assim (VOSSO) .
Como as palavras grifadas na versão de Almeida, estas pa.lavras são
necessárias para o senso mas não constam na língua original.
-
1 J. B. Lightfoot, Colossians, p. 105.
-
2 T. Zahn, Introduction to the New Testament, Vol. I,
p. 466.
-
3 Idem,
pp. 468, 469, 475-479.
-
4 J.B. Lightfoot, op. cit., pp. 67-69.
-
5 T. Zahn, op. cit., p. 493.
-
6 Os quatro são: 1:2, 14; 2:2; 3:6.
II. Introdução (1:1-8)
-
1. Saudação (1:1,2)
-
a) De Paulo e Timóteo
-
b) Para os irmãos em Colossos
-
c) Invocação
-
2. Exame do estado espiritual dos colossenses (1:3-8)
-
a) Dá graças a Deus
-
b) Ora por eles
-
c) Ouviu a respeito --
-
(1) da sua fé
-
(2) do seu amor
-
d) Por causa da esperança a eles reservada
-
(1) a mensagem chegou a eles
-
(2) a mensagem espalhou-se por todo o mundo
-
(i) produzindo frutos
-
(ii) desenvolvendo-se
-
e) Como aprendestes de Epafras
-
(1) nosso amado conservo
-
(2) vosso ministro fiel
-
(3) quem nos declarou vosso amor
CAPÍTULO II
INTRODUÇÃO
Da prisão o apóstolo Paulo escreveu esta carta, uma das suas últimas. Na
introdução (1:1-8) a epístola segue muito seu costume geral de primeiro
nomear-se, em seguida a um cooperador, e depois a igreja que deverá receber
a mensagem. Depois, como na carta aos Coríntios, Paulo louva-os pelo que de
bom foi encontrado no seu meio, antes de abrir ataque contra a heresia que
estava sendo ensinada a eles.
Capítulo I, versículo 1. PAULO estava próximo do fim do seu
serviço por Cristo. Cerca de 29 anos tinham se passado desde sua conversão.
Dos seus sessenta e tantos anos, menos da metade passou-os como cristão. Ele
não começou o que conhecemos do seu trabalho, senão depois de completar 40
anos. Agora ele é um prisioneiro em Roma (4:3), apenas 15 anos depois do
início da sua primeira viagem missionária. E desses poucos anos três tinham
sido passados na prisão.1 Que notável ministério para ser acumulado
no curto espaço de 12 anos!
A palavra APÓSTOLO literalmente significa missionário, isto é,
alguém mandado com uma mensagem.2 Paulo foi chamado por Deus para ser
um apóstolo (I Cor. 1:1; Atos 9:15,16) aos gentios, para ser um emissário de
Deus levando as Boas Novas àqueles que estavam fora do concerto divino
(1:21). POR VONTADE DE DEUS. Paulo não se chamou a si mesmo (Gál.
1:1; I Cor. 1:1). A necessidade de pregar o Evangelho foi posta sobre ele.(I
Cor. 9:16-18). Deus tem igualmente um plana para vós e para mim. Não
resistamos à sua vontade. Todos somos chamados a glorificar a Deus e a
ganhar os perdidos para Ele (I Cor. 10:31; João 15:16).
Não somente um apóstolo, mas um Apóstolo DE JESUS CR1STO! Todos
nós temos um tópico de especial predileção, tal coma missões vida na
plenitude do Espírito espécies de batismo, dispensações, segunda vinda --
tópico esse ao qual continuamente retornamos. Todos eles têm seu valor e o
seu lugar, mas nenhum deles, deve ocupar a posição central em nossos
pensamentos e pregações. Cristo Jesus era o ponto ao redor do qual Paulo
construiu sua vida, sua pregação e sua teologia. Ao mesma tempo em que ele
foi cuidadoso em proclamar "todo o conselho de Deus" (Atos 20:27), ele assim
o fez relacionando tudo com nosso precioso Senhor. Para Paulo, "em Cristo"
era a base de sua pregação, tanto para crentes coma para incrédulos (2:10; I
Cor. 2:2).
A frase "apóstoplo de Jesus Cristo" pode igualmente significar alguém
"que pertença" ou alguém "que proclama" Cristo Jesus. O primeiro faria-nos
entender que havia apóstolos que não pertenciam a nossa Senhor. Isto era
verdade, mas aqui a ênfase de Paulo é melhor campreendida coma "aquele que
proclama Cristo; pois ele escreve esta carta "para combater o ensino
daqueles que proclamavam "outros seres" como sendo superiores ao Filho
Unigênito de Deus. Todos nós deveriamos obedecer, como fez Paulo, à última
ordem de nosso Senhor, "E sereis minhas testemunhas" (Atos 1:8).
E O IRMÃO TIMÓTEO.
Nas 13 cartas existentes de Paulo, ele por 7
vezes inclui como co-autor o nome de um colaborador, quase sempre Timóteo.
Paulo tinha especial confiança nele (I Cor. 16:10) e pôs pesada
responsabilidade sobre seus ombros (I Tim. 1:3). Ainda assim a carta é
basicamente de Paulo. O plural é mantido somente até 1:9. Dali em diante ele
fala na primeira. pessoa singular. As exceções (1:28; 4:3) são apenas
aparentes.
Versiculo 2. Esta carta foi endereçada aos crentes em Colossos, uma
cidade que era dividida pelo Rio Licus. Colossos achava-se retirada da costa
cerca de 224 kilômetros e a maioria do seu comércio era feito atravéz de
Éfeso e Mileto (vide mapa). Foi também através de habitantes de Éfeso que o
Evangelho chegou aos colossenses. A igreja era basicamente gentílica na sua
composição (1:21,2:11). "Sem dúvida Colossos foi a menos importante das
igrejas às quais qualquer epistola de Paulo foi dirigida."3 Contudo a
carta é uma das suas mais importantes!
Paulo chama as irmãos em Colossos de SANTOS porque eles na
verdade o eram. Ele não estava se referinda meramente a um grupo seleto
dentro da igreja; nem tão pouco a uns ídolos, representantes de pessoas
mortas. Quando esta carta foi escrita a igreja cristã tinha apenas 32 anos
de existência. Não houve ainda oportunidade para canonizações. De fato,
quase todos as líderes principais da igreja estavam ainda vivos. Ao
contrário, o nome, claramente, é genérica aos Cristãos em geral (v. 12). Que
as pessoas possam ser chamadas "santas" e agirem de maneira pecaminosa é
óbvio, como vemos em I Coríntios. Os crentes são chamados IRMÃOS FIÉIS
com relação à suas qualidades de perseverança e de dignos de confiança.
Todos eram "santos", mas nem todos eram fiéis (1:23; 2:5). Que nenhum de nós
fique satisfeito meramente com os nomes, tanto "santos como fiéis", mas que
se esforce por ser de fato (1:22,28). Assim como Paulo proclama Cristo,
assim eles são "irmãos" EM CRISTO, tendo uma viva relação com Ele
(2:10).
Paulo desejou GRAÇA E PAZ a todos os santos.
Graça é uma combinação de misericórdia com um esmerado amor de Deus e que
resulta numa bênção imerecida. Enquanto que salvação é um ato de graça,
Paulo invoca aqui bênçãos de após-salvação (Ram. 8:31,32). A paz que Paulo
procura para eles não é descanso da perseguição, pois ele mesmo diz, "Ora,
todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos"
(II Tim. 3:12). Não há no Novo Testamento passagem alguma que dê ao cristão
razão "para esperar ser poupado de qualquer perseguição ou
tribulação, mas sim graça e paz de espírito enquanto as suportarem. Paz é a
integração total da personalidade do crente em comunhão com Deus (3:15, João
16:33). O homem pode acumular bênçãos materiais, pode juntar amigos para
alegrá-lo, mas felicidade verdadeira e paz no coração vêm somente por
DEUS NOSSO PAI.4 Como Jesus Cristo, Paulo ensinava que a
Paternidade de Deus é somente aplicada ao crente.
Versiculo 3. DAMOS GRAÇAS, Paulo diz, mostrando seu interesse na
salvação deles e no seu crescimento cristão. Contrariamente a muitos de nós,
a alegria do grande Apóstolo ia além do seu restrito círculo e do de seus
conversos para incluir aqueles que ele nunca tinha visto (v. 4). Em lugar de
"O Senhor abençoe a todos as cristãos em todas as partes", ele orava por
suas necessidades particulares e isso diariamente! Possa o Espírito Santo
compelir-nos a seguir seu exemplo.
A DEUS, PAI DE.
Se bem que Deus seja o Criador e o Sustentador
do Universo, não é por essas razões que Paulo Lhe-dá graças, mas sim porque
Ele é a fonte de nossa salvação, o Pai de Jesus Cristo e, por conseguinte,
de todos as que crêem em nosso Senhor. Há muitos senhores (I Cor. 8:5), mas
Jesus não é um entre iguais. Ao contrário, este termo é equivalente a
Jeová do Velho Testamento (Filip. 2:9-11). Ele é o Senhor dos senhores;
e sendo nosso Senhor, é Senhor de tudo que temos. Compara I Cor. 6:19-20.
NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.
Durante sua encarnação, nosso Senhor
respondia pelo nome que Lhe tinha sido dada, Jesus. Embora Pedro o tenha
chamado de "Cristo" (Mat. 16:16), Ele não era geralmente assim chamado até
que teve lugar a Ascenção. Mais tarde, camo aqui, Cristo tornou-se
quase que o equivalente a um apelida. Nas últimas Epístolas paulinas o nome
Cristo excedeu o de Jesus e tomou um lugar predominante.
Isto acompanhou-se pelo fato de que, enquanto alguns cristãos usavam o nome
Jesus (4:11), nenhum usava Cristo. É um sinal de
inspiração o fato dos Evangelhos, que foram escritos tão tarde (A.D. 60-90)
não usarem o então popular nome Cristo em lugar de Jesus
em referir-se ao Senhor.
SEMPRE POR VÓS EM NOSSAS ORAÇÕES.
A afirmação do Apóstolo aqui e
em outros lugares (v. 9; Fil. 1:3,4) corrobora minha convicção de que devo
despender mais tempo em oração. Como podemos nós, como cristãos, dizer que
acreditamos num Deus misericordioso e despendermos tão pouco tempo em
oração? A pouca frequência às reuniões de oração calunia nossa afirmação do
poder da oração. Paulo, ao contrário, orava fiel e inteligentemente (v. 9).
Ele cumpria a ordem que ele mesmo transmitiu em I Tessalonissenses 5:17,
"Orai sem cessar". Paulo Orava. A questão devia ser levantada em
cada um de nós, "Acredito eu realmente no poder de oração?" É impossível
acreditar na oração e despender somente cinco ou quinze minutos por dia
em orar!
Versículo 4. Na palavra OUVIMOS há um indício das relações
passadas de Paulo com esta igreja. Embora Paulo não tivesse retrocedido em
recordar aos seus convertidos que ele era seu pai espiritual, ele dá a
Epafras o crédito pela evangelização de Colossos (1:6,7). Cerca de 6 anos
tinham se passado desde que Paulo deixara Éfeso e toda oportunidade de
conhecer os colossenses. Uma vez que a igreja cresceu durante esse período,
a maioria dos membras da igreja era desconhecida para ele (2:1).
A famosa trilogia de Paulo--fé, esperança, amor--é introduzida neste
ponto numa forma ligeiramente modificada. Estas 3 palavras são usadas juntas
6 vezes5 pelo apóstolo Paulo, uma vez pelo autor de Hebreus (6:10-12)
e uma vez por Pedro (1:21,22). Aqui, o siguificado de ESPERANÇA foi
substituido de "expectativa" para "herança" (Vide v. 5).
A afirmação de Paulo de que ele tinha ouvido DA VOSSA FÉ EM CRISTO
JESUS pode ser entendida de 3 maneiras: 1) ele podia estar se referindo
ao conteudo da sua fé, isto é, sua doutrina (v. 23). Mas uma vez que ele
aprova a fé deles, esta possibilidade está excluida quando ele mais tarde
reprova-os por seus erros doutrinários (2:20-23; mas vide 2:5). 2) ele podia
estar se referindo ao seu andar pela fé, diariamente, na vida cristã.
Contudo, desde que o elemento seguinte na trilogia se refere ao seu andar
como cristãos, isto teria que ser excluido. "Fé", então, refere-se à sua
experiencia de conversão. Sua conversão não foi baseada nem neles mesmos,
nem na humanidade, ou qualquer outra coisa a não ser em Jesus Cristo, o
Filho de Deus. Paulo lembra-os disso porque eles, na sua loucura, estavam
procurando colocar acima de Jesus outras seres, as quais estariam
supostamente em contacto mais intimo com Deus. Desde que o Senhor Jesus é
grande e suficiente para nos salvar, por que procuraríamos outro para nos
aperfeiçoar? (Rom.8:31,32).
Pode o apóstolo Paulo dar ordens a você e a mim, coma ele fez com os
crentes em Colossos? O AMOR QUE TENDES POR TODOS OS SANTOS. Nosso
Senhor disse, "Por isto conhecerão todos as homens que sois meus discípulos"
(João 13:35). Toda nossa relação com nosso próximo está resumida no
mandamento de nosso Senhor para amarmos nosso próximo como a nós mesmos. Tão
fácil de dizer, tão difícil de fazer! A predominância de I Coríntios 13 em
nossas vidas é o sinal mais importante do cristão.
Todos não significa apenas nossa família, nossos amigos chegados
e aqueles que ficam ao nosso redor. Todos não deixa de lado as
desagradáveis, nem aqueles que nos aborrecem. Vós e eu devemos amar a
todos aqueles que Deus escolheu para Si. Mesmo no sentido hiperbólico
todos inclui muitas mais além daqueles que reunimas no nosso
círculo de amigos. Não poderemos amá-los abstratamente sem estender a eles
nossa amizade? Dificilmente. Quando tivermos este "amor por todos os
santos", não haverá mais política nas igrejas, não mais o luxo do rico às
expensas do pobre, não mais acepção de pessoas relativa à raça. Estes e
muitas outros problemas desaparecerão à medida que permitirmos que o amar de
Cristo opere em nós.
Versículo 5. Em lugar de ligar esperança à fé e amor por um
e, Paula introduz POR CAUSA DE, pondo a esperança como a razão
da sua fé e amor. A ESPERANÇA QUE VOS ESTA RESERVADA NOS CÉUS é a
concretização da nossa herança e das recompensas que estão à nossa espera no
trona de julgamento de Cristo (I Pedro 1:3-5; II Tim. 4:8; II Cor. 5:10).
Paulo afirma em I Tessalonissenses 2:19 que sua "esperança" ou "recompensa'
era ver seus convertidos na presença de Deus. Estará alguém lá com resultado
de nossos esforços? A palavra traduzida "reservada" significa
"conservada"--preservada pelo poder de Deus (I Pedro 1:5; Rom. 8:35-39; João
6:39).
DA QUAL JÁ ANTES OUVISTES
por Epafras. Pau-lo faz mais do que
apenas sugerir que a mensagem original era verdadeira e que aquilo que a
contradiz é falso (Gál. 1:6-9). A frase também traz à luz uma verdade que é
até mais óbvia no campo missionário. Não se vê, na verdade, pessoas correndo
para aceitar Cristo à primeira. vez que ouvem o Evangelho. É uma coisa ouvir
palavras soltas que conhece, e outra diferente ouvir com entendimento o
significado da mensagem que elas trazem. A repetição aguça o ouvir
Foi PELA PALAVRA DA VERDADE DO EVANGELHO que eles vieram a.
saber desta. esperança que Deus reserva. para os Seus. Palavra
neste contexto não se refere nem a um vocábulo individual nem a Jesus Cristo
(João 1:1,2); mas sim, envolve o todo da mensagem que Deus tem para nós (v.
25). Usando a. frase "da verdade" Paulo pretendia relembrá-los de que o que
eles originariamente tinham ouvido era "a verdade", e que qualquer desvio
seria erro. Quando foi cunhada a palavra evangelho significava
apenas Boas Novas, mas, ao tempo em que Paulo escreveu esta carta, trazia à
mente a revelação do Novo Testamento na pessoa de Jesus Cristo.
Versículo 6. QUE JÁ CHEGOU A VÓS, isto é, a qual tivestes
oportunidade de ouvir e de aceitar. A verdade tem que ser apresentada
claramente antes que uma resposta possar ser esperada. Milhões hoje em dia
não podem aceitar o Evangelho porque, ou nunca. o ouviram, ou,
ouvindo-o, nunca. o entenderam. Temos nós realmente feito um esforço para
ganhar os perdidos?
O Evangelho tinha vindo aos colossenses ASSIM COMO TAMBÉM EM TODO O
MUNDO (Cp. v. 23). Jesus profetizou que o "evangelha do reino deverá
ser pregãdo a toda o mundo . . . e depois virá o fim" (Mat. 24:14). Ambas as
afirmações contém a frase "todo o mundo". Jesus pretendia que Sua afirmação
fosse tomada literalmente, mas a de Paulo só pode ser tomada
hiperbolicamente.6 Desprezando-se as partes da terra
desconhecidas em tempos antigos, ainda permanecia Espanha, Inglaterra,
nordeste da Ásia Menor e possivelmente a Mesopotâmia que eram conhecidas e
ainda assim não eram evangelizadas.
E JÁ VAI FRUTIFICANDO E CRESCENDO.
Toda mensagem, toda filosofia
ia produz fruto em relação à sua natureza íntima (2:8; I Tim. 6:20,21). E
também verdade que, quando o Evangelho é permitida criar raizes, ele
constantemente se reproduz e cresce (Mat. 13:8). O primeiro verbo refere-se
ao "trabalho inerente", e o segundo à "expansão externa" do movimento
Cristão. COMO TAMBÉM ENTRE VÓS mostra que o fruto produzido é o
mesmo mencionado no versículo 4; ou sejam, salvação e desenvolvimento das
virtudes cristãs. Ele louva, quando o elogio é merecido. O Apóstolo não
disse apenas, DESDE O DIA EM QUE OUVISTES, mas acrescentou
igualmente E INTEIRAMENTE CONHECESTES. Há necessidade de repetir,
de explicar em outras palavras e então, quando tudo está clara, repetir
outra vez. Os falsos líderes estavam se jactando perante os colossenses do
seu conhecimento do invisível mundo dos espíritos Paulo relembra à igreja de
que o "máximo" ou "completo" conhecimento7 é encontrado no Evangelho
que eles já conhecem. O tempo de verbo que Paulo usa para "inteiramente
conhecestes" indica que "ele conheciam de uma vez para smnpre." O que eles
conheciam era A GRAÇA DE DEUS NA VERDADE.
Graças aqui é um sinônimo para o Evangelho (v. 2) e indica a base do mesmo.
Na verdade modifica a graça de Deus; que é "a verdadeira expressão
da graça de Deus." Isto está em contraste com as mandamentos impostos pelos
falsos mestres.
Versículo 7. COMO APRENDESTES DE EPAFRAS. Queim era Epafras? Era
um dos colaboradores de Paulo. Educado em Colossos (4:12), converteu-se
provavelmente em Éfeso durante a estada de Paulo ali. Como outros Epafras
deve ter sido ensinado por Paulo durante seu ministério diário na "escola da
experiência." Ao fin do ministério de Paulo em Éfeso, Epafras saiu como
evangelista para Colossos, onde fundou aquela igreja e, aparentemente,
também aquelas nas cidades vizinhas, Laodicéia e Hierápolis. Mais tarde,
quando surgiu a heresia que ele não pode combater com sucesso, levou o
assunto a Paulo que estava, nessa época, prisioneiro em Roma.
Paulo chama. Epafras de NOSSO AMADO CONSERVO, com duas idéias em
mente: primeira, Epafras e Paulo eram ambos servos de Deus, servos na
sentido de serem escravos da Sua vontade (4:12; Tito 1:1). Segunda, ambos
estavam prisioneiros em Roma. (Ef. 3:1; Filemon 23).
QUE PARA VÓS É UM FIEL MINISTRO DE CRISTO. Ele era o
representante de Paulo e pregava em seu lugar, uma vez que Paulo estava
impossibilitado de evangelizá-los. Porque somos ministros "de Cristo" nossa
lealdade pertence primeira e principalmente a Ele. Nenhuma amizade, ou
politica, ou dinheiro, ou circunstância deve nos demover de um ministério
fiel centralizado em Cristo. Apesar de ausente, Epafras continua a
afadigar-se por eles em oração (4:12,13).
Nunca devemos nos esquecer de que somos ministros. Conquanto a palavra
diácono tenha entrada no vocabulário cristão na igreja primitiva com
especial refêrencia àqueles que tinham o especial cuidado das necessidades
materiais dos cristãos mais pobres (Atos 6:1-3), foi dentro em breve este
termo ampliado em sua aplicação para incluir outros tipos de serviço.8
Não devemos ficar tão inchados com o título de ministro a ponto de
nos esquecer de ministrar (Atos 20:27,28)! Que glorioso tributo a Epafras de
que Paulo chamá-lo de "ministro fiel." Ele atingiu aquilo por que nós todos
deveriainos nos esforçar. Em I Coríntios 4:1,2 Paulo relembra-nos que, de um
"despenseiro" requer-se fidelidade. Pensamentos profundos e eloquentes
sermões ajudam e são bons. Deus nos julga, no entanto, na base de nossa
fidelidade. Como seria doce ouvir o Senhor nos dizendo: "Bem está, servo bom
e fiel . . . entra no gozo do teu senhor" (Mat. 25:21)! (Vide também Lucas
12:42-48).
Versículo 8. O QUAL NOS DECLAROU TAMBÉM... Epafras, que lhes
trouxe o Evangelho e as serviu como inistro de Cristo, foi compelida pelo
amor que lhes tinha a ir a Paulo. Se bem que certamente tivesse ida por
causa dos problemas na igreja de Colossos, Epafras não deixou de dar ênfase
ao que havia de bom na sua congregação (2:5). Quão fácil é para nós achar
faltas em todos os esforços, criticar os erros, e, em geral, dar ênfase ao
mal que existe nos outros! Se devemos notar a parte má, apontemos igualmente
a parte boa. Notai que nas cartas do grande apóstolo ele começa com elogia,
antes de repreender por pecado ou heresia. O VOSSO AMOR. Esta é uma
breve reafirmação dos versículos 4-6; ambos são um mero resumo do relatório
de Epafras. Amor é um sumário do resultado do Evangelho na vida do
crente. Ter isto é ter tudo (I Cor. 13); não o ter é afastar-se
completamente da vontade de Deus.
A frase qualificativa NO ESPÍRITO pode ser entendida de duas
maneiras: ou o "humano" ou o "santo" Espírito. Se for compreendida da
primeira forma, seu sentido será "vosso amor que vem das profundezas do
vosso ser." A frase, contudo, tem mais sentido se a referência for
compreendida como sendo o Espírito Santo,9 quem manifesta e dirige
seu amor (Gál. 5:22). Desde que seu amor não estava no reino do espírito,
tomamos no no sentido de pelo; por conseguinte, pelo poder do
Espírito Santo seu amor existe, é manifesto, e tem sua expansão
____________________
1 Dois anos passados em Cesaréia (Atos 24:27) e um dos dois
passados em Roma (Atos 28:30).
2 Que o termo não foi limitado aos 12, vemos pelo uso do mesmo em
relação a Barnabé e Paulo (Atos 14:14), e ao próprio Senhor Jesus (Heb.
3:1).
3 J. B. Lightfoot, op. cit., p. 16.
4 E SENHOR JESUS CRISTO ocorre em AC, Textus
Receptus, mas não consta em BD. Os copistas antigos
dificilmente omitiriam a frase se estivesse no seu manuscrito, de maneira
que ele deve ter adicionado a mesmo. Isso favorece o fato da frase não estar
em B.
5 Rom. 5:2-5; I Cor. 13:13; Gal. 5:5,6; Col. 1:4,5; I Tess. 1:3;
5:8.
6 Outros exemplos bíblicos de todo hiperbólico são
encontrados em 1:23, Mat. 3:5,6; I Tes. 1:8, etc. Da mesma forma que "todo o
mundo" em portugûes não indica todas as pessoas no mundo, assim também Paulo
podia dizer em grego "todo o mundo" sem indicar o mundo todo que ele
conheceu.
7 Há duas palavras geralmente usadas para exprimir conhecimento no
Novo Testamento. Gnosis é a palavra para conhecimento em geral (I
Cor. 8:1,7; Ef. 3:19). Algumas vezes é usada com toda (Rom. 15:14)
e muitas vezes se refere a um conjunto específico de fatos (Rom. 3:20),
mesmo com relação á revelação cristã (I Cor. 12:8). É neste sentido
específico que foi usada para referir-se a sistemas filosóficos (I Tim.
6:20). A segunda palavra, epignosis, traz a idéia de chegar ao
conhecimento (Col. 2:2; I Tim. 2:4). Geralmente subentende-se um total ou
completo conhecimento (Ef. 4:13; Rom. 3:20; Col. 1:10; 2:2). Apesar de que
essa idéia de ser total não seja sempre requerida (Filip. 1:9), usualmente
forma melhor sentido que o termo simples ou geral termo conhecimento. Paulo
contrasta os verbos destas duas palavras em I Cor. 13:12.
8 O ofício de diácono nunca foi intencionalmente limitado a mera
"distribuição aos pobres e necessitados." Primeiro, as qualidades exigidas
para a escolha dos diáconos indicam um ofício muito mais importante (Atos
6:3; I Tim. 3:8-13). Segundo, os dois diáconos cujo trabalho é largamente
mencionado em Atos são melhor conhecidos por seus trabalhos evangelisticos.
Terceiro, Paulo não hesita em se referir a si mesmo como um diácono (Col.
1:23), apesar de ser cioso do seu apostolado. A palavra refere-se a uma
chamada divina para um serviço especial-- tanto espiritual como material
(Marcos 10:45; Col. 1:25).
9 É verdade que no grego falta o artigo definido e deveria
literalmente ser traduzido "em espírito". Geralmente no Novo Testamento
quando a palavra espírito se refere ao Santo Espírito, é
acompanhada do artigo definido "O" ou qualquer outra palavra
qualificativa ou frase, tal como "santo", "de Deus", "de Cristo." que este
não é sempre o caso, é mostrado em pelo menos 14 claras referências ao
Espírito Santo nas epístolas de Paulo, onde nenhuma palavra qualificativa
modifica Espírito. (Vide especialmente Rom. 8:9; 15:19; I Cor.
7:40; II Cor. 3:18).
III. O Desejo de Paulo para o Crente
-
1. Que ele conheça a vontade de Deus (1:9-12)
-
a) Paulo ora incessantemente por eles.
-
b) Paulo deseja que
-
(1) eles conheçam a vontade de Deus
-
(2) eles a conheçam em sabedoria e inteligência espiritual
-
c) O motivo de Paulo é que eles andem dignamente diante do Senhor.
-
(1) frutificando em toda a boa obra
-
(2) crescendo no conhecimento de Deus
-
(3) sendo fortalecidos divinamente
-
(4) dando graças a Deus
-
2. Que ele conheça a pessoa de Cristo e seu trabalho para o crente
(1:13-22)
-
a) o crente
-
(1) é transportado do império das trevas para o reino do Filho de
Deus.
-
(2) tem redenção e remissão dos pecados.
-
b) Jesus Cristo é
-
(1) a imagem do Deus invísivel
-
(2) o primogênito de toda Criação;
-
(a) Ele criou todas as coisas
-
(b) Ele é antes de todas as coisas
-
(c) Ele sustenta o Universo.
-
(3) a cabeça da igreja
-
(4) o primogenito dentre os mortos
-
(5) o recipiente da plenitude de Deus quem
-
(a) reconcilia todas as coisas por meio dEle
-
(b) fez a paz por Seu sangue
-
c) Os colossenses
-
(1) eram estranhos e inimigos
-
(2) foram reconciliados pela Sua morte
-
(3) devem ser santos, irrepreensíveis e inculpáveis
-
(4) se permanecerem na fé.
CAPÍTULO III
O DESEJO DE PAULO PARA O CRENTE
O apóstolo Paulo abre seu ataque contra a falsa doutrina que estava se
espalhando em Colossos, mostrando que não há nada secreto, nada para ser
oculto no Evangelho verdadeiro. Seu desejo e oração são para que eles
compreendam plenamente a vontade de Deus em toda sua profundeza, de maneira
que suas vidas testifiquem para a glória de Cristo.
Passando quasi que sem uma pausa, da vontade de Deus para o crente para
um breve esbóço de quem Jesus é, Paulo declara que Ele é maior do que
qualquer espírito intermediário. Jesus Cristo é o próprio Deus, o Criador e
Sustentador de tudo que existe fora da Divindade. Ele também destroi os
argumentos dos falsos profetas mostrando que Jesus Cristo é, não só a Cabeça
da Igreja, mas também o seu Redentor. Que necessidade tem eles desses
espíritos imaginários?
Paulo encerra esse parágrafo com uma severa admoestação sobre o que
acontecerá se eles continuarem a afastar-se do Evangelho.
Versículo 9. POR ESTA RAZÃO. Paulo retrocede ao versículo 8,
depois aos versiculos 4 e 5 e inclue o todo do relato de Epafras. Notai sua
reação. Esperou ele até que fosse tempo de escrever-lhes para começar a orar
por eles? Não! NOS TAMBÉM DESDE O DIA EM QUE O OUVIMOS, NÃO CESSAMOS DE
ORAR POR VOS. Ele imediatamente os incluiu na sua lista de pedidos de
oração. Muitos de nós não cessam de orar porque nunca começam! Contudo Paulo
dificilmente podia orar continuamente por uma igreja. Em II Cor. 11:28 ele
comenta que "me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas." Ele orava
por elas todas, diariamente. De maneira que entendemos o seu "não cesso de
orar" como significando uma lembrança diária dos problemas individuais e das
necessidades de cada igreja.
O apóstolo continua a explicar a finalidade buscada em suas orações,
acrescentando, E DE PEDIR QUE SEJAIS CHEIOS DO PLENO CONHECIMENTO DA SUA
VONTADE. Paulo acreditava que era possível estar-se convencido de que
um determinado curso de ação é a vontade de Deus. Paulo não somente
acreditava, mas agia baseado na sua crença. Ele passava horas orando para
que os colossenses e outros cristãos do primeiro século conhecessem a
vontade de Deus. Para ter certeza da vontade de Deus não devemos pedir um
"sinal", "uma voz", ou uma "visão". Algumas vezes Ele permite essas coisas,
mas abençoados os que sem elas crerem e souberem (João 20:29). Apesar de que
não admitirmos isto, a maior parte de nós vive como se Deus não estivesse
prestando qualquer atenção ao que pensamos e fazemos (3:6). É encargo vosso
e meu individualmente descobrir através da oração e do estudo bíblico
justamente aquilo que Ele quer para nós, e fazer isto (Ef. 5:17).
A falsa doutrina dos líderes em Colossos consistia basicamente na
apresentação de certos. espíritos intermediários entre Deus e Cristo (v. 16;
2:18), juntamente com a ordem de guardar certos elementos da lei (2:10; 11,
14-16). Em oposição a chamada ciência gnosis que lhes era imposta,
Paulo deseja para eles o pleno conhecimento (epignosis, v.
6) do programa de Deus, a qual consistia no conhecimento de Sua vontade em
relação a Jesus Cristo (v. 10).
Há duas direções para as quais o conhecimento da vontade de Deus nos
leva: EM TODA A SABEDORIA E INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL. A toda
sabedoria aqui não inclui a sabedoria do mundo, pois a sabedoria
mundana não pode discortinar a Deus (I Cor. 1:20,21; Isa. 55:8,9). A
sabedoria de Dens só pode ser considerada por aqueles que estão amadurecidos
na sua experiência cristã (I Cor. 2:6,7), e so pode ser entendida por
aqueles que mergulharam nas profundezas da Sua revelação (Rom. 11:33-36). Se
tivermos falta dessa sabedoria, peçamos a Deus discernimento da Sua vontade
(Tiago 1:5). A sabedoria Paulo ajuntou "inteligência". As duas palavras,
tanto em português como em grego são praticamente sinônimas. (2:2,3) Elas
diferem em que a sabedoria é a habilidade de fazer decisões corretas e de
escolher cursos certos de ação; inteligência é a habilidade de esclarecer ou
apreender as relações de certo material. Os adjetivos toda e
espiritual modificam ambos os substantivos. Os adjetivos servem para
colocar a sabedoria e inteligência divina em contraste com a mera exibição
de sabedoria dos seus falsos mestres (2:23).
Versículo 10. Paulo estava orando para que os colossenses pudessem
conhecer a vontade de Deus. Para que? PARA QUE POSSAIS ANDAR DIGNAMENTE
DIANTE DO SENHOR! O verbo andar é muito expressivo. É usado
por Paulo 32 vezes para se referir a peregrinação do cristão através deste
mundo (vide especialmente Ef. 5:8; II Cor. 10:2). Em 3:7 é igual a
viver. Pela ajuda do Senhor um longo e árduo caminhar pode
transformar-se em um agradável passeio. Como cristãos devemos nos elevar ao
padrão que Ele colocou diante de nós (Ef. 4:13; I João 2:6). É impossível?
Não importa, devemos lutar por conseguí-lo O Senhor tem um interesse vital
na corrida que estamos empreendendo. É nosso testemunho "digno" dEle?
A frase, AGRADANDO-LHE EM TUDO, parece estar flutuando sem dar
muita direção a afirmação de Paulo. Agradando a quem? Não a homens, mas a
Deus. A tradução da Sociedade Bíblica desta frase é, "para o seu inteiro
agrado." Podemos sinceramente dizer com o apóstolo João que "fazemos o que é
agradável à sua vista?" (I Joäo 3:22). O apóstolo Paulo apresenta quatro
rnaneiras pelas quais podemos agradar a Deus: "dando frutos", "crescendo no
conhecimento de Deus", "sendo fortalecidos" e "dando graças ao Pai."
O primeiro modo pelo qual nós agradamos a Deus é FRUTIFICANDO EM TODA
BOA OBRA. O irmào de Nosso Senhor relembra-nos de que a fé sem as obras
é morta (Tiago 2:17). Nós, evangélicos, damos tanta ênfase ao fato de que as
obras de maneira nenhuma contribuem para a nossa salvacäo que temos a
tendência de desprezar o fato de que somos salvos para fazer boas
obras (Ef. 2:10). O apóstolo transfere a vós e a mim o privilégio de fazer
"toda boa obra". O que é uma "boa obra"? O Novo Testamento está cheio de
exemplos.1 Não apenas boas acões mas também motivos justos são
exigidos por Ele (Mat. 6:1-18). Nosso problema geralmente não é aquilo que
não sabemos, mas sim viver de acordo com aquilo que já sabemos.
Até mesmo mais necessário do que fazer boas obras é a segunda maneira de
agradar a Ele: CRESCENDO NO PLENO CONHECIMENTO DE DEUS. Todo mundo
sabe alguma coisa sobre Deus (Rom. 1:19-21). O cristão sabe ainda mais pelo
seu contacto com Deus na salvacão e através da Palavra (I Cor, 8:6,7). Uma
vez que a vida eterna consiste em conhecê-lO (João 17:3), o grau de vida
eterna que temos está em proporção direta ao nosso maior ou menor
conhecimento de Deus. Vós que sabeis tanto sobre Deus, realmente
conheceis a Ele? Sömente quando tivermos tempo para gozar comunhão
com Ele, nós nos tornaremos intimamente familiarizados com nosso Senhor e
Deus. Ele Se revela somente aqueles que fervorosamente O buscam. (Para notas
sobre conhecimento pleno vide comentârios no cap. 1:6,9).
Versículo 11. O braço da carne é fraco e impotente contra o poder
astucioso de Satanaz. Necessitamos de ser guardados pelos braços eternos.
SENDO FORTALECIDOS COM TODO O PODER. Contudo Ele não impõe Sua
ajuda e poder a ninguém. Devemos fervorosamente buscar e desejar ser
fortalecidos. Deus nos fortalece SEGUNDO A FORQA DA SUA GLÓRIA. A
versão de Almeida usa 3 palavras (corroborados, fortaleza, força) para
traduzir 2 gregas. (dunamis e kratos)2 O verbo e o
primeiro substantivo vêm de dunamis, o segundo substantivo de
kratos. O da declara que a força pertence à "glória" de Deus.
A palavra glória aqui não significa alguma luz brilhante (Apo.
22:5), nem muito menos se refere à alguma beleza física, da parte de Deus
(II Cor. 3:7). Em vez disso, Sua glória, como em João 1:14, refere-se à Sua
dignidade, majestade, poder, ser e divindade. Se somos fortalecidos na
medida dessas coisas, seremos sempre vitoriosos (Rom. 8:37).
O propósito de Deus em fortalecer-nos é para que alcancemos TODA
PACIÊNCIA E LONGANIMIDADE COM GOZO. Não devemos nos enganar pensando
que Deus nos fortalece de tal maneira que seremos fortes, fortes como
Sansão. Não, Ele age de tal forma que podemos sair vitoriosos no processo de
aperfeiçoamento na luta contra a tentação e perseguição (Rom. 8:35-39).
Toda paciência; geralmente estamos prontos a aceitar o que vem, até
certo ponto--daí em diante afirmamos nossos "direitos" e revidamos, se temos
esta possibilidade. Deus não nos fortalece para tomarmos a vingança
(Rom.12:19). Assim como força e poder são quasi sinônimos, assim também
paciência e longanimidade. A primeira significa basicamente permanecer sob a
pressão da provação e está aliada à esperança, enquanto a segunda indica
demorar em se irar e ter misericórdia.
Há alguma dúvida se a última frase, com gozo, penrtence a este,
ou ao versículo seguinte. Enquanto "dando graças com gozo" parece formar
melhor sentido do que sofrer tentação e tribulação com alegria, ainda assim
em Rom. 5:3 Paulo nos diz para nos regozijarmos na tribulação por causa do
fim a ser alcançado. (Vide também Tiago 1:2) Isto é bem contrário às nossas
reações usuais. Parece tão difícil na hora da provação lembrar que Rom. 8:28
ainda está na Biblia! Não é bastante estarmos reconciliados com as
circunstâncias, devemos nos regozijar nelas.
Versiculo 12. Chegamos agora à quarta e última maneira de agradá-lO.
DAR GRAÇAS é uma ação que jorra expontaneamente de nossas almas, a
resposta natural a Deus por Seus dons. Como nós apreciamos uma demonstração
de gratidão da parte daqueles a quem ajudamos, Deus se agrada quando nossas
palavras e obras mostram que estamos cheios de gratidão. Embora digno de
ambos, amor e gratidão, Deus não nos força a nenhum deles. Devíamos nos
envergonhar de quão pouco sentimos e mostramos nossa apreciação! Nossos
agradecimentos são dirigidos ao Pai, porque ele cuidou da nossa salvação.
QUE VOS FEZ IDÔNEOS.
A compreensão de que Deus não somente nos
salvou de um sofrimento sem fim, mas nos habilitou a estarmos com os santos
como co-herdeiros com Cristo, deveria fazer com que nossos corações
saltassem de emoção. Todos nós estávamos destituidos da glória de Deus e
como tal éramos indignos de vir à Sua presença. Pela aceitação do sacrifício
de Jesus Cristo nós nos tornamos qualificados a entrar nas bênçãos que Ele
preparou.
Deus nos fez dignos DE RECEBER UMA PORÇÃO DA HERANÇA PREPARADA PARA
SEU POVO (I Cor. 2:9,10). Naturalmente, estamos todos vitalmente
interessados nessa herança. Ela é indubitavelmente a mesma daquela esperança
celestial do versículo 5--não ganha, mas repartida conosco. Já parastes para
pensar quão maravilhoso é ser um herdeino de Deus? Romanos 8:17! A extensão
do nosso tesouro no céu depende inteiramente do quanto nós trabalhamos para
Cristo. (Vide Col. 3:24) Vamos lançar fora a confusão deste mundo e
trabalhar pelas recompensas que Deus nos dá. Elas são certamente dignas dos
esforços necessários.
Quem são esses SANTOS NA LUZ? Enquanto que a palavra santos
no Novo Testamento geralmente refere-se aos militantes da Igreja, i.e.,
aos crentes vivos,3 há diversas passagens que se referem aos
crentes que passaram a estar com o Senhor. (Vide I Tess. 3:13; Apoc. 11:18;
I Cor. 6:2). A adição de na luz depois de santos serve
para distinguir aqueles que já foram receber o seu galardão daqueles que
ainda estão se esforçando pela vitória.
Versículo 13. Que tremendo motivo Paulo nos dá aqui para rendermos graças
ao Pai QUE NOS LIBERTOU DA AUTORIDADE DAS TREVAS! Que utilidade
teria para nós receber uma porção da herança dos santos se permanecéssemos
sob o controle do mal? Ele literalmente "arrastou-nos do perigo" (Mat.
27:43). Nós estávamos impotentes nas garras do inimigo (Col. 2:13; Rom.
7:15), mas Ele nos livrou do poder de Satanaz. Assim como o
vaqueiro ferido é rapidamente retirado do curral antes que o cavalo selvagem
possa pisoteá-lo até matá-lo, assim Ele nos retirou das garras da condenação
eterna.
A diferença entre autoridade e habilidade é confusa na
versão de Almeida que livremente traduz ambas pela palavra poder.
Aqui no versículo 13 a referência não é tanto para "reino" como para
"regido" pelas trevas (Ef. 2:1,2). Uma coisa assombrosa é que aquele que
está sob o controle das trevas realmente as ama (João 3:19,20)! Ele as vê
como uma bênção (seus feitos iníquos não podem ser vistos), mas se esquece
de que elas também se tornam uma maldição (ele não pode ver o que os outros
vão lhe fazer.)
Deus não nos tirou do poder das trevas para nos deixar no vácuo. Ele nos
TRANSPORTOU PARA O REINO DO FILHO DO SEU AMOR. Ele não apenas nos
removeu do poder de Satanaz, mas também fez com que "mudássemos de posição."
O verbo usado nos dá uma idéia do extenso transporte de pessoas, como é
recordado no Velho Testamento. Eramos filhos do pecado e de Satanaz; somos
agora filhos de Deus (João 8:41,44; II Pedro 1:4). "Fora" de um reino e
"dentro" de outro--esta é a história da redenção (I Tess. 2:12). A palavra
traduzida reino tem dois significados: 1) a regra, a autoridade que e
exercida (Vide Lucas 19:11-27; Apo. 17:12). 2) refere-se a um reino ou a uma
certa extensão territorial. (Para esse sentido vide Mat. 4:8; Marcos 6:23).
Como crentes nós nos alegramos com os poderes espirituais da regra de Deus
agora em nossas vidas. No milênio esta regra será extendida a toda a
humanidade.
Quando Deus fala do Filho do seu amor, de maneira nenhuma Ele quer dizer
que haja outros filhos menos amados. Ao contrário, esta frase dá ênfase ao
quanto Ele O amou. Quão grande então deve ter sido o seu amor para conosco
para sacrificá-lO na cruz do Calvário! Esta frase também demonstra quão
satisfeito está Deus com o trabalho executado por Cristo (Filip. 2:9-11;
Heb. 10:12-14; 3:1-3).
Versículo 14. Este versículo é uma explicação do versículo 13 e mostra
como Deus mudou nossa lealdade do lado de Satanaz para o Seu próprio. Fomos
colocados dentro da estrutura do reino de Cristo porque foi Ele próprio quem
efetuou nossa salvação. EM QUEM TEMOS A REDENÇAO. É em e
através de Jesus Cristo somente que temos nosso resgate pago (Atos
4:12; Rom. 3:24). Notai a possessão atual de nossa redenção como indicada
pelo tempo presente do verbo ter. Nesta passagem o grego usa o
artigo definido, mostrando a referência ser um caso particular de redenção
que ressalta sobre todas as outras: aquela comprada na cruz.
Paulo mais adiante define nossa redenção5 acrescentando A
REMISSÃO DOS PECADOS. A palavra remissão significa: 1)
"libertação" (Lucas 4:18) e 2) "perdão" (Mat. 26:28). Somos libertados do
poder do pecado, e somos perdoados dos seus efeitos (Rom. 6:23). Toda a
estrutura de nossas más ações foi demolida. Somos livres. Mas esperai, somos
"livres como a brisa"? Antes, éramos livres da justiça e servos do pecado.
Agora que "trocamos de posição", a situação é reversa de maneira que,
enquanto somos livres do pecado, somos servos de Deus (Rom. 6:20-22).
Versículo 15. Neste e nos versículos seguintes Paulo reclama para Cristo
a absoluta supremacia em relação ao Universo e à Igreja. Paulo atraiu nossos
olhos para Jesus Cristo, O QUAL É A IMAGEM DO DEUS INVISÍVEL. Notai
que ele diz Ele é; não era, ou será, nem muito
menos que Ele tornou-se a imagem de Deus. É, o presente
eterno. "Jesus Cristo, o mesma ontem, hoje e eternamente." (Heb. 13:8)
Que quer Paulo significar pela palavra imagem? Quer ele se
referir a uma semelhança física entre Jesus e o Pai (João 14:9)?
Dificilmente, pois Deus é Espírito (João 4:24) e invisível. Jesus Cristo é a
exata reprodução do Pai no sentido de espírito, desejos, poder, glória. Ele
mesma diz, "Eu e o Pai somos Um" (João 10:30) (Comp. Filip. 2:6 e Heb. 1:3).
Além de semelhança, que pode ser acidental, imagem subentende o "original"
da qual é uma "cópia." Ligada ao invisível imagem compreende a "manifestação
de alguma coisa escondida."
Adão foi feito "à imagem" de Deus (Gen. 1:26,27). Contudo Adão
caiu em pecado e carregou toda a raça. humana. com ele. Como resultado somos
nascidos, não "à imagem de Deus", mas à de Adão (Gen. 5:1,3; Heb.
1:9,10). O último Adão foi pela natureza. o que o primeiro Adão "foi feito".
Notai a comparação de Paulo entre os dois em I Cor. 15:20-22, 45-50 e Rom.
5:12-21.
Qual é o intuito de Paulo em tudo isso? Primeiro e acima de tudo ele está
argumentando sobre a superioridade de Cristo sobre toda e qualquer homem ou
anjo. Desde que Jesus Cristo é o próprio Deus, desde que Ele intercede por
nós e procura o nosso bem, por que deveriam os colossenses (ou vós ou eu)
procurar Seu favor através de vários outras intermediários? Uma vez que não
devemos fazer nenhuma imagem de Deus, nós mesmos devemos ser "a imagem da
Seu Filho" (Rom. 8:29). Através de Jesus Cristo a imagem de Deus é devolvida
aos filhos de Adão. Isto é o que Paulo quis significar quando disse, "Para
mim o viver é Cristo" (Filip. 1:20; Col. 1:27). Está o mundo apto a ver a
imagem de Cristo em vós? Em mim?
Deus é invisível, tanto para o olho interno (intelectual e espiritual)
como para o externo (físico) . Isto significa que Ele não nos vê, que Ele é
impotente, que para todos os propósitos práticos Ele não existe? Se
julgarmos pelas nossas vidas, essas são as conclusões a. que teremos que
chegar. Ao contrário desde que Deus é invisível, Ele não está localizado em
um certo lugar, como Jesus Cristo por cerca de 33 anos. Ele está presente em
toda parte, o Deus dos deuses . Tudo é visto por Ele, tudo deve curvar-se
diante dEle. Sendo invisível Deus se compreende apenas pela fé. Por
isso a necessidade de "crer" é imposto a cada. um.
Na sua descrição de Jesus, Paulo declara ser Ele o PRIMOGÊNITO DE
TODA A CRIAÇAO. Assim como em português a palavra grega traduzida
primogênito é formada de 2 palavras. Uma é o superlativo da
palavra "antes" e significa o 1o absoluto. Nada veio antes dEle em tempo ou
ordem, nada acima dEle em dignidade, importância, ou honra (Mat. 26:17; Atos
13:50). A outra é do verbo "dar a luz", "dar nascimento" à alguma coisa
(Mat. 1:21; Tiago 1:15). O significado literal dessa palavra composta
aparece muitas vezes no Nova Testamento (e.g., Mat. 1:25; Heb. 11:28). Este
não é, contudo,o único significado. Do Salmo 89:27 aprendemos que é um
titulo reconhecido do Messias. Fala da Sua absoluta pre-existência antes
de qualquer Criação. Se Paulo tivesse por objetivo íncluí-lO na
Criação, teria usado "Primeira criação".6 Mais importante ainda do
que primeiro em tempo ou ordem é a idéia de primeiro em lugar de honra, que
é, "o mais alto". Jesus Cristo é o mais elevado entre os altos, único entre
todos os seres do mundo. Ele é o Senhor soberano de toda Criação .
Tudo, exceto Deus, foi criado. Paulo está se referindo especificamente a
qualquer ordem de anjos, os quais os colossenses clamavam ter maior
autoridade do que Jesus Cristo. Jesus Cristo é o Criador (1:16; Heb. 1:3;
João 1:3). De maneira que, a frase "o primogênito de toda criação",
realmente significa "Senhor de toda criação", ou, mais simplesmente,
"Criador de tudo".
Versículo 16. A frase PORQUE NELE FORAM CRIADOS refere-se a
última parte do versículo 15. Jesus Cristo é chamado "o primogênito de toda
criação", pois Ele é o Criador de tudo que existe, exceto Deus mesmo. O
verbo criar significa "dar existência a alguma coisa." Uma vez que
Aquele que cria é maior da que aquilo criado (Heb . 3:3-6; João 15:20),
Paulo está destruindo os argumentos filosóficos daqueles que estavam
confundindo os colossenses. Cristo está acima de todos os anjos e
de qualquer outro ser sobrenatural em poder, dignidade e pre-existência.
Paula escreve "Ele". Este é o terceiro dos quinze pronomes (em grego)
referentes a. Jesus. Cristo nas sete verses de 14 a 20. Eles todas se
referem ao "Filho" da versículo 13. Nesta passagem maravilhosa, que exalta
Jesus Cristo mais da que qualquer outra, Seu name não aparece nem ao menos
uma vez, de qualquer forma!
Jesus Cristo criou TODAS AS COISAS QUE HÁ NOS CÉUS E NA TERRA.
Sobre "todas as coisas" vide v. 17. Uma vez que o Hades é geralmente
considerada no Novo Testamento como localizado "debaixo" da terra, está
incluido. O Salmista disse, "Para onde me irei do teu Espírito? . . . se
fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também" (Salmo 139:7,8).
Seu trabalho criador abrange tudo em toda parte. Assim como os Céus e a
Terra mostram a. extensão "no espaço" do Seu trabalho criador, assim AS
VlSÍVEIS E INVISÍVEIS mostram sua extensão "em tipos" de existência.
Ele criou aquilo que é material e aquilo que é espiritual. Até mesmo o
"invisível" pode ser material; tal como a eletricidade e vários gazes.
Paulo agora chega ao âmago da filosofia herética e nomeia 4 ordens de
seres superiores que se supunha ser de uma ordem mais elevada do que Jesus
Cristo e, desta forma, mais próxima de Deus. SEJAM POTESTADES, SEJAM
PRINCIPADOS, SEJAM SOBERANIAS, SEJAM AUTORIDADES, ou qualquer coisa que
possa existir, TUDO FOI CRIADO POR ELE E PARA ELE. Os quatro termos
são praticamente sinônimos, e podem ser traduzidos por principado,
pois eles todos descrevem um ou outro dos "direitos" de um príncipe. O
primeiro significa o poder incorporado na posição, o segundo fala da
autoridade constituida, o terceiro da precedência em posição ou poder, e o
último da jurisdição ou regência de tais pessoas ou seres . Mas sejam eles o
que forem, qualquer que seja sua posição ou poder, foram eles criados por e
para Ele! Isto nos deveria confortar, e ajudar-nos a compreender que, apesar
desses legisladores (humanos ou espirituais) poderem nos oprimir, são eles o
que são pela permissão e poder de Deus, não podem fazer nada que Ele não
permita (Rom. 13:1-7). Ao fim eles servem e glorificam a Ele (2:10).
Versículo 17. Quando o apóstolo diz E ELE É ANTES DE TUDO E TODAS AS
COISAS, não está se referindo a lugar, mas ao tempo, dignidade, honra e
poder. Nada existiu antes dEle e nada existe que seja em qualquer sentido
igual a Ele. Esta passagem é equivalente a João 1:1; 17:5; e Prov. 8:22-36,
e juntamente com essas, ensina que Jesus Cristo existia em poder e glória
muito antes do Seu nascimento em Belém . Nesta passagem (1:14-22) Paulo usa
a expressão, todas as coisas 6 vezes . No grego Bíblico a frase
"todas as coisas" frequentemente significa mais do que apenas a
generalização para "tudo que existe". Contudo aqui, especialmente no
versículo 16, este parece ser o intuito do apóstolo.
Jesus Cristo não é somente o Criador de tudo, mas também POR ELE
SUBSISTE tudo que realmente existe. O verbo subsistir
significa uma continuação de existência. Sem o Seu cuidado todos os mundos e
estrelas explodiriam como tremendas bombas de hidrogênio (II Pedro 3:10-12).
Como é possível que uma pessoa tão grande como nosso Senhor Jesus pudesse
amar-nos, a nós que somos tão insignificantes e rebeldes? Como pode Ele
rebaixar-se para morrer por nós? Ou submeter-se a interceder por pecadores
diante do Pai Santo (I João 2:1)? É inconcebível! A única coisa que é
igualmente inconcebível é como o povo ignora. o amor e a vontade de Deus e é
ingrato pelas Suas muitas bênçãos. Pior ainda, nós mesmos somos culpados.
Com Pedro devemos nos perguntar que espécie de pessoas devemos ser para um
viver santo e constante adoração a Deus (II Pedro 3:11).
Versículo 18. Nos versículos 15 a 17 Paulo mostrou que Jesus Cristo
permanece muito acima de qualquer criatura ou ser que possa existir. Agora
no versículo 18 ele mostra a relação que Ele tem com a Igreja . E ELE É
A CABEÇA DO CORPO, DA IGREJA. Assim como o corpo fisicamente está
sujeito a cabeça, assim a Igreja. deve obedecer em tudo aos mandamentos que
recebe de Jesus Cristo (Ef. 1:22; 5:23, 24). O corpo humano é composto de
muitos membros, e cada membro tem um nervo em contacto direto com o cerebra;
assim cada um de nós individualmente na Igreja diferimos nas nossas funções
e chamada, e cada um de nós tem acesso direto ao trono da graça para receber
ordens diretas de Jesus Cristo (Heb. 4:16) .
Paulo fala de Jesus Cristo coma Aquele QUE É O SOBERANO, desta
maneira usando para nosso Senhor o terceiro dos quatro names dados no
versículo 16. A diferença é que aqui o título é especifico, está no singular
e pede o artigo definido.7 Ele é o Soberano sobre todos os outros
soberanos.. Ele tem precedência em posição e poder. A palavra não tem aqui o
sentido de origem, começo. Uma vez mais ele chama nosso Senhor de "primaogênito",
PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS (Apo. 1:5). (Vide a nota sobre esta
palavra em 1:15) . Aqui é equivalente à frase "primícias dos que dormem" (I
Cor. 15:20-23), que é, a primeira porção que garante aquela que está por se
seguir. Cristo levantou-se dos mortos para selar nossa fé e garantir para
nós uma ressurreição (I Cor. 15:17,20).
Como a imagem de Deus e Criador de tudo pre-existente, Cristo era mais
excelente do que qualquer outro ser. Como Cabeça da Igreja Ele é soberano de
todos os filhos de Deus. Ele é também "primogênito dentre os mortos"
PARA QUE EM TUDO TENHA A PREEMINÊNCIA e sobre todas as pessoas que já
tenham existido. Ninguém antes e ninguém depois deixou o túmulo com um corpo
ressurreto. Lázaro (João 11:44) e os santos no dia da ressurreição (Mat.
27:52,53) levantaram-se da sepultura. com corpos humanos reconstituidos para
morrer outra vez. Cristo foi o primeiro a erguer-se para não
morrer. A palavra preeminente é a mesma da primeira parte de
primogênito. Um rei qualquer é preeminente, i.e., o primeiro entre
iguais.. Cristo, ao contrário, é preeminente porque Ele é não somente o
primeiro, mas também pertence a uma classe só dEle. Não há iguais dEle.
Versículo 19. De que Éle é preeminente sobre tudo é provado PORQUE TODA A
PLENITUDE AGRADOU-SE DE HABITAR NELE. Que é que entendemos por toda a
plenitude?8 A palavra traduzida "plenitude"" significa o inteiro
conteudo ou o completo desenvolvimento de alguma coisa (I Cor. 10:26; Ef.
4:13). Aqui como em Efésios 3:19 certamente significa a completa medida da
divindade (2:9). Quaisquer que sejam as qualidades ou particularidades (tais
como amor, santidade, verdade) que atribuimos a Deus, fazemos isto a Sua
divindade, à Sua plenitude.
Desde que Cristo é aquilo que Deus é e desde que Ele é a expressa imagem
(v. 15) de Deus, Ele possui nEle mesmo toda a plenitude da
divindade de Deus. Jesus Cristo não e a emanação de um espírito puro", nem é
Ele um ser criado . Não! Ele é o próprio Deus. Seu ser, pessoa e obra
expressam tudo que Deus É (João 1:1; 14:7-11). Quem se alegrou de
que a plenitude habitasse em Cristo? A versão de Almeida frisa em itálico "o
Pai". Na realidade a construção da grego requer que a plenitude
seja o sujeito de ambos os verbos, "habita" e "reconcilia."
Notai os verbos que Paulo usa para descrever esta relação: "agradou-se de
habitar". Sua habitação é uma permanência sem fim visível. Finalmente é
"nEle", i.e, em Cristo e somente em Cristo que a plenitude habita. Que
tremendo pensamento para concluir esta passagem sobre as glórias de Cristo!
Ele está por cima e acima de todos os outros porque Ele é habitado por todos
os atributos e, desta forma, pela própria pessoa de Deus.
Versículo 20. Tendo claramente indicado nos versículos 15 a 19 quem
Cristo é, Paulo agora se volta para o que Ele fez. Assim como é o Seu ser e
pessoa, assim é Seu trabalho. Jesus está muito acima desses fabulosos
intermediários (v. 16) com os quais os colossenses estavam sendo iludidos.
E POR MEJO DELE RECONCILIASSE CONS1GO MESMO TODAS AS COISAS. É por
meio de Cristo e somente dEle que a plenitude de Deus nos traz de volta a
uma relação correta com Ele mesmo (Col. 1:14; II Cor. 5:18,19). Ele criou
"todas as coisas" para Ele mesmo (v. 16) e agora deve Ele mesmo reconciliar
"todas as coisas.
O verbo reconciliar significa transferir de um estado para outro
completamente diferente. Significa "ser restaurado na favor" (Ef. 2:16). O
verbo implica três condições: relação perfeita,9 uma quebra nessa
relação (Rom. 5:12) e finalmente restauração (Col. 1:22). Se bem que seja o
homem quem está em inimizade com Deus e quem necessita ser reconciliado,
Deus é Aquele que toma a iniciativa e traz a reconciliação desistindo de
Seus direitos. Basicamente, reconciliação é o efeito do sacrifício de Cristo
no pecador arrependido (1 :13; Rom. 5:10).
Todas as coisas são restauradas no favor ATRAVÉS DELE, TANTO AS QUE
ESTÃO NA TERRA COMO AS QUE ESTÃO NOS CÉUS. Em Gênesis 3:17-19 Deus
declara estar a terra amaldiçoada por causa do homem; em Romanos 8:19,20
Paulo profetisa a remoção da maldição e a reconciliação da Criação com o
Criador. Apesar de que toda joelho se dobrará ante Ele (Filip. 2:10), nem
toda pessoa se reconciliará. Os impenitentes permanecem hostis para sempre.
Como se fez a reconciliação? TENDO FEITO A PAZ PELO SANGUE DA SUA CRUZ.
Fazer a paz é o equivalente a reconciliação (Mat. 5:9), e o instrumento
neste caso é a cruz, ou melhor, a morte de Cristo na cruz (v. 22). Sem o
derramamento de sangue inocente não há remissão (Heb. 9:22) . Apesar de toda
a sua suposta grandeza esses mediadores da versículo 16 nada tinham feito
para restaurar as perdidos ao favor de Deus. Por que deveriamos adorá-los ou
orar a eles? Jesus Cristo agrada-se da nossa adoração e súplicas. Ele
somente é digno delas .
Versículo 21. Voltando-se agora do Senhor Jesus Cristo (v. 13-20) para os
colossenses Paulo relembra-os da sua condição primeira de inconvertidos. A
frase, E A VÓS TAMBÉM, QUE NOUTRO TEMPO EREIS ESTRANHOS, E INIMIGOS,
certamente deve ter-lhes reavivado a memória sbre o que eram eles antes
que Cristo viesse e os modificasse (Ef. 2:11-19). A palavra também
fala de tempos anteriores assim como de uma sequência.. A Israel tinham sido
dadas as Sagradas Escrituras, a Israel foi dado o direito de acesso a Deus.
Os colossenses, juntamente com outros, eram estranhos a Deus e a Sua Palavra
(Ef. 4:18; Col. 2:13).
Não apenas estavam os colossenses separados de Deus, mas eram também
"hostis" a Ele. O incrédulo pode procurar fazer o bem (Rom. 7:19) e pode
mesmo procurar a Deus pelo que possa vir a obter, mas ele não procura. a
Deus pelo que Ele é (Rom. 3:11). Ao contrário, ele é francamente antagônico.
Nós como crentes devemos estar cuidadosos de não cair outra vez nesta
atitude da qual Ele nos redimiu. Tiago nos diz (4:4) que mera amizade com o
mundo é inimizade contra Deus.
A inimizade da incrédulo não é mais que o reflexo da sua natureza. Vossa
hostilidade é baseada. NO ENTENDIMENTO PELAS (VOSSAS) OBRAS MÁS. O
entendimento da qual ele se refere é o seu inteiro modo de pensar e de
sentir (Ef. 2:3). Nós falamos sobre liberdade de vontade. Na realidade,
nossa liberdade é tão limitada como a de um homem em um navio no oceano.
Ande por onde quiser, terminará ele no mesmo porto que o navio. Assim, todo
o tempo em que estivermos pensando que estamos fazendo livre escolha, a.
inclinação da nossa mente nos influencia e na verdade nos guia. O incrédulo
não pode ser nada a não ser inimigo de Deus; esta é a sua inclinação. Este
antagonismo manifesta-se em obras más. Com isto não se pretende negar que o
incrédulo faça várias obras "boas". Ele pode praticá-las, e ainda assim a
maioria das suas ações ser classificada de "má."
Versículo 22. Em contraste enfático à condição de seu estado anterior,
Paulo agora coloca a atual relação deles com Deus. AGORA CONTUDO (VOS)
RECONCILIOU. Eles tinham sido apartados, agora foram restaurados em
favor; eram antagônicos, agora são obedientes (Vide v. 20 para comentários
sobre reconciliar.)
Esta reconciliação foi trazida NO CORPO DA SUA CARNE, PELA MORTE.
Seu corpo e sangue (v. 20) são somente símbolos para chamar nossa atenção
para a. morte literal do Filho de Deus. Paulo dá ênfase ao corpo física de
nosso Senhor, pois foi por causa disto que os filosofos O desprezaram.10
É a morte do Homem na cruz que realiza nossa salvação, o inocente pelo
culpado, o infinito pelo mundo todo. Nunca. nos esqueçamos de que o preço
para nosso Senhor foi tremendo (Heb. 5:8) . Ele sofreu a dor física de uma
morte lenta, a. confusão emocional da vergonha e separação de Deus (Heb.
12:2; Mat. 27:46), e em terceiro lugar, a reação espiritual ao pecado que
foi lançado sobre Ele (II Cor. 5:21). Comprados por um preço tão tremendo,
como podemos ficar tão indiferentes?
Jesus pagou esse preço PARA perante Ele VOS APRESENTAR
SANTOS E INCULPÁVEIS E IRREPREENSÍVEIS. Comparai esta parte da
versículo com a última parte do versículo 28 onde praticamente a mesma idéia
é apresentada. No versículo 28 o programa de Deus é visto do ponto de vista
do esforço humano, enquanto aqui é visto do divino. Juntos, Deus e homem são
colaboradores para aperfeiçoar os Santos (I Cor. 3:9). O plano de Jesus para
vós e para mim é divino aqui em 3 aspectos: devemos ser santos, inculpáveis
e irrepreensíveis. Que glorioso testemunho teríamos se nos esforçássemos
para ser aquilo para o que Deus nos chamou!
Fomos chamados à santidade. Não devemos nos retrair e dizer, "Ninguém
nunca foi santo, então para que tentar." A perfeição pode ser impossível,
mas ainda assim Deus requer que sejamos santos (I Ped. 1:15,16). Há
dois aspectos de santidade: o negativo, uma vida sem pecado (I Tes.
5:22,23); e o positivo, uma vida cheia de frutos (Ef. 2:10).
A lnculpável é o antônimo de uma palavra significando "culpa",
"ridículo", "mácula", "desgraça" (II Ped. 2:13). Devemos viver de uma tal
maneira que nada disso caia sobre nós. Devemos ser inocentes quando
acusados, completamente livres de qualquer coisa que manche ou deslustre
nosso testemunho (I Tes . 5:22; II Tim. 2:22,23).
Finalmente, como cristãos devemos ser "irrepreensíveis." A palavra
significa "aquele que não é chamado a aparecer diante da tribunal" (I Tim.
3:10; Tito 1:6,7). Aqui Paulo vai um passo mais adiante; devemos ser não
somente puros e inocentes, mas também inacusáveis. Nestes dias de "culpa por
associação" devemos ser cuidadosos para nada fazer que possa ocasionar o
tropeço de um irmão. Paulo sentia que isto era tão importante que escreveu
sobre o assunto três capitulos aos coríntios (I Cor. 8-10) e um aos Romanos
(14).
Tudo do nosso testemunho cristão é primeiramente vista por Ele. Vivemos
DIANTE DELE e às Suas vistas. O mundo erra em seu julgamento, e
certamente assim sempre será, mas Deus não erra (Rom. 2:2,11) .
______________
1 Vide Tiago 2:1-9 (tratar todos os semelhantes em amor) Rom.
13:13 (viver honestamente); Mat. 6:1-4 (dar aos que necessitam) Rom. 12; e
passagems semelhantes.
2 Estas 2 palavras são praticamente sinônimas:
-
Dunamis
significa "poder," "força," "habilidade,"
"energia."
-
Kratos
significa "vigor," "força," "domínio."
Enquanto elas se confundem em alguns pontos, a primeira inclina-se mais
para habilidade latente, Mat. 25:15; I Cor. 4:19. Kratos, por outro
lado, traz a idéia de força ou domínio "expresso" e é usada somente para
Deus no Novo Testamento.
3 A palavra santos aparece 59 vezes no Novo Testamento,
quase sempre referindo-se aos crentes vivos. Três passagens (de Paulo) podem
ser tomadas como referência aos crentes que foram para a glória (I Cor. 6:2;
Col. 1:12; I Tess. 3:13) enquanto duas outras definitivamente referem-se a
crentes, embora seja difícil determinar-se exatamente se estão mortos ou
vivos (Ef. 1:18; II Tess. 1:10). Das 19 citações extra-paulinas da palavra,
todas, com exceção de três, referem-se a crentes vivos; uma dessas três
(Mat. 27:52) refere-se a personagens do Velho Testamento e duas (Apo.11:18;
19:8) a pessoas do Novo Testamento. Desde que os santos referidos no Livro
do Apocalipse apresentam as características de crentes renascidos (vide
especialmente 14:12; 17:8), a responsabilidade de provar repousa sobre
aqueles que sustentam o contrário que eles não são membros da Igreja
militante. Não há base no Novo Testamento para a interpretação do
Catolicismo Romano destas palavras. Mais de 90% das passagens referem-se a
crentes vivos independente de suas vidas ou milagres operados.
4Por exemplo, em João 1:12 é nos dado autoridade ou
direito de nos tornarmos fIlhos de Deus. Por outro lado, em Mateus 6:13
é força ou habilidade que pertence a Deus. A palavra em
João é exousia, aquela em Mateus é dunamis. Para uma nota
adicional para o último vide versículo 11. Para o primeiro, vide Mateus
7:29; 9:6.
5 A versão de Almeida insere "pelo do seu sangue." Quasi todos
os manuscritos omitem esta frase que foi provavelmente aditada de Ef. 1:7 da
qual é praticamente uma duplicata. Esta omissão em Col. 1:14 afeta a
doutrina de que somos salvos pela morte de Cristo no Calvário? Dificilmente,
pois a frase está firmemente defendida em Ef. 1:7 e a doutrina ensinada
através do Nova Testamento, especialmente em Hebreus. De fato, uma frase
mais forte aparece no versículo 20.
6 Protoktistos, um título comum usado entre os filósofos
de Alexandria.
7 É verdade que há uma dúvida se o artigo definido existe no
texto grego. As duas maiores autoridades para Colossenses (p 46 e B) têm o
artigo. Mesmo que Paulo o tenha omitido, o sentido exige que o coloquemos em
português e até que lhe demos ênfase.
8 Vide nota de Lightfoot sobre esta palavra, Colossians,
pp. 257-273.
9 Quando estivemos nós em relação perfeita com Deus?
Possivelmente antes da idade da responsabilidade. Contudo, Paulo
provavelmente se refere ao tempo antes de Adão pecar, quando a raça humana
através do seu progenitor tinha perfeito acesso à presença de Deus (Vide
Heb. 7:9,10).
10 Uma doutrina básica do gnosticismo era que desde que a
matéria é má, e Deus é puro espírito, Deus seria contaminado pela matéria.
Desde que Jesus Cristo teve um corpo, eles O consideram como o último e
menor dos espíritos intermediários entre Deus e o mundo.
-
IV. Relação de Paulo com as Igrejas (1:23-2:1)
-
-
1. Seu ministério (1:23-25)
-
a) Cumpre os sofrimentos de Cristo
-
b) Completa a Palavra
-
2. Sua mensagem: declaração do mistério o qual (1:26, 27)
-
a) estava oculto dos séculos
-
b) é agora revelado aos santos
-
c) é de especial benefício aos gentios
-
3. Seu motivo: apresentação de todo homem perfeito (1:28-2:3)
-
a) em geral; trabalha com todas as suas forças
-
b) em particular; combate por aqueles em Colossos
-
(1) para consolar seus corações
-
(2) para ensinar-lhes o mistério de Deus.
-
4. Seu mandamento (2:4-7)
-
a) Sede firmes
-
b) Não sejais enganados
-
c) Sabei que, apesar de ausente, Paulo está presente
-
d) Andai com Ele.
CAPÍTULO IV
RELAÇÃO DE PAULO COM AS IGREJAS
Tendo concluido este breve mas profundo estudo da pessoa e trabalho do
Senhor com um especial lembrete da mudança que Ele tinha forjado neles,
Paulo agora volta-se para sua própria relação com as igrejas. Ele assim o
faz a fim de lançar um fundamento para sua autoridade. Em seguida, ele
começa com algumas credenciais do seu ministério antes de chegar à sua
mensagem. Tinham seus falsos mestres alguns segredos filosóficos? E daí? Ele
revela-lhes o mistério do Deus e de que maneira isto os beneficia.
Passando rapidamente ao motivo que o impeliu a pregar e a sofrer por
Cristo, Paulo dá ênfase ao esforço que fez para "apresentar todo o homem
perfeito em Jesus Cristo" (v. 28). Isto era para impedir qualquer tentativa
da parte dos colossenses de acusá-lo de negligenciar de entregar a mensagem
completa de Deus. Em seguida, manda que eles permaneçam firmes na fé, não
prestando nenhuma atenção aos enganadores, e que comprendam que, embora ele
não possa estar com eles fisicamente, está com eles em espírito. Finalmente,
relembra-os de que devem andar em Cristo.
Versículo 23. Agora Paulo lança-lhes uma observação muito poderosa. SE
NA VERDADE PERMANECERDES NA FÉ deve tê-los levado a considerar para onde
esses falsos profetas os estavam guiando (2:8,18). "Se na verdade" é uma
forte e enfática combinação acrescentando uma verdadeira interrogação à
sentença. Iriam eles ou não continuar dentro do arcabouço da "fé" (Gál.
5:1-10)? Nesse caso "fé" tem o artigo definido e não se refere nem à
esperiência de salvação deles nem ao seu andar diário. Em vez disso, Paulo
está falando de um credo definido do Novo Testamento (2:7; Judas 3; II Tes.
3:2; I Tim. 3:9; 6:21). Poderiam essas inovações dos falsos mestres
enquadrar-se dentro das crenças aceitas pela igreja primitiva? A carta aos
colossenses é um sonoro não!
Os verbos FUNDADOS E FIRMES mostram-nos como devemos persistir "na
fé." O verbo traduzido "fundados" vem de um verbo grego significando "por um
fundamento" (Ef. 3:17). O outro, firmes, significa "permanecer
estabelecido" e "constante" depois de estarmos fundados na Rocha (I
Cor. 7:37; 15:58).
A pessoa que está fundada e que permanece firme em Cristo não é atingida
pelo perigo da segunda parte desta admoestação: E NÃO VOS MOVERDES DA
ESPERANÇA DO EVANGELHO. O homem que construiu na areia foi deslocado
pela tempestade, mas nada pode mover aquele que construiu em Cristo (Mat.
17:24-27). Devemos não somente crer, mas crer na fé que foi entregue
uma vez por todas à Igreja pelos apóstolos (I Tim. 6:20,21; Heb. 2:3). Não
devemos ser afastados da verdade, sempre em busca de algo novo. Aqui
esperança inclui mais do que nossa recompensa celestial (v. 5), pois envolve
também nossa salvação e tudo que a mensagem do Evangelho nos declara.
A verdade é o Evangelho O QUAL TENDES OUVIDO, O QUAL FOI PREGADO A
TODA A CRIATURA QUE HÁ DEBAIXO DO CÉU E DO QUAL EU, PAULO, ESTOU FEITO
MINISTRO. Os colossenses nao podiam apelar para a ignorância, não podiam
dizer que não sabiam. (Para a evangelização deles e uma discussão sobre
toda, vide os versiculos 6, 7). Paulo era um ministro do Evangelho, e
consequentemente, de Cristo (1:1; I Cor. 1:17). (Vide nota sobre ministro
no v. 7). Aqui a frase refere-se à sua chamada missionánia.
Versiculo 24. REGOZIJO-ME AGORA NO QUE PADEÇO POR VOS. Paulo não
somente sofreu grandemente pela igreja primitiva, mas também era grato pelo
privilégio que Deus lhe tinha dado de sofrer pelos outros. Pode algum de nós
comparar suas experiências com aquelas registradas em II Cor. 11:23-28? Que
temos nós sofrido? Não somente não temos sofrido, como também não nos
regozijamos na hora da provação e tentação! Somos melhores do que nosso
Senhor e do que Paulo para que escapemos da inimizade do mundo e de Satanaz?
Todos nós dever morrer pelos nossos próprios pecados. Conquanto Ele nos
tenha livrado dessa monte, Ele nunca prometeu que seríamos libertados
de perseguição ou mesmo da morte (João 15:20,21). "Todos quantos querem
viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos" (II Tim. 3:12). Do
primeiro século até hoje uma parte ou outra da Igreja tem sofrido
devastadoras perseguições por causa do nome de Cristo. Muitos têm dado suas
vidas por Ele. Por que deveríamos esperar ser poupados? Por que deveríamos
pensar que Deus nos ama tanto que não permitiria que perseguições se
levantassem em nosso dia? Em nossa terra? (Vide Heb. 12:6).
E NA MINHA CARNE CUMPRO O RESTO DAS AFLIÇÕES DE CRISTO.
A palavra
traduzida "resto" significa "carência" (Filip. 2:30), ou "falta" (II Cor.
8:14). Como é possível que qualquer coisa esteja faltando no sacrifício do
Senhor? Não disse Ele mesmo, "Está consumado"? (João 19:30). Que o
sacrifício de Cristo foi perfeito e completo é visto em que o Pai estava
plenamente satisfeito com ele (Filip. 2:9-11). Que está faltando, pois?
Falta a proclamação desta salvação ao mundo. Certamente Satanaz, que lutou
ao máximo para impedir o Filho de Deus, não vai sentar-se e permtir que
carreguemos livremente a mensagem atravês do mundo. De maneira que temos uma
abençoada oportunidade de sofrer por Ele e por outros. O verbo Cumprir
é forte e significa "preencher completamente." Será que Deus nos
permitiria nesta geração evangelizar todos aqueles que ainda não O conhecem?
Os sofrimentos físicos de Paulo eram PELO SEU CORPO QUE É A IGREJA.
Desde que nossos sofrimentos completam os do nosso Salvador, e desde que
Sua paixão continha valor salvador para todo o mundo, a seguinte questão
está pronta a ser levantada: "Quanto mérito têm nossos sofrimentos pelos
outros?" De acordo com a doutrina Católica Romana nossos sofrimentos e morte
são méritos redentores quando estamos em união com Ele. Primeiro de tudo;
notamos que eles não podem ser redentores. A Igreja já tinha sido
comprada e constituida por Cristo (I João 2:2). Apesar de que Paulo ter
sofrido por eles, eles não foram salvos por Paulo (I Cor. 1:13). Segundo,
nossos sofrimentos proclamam ao mundo nossa relação com o Senhor (João
15:18-23). Finalmente, somos meramente os "meios" de espalhar a história do
Evangelho. Se os sofrimentos do Criador infinito não pagaram plenamente o
preço, que poderiam nossas tribulações adicionar às dEle? Nada!
Versículo 25. DA QUAL, da Igreja universal pela qual ele sofre,
EU ESTOU FEITO MINISTRO. Ministro é usado aqui no sentido oficial.
Paulo, Epafras e Arquipo (4:17) são o que poderiamos chamar "acreditados" ou
"aceitos" mestres da Palavra. Ao contrário de "ministro do Evangelho" no
versículo 23 que significa missionário, a frase "ministro da igreja"
refere-se à sua comissão de ensinar os mistérios revelados àqueles que
crêem. Paulo ministrou SEGUNDO A DISPENSAÇÃO. A Dispensação
significa a "regulamento da casa"; por consequência, dispenseiro ou
administrador (Lucas 16:1-4). Desde o dia da sua salvação Paulo sabia o que
Deus tinha para ele (Atos 9:15,16) e partiu para fazê-lo de acordo com o
cargo de dispenseiro que lhe tinha side dado (I Cor. 9:17; Ef. 3:7-10).
A empresa era DE DEUS, i.é., Deus era igualmente autor, doador e
em análise final, proprietário. QUE ME FOI CONCEDIDA. Do nós mesmos
não temos nada: tudo que temos foi recebido. Multipliquemos nossos talentos
para Sua honra e glória (Mat. 25:14-30). PARA CONVOSCO, i.é, para os
gentios em geral (Atos 9:15), apesar de seu ministério centralizar
especialmente na Ásia Menor onde ele passou a maioria da sua vida. Conquanto
nunca tivesse visitado Colossos (1:4; 2:1), pôs o fundamento da sua
evangelização para alcançar com o Evangelho Éfeso e outros largos centros da
Ásia Menor.
O propósito da administração de Paulo era PARA CUMPRIR A PALAVRA DE
DEUS. O verbo cumprir é aquele do qual plenitude (v. 19)
vem, e significa encher, aperfeiçoar, completar (João 3:29), especialmente
completar aquilo que está faltando (Filip. 4:18) Obviamente Paulo não pode
aperfeiçoar coisa alguma feita por Deus. Paulo não inventou nada novo, ao
contrário ele desenvolve e esclarece aquilo que está latente no Evangelho.
Aqui palavra serve para a mensagem total de Deus (vide 1:5).
Versículo 26. "A saber"--deveria ter sido colocado aqui para ligar o
"mistério" aqui mencionado com a "palavra de Deus" do versículo 25. O
MISTÉRIO QUE ESTEVE OCULTO. Mistério é uma palavra grega transliterada
que significa "secreto" ou "oculto". As religiões do Oriente Próximo
usavam-na para referir-se a um certo ramo do conhecimento que era revelado
somente àqueles que eram iniciados na seita. Alguns acham que Paulo estava
definitivamente influenciado por elas, alegando que o uso que ele faz da
palavra mistério prova isto. Contudo, os segredos delas eram apenas
para os iniciados; Paulo declara que os do Deus são para ser conhecidos de
todo o mundo (Ef. 3:9,10).
Um mistério do Novo Testamento1 descobre a múltipla sabedoria de
Deus (Ef. 3:10). A idéia fundamental é que a verdade revelada por Deus não
foi descoberta pelo homem, nem mesmo o poderia ser (Ef .3:3,5). Contudo uma
certa porção de obscuridade permanece para o homem natural, como é visto na
frase esteve oculto. Este verbo está no Pretérito Perfeito do grego e
implica que, conquanto revelado, uma parte permanece oculta (I Cor. 2:13,14;
Mat. 13:9-11). Apesar de ter sido imperfeitamente compreendido, nosso Senhor
falou abertamente em parábolas, e o apóstolo Paulo pediu orações em seu
benefício de maneira que ele pudesse abertamente proclamar o mistério do
Evangelho (Ef. 6:19).
De quem estava o mistério escondido? DOS SÉCULOS E DAS GERAÇÕES.
Conquanto estas palavras normalmente se refiram a tempo (Ef. 3:5), aqui elas
estão em contraste com santos. Num sentido elas referem-se a todos os
incrédulos do passado (I Cor. 2:7-10), mas particularmente aos santos do
Velho Testamento que não compreenderam ou previram um povo de Deus
judaico-gentílico. E QUE AGORA FOI MANIFESTO AOS SEUS SANTOS. Santos
aqui dificilmente se refere a Israel, pois este povo era justamente aquele
que combateu tão arduamente o ministério gentílico de Paulo. Deve se referir
aos crentes vivos, especialmente aos lideres (Ef. 3:5). (Vide notas sobre
1:2,12).
Versículo 27. AOS QUAIS DEUS QUIS DAR A CONHECER. Os santos do
versículo 26, especialmente os judeus convertidos, não podiam admitir que os
gentios fossem admitidos a Igreja somente pela fé o que fossem coherdeiros
com eles (Ef. 2:19;3:6). Através de todo seu ministério Paulo foi aborrecido
por eles.2 Como em 2:1 quis aqui significa "deseja". Deus
desejava, apesar de que não tenha insistido, que eles compreendessem (Ezeq.
33:11).
QUAL SEJA A RIQUEZA DA GLORIA DESTE MISTÉRIO ENTRE OS GENTIOS.
Paulo amontoa adjetivos e frases para mostrar a importância deste mistério.
QUE É CRISTO EM VÓS. Aqui a união com Cristo que nosso Senhor
prometeu a Seus discipulos (João 14:23) foi estendida para incluir os
colossenses que eram predominantemente gentios (1:2; Oséias 2:23). A
preposição em implica uma relação constanto e imutável com o Criador.
Esta união irradia-se em muitas direções: intelectualmente podemos ter a
"mente de Cristo" (I Cor. 2:16), espiritualmente podemos ter de novo aquele
andar de Adão com Deus o Santo, fisicamente podemos reclinar-nos nos braços
eternos (1:11), etc. O resultado é mais do que uma restauração da imagem de
Deus a qual Adão perdeu (vido 1:15). Nossas vidas deveriam ser verdadeiras
reencarnações do Filho de Deus (Gál. 2:20; Filip. 1:21).
Paulo elabora acrescentando A ESPERANÇA DA GLORIA. A Glória
aqui não tem nada que ver com brilhantismo, ao contrário, refere-se a Deus
mesmo. O da pode indicar, ou origem (a glória vem de Deus),
propriedade (ela pertence a Deus), ou finalidade (glorificação). O terceiro
dificilmente poderá ser escolhido, pois o Cristo interno não nos
incita a desejarmos ser exaltados. Paulo provavelmente quis significar uma
das duas primeiras possibilidades, ou ambas. Quanto à esperança pode
se referir a vós (únicos embaixadores de Deus), ou até mesmo à toda a
frase "Cristo em vós" (o desejo de Deus para o crente). As duas são
semelhantes e provavelmente foi intenção de Paulo usar a ambas. Finalmente.
Paulo introduz a última frase com a quem, a qual liga mistério e
Cristo em vós como equivalentes. Desta forma; mistério = Cristo em vós =
esperança da glória. Os três são basicamente o mesmo.
Versículo 28. A QUE ANUNCIAMOS. Em grego, onde o pronome deve
concordar em gênero com o antecedente, Cristo é excluido porque é masculino.
A que, sendo neutro, refere-se a mistério. Em I Cor. 2:2 Paulo
limitou sua pregação entre os incrédulos a "Cristo crucificado", a base
da redenção. O mistério (vide 1:27) é o resultado da redenção nesta vida
(Ef. 4:24). A ambos deve ser dada ênfase. Sem o primeiro, o segundo é
impossivel, sem o segundo, o primeiro resulta em cristãos defeituosos.
Paulo prega ADMOESTANDO A TODO O HOMEM, E ENSINANDO A TODO O HOMEM EM
TODA A SABEDORIA. Ele admoesta o perdido e ensina o salvo (Comp. I Cor.
2:1-5 com I Cor. 2:6-16). O verbo admoestar significa "advertir do
julgamento a vir" (II Cor. 5:11; Ezeq. 3:17-21). Sua visão era ilimitada:
"todo incrédulo para Cristo." A segunda parte do Evangelismo de Paulo,
ensinando todo homem, é primariamente dirigida àqueles que atendem ao
Evangelho (I Cor. 2:6). Paulo procurava treinar homens e mulheres para levar
seu mesmo tipo de ministério (II Tim. 2:2). A mensagem de Paulo não foi
modelada pela sabedoria dos homens; era de Deus (1:9; I Cor. 1:18-24,30).
Ele diz "toda sabedoria" para mostrar que ele não retinha nada (Atos 20:27).
O ministério de Paulo estava toda ligado a um ideal: PARA QUE
APRESENTEMOS TODO O HOMEM PERFEITO EM JESUS CRISTO. Nestas palavras está
resumido o propósito do seu sofrimento (v. 24) a sua pregação (v. 27). Paulo
se apresenta como um sacordote oferecendo homens perfeitos a Deus (I Tes.
2:19,20). Ele queria apresentar "todo o homem" a Deus e para alcançar sua
finalidade viajou a pé milhares de quilômetros, pregou em muitas partes do
Império Romano o esforçou-eso ao máximo (v. 29) para ganhar tantas almas
quanto possível para o Senhor. Que esforço temos feito?
Contudo, sua finalidade não era apenas ganhar almas, mas também
conduzí-las à perfeição. Notai que ele diz "todo o homem perfeito." Prefeito
significa amadurecido, completamente bom, perfeito em caráter. Da Biblia
(Mat. 5:48; Deut. 18:13) aprendemos que Deus exige perfeição do Seu
povo; pela vida diária notamos que nenhum homem é perfeito. Alguém poderá
reconciliar as duas coisas dizendo que a palavra não inclui perfeição sem
pecado. Mas como pode o pecado ser dissimulado na perfeição exigida em
Colossenses 4:12? Filipenses 3 indica como reconciliar estes dois
pensamentos. No versículo 15 Paulo inclui-se entre os que são perfeitos,
contudo no versículo 12 do mesmo capítulo ele nega que seja perfeito. O
primeiro indica a perfeição que recebemos no momenta da salvação, o segundo
temos que lutar por alcançar (II Cor. 7:1).3 Nós estamos unidos a
Cristo: nossas vidas devem medir-se pelo Seu exemplo (Ef. 4:13; I João 2:6).
Como? (Vide Col. 3:14).
Versículo 29. No versículo 28 Paulo declarou o "fim": PARA ISTO TAMBÉM
TRABALHO. Agora ele nos diz "como". Trabalho é uma palavra forte,
indicando o tremendo esforço que Paulo fez para ganhar as perdidos (I Tes.
2:9). Seu testemunho não foi regido por oportunidades superficiais (Atos
18:4,5). Ele junta o particípio presente COMBATENDO para dar a idéia
do contínuo impulso, do tremendo esforço dele para vencer (I Cor. 9:24-27).
Seu trabalho foi bem sucedido porque foi SEGUNDO A SUA EFICÁCIA, PELO
QUE ELE OBRA EM MIM PODEROSAMENTE. O substantivo e o verbo são da mesma
raiz e juntos fortalecem a idéia do auxílio que Deus extende àqueles que se
gastam a si próprias por Ele. O sentido básico das palavras é poder ativo e
efetivo (2:12; Ef. 4:16; Gal. 2:8). Não há cristão que não possa extrair
recursos do Deus Todopoderoso. O segundo a liga juntamente o esforço
de Paulo e a autorização de Deus. Eis aqui o segredo. Assim como no
versículo 11 Deus não fortalece por amor à força, assim aqui Ele trabalha
poderosamente somente naqueles que estão fazenda o máximo para servi-lO.
Podemos vós e eu dizer que estamos usando nossos talentos ao máximo por Ele?
Se não, isto explica porque não experimentamos o tremendo poder de Deus em
nosso ministério por Ele!
Cap. II. Versículo 1. Chegamos agora à relevância do ministério de Paulo,
uma vez que o mesmo afetava especialmente os colossenses. Até este ponto ele
tem falado em termos gerais, palavras que poderiam ter sido enviadas a quasi
qualquer igreja. QUERO QUE SAIBAIS. Estará ele se jactando, como foi
forçado a fazer em II Cor. 11? Ao contrário, ele quer que eles saibam que
seu interesse não é uma fantasia passageira, e sim que está ancioso para que
eles venham a completo entendimento do mistério que ele esboçou em 1:27
(Vide v. 2).
QUAO GRANDE COMBATE
testifica da veracidedo do interesse de Paulo.
A palavra combate quando transliterada em português é "agonia" e
significa uma "violenta luta". Apesar de Paulo estar na prisão, ele não se
limitava à orações profundas em benefício deles. Em adição à muita oração
ele enviou-lhes uma carta, e um dos seus colaboradores (Tíquico) para
encorajá-los (4:7,8).
TENHO POR VÓS E PELOS QUE ESTÃO EM LAODICÉIA.
Já notamos (1:2) que
Colossos ficava no Vale de Licus, à margem do rio. Laodicéia ficava somente
15 a 20 quilômetros distantes e era maior e mais próspera.4
ATÉ dá idéia de que Paulo não conhecia a maioria das pessoas
nessas igrejas, de que ele não as tinha provavelmente visitado. O fato de
que a cidade foi evangelizada por Epafras até o fim da estada de Paulo em
Éfeso concorda com esta interpretação. Depois que Paulo foi expulso de Éfeso
(Atos 20:1), não teve ele nunca outra oportunidade de visitar Colossos.
Cerca de 6 anos tinham so passado entre este incidente e a escrita desta
carta (Vide 1:4). Em lugar de usar a deselegante construção POR QUANTOS
NÃO ViRAM O MEU ROSTO EM CARNE, escreveríamos "por quantos nunca me
encontraram." Apesar de que ele não saudasse nenhum deles pessoalmente,
Paulo indubitavelmente conhecia alguns deles das suas viagens a Éfeso.
Apesar disso, muitos anos tinham se passado, e a grande maioria tinha sido
convertida depois que ele deixou Éfeso.
Versículo 2. Aqui Paulo dá a razão da sua fervente oração d versículo 1;
a saber, PARA QUE OS SEUS CORAÇÕES SEJAM CONSOLADOS. Ele
particularmente desejava firmar na fé aqueles que lhe eram desconhecidos (v.
1). O coração é o lugar dos sentimentos, e afeições colocadas erroneamente
levam a mente a caminhos tortuosos e à conclusões errôneas. Ele deseja que
eles tenham segurança em lugar de serem constantemente inquietados
doutrinariamente (Ef. 4:14). Ao nos esforçarmos para extirpar erros e
doutrinar os filhos de Deus devemos ser cuidadosos em não pisotear seus
sentimentos. Devemos corrigir (II Tim. 3:16), mas devemos fazê-lo de tal
maneira que os comforte o os atraia para mais perto de Deus.
Este consolo do coração é trazido por estarem unidos. Conquanto não haja
lugar para divisões do tipo mencionado em I Cor. 1, ainda assim onde uma
matéria de princípios é envolvida, Paulo não tem medo de permanecer sozinho
contra a maioria (Gál. 2:11-14; Atos 15:36-41). A união verdadeira não é
para ser procurada no terreno da transigência, mas sim EM AMOR PARA TODA
RlQUESA DA PLENA CONVICÇAO DO ENTENDlMENTO, PARA PLENO CONHECIMENTO DO
MlSTÉRIO DE DEUS--CR1STO. Amor e humildado devem motivar nossos esforços
para converter outros às nossas crenças (Filip. 2:3,4). Feito com qualquer
outro espírito nossas tentativas resultarão em fracasso, desentendimentos e
sentimentos feridos.
O Entendimento é mais do que conhecimento, é a compreensão
das inferências, um claro discernimento intelectual dos "por ques" e dos
"motivos." A maioria de nós está satisfeita com os fatos da história do
Evangelho sem aplicar seus princípios ao nosso viver diário (Vide também
1:9). Apesar de raramente usada no Novo Testamento, "convicção plena" é
muito impressiva, sua ênfase estando no absolutismo da convicção (Tiago
4:17; Rom. 14:23). Paulo visava nada menos do que o perfeito conhecimento da
pessoa e trabalho de Cristo da parte de seus leitores. Quando isto é
atingido, há uma riqueza de comunhão, uma profundeza de percepção, e paz e
segurança de espírito que não pode ser abalada por falsos mestres.
Segundo, Paulo queria que eles tivessem "pleno conhecimento do mistério
de DeusCristo". Em um sentido isto é a explicação e a elaboração da frase
precedente: Pleno conhecimento está aqui em oposição direta à chamada
ciência especial dos falsos mestres (vide nota em 1:6). (Para o significado
de mistério vide as notas sobre 1:26). Apesar disto estar basicamente
no mesmo contexto com 1:27, o mistério de que Paulo fala aqui é diferente
daquele lá mencionado Neste caso o mistério é o Messias, o filho unigênito
de Deus (I Tim. 3:16; Col. 1:14-22).5 Não é de se espantar que os
filósofos pagãos não podessem compreender o Senhor Jesus Cristo, muito menos
relegá-lO a um mero lugar na filosofia grega.
Versículo 3. No versículo 2 Paulo declarou que o mistério de Deus é
Cristo. Agora ele elabora. EM QUEM ESTÃO ESCONDIDOS TODOS OS TESOUROS DA
SABEDORIA E DA CIÊNCIA. Esconder aqui não significa encobrir para ser
invisível ou oculto. Antes, denota que essas coisas formam de tal maneira
uma parte do Senhor que não podem ser removidas dEle. Deseja-se significar a
essência da sabedoria e da ciência. Aqui elas são aproximadamente
equivalentes à uma parte da plenitude que habita nEle (1:19). (Para
sabedoria vide 1:9 e para ciência 1:6). Podemos obter uma porçao
divina desta sabedoria e deste conhecimento pedindo-as em oração (1:9; Tiago
1:5; I Cor. 2:6) Não há necessidade e não há desculpa para todas as
especulações ignorantes que se ouve no meio do povo de Deus. Nunca podemos
alcançar a perfeição, mas podemos todos melhorar a nossa vida e sabedoria
espiritual.
Versículo 4. Agora o motivo de Paulo para escrever: DIGO ISTO. Notai que
ele não ordena que eles expulsem seus falsos mestres. Muito menos lhes diz
para taparem seus ouvidos ou queimarem os livros heréticos. Em lugar disso,
ele diz QUE NINGUÉM VOS ENGANE. Ele lhes tinha dado a verdade a
respeito de Cristo e espera que eles estejam aptos a se haver com os falsos
mestres. Quais eram algumas das falsidades que foram apresentadas aos
colossenses? (Vide Cap. I; Col. 1:16; 2:8, 16-19, 20-23). Somente os
fracamente treinados são iludidos por uma imitação. Em lugar de perdermos
nosso tempo estudando toda sorte de falsos evangelhos a fim de combatê-los,
devemos estudar a verdade e conhece-la tão bem que possamos reconhecer
qualquer discrepância da mesma.
Todos os impostores procuram laçar suas vítimas COM PALAVRAS
PERSUASIVAS, palavras que soam plausivas, palavras que têm um som de
verdade, e contudo estão cheias de erros. Desde o primeiro século a Igreja
tem sofrido insediosos ataques internos (Atos 15; I Pedro 2:1-3; Judas 3,
4). Muitos negam a verdade pela sua omissão silenciosa. Não devemos ficar
satisfeitos apenas com um ministério experiente, o homem simples que se
assenta no banco da igreja deve também ser bem treinado na verdade.
Versículo 5. PORQUE AINDA QUE ESTEJA AUSENTE QUANTO AO CORPO, CONTUDO
EM ESPÍRITO ESTOU CONVOSCO. O apóstolo Paulo não podia estar presente em
toda parte. Enquanto se assentava envelhecendo numa prisão romana, o cuidado
de todas as suas igrejas pesava grandemente sobre ele (II Cor. 11:28).
Estava ele afastado em Roma? Seu amor a cada igreja e seu desejo de
ajudá-las em seus problemas individuais fazia com que ele estivesse presente
espiritualmente com todas elas (I Cor. 5:3).
De que a mensagem de Epafras (1:7) não foi inteiramente desagradável,
deduz-se da frase, REGOZIJANDO-ME E VENDO A VOSSA ORDEM. Seu
interesse por eles era tão genuino que ele estava pronto a regozijar-se
pelos pontos bons. Ao contrário dos corintos (I Cor. 11:17) os colossenses
podiam ser elogiados por sua conduta regular, especialmente nas suas
reuniões.
E A FIRMEZA DA VOSSA FÉ EM CRISTO.
Paulo também se rogozijava de
que eles estivessem firmes, sólidos, firmados na sua fé (I Pedro 5:9).
Muitos foram confundidos pelos falsos mestres, mas evidentemente a maior
porção permaneceu firme naquilo em que tinham sido ensinados. Esta carta foi
um baluarte para os indecisos, uma sólida reafirmação para aqueles que
estavam firmes e um selo de aprovação no ministério de Epafras. Fé aqui pode
referir-se à sua crença continua (Heb. 10:38) ou ao seu credo (1:23).
Possivelmente Paulo tinha em mente ambos os sentidos, mas o último é mais
provável. Notai outra vez que não é apenas "fé", mas fé fundada em Jesus
Cristo (1:27: 2:2,6).
Versículo 6. COMO, POlS RECEBESTES O SENHOR JESUS CRISTO, ASSIM TAMBÉM
ANDAI NELE. Como os gálatas (Gal. 3:1-5), alguns dos colossenses estavam
enamorados de certas especulações (1:16, 2:8, 16-23). Paulo não expressa
aqui dúvida sobre a salvação deles. Em vez disso, mostra a lógica e a
necessidade de continuarem nEle que lhes tinha trazido sua salvação (1:22).
O pois refere-se à declaração de Epafras a Paulo da conversão deles
(1:4) e resume o inteiro argumento da supremacia de Cristo de 1:14 a 2:5.
Desde que Jesus Cristo é preeminente sobre tudo, a imagem de Deus, o Criador
de tudo, etc., por que deveria haver o mínimo desejo que fosse de se
procurar outros mediadores? Jesus é o Messias, o Ungido de Deus. Ele é a
Palavra, a mensagem de Deus ao homem. Ele é também o Senhor, o Jeová do
Velho Testamento (Filip. 2:11). (Vide 1:1,2).
Eles tinham "recebido" o Senhor pela simples fé; eles O tinham recebido
não somente como Salvador, mas também como a chave para vida e felicidade.
Se foi nocessário a pessoa dEle para libertá-los da perdição eterna, Ele
também é necessário para guiar e dirigir o cristão nas éscolhas diárias que
a vida lhe impõe (João 6:39; Rom. 8:35-39). Somos ordenados a "andar nEle".
Nós todos vivemos e nos movimentamos e temos nossa vida em Cristo, todos
somos sustentados por Ele (1:17). A começar de 3:5-17 Paulo mostra como o
cristão deve andar. Que contraste entre esses ideais e a vida vivida antes
da conversão! Sem a absoluta e continua dependência dEle não poderemos nunca
por esses ideais em prática. (Sobre andar vide também 1:10; 3:7).
Versículo 7. Esta é uma explicação e uma ampliação do mandamento dado no
versículo 6. ARRAIGADOS E SOBREEDIFICADOS NELE. O verbo arraigar
fala da salvação, os primeiros passos dados na nova vida. Uma árvore deve
crescer para dentro da terra antes de subir. Deve haver um firme fundamento
e continua fonte de vida. Arraigados corresponde a recebido do
versículo 6. Sobreedificados continua o pensamento da planta que
começou a crescer. Refere-se ao crescimento em Jesus Cristo, e corresponde a
"andar" do versículo 6. Paulo não quer significar que obteremos igualdade
com Ele, mas ao contrário de que devemos procurar nEle e nEle somente a
satisfação de todas as nossas necessidades espirituais. Ele sozinho é
suficiente. Se por acaso existe outros mediadores (1:16), estão eles abaixo
dEle em posição, poder e pessoa. Paulo agora acrescenta um elemento não
exposto no versículo 6. E RESOLUTOS NA FÉ, ASSIM COMO FOSTES ENS1NADOS.
Ser resoluto é estar estabelecido e constante sem vacilar (I
Cor. 1:8; e a idéia de Ef. 4:14). Tendo sido salvos e ensinados em Cristo,
devemos ficar firmes em nossa lealdade para com Ele.
Como em 1:23, fé aqui se refere a alguma sorte de credo ao redor do qual
Epafras tinha edificado seu ensinamento. Qualquer outra coisa que tivesse
sido incluida na doutrina, certamente era um conceito altamente desenvolvido
da pessoa e do trabalho do Senhor (1:14-22). Desta forma, não havia
necessidade de ignorância ou heresia; a eles "tinha sido ensinada" a verdade
de Deus. Nem era sua limitação a Jesus Cristo e à "fé aceita" para ser
considerado um trabalho sem proveito. ABUNDANDO EM AÇÃO DE GRAÇAS.
Ação de graças pelo que Cristo tinha feito e estava fazendo por eles.
Gratidão enquadra-se a qualquer um de nós. Devemos mostrar a Deus, por obras
e palavras que somos realmente gratos (Vide 1:12).
________
1 Há vários mistérios distintos mencionados no Nova Testamento (I
Cor. 13:2): o arrebatamento dos crentes (I Cor. 15:51-53); de que os judeus
e gentios juntos formariam uma Igreja (Ef. 3:8; Rom. 11:25); a união de
Cristo e a Igreja (Ef. 5:31,32); Cristo Mesmo (Col. 2:2; I Tim. 3:16; I Cor.
2:7,8); a fé (I Tim. 3:9); as sete estrelas e os sete candelabras (Apo.
1:20); o reino do céu (Mat. 13:11); e a revelação dos poderes do Anti-Cristo
(II Tes. 2:6-10; Apo. 17:5-7).
2 Atos 11:14; 15:1-14; 21:18-26; Gal. 2:4-14.
3 Quando uma criança nasce, tem todos os ossos, músculos e nervos
que sempre terá. É perfeita, ou homem completa. Contudo ninguém quer que uma
criança permaneça para sempre neste estado. Somente quando está
completamente desenvolvida fisicamente podemos dizer que é perfeita em ambos
os sentidos. Deus não quer que permaneçamos infantes espirituais..
4 J. B. Lightfoot, Colossians, pp. 5-8. (Vide 4:13; Apo.
1:11; 3:14-22).
5 Há uma soma tremenda de confusão entre os manuscritos quanto à
correta leitura aqui. Há cerca de nove diferenças principais, desde
meramente "mistério de Deus", a "mistério de Deus, a saber O Pai e de
Cristo." Um manuscrito omite tudo depois de mistério. O texto de Nestle
segue p 46, B, e Hilário. (Vide Cap. I)
V. A Exposição de Paulo da Superioridade de Cristo (2:8-19)
-
1. Não deixeis que ninguém vos engane (2:8-19)
-
a) Cristo tem a plenitude de Deus (v. 9)
-
b) Cristo é o Salvador dos gentios (vv. 10-13)
-
1) Somos perfeitos nEle
-
2) Somos espiritualmente circuncidados por Ele
-
3) Somos vivificados nEle
-
4) Somos perdoados por Ele
-
c) Cristo aboliu o poder da lei (v. 14)
-
d) Cristo triunfou sobre as potestades espirituais (v. 15)
-
1) Ele despojou-as
-
2) Ele as expôs publicamente
-
2. Não deixeis coisa alguma tomar o lugar de Cristo (2:16,17)
-
3. Não deixeis que ninguém seja a causa de que diminuais a Cristo
(2:18,19)
CAPÍTULO V
EXPOSIÇÃO DE PAULO DA SUPERIORIDADE DE CRISTO
Chegamos agora a outro parágrafo que, como 1:14-22, é devotado à
exaltação de Jesus Cristo sobre todos os outros seres. Esta parte da
carta está construida sobre três advertências. Primeira, não vos deixeis
arrastar atrás de qualquer filosofia humana que tome o lugar de Cristo.
Relativo a este aviso Paulo amplifica a afirmação de 1:19 e relembra seus
leitores de que é a "plenitude do pai" que habita em Cristo. Em seguida
prossegue a mostrar algumas das tremendas coisas que nosso Senhor tem feito
por nós, especialmente pelos gentios. Do pedestal assim construido Paulo
lança duas outras solenes advertências: não deixeis que coisa alguma tome o
lugar preeminente de Cristo, e não deixeis que ninguém seja causa de que O
negueis.
Versículo 8. TENDE CUIDADO PARA QUE NlNGUÉM VOS FAÇA PRESA SUA é
um mandamento enfático, um esforço para fazê-los cair na consciência da sua
posição perigosa. Mantende vossos olhos abertos e vigilantes (Ezeq.
3:17-21). Geralmente é o ignorante e o desprevenido que são roubados (Lucas
12:39), que são vítimas de impostura. Devemos todos estar bem firmados na
Palavra se quizermos ver através dos ataques sutis de Satanaz.
Os meios de arrastar o confiado é POR MElO DE FILOSOFIA QUE É UMA VÃ
FRAUDE. Filosofia é o esforço do homem para alcançar e entender a Deus e
Seu universo por suas próprias forças. Não atinge o alvo (I Cor. 1 :21), e
desta maneira é muito perigoso (1 Tim. 6:20, 21). Estudai a argumentação do
homem pelo que ela vale, contudo tende cuidado para não cair na disposição
de espírito que laçou os atenienses (Atos 17:18-21). Vã fraude é aqui
um sinônimo para filosofia. Comparai as "nuvens sem chuva" de Judas;
bonitas, contudo quão inúteis. Esperanças são levantadas somente para serem
demolidas.
SEGUNDO A TRADIÇÃO DOS HOMENS. Tradição
não é necessariamente má
em si. Basicamente a palavra se refere a um grupo de ditos ou doutrinas
passadas de um para outro (Gál. 1:14; I Cor. 11:2). Podem ser boas (II Tes.
2:15; 3:6), inúteis (I Pedro 1:18), ou definitivamente malévolas quando
entrain em conflito com a Palavra de Deus (Mat. 15:1-9). No caso de Col. 2:8
a tradição definitivamente pertence ao último grupo, pois está em oposição à
sã doutrina revelada em Cristo.
SEGUNDO OS RUDIMENTOS DO MUNDO.1 Do versiculo 20 descobrimos que
os "rudimentos" referem-se à observância religiosa de certos "sins"" e
"nãos" (2:20-23). É o esforço do homem para alcançar a Deus pelo
auto-sacrifício e boas obras. A guarda da lei não pode salvar (Gál. 2:16;
Ef. 2:8, 9). O perigo de toda filosofia é que pode cair sob a condenação de
NÃO SEGUNDO CRISTO. Em todas as nossas tentativas de aproximação a
Deus devemos nos lembrar de que é somente no e através de nosso Salvador que
temos acesso a Deus. Acautelai-vos de qualquer sistema que menospreze ou
deixe de exaltar a Jesus Cristo, o filho unigênito de Deus (João 1:18).
Versiculo 9. Para responder o "por que?" que tem de levantar-se depois da
leitura do versículo 8, Paulo começa este com um "PORQUE". Ele
chama-lhes a atenção para o fato já demonstrado (1:19) de que NELE HABITA
TODA A PLENITUDE. Em indica um estado de repouso, i.é, Ele não recebeu a
plenitude, mas antes foi sempre habitado por ela. Notai que é nEle e nEle
somente. E por causa disso que Paulo nos ordena que andemos nEle, que
sejamos firmados e construidos nEle (vv. 6-7). Ele só é digno, Ele somente é
capaz de satisfazer nossas necessidades espirituais. (Vide 1:19 para uma
observação sobre plenitude.)
Aqui o apóstolo claramente afirma a essência da plenitude--é DA
DIVINDADE. A composição da palavra divindade indica "aquele que
tem as qualidades de Deus", consequentemente "divino" (Comp. Rom. 1:20 onde
a palavra é ligeiramente diferente.) CORPORALMENTE é um advérbio
indicando a maneira pela qual a plenitude habita em Cristo. Aqui, não tem
nada que ver com um corpo físico. Antes, significa "inteiramente" ou "como
um todo."2
Versículo 10. Tendo lembrado a seus leitores uma vez mais de que Jesus
Cristo é o mais enaltecido de todos os seres (v. 9) Paulo agora volta-se
para aquilo que Ele faz para nós E ESTAIS PERFEITOS NELE. Um dos mais
caracteristicos conceitos de Paulo é aquele de estar "em Cristo." A idéia
está presente em toda parte em Colossenses e é a mais das vezes representada
por "nEle". Há vinte e uma referências à nossa relação com o Senhor Jesus
nos dois primeiros capitulos, fazendo uma média de quase uma referência para
cada dois versos. Apesar de que João não escreveu o discurso do Senhor sobre
a videira e as varas (João 15) senão muitos anos depois da morte de Paulo, a
frase de Paulo pode muito bem ter tido sua origem em uma transmissão oral do
dito discurso. Ambos em Mim de nosso Senhor e em Cristo de
Paulo referem-se a muito mais do que apenas a "posição" do crente. Estar "em
Cristo" é andar e conversar com Ele, ser controlado por Ele.
É impossível interpretar perfeitas em português com apenas uma
palavra. Significa encher, tomar completo, completar em cada particular,
aperfeiçoar (Mat. 13:48; João 3:29). É desta palavra que "plenitude" (V. 9)
é cunhada. Paulo de um fólego declara que a plenitude habita somente em
Cristo e, na outra, que Ele nos enche com ela (Ef. 3:19). Tornamo-nos
templos do Espírito Santo (I Cor. 6:19) e deveríamos ser vivas reencarnações
de Cristo (Gál. 2:20; Filip. 1:21). Por isso devemos viver de acordo com a
perfeição do Filho de Deus (Cp. Ef. 4:13).
QUE E A CABEQA DE TODA A SOBERANIA E AUTORIDADE.
Jesus Cristo é o
diretor ou "patrão" de todo homem (I Cor. 11:3), mas especialmente da Igreja
(1:18). Ele criou o homem; Ele recriou alguns, dos quais Ele é duas vezes
Senhor. Aqui, contudo, a referência é a certos poderes, sejam humanos
(governo, Rom. 13:1-6) ou sobrehumanos (angélico, Ef. 6:12). As palavras
soberaria e autoridade são colocadas em terceiro e quarto lugares
na lista em 1:16 (Vide lá e também em 2:15 abaixo). "Todo"" que reina assim
o faz por Sua permissão e poder.
Versículo 11. Por Cristo somos trazidos à perfeição (v. 10), por Ele
também somos trazidos para dentro do concerto de Deus. NO QUAL TAMBÉM
ESTAIS CIRCUNCIDADOS COM A CIRCUNCISÃO NÃO FEITA POR MÃO. Circuncisão
física era um sinal do Velho Testamento mostrando a aliança firmada entre o
homem e Deus (Rom. 4:11,12). Era também uma marca de divisão entre os judeus
e os gentios. Na cruz Cristo Jesus destruiu este muro de separação. (Ef.
2:14-18). Porisso Paulo insistia em que os gentios não tinham que ser
circuncidados (Atos 15; Gál. 2:3). É na base de fé que todos nós, judeus e
gentios, entramos no concerto da promessa com Deus (Rom. 3:29, 30; Gál.
5:6).
O resultado desta nova circuncisão é NO DESPOJO DO CORPO DA CARNE.
Despojo significa "livrar-se", "renunciar" e porisso significa dar às
costas à vida antiga. Corpo e carne não se referem à forma física,
mas antes à totalidade dos desejos físicos. Desta forma, "o corpo da carne"
significa "todas as básicas paixões humanas". É o oposto à andar no Espírito
(Gál. 5:16-25). Alguns desses desejos são mencionados em Colossenses 3:5-10.
Eles tinham vivido de acordo com a carne (3:7); mas agora, pelo poder de
Deus, estas coisas são postas de lado.
É PELA CIRCUNCISÃO DE CRISTO
que o novo concerto é estabelecido e
a velha vida relegada. A circuncisão de Cristo não é um sinal corpóreo, mas
ao contrário uma mudança de coração (Rom. 2:28, 29). É o poder de Deus
regenerando todo nosso ser e pessoa.
Versículo 12. Para esclarecer esta nova relação dos gentios com Deus
Paulo usa outro símbolo--o batismo. SEPULTADOS COM ELE NO BATISMO tem
significação somente se a forma empregada é imersão. Apesar de simbólico3
testifica da modalidade em usa nos dias de Paulo. (Rom. 6:3-5) Eles tinham
morrido para a velha vida--as coisas mencionadas em 3:5-9 estão terminadas.
E COM ELE TAMBÉM FOSTES RESSUSCITADOS. Não pelo batismo, mas por
identificação com Cristo, morremos para a vida velha e somos ressuscitados
para uma vida nova e santa (3:1-3, 10-17; Rom. 6:4, 8). Sua ressurreição
garante a nossa (I Cor. 15:20-23). É PELA FÉ e PELO PODER DE DEUS
que nossa nova vida agora e a ressurreição no futuro são produzidas. Os
dois elementos formam um programa de duas faces: fé humana e poder divino.
Nossa fé mostra que somos receptivos, que paramos de tentar salvar-nos a nós
mesmos, que renunciamos confiar em qualquer coisa menor do que Deus. Do
outro lado, o poder infinito de Deus é empregado para efetuar a salvação
daqueles que têm fé (Heb. 11:6). Estes dois elementos são equivalentes a
"pela graça por meio da fé" em Ef. 2:8.
A prova de que Deus tem poder para ressuscitar o crente é que é Ele
QUEM O RESSUSCITOU DOS MORTOS. Em 1:18 Jesus é chamado "primogênito
entre os mortos"; esta é nossa garantia da ressurreição (I Cor. 15:20). O
homem tem tentado sem sucesso, por anos a fio, ressuscitar um corpo
completamente morto. Com cada fracasso a magnitude do poder de Deus em
ressuscitar a Cristo dos mortos torna-se mais e mais visível. Em João
10:17-18 Jesus proclamou ter Ele mesmo esse poder de dar e tornar a tomar
Sua própria vida.
Versículo 13. E VOS, é uma enfática lembrança de que, enquanto
Paulo estava falando dos gentios em geral, tinha-os especialmente na mente.
ESTAVEIS MORTOS PELAS TRANSGRESSÕES. O Particípio Imperfeito fala da
sua situação continua e sem esperança. Eles já estavam condenados sem
qualquer possibilidade de entrar na Vida (João 3:18,36). A morte não é
aniquilação. Em vez disso, é separação--separação de Deus. Nascemos à imagem
espiritualmente morta de Adão (1:15; Gen. 5:3). E assim permanecemos até que
somos "tornados vivos" por Cristo. A palavra transgressões transporta
a causa da morte espiritual do pecado original para as ofensas que cometemos
(Rom. 2:12; 5:12). E, a segunda razão para a separação deles de Deus é
encontrado PELA INCIRCUNCISÃO DA VOSSA CARNE. Isto é um pungente
lembrete de que eles eram gentios, estranhos à aliança de Deus (1:21,27).
Contudo, carne incircuncidada é melhor do que um coração incircunciso (2:11;
Rom. 2:25-29). "É o espírito que vivifica, a carne para nada aproveita"
(João 6:63).
VOS VIV1FICOU JUNTAMENTE COM ELE
é o mesmo que a última
parte do versículo 12. Não mais está Paulo falando simbolicamente. A vida
que Deus nos dá é a Sua própria (II Pedro 1:4), de maneira que nos tornamos
literalmente irmãos de Cristo. O contacto com Deus, que foi perdido por Adão
e por nossos próprios pecados é restaurado. A morte e pecados foram expulsos
por Ele PERDOANDO-NOS TODAS AS TRANSGRESSÕES. Conquanto Paulo, o
judeu, não se podia incluir na parte central do versículo, ele o faz agora.
"To-das as transgressões" que matavam (Rom. 6:23) são perdoadas, foram
removidas e são abolidas.
Versículo 14. Paralelo ao perdão mencionado no versículo 13 é HAVENDO
CANCELADO O QUE ERA CONTRA NÓS. Juntos removoram os dois libelos
erguidos contra os gentios no versículo 13. Aquilo que foi "apagado" é o que
estava O ESCRITO DAS ORDENANÇAS, O QUAL NOS ERA PREJUDICIAL. Foi a
lei que Jesus Cristo removeu de nós. O sinal da lei era a circuncisão. Em
outro lugar Paulo declarou que a lei não salva (Gál. 3:11; 2:16, 21) e serve
apenas para descobrir o pecado (Rom. 3:19, 20; 7:7). A lei não pode ser
guardada nem mesmo por aqueles que foram nascidos e criados debaixo dela
(Atos 15:10). "Ordenanças" nos traz à mente a centenas de decretos ("sins" e
"nãos") que os Rabis tinham distilado do Velho Testamento e da tradição
(Mat. 23:24). Nossas vidas devem ser regidas por princípios, em vez de uma
longa lista de proibição e permissões. De outra maneira ficaremos confusos
quando novas condições so levantarem, e das quais nossas "listas" não
tratam.
Em outro lugar Paulo declara que ele descobriu que o mandamento que era
para trazer a vida trouxe, ao contrário, a morte (Rom. 7:10). Aqui duas
vezes ele diz que o mandamento é oposto a nós. A Lei está do lado do nosso
inimigo e, num sentido, era nosso inimigo. Como? Porque ao mesmo tempo que
destruiu nosso apelo à ignorância, abrindo nossos olhos ao pecado, de
maneira alguma nos deu forças para obedecer seus preceitos (Rom. 7:7-25). É
Jesus Cristo somente quem pode, ao mesmo tempo, revelar o pecado como ele é
e dar-nos o poder para subjugá-lo. Paulo diz "nos", incluindo a ele mesmo.
Com a chegada da graça, a lei foi abolida até mesmo para os judeus.
Nosso Senhor removeu a lei E O TIROU DO MEI0. A lei tem
permanecido entre os judeus e os gentios, entre ambos e Deus. Era um
impenetrável muro de separação. Mas Jesus Cristo derrubou-o e removeu-o. Ele
uniu a ambos, judeus e gentios e deu-lhes acesso a Deus através de Cristo
(Ef. 2:14-18). Nosso Senhor efetuou essa reconciliação CRAVANDO-O NA CRUZ
(1:20). Os cravos que transpassaram as mãos e pés de nosso Senhor
serviram também para prender a lei na cruz. A lei não tem mais domínio sobre
nós. Será que não tem mesmo?
Versículo 15. DESPOJANDO AS SOBERANIAS E AUTORIDADES. Este
Particípio é o verbo do qual "despojo" do versículo 11 vem. Significa
"despir" (3:9). Desses seres sobrenaturais Cristo arrebatou seu poder,
autoridade e regência sobre o mundo. "Soberanias e autoridades" ocupam o
terceiro e quarto lugares na lista dada em 1:16 e são aqueles mesmos
colocados sob o domínio de Jesus em 2:10. São tenentes de Satanaz (Ef.
6:11,12). Se bem que seu fim tenha sido determinado na cruz, eles continuam
a comandar os perdidos e perseguir o crente.
COM AUDÁCIA OS EXPÔS PUBLICAMENTE. Sem medo, hesitação, ou
desconfiança quanto ao results do nosso Senhor assaltou e derrubou a
fortaleza de Satanaz. Assim como Sodoma e Gomorra foram feitas exemplos no
Velho Testamento, assim o destino desses poderes satânicos mostra o que
acontece aqueles que se opõem a Jesus Cristo. Para as pessoas que
praticamente já remunciaram à crença em espíritos maléficos sobrenaturais,
este argumento não mais tem a força que teve uma vez. Todavia, para os
colossenses, que tinham uma tendência de ir após essas forças poderosas, o
ponto era especialmente importante. Quem quer abandonar o Vencedor e
procurar e servir ao vencido? E TRIUNFANDO DELES NA CRUZ. A vitória
de nosso Senhor foi absoluta, as forças de Satanaz completamente derrotadas
(I Cor. 15:54-57). Ele permanece único, supremo. Não devemos temer ou
rebaixar-nos às forças demoníacas, nem podemos subestimar seu poder. Embora
já vencidos eles são ainda mais fortes do que qualquer Santo apartado do
poder de Deus. Mas graças sejam dadas a Deus que sempre nos ajuda a ganhar a
vitória (Rom. 8:37).
Versículo 16. O PORTANTO refere-se aquilo que Cristo tinha feito
por eles (vv. 13-15). Duas coisas tinham sido levantadas contra eles: seus
pecados e incircuncisão (v. 12). Através de Cristo seus pecados foram
perdoados (v. 13), e a lei, que separava judeus e gentios, foi eliminada (v.
14). Por trás disto o Senhor surgiu como exclusivo Vencedor sobre as forças
da Satanaz (v. 15). Sobre este fundamento Paulo ordena, NINGUÉM VOS
CRITIQUE! O verbo significa "formar um julgamento" (Lucas 19:22). Aqui,
como acontece frequentemente em português, significa um julgamento
desfavorável--crítica destrutiva em lugar de construtiva. Paulo desenvolve
este mandamento minuciosamente em Romanos 14:1-12, onde ele frisa que cada
um é responsável por si mesmo perante Deus, que ninguém deve condenar a
outrem, pois este é igualmente servo de Deus.
Os falsos mestres em Colossos estavam exigindo que os gentios guardassem
certos aspectos da lei (v. 14). Além da circuncisão eles exigiam que eles
guardassem as leis leviticas COM (RESPEITO AO) COMER E BEBER (v. 21).
Isto acontecia apesar de que o Concílio em Jerusalém, cerca de 12 anos
antes, respondeu com um sonoro Não! a tais idéias (Atos 15:28, 29).
Enquanto "comer e beber*" podia
facilmente se referir a certas leis da origem gentílica, o resto do
versículo mostra que elas eram de caráter judáica. OU EM RESPEITO AOS
DIAS DE FESTA, OU DA LUA NOVA, OU DOS SÁBADOS. "ou. . . ou . . . ou" dá
enfase ao fato que, o que era comido ou bebido em dias especiais era
considerado de importância vital. As palavras dias de festas
referem-se às festas delineadas em Lev. 23, especialmente à Páscoa. Depois
desses dias de festas especiais vinham os das luas novas e sábados para os
quais, leis especiais tinham sido estabelecidas pelo Velho Testamento e pela
tradição. Conquanto devamos respeitar as idéias dos outros, não devemos nem
julgá-los nem permitir que eles nos julguem quanto ao modo como devem ser
guardados esses dias. Devemos fazer o que fazemos, como ao Senhor. Ele
apenas tem o direito de julgar-nos.
Versículo 17. QUE SÃO refere-se às regras que estavam sendo
impostas aos Cristãos colossenses com respeito ao comer e beber (v. 16).
Todas essas coisas são apenas SOMBRAS DAS COISAS FUTURAS. Uma sombra
é apenas um reflexo da coisa real. Inclui a verdade e tem valor profético
(Heb. 8:5; 9:9; 10:1). Mas quando a plenitude da verdade é conhecida,
parábolas não são mais necessárias.
MAS O CORPO É DE CRISTO. Em lugar de correr atrás de tipos
alegóricos apossemo-nos da coisa real, aquela que vem de Cristo (Vide
corporalmente, v. 9). A referência aqui não é ao corpo fisico de Cristo
ou mesmo à Igreja (1 :24). Ao contrário olha para a final e completa
redenção e reconciliação com Deus. Paulo sempre volta ao Senhor, Ele é o
centro de interesse. Dos 23 versos deste capitulo, Ele é mencionado em
todos, menos cinco. A de aqui poderia significar ou "pertence a" ou
"vem de"". Paulo provavelmente quer significar ambos, que nosso Senhor é o
Autor e o Diretor de nossa nova vida. Seu mandamento devemos guardar (João
15:10), mas maior do que os mandamentos é o amor e a comunhão que podemos
ter com Ele. Estes dois versos (16,17) poderiam facilmente ser considerados
a chave duma grande parte de Hebreus.
Versículo 18. NINGUÉM VOS ENGANE A SEU BEL-PRAZER é o terceiro
cuidadoso mandamento neste capitulo, a terceira tentativa de impedir que os
falsos mestres em Colossos pudessem levar avante, com sucesso, sua campanha.
Este é muito semelhante àquele do versículo 8. Engane representa com
dificuldade a palavra grega composta, a qual significa legislar contra em
alguma espécie da jogo. Ali significa frustrar, roubar, causar a perda do
prêmio. (Para a idéia de Paulo, cp. Gál. 5:7). Vos é enfático. Paulo
queria chocá-los, queria fazê-los perceber a perigosa posição "deles".
Apesar de ainda não estarem tão afastados como os gálatas (Gál. 4:11),
estavam em perigo de perder tudo! A seu bel-prazer (gr., querendo)
é muito difícil de interpretar. A nova traduçâo da Sociedade Bíblica
considera este Particípio presente como um adjetivo modificando humildade
e a traduz por pretextando. Contudo, fica melhor quando tomado
como um advérbio mostrando a liberdade e facilidade com que eles estavam
sendo desviados. Ele os está aconselhando a não permitirem ser facilmente
inquietados (II Tim. 2:26; Ef. 4:14).
As duas próximas frases, COM HUMILDADE E CULTO DOS ANJOS, mostra o
campo no qual eles estavam sendo levados. O primeiro representa submissão de
espírito e ação, e como tal é requirido do crente (3:12; Filip. 2:3).
Poderia referir-se a uma humildade professada mas não possuida, como no
versículo 23. Porém, dos anjos concorda com ambos, humildade e culto.
Assim considerado, humildade referir-se-ia ao estado dos anjos. Por
isso, Paulo fala da posição deles de humildes em oposição à maneira pela
qual os falsos mestres os estavam exaltando. Na segunda frase culto
pode significar ou "adoração" ou "religião" (Atos 26:5). Dependendo da
maneira que entendermos culto os anjos pode ser ou o objeto de culto
ou dos adoradores. Enquanto o primeiro pareça mais natural, Paulo poderia
dificilmente ter passado por uma prática tão blasfema sem uma clamorosa
condenação. Também desde que os falsos mestres eram judeus, dificilmente
eles estariam encorajando a idolatria.4 Finalmente, a segunda
possibilidade tem mais relação com a próxima parte do versículo.
A base do julgamento falso apoia-se em BASEANDO-SE EM COISAS QUE VIU.
A dificuldade desta frase é aumentada pelo fato de que numerosos manuscritos
incluem não depois de que. Apesar de mais fácil de
interpretar, a negativa não é genuina. Baseando-se traduz uma palavra
que se refere aos primeiros passos daqueles que eram iniciados nas religiões
misteriosas. Aqui significa aqueles que estão tomando uma posição nas suas
imaginárias revelações ou visões.5 O resultado de tal intrusão é
ESTANDO INCHADO SEM MOTIVO ALGUM PELA SUA MENTE CARNAL. Conquanto possa
haver alguma justificação para orgulho quando uma pessoa aperfeiçoa alguma
coisa, estes eram orgulhosos e arrogantes sem base alguma. Imaginando que
estavam expondo alguma nova e profunda verdade, estavam na realidade
desviando-se a si mesmos e outros da verdade.
Versículo 19. O resultado de intrometer-se naquilo que Deus determinou
não seja revelado, leva a um enfraquecimento do apelo de alguma pessoa à
verdade. E NÃO RETENDO À CABEÇA é equivalente a "e não segundo
Cristo" do versículo 8. Interesses especiais que desalojem Jesus Cristo do
centro, não devem ser permitidos. Como podemos clamar que retemos a
Soberania de Cristo, quando fazemos nosso programa e procuramos obter o que
desejamos sem auscutar primeiro Sua vontade e programa?
DA QUAL TODO O CORPO, PELAS JUNTAS E LIGADURAS.
Cristo é nossa
Cabeça de fato assim como de nome. Ele nos comprou, Ele intercede por nós,
Ele fornece os laços que nos mantem juntos. Todo poder vem dEle, tudo que
existe depende dEle (1:17). Corpo aqui refere-se à Igreja universal.
Esses laços são de natureza espiritual em vez de natureza denominacional.
Devemos aprender a nos dar e trabalhar com irmãos além das fronteiras
denominacionais. A Igreja É FORTALECIDO E BEM VINCULADO de tal
maneira que repele os ataques das forças satânicas (Mat. 16:18). O verbo
fortalecido não é aquele de 1:10, mas antes significa ser mais
abastecida, adquirir vigor. Este levantamento da Igreja somente pode ter
lugar se nós individualmente diminuirmos nossas idéias peculiares e dermos
mais valor e atenção àquelas dos outros (Fil.. 2:3-5).
O resultado de tal crescimento espiritual é que o Corpo de Cristo irá
constantemente CRESCENDO COM O CRESCIMENTO QUE VEM DE DEUS.
Crescimento toma duas direções: levantamento do nível espiritual de
indivíduos (1:10) e aumento numérico do Corpo de Cristo. Todos nós queremos
ver maior ‘número" na Igreja, mas este crescimento não deve ser baseado em
transigência de doutrina (II Tim. 4:3,4), de vida, ou testemunho (I Tim.
4:12). Por outro lado, não devemos restringir o "crescimento" por insistir
no uso de formas obsoletas, frases, línguas estranhas, métodos de
evangelismo. Lembrai-vos, conquanto o novo não seja necessariamente
melhor por ser novo, não é o velho melhor por ser velho. Devemos manter o
Evangelho aplicável à época em que vivemos.
_____
1 Alguns traduzem esta frase assim: ". . . espíritos rudimentares
do universo." Mas Burton mostrou que no tempo do Novo Testamento a palavra
não era usada assim. (E. D. Burton, Galatians, em I.C.C. pp. 513.
514). Segundo, embora seja verdade que em Gálatas rudimentos parece
ligado a "fracos" (4:8,9) é ainda mais ligado a "guardais dias, e meses, e
tempos, e anos" (v. 10). Isto concorda com o sentido a ser encontrado em
Col. 2:20, 21 e em Heb. 5:12 (6:1). Paulo dificilmente deixaria passar uma
coisa tão importante como a idolatria com uma referência tão obscura.
Finalmente, permanece lado a lado com "tradição", e refere-se aos conceitos
religiosos rudimentares de alcançar a Deus e agradá-lO pela guarda das
ordenanças (vide v. 20).
2 O mesmo significado é encontrado sob do uso de corpo em 2 :11,
17, 19; 3:15 onde a palavra indica uma entidade de alguma sorte, quer
espiritual ou emocional. (Vide Rom. 6:6)
3 Que o batismo aqui é meramente um símbolo é óbvio quando se
compara a importância dada à fé e a Deus neste contexto. A circuncisão de
Cristo não é o batismo, especialmente de crianças.
4 Vide T. Zahn, Introduction to the New Testament, Vol I,
pp. 468, 469. 475-479 para esta interpretação deste versículo.
5 A. T. Robertson. Word Pictures in the New Testament, Vol.
IV, p. 497.
VI. Relações Cristãs (2:20-4:6)
-
1. Relação com Cristo (2:20-3:17)
-
a) Mortos com Ele (2:20-23)
-
b) Ressuscitados com Ele (3:1-4)
-
1) Procurai aquilo que é de cima
-
2) Pensai naquilo que está acima
-
c) Morrei para os maus costumes (3:5-9).
-
1) Livrai-vos das palavras torpes
-
2) Não mintais uns aos outros
-
d) Vesti-vos do homem novo (3:10-16)
-
1) Revesti-vos de boas caracteristicas
-
2) Revesti-vos de amor
-
3) Deixai que a paz domine
-
4) Deixai que a palavra de Cristo habite em vós
-
e) Fazei tudo pela glória de Cristo (3:17)
-
-
2. Relações de uns para com outros em Cristo (3:18-4:6)
-
a) Marital (3:18, 19)
-
1) Mulheres, sede sujeitas a vossos maridos
-
2) Maridos, amai vossas esposas.
-
b) Familia (3:20, 21)
-
1) Filhos, obedecei a vossos pais
-
2) Pais, não irriteis a vossos filhos
-
c) Negócios (3:22-4:1)
-
1) Servos, obedecei a vossos senhores
-
2) Senhores, sede justos e equitativos com vossos servos
-
d) Social (4:2-6)
-
1) Orai
-
2) Andai
-
3) Respondei
CAPÍTULO VI
RELAÇÕES CRISTÃS
Tendo terminado o que Deus fez por nós através de Cristo (2:9-19), Paulo
agora volta-se para o que deveriamos fazer em nosso viver cristão. Primeiro,
ele nos recorda que estamos mortos para o mundo e seus sistemas e fomos
ressuscitados com Cristo para uma vida diferente. Temos que ser diferentes
daqueles à nossa volta. Para conseguir isto Paulo nos ordena que matemos
certas atitudes e particularidades da personalidade e coloquemos outras
cristãs em seu lugar. (Vide passagens semelhantes em Ef. 4:17-32). E, uma
vez mudado nossos caracteres, devemos fazer tudo para Sua glória.
Paulo em seguida volta-se para a atitude que cada um deve ter com relação
às pessoas ao seu redor, especialmente no lar. (Cp. especialmente Ef.
5:22-6:9). "É necessário dois para uma discussão." Ao desenredar tais
situações devemos nos lembrar que Deus deu a cada um certas
responsabilidades para com o próximo. Os mandamentos que Paulo dá aqui não
incluem todos. Antes, formam um modelo pelo qual guiaremos nossas vidas. Há
três pares de mandamentos.
Versiculo 20. Voltando-se agora dos avisos negativos (vv. 8, 16, 18),
Paulo apresenta alguns aspectos positivos da nossa relação com Cristo.
SENDO QUE, ESTAIS MORTOS COM CRISTO. Morrestes de uma vez para sempre!
Quando? No momento da salvação e da completa dedicação. Conquanto estas
devam ser simultâneas, muitas vezes são separadas por anos de lealdade
dividida e infeliz (Mat. 6:24). Esta morte é simbolizada por circuncisão e
batismo (vv. 11, 12). Nossa morte com Cristo é um dar as costas à velha
maneira de viver e às infrutiferas tentativas de alcançar a Deus por nossas
próprias forças.
Desde que eles estão identificados na morte de Cristo, Paulo levanta uma
pergunta penetrante: POR QUE? Tudo que fazemos deveria estar sob o
penetrante olhar desta palavra por que? Não vos deixeis atar por
decretos humanos a menos que eles sejam explicados e entendidos. Tal curso
nos leva, ou ao seguimento cego de tradições ou ao abandono do andar
cristão. Ambos são frustrações do plano de Deus de que andemos em Cristo.
Procurai saber as razões!
Depois do por que Paulo coloca o parêntesis, COMO SE
VIVESSEIS NO MUNDO. Onde mais? Por mundo ele certamente não se
refere ao planeta, mas sim ao meio espiritual em que o incrédulo e o cristão
carnal andam. Viver no mundo é o antônimo absoluto de andar em Cristo. Para
terminar a questão, Paulo perguntou, por que VOS CARREGAM AINDA DE
ORDENANÇAS? Os decretos dos homens foram rejeitados (v. 8), o peso das
leis do Velho Testamento foi eliminado (v. 14). Somos livres então para
desobedecer ao nosso bel prazer? (Gal. 5:13). Não! Em lugar de estamos
atados por uma multidão de leis, somos livres para guardar os mandamentos de
Cristo (João 15:10, Rom. 6:15-23). (Para os decretos que estavam sufocando
os colossenses vide vv. 21-23).
Versiculo 21. Paulo enumera em termos gerais três "nãos" que cobrem uma
multidão de decretos. NÃO MANUSEIES! NÃO PROVES! NÃO TOQUES! O
primeiro e o terceiro são praticamente o mesmo no sentido geral de "tocar."
O primeiro abrange a idéia de ligamento a alguma coisa. O terceiro,
conquanto significando tocar (Heb. 12:20), também significa tocar de uma tal
maneira que cause dano (Heb. 11:28). O não central traz à mente o
exército de proibições alimentícias do Velho Testamento, o sonho de Pedro
(Atos 10:9-16) e a profecia de Paulo em I Tim. 4:3-5.
Uma lista de Nãos é sempre perigosa porque sufoca o coração,
toma muito imperfeitamente o lugar do trabalho de convicção do Espirito
Santo, e está sempre pronto a omitir alguma coisa. Novos métodos de viver
estão sempre aparecendo. Aqueles que dependem de uma lista de nãos
precisam esperar por alguém que passe uma lei: sim ou não. Em lugar de uma
lista procuremos princípios básicos cristãos, tais como aqueles em I Cor.
8-11; Rom. 14 para guiar-nos. Acima de tudo sejamos consistentes e como
Cristo (Filip. 1:21).
Versículo 22. Qual é então o fim de tais leis? TODOS QUE AS USAM
PERECEM. Todos aqui é absoluto, não hiperbólico (1:6). O destino de um
é o destino de todos aqueles escravisados a decretos humanos. PERECEM
denota decadência ou corrupção e no fim destruição (I Cor. 15:50). A
versão da Almeida e a revisão da Sociedade Bíblica afirmam que são os
mandamentos dos homens que perecerão. Ao contrário, são aqueles que procuram
seguir a lei que são destruidos por aquilo que eles pensavam haveria de
salvá-los. Considerai a gradual mas certa queda psicológica de Paulo, quando
ele tomou sobre seus ombros o peso impossível da lei (Rom. 7:7-24). A lei
mata a ambos, o espírito e a capacidade de obedecer.
A lei foi feita para ser guardada, contudo é o "uso" da lei que traz
destruição. Com o passar do tempo as leis existentes são multiplicadas e
tomadas mais complexas. O resultado natural é o desenvolvimento de
distinções de somenos importância, muitas das quais são inventadas ao redor
da lei (Mat. 15:3-6). Nossa vida espiritual não deve depender de "sins ou
nãos," mas do amor que temos pelo Senhor Jesus (v. 8). SEGUNDO OS
PRECEITOS E DOUTRINAS DOS HOMENS. "Preceitos" e "doutrinas"
correspondem à "tradição" e "rudimentos do mundo" no versículo 8. Tradição é
um passo, sendo uma interpretação da lei de Deus. Em seguida vem os
mandamentos dos homens que tomam o lugar da lei (Mat. 23:16-24). O passo
final, tomado pelos fariseus e a igreja Católica Romana, é a contradição da
lei de Deus com seus ensinamentos.
Versículo 23. AS QUAIS TÊM, NA VERDADE, ALGUMA APARÊNCIA DE
SABEDORIA, mas falta de realidade--refere-se aos versos 20, 21, mais
inclui os vários elementos da lei (vv. 11, 14, 16) e filosofia (vv. 8, 15,
18) os quais estavam sendo impostos aos colossenses. Assim como se dá com
dinheiro falsificado, aquele que está mais de acordo com o desenho original
é o mais perigoso. Paulo mostra três caminhos pelos quais eles procuravam
desencaminhar os colossenses: EM CULTO DA VONTADE, HUMILDADE E EM
DISCIPLINA DO CORPO. Culto e humildade são encontrados no versículo 18
como a frase qualificativa de anjos. Aqui culto é
composta com vontade e refere-se a um sistema de culto
voluntariamente imposto ou voluntariamente idealizado. Por consequência,
implica em zelo excessivo e perdido. "Humildade" também recebe a força da
palavra composta com "culto". Desta forma, refere-se a uma humildade imposta
voluntariamente e proclamada pela própria pessoa, humildade essa que era
apenas professada--não possuida.
Terceiro, "disciplina do corpo." O grego significa uma demasiada
severidade para com o corpo fisico (cp. o próprio procedimento de Paulo em I
Cor. 9:24-27). "Manter-se em forma" é necessário para a saúde e para o
testemunho, mas o exercício corporal deve sempre ser apenas um meio
para este fim (I Tim. 4:8). Quando o rigor ascético resulta na mutilação
própria, e o exercício ou a sujeição torna-se finalidade em si mesma, excede
o seu valor e está dando abrigo a idéias heréticas.
NÃO EM VENERAÇÃO ALGUMA SENÃO PARA A SATISFAÇÃO DA CARNE.
Veneração aqui está em oposição à sabedoria. Há um certo grau de
sabedoria humana nestes ensinamentos heréticos, mas não honram a Deus porque
são feitos para agradar ou satisfazer a carne. Em vez de vivermos de acordo
com nossa natureza mais baixa, devemos nos despojar dos seus desejos. Esta
última sentença resume os três elementos do versículo e os declara
deficientes (Dan. 5:27).
Capitulo III. Versículo 1. Chegamos a uma segunda (2:20) relacão que
temos com o Senhor: PORTANTO SENDO QUE JÁ RESSUSCITASTE COM CRISTO
(2:12). "Já" demonstra que ele tinha perguntado "Ressuscitastes com Cristo?"
e recebeu um enfático "Sim!" por resposta. Já alguma vez parastes para
pensar sobre o que seja ser ressuscitado com Ele? Primeiramente, devemos
estar mortos para o mundo, para outras religiões, e mais do que tudo, para o
nosso próprio "eu". Então andaremos em novidade de vida divina. Assim como a
morte e o pecado não tiveram poder sobre Ele depois da ressurreicão, não
deveriam os mesmos ter poder sobre nós (Rem. 6:6-13). Além disso, estamos já
de um certo modo nos lugares celestiais (Ef. 2:6). Baseado na nossa
afirmacão de que fomos ressuscitados com Ele, Paulo ordena BUSCAI AS
COISAS (QUE SÃO) DE CIMA. "Vida num plano mais elevado" não é nem
automático, nem fácil. Requer um esforco constante para ser encontrada e
alcancada. Devemos perscrutar a vontade de Deus sim, a Deus Mesmo.
Satanaz é o príncipe do poder do ar e seu reino está acima de nós.
Contudo não é lá que devemos procurar, mas antes ONDE CRISTO ESTÁ ASSENTADO
À DEXTRA DE DEUS. A maior honra e dignidade que um potentado pode oferecer é
o direito de assentar-se alguém ao seu lado (Mat. 20:20, 21; 26:64). Há
muitas passagens referentes à posicão de nosso Senhor ao lado de Deus.
Contudo, a idéia é figurativa e fala de posicão exaltada, de grande poder.
Deus näo tem corpo nem senta-se Ele num trono material (João 4:24).
Versiculo 2. Paulo aqui desenvolve o mandamento dado no versículo 1.
PENSAI difere de "buscai", em que implica uma atitude permanente.
Depois que descobrimos o que Deus tem para nós, devemos manter isto à nossa
frente, como um alvo e desejo. NAS COISAS QUE SÃO DE CIMA, E NÃO NAS QUE
SÃO DA TERRA. Paulo ordena que escolhamos ou uma ou outra, näo podemos
ter a ambas (Mat. 6:24; Josué 24:14,15). Não ha posição neutra: a mera
amizade com o mundo é inimizade para com Deus (Tiago 4:4). Adão e a natureza
adâmica simbolizam aquilo que é terreno. Cristo, o último Adão simboliza o
que é celestial (I Cor. 15:45-49). No que deveis fixar vossa mente e vosso
coração? Primeiro de tudo, em Deus e no homem (Mat. 22:37-39). Em segundo
lugar, em Seu programa para nossa vida (1:9; Ef. 4:1); boas obras (Ef.
2:10); justiça (1:22; Rom. 6:18). (Para coisas particulares vide também Col.
1:10-12; 3:10, 12-14). Circunstâncias näo devem nos perturbar (Filip.
4:11-13; Rom. 8:28). Nem devem afeiçôes por pessoas ou lugares impedir-nos
de segui-lO ao máximo. (Vide adiante v. 4).
Versiculo 3. Por que devemos fechar nossos olhos, ouvidos e coraçöes para
o mundo? POR QUE ESTAIS MORTOS. A morte aqui mencionada näo é a
morte física Nem é separação de Deus (2:13). Antes, é a mesma mencionada em
2:20. Morte é separação; neste caso separação do mundo e seu mal. Ainda
mais, é o darmos as costas à nossa maneira de viver anterior a nossa
conversão (vv. 7,8). O tempo do verbo marca isto como uma condicão
constante. Estamos mortos para o resto da nossa vida!
E A VOSSA VIDA ESTÁ ESCONDIDA COM CRISTO EM DEUS. Que vida? Certamente
não aquela do nosso corpo ou alma. É nossa relação espiritual com Deus e o
trabalho esmerado da Sua vontade em nós. Cristo é nossa vida (v. 4) e
devemos viver como Ele viveria (I João 2:6). O ideal, quanto à nossa
posição, é marchar para o Céu. Diante do trono de julgamento de Cristo
aquilo que somos será comparado com aquilo que poderiamos ter sido. O verbo
"escondido" não é usado no sentido de alguma coisa que não pode ser
encontrada ou vista. Antes, significa que nEle nossa vida está segura (2:3).
Nada nos pode separar de Deus (Rom. 8:35-39). Cristo está à mão direita de
Deus (v. 1), no lugar de bênção e segurança. "Com Cristo" mostra nossa
relação com Ele (2:10). Somos co-herdeiros como Filho de Deus, somos
participantes da vida divina. Porque deveríamos nós, como porcos, sempre
querer retornar ao lodo do qual fomos tirados?
Versículo 4. QUANDO CRISTO SE MANIFESTAR. Isto pode referir-se a
um dos dois eventos: à segunda vinda, ou à Sua glorificação na vida do
crente individual. O verbo significa, "descobrir," "trazer à luz" (1:2; Rom.
3:21). Aqui no aoristo passivo, fala de um instantâneo e rápido
descobrimento. QUE É A NOSSA VIDA. Como? Fisicamente, Ele nos criou
e nos sustenta; espiritualmente, Ele nos salvou, nos guarda e dirige nossa
nova vida. Até que nos acheguemos a Ele e mostremos Sua vida na nossa, não
começamos a viver. Devemos ser tão semelhantes a Ele que nossa vida seja uma
reencarnação da Sua (Filip. 1:21).
ENTÃO TAMBÉM VÓS VOS MANIFESTAREIS COM ELE EM GLÓRIA. Então
corresponde a quando e significa "ao mesmo tempo". Com isto
concorda o também. Por que Paulo muda de nós para vós?
Exclui propositadamente a ele mesmo? Comparado com I João 3:2 este
versículo parece referir-se à segunda vinda. Mas Paulo esperava estar ainda
vivo e transformado por ocasião do grande acontecimento! (I Tes. 4:15; I
Cor. 15:51). O usa que Paulo faz do vós mostra que sua referência não é
absolutamente à segunda vinda, mas sim à exaltação e glorificação do Senhor
na vida do crente. Vós, porque Paulo tinha já se tornado tão
semelhante a Cristo que podia dizer, Sede meus imitadores (I Cor. 11:1).
Agora ele procura o mesmo para os colossenses. Aparte dEle não pode haver
glória para o cristão (I Cor. 2:7). A mudança em nossos olhares, vida,
palavras e adoração é vista por Deus e pelo mundo (II Tes. 1:7-12).
Versículo 5. MORTIFICAI POIS OS (VOSSOS) MEMBROS, QUE ESTÃO SOBRE A
TERRA. Pois refere-se aos versos 1-4, especialmente verso 4.
"Mortificai" é uma polida maneira de dizer "mate" e é usado para mostrar o
paralelo entre o mesmo e "revesti-vos" nos versos 9, 12. O tempo do verbo dá
a entender a abolição de uma vez por todas de certas coisas; e a ordem em si
dá a entender que há liberdade e aptidão de nossa parte para aceder. Devemos
disciplinar toda nossa força e, com o poder de Deus (1:29), destruir estes e
todos os males das nossas vidas. Uma vez mortos eles ficarão
tolhidos e sem forças para tentar-nos (Tiago 1:14). Mas cuidado! Não
brinqueis com qualquer pecado ou mau hábito, pois embora mortos cada um
deles tem um tremendo poder de "ressurreição." Podemos destruí-los e, em um
momento trazê-los de volta à vida. Quando Paulo diz "membros", pensamos
imediatamente nos nossos corpos humanos (Rom. 12:4). Contudo, "membros na
terra" realmente significa o mesmo que "carne" (2:11); que são as paixões e
desejos da nossa natureza inferior. A palavra significa uma parte permanente
da natureza da pessoa (v. 2). É somente por livrarmo-nos dessas âncoras que
podemos progredir com Ele.
A lista de Paulo não é exaustiva mas ilustrativa. FORNICAÇÃO, em
palavras simples é prostituição, a junção de dois seres humanos fora dos
laços do matrimônio (I Cor. 6:15-18). Inclui, igualmente, impureza moral,
adultérío (Mat. 5:32) e incesto (I Cor. 5:1). IMPUREZA é de
natureza moral. Pode referir-se a motivos confusos (I Tes. 2:3). O
APETITE DESORDENADO demonstra emoção violenta. Aqui trata-se de
afeições anormais (Rom. 1:26), ou qualquer afeição que se coloque entre nós
e Deus. VIL CONCUPISCÊNCIA. Concupiscência indica basicamente um
desejo intenso, bom ou mau (Lucas 22:15), embora geralmente usado em um
sentido mau no Novo Testamento (Rom. 1:24). Aqui sua vileza moral essencial
é vista por seu adjetivo. Por último, Paulo chega à COBIÇA, que é o
desejo desordenado por alguma coisa pertencente a outrem (Ex. 20:17; Lucas
12: 15). De fato, vai além do desejo e inclui os desígnios, a rapinagem, a
extorsão de alguma coisa pertencente a outrem (Miq. 2:1,2; cp. Amós 8:5,6).
Tal paixão destruidora e desejo pelo QUE É pertencente a outrem com
acerto é chamada IDOLATRIA. De fato, qualquer coisa que ocupe
nossos corações e mentes em lugar de Cristo deve ser chamada assim. Todas
essas devem ser mortificadas, removidas de nossas vidas, e deixadas bem
atrás, com refugo, ao marcharmos vitoriosos para cima com Ele.
Versículo 6. PELAS QUAIS COISAS VEM. Quais coisas é neutro e
refere-se a membros no versículo 5. É por causa de todos esses
pecados que o julgamento vem (Rom. 6:23). O verbo vem está no tempo
presente (ação continua) e indica um julgamento contínuo. Deus está
constantemente controlando o mundo--nada escapa aos Seus olhos ou à Sua
justiça. As nossas mentes finitas e mal informadas, muitas vezes parece que
os sem-Deus escapam sem pagar o preço dos seus pecados. O salmista pensava o
mesmo até que compreendeu os métodos de Deus (73:16-19).
A IRA DE DEUS1 não produz um quadro agradável nas nossas
mentes. A ira do homem pode ser muito destrutiva, quão mais a esclarecida e
todo-poderosa indignação do Deus Todo-poderoso! A palavra indica a atitude
de Deus para com aqueles que continuam a rebelar-se, aqueles que recusam Sua
dádiva mais cara. Em adição à atitude a palavra também inclui vingança e
punição sobre os obradores do mal (Marcos 3:5; Mat. 3:7). A combinação da
perfeita sabedoria de Deus a respeito de todas as coisas e Seu lidar amoroso
e paciente para com o pecador faz dEle o único apto a tomar vingança (Rom.
12:19). Como em Rom. 5:8 a frase provavelmente refere-se ao Grande Trono
Branco de julgamento dos incrédulos (Apoc. 20:11-15).
Versículo 7. O NAS QUAIS deste versículo difere de "pelas quais"
do versículo 6, somente em que aqui a palavra refere-se aos membros
individuais nomeados no versiculo 5. É também bem mais amplo do que a lista
e inclui todos os pecados e atitudes que caracterizam o incrédulo antes de
vir a Cristo. O TAMBÉM implica que o incrédulo ainda anda neles e
que o cristão não deve julgá-lo severamente, pois ele mesmo era tão culpado
quanto aquele.
Vós ANDASTES remonta ao todo da experiência pré-cristã como uma
unidade. Agora somos ordenados a andar de tal maneira que glorificará nosso
Senhor (2:6; I João 2:6). QUANDO VIVIEIS NELAS. Notai que aqui
vivieis e andastes são sinônimos. Estas coisas são o ambiente
do incrédulo no qual ele folga, cresce e se desenvolve. Somente a graça de
Deus pode tirar uma pessoa de tal situação e dar-lhe o poder de não retornar
(Rom. 7:15-25).
Versículo 8. MAS AGORA VÓS MESMOS é uma enfática chamada a
terminar o trabalho começado na conversão, i. é, DESPOJAI-VOS de
todos os remanescentes da velha vida do pecado. Devemos renunciar a tudo que
não é de Deus (cp. Filip. 3:7,8). Devemos gravar Suas palavras. Devemos
também fazer o esforço DE afastar TODAS AS COISAS que não
trazem honra e glória a Ele. TAMBÉM aqui significa "em adição às
coisas nomeadas no versículo 5." Apesar de todas as coisas serem
literalmente a mesma frase encontrada em 1:16, tem um sentido inteiramente
diferente. Aqui uma frase complementar "como o seguinte" deve ser entendida.
Os pecados que ele nomeia são uma continuação daqueles encontrados no
versículo 5. (Para uma passagem semelhante vide Ef. 4:25-31). IRA.
Nem toda a ira e má (v. 6; Ef. 4:26). Mas desde que nossos ressentimentos
nunca são imparciais e são sempre construidos sobre conhecimento imperfeito,
melhor é deixá-los inteiramente de lado (Tiago 1:19, 20). Ambas, a vingança
e a ira pertencem a Ele. CÓLERA é quasi sinônimo de ira e
significa "uma forte emoção" ou "paixão da mente" (Atos 19:28). Enquanto que
ira é mais uma disposição da mente, cólera é uma coisa ligeira,
aquele momento de intensa raiva misturada com um desejo incontrolável de
tirar vingança ou de destruir aquilo que atrapalha nosso caminho.
MALÍCIA ven da palavra traduzida vil do versículo 5 e
significa "depravação" (Ef. 4:31; Atos 8:22). Como a ira, é mais uma atitude
do que um ato único. Nem a ação nem a atitude deveriam caracterizar o
cristão. BLASFÊMIA é o ato de falar desrespeitosa e
irreverentemente das coisas divinas, a censura atirada na face do
Todo-poderoso (Mat. 12:31, 32). Finalmente, PALAVRAS OBSCENAS.
Conversa tola ou vil, linguagem indecente ou desonrosa--todas ficam debaixo
desta classificação (Ef. 4:29). Nossa linguagem é um sinal audível daquilo
que ocupa nosso íntimo (Mat. 12:33-37). Se bem que palavras decentes não
provem a existência de um coração limpo, palavras vis certamente demonstram
um coração impuro. Daí Paulo acrescentou com grande sentimento, DA VOSSA
BOCA. Esta frase é o complemento de despojar e se refere a
todos os cinco pecados nomeados, mas especialmente aos dois últimos. Em vez
de "poder tanto dizer quanto pensar" (Vide Mat. 5:28), não devíamos men
pensar nem muito memos dizer tais coisas. Elas não tem lugar no coração e na
vida do cristão.
Versículo 9. NÃO MINTAIS. Mentir é mudar os fatos e figuras com
intenção de enganar. Deus é verdade (Deut. 32:4) e acha a mentira um dos
pecados mais odiosos (Prov. 6:16-19). Não há lugar para mentirosos no Porvir
(Apoc. 22:15); e por boa razão, pois Satanaz é o pai deles (João 8:44). Em
caso algum permite Deus a mentira como um meio de obter Sua vontade. Não há
lugar nem mesmo para a mentira social. Não se podendo dizer a história
toda, devemos ser cuidadosos para que o que dissermos não mude a "côr"
do todo e dê uma impressão falsa. Jesus Cristo é a verdade, e nós O
representamos perante o mundo. UNS AOS OUTROS. Não apenas para os
irmãos, mas para todos os homens e isto sempre. Também devemos ser sinceros
conosco, no que dizemos a respeito à nossa própria pessoa. É tão fácil
enganarmos a nós mesmos e nos convencermos de que somos aquilo que não
somos.
A segunda parte deste versículo é uma confirmação dos versos 5-8.
POIS QUE JÁ VOS DESPISTES é o mesmo verbo usado em 2:11, 15. É um verbo
forte trazendo a idéia de "renúncia completa." Aqui é paralelo a
mortificai e despojai-vos (vv. 5,8). Pode alguém ter alguma
vez vitória completa sobre o pecado, enquanto ainda no corpo? Gálatas 5 e a
experiência humana parecem dizer não. Contudo somos ordenados a ser
perfeitos (1:22). Pela experiência sabemos que uma vitória sobre o pecado
nos leva a uma seguinte, cada uma tornando-se mais fácil. (Vice-versa é
também verdadeiro). Geralmente pecamos, não na ignorância, mas porque
queremos pecar! Desde que não podemos por a culpa na tentação (I Cor. 10:13)
e desde que Ele está sempre pronto a ajudar-nos a vencer (Filip. 2:13), a
culpa cai inteiramente sobre nós e nossa falta de fibra.
Devemos renunciar a O VELHO HOMEM COM OS SEUS FEITOS. Aqui
velho homem se refere à natureza humana pré-cristã, à carne (2:11), aos
membros (3:5). Aquilo que somos se reflete nas palavras, ações e desejos.
"Daquilo que sai do coração fala a boca" (Mat. 12:33-37).
Versículo 10. E VOS VESTISTES é "vestir-se a si mesmo" (Mat.
22:11). Aqui temos a término da alteração da nossa personalidade e natureza.
Temos que nos vestir DO NOVO HOMEM, pois nos tornamos novas
criaturas em Cristo (II Cor. 5:17). É uma coisa receber vida nova e outra
bem diferente vestirmo-nos da mesma e vivê-la (Rom. 6:4). Este novo homem é
criado na justiça e santidade (v. 12; Ef. 4:24).
QUE SE RENOVA.
O verbo significa "transformar, "receber forças
novas." É um processo constante? O tempo presente do verbo indica que é (II
Cor. 4:16). O alvo é que cada um chegue AO PLENO CONHECIMENTO das
possibilidades em Cristo. Cada um de nós pode conhecer perfeitamente o
programa que Deus tem para si (1:6, 10). Não é apenas uma questão de saber,
mas de viver (João 14:21) SEGUNDO A IMAGEM DAQUELE QUE O CR1OU.
Impossível? Talvez. Contudo somos chamados à tão alta obrigação. Cristo
tinha em Si Mesno os atributos da divindade (1:19; 2:9). Agora é pela medida
do Filho de Deus que devemos viver (I João 2:6) e pela qual seremos julgados
(Ef. 4:13). A tremenda altitude da estrela que devemos alcançar é vista em
que não é Jesus o Homem, mas Cristo o Criador o nosso modelo. Naturalmente,
isto é impossível nas nossas próprias forças, mas com Seu auxílio somos
capazes (1:29; Filip. 4:13).
Versículo 11. ONDE NÃO HÁ, isto é, em cujo estado não existem as
diferenças mencionadas neste versículo. Qual estado? O da marcha para a
perfeição. GREGO NEM JUDEU. Estas eram palavras aterradoras
escritas em um período de tremendos preconceitos de raça, religião e de
classe. O Evangelho tem sido um grande nivelador. No Novo Testamento muitas
vezes grego aparece no lugar de gentio (Rom. 1:16), por ser aquele povo que
havia de melhor no mundo pagão. Os judeus gozavam de tremendas vantagens por
terem nascido no povo de Deus (Filip. 3:4-6). Contudo neste renovo do homen
interno, vantagens ou desvantagens raciais não contavam. Diferenças
religiosas foram também anuladas. CIRCUNCISÃO NEM INCIRCUNC1SÃO.
Este sinal da velha aliança foi anulado pelo sacrifício de Cristo (2:11;
Rom. 2:25-29). Ele derrubou este muro de separação e fez uma nova familia
espiritual sem distinção (2:14; Ef. 2:11-20).
BÁRBARO para o grego, como gentio para o judeu, significava
todos os outros povos. Ambos são ligeiramente equivalentes ao nosso
"estrangeiro." Uma vez que os estrangeiros geralmente não falam
corretamente, a palavra bárbaro veio a significar ignorante ou inculto.
CITA, o povo considerado o climax do barbarismo, da rudeza. O
ESCRAVO tinha pouca ou nenhuma oportunidade de dirigir sua própria
vida. Contudo não era para ele procurar a liberdade, mas sim servir a Deus
na condição em que se encontrasse (Ef. 6:5-8: I Cor. 7:20-24). Aquele que
era LIVRE, por outro lado, não estava restrito em seus movimentos
(I Cor. 12:13). Servo e livre abrange todo mundo. Desde
que nem hereditariedade, nem ambiente, (nem o próprio Deus) podem ser
culpados do nosso fracasso em conseguir restringir os preconceitos racial e
de classe, a culpa recai sobre nossa própria porta, em nossos próprio
corações e vontade.
AO CONTRÁRIO, CRISTO É TUDO EM TODOS. Não no sentido panteista.
Ele é tudo para nós e por nós: Criador, Salvador, Irmão, Intercessor, Alvo.
Não temos necessidade de procurar ninguém mais. De fato, não devemos, pois
nenhum outro servirá. Assim como 1:16 expressa Sua onipotência, e 2:3 Sua
onisciência, assim este versículo declara Sua onipresença.
Versículo 12. Chegamos agora so desenvolvimento final de nossa relação
com o mundo e Cristo:
Estais mortos (2:20), então mortificai... (3:5)
Estais ressuscitados (3:1), então revesti-vos... (3:12)
REVESTI-VOS, POIS, é o mesmo verbo encontrado no versículo 10. Ali uma
condição é estabelecida, aqui uma orden é dada para desenvolver a coisa
evidente recebida. COMO ELEITOS DE DEUS. Nossa eleição foi efetuada
antes da fundação do mundo (Ef. 1:4) por meio da preciência de Deus (I Pedro
1:2). Fomos escolhidos para ser um povo especial para Deus (Tit. 2:14; I
Pedro 2:9). Como em 1:2 SANTOS aqui refere-se à nossa posição
diante de Deus. E AMADOS. O amor de Deus foi extendido a nós apesar
do nosso pecado e inimizade para com Ele (Rom. 5:8). O tempo do Particípio
indica que éramos e somos amados por alguma coisa que aconteceu no passado,
a saber, a morte do Seu Filho na cruz.
Agora chegamos à lista das coisas com as quais devemos nos revestir.
Assim como os "membros" (v. 5) assim o "novo homem" (v. 10) involve certas
particularidades da personalidade. Três destas cinco são também dadas em
Gál. 5:22, 23 como o fruto do Espírito. DE TERNOS AFETOS DE
MISERICÓRDIA. A versão de Almeida traduz "entranhas de misericórdia"
porque a primeira das duas palavras gregas refere-se aos principais órgão
internos, especialmente os intestinos (Atos 1:18). Estes órgãos eram
considerados a séde das paixões e afeições mais profundas. (Vide Filip. 1:8;
Lucas 1:78). A segunda palavra grega nests frase combina a idéia de "dó" e
"bondade" e é provavelmente melhor traduzida em português por compaixão
(Rom. 12:1).
BENIGNIDADE
combina a idéia de "bondade" e "ajuda" (Ef. 2:7).
Nosso amor pelos outros deve resultar em mais do que palavras (Tiago 2:15,
16). HUMILDADE. Esta é a mesma palavra que aparece em má companhia
em 2:18,23. A modéstia aqui exigida é o oposto do sentimento de
"importância". Aquele que é verdadeiramente humilde cumprirá automaticamente
o mandamento dado em Filip. 2:3. Quando vos sentirdes importantes,
lembrai-vos de que nada do que sois e do que tendes é vosso: é vos dado, em
confiança, por Deus (Lucas 19:12-26). MANSIDÃO, muito semelhante à
benignidade, dá ênfase à suavidade pela qual deveríamos ser conhecidos. Isto
não implica que devamos ser levados a torto e a direito mas antes tem em
vista nosso trato ao semelhante (I Cor. 4:1). Finalmente, LONGANIMIDADE.
(Vide nota sobre 1:11).
Versículo 13. A idéia de longanimidade (v. 12) é difundida por
dois adjetivos verbais: SUPORTANDO-VOS UNS AOS OUTROS E PERDOANDO UNS
AOS OUTROS. O primeiro significa "aguentar," "sofrer" e até "permitir
que outros andem sobre" vós, vossas idéias e vossos planos (I Cor. 6:7). O
segundo implica não somente uma diferença de opinião ou método, mas também
que alguém foi ofendido. Em tal caso não devemos somente suportar ao irmão,
mas também perdoá-lo, cancelar a sua divida (Lucas 7:42). Dizer, "Eu perdôo,
mas não esqueço" pode ser tudo, menos cristão. "Mas ele se virará e se
aproveitará de mim", dizeis vós. Então, o que foi que nosso Senhor
aconselhou? Mat. 18:21,22! Não. devemos guardar rancor ou mesmo uma
lembrança da transgressão.
SE ALGUÉM TIVER QUEIXA. Se qualquer irmão tem uma justa razão para pedir
satisfação de um outro, deve seguir o processo em esboço de Mat. 18:15-17. A
dificuldade com a maioria de nós é que falamos contra nossos irmãos quando
realmente não temos base para nossas queixas. CONTRA OUTRO.
Provavelmente refere-se a outro irmão, se bem que devamos também perdoar
incrédulos, como fez nosso Senhor (Rom. 5:8). ASSIM COMO CRISTO. Da
mesma maneira e com a mesma largueza com que nosso Senhor, o Juiz (João
5:22-27, 30) perdoou, assim devemos nós. Ele pagou um preço terrível por
nosso perdão, o qual não foi imposto a Ele. Ele fez isso por amor. Ele é
chamado Senhor aqui para lembrar-nos de que não foi o Jesus humano,
mas o exaltado Criador e Legislador do universo quem sofreu em nosso lugar.
VOS PERDOOU. Muito mais do que murmurar apenas palavras polidas,
"estais perdoados", ou esquecendo o que existia contra nós, Ele pãaou o
preço total da "queixa" que Deus tinha contra nós. Ele apagou o registro e
nos restaurou a uma posição correta diante de Deus. ASSIM TAMBÉM VOS.
Agora Paulo insta conosco que perdoemos a outros da mesma maneira;
assim também vós. É pedir demais? Não pediu já nosso Senhor o mesmo? (Mat.
18:23-35).
Versículo 14. E SOBRE TUDO ISTO significa que, em adição a tudo
o mencionado nos versículos 12, 13, o seguinte é a pedra angular e é isto
que dá vida e significação ao novo homem (v. 10). (REVESTI-VOS DO) AMOR.
Ele louvou-os pela sua caridade em 1:4. Agora deseja que eles aumentem
e desenvolvam um amor perfeito por todos os homens, a marca do cristão (João
13:35). Amor é "o melhor caminho"! Antes de concluir que tendes
este amor, considerai se daríeis ou não vossa vida por qualquer pessoa,
especialmente um inimigo (João 15:12, 13)!
QUE É O VÍNCULO DA PERFEIÇÃO. Amor contém todas as graças juntas
no novo homem e atrai através delas o cristão para a perfeição. A palavra
traduzida vínculo consta em 2:19; Ef. 4:3; Atos 8:23, e significa
"prender com cadeias." Tão grande é o amor que sem ele as outras graças
tornam-se sem significação. Por ela o novo homem é moldado na imagem do
Criador (v. 10).
Perfeição aqui significa "tendo a qualidade de ser perfeito."
(Vide 1:28; 4:12). Como posso eu alcançar a perfeição? É possível ser
perfeito? Em primeiro lugar deve ser possível, ou Jesus não o pediria (Mat.
5:48). Esforços par guardar a lei, contudo, não o conseguem, nem o consegue
o poder da carne. Tanto a oração como a paciência ajudam (I Pedro 5:10;
Tiago 1:4). Mas como vimos neste verso, o amor é fator que vincula. Devemos
nos vender completamente a Deus (vv. 5,8; Mat. 19:21) e andar em união com
Cristo (2:10; João 17:23). Devemos procurar amar do íntimo a todos.
Versiculo 15. E A PAZ DE DEUS. Deus está desejoso de nos dar
paz--não a ausência da guerra, contenda, ou mesmo problemas. Ao contrário, é
a integração da personalidade no meio da barafunda do século vinte (João
16:33). Uma personalidade integrada é aquela que tem todas suas partes
individuais plenamente desenvolvidas e em harmonia com todas as outras
partes, aquela que as tempestades da vida não podem desarraigar. Como? Pondo
em prática os mandamentos e exortações encontrados entre 2:20 e 3:14.
Não somente deveis deixar a paz entrar, mas deixar que ela DOMINE EM
VOSSOS CORAÇÕES. A paz deve ser predominante em nossa natureza, deve
superintender nossa luta diária e deve governar nossos corações enquanto
procuramos as soluções para nossos problemas. Por que ele diz corações?
Na análise final nossos corações, isto é, nossas emoções e desejos, tem
controle de nossas vidas. Até mesmo a vontade e a mente inclinam-se diante
das afeições. PARA A QUAL TAMBÉM VÓS FOSTES CHAMADOS. Antes da
ordem, veio o chamado à paz do coração. O enfático vós fortalece o
conceito de que Deus nos escolheu a cada um individualmente, e isto antes da
Criação (Ef. 1:4). Conquanto chamados separadamente, devemos ser uma
unidade, a Igreja: "em um corpo" (1:18, 24). Aqui está unidade na
diversidade (I Cor. 12). Um lugar onde a paz deve reinar é na igreja. Que
não haja nela a paz, não se pode culpar o pastor ou qualquer outra pessoa.
Vós e eu somos os culpados. Até que a paz seja uma carcterística da vossa
vida e da minha, nunca o será da igreja local.
Ao fim da sentença Paulo liga outro mandamento, aparentemente sem
relação: E SEDE AGRADECIDOS. Paz não é trégua armada, mas antes
reconciliação com Deus. Antes que possamos ter paz com Ele e conosco mesmos,
toda nossa vida deve ser modificada (2:20-3:14). Isto é o que a salvação
significa! Em vez de ficamos taciturnos e renitentes, alegremo-nos com a
transformação. Deveríamos irradiar agradecimentos e glorificar a Deus pelo
privilégio (1:12).
Versículo 16. A PALAVRA DE CRISTO HABITE EM VÓS ABUNDANTEMENTE é
o nono2 e último mandamento sobre o desenvolvimento da personalidade
cristã. Permiti que esta mensagem sobre Cristo penetre e encha vosso
coração. Deixai que ela faça isto por ouvir atentamente, muita leitura,
estudo profundo e meditação constante. Devemos conhecer a Bíblia inteira,
mas especialmente todo o Novo Testamento. Neste caso abundantemente
significa "grandemente" ou "ricamente." EM TODA A SABEDORIA. Não do
mundo, mas sabedoria di-vina (I Cor. 2:5-8). (Vide 1:9; Ef. 1:8). Não é
suficiente conhecer e até mesmo decorar a Palavra. Não! Devemos meditar nela
até que entendamos o significado de cada passagem (v. 2). Procuremos mais
sabedoria (Tiago 1:5; I Cor. 2:16) e não apenas mais conhecimento.
ENSINANDO-VOS E ADMOESTANDO-VOS são os mesmos verbos usados em
1:28. Aqui, contudo, ambos são dirigidos para o cristão (II Tes. 3:15). Em
lugar de argumentar ou repreender devemos guiar para um mais profundo
conhecimento da verdade. Para aqueles que persistem nas idéias ou ações
heréticas, devemos prevenir quanto às consequências (Tito 3:10; II Tim.
3:16). UNS AOS OUTROS, indica que o ensinamento e a admoestação não
deve ser entregue somente ao pastor. Não, todos nós somos prelados na casa
de Deus (I Pedro 2:9). Cada um deve ajudar seu irmão.
Paulo mostra três maneiras pelas quais podemos ensinar e admoestar a
outros; POR MEIO DE SALMOS, HINOS E CÂNTICOS ESPIRITUAIS. O
primeiro se refere a cânticos sacros, especialmente aqueles do Velho
Testamento. O segundo se refere a cânticos de louvor e adoração a Deus (Atos
16:25; Heb. 2:12). A última é a palavra comum para cântico. O adjetivo
espiritual pertence especialmente à última palavra e indica que os
cânticos devem estar em contraste com os mundanos e carnais. CANTANDO
COM GRAÇA EM VOSSO CORAÇÃO, isto é, cantando graciosamente. Nem todos
tem uma voz bonita, nem é isto necessário. Para Deus a beleza consiste em
que o cântico venha ou não do coração. Muito freqüentemente cantamos
melodias e palavras para "efeito." Mas nosso cântico deve ser dirigido A
DEUS, não a homens. De maneira que, nossos cânticos devem louvar e
glorificar a Ele, e preparar nossos corações para adorá-lO.
Versiculo 17. E TUDO O QUE FIZERDES. Paulo agora resume o
propósito do crente e a direção para a sua vida. Fizerdes pode ser
aplicado a tudo que tivermos em mente, toda ação clara. POR PALAVRA OU
POR OBRAS. A referência é especialmente para nosso testemunho cristão.
Nosso ensino levanta e exalta o Senhor Jesus ou estamos nós propensos a ir
atrás das idéias dos homens (2:8; 18, 19)? Uma vez que o silêncio em certas
ocasiões é tão eloqüente quanto o falar, seremos igualmente julgados por
ele. Quantas oportunidades temos perdido? Fomos salvos para fazer boas obras
(Ef. 2:10). Contudo é possível fazer Sua obra de tal maneira que traga
desonra sobre Ele (Rom. 2:17-24).
FAZEl TUDO EM NOME DO SENHOR JESUS. Tudo é absoluto e
compreende toda ação (I Cor. 10:31). No nome do significa "para a
glória do" (João 14:13). Não devemos ser teimosos e rebeldes em nosso
serviço. Ao contrário, devemos estar DANDO POR ELE GRAÇAS A DEUS PAI.
Regozijo e gratidão a Deus formam um caminho no qual podemos andar
dignos de Cristo (1:12). Como cristãos, felicidade assim como amor devem ser
nossa marca de identificação (3:15). Transportamos nossos agradecimentos a
Deus por meio de Jesus Cristo. Como? Pelo louvor em Seu nome, por
agradecermos como Ele o faria (Ef. 5:20). Fora de Jesus não temos acesso a
Deus, nem mesmo para agradecer-lhe.
Versículo 18. ESPOSAS, ESTAI SUJEITAS A VOSSOS PRÓPRIOS MARIDOS.
Temos sempre certos versículos "difíceis" aos quais ignoramos. Este é um que
as mulheres cristãs geralmente afastam e ao qual seus maridos se apegam. Os
homens, contudo, não tem direito de forçar suas esposas a serem obedientes;
pois a submissão requerida não é aquela pedida nem da criança nem do escravo
(vv. 20,22). Ao contrário, é uma obediência voluntária A esposa
deve subordinar-se voluntariamente. Conquanto normal para todas, é mais
dificil para aquelas .que tenham sido independentes por um certo número de
anos. Contudo esta atitude deve tomar o lugar do primitivo espírito
independente. Assim como Cristo é a Cabeça absoluta da Igreja, assim, o
homem deve ser a da mulher (Ef. 5:23, 24; I Cor. 11:3-9). Uma jovem deve ser
cuidadosa na escolha do homem com quem se casar, para que este possa exigir
seu respeito e obediência.
Sabendo que algumas pessoas, ainda mesmo em seus dias, objetariam, Paulo
adicionou, COMO CONVÉM NO SENHOR. Deus os tinha feito "um" e não
deveria haver dúvida quanto a "qual esse um." Assim como uma pessoa de duas
cabeças não pode subsistir, assim é com uma família de duas cabeças. As
pressões e esforços são demasiados, e o desquite fácil demais. A frase
no Senhor não é uma limitação da sua obediência às coisas de Deus. Ao
contrário, sua submissão deve ser digna do Senhor e glorificá-lO (v. 17).
O versículo 19 completa o versículo 18. MARIDOS, AMAI A VOSSAS
MULHERES, E NÃO AS TRATEIS COM AMARGURA. É da natureza humana que os
homens na sua ansiedade pelo versículo 18, negligenciam este mandamento
feito para eles! Muitas vezes a natural inclinação da esposa para ser
submissa é frustrada pelo fracasso do marido em cumprir com este versículo.
Antes de definir o significado do amor aqui, devemos notar duas coisas que
ele não significa. Primeiro de tudo, ele não está aconselhando contra
relações extra-matrimoniais. Isto teria requerido uma afirmação mais
explícita. Nem está ele se referindo ao amor normal que um homen tem por sua
esposa. Isto ven naturalmente sem qualquer mandamento. O verbo usado para
amor é o mesmo usado para amor divino e indica uma afeição
dominante pelo outro. Muitos entram no casamento com paixões inflamadas e o
desejo de obter dele tudo que puderem. Cristo nos amou tanto que deu
Sua vida por Sua Noiva. Assim, o marido deve amar sua esposa como a si
mesmo (Ef. 5:28,29), e ainda mais do que a si próprio.
Aquele que ama sua esposa desta maneira não há de ser áspero ou rude com
ela. Isto seria inconsistente com o amor. Em outras palavras, o marido não
deve usar o versículo 18 como uma clavs para forçar sua esposa à submissão,
mas sim o amor.
Versículo 20. FILHOS. Não os pequenos, mas filhos e filhas que
tenham chegado à adolescência (Gál. 4:1). Aqui a palavra indica a relação
entre filhos e pais. Traz à mente os sacrifícios dos pais para criar os
filhos. OBEDECEI A VOSSOS PAIS. O verbo aqui é completamente
diferente daquele do versículo 18. Aqui a ordem é para ouvir, para aceitar
submissamente e obedecer (Atos 12:13, 6:7; Mat. 8:27). Nem devemos nós
obedecer de má vontade. Ao contrário, Deus deseja que cada um se submeta
voluntariamente e com obediência amorosa a seus pais. EM TUDO
significa "com respeito a tudo." Mesmo o verso paralelo em Efésios (6:1) não
limita a obediência requerida. Como em Col. 3:18, a frase no Senhor
em Efésios significa que a obediência é para ser rendida como ao Senhor e
por Sua glória. Que este é o sigmificado está visto pelo final deste verso:
POR QUE ISTO É AGRADÁVEL AO SENHOR. A frase pode ser aplicada a
todos os 6 mandamentos (3:18-4:1), mas é mais apropriada aqui, pois os
jovens estão no período de transição, no qual o espírito de independência é
muito forte. Dest'arte, é natural para eles rebelarem-se, serem
autosuficientes e "sabe-tudo". Contudo, são ainda crianças e têm uma dívida
tremenda para com seus pais e parte desta dívida pode ser paga por
obediência pronta e voluntária. Somente em casos em que os pais requeiram
alguma coisa contrária à revelada Palavra de Deus têm os jovens razão para
desobedecer.
Versículo 21. PAIS. Na sociedade antiga o pai era
inquestionavelmente a cabeça do lar e, desta forma, o único apto a ser
culpado de quebrar este mandamento. Com o crescimento do poder e prestígio
da mãe na sociedade moderna, deve também a elas ser aplicado este
mandamento.
NÃO IRRITEIS A VOSSOS FILHOS, que é, não os "provoqueis demais",
ou não os "exaspereis". Não os "forceis" à ações drásticas. Em vez de
importunar, a atitude do pai deve ser semelhante aquela exigida no versículo
19. Tratai-os como seres humanos, respeitai suas idéias e não espereis deles
coisas desrazoadas. Por outro lado, Paulo não quer dizer que as crianças são
livres de sujeição ou que devem tomar conta da casa. Elas devem estar em
sujeição (v. 20; I Tim. 3:4, 12). Há uma hora para a punição, se bem que
esta sempre deva ser para o bem das crianças, não apenas para dar alívio a
emoções recalcadas da parte dos pais (Heb. 12:5-11).
A razao para a repressão paterna é PARA QUE, as crianças,
NÃO PERCAM O ÂNIMO. Isto é, que fiquem desgostosas. Punição é para
ensinar e desenvolver o caráter da criança, não para quebrantá-la ou para
ser causa de que ela perca a confiança e respeito a seus pais.
Versículo 22. ESCRAVOS. Na escala dos direitos pessosis o
escravo vem por último. Ele está completamente à mercê do seu senhor. Se o
escravo deve esforçar-se por bem servir so seu senhor, quanto mais devemos
nós servir aqueles que nos empregam e nos pagam mais do que meramente nossa
casa e comida? OBEDECEI EM TUDO. Exatamente o mesmo do versículo
20. Obediência absoluta! A única exceção seria em seguir um mandamento que
estivesse definitivamente em oposição à revelada vontade de Deus. Obediência
deve ser rendida A VOSSOS SENHORES SEGUNDO A CARNE. Aqui,
senhor significa "patrão", 'dono" e, num sentido, "um deus", pois ele
controlava a vida e a morte de seu escravo. Mas o controle e influência dos
nossos senhores ou empregadores terrenos são limitados a esta vida física.
Eles não podem tocar nossas almas, exceto se nós o permitirmos (Lucas
12:4,5).
Aquilo que é requerido NÃO é para ser feito SERVINDO APENAS
SOB VIGILÂNCIA, COMO PARA AGRADAR AOS HOMENS. Sob vigilância significa
"trabalhando quando vistos." Os que assim procedem não tem interesse no
trabalho em si. Seu intuito é ver que seu trabalho seja notado e, ao mesmo
tempo, esforçar-se o mínimo possível. Tal atitude não tem lugar entre
cristãos. Ao contrário, devemos apresentar um trabalho o mais perfeito
possível para agradar tanto ao Senhor como ao nosso patrão. MAS EM
SINGELEZA DE CORAÇÃO, TEMENDO A DEUS. Não com motivos dúbios, mas com
sinceridade e simplicidade de propósito. Ao servir os homens devemos
trabalhar no temor do Senhor, temor no sentido de respeito, mas
também com seu significado normal de "terror" (Heb. 12:28, 29; II Cor.
5:11). Em vez de sermos tão "familiares", tão íntimos com Deus, lembremo-nos
de que tudo que fizermos deverá glorificá-lO. Em contraste com os muitos
senhores, Ele é O Senhor (I Cor. 8:5, 6). Nós temos um Senhor
e devemos servi-lO prazerosamente. (Mat. 6:24).
Versículo 23. TUDO QUANTO FIZERDES. Esta frase é muito
semelhante na forma e significado ao começo do versículo 17. FAZEI-O DA
ALMA. Enquanto que no versículo 17 é apenas subentendido o segundo
verbo; aqui o verbo é ao mesmo tempo incluido e trocado por um mais forte,
trabalhar. Alma é quasi sinônimo de "coração" (v. 22) e se refere
aos mais íntimos anseios e desejos do nosso ser. Em vez de temos motivos
superficiais ou monetários, nossas vidas devem ser dirigidas por princípios
profundamente arraigados. Nossos esforços como cristãos devem ser feitos
como ao Senhor e não aos homens. Isto é uma confirmação da última parte do
versículo 22. Algum homem pode ser nosso patrão ou juiz hoje e amanhã, mas
Deus está sempre no trono e é para com Ele que temos responsabilidade (v.
24).
Versículo 24. SABENDO QUE RECEBEREIS DO SENHOR O GALARDÃO DA HERANÇA.
Graças a Deus nossa fé não é baseada em conjectura ou filosofia de
homem (2:8). Podemos saber, isto é, ter certeza de que nosso
trabalho será julgado por um Deus imparcial. Este verso é uma resposta ao
"por que" levantado no versículo 23. Tudo que temos e somos veio dEle como
um depósito. Não somente isso, mas nossa recompensa futura ou pagamento vem
dEle (I Pedro 1:4). Ao contrário de 1:23 não há dúvida implícita ou
afirmada. Como herdeiros de Deus recebemos nossa justa retribuição no dia do
trono do julgamento de Cristo (II Cor. 5:10).
Versículo 25. Porque A CRISTO, O SENHOR, SERVIS. Paulo conclui
este parágrafo dirigido aos servos ordenando enfaticamente a eles que sirvam
a Jesus Cristo. Conquanto haja "senhores segundo a carne" (v. 22), esta é a
quarta vez, a contar daquele versículo, no qual Paulo chama nosso Salvador
pelo mesmo termo, Senhor, para contrastar o único com os muitos.
Aqui ele acrescenta Cristo para relembrar-nos da Sua missão e
sacrifício em nosso benefício. Daí, nenhum serviço é pesado demais para ser
exigido de nós por Ele.
MAS QUEM FIZER INJUSTIÇA RECEBERÁ PELAS INJUSTIÇAS QUE FIZER.
Paulo está falando aqui sobre crentes, pois aqueles que estão perdidos já
estão condenados (João 3:18). Alguns de nós serão rudemente despertados
quando, em vez de receberem coroas, forem punidos (João 15:6). A esta
afirmação estrondosa Paulo acrescenta o aviso, E NÃO HÁ ACEPÇÃO DE
PESSOAS (Rom. 2:11). Deus é imparcial. Pecado é pecado, mesmo quando
cometido pelo crente (Heb. 12:28,29).
Capítulo IV. Versículo 1. Os donos de escravos (3:22), autoridades
temporais, empregadores, todos aqueles a quem Deus confiou riqueza e poder
são chamados SENHORES. Deles é o último neste ciclo de seis
mandamentos envolvendo relações sociais (3:18-4:1). Em vez de "rude
individualismo", eles devem FAZER O QUE FÔR DE JUSTIÇA E EQUIDADE A
VOSSOS ESCRAVOS. Em lugar de preconceitos da raça, religião ou idade, a
cada pessoa que trabalha para nós devem ser dados respeito e tratamento
imparciais. Não podemos julgar os outros na base de nossas idéias, nem
oprimí-los apenas porque o poder está em nossas mãos. A cada um deve ser
dada a oportunidade de desenvolver e usar seus talentos dados por Deus. Como
podemos nos cognominar Filhos de Deus e perseguir aqueles que são menos
afortunados por sua cor ou credo ou estado social?
SABENDO QUE TAMBÉM TENDES UM SENHOR NOS CÉUS.
Que pensamento
para humilhar os "grandes e poderosos" das coisas temporais. Notai a
diferença entre o que é conhecido da parte do escravo (3:24) e da do seu
senhor! Para um uma promessa, para o outro uma admoestação áspera (Cp. Tiago
1:19,10). Como uma base de ação guardemos sempre esta frase na mente, pois
somos responsáveis perante Ele, e Ele tem absoluto controle de nossas vidas.
Versículo 2. PERSEVERAI EM ORAÇÃO é eqüivalente ao mandamento
dado em I Tes. 5:17. Paulo nos deu seu próprio exemplo em 1:3, 9. Devemos
nos ocupar intensamente em procurar bênçãos de Deus. Através de Cristo todos
os crentes são feitos sacerdotes e recebem o direito de acesso a qualquer
momento a Deus. Não é extranho, então, que o Criador do universo deva
implorar a nós que oremos? E não é ainda mais extranho que nós não
o fazemos!
Não somente devemos orar, mas devemos fazê-lo constantemente. Não é uma
questão do quantas vezes devemos orar ou se orações longas sao mais efetivas
do que as curtas. E sim, de que muita oração nos capacita a descobrir o
plano de Deus e nos dá comunhão com Ele. Também ajuda a desenvolver o
conhecimento dEle, e conhecê-lo é a vida eterna, João 17:3. Orar
não somente muda "coisas", mas também a "nós."
VELANDO NELA COM AÇÃO DE GRAÇAS. Não como os discípulos (Mat.
26:40, 41), mas sim vigiando e esperando nEle. Oh, quão facilmente o sono
vem aqueles que procuram a oração! Ao contrário, estejamos completamente
despertos, apeguemo-nos a Deus quando as forças do mal avançarem contra nós,
e quando nós, como a Igreja, devemos avançar contra elas! Enquanto vigiamos
devemos ser agredecidos, lembrando-nos de bênçãos passadas e presentes e
louvando-O por bênçãos futuras prometidas. (Vide 1:12; 3:15) Com base nas
Suas promessas podemos começar a dar graças por respostas que ainda não
foram recebidas!
Versículo 3. ORANDO TAMBÉM JUNTAMENTE POR NÓS. Levantai os
vossos olhos das vossas próprias necessidades e do trabalho no qual Deus vos
colocou e lembrai-vos dos Seus filhos e do Seu programa ao redor do mundo.
Não useis o método da oração indefinida: "Senhor abençoa todos os obreiros";
mas sim lembrai-vos das necessidades individuais e dos problemas de cada um
(1:9). Paulo não pediu a eles que orassem para que suas penas fossem
aliviadas, nem que ele fosse libertado da prisão (v. 18). Muito menos
procurava ele que sua vida fosse poupada (Filip. 4:11). Naquela hora negra
seu único pensamento era QUE DEUS NOS ABRA UMA PORTA DA PALAVRA.
Ele não estava envergonhado do Evangelho, ao contrárío ele procurava
oportunidades de proclamá-lo. Procuramos nós o mesmo? "Deus ouve e responde
a orações." Escrevendo aos filipenses cerca de um ano mais tarde, Paulo
menciona os resultados dessas orações (Filip. 1:12, 13).
PARA FALAR.
Ele tinha que falar, não podia permanecer calado (v.
4). Ele queria falar do MISTÉRIO DE CRISTO. O mistério de
Cristo é a palavra que Paulo procurava proclamar. Como em 1:5
e 3:16 refere-se à mensagem do Evangelho em geral e à pessoa de Cristo em
particular. Aqui Paulo se refere especificamente à verdade revelada sobre
nosso Senhor Jesus, Sua pessoa e trabalho como o Messias de Deus. A única
oração de Paulo era que ele pudesse fazê-lO conhecido. Que censura dolorosa
é esta para aqueles que, ou negam ou simplesmente negligenciam a Cristo!
PELO QUAL TAMBÉM ESTOU PRESO. Ele estava pronto a morrer por Cristo,
Estamos nós?
Versículo 4. Paulo tinha pedido aos colossenses que orassem por ele, e
agora declara o propósito do seu pedido. PARA QUE O MANIFESTE, COMO ME
CONVÉM FALAR. Deus deu a Paulo um certo trabalho a fazer, o qual era,
pregar o Evangelho (1:25). Ele foi compelido a evangelizar, mesmo que não
tivesse querido fazê-lo (I Cor. 9:16, 17). Graças a Deus, Paulo não o fez
com má vontade ou relutantemente! Ao contrário, ele tinha a mesma compaixão
consumidora que arrastou nosso Senhor em direção a cruz (Mat. 9:36). Somos
chamados a ganhar outros para Deus e, como Paulo, deveríamos ser
"constrangidos pelo amor de Cristo" a aproveitar toda oportunidade (v. 5; II
Cor. 5:14).
Versículo 5. Tendo pedido que eles orassem para que seu testemunho
surtisse efeito (vv. 3,4), Paulo agora volta-se e dá-lhes algumas sugestões
que os ajudarão a trazer outros a Cristo. Primeiro, ANDAI COM SABEDORIA
PARA COM OS QUE ESTÃO DE FORA. Nossos costumes e hábitos diários devem
ser governados pela mente divina de Cristo (I Cor. 2:16). "Sede prudentes
como as serpentes e símplices como as pombas" (Mat. 10:16). Andar com
sabedoria é equivalente a andar nEle (2:6). Nenhum cristão
deveria dar aos incrédulos qualquer base para caluniar Cristo ou Sua Igreja
(1:22; I Tim. 3:7). Somos abençoados quando as pessoas nos acusam
"falsamente" (Mat. 5:11). A igreja primitiva tinha poder e pureza em sua
união com Cristo (Atos 5:12, 13). Temos nós?
Enquanto vivemos entre incrédulos, devemos estar REMINDO A
OPORTUNIDADE, que é, salvando-a de perder-se. Há horas quando não é
aconselhável falar, há outras que, apesar de fugazes, são perfeitas para
testificar para glória de Deus. Não devemos permitir que estas últimas
escapem de nós. Esta recomendação de "aproveitar-se" o tempo, veio de um
homem na prisão, um que poderia não ter tido mais nenhuma oportunidade.
Nunca sabemos quando teremos outra oportunidade de alcançar a mesma pessoa.
Versículo 6. Tendo pedido a eles que orassem por ele para que tivesse
oportunidade de testificar (v. 3), Paulo agora fala do testemunho deles
diante do mundo. A VOSSA PALAVRA SEJA SEMPRE AGRADÁVEL. Nosso
"andar com sabedoria" (v. 5) deve ser bonito e com tacto. Não apenas de vez
em quando, ou quando nos sentimos dispostos a isto--não! Devemos sempre
ter a mesma prudência--uma que brote normalmente do coração.
TEMPERADA COM SAL não significa que devemos esfregar sal nas feridas
ocasionadas por observações ferinas. Ao contrário, nossas palavras devem ter
a qualidade do sal. Assim como o cozinheiro deve ser cuidadoso na
quantidade, assim devemos nós colocar o sal, nem muito pouco, nem demais em
nossa conversaçao. Muito pouco é ineficaz e demais causa repulsa. Se bem que
somente o Espírito Santo possa nos guiar corretamente neste assunto, seremos
julgados por aquilo que dissermos e pelo efeito que as nossas palavras
produzirem (Mat. 12:33-37).
PARA QUE SAIBAIS COMO CONVÉM CADA UM RESPONDER AO OUTRO.
O
propósito da graciosidade e tempero é elevar nossa conversação e torná-la
apropriada. Ele diz responder, referindo-se à nossa resposta às
perguntas e problemas sobre vida e salvação. Devemos não somente crer, mas
saber "o que" cremos e como colocar esse conhecimento em palavras agradáveis
e que conquistem. Não somente o clero mas todos os Seus filhos devem estar
prontos a dar uma resposta pela esperança que repousa dentro deles (I Pedro
3:15.).
_______________
1 A frase adicional "sobre os filhos da desobediência" deve ser
omitida. Foi provavelmente encaixada neste versículo de Ef. 5:6.
2 3:1, 2, 5, 8, 9, 12, 13, 15.
VII. Conclusão (4:7-1 8)
1. Missão de Tíquico e
Onésimo (4:7-9)
a) Revela o estado de Paulo
b) Conforta os colossenses
2. Saudações dos cooperadores
de Paulo (4:10-14)
a) Dos judeus cristãos
(4:10-11)
(1) Aristarco
(2) Marcos
(3) Jesus
b) Dos gentios cristãos
(4:12-14)
(1) Epafras
(2) Lucas
(3) Demas
3. Recomendações finais de
Paulo (4:15-17)
a) Saúda as igrejas em:
(1) Laodicéia
(2) Casa de Ninfa
b) Lede esta e a Carta aos
Laodicenses
c) Dizei a Arquipo para
atentar para seu ministério
4. Assinatura (4:18)
CAPÍTULO VII
CONCLUSÃO
Nestes últimos 12 versos Paulo conclui a carta explicando a missão de
Tíquico e Onésimo e incluindo saudações dos seus cooperadores em Roma.
Timóteo é excluido porque e citado em 1:1 como co-autor com Paulo de toda
a epístola. Depois de três recomendações finais pessoais Paulo encerra a
carta com sua assinatura.
Versículo 7. Paulo tinha muitos inimigos e alguns que se cognominavam
amigos, os quais o abandonaram. Ele estava também rodeado de alguns amigos
chegados e fiéis. TÍQUICO, IRMÃO AMADO E FIEL MINISTRO E CONSERVO NO
SENHOR. Assim como Timóteo e Tito, Tíquico era um dos coadjutores de
confiança de Paulo. Ele levou não somente esta carta mas também a dos
efésios. Muito depois que outros tinham abandonado Paulo, Tíquico
permaneceu fiel (Tit. 3:12). Se bem que nascido e criado nas redondezas de
Éfeso (Atos 20:4), evidentemente ele não era de Colossos (Cp. 4:9). Todos
nós somos amados de Deus (3:12), se bem que muitas vezes nossa maneira de
ser e nossos métodos nos tomem odiosos a nossos irmãos. Não era assim com
Tíquico. (Sobre fiel ministro e conservo vide 1:7 onde o
mesmo é dito de Epafras). Ele era um escravo de Cristo, cooperador de Deus
no Evangelho (I Cor. 3:9). Ele satisfez sua divina chamada. E nós?
Tudo entre Tíquico e a frase seguinte foi um parêntesis de louvor.
Agora Paulo declara qual a sua missão. Tíquico VOS FARÁ SABER O MEU
ESTADO. Isto é, ele contaria aos colossenses tudo que estava
acontecendo em Roma, concernente a Paulo e ao Evangelho. Seu relato sem
dúvida incluia o progresso do julgamento, o desenvolvimento do Evangelho e
até mesmo a saúde de Paulo. Além disso ele responderia a qualquer pergunta
que eles tivessem com referência a Paulo ou à sua epístola.
Versículo 8. O QUAL VOS ENVIEI COM ESTE MESMO PROPÓSITO, PARA QUE
SAIBAIS DO NOSSO ESTADO E CONSOLE OS VOSSOS CORAÇÕES. Tíquico foi
honrado e escolhido por Paulo, não somente para levar a carta e relatar da
condição das coisas em Roma, mas também para animar e confortar os seus
corações. Em lugar de procurar descobrir mais sobre eles, como a versão de
Almeida diz, temos aqui uma reiteração da comissão mostrada no versículo
7. Epafras tinha já dado um relato completo a Paulo (1:8); se Tíquico
fosse enviado para conseguir outro, mostraria falta de confiança em
Epafras. Segundo, Tíquico deveria confortar os corações dos colossenses no
lugar de Paulo (2:2,5). Em vez de entrar na política da igreja ou tentar
"dirigir" a igreja e dizer a ela como proceder, ele deveria edificar os
membros fortalecendo-os na sua fé em Cristo.
Versículo 9. JUNTAMENTE COM ONÉSIMO, AMADO E FIEL IRMÃO.
Onésimo era um escravo fugitivo no seu caminho de volta para seu dono,
Filemom. A conversão transformou-o de um escravo inútil em um irmão fiel e
amado. A fim de exaltá-lo aos olhos do seu dono e da igreja local Paulo
usa quasi a mesma descrição que ele faz de Tíquico (v. 7) e Epafras (1:7).
Na verdade ele merecia o louvor de Paulo; merecemos nós? Temos sido fiéis
a Deus e aos homens em tudo que sabemos e naquilo que a nós foi confiado?
QUE É UM DE VÓS. Isto é, Onésimo veiu de Colossos (ou suas redondezas).
Certamente isto não significa que ele era um membro da igreja colossense.
Ele encarregou Onésimo com a honra de ser co-embaixador com Tíquico à
igreja. Evidentemente houve uma mudança tremenda em sua vida (Filemon 13).
Ao lado disso talvez houvesse na mente de Paulo alguma dúvida quanto à
recepção a Onésimo (Filemon 16). Naqueles dias uma vez que um escravo
fugitivo era recapturado, não tinha muita probabilidade de sobrevivência.
Então Paulo acrescenta pela terceira vez,
ELES VOS FARÃO SABER TUDO
O QUE POR AQUI SE PASSA.
Que significa esta tríplice repetição em três versos? Conquanto possa
se referir a um grande movimento evangelistico em Roma, os versiculos 3, 4
e 11 indicam o contrário. Poderia indicar um grande interesse da parte
dêeles ou uma vivida espectativa no progresso do julgamento de Paulo.
Versículo 10. ARISTARCO, QUE ESTA PRESO COMIGO, VOS SAÚDA.
Este não é o mesmo Aristarco mencionado no livro de Atos (19:29; 20:4;
27:2). Aquele era um macedônio de Tessalônica; Este é um judeu (v. 11). Se
éle acompanhou Paulo a Roma ou se foi levado prisioneiro ali em uma época
diferente, não sabemos. De qualquer forma, de uma cela em Roma ele envia
sua expressão de bons votos aos irmãos em Colossos.
E MARCOS, O SOBRINHO DE BARNABÉ, ACERCA DO QUAL JÁ RECEBESTES
MANDAMENTOS; SE ELE FÔR TER CONVOSCO, RECEBEI-O.
Marcos vinha de uma
abastada família judaica em Jerusalem e bem jovem entrou em contacto com o
Evangelho (Atos 12:5, 12). Quando jovem, foi como acompanhante de Paulo e
Barnabé na sua primeira viagem, mas logo afastou-se (Atos 12:25; 13:5,
13). Se bem que finalmente reconciliado com Marcos (II Tim. 4:11), Paulo
rompeu com Barnabé por causa dele (Atos 15:37). A desconfiança gerada
morreu lentamente. Cerca de 12 anos se passaram desde a deserção de Marcos
e, embora, ele esteja trabalhando com Paulo, não tem a confiança completa
deste último. Em nenhum outro lugar Paulo apresenta um colaborador da
maneira como ele o faz com Marcos aqui. Em vez de afirmar completa
confiança, ele lembra-lhes do que lhes foi dito a respeito do mesmo. Ele
quasi diz, "Recebei-o, mas com cuidado". O verbo traduzido receber
é um verbo geral e pode significar qualquer coisa desde "benvindo" a
"suportai-o com paciência".
Versículo 11. E JESUS, CHAMADO JUSTO. Não o mesmo Justo
mencionado em Atos 1:23. O nome significa reto. "Jesus" era um nome
comumente usado nos tempos bíblicos e aqui indubitavelmente representa o
nome pré-cristão do homem. DA CIRCUNCISÃO SÃO ESTES ÚNICAMENTE OS MEUS
COOPERADORES. Paulo tinha poucos ajudantes em Roma. Havia três judeus
cristãos (Aristarco, Marcos e Justo) e três gentios cristãos (Epafras,
Lucas e Demas). Timóteo, que era de origem mista, é mencionado em 1:1 como
co-autor. Mais tarde Epafrodito aumentou o grupo por um certo tempo, tendo
vindo de Filipos (Filip. 2:25-30). Apesar de poucos, ainda se tomaram em
menor número durante o segundo aprisionamento de Paulo em Roma (II Tim.
4:10-16). PELO REINO DE DEUS. Paulo pregou o reino (Atos 20:25),
mas estabeleceu igrejas. Com relação ao reino, ele reconheceu um
aspecto presente (1 :13) e um futuro reinado de poder (I Cor. 15:24-28).
Nós trabalhamos para trazer a divina lei de Deus aos corações dos homens e
esperamos a inauguração da era do reinado. PARA MIM TÊM SIDO
CONSOLAÇÃO. Não que Paulo estivesse desencorajado pelo seu
aprisionamento e sim pela sua impossibilidade de proclamar livremente as
Boas Novas as multidões (vv. 3, 4). Estes colaboradores confortaram e
alegraram seu coração porque estavam aptos a fazer o que ele não podia
(Filip. 1:18).
Versículo 12. SAÚDA-VOS EPAFRAS, QUE É UM DE VÓS. Vide 1:7.
Conquanto esta frase possa indicar que ele era um colossense (cp. v. 9),
não há dúvida de que indica sua conexão com a igreja. Ele é ESCRAVO DE
CRISTO. Paulo gosta de usar este termo para descrever a si mesmo
(Filip. 1:1), pois ele indica a completa submissão do "eu" a Cristo (Ef.
5:22-24).
COMBATENDO SEMPRE POR VÓS EM SUAS ORAÇÕES,
refere-se ao hábito
diário de Epafras de apegar-se a Deus em benefício deles (1:9). Ele
desenvolve um tremendo esforço (1:28) por meio de profunda, perseverante e
inteligente oração para ganhar o seguinte: PARA QUE VOS ESTEJAIS
PERFEITOS E COMPLETOS. Os dois objetivos mencionados correspondem ao
que Paulo já tinha delineado na carta. Em 1:28 ele menciona que a
finalidade do seu ministério é aperfeiçoar os santos, isto é, dirigir seu
andar para o plano da sua posição diante de Deus. O segundo pedido é
ligeiramente diferente e refere-se ao controle completo pela natureza
divina a qual é dada no momento da salvação (2:10; II Pedro 1:4). Devemos
estar completamente cheios da pessoa e do poder de Deus e ser dirigidos
por essa pessoa a esse poder a fim de preenchermos aquilo para o qual Deus
nos chamou (Ef. 4:1).
EM TODA A VONTADE DE DEUS. A vontade de Deus
esboça Seu desejo
para as nossas vidas e nos dirige para a perfeição. Quando ele diz
toda, quer significar que devemos ter completa sabedoria e
entendimento do Seu plano para nossas vidas. Este é um excelente versículo
para que construamos nossas vidas ao seu redor! Esta frase dá a entender
que, se bem não seja fácil saber Sua vontade, contudo podemos
sabê-la. O fato de que não seja fácil nos desencoraja de obtê-la. Não
deveria ser assim.
Versículo 13. POIS EU LHE DOU TESTEMUNHO DE QUE TEM GRANDE AGONIA
POR VÓS E PELOS QUE ESTÃO EM LAODICÉIA. E pelos que estão EM
HIERÁPOLIS. A versão de Almeida descreve-o como tendo grande
zelo,1 quando na realidade a palavra indica dores de parto ou
trabalho escessivo (Apoc. 16:10, 11; 21:4). É "vantajoso" orar fortemente
e apegar-se a Deus. As forças satânicas combinam-se com nossa falta de
perseverança a fim de manter-nos afastados da oração efetiva. Somente a
convicção de que a oração produz efeito e uma tremenda compaixão por
aqueles por quem nós oramos, nos tornarão verdadeiros guerreiros da
oração.
As três cidades (Colossos, Laodicéia e Hierápolis) estavam situadas
muito próximas umas das outras e podiam toda ser visitadas no curso de um
dia de viagem. Que esta carta tenha sido dirigida tanto aos colossenses
como aos laodicenses (4:16), mas não aos de Hierápolis, indica que as
condições prevalescentes nas igrejas daquelas duas cidades não estavam
ainda presentes nesta última.
Versículo 14. SAÚDA-VOS LUCAS, O MÉDlCO AMADO, E DEMAS. Paulo
pegou Lucas em Troas na sua segunda viagem e deixou-o em Filipos para
tomar conta da nova igreja. Seis anos mais tarde, na sua última viagem a
Jerusalem, Paulo foi mais uma vez acompanhado por Lucas, o qual
possivelmente ficou com ele até o fim. Pelo menos ele foi com Paulo para
Roma e ficou ao lado dele lá. Lucas foi o único gentio a escrever
Escritura, e, de fato, escreveu mais do que Paulo.2
Demas foi um colaborador de Paulo durante sua primeira prisão (Filemom
24), mas quando as coisas se tornaram difíceis durante a segunda, ele
abandonou-o (II Tim. 4:10). Em vez de estarmos prontos a condená-lo,
oremos para que Deus nos dê forças e que nós permaneçamos fiéis até o fim.
Versículo 15. SAUDAI AOS IRMÃOS QUE ESTÃO EM LAODICÉIA E A NINFA, E
A IGREJA QUE ESTÁ EM SUA CASA. Paulo tinha um ativo interesse nessas
igrejas, se bem que ele não conhecesse a maioria dos crentes (2:1).
Irmãos é equivalente a santos e fiéis de 1:2. Quem era
Ninfa? Onde morava ela? É possivel que a "igreja que está em sua casa"
seja a mesma mencionada em Hierápolis, desde que aquela cidade não é
mencionada aqui (v. 13).
Era comum nos tempos do Novo Testamento que um irmão abastado abrisse
sua casa para as reuniões. Indubitavelmente, isto é o que está significado
em Atos (2:46), onde é dito que eles celebravam a Ceia do Senhor "de casa
em casa". Somente a partir do século terceiro é que os cristãos começaram
a construir casa de adoração. Não é o prédio que faz a igreja, mas sim a
reunião do povo de Deus.
Versículo 16. E QUANDO ESTA EPÍSTOLA TIVER SIDO LIDA ENTRE VÓS,
FAZEI QUE TAMBÉM O SEJA NA IGREJA DOS LAODICENSES. Este é um gentil
lembrete de que a carta é para toda a igreja, e que seu conteúdo não é
para ser silenciado. Aparentemente a infecção herética também tinha
alcançado a igreja laodicense. Não sabemos o que aconteceu à igreja
colossense; mas a carta de Jesus aos laodicenses, escrita cerca de 30 anos
mais tarde, mostra aquela igreja no estágio final de apostasia (Apoc.
3:14-19). Heresia deve ser estirpada. Apesar de que esta carta foi escrita
em forma popular e para uma ocasião específica, era intenção do seu autor
que ela tivesse uma importância duradoura.
E A DE LAODICÉIA LEDE-A VÓS TAMBÉM.
Onde está esta carta?
Alguns acham que desde que as palavras "em Éfeso" estão omitidas nos
melhores manuscritos3 de Ef. 1:1, que Efésios é a carta perdida
aos laodicenses. Contudo Paulo dificilmente mandaria duas tão semelhantes
a duas cidades irmãs e depois pediria que cada uma lesse a da outra. Foi
ela perdida? Desde que o Apóstolo foi inspirado pelo Espirito Santo, como
poderia parte da divina mensagem ser perdida? Contudo nós sabemos que,
pelo menos duas cartas aos coríntios e uma aos filipenses foram também
perdidas.
Versículo 17. E DIZEI A ARQUIPO. Arquipo não estava em
Colossos mas sim como ministro da igreja na casa de Filemon (Filemon 2).
Ele estava, todavia, suficientemente próximo para que lhe entregassem uma
mensagem. ATENTA PARA O MINISTÉRIO QUE RECEBESTE NO SENHOR, PARA QUE O
CUMPRAS! Em si mesmo esta exortação era um gentil mas firme lembrete
para que ele voltasse ao seu serviço. Porém, torna-se quase ríspido quando
nos lembramos de que toda a igreja ouviria essas palavras lidas.
Futuramente ele estaria ainda mais sob o escrutínio da igreja. Não há
nenhum de nós que não necessite de tal observação. Estamos não somente sob
o olhar atento da igreja, mas também somos vistos por Deus. Devemos manter
nossos olhos no alvo para o qual fomos chamados e fazer um tremendo
esforço para alcançá-lo (v. 12; Ef. 4:1; Filip. 3:14).
Versículo 18. SAUDAÇÃO DE MINHA PRÓPRIA MÃO, PAULO. Na
reahidade esta é a sua assinatura. Depois que descobriu que outros tinham
escrito cartas em seu nome (II Tes. 2:2), Paulo adotou o costume de
assiná-las ele mesmo (II Tes. 3:17). Por essa maneira ele tornou a fraude
mais difícil. A frase indiretamente prova que Paulo usava um secretário
para escrever suas cartas, à medida que ele as ditava.
LEMBRAI-VOS DAS MINHAS PRISÕES.
Lembrar não? Dificilmente (v.
3; Filip. 1:20-24). Suas cadeias tinham sido o meio de glorificar a Cristo
(Filip. 1:12-14). Antes, queria que eles se lembrassem do que aconteceu
àqueles que ousam manter-se firmes por Jesus (II Tim. 3:12). Conquanto não
devamos procurar perseguições, devemos recebê-las com agrado como uma
oportunidade de servir e glorificar a Cristo. A GRAÇA SEJA CONVOSCO.
A mesma graça que ele procurou para eles em 1:2.
__________
1 Há uma certa confusão entre os manuscritos quanto à correta
leitura aqui. Alguns têm "trabalho fatigante", outros têm "zelo", ou
"luta". A melhor leitura confirmada é "angústia", "dor". De onde vem toda
essa confusão? Em parte da dificuldade de interpretar a palavra original e
em parte do copiar confuso.
2 Excluindo as epístolas perdidas de Paulo (v. 16)
3 p 46. B "X"
http://www.cblibrary.net/portugue/colossenses/col_ch1.htm