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Colossenses – A perseverança da Igreja na palavra nestes dias difíceis e trabalhosos
 
Lição   1 – Uma igreja ameaçada pelas heresias   
Lição   2 – O perfil dos cristãos colossenses
Lição   3 – A preeminência da pessoa de Cristo       
Lição   4 – O mistério do Evangelho
Lição   5 – O progresso espiritual                             
Lição   6 – O cuidado com as falas doutrinas
Lição   7 – As heresias e os cultos aos anjos           
Lição   8 – Evidências da nossa união com Cristo
Lição   9 – Revestidos das virtudes cristãs             
Lição 10 – O relacionamento do cristão
Lição 11 – A oração e o testemunho do crente         
Lição 12 – Amados e fiéis amigos
Lição 13 – Instruções e bênçãos nas saudações 
 
COLOSSENSES: O Cristo Preeminente
Tradução e comentário por Ricardo Sturz
Traduzido por Danilo Mendes de Vasconcellos
1957
 
Conteúdo
I. Prefácio
II. Introdução
III. O Desejo de Paulo para o Crente
IV. Relação de Paulo com as Igrejas
V. Exposição de Paulo de Superioridade de Cristo
VI. Relações Cristãs
VII. Conclusão
 
O Cristo Preeminente
I. Introdução (1:1-8)
1. Saudação (1:1,2)
2. Exame do estado espiritual dos colossenses (1:3-8)
 
II. O desejo de Paulo para o crente (1:9-22)
1. Que ele conheça a vontade de Deus (1:9-12)
2. Que ele conheça a pessoa de Cristo e Seu trabalho para o Crente (1:13-22)
 
III. A relação de Paulo com as Igrejas (1:23-2:7)
1. Seu ministério (1:23-25)
2. Sua mensagem (1:26, 27)
3. Seu motivo (1:28-2:3)
4. Seu mandato (2:4-7)
 
IV. A exposição de Paulo quanto à Superioridade de Cristo (2:8-19)
1. Não consintais que alguém vos engane (2:8-15)
2. Não consintais que coisa alguma tome o lugar de Cristo (2:16, 17)
3. Não consintais que alguém faça com que diminuais a Cristo (2:18, 19)
 
V. Relações cristãs (2:20-4:6)
1. Relação com Cristo (2:20-3:17)
2. Relações de um para com outro em Cristo (3:18-4:6)
 
VI. Conclusão (4:7-18)
1. Missão de Tíquico e Onésimo (4:7-9)
2. Saudações dos cooperadores de Paulo (4:10-14)
3. Recomendações gerias de Paulo (4:15-17)
4. Assinatura (4:18)
 
CAPÍTULO I
PREFÁCIO
Colossenses tem apenas 95 curtos versículos e pode ser lido de oito a dez minutos. Ainda assim é um livro para meditação, um livro para embeber a alma, um livro a cujas insondadas profundezas espirituais nós demos descer e ver as gloriosas e escondidas verdades da pessoa que apressadamente passa por elas. Colossenses revela seus tesouros àqueles que desejam pôr em prática os princípios básicos da nova vida em Cristo.
Paulo, o autor de Colossenses, tinha sido levado para Roma como prisioneiro e lá esperava ser julgado por César. Enquanto lá estava, Epafras veio com notícias da Igreja Colossense--tanto dos seus progressos como das suas dificuldades. Paulo ficou perturbado e resolveu por fim a certas tendências na Igreja. Ele assim o fez lançado a luz das glórias de Cristo sobre eles. Mas antes que Epafras pudesse retornar com a carta, foi aprisionado (Filemon 23). Porisso, esta carta foi enviada pelas mãos de Tíquico (4:7-9).
Vamos olhar por sobre os ombros dos anciãos de Colossos enquanto eles lêem esta carta daquele grande guerreiro, Paulo. Ao focalizarmos nossos corações na mensagem, nossos desejos, nossos planos e nossos prazeres perdem sua significação. Em seu lugar permanece Jesus Cristo, o majestoso Filho de Deus. Vistas em relação a Ele, todas as pessoas e todas as coisas reduzem-se ao seu tamanho real. Poucas passagens da Escritura ascendem às alturas cristológicas atingidas nesta carta de Paulo aos colossensses. Paulo rejeita o conceito de não ser Jesus nem Deus nem Homem. Em vez disso, Ele é declarado ser ambas as coisas. É um glorioso hino de louvor, exaltação e adoração a Jesus Cristo--o Filho de Deus e homem perfeito.
Esboço. Que escreveu Paulo? Depois de uma breve introdução Paulo apresenta seu desejo de duplo aspecto para o crente: que ele conheça a vontade de Deus e que ele conheça o valor da pessoa e da obra de Jesus Cristo. Daí Paulo mostra sua relação com a Igreja em geral e com a Igreja Colossense em particular. Depois de lançar este fundamento, ele faz a tremenda proclamação de que Cristo é igual a Deus e superior a TODOS os outros "seres". Deste alto ponto concluido em 2:15 o Apóstolo brada dois grandes avisos: "Não consintais que coisa alguma usurpe o lugar de Cristo" e "Não consintais que pessoa alguma faça com que O negueis". Então, com um grande "Pelo que" ele lança-se nas várias relações do crente: primeiro com Cristo, em seguida com o mal e o bem e, finalmente, de um para com outro. O capítulo quatro uma espécie de coleção de exortações e informações. Nós bem podemos considerá-lo uma conclusão prolongada, o resumo de um número de pontos mais ou menos relacionados.
A heresia. Que os falsos mestres eram de conviccão judaica deduz-se pela menção do sábado e da explicação concernente à circuncisão e à lei. (2:16,13,14). Ao mesmo tempo eles pelo menos fingiam ser crentes, de outra forma sua influência não teria sido perigosa. Eles criticavam Paulo e chamavam o seu Evangelho de defeituoso. "Com estes Judaizantes Essênios ou Gnósticos a Lei Mosaica não era nem o motivo, nem o padrão, era apenas o ponto de partida para suas severidades."1 Sua heresia estava principalmente em dois campos: primeiro, na ética; isto é numerosos regulamentos elaborados da Lei de Moisés (2:16-23). Desde que a matéria era considerada má, estas regras tomaram a forma, em larga escala, de uma restrita abstinência ascética de certos alimentos e bebidas, na base de que somente desta forma "era possível ao crente obter liberdade adequada da matéria e das forças que regem a mesma."2
O segundo elemento da sua heresia era teológico; isto é, envolvia a pessoa de Cristo. Embora eles adorassem ao Senhor, exaltavam e proclamavam que certos seres espirituais possuiam vastos poderes mediadores (1:16) . Desde que eles eram judeus e cristãos, por pouco deixaram de adorar estes anjos (2:18).3 Contudo estes espíritos não eram capazes de ligar a brecha existente entre Deus e os homens, porque não eram eles nem homens, nem Deus.
Propósito. Escrevendo para corrigir as idéias falsas que estavam devastando as Igrejas de Colossos e Laodicéia, o grande apóstolo abriu as portas para nos mostrar grandes variedades que de outra maneira nunca teriamos conhecido . Ele destroi sua falsa ética mostrando que a verdadeira santificação vem por andarmos com Cristo; isto é, completa identificação com Ele (2:6, 19, 20; 3:1-3, 10). Não devemos matar nossos corpos físicos, mas em lugar disso, matar os desejos e ações da nossa velha natureza (3:5-9). Devemos substituí-la pelo desenvolvimento das virtudes cristãs (3:10-17) . Paulo igualmente destroi sua falsa teologia mostrando o quanto a pessoa e o trabalho de Jesus Cristo excedem o de todos os outros seres (1:14-22). Por isso ele anula a necessidade desses ídolos. A medida que Paulo combatia idéias e erros específicos, ia deixando princípios importantes que têm auxiliado a responder outros problemas surgidos em épocas posteriores.
Composição. A Igreja Colossense era composta na sua maior parte de gentios convertidos (1:21; 2:11, 13). Que havia nela elementos judaicos é visto pela introdução de conceitos judaicos (ver acima) . Havia, de fato, uma grande colônia judaica situada em Laodicéia e cidades vizinhas . Embora a maior parte da igreja permanecesse firme nos dias de Paulo (2:5), a prontidão para seguir estes mesmos ensinos heréticos permaneceu, como deduz-se por alguns dos cânones votados por um concílio eclesiástico reunido em Laodicéia nos meados do século quarto.4 Aparte esta referência indireta, a história da Igreja Colosscnse permanece na obscuridade.
Autoria paulina. A mais antiga referência a Colossenses ainda existente é uma má interpretação de 2:18 na Pregação de Pedro, a qual foi composta. perto de 100 A. D. Cerca de 45 anos mais tarde ela aparece no Apostolicon de Marcion como uma genuina carta de Paulo. Estas duas referências são suficientes para colocar a autoria bem dentro do primeiro século cristão. Além disso, não há razão para um falsário do segundo século citar Colosos como destinatário desta carta em lugar de alguma igreja famosa . "Na literatura inteira da igreja primitiva Colossos não é mencionada nem uma só vez."5 Se a carta foi forjada, suas notícias pessoais e históricas são uma "obra prima sem paralelo" na literatura antiga, vendo-se como elas são absolutamente independentes e contudo não contraditórias às outras cartas paulinas do período. Os críticos de Colossenses têm sido incapazes de demonstrar, que as condições históricas não existiram até mais tarde, nem que a linguagem e o estilo não se harmonizam com as epístolas aceitas como sendo de Paulo. Por isso nós aceitamos Colossenses sem reservas, como uma epistola genuina de Paulo.
Data . Há inúmeras razões para se escolher a prisão em Roma em vez da de Cesaréia. Contra esta última estão as seguintes considerações:
1) Na enumeração de seus cooperadores Paulo dificilmente teria omitido o evangelista. Filipe, com quem tinha estado alojado pouco antes da sua prisão (Atos 21:8-14) . 2) Não há sugestão em Atos da atividade extensa de pregação mencionada nas epistolas companheiras, Colossenses e Filipenses. 3) É difícil imaginarmos o que poderia induzir o escravo pagão, fugitivo, Onésimo, a ir para Cesaréia, sendo que Roma estava cheia de pessoas como ele. 4) Paulo esperava para breve sua libertação (Filip. 1:19-25), o que estava fora de cogitação em Cesaréia, desde que ali ela só poderia ser conseguida por meio de suborno. Por isso, a carta foi escrita de Roma, provavelmente durante o segundo dos dois anos mencionados em Atos 28:30.
Texto. A base para o estudo foi o Novo Testamento Grego, conforme edição do Dr . Erwin Nestle. Portanto, quem estiver seguindo a versão de Almeida ocasionalmente encontrará uma diferença no texto. Em nenhum ponto, contudo, é uma doutrina importante modificada de maneira alguma por estas correções. Os dois manuscritos mais antigos e mais importantes de Colossenses são: um papiro do terceiro século (p 46) e um codex do quarto século (B). Sua combinação é considerada praticamente conclusiva como sendo o texto original. De outro lado, o TEXTUS RECEPTUS, sobre o qual a Versão de Almeida. foi feita, representa manuscritos do nono século.
Há apenas 56 diferenças (cerca de 3 por cento) entre o texto de Nestle e o velho TEXTUS RECEPTUS. Dessas 56, 36 são palavras colocadas como interpolações. Um terço destas está limitado à questão de adicionar ou subtrair a conjunção "e" (vide 3:16), ou o artigo definido "o" (vide 1:16) . Doze diferenças são ocasionadas pelo desvio de pronomes, nomes divinos ou outras palavras. Isto deixa outras oito modificações de vários tipos. Em apenas dois casos (1:4 e 4:8) o Dr. Nestle adicionou palavras que ele conclue que os manuscritos autorizam. Dos 56 casos de variações entre o texto do Dr . Nestle e o TEXTUS RECEPTUS somente quatro6 envolvem três ou mais palavras.
Aqueles que estudam o Novo Testamento em uma tradução podem possivelmente estranharem a causa de certas referências cruzadas serem escolhidas. Embora, possivelmente traduzida por outra palavra. portuguesa, a referência é para a mesma palavra grega e é dada para mostrá-la em outro contexto e para ajudar o leitor a melhor defini-la. Quando a mesma palavra. grega não ocorrer, a referência é introduzida para comparar o sentido da passagem.
No decorrer do comentário aparecem palavras e frases em grifo-maiúsculas. Tais palavras e frases se ajuntam numa nova tradução da carta aos colossenses. Foram incorporadas, nesta, várias frases da revisão feita pela Sociedade Bíblica do Brasil em 1955. De vez em quando uma dessas palavras grifo maiúsculas está colocada entre parenteses, assim (VOSSO) . Como as palavras grifadas na versão de Almeida, estas pa.lavras são necessárias para o senso mas não constam na língua original.
II. Introdução (1:1-8)
 
CAPÍTULO II
INTRODUÇÃO
Da prisão o apóstolo Paulo escreveu esta carta, uma das suas últimas. Na introdução (1:1-8) a epístola segue muito seu costume geral de primeiro nomear-se, em seguida a um cooperador, e depois a igreja que deverá receber a mensagem. Depois, como na carta aos Coríntios, Paulo louva-os pelo que de bom foi encontrado no seu meio, antes de abrir ataque contra a heresia que estava sendo ensinada a eles.
Capítulo I, versículo 1. PAULO estava próximo do fim do seu serviço por Cristo. Cerca de 29 anos tinham se passado desde sua conversão. Dos seus sessenta e tantos anos, menos da metade passou-os como cristão. Ele não começou o que conhecemos do seu trabalho, senão depois de completar 40 anos. Agora ele é um prisioneiro em Roma (4:3), apenas 15 anos depois do início da sua primeira viagem missionária. E desses poucos anos três tinham sido passados na prisão.1 Que notável ministério para ser acumulado no curto espaço de 12 anos!
A palavra APÓSTOLO literalmente significa missionário, isto é, alguém mandado com uma mensagem.2 Paulo foi chamado por Deus para ser um apóstolo (I Cor. 1:1; Atos 9:15,16) aos gentios, para ser um emissário de Deus levando as Boas Novas àqueles que estavam fora do concerto divino (1:21). POR VONTADE DE DEUS. Paulo não se chamou a si mesmo (Gál. 1:1; I Cor. 1:1). A necessidade de pregar o Evangelho foi posta sobre ele.(I Cor. 9:16-18). Deus tem igualmente um plana para vós e para mim. Não resistamos à sua vontade. Todos somos chamados a glorificar a Deus e a ganhar os perdidos para Ele (I Cor. 10:31; João 15:16).
Não somente um apóstolo, mas um Apóstolo DE JESUS CR1STO! Todos nós temos um tópico de especial predileção, tal coma missões vida na plenitude do Espírito espécies de batismo, dispensações, segunda vinda -- tópico esse ao qual continuamente retornamos. Todos eles têm seu valor e o seu lugar, mas nenhum deles, deve ocupar a posição central em nossos pensamentos e pregações. Cristo Jesus era o ponto ao redor do qual Paulo construiu sua vida, sua pregação e sua teologia. Ao mesma tempo em que ele foi cuidadoso em proclamar "todo o conselho de Deus" (Atos 20:27), ele assim o fez relacionando tudo com nosso precioso Senhor. Para Paulo, "em Cristo" era a base de sua pregação, tanto para crentes coma para incrédulos (2:10; I Cor. 2:2).
A frase "apóstoplo de Jesus Cristo" pode igualmente significar alguém "que pertença" ou alguém "que proclama" Cristo Jesus. O primeiro faria-nos entender que havia apóstolos que não pertenciam a nossa Senhor. Isto era verdade, mas aqui a ênfase de Paulo é melhor campreendida coma "aquele que proclama Cristo; pois ele escreve esta carta "para combater o ensino daqueles que proclamavam "outros seres" como sendo superiores ao Filho Unigênito de Deus. Todos nós deveriamos obedecer, como fez Paulo, à última ordem de nosso Senhor, "E sereis minhas testemunhas" (Atos 1:8).
E O IRMÃO TIMÓTEO. Nas 13 cartas existentes de Paulo, ele por 7 vezes inclui como co-autor o nome de um colaborador, quase sempre Timóteo. Paulo tinha especial confiança nele (I Cor. 16:10) e pôs pesada responsabilidade sobre seus ombros (I Tim. 1:3). Ainda assim a carta é basicamente de Paulo. O plural é mantido somente até 1:9. Dali em diante ele fala na primeira. pessoa singular. As exceções (1:28; 4:3) são apenas aparentes.
Versiculo 2. Esta carta foi endereçada aos crentes em Colossos, uma cidade que era dividida pelo Rio Licus. Colossos achava-se retirada da costa cerca de 224 kilômetros e a maioria do seu comércio era feito atravéz de Éfeso e Mileto (vide mapa). Foi também através de habitantes de Éfeso que o Evangelho chegou aos colossenses. A igreja era basicamente gentílica na sua composição (1:21,2:11). "Sem dúvida Colossos foi a menos importante das igrejas às quais qualquer epistola de Paulo foi dirigida."3 Contudo a carta é uma das suas mais importantes!
Paulo chama as irmãos em Colossos de SANTOS porque eles na verdade o eram. Ele não estava se referinda meramente a um grupo seleto dentro da igreja; nem tão pouco a uns ídolos, representantes de pessoas mortas. Quando esta carta foi escrita a igreja cristã tinha apenas 32 anos de existência. Não houve ainda oportunidade para canonizações. De fato, quase todos as líderes principais da igreja estavam ainda vivos. Ao contrário, o nome, claramente, é genérica aos Cristãos em geral (v. 12). Que as pessoas possam ser chamadas "santas" e agirem de maneira pecaminosa é óbvio, como vemos em I Coríntios. Os crentes são chamados IRMÃOS FIÉIS com relação à suas qualidades de perseverança e de dignos de confiança. Todos eram "santos", mas nem todos eram fiéis (1:23; 2:5). Que nenhum de nós fique satisfeito meramente com os nomes, tanto "santos como fiéis", mas que se esforce por ser de fato (1:22,28). Assim como Paulo proclama Cristo, assim eles são "irmãos" EM CRISTO, tendo uma viva relação com Ele (2:10).
Paulo desejou GRAÇA E PAZ a todos os santos. Graça é uma combinação de misericórdia com um esmerado amor de Deus e que resulta numa bênção imerecida. Enquanto que salvação é um ato de graça, Paulo invoca aqui bênçãos de após-salvação (Ram. 8:31,32). A paz que Paulo procura para eles não é descanso da perseguição, pois ele mesmo diz, "Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos" (II Tim. 3:12). Não há no Novo Testamento passagem alguma que dê ao cristão razão "para esperar ser poupado de qualquer perseguição ou tribulação, mas sim graça e paz de espírito enquanto as suportarem. Paz é a integração total da personalidade do crente em comunhão com Deus (3:15, João 16:33). O homem pode acumular bênçãos materiais, pode juntar amigos para alegrá-lo, mas felicidade verdadeira e paz no coração vêm somente por DEUS NOSSO PAI.4 Como Jesus Cristo, Paulo ensinava que a Paternidade de Deus é somente aplicada ao crente.
Versiculo 3. DAMOS GRAÇAS, Paulo diz, mostrando seu interesse na salvação deles e no seu crescimento cristão. Contrariamente a muitos de nós, a alegria do grande Apóstolo ia além do seu restrito círculo e do de seus conversos para incluir aqueles que ele nunca tinha visto (v. 4). Em lugar de "O Senhor abençoe a todos as cristãos em todas as partes", ele orava por suas necessidades particulares e isso diariamente! Possa o Espírito Santo compelir-nos a seguir seu exemplo.
A DEUS, PAI DE. Se bem que Deus seja o Criador e o Sustentador do Universo, não é por essas razões que Paulo Lhe-dá graças, mas sim porque Ele é a fonte de nossa salvação, o Pai de Jesus Cristo e, por conseguinte, de todos as que crêem em nosso Senhor. Há muitos senhores (I Cor. 8:5), mas Jesus não é um entre iguais. Ao contrário, este termo é equivalente a Jeová do Velho Testamento (Filip. 2:9-11). Ele é o Senhor dos senhores; e sendo nosso Senhor, é Senhor de tudo que temos. Compara I Cor. 6:19-20.
NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. Durante sua encarnação, nosso Senhor respondia pelo nome que Lhe tinha sido dada, Jesus. Embora Pedro o tenha chamado de "Cristo" (Mat. 16:16), Ele não era geralmente assim chamado até que teve lugar a Ascenção. Mais tarde, camo aqui, Cristo tornou-se quase que o equivalente a um apelida. Nas últimas Epístolas paulinas o nome Cristo excedeu o de Jesus e tomou um lugar predominante. Isto acompanhou-se pelo fato de que, enquanto alguns cristãos usavam o nome Jesus (4:11), nenhum usava Cristo. É um sinal de inspiração o fato dos Evangelhos, que foram escritos tão tarde (A.D. 60-90) não usarem o então popular nome Cristo em lugar de Jesus em referir-se ao Senhor.
SEMPRE POR VÓS EM NOSSAS ORAÇÕES. A afirmação do Apóstolo aqui e em outros lugares (v. 9; Fil. 1:3,4) corrobora minha convicção de que devo despender mais tempo em oração. Como podemos nós, como cristãos, dizer que acreditamos num Deus misericordioso e despendermos tão pouco tempo em oração? A pouca frequência às reuniões de oração calunia nossa afirmação do poder da oração. Paulo, ao contrário, orava fiel e inteligentemente (v. 9). Ele cumpria a ordem que ele mesmo transmitiu em I Tessalonissenses 5:17, "Orai sem cessar". Paulo Orava. A questão devia ser levantada em cada um de nós, "Acredito eu realmente no poder de oração?" É impossível acreditar na oração e despender somente cinco ou quinze minutos por dia em orar!
Versículo 4. Na palavra OUVIMOS há um indício das relações passadas de Paulo com esta igreja. Embora Paulo não tivesse retrocedido em recordar aos seus convertidos que ele era seu pai espiritual, ele dá a Epafras o crédito pela evangelização de Colossos (1:6,7). Cerca de 6 anos tinham se passado desde que Paulo deixara Éfeso e toda oportunidade de conhecer os colossenses. Uma vez que a igreja cresceu durante esse período, a maioria dos membras da igreja era desconhecida para ele (2:1).
A famosa trilogia de Paulo--fé, esperança, amor--é introduzida neste ponto numa forma ligeiramente modificada. Estas 3 palavras são usadas juntas 6 vezes5 pelo apóstolo Paulo, uma vez pelo autor de Hebreus (6:10-12) e uma vez por Pedro (1:21,22). Aqui, o siguificado de ESPERANÇA foi substituido de "expectativa" para "herança" (Vide v. 5).
A afirmação de Paulo de que ele tinha ouvido DA VOSSA FÉ EM CRISTO JESUS pode ser entendida de 3 maneiras: 1) ele podia estar se referindo ao conteudo da sua fé, isto é, sua doutrina (v. 23). Mas uma vez que ele aprova a fé deles, esta possibilidade está excluida quando ele mais tarde reprova-os por seus erros doutrinários (2:20-23; mas vide 2:5). 2) ele podia estar se referindo ao seu andar pela fé, diariamente, na vida cristã. Contudo, desde que o elemento seguinte na trilogia se refere ao seu andar como cristãos, isto teria que ser excluido. "Fé", então, refere-se à sua experiencia de conversão. Sua conversão não foi baseada nem neles mesmos, nem na humanidade, ou qualquer outra coisa a não ser em Jesus Cristo, o Filho de Deus. Paulo lembra-os disso porque eles, na sua loucura, estavam procurando colocar acima de Jesus outras seres, as quais estariam supostamente em contacto mais intimo com Deus. Desde que o Senhor Jesus é grande e suficiente para nos salvar, por que procuraríamos outro para nos aperfeiçoar? (Rom.8:31,32).
Pode o apóstolo Paulo dar ordens a você e a mim, coma ele fez com os crentes em Colossos? O AMOR QUE TENDES POR TODOS OS SANTOS. Nosso Senhor disse, "Por isto conhecerão todos as homens que sois meus discípulos" (João 13:35). Toda nossa relação com nosso próximo está resumida no mandamento de nosso Senhor para amarmos nosso próximo como a nós mesmos. Tão fácil de dizer, tão difícil de fazer! A predominância de I Coríntios 13 em nossas vidas é o sinal mais importante do cristão.
Todos não significa apenas nossa família, nossos amigos chegados e aqueles que ficam ao nosso redor. Todos não deixa de lado as desagradáveis, nem aqueles que nos aborrecem. Vós e eu devemos amar a todos aqueles que Deus escolheu para Si. Mesmo no sentido hiperbólico todos inclui muitas mais além daqueles que reunimas no nosso círculo de amigos. Não poderemos amá-los abstratamente sem estender a eles nossa amizade? Dificilmente. Quando tivermos este "amor por todos os santos", não haverá mais política nas igrejas, não mais o luxo do rico às expensas do pobre, não mais acepção de pessoas relativa à raça. Estes e muitas outros problemas desaparecerão à medida que permitirmos que o amar de Cristo opere em nós.
Versículo 5. Em lugar de ligar esperança à fé e amor por um e, Paula introduz POR CAUSA DE, pondo a esperança como a razão da sua fé e amor. A ESPERANÇA QUE VOS ESTA RESERVADA NOS CÉUS é a concretização da nossa herança e das recompensas que estão à nossa espera no trona de julgamento de Cristo (I Pedro 1:3-5; II Tim. 4:8; II Cor. 5:10). Paulo afirma em I Tessalonissenses 2:19 que sua "esperança" ou "recompensa' era ver seus convertidos na presença de Deus. Estará alguém lá com resultado de nossos esforços? A palavra traduzida "reservada" significa "conservada"--preservada pelo poder de Deus (I Pedro 1:5; Rom. 8:35-39; João 6:39).
DA QUAL JÁ ANTES OUVISTES por Epafras. Pau-lo faz mais do que apenas sugerir que a mensagem original era verdadeira e que aquilo que a contradiz é falso (Gál. 1:6-9). A frase também traz à luz uma verdade que é até mais óbvia no campo missionário. Não se vê, na verdade, pessoas correndo para aceitar Cristo à primeira. vez que ouvem o Evangelho. É uma coisa ouvir palavras soltas que conhece, e outra diferente ouvir com entendimento o significado da mensagem que elas trazem. A repetição aguça o ouvir
Foi PELA PALAVRA DA VERDADE DO EVANGELHO que eles vieram a. saber desta. esperança que Deus reserva. para os Seus. Palavra neste contexto não se refere nem a um vocábulo individual nem a Jesus Cristo (João 1:1,2); mas sim, envolve o todo da mensagem que Deus tem para nós (v. 25). Usando a. frase "da verdade" Paulo pretendia relembrá-los de que o que eles originariamente tinham ouvido era "a verdade", e que qualquer desvio seria erro. Quando foi cunhada a palavra evangelho significava apenas Boas Novas, mas, ao tempo em que Paulo escreveu esta carta, trazia à mente a revelação do Novo Testamento na pessoa de Jesus Cristo.
Versículo 6. QUE JÁ CHEGOU A VÓS, isto é, a qual tivestes oportunidade de ouvir e de aceitar. A verdade tem que ser apresentada claramente antes que uma resposta possar ser esperada. Milhões hoje em dia não podem aceitar o Evangelho porque, ou nunca. o ouviram, ou, ouvindo-o, nunca. o entenderam. Temos nós realmente feito um esforço para ganhar os perdidos?
O Evangelho tinha vindo aos colossenses ASSIM COMO TAMBÉM EM TODO O MUNDO (Cp. v. 23). Jesus profetizou que o "evangelha do reino deverá ser pregãdo a toda o mundo . . . e depois virá o fim" (Mat. 24:14). Ambas as afirmações contém a frase "todo o mundo". Jesus pretendia que Sua afirmação fosse tomada literalmente, mas a de Paulo só pode ser tomada hiperbolicamente.6 Desprezando-se as partes da terra desconhecidas em tempos antigos, ainda permanecia Espanha, Inglaterra, nordeste da Ásia Menor e possivelmente a Mesopotâmia que eram conhecidas e ainda assim não eram evangelizadas.
E JÁ VAI FRUTIFICANDO E CRESCENDO. Toda mensagem, toda filosofia ia produz fruto em relação à sua natureza íntima (2:8; I Tim. 6:20,21). E também verdade que, quando o Evangelho é permitida criar raizes, ele constantemente se reproduz e cresce (Mat. 13:8). O primeiro verbo refere-se ao "trabalho inerente", e o segundo à "expansão externa" do movimento Cristão. COMO TAMBÉM ENTRE VÓS mostra que o fruto produzido é o mesmo mencionado no versículo 4; ou sejam, salvação e desenvolvimento das virtudes cristãs. Ele louva, quando o elogio é merecido. O Apóstolo não disse apenas, DESDE O DIA EM QUE OUVISTES, mas acrescentou igualmente E INTEIRAMENTE CONHECESTES. Há necessidade de repetir, de explicar em outras palavras e então, quando tudo está clara, repetir outra vez. Os falsos líderes estavam se jactando perante os colossenses do seu conhecimento do invisível mundo dos espíritos Paulo relembra à igreja de que o "máximo" ou "completo" conhecimento7 é encontrado no Evangelho que eles já conhecem. O tempo de verbo que Paulo usa para "inteiramente conhecestes" indica que "ele conheciam de uma vez para smnpre." O que eles conheciam era A GRAÇA DE DEUS NA VERDADE. Graças aqui é um sinônimo para o Evangelho (v. 2) e indica a base do mesmo. Na verdade modifica a graça de Deus; que é "a verdadeira expressão da graça de Deus." Isto está em contraste com as mandamentos impostos pelos falsos mestres.
Versículo 7. COMO APRENDESTES DE EPAFRAS. Queim era Epafras? Era um dos colaboradores de Paulo. Educado em Colossos (4:12), converteu-se provavelmente em Éfeso durante a estada de Paulo ali. Como outros Epafras deve ter sido ensinado por Paulo durante seu ministério diário na "escola da experiência." Ao fin do ministério de Paulo em Éfeso, Epafras saiu como evangelista para Colossos, onde fundou aquela igreja e, aparentemente, também aquelas nas cidades vizinhas, Laodicéia e Hierápolis. Mais tarde, quando surgiu a heresia que ele não pode combater com sucesso, levou o assunto a Paulo que estava, nessa época, prisioneiro em Roma.
Paulo chama. Epafras de NOSSO AMADO CONSERVO, com duas idéias em mente: primeira, Epafras e Paulo eram ambos servos de Deus, servos na sentido de serem escravos da Sua vontade (4:12; Tito 1:1). Segunda, ambos estavam prisioneiros em Roma. (Ef. 3:1; Filemon 23).
QUE PARA VÓS É UM FIEL MINISTRO DE CRISTO. Ele era o representante de Paulo e pregava em seu lugar, uma vez que Paulo estava impossibilitado de evangelizá-los. Porque somos ministros "de Cristo" nossa lealdade pertence primeira e principalmente a Ele. Nenhuma amizade, ou politica, ou dinheiro, ou circunstância deve nos demover de um ministério fiel centralizado em Cristo. Apesar de ausente, Epafras continua a afadigar-se por eles em oração (4:12,13).
Nunca devemos nos esquecer de que somos ministros. Conquanto a palavra diácono tenha entrada no vocabulário cristão na igreja primitiva com especial refêrencia àqueles que tinham o especial cuidado das necessidades materiais dos cristãos mais pobres (Atos 6:1-3), foi dentro em breve este termo ampliado em sua aplicação para incluir outros tipos de serviço.8 Não devemos ficar tão inchados com o título de ministro a ponto de nos esquecer de ministrar (Atos 20:27,28)! Que glorioso tributo a Epafras de que Paulo chamá-lo de "ministro fiel." Ele atingiu aquilo por que nós todos deveriainos nos esforçar. Em I Coríntios 4:1,2 Paulo relembra-nos que, de um "despenseiro" requer-se fidelidade. Pensamentos profundos e eloquentes sermões ajudam e são bons. Deus nos julga, no entanto, na base de nossa fidelidade. Como seria doce ouvir o Senhor nos dizendo: "Bem está, servo bom e fiel . . . entra no gozo do teu senhor" (Mat. 25:21)! (Vide também Lucas 12:42-48).
Versículo 8. O QUAL NOS DECLAROU TAMBÉM... Epafras, que lhes trouxe o Evangelho e as serviu como inistro de Cristo, foi compelida pelo amor que lhes tinha a ir a Paulo. Se bem que certamente tivesse ida por causa dos problemas na igreja de Colossos, Epafras não deixou de dar ênfase ao que havia de bom na sua congregação (2:5). Quão fácil é para nós achar faltas em todos os esforços, criticar os erros, e, em geral, dar ênfase ao mal que existe nos outros! Se devemos notar a parte má, apontemos igualmente a parte boa. Notai que nas cartas do grande apóstolo ele começa com elogia, antes de repreender por pecado ou heresia. O VOSSO AMOR. Esta é uma breve reafirmação dos versículos 4-6; ambos são um mero resumo do relatório de Epafras. Amor é um sumário do resultado do Evangelho na vida do crente. Ter isto é ter tudo (I Cor. 13); não o ter é afastar-se completamente da vontade de Deus.
A frase qualificativa NO ESPÍRITO pode ser entendida de duas maneiras: ou o "humano" ou o "santo" Espírito. Se for compreendida da primeira forma, seu sentido será "vosso amor que vem das profundezas do vosso ser." A frase, contudo, tem mais sentido se a referência for compreendida como sendo o Espírito Santo,9 quem manifesta e dirige seu amor (Gál. 5:22). Desde que seu amor não estava no reino do espírito, tomamos no no sentido de pelo; por conseguinte, pelo poder do Espírito Santo seu amor existe, é manifesto, e tem sua expansão
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1 Dois anos passados em Cesaréia (Atos 24:27) e um dos dois passados em Roma (Atos 28:30).
2 Que o termo não foi limitado aos 12, vemos pelo uso do mesmo em relação a Barnabé e Paulo (Atos 14:14), e ao próprio Senhor Jesus (Heb. 3:1).
3 J. B. Lightfoot, op. cit., p. 16.
4 E SENHOR JESUS CRISTO ocorre em AC, Textus Receptus, mas não consta em BD. Os copistas antigos dificilmente omitiriam a frase se estivesse no seu manuscrito, de maneira que ele deve ter adicionado a mesmo. Isso favorece o fato da frase não estar em B.
5 Rom. 5:2-5; I Cor. 13:13; Gal. 5:5,6; Col. 1:4,5; I Tess. 1:3; 5:8.
6 Outros exemplos bíblicos de todo hiperbólico são encontrados em 1:23, Mat. 3:5,6; I Tes. 1:8, etc. Da mesma forma que "todo o mundo" em portugûes não indica todas as pessoas no mundo, assim também Paulo podia dizer em grego "todo o mundo" sem indicar o mundo todo que ele conheceu.
7 Há duas palavras geralmente usadas para exprimir conhecimento no Novo Testamento. Gnosis é a palavra para conhecimento em geral (I Cor. 8:1,7; Ef. 3:19). Algumas vezes é usada com toda (Rom. 15:14) e muitas vezes se refere a um conjunto específico de fatos (Rom. 3:20), mesmo com relação á revelação cristã (I Cor. 12:8). É neste sentido específico que foi usada para referir-se a sistemas filosóficos (I Tim. 6:20). A segunda palavra, epignosis, traz a idéia de chegar ao conhecimento (Col. 2:2; I Tim. 2:4). Geralmente subentende-se um total ou completo conhecimento (Ef. 4:13; Rom. 3:20; Col. 1:10; 2:2). Apesar de que essa idéia de ser total não seja sempre requerida (Filip. 1:9), usualmente forma melhor sentido que o termo simples ou geral termo conhecimento. Paulo contrasta os verbos destas duas palavras em I Cor. 13:12.
8 O ofício de diácono nunca foi intencionalmente limitado a mera "distribuição aos pobres e necessitados." Primeiro, as qualidades exigidas para a escolha dos diáconos indicam um ofício muito mais importante (Atos 6:3; I Tim. 3:8-13). Segundo, os dois diáconos cujo trabalho é largamente mencionado em Atos são melhor conhecidos por seus trabalhos evangelisticos. Terceiro, Paulo não hesita em se referir a si mesmo como um diácono (Col. 1:23), apesar de ser cioso do seu apostolado. A palavra refere-se a uma chamada divina para um serviço especial-- tanto espiritual como material (Marcos 10:45; Col. 1:25).
9 É verdade que no grego falta o artigo definido e deveria literalmente ser traduzido "em espírito". Geralmente no Novo Testamento quando a palavra espírito se refere ao Santo Espírito, é acompanhada do artigo definido "O" ou qualquer outra palavra qualificativa ou frase, tal como "santo", "de Deus", "de Cristo." que este não é sempre o caso, é mostrado em pelo menos 14 claras referências ao Espírito Santo nas epístolas de Paulo, onde nenhuma palavra qualificativa modifica Espírito. (Vide especialmente Rom. 8:9; 15:19; I Cor. 7:40; II Cor. 3:18).
III. O Desejo de Paulo para o Crente
1. Que ele conheça a vontade de Deus (1:9-12)
a) Paulo ora incessantemente por eles.
b) Paulo deseja que
(1) eles conheçam a vontade de Deus
(2) eles a conheçam em sabedoria e inteligência espiritual
c) O motivo de Paulo é que eles andem dignamente diante do Senhor.
(1) frutificando em toda a boa obra
(2) crescendo no conhecimento de Deus
(3) sendo fortalecidos divinamente
(4) dando graças a Deus
2. Que ele conheça a pessoa de Cristo e seu trabalho para o crente (1:13-22)
a) o crente
(1) é transportado do império das trevas para o reino do Filho de Deus.
(2) tem redenção e remissão dos pecados.
b) Jesus Cristo é
(1) a imagem do Deus invísivel
(2) o primogênito de toda Criação;
(a) Ele criou todas as coisas
(b) Ele é antes de todas as coisas
(c) Ele sustenta o Universo.
(3) a cabeça da igreja
(4) o primogenito dentre os mortos
(5) o recipiente da plenitude de Deus quem
(a) reconcilia todas as coisas por meio dEle
(b) fez a paz por Seu sangue
c) Os colossenses
(1) eram estranhos e inimigos
(2) foram reconciliados pela Sua morte
(3) devem ser santos, irrepreensíveis e inculpáveis
(4) se permanecerem na fé.
 
CAPÍTULO III
O DESEJO DE PAULO PARA O CRENTE
O apóstolo Paulo abre seu ataque contra a falsa doutrina que estava se espalhando em Colossos, mostrando que não há nada secreto, nada para ser oculto no Evangelho verdadeiro. Seu desejo e oração são para que eles compreendam plenamente a vontade de Deus em toda sua profundeza, de maneira que suas vidas testifiquem para a glória de Cristo.
Passando quasi que sem uma pausa, da vontade de Deus para o crente para um breve esbóço de quem Jesus é, Paulo declara que Ele é maior do que qualquer espírito intermediário. Jesus Cristo é o próprio Deus, o Criador e Sustentador de tudo que existe fora da Divindade. Ele também destroi os argumentos dos falsos profetas mostrando que Jesus Cristo é, não só a Cabeça da Igreja, mas também o seu Redentor. Que necessidade tem eles desses espíritos imaginários?
Paulo encerra esse parágrafo com uma severa admoestação sobre o que acontecerá se eles continuarem a afastar-se do Evangelho.
Versículo 9. POR ESTA RAZÃO. Paulo retrocede ao versículo 8, depois aos versiculos 4 e 5 e inclue o todo do relato de Epafras. Notai sua reação. Esperou ele até que fosse tempo de escrever-lhes para começar a orar por eles? Não! NOS TAMBÉM DESDE O DIA EM QUE O OUVIMOS, NÃO CESSAMOS DE ORAR POR VOS. Ele imediatamente os incluiu na sua lista de pedidos de oração. Muitos de nós não cessam de orar porque nunca começam! Contudo Paulo dificilmente podia orar continuamente por uma igreja. Em II Cor. 11:28 ele comenta que "me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas." Ele orava por elas todas, diariamente. De maneira que entendemos o seu "não cesso de orar" como significando uma lembrança diária dos problemas individuais e das necessidades de cada igreja.
O apóstolo continua a explicar a finalidade buscada em suas orações, acrescentando, E DE PEDIR QUE SEJAIS CHEIOS DO PLENO CONHECIMENTO DA SUA VONTADE. Paulo acreditava que era possível estar-se convencido de que um determinado curso de ação é a vontade de Deus. Paulo não somente acreditava, mas agia baseado na sua crença. Ele passava horas orando para que os colossenses e outros cristãos do primeiro século conhecessem a vontade de Deus. Para ter certeza da vontade de Deus não devemos pedir um "sinal", "uma voz", ou uma "visão". Algumas vezes Ele permite essas coisas, mas abençoados os que sem elas crerem e souberem (João 20:29). Apesar de que não admitirmos isto, a maior parte de nós vive como se Deus não estivesse prestando qualquer atenção ao que pensamos e fazemos (3:6). É encargo vosso e meu individualmente descobrir através da oração e do estudo bíblico justamente aquilo que Ele quer para nós, e fazer isto (Ef. 5:17).
A falsa doutrina dos líderes em Colossos consistia basicamente na apresentação de certos. espíritos intermediários entre Deus e Cristo (v. 16; 2:18), juntamente com a ordem de guardar certos elementos da lei (2:10; 11, 14-16). Em oposição a chamada ciência gnosis que lhes era imposta, Paulo deseja para eles o pleno conhecimento (epignosis, v. 6) do programa de Deus, a qual consistia no conhecimento de Sua vontade em relação a Jesus Cristo (v. 10).
Há duas direções para as quais o conhecimento da vontade de Deus nos leva: EM TODA A SABEDORIA E INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL. A toda sabedoria aqui não inclui a sabedoria do mundo, pois a sabedoria mundana não pode discortinar a Deus (I Cor. 1:20,21; Isa. 55:8,9). A sabedoria de Dens só pode ser considerada por aqueles que estão amadurecidos na sua experiência cristã (I Cor. 2:6,7), e so pode ser entendida por aqueles que mergulharam nas profundezas da Sua revelação (Rom. 11:33-36). Se tivermos falta dessa sabedoria, peçamos a Deus discernimento da Sua vontade (Tiago 1:5). A sabedoria Paulo ajuntou "inteligência". As duas palavras, tanto em português como em grego são praticamente sinônimas. (2:2,3) Elas diferem em que a sabedoria é a habilidade de fazer decisões corretas e de escolher cursos certos de ação; inteligência é a habilidade de esclarecer ou apreender as relações de certo material. Os adjetivos toda e espiritual modificam ambos os substantivos. Os adjetivos servem para colocar a sabedoria e inteligência divina em contraste com a mera exibição de sabedoria dos seus falsos mestres (2:23).
Versículo 10. Paulo estava orando para que os colossenses pudessem conhecer a vontade de Deus. Para que? PARA QUE POSSAIS ANDAR DIGNAMENTE DIANTE DO SENHOR! O verbo andar é muito expressivo. É usado por Paulo 32 vezes para se referir a peregrinação do cristão através deste mundo (vide especialmente Ef. 5:8; II Cor. 10:2). Em 3:7 é igual a viver. Pela ajuda do Senhor um longo e árduo caminhar pode transformar-se em um agradável passeio. Como cristãos devemos nos elevar ao padrão que Ele colocou diante de nós (Ef. 4:13; I João 2:6). É impossível? Não importa, devemos lutar por conseguí-lo O Senhor tem um interesse vital na corrida que estamos empreendendo. É nosso testemunho "digno" dEle?
A frase, AGRADANDO-LHE EM TUDO, parece estar flutuando sem dar muita direção a afirmação de Paulo. Agradando a quem? Não a homens, mas a Deus. A tradução da Sociedade Bíblica desta frase é, "para o seu inteiro agrado." Podemos sinceramente dizer com o apóstolo João que "fazemos o que é agradável à sua vista?" (I Joäo 3:22). O apóstolo Paulo apresenta quatro rnaneiras pelas quais podemos agradar a Deus: "dando frutos", "crescendo no conhecimento de Deus", "sendo fortalecidos" e "dando graças ao Pai."
O primeiro modo pelo qual nós agradamos a Deus é FRUTIFICANDO EM TODA BOA OBRA. O irmào de Nosso Senhor relembra-nos de que a fé sem as obras é morta (Tiago 2:17). Nós, evangélicos, damos tanta ênfase ao fato de que as obras de maneira nenhuma contribuem para a nossa salvacäo que temos a tendência de desprezar o fato de que somos salvos para fazer boas obras (Ef. 2:10). O apóstolo transfere a vós e a mim o privilégio de fazer "toda boa obra". O que é uma "boa obra"? O Novo Testamento está cheio de exemplos.1 Não apenas boas acões mas também motivos justos são exigidos por Ele (Mat. 6:1-18). Nosso problema geralmente não é aquilo que não sabemos, mas sim viver de acordo com aquilo que já sabemos.
Até mesmo mais necessário do que fazer boas obras é a segunda maneira de agradar a Ele: CRESCENDO NO PLENO CONHECIMENTO DE DEUS. Todo mundo sabe alguma coisa sobre Deus (Rom. 1:19-21). O cristão sabe ainda mais pelo seu contacto com Deus na salvacão e através da Palavra (I Cor, 8:6,7). Uma vez que a vida eterna consiste em conhecê-lO (João 17:3), o grau de vida eterna que temos está em proporção direta ao nosso maior ou menor conhecimento de Deus. Vós que sabeis tanto sobre Deus, realmente conheceis a Ele? Sömente quando tivermos tempo para gozar comunhão com Ele, nós nos tornaremos intimamente familiarizados com nosso Senhor e Deus. Ele Se revela somente aqueles que fervorosamente O buscam. (Para notas sobre conhecimento pleno vide comentârios no cap. 1:6,9).
Versículo 11. O braço da carne é fraco e impotente contra o poder astucioso de Satanaz. Necessitamos de ser guardados pelos braços eternos. SENDO FORTALECIDOS COM TODO O PODER. Contudo Ele não impõe Sua ajuda e poder a ninguém. Devemos fervorosamente buscar e desejar ser fortalecidos. Deus nos fortalece SEGUNDO A FORQA DA SUA GLÓRIA. A versão de Almeida usa 3 palavras (corroborados, fortaleza, força) para traduzir 2 gregas. (dunamis e kratos)2 O verbo e o primeiro substantivo vêm de dunamis, o segundo substantivo de kratos. O da declara que a força pertence à "glória" de Deus. A palavra glória aqui não significa alguma luz brilhante (Apo. 22:5), nem muito menos se refere à alguma beleza física, da parte de Deus (II Cor. 3:7). Em vez disso, Sua glória, como em João 1:14, refere-se à Sua dignidade, majestade, poder, ser e divindade. Se somos fortalecidos na medida dessas coisas, seremos sempre vitoriosos (Rom. 8:37).
O propósito de Deus em fortalecer-nos é para que alcancemos TODA PACIÊNCIA E LONGANIMIDADE COM GOZO. Não devemos nos enganar pensando que Deus nos fortalece de tal maneira que seremos fortes, fortes como Sansão. Não, Ele age de tal forma que podemos sair vitoriosos no processo de aperfeiçoamento na luta contra a tentação e perseguição (Rom. 8:35-39). Toda paciência; geralmente estamos prontos a aceitar o que vem, até certo ponto--daí em diante afirmamos nossos "direitos" e revidamos, se temos esta possibilidade. Deus não nos fortalece para tomarmos a vingança (Rom.12:19). Assim como força e poder são quasi sinônimos, assim também paciência e longanimidade. A primeira significa basicamente permanecer sob a pressão da provação e está aliada à esperança, enquanto a segunda indica demorar em se irar e ter misericórdia.
Há alguma dúvida se a última frase, com gozo, penrtence a este, ou ao versículo seguinte. Enquanto "dando graças com gozo" parece formar melhor sentido do que sofrer tentação e tribulação com alegria, ainda assim em Rom. 5:3 Paulo nos diz para nos regozijarmos na tribulação por causa do fim a ser alcançado. (Vide também Tiago 1:2) Isto é bem contrário às nossas reações usuais. Parece tão difícil na hora da provação lembrar que Rom. 8:28 ainda está na Biblia! Não é bastante estarmos reconciliados com as circunstâncias, devemos nos regozijar nelas.
Versiculo 12. Chegamos agora à quarta e última maneira de agradá-lO. DAR GRAÇAS é uma ação que jorra expontaneamente de nossas almas, a resposta natural a Deus por Seus dons. Como nós apreciamos uma demonstração de gratidão da parte daqueles a quem ajudamos, Deus se agrada quando nossas palavras e obras mostram que estamos cheios de gratidão. Embora digno de ambos, amor e gratidão, Deus não nos força a nenhum deles. Devíamos nos envergonhar de quão pouco sentimos e mostramos nossa apreciação! Nossos agradecimentos são dirigidos ao Pai, porque ele cuidou da nossa salvação.
QUE VOS FEZ IDÔNEOS. A compreensão de que Deus não somente nos salvou de um sofrimento sem fim, mas nos habilitou a estarmos com os santos como co-herdeiros com Cristo, deveria fazer com que nossos corações saltassem de emoção. Todos nós estávamos destituidos da glória de Deus e como tal éramos indignos de vir à Sua presença. Pela aceitação do sacrifício de Jesus Cristo nós nos tornamos qualificados a entrar nas bênçãos que Ele preparou.
Deus nos fez dignos DE RECEBER UMA PORÇÃO DA HERANÇA PREPARADA PARA SEU POVO (I Cor. 2:9,10). Naturalmente, estamos todos vitalmente interessados nessa herança. Ela é indubitavelmente a mesma daquela esperança celestial do versículo 5--não ganha, mas repartida conosco. Já parastes para pensar quão maravilhoso é ser um herdeino de Deus? Romanos 8:17! A extensão do nosso tesouro no céu depende inteiramente do quanto nós trabalhamos para Cristo. (Vide Col. 3:24) Vamos lançar fora a confusão deste mundo e trabalhar pelas recompensas que Deus nos dá. Elas são certamente dignas dos esforços necessários.
Quem são esses SANTOS NA LUZ? Enquanto que a palavra santos no Novo Testamento geralmente refere-se aos militantes da Igreja, i.e., aos crentes vivos,3 há diversas passagens que se referem aos crentes que passaram a estar com o Senhor. (Vide I Tess. 3:13; Apoc. 11:18; I Cor. 6:2). A adição de na luz depois de santos serve para distinguir aqueles que já foram receber o seu galardão daqueles que ainda estão se esforçando pela vitória.
Versículo 13. Que tremendo motivo Paulo nos dá aqui para rendermos graças ao Pai QUE NOS LIBERTOU DA AUTORIDADE DAS TREVAS! Que utilidade teria para nós receber uma porção da herança dos santos se permanecéssemos sob o controle do mal? Ele literalmente "arrastou-nos do perigo" (Mat. 27:43). Nós estávamos impotentes nas garras do inimigo (Col. 2:13; Rom. 7:15), mas Ele nos livrou do poder de Satanaz. Assim como o vaqueiro ferido é rapidamente retirado do curral antes que o cavalo selvagem possa pisoteá-lo até matá-lo, assim Ele nos retirou das garras da condenação eterna.
A diferença entre autoridade e habilidade é confusa na versão de Almeida que livremente traduz ambas pela palavra poder. Aqui no versículo 13 a referência não é tanto para "reino" como para "regido" pelas trevas (Ef. 2:1,2). Uma coisa assombrosa é que aquele que está sob o controle das trevas realmente as ama (João 3:19,20)! Ele as vê como uma bênção (seus feitos iníquos não podem ser vistos), mas se esquece de que elas também se tornam uma maldição (ele não pode ver o que os outros vão lhe fazer.)
Deus não nos tirou do poder das trevas para nos deixar no vácuo. Ele nos TRANSPORTOU PARA O REINO DO FILHO DO SEU AMOR. Ele não apenas nos removeu do poder de Satanaz, mas também fez com que "mudássemos de posição." O verbo usado nos dá uma idéia do extenso transporte de pessoas, como é recordado no Velho Testamento. Eramos filhos do pecado e de Satanaz; somos agora filhos de Deus (João 8:41,44; II Pedro 1:4). "Fora" de um reino e "dentro" de outro--esta é a história da redenção (I Tess. 2:12). A palavra traduzida reino tem dois significados: 1) a regra, a autoridade que e exercida (Vide Lucas 19:11-27; Apo. 17:12). 2) refere-se a um reino ou a uma certa extensão territorial. (Para esse sentido vide Mat. 4:8; Marcos 6:23). Como crentes nós nos alegramos com os poderes espirituais da regra de Deus agora em nossas vidas. No milênio esta regra será extendida a toda a humanidade.
Quando Deus fala do Filho do seu amor, de maneira nenhuma Ele quer dizer que haja outros filhos menos amados. Ao contrário, esta frase dá ênfase ao quanto Ele O amou. Quão grande então deve ter sido o seu amor para conosco para sacrificá-lO na cruz do Calvário! Esta frase também demonstra quão satisfeito está Deus com o trabalho executado por Cristo (Filip. 2:9-11; Heb. 10:12-14; 3:1-3).
Versículo 14. Este versículo é uma explicação do versículo 13 e mostra como Deus mudou nossa lealdade do lado de Satanaz para o Seu próprio. Fomos colocados dentro da estrutura do reino de Cristo porque foi Ele próprio quem efetuou nossa salvação. EM QUEM TEMOS A REDENÇAO. É em e através de Jesus Cristo somente que temos nosso resgate pago (Atos 4:12; Rom. 3:24). Notai a possessão atual de nossa redenção como indicada pelo tempo presente do verbo ter. Nesta passagem o grego usa o artigo definido, mostrando a referência ser um caso particular de redenção que ressalta sobre todas as outras: aquela comprada na cruz.
Paulo mais adiante define nossa redenção5 acrescentando A REMISSÃO DOS PECADOS. A palavra remissão significa: 1) "libertação" (Lucas 4:18) e 2) "perdão" (Mat. 26:28). Somos libertados do poder do pecado, e somos perdoados dos seus efeitos (Rom. 6:23). Toda a estrutura de nossas más ações foi demolida. Somos livres. Mas esperai, somos "livres como a brisa"? Antes, éramos livres da justiça e servos do pecado. Agora que "trocamos de posição", a situação é reversa de maneira que, enquanto somos livres do pecado, somos servos de Deus (Rom. 6:20-22).
Versículo 15. Neste e nos versículos seguintes Paulo reclama para Cristo a absoluta supremacia em relação ao Universo e à Igreja. Paulo atraiu nossos olhos para Jesus Cristo, O QUAL É A IMAGEM DO DEUS INVISÍVEL. Notai que ele diz Ele é; não era, ou será, nem muito menos que Ele tornou-se a imagem de Deus. É, o presente eterno. "Jesus Cristo, o mesma ontem, hoje e eternamente." (Heb. 13:8)
Que quer Paulo significar pela palavra imagem? Quer ele se referir a uma semelhança física entre Jesus e o Pai (João 14:9)? Dificilmente, pois Deus é Espírito (João 4:24) e invisível. Jesus Cristo é a exata reprodução do Pai no sentido de espírito, desejos, poder, glória. Ele mesma diz, "Eu e o Pai somos Um" (João 10:30) (Comp. Filip. 2:6 e Heb. 1:3). Além de semelhança, que pode ser acidental, imagem subentende o "original" da qual é uma "cópia." Ligada ao invisível imagem compreende a "manifestação de alguma coisa escondida."
Adão foi feito "à imagem" de Deus (Gen. 1:26,27). Contudo Adão caiu em pecado e carregou toda a raça. humana. com ele. Como resultado somos nascidos, não "à imagem de Deus", mas à de Adão (Gen. 5:1,3; Heb. 1:9,10). O último Adão foi pela natureza. o que o primeiro Adão "foi feito". Notai a comparação de Paulo entre os dois em I Cor. 15:20-22, 45-50 e Rom. 5:12-21.
Qual é o intuito de Paulo em tudo isso? Primeiro e acima de tudo ele está argumentando sobre a superioridade de Cristo sobre toda e qualquer homem ou anjo. Desde que Jesus Cristo é o próprio Deus, desde que Ele intercede por nós e procura o nosso bem, por que deveriam os colossenses (ou vós ou eu) procurar Seu favor através de vários outras intermediários? Uma vez que não devemos fazer nenhuma imagem de Deus, nós mesmos devemos ser "a imagem da Seu Filho" (Rom. 8:29). Através de Jesus Cristo a imagem de Deus é devolvida aos filhos de Adão. Isto é o que Paulo quis significar quando disse, "Para mim o viver é Cristo" (Filip. 1:20; Col. 1:27). Está o mundo apto a ver a imagem de Cristo em vós? Em mim?
Deus é invisível, tanto para o olho interno (intelectual e espiritual) como para o externo (físico) . Isto significa que Ele não nos vê, que Ele é impotente, que para todos os propósitos práticos Ele não existe? Se julgarmos pelas nossas vidas, essas são as conclusões a. que teremos que chegar. Ao contrário desde que Deus é invisível, Ele não está localizado em um certo lugar, como Jesus Cristo por cerca de 33 anos. Ele está presente em toda parte, o Deus dos deuses . Tudo é visto por Ele, tudo deve curvar-se diante dEle. Sendo invisível Deus se compreende apenas pela fé. Por isso a necessidade de "crer" é imposto a cada. um.
Na sua descrição de Jesus, Paulo declara ser Ele o PRIMOGÊNITO DE TODA A CRIAÇAO. Assim como em português a palavra grega traduzida primogênito é formada de 2 palavras. Uma é o superlativo da palavra "antes" e significa o 1o absoluto. Nada veio antes dEle em tempo ou ordem, nada acima dEle em dignidade, importância, ou honra (Mat. 26:17; Atos 13:50). A outra é do verbo "dar a luz", "dar nascimento" à alguma coisa (Mat. 1:21; Tiago 1:15). O significado literal dessa palavra composta aparece muitas vezes no Nova Testamento (e.g., Mat. 1:25; Heb. 11:28). Este não é, contudo,o único significado. Do Salmo 89:27 aprendemos que é um titulo reconhecido do Messias. Fala da Sua absoluta pre-existência antes de qualquer Criação. Se Paulo tivesse por objetivo íncluí-lO na Criação, teria usado "Primeira criação".6 Mais importante ainda do que primeiro em tempo ou ordem é a idéia de primeiro em lugar de honra, que é, "o mais alto". Jesus Cristo é o mais elevado entre os altos, único entre todos os seres do mundo. Ele é o Senhor soberano de toda Criação .
Tudo, exceto Deus, foi criado. Paulo está se referindo especificamente a qualquer ordem de anjos, os quais os colossenses clamavam ter maior autoridade do que Jesus Cristo. Jesus Cristo é o Criador (1:16; Heb. 1:3; João 1:3). De maneira que, a frase "o primogênito de toda criação", realmente significa "Senhor de toda criação", ou, mais simplesmente, "Criador de tudo".
Versículo 16. A frase PORQUE NELE FORAM CRIADOS refere-se a última parte do versículo 15. Jesus Cristo é chamado "o primogênito de toda criação", pois Ele é o Criador de tudo que existe, exceto Deus mesmo. O verbo criar significa "dar existência a alguma coisa." Uma vez que Aquele que cria é maior da que aquilo criado (Heb . 3:3-6; João 15:20), Paulo está destruindo os argumentos filosóficos daqueles que estavam confundindo os colossenses. Cristo está acima de todos os anjos e de qualquer outro ser sobrenatural em poder, dignidade e pre-existência. Paula escreve "Ele". Este é o terceiro dos quinze pronomes (em grego) referentes a. Jesus. Cristo nas sete verses de 14 a 20. Eles todas se referem ao "Filho" da versículo 13. Nesta passagem maravilhosa, que exalta Jesus Cristo mais da que qualquer outra, Seu name não aparece nem ao menos uma vez, de qualquer forma!
Jesus Cristo criou TODAS AS COISAS QUE HÁ NOS CÉUS E NA TERRA. Sobre "todas as coisas" vide v. 17. Uma vez que o Hades é geralmente considerada no Novo Testamento como localizado "debaixo" da terra, está incluido. O Salmista disse, "Para onde me irei do teu Espírito? . . . se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também" (Salmo 139:7,8). Seu trabalho criador abrange tudo em toda parte. Assim como os Céus e a Terra mostram a. extensão "no espaço" do Seu trabalho criador, assim AS VlSÍVEIS E INVISÍVEIS mostram sua extensão "em tipos" de existência. Ele criou aquilo que é material e aquilo que é espiritual. Até mesmo o "invisível" pode ser material; tal como a eletricidade e vários gazes.
Paulo agora chega ao âmago da filosofia herética e nomeia 4 ordens de seres superiores que se supunha ser de uma ordem mais elevada do que Jesus Cristo e, desta forma, mais próxima de Deus. SEJAM POTESTADES, SEJAM PRINCIPADOS, SEJAM SOBERANIAS, SEJAM AUTORIDADES, ou qualquer coisa que possa existir, TUDO FOI CRIADO POR ELE E PARA ELE. Os quatro termos são praticamente sinônimos, e podem ser traduzidos por principado, pois eles todos descrevem um ou outro dos "direitos" de um príncipe. O primeiro significa o poder incorporado na posição, o segundo fala da autoridade constituida, o terceiro da precedência em posição ou poder, e o último da jurisdição ou regência de tais pessoas ou seres . Mas sejam eles o que forem, qualquer que seja sua posição ou poder, foram eles criados por e para Ele! Isto nos deveria confortar, e ajudar-nos a compreender que, apesar desses legisladores (humanos ou espirituais) poderem nos oprimir, são eles o que são pela permissão e poder de Deus, não podem fazer nada que Ele não permita (Rom. 13:1-7). Ao fim eles servem e glorificam a Ele (2:10).
Versículo 17. Quando o apóstolo diz E ELE É ANTES DE TUDO E TODAS AS COISAS, não está se referindo a lugar, mas ao tempo, dignidade, honra e poder. Nada existiu antes dEle e nada existe que seja em qualquer sentido igual a Ele. Esta passagem é equivalente a João 1:1; 17:5; e Prov. 8:22-36, e juntamente com essas, ensina que Jesus Cristo existia em poder e glória muito antes do Seu nascimento em Belém . Nesta passagem (1:14-22) Paulo usa a expressão, todas as coisas 6 vezes . No grego Bíblico a frase "todas as coisas" frequentemente significa mais do que apenas a generalização para "tudo que existe". Contudo aqui, especialmente no versículo 16, este parece ser o intuito do apóstolo.
Jesus Cristo não é somente o Criador de tudo, mas também POR ELE SUBSISTE tudo que realmente existe. O verbo subsistir significa uma continuação de existência. Sem o Seu cuidado todos os mundos e estrelas explodiriam como tremendas bombas de hidrogênio (II Pedro 3:10-12). Como é possível que uma pessoa tão grande como nosso Senhor Jesus pudesse amar-nos, a nós que somos tão insignificantes e rebeldes? Como pode Ele rebaixar-se para morrer por nós? Ou submeter-se a interceder por pecadores diante do Pai Santo (I João 2:1)? É inconcebível! A única coisa que é igualmente inconcebível é como o povo ignora. o amor e a vontade de Deus e é ingrato pelas Suas muitas bênçãos. Pior ainda, nós mesmos somos culpados. Com Pedro devemos nos perguntar que espécie de pessoas devemos ser para um viver santo e constante adoração a Deus (II Pedro 3:11).
Versículo 18. Nos versículos 15 a 17 Paulo mostrou que Jesus Cristo permanece muito acima de qualquer criatura ou ser que possa existir. Agora no versículo 18 ele mostra a relação que Ele tem com a Igreja . E ELE É A CABEÇA DO CORPO, DA IGREJA. Assim como o corpo fisicamente está sujeito a cabeça, assim a Igreja. deve obedecer em tudo aos mandamentos que recebe de Jesus Cristo (Ef. 1:22; 5:23, 24). O corpo humano é composto de muitos membros, e cada membro tem um nervo em contacto direto com o cerebra; assim cada um de nós individualmente na Igreja diferimos nas nossas funções e chamada, e cada um de nós tem acesso direto ao trono da graça para receber ordens diretas de Jesus Cristo (Heb. 4:16) .
Paulo fala de Jesus Cristo coma Aquele QUE É O SOBERANO, desta maneira usando para nosso Senhor o terceiro dos quatro names dados no versículo 16. A diferença é que aqui o título é especifico, está no singular e pede o artigo definido.7 Ele é o Soberano sobre todos os outros soberanos.. Ele tem precedência em posição e poder. A palavra não tem aqui o sentido de origem, começo. Uma vez mais ele chama nosso Senhor de "primaogênito", PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS (Apo. 1:5). (Vide a nota sobre esta palavra em 1:15) . Aqui é equivalente à frase "primícias dos que dormem" (I Cor. 15:20-23), que é, a primeira porção que garante aquela que está por se seguir. Cristo levantou-se dos mortos para selar nossa fé e garantir para nós uma ressurreição (I Cor. 15:17,20).
Como a imagem de Deus e Criador de tudo pre-existente, Cristo era mais excelente do que qualquer outro ser. Como Cabeça da Igreja Ele é soberano de todos os filhos de Deus. Ele é também "primogênito dentre os mortos" PARA QUE EM TUDO TENHA A PREEMINÊNCIA e sobre todas as pessoas que já tenham existido. Ninguém antes e ninguém depois deixou o túmulo com um corpo ressurreto. Lázaro (João 11:44) e os santos no dia da ressurreição (Mat. 27:52,53) levantaram-se da sepultura. com corpos humanos reconstituidos para morrer outra vez. Cristo foi o primeiro a erguer-se para não morrer. A palavra preeminente é a mesma da primeira parte de primogênito. Um rei qualquer é preeminente, i.e., o primeiro entre iguais.. Cristo, ao contrário, é preeminente porque Ele é não somente o primeiro, mas também pertence a uma classe só dEle. Não há iguais dEle.
Versículo 19. De que Éle é preeminente sobre tudo é provado PORQUE TODA A PLENITUDE AGRADOU-SE DE HABITAR NELE. Que é que entendemos por toda a plenitude?8 A palavra traduzida "plenitude"" significa o inteiro conteudo ou o completo desenvolvimento de alguma coisa (I Cor. 10:26; Ef. 4:13). Aqui como em Efésios 3:19 certamente significa a completa medida da divindade (2:9). Quaisquer que sejam as qualidades ou particularidades (tais como amor, santidade, verdade) que atribuimos a Deus, fazemos isto a Sua divindade, à Sua plenitude.
Desde que Cristo é aquilo que Deus é e desde que Ele é a expressa imagem (v. 15) de Deus, Ele possui nEle mesmo toda a plenitude da divindade de Deus. Jesus Cristo não e a emanação de um espírito puro", nem é Ele um ser criado . Não! Ele é o próprio Deus. Seu ser, pessoa e obra expressam tudo que Deus É (João 1:1; 14:7-11). Quem se alegrou de que a plenitude habitasse em Cristo? A versão de Almeida frisa em itálico "o Pai". Na realidade a construção da grego requer que a plenitude seja o sujeito de ambos os verbos, "habita" e "reconcilia."
Notai os verbos que Paulo usa para descrever esta relação: "agradou-se de habitar". Sua habitação é uma permanência sem fim visível. Finalmente é "nEle", i.e, em Cristo e somente em Cristo que a plenitude habita. Que tremendo pensamento para concluir esta passagem sobre as glórias de Cristo! Ele está por cima e acima de todos os outros porque Ele é habitado por todos os atributos e, desta forma, pela própria pessoa de Deus.
Versículo 20. Tendo claramente indicado nos versículos 15 a 19 quem Cristo é, Paulo agora se volta para o que Ele fez. Assim como é o Seu ser e pessoa, assim é Seu trabalho. Jesus está muito acima desses fabulosos intermediários (v. 16) com os quais os colossenses estavam sendo iludidos. E POR MEJO DELE RECONCILIASSE CONS1GO MESMO TODAS AS COISAS. É por meio de Cristo e somente dEle que a plenitude de Deus nos traz de volta a uma relação correta com Ele mesmo (Col. 1:14; II Cor. 5:18,19). Ele criou "todas as coisas" para Ele mesmo (v. 16) e agora deve Ele mesmo reconciliar "todas as coisas.
O verbo reconciliar significa transferir de um estado para outro completamente diferente. Significa "ser restaurado na favor" (Ef. 2:16). O verbo implica três condições: relação perfeita,9 uma quebra nessa relação (Rom. 5:12) e finalmente restauração (Col. 1:22). Se bem que seja o homem quem está em inimizade com Deus e quem necessita ser reconciliado, Deus é Aquele que toma a iniciativa e traz a reconciliação desistindo de Seus direitos. Basicamente, reconciliação é o efeito do sacrifício de Cristo no pecador arrependido (1 :13; Rom. 5:10).
Todas as coisas são restauradas no favor ATRAVÉS DELE, TANTO AS QUE ESTÃO NA TERRA COMO AS QUE ESTÃO NOS CÉUS. Em Gênesis 3:17-19 Deus declara estar a terra amaldiçoada por causa do homem; em Romanos 8:19,20 Paulo profetisa a remoção da maldição e a reconciliação da Criação com o Criador. Apesar de que toda joelho se dobrará ante Ele (Filip. 2:10), nem toda pessoa se reconciliará. Os impenitentes permanecem hostis para sempre. Como se fez a reconciliação? TENDO FEITO A PAZ PELO SANGUE DA SUA CRUZ. Fazer a paz é o equivalente a reconciliação (Mat. 5:9), e o instrumento neste caso é a cruz, ou melhor, a morte de Cristo na cruz (v. 22). Sem o derramamento de sangue inocente não há remissão (Heb. 9:22) . Apesar de toda a sua suposta grandeza esses mediadores da versículo 16 nada tinham feito para restaurar as perdidos ao favor de Deus. Por que deveriamos adorá-los ou orar a eles? Jesus Cristo agrada-se da nossa adoração e súplicas. Ele somente é digno delas .
Versículo 21. Voltando-se agora do Senhor Jesus Cristo (v. 13-20) para os colossenses Paulo relembra-os da sua condição primeira de inconvertidos. A frase, E A VÓS TAMBÉM, QUE NOUTRO TEMPO EREIS ESTRANHOS, E INIMIGOS, certamente deve ter-lhes reavivado a memória sbre o que eram eles antes que Cristo viesse e os modificasse (Ef. 2:11-19). A palavra também fala de tempos anteriores assim como de uma sequência.. A Israel tinham sido dadas as Sagradas Escrituras, a Israel foi dado o direito de acesso a Deus. Os colossenses, juntamente com outros, eram estranhos a Deus e a Sua Palavra (Ef. 4:18; Col. 2:13).
Não apenas estavam os colossenses separados de Deus, mas eram também "hostis" a Ele. O incrédulo pode procurar fazer o bem (Rom. 7:19) e pode mesmo procurar a Deus pelo que possa vir a obter, mas ele não procura. a Deus pelo que Ele é (Rom. 3:11). Ao contrário, ele é francamente antagônico. Nós como crentes devemos estar cuidadosos de não cair outra vez nesta atitude da qual Ele nos redimiu. Tiago nos diz (4:4) que mera amizade com o mundo é inimizade contra Deus.
A inimizade da incrédulo não é mais que o reflexo da sua natureza. Vossa hostilidade é baseada. NO ENTENDIMENTO PELAS (VOSSAS) OBRAS MÁS. O entendimento da qual ele se refere é o seu inteiro modo de pensar e de sentir (Ef. 2:3). Nós falamos sobre liberdade de vontade. Na realidade, nossa liberdade é tão limitada como a de um homem em um navio no oceano. Ande por onde quiser, terminará ele no mesmo porto que o navio. Assim, todo o tempo em que estivermos pensando que estamos fazendo livre escolha, a. inclinação da nossa mente nos influencia e na verdade nos guia. O incrédulo não pode ser nada a não ser inimigo de Deus; esta é a sua inclinação. Este antagonismo manifesta-se em obras más. Com isto não se pretende negar que o incrédulo faça várias obras "boas". Ele pode praticá-las, e ainda assim a maioria das suas ações ser classificada de "má."
Versículo 22. Em contraste enfático à condição de seu estado anterior, Paulo agora coloca a atual relação deles com Deus. AGORA CONTUDO (VOS) RECONCILIOU. Eles tinham sido apartados, agora foram restaurados em favor; eram antagônicos, agora são obedientes (Vide v. 20 para comentários sobre reconciliar.)
Esta reconciliação foi trazida NO CORPO DA SUA CARNE, PELA MORTE. Seu corpo e sangue (v. 20) são somente símbolos para chamar nossa atenção para a. morte literal do Filho de Deus. Paulo dá ênfase ao corpo física de nosso Senhor, pois foi por causa disto que os filosofos O desprezaram.10 É a morte do Homem na cruz que realiza nossa salvação, o inocente pelo culpado, o infinito pelo mundo todo. Nunca. nos esqueçamos de que o preço para nosso Senhor foi tremendo (Heb. 5:8) . Ele sofreu a dor física de uma morte lenta, a. confusão emocional da vergonha e separação de Deus (Heb. 12:2; Mat. 27:46), e em terceiro lugar, a reação espiritual ao pecado que foi lançado sobre Ele (II Cor. 5:21). Comprados por um preço tão tremendo, como podemos ficar tão indiferentes?
Jesus pagou esse preço PARA perante Ele VOS APRESENTAR SANTOS E INCULPÁVEIS E IRREPREENSÍVEIS. Comparai esta parte da versículo com a última parte do versículo 28 onde praticamente a mesma idéia é apresentada. No versículo 28 o programa de Deus é visto do ponto de vista do esforço humano, enquanto aqui é visto do divino. Juntos, Deus e homem são colaboradores para aperfeiçoar os Santos (I Cor. 3:9). O plano de Jesus para vós e para mim é divino aqui em 3 aspectos: devemos ser santos, inculpáveis e irrepreensíveis. Que glorioso testemunho teríamos se nos esforçássemos para ser aquilo para o que Deus nos chamou!
Fomos chamados à santidade. Não devemos nos retrair e dizer, "Ninguém nunca foi santo, então para que tentar." A perfeição pode ser impossível, mas ainda assim Deus requer que sejamos santos (I Ped. 1:15,16). Há dois aspectos de santidade: o negativo, uma vida sem pecado (I Tes. 5:22,23); e o positivo, uma vida cheia de frutos (Ef. 2:10).
A lnculpável é o antônimo de uma palavra significando "culpa", "ridículo", "mácula", "desgraça" (II Ped. 2:13). Devemos viver de uma tal maneira que nada disso caia sobre nós. Devemos ser inocentes quando acusados, completamente livres de qualquer coisa que manche ou deslustre nosso testemunho (I Tes . 5:22; II Tim. 2:22,23).
Finalmente, como cristãos devemos ser "irrepreensíveis." A palavra significa "aquele que não é chamado a aparecer diante da tribunal" (I Tim. 3:10; Tito 1:6,7). Aqui Paulo vai um passo mais adiante; devemos ser não somente puros e inocentes, mas também inacusáveis. Nestes dias de "culpa por associação" devemos ser cuidadosos para nada fazer que possa ocasionar o tropeço de um irmão. Paulo sentia que isto era tão importante que escreveu sobre o assunto três capitulos aos coríntios (I Cor. 8-10) e um aos Romanos (14).
Tudo do nosso testemunho cristão é primeiramente vista por Ele. Vivemos DIANTE DELE e às Suas vistas. O mundo erra em seu julgamento, e certamente assim sempre será, mas Deus não erra (Rom. 2:2,11) .
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1 Vide Tiago 2:1-9 (tratar todos os semelhantes em amor) Rom. 13:13 (viver honestamente); Mat. 6:1-4 (dar aos que necessitam) Rom. 12; e passagems semelhantes.
2 Estas 2 palavras são praticamente sinônimas:
Enquanto elas se confundem em alguns pontos, a primeira inclina-se mais para habilidade latente, Mat. 25:15; I Cor. 4:19. Kratos, por outro lado, traz a idéia de força ou domínio "expresso" e é usada somente para Deus no Novo Testamento.
3 A palavra santos aparece 59 vezes no Novo Testamento, quase sempre referindo-se aos crentes vivos. Três passagens (de Paulo) podem ser tomadas como referência aos crentes que foram para a glória (I Cor. 6:2; Col. 1:12; I Tess. 3:13) enquanto duas outras definitivamente referem-se a crentes, embora seja difícil determinar-se exatamente se estão mortos ou vivos (Ef. 1:18; II Tess. 1:10). Das 19 citações extra-paulinas da palavra, todas, com exceção de três, referem-se a crentes vivos; uma dessas três (Mat. 27:52) refere-se a personagens do Velho Testamento e duas (Apo.11:18; 19:8) a pessoas do Novo Testamento. Desde que os santos referidos no Livro do Apocalipse apresentam as características de crentes renascidos (vide especialmente 14:12; 17:8), a responsabilidade de provar repousa sobre aqueles que sustentam o contrário que eles não são membros da Igreja militante. Não há base no Novo Testamento para a interpretação do Catolicismo Romano destas palavras. Mais de 90% das passagens referem-se a crentes vivos independente de suas vidas ou milagres operados.
4Por exemplo, em João 1:12 é nos dado autoridade ou direito de nos tornarmos fIlhos de Deus. Por outro lado, em Mateus 6:13 é força ou habilidade que pertence a Deus. A palavra em João é exousia, aquela em Mateus é dunamis. Para uma nota adicional para o último vide versículo 11. Para o primeiro, vide Mateus 7:29; 9:6.
5 A versão de Almeida insere "pelo do seu sangue." Quasi todos os manuscritos omitem esta frase que foi provavelmente aditada de Ef. 1:7 da qual é praticamente uma duplicata. Esta omissão em Col. 1:14 afeta a doutrina de que somos salvos pela morte de Cristo no Calvário? Dificilmente, pois a frase está firmemente defendida em Ef. 1:7 e a doutrina ensinada através do Nova Testamento, especialmente em Hebreus. De fato, uma frase mais forte aparece no versículo 20.
6 Protoktistos, um título comum usado entre os filósofos de Alexandria.
7 É verdade que há uma dúvida se o artigo definido existe no texto grego. As duas maiores autoridades para Colossenses (p 46 e B) têm o artigo. Mesmo que Paulo o tenha omitido, o sentido exige que o coloquemos em português e até que lhe demos ênfase.
8 Vide nota de Lightfoot sobre esta palavra, Colossians, pp. 257-273.
9 Quando estivemos nós em relação perfeita com Deus? Possivelmente antes da idade da responsabilidade. Contudo, Paulo provavelmente se refere ao tempo antes de Adão pecar, quando a raça humana através do seu progenitor tinha perfeito acesso à presença de Deus (Vide Heb. 7:9,10).
10 Uma doutrina básica do gnosticismo era que desde que a matéria é má, e Deus é puro espírito, Deus seria contaminado pela matéria. Desde que Jesus Cristo teve um corpo, eles O consideram como o último e menor dos espíritos intermediários entre Deus e o mundo.
CAPÍTULO IV
RELAÇÃO DE PAULO COM AS IGREJAS
Tendo concluido este breve mas profundo estudo da pessoa e trabalho do Senhor com um especial lembrete da mudança que Ele tinha forjado neles, Paulo agora volta-se para sua própria relação com as igrejas. Ele assim o faz a fim de lançar um fundamento para sua autoridade. Em seguida, ele começa com algumas credenciais do seu ministério antes de chegar à sua mensagem. Tinham seus falsos mestres alguns segredos filosóficos? E daí? Ele revela-lhes o mistério do Deus e de que maneira isto os beneficia.
Passando rapidamente ao motivo que o impeliu a pregar e a sofrer por Cristo, Paulo dá ênfase ao esforço que fez para "apresentar todo o homem perfeito em Jesus Cristo" (v. 28). Isto era para impedir qualquer tentativa da parte dos colossenses de acusá-lo de negligenciar de entregar a mensagem completa de Deus. Em seguida, manda que eles permaneçam firmes na fé, não prestando nenhuma atenção aos enganadores, e que comprendam que, embora ele não possa estar com eles fisicamente, está com eles em espírito. Finalmente, relembra-os de que devem andar em Cristo.
Versículo 23. Agora Paulo lança-lhes uma observação muito poderosa. SE NA VERDADE PERMANECERDES NA FÉ deve tê-los levado a considerar para onde esses falsos profetas os estavam guiando (2:8,18). "Se na verdade" é uma forte e enfática combinação acrescentando uma verdadeira interrogação à sentença. Iriam eles ou não continuar dentro do arcabouço da "fé" (Gál. 5:1-10)? Nesse caso "fé" tem o artigo definido e não se refere nem à esperiência de salvação deles nem ao seu andar diário. Em vez disso, Paulo está falando de um credo definido do Novo Testamento (2:7; Judas 3; II Tes. 3:2; I Tim. 3:9; 6:21). Poderiam essas inovações dos falsos mestres enquadrar-se dentro das crenças aceitas pela igreja primitiva? A carta aos colossenses é um sonoro não!
Os verbos FUNDADOS E FIRMES mostram-nos como devemos persistir "na fé." O verbo traduzido "fundados" vem de um verbo grego significando "por um fundamento" (Ef. 3:17). O outro, firmes, significa "permanecer estabelecido" e "constante" depois de estarmos fundados na Rocha (I Cor. 7:37; 15:58).
A pessoa que está fundada e que permanece firme em Cristo não é atingida pelo perigo da segunda parte desta admoestação: E NÃO VOS MOVERDES DA ESPERANÇA DO EVANGELHO. O homem que construiu na areia foi deslocado pela tempestade, mas nada pode mover aquele que construiu em Cristo (Mat. 17:24-27). Devemos não somente crer, mas crer na fé que foi entregue uma vez por todas à Igreja pelos apóstolos (I Tim. 6:20,21; Heb. 2:3). Não devemos ser afastados da verdade, sempre em busca de algo novo. Aqui esperança inclui mais do que nossa recompensa celestial (v. 5), pois envolve também nossa salvação e tudo que a mensagem do Evangelho nos declara.
A verdade é o Evangelho O QUAL TENDES OUVIDO, O QUAL FOI PREGADO A TODA A CRIATURA QUE HÁ DEBAIXO DO CÉU E DO QUAL EU, PAULO, ESTOU FEITO MINISTRO. Os colossenses nao podiam apelar para a ignorância, não podiam dizer que não sabiam. (Para a evangelização deles e uma discussão sobre toda, vide os versiculos 6, 7). Paulo era um ministro do Evangelho, e consequentemente, de Cristo (1:1; I Cor. 1:17). (Vide nota sobre ministro no v. 7). Aqui a frase refere-se à sua chamada missionánia.
Versiculo 24. REGOZIJO-ME AGORA NO QUE PADEÇO POR VOS. Paulo não somente sofreu grandemente pela igreja primitiva, mas também era grato pelo privilégio que Deus lhe tinha dado de sofrer pelos outros. Pode algum de nós comparar suas experiências com aquelas registradas em II Cor. 11:23-28? Que temos nós sofrido? Não somente não temos sofrido, como também não nos regozijamos na hora da provação e tentação! Somos melhores do que nosso Senhor e do que Paulo para que escapemos da inimizade do mundo e de Satanaz?
Todos nós dever morrer pelos nossos próprios pecados. Conquanto Ele nos tenha livrado dessa monte, Ele nunca prometeu que seríamos libertados de perseguição ou mesmo da morte (João 15:20,21). "Todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos" (II Tim. 3:12). Do primeiro século até hoje uma parte ou outra da Igreja tem sofrido devastadoras perseguições por causa do nome de Cristo. Muitos têm dado suas vidas por Ele. Por que deveríamos esperar ser poupados? Por que deveríamos pensar que Deus nos ama tanto que não permitiria que perseguições se levantassem em nosso dia? Em nossa terra? (Vide Heb. 12:6).
E NA MINHA CARNE CUMPRO O RESTO DAS AFLIÇÕES DE CRISTO. A palavra traduzida "resto" significa "carência" (Filip. 2:30), ou "falta" (II Cor. 8:14). Como é possível que qualquer coisa esteja faltando no sacrifício do Senhor? Não disse Ele mesmo, "Está consumado"? (João 19:30). Que o sacrifício de Cristo foi perfeito e completo é visto em que o Pai estava plenamente satisfeito com ele (Filip. 2:9-11). Que está faltando, pois? Falta a proclamação desta salvação ao mundo. Certamente Satanaz, que lutou ao máximo para impedir o Filho de Deus, não vai sentar-se e permtir que carreguemos livremente a mensagem atravês do mundo. De maneira que temos uma abençoada oportunidade de sofrer por Ele e por outros. O verbo Cumprir é forte e significa "preencher completamente." Será que Deus nos permitiria nesta geração evangelizar todos aqueles que ainda não O conhecem?
Os sofrimentos físicos de Paulo eram PELO SEU CORPO QUE É A IGREJA. Desde que nossos sofrimentos completam os do nosso Salvador, e desde que Sua paixão continha valor salvador para todo o mundo, a seguinte questão está pronta a ser levantada: "Quanto mérito têm nossos sofrimentos pelos outros?" De acordo com a doutrina Católica Romana nossos sofrimentos e morte são méritos redentores quando estamos em união com Ele. Primeiro de tudo; notamos que eles não podem ser redentores. A Igreja já tinha sido comprada e constituida por Cristo (I João 2:2). Apesar de que Paulo ter sofrido por eles, eles não foram salvos por Paulo (I Cor. 1:13). Segundo, nossos sofrimentos proclamam ao mundo nossa relação com o Senhor (João 15:18-23). Finalmente, somos meramente os "meios" de espalhar a história do Evangelho. Se os sofrimentos do Criador infinito não pagaram plenamente o preço, que poderiam nossas tribulações adicionar às dEle? Nada!
Versículo 25. DA QUAL, da Igreja universal pela qual ele sofre, EU ESTOU FEITO MINISTRO. Ministro é usado aqui no sentido oficial. Paulo, Epafras e Arquipo (4:17) são o que poderiamos chamar "acreditados" ou "aceitos" mestres da Palavra. Ao contrário de "ministro do Evangelho" no versículo 23 que significa missionário, a frase "ministro da igreja" refere-se à sua comissão de ensinar os mistérios revelados àqueles que crêem. Paulo ministrou SEGUNDO A DISPENSAÇÃO. A Dispensação significa a "regulamento da casa"; por consequência, dispenseiro ou administrador (Lucas 16:1-4). Desde o dia da sua salvação Paulo sabia o que Deus tinha para ele (Atos 9:15,16) e partiu para fazê-lo de acordo com o cargo de dispenseiro que lhe tinha side dado (I Cor. 9:17; Ef. 3:7-10).
A empresa era DE DEUS, i.é., Deus era igualmente autor, doador e em análise final, proprietário. QUE ME FOI CONCEDIDA. Do nós mesmos não temos nada: tudo que temos foi recebido. Multipliquemos nossos talentos para Sua honra e glória (Mat. 25:14-30). PARA CONVOSCO, i.é, para os gentios em geral (Atos 9:15), apesar de seu ministério centralizar especialmente na Ásia Menor onde ele passou a maioria da sua vida. Conquanto nunca tivesse visitado Colossos (1:4; 2:1), pôs o fundamento da sua evangelização para alcançar com o Evangelho Éfeso e outros largos centros da Ásia Menor.
O propósito da administração de Paulo era PARA CUMPRIR A PALAVRA DE DEUS. O verbo cumprir é aquele do qual plenitude (v. 19) vem, e significa encher, aperfeiçoar, completar (João 3:29), especialmente completar aquilo que está faltando (Filip. 4:18) Obviamente Paulo não pode aperfeiçoar coisa alguma feita por Deus. Paulo não inventou nada novo, ao contrário ele desenvolve e esclarece aquilo que está latente no Evangelho. Aqui palavra serve para a mensagem total de Deus (vide 1:5).
Versículo 26. "A saber"--deveria ter sido colocado aqui para ligar o "mistério" aqui mencionado com a "palavra de Deus" do versículo 25. O MISTÉRIO QUE ESTEVE OCULTO. Mistério é uma palavra grega transliterada que significa "secreto" ou "oculto". As religiões do Oriente Próximo usavam-na para referir-se a um certo ramo do conhecimento que era revelado somente àqueles que eram iniciados na seita. Alguns acham que Paulo estava definitivamente influenciado por elas, alegando que o uso que ele faz da palavra mistério prova isto. Contudo, os segredos delas eram apenas para os iniciados; Paulo declara que os do Deus são para ser conhecidos de todo o mundo (Ef. 3:9,10).
Um mistério do Novo Testamento1 descobre a múltipla sabedoria de Deus (Ef. 3:10). A idéia fundamental é que a verdade revelada por Deus não foi descoberta pelo homem, nem mesmo o poderia ser (Ef .3:3,5). Contudo uma certa porção de obscuridade permanece para o homem natural, como é visto na frase esteve oculto. Este verbo está no Pretérito Perfeito do grego e implica que, conquanto revelado, uma parte permanece oculta (I Cor. 2:13,14; Mat. 13:9-11). Apesar de ter sido imperfeitamente compreendido, nosso Senhor falou abertamente em parábolas, e o apóstolo Paulo pediu orações em seu benefício de maneira que ele pudesse abertamente proclamar o mistério do Evangelho (Ef. 6:19).
De quem estava o mistério escondido? DOS SÉCULOS E DAS GERAÇÕES. Conquanto estas palavras normalmente se refiram a tempo (Ef. 3:5), aqui elas estão em contraste com santos. Num sentido elas referem-se a todos os incrédulos do passado (I Cor. 2:7-10), mas particularmente aos santos do Velho Testamento que não compreenderam ou previram um povo de Deus judaico-gentílico. E QUE AGORA FOI MANIFESTO AOS SEUS SANTOS. Santos aqui dificilmente se refere a Israel, pois este povo era justamente aquele que combateu tão arduamente o ministério gentílico de Paulo. Deve se referir aos crentes vivos, especialmente aos lideres (Ef. 3:5). (Vide notas sobre 1:2,12).
Versículo 27. AOS QUAIS DEUS QUIS DAR A CONHECER. Os santos do versículo 26, especialmente os judeus convertidos, não podiam admitir que os gentios fossem admitidos a Igreja somente pela fé o que fossem coherdeiros com eles (Ef. 2:19;3:6). Através de todo seu ministério Paulo foi aborrecido por eles.2 Como em 2:1 quis aqui significa "deseja". Deus desejava, apesar de que não tenha insistido, que eles compreendessem (Ezeq. 33:11).
QUAL SEJA A RIQUEZA DA GLORIA DESTE MISTÉRIO ENTRE OS GENTIOS. Paulo amontoa adjetivos e frases para mostrar a importância deste mistério. QUE É CRISTO EM VÓS. Aqui a união com Cristo que nosso Senhor prometeu a Seus discipulos (João 14:23) foi estendida para incluir os colossenses que eram predominantemente gentios (1:2; Oséias 2:23). A preposição em implica uma relação constanto e imutável com o Criador. Esta união irradia-se em muitas direções: intelectualmente podemos ter a "mente de Cristo" (I Cor. 2:16), espiritualmente podemos ter de novo aquele andar de Adão com Deus o Santo, fisicamente podemos reclinar-nos nos braços eternos (1:11), etc. O resultado é mais do que uma restauração da imagem de Deus a qual Adão perdeu (vido 1:15). Nossas vidas deveriam ser verdadeiras reencarnações do Filho de Deus (Gál. 2:20; Filip. 1:21).
Paulo elabora acrescentando A ESPERANÇA DA GLORIA. A Glória aqui não tem nada que ver com brilhantismo, ao contrário, refere-se a Deus mesmo. O da pode indicar, ou origem (a glória vem de Deus), propriedade (ela pertence a Deus), ou finalidade (glorificação). O terceiro dificilmente poderá ser escolhido, pois o Cristo interno não nos incita a desejarmos ser exaltados. Paulo provavelmente quis significar uma das duas primeiras possibilidades, ou ambas. Quanto à esperança pode se referir a vós (únicos embaixadores de Deus), ou até mesmo à toda a frase "Cristo em vós" (o desejo de Deus para o crente). As duas são semelhantes e provavelmente foi intenção de Paulo usar a ambas. Finalmente. Paulo introduz a última frase com a quem, a qual liga mistério e Cristo em vós como equivalentes. Desta forma; mistério = Cristo em vós = esperança da glória. Os três são basicamente o mesmo.
Versículo 28. A QUE ANUNCIAMOS. Em grego, onde o pronome deve concordar em gênero com o antecedente, Cristo é excluido porque é masculino. A que, sendo neutro, refere-se a mistério. Em I Cor. 2:2 Paulo limitou sua pregação entre os incrédulos a "Cristo crucificado", a base da redenção. O mistério (vide 1:27) é o resultado da redenção nesta vida (Ef. 4:24). A ambos deve ser dada ênfase. Sem o primeiro, o segundo é impossivel, sem o segundo, o primeiro resulta em cristãos defeituosos.
Paulo prega ADMOESTANDO A TODO O HOMEM, E ENSINANDO A TODO O HOMEM EM TODA A SABEDORIA. Ele admoesta o perdido e ensina o salvo (Comp. I Cor. 2:1-5 com I Cor. 2:6-16). O verbo admoestar significa "advertir do julgamento a vir" (II Cor. 5:11; Ezeq. 3:17-21). Sua visão era ilimitada: "todo incrédulo para Cristo." A segunda parte do Evangelismo de Paulo, ensinando todo homem, é primariamente dirigida àqueles que atendem ao Evangelho (I Cor. 2:6). Paulo procurava treinar homens e mulheres para levar seu mesmo tipo de ministério (II Tim. 2:2). A mensagem de Paulo não foi modelada pela sabedoria dos homens; era de Deus (1:9; I Cor. 1:18-24,30). Ele diz "toda sabedoria" para mostrar que ele não retinha nada (Atos 20:27).
O ministério de Paulo estava toda ligado a um ideal: PARA QUE APRESENTEMOS TODO O HOMEM PERFEITO EM JESUS CRISTO. Nestas palavras está resumido o propósito do seu sofrimento (v. 24) a sua pregação (v. 27). Paulo se apresenta como um sacordote oferecendo homens perfeitos a Deus (I Tes. 2:19,20). Ele queria apresentar "todo o homem" a Deus e para alcançar sua finalidade viajou a pé milhares de quilômetros, pregou em muitas partes do Império Romano o esforçou-eso ao máximo (v. 29) para ganhar tantas almas quanto possível para o Senhor. Que esforço temos feito?
Contudo, sua finalidade não era apenas ganhar almas, mas também conduzí-las à perfeição. Notai que ele diz "todo o homem perfeito." Prefeito significa amadurecido, completamente bom, perfeito em caráter. Da Biblia (Mat. 5:48; Deut. 18:13) aprendemos que Deus exige perfeição do Seu povo; pela vida diária notamos que nenhum homem é perfeito. Alguém poderá reconciliar as duas coisas dizendo que a palavra não inclui perfeição sem pecado. Mas como pode o pecado ser dissimulado na perfeição exigida em Colossenses 4:12? Filipenses 3 indica como reconciliar estes dois pensamentos. No versículo 15 Paulo inclui-se entre os que são perfeitos, contudo no versículo 12 do mesmo capítulo ele nega que seja perfeito. O primeiro indica a perfeição que recebemos no momenta da salvação, o segundo temos que lutar por alcançar (II Cor. 7:1).3 Nós estamos unidos a Cristo: nossas vidas devem medir-se pelo Seu exemplo (Ef. 4:13; I João 2:6). Como? (Vide Col. 3:14).
Versículo 29. No versículo 28 Paulo declarou o "fim": PARA ISTO TAMBÉM TRABALHO. Agora ele nos diz "como". Trabalho é uma palavra forte, indicando o tremendo esforço que Paulo fez para ganhar as perdidos (I Tes. 2:9). Seu testemunho não foi regido por oportunidades superficiais (Atos 18:4,5). Ele junta o particípio presente COMBATENDO para dar a idéia do contínuo impulso, do tremendo esforço dele para vencer (I Cor. 9:24-27).
Seu trabalho foi bem sucedido porque foi SEGUNDO A SUA EFICÁCIA, PELO QUE ELE OBRA EM MIM PODEROSAMENTE. O substantivo e o verbo são da mesma raiz e juntos fortalecem a idéia do auxílio que Deus extende àqueles que se gastam a si próprias por Ele. O sentido básico das palavras é poder ativo e efetivo (2:12; Ef. 4:16; Gal. 2:8). Não há cristão que não possa extrair recursos do Deus Todopoderoso. O segundo a liga juntamente o esforço de Paulo e a autorização de Deus. Eis aqui o segredo. Assim como no versículo 11 Deus não fortalece por amor à força, assim aqui Ele trabalha poderosamente somente naqueles que estão fazenda o máximo para servi-lO. Podemos vós e eu dizer que estamos usando nossos talentos ao máximo por Ele? Se não, isto explica porque não experimentamos o tremendo poder de Deus em nosso ministério por Ele!
Cap. II. Versículo 1. Chegamos agora à relevância do ministério de Paulo, uma vez que o mesmo afetava especialmente os colossenses. Até este ponto ele tem falado em termos gerais, palavras que poderiam ter sido enviadas a quasi qualquer igreja. QUERO QUE SAIBAIS. Estará ele se jactando, como foi forçado a fazer em II Cor. 11? Ao contrário, ele quer que eles saibam que seu interesse não é uma fantasia passageira, e sim que está ancioso para que eles venham a completo entendimento do mistério que ele esboçou em 1:27 (Vide v. 2).
QUAO GRANDE COMBATE testifica da veracidedo do interesse de Paulo. A palavra combate quando transliterada em português é "agonia" e significa uma "violenta luta". Apesar de Paulo estar na prisão, ele não se limitava à orações profundas em benefício deles. Em adição à muita oração ele enviou-lhes uma carta, e um dos seus colaboradores (Tíquico) para encorajá-los (4:7,8).
TENHO POR VÓS E PELOS QUE ESTÃO EM LAODICÉIA. Já notamos (1:2) que Colossos ficava no Vale de Licus, à margem do rio. Laodicéia ficava somente 15 a 20 quilômetros distantes e era maior e mais próspera.4
ATÉ dá idéia de que Paulo não conhecia a maioria das pessoas nessas igrejas, de que ele não as tinha provavelmente visitado. O fato de que a cidade foi evangelizada por Epafras até o fim da estada de Paulo em Éfeso concorda com esta interpretação. Depois que Paulo foi expulso de Éfeso (Atos 20:1), não teve ele nunca outra oportunidade de visitar Colossos. Cerca de 6 anos tinham so passado entre este incidente e a escrita desta carta (Vide 1:4). Em lugar de usar a deselegante construção POR QUANTOS NÃO ViRAM O MEU ROSTO EM CARNE, escreveríamos "por quantos nunca me encontraram." Apesar de que ele não saudasse nenhum deles pessoalmente, Paulo indubitavelmente conhecia alguns deles das suas viagens a Éfeso. Apesar disso, muitos anos tinham se passado, e a grande maioria tinha sido convertida depois que ele deixou Éfeso.
Versículo 2. Aqui Paulo dá a razão da sua fervente oração d versículo 1; a saber, PARA QUE OS SEUS CORAÇÕES SEJAM CONSOLADOS. Ele particularmente desejava firmar na fé aqueles que lhe eram desconhecidos (v. 1). O coração é o lugar dos sentimentos, e afeições colocadas erroneamente levam a mente a caminhos tortuosos e à conclusões errôneas. Ele deseja que eles tenham segurança em lugar de serem constantemente inquietados doutrinariamente (Ef. 4:14). Ao nos esforçarmos para extirpar erros e doutrinar os filhos de Deus devemos ser cuidadosos em não pisotear seus sentimentos. Devemos corrigir (II Tim. 3:16), mas devemos fazê-lo de tal maneira que os comforte o os atraia para mais perto de Deus.
Este consolo do coração é trazido por estarem unidos. Conquanto não haja lugar para divisões do tipo mencionado em I Cor. 1, ainda assim onde uma matéria de princípios é envolvida, Paulo não tem medo de permanecer sozinho contra a maioria (Gál. 2:11-14; Atos 15:36-41). A união verdadeira não é para ser procurada no terreno da transigência, mas sim EM AMOR PARA TODA RlQUESA DA PLENA CONVICÇAO DO ENTENDlMENTO, PARA PLENO CONHECIMENTO DO MlSTÉRIO DE DEUS--CR1STO. Amor e humildado devem motivar nossos esforços para converter outros às nossas crenças (Filip. 2:3,4). Feito com qualquer outro espírito nossas tentativas resultarão em fracasso, desentendimentos e sentimentos feridos.
O Entendimento é mais do que conhecimento, é a compreensão das inferências, um claro discernimento intelectual dos "por ques" e dos "motivos." A maioria de nós está satisfeita com os fatos da história do Evangelho sem aplicar seus princípios ao nosso viver diário (Vide também 1:9). Apesar de raramente usada no Novo Testamento, "convicção plena" é muito impressiva, sua ênfase estando no absolutismo da convicção (Tiago 4:17; Rom. 14:23). Paulo visava nada menos do que o perfeito conhecimento da pessoa e trabalho de Cristo da parte de seus leitores. Quando isto é atingido, há uma riqueza de comunhão, uma profundeza de percepção, e paz e segurança de espírito que não pode ser abalada por falsos mestres.
Segundo, Paulo queria que eles tivessem "pleno conhecimento do mistério de DeusCristo". Em um sentido isto é a explicação e a elaboração da frase precedente: Pleno conhecimento está aqui em oposição direta à chamada ciência especial dos falsos mestres (vide nota em 1:6). (Para o significado de mistério vide as notas sobre 1:26). Apesar disto estar basicamente no mesmo contexto com 1:27, o mistério de que Paulo fala aqui é diferente daquele lá mencionado Neste caso o mistério é o Messias, o filho unigênito de Deus (I Tim. 3:16; Col. 1:14-22).5 Não é de se espantar que os filósofos pagãos não podessem compreender o Senhor Jesus Cristo, muito menos relegá-lO a um mero lugar na filosofia grega.
Versículo 3. No versículo 2 Paulo declarou que o mistério de Deus é Cristo. Agora ele elabora. EM QUEM ESTÃO ESCONDIDOS TODOS OS TESOUROS DA SABEDORIA E DA CIÊNCIA. Esconder aqui não significa encobrir para ser invisível ou oculto. Antes, denota que essas coisas formam de tal maneira uma parte do Senhor que não podem ser removidas dEle. Deseja-se significar a essência da sabedoria e da ciência. Aqui elas são aproximadamente equivalentes à uma parte da plenitude que habita nEle (1:19). (Para sabedoria vide 1:9 e para ciência 1:6). Podemos obter uma porçao divina desta sabedoria e deste conhecimento pedindo-as em oração (1:9; Tiago 1:5; I Cor. 2:6) Não há necessidade e não há desculpa para todas as especulações ignorantes que se ouve no meio do povo de Deus. Nunca podemos alcançar a perfeição, mas podemos todos melhorar a nossa vida e sabedoria espiritual.
Versículo 4. Agora o motivo de Paulo para escrever: DIGO ISTO. Notai que ele não ordena que eles expulsem seus falsos mestres. Muito menos lhes diz para taparem seus ouvidos ou queimarem os livros heréticos. Em lugar disso, ele diz QUE NINGUÉM VOS ENGANE. Ele lhes tinha dado a verdade a respeito de Cristo e espera que eles estejam aptos a se haver com os falsos mestres. Quais eram algumas das falsidades que foram apresentadas aos colossenses? (Vide Cap. I; Col. 1:16; 2:8, 16-19, 20-23). Somente os fracamente treinados são iludidos por uma imitação. Em lugar de perdermos nosso tempo estudando toda sorte de falsos evangelhos a fim de combatê-los, devemos estudar a verdade e conhece-la tão bem que possamos reconhecer qualquer discrepância da mesma.
Todos os impostores procuram laçar suas vítimas COM PALAVRAS PERSUASIVAS, palavras que soam plausivas, palavras que têm um som de verdade, e contudo estão cheias de erros. Desde o primeiro século a Igreja tem sofrido insediosos ataques internos (Atos 15; I Pedro 2:1-3; Judas 3, 4). Muitos negam a verdade pela sua omissão silenciosa. Não devemos ficar satisfeitos apenas com um ministério experiente, o homem simples que se assenta no banco da igreja deve também ser bem treinado na verdade.
Versículo 5. PORQUE AINDA QUE ESTEJA AUSENTE QUANTO AO CORPO, CONTUDO EM ESPÍRITO ESTOU CONVOSCO. O apóstolo Paulo não podia estar presente em toda parte. Enquanto se assentava envelhecendo numa prisão romana, o cuidado de todas as suas igrejas pesava grandemente sobre ele (II Cor. 11:28). Estava ele afastado em Roma? Seu amor a cada igreja e seu desejo de ajudá-las em seus problemas individuais fazia com que ele estivesse presente espiritualmente com todas elas (I Cor. 5:3).
De que a mensagem de Epafras (1:7) não foi inteiramente desagradável, deduz-se da frase, REGOZIJANDO-ME E VENDO A VOSSA ORDEM. Seu interesse por eles era tão genuino que ele estava pronto a regozijar-se pelos pontos bons. Ao contrário dos corintos (I Cor. 11:17) os colossenses podiam ser elogiados por sua conduta regular, especialmente nas suas reuniões.
E A FIRMEZA DA VOSSA FÉ EM CRISTO. Paulo também se rogozijava de que eles estivessem firmes, sólidos, firmados na sua fé (I Pedro 5:9). Muitos foram confundidos pelos falsos mestres, mas evidentemente a maior porção permaneceu firme naquilo em que tinham sido ensinados. Esta carta foi um baluarte para os indecisos, uma sólida reafirmação para aqueles que estavam firmes e um selo de aprovação no ministério de Epafras. Fé aqui pode referir-se à sua crença continua (Heb. 10:38) ou ao seu credo (1:23). Possivelmente Paulo tinha em mente ambos os sentidos, mas o último é mais provável. Notai outra vez que não é apenas "fé", mas fé fundada em Jesus Cristo (1:27: 2:2,6).
Versículo 6. COMO, POlS RECEBESTES O SENHOR JESUS CRISTO, ASSIM TAMBÉM ANDAI NELE. Como os gálatas (Gal. 3:1-5), alguns dos colossenses estavam enamorados de certas especulações (1:16, 2:8, 16-23). Paulo não expressa aqui dúvida sobre a salvação deles. Em vez disso, mostra a lógica e a necessidade de continuarem nEle que lhes tinha trazido sua salvação (1:22). O pois refere-se à declaração de Epafras a Paulo da conversão deles (1:4) e resume o inteiro argumento da supremacia de Cristo de 1:14 a 2:5. Desde que Jesus Cristo é preeminente sobre tudo, a imagem de Deus, o Criador de tudo, etc., por que deveria haver o mínimo desejo que fosse de se procurar outros mediadores? Jesus é o Messias, o Ungido de Deus. Ele é a Palavra, a mensagem de Deus ao homem. Ele é também o Senhor, o Jeová do Velho Testamento (Filip. 2:11). (Vide 1:1,2).
Eles tinham "recebido" o Senhor pela simples fé; eles O tinham recebido não somente como Salvador, mas também como a chave para vida e felicidade. Se foi nocessário a pessoa dEle para libertá-los da perdição eterna, Ele também é necessário para guiar e dirigir o cristão nas éscolhas diárias que a vida lhe impõe (João 6:39; Rom. 8:35-39). Somos ordenados a "andar nEle". Nós todos vivemos e nos movimentamos e temos nossa vida em Cristo, todos somos sustentados por Ele (1:17). A começar de 3:5-17 Paulo mostra como o cristão deve andar. Que contraste entre esses ideais e a vida vivida antes da conversão! Sem a absoluta e continua dependência dEle não poderemos nunca por esses ideais em prática. (Sobre andar vide também 1:10; 3:7).
Versículo 7. Esta é uma explicação e uma ampliação do mandamento dado no versículo 6. ARRAIGADOS E SOBREEDIFICADOS NELE. O verbo arraigar fala da salvação, os primeiros passos dados na nova vida. Uma árvore deve crescer para dentro da terra antes de subir. Deve haver um firme fundamento e continua fonte de vida. Arraigados corresponde a recebido do versículo 6. Sobreedificados continua o pensamento da planta que começou a crescer. Refere-se ao crescimento em Jesus Cristo, e corresponde a "andar" do versículo 6. Paulo não quer significar que obteremos igualdade com Ele, mas ao contrário de que devemos procurar nEle e nEle somente a satisfação de todas as nossas necessidades espirituais. Ele sozinho é suficiente. Se por acaso existe outros mediadores (1:16), estão eles abaixo dEle em posição, poder e pessoa. Paulo agora acrescenta um elemento não exposto no versículo 6. E RESOLUTOS NA FÉ, ASSIM COMO FOSTES ENS1NADOS. Ser resoluto é estar estabelecido e constante sem vacilar (I Cor. 1:8; e a idéia de Ef. 4:14). Tendo sido salvos e ensinados em Cristo, devemos ficar firmes em nossa lealdade para com Ele.
Como em 1:23, fé aqui se refere a alguma sorte de credo ao redor do qual Epafras tinha edificado seu ensinamento. Qualquer outra coisa que tivesse sido incluida na doutrina, certamente era um conceito altamente desenvolvido da pessoa e do trabalho do Senhor (1:14-22). Desta forma, não havia necessidade de ignorância ou heresia; a eles "tinha sido ensinada" a verdade de Deus. Nem era sua limitação a Jesus Cristo e à "fé aceita" para ser considerado um trabalho sem proveito. ABUNDANDO EM AÇÃO DE GRAÇAS. Ação de graças pelo que Cristo tinha feito e estava fazendo por eles. Gratidão enquadra-se a qualquer um de nós. Devemos mostrar a Deus, por obras e palavras que somos realmente gratos (Vide 1:12).
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1 Há vários mistérios distintos mencionados no Nova Testamento (I Cor. 13:2): o arrebatamento dos crentes (I Cor. 15:51-53); de que os judeus e gentios juntos formariam uma Igreja (Ef. 3:8; Rom. 11:25); a união de Cristo e a Igreja (Ef. 5:31,32); Cristo Mesmo (Col. 2:2; I Tim. 3:16; I Cor. 2:7,8); a fé (I Tim. 3:9); as sete estrelas e os sete candelabras (Apo. 1:20); o reino do céu (Mat. 13:11); e a revelação dos poderes do Anti-Cristo (II Tes. 2:6-10; Apo. 17:5-7).
2 Atos 11:14; 15:1-14; 21:18-26; Gal. 2:4-14.
3 Quando uma criança nasce, tem todos os ossos, músculos e nervos que sempre terá. É perfeita, ou homem completa. Contudo ninguém quer que uma criança permaneça para sempre neste estado. Somente quando está completamente desenvolvida fisicamente podemos dizer que é perfeita em ambos os sentidos. Deus não quer que permaneçamos infantes espirituais..
4 J. B. Lightfoot, Colossians, pp. 5-8. (Vide 4:13; Apo. 1:11; 3:14-22).
5 Há uma soma tremenda de confusão entre os manuscritos quanto à correta leitura aqui. Há cerca de nove diferenças principais, desde meramente "mistério de Deus", a "mistério de Deus, a saber O Pai e de Cristo." Um manuscrito omite tudo depois de mistério. O texto de Nestle segue p 46, B, e Hilário. (Vide Cap. I)
V. A Exposição de Paulo da Superioridade de Cristo (2:8-19)
 
CAPÍTULO V
EXPOSIÇÃO DE PAULO DA SUPERIORIDADE DE CRISTO
Chegamos agora a outro parágrafo que, como 1:14-22, é devotado à exaltação de Jesus Cristo sobre todos os outros seres. Esta parte da carta está construida sobre três advertências. Primeira, não vos deixeis arrastar atrás de qualquer filosofia humana que tome o lugar de Cristo. Relativo a este aviso Paulo amplifica a afirmação de 1:19 e relembra seus leitores de que é a "plenitude do pai" que habita em Cristo. Em seguida prossegue a mostrar algumas das tremendas coisas que nosso Senhor tem feito por nós, especialmente pelos gentios. Do pedestal assim construido Paulo lança duas outras solenes advertências: não deixeis que coisa alguma tome o lugar preeminente de Cristo, e não deixeis que ninguém seja causa de que O negueis.
Versículo 8. TENDE CUIDADO PARA QUE NlNGUÉM VOS FAÇA PRESA SUA é um mandamento enfático, um esforço para fazê-los cair na consciência da sua posição perigosa. Mantende vossos olhos abertos e vigilantes (Ezeq. 3:17-21). Geralmente é o ignorante e o desprevenido que são roubados (Lucas 12:39), que são vítimas de impostura. Devemos todos estar bem firmados na Palavra se quizermos ver através dos ataques sutis de Satanaz.
Os meios de arrastar o confiado é POR MElO DE FILOSOFIA QUE É UMA VÃ FRAUDE. Filosofia é o esforço do homem para alcançar e entender a Deus e Seu universo por suas próprias forças. Não atinge o alvo (I Cor. 1 :21), e desta maneira é muito perigoso (1 Tim. 6:20, 21). Estudai a argumentação do homem pelo que ela vale, contudo tende cuidado para não cair na disposição de espírito que laçou os atenienses (Atos 17:18-21). Vã fraude é aqui um sinônimo para filosofia. Comparai as "nuvens sem chuva" de Judas; bonitas, contudo quão inúteis. Esperanças são levantadas somente para serem demolidas.
SEGUNDO A TRADIÇÃO DOS HOMENS. Tradição não é necessariamente má em si. Basicamente a palavra se refere a um grupo de ditos ou doutrinas passadas de um para outro (Gál. 1:14; I Cor. 11:2). Podem ser boas (II Tes. 2:15; 3:6), inúteis (I Pedro 1:18), ou definitivamente malévolas quando entrain em conflito com a Palavra de Deus (Mat. 15:1-9). No caso de Col. 2:8 a tradição definitivamente pertence ao último grupo, pois está em oposição à sã doutrina revelada em Cristo.
SEGUNDO OS RUDIMENTOS DO MUNDO.1 Do versiculo 20 descobrimos que os "rudimentos" referem-se à observância religiosa de certos "sins"" e "nãos" (2:20-23). É o esforço do homem para alcançar a Deus pelo auto-sacrifício e boas obras. A guarda da lei não pode salvar (Gál. 2:16; Ef. 2:8, 9). O perigo de toda filosofia é que pode cair sob a condenação de NÃO SEGUNDO CRISTO. Em todas as nossas tentativas de aproximação a Deus devemos nos lembrar de que é somente no e através de nosso Salvador que temos acesso a Deus. Acautelai-vos de qualquer sistema que menospreze ou deixe de exaltar a Jesus Cristo, o filho unigênito de Deus (João 1:18).
Versiculo 9. Para responder o "por que?" que tem de levantar-se depois da leitura do versículo 8, Paulo começa este com um "PORQUE". Ele chama-lhes a atenção para o fato já demonstrado (1:19) de que NELE HABITA TODA A PLENITUDE. Em indica um estado de repouso, i.é, Ele não recebeu a plenitude, mas antes foi sempre habitado por ela. Notai que é nEle e nEle somente. E por causa disso que Paulo nos ordena que andemos nEle, que sejamos firmados e construidos nEle (vv. 6-7). Ele só é digno, Ele somente é capaz de satisfazer nossas necessidades espirituais. (Vide 1:19 para uma observação sobre plenitude.)
Aqui o apóstolo claramente afirma a essência da plenitude--é DA DIVINDADE. A composição da palavra divindade indica "aquele que tem as qualidades de Deus", consequentemente "divino" (Comp. Rom. 1:20 onde a palavra é ligeiramente diferente.) CORPORALMENTE é um advérbio indicando a maneira pela qual a plenitude habita em Cristo. Aqui, não tem nada que ver com um corpo físico. Antes, significa "inteiramente" ou "como um todo."2
Versículo 10. Tendo lembrado a seus leitores uma vez mais de que Jesus Cristo é o mais enaltecido de todos os seres (v. 9) Paulo agora volta-se para aquilo que Ele faz para nós E ESTAIS PERFEITOS NELE. Um dos mais caracteristicos conceitos de Paulo é aquele de estar "em Cristo." A idéia está presente em toda parte em Colossenses e é a mais das vezes representada por "nEle". Há vinte e uma referências à nossa relação com o Senhor Jesus nos dois primeiros capitulos, fazendo uma média de quase uma referência para cada dois versos. Apesar de que João não escreveu o discurso do Senhor sobre a videira e as varas (João 15) senão muitos anos depois da morte de Paulo, a frase de Paulo pode muito bem ter tido sua origem em uma transmissão oral do dito discurso. Ambos em Mim de nosso Senhor e em Cristo de Paulo referem-se a muito mais do que apenas a "posição" do crente. Estar "em Cristo" é andar e conversar com Ele, ser controlado por Ele.
É impossível interpretar perfeitas em português com apenas uma palavra. Significa encher, tomar completo, completar em cada particular, aperfeiçoar (Mat. 13:48; João 3:29). É desta palavra que "plenitude" (V. 9) é cunhada. Paulo de um fólego declara que a plenitude habita somente em Cristo e, na outra, que Ele nos enche com ela (Ef. 3:19). Tornamo-nos templos do Espírito Santo (I Cor. 6:19) e deveríamos ser vivas reencarnações de Cristo (Gál. 2:20; Filip. 1:21). Por isso devemos viver de acordo com a perfeição do Filho de Deus (Cp. Ef. 4:13).
QUE E A CABEQA DE TODA A SOBERANIA E AUTORIDADE. Jesus Cristo é o diretor ou "patrão" de todo homem (I Cor. 11:3), mas especialmente da Igreja (1:18). Ele criou o homem; Ele recriou alguns, dos quais Ele é duas vezes Senhor. Aqui, contudo, a referência é a certos poderes, sejam humanos (governo, Rom. 13:1-6) ou sobrehumanos (angélico, Ef. 6:12). As palavras soberaria e autoridade são colocadas em terceiro e quarto lugares na lista em 1:16 (Vide lá e também em 2:15 abaixo). "Todo"" que reina assim o faz por Sua permissão e poder.
Versículo 11. Por Cristo somos trazidos à perfeição (v. 10), por Ele também somos trazidos para dentro do concerto de Deus. NO QUAL TAMBÉM ESTAIS CIRCUNCIDADOS COM A CIRCUNCISÃO NÃO FEITA POR MÃO. Circuncisão física era um sinal do Velho Testamento mostrando a aliança firmada entre o homem e Deus (Rom. 4:11,12). Era também uma marca de divisão entre os judeus e os gentios. Na cruz Cristo Jesus destruiu este muro de separação. (Ef. 2:14-18). Porisso Paulo insistia em que os gentios não tinham que ser circuncidados (Atos 15; Gál. 2:3). É na base de fé que todos nós, judeus e gentios, entramos no concerto da promessa com Deus (Rom. 3:29, 30; Gál. 5:6).
O resultado desta nova circuncisão é NO DESPOJO DO CORPO DA CARNE. Despojo significa "livrar-se", "renunciar" e porisso significa dar às costas à vida antiga. Corpo e carne não se referem à forma física, mas antes à totalidade dos desejos físicos. Desta forma, "o corpo da carne" significa "todas as básicas paixões humanas". É o oposto à andar no Espírito (Gál. 5:16-25). Alguns desses desejos são mencionados em Colossenses 3:5-10. Eles tinham vivido de acordo com a carne (3:7); mas agora, pelo poder de Deus, estas coisas são postas de lado.
É PELA CIRCUNCISÃO DE CRISTO que o novo concerto é estabelecido e a velha vida relegada. A circuncisão de Cristo não é um sinal corpóreo, mas ao contrário uma mudança de coração (Rom. 2:28, 29). É o poder de Deus regenerando todo nosso ser e pessoa.
Versículo 12. Para esclarecer esta nova relação dos gentios com Deus Paulo usa outro símbolo--o batismo. SEPULTADOS COM ELE NO BATISMO tem significação somente se a forma empregada é imersão. Apesar de simbólico3 testifica da modalidade em usa nos dias de Paulo. (Rom. 6:3-5) Eles tinham morrido para a velha vida--as coisas mencionadas em 3:5-9 estão terminadas.
E COM ELE TAMBÉM FOSTES RESSUSCITADOS. Não pelo batismo, mas por identificação com Cristo, morremos para a vida velha e somos ressuscitados para uma vida nova e santa (3:1-3, 10-17; Rom. 6:4, 8). Sua ressurreição garante a nossa (I Cor. 15:20-23). É PELA FÉ e PELO PODER DE DEUS que nossa nova vida agora e a ressurreição no futuro são produzidas. Os dois elementos formam um programa de duas faces: fé humana e poder divino. Nossa fé mostra que somos receptivos, que paramos de tentar salvar-nos a nós mesmos, que renunciamos confiar em qualquer coisa menor do que Deus. Do outro lado, o poder infinito de Deus é empregado para efetuar a salvação daqueles que têm fé (Heb. 11:6). Estes dois elementos são equivalentes a "pela graça por meio da fé" em Ef. 2:8.
A prova de que Deus tem poder para ressuscitar o crente é que é Ele QUEM O RESSUSCITOU DOS MORTOS. Em 1:18 Jesus é chamado "primogênito entre os mortos"; esta é nossa garantia da ressurreição (I Cor. 15:20). O homem tem tentado sem sucesso, por anos a fio, ressuscitar um corpo completamente morto. Com cada fracasso a magnitude do poder de Deus em ressuscitar a Cristo dos mortos torna-se mais e mais visível. Em João 10:17-18 Jesus proclamou ter Ele mesmo esse poder de dar e tornar a tomar Sua própria vida.
Versículo 13. E VOS, é uma enfática lembrança de que, enquanto Paulo estava falando dos gentios em geral, tinha-os especialmente na mente. ESTAVEIS MORTOS PELAS TRANSGRESSÕES. O Particípio Imperfeito fala da sua situação continua e sem esperança. Eles já estavam condenados sem qualquer possibilidade de entrar na Vida (João 3:18,36). A morte não é aniquilação. Em vez disso, é separação--separação de Deus. Nascemos à imagem espiritualmente morta de Adão (1:15; Gen. 5:3). E assim permanecemos até que somos "tornados vivos" por Cristo. A palavra transgressões transporta a causa da morte espiritual do pecado original para as ofensas que cometemos (Rom. 2:12; 5:12). E, a segunda razão para a separação deles de Deus é encontrado PELA INCIRCUNCISÃO DA VOSSA CARNE. Isto é um pungente lembrete de que eles eram gentios, estranhos à aliança de Deus (1:21,27). Contudo, carne incircuncidada é melhor do que um coração incircunciso (2:11; Rom. 2:25-29). "É o espírito que vivifica, a carne para nada aproveita" (João 6:63).
VOS VIV1FICOU JUNTAMENTE COM ELE é o mesmo que a última parte do versículo 12. Não mais está Paulo falando simbolicamente. A vida que Deus nos dá é a Sua própria (II Pedro 1:4), de maneira que nos tornamos literalmente irmãos de Cristo. O contacto com Deus, que foi perdido por Adão e por nossos próprios pecados é restaurado. A morte e pecados foram expulsos por Ele PERDOANDO-NOS TODAS AS TRANSGRESSÕES. Conquanto Paulo, o judeu, não se podia incluir na parte central do versículo, ele o faz agora. "To-das as transgressões" que matavam (Rom. 6:23) são perdoadas, foram removidas e são abolidas.
Versículo 14. Paralelo ao perdão mencionado no versículo 13 é HAVENDO CANCELADO O QUE ERA CONTRA NÓS. Juntos removoram os dois libelos erguidos contra os gentios no versículo 13. Aquilo que foi "apagado" é o que estava O ESCRITO DAS ORDENANÇAS, O QUAL NOS ERA PREJUDICIAL. Foi a lei que Jesus Cristo removeu de nós. O sinal da lei era a circuncisão. Em outro lugar Paulo declarou que a lei não salva (Gál. 3:11; 2:16, 21) e serve apenas para descobrir o pecado (Rom. 3:19, 20; 7:7). A lei não pode ser guardada nem mesmo por aqueles que foram nascidos e criados debaixo dela (Atos 15:10). "Ordenanças" nos traz à mente a centenas de decretos ("sins" e "nãos") que os Rabis tinham distilado do Velho Testamento e da tradição (Mat. 23:24). Nossas vidas devem ser regidas por princípios, em vez de uma longa lista de proibição e permissões. De outra maneira ficaremos confusos quando novas condições so levantarem, e das quais nossas "listas" não tratam.
Em outro lugar Paulo declara que ele descobriu que o mandamento que era para trazer a vida trouxe, ao contrário, a morte (Rom. 7:10). Aqui duas vezes ele diz que o mandamento é oposto a nós. A Lei está do lado do nosso inimigo e, num sentido, era nosso inimigo. Como? Porque ao mesmo tempo que destruiu nosso apelo à ignorância, abrindo nossos olhos ao pecado, de maneira alguma nos deu forças para obedecer seus preceitos (Rom. 7:7-25). É Jesus Cristo somente quem pode, ao mesmo tempo, revelar o pecado como ele é e dar-nos o poder para subjugá-lo. Paulo diz "nos", incluindo a ele mesmo. Com a chegada da graça, a lei foi abolida até mesmo para os judeus.
Nosso Senhor removeu a lei E O TIROU DO MEI0. A lei tem permanecido entre os judeus e os gentios, entre ambos e Deus. Era um impenetrável muro de separação. Mas Jesus Cristo derrubou-o e removeu-o. Ele uniu a ambos, judeus e gentios e deu-lhes acesso a Deus através de Cristo (Ef. 2:14-18). Nosso Senhor efetuou essa reconciliação CRAVANDO-O NA CRUZ (1:20). Os cravos que transpassaram as mãos e pés de nosso Senhor serviram também para prender a lei na cruz. A lei não tem mais domínio sobre nós. Será que não tem mesmo?
Versículo 15. DESPOJANDO AS SOBERANIAS E AUTORIDADES. Este Particípio é o verbo do qual "despojo" do versículo 11 vem. Significa "despir" (3:9). Desses seres sobrenaturais Cristo arrebatou seu poder, autoridade e regência sobre o mundo. "Soberanias e autoridades" ocupam o terceiro e quarto lugares na lista dada em 1:16 e são aqueles mesmos colocados sob o domínio de Jesus em 2:10. São tenentes de Satanaz (Ef. 6:11,12). Se bem que seu fim tenha sido determinado na cruz, eles continuam a comandar os perdidos e perseguir o crente.
COM AUDÁCIA OS EXPÔS PUBLICAMENTE. Sem medo, hesitação, ou desconfiança quanto ao results do nosso Senhor assaltou e derrubou a fortaleza de Satanaz. Assim como Sodoma e Gomorra foram feitas exemplos no Velho Testamento, assim o destino desses poderes satânicos mostra o que acontece aqueles que se opõem a Jesus Cristo. Para as pessoas que praticamente já remunciaram à crença em espíritos maléficos sobrenaturais, este argumento não mais tem a força que teve uma vez. Todavia, para os colossenses, que tinham uma tendência de ir após essas forças poderosas, o ponto era especialmente importante. Quem quer abandonar o Vencedor e procurar e servir ao vencido? E TRIUNFANDO DELES NA CRUZ. A vitória de nosso Senhor foi absoluta, as forças de Satanaz completamente derrotadas (I Cor. 15:54-57). Ele permanece único, supremo. Não devemos temer ou rebaixar-nos às forças demoníacas, nem podemos subestimar seu poder. Embora já vencidos eles são ainda mais fortes do que qualquer Santo apartado do poder de Deus. Mas graças sejam dadas a Deus que sempre nos ajuda a ganhar a vitória (Rom. 8:37).
Versículo 16. O PORTANTO refere-se aquilo que Cristo tinha feito por eles (vv. 13-15). Duas coisas tinham sido levantadas contra eles: seus pecados e incircuncisão (v. 12). Através de Cristo seus pecados foram perdoados (v. 13), e a lei, que separava judeus e gentios, foi eliminada (v. 14). Por trás disto o Senhor surgiu como exclusivo Vencedor sobre as forças da Satanaz (v. 15). Sobre este fundamento Paulo ordena, NINGUÉM VOS CRITIQUE! O verbo significa "formar um julgamento" (Lucas 19:22). Aqui, como acontece frequentemente em português, significa um julgamento desfavorável--crítica destrutiva em lugar de construtiva. Paulo desenvolve este mandamento minuciosamente em Romanos 14:1-12, onde ele frisa que cada um é responsável por si mesmo perante Deus, que ninguém deve condenar a outrem, pois este é igualmente servo de Deus.
Os falsos mestres em Colossos estavam exigindo que os gentios guardassem certos aspectos da lei (v. 14). Além da circuncisão eles exigiam que eles guardassem as leis leviticas COM (RESPEITO AO) COMER E BEBER (v. 21). Isto acontecia apesar de que o Concílio em Jerusalém, cerca de 12 anos antes, respondeu com um sonoro Não! a tais idéias (Atos 15:28, 29). Enquanto "comer e beber*" podia facilmente se referir a certas leis da origem gentílica, o resto do versículo mostra que elas eram de caráter judáica. OU EM RESPEITO AOS DIAS DE FESTA, OU DA LUA NOVA, OU DOS SÁBADOS. "ou. . . ou . . . ou" dá enfase ao fato que, o que era comido ou bebido em dias especiais era considerado de importância vital. As palavras dias de festas referem-se às festas delineadas em Lev. 23, especialmente à Páscoa. Depois desses dias de festas especiais vinham os das luas novas e sábados para os quais, leis especiais tinham sido estabelecidas pelo Velho Testamento e pela tradição. Conquanto devamos respeitar as idéias dos outros, não devemos nem julgá-los nem permitir que eles nos julguem quanto ao modo como devem ser guardados esses dias. Devemos fazer o que fazemos, como ao Senhor. Ele apenas tem o direito de julgar-nos.
Versículo 17. QUE SÃO refere-se às regras que estavam sendo impostas aos Cristãos colossenses com respeito ao comer e beber (v. 16). Todas essas coisas são apenas SOMBRAS DAS COISAS FUTURAS. Uma sombra é apenas um reflexo da coisa real. Inclui a verdade e tem valor profético (Heb. 8:5; 9:9; 10:1). Mas quando a plenitude da verdade é conhecida, parábolas não são mais necessárias.
MAS O CORPO É DE CRISTO. Em lugar de correr atrás de tipos alegóricos apossemo-nos da coisa real, aquela que vem de Cristo (Vide corporalmente, v. 9). A referência aqui não é ao corpo fisico de Cristo ou mesmo à Igreja (1 :24). Ao contrário olha para a final e completa redenção e reconciliação com Deus. Paulo sempre volta ao Senhor, Ele é o centro de interesse. Dos 23 versos deste capitulo, Ele é mencionado em todos, menos cinco. A de aqui poderia significar ou "pertence a" ou "vem de"". Paulo provavelmente quer significar ambos, que nosso Senhor é o Autor e o Diretor de nossa nova vida. Seu mandamento devemos guardar (João 15:10), mas maior do que os mandamentos é o amor e a comunhão que podemos ter com Ele. Estes dois versos (16,17) poderiam facilmente ser considerados a chave duma grande parte de Hebreus.
Versículo 18. NINGUÉM VOS ENGANE A SEU BEL-PRAZER é o terceiro cuidadoso mandamento neste capitulo, a terceira tentativa de impedir que os falsos mestres em Colossos pudessem levar avante, com sucesso, sua campanha. Este é muito semelhante àquele do versículo 8. Engane representa com dificuldade a palavra grega composta, a qual significa legislar contra em alguma espécie da jogo. Ali significa frustrar, roubar, causar a perda do prêmio. (Para a idéia de Paulo, cp. Gál. 5:7). Vos é enfático. Paulo queria chocá-los, queria fazê-los perceber a perigosa posição "deles". Apesar de ainda não estarem tão afastados como os gálatas (Gál. 4:11), estavam em perigo de perder tudo! A seu bel-prazer (gr., querendo) é muito difícil de interpretar. A nova traduçâo da Sociedade Bíblica considera este Particípio presente como um adjetivo modificando humildade e a traduz por pretextando. Contudo, fica melhor quando tomado como um advérbio mostrando a liberdade e facilidade com que eles estavam sendo desviados. Ele os está aconselhando a não permitirem ser facilmente inquietados (II Tim. 2:26; Ef. 4:14).
As duas próximas frases, COM HUMILDADE E CULTO DOS ANJOS, mostra o campo no qual eles estavam sendo levados. O primeiro representa submissão de espírito e ação, e como tal é requirido do crente (3:12; Filip. 2:3). Poderia referir-se a uma humildade professada mas não possuida, como no versículo 23. Porém, dos anjos concorda com ambos, humildade e culto. Assim considerado, humildade referir-se-ia ao estado dos anjos. Por isso, Paulo fala da posição deles de humildes em oposição à maneira pela qual os falsos mestres os estavam exaltando. Na segunda frase culto pode significar ou "adoração" ou "religião" (Atos 26:5). Dependendo da maneira que entendermos culto os anjos pode ser ou o objeto de culto ou dos adoradores. Enquanto o primeiro pareça mais natural, Paulo poderia dificilmente ter passado por uma prática tão blasfema sem uma clamorosa condenação. Também desde que os falsos mestres eram judeus, dificilmente eles estariam encorajando a idolatria.4 Finalmente, a segunda possibilidade tem mais relação com a próxima parte do versículo.
A base do julgamento falso apoia-se em BASEANDO-SE EM COISAS QUE VIU. A dificuldade desta frase é aumentada pelo fato de que numerosos manuscritos incluem não depois de que. Apesar de mais fácil de interpretar, a negativa não é genuina. Baseando-se traduz uma palavra que se refere aos primeiros passos daqueles que eram iniciados nas religiões misteriosas. Aqui significa aqueles que estão tomando uma posição nas suas imaginárias revelações ou visões.5 O resultado de tal intrusão é ESTANDO INCHADO SEM MOTIVO ALGUM PELA SUA MENTE CARNAL. Conquanto possa haver alguma justificação para orgulho quando uma pessoa aperfeiçoa alguma coisa, estes eram orgulhosos e arrogantes sem base alguma. Imaginando que estavam expondo alguma nova e profunda verdade, estavam na realidade desviando-se a si mesmos e outros da verdade.
Versículo 19. O resultado de intrometer-se naquilo que Deus determinou não seja revelado, leva a um enfraquecimento do apelo de alguma pessoa à verdade. E NÃO RETENDO À CABEÇA é equivalente a "e não segundo Cristo" do versículo 8. Interesses especiais que desalojem Jesus Cristo do centro, não devem ser permitidos. Como podemos clamar que retemos a Soberania de Cristo, quando fazemos nosso programa e procuramos obter o que desejamos sem auscutar primeiro Sua vontade e programa?
DA QUAL TODO O CORPO, PELAS JUNTAS E LIGADURAS. Cristo é nossa Cabeça de fato assim como de nome. Ele nos comprou, Ele intercede por nós, Ele fornece os laços que nos mantem juntos. Todo poder vem dEle, tudo que existe depende dEle (1:17). Corpo aqui refere-se à Igreja universal. Esses laços são de natureza espiritual em vez de natureza denominacional. Devemos aprender a nos dar e trabalhar com irmãos além das fronteiras denominacionais. A Igreja É FORTALECIDO E BEM VINCULADO de tal maneira que repele os ataques das forças satânicas (Mat. 16:18). O verbo fortalecido não é aquele de 1:10, mas antes significa ser mais abastecida, adquirir vigor. Este levantamento da Igreja somente pode ter lugar se nós individualmente diminuirmos nossas idéias peculiares e dermos mais valor e atenção àquelas dos outros (Fil.. 2:3-5).
O resultado de tal crescimento espiritual é que o Corpo de Cristo irá constantemente CRESCENDO COM O CRESCIMENTO QUE VEM DE DEUS. Crescimento toma duas direções: levantamento do nível espiritual de indivíduos (1:10) e aumento numérico do Corpo de Cristo. Todos nós queremos ver maior ‘número" na Igreja, mas este crescimento não deve ser baseado em transigência de doutrina (II Tim. 4:3,4), de vida, ou testemunho (I Tim. 4:12). Por outro lado, não devemos restringir o "crescimento" por insistir no uso de formas obsoletas, frases, línguas estranhas, métodos de evangelismo. Lembrai-vos, conquanto o novo não seja necessariamente melhor por ser novo, não é o velho melhor por ser velho. Devemos manter o Evangelho aplicável à época em que vivemos.
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1 Alguns traduzem esta frase assim: ". . . espíritos rudimentares do universo." Mas Burton mostrou que no tempo do Novo Testamento a palavra não era usada assim. (E. D. Burton, Galatians, em I.C.C. pp. 513. 514). Segundo, embora seja verdade que em Gálatas rudimentos parece ligado a "fracos" (4:8,9) é ainda mais ligado a "guardais dias, e meses, e tempos, e anos" (v. 10). Isto concorda com o sentido a ser encontrado em Col. 2:20, 21 e em Heb. 5:12 (6:1). Paulo dificilmente deixaria passar uma coisa tão importante como a idolatria com uma referência tão obscura. Finalmente, permanece lado a lado com "tradição", e refere-se aos conceitos religiosos rudimentares de alcançar a Deus e agradá-lO pela guarda das ordenanças (vide v. 20).
2 O mesmo significado é encontrado sob do uso de corpo em 2 :11, 17, 19; 3:15 onde a palavra indica uma entidade de alguma sorte, quer espiritual ou emocional. (Vide Rom. 6:6)
3 Que o batismo aqui é meramente um símbolo é óbvio quando se compara a importância dada à fé e a Deus neste contexto. A circuncisão de Cristo não é o batismo, especialmente de crianças.
4 Vide T. Zahn, Introduction to the New Testament, Vol I, pp. 468, 469. 475-479 para esta interpretação deste versículo.
5 A. T. Robertson. Word Pictures in the New Testament, Vol. IV, p. 497.
VI. Relações Cristãs (2:20-4:6)
 
CAPÍTULO VI
RELAÇÕES CRISTÃS
Tendo terminado o que Deus fez por nós através de Cristo (2:9-19), Paulo agora volta-se para o que deveriamos fazer em nosso viver cristão. Primeiro, ele nos recorda que estamos mortos para o mundo e seus sistemas e fomos ressuscitados com Cristo para uma vida diferente. Temos que ser diferentes daqueles à nossa volta. Para conseguir isto Paulo nos ordena que matemos certas atitudes e particularidades da personalidade e coloquemos outras cristãs em seu lugar. (Vide passagens semelhantes em Ef. 4:17-32). E, uma vez mudado nossos caracteres, devemos fazer tudo para Sua glória.
Paulo em seguida volta-se para a atitude que cada um deve ter com relação às pessoas ao seu redor, especialmente no lar. (Cp. especialmente Ef. 5:22-6:9). "É necessário dois para uma discussão." Ao desenredar tais situações devemos nos lembrar que Deus deu a cada um certas responsabilidades para com o próximo. Os mandamentos que Paulo dá aqui não incluem todos. Antes, formam um modelo pelo qual guiaremos nossas vidas. Há três pares de mandamentos.
Versiculo 20. Voltando-se agora dos avisos negativos (vv. 8, 16, 18), Paulo apresenta alguns aspectos positivos da nossa relação com Cristo. SENDO QUE, ESTAIS MORTOS COM CRISTO. Morrestes de uma vez para sempre! Quando? No momento da salvação e da completa dedicação. Conquanto estas devam ser simultâneas, muitas vezes são separadas por anos de lealdade dividida e infeliz (Mat. 6:24). Esta morte é simbolizada por circuncisão e batismo (vv. 11, 12). Nossa morte com Cristo é um dar as costas à velha maneira de viver e às infrutiferas tentativas de alcançar a Deus por nossas próprias forças.
Desde que eles estão identificados na morte de Cristo, Paulo levanta uma pergunta penetrante: POR QUE? Tudo que fazemos deveria estar sob o penetrante olhar desta palavra por que? Não vos deixeis atar por decretos humanos a menos que eles sejam explicados e entendidos. Tal curso nos leva, ou ao seguimento cego de tradições ou ao abandono do andar cristão. Ambos são frustrações do plano de Deus de que andemos em Cristo. Procurai saber as razões!
Depois do por que Paulo coloca o parêntesis, COMO SE VIVESSEIS NO MUNDO. Onde mais? Por mundo ele certamente não se refere ao planeta, mas sim ao meio espiritual em que o incrédulo e o cristão carnal andam. Viver no mundo é o antônimo absoluto de andar em Cristo. Para terminar a questão, Paulo perguntou, por que VOS CARREGAM AINDA DE ORDENANÇAS? Os decretos dos homens foram rejeitados (v. 8), o peso das leis do Velho Testamento foi eliminado (v. 14). Somos livres então para desobedecer ao nosso bel prazer? (Gal. 5:13). Não! Em lugar de estamos atados por uma multidão de leis, somos livres para guardar os mandamentos de Cristo (João 15:10, Rom. 6:15-23). (Para os decretos que estavam sufocando os colossenses vide vv. 21-23).
Versiculo 21. Paulo enumera em termos gerais três "nãos" que cobrem uma multidão de decretos. NÃO MANUSEIES! NÃO PROVES! NÃO TOQUES! O primeiro e o terceiro são praticamente o mesmo no sentido geral de "tocar." O primeiro abrange a idéia de ligamento a alguma coisa. O terceiro, conquanto significando tocar (Heb. 12:20), também significa tocar de uma tal maneira que cause dano (Heb. 11:28). O não central traz à mente o exército de proibições alimentícias do Velho Testamento, o sonho de Pedro (Atos 10:9-16) e a profecia de Paulo em I Tim. 4:3-5.
Uma lista de Nãos é sempre perigosa porque sufoca o coração, toma muito imperfeitamente o lugar do trabalho de convicção do Espirito Santo, e está sempre pronto a omitir alguma coisa. Novos métodos de viver estão sempre aparecendo. Aqueles que dependem de uma lista de nãos precisam esperar por alguém que passe uma lei: sim ou não. Em lugar de uma lista procuremos princípios básicos cristãos, tais como aqueles em I Cor. 8-11; Rom. 14 para guiar-nos. Acima de tudo sejamos consistentes e como Cristo (Filip. 1:21).
Versículo 22. Qual é então o fim de tais leis? TODOS QUE AS USAM PERECEM. Todos aqui é absoluto, não hiperbólico (1:6). O destino de um é o destino de todos aqueles escravisados a decretos humanos. PERECEM denota decadência ou corrupção e no fim destruição (I Cor. 15:50). A versão da Almeida e a revisão da Sociedade Bíblica afirmam que são os mandamentos dos homens que perecerão. Ao contrário, são aqueles que procuram seguir a lei que são destruidos por aquilo que eles pensavam haveria de salvá-los. Considerai a gradual mas certa queda psicológica de Paulo, quando ele tomou sobre seus ombros o peso impossível da lei (Rom. 7:7-24). A lei mata a ambos, o espírito e a capacidade de obedecer.
A lei foi feita para ser guardada, contudo é o "uso" da lei que traz destruição. Com o passar do tempo as leis existentes são multiplicadas e tomadas mais complexas. O resultado natural é o desenvolvimento de distinções de somenos importância, muitas das quais são inventadas ao redor da lei (Mat. 15:3-6). Nossa vida espiritual não deve depender de "sins ou nãos," mas do amor que temos pelo Senhor Jesus (v. 8). SEGUNDO OS PRECEITOS E DOUTRINAS DOS HOMENS. "Preceitos" e "doutrinas" correspondem à "tradição" e "rudimentos do mundo" no versículo 8. Tradição é um passo, sendo uma interpretação da lei de Deus. Em seguida vem os mandamentos dos homens que tomam o lugar da lei (Mat. 23:16-24). O passo final, tomado pelos fariseus e a igreja Católica Romana, é a contradição da lei de Deus com seus ensinamentos.
Versículo 23. AS QUAIS TÊM, NA VERDADE, ALGUMA APARÊNCIA DE SABEDORIA, mas falta de realidade--refere-se aos versos 20, 21, mais inclui os vários elementos da lei (vv. 11, 14, 16) e filosofia (vv. 8, 15, 18) os quais estavam sendo impostos aos colossenses. Assim como se dá com dinheiro falsificado, aquele que está mais de acordo com o desenho original é o mais perigoso. Paulo mostra três caminhos pelos quais eles procuravam desencaminhar os colossenses: EM CULTO DA VONTADE, HUMILDADE E EM DISCIPLINA DO CORPO. Culto e humildade são encontrados no versículo 18 como a frase qualificativa de anjos. Aqui culto é composta com vontade e refere-se a um sistema de culto voluntariamente imposto ou voluntariamente idealizado. Por consequência, implica em zelo excessivo e perdido. "Humildade" também recebe a força da palavra composta com "culto". Desta forma, refere-se a uma humildade imposta voluntariamente e proclamada pela própria pessoa, humildade essa que era apenas professada--não possuida.
Terceiro, "disciplina do corpo." O grego significa uma demasiada severidade para com o corpo fisico (cp. o próprio procedimento de Paulo em I Cor. 9:24-27). "Manter-se em forma" é necessário para a saúde e para o testemunho, mas o exercício corporal deve sempre ser apenas um meio para este fim (I Tim. 4:8). Quando o rigor ascético resulta na mutilação própria, e o exercício ou a sujeição torna-se finalidade em si mesma, excede o seu valor e está dando abrigo a idéias heréticas.
NÃO EM VENERAÇÃO ALGUMA SENÃO PARA A SATISFAÇÃO DA CARNE. Veneração aqui está em oposição à sabedoria. Há um certo grau de sabedoria humana nestes ensinamentos heréticos, mas não honram a Deus porque são feitos para agradar ou satisfazer a carne. Em vez de vivermos de acordo com nossa natureza mais baixa, devemos nos despojar dos seus desejos. Esta última sentença resume os três elementos do versículo e os declara deficientes (Dan. 5:27).
Capitulo III. Versículo 1. Chegamos a uma segunda (2:20) relacão que temos com o Senhor: PORTANTO SENDO QUE JÁ RESSUSCITASTE COM CRISTO (2:12). "Já" demonstra que ele tinha perguntado "Ressuscitastes com Cristo?" e recebeu um enfático "Sim!" por resposta. Já alguma vez parastes para pensar sobre o que seja ser ressuscitado com Ele? Primeiramente, devemos estar mortos para o mundo, para outras religiões, e mais do que tudo, para o nosso próprio "eu". Então andaremos em novidade de vida divina. Assim como a morte e o pecado não tiveram poder sobre Ele depois da ressurreicão, não deveriam os mesmos ter poder sobre nós (Rem. 6:6-13). Além disso, estamos já de um certo modo nos lugares celestiais (Ef. 2:6). Baseado na nossa afirmacão de que fomos ressuscitados com Ele, Paulo ordena BUSCAI AS COISAS (QUE SÃO) DE CIMA. "Vida num plano mais elevado" não é nem automático, nem fácil. Requer um esforco constante para ser encontrada e alcancada. Devemos perscrutar a vontade de Deus sim, a Deus Mesmo.
Satanaz é o príncipe do poder do ar e seu reino está acima de nós. Contudo não é lá que devemos procurar, mas antes ONDE CRISTO ESTÁ ASSENTADO À DEXTRA DE DEUS. A maior honra e dignidade que um potentado pode oferecer é o direito de assentar-se alguém ao seu lado (Mat. 20:20, 21; 26:64). Há muitas passagens referentes à posicão de nosso Senhor ao lado de Deus. Contudo, a idéia é figurativa e fala de posicão exaltada, de grande poder. Deus näo tem corpo nem senta-se Ele num trono material (João 4:24).
Versiculo 2. Paulo aqui desenvolve o mandamento dado no versículo 1. PENSAI difere de "buscai", em que implica uma atitude permanente. Depois que descobrimos o que Deus tem para nós, devemos manter isto à nossa frente, como um alvo e desejo. NAS COISAS QUE SÃO DE CIMA, E NÃO NAS QUE SÃO DA TERRA. Paulo ordena que escolhamos ou uma ou outra, näo podemos ter a ambas (Mat. 6:24; Josué 24:14,15). Não ha posição neutra: a mera amizade com o mundo é inimizade para com Deus (Tiago 4:4). Adão e a natureza adâmica simbolizam aquilo que é terreno. Cristo, o último Adão simboliza o que é celestial (I Cor. 15:45-49). No que deveis fixar vossa mente e vosso coração? Primeiro de tudo, em Deus e no homem (Mat. 22:37-39). Em segundo lugar, em Seu programa para nossa vida (1:9; Ef. 4:1); boas obras (Ef. 2:10); justiça (1:22; Rom. 6:18). (Para coisas particulares vide também Col. 1:10-12; 3:10, 12-14). Circunstâncias näo devem nos perturbar (Filip. 4:11-13; Rom. 8:28). Nem devem afeiçôes por pessoas ou lugares impedir-nos de segui-lO ao máximo. (Vide adiante v. 4).
Versiculo 3. Por que devemos fechar nossos olhos, ouvidos e coraçöes para o mundo? POR QUE ESTAIS MORTOS. A morte aqui mencionada näo é a morte física Nem é separação de Deus (2:13). Antes, é a mesma mencionada em 2:20. Morte é separação; neste caso separação do mundo e seu mal. Ainda mais, é o darmos as costas à nossa maneira de viver anterior a nossa conversão (vv. 7,8). O tempo do verbo marca isto como uma condicão constante. Estamos mortos para o resto da nossa vida!
E A VOSSA VIDA ESTÁ ESCONDIDA COM CRISTO EM DEUS. Que vida? Certamente não aquela do nosso corpo ou alma. É nossa relação espiritual com Deus e o trabalho esmerado da Sua vontade em nós. Cristo é nossa vida (v. 4) e devemos viver como Ele viveria (I João 2:6). O ideal, quanto à nossa posição, é marchar para o Céu. Diante do trono de julgamento de Cristo aquilo que somos será comparado com aquilo que poderiamos ter sido. O verbo "escondido" não é usado no sentido de alguma coisa que não pode ser encontrada ou vista. Antes, significa que nEle nossa vida está segura (2:3). Nada nos pode separar de Deus (Rom. 8:35-39). Cristo está à mão direita de Deus (v. 1), no lugar de bênção e segurança. "Com Cristo" mostra nossa relação com Ele (2:10). Somos co-herdeiros como Filho de Deus, somos participantes da vida divina. Porque deveríamos nós, como porcos, sempre querer retornar ao lodo do qual fomos tirados?
Versículo 4. QUANDO CRISTO SE MANIFESTAR. Isto pode referir-se a um dos dois eventos: à segunda vinda, ou à Sua glorificação na vida do crente individual. O verbo significa, "descobrir," "trazer à luz" (1:2; Rom. 3:21). Aqui no aoristo passivo, fala de um instantâneo e rápido descobrimento. QUE É A NOSSA VIDA. Como? Fisicamente, Ele nos criou e nos sustenta; espiritualmente, Ele nos salvou, nos guarda e dirige nossa nova vida. Até que nos acheguemos a Ele e mostremos Sua vida na nossa, não começamos a viver. Devemos ser tão semelhantes a Ele que nossa vida seja uma reencarnação da Sua (Filip. 1:21).
ENTÃO TAMBÉM VÓS VOS MANIFESTAREIS COM ELE EM GLÓRIA. Então corresponde a quando e significa "ao mesmo tempo". Com isto concorda o também. Por que Paulo muda de nós para vós? Exclui propositadamente a ele mesmo? Comparado com I João 3:2 este versículo parece referir-se à segunda vinda. Mas Paulo esperava estar ainda vivo e transformado por ocasião do grande acontecimento! (I Tes. 4:15; I Cor. 15:51). O usa que Paulo faz do vós mostra que sua referência não é absolutamente à segunda vinda, mas sim à exaltação e glorificação do Senhor na vida do crente. Vós, porque Paulo tinha já se tornado tão semelhante a Cristo que podia dizer, Sede meus imitadores (I Cor. 11:1). Agora ele procura o mesmo para os colossenses. Aparte dEle não pode haver glória para o cristão (I Cor. 2:7). A mudança em nossos olhares, vida, palavras e adoração é vista por Deus e pelo mundo (II Tes. 1:7-12).
Versículo 5. MORTIFICAI POIS OS (VOSSOS) MEMBROS, QUE ESTÃO SOBRE A TERRA. Pois refere-se aos versos 1-4, especialmente verso 4. "Mortificai" é uma polida maneira de dizer "mate" e é usado para mostrar o paralelo entre o mesmo e "revesti-vos" nos versos 9, 12. O tempo do verbo dá a entender a abolição de uma vez por todas de certas coisas; e a ordem em si dá a entender que há liberdade e aptidão de nossa parte para aceder. Devemos disciplinar toda nossa força e, com o poder de Deus (1:29), destruir estes e todos os males das nossas vidas. Uma vez mortos eles ficarão tolhidos e sem forças para tentar-nos (Tiago 1:14). Mas cuidado! Não brinqueis com qualquer pecado ou mau hábito, pois embora mortos cada um deles tem um tremendo poder de "ressurreição." Podemos destruí-los e, em um momento trazê-los de volta à vida. Quando Paulo diz "membros", pensamos imediatamente nos nossos corpos humanos (Rom. 12:4). Contudo, "membros na terra" realmente significa o mesmo que "carne" (2:11); que são as paixões e desejos da nossa natureza inferior. A palavra significa uma parte permanente da natureza da pessoa (v. 2). É somente por livrarmo-nos dessas âncoras que podemos progredir com Ele.
A lista de Paulo não é exaustiva mas ilustrativa. FORNICAÇÃO, em palavras simples é prostituição, a junção de dois seres humanos fora dos laços do matrimônio (I Cor. 6:15-18). Inclui, igualmente, impureza moral, adultérío (Mat. 5:32) e incesto (I Cor. 5:1). IMPUREZA é de natureza moral. Pode referir-se a motivos confusos (I Tes. 2:3). O APETITE DESORDENADO demonstra emoção violenta. Aqui trata-se de afeições anormais (Rom. 1:26), ou qualquer afeição que se coloque entre nós e Deus. VIL CONCUPISCÊNCIA. Concupiscência indica basicamente um desejo intenso, bom ou mau (Lucas 22:15), embora geralmente usado em um sentido mau no Novo Testamento (Rom. 1:24). Aqui sua vileza moral essencial é vista por seu adjetivo. Por último, Paulo chega à COBIÇA, que é o desejo desordenado por alguma coisa pertencente a outrem (Ex. 20:17; Lucas 12: 15). De fato, vai além do desejo e inclui os desígnios, a rapinagem, a extorsão de alguma coisa pertencente a outrem (Miq. 2:1,2; cp. Amós 8:5,6). Tal paixão destruidora e desejo pelo QUE É pertencente a outrem com acerto é chamada IDOLATRIA. De fato, qualquer coisa que ocupe nossos corações e mentes em lugar de Cristo deve ser chamada assim. Todas essas devem ser mortificadas, removidas de nossas vidas, e deixadas bem atrás, com refugo, ao marcharmos vitoriosos para cima com Ele.
Versículo 6. PELAS QUAIS COISAS VEM. Quais coisas é neutro e refere-se a membros no versículo 5. É por causa de todos esses pecados que o julgamento vem (Rom. 6:23). O verbo vem está no tempo presente (ação continua) e indica um julgamento contínuo. Deus está constantemente controlando o mundo--nada escapa aos Seus olhos ou à Sua justiça. As nossas mentes finitas e mal informadas, muitas vezes parece que os sem-Deus escapam sem pagar o preço dos seus pecados. O salmista pensava o mesmo até que compreendeu os métodos de Deus (73:16-19).
A IRA DE DEUS1 não produz um quadro agradável nas nossas mentes. A ira do homem pode ser muito destrutiva, quão mais a esclarecida e todo-poderosa indignação do Deus Todo-poderoso! A palavra indica a atitude de Deus para com aqueles que continuam a rebelar-se, aqueles que recusam Sua dádiva mais cara. Em adição à atitude a palavra também inclui vingança e punição sobre os obradores do mal (Marcos 3:5; Mat. 3:7). A combinação da perfeita sabedoria de Deus a respeito de todas as coisas e Seu lidar amoroso e paciente para com o pecador faz dEle o único apto a tomar vingança (Rom. 12:19). Como em Rom. 5:8 a frase provavelmente refere-se ao Grande Trono Branco de julgamento dos incrédulos (Apoc. 20:11-15).
Versículo 7. O NAS QUAIS deste versículo difere de "pelas quais" do versículo 6, somente em que aqui a palavra refere-se aos membros individuais nomeados no versiculo 5. É também bem mais amplo do que a lista e inclui todos os pecados e atitudes que caracterizam o incrédulo antes de vir a Cristo. O TAMBÉM implica que o incrédulo ainda anda neles e que o cristão não deve julgá-lo severamente, pois ele mesmo era tão culpado quanto aquele.
Vós ANDASTES remonta ao todo da experiência pré-cristã como uma unidade. Agora somos ordenados a andar de tal maneira que glorificará nosso Senhor (2:6; I João 2:6). QUANDO VIVIEIS NELAS. Notai que aqui vivieis e andastes são sinônimos. Estas coisas são o ambiente do incrédulo no qual ele folga, cresce e se desenvolve. Somente a graça de Deus pode tirar uma pessoa de tal situação e dar-lhe o poder de não retornar (Rom. 7:15-25).
Versículo 8. MAS AGORA VÓS MESMOS é uma enfática chamada a terminar o trabalho começado na conversão, i. é, DESPOJAI-VOS de todos os remanescentes da velha vida do pecado. Devemos renunciar a tudo que não é de Deus (cp. Filip. 3:7,8). Devemos gravar Suas palavras. Devemos também fazer o esforço DE afastar TODAS AS COISAS que não trazem honra e glória a Ele. TAMBÉM aqui significa "em adição às coisas nomeadas no versículo 5." Apesar de todas as coisas serem literalmente a mesma frase encontrada em 1:16, tem um sentido inteiramente diferente. Aqui uma frase complementar "como o seguinte" deve ser entendida.
Os pecados que ele nomeia são uma continuação daqueles encontrados no versículo 5. (Para uma passagem semelhante vide Ef. 4:25-31). IRA. Nem toda a ira e má (v. 6; Ef. 4:26). Mas desde que nossos ressentimentos nunca são imparciais e são sempre construidos sobre conhecimento imperfeito, melhor é deixá-los inteiramente de lado (Tiago 1:19, 20). Ambas, a vingança e a ira pertencem a Ele. CÓLERA é quasi sinônimo de ira e significa "uma forte emoção" ou "paixão da mente" (Atos 19:28). Enquanto que ira é mais uma disposição da mente, cólera é uma coisa ligeira, aquele momento de intensa raiva misturada com um desejo incontrolável de tirar vingança ou de destruir aquilo que atrapalha nosso caminho. MALÍCIA ven da palavra traduzida vil do versículo 5 e significa "depravação" (Ef. 4:31; Atos 8:22). Como a ira, é mais uma atitude do que um ato único. Nem a ação nem a atitude deveriam caracterizar o cristão. BLASFÊMIA é o ato de falar desrespeitosa e irreverentemente das coisas divinas, a censura atirada na face do Todo-poderoso (Mat. 12:31, 32). Finalmente, PALAVRAS OBSCENAS. Conversa tola ou vil, linguagem indecente ou desonrosa--todas ficam debaixo desta classificação (Ef. 4:29). Nossa linguagem é um sinal audível daquilo que ocupa nosso íntimo (Mat. 12:33-37). Se bem que palavras decentes não provem a existência de um coração limpo, palavras vis certamente demonstram um coração impuro. Daí Paulo acrescentou com grande sentimento, DA VOSSA BOCA. Esta frase é o complemento de despojar e se refere a todos os cinco pecados nomeados, mas especialmente aos dois últimos. Em vez de "poder tanto dizer quanto pensar" (Vide Mat. 5:28), não devíamos men pensar nem muito memos dizer tais coisas. Elas não tem lugar no coração e na vida do cristão.
Versículo 9. NÃO MINTAIS. Mentir é mudar os fatos e figuras com intenção de enganar. Deus é verdade (Deut. 32:4) e acha a mentira um dos pecados mais odiosos (Prov. 6:16-19). Não há lugar para mentirosos no Porvir (Apoc. 22:15); e por boa razão, pois Satanaz é o pai deles (João 8:44). Em caso algum permite Deus a mentira como um meio de obter Sua vontade. Não há lugar nem mesmo para a mentira social. Não se podendo dizer a história toda, devemos ser cuidadosos para que o que dissermos não mude a "côr" do todo e dê uma impressão falsa. Jesus Cristo é a verdade, e nós O representamos perante o mundo. UNS AOS OUTROS. Não apenas para os irmãos, mas para todos os homens e isto sempre. Também devemos ser sinceros conosco, no que dizemos a respeito à nossa própria pessoa. É tão fácil enganarmos a nós mesmos e nos convencermos de que somos aquilo que não somos.
A segunda parte deste versículo é uma confirmação dos versos 5-8. POIS QUE JÁ VOS DESPISTES é o mesmo verbo usado em 2:11, 15. É um verbo forte trazendo a idéia de "renúncia completa." Aqui é paralelo a mortificai e despojai-vos (vv. 5,8). Pode alguém ter alguma vez vitória completa sobre o pecado, enquanto ainda no corpo? Gálatas 5 e a experiência humana parecem dizer não. Contudo somos ordenados a ser perfeitos (1:22). Pela experiência sabemos que uma vitória sobre o pecado nos leva a uma seguinte, cada uma tornando-se mais fácil. (Vice-versa é também verdadeiro). Geralmente pecamos, não na ignorância, mas porque queremos pecar! Desde que não podemos por a culpa na tentação (I Cor. 10:13) e desde que Ele está sempre pronto a ajudar-nos a vencer (Filip. 2:13), a culpa cai inteiramente sobre nós e nossa falta de fibra.
Devemos renunciar a O VELHO HOMEM COM OS SEUS FEITOS. Aqui velho homem se refere à natureza humana pré-cristã, à carne (2:11), aos membros (3:5). Aquilo que somos se reflete nas palavras, ações e desejos. "Daquilo que sai do coração fala a boca" (Mat. 12:33-37).
Versículo 10. E VOS VESTISTES é "vestir-se a si mesmo" (Mat. 22:11). Aqui temos a término da alteração da nossa personalidade e natureza. Temos que nos vestir DO NOVO HOMEM, pois nos tornamos novas criaturas em Cristo (II Cor. 5:17). É uma coisa receber vida nova e outra bem diferente vestirmo-nos da mesma e vivê-la (Rom. 6:4). Este novo homem é criado na justiça e santidade (v. 12; Ef. 4:24).
QUE SE RENOVA. O verbo significa "transformar, "receber forças novas." É um processo constante? O tempo presente do verbo indica que é (II Cor. 4:16). O alvo é que cada um chegue AO PLENO CONHECIMENTO das possibilidades em Cristo. Cada um de nós pode conhecer perfeitamente o programa que Deus tem para si (1:6, 10). Não é apenas uma questão de saber, mas de viver (João 14:21) SEGUNDO A IMAGEM DAQUELE QUE O CR1OU. Impossível? Talvez. Contudo somos chamados à tão alta obrigação. Cristo tinha em Si Mesno os atributos da divindade (1:19; 2:9). Agora é pela medida do Filho de Deus que devemos viver (I João 2:6) e pela qual seremos julgados (Ef. 4:13). A tremenda altitude da estrela que devemos alcançar é vista em que não é Jesus o Homem, mas Cristo o Criador o nosso modelo. Naturalmente, isto é impossível nas nossas próprias forças, mas com Seu auxílio somos capazes (1:29; Filip. 4:13).
Versículo 11. ONDE NÃO HÁ, isto é, em cujo estado não existem as diferenças mencionadas neste versículo. Qual estado? O da marcha para a perfeição. GREGO NEM JUDEU. Estas eram palavras aterradoras escritas em um período de tremendos preconceitos de raça, religião e de classe. O Evangelho tem sido um grande nivelador. No Novo Testamento muitas vezes grego aparece no lugar de gentio (Rom. 1:16), por ser aquele povo que havia de melhor no mundo pagão. Os judeus gozavam de tremendas vantagens por terem nascido no povo de Deus (Filip. 3:4-6). Contudo neste renovo do homen interno, vantagens ou desvantagens raciais não contavam. Diferenças religiosas foram também anuladas. CIRCUNCISÃO NEM INCIRCUNC1SÃO. Este sinal da velha aliança foi anulado pelo sacrifício de Cristo (2:11; Rom. 2:25-29). Ele derrubou este muro de separação e fez uma nova familia espiritual sem distinção (2:14; Ef. 2:11-20).
BÁRBARO para o grego, como gentio para o judeu, significava todos os outros povos. Ambos são ligeiramente equivalentes ao nosso "estrangeiro." Uma vez que os estrangeiros geralmente não falam corretamente, a palavra bárbaro veio a significar ignorante ou inculto. CITA, o povo considerado o climax do barbarismo, da rudeza. O ESCRAVO tinha pouca ou nenhuma oportunidade de dirigir sua própria vida. Contudo não era para ele procurar a liberdade, mas sim servir a Deus na condição em que se encontrasse (Ef. 6:5-8: I Cor. 7:20-24). Aquele que era LIVRE, por outro lado, não estava restrito em seus movimentos (I Cor. 12:13). Servo e livre abrange todo mundo. Desde que nem hereditariedade, nem ambiente, (nem o próprio Deus) podem ser culpados do nosso fracasso em conseguir restringir os preconceitos racial e de classe, a culpa recai sobre nossa própria porta, em nossos próprio corações e vontade.
AO CONTRÁRIO, CRISTO É TUDO EM TODOS. Não no sentido panteista. Ele é tudo para nós e por nós: Criador, Salvador, Irmão, Intercessor, Alvo. Não temos necessidade de procurar ninguém mais. De fato, não devemos, pois nenhum outro servirá. Assim como 1:16 expressa Sua onipotência, e 2:3 Sua onisciência, assim este versículo declara Sua onipresença.
Versículo 12. Chegamos agora so desenvolvimento final de nossa relação com o mundo e Cristo:
Estais mortos (2:20), então mortificai... (3:5)
Estais ressuscitados (3:1), então revesti-vos... (3:12)
REVESTI-VOS, POIS, é o mesmo verbo encontrado no versículo 10. Ali uma condição é estabelecida, aqui uma orden é dada para desenvolver a coisa evidente recebida. COMO ELEITOS DE DEUS. Nossa eleição foi efetuada antes da fundação do mundo (Ef. 1:4) por meio da preciência de Deus (I Pedro 1:2). Fomos escolhidos para ser um povo especial para Deus (Tit. 2:14; I Pedro 2:9). Como em 1:2 SANTOS aqui refere-se à nossa posição diante de Deus. E AMADOS. O amor de Deus foi extendido a nós apesar do nosso pecado e inimizade para com Ele (Rom. 5:8). O tempo do Particípio indica que éramos e somos amados por alguma coisa que aconteceu no passado, a saber, a morte do Seu Filho na cruz.
Agora chegamos à lista das coisas com as quais devemos nos revestir. Assim como os "membros" (v. 5) assim o "novo homem" (v. 10) involve certas particularidades da personalidade. Três destas cinco são também dadas em Gál. 5:22, 23 como o fruto do Espírito. DE TERNOS AFETOS DE MISERICÓRDIA. A versão de Almeida traduz "entranhas de misericórdia" porque a primeira das duas palavras gregas refere-se aos principais órgão internos, especialmente os intestinos (Atos 1:18). Estes órgãos eram considerados a séde das paixões e afeições mais profundas. (Vide Filip. 1:8; Lucas 1:78). A segunda palavra grega nests frase combina a idéia de "dó" e "bondade" e é provavelmente melhor traduzida em português por compaixão (Rom. 12:1).
BENIGNIDADE combina a idéia de "bondade" e "ajuda" (Ef. 2:7). Nosso amor pelos outros deve resultar em mais do que palavras (Tiago 2:15, 16). HUMILDADE. Esta é a mesma palavra que aparece em má companhia em 2:18,23. A modéstia aqui exigida é o oposto do sentimento de "importância". Aquele que é verdadeiramente humilde cumprirá automaticamente o mandamento dado em Filip. 2:3. Quando vos sentirdes importantes, lembrai-vos de que nada do que sois e do que tendes é vosso: é vos dado, em confiança, por Deus (Lucas 19:12-26). MANSIDÃO, muito semelhante à benignidade, dá ênfase à suavidade pela qual deveríamos ser conhecidos. Isto não implica que devamos ser levados a torto e a direito mas antes tem em vista nosso trato ao semelhante (I Cor. 4:1). Finalmente, LONGANIMIDADE. (Vide nota sobre 1:11).
Versículo 13. A idéia de longanimidade (v. 12) é difundida por dois adjetivos verbais: SUPORTANDO-VOS UNS AOS OUTROS E PERDOANDO UNS AOS OUTROS. O primeiro significa "aguentar," "sofrer" e até "permitir que outros andem sobre" vós, vossas idéias e vossos planos (I Cor. 6:7). O segundo implica não somente uma diferença de opinião ou método, mas também que alguém foi ofendido. Em tal caso não devemos somente suportar ao irmão, mas também perdoá-lo, cancelar a sua divida (Lucas 7:42). Dizer, "Eu perdôo, mas não esqueço" pode ser tudo, menos cristão. "Mas ele se virará e se aproveitará de mim", dizeis vós. Então, o que foi que nosso Senhor aconselhou? Mat. 18:21,22! Não. devemos guardar rancor ou mesmo uma lembrança da transgressão.
SE ALGUÉM TIVER QUEIXA. Se qualquer irmão tem uma justa razão para pedir satisfação de um outro, deve seguir o processo em esboço de Mat. 18:15-17. A dificuldade com a maioria de nós é que falamos contra nossos irmãos quando realmente não temos base para nossas queixas. CONTRA OUTRO. Provavelmente refere-se a outro irmão, se bem que devamos também perdoar incrédulos, como fez nosso Senhor (Rom. 5:8). ASSIM COMO CRISTO. Da mesma maneira e com a mesma largueza com que nosso Senhor, o Juiz (João 5:22-27, 30) perdoou, assim devemos nós. Ele pagou um preço terrível por nosso perdão, o qual não foi imposto a Ele. Ele fez isso por amor. Ele é chamado Senhor aqui para lembrar-nos de que não foi o Jesus humano, mas o exaltado Criador e Legislador do universo quem sofreu em nosso lugar. VOS PERDOOU. Muito mais do que murmurar apenas palavras polidas, "estais perdoados", ou esquecendo o que existia contra nós, Ele pãaou o preço total da "queixa" que Deus tinha contra nós. Ele apagou o registro e nos restaurou a uma posição correta diante de Deus. ASSIM TAMBÉM VOS. Agora Paulo insta conosco que perdoemos a outros da mesma maneira; assim também vós. É pedir demais? Não pediu já nosso Senhor o mesmo? (Mat. 18:23-35).
Versículo 14. E SOBRE TUDO ISTO significa que, em adição a tudo o mencionado nos versículos 12, 13, o seguinte é a pedra angular e é isto que dá vida e significação ao novo homem (v. 10). (REVESTI-VOS DO) AMOR. Ele louvou-os pela sua caridade em 1:4. Agora deseja que eles aumentem e desenvolvam um amor perfeito por todos os homens, a marca do cristão (João 13:35). Amor é "o melhor caminho"! Antes de concluir que tendes este amor, considerai se daríeis ou não vossa vida por qualquer pessoa, especialmente um inimigo (João 15:12, 13)!
QUE É O VÍNCULO DA PERFEIÇÃO. Amor contém todas as graças juntas no novo homem e atrai através delas o cristão para a perfeição. A palavra traduzida vínculo consta em 2:19; Ef. 4:3; Atos 8:23, e significa "prender com cadeias." Tão grande é o amor que sem ele as outras graças tornam-se sem significação. Por ela o novo homem é moldado na imagem do Criador (v. 10).
Perfeição aqui significa "tendo a qualidade de ser perfeito." (Vide 1:28; 4:12). Como posso eu alcançar a perfeição? É possível ser perfeito? Em primeiro lugar deve ser possível, ou Jesus não o pediria (Mat. 5:48). Esforços par guardar a lei, contudo, não o conseguem, nem o consegue o poder da carne. Tanto a oração como a paciência ajudam (I Pedro 5:10; Tiago 1:4). Mas como vimos neste verso, o amor é fator que vincula. Devemos nos vender completamente a Deus (vv. 5,8; Mat. 19:21) e andar em união com Cristo (2:10; João 17:23). Devemos procurar amar do íntimo a todos.
Versiculo 15. E A PAZ DE DEUS. Deus está desejoso de nos dar paz--não a ausência da guerra, contenda, ou mesmo problemas. Ao contrário, é a integração da personalidade no meio da barafunda do século vinte (João 16:33). Uma personalidade integrada é aquela que tem todas suas partes individuais plenamente desenvolvidas e em harmonia com todas as outras partes, aquela que as tempestades da vida não podem desarraigar. Como? Pondo em prática os mandamentos e exortações encontrados entre 2:20 e 3:14.
Não somente deveis deixar a paz entrar, mas deixar que ela DOMINE EM VOSSOS CORAÇÕES. A paz deve ser predominante em nossa natureza, deve superintender nossa luta diária e deve governar nossos corações enquanto procuramos as soluções para nossos problemas. Por que ele diz corações? Na análise final nossos corações, isto é, nossas emoções e desejos, tem controle de nossas vidas. Até mesmo a vontade e a mente inclinam-se diante das afeições. PARA A QUAL TAMBÉM VÓS FOSTES CHAMADOS. Antes da ordem, veio o chamado à paz do coração. O enfático vós fortalece o conceito de que Deus nos escolheu a cada um individualmente, e isto antes da Criação (Ef. 1:4). Conquanto chamados separadamente, devemos ser uma unidade, a Igreja: "em um corpo" (1:18, 24). Aqui está unidade na diversidade (I Cor. 12). Um lugar onde a paz deve reinar é na igreja. Que não haja nela a paz, não se pode culpar o pastor ou qualquer outra pessoa. Vós e eu somos os culpados. Até que a paz seja uma carcterística da vossa vida e da minha, nunca o será da igreja local.
Ao fim da sentença Paulo liga outro mandamento, aparentemente sem relação: E SEDE AGRADECIDOS. Paz não é trégua armada, mas antes reconciliação com Deus. Antes que possamos ter paz com Ele e conosco mesmos, toda nossa vida deve ser modificada (2:20-3:14). Isto é o que a salvação significa! Em vez de ficamos taciturnos e renitentes, alegremo-nos com a transformação. Deveríamos irradiar agradecimentos e glorificar a Deus pelo privilégio (1:12).
Versículo 16. A PALAVRA DE CRISTO HABITE EM VÓS ABUNDANTEMENTE é o nono2 e último mandamento sobre o desenvolvimento da personalidade cristã. Permiti que esta mensagem sobre Cristo penetre e encha vosso coração. Deixai que ela faça isto por ouvir atentamente, muita leitura, estudo profundo e meditação constante. Devemos conhecer a Bíblia inteira, mas especialmente todo o Novo Testamento. Neste caso abundantemente significa "grandemente" ou "ricamente." EM TODA A SABEDORIA. Não do mundo, mas sabedoria di-vina (I Cor. 2:5-8). (Vide 1:9; Ef. 1:8). Não é suficiente conhecer e até mesmo decorar a Palavra. Não! Devemos meditar nela até que entendamos o significado de cada passagem (v. 2). Procuremos mais sabedoria (Tiago 1:5; I Cor. 2:16) e não apenas mais conhecimento.
ENSINANDO-VOS E ADMOESTANDO-VOS são os mesmos verbos usados em 1:28. Aqui, contudo, ambos são dirigidos para o cristão (II Tes. 3:15). Em lugar de argumentar ou repreender devemos guiar para um mais profundo conhecimento da verdade. Para aqueles que persistem nas idéias ou ações heréticas, devemos prevenir quanto às consequências (Tito 3:10; II Tim. 3:16). UNS AOS OUTROS, indica que o ensinamento e a admoestação não deve ser entregue somente ao pastor. Não, todos nós somos prelados na casa de Deus (I Pedro 2:9). Cada um deve ajudar seu irmão.
Paulo mostra três maneiras pelas quais podemos ensinar e admoestar a outros; POR MEIO DE SALMOS, HINOS E CÂNTICOS ESPIRITUAIS. O primeiro se refere a cânticos sacros, especialmente aqueles do Velho Testamento. O segundo se refere a cânticos de louvor e adoração a Deus (Atos 16:25; Heb. 2:12). A última é a palavra comum para cântico. O adjetivo espiritual pertence especialmente à última palavra e indica que os cânticos devem estar em contraste com os mundanos e carnais. CANTANDO COM GRAÇA EM VOSSO CORAÇÃO, isto é, cantando graciosamente. Nem todos tem uma voz bonita, nem é isto necessário. Para Deus a beleza consiste em que o cântico venha ou não do coração. Muito freqüentemente cantamos melodias e palavras para "efeito." Mas nosso cântico deve ser dirigido A DEUS, não a homens. De maneira que, nossos cânticos devem louvar e glorificar a Ele, e preparar nossos corações para adorá-lO.
Versiculo 17. E TUDO O QUE FIZERDES. Paulo agora resume o propósito do crente e a direção para a sua vida. Fizerdes pode ser aplicado a tudo que tivermos em mente, toda ação clara. POR PALAVRA OU POR OBRAS. A referência é especialmente para nosso testemunho cristão. Nosso ensino levanta e exalta o Senhor Jesus ou estamos nós propensos a ir atrás das idéias dos homens (2:8; 18, 19)? Uma vez que o silêncio em certas ocasiões é tão eloqüente quanto o falar, seremos igualmente julgados por ele. Quantas oportunidades temos perdido? Fomos salvos para fazer boas obras (Ef. 2:10). Contudo é possível fazer Sua obra de tal maneira que traga desonra sobre Ele (Rom. 2:17-24).
FAZEl TUDO EM NOME DO SENHOR JESUS. Tudo é absoluto e compreende toda ação (I Cor. 10:31). No nome do significa "para a glória do" (João 14:13). Não devemos ser teimosos e rebeldes em nosso serviço. Ao contrário, devemos estar DANDO POR ELE GRAÇAS A DEUS PAI. Regozijo e gratidão a Deus formam um caminho no qual podemos andar dignos de Cristo (1:12). Como cristãos, felicidade assim como amor devem ser nossa marca de identificação (3:15). Transportamos nossos agradecimentos a Deus por meio de Jesus Cristo. Como? Pelo louvor em Seu nome, por agradecermos como Ele o faria (Ef. 5:20). Fora de Jesus não temos acesso a Deus, nem mesmo para agradecer-lhe.
Versículo 18. ESPOSAS, ESTAI SUJEITAS A VOSSOS PRÓPRIOS MARIDOS. Temos sempre certos versículos "difíceis" aos quais ignoramos. Este é um que as mulheres cristãs geralmente afastam e ao qual seus maridos se apegam. Os homens, contudo, não tem direito de forçar suas esposas a serem obedientes; pois a submissão requerida não é aquela pedida nem da criança nem do escravo (vv. 20,22). Ao contrário, é uma obediência voluntária A esposa deve subordinar-se voluntariamente. Conquanto normal para todas, é mais dificil para aquelas .que tenham sido independentes por um certo número de anos. Contudo esta atitude deve tomar o lugar do primitivo espírito independente. Assim como Cristo é a Cabeça absoluta da Igreja, assim, o homem deve ser a da mulher (Ef. 5:23, 24; I Cor. 11:3-9). Uma jovem deve ser cuidadosa na escolha do homem com quem se casar, para que este possa exigir seu respeito e obediência.
Sabendo que algumas pessoas, ainda mesmo em seus dias, objetariam, Paulo adicionou, COMO CONVÉM NO SENHOR. Deus os tinha feito "um" e não deveria haver dúvida quanto a "qual esse um." Assim como uma pessoa de duas cabeças não pode subsistir, assim é com uma família de duas cabeças. As pressões e esforços são demasiados, e o desquite fácil demais. A frase no Senhor não é uma limitação da sua obediência às coisas de Deus. Ao contrário, sua submissão deve ser digna do Senhor e glorificá-lO (v. 17).
O versículo 19 completa o versículo 18. MARIDOS, AMAI A VOSSAS MULHERES, E NÃO AS TRATEIS COM AMARGURA. É da natureza humana que os homens na sua ansiedade pelo versículo 18, negligenciam este mandamento feito para eles! Muitas vezes a natural inclinação da esposa para ser submissa é frustrada pelo fracasso do marido em cumprir com este versículo. Antes de definir o significado do amor aqui, devemos notar duas coisas que ele não significa. Primeiro de tudo, ele não está aconselhando contra relações extra-matrimoniais. Isto teria requerido uma afirmação mais explícita. Nem está ele se referindo ao amor normal que um homen tem por sua esposa. Isto ven naturalmente sem qualquer mandamento. O verbo usado para amor é o mesmo usado para amor divino e indica uma afeição dominante pelo outro. Muitos entram no casamento com paixões inflamadas e o desejo de obter dele tudo que puderem. Cristo nos amou tanto que deu Sua vida por Sua Noiva. Assim, o marido deve amar sua esposa como a si mesmo (Ef. 5:28,29), e ainda mais do que a si próprio.
Aquele que ama sua esposa desta maneira não há de ser áspero ou rude com ela. Isto seria inconsistente com o amor. Em outras palavras, o marido não deve usar o versículo 18 como uma clavs para forçar sua esposa à submissão, mas sim o amor.
Versículo 20. FILHOS. Não os pequenos, mas filhos e filhas que tenham chegado à adolescência (Gál. 4:1). Aqui a palavra indica a relação entre filhos e pais. Traz à mente os sacrifícios dos pais para criar os filhos. OBEDECEI A VOSSOS PAIS. O verbo aqui é completamente diferente daquele do versículo 18. Aqui a ordem é para ouvir, para aceitar submissamente e obedecer (Atos 12:13, 6:7; Mat. 8:27). Nem devemos nós obedecer de má vontade. Ao contrário, Deus deseja que cada um se submeta voluntariamente e com obediência amorosa a seus pais. EM TUDO significa "com respeito a tudo." Mesmo o verso paralelo em Efésios (6:1) não limita a obediência requerida. Como em Col. 3:18, a frase no Senhor em Efésios significa que a obediência é para ser rendida como ao Senhor e por Sua glória. Que este é o sigmificado está visto pelo final deste verso: POR QUE ISTO É AGRADÁVEL AO SENHOR. A frase pode ser aplicada a todos os 6 mandamentos (3:18-4:1), mas é mais apropriada aqui, pois os jovens estão no período de transição, no qual o espírito de independência é muito forte. Dest'arte, é natural para eles rebelarem-se, serem autosuficientes e "sabe-tudo". Contudo, são ainda crianças e têm uma dívida tremenda para com seus pais e parte desta dívida pode ser paga por obediência pronta e voluntária. Somente em casos em que os pais requeiram alguma coisa contrária à revelada Palavra de Deus têm os jovens razão para desobedecer.
Versículo 21. PAIS. Na sociedade antiga o pai era inquestionavelmente a cabeça do lar e, desta forma, o único apto a ser culpado de quebrar este mandamento. Com o crescimento do poder e prestígio da mãe na sociedade moderna, deve também a elas ser aplicado este mandamento.
NÃO IRRITEIS A VOSSOS FILHOS, que é, não os "provoqueis demais", ou não os "exaspereis". Não os "forceis" à ações drásticas. Em vez de importunar, a atitude do pai deve ser semelhante aquela exigida no versículo 19. Tratai-os como seres humanos, respeitai suas idéias e não espereis deles coisas desrazoadas. Por outro lado, Paulo não quer dizer que as crianças são livres de sujeição ou que devem tomar conta da casa. Elas devem estar em sujeição (v. 20; I Tim. 3:4, 12). Há uma hora para a punição, se bem que esta sempre deva ser para o bem das crianças, não apenas para dar alívio a emoções recalcadas da parte dos pais (Heb. 12:5-11).
A razao para a repressão paterna é PARA QUE, as crianças, NÃO PERCAM O ÂNIMO. Isto é, que fiquem desgostosas. Punição é para ensinar e desenvolver o caráter da criança, não para quebrantá-la ou para ser causa de que ela perca a confiança e respeito a seus pais.
Versículo 22. ESCRAVOS. Na escala dos direitos pessosis o escravo vem por último. Ele está completamente à mercê do seu senhor. Se o escravo deve esforçar-se por bem servir so seu senhor, quanto mais devemos nós servir aqueles que nos empregam e nos pagam mais do que meramente nossa casa e comida? OBEDECEI EM TUDO. Exatamente o mesmo do versículo 20. Obediência absoluta! A única exceção seria em seguir um mandamento que estivesse definitivamente em oposição à revelada vontade de Deus. Obediência deve ser rendida A VOSSOS SENHORES SEGUNDO A CARNE. Aqui, senhor significa "patrão", 'dono" e, num sentido, "um deus", pois ele controlava a vida e a morte de seu escravo. Mas o controle e influência dos nossos senhores ou empregadores terrenos são limitados a esta vida física. Eles não podem tocar nossas almas, exceto se nós o permitirmos (Lucas 12:4,5).
Aquilo que é requerido NÃO é para ser feito SERVINDO APENAS SOB VIGILÂNCIA, COMO PARA AGRADAR AOS HOMENS. Sob vigilância significa "trabalhando quando vistos." Os que assim procedem não tem interesse no trabalho em si. Seu intuito é ver que seu trabalho seja notado e, ao mesmo tempo, esforçar-se o mínimo possível. Tal atitude não tem lugar entre cristãos. Ao contrário, devemos apresentar um trabalho o mais perfeito possível para agradar tanto ao Senhor como ao nosso patrão. MAS EM SINGELEZA DE CORAÇÃO, TEMENDO A DEUS. Não com motivos dúbios, mas com sinceridade e simplicidade de propósito. Ao servir os homens devemos trabalhar no temor do Senhor, temor no sentido de respeito, mas também com seu significado normal de "terror" (Heb. 12:28, 29; II Cor. 5:11). Em vez de sermos tão "familiares", tão íntimos com Deus, lembremo-nos de que tudo que fizermos deverá glorificá-lO. Em contraste com os muitos senhores, Ele é O Senhor (I Cor. 8:5, 6). Nós temos um Senhor e devemos servi-lO prazerosamente. (Mat. 6:24).
Versículo 23. TUDO QUANTO FIZERDES. Esta frase é muito semelhante na forma e significado ao começo do versículo 17. FAZEI-O DA ALMA. Enquanto que no versículo 17 é apenas subentendido o segundo verbo; aqui o verbo é ao mesmo tempo incluido e trocado por um mais forte, trabalhar. Alma é quasi sinônimo de "coração" (v. 22) e se refere aos mais íntimos anseios e desejos do nosso ser. Em vez de temos motivos superficiais ou monetários, nossas vidas devem ser dirigidas por princípios profundamente arraigados. Nossos esforços como cristãos devem ser feitos como ao Senhor e não aos homens. Isto é uma confirmação da última parte do versículo 22. Algum homem pode ser nosso patrão ou juiz hoje e amanhã, mas Deus está sempre no trono e é para com Ele que temos responsabilidade (v. 24).
Versículo 24. SABENDO QUE RECEBEREIS DO SENHOR O GALARDÃO DA HERANÇA. Graças a Deus nossa fé não é baseada em conjectura ou filosofia de homem (2:8). Podemos saber, isto é, ter certeza de que nosso trabalho será julgado por um Deus imparcial. Este verso é uma resposta ao "por que" levantado no versículo 23. Tudo que temos e somos veio dEle como um depósito. Não somente isso, mas nossa recompensa futura ou pagamento vem dEle (I Pedro 1:4). Ao contrário de 1:23 não há dúvida implícita ou afirmada. Como herdeiros de Deus recebemos nossa justa retribuição no dia do trono do julgamento de Cristo (II Cor. 5:10).
Versículo 25. Porque A CRISTO, O SENHOR, SERVIS. Paulo conclui este parágrafo dirigido aos servos ordenando enfaticamente a eles que sirvam a Jesus Cristo. Conquanto haja "senhores segundo a carne" (v. 22), esta é a quarta vez, a contar daquele versículo, no qual Paulo chama nosso Salvador pelo mesmo termo, Senhor, para contrastar o único com os muitos. Aqui ele acrescenta Cristo para relembrar-nos da Sua missão e sacrifício em nosso benefício. Daí, nenhum serviço é pesado demais para ser exigido de nós por Ele.
MAS QUEM FIZER INJUSTIÇA RECEBERÁ PELAS INJUSTIÇAS QUE FIZER. Paulo está falando aqui sobre crentes, pois aqueles que estão perdidos já estão condenados (João 3:18). Alguns de nós serão rudemente despertados quando, em vez de receberem coroas, forem punidos (João 15:6). A esta afirmação estrondosa Paulo acrescenta o aviso, E NÃO HÁ ACEPÇÃO DE PESSOAS (Rom. 2:11). Deus é imparcial. Pecado é pecado, mesmo quando cometido pelo crente (Heb. 12:28,29).
Capítulo IV. Versículo 1. Os donos de escravos (3:22), autoridades temporais, empregadores, todos aqueles a quem Deus confiou riqueza e poder são chamados SENHORES. Deles é o último neste ciclo de seis mandamentos envolvendo relações sociais (3:18-4:1). Em vez de "rude individualismo", eles devem FAZER O QUE FÔR DE JUSTIÇA E EQUIDADE A VOSSOS ESCRAVOS. Em lugar de preconceitos da raça, religião ou idade, a cada pessoa que trabalha para nós devem ser dados respeito e tratamento imparciais. Não podemos julgar os outros na base de nossas idéias, nem oprimí-los apenas porque o poder está em nossas mãos. A cada um deve ser dada a oportunidade de desenvolver e usar seus talentos dados por Deus. Como podemos nos cognominar Filhos de Deus e perseguir aqueles que são menos afortunados por sua cor ou credo ou estado social?
SABENDO QUE TAMBÉM TENDES UM SENHOR NOS CÉUS. Que pensamento para humilhar os "grandes e poderosos" das coisas temporais. Notai a diferença entre o que é conhecido da parte do escravo (3:24) e da do seu senhor! Para um uma promessa, para o outro uma admoestação áspera (Cp. Tiago 1:19,10). Como uma base de ação guardemos sempre esta frase na mente, pois somos responsáveis perante Ele, e Ele tem absoluto controle de nossas vidas.
Versículo 2. PERSEVERAI EM ORAÇÃO é eqüivalente ao mandamento dado em I Tes. 5:17. Paulo nos deu seu próprio exemplo em 1:3, 9. Devemos nos ocupar intensamente em procurar bênçãos de Deus. Através de Cristo todos os crentes são feitos sacerdotes e recebem o direito de acesso a qualquer momento a Deus. Não é extranho, então, que o Criador do universo deva implorar a nós que oremos? E não é ainda mais extranho que nós não o fazemos!
Não somente devemos orar, mas devemos fazê-lo constantemente. Não é uma questão do quantas vezes devemos orar ou se orações longas sao mais efetivas do que as curtas. E sim, de que muita oração nos capacita a descobrir o plano de Deus e nos dá comunhão com Ele. Também ajuda a desenvolver o conhecimento dEle, e conhecê-lo é a vida eterna, João 17:3. Orar não somente muda "coisas", mas também a "nós."
VELANDO NELA COM AÇÃO DE GRAÇAS. Não como os discípulos (Mat. 26:40, 41), mas sim vigiando e esperando nEle. Oh, quão facilmente o sono vem aqueles que procuram a oração! Ao contrário, estejamos completamente despertos, apeguemo-nos a Deus quando as forças do mal avançarem contra nós, e quando nós, como a Igreja, devemos avançar contra elas! Enquanto vigiamos devemos ser agredecidos, lembrando-nos de bênçãos passadas e presentes e louvando-O por bênçãos futuras prometidas. (Vide 1:12; 3:15) Com base nas Suas promessas podemos começar a dar graças por respostas que ainda não foram recebidas!
Versículo 3. ORANDO TAMBÉM JUNTAMENTE POR NÓS. Levantai os vossos olhos das vossas próprias necessidades e do trabalho no qual Deus vos colocou e lembrai-vos dos Seus filhos e do Seu programa ao redor do mundo. Não useis o método da oração indefinida: "Senhor abençoa todos os obreiros"; mas sim lembrai-vos das necessidades individuais e dos problemas de cada um (1:9). Paulo não pediu a eles que orassem para que suas penas fossem aliviadas, nem que ele fosse libertado da prisão (v. 18). Muito menos procurava ele que sua vida fosse poupada (Filip. 4:11). Naquela hora negra seu único pensamento era QUE DEUS NOS ABRA UMA PORTA DA PALAVRA. Ele não estava envergonhado do Evangelho, ao contrárío ele procurava oportunidades de proclamá-lo. Procuramos nós o mesmo? "Deus ouve e responde a orações." Escrevendo aos filipenses cerca de um ano mais tarde, Paulo menciona os resultados dessas orações (Filip. 1:12, 13).
PARA FALAR. Ele tinha que falar, não podia permanecer calado (v. 4). Ele queria falar do MISTÉRIO DE CRISTO. O mistério de Cristo é a palavra que Paulo procurava proclamar. Como em 1:5 e 3:16 refere-se à mensagem do Evangelho em geral e à pessoa de Cristo em particular. Aqui Paulo se refere especificamente à verdade revelada sobre nosso Senhor Jesus, Sua pessoa e trabalho como o Messias de Deus. A única oração de Paulo era que ele pudesse fazê-lO conhecido. Que censura dolorosa é esta para aqueles que, ou negam ou simplesmente negligenciam a Cristo! PELO QUAL TAMBÉM ESTOU PRESO. Ele estava pronto a morrer por Cristo, Estamos nós?
Versículo 4. Paulo tinha pedido aos colossenses que orassem por ele, e agora declara o propósito do seu pedido. PARA QUE O MANIFESTE, COMO ME CONVÉM FALAR. Deus deu a Paulo um certo trabalho a fazer, o qual era, pregar o Evangelho (1:25). Ele foi compelido a evangelizar, mesmo que não tivesse querido fazê-lo (I Cor. 9:16, 17). Graças a Deus, Paulo não o fez com má vontade ou relutantemente! Ao contrário, ele tinha a mesma compaixão consumidora que arrastou nosso Senhor em direção a cruz (Mat. 9:36). Somos chamados a ganhar outros para Deus e, como Paulo, deveríamos ser "constrangidos pelo amor de Cristo" a aproveitar toda oportunidade (v. 5; II Cor. 5:14).
Versículo 5. Tendo pedido que eles orassem para que seu testemunho surtisse efeito (vv. 3,4), Paulo agora volta-se e dá-lhes algumas sugestões que os ajudarão a trazer outros a Cristo. Primeiro, ANDAI COM SABEDORIA PARA COM OS QUE ESTÃO DE FORA. Nossos costumes e hábitos diários devem ser governados pela mente divina de Cristo (I Cor. 2:16). "Sede prudentes como as serpentes e símplices como as pombas" (Mat. 10:16). Andar com sabedoria é equivalente a andar nEle (2:6). Nenhum cristão deveria dar aos incrédulos qualquer base para caluniar Cristo ou Sua Igreja (1:22; I Tim. 3:7). Somos abençoados quando as pessoas nos acusam "falsamente" (Mat. 5:11). A igreja primitiva tinha poder e pureza em sua união com Cristo (Atos 5:12, 13). Temos nós?
Enquanto vivemos entre incrédulos, devemos estar REMINDO A OPORTUNIDADE, que é, salvando-a de perder-se. Há horas quando não é aconselhável falar, há outras que, apesar de fugazes, são perfeitas para testificar para glória de Deus. Não devemos permitir que estas últimas escapem de nós. Esta recomendação de "aproveitar-se" o tempo, veio de um homem na prisão, um que poderia não ter tido mais nenhuma oportunidade. Nunca sabemos quando teremos outra oportunidade de alcançar a mesma pessoa.
Versículo 6. Tendo pedido a eles que orassem por ele para que tivesse oportunidade de testificar (v. 3), Paulo agora fala do testemunho deles diante do mundo. A VOSSA PALAVRA SEJA SEMPRE AGRADÁVEL. Nosso "andar com sabedoria" (v. 5) deve ser bonito e com tacto. Não apenas de vez em quando, ou quando nos sentimos dispostos a isto--não! Devemos sempre ter a mesma prudência--uma que brote normalmente do coração. TEMPERADA COM SAL não significa que devemos esfregar sal nas feridas ocasionadas por observações ferinas. Ao contrário, nossas palavras devem ter a qualidade do sal. Assim como o cozinheiro deve ser cuidadoso na quantidade, assim devemos nós colocar o sal, nem muito pouco, nem demais em nossa conversaçao. Muito pouco é ineficaz e demais causa repulsa. Se bem que somente o Espírito Santo possa nos guiar corretamente neste assunto, seremos julgados por aquilo que dissermos e pelo efeito que as nossas palavras produzirem (Mat. 12:33-37).
PARA QUE SAIBAIS COMO CONVÉM CADA UM RESPONDER AO OUTRO. O propósito da graciosidade e tempero é elevar nossa conversação e torná-la apropriada. Ele diz responder, referindo-se à nossa resposta às perguntas e problemas sobre vida e salvação. Devemos não somente crer, mas saber "o que" cremos e como colocar esse conhecimento em palavras agradáveis e que conquistem. Não somente o clero mas todos os Seus filhos devem estar prontos a dar uma resposta pela esperança que repousa dentro deles (I Pedro 3:15.).
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1 A frase adicional "sobre os filhos da desobediência" deve ser omitida. Foi provavelmente encaixada neste versículo de Ef. 5:6.
2 3:1, 2, 5, 8, 9, 12, 13, 15.
VII. Conclusão (4:7-1 8)
1. Missão de Tíquico e Onésimo (4:7-9)
a) Revela o estado de Paulo
b) Conforta os colossenses
2. Saudações dos cooperadores de Paulo (4:10-14)
a) Dos judeus cristãos (4:10-11)
(1) Aristarco
(2) Marcos
(3) Jesus
b) Dos gentios cristãos (4:12-14)
(1) Epafras
(2) Lucas
(3) Demas
3. Recomendações finais de Paulo (4:15-17)
a) Saúda as igrejas em:
(1) Laodicéia
(2) Casa de Ninfa
b) Lede esta e a Carta aos Laodicenses
c) Dizei a Arquipo para atentar para seu ministério
4. Assinatura (4:18)
 
CAPÍTULO VII
CONCLUSÃO
Nestes últimos 12 versos Paulo conclui a carta explicando a missão de Tíquico e Onésimo e incluindo saudações dos seus cooperadores em Roma. Timóteo é excluido porque e citado em 1:1 como co-autor com Paulo de toda a epístola. Depois de três recomendações finais pessoais Paulo encerra a carta com sua assinatura.
Versículo 7. Paulo tinha muitos inimigos e alguns que se cognominavam amigos, os quais o abandonaram. Ele estava também rodeado de alguns amigos chegados e fiéis. TÍQUICO, IRMÃO AMADO E FIEL MINISTRO E CONSERVO NO SENHOR. Assim como Timóteo e Tito, Tíquico era um dos coadjutores de confiança de Paulo. Ele levou não somente esta carta mas também a dos efésios. Muito depois que outros tinham abandonado Paulo, Tíquico permaneceu fiel (Tit. 3:12). Se bem que nascido e criado nas redondezas de Éfeso (Atos 20:4), evidentemente ele não era de Colossos (Cp. 4:9). Todos nós somos amados de Deus (3:12), se bem que muitas vezes nossa maneira de ser e nossos métodos nos tomem odiosos a nossos irmãos. Não era assim com Tíquico. (Sobre fiel ministro e conservo vide 1:7 onde o mesmo é dito de Epafras). Ele era um escravo de Cristo, cooperador de Deus no Evangelho (I Cor. 3:9). Ele satisfez sua divina chamada. E nós?
Tudo entre Tíquico e a frase seguinte foi um parêntesis de louvor. Agora Paulo declara qual a sua missão. Tíquico VOS FARÁ SABER O MEU ESTADO. Isto é, ele contaria aos colossenses tudo que estava acontecendo em Roma, concernente a Paulo e ao Evangelho. Seu relato sem dúvida incluia o progresso do julgamento, o desenvolvimento do Evangelho e até mesmo a saúde de Paulo. Além disso ele responderia a qualquer pergunta que eles tivessem com referência a Paulo ou à sua epístola.
Versículo 8. O QUAL VOS ENVIEI COM ESTE MESMO PROPÓSITO, PARA QUE SAIBAIS DO NOSSO ESTADO E CONSOLE OS VOSSOS CORAÇÕES. Tíquico foi honrado e escolhido por Paulo, não somente para levar a carta e relatar da condição das coisas em Roma, mas também para animar e confortar os seus corações. Em lugar de procurar descobrir mais sobre eles, como a versão de Almeida diz, temos aqui uma reiteração da comissão mostrada no versículo 7. Epafras tinha já dado um relato completo a Paulo (1:8); se Tíquico fosse enviado para conseguir outro, mostraria falta de confiança em Epafras. Segundo, Tíquico deveria confortar os corações dos colossenses no lugar de Paulo (2:2,5). Em vez de entrar na política da igreja ou tentar "dirigir" a igreja e dizer a ela como proceder, ele deveria edificar os membros fortalecendo-os na sua fé em Cristo.
Versículo 9. JUNTAMENTE COM ONÉSIMO, AMADO E FIEL IRMÃO. Onésimo era um escravo fugitivo no seu caminho de volta para seu dono, Filemom. A conversão transformou-o de um escravo inútil em um irmão fiel e amado. A fim de exaltá-lo aos olhos do seu dono e da igreja local Paulo usa quasi a mesma descrição que ele faz de Tíquico (v. 7) e Epafras (1:7). Na verdade ele merecia o louvor de Paulo; merecemos nós? Temos sido fiéis a Deus e aos homens em tudo que sabemos e naquilo que a nós foi confiado?
QUE É UM DE VÓS. Isto é, Onésimo veiu de Colossos (ou suas redondezas). Certamente isto não significa que ele era um membro da igreja colossense. Ele encarregou Onésimo com a honra de ser co-embaixador com Tíquico à igreja. Evidentemente houve uma mudança tremenda em sua vida (Filemon 13). Ao lado disso talvez houvesse na mente de Paulo alguma dúvida quanto à recepção a Onésimo (Filemon 16). Naqueles dias uma vez que um escravo fugitivo era recapturado, não tinha muita probabilidade de sobrevivência.
Então Paulo acrescenta pela terceira vez, ELES VOS FARÃO SABER TUDO O QUE POR AQUI SE PASSA.
Que significa esta tríplice repetição em três versos? Conquanto possa se referir a um grande movimento evangelistico em Roma, os versiculos 3, 4 e 11 indicam o contrário. Poderia indicar um grande interesse da parte dêeles ou uma vivida espectativa no progresso do julgamento de Paulo.
Versículo 10. ARISTARCO, QUE ESTA PRESO COMIGO, VOS SAÚDA. Este não é o mesmo Aristarco mencionado no livro de Atos (19:29; 20:4; 27:2). Aquele era um macedônio de Tessalônica; Este é um judeu (v. 11). Se éle acompanhou Paulo a Roma ou se foi levado prisioneiro ali em uma época diferente, não sabemos. De qualquer forma, de uma cela em Roma ele envia sua expressão de bons votos aos irmãos em Colossos.
E MARCOS, O SOBRINHO DE BARNABÉ, ACERCA DO QUAL JÁ RECEBESTES MANDAMENTOS; SE ELE FÔR TER CONVOSCO, RECEBEI-O. Marcos vinha de uma abastada família judaica em Jerusalem e bem jovem entrou em contacto com o Evangelho (Atos 12:5, 12). Quando jovem, foi como acompanhante de Paulo e Barnabé na sua primeira viagem, mas logo afastou-se (Atos 12:25; 13:5, 13). Se bem que finalmente reconciliado com Marcos (II Tim. 4:11), Paulo rompeu com Barnabé por causa dele (Atos 15:37). A desconfiança gerada morreu lentamente. Cerca de 12 anos se passaram desde a deserção de Marcos e, embora, ele esteja trabalhando com Paulo, não tem a confiança completa deste último. Em nenhum outro lugar Paulo apresenta um colaborador da maneira como ele o faz com Marcos aqui. Em vez de afirmar completa confiança, ele lembra-lhes do que lhes foi dito a respeito do mesmo. Ele quasi diz, "Recebei-o, mas com cuidado". O verbo traduzido receber é um verbo geral e pode significar qualquer coisa desde "benvindo" a "suportai-o com paciência".
Versículo 11. E JESUS, CHAMADO JUSTO. Não o mesmo Justo mencionado em Atos 1:23. O nome significa reto. "Jesus" era um nome comumente usado nos tempos bíblicos e aqui indubitavelmente representa o nome pré-cristão do homem. DA CIRCUNCISÃO SÃO ESTES ÚNICAMENTE OS MEUS COOPERADORES. Paulo tinha poucos ajudantes em Roma. Havia três judeus cristãos (Aristarco, Marcos e Justo) e três gentios cristãos (Epafras, Lucas e Demas). Timóteo, que era de origem mista, é mencionado em 1:1 como co-autor. Mais tarde Epafrodito aumentou o grupo por um certo tempo, tendo vindo de Filipos (Filip. 2:25-30). Apesar de poucos, ainda se tomaram em menor número durante o segundo aprisionamento de Paulo em Roma (II Tim. 4:10-16). PELO REINO DE DEUS. Paulo pregou o reino (Atos 20:25), mas estabeleceu igrejas. Com relação ao reino, ele reconheceu um aspecto presente (1 :13) e um futuro reinado de poder (I Cor. 15:24-28). Nós trabalhamos para trazer a divina lei de Deus aos corações dos homens e esperamos a inauguração da era do reinado. PARA MIM TÊM SIDO CONSOLAÇÃO. Não que Paulo estivesse desencorajado pelo seu aprisionamento e sim pela sua impossibilidade de proclamar livremente as Boas Novas as multidões (vv. 3, 4). Estes colaboradores confortaram e alegraram seu coração porque estavam aptos a fazer o que ele não podia (Filip. 1:18).
Versículo 12. SAÚDA-VOS EPAFRAS, QUE É UM DE VÓS. Vide 1:7. Conquanto esta frase possa indicar que ele era um colossense (cp. v. 9), não há dúvida de que indica sua conexão com a igreja. Ele é ESCRAVO DE CRISTO. Paulo gosta de usar este termo para descrever a si mesmo (Filip. 1:1), pois ele indica a completa submissão do "eu" a Cristo (Ef. 5:22-24).
COMBATENDO SEMPRE POR VÓS EM SUAS ORAÇÕES, refere-se ao hábito diário de Epafras de apegar-se a Deus em benefício deles (1:9). Ele desenvolve um tremendo esforço (1:28) por meio de profunda, perseverante e inteligente oração para ganhar o seguinte: PARA QUE VOS ESTEJAIS PERFEITOS E COMPLETOS. Os dois objetivos mencionados correspondem ao que Paulo já tinha delineado na carta. Em 1:28 ele menciona que a finalidade do seu ministério é aperfeiçoar os santos, isto é, dirigir seu andar para o plano da sua posição diante de Deus. O segundo pedido é ligeiramente diferente e refere-se ao controle completo pela natureza divina a qual é dada no momento da salvação (2:10; II Pedro 1:4). Devemos estar completamente cheios da pessoa e do poder de Deus e ser dirigidos por essa pessoa a esse poder a fim de preenchermos aquilo para o qual Deus nos chamou (Ef. 4:1).
EM TODA A VONTADE DE DEUS. A vontade de Deus esboça Seu desejo para as nossas vidas e nos dirige para a perfeição. Quando ele diz toda, quer significar que devemos ter completa sabedoria e entendimento do Seu plano para nossas vidas. Este é um excelente versículo para que construamos nossas vidas ao seu redor! Esta frase dá a entender que, se bem não seja fácil saber Sua vontade, contudo podemos sabê-la. O fato de que não seja fácil nos desencoraja de obtê-la. Não deveria ser assim.
Versículo 13. POIS EU LHE DOU TESTEMUNHO DE QUE TEM GRANDE AGONIA POR VÓS E PELOS QUE ESTÃO EM LAODICÉIA. E pelos que estão EM HIERÁPOLIS. A versão de Almeida descreve-o como tendo grande zelo,1 quando na realidade a palavra indica dores de parto ou trabalho escessivo (Apoc. 16:10, 11; 21:4). É "vantajoso" orar fortemente e apegar-se a Deus. As forças satânicas combinam-se com nossa falta de perseverança a fim de manter-nos afastados da oração efetiva. Somente a convicção de que a oração produz efeito e uma tremenda compaixão por aqueles por quem nós oramos, nos tornarão verdadeiros guerreiros da oração.
As três cidades (Colossos, Laodicéia e Hierápolis) estavam situadas muito próximas umas das outras e podiam toda ser visitadas no curso de um dia de viagem. Que esta carta tenha sido dirigida tanto aos colossenses como aos laodicenses (4:16), mas não aos de Hierápolis, indica que as condições prevalescentes nas igrejas daquelas duas cidades não estavam ainda presentes nesta última.
Versículo 14. SAÚDA-VOS LUCAS, O MÉDlCO AMADO, E DEMAS. Paulo pegou Lucas em Troas na sua segunda viagem e deixou-o em Filipos para tomar conta da nova igreja. Seis anos mais tarde, na sua última viagem a Jerusalem, Paulo foi mais uma vez acompanhado por Lucas, o qual possivelmente ficou com ele até o fim. Pelo menos ele foi com Paulo para Roma e ficou ao lado dele lá. Lucas foi o único gentio a escrever Escritura, e, de fato, escreveu mais do que Paulo.2
Demas foi um colaborador de Paulo durante sua primeira prisão (Filemom 24), mas quando as coisas se tornaram difíceis durante a segunda, ele abandonou-o (II Tim. 4:10). Em vez de estarmos prontos a condená-lo, oremos para que Deus nos dê forças e que nós permaneçamos fiéis até o fim.
Versículo 15. SAUDAI AOS IRMÃOS QUE ESTÃO EM LAODICÉIA E A NINFA, E A IGREJA QUE ESTÁ EM SUA CASA. Paulo tinha um ativo interesse nessas igrejas, se bem que ele não conhecesse a maioria dos crentes (2:1). Irmãos é equivalente a santos e fiéis de 1:2. Quem era Ninfa? Onde morava ela? É possivel que a "igreja que está em sua casa" seja a mesma mencionada em Hierápolis, desde que aquela cidade não é mencionada aqui (v. 13).
Era comum nos tempos do Novo Testamento que um irmão abastado abrisse sua casa para as reuniões. Indubitavelmente, isto é o que está significado em Atos (2:46), onde é dito que eles celebravam a Ceia do Senhor "de casa em casa". Somente a partir do século terceiro é que os cristãos começaram a construir casa de adoração. Não é o prédio que faz a igreja, mas sim a reunião do povo de Deus.
Versículo 16. E QUANDO ESTA EPÍSTOLA TIVER SIDO LIDA ENTRE VÓS, FAZEI QUE TAMBÉM O SEJA NA IGREJA DOS LAODICENSES. Este é um gentil lembrete de que a carta é para toda a igreja, e que seu conteúdo não é para ser silenciado. Aparentemente a infecção herética também tinha alcançado a igreja laodicense. Não sabemos o que aconteceu à igreja colossense; mas a carta de Jesus aos laodicenses, escrita cerca de 30 anos mais tarde, mostra aquela igreja no estágio final de apostasia (Apoc. 3:14-19). Heresia deve ser estirpada. Apesar de que esta carta foi escrita em forma popular e para uma ocasião específica, era intenção do seu autor que ela tivesse uma importância duradoura.
E A DE LAODICÉIA LEDE-A VÓS TAMBÉM. Onde está esta carta? Alguns acham que desde que as palavras "em Éfeso" estão omitidas nos melhores manuscritos3 de Ef. 1:1, que Efésios é a carta perdida aos laodicenses. Contudo Paulo dificilmente mandaria duas tão semelhantes a duas cidades irmãs e depois pediria que cada uma lesse a da outra. Foi ela perdida? Desde que o Apóstolo foi inspirado pelo Espirito Santo, como poderia parte da divina mensagem ser perdida? Contudo nós sabemos que, pelo menos duas cartas aos coríntios e uma aos filipenses foram também perdidas.
Versículo 17. E DIZEI A ARQUIPO. Arquipo não estava em Colossos mas sim como ministro da igreja na casa de Filemon (Filemon 2). Ele estava, todavia, suficientemente próximo para que lhe entregassem uma mensagem. ATENTA PARA O MINISTÉRIO QUE RECEBESTE NO SENHOR, PARA QUE O CUMPRAS! Em si mesmo esta exortação era um gentil mas firme lembrete para que ele voltasse ao seu serviço. Porém, torna-se quase ríspido quando nos lembramos de que toda a igreja ouviria essas palavras lidas. Futuramente ele estaria ainda mais sob o escrutínio da igreja. Não há nenhum de nós que não necessite de tal observação. Estamos não somente sob o olhar atento da igreja, mas também somos vistos por Deus. Devemos manter nossos olhos no alvo para o qual fomos chamados e fazer um tremendo esforço para alcançá-lo (v. 12; Ef. 4:1; Filip. 3:14).
Versículo 18. SAUDAÇÃO DE MINHA PRÓPRIA MÃO, PAULO. Na reahidade esta é a sua assinatura. Depois que descobriu que outros tinham escrito cartas em seu nome (II Tes. 2:2), Paulo adotou o costume de assiná-las ele mesmo (II Tes. 3:17). Por essa maneira ele tornou a fraude mais difícil. A frase indiretamente prova que Paulo usava um secretário para escrever suas cartas, à medida que ele as ditava.
LEMBRAI-VOS DAS MINHAS PRISÕES. Lembrar não? Dificilmente (v. 3; Filip. 1:20-24). Suas cadeias tinham sido o meio de glorificar a Cristo (Filip. 1:12-14). Antes, queria que eles se lembrassem do que aconteceu àqueles que ousam manter-se firmes por Jesus (II Tim. 3:12). Conquanto não devamos procurar perseguições, devemos recebê-las com agrado como uma oportunidade de servir e glorificar a Cristo. A GRAÇA SEJA CONVOSCO. A mesma graça que ele procurou para eles em 1:2.
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1 Há uma certa confusão entre os manuscritos quanto à correta leitura aqui. Alguns têm "trabalho fatigante", outros têm "zelo", ou "luta". A melhor leitura confirmada é "angústia", "dor". De onde vem toda essa confusão? Em parte da dificuldade de interpretar a palavra original e em parte do copiar confuso.
2 Excluindo as epístolas perdidas de Paulo (v. 16)
3 p 46. B "X"
http://www.cblibrary.net/portugue/colossenses/col_ch1.htm

 

 

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