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A Importância do Sangue  
 VELHO TESTAMENTO - SANGUE  
 10 E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão está clamando a mim desde a terra.Gn 4
11 Agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para da tua mão receber o sangue de teu irmão.Gn4
4 A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.Gn9
5 Certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; de todo animal o requererei; como também do homem, sim, da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem. Gn 9
6 Quem derramar sangue de homem, pelo homem terá o seu sangue derramado; porque Deus fez o homem à sua imagem.Gn9
22 Também lhes disse Rúben: Não derrameis sangue; lançai-o nesta cova, que está no deserto, e não lanceis mão nele. Disse isto para livrá-lo das mãos deles, 22 Respondeu-lhes Rúben: Não vos dizia eu: Não pequeis contra o menino; Mas não quisestes ouvir; por isso agora é requerido de nós o seu sangue.a fim de restituí-lo a seu pai.Gn 37
26 Disse Judá a seus irmãos: De que nos aproveita matar nosso irmão e encobrir o seu sangue?Gn 37
31 Tomaram, então, a túnica de José, mataram um cabrito, e tingiram a túnica no sangue.Gn 37
22 Respondeu-lhes Rúben: Não vos dizia eu: Não pequeis contra o menino; Mas não quisestes ouvir; por isso agora é requerido de nós o seu sangue.Gn 42
7 Tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambos os umbrais e na verga da porta, nas casas em que o comerem.Ex 12
13 Mas o sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu o sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga para vos destruir, quando eu ferir a terra do Egito. :Ex 12
22 Então tomareis um molho de hissopo, embebê-lo-eis no sangue que estiver na bacia e marcareis com ele a verga da porta e os dois umbrais; mas nenhum de vós sairá da porta da sua casa até pela manhã.Ex 12
18 Não oferecerás o sangue do meu sacrifício com pão levedado, nem ficará da noite para a manhã a gordura da minha festa.Ex 23
18 Não oferecerás o sangue do meu sacrifício com pão levedado, nem ficará da noite para a manhã a gordura da minha festa.Ex 24
8 Então tomou Moisés aquele sangue, e espargiu-o sobre o povo e disse: Eis aqui o sangue do pacto que o Senhor tem feito convosco no tocante a todas estas coisas.Ex 24
12 Depois tomarás do sangue do novilho, e com o dedo o porás sobre as pontas do altar, e todo o sangue restante derramarás à base do altar.Ex 29
16 e imolarás o carneiro e, tomando o seu sangue, o espargirás sobre o altar ao redor;Ex 29
20 e imolarás o carneiro, e tomarás do seu sangue, e o porás sobre a ponta da orelha direita de Arão e sobre a ponta da orelha direita de seus filhos, como também sobre o dedo polegar da sua mão direita e sobre o dedo polegar do seu pé direito; e espargirás o sangue sobre o altar ao redor.Ex 29
21 Então tomarás do sangue que estará sobre o altar, e do óleo da unção, e os espargirás sobre Arão e sobre as suas vestes, e sobre seus filhos, e sobre as vestes de seus filhos com ele; assim ele será santificado e as suas vestes, também seus filhos e as vestes de seus filhos com ele.Ex 29
10 E uma vez no ano Arão fará expiação sobre as pontas do altar; com o sangue do sacrifício de expiação de pecado, fará expiação sobre ele uma vez no ano pelas vossas gerações; santíssimo é ao Senhor.
2 porá a mão sobre a cabeça da sua oferta e a imolará à porta da tenda da revelação; e os filhos de Arão, os sacerdotes, espargirão o sangue sobre o altar em redor.Lv 3
27 Tudo o que tocar a carne da oferta será santo; e quando o sangue dela for espargido sobre qualquer roupa, lavarás em lugar santo a roupa sobre a qual ele tiver sido espargido.Lv 6
26 E nenhum sangue comereis, quer de aves, quer de gado, em qualquer das vossas habitações.Lv 7
4 Depois permanecerá ela trinta e três dias no sangue da sua purificação; em nenhuma coisa sagrada tocará, nem entrará no santuário até que se cumpram os dias da sua purificação.Lv 12
5 Mas, se tiver uma menina, então será imunda duas semanas, como na sua impureza; depois permanecerá sessenta e seis dias no sangue da sua purificação.Lv 12
52 assim purificará a casa com o sangue da ave, com as águas vivas, com a ave viva, com o pau de cedro, com o hissopo e com o carmesim;Lv 14
14 Tomará do sangue do novilho, e o espargirá com o dedo sobre o propiciatório ao lado oriental; e perante o propiciatório espargirá do sangue sete vezes com o dedo.Lv 16
15 Depois imolará o bode da oferta pelo pecado, que é pelo povo, e trará o sangue o bode para dentro do véu; e fará com ele como fez com o sangue do novilho, espargindo-o sobre o propiciatório, e perante o propiciatório;Lv 16
18 Então sairá ao altar, que está perante o Senhor, e fará expiação pelo altar; tomará do sangue do novilho, e do sangue do bode, e o porá sobre as pontas do altar ao redor.Lv 16
19 E do sangue espargirá com o dedo sete vezes sobre o altar, purificando-o e santificando-o das imundícias dos filhos de Israel. Lv16
10 Também, qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre eles, que comer algum sangue, contra aquela alma porei o meu rosto, e a extirparei do seu povo. Lv 17
11 Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que faz expiação, em virtude da vida. Lv 17
12 Portanto tenho dito aos filhos de Israel: Nenhum de vós comerá sangue; nem o estrangeiro que peregrina entre vós comerá sangue. Lv 17
13 Se um homem se deitar com outro homem, como se fosse com mulher, ambos terão praticado abominação; certamente serão mortos; o seu sangue será sobre eles. Lv 20
18 Se um homem se deitar com uma mulher no tempo da enfermidade dela, e lhe descobrir a nudez, descobrindo-lhe também a fonte, e ela descobrir a fonte do seu sangue, ambos serão extirpados do meio do seu povo. Lv 20
3 a fim de que fuja para ali o homicida, que tiver matado alguma pessoa involuntariamente, e não com intento; e elas vos servirão de refúgio contra o vingador do sangue. Jo 20
32 então o povo se lançou ao despojo, e tomou ovelhas, bois e bezerros e, degolando-os no chão, comeu-os com o sangue. 1Sm  14
8 A palavra do Senhor, porém, veio a mim, dizendo: Tu tens derramado muito sangue, e tens feito grandes guerras; não edificarás casa ao meu nome, porquanto muito sangue tens derramado na terra, perante mim. I Cr 22
13 Comerei eu carne de touros? ou beberei sangue de bodes? Sl 50
14 Ele os liberta da opressão e da violência, e precioso aos seus olhos é o sangue deles. Sl 72
16 porque os seus pés correm para o mal, e eles se apressam a derramar sangue. Pv 1
11 De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Is 1
10 Maldito aquele que fizer a obra do Senhor negligentemente, e maldito aquele que vedar do sangue a sua espada! Jr 48
18 Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; se não o avisares, nem falares para avisar o ímpio acerca do seu mau caminho, a fim de salvares a sua vida, aquele ímpio morrerá na sua iniqüidade; mas o seu sangue, da tua mão o requererei: Ez 3
20 Semelhantemente, quando o justo se desviar da sua justiça, e praticar a iniqüidade, e eu puser diante dele um tropeço, ele morrerá; porque não o avisaste, no seu pecado morrerá e não serão lembradas as suas ações de justiça que tiver praticado; mas o seu sangue, da tua mão o requererei. Ez 3
9 Então te lavei com água, alimpei-te do teu sangue e te ungi com óleo. Ez 16
22 E em todas as tuas abominações, e nas tuas prostituições, não te lembraste dos dias da tua mocidade, quando tu estavas nua e descoberta, e jazias no teu sangue. Ez 16
13 Eis que, portanto, bato as mãos contra o lucro desonesto que ganhaste, e por causa do sangue que houve no meio de ti. Ez 22
5 Ele ouviu o som da trombeta, e não se deu por avisado; o seu sangue será sobre ele. Se, porém, se desse por avisado, salvaria a sua vida. Ez 33
6 Mas se, quando o atalaia vir que vem a espada, não tocar a trombeta, e não for avisado o povo, e vier a espada e levar alguma pessoa dentre eles, este tal foi levado na sua iniqüidade, mas o seu sangue eu o requererei da mão do atalaia. Ez 33
8 Se eu disser ao ímpio: O ímpio, certamente morrerás; e tu não falares para dissuadir o ímpio do seu caminho, morrerá esse ímpio na sua iniqüidade, mas o seu sangue eu o requererei da tua mão. Ez 33
 
NOVO TESTAMENTO – SANGUE
 
35 para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que mataste entre o santuário e o altar. Mt 23
28 pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados. Mt 26
4 Pequei, traindo o sangue inocente. Responderam eles: Que nos importa? Seja isto lá contigo. Mt 27
6 Os principais sacerdotes, pois, tomaram as moedas de prata, e disseram: Não é lícito metê-las no cofre das ofertas, porque é preço de sangue. Mt 27
24 Ao ver Pilatos que nada conseguia, mas pelo contrário que o tumulto aumentava, mandando trazer água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Sou inocente do sangue deste homem; seja isso lá convosco. Mt 27
25 E todo o povo respondeu: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos. Mt 27
1 Ora, naquele mesmo tempo estavam presentes alguns que lhe falavam dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios deles. Lc 13
20 Semelhantemente, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto em meu sangue, que é derramado por vós. LC 22
44 E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue, que caíam sobre o chão. Lc 22
13 os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus. Jo 1
53 Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. JO 6
54 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Jo 6
55 Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Jo 6
34 contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. Jo 19
19 E mostrarei prodígios em cima no céu; e sinais embaixo na terra, sangue, fogo e vapor de fumaça.  Jl  2 E At 2
28 Não vos admoestamos expressamente que não ensinásseis nesse nome? e eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem. At 5
20 mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue. At 20
28 Cuidai pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue. At 20
25 ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos; Rm 3
9 Logo muito mais, sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Rm 5
16 Porventura o cálice de bênção que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos, não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? 1 Co 10
25 Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. 1 Co 11
27 De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. 1 Co 11
50 Mas digo isto, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus; nem a corrupção herda a incorrupção. 1 Co 15
7 em quem temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça, Ef 1
13 Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Ef 2
12 pois não é contra carne e sangue que temos que lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, conta os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniqüidade nas regiões celestes. Ef 6
20 e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus. Cl 1
14 Portanto, visto como os filhos são participantes comuns de carne e sangue, também ele semelhantemente participou das mesmas coisas, para que pela morte derrotasse aquele que tinha o poder da morte, isto é, o Diabo; Hb 2
7 mas na segunda só o sumo sacerdote, uma vez por ano, não sem sangue, o qual ele oferece por si mesmo e pelos erros do povo; Hb 9
12 e não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção. Hb 9
13 Porque, se a aspersão do sangue de bodes e de touros, e das cinzas duma novilha santifica os contaminados, quanto à purificação da carne, Hb 9
14 quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo? Hb 9
18 Pelo que nem o primeiro pacto foi consagrado sem sangue; HB 9
19 porque, havendo Moisés anunciado a todo o povo todos os mandamentos segundo a lei, tomou o sangue dos novilhos e dos bodes, com água, lã purpúrea e hissopo e aspergiu tanto o próprio livro como todo o povo, Hb 9
20 dizendo: este é o sangue do pacto que Deus ordenou para vós. Hb 9
21 Semelhantemente aspergiu com sangue também o tabernáculo e todos os vasos do serviço sagrado. Hb 9
22 E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão. HB 9
25 nem também para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio; Hb 9
4 porque é impossível que o sangue de touros e de bodes tire pecados. HB 10
19 Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, Hb 10
29 de quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do pacto, com que foi santificado, e ultrajar ao Espírito da graça? HB 10
28 Pela fé celebrou a páscoa e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos primogênitos não lhes tocasse. HB 11
4 Ainda não resististes até o sangue, combatendo contra o pecado; Hb 12
24 e a Jesus, o mediador de um novo pacto, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel. HB 12
11 Porque os corpos dos animais, cujo sangue é trazido para dentro do santo lugar pelo sumo sacerdote como oferta pelo pecado, são queimados fora do arraial. Hb 13
12 Por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta. HB 13
20 Ora, o Deus de paz, que pelo sangue do pacto eterno tornou a trazer dentre os mortos a nosso Senhor Jesus, grande pastor das ovelhas, HB 13
2 eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas. 1 Pe 1
19 mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo, 1 Pe 1
7 mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado. 1 Jo 1
6 Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só pela água, mas pela água e pelo sangue. 1 Jo 5
8 Porque três são os que dão testemunho: o Espírito, e a água, e o sangue; e estes três concordam. 1 Jo 5
5 e da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dos mortos e o Príncipe dos reis da terra. Àquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados, Ap 1
9 E cantavam um cântico novo, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo e nação; Ap 5
10 E clamaram com grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano, santo e verdadeiro, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?. Ap 6
14 Respondi-lhe: Meu Senhor, tu sabes. Disse-me ele: Estes são os que vêm da grande tribulação, e levaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro. Ap 7
11 E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até a morte. Ap 12
6 porque derramaram o sangue de santos e de profetas, e tu lhes tens dado sangue a beber; eles o merecem. Ap 16
6 E vi que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue dos mártires de Jesus. Quando a vi, maravilhei-me com grande admiração. Ap 17
24 E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra. Ap 18
2 porque verdadeiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande prostituta, que havia corrompido a terra com a sua prostituição, e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos.
14 Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes [no sangue do Cordeiro] para que tenham direito à arvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas. Ap 22  
 

Por isso foi que também Jesus, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta. Saiamos, pois, a ele, fora do arraial, levando o seu vitupério" (Hb 13.12-13).

As palavras "...para santificar..." esclarecem porque Jesus teve que sofrer e morrer "fora da porta". A Sexta-Feira da Paixão nos mostra, por um lado, a seriedade abaladora do pecado: se o Deus onisciente e onipotente não viu outro caminho a não ser deixar Seu amado Filho morrer publicamente de maneira terrível na cruz, a questão do pecado deve ser horrivelmente séria. Por outro lado, entretanto, também vemos nos acontecimentos do Gólgota a grandeza do insondável amor de Deus. A Sexta-Feira da Paixão também nos dá uma visão da profundeza assustadora da luta entre a luz e as trevas. Essa luta pelo poder já começou antes da fundação do mundo, quando a "estrela da manhã" caiu em sua orgulhosa rebelião contra Deus e se transformou em Satanás (comp. Is 14.12-15; Ez 28.14-17). O mesmo Satanás, em forma de serpente, enganou Eva, a mulher de Adão, o primeiro homem. Desse modo, acentuou-se o conflito entre a luz e as trevas até à hora em que foi decidido na cruz do Gólgota.

As palavras "pelo seu próprio sangue", em Hebreus 13.12, nos causam admiração e nos levam à adoração. Pois a Escritura diz em Levítico 17.11: "...a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas: porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida." Quando lemos atenta e repetidamente o Antigo Testamento, especialmente as leis sobre os sacrifícios e seus muitos detalhes, vemos repentinamente, à luz do sacrifício singular de Jesus Cristo, o significado da minúcia com que o Deus eterno ordenou todos esses sacrifícios através de Moisés:

  • a oferta pela culpa: Jesus tomou nossa culpa sobre Si
  • a oferta pelo pecado: Ele foi feito pecado por nós
  • a oferta pacífica: o coração de quem aceita a Jesus fica cheio de louvor e gratidão a Deus, pois passa a ter paz com Deus
  • o holocausto: ele aponta para a entrega completa do Filho de Deus
  • a oferta de manjares: ela representa a vida santa e sem pecado de Jesus

Mil anos antes do Gólgota, já ouvimos o grito de Jesus na cruz através da boca de Davi: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de meu salvamento as palavras de meu bramido? Deus meu, clamo de dia, e não me respondes; também de noite, porém não tenho sossego. Contudo tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel... Não te distancies de mim, porque a tribulação está próxima, e não há quem me acuda... Cães me cercam; uma súcia de malfeitores me rodeia; traspassaram-me as mãos e os pés. Posso contar todos os meus ossos; eles me estão olhando e encarando em mim. Repartem entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica deitam sortes. Tu, porém, Senhor, não te afastes de mim; força minha, apressa-te em socorrer-me" (Sl 22.1-3,11,16-19). Aqui já O vemos sofrendo "fora da porta" na palavra profética. E "lá fora", abandonado por Deus, Ele derramou Seu precioso sangue, que tem oito efeitos:

1. Ele purifica de todo pecado (1 Jo 1.7).

2. Ele redime do poder do pecado (Ef 1.7).

3. Ele nos resgata do fútil procedimento diabólico legado por nossos pais (1 Pe 1.18-19).

4. Ele produz paz com Deus (Cl 1.20).

5. Ele dá justificação diante de Deus (Rm 5.9).

6. Ele nos aproxima de Deus, a nós que "antes estávamos longe" (Ef 2.13).

7. Ele nos santifica (Hb 9.13-14).

8. Ele nos dá acesso livre à presença direta de Deus (Hb 10.19).

Mas, meus amigos, quão alto preço Jesus pagou por isso!

O que realmente aconteceu no Getsêmani

Já quando Jesus entrou naquele jardim na noite anterior à Sexta-Feira da Paixão, Ele foi preparado como o Cordeiro que seria morto. Dos evangelistas, somente Marcos fala dos sentimentos mais profundos do Senhor Jesus quando foi feito pecado lá no Getsêmani. Em Marcos 14.33-34 está escrito dEle: "E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia. E lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai." Em outras palavras: Sua expressão mostrava profundo temor e aflição.

Esse terrível temor, entretanto, não era da morte na cruz do Gólgota. Pelo contrário. Aqui no Jardim Getsêmani, Deus o Pai já começou a se afastar do Seu Filho, porque O fez pecado (2 Co 5.21). Então, os poderes satânicos da morte se lançaram sobre Jesus, para frustrar o grande alvo que Ele tinha em mente – redimir a ti e a mim. Quando Jesus viu que começava a morrer lá no Getsêmani, pouco antes de começar a agonia e Seu suor se tornar como gotas de sangue, Ele se inclinou diante do Pai e Lhe pediu: "Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e, sim, a tua. Então lhe apareceu um anjo do céu que o confortava. E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra" (Lc 22.42-44). Que cálice Jesus pediu que passasse dEle? Ele se referia ao cálice do Gólgota? Não, pelo contrário. Tratava-se do cálice que Ele teria que tomar evidentemente no Getsêmani, se o Pai não O livrasse dele. Esse cálice consistia para Jesus em ter que morrer já no Getsêmani, sem poder realizar a obra de salvação no Gólgota. Mas, conforme Filipenses 2.8, Ele foi "obediente até à morte (no Getsêmani), e morte de cruz (no Gólgota)." Por isso, no Getsêmani, Ele orou três vezes ao Pai com as palavras: "...contudo, não se faça a minha vontade, e, sim, a tua." Aí Deus interferiu, porque Seu amado Filho tinha passado também por esta prova de obediência. O que aconteceu no Getsêmani é também descrito em Hebreus 5.7: "Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte, e tendo sido ouvido por causa da sua piedade". Quando Jesus orou ao Pai no Getsêmani: "...contudo, não se faça a minha vontade, e, sim, a tua", o Pai O ouviu. Desse modo, por meio do sumo sacerdote e de Pilatos, Jesus foi conduzido ao Gólgota.

Tendo experimentado em Sua alma o ficar "fora" no Getsêmani, Ele teve que sofrer o "ser feito pecado" em corpo, alma e espírito – não mais na escuridão da noite, mas publicamente, de dia. Entretanto, está escrito dEle: "...o qual em troca da alegria que lhe estava proposta (de poder nos santificar), suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia..." (Hb 12.2).

As grandiosas dimensões dos sofrimentos de Jesus

Tendo como pano de fundo a luta milenar entre luz e trevas no mundo invisível, podemos imaginar o que o Filho de Deus teve que passar naquelas horas no mundo visível. O fato de Jesus ter sofrido "fora da porta" (Hb 13.12b), apresenta grandiosas dimensões. Pois, sofrer "fora da porta" significou para Ele:

1. Esvaziamento

Lemos a respeito em Filipenses 2.6-7: "pois ele, subsistindo em forma de Deus não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana." Quando o Filho de Deus se esvaziou a si mesmo da glória que tinha com o Pai e se tornou homem, Ele se dirigiu para "fora da porta", para tomar sobre si voluntariamente o "vitupério" (a afronta, o desprezo) que o aguardava.

2. Tornar-se realmente um com o pecado

Já no Getsêmani, como vimos, e então publicamente na cruz do Gólgota, Jesus Cristo foi feito pecado por nós por parte de Deus, o Pai: "Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus" (2 Co 5.21). Nós, que nascemos no pecado (Sl 51.5), nem podemos compreender o que significou para o Filho de Deus, que não tinha pecado, ser identificado com o pecado e, ainda mais, ser Ele mesmo feito "pecado".

3. Tirar todos os pecados

Jesus também sofreu "fora da porta" porque tirou os pecados de todos os homens de todos os tempos. João Batista exclamou a respeito dEle: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" (Jo 1.29). Não está escrito "tirará", mas que Jesus "tira" o pecado do mundo. Isso significa que já naquele tempo, quando encontrou João Batista, o pecado pesava sobre Ele.

Quando somos acusados injustamente de uma coisa ruim, que não fizemos, algo começa a "trabalhar" em nós. Isaías 53.11a fala profeticamente de Jesus, referindo-se ao "penoso trabalho de sua alma". Quanto trabalhou a alma de Jesus sob a carga dos bilhões e bilhões de pecados que foram lançados sobre Ele, isto é, atribuídos a Ele – o Cordeiro "sem defeito e sem mácula" (1 Pe 1.19).

4. O ser levantado na cruz

O sofrer "fora da porta" foi ainda mais profundo, ainda mais definitivo. Quem jamais entendeu a profundidade assombrosa das palavras de Jesus em João 3.14-15, que são tão indescritivelmente gloriosas para nós? Lá está escrito: "E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna." Por que o Senhor se referiu a esse acontecimento do Antigo Testamento? Resposta: naquele tempo, o povo de Israel se rebelou contra Deus e contra Moisés (comp. Nm 21.4-5). Como castigo, "o Senhor mandou entre o povo serpentes abrasadoras, que mordiam o povo; e morreram muitos do povo de Israel" (v. 6). Quando os restantes do povo foram a Moisés, arrependendo-se do seu pecado e confessando-o, e Moisés intercedeu por eles diante do Senhor (v. 7), "disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente abrasadora, põe-na sobre uma haste: e será que todo mordido que a mirar, viverá. Fez Moisés uma serpente de bronze, e a pôs sobre uma haste; sendo alguém mordido por alguma serpente, se olhava para a de bronze, sarava" (vv. 8-9). Somente quando o Senhor da Glória como que se identificou completamente com a antiga e má serpente e se deixou pregar no madeiro maldito, Ele pôde pisar a cabeça dela. Nesse momento, Ele, a luz do mundo, teve o mais intenso confronto com o poder das trevas; e Ele realizou essa luta completamente sozinho.

5. O abandono de Deus

Esse sofrimento "fora da porta" se tornou mais terrível para Jesus quando também Deus, o Pai, se afastou dEle, porque não O via mais como Seu Filho, mas como o próprio pecado. Pois Deus odeia o pecado com ódio eterno; mas Ele ama o pecador com eterno amor.

Agora vamos olhar em espírito para o Crucificado, com santa reverência:

O que Jesus realmente fez na cruz?

O solo em que se encontra a cruz é sagrado. Quanto já se falou, orou, cantou e pensou a respeito daquilo que Jesus realizou ali! E mesmo assim nos admiramos cada vez mais sobre Seu amor incompreensível!

No Novo Testamento encontramos 29 vezes a palavra "cruz" e 47 vezes o verbo "crucificar". Que nosso Senhor, durante Sua vida terrena, sempre tinha em mente a cruz é provado pela Sua repetida exigência de que todos que queriam segui-lO deviam "tomar a sua cruz" (comp. Lc 14.27; 9.23; Mt 10.38; 16.24; Mc 8.34; 10.21). Quando Moisés e Elias estiveram com Jesus sobre o alto monte, eles "falavam da sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém" (Lc 9.31); eles falavam da Sua cruz. O apóstolo Paulo o lembrou aos gálatas quando lhes escreveu: "" gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado?" (Gl 3.1). Em outras palavras: quem viu, ou seja, quem compreendeu o que Jesus fez na cruz, perde o orgulho e a obstinação; tal pessoa não pode mais cair de volta em esforços próprios para querer se justificar diante de Deus pelas próprias obras. Entretanto, devemos frisar antecipadamente que até hoje "a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus" (1 Co 1.18). E aqui já resplandece o indescritível que Jesus fez por nós na cruz. Nenhum homem é capaz de entender toda a profundidade das palavras encontradas em João 1.29: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" Hermann Bezzel (1861-1917) tentou expressá-lo com as seguintes palavras:

Vejam, essa é a grandeza de Jesus Cristo! Ele experimentou e sofreu em sua totalidade cada um dos pecados de que um homem é capaz. Tudo o que faz o pecado ser tão atraente: o prazer que ele promete; a vantagem que ele faz vislumbrar; o momento de satisfação que é obtido com um ato escondido; Jesus deixou tudo isso fazer efeito sobre si. Assim Ele veio à humanidade, a nós. Então, o pecado se tornou para ele não algo que se conhece de ouvir falar, mas uma realidade palpável. Desse modo, Ele assumiu o corpo da humanidade e passou por todas as tentações da grandeza e por toda a miséria da insignificância. Ele deixou vir sobre si tanto os atrativos e as tentações do poder como os fios de seda do engano com que uma vida humana é envolvida antes de ser presa em correntes de ferro e destruída. Mas, Ele não sucumbiu ao pecado!

Para mim, entretanto, o mais grandioso consiste do fato de que "Aquele que não conheceu pecado" Deus "o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." Isso significa que Jesus não somente tirou os pecados do mundo, que ninguém pode contar, mas que Ele, que não tinha pecado, assumiu nossa natureza pecaminosa e assim tomou sobre si o terrível castigo de Deus pelo pecado e pelos pecados.

Mas, por que isso tinha que acontecer justamente numa cruz? Por que não de outra forma, menos terrível? Encontramos o motivo em Gálatas 3.13, onde está escrito: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro". Por isso, em Seu caminho de sofrimentos, Jesus foi identificado tão claramente com Sua cruz. Por exemplo, em:

– João 19.17: "...e ele próprio, carregando a sua cruz..."

– João 19.18: "...onde o crucificaram..."

Pensemos por alguns momentos sobre essa última frase. Imaginemos em espírito, sem muitas palavras, o que aconteceu então no Gólgota: chegando à colina, eles fizeram rapidamente os preparativos. A cruz foi levantada e firmada; os martelos, cravos e cordas foram preparados. Uma grande multidão cercava a colina e se aglomerava para assistir ao ato horrendo que se realizaria. O Senhor estava tranqüilo, em silêncio. Certamente também Ele sentiu calafrios em Seu íntimo. O que, entretanto, devia estar se passando em Seu coração, em Seus pensamentos? O Salmo 22 o revela. Do fundo do Seu coração, Ele clamava ao Pai: "Não te distancies de mim, porque a tribulação está próxima, e não há quem me acuda" (v. 11). Oh! que terrível: cercado pelas Suas criaturas, a Origem da vida está sendo executada! Por isso, Ele orou: "Muitos touros me cercam, fortes touros de Basã me rodeiam. Contra mim abrem as bocas, como faz o leão que despedaça e ruge" (vv. 12-13).

Pouco antes da crucificação de Jesus está dito: "Deram-lhe a beber vinho com mirra, ele, porém, não tomou" (Mc 15.23). Era costume dar uma bebida anestésica aos criminosos antes da execução, como atualmente se anestesia um paciente antes de uma operação para tornar os nervos insensíveis. Não sabemos por qual motivo se fazia isso. Será que era por compaixão de quem ia sofrer? Creio que não. Certamente se agia assim por consideração àqueles que tinham que realizar o horripilante trabalho de pregar o condenado na cruz. Sem dúvida, muitos criminosos gritavam de forma abaladora, alguns se defendiam como leões depois da primeira martelada, outros conseguiam se soltar no desespero das dores. Portanto, naquele tempo cruel certamente se procurou um meio para facilitar tal trabalho sangrento.

De qualquer modo, é completamente errado supor que se tenha tido misericórdia do Senhor. Pelo contrário, também nesse caso se cumpriu o clamor profético do salmista: "não há... ninguém que por mim se interesse" (Sl 142.4). Jesus recusou a bebida anestésica. Ele queria tomar o cálice do Pai em plena consciência. Nenhuma gota de amargura deveria passar despercebida. Pois Ele sabia que não seria atingido por nada além daquilo que o Pai justo tinha determinado para Ele como expiação pelo mundo caído. Isso, entretanto, Ele queria tomar sobre si inteiramente como Substituto, em sagrado reconhecimento do justo juízo de Deus sobre o pecado. Isso é importante para nós. Também nós devemos suportar conscientemente os sofrimentos que Deus nos impôs. Ainda hoje o mundo oferece como má solução aos sofredores que se beba do seu cálice de tontear para esquecer, espantar e mitigar a dor. Sugere-se: deves desanuviar, deves aproveitar, não deves pensar continuamente em tua tristeza; vem conosco, te mistura entre os alegres, vai ao teatro, participa das nossas alegres festas, e logo perceberás que grande parte da tua tristeza é somente imaginação. Assim o mundo seduz. Assim ele quer curar a dor da tribulação.

O Senhor, porém, quer nos conduzir à comunhão dos Seus sofrimentos. Mas por quê? Em Filipenses 3.10-11 nos é dada a jubilosa resposta: "para o conhecer e o poder da sua ressurreição e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para de algum modo alcançar a ressurreição dentre os mortos." Sem a Sexta-Feira da Paixão nunca teria acontecido a Páscoa! Por isso, se Deus nos impõe um sofrimento, devemos senti-lo, tomá-lo sobre nós conscientemente e carregá-lo diante dEle com orações e súplicas. Então ele trará bênçãos presentes e eternas. Lemos no Salmo 126.5-6: "Os que com lágrimas semeiam, com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes." Um dia, certamente será algo glorioso além de qualquer medida ter passado pela comunhão dos sofrimentos de Cristo. O fruto da tribulação será grandioso além de qualquer expectativa!

O lado profético da Sexta-Feira da Paixão

Após Sua ressurreição, o Senhor se juntou aos desanimados discípulos no caminho de Emaús e "Então lhes disse Jesus: " néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras" (Lc 24.25-27). Também aos Seus demais discípulos Ele falou a seguir – referindo-se ao Gólgota e à Sua ressurreição – sobre o cumprimento da palavra profética: "São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco, que importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer, e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia" (Lc 24.44-46).

O principal tema de que o Ressuscitado tratou com Seus discípulos foi: o cumprimento da palavra profética através do Seu sofrimento, da Sua morte e da Sua ressurreição. Como já constatamos antes, também as leis dos sacrifícios do Antigo Testamento (ofertas pela culpa, pelo pecado, holocausto, etc.), em todos os seus detalhes, apontam com muita clareza para o sacrifício singular do corpo de Jesus Cristo. Mas Ele, nosso grande Sumo Sacerdote, é representado ainda mais nitidamente pelo sumo sacerdote antigo-testamentário. Como este podia ser imediatamente reconhecido? Por aquilo que o Senhor ordenou em Êxodo 28.36-38: "Farás também uma lâmina de ouro puro, e nela gravarás à maneira de gravuras de sinetes: Santidade ao Senhor. Atá-la-ás com um cordão de estofo azul, de maneira que esteja na mitra; bem na frente da mitra estará. E estará sobre a testa de Arão, para que Arão leve a iniqüidade concernente às cousas santas, que os filhos de Israel consagrarem em todas as ofertas de suas cousas santas; sempre estará sobre a testa de Arão, para que eles sejam aceitos perante o Senhor." Aqui temos a base profética antigo-testamentária daquilo que está escrito em Hebreus 13.12: "Por isso foi que também Jesus, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta." Em João 19.17 vemos Jesus em Seu caminho para o Gólgota: "Tomaram eles, pois, a Jesus; e ele próprio, carregando a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico".

Sua vida era de "santidade ao Senhor". E, pelo derramamento do Seu sangue na cruz, Ele entregou Sua vida santa. Pouco antes, Ele se referiu a isso em Sua oração sacerdotal, quando disse ao Pai: "E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade" (Jo 17.19). Esse elevado alvo, que Jesus tinha em mente quando se deixou crucificar, ou seja, que sejas "santificado", está sendo realizado em ti? Em outras palavras: és santificado para Ele? És Sua propriedade? Por que é tão importante para Deus que sejamos "santificados na verdade"? Porque somente dessa maneira corresponderemos à Sua vontade, que é descrita assim em Êxodo 28: "...para que me ministre o ofício sacerdotal..." (v. 3), ou: "...para me oficiarem como sacerdotes..." (v. 1,4). Esse é o objetivo, o grande alvo da Sexta-Feira da Paixão.

Os dois aspectos do Grande Dia da Expiação em sentido profético

Uma vez por ano Israel comemorava (e comemora) o Grande Dia da Expiação: o Yom Kippur. Nesse dia, ninguém realizava qualquer trabalho, pois todo o povo se reunia junto à tenda da congregação, ou seja, no templo. Somente o sumo sacerdote realizava a grande obra da reconciliação. Lemos a respeito em Levítico 16.30-32a: "Porque naquele dia se fará expiação por vós, para purificar-vos: e sereis purificados de todos os vossos pecados perante o Senhor. É sábado de descanso solene para vós outros, e afligireis as vossas almas: é estatuto perpétuo. Quem for ungido e consagrado para oficiar como sacerdote no lugar de seu pai, fará a expiação..."

Esse primeiro aspecto do Yom Kippur foi cumprido na Sexta-Feira da Paixão, quando Jesus Cristo não derramou sangue estranho, mas Seu próprio sangue e, assim, penetrou no Santo dos Santos: "Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção" (Hb 9.11-12). E para que realmente entendamos bem que o Yom Kippur – no que se refere à reconciliação – realmente foi cumprido, o autor da Epístola aos Hebreus volta mais uma vez ao assunto no mesmo capítulo: "Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus; nem ainda para se oferecer a si mesmo muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no Santo dos Santos com sangue alheio. Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar pelo sacrifício de si mesmo o pecado. E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos..." (Hb 9.24-28a).

A maravilhosa conclusão em sentido profético do Grande Dia da Expiação comemorado anualmente, entretanto, ainda está por acontecer, pois lemos logo a seguir: "...aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação" (v. 28b). Vocês vêem os centenas de milhares, sim, de milhões de filhos de Israel aguardando? O que eles aguardam? Por que, após quase dois mil anos de dispersão, eles voltaram de todo o mundo para Israel, à terra dos seus pais? Para esperar pela volta do Sumo Sacerdote em Suas vestes de glória! A respeito, os sumos sacerdotes do Antigo Testamento também tinham um "sinal dos tempos", pois em Êxodo 28.33-35 está escrito sobre as "vestes de glória" de Arão: "Em toda a orla da sobrepeliz farás romãs de estofo azul, púrpura e carmesim; e campainhas de ouro no meio delas. Haverá em toda a orla da sobrepeliz uma campainha de ouro e uma romã, outra campainha de ouro e outra romã. Esta sobrepeliz estará sobre Arão quando ministrar, para que se ouça o seu sonido, quando entrar no santuário diante do Senhor, e quando sair, e isso para que não morra."

Há quase dois mil anos, Jesus Cristo, como Grande Sumo Sacerdote, entrou no Santo dos Santos celestial pelo Seu próprio sangue (comp. Hb 9.12-14). Em breve, porém, Ele aparecerá com as vestes da glória, "sem pecado, aos que o aguardam para a salvação." Entretanto, somente aguardam realmente por Ele os que se deixaram santificar pelo sangue de Jesus. E, quem são esses? Aqueles que já tomaram a única atitude correta diante do que está dito em Hebreus 13.12: "Por isso foi que também Jesus, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta." Essa conseqüência obrigatória, vital, do Seu sangue derramado "fora da porta" pela nossa santificação é descrita com lógica inescapável no versículo seguinte, sendo expressa na exigência:

"Saiamos, pois, a ele, fora do arraial, levando o seu vitupério" (Hb 13.13)!

O que realmente se pretende dizer com isso? Trata-se de uma identificação completa com Jesus, como o fez Paulo, que testemunha em Gálatas 2.19b-20: "Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim." Quem quer entregar, como Paulo, sua própria vida, com todas as suas paixões e cobiças? Estás realmente disposto a renunciar a tudo que tens (comp. Lc 14.33) e a tomar Seu jugo sobre ti?

Quão vergonhosos são, freqüentemente, nossos lamentos! O Senhor começa a nos conduzir para onde podemos ter comunhão com Ele, isto é, para "fora do arraial", e nós gememos e dizemos: "Oh! Senhor. Deixa-me ser um pouco como as outras pessoas!" Jesus nos pede que tomemos um lado do jugo, dizendo: "...o meu jugo é suave..." (comp. Mt 11.29-30), vem para Meu lado, vamos puxá-lo juntos. Vem para fora, até mim, leva Meu vitupério sobre ti! Quem fizer isso, verdadeiramente estará buscando a santificação (Hb 12.14), ou seja, estará aceitando pessoalmente a santificação que o Senhor realizou pelo Seu sangue. Por isso, em crasso contraste, em Hebreus 10.28-29 estão escritas as sérias palavras: "Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?" Como filho de Deus, tua posição é de santificado pelo sangue de Jesus. Mas, como está tua situação de santificação pessoal – quão distantes estão a posição e a situação de santificação?

Olha para Jesus em Seu grande amor por ti: Ele se deixou sacrificar por ti! Não deveria ser o desejo do teu coração, sacrificar-te também por Ele? Ele se entregou por ti, Ele não ficou com nada para si, esquecendo-se completamente por tua causa. E tu irias esquecer dEle, não irias te entregar voluntariamente a Ele como sacrifício de louvor? Ele foi sepultado por ti no pó da morte; Ele suportou vergonha e a mais profunda humilhação por tua causa – e tu ainda irias cultivar teu amor-próprio e querer ter grande prestígio neste mundo, em que Ele foi tão desprezado? Ele curvou Sua cabeça; Sua cabeça estava cheia de sangue e feridas, de dores e escárnio – e tu ainda irias andar com pensamentos orgulhosos, mantendo tua cabeça erguida com altivez e inflexibilidade? Ele sofreu tantas dores e tormentos em Seu corpo e Sua alma, e tu ainda irias correr atrás de alegrias terrenas? Não queres também tu sair a Ele, fora do arraial, levando o Seu vitupério? Suas mãos foram traspassadas e farias armas de injustiça das tuas? Seus pés foram furados pelos cravos, e tu andarias pelos caminhos da desavença e da destruição com os teus? Ele foi levantado nu na cruz, e tu te exibirias com pompa e vaidade? Ele obteve eterna justiça através de profundas dores, e tu Lhe roubarias a glória ao procurares estabelecer tua própria justiça? Oh! não, tudo seja lançado ao pó, desprezado e considerado como refugo por Sua causa! Dize-Lhe agora de forma clara e decidida: "Senhor Jesus, quero sair a Ti, fora do arraial, levando o Teu vitupério!" 

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