AS BEM-AVENTURANÇAS - UM VERDADEIRO PARADOXO​​

Introdução:

Mateus tem o privilégio de narrar um dos mais famosos; senão o mais famoso dos sermões de Jesus ao povo, o sermão do monte. Jesus inicia este sermão com uma “assombrosa” promessa do seu reino, que são as bem-aventuranças.Naquela época, a expectativa do povo era muito grande em relação à chegada do MessiasUma pergunta poderia surgir frequentemente na vida desse povo: - o Messias chegou finalmente? Vejamos algumas particularidades deste ensino.

I – Qual era a realidade de Israel?

a)      Um povo humilhado.

b)     Sujeito aos imperadores governantes.

c)      Tendo que submeter-se ao poderoso império romano.

d)     Impostos altamente abusivos.

e)      Viviam à espera de um rei (Messias) para mudar a situação.

A realidade de Israel era essa. E chega o Rei que eles tanto esperavam para mudar a situação na qual se encontravam.

II- De que forma o Rei e Messias chegou de Israel?

a)      Não nasce em um palácio, e sim em uma manjedoura.

b)     Não morava em palácio luxuoso como um Rei; pelo contrário, Jesus disse: que não tinha lugar para reclinar a cabeça. (Mateus 8: 20).

c)      Não tinha uma carruagem com destaques como os Reis. Muito menos um cavalo branco todo vistoso; quando precisou de um, montou em um jumentinho.

Quando Jesus começa a falar sobre o sermão do monte a expectativa daquelas pessoas eram de que agora o cenário totalmente desfavorável iria mudar. Afinal, o Rei de Israel havia chegado. E pensavam - Ele vai instalar o seu reino e nos tirar desta situação e com isso poderemos medir forças com os imperadores-. Naquela época, onde prevalecia a lei, Israel esperava que Jesus aplicasse aos “inimigos” ou aos romanos que tanto os oprimiam o “olho por olho, dente por dente”. Afinal o Rei havia chegado! E com Ele a promessa de um novo reino. 

III – O paradoxo.

Jesus abre a boca e começa a falar de como seriam os privilégios de quem fizesse parte do seu reino agora chegado. Na introdução foi mencionado sobre as promessas assombrosas, isso porque estamos levando em conta todo esse cenário no qual passava o povo de Israel. Tente se colocar no lugar deles. Esperando alguém para se contrapor ao que você está passando e essa pessoa chega dizendo: “Bem-aventurados, ou ”felizes” os pobres...”. Mas não são os ricos que tem vez aqui? Riquezas para eles seriam um sinal da dádiva de Deus. Nessa promessa de Jesus está incluso os economicamente necessitados, embora esteja falando de forma clara com aqueles que aprenderam a inutilidade de ter esperança em qualquer coisa que não seja Deus. “Feliz é aquele que percebe estar desprovido de tudo diante de Deus, e que nada tem em si que é capaz de torná-lo aceitável diante de Deus. Ele faz a conclusão da frase dizendo: Deles é o reino dos Céus.

·        “Bem-aventurados ou “felizes” os que choram...” - são aqueles que sentem uma tristeza profunda, reconhecendo que a infelicidade é uma consequência do pecado pessoal, ou seja, reconhecem sua posição e suas fraquezas. Jesus diz: “estes serão consolados”.

 

·        “Bem - aventurados ou “felizes” os mansos” - a palavra grega aqui é, ausência de ostentação, manso está falando de uma pessoa que convive com os outros sem hostilidade, sem maldade, e sem arrogância ou orgulho. Pra essas pessoas a promessa é: “herdarão a terra”.

 

·        “Bem-aventurados ou “felizes” os que tem fome e sede de justiça...” -  Fome e sede são naturais na vida do ser humano, pois fazem parte de sua sobrevivência. Ambos falam de um desejo poderoso. As pessoas que estavam ouvindo este sermão sabiam muito bem o que era ter fome e sede. A justiça a que Jesus está se referindo não é o desejo de que os outros nos tratem com justiça. Não é buscar os seus direitos na justiça dos homens. Não é querer a vingança das ofensas. Essa justiça é o desejo por retidão. A promessa aqui é: “Serão fartos”.

 

·        “Bem-aventurados ou ”felizes” os misericordiosos”. Outras traduções para misericórdia podem ser: compaixão, amor terno. Por isso, misericórdia é a habilidade de se colocar “na pele” do outro. É a habilidade de se colocar na situação do outro para poder se identificar totalmente com a experiência triste que o outro está vivendo. O sinônimo de misericórdia é “compaixão” formada de duas palavras latinas: “com” + “paixão” = “sofrer com”. Temos que tomar cuidado para não confundir misericórdia com “sentir pena” da outra pessoa. Quando sentimos “pena” da outra pessoa, estamos julgando Deus de injusto. Quem assim procede Jesus promete: “alcançará misericórdia”.

 

·        “Bem-aventurados ou “felizes” os limpos de coração...” A expressão de Jesus, “limpos de coração” tem a ver com nossas motivações. “Do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” (Mt 15.19). A esses a promessa é: “Verão a Deus”.

 

·        “Bem-aventurados ou “felizes” os pacificadores...”.  Não existe limite para o aspecto de “paz” implicado neste versículo: paz com Deus, paz interior, paz interpessoal. A palavra paz é shalom e não significa ausência de problemas, mas sim segurança no meio dos problemas e do mundo o qual vivemos. Veja que nessa promessa tem uma particularidade; o Filho aprende com o pai. Então a promessa é de ser chamado filho de Deus.

 

·        “Bem-aventurados ou “felizes” os que sofrem perseguição por causa da justiça...”. Ser perseguido por pregar e viver a justiça tem recompensa. É quando diariamente carregamos nossa cruz, permitindo que nosso “eu” seja destronado e a pessoa e obra de Cristo ser entronizada. Se Ele for o centro de nossa vida; seremos capazes de fazer o que Estevão fez no dia em que foi morto por apedrejamento - recebeu forças e graça suficiente para interceder por aqueles que o apedrejavam.  A esses é prometido o reino dos céus. 

Não era isso que a maioria daquelas pessoas gostariam de ouvir do Rei que eles estavam esperando. E hoje isso não é muito diferente. Imaginem a Igreja do Séc. XXI ouvindo esse sermão de Jesus no monte! Uma igreja imediatista, voltada para bênçãos que quanto mais se tem mais deseja viver nesse mundo; uma igreja que anda atrás de um evangelho de auto-ajuda. Sem dúvidas ficaria pouca gente esperando terminar o sermão, pois se olhássemos de maneira superficial e sem uma visão de reino, muitos desistiriam mesmo. Afinal, essa não era a palavra esperada. Mas, na verdade, as bem-aventuranças são promessas valiosas demais, pois fala de um reino duradouro eterno.

Conclusão

Felicidade permanente era o que Jesus estava falando. Jesus estava honrando pessoas que não tinham muito privilégio nesse mundo. Ele ensinava que a felicidade não depende do que possuímos e nem do que fazemos, mas sim do que somos. Todas as bem-aventuranças são contrárias às opiniões comum. Foi por essa razão que as promessas foram consideradas assombrosas. Elas estavam em conflito direto com a sabedoria popular da época. Em uma sociedade onde os “bem-aventurados” são invejados pela sua riqueza, pelo seu orgulho, e pela sua popularidade; Jesus aclamou os pobres, os famintos, e os humildes. Nesse mundo do Séc. XXI onde vale quem tem posição, dinheiro, poder, fama, e honrarias; o sermão são promessas que independente do que esteja passando, ninguém pode arrancá-las do coração.